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produção com conseqüente diminuição de seu risco. Segundo Sorj (1982), o caráterda estrutura agrário, formado por pequenos...
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Gráfico 3 – Brasil Exportações e Importações de Carne Bovina (US$ milhões/ *Preliminar, ** Estimativa)          3000      ...
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Custos de transação: aparecem tanto na utilização do sistema de preços como emtransações regidas por contratos internos à ...
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Além dos agentes anteriormente citados que constituem elos fortes cadeiaprodutiva do frango, não se pode esquecer das enti...
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CONSIDERAÇÕES FINAIS        A partir da exposição realizada, constata-se uma grande diferençaorganizacional entre as cadei...
REFERÊNCIASCASTRO, W. L.; ASTUTI, E. L.; BOTELHO, F.B., Arranjos contratuais entrediferentes elos da cadeia avícola no Dis...
NOGUEIRA, A. C. L. Custos de transação e arranjos institucionais alternativos:uma analise da avicultura de corte no estado...
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Cadeia produtiva bivinos

  1. 1. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DAS CADEIAS PRODUTIVAS DAS CARNES DE FRANGO E BOVINA NO BRASIL: REFLEXÕES SOB A ÓTICA DAS INSTITUIÇÕESAdriana C. P. Vieira (Advogada, Msc. Direito, Doutoranda Economia Unicamp);Vivian Helena Capacle (Administradora Empresas, Mestranda EconomiaUnicamp); Walter Belik (Professor Instituto Economia Unicamp)ABSTRACT The chicken and beef’s production chain in Brazil developed and transformedthe country in to on of the greatest producers and international dealer of this product.Nevertheless, these products present different governance structural. In the chicken’sproductive chain, the governance structure that energizes the poultry industry has asa main factor the contractual relation between the processor and producers, alsoknown as vertical integration or almost-integration. In the beef’s productive chain,organized governance structural is hardly seen, as is an integration structure,contribution to lack on arrangement, underground proactive an opportunistsintermediary. To the New Institutions Economy Theory, it is known that thetransactions with the coordination action brings gains of bargain to all the networkingagents, reducing the uncertainty, the transaction costs, and the opportunism behaviorbeside others, all based on the grater production standardization and the totalqualitative takes. In this scope, the need to establishment a better governancecoordination to the beef productive chain, as it is on the chicken productive chainbetween government and private relationship is clear, besides the necessity of amore severe supervising activity. In this paper, the methodology process of makinguse of literature bibliographic revision and field research with producers was applied.The purpose of this paper, therefore, is to demonstrate the most important links ofthese productive chains, emphasizing these distinguished governances an structuraldifferences, suggesting greater structure coordination to the beef productive chain asit is on the chicken productive chain, seeking a reduction of its fragility in order tomake its Brazilian economic contribution more powerful.Key Word: Beef Productive Cain, Chicken Productive Chain, Transaction CostsEconomic.1. Introdução Cada vez mais presente nas refeições dos brasileiros, as carnes de frango ebovina apresentaram nos últimos anos grande expansão de suas produções. Essaevolução, de certa maneira, pode estar relacionada ao sucesso do plano econômicovigente, porém, é no seu desenvolvimento tecnológico e mercadológico que reside aresposta para esta expansão. Tanto que a carne de frango deixou de ser uma carnenobre destinada exclusivamente às classes superiores. Hoje esta carne estadifundida em todas as classes sendo inclusive fruto de marketing político. Um outrofator que contribuiu para o desempenho da produção desses itens é o resultado do 1
  2. 2. comercio exterior brasileiro, sendo que, atualmente o Brasil é o maior exportador dacarne de frango e o segundo maior exportador de carne bovina. Apesar das semelhanças nos expressivos resultados produtivos, essascadeias produtivas apresentam diferenças organizacionais e estruturais que setornam evidentes se analisados sob a ótica da Nova Economia Institucional.Enquanto que para muitos analistas o grande dinamismo da cadeia produtiva dofrango é oriundo da grande organização dessa cadeia, outros apontam que osproblemas apresentados recentemente (surto febre aftosa) na cadeia produtiva dacarne bovina foi fruto justamente da desorganização dessa categoria. O objetivoprincipal desse trabalho é demonstrar os principais elos das cadeias produtivas emestudo, destacando as diferenças organizacionais e estruturais, de forma a sugeriruma maior coordenação a cadeia de carne bovina, a exemplo da cadeia de carne defrango de forma a combater suas fragilidades. Para tal, o presente estudo é divididoem três partes além dessa pequena introdução. Na primeira parte, será desenvolvidauma analise do desempenho recente dos itens em analise. Na segunda parte, serádesenvolvido um breve relato teórico sobre a economia institucional para dar suportenas analises posteriores. Na terceira parte serão apresentadas as cadeias emanálise com base na sua estrutura e organização, e, por último, serão desenvolvidasas considerações finais com sugestões para o desenvolvimento da cadeia bovina.2. Panorama e desempenho das cadeias de carne de frango e bovina2.1 Cadeia avícola A criação de aves para o abate teve na historia recente da economiabrasileira um aumento de abates significativo que está intimamente ligada ao avançotecnológico e principalmente a criação na esfera industrial que acabou pormarginalizar a chamada avicultura tradicional. Segundo Sorj (1982), o marco inicialda avicultura industrial foi na década de 50, época na qual começou a substituiçãoda antiga avicultura comercial que havia se iniciado nos anos 20 e 30. Naquelaépoca tiveram início muitos estudos sobre a melhor exploração da atividade. Deacordo com o IPARDES (2002), os grandes frigoríficos que detinham a hegemoniana época, no processo extensivo, cederam lugar, sobretudo, aos grupos queconseguiam dominar a nova integração de grãos e carnes brancas e cuja origem erao comércio de grãos - como Cargil e ConAgra. Tal processo industrial dependeminimamente das condições naturais externas, o que acaba por conduzir o processode produção de aves muito similar a um sistema de produção industrial propriamentedito, dada a previsibilidade de sua produção. Os primeiros indícios da integração do setor no Brasil ocorrem no inicio dadécada de 60. De acordo com Castro Junior (2003) nesta época, surge no sul dopaís, uma avicultura integrada contratualmente. Esta estratégia de integraçãoconduz as empresas a algumas vantagens como, por exemplo, ganho de qualidadena matéria prima, abastecimento constante, redução dos custos industriais nasoperações de abate, padronização da carcaça, dentre outras. Estas empresasintegradoras poderiam repassar parte do custo da crise na avicultura tradicional aosprodutores enquanto as hierárquicas estariam mantendo ocioso um montante muitoalto em capital fixo para o avicultor, algumas vantagens seriam: maior produtividade,redução dos custos de produção e maior rentabilidade, formação de um plantelbásico de reprodutores de alto valor zootécnico, garantia de comercialização da 2
  3. 3. produção com conseqüente diminuição de seu risco. Segundo Sorj (1982), o caráterda estrutura agrário, formado por pequenos produtores disponíveis e em condiçõessociais que não apresentavam outras opções, facilitou que as empresasintegradoras impusessem a forma de relacionamento contratual. Nos últimos 30 anos, a avicultura brasileira e também a mundial sedesenvolveram e se modernizaram rapidamente e alcançaram níveis elevados deprodutividade, a Tabela 1 demonstra o desempenho no decorrer dos anos. Deacordo com o Girotto (2004), em 1970, eram necessários 50 dias para o crescimentoe engorda de um frango de corte que consumia cerca de 2,0 kg de ração para 1,0 kgde ganho de peso, sendo que 80% desse peso vivo poderia ser consideradocomestível. Atualmente um frango de corte fica pronto para o abate com 2,40 kg depeso vivo, aos 42 dias com conversão alimentar de 1,80 kg de ração/kg de ganho depeso. O consumo do frango industrial produziu grandes modificações nos hábitos deconsumo popular, pois antes, o frango “caipira” era o preferido pelo consumidor. Ofrango industrial impõe-se primeiramente nos supermercados com um públicoconsumidor fundamentalmente de classe média; com o decorrer do tempo, chega aingressar no consumo popular a ponto de ser considerado uma das âncoras desustentação da nova política econômica, o Plano Real, nos anos 1994 e 1995, vistoque os preços tanto do frango quanto de ovos estavam bastante acessíveis. Tabela 1 - Indicadores tecnológicos na produção de frango (1930/2005) Taxa de Ano Peso do animal (kg) conversão Idade de Abate Alimentar 1930 1,50 3,50 105 1940 1,55 3,00 98 1950 1,80 2,50 70 1960 1,60 2,25 56 1970 1,70 2,00 49 1980 1,80 2,00 49 1984 1,86 1,98 45 1989 1,94 1,96 45 1997 2,25 1,95 45 2005 2,24 1,80 42 Fonte: Elaboração própria do autor a partir de dados da CONAB/EMBRAPA Desde a década de 70, o Brasil tem vertiginosamente a sua participação nomercado exportador de carnes em geral, a ponto de no inicio da década de 80ocupar o segundo lugar entre os exportadores de frango Atualmente, dada a buscapor um nível tecnológico elevado, entre outros fatores, o país ocupa a posição demaior exportador de carne de frango do mundo, superando recentemente osEstados Unidos. Contudo, ainda ocupa o segundo lugar no ranking de produção,ficando logo atrás do seu principal concorrente do setor, os Estados Unidos. OQuadro 1 procura resumir as principais vantagens competitivas dos principais paísesexportadores de frango do mundo, podendo constatar a elevada vantagenscompetitiva que o Brasil possui no setor para o comércio internacional. 3
  4. 4. Quadro 1 – Vantagens competitivas na produção de carne de frango em paísesselecionados Fonte: IPARDES (2002) B = Bom MB = Muito Bom A relação entre o consumo da carne de frango e seu preço é medida pelaelasticidade-preço da demanda. A relação entre o consumo de carne de frango e ospreços de seus substitutos e complementares é medida pela elasticidade-cruzada.Para Santana apud IPARDES (2002), o coeficiente de elasticidade-preço para acarne de frango no Brasil foi estimado em -0,33 para o período 1990-1997. Issosignifica que a demanda por carne de frango é inelástica em relação ao preço. Paracada 10% de aumento no preço, pode-se esperar uma redução de 3,3% naquantidade consumida. Para elasticidade-cruzada, Santana apud IPARDES (2002)estimou um coeficiente de -0,28 em relação à carne bovina e de -0,40 em relação àcarne suína. Ou seja, para uma queda de 10% no preço da carne de frango,ocorreria um aumento de 2,8% na quantidade demandada de carne bovina e de 4%na quantidade demandada de carne suína. Esses coeficientes mostram que a carnede frango deixou de ser substituto para tornar-se um produto complementar dascarnes bovina e suína no mercado brasileiro. As estimativas do autor indicamtambém que a demanda por carne de frango no Brasil não é influenciada pelospreços das carnes bovina e suína, mas induzem fortes mudanças na demanda poresses outros tipos de carnes, ou seja, é um importante determinante do ajustamentodo mercado de carnes. De acordo com Girotto (2004), no período entre 1986 e 2004, o consumo percapta da carne de frango passou de cerca de 10 kg para perto de 35 kg/ano, quaseigualando a quantidade consumida de carne bovina. A magnitude deste crescimentotende a transformar o Brasil de um país preponderantemente consumidor de carnebovina para um país consumidor também de carne de frango. Comparativamentecom os outros tipos de carnes, a substituição foi apenas relativa e não absoluta.Considera, ainda, o autor que ocorreu crescimento na quantidade total consumidaper capita e nos três tipos de carnes aqui analisadas. O preço, junto com aqualidade do produto ofertado no mercado e a facilidade no seu preparo, importantenos dias de hoje, contribui para o excepcional crescimento do consumo interno decarne de frango. Ao analisar o consumo mundial, segundo a FAO1 o consumo médio mundial éde 11kg/hab/ano, sendo Hong Kong o maior consumidor per capita do mundo,enquanto o Brasil ocupa o quarto lugar. A carne de frango já ocupou o lugar da1 Food And Agriculture Organization Of The United Nations. 4
  5. 5. carne bovina como segundo tipo de carne mais consumida mundialmente, atrássomente da carne suína. Este bom desempenho, de acordo com o IPARDES (2002),pode ser atribuído a quatro fatores principais: a) seu baixo preço relativo diante das outras carnes; b) sua imagem de produto saudável junto ao consumidor; c) sua aceitação pela maioria das culturas e religiões; d) a gama mais variada de produtos à base de frango (principalmenteprodutos ditos de conveniência). A FAO estima que entre 1995 e 2005 o consumode carne de frango será duplicado. O Gráfico 1, permite analisar a distribuição espacial da produção de frango noBrasil, a partir do dado alojamento de pintos. A produção brasileira de carnes defrangos está centralizada em duas regiões do país, Sul e Sudeste, devidoespecialmente, à facilidade de criação, de embarque para exportação e ainda, àproximidade com os maiores mercados consumidores (IPARDES, 2002. Espacialmente, a região brasileira que mais cresceu relativamente naprodução de frango nos últimos anos foi a Região Centro Oeste. De acordo comGirotto (2004), a evolução da produção brasileira continua não apresentando osmesmos índices de desenvolvimento em todas as regiões. A Região Sul do país,região pioneira na produção integrada, tem aumentado continuamente suaparticipação, enquanto que a Região Norte tem apresentado pequena evolução dosvolumes produzidos. Um ponto a destacar é que na Região Sul predomina pequenas propriedadesagrícolas, que são compatíveis com a produção de frango, e que tendem aintegração.Gráfico 1- Capacidade de alojamento de pintos – (1997 – 2003)Fonte: UBA – União Brasileira de Avicultores A principal justificativa para o crescimento da produção de frangos na RegiãoCentro Oeste reside nos baixos custos da alimentação das aves. Os principaisingredientes da alimentação das aves são o milho e a soja, justamente itens que sãoproduzidos em abundância nesta região, o que torna a ração muito mais barata emcomparação às outras regiões brasileira. 5
  6. 6. 2.2 Cadeia de Carne Bovina No Brasil, a atividade pecuária de corte bovina remonta ao período colonial,com maior desenvolvimento a partir da década de 70, dada a expansão da fronteiraagrícola, a realização de investimentos em plantas industriais e, um forte estímulo àrealização de exportações para a Comunidade Européia e para os Estados Unidos. Contudo, de acordo com Perez (2003), foi na década de 80 que ocorreramsignificativos avanços nesse setor, com melhoramento das pastagens, manejos maiseficientes dos rebanhos, disponibilização de raças especializadas, entre outros,sendo que, todos esses fatores proporcionaram uma modernização do parquefrigorífico e da produção em geral, de forma a garantir uma melhor qualidade dacarne bovina. O país, nesse setor, defronta-se com um eficaz e moderno sistema decriação, dada as condições de criação a pasto que dispõe e apresenta umavantagem comparativa no quesito qualidade, pois o seu parque industrial está entreos mais modernos do mundo, o que confere ao país, um destaque internacional. Deacordo com Mathias (1999), a tendência por marcas e o desenvolvimento darastreabilidade2 são devido às exigências dos mercados internacionais desse setor,como por exemplo, a União Européia. Esses avanços acabam, como conseqüência,beneficiando alguns segmentos do setor no mercado interno. Os gráficos abaixo demonstram o volume de exportação e importação decarne bovina pelo Brasil em uma clara tendência ascendente no crescimento dovolume exportado, tanto em toneladas quanto em valores.Gráfico 2 – Brasil Exportações e Importações de Carne Bovina (mil ton, equiv.carcaça / * Preliminar, ** Estimativa).2500200015001000 Exportações Importações500 0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004* 2005**Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (2005).2 A rastreabilidade informa a origem da carne, dados dos animais e maneira de engorda. 6
  7. 7. Gráfico 3 – Brasil Exportações e Importações de Carne Bovina (US$ milhões/ *Preliminar, ** Estimativa) 3000 2500 2000Valores 1500 1000 Exportações Importações 500 0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004* 2005**Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (2005). A tendência ascendente das exportações do setor parece solidificar a posiçãode destaque do País no comércio internacional. De acordo com Graner (2006), asexportações de carne bovina, de frango e suína totalizaram US$ 8,06 bilhões no anode 2005, ou seja, 31,2% superior ao verificado em 2004. A expansão dasexportações de carne bovina ocorreu mesmo com o surto da febre aftosa, quandohouve o decreto de embargo ao produto brasileiro por cerca de 50 países. ParaGraner (2006) o crescimento deveu-se ao aumento do preço da carne bovina innatura em 5%, enquanto que a carne do frango in natura e da carne suínaapresentaram elevação no preço em 17% e 22,6%, respectivamente. Contudo, foi noquarto trimestre do ano de 2005 que as exportações de carne bovina sentiram oefeito do surto da febre aftosa, dada a retração nas exportações do produto em 18%,em relação ao mesmo período do ano de 2004. Ainda assim, de acordo com Graner(2006), o impacto nas exportações não foi maior porque o principal país exportadordo produto brasileiro, a Rússia, decretou embargo à carne brasileira provenienteapenas do Estado onde primeiramente se confirmou o surto da doença, Mato Grossodo Sul e, somente mais tarde, decretou embargo ao produto proveniente de outrosEstados brasileiros. Pelo Gráfico 4 observam-se as exportações brasileiras de carne bovina paraos vários blocos comerciais com destaque para a União Européia, Oriente Médio eRússia, principais destinos das exportações. 7
  8. 8. Gráfico 4 – Exportações de Carne Bovina Brasileira em 2004 (US$) Mercosul + Chile e Bolívia 8% Ásia 7% Nafta 8% Rússia Rússia Outros América Latina 3% 2% África Subsaariana 1%Oriente Médio e Norte da África 22% União Européia 39%Fonte: ABIEC (2004) apud SAMPAIO (2005) Todavia, mesmo com toda essa representatividade no comércio internacional,a cadeia da carne bovina no país ainda precisa avançar muito e superar muitosobstáculos, para no futuro, consolidar sua produtividade, qualidade ecompetitividade.3. A Economia dos Custos de Transação: Referencial Teórico Segundo a teoria neoclássica, os agentes têm conhecimento de todas asinformações presentes durante o processo de produção e durantes as relações decompra e venda. Cada produtor sabe o seu preço, tecnologia a ser empregada,enquanto que o consumidor sabe o quanto comprar e tem suas própriaspreferências. De forma inovadora, no trabalho, The nature of the firm, Coase (1937)demonstra que existem custos nas relações entre os agentes econômicos, custosestes diferentes dos custos de produção, no qual Coase os chama de “custos detransação”. Ainda de acordo com Coase (1937) os custos das transações, dacoordenação e da contratação deveriam ser considerados explicitamente para seentender a extensão da integração vertical. Os custos de transação foram definidos por Williamson, apud Zylbersztajn(1995), como os custos ex-ante de preparar, negociar e salvaguardar um acordo,bem como os custos ex-post dos ajustamentos e adaptações quando a execução deum contrato é afetada por falhas, erros, omissões e alterações inesperadas. Emsuma, são os custos de conduzir o sistema econômico. Seguindo esta temática Zylbersztajn (1995) propõe que o SistemaAgroindustrial (SAG) seja estudado como um conjunto de relações contratuais entreempresas e agentes especializados, com o objetivo de atender aos consumidores. Oautor relaciona os pressupostos da Economia dos Custos de Transação, abaixodescritos: 8
  9. 9. Custos de transação: aparecem tanto na utilização do sistema de preços como emtransações regidas por contratos internos à firma, o que significa que todos os tiposde contratos (externos ou internos à firma) são importantes para o funcionamento daeconomia.Ambiente institucional: as transações ocorrem em ambientes institucionaisestruturados (regulamentos formais ou informais nos diversos agrupamentos sociais)e as instituições interferem nos custos de transação, por afetarem o processo detransferência dos direitos de propriedade (uso, controle e apropriação de resultadosdos ativos).Racionalidade limitada: considera-se que o agente econômico busca umcomportamento otimizador e racional, mas que não consegue satisfazer essedesejo, dada sua limitação na capacidade cognitiva de receber, armazenar,recuperar e processar informações, o que faz com que não seja totalmente racionalem suas decisões.Oportunismo: conceito que resulta da ação dos indivíduos na busca de seu auto-interesse, mas com uma conotação não cooperativa. Ele pode ocorrer, por exemplo,quando um agente tem uma informação sobre a realidade não disponível a outroagente, e ela é utilizada de modo a permitir que o primeiro desfrute de algumbenefício do tipo monopolístico. Para analisar a transação, Williamson (1986) propõe a sua análise com basena especificidade dos ativos, à freqüência e incerteza envolvidos. Especificidade deativos, de acordo com o autor, desdobra-se em: a) especificidade locacional em que,sendo o ativo não deslocável, quanto menor a distância entre os agentes, maior oincentivo para a internalização da atividade; b) especificidade dos ativos físicos,pode-se estabelecer uma relação direta entre a especificidade dos ativos físicos e apropensão à internalização da atividade, no entanto, dependente do contexto dosagentes; c) especificidade do ativo humano, relação direta com a propensão àinternalização de atividade; d) ativos dedicados são aqueles elaborados para umautilização específica e, portanto, com altos incentivos para integração vertical.Diagrama 1 - Modelo para análise de transaçãoFonte: Williamson (1986) De acordo com Williamson apud Mizumoto (2003), a firma neoclássica édefinida como uma função de produção enquanto que pela economia dos custos detransação a firma é um arranjo institucional (Diagrama 2). Dada às característicasdas transações, as governanças podem ser de mercado, de hierarquia (governançaunificada) ou híbrida, apresentado diferentes custos. A governança de mercadoapresenta maiores incentivos e menores controles do que a governança dehierarquia. Assumindo a governança de mercado e hierarquia como extremos 9
  10. 10. polarizados, a estrutura de governança híbrida apresenta característicasintermediárias, dentro deste contínuo. A partir desses pressupostos teóricos se realizará uma análise descritiva decomo se caracteriza a cadeia produtiva da carne de frango e da carne bovina.4. Evolução dos arranjos institucionais nas cadeias avícolas e bovinas: Asdiferenças operantes No Brasil, de acordo com Nogueira (2003), a estrutura de governança quefavoreceu a dinamização da indústria avícola tem como principal componente ocontrato de parceria entre processadores e produtores rurais. Esse arranjo tambémé conhecido como “contrato de integração”, por criar uma situação semelhante àintegração vertical, pelos processadores, da fase de engorda dos frangos, ainda queos agentes permaneçam como entidades distintas. Para Martins (1996), adiversificação e a integração vertical ou horizontal e a delegação de tarefas aterceiros são estratégias que são adotadas quando convenientes aos interesses daempresa e um dos aspectos de conveniência é a possibilidade de reduzir os custos. No caso da cadeia de frango de corte, a denominação mais precisa é aapresentada por Blois apud Nogueira (2003), que discute a existência de umasituação chamada de quase-integração vertical, na qual algumas firmas conseguemobter as vantagens da integração vertical sem assumir os riscos ou a rigidez dapropriedade. Para esse autor, trata-se do desenvolvimento de um relacionamentoestreito entre clientes e fornecedores, baseado, principalmente, na dependência dofornecedor, relativa a uma parcela significativa de seus negócios, com relação a umcliente particular. O estudo indica que esse tipo de situação fornece ao consumidorum considerável poder de barganha sobre tais fornecedores, e que esse poderalgumas vezes é exercido para exigir condições especiais ou termos decomercialização que podem aumentar a dependência do fornecedor. Conclui-se queesse relacionamento pode ser considerado um tipo de integração vertical semformalização legal e que em diversas indústrias muitos fornecedores têm encontradodificuldades em manter sua independência de gestão em relação a grandes clientes. Ainda de acordo com Nogueira (2003), na configuração mais comum docontrato adotado na indústria avícola brasileira, o processador fornece ao produtor,pintos de linhagens selecionadas, ração, assistência veterinária, medicamentos egarantia de compra. O produtor é responsável pelos investimentos em instalações eequipamentos, e pela mão-de-obra. Ao final do ciclo de engorda, o pagamento doslotes de aves varia de acordo com índices de eficiência atingidos no processo(conversão alimentar, mortalidade, tempo de engorda). O contrato elimina os custosenvolvidos em transações de mercado, como o acompanhamento e a negociação dopreço, a busca de compradores e as operações de logística, aspectosrazoavelmente definidos no contrato. Ao se concentrar na atividade pecuária, oprodutor se especializa e pode buscar ganhos de produtividade e qualidade para oproduto final (conversão alimentar, tempo de engorda e sanidade). No caso da cadeia bovina de corte, conforme analisa Jank (1996), constata-se uma baixa presença de níveis de integração contratual e vertical. Os frigoríficosde carne bovina se abastecem diretamente do mercado spot de animais gordos, emgeral adquirindo o produto de intermediários especializados. Assim, predomina acoordenação de um agente intermediário que adquire o gado do produtor, otransporta e o vende ao frigorífico, em uma governança institucionalizada por meio 10
  11. 11. de contratos informais e verbais. Esse intermediário, anteriormente denominado demarchant, é hoje um comissionado, ou até mesmo funcionário de grandes e médiosfrigoríficos que adquire o gado de um único produtor ou, muitas vezes, de váriosprodutores, de acordo com os padrões e as especificidades já delimitadas pelofrigorífico. Nesse tipo de transação, o frigorífico não mantém qualquer relação com oprodutor sendo que esse intermediário que faz a busca do gado e o entrega para ofrigorífico que apresenta uma escala de classificação e remunera o produtor deacordo com essa escala. Porém, como o frigorífico tem certas exigênciasespecíficas, pode haver uma relação mais duradoura com certos produtores que jáconhecendo os requisitos demandados pelo frigorífico, produz de acordo com essespreceitos. No entanto, predomina um comportamento oportunista por parte dosfrigoríficos e posto isso, muitos produtores, diferentemente daqueles incapacitadosfinanceiramente, tem se empenhado em enquadrar-se aos padrões de qualidade eclassificação impostas pelos frigoríficos, com melhor manejo na produção eintrodução de tecnologias modernas, resultando em relações mais duradouras emenos oportunistas. De acordo com Jank (1996), além desse sistema de intermediação na comprade boi gordo mostrar-se um sistema arcaico e ineficiente, o sistema agroindustrial dacarne bovina caracteriza-se pela grave deficiência nos sistemas de fiscalização econtrole sanitário e pela concorrência desleal de frigoríficos e matadouros queoperam na clandestinidade. Isso contribui para a manutenção de um trade-off entrehomogeneidade tecnológica-organizacional e autonomia de organização, pois, essacadeia se caracteriza por uma elevada heterogeneidade tecnológica, organizacionale mesmo gerencial, compensada por uma grande autonomia de comercialização dopecuarista. Esse elevado gap tecnológico existente no abate e processamento deanimais em geral, indo de planta que seguem o padrão mundial de exportação atéfrigoríficos e matadouros clandestino faz com que se perpetue uma incapacidade demanter padrões generalizados de qualidade no setor de carne bovina. Já na cadeia da avicultura há uma forte homogeneidade tecnológica eautonomia de comercialização, uma vez que nos sistemas contratuais aremuneração advém basicamente dos índices técnicos de produtividade obtidos peloprodutor integrado, sendo que mesmo nos sistemas independentes o produtor ficasempre preso à alta perecibilidade do frango de granja, cuja determinação ocorrecom data prefixada (Jank, 1996). Assim, coloca-se em evidência uma elevadaassimetria entre os sistemas agroindustriais da carne bovina e da carne de frango,no que tange aos arranjos institucionais. No entanto, um ponto parece convergir entre as cadeias: a concentração dopoder de coordenação nos frigoríficos. Assim, na cadeia de carne bovina, aliderança, situa-se nos frigoríficos, que através da figura do comissionado ou doagente intermediário, busca a qualidade na carcaça para desossa e, principalmente,para ofertar um excelente produto ao consumidor externo, cujas exigências quanto àprocedência e qualidade do produto são elevadas. Assim, os frigoríficos garantemsua rentabilidade e o seu mercado, impondo uma certa barreira a outrosconcorrentes (Oliveira, 2005). Para os pequenos frigoríficos, a transação com o produtor ocorre diretamente,sendo o preço e não as especificidades qualitativas do produto o atributo principal.Isso se torna mais precário nas regiões menos desenvolvidas do país, como no RioGrande do Norte e Pará, por exemplo, onde predomina a clandestinidade com 11
  12. 12. ineficientes controles sanitários e padrões mínimos de qualidade, quando nãoinexistentes (Oliveira, 2005). Essa estrutura, portanto, pode estar relacionada ao comportamentooportunista dos frigoríficos e observa-se, portanto, um desinteresse em organizar acadeia com o estabelecimento de instituições que priorizem uma coordenação paraa qualidade. Como as transações na pecuária de carne bovina no Brasil ocorrem viamercado, dada a baixa especificidade dos produtos transacionados, pois, osprodutos oriundos da cadeia são considerados commodities, sendo a única variávelestratégica, o preço, a estrutura de governança de menor custo de transação vem aser justamente o mercado do tipo “spot”. Tornam-se raras, portanto, a ocorrência decontratos específicos e de maior duração entre frigoríficos e produtores. As relações,portanto, tornam-se conflituosas e com assimetrias de informação, pois o pecuaristanão sabe precisamente quanto o seu animal vai render no processo de abate elimpeza, ocasionando ações oportunistas por parte da indústria frigorífica. O Diagrama 2 demonstra a disposição da cadeia de carne bovina,apresentando tanto a forma de produção vertical, quanto a horizontal e com asproporções de cada um dos sistemas de acordo com dados do IBGE apud CEPEA(2006).Diagrama 2 - Fluxograma da Cadeia de Carne Bovina Insumos Produção Horizontal Produção Vertical Cria, Recria, Engorda Cria Recria Engorda Frigoríficos e Indústrias Mercado Interno Mercado Externo Açougues Supermercados OutrosFonte: Modificado a partir de CEPEA, 2006. No caso da cadeia produtiva do frango de corte, há três elos concentrados ecom poder relativamente grande de fixação de preços, os avozeiros, os frigoríficos eos supermercados. De acordo com Martins (1996), os setores da criação, produçãode milho e soja e os consumidores finais de frango têm reduzido poder denegociação de preço, embora o sucesso de cada elo da cadeia dependa de que ofluxo produtivo total não sofra sobressaltos. Os avozeiros estão em poder das 12
  13. 13. indústrias multinacionais, o que torna seus interesses muitos além da fronteiranacional, adicionando a este fator a posição estratégica que tem na cadeia. Osegmento constituído pelos abatedouros/frigoríficos/industrias de transformação dofrango atua na cadeia articulando a atuação de uma multiplicidade de agentesdentro de um timing por ele estabelecido. Para Martins (1996), cabe aos frigoríficos,ou por eles foi conquistada, grande parte da coordenação do funcionamento dacadeia produtiva do frango de corte (como na cadeia de carne bovina). O Diagrama3 demonstra o posicionamento estratégico dos frigoríficos dentro da cadeiaprodutiva.Diagrama 3 – Posicionamento dos frigoríficos na cadeia produtiva de frango decorte FRANGOS DE CORTE Distribuição ABATEDOURO Frangos Vivos GRANJAS DE FRANGOS DE ENGORDA Ração Pintinhos FÁBRICA DE RAÇÃO COORDENAÇÃO INCUBATÓRIO Ração Ovos Férteis GRANJA DE MATRIZES GRANJA DE OVOSFonte: Lima (1984) A preferência dos frigoríficos por contratar a produção da matéria-prima aoinvés de adquiri-la no mercado, pode ser explicada, pela redução do custo detransações: custo das informações sobre a demanda, oferta e preço do produto,custo envolvido com a instabilidade da oferta de alguns insumos, custos envolvidosna utilização de insumos de qualidade imprópria. Porém, de acordo com Martins(1996), a integração vertical teria o mesmo efeito, de forma que, de acordo com esteautor, a vantagem maior da contratação na produção de frango, da ótica dos 13
  14. 14. integradores, é adquirir o controle da produção sem incorrer nos investimentosnecessários a opção da produção própria via integração de fato. Uma vantagemadicional da produção sob contrato é dispensar a contratação de muitosfuncionários, o que tornaria complexa e onerosa a administração do conjunto. Como já mencionado os supermercados constituem o terceiro elo forte dacadeia produtiva do frango. Atualmente, os supermercados são gerenciados porgrandes corporações multinacionais que, por vezes, optam por ter sua marca própriaestampada na embalagem do frango. A coordenação e o poder de venda destasempresas acabam por torná-las as grandes marcadoras de preços na cadeiaprodutiva do frango de corte. No Diagrama 4, apresenta-se a composição da cadeia produtiva do frango decorte sendo demonstrado de forma sistêmica a partir de um fluxograma. Namontante tem-se a criação de avós importadas, a produção de matrizes, osincubatórios, as fábricas de ração, de equipamentos e de insumos químicos efarmacêuticos. A jusante há os abatedouros e frigoríficos e os equipamentos devarejo. As avós e matrizes descartadas também são enviadas para abate, além davenda de esterco dos frangos que é uma receita importante dos criadores.Diagrama 4 – Fluxograma da Produção de frango de corte Importação de ovos de avós Fábricas de equipamentos AVOZEIROS de Insumos MATRIZEIROS Químicos, INCUMBATÓRIOS Farmaceuticos Fábrica de Rações CRIADORES DE FRANGO Abatedouros (1º Frigoríficos (1º e 2º Processamento) Processamento) Frango Frango Frango Frango Industrializados Inteiro Cortes Inteiro Cortes Mercado Externo Supermercados Feiras Açougues Avícolas Outros Fonte: Martins (1996) 14
  15. 15. Além dos agentes anteriormente citados que constituem elos fortes cadeiaprodutiva do frango, não se pode esquecer das entidades que representam acategoria, uma vez que elas têm papel importante na coordenação do setor e deseus segmentos. Como já verificado por diversos autores, já apresentado nodecorrer do artigo, quando a cadeia do frango é comparada com outros setores daagropecuária, principalmente com a cadeia de carne bovina, a cadeia demonstraelevado grau de organização interna. De acordo com Jank (1996), o maior entrave à produtividade da cadeia decarne bovina no Brasil não se encontra na utilização de tecnologias, mas sim norelacionamento falho da produção com a indústria frigorífica e o setor varejista.Mesmo com um recente avanço na questão de qualidade da carne, ainda é escassaa percepção das demandas dos consumidores, não incluídos no fluxograma dosistema, sendo que os poucos avanços se referem às exigências do mercadoconsumidor externo e às mudanças de comportamento de alguns consumidoresinternos que se tornaram mais exigentes, dando preferência aos produtossemiprontos, aos quais são conferidos maior qualidade, com controle em todas asfases da produção, industrialização, transporte, distribuição e comercialização(Mathias, 1999). Além disso, os açougues são completamente desvinculados daindústria frigorífica e da produção rural em nada contribuindo para a detectar ascontínuas mudanças nos padrões de consumo. Portanto, os aumentosgeneralizados de produtividade e qualidade seriam alcançados por meio de umamaior padronização e diferenciação das carcaças, assim como o fim da desossa nosegmento varejista. Com a desossa da carcaça no próprio frigorífico, haverá umatendência em aumentar a qualidade da carne, além de contribuir para a redução doscustos unitários da carne ao consumidor final, pois se elimina o transporte de ossosque chegam a 25% do peso total das carcaças. Apesar da grande distância entre ofrigorífico e o centro consumidor, as aparas, sebo e ossos retornam ao seu local deorigem para serem destinados às indústrias de insumos e de alimentação animal,caracterizando, portanto, numa ineficiente logística de distribuição e comercializaçãodo produto (Mathias, 1999). Dessa forma, a desossa no segmento de abate e processamento vem a serum fator de reestruturação em todos os segmentos da cadeia produtiva da carnebovina, além de garantir uma maior qualidade e agregação de valor no produto.Porém, pode-se dizer que praticamente, todos os frigoríficos brasileiros vendemcarcaças, mas somente 60% dos frigoríficos têm condições de vender a carnedesossada e, um grupo muito pequeno, vende produtos industrializados (CEPEA,2006). Assim, de modo geral, os maiores desafios à cadeia de carne bovina no paísestão relacionados à irracionalidade das formas de comercialização, ou seja, àineficiência dos contratos praticados entre pecuaristas, frigoríficos e varejo. O maiordesafio vem a ser melhorar os contratos entre pecuaristas e frigoríficos, como umaforma de garantir uma oferta regular e padronizada na busca da qualidade para oconsumidor final. Isso também contribui para a redução do elevado nível deociosidade, que se situam em acima de 60% nos frigoríficos, e que se tornoutambém, num dos mais importantes problemas da cadeia, devido aos investimentospouco criteriosos, forte migração da atividade para a Região Centro-Oeste do país ecrescimento industrial desordenado em determinadas regiões, maior que a oferta deanimais (CEPEA, 2006). Ademais, é preciso viabilizar a todos os elos da cadeia, sistemastecnológicos que propiciem padrões de competitividade internacionais, dada a 15
  16. 16. elevada heterogeneidade tecnológica existente. Se analisada a forma decomercialização de bovinos no mundo, verifica-se que a forma mais comum decomercialização entre o campo e a indústria vem a ser o sistema de leilões. Apesardesse sistema não estar imune aos custos de transação, como custos de transportee monitoramento, essa forma institucional evidencia uma extrema racionalização. OBrasil comercializa apenas 30% nesse sistema, enquanto na Argentina, nos EstadosUnidos e na Comunidade Européia esse percentual é de 90% (Mathias, 1999). No Reino Unido, por exemplo, o sistema de parcerias se destaca na cadeiade carne bovina. Isso envolve produtores, indústrias e supermercados, sustentandoum relacionamento comercial de longo prazo, diferente do que ocorre no Brasil, quetambém apresenta, segundo abordado por Mathias (1999), uma falta depadronização das carcaças e regularidade na oferta de animais para abate a preçoscompatíveis com a atividade de exportação. Assim, contrapondo-se a essa falta de padronização e quesitos qualitativos dacarne brasileira há o exemplo de países europeus com um desenvolvido conceito depadrão de qualidade e marcas. Na França, por exemplo, há uma valorização dosprodutos alimentícios, justificando o sistema de certificação da qualidade dosprodutos, avalizada por um serviço oficial. A certificação é rigidamente concedida eos produtos são reconhecidos como de garantia superior, além de garantir umpadrão de referência com a função de permitir a redução de problemas deassimetrias de informações e as incertezas, quanto à qualidade da carne (Mathias,1999). Um outro exemplo é a do Uruguai, um pequeno país que se especializou emproduzir carne com certificação natural reconhecida por instituições de renome, naEuropa e Estados Unidos (Cavalcanti, 2005). O setor precisa se voltar para as suas principais deficiências e saná-lasdefinitivamente, pois, a cadeia da carne bovina no Brasil se caracteriza por umaelevada heterogeneidade produtiva. Essa particularidade acaba se refletindo noscustos e na padronização da matéria-prima para a indústria processadora, noelevado nível de clandestinidade e sonegação, e na desossa freqüentementerealizada no varejo, o que termina por impor uma ineficiência logística de distribuiçãoe comercialização do produto. Todos esses elementos são resultado da ausência decoordenação geral da cadeia e da quase que ausência de ação do Estado emalguns quesitos sanitários. Assim, é preciso retomar um Programa Federal de fiscalização, paracombater a clandestinidade e a sonegação na cadeia. É fato, portanto, que sehouvesse uma maior atuação fiscalizadora do Estado, a cadeia tenderia a seorganizar, incluindo-se aí as regiões produtoras menos desenvolvidas do país quesão as que mais apresentam problemas de sanidade. Assim, é preciso estabelecerrecursos mínimos para garantir a defesa sanitária, com continuidade dos serviços defiscalização, mesmo depois da obtenção de status livre da febre aftosa, por exemplo.A recente confirmação de surtos da doença, que resultou no embargo àsexportações de carne bovina brasileira por seus maiores importadores foi um sinalclaro da falta de fiscalidade existente, nos estabelecimentos produtores, naaplicação das vacinas, nas fronteiras do país com os produtores vizinhos e também,pela falta de uma maior coordenação e integração na cadeia. 16
  17. 17. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da exposição realizada, constata-se uma grande diferençaorganizacional entre as cadeias de carne de frango e de carne bovina, sendo, que aevidente articulação da cadeia produtiva do frango de corte tem gerado resultadosconsideráveis. Nessa cadeia, a integração vertical e a quase-integração possibilitamaos produtores um maior controle da produção e conforme a economia dos custosde transação possibilita redução de custos nas operações entre os agentes, além deinibir o comportamento oportunista e as falhas de mercado. O que ficou claro é queesta coordenação está atuando de forma enérgica nesta cadeia e que o poderexercido sobre o mercado interno e na busca de novos mercados externos colaborapara a manutenção desta estrutura de gestão. Assim, o que se constata é que uma maior organização na cadeia de carnebovina brasileira romperia com os comportamentos oportunistas, assim como, com oelevado grau de clandestinidade persistente ainda na cadeia. Por meio de umaestrutura mais coordenada, a exemplo da cadeia de carne de frango, o arcaico eprecário sistema de comercialização que ocorre por meio de um intermediário seriasubstituído por relações contratuais que minimizariam as falhas de mercado. Paraisso, propõe-se o estabelecimento de parcerias entre o aparelho público einstituições privadas. Criaria-se assim, uma representatividade coordenadoranacional capaz de implantar políticas de reestruturação para o setor, assim, como odesenvolvimento de uma marca que confira padrões mínimos de qualidade aoproduto, de forma a prover todo o setor de sustentáveis padrões de produtividade,competitividade e lucratividade, não apenas para os setores destinados ao mercadoexterno, mas, principalmente, àqueles que se destinam ao maior mercado dapecuária bovina de corte do país, o mercado interno brasileiro. Ademais, o fortalecimento, na cadeia de carne bovina brasileira, dorelacionamento da produção com a indústria frigorífica e o setor varejista, inserindo-se nesse sistema, o consumidor final contribuiria também na solução dasprecariedades da cadeia. Assim sendo, o desenvolvimento de um aparatoinstitucional, nesse caso, é um principal fator que proporcionaria um comportamentomenos assimétrico na cadeia, tornando-se necessário uma maior intervenção doEstado com um desenvolvido aparato fiscal, que possa garantir maior transparênciae eficiência nas transações, de forma a combater a clandestinidade e as fragilidadesda cadeia. Em fim, somente com o Estado sendo também um agente atuante e não,apenas como agente fiscalizador é que o setor poderá se organizar e se consolidarde forma sustentável, contribuindo positivamente para a economia do País. 17
  18. 18. REFERÊNCIASCASTRO, W. L.; ASTUTI, E. L.; BOTELHO, F.B., Arranjos contratuais entrediferentes elos da cadeia avícola no Distrito Federal. Brasília, 2005. Disponívelem: http://www.unb.br/ceam/neagri/publicacoes.htmCAVALCANTI, M. R. Marketing agressivo é essencial à pecuária. Visão Agrícola,USP ESALQ, SP, v. 3, Ano 2, p. 134-137, jan/jun 2005.CEPEA. Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. CadeiaAgroindustrial da Carne Bovina. Disponível em:<www.cepea.esalq.usp.br/indicador/boi/cadeia_boi.pdf>. Acessado em: 09 jan de2006.COASE, R.H. The Nature of the Firm. Economica, v.4, p.386-405, 1937. Reimpressoem WILLIAMSON, O.E.; WINTER, S.G. (Eds.) The nature of the firm: origins,evolution and Development. Oxford, Oxford University Press, 1991.CONSELHO NACIONAL DA PECUÁRIA DE CORTE (2005). Disponível em:<http://www.abiec.com.br/abiec/estatisticas/corte.pdf>. Acesso em 06 jan 2006.GIROTTO, A. F., MIELI, M. Situação atual e tendências para a avicultura decorte nos próximos anos. EMBRAPA, 2004. Disponível em:http://www.aviculturaindustrial.com.brGRANER, F. Superávit da balança comercial do agronegócio é de US 38,4bi. OEstado de São Paulo. Comércio Exterior. 06 jan de 2006.IPARDES, Analise da competitividade da cadeia agroindustrial da carne defrango no estado do Paraná. Curitiba, 2002.JANK, M.S. Competitividade do Agribusiness Brasileiro: Discussão Teórica eEvidências no Sistema Carnes. 1996. Tese de Doutorado (Administração) –Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de SãoPaulo, São Paulo-SP.MARTINS, S. S., Cadeias produtivas do frango e do ovo: avanços tecnológicose sua apropriação. Tese de Doutorado. Fundação Getúlio Vargas, São Paulo-SP,1996.MATHIAS, J.F.C.M. Modernização e Qualidade no Sistema Agroindustrial daCarne Bovina Brasileira. 1999. Dissertação de Mestrado (Economia) – Instituto deEconomia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP.MIZUMOTO, F. M. Relações contratuais no sistema agroindustrial de ovos.Working Paper 03/23. Universidade de São Paulo, 2003. 18
  19. 19. NOGUEIRA, A. C. L. Custos de transação e arranjos institucionais alternativos:uma analise da avicultura de corte no estado de São Paulo. Dissertação deMestrado. Universidade de São Paulo-SP, 2003.OLIVEIRA, G. J. Mercado de Carne Bovina e a figura do Marchant. Ponta Grossa,PR, 26 dez 2005. Entrevista Concedida.PEREZ, R. Uma Análise Exploratória da competitividade e agregação de valorda cadeia produtiva de carne bovina no Brasil, com ênfase no segmento deabate e processamento. 2003. Tese de Doutorado (Engenharia de Alimentos) –Faculdade de Engenharia de Alimentos, Universidade Estadual de Campinas,Campinas-SP.PEROSA, J.M.Y. Coordenação no Sistema Agroalimentar Carne Bovina. 1999.Tese de Doutoramento (Sociologia) – Faculdade de Ciências e Letras, UniversidadeEstadual Paulista, Campus Araraquara-SP.SAMPAIO, F. A Carne Brasileira e o Mercado Internacional. Visão Agrícola, USPESALQ, SP, v. 3, Ano 2, p. 128-133, jan/jun 2005.SORJ, B., POMPERMAYER, M.J., CORADINI, O.L. Camponeses e Agroindústria:Transformação social e representação política na avicultura brasileira. Ed.Zahar, Rio de Janeiro,1982.UBA. União Brasileira de Avicultura, 2006. Disponível em: www.uba.org.brWILLIAMSON, O. E. Economic Organization: Firms, Markets and Policy Control.New York: Harvester Wheatsheaf, 1986.ZYLBERSZTAJN, D. Estruturas de governança e coordenação do agribusiness:uma aplicação da nova economia das instituições. Tese (Livre Docência),Universidade de São Paulo, 1995. 19

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