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1 artigo simone helen drumond fund. sócio, político e filosófico da educação

  1. 1. Fundamentos Sócio Político e Filosófico da Educação Simone Helen Drumond de Carvalho simone_drumond@hotmail.com http://simonehelendrumond.blogspot.com (92) 8813-9525 / 8808-2372 1) Discorra sobre as concepções filosóficas da educação: Para situar as tendências pedagógicas na prática escolar é importante refletir sobre asconcepções filosóficas que lhes dão suporte. - Concepção Humanista Tradicional Está marcada pela visão essencialista do homem, ou seja, de que ele é constituído deuma essência imutável. O eixo da educação é o intelecto, portanto, priorizam-se os conteúdoscognitivos, que são adquiridos pelo esforço intelectual. O papel de destaque cabe ao professor. Do aluno exige-se esforço e disciplinaintelectual. A linha de atuação é diretiva; valoriza-se a quantidade de conhecimento e apedagogia deve inspirar-se na ciência da lógica. O importante é aprender, atualizando aspotencialidades contidas à priori. Privilegia-se o adulto, considerado o homem acabado,completo. A criança é considerada um ser imaturo e incompleto. A educação é, pois, centradano educador, no intelecto, no conhecimento. - Concepção Humanista Moderna Centra-se na visão de homem calcada não na essência, mas na existência, que precedea essência. A natureza humana é imutável e determinada pela existência. A ênfase está nacriança, no educando, na vida, na atividade. Desloca-se o eixo do intelecto para o sentimento.O aspecto psicológico toma o lugar da lógica; no lugar do professor, o aluno; ao invés dos
  2. 2. conteúdos cognitivos, priorizam-se os métodos ou processo de ensino para valorizar ointeresse do aluno. Coloca-se o foco na espontaneidade, no não-diretivismo, na qualidade do processo. Ainspiração filosófica centra-se na experiência. Nesta teoria o importante é aprender aaprender. - Concepção Analítica Não pressupõe explicitamente uma visão de homem. A função da filosofia educacional éa de efetivar a análise lógica da linguagem. - Concepção Dialética Vê o homem como síntese de múltiplas determinações, por conseguinte, vê o homemconcreto. A filosofia é o instrumento cuja tarefa é a de explicitar as questões educacionais quesó se explicam tendo como referência o contexto histórico em que estão inseridas. As tendências pedagógicas buscam nas diversas concepções filosóficas educacionais ajustificativa para fundamentá-las. A Concepção Humanista, em suas duas vertentes, e a Concepção Analítica sustentamconceitualmente as tendências pedagógicas liberais. Já a Concepção Dialética sustenta astendências pedagógicas progressistas. Ainda neste contexto acrescento mais duas concepções muito importantes: - Concepção Pedagógicas Liberais Assim chamadas por estarem, de alguma forma, voltadas para a manutenção dosistema capitalista. Historicamente são conservadoras por suporem a manutenção do "statusquo" social. Defendem a neutralidade política da educação e amparam a reprodução dosistema. Visam a preparar os indivíduos para representarem papeis sociais de acordo comsuas aptidões.As tendências pedagógicas liberais, grosso modo, podem ser categorizadasem: Escola Tradicional, também conhecida como Educação Bancária, expressão cunhada porPaulo Freire, a Renovada ou Nova e a Tecnicista. - Concepção Pedagógicas Progressistas Partem da análise crítica das realidades sociais; procuram fornecer às camadasdominadas da sociedade instrumentos intelectuais que lhes permitam lutar pelatransformação social, bem como pelo exercício da cidadania.
  3. 3. Nas tendências pedagógicas progressistas, conquanto predomine a Escola Libertadoraou Crítica, merece destaque também a Escola Libertária e a Crítico-Social dos Conteúdos.O quadro explana sinteticamente as bases filosóficas das concepções: humanistatradicional, humanista moderna, da concepção analítica e da concepção dialética. Base Filosófica: Base Filosófica: Base Filosófica: Base Filosófica: Concepção humanista Concepção humanista Concepção analítica. Concepção dialética. tradicional. moderna. Centrada na análise Visão do homem concreto, Visão essencialista do Visão do homem lógica da linguagem síntese de múltiplas homem. centrada na existência. educacional e, em parte, determinações em face do na concepção humanista contexto histórico. moderna.- Educação que se - A finalidade da - A escola deve - O ensino é centrado noafasta da vida para escola é adequar às funcionar como aluno, que é o sujeitomelhor compreendê-la, necessidades modeladora do construtor de suapara confrontá-la com individuais ao meio comportamento humano, aprendizagem.modelos que social. através de técnicasrepresentam o ápice da específicas. - Todo aprendizado deveprodução humana, nas - O importante não é o partir do conhecimentociências e nas artes, a aluno dominar o - Só aquilo que é prévio do aluno.fim do aluno se apropriar conteúdo, mas objetivo, mensurável,desses modelos aprender a aprender = merece ser ensinado. - O processo educativouniversais. processo é mais visa formar o aluno nos importante que - O professor é um aspectos estético, ético- O papel do mestre é produto. ordenador no meio político e intelectual.essencial, cabe à ele escolar.graduar as dificuldades - Escola ativa = - O conteúdo deve sere tornar acessíveis ao aprender fazendo. - A aprendizagem abordado em suasaluno as grandes obras funciona pelo processo dimensões: conceitual,da humanidade. - Importância do bom de estímulo-resposta = procedimental e relacionamento afetivo instrução programada. atitudinal.- Valorização da cultura em sala de aula.geral, especialmente - A avaliação se dá - O ensino deve serliterária, e do saber - Todo aprendizado mediante testes significativo e aacadêmico. deve partir do objetivos. memorização interesse da criança. compreensiva.- Os modelos educativos - O planejamentoestão fora da - As diferenças educacional se dá em - O papel do professor éexperiência habitual do cognitivas são vistas moldes sistêmicos. o de mediador e deeducando, muitas vezes como naturais e o problematizador daopostos à vida e não processo - A ênfase recai nos aprendizagem.modelos de vida. ensino/aprendizagem objetivos instrucionais prevê tratamento observáveis. - Compromisso com os-O ensino é diferenciado ao aluno, problemas sociais.enciclopédico, não para diminuir as - A função da escola é aacadêmico e a diferenças, mas para de preparação deaprendizagem baseada aceitá-las como recursos humanos, aprincipalmente na naturais. educação é vista comomemorização. treinamento de mão de obra.- Ênfase nos conteúdos,repassados comoverdades absolutas.- O compromisso daescola é com a cultura. Fonte: http://simonehelendrumond.blogspot.com– Pedagogia 2008
  4. 4. 2) Descreva a influência do positivismo na educação brasileira e na práticaescolar: O positivismo é uma linha teórica da sociologia, criada pelo francês Auguste Comte(1798-1857), que começou a atribuir fatores humanos nas explicações dos diversos assuntos,contrariando o primado da razão, da teologia e da metafísica. O "Positivismo é a visão de queo inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas que derivem de alguma fonteexterna, mas, sim, confinar-se ao estudo de relações existentes entre fatos que sãodiretamente acessíveis pela observação". Em outras palavras, os positivistas abandonaram a busca pela explicação de fenômenosexternos, como a criação do homem, por exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas epresentes na vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética. Para compreender a influência do positivismo na educação e na pratica escolar, faz-senecessário compreender antes as principais características da filosofia positivista, que são: O estudo da ciência A filosofia positiva O ensino científico A filosofia positivapositiva fornece-nos deve conduzir a uma pode ser considerado pode ser consideradao único meio racional transformação do como a base da como a única basede pôr em evidência nosso sistema de educação geral, sólida da as leis lógicas do educação verdadeiramente reorganização da espírito racional sociedade Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinandoa imaginação à observação. O fundador da linha de pensamento sintetizou seu ideal em setepalavras: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Comte preocupou-se emtentar elaborar um sistema de valores adaptado com a realidade que o mundo vivia na épocada Revolução Industrial, valorizando o ser humano, a paz e a concórdia universal. A influência do positivismo na educação brasileira O positivismo teve fortes influências no Brasil, tendo como sua representação máxima, oemprego da frase positivista “Ordem e Progresso”, extraída da fórmula máxima doPositivismo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim", em plena bandeirabrasileira. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziriapara a perfeita orientação ética da vida social.
  5. 5. A filosofia positiva teve um caráter pedagógico muito grande na educação brasileira, poisalém de procurar reorganizar a sociedade através do estudo da ciência positiva tambémbuscou no ensino científico o suporte para que as ciências especializadas se desenvolvam.Seus seguidores pregavam a liberdade de ensino, provavelmente como uma forma de reaçãoao tipo de educação jesuítica predominante na época. Com isso, ao mesmo tempo em que asescolas particulares confessionais exerciam uma ação contrária ao positivismo, conseguiramgraças à atuação positivista a abertura do mercado brasileiro. São as escolas livres, como asde Direito e a Politécnica e as escolas e academias militares que se destacam pela formaçãode grande número de positivistas brasileiros. Deste modo, a criação de escolas técnicasesteve associada a uma orientação positivista, que via no ensino científico a base de umaeducação racional, enquanto as instituições religiosas dedicaram-se a uma educaçãohumanística. A Reforma Benjamin Constant rompeu com a tradição humanista clássica e a substituipela científica, de acordo com a ordenação positivista de Comte (Matemática, Astronomia,Física, Química, Biologia, Sociologia e Moral). Entretanto, não foram eliminadas as disciplinastradicionais, Latim e Grego, apenas se acrescentou ao currículo anterior o estudo dasdisciplinas científicas, tornando o ensino secundário ainda mais enciclopédico. Os princípiosorientadores da Reforma foram à liberdade e a laicidade do ensino e a gratuidade da escolaprimária. Além disso, pretendia tornar o ensino secundário formador e não apenas destinadoà preparação ao ensino superior. Os ideais positivistas no ensino da matemática em artigos de vários periódicos deram aeducação brasileira uma ênfase rumo a novas perspectivas. Observe que na Revista daEscola Politécnica (1897-1901); na Revista Polytechnica, fundada pelo grêmio de alunos daEscola Politécnica de São Paulo em 1904; na Revista Brasileira de Matemática, que surgiuem 1929; na Revista Mensal, periódico da Sociedade Científica e Literária Culto às Letras,fundada por alunos da Escola Militar de Porto Alegre em 1880; entre outros. A influência do positivismo no Brasil despertou no Rio Grande do Sul, com a liderançaideológica de Júlio de Castilhos e de Assis Brasil, gaúchos oriundos das Escolas Militares ede Engenharia do Rio de Janeiro e da Faculdade de Direito de São Paulo difundiram as idéiaspositivistas, o que possibilitou a organização da Escola de Engenharia, em 1896. Como autores de livros didáticos com orientação positivista Rio Grande do Sul, temosLuiz Celestino de Castro, coronel-engenheiro, que escreveu Lições de Arithmetica, em 1883,como livro texto para suas aulas na Escola Militar e Demétrio Nunes Ribeiro, engenheiro quese formou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e que trabalhou como professor e diretorda Escola Normal de Porto Alegre, tendo publicado dois livros didáticos Curso Elementar deArithmética, a primeira parte em 1881 e a segunda em 1882 e deixado dois outros livros
  6. 6. manuscritos. “Nem programas de ensino, nem pontos para exames preparatórios da época seimportaram com as discussões de âmbito filosófico sobre as matemáticas. Os pontos econteúdos a ensinar já estavam dados desde Ottoni. Não se estabeleceram umareestruturação e reorganização das matemáticas a ponto de ter existido uma ‘matemáticaescolar positivista’. Ou, o que seria mais preciso dizer, uma matemática elementar nos moldespreconizados por Comte.” Escola Politécnica do Rio de Janeiro, por exemplo, em 1882, o então diretor, Inácio daCunha Galvão, negou a Miguel Lemos a autorização para que este ministrasse um cursosobre Filosofia Positiva. Na câmara dos deputados, foram várias as manifestações contra apropaganda positivista, principalmente com relação à defesa da religião católica, adotadaoficialmente no país naquela época. Ao mesmo tempo, Comte escreveu sua obra FilosofiaPositiva em 1830 e a Matemática a que ele se referia era a do século XVIII e início do séculoXIX. Assim, quando Otto de Alencar Silva (1874-1912) inicia a publicação de seus trabalhosde pesquisa Matemática no Brasil, no final do século XIX, os novos conceitos e teorias daMatemática passam a ser divulgados e uma nova geração de matemáticos passa a refutar asidéias de Comte, procurando expulsá-las do ensino. Apesar deste enfraquecimento dopositivismo, vários docentes de Matemática ainda continuaram a citar Comte em seus livros-textos publicados para o ensino. O declínio da influência positivista no ensino brasileiro de matemática se daria a partir daReforma Francisco Campos (1931), que aceitou integralmente a proposta de reformulação docurrículo de matemática apresentada pela Congregação do Colégio Pedro II, em 1928. AReforma Francisco Campos estabelece a união das disciplinas matemáticas englobadas sobo título de Matemática e busca compatibilizar a modernização dos conteúdos e métodos doensino secundário com todos os pontos da proposta de Euclides Roxo, adotando como idéiacentral do ensino a noção de função, que deveria fazer a conexão entre os tratamentosalgébricos, aritméticos e geométricos dos conceitos. Na elaboração desta proposta, baseadano Movimento Internacional para a Modernização do Ensino de Matemática, destaca-se afigura de Euclides Roxo, diretor do Colégio Pedro II e seguidor das idéias que Félix Kleindefendia através da Comissão Internacional de Ensino de Matemática.Entretanto, o ideáriopositivista ainda se manteve atuante nas medidas governamentais no início da República e nadécada de 1970, quando houve a tentativa de implantação da escola tecnicista. Por exprimir aconfiança do homem no conhecimento científico, o positivismo conduz a uma visão de mundocoerente com a visão tecnicista de planejar, organizar, dirigir e controlar que foi introduzida noBrasil durante a ditadura militar e que prejudicou, sobretudo, as escolas públicas, porsubmeter o plano pedagógico ao administrativo e “transformar o professor em mero executorde tarefas organizadas pelo setor de planejamento”. Outro aspecto da influência do
  7. 7. positivismo que ainda pode ser notado em Educação Matemática é o que se refere à adoçãodo recurso pedagógico da História da Matemática dentro de um enfoque recapitulacionista daevolução dos conceitos, conforme mostraremos a seguir. A influência do positivismo na prática escolar Na pratica escolar, o positivismo reconhece apenas dois tipos de conhecimentoscientíficos: o empírico, encontrado nas ciências naturais, e o lógico, constituído pela lógica epela matemática. Isto faz com que as ciências em seu conjunto sejam elaboradas pormodelos matemáticos e estatísticos, dando um caráter fragmentário e disperso ao sabercientífico. Por outro lado, ao aceitar como realidade somente os fatos que possam serestudados, o positivismo também apóia a tese de que os estados mentais podem seranalisados pela observação de suas manifestações no comportamento, diminuindo assim aimportância dos fatores culturais. Ao adotar o método experimental-matemático como o únicoque conduz ao conhecimento verdadeiro, o positivismo adquire um caráter conservador elegitimador da ordem estabelecida, por não considerar os valores, ideologias e visões sociaisde mundo. Além disso, a visão positivista de que o único conhecimento verdadeiro é oproduzido pela ciência com a aplicação do método experimental-matemático obriga opesquisador a estudar a realidade através de partes isoladas e fixas, dá como exemplo osestudos sobre fracasso escolar que, ao invés de abordarem a dinâmica dos fatos, buscavamrelações simples com fatos como anos de magistério dos professores, grau de formaçãoprofissional, nível sócio-econômico etc. Desse modo, a neutralidade do conhecimento positivogarantida pela objetividade do cientista ignora a influência dos fatores humanos na pesquisa eo princípio da verificação ao afirmar que só é verdadeiro o que pode ser empiricamenteconfirmável, acaba por limitar o conhecimento científico à experiência sensorial. Com isso, osvalores culturais, as condições históricas e as diferentes condutas humanas são ignorados naunificação metodológica positivista para tratar a ciência natural e a ciência social. 3) Quais são as principais características do Neoliberalismo? E do Neoliberalismopolítico? Pode-se definir o neoliberalismo como um conjunto de idéias políticas e econômicascapitalistas que defende a não participação do estado na economia. De acordo com estadoutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio garante ocrescimento econômico e o desenvolvimento social de um país.
  8. 8. Surgiu na década de 1970, através da Escola Monetarista do economista MiltonFriedman, como uma solução para a crise que atingiu a economia mundial em 1973,provocada pelo aumento excessivo no preço do petróleo. Características do Neoliberalismo (princípios básicos): - mínima participação estatal nos rumos da economia de um país; - pouca intervenção do governo no mercado de trabalho; - política de privatização de empresas estatais; - livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização; - abertura da economia para a entrada de multinacionais; - adoção de medidas contra o protecionismo econômico; - desburocratização do estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitaro funcionamento das atividades econômicas; - diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais eficiente; - posição contrária aos impostos e tributos excessivos; - aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico; - contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do estado, ou seja, a leida oferta e demanda é suficiente para regular os preços; - a base da economia deve ser formada por empresas privadas; - defesa dos princípios econômicos do capitalismo. Críticas ao neoliberalismo Os críticos ao sistema afirmam que a economia neoliberal só beneficia as grandespotências econômicas e as empresas multinacionas. Os países pobres ou em processo dedesenvolvimento (Brasil, por exemplo) sofrem com os resultados de uma política neoliberal.Nestes países, são apontadas como causas do neoliberalismo: desemprego, baixos salários,aumento das diferenças sociais e dependência do capital internacional. Neoliberalismo político Depois que a dissolução da União Soviética selou o insucesso das economiascentralizadas, a expressão "neoliberalismo" passou a ser amplamente usada pelos meios decomunicação. Ela não se vincula, porém, a uma ideologia sistematicamente definida, mas éaplicada a posições ou situações de esquerda ou direita, mais progressistas ou maisconservadoras. Neoliberalismo, em sentido amplo, é a retomada dos valores e ideais do liberalismopolítico e econômico que nasceu do pensamento iluminista e dos avanços da economia
  9. 9. decorrentes da revolução industrial do final do século XVIII, com a adequação necessária àrealidade política, social e econômica de cada nação em que se manifesta. Em sentido maisestrito designa, nas democracias capitalistas contemporâneas, as posições pragmáticas eideologicamente pouco definidas dos defensores da política do "estado mínimo", que deveinterferir o menos possível na liberdade individual e nas atividades econômicas da iniciativaprivada e, ao mesmo tempo, manter, ampliar e tornar mais racional e eficiente o estado debem-estar social. Há neoliberalismo de esquerda, de centro e de direita. Antecedentes do Neoliberalismo O movimento neoliberal caracterizou-se, num primeiro momento, pela mudança dapostura liberal em relação ao papel do estado na vida econômica das democraciascapitalistas. Manifestou-se durante a grande depressão da década de 1930, quando defendeue implantou a intervenção do estado na economia para amenizar os efeitos sociais da criseeconômica. Num segundo momento, que coincide com a crise da economia mundial dadécada de 1970, distinguiu-se pela adoção de critérios de eficiência e de busca de solução deproblemas específicos do estado de bem-estar social e de progresso econômico nos moldesdo capitalismo contemporâneo. Adquiriu características nacionais específicas nos diversospaíses em que ocorreu e traduziu as posições dos partidos políticos que adotaram seuspostulados. Assim, em alguns países europeus continentais, foi assimilado por partidos de tendênciaconservadora e de direita; nos Estados Unidos e no Reino Unido, tornou-se bandeira dapolítica progressista e de intervenção do estado na economia nacional para evitar oucontornar crises econômicas, promoveu mudanças nas relações de trabalho e de produçãodas economias nacionais, que beneficiaram setores sociais mais desvalidos, e incentivou opapel do estado na atividade empresarial, especialmente em setores em que a iniciativaprivada se recusou a atuar, para aumentar a oferta de emprego. Foi denunciado poradversários conservadores como processo de socialização da vida do país pela criação doestado de bem-estar social. Neoliberais e conservadores É na verdade tênue o limite que separa neoliberais e conservadores, o que leva muitasvezes a uma identificação apressada das duas tendências. Há, no entanto, uma diferençafundamental: os neoliberais são progressistas, incentivam a mudança útil e defendem amanutenção do estado de bem-estar social, mas percebem a necessidade de reformá-lo parauma eficiência maior de gastos, a ampliação do universo dos beneficiados e a contenção deprivilégios conquistados por grupos de interesse de forte presença na sociedade e no
  10. 10. governo. Os conservadores, ao contrário, pregam a omissão quase absoluta do estadoquanto ao rumo da economia nacional, consideram que cabe à "mão invisível" do mercado acondução das questões econômicas e ao indivíduo a responsabilidade por seu progressopessoal e buscam restringir não só o universo dos beneficiários do estado de bem-estar masos próprios limites desse estado. A confusão mais freqüente entre neoliberais e conservadores se verifica em relação àspolíticas adotadas ao longo de toda a década de 1980 pelos governos conservadores dosEstados Unidos e do Reino Unido, países em que é mais clara a identificação doneoliberalismo. Na tradição política dos dois países, as idéias liberais são o fundamento daformação do próprio conceito de estado, da democracia e da construção de seus partidospolíticos. Nos Estados Unidos, os dois partidos que dominam o cenário político e se revezam nopoder, o Republicano e o Democrata, têm raízes liberais, mas divergem na visão do papel doestado. Para o Partido Democrata, o governo deve atuar na vida social e econômica nacional;para o Republicano, quanto menos governo, melhor. A primeira atuação do neoliberalismo americano ocorreu num governo democrata,durante a grande depressão da década de 1930, e deu origem ao New Deal de FranklinRoosevelt, que inaugurou a presença do estado como um dos motores da economia nacional,rompeu com a tradição liberal ao intervir na economia e não deixá-la ao sabor da iniciativaprivada, e deu origem ao estado de bem-estar. Os governos democratas ou republicanos que se seguiram mantiveram basicamente amesma estrutura até a eleição do republicano Ronald Reagan em 1980, que conseguiureverter a política do governo, apesar da oposição dos neoliberais democratas do Congresso,grupo que se elegeu a partir da crise da economia mundial da década de 1970 e da renúnciado presidente republicano Richard Nixon. Essa nova geração democrata no Congresso, herdeira do pensamento de JohnKennedy, acreditava num novo liberalismo que buscasse solucionar problemas e nãosimplesmente manter um sistema que apresenta falhas, especialmente no processo que regea aplicação dos benefícios do estado de bem-estar, deformado pelo excesso de instâncias eorganizações burocráticas. Identificaram-se com a classe média, suas necessidades einteresses, e não com a burguesia empresarial dominante no liberalismo conservador e secaracterizaram por uma visão reformista nas questões sociais e na política externa, por idéiaslibertárias e antimilitaristas. Chegou ao poder executivo com a eleição de Bill Clinton para apresidência em 1992. Seus grandes adversários são os conservadores do Partido Republicano, que buscamretirar do estado a função de promover o progresso individual dos cidadãos e incentivar, se
  11. 11. necessário com o corte de impostos, a presença cada vez maior da iniciativa privada naeconomia. Esse foi o programa do conservador republicano Ronald Reagan nos oito anos deseus dois mandatos na presidência e de seu sucessor também republicano George Bush. No Reino Unido, o liberalismo está também na raiz da formação dos partidosConservador e Trabalhista, embora os trabalhistas tenham se inclinado fortemente para asocial-democracia. Para o liberalismo britânico, o estado é sempre um mal necessário e deveser mantido dentro de limites restritos. Os trabalhistas britânicos têm pontos em comum com os democratas americanos; osconservadores defendem posições próximas às dos republicanos de Reagan. A expressãomaior do conservadorismo britânico é a ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, que em seus11 anos no cargo, de 1979 a 1990, promoveu um programa de privatizações das empresasestatais e combateu de forma radical os movimentos sindicais trabalhistas. Seu sucessor,John Major, também do Partido Conservador, deu continuidade ao processo em ritmo maislento. Uma das conseqüências dessa política do governo conservador foi a queda do poderpolítico dos sindicatos e de sua influência na sociedade civil. Liberais de ontem e de hoje A expansão do poder e da responsabilidade do governo que os liberais de hojedefendem é oposta à contração do poder e das responsabilidades do governo defendidospelos liberais de ontem. O conteúdo do liberalismo varia de acordo com a mudança dascondições nacionais e das contingências históricas mas sua inspiração é sempre a mesma: ahostilidade à concentração de poder que ameaça a liberdade do indivíduo e o impede derealizar suas potencialidades; a disposição de reexaminar e reconstruir as instituições sociaisà medida que surgem novas necessidades. Essa disposição, temperada pela aversão à mudança súbita e cataclísmica, é o quediferencia o liberal do radical, que ignora seus riscos; seu entusiasmo no incentivo aoprogresso e às transformações úteis distingue o liberal do conservador. Se o conteúdo varia,essas características constituem a forma distintiva e permanente do liberalismo novo ouvelho. Neoliberalismo no Brasil Na versão brasileira, o neoliberalismo defende a limitação da participação do estado naatividade econômica e identifica-se com o ideal de "estado menor" e mais eficiente. Opõe-seao corporativismo que domina as relações entre o estado e os poderosos grupos de interesseda sociedade civil que buscam influenciar as decisões de governo para manter privilégios,principalmente os que se formaram a partir das bases do trabalhismo lançadas por Getúlio
  12. 12. Vargas no período de 1930 a 1945 e do estatismo, iniciado também por Vargas e acelerado apartir de seu segundo período no governo, de 1950 a 1954, que beneficiou categoriasespeciais de trabalhadores e especialmente de empresários. Para o neoliberalismo brasileiro,já se esgotou o modelo de estado empresário, que supriu, num momento essencial dodesenvolvimento econômico, o papel do capital privado, que não se dispôs a investir emsetores essenciais. Durante a ditadura militar de 1964 a 1985, a presença do estado naeconomia se ampliou até responder por aproximadamente um terço dos investimentos nossetores produtivos e mais da metade do capital bancário, com atuação em áreas as maisdiversificadas da produção industrial e de serviços. O neoliberalismo brasileiro aproxima-se portanto do neoliberalismo americano e britânicoe não do conservadorismo representados por Reagan e Thatcher e se identifica muito maiscom o liberal-socialismo, que tenta uma síntese entre socialismo e liberalismo Referência:FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.20ªed., SP: Paz e Terra, 2001.MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 20ªed.,Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2006, p.21-33.MORIN, Edgar. O pensamento da ética. In: método 6. Ética. Porto Alegre: Sulina, 2005,p.19-30.

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