Chumbo 

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tudo que sempre queriamos saber sobre o chumbo

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Chumbo 

  1. 1.  Chumbo  <ul><li>Conhecido desde a antiguidade, o chumbo foi um dos primeiros metais utilizados pelo homem.  A peça de chumbo mais antiga já encontrada data de 3.800 anos a.C. e está exposta no Museu Britânico. Existem registros de que os chineses extraíam e produziam o chumbo na forma metálica em 3.000 a.C. e os fenícios exploravam seus depósitos minerais na Espanha desde 2.000 a.C. </li></ul>
  2. 2. As formas de extração dos minérios utilizadas por esses povos não são conhecidas, porém existem evidências da existência de fornalhas rudimentares feitas de pedras, nas quais ocorria a queima dos minerais extraídos para a obtenção do metal
  3. 3. <ul><li>A primeira civilização a explorar extensivamente os depósitos de chumbo foi o Império Romano no século V a.C., utilizando as reservas existentes na Península Ibérica para variadas aplicações, como a confecção de objetos (taças e utensílios), fabricação de tubulações e torneiras, produtos de beleza e até na correção da acidez do vinho, através da adição de óxido de chumbo, que conferia à bebida um sabor adocicado. Incorporados ao padrão de vida do império romano,  estima-se que a confecção de produtos baseados no chumbo consumia de 80 mil a 100 mil toneladas do metal por ano. </li></ul>
  4. 4. Extração e produção <ul><li>A galena (PbS) é o principal mineral do qual o chumbo é extraído, além da anglesita (PbSO4) e a cerussita (PbCO3), que são minerais formados naturalmente a partir da galena. Os principais produtores são China, Austrália, Estados Unidos, Peru, Canadá e México, que respondem por 82% da produção mundial. </li></ul>
  5. 5. Pra que serve? <ul><li>O chumbo pode ser utilizado na forma de metal puro ou associado a outros metais, com variadas composições químicas. A produção do chumbo metálico é realizada genericamente em três etapas. A primeira é o beneficiamento do mineral para eliminação de impurezas e pré-concentração, a segunda e a terceira envolvem o aquecimento do mineral a altas temperaturas (sinterização e fundição, respectivamente), transformando o sulfeto de chumbo em óxido de chumbo e posteriormente em chumbo metálico. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>O interesse pelo chumbo ao longo da história e até os dias atuais deve-se às suas propriedades: boa maleabilidade, baixo ponto de fusão, resistência à corrosão, alta densidade, opacidade aos raios X e gama e estabilidade química no ambiente. Tais propriedades permitem seu uso em variadas tecnologias, como a fabricação de lâminas ou canos de alta flexibilidade e resistência, em soldas e revestimentos na indústria automotiva, em placas protetoras contra radiações ionizantes (p.ex. raios X), em ligas metálicas, revestimento de cabos, tintas, pigmentos e aditivos plásticos. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Atualmente o principal uso do metal, cerca de 80% da produção mundial, se concentra na fabricação de baterias de chumbo-ácido para automóveis. Essas baterias são constituídas por placas de chumbo metálico e podem ser recarregadas por funcionarem por meio de reações químicas reversíveis. Esse uso cresceu bastante ao longo das últimas três décadas, enquanto o uso do tetraetil-chumbo como antidetonante na gasolina, foi reduzido devido a problemas ambientais e de saúde pública. A Tabela 2 mostra os principais usos do chumbo no mundo todo entre 2005 e 2010. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>O consumo interno de chumbo no Brasil em 2007 atingiu 228 mil toneladas, aumentando 2,6% em relação ao ano anterior. A indústria de acumuladores abrange 95,6% desse mercado, devido à produção de baterias automotivas (89,9%) e baterias industriais (5,8%). O restante (4,3%) é utilizado na forma de óxidos pelas indústrias química, eletrônica, de vidro e cerâmica, pigmentos e siderúrgica. Esse consumo é abastecido pela produção secundária do País e a importação de produtos semi-manufaturados (refinado, eletrolítico, em lingote), manufaturados (pó e escamas) e compostos químicos (óxidos, carbonatos e silicatos de chumbo, principalmente). </li></ul>
  9. 9. <ul><li>A produção mundial do metal através da atividade de mineração (produção primária) decresceu 75% nas últimas três décadas, passando de 568 mil para 135 mil toneladas. No mesmo período, no entanto, a produção total, que inclui atividades de reciclagem do metal, chamada de produção secundária, aumentou 11%, passando de 3,4 milhões para 3,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da United States Geological Survey </li></ul>(Agência Americana de Pesquisas Geológicas  (USGS). A reciclagem de objetos que contêm chumbo é feita, principalmente, a partir de baterias industriais e de automóveis usadas.
  10. 10. <ul><li>No Brasil, a produção primária em 2007 foi de 16 mil toneladas, representando 0,4% da produção mundial, enquanto que a produção secundária atingiu 142 mil toneladas, ou seja, 3,2% da global. Toda a produção primária de chumbo do País é proveniente da mina de Morro Agudo (Paracatu-MG), sendo exportada para a Bélgica (33%), Suíça (30%), Marrocos (23%), China (7%) e Alemanha (7%). A produção secundária de chumbo origina-se principalmente da reciclagem de baterias automotivas e industriais realizada em usinas refinadoras, localizadas em alguns estados brasileiros. A recuperação das baterias usadas está em torno de 70% do total produzido. </li></ul>
  11. 11. Contaminação e efeitos tóxicos <ul><li>Como consequência do uso do chumbo ao longo da história, encontram-se relatos da contaminação de pessoas expostas e dos efeitos tóxicos associados, normalmente relacionados aos sistemas nervoso, hematológico, cardiovascular e renal. Os principais efeitos são: anemia, cólica, infertilidade em homens, irritabilidade, perda da atenção, vômitos, convulsões e até mortes, que dependem do grau de intoxicação e do tempo de exposição ao metal. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Há estudos que apontam a contaminação por chumbo como uma das possíveis causas da queda do Império Romano, devido ao alto grau de intoxicação da população e aos seus efeitos, que possivelmente ocasionaram a desorganização do império ao longo dos anos e os problemas de reprodução humana. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>A exposição ocupacional ainda é uma forma de contaminação significativa em muitos países para trabalhadores de fundições, refinarias e atividades de reciclagem do metal. Devido ao transporte de resíduos contendo chumbo do local de trabalho para casa, por meio de roupas, sapatos e cabelos, existe a possibilidade de contaminação dos filhos dos trabalhadores. Estudos indicam que a ocupação dos pais é um fator decisivo para o aumento da concentração de chumbo no sangue em crianças de diferentes faixas etárias. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Outras fontes importantes de exposição da população ao chumbo são os alimentos enlatados e as bebidas armazenadas em barris que contenham chumbo nas soldas. Alguns países têm reduzido ou eliminado o uso dessas soldas.  </li></ul><ul><li>No Brasil, uma lei federal proíbe que as tintas para fabricação de brinquedos contenham mais que 0,06% de chumbo em sua formulação. Muitas empresas já eliminaram o uso do chumbo há algum tempo. No entanto, ainda existem brinquedos fabricados com tintas à base de chumbo, principalmente aqueles importados da Ásia ou de procedência desconhecida. Portanto, cabe ao consumidor adquirir produtos de empresas idôneas. </li></ul>
  15. 15. Considerações Finais <ul><li>O chumbo foi um metal importante no desenvolvimento da humanidade e ainda é imprescindível em diferentes tipos de indústrias e aplicações do nosso cotidiano. Da difusão no Império Romano até os dias atuais, suas propriedades permitem desde seu uso em variados produtos a esculturas confeccionadas por artesãos. O uso do metal é importante para a sociedade, tendo em vista as suas inúmeras aplicações e benefícios. Os riscos à saúde humana estão sendo continuamente avaliados e reduzidos em alguns tipos de exposições específicas, no entanto, não devemos guardar uma imagem negativa desse elemento tão importante na história e em nosso dia a dia. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>O desafio para os profissionais da química é eliminar o máximo possível os problemas de contaminação. Nesse contexto, o profissional dessa área tem papel fundamental nos diferentes processos que envolvem os usos do metal, desde a extração e produção às diferentes aplicações na indústria. Além disso, a avaliação das quantidades de chumbo no ambiente, os possíveis efeitos tóxicos à saúde da população e a recuperação de áreas impactadas são assuntos que necessitam dos conhecimentos do profissional de química. O químico tem um papel fundamental na extração, análise, produção e reciclagem desse metal, o que exige conhecimentos de processos e tecnologias de área química. Também tem papel importante na análise e retirada do solo contaminado e na realização de novas análises para verificação da redução gradativa da contaminação. </li></ul>

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