Aula 1 o que é ciência

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Aula 1 o que é ciência

  1. 1. Texto base: O QUE É CIÊNCIA? SILVIO SENO CHIBENI A visão comum de ciência Constitui crença generalizada que o conhecimentofornecido pela ciência distingue-se por um grau decerteza alto, desfrutando assim de uma posiçãoprivilegiada com relação aos demais tipos deconhecimento (o do homem comum, por exemplo).Teorias, métodos, técnicas, produtos, contam comaprovação geral quando considerados científicos.
  2. 2. Há uma atitude de veneração frente àciência.
  3. 3. O “método científico” tem constituído uma dasprincipais preocupações dos filósofos, desdeque a ciência ingressou em uma nova era (ounasceu, como preferem alguns), no século XVII .Francis Bacon (1561-1626)Galileo Galilei (1564 – 1642)Isaac Newton (1643 – 1727)Entre outros
  4. 4. a) A ciência começa por observações. Bacon propôs que a etapa inicial da investigação científica deveria consistir na elaboração, com base na experiência, de extensos catálogos de observações neutras dos mais variados fenômenos, aos quais chamou “tábuas de coordenações de exemplos” .b) As observações são neutras. As referidas observações podem e devem ser feitas sem qualquer antecipação especulativa, sem qualquer diretriz teórica. A mente do cientista deve estar limpa de todas as idéias que adquiriu dos seus educadores, dos teólogos, dos filósofos, dos cientistas; ele não deve ter nada em vista, a não ser a observação pura.c) Indução. As leis científicas são extraídas do conjunto das observações por um processo supostamente seguro e objetivo, chamado indução, que consiste na obtenção de proposições gerais (como as leis científicas) a partir de proposições particulares (como os relatos observacionais).
  5. 5. O positivismo lógico – ou neopositivismo – é uma correntefilosófica desenvolvida e professada pelo famoso Círculode Viena (1920), grupo de intelectuais que teve granderelevância no cenário da filosofia analítica no começo doséculo XX. Essa tese se preocupou, basicamente, emdeterminar claramente que proposições teriam sentidoou não, para determinar o campo possível doconhecimento proposicional. Descobrir se uma preposiçãotem, ou não, significado, seria uma atividade obrigatória eanterior à investigação científica. De fato, a preocupaçãodos neopositivistas era excluir do campo da investigaçãopossível diversos problemas filosóficos que, segundo eles,eram pseudo-problemas, repousando sobre umaconfusão semântica.
  6. 6. Justificação lógica e a justificação empírica•A lógica não justifica tudo (nem todo o papel é combustível);•John Locke e David Hume apontaram, nos séculos XVII e XVIII, que ajustificação empírica da indução envolve dificuldades insuperáveis.•o reconhecimento de que o ideal original de certeza e infalibilidade doconhecimento geral do mundo exterior não pode ser atingido.•Procurou-se, assim, determinar condições nas quais o salto indutivo sejafeito da maneira mais segura possível.a)o número de observações de um dado fenômeno deve ser grande;b) deve-se variar amplamente as condições em que o fenômeno seproduz;c) não deve existir nenhuma contra-evidência, observação que contrarie alei.
  7. 7. •Essas condições não são suficientes para garantir as inferências indutivas, nem necessárias ao estabelecimento de nossas melhores teorias científicas. •Voltemos aos pontos colocados •o número de observações de um dado fenômeno deve ser grande; •Bomba de Hiroshima•deve-se variar amplamente as condições em que o fenômeno se produz;•O número de variáveis são inumeráveis.
  8. 8. •não deve existir nenhuma contra-evidência, observação que contrarie a lei. •A teoria se sustenta até ser derrubada;A visão comum da ciência: começo da investigação científica por observações.•Os catálogos baconianos são uma ficção, nunca tendo sido elaborados porqualquer cientista.•O cientista, quando vai ao laboratório, sempre tem uma idéia, ainda queprovisória e reformulável, do que deve ou não ser observado, controlado, variado.•Físico francês Louis de Broglie (comportamento ondulatório elétrons, átomos,etc.) contribuiu decisivamente para os desenvolvimentos que levaram aosurgimento da mecânica quântica, não se baseava de modo direto em nenhumaevidência empírica disponível na época (1924 ).
  9. 9. A neutralidade das observações•a análise filosófica e psicológica do processo de percepção fornece evidênciade que o conteúdo mental (idéias, conceitos, juízos) formado quando seobserva um determinado objeto ou conjunto de objetos variasignificativamente de indivíduo para indivíduo, conforme sua bagagemintelectual.
  10. 10. Karl Popper 1934 levantou objeções ao positivismo lógicosubstituir o empirismo justificacionista-indutivista da concepçãotradicional por um empirismo não-justificacionista e não-indutivista, que ficou conhecido por falseacionismo. Popperrejeita que as teorias científicas sejam construídas por umprocesso indutivo a partir de uma base empírica neutra, epropõe que elas têm um caráter completamente conjetural.Teorias são criações livres da mente, destinadas a ajustar-setão bem quanto possível ao conjunto de fenômenos de quetratam .Uma vez proposta, uma teoria deve ser rigorosamente testadapor observações e experimentos.“Aprendemos com nossos erros”, (Popper)
  11. 11. Segundo Popper, uma das vantagens da concepção falseacionista:Acredito que a teoria pelo menos alguma expectativa ou teoriarudimentar sempre vem primeiro, sempre precede a observação; eque o papel fundamental das observações e testes experimentais émostrar que algumas de nossas teorias são falsas, estimulando-nosassim a produzir teorias melhores.Conseguintemente, digo que não partimos de observações, massempre de problemas seja de problemas práticos ou de uma teoriaque tenha topado com dificuldades.
  12. 12. Problemas em relação a concepção falseacionista:•O problema de Duhem-Quine incide sobre os próprios fundamentos da concepção falseacionista deciência. Sua relevância é acentuada pelo testemunho da história daciência, que fornece muitos exemplos de conflitos entre previsõesteóricas e observações que foram resolvidos não pelo abandono dateoria particular que levou à previsão, mas por ajustes nas teoriassubsidiárias requeridas para a efetivação do teste.•O falseacionismo não reconhecia a importância das confirmações.“Tenha por ambição refutar e substituir suas próprias teorias.” Popper
  13. 13. LakatosUm programa de pesquisa lakatosiano é uma estrutura que forneceum guia para futuras pesquisas, tanto de maneira positiva, comonegativa. A heurística negativa de um programa envolve aestipulação de que as assunções básicas subjacentes ao programa,que formam o seu núcleo rígido, não devem ser rejeitadas oumodificadas. Esse núcleo rígido é resguardado contra falseações porum cinturão protetor de hipóteses auxiliares, condições iniciais, etc. Aheurística positiva constitui-se de prescrições não muito precisas queindicam como o programa deve ser desenvolvido... Os programas depesquisa são considerados progressivos ou degenerantes, conformetenham sucesso, ou persistentemente fracassem, em levar àdescoberta de novos fenômenos.

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