Evasão escolar

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Evasão escolar

  1. 1. EVASÃO ESCOLAR Sabino Freitas
  2. 2. EVASÃO ESCOLAR: cadê o professor que estava aqui? A Educação é um tema importante e bastante polêmico na história do Brasil. Não deveria sê-lo, na medida em que a história da humanidade tem sido construída em torno do conhecimento. Assim, a Educação é o grande propulsor das conquistas havidas, tal como a conquista do espaço, a clonagem de células, as discussões éticas sobre o aborto, etc. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional trouxe significativos avanços, a começar pela novidade do instituto da Educação Básica, instituto este analisado com brilhantismo pelo Professor Carlos Roberto Jamil Cury em artigo magistral (Cadernos de Pesquisa, v. 38, n.134, p. 293-303, mai/ago. 2008).
  3. 3. O papel do Estado como grande responsável pelo ensino é um realidade jurídica, a despeito de a Constituição Federal de 1988 imputar esse dever, além do próprio poder público, à sociedade e à família, nos exatos termos do seu Artigo 205. Os avanços nos últimos anos são notáveis, uma vez que não apenas o acesso à educação básica (ensinos infantil, fundamental e médio), mas, a ampliação das possibilidades de ingresso em nível superior, tem sido prestigiada, quer por meio de maior disponibilidade de vagas, quer pelas facilidades quanto aos custos desse acesso, quer por meio de bolsas integrais ou de financiamentos de caráter social. Decerto que a preocupação com a melhoria dos conteúdos e da qualidade do próprio ensino vem ganhando corpo e esforços louváveis têm sido feitos. Ademais, programas de incentivo aos estudantes de nível superior buscarem experiências acadêmicas fora do Brasil, por meio de bolsas de estudo do governo federal, revelam a dedicação do poder público para com a educação.
  4. 4. O problema da evasão escolar pelos alunos tem sido resolvido com uma melhor política da merenda escolar e uma tendência de tornar a escola um ambiente de convívio comunitário. Mas, sendo um espaço de construção do conhecimento, o foco não pode recair apenas sobre determinado ator do processo, ou seja, uma política voltada apenas para o estudante, significa uma maior eficiência para a melhoria da Educação, mas, não necessariamente para a sua eficácia, enquanto ferramenta social de inserção e de exercício da cidadania. Há uma cultura nefasta de baixa remuneração salarial e de condições inadequadas de trabalhos para os demais agentes da Educação, tais como professores e o corpo de apoio administrativo. Nesse final de semana aconteceu no Estado de São Paulo um dos maiores concursos públicos da história do Brasil, para o preenchimento de 59 mil vagas de professores. A princípio soa como algo positivo, na medida em que se imagina que são novas vagas para o magistério.
  5. 5. Ledo engano. Por ano, no mesmo Estado de São Paulo, cerca de 3 mil professores desistem do magistério e, na verdade, o governo paulista tenta recompor seus quadros de profissionais. A evasão de professores é um fenômeno em nível nacional e revela a insatisfação desses profissionais com o sistema de remuneração e as condições de trabalho. O ensino alcançou uma escala industrial e o professor passa a ser visto como um operário do ensino. Essa debandada gera prejuízos consideráveis a médio e longo prazos, implicando na perda da qualidade do ensino, uma vez que piores condições, traduzem atração de profissionais de pior qualidade para esse tipo de mercado. É como se os times de futebol passassem a remunerar os jogadores em patamares cada vez mais próximos à linha da pobreza e, ao mesmo tempo, melhorasse as instalações para os torcedores. Será que apenas um ambiente melhor fidelizaria o público dos estádios?
  6. 6. As condições inferiores de trabalho e remuneração obrigam que o profissional da educação busque uma multiplicidade de fontes de renda e esse quadro determina a baixa qualidade do rendimento desse mesmo professor, quer pela redução de tempo para dedicar-se às atividades acadêmicas extraclasse, quer pelo cansaço que se abate ao final de uma semana de três turnos de trabalho. Tanto a escola pública quanto a escola privada precisam reavaliar o papel dos profissionais da educação no ensino, a fim de que possam ter um quadro de desenvolvimento sustentável da atividade acadêmica, sob pena de a evasão dos professores implicar na falência do modelo econômico atual e de um inexorável retrocesso nas conquistas humanas.

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