AÇÕES EDUCATIVAS EM SEGURANÇAE SAÚDE NO TRABALHO
Capítulo 1 – Aula 2. Comunicação oral efetiva
1.2.4. As chaves da comunic...
Essa atitude do professor pré-escolar é a que deve formar a base de um bom orador: um compromisso para
com o que se conta,...
O QUE UM BOM PEDAGOGO FAZ AO DIRIGIR-SE AOS ALUNOS?
Transmite uma informação,mas dentro de um contexto, do assunto.Faz com...
numeroso público. Contudo, passamos por cima do próprio sentido da expressão, que já explica um pouco da
situação vivida. ...
Um bom orador utiliza ferramentas pedagógicas para refrescar e tornar compreensível sua
mensagem.
O orador deve assumir o ...
1.4.2. Por que eu devo falar?
Provavelmente, antes de lhe ser apresentada a possibilidade de falar em público, você olhará...
Falar em público faz parte do processo de comunicação humana.
Este processo de comunicação implica frases, participantes e...
Vejamos o seguinte exemplo de um discurso:
Exemplo: Nenhum território geográfico ou cultural é, a priori, melhor que outro...
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As chaves da comunicação compilado

  1. 1. AÇÕES EDUCATIVAS EM SEGURANÇAE SAÚDE NO TRABALHO Capítulo 1 – Aula 2. Comunicação oral efetiva 1.2.4. As chaves da comunicação José Maria Martínez (2001): A introdução das tecnologias da informação, a globalização da economia e a inovação contínua criaram uma nova cultura baseada no conhecimento e na comunicação. Os trabalhadores mais qualificados são os trabalhadores do conhecimento, imersos em um processo de formação contínua e de aquisição de novas aprendizagens e experiências que se encontram em permanente atualização. (...) Parte importante das tarefas nessa nova sociedade é a adequada transmissão da informação aos demais, para o que as habilidades de comunicação, e em especial o falar bem em público e o transmitir bem as ideias são essenciais e cada vez mais valorizados. CHAVES  A comunicação é um processo humano; portanto, é passível de melhoria e aperfeiçoamento a todo instante. Não há leis absolutas. O processo ocorre na complexidade das relações e do contexto humano.  Comunicar-se implica uma dada ética; vale dizer, quero dizer algo, mas assumo que também posso e devo escutar e estar atento ao outro. Medir as palavras, não falar o que vem à cabeça.  A comunicação se desenvolve ainda sem que queiramos; portanto, devemos ter consciência dos s inais que estamos expressando. NÍVEIS DA LINGUAGEM  Culto: linguagem empregada por pessoas com domínio e riqueza de vocabulário e gramatica.  Inculto: linguagem falada com incorreções, erros e sem exatidões tanto gramaticais como de vocabulário. Usos da linguagem  Formal: linguagem utilizada naquelas situações comunicativas de índole oficial: discursos, aulas, inaugurações, conferências, etc.  Informal: linguagem usada em instâncias de conversas e familiaridade,como conversas entre pessoas,reuniões de amigos, etc. 1.3. O discurso público 1.3.1. O sentido pedagógico do discurso Falar a um público implica um exercício básico de docência. Conta-se algo supondo que quem escuta não sabe daquilo que de que se está dizendo ou, talvez sabendo, que não tenha refletido adequadamente sobre o assunto. Daí que a função de um orador seja, em primeira instância, a de um pedagogo (professor) que deseja ensinar um conteúdo com o objetivo de fazer com que seu público compreenda, interiorize (grave na mente) e desperte sua curiosidade para esse conteúdo. Se pensarmos num professor pré-escolar, podemos ver com clareza como em seu desempenho profissional utiliza uma série de recursos vocais e gestuais visando, além de contar algo, também convocar e impressionar seu auditório. Esse pedagogo precisa ainda de mais e melhores ferramentas que aquelas empregadas por um orador comum, pois seu público é altamente capaz de submeter-se a outros estímulos, ou seja, desviar-se da explicação do professor, ficar desatento, não prestar atenção no professor e sim em outra coisa que não é a aula.
  2. 2. Essa atitude do professor pré-escolar é a que deve formar a base de um bom orador: um compromisso para com o que se conta, mas também um compromisso para com o público. Há que fazer dos conteúdos uma construção atrativa, de estímulo à motivação, pois ninguém é obrigado a nos escutar. Em outras palavras, o conceito chave é ser agradável, entretido (divertido); é desfrutar de nossa função de comunicadores. Graças a esse desfrutar, o espectador poderá assimilar com maior facilidade os conteúdos ou a aula que se tenta transmitir. Que o ato de falar em público seja um processo gratificante, desfrutado tanto por quem o dirige como por aqueles que o recebem. Convém esclarecer, contudo, que o fato de um discurso ser divertido e gratificante não implica tirar dele seriedade ou profundidade. Essa queixa é frequente entre aqueles que tentam nos convencer de que há matérias e conhecimentos que devem ser entediantes (provoca tédio, sono) e que a importância está justamente na complexidade do que se apresenta. Esses oradores são aqueles que não miram o público, leem com voz monótona e parecem não fazer nenhum esforço por atingir uma melhor comunicação. Estão tão convencidos da importância de suas ideias que terminam por agredir o público, esquecendo que ninguém está lendo um livro, mas vendo alguém falar. O orador deve lutar contra a normal desconcentração do público. Há ruído no exterior. Os presentes podem estar cansados, com fome, com sono, etc. Para isso, recorre-se a técnicas pedagógicas: repete-se, pergunta- se, esclarece-se, emprega-se uma linguagem clara, corrige-se. Interação do orador com o público. Qualquer que seja a finalidade do falar em público (vender, mostrar um produto, informar a respeito de um projeto, fazer um crítica, elogiar alguém, etc.), o orador representa, para o auditório, uma autoridade, e como tal, está ali para contar algo de que não sabemos. É um professor, um relator que nos conta uma história. Como indicado por Xavier Guix (2005, p.94): As coisas mudam muito se são narradas. Falar em público "dizendo coisas" é tanto como limitar-se a "enumerar" coisas. O que pretendo transmitir é a importância de "reviver"aquilo que contamos. Porque nessa vida, na energia que utilizamos, está a diferença entre falar das coisas ou narrá-las.Quando há vida, há emoção;e isso é o que mais aproxima as pessoas. Assim o fazemos desde o princípio dos tempos. Como são as histórias contadas por nossos pais ou avós e que nos entretinham tanto? De que forma nos narram esses contos?  Há uma trama simples, mas decisiva.  Há personagens.  A voz é clara e bem articulada, inclusive chegando a representar personagens.  Há pausas, silêncios, gestos.  Fazem-nos perguntas sobre o final e podemos participar dando soluções ou pistas.  Emocionávamos, comprometendo-nos com o relato. Um aspecto-chave da perspectiva pedagógica de um discurso é lembrar-se da necessidade, ao comunicarmo-nos com outros, de elaborar nossa intervenção num tom conversacional (como se estivéssemos conversando). Conversar é uma eficaz maneira de entender uma comunicação equitativa, na qual, por um lado, contam-se coisas, mas também se ouvem perguntas, sugerem-se alternativas, assumindo que há outro que deve entender aquilo que estamos dizendo. Uma conversa implica:  dois ou mais participantes;  objetivos;  informação transmitida;  aceitação, dúvidas, reparos ou esclarecimentos de alguma das partes;  ritmos, pausas, silêncios;  linguagem não-verbal;  informação objetiva (dados, números, argumentos, etc.) e subjetiva (emoções, pensamentos, desejos, etc.).
  3. 3. O QUE UM BOM PEDAGOGO FAZ AO DIRIGIR-SE AOS ALUNOS? Transmite uma informação,mas dentro de um contexto, do assunto.Faz com que os dados adquiram sentido. Conta uma história e faz com que para seu auditório o que ocorra seja importante. O que faz um mal comunicador? Fala como se estivesse no Olimpo do saber.Não consegue vincular seu conhecimento à realidade de seu auditório. Não interage e limita-se a dar conta de seu conteúdo. Parece viver em outro mundo,fora da realidade em que vivemos. Exemplo 1: Discurso de Gettysburg - Abraham Lincoln "Há 87 anos, nossos pais fundaram, nesse continente, uma nova nação cuja base é a liberdade e a suposição de que todas as pessoas são criadas iguais”. Agora estamos envolvidos numa grande guerra civil, testando se essa nação, ou qualquer outra nação assim fundada pode ser duradoura. Estamos reunidos em um grande campo de batalha dessa guerra. Decidimos destinar uma porção desse campo a lugar de descanso final para aqueles que deram aqui suas vidas para que essa nação pudesse sobreviver. É, portanto, apropriado e correto que o façamos. Porém, por outra parte, não podemos dedicar, não podemos consagrar, não podemos santificar esse terreno. Os valentes homens, vivos e mortos, que aqui pelejaram, já o consagraram, ultrapassando nossas pobres faculdades para acrescentar ou tirar. O mundo notará pouco, nem por muito tempo recordará o que dizemos aqui; mas nunca poderá esquecer o que eles fizeram aqui. Somos nós que devemos nos dedicar à grande tarefa que temos diante de nós: que tomemos desses honoráveis mortos uma maior devoção à causa pela qual deram sua última cota de devoção; que tomemos a nobre resolução de fazer com que esses mortos não o tenham sido em vão; de fazer com que essa nação, protegida por Deus, nasça de novo em liberdade, e que esse governo, do povo, pelo povo e para o povo, não pereça jamais."1 Abraham Lincoln 1.3.2. A especificidade do discurso público Em meio a um mundo altamente voltado para a tecnologia e globalizado, continuamos sendo seduzidos pela palavra falada. Falar em público, eficazmente, é ainda uma porta mágica rumo à aceitação. O próprio Bill Gates deve ser persuasivo quando apresenta, em espetaculares eventos, as novas versões de seus produtos computacionais. Transforma-se num verdadeiro líder ao falar das vantagens de seus produtos; exemplifica, utiliza apoio gráfico, conversa com seu auditório, etc. Trate-se de um novo software ou da campanha publicitária de um xampu, a lógica continua sendo a mesma: o produto ou a ideia não bastam a si mesmos, é necessário comunicá-los, levá-los a conhecer. Falar em público é, então, a ferramenta mais útil para convidar a conhecer conteúdos. Se não somos efetivos comunicando, nossos esforços em outras áreas podem ser em vão. Martínez Selva (2001, p.11-12) afirma: Falar bem em público é um fator multiplicador muito importante para a promoção pessoal e profissional.As situações nas quais temos que proferir palestras, ou simplesmente realizar uma breve intervenção, ocorrem com muita frequência não só no trabalho, mas na vida cotidiana: em reuniões de associações ou com amigos, familiares ou vizinhos. São situações nas quais somos especialmente "visíveis". 1.4. O orador 1.4.1. Enfrentando o medo cênico Que é medo cênico? Em muitas ocasiões ouvimos falar do medo cênico e o associamos imediatamente à dificuldade, ao nervosismo ou pavor experimentado por alguém no momento de se deparar com um
  4. 4. numeroso público. Contudo, passamos por cima do próprio sentido da expressão, que já explica um pouco da situação vivida. Trata-se do temor de fazer parte de uma cena, de estar em lugar de destaque, sendo observado na condição de pessoa relevante, tanto como porta-voz, emissor de uma opinião ou de relator de um caso. A cena que tememos é aquela que devemos protagonizar; um roteiro que nos oferece o estrelato dos aplausos. Por que, então, temer se a recompensa é ampla? Não por acaso, poderíamos definir também o medo cênico em seu sentido negativo, e falar de imobilidade, impossibilidade e frustração. Preferimos, em contrapartida, abordá-lo como sendo o ponto de partida de um processo, aquilo que limita nossa necessidade de superá-lo. O medo cênico é uma fase da própria superação do medo. Dito de outra forma, o medo cênico não é entendido sem sua superação com a concreção plena do orador ao falar em público. Não falaríamos de medo cênico se não se nos apresentasse o desafio de falar em público. Vale dizer: já ganhamos um ponto nesse jogo: convidaram-nos a falar, a expor, a apresentar o que sabemos; portanto, devemos abordar a fase seguinte, a favor do êxito, que é enfrentar o medo cênico. E qual é o degrau a galgar? É, evidentemente, a superação desse medo, fase que está estudada e analisada, e, portanto não devemos intranquilizar-nos e pensar que só nós passamos por esse momento de dificuldade. Atenção! Dizemos superar o medo cênico, não acabar com ele. Por quê? Porque o medo, o nervosismo são aspectos naturais de qualquer processo humano, mas o ponto está em se dominá-los e usá-los sob parâmetros razoáveis e não permitir que nos controlem. Segundo Martínez Selva (2001, p.21-22): A agitação dos nervos experimentada ao se falar em público, os temores, o suor, as palpitações e demais alterações, interprete-os como "normais".Considere tratar-se de reações normais ante a situação. Não tem nada mais de especial. A agitação dos nervos é a manifestação do desejo e do esforço em fazê-lo bem. O público tolera bem as iniciais manifestações de nervosismo,as vê inclusive com simpatia porque se identifica com o orador e deseja que tudo saia bem. Os grandes oradores têm medo; os políticos mais destacáveis, os profissionais do microfone... então, quem é que não fica nervoso nessas circunstâncias. O melhor é incorporar esse medo ao nosso atuar. Como todo animal que atua como presa tem um senso de perigo, assim também o medo cênico nos mantém alerta, avisando-nos de que estamos expostos, de que somos observados, mas também nos recordando de que estamos vivos; sim, claro que nos observam, mas observam a nós, não a outros, e estão esperando que falemos e se estamos nessa posição é por alguma razão. Algo desse segredo é utilizado por atores e atrizes, que antes de entrar em cena também são presas de um nervosismo e temor natural associados ao fato de enfrentar o público. Porém, há algo que consegue atenuar esse temor: a satisfação de poder atuar, de poder desempenhar um papel e depois receber os aplausos. Assim também, para um orador, a ferramenta que permite vencer o medo cênico é a satisfação propiciada pelo fato de poder ser eloquente, ilustrativo e afirmativo; em outras palavras: ser um comunicador eficaz. Há medo cênico, mas também há a adrenalina do êxito. Para chegar a saborear esse manjar, é necessário pôr em prática uma série de técnicas e métodos que levam qualquer orador a se desinibir. Como em todo processo de superação de uma dificuldade, devemos ir por fases. No caso do medo cênico, a primeira coisa a fazer é reconhecer o tamanho do desafio. Se perguntarmos especificamente: O que me assusta a falar em público?  Estar de pé e ser observado por muita gente.  Falar coerentemente durante um tempo prolongado.  Mostrar-me como um especialista em um tema.  Conseguir ser entretido e convincente.  Fracassar em meu intento.  Dar um branco em meio à dissertação.
  5. 5. Um bom orador utiliza ferramentas pedagógicas para refrescar e tornar compreensível sua mensagem. O orador deve assumir o medo cênico como um traço inerente (que faz parte) ao fato de falar em público, utilizando a própria energia desse nervosismo. Como já indicado, o medo cênico sempre existe; o ponto é trabalhá-lo num sentido positivo. A única forma de trabalhar essas emoções, efetivamente, é colocando-nos na situação de falar em público. Como qualquer habilidade que se desenvolve, a comunicação oral em instâncias formais requer prática, uma prática sistemática que potencialize nossas virtudes e, simultaneamente, corrija nossos erros. MEDO CÊNICO Visão negativa Visão positiva Um montão de gente está me observando. Um grupo de pessoas espera por minhas palavras. Estou nervoso. Estou ansioso por começar. Esquecerei a informação. Tenho muito que lhes contar. Não sou um especialista no tema. O público quer conhecer meu ponto de vista. Não tenho uma boa voz. Tenho uma voz especial,fácil de lembrar. Nunca falei em público. Que boa oportunidade para começar a falar em público. Tenho só duas ideias a apresentar. Tenho dois conceitos fundamentais a compartilhar. Não saberei como responder às perguntas. Poderei ouvir seus pontos de vista e contrapô-los (contestar) com os meus. Esse tema não é importante para o público. Se o público está aqui é porque está interessado. Vão se aborrecer,não tenho senso de humor. Sou uma pessoa séria,tenho credibilidade. Sou demasiadamente engraçado,não me levarão a sério. Aproveitarei meu senso de humor para criar empatia. AÇÕES EDUCATIVAS EM SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO Capítulo 1 – Aula 3. Comunicação oral efetiva
  6. 6. 1.4.2. Por que eu devo falar? Provavelmente, antes de lhe ser apresentada a possibilidade de falar em público, você olhará para o lado tentando encontrar alguém que assuma a responsabilidade. Talvez como parte da normal angústia inicial nesses casos, você se perguntará do porquê ser você a assumir esse desafio, em circunstâncias em que outras pessoas podem, pensa você, desempenhar-se melhor nesse encargo. Você não acredita que o pedido tenha a ver com alguma observação positiva feita a respeito de sua pessoa? Que talvez lhe tenham pedido semelhante tarefa em virtude de suas possibilidades ou talentos para tal missão? Ou talvez seja outro o caso, como o de não haver, efetivamente, ninguém mais ou se dê alguma dessas ocasiões em que você mesmo se oferece de má vontade para preparar uma apresentação só por não poder fugir da responsabilidade. Se esse é o caso, felicitações, os fatos demonstram que você está ante uma oportunidade, um desafio, que provavelmente esperava iria demorar e demorar até que não fosse necessária sua participação, mas o caso é que está aí. Tem sua oportunidade de sair-se bem da dúvida e testar-se como orador, como comunicador eficaz. Pois bem, vejamos então, já tomada a principal decisão, as implicações do desafio. Por que você pode ser um bom orador? Por que deve falar ante o público? Que pode oferecer a ele? O grande segredo de um bom comunicador, mais que desempenhos superlativos em termos de voz ou movimento, é sua capacidade de trabalhar eficazmente com as ferramentas que a natureza lhe dotou; e para alcançar esse desempenho é vital que cada pessoa que suba a um palanque ou uma tribuna se conheça com plenitude. O que pode contribuir minha presença para esse projeto ou temática? Qual é meu caráter e como aproveitá-lo para potencializar minha exposição? Como me comporto ante situações de tensão e exigência? Etc. Um bom orador está consciente, talvez antes dos outros, de suas próprias limitações e por isso sabe o que pode e o que não pode fazer. Como você se vê em frente de um certo público, numa situação de comunicação pública? Para adiantar-se com relação às respostas, é necessário que você mesmo faça uma introspecção a respeito de seus próprios desempenhos, perguntando-se quais seriam suas características como orador ou que elementos o facultariam falar em público sobre determinadas matérias. A seguir, pergunte-se sobre seus pontos fortes. Quais são os traços distintivos que você, como orador, deveria explorar? Tem senso de humor? Sendo assim, trate de utilizá-lo sem cair no abuso. Uma palestra torna-se sempre mais amena se descobrirmos em quem fala uma pessoa simpática. Alivie os momentos de tensão ou de aborrecimento com uma anedota ou alusão jocosa. É metódico e organizador nato? Pois procure fazer com que isso se reflita nos detalhes de sua exposição. Utilize uma linguagem ad hoc, um bem elaborado apoio audiovisual, regule e controle o tempo, estabeleça um tempo para perguntas e comentários, etc. Tem uma voz forte e com caráter? Então, isso deve ser notado. Cumprimente eloquentemente. Leia o trecho de um texto de modo claro e preciso. Utilize os recursos persuasivos que sua voz lhe concede. Sua gestualidade é clara e comunicativa? Pois que se note isso em sua exposição. Mova-se pelo espaço. Use algum objeto em suas mãos para que o público perceba a trajetória e a manipulação desse objeto em seu poder. Utilize suas mãos como um suporte, uma metáfora daquilo que está pensando. É bem apessoado ou bem apessoada? Aproveite esse fator e potencialize o diálogo e a interação direta com o público. Terá pontos a seu favor. Tem boa memória? Utilize essa virtude para lembrar os nomes dos presentes, chamando-os pessoalmente. Isso sempre é bem visto pelo público.
  7. 7. Falar em público faz parte do processo de comunicação humana. Este processo de comunicação implica frases, participantes e contextos. Além disso, implica responsabilidades e compromisso ético com os conteúdos e com os receptores desse discurso. Falar em público implica a representação cênica de uma ideia ou de um produto. O orador faz um convite a seu auditório. 1.4.3. O ponto de vista, a perspectiva O aspecto chave para um orador convincente é que deixe claro seu ponto de vista com relação a um tema. O público deve verificar sem ambiguidades o que se está querendo dizer e de que forma o conferencista aborda o tema em questão. Para isso, é preciso que quem se disponha a falar em público se pergunte sobre qual é o ponto de vista de sua intervenção, ou seja, a partir de que visão abordará a temática. Esse ponto de vista redundará na estratégia com que logo se fará a elaboração do discurso. Certamente que o ponto de vista mantém-se em direta relação com os objetivos estabelecidos pelo orador. Em certas ocasiões pode ajudar bastante para definir os objetivos, estabelecer previamente a perspectiva com que se construirá a intervenção. Dessa forma, caso se determine que a perspectiva do orador será a de transformar- se num transmissor objetivo e informado, os objetivos deverão responder a esse perfil, definindo-se assim a linguagem, os materiais e as fontes a serem empregados na apresentação. Possíveis perspectivas de um orador:  Informado e objetivo.  Prático e funcional.  Crítico.  Subjetivo e poético.  Reflexivo.  Humorístico. Essas possíveis versões do orador não se contrapõem em sua totalidade e podem conviver dentro de um mesmo discurso. De fato, um bom orador consegue misturar essas perspectivas dentro de sua intervenção, gerando dessa forma uma apresentação dinâmica, crível, cheia de matizes, humana, convincente e persuasiva. Isso ocorre porque os elementos que emprega e o ponto de vista com que os utiliza assumem a diversidade de enfoques de toda a comunicação humana. Quando falamos em situações coloquiais, numa conversa de amigos ou no trabalho, etc., aparece uma série de linhas de ação, de perfis que cada um dos participantes dessa conversa tenta apresentar. Haverá alguém a desejar nos informar de alguma notícia importante com relação a uma nova nomeação na empresa; outro talvez queira abordar essa informação, buscando algum exemplo concreto para ver como aquilo afetará os empregados dessa seção; outro, ainda, talvez queira apresentar uma observação mais crítica em torno da nomeação, questionando a capacidade ou a habilidade daquele que ocupará o novo cargo; talvez outro reaja fazendo alguma piada em torno da situação, zombando das consequências da medida; finalmente, não faltará aquele a tecer, com algum grau de profundidade ou reflexão filosófica, um paralelo entre o trabalho e a condição do ser humano. Assim, nessa hipotética conversa, observamos diferentes perspectivas na abordagem de um fato comum: a nomeação de alguém para um cargo na empresa. Essas diferentes observações aludem a distintos pontos de vista sobre o tema em questão. Os matizes das observações, os distintos ângulos na abordagem de um evento específico é que dão riqueza a uma análise. Essa riqueza é que leva a se tentar buscar no momento de construir nossa apresentação em público, gerando uma perspectiva interessante, um ponto de vista atraente, tanto para os temas a tratar como para o público presente. Tente recordar de algum discurso que lhe tenha chamado a atenção, e estabeleça, na linha do que se apresentou mais acima, os distintos pontos de vista que apareçam na alocução.
  8. 8. Vejamos o seguinte exemplo de um discurso: Exemplo: Nenhum território geográfico ou cultural é, a priori, melhor que outro - VaclavHavel Que entendemos pelo termo "Ocidente"? Primeiro, é um território delimitado geograficamente que pode ser descrito como a região euro-atlântica ou euro-americana. Todavia, significa igualmente, se não de maior importância, definir o Ocidente em termos de seus valores e de sua cultura. O Ocidente tem, em essência, uma história econômica e política compartilhada que emana de um conjunto de fontes espirituais comuns. Por muitos séculos, o caráter de sua civilização e de seu ethos interno o equiparam para exercer uma maior influência sobre outras regiões e, eventualmente, para determinar de maneira desproporcional o atual perfil da ordem global. Sem dúvida, agora, aceita-se que o Ocidente exportou para o resto do mundo não só muitos resultados maravilhosos, mas também valores não tão merecedores de elogio, que resultaram na eficaz liquidação de outras culturas, na supressão de outras religiões e no fetichismo da incessante expansão econômica, apesar de seus efeitos qualitativos. Entretanto, o fator-chave nas presentes circunstâncias - sobretudo para nós, no que até há pouco era considerado o Leste - é que o Ocidente também aprofundou e propagou princípios fundamentais como o império da lei, o respeito aos direitos humanos, o sistema político democrático e a liberdade econômica. Apesar de muitos outros países agora também professarem esses valores, pertencem à outra área geográfica e, portanto, embora seja só por essa razão puramente externa, não se os pode considerar partes do Ocidente. Outra forma de pensar. Ainda assim, como cidadão de um país pós-comunista europeu, devo admitir que quando escuto as exigências ao estilo mantra em torno de nossa afiliação ocidental, da direção ocidental de nossas políticas e da obrigação das organizações ocidentais, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte e a União Europeia, de oferecerem-nos uma rápida admissão, me sinto muitas vezes um pouco incômodo. Há um tom implícito por trás dessa retórica que para mim é inquietante. Minha intranquilidade se fundamenta num raciocínio ignorado que define em parte os termos "Leste" e "Ocidente", pelo menos em nosso ambiente pós-comunista. O regime soviético, tanto na URSS como em seus satélites europeus, caracterizou-se pela opressão física e espiritual, pela dureza, pela ignorância, pelo monumentalismo vazio e por um geral estado de atraso, jactanciosamente apresentado como progresso. Esses traços contrastavam-se tão manifestamente com a cultura e a prosperidade do Ocidente democrático que nos levaram inevitavelmente a perceber o Ocidente como o Bem e o Leste como o Mal. Portanto, o termo "Ocidente" tornou-se, tanto inconsciente quanto intencionalmente, um sinônimo de avanço, cultura, liberdade e decência. "Leste", por outro lado, reduziu-se a um sinônimo de subdesenvolvimento, autoritarismo e estupidez onipresente. Não se precisa dizer que o final da divisão bipolar do mundo e o progresso de nossa civilização ao longo da rota que agora chamamos de globalização nos apressem a comprometer-nos com uma forma radicalmente nova de pensar a futura ordem mundial. Então, a percepção implícita da superioridade do Ocidente e da inferioridade do Leste é largamente indefensável. Nenhum território geográfico e cultural pode ser sempre considerado, ou como questão de princípio, melhor a priori que qualquer outro. Uma nova era. Com efeito, creio que o termo "Ocidente" deva tornar-se, pouco a pouco, uma palavra moralmente neutra de novo. No futuro, não deverá significar nem mais nem menos que uma região bem definida do mundo contemporâneo, uma das esferas da civilização a se caracterizar por ter uma história, uma cultura, uma escala de valores e um tipo de responsabilidade comuns, assim como por ter seus próprios interesses específicos. O mesmo também deverá ser verdade para a palavra "Leste", apesar de todos os problemas, evidentemente muito enraizados, que o afligem agora. Enquanto a palavra "Leste" evoca uma conotação pejorativa, e a palavra "Ocidente" uma afirmativa, será muito difícil construir uma nova ordem mundial com base na igualdade entre as diversas regiões. Não há nada de mau em ser parte do Ocidente, nem razão alguma para não professar essa afiliação. Por outro lado, ser uma pessoa ou um país ocidental não significa ser superior a priori. O mesmo deve valer para todas as demais entidades do mundo atual, e não há qualquer razão para envergonhar-se pela afiliação a qualquer uma delas. O respeito por outras identidades e a segurança de que todas são iguais devem correr paralelos ao esforço em se forjar uma ordem mundial baseada na paz e na associação genuínas; uma ordem que emane do compromisso universal com certos princípios morais e políticos que são absolutamente fundamentais.

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