2010
Instituto Superior de
Gestão (ISG)  Mestrado
em Gestão 6ª Edição
Orientador: Cassiano
Maria Romão
[CÓDIGO MUNDIAL DE
...
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Turismo sustentável rui pires

  1. 1. 2010 Instituto Superior de Gestão (ISG) Mestrado em Gestão 6ª Edição Orientador: Cassiano Maria Romão [CÓDIGO MUNDIAL DE ÉTICA DO TURISMO COMO SUPORTE DA GESTÃO DA PAISAGEM PROTEGIDA DA SERRA DE MONTEJUNTO] Mestrando: Rui Lourenço Pires
  2. 2. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 2 Resumo O Código Mundial de Ética do Turismo tem sido promovido como uma alternativa sustentável á Industria de Turismo, e promove o Turismo Sustentável, a partir de vários princípios aprovados pelos membros da Organização Mundial do Turismo (OMT). É considerado um instrumento para a conservação do ambiente e para a melhoria do bem-estar das comunidades locais. Embora estejam a ser implementados projectos de Turismo Sustentável em vários locais do mundo, a sua aplicação está sobretudo focada nos países em desenvolvimento devido à sua riqueza em áreas naturais e biodiversidade. A manutenção das áreas naturais é efectuada através das receitas provenientes do Turismo Natureza, por isso a ligação á Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. O presente trabalho pretende discutir, através da análise do Turismo, num sentido mais lato, do Turismo Sustentável e do Turismo de Natureza, se estão em sinergia com o código Mundial de Ética do Turismo, e se são realmente um instrumento para o desenvolvimento ou se é apenas uma ideia teórica não aplicável na sua globalidade. Palavras-chaves: Turismo, Turismo Sustentável, Código Mundial de Ética do Turismo, Paisagem Protegida da Serra de Montejunto
  3. 3. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 3 Abstract The World Tourism Global Code has been promoted as a sustainable alternative to tourism Industry, and promotes sustainable Tourism, by several principles approved by the members of the World Tourism Organization (WTO). It is considered as a tool for the environment conservation and the enhancement of the well-being of local communities. Thought Sustainable Tourism projects are being implemented in the world, its application is focused mainly in developing countries due to their richness of natural areas and biodiversity. The maintenance of natural areas is possible due revenues provided by Natural Tourism, Therefore the connection with the natural area (Serra de Montejunto), the present work aims to discuss the natural Tourism synergistically with the World Tourism Ethic Code are indeed a tool for sustainable development or it is just a theoretical idea that difficult to put in practice in a global scale. Key Words: Tourism, Sustainable Tourism, World Tourism Ethic Code, Natural Area (Serra de Montejunto).
  4. 4. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 4 Índice Agradecimentos ........................................................................................................ 6 Lista de Abreviaturas ................................................................................................. 7 Lista de Quadros ........................................................................................................ 8 Lista de figuras ........................................................................................................... 9 Introdução ................................................................................................................. 10 1. Turismo – Conceito e formas .............................................................................. 13 1.1. Conceito de Turismo ................................................................................... 13 1.2. Conceito de Turista ..................................................................................... 15 1.2.1.Turista, a evolução do Conceito .......................................................... 17 1.2.2.Procura Turística, e as suas motivações .............................................. 19 1.3. Tipos e Formas de Turismo ......................................................................... 22 1.3.1.Formas e classificações do Turismo ..................................................... 22 1.3.2.Países ou centros emissores ou receptores de Turismo ...................... 27 2. Evolução do Turismo ............................................................................................ 29 2.1. Cronologia das Grandes Migrações, Viagens e realizações que tiveram influência no Turismo Mundial, e também a nível da Sustentabilidade ............................ 30 2.2. História do Turismo ...................................................................................... 38 2.3. O Turismo em Portugal ................................................................................. 44 2.3.1.Evolução do Turismo em Portugal ......................................................... 45 2.3.2.Plano Nacional de Turismo .................................................................... 47 2.3.3.PENT (Plano estratégico Nacional do Turismo) ..................................... 52 3. Código Mundial de Ética do Turismo ..................................................................... 57 3.1. Princípios do código Mundial de Ética do Turismo ........................................ 59 3.2. Código Mundial de Ética do Turismo e o Turismo Sustentável ...................... 62 3.2.1.Turismo Natureza e o Ecoturismo ...........................................................66 3.2.1.1. Turismo Natureza ................................................................... 66 3.2.1.2. Ecoturismo .............................................................................. 68 3.2.1.2.1.1.Ecoturistas .................................................................. 70 3.2.2. Código Mundial de Ética do Turismo e o Turismo Espaço Rural ............ 70
  5. 5. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 5 3.2.2.1. O Turismo rural e o aproveitamento da paisagem sob o ponto de vista turístico ......................................................................................... 71 3.2.2.2. Condições para o sucesso e desenvolvimento do turismo rural 3.2.2.3. Turismo rural e turismo cinegético ........................................ 73 3.2.2.4. O Turismo no espaço rural e cultura ..................................... 73 3.2.2.5. Turismo Rural e Animação ..................................................... 76 3.2.2.6. Importância do Turismo rural ................................................ 77 3.2.3.Código Mundial de ética do Turismo e o Turismo Cultural .................... 79 3.3. Regulamentos em Portugal, em relação ao Turismo Natural e Cultural ........ 80 4. Áreas Protegidas ..................................................................................................... 83 4.1. Paisagem Natural ............................................................................................ 83 4.2. Evolução da Legislação das áreas Protegidas ..................................................86 4.3. Definições no âmbito de Áreas Protegidas ..................................................... 88 5. Paisagem Protegida da Serra de Montejunto ......................................................... 91 5.1. Envolvente da Paisagem Protegida da Serra do Montejunto ......................... 92 5.1.1. Região Oeste .......................................................................................... 92 5.1.2. Região Oeste e o Turismo Natureza ....................................................... 96 5.2. Paisagem Protegida da Serra de Montejunto e o Turismo de Natureza ......... 98 5.2.1.Fauna e Flora da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto .............. 99 5.2.2.Património Cultural da Serra de Montejunto .......................................... 102 6. Código Mundial de Ética do Turismo, e o que se tem feito em termos da sustentabilidade da paisagem Protegida da Serra de Montejunto .................................................... 103 6.1. Sondagens arqueológicas no convento de Nossa Senhora das Neves (Serra de Montejunto, Cadaval) ..................................................................................... 103 6.2. O forno de cal da Fábrica do Gelo, o lugar e a fábrica de neve (Serra de Montejunto, Cadaval) .......................................................................................................... 104 6.3. O Ciclo do Pão. (Serra de Montejunto, Cadaval) ............................................ 106 6.4. Turismo Natureza na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto .............. 107 6.5. Política de turismo e desenvolvimento regional ............................................ 109 6.6. Entrevista a Carlos Alberto Domingos Ribeiro, responsável pela secção de Turismo da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto ................................................. 112 Conclusão ..................................................................................................................... 114 Bibliografia .............................................................................................................. (Pagina nº 95)
  6. 6. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 6 Agradecimentos Ao Professor Doutor Cassiano Romão, orientador desta dissertação, por todo o seu apoio e incentivo, como também a sua sabedoria e disponibilidade mostrada. Ao Professor Doutor Carlos Marques por me ter dado todo a informação sobre a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. Aos meus pais e irmão e especialmente á minha mãe que me apoiou e ajudou pondo-me em contacto com os responsáveis da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. Aos meus alunos da Universidade da 3ª Idade de Torres Vedras, da disciplina de Turismo e Lazer a mesma que eu criei, que sempre acreditaram em mim. À minha prima Fernanda Rocha que me ajudou no Português, e também me deu motivação para continuar.
  7. 7. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 7 Lista de abreviaturas OMT – Organização Mundial de Turismo AIEST – Association International des Experts Scientifiques du Tourisme INE – Instituto Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo UIOOT – União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico DGT – Direcção Geral do Turismo PENT – Plano Estratégico Nacional de Turismo EMT – Escola de Hotelaria e Turismo IES – Interntional Ecoturism Society PME – Pequenas e Médias Empresas SEC – Secretaria de Estado da Cultura IPPC – Instituto Português do Património Cultural SIC – Sítio de Interesse Comunitário ICN – Instituto de Conservação da Natureza
  8. 8. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 8 Lista de Quadros Quadro nº 1: Cronologia das grandes migrações, viagens e realizações que tiveram influência no Turismo Mundial, e com referência ao Turismo Português. ....................................... 30 Quadro nº2: Qualificação dos recursos humanos do sector do Turismo, e em termos da comunidade global. .......................................................................................................... 54 Quadro nº3: Distribuição etária dos recursos humanos do sector do Turismo, e em termos da economia Global. ............................................................................................................. 54 Quadro nº4: Definições de infra-estruturas no Turismo Natureza, em Áreas Protegidas. 6768 Quadro nº5: Numero de visitantes atendidos no Ponto de Informação Turística de Óbidos. 93 Quadro nº6: Numero de visitantes atendidos no posto de Turismo de Óbidos, entre 2001 e 2002. ................................................................................................................................. 94 Quadro nº7: Origem dos Visitantes do Ponto de Turismo de Óbidos. .............................. 95 Quadro nº8: Diferença entre visitantes Nacionais e Internacionais, em termos de visitantes do Posto de Turismo de Óbidos. ............................................................................................. 95 Quadro nº9: Visitantes Nacionais e visitantes de origem Espanhola, em comparação, em termos de visitantes do Posto de Turismo de Óbidos. ....................................................... 96 Quadro nº10: Áreas Protegidas da Região de Turismo do Oeste ....................................... 97 Quadro nº11: Ecossistema Presente na paisagem Protegida da Serra de Montejunto. . 100101 Quadro nº12: Flora existente na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. ............ 101102
  9. 9. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 9 Lista de Figuras Figura nº1 – Definições de Viajantes. .............................................................. 16 Figura nº2 – Evolução da Industria do Turismo. .............................................. 43 Figura nº3 – Quota no mercado Mundial de Turismo (TOP 20; % de Chegadas de turistas Internacionais). ................................................................................................. 53 Figura nº 4 – Interligações entre o código Mundial de Ética do Turismo e o Turismo Sustentável. ....................................................................................................... 65 Figura nº5 – Turismo Natural, enquadrado com o Código Mundial de Ética do Turismo. 82 Figura nº6 – Classificação das áreas Protegidas. ............................................... 87
  10. 10. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 10 Introdução A Industria do Turismo tem vindo a ter alterações desde sempre, pode hoje verificar-se que o Turismo está presente entre nós desde os primeiros passos do homem, não, como é considerado hoje, mas sim a partir dos seus conceitos e motivações. A vontade de viajar vem de dentro de nós, como um factor intrínseco que nos leva a querer conhecer mais e nos leva á aventura e descoberta. Tudo isto está inter-relacionado e vai ao encontro do que é o Turismo. Assim o Turismo está igualmente relacionado com a evolução da raça humana. Nada é estático, tudo se move. Desde as viagens dos Fenícios, às Descobertas iniciadas por Portugal. Ou mesmo na época Clássica, com os Jogos Olímpicos. Ou a constituição do Império Romano. Todas estas acções estão presentes no Conceito de Turismo, logo directamente ligadas. O Conceito de Turismo, também se foi modificando, através do tempo e da história, com o desenvolvimento das sociedades, com principal referência a sociedade Europeia, que com a Revolução Francesa, e mais tarde com a revolução Industrial, fez com que o Turismo se tornasse o que é hoje. Foi no solo Europeu, que se deram os primeiros passos, para os Conceitos e Formas do Turismo. Foi aqui que se deram as primeiras viagens organizadas, as primeiras deslocações em massa, que causaram o aparecimento de novas modalidades do Turismo, que vão ao encontro deste trabalho. O Turismo foi ganhando Formas, e classificações. Foi a partir destas, que a Industria do Turismo foi criada, que tendo a haver directamente com o factor económico, fez com que houvesse uma conectividade desta Industria, com muitas outras, e que a gestão desta, fosse levada a sério, devido aos seus efeitos multiplicadores em qualquer Região e País. Entretanto com a evolução das deslocações em termos de Lazer, com a melhoria da qualidade de vida, e dos direitos dos trabalhadores, bem como a melhoria das infra-estruturas, e dos transportes, surgiu o Turismo Tradicional, que também é conhecido como Turismo de Massas. O Turismo de Massas surgiu entre as décadas de 20 e 50, do século XX. Como em todo o Mundo, Portugal também sofreu, e ainda sofre, com os efeitos negativos deste tipo de Turismo. No auge do Turismo de Massas, surgiu a necessidade da criação de novos tipos de Turismo, para satisfazer uma sociedade mais preocupada com factores, como o ambiente, e factores culturais. Neste âmbito foi criado o Turismo Alternativo, e as suas várias vertentes.
  11. 11. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 11 Esta preocupação com factores ambientais apareceu com mais sentido, nos anos sessenta. Logo o Turismo como Indústria, estava a tomar consciência destes efeitos, (a nível dos efeitos negativos), devido ao referido Turismo de Massas; no caso de Portugal, temos o exemplo, da Costa Algarvia. Tanto o lado do Barlavento, como o Sotavento foram fustigados por uma construção desenfreada, que pôs em causa tanto a cultura local, como a nível ecológico. Em termos de culturas locais, ou povoações receptoras de Turismo, estas também sofreram com os impactos negativos. Surgiu assim a necessidade de implantar regras, e penalizações, para minimizar estes efeitos, negativos, tanto a nível Social como ambiental, de modo a transformar o turismo como uma Industria capaz de financiar a conservação do ambiente e beneficiar as populações locais, tanto a nível económico, como a nível cultural e educacional. A OMT, (Organização Mundial de Turismo), foi a entidade que mais teve influência nesta mudança da Industria do Turismo, em parceria com as Nações Unidas, elaborou vários códigos, e através de conferências a nível mundial, fez promoção desta nova face do Turismo, capaz de desenvolver regiões, e países, de uma forma Sustentável. A partir desta nova ideologia, um Turismo mais sustentável, nas suas três vertentes: Económica, Social e ambiental, foi criado o Código Mundial de Ética do Turismo, a 1 de Outubro de 1999, na Assembleia-Geral em Santiago, com a presença dos membros da Organização, que são os representantes da Indústria mundial do Turismo, entre estes: Delegados de Estados, territórios, empresas, instituições e Organismos. O Código Mundial de Ética do Turismo, foi então criado para regular todos os actores da Indústria do Turismo, tanto a nível privado como a nível público. A nível Nacional, quem representou Portugal, na conferência em 1999, na Assembleia-Geral da OMT, em Santiago do Chile, foi a Direcção Geral de Turismo, que teve como objectivo fazer passar a mensagem a todos os responsáveis a nível Nacional. Neste trabalho de Investigação quero demonstrar o que está a ser feito em termos de Turismo Alternativo e as suas diferentes modalidades a nível Nacional e se estas estão directamente relacionadas com o Código Mundial de Ética do Turismo. Em termos de Código Mundial de Ética do Turismo, este trabalho interliga-o, com o Turismo Sustentável. Para isso interliguei com as várias modalidades; Turismo Natural, Ecoturismo, Turismo Rural, e o Turismo Cultural. Dando mais importância ao Turismo Natural, e ao Turismo Rural, devido ao estudo de caso que vou desenvolver. Todas estas vertentes de Turismo, interligadas, podem tornar uma região sustentável a partir dos seus recursos naturais, culturais, (recursos humanos), que a nível de Turismo Sustentável são um elemento essencial.
  12. 12. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 12 Em termos de Estudo de caso, peguei na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. Para tal desenvolvi um estudo sobre os regulamentos que foram criados, como também o desenvolvimento deste conceito, (Áreas Protegidas). Isto para compreender melhor o que são e como são geridas, e por quem, já que Paisagem Protegida, é uma Área Protegida. E o estudo de caso debruça-se sobre a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto.
  13. 13. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 13 1. Turismo - Conceitos e formas Nada no universo é definido, nada é estático, tudo é transitório, tudo é movimento. Logo, a mudança sempre foi uma constante de sempre, mas é na sociedade actual, que as alterações estão a ser mais profundas e a uma velocidade atroz. Em termos da Indústria do Turismo também se verifica esta característica, durante anos o turismo foi-se desenvolvendo com alguma lentidão, mas foi a partir da revolução Francesa, que se foi instalando a sociedade de consumo, e após a revolução Industrial, se desenvolveu a Industria do Turismo, com um crescimento das acessibilidades ao Lazer da Sociedade em Geral. 1.1. Conceito de Turismo Como referido anteriormente, o próprio conceito de Turismo tem evoluído ao longo do tempo perante as necessidades, de reajustamento às novas realidades, como também às mudanças sociais: Direito a férias pagas, aumentos salariais, redução do tempo de trabalho, o aumento da qualidade de vida em geral. Mas não foram só as mudanças sociais, também foi a nível estrutural, a nível de infra- estruturas, e transportes, com a melhoria das vias terrestres, e o aumento da velocidade dos transportes, como também a evolução do transporte aéreo que fizeram com que o conceito de turismo se tornar mais versátil, e não estático. Com a evolução do conceito e da Indústria do Turismo apareceu o interesse do turismo em diversas áreas como, a sociologia, a antropologia, economia, entre outras. A «Association International des Experts Scientifiques du Tourisme (AIEST)» foi fundada na suíça, depois da segunda Guerra Mundial, estudou estes fenómenos do Turismo, e desenvolveu técnicas de estudo e novos conceitos, desta forma define-se o Turismo, «É o conjunto de relações fenómenos produzidos pelo deslocamento e permanência de pessoas fora do seu local de residência, desde que esses deslocamentos, não sejam motivados por uma actividade lucrativa principal, permanente ou temporária», este conceito foi adaptado em 1942, pela (AIEST).
  14. 14. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 14 Como podemos observar estes dois conceitos têm sempre presentes, as seguintes variantes: Deslocação, isto é a distância percorrida, relativamente ao local de residência. Neste caso não podemos esquecer, a diferença entre o Turismo Nacional, e o Turismo Internacional, que tem a haver directamente, com as fronteiras. A deslocação dentro das fronteiras do local de residência, ou fora do local da mesma. Duração da Viagem, aqui faz a diferença entre os tipos de Visitantes, que são os Excursionistas, que se deslocam, num período inferior a 24 Horas, e os Turistas, que se deslocam, a um período superior a 24 Horas. Motivo, nesta variante, foram feitas as restrições, do que é uma deslocação em Turismo, ou outra deslocação por outros motivos, que não o Lazer. Por último, temos o efeito económico, também relacionado com as restrições, e o efeito multiplicador do Turismo, que vai ser referido, durante este trabalho.». Entretanto o conceito mais recente de Turismo, em que todas estas variantes estão presentes, e por isso a escolhi, é a definição de 1991, pela Organização Mundial de Turismo e Nações Unidas, também pelo motivo, que este conceito é utilizado por variados estudos recentes, «O Turismo compreende as actividades desenvolvidas por pessoas ao longo de viagens e estadas em locais situados fora do seu enquadramento habitual por um período consecutivo que não ultrapasse um ano para fins recreativos, de negócios ou outros.» O conceito de turismo pode ser analisado e estudado em duas vertentes principais: 1) Económica, esta é formada pelo conjunto de empresas voltadas para o atendimento e a satisfação das necessidades do turista e que se convencionou chamar «indústria turística». 2) Prática Social e Cultural, é principalmente para atender as necessidades psicossociológicas dos turistas e que acabam por contribuir para mudanças sociais e Culturais. Hoje em dia requerem-se a junção destas duas vertentes, com a vertente do Ambiente. Estas 3 vertentes, fazem o Turismo Sustentável de que vou falar adiante.
  15. 15. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 15 1.2. Conceito de Turista Para falar do conceito de Turista, temos que falar em primeiro lugar do conceito de Visitante «O termo visitante designa toda a pessoa que se desloca a um país diferente daquela onde tem a sua residência habitual, desde que aí não exerça uma profissão remunerada.». Este termo «Visitante», foi proposta e apresentado em 1963, na conferência das Nações Unidas, sobre o Turismo e as viagens Internacionais realizada em Roma, e foi adoptada para fins estatísticos que constitui o conceito base do sistema de Estatísticas do Turismo. Compreendam-se nesta definição também os Conceitos de Turistas e excursionistas: a) «Os turistas, isto é visitantes que permaneçam pelo menos 24 horas no país visitado e cujos motivos de viagem podem ser agrupados em: Lazer (Férias, Saúde, estudos, religião, desportos e prazer); Negócios, razões familiares, missões, reuniões. b) Os Excursionistas, isto é, os visitantes temporários que permaneçam menos de 24 horas no país visitado (incluindo os viajantes em cruzeiros)». Assim temos os viajantes que se subdividem em visitantes e outros viajantes (estes não são nem turistas nem excursionistas), em termos de turismo só nos interessa os visitantes, assim sendo, como refere o conceito estes subdividem-se em Turistas e Excursionistas, e são estes que são utilizados na base de todos os sistemas estatísticos em termos de Turismo, em Portugal temos o INE (Instituto Nacional de Estatística.). Logo podemos dizer que os turistas são visitantes que passam, pelo menos, uma noite num meio de alojamento colectivo ou privado no local visitado. Os excursionistas são visitantes que não passam a noite num meio de alojamento colectivo ou privado no local visitado. Por isso o que os diferencia é a duração da deslocação, se mais que uma Jornada (24Horas), ou menos de uma Jornada. Em termos de definição e devido ao alojamento também é considerado excursionistas os passageiros em cruzeiros, porque pernoitam no navio, mesmo que este permaneça no porto vários dias e, por extensão, os proprietários e passageiros de «Yachts» e outros participantes de viagens em grupo que, por exemplo, pernoitam num comboio. Em 1983, a OMT (Organização Mundial de Turismo), elaborou, uma definição de Turismo Nacional, e por isso o aparecimento também da expressão de Visitante Nacional, «toda a
  16. 16. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 16 pessoa, qualquer que seja a sua nacionalidade, que reside num país e que se desloca a um lugar situado nesse país e cujo motivo principal da visita não seja de aí exercer uma actividade remunerada.» Com isto podemos dizer que os visitantes dividem-se em Nacionais e Internacionais, que são usados para fins estatísticos, logo o visitante Internacional, é designado por todas as pessoas que se deslocam num país que não aquele onde tem a sua residência habitual, por um período não superior a 12 meses, e cujo motivo principal da visita não seja o de exercer uma actividade remunerada. Os Visitantes Internos, são designados por, toda a pessoa que se desloca, por um período não superior a 12 meses, no país de residência, e cujo motivo principal de visita não seja o de aí exercer uma actividade remunerada. Figura 1: Definições de viajantes Fonte: Fonte própria Viajantes Visitantes Turistas (Visitantes que pernoitam) Outros Excursionistas (Visitantes por um dia) Viajantes remunerados Nómadas Refugiados Imigrantes Diplomatas Membros (Forças Armadas) Artistas
  17. 17. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 17 1.2.1. Turista, a evolução do conceito. A expressão turista, que hoje já entrou no domínio da linguagem corrente, é relativamente recente, mas de facto, começou a ser utilizada no início do século XIX para designar aqueles que viajavam por prazer, entretanto como vimos nos conceitos anteriores, o sentido é muito mais amplo. Foi na segunda metade do século XVIII, que passou a ser normal para os jovens ingleses das camadas sociais mais elevadas complementarem a sua educação, com uma viagem ao continente, que era considerada, por «Grand Tour». Por isso os primeiros «turistas» surgiram no século XVIII, quando jovens aristocratas, especialmente do sexo masculino, faziam a «Grand Tour». A ideia era encontrarem outras culturas, e os destinos das suas viagens eram quase sempre Itália por causa do seu passado, da sua história e das suas artes, e ainda França. Acompanhados por tutores, pretendia-se que, no final das suas viagens, adquirissem cultura e as competências que lhes permitissem, nos seus países, «fazer figura» causando admiração. Mais tarde surgiu um enorme desejo de conhecer o exótico. O Egipto tornou-se para a classe aristocrática destino mais procurado. A «Grand Tour» mais tarde passou a Chamar-se «Tour», passando assim a serem chamados os que faziam as viagens «Tour», de «Touristes». A palavra foi a primeira vez utilizada por Stendhal, no livro «Mèmoires d’un Touriste», passando a designar como já referi, toda a pessoa que fazia uma viagem para seu próprio prazer. Mais tarde com a revolução Americana, e em seguida a Francesa, que simbolizavam liberdade Individual, facilitaram o caminho destes viajantes. Por outro lado o Iluminismo, movimento cultural do qual Kant foi uma importante figura, dava aos que o seguiam uma vontade enorme de se aproximarem da natureza. Poetas e pintores subiam montanhas na procura de inspiração para os seus trabalhos. As suas viagens, as suas «impressões» eram descritas na tela e no Papel. Pela primeira vez a arte incorporava-se nas viagens e estas estabeleciam ligações com a arte. Entretanto a Revolução Industrial, que surgira em Inglaterra, criava uma nova classe «A alta burguesia», que pretendendo igualar-se aos aristocratas, começaram a viajar. Foi no século XIX, em 1810, que foi publicado pela primeira vez, no Dicionário Inglês «English Dictionary», as palavras, Turismo, e Turista. Referidos como: Turismo - Teoria e prática de
  18. 18. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 18 viajar; Turista - Pessoa que faz uma ou mais excursões, especialmente alguém que faz isso por recreação, prazer ou cultura. Entretanto também no século XIX, o aparecimento do Caminho de Ferro, facilitou o aparecimento de viagens em Massas, que eram acessíveis à maior parte da população. Com o aparecimento do automóvel no século XIX, que sofreu vários aperfeiçoamentos até se tornar o antecessor do automóvel actual. Em 1903, apareceu o avião, desta forma as viagens estavam definitivamente instaladas na vida de muita gente. Embora o Turismo neste tempo ainda estivesse reservado ás classes mais altas, devido ao custo dos transportes. Outro grande momento foi em 1936, em França, com uma importante convenção que foi aprovado o direito a Férias Pagas, para esse país, isto fez com que o Turismo se desenvolvesse não só às Classes altas mas Também às Classes trabalhadoras, a classe média. E 1970, a Organização Internacional do Trabalho, pelo acordo 132 movimentou pelo alongamento geral das Férias e o seu pagamento. Foi alargado o direito a muitos outros países, o que criou uma procura turística muito superior, e muito mais diversificada, em termos do perfil dos Turistas. Por isso a partir da década de 70 dá-se a massificação da procura, e devido a esta massificação em 1990, apareceu o Turista alternativo. Este tem como características, ser um Turista mais exigente, como também muito mais responsável, tanto a nível ambiental, como cultural. No século XXI, apareceram os Ecoturistas, que segundo as previsões da OMT, vão ter uma Taxa de crescimento nos próximos anos. O que para a gestão de paisagens protegidas, é muito bom sinal, já que o público alvo destas áreas, são os Ecoturistas, e está inserido no Turismo Alternativo.
  19. 19. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 19 1.2.2. Procura Turística, e as suas motivações O consumidor, ou turista, procura produtos turísticos de acordo com as forças motivadoras, e as suas necessidades, logo a viagem do turista ocorre depois de uma decisão de compra de acordo com um conceito de valor de uso de um produto turístico, este valor está directamente relacionado, com o valor que é atribuído pelo Turista. Este varia de Cultura para Cultura, de época para época, de pessoa para pessoa. Hoje em dia, estudam-se as motivações enérgicas que leva as pessoas a viajar, isto é, factores que exercem uma influência determinante na decisão de viajar, logo provocam, vários motivos que podem levar as pessoas a viajar: Culturas e educativas; divertimento e descanso; saúde; razões éticas, sociológicas e psicológicas, climatéricas, profissionais e económicas. Todas estas motivações criam os diversos tipos de turismo que foram criados para satisfazer essas motivações. Pode-se encontrar em trabalhos de Kraft (cf. Vogeler Ruiz Armand, 1997), os motivos, donde derivam as motivações que levam as pessoas a viajar: I) «Razões culturais, educativas e profissionais (desejo de conhecer sociedades diferentes, assistir a acontecimentos especiais, aprender idiomas, entre outros); II) Razões étnicas (regresso á origem, motivos sentimentais); III) Razões desportivas (assistir a manifestações ou práticas desportivas); IV) Razões físicas (descanso, saúde); V) Razões sociológicas (conhecer o mundo, vivenciar o período de lua-de-mel); VI) Razões religiosas (peregrinações, visita a lugares religiosos).» Como podemos observar, é importante conhecer as motivações da procura para poder definir melhor o plano de Gestão de qualquer oferta Turística, este tem que ir ao encontro destas motivações. Para definir a Procura Turística temos a definição de Mathieson e Wall, de 1982, «Número total de pessoas que viajam ou decidem viajar para desfrutar de instalações turísticas e de serviços, em locais diferentes do local de trabalho ou residência.». Como podemos observar na evolução do turista, a procura turista tem vindo se a ajustar com o tempo, ajustando-se às modificações sociais e globais. Sendo assim podemos verificar que são muitos os factores que condicionam a Procura Turística: Disponibilidade de tempo: Férias, fins-de-semana prolongados, feriados;
  20. 20. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 20 Disponibilidade económica: Rendimento que permita a viagem; Factores demográficos: Indicadores da tendência para viajar, familiares, religiosas, entre outras; Factores sociais: Que ligam o Turismo a um certo status e fazer Turismo uma actividade valorizada o que contribuirá para a auto-estima. Para além destas Motivações que se relacionam com a pirâmide de Maslow, existem outros motivos que contribuem para que o turista se desloque: Preço – é uma variável importante para atrair a procura, (turista); Comodidade – facilidade de acesso e conforto local; Segurança – Não é desejável que o local de chegada esteja conotado com terrorismo, vandalismo, altos níveis de criminalidade, guerra, entre outros; Hospitalidade – Pode tornar-se um atractivo fundamental ser recebido com cordialidade e hospitalidade. É em função de todos estes factores que se irá procurar gerir a Oferta, assim as Motivações, tornam-se fundamentais, já que o negócio turístico depende delas, por isso convém conhecê- las bem. Em termos de classificar os diferentes tipos de turistas pelos factores psicológicos e o que estes provocam, para a escolha de um destino, ao que se dá o nome psicográficos, um estudo desenvolvido por Stanley Plog, em que este adoptou o modelo psicocêntrico-alocêntrico, aplicado á população americana. O psicocêntrico e o alocêntrico são os modelos extremos, entre eles existem, os quase psicocêntrico, o Cêntrico,e o quase alcêntrico. Turistas psicocêntricos, agrupam os turistas que concentram o seu comportamento nas suas pequenas preocupações pessoais e têm um limitado interesse pelo mundo exterior. Na eleição dos seus destinos turísticos preferem encontrar o que já conhecem, preferem os locais mais frequentados e têm reduzida preocupação em desenvolver actividades que os desviem da normalidade. São mais passivos do que activos. Logo estes têm uma preferência por distinos devido ás suas motivações, que são: Destinos que não perturbem o seu modo de vida; actividades recreativas pouco originais; Turismo sedentário; Destinos acessíveis por automóvel; Instalações e equipamentos turísticos tradicionais; Viagens organizadas, estruturadas e bem preparadas.
  21. 21. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 21 Os quase psicocêntricos, em que já não têm as características tão vincadas, já preferem outro tipo de deslocações: Satisfação do ego e procura do «Status»; Procura de conforto social; Visitas a locais muito frequentados ou mencionados pelos meios de comunicação social. Os cêntricos, que fica entre as outras duas categorias, que se podem designar como extremos, logo estes são designados como, pessoas que procuram os destinos mais em moda, e caracterizam-se pelo fraco sabor pela aventura. Logo preferem como deslocações: Descontracção e prazer: Simples diversão e entretenimento; Clima, Sol, Termas; Mudança durante algum tempo; Oportunidade de fugir aos problemas diários; Atracção real ou imaginária do destino; Gratificação sensual: Gastronomia, descanso, conforto, bebida; O prazer de viajar e a apreciação da beleza: Parques Naturais, lagos, montanhas; Compras para recordações e ofertas; O prazer sentido antes e depois da viagem: planeamento da viagem, aprendizagem, sonho e, posteriormente, o prazer de mostrar fotografias, recordações e de descrever a viagem. Por sua vez os quase alocêntricos revelam preferência por: Participar em certames ou actividades desportivas; Viagens de tipo desafio; explorações, alpinismo, passeios a pé, peregrinações; viagens de negócios, congressos, reuniões, convenções; visitas a teatros, espectáculos especiais; oportunidades de experimentar um estilo de vida diferente. Turistas alocêntricos, são os turistas que se interessam por um grande número de actividades, desejam descobrir o mundo e manifestam uma curiosidade geral por tudo quanto os cerca. Distinguem-se pelo desejo de aventura e pela curiosidade. Por isto estes preferem: Regiões não desenvolvidas turisticamente; novas experiências e descobertas; destinos diferentes; actividades durante a estada; viagens de organização flexível; procura do exótico; satisfação e sensação de poder e liberdade; melhoria de prespectivas. Em resumo os grupos alocêntricos e quase-alocêntricos constituem o primeiro segmento de mercado a ser atraído para um novo destino, que pretende crescer e desenvolver-se, logo os destinos que visam um desenvolvimento turístico limitado em virtude das suas condições naturais ou culturais exigirem cuidados especiais, que são o caso das áreas protegidas, é o grupo alocêntrico que deve constituir o principal segmento de mercado. Por fim, quando se pretende manter um centro turístico com pouca frequência como é o caso, como já referi das áreas protegidas devem ser dirigidos aos alocêntricos ou quase alocêntricos. O segmento cêntrico, pelo estudo abrange 60% da população turística global, e é o que fomenta o crescimento e desenvolvimento dos grandes empreendimentos turísticos. Os psicocêntricos não despendem, grande tempo com as deslocações, são os que demonstram menos gastos, não se podem contar com eles para o desenvolvimento de nenhuma região turística.
  22. 22. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 22 1.3. Tipos e Formas de Turismo A Industria do Turismo, é muito diversificada, e complexa, isto porque trabalha com variadas formas e classificações, como também com vários conceitos e práticas, isto porque é influenciado por vários factores externos e atendendo também sempre aos que intervêm directamente com as deslocações. Para melhor compreender as formas, é necessário saber em quais elementos se baseia o Turismo a OMT (Organização Mundial de Turismo), considera que a actividade do Turismo, se distingue em quatro elementos base, entre eles: 1) «A Procura: É constituída pela abrangência dos potenciais ou actuais consumidores dos bens turísticos, ou serviços; 2) A oferta: Constituído pelo grupo de produtos, actividades, como também Instituições, que estão directamente relacionados com a Indústria do Turismo; 3) Espaço Geográfico: Região ou espaço, onde há o contacto directo entre a procura e a oferta, contando também com a comunidade residente; 4) Os actores do Turismo: São todos os intervenientes directos, que têm como objectivo facilitar a interacção entre a procura e a oferta, tanto a nível privado como Público.» Por isso é importante começar pelas formas e classificações do Turismo. 1.3.1. Formas e classificação do Turismo Em termos de formas o turismo tem variadas classificações, isto derivado, a diferentes influência, logo: 1) Segundo a origem dos visitantes, atendendo ao facto de se atravessar ou não uma fronteira o turismo subdividir-se-á de acordo com as classificações metodológicas adoptadas pela OMT (Organização Mundial de Turismo), e pelo Eurostat, em: «Turismo InternoDoméstico: É o turismo realizado pelos residentes de um dado país ao viajar exclusivamente no interior desse mesmo país. Turismo receptivo: É o realizado pelos não residentes ao viajar num dado País. Turismo Emissor: É o realizado pelos residentes de um dado país ao viajar num outro.».
  23. 23. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 23 2) Segundo o efeito na balança de Pagamentos, devido á entrada de estrangeiros contribuir para o activo da balança de pagamentos de um país, devido a provocar a entrada de divisas, e com a emissão de Visitantes, provocam uma saída de divisas, por estas razões o turismo externo classifica-se em: «Turismo Externo Passivo, isto é o turismo dos residentes praticado no estrangeiro, pode ser também ser designado por «Turismo de importação» (aquilo que os agentes de viagens designam por outgoing). o Este provoca uma aquisição de bens e serviços nacionais por parte dos estrangeiros, ou seja, uma exportação: um hotel ou um restaurante ao venderem uma dormida ou uma refeição a um residente no estrangeiro desenvolvem uma actividade exportadora. Através do Turismo, o país visitado, vende bens e serviços ao país de origem dos visitantes. Turismo Externo Activo, isto é, o turismo de residentes no estrangeiro praticado no país visitado pode ser designado por «Turismo de importação» (Incoming na expressão utilizada pelos agentes de viagens).Este provoca um consumo de bens e serviços nos países visitados, equivalendo a uma importação.» 3) Segundo a duração da permanência, quanto ao tempo de duração da estada de um turista numa dada região ou num país pode distinguir-se entre: «Turismo de passagem, este é efectuado apenas pelo período de tempo necessário para se alcançar uma outra localidade ou país, o objectivo da viagem, isto é o destino final. Turismo de permanência, é realizado numa localidade ou num país, em que este é o objectivo da viagem, por um período variável que exigirá, pelo menos uma dormida.». 4) Segundo a organização da viagem, o turismo internacional, de acordo com a forma como é organizada a viagem, pode ser dividido em: «Turismo Individual, quando uma ou um grupo de pessoas parte para uma viagem cujo programa é por elas próprias fixado podendo modificá-lo livremente, com ou sem intervenção de um agência de viagens, estamos perante o turismo individual. Turismo Colectivo, também conhecido por organizado, quando um operador de viagens ou uma agência oferece a qualquer pessoa, contra o pagamento de uma importância que cobre a totalidade do programa oferecido, a participação numa viagem para um determinado destino segundo um programa previamente fixado para todo o grupo, logo são elementos deste tipo de viagem a organização prévia, a oferta de um conjunto de prestações e um preço fixo. Estas viagens podem também ser organizadas por associações sem fim lucrativo, clubes, organizações profissionais ou sindicais ou mesmo por empresas, mas unicamente para os seus membros.»
  24. 24. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 24 Licínio Cunha desenvolve várias classificações de Turismo, de acordo com a procura, pode- se assim referir: «Turismo receptor – O que inclui o Turismo Interno. o Abrange as visitas a um país por não residentes. Turismo Doméstico ou Interno. o Resulta das deslocações dos residentes de um país, quer tenham nacionalidade ou não desse país, viajando apenas dentro do próprio país. Turismo Nacional – O que inclui o Turismo Interno e o Turismo Emissor. o Resulta das visitas dos residentes de um país a um outro ou outros países. Turismo Internacional – O que inclui o Turismo Receptivo e o Turismo Emissor. o Abrange unicamente as deslocações que obrigam a atravessar uma fronteira, consiste no turismo receptor adicionado ao emissor. Turismo Interior o Abrange o turismo realizado dentro das fronteiras de um país e compreende o turismo doméstico e o receptor». Se existem estas formas básicas elas podem ser combinadas e assim o Turismo Interior que é feito dentro das fronteiras de um país pode ser doméstico ou receptor, já o Turismo Nacional que compreende o movimento dos residentes de um dado país pode ser doméstico ou emissor, quanto ao turismo Internacional abrange deslocações que obrigam a atravessar uma fronteira e compreende o emissor e o receptor. Do ponto de vista das motivações, são muito importantes na medida que influenciam directamente a oferta, referidos no livro Economia e Política do Turismo de Licínio Cunha: Desejo de evasão; Necessidade de Evasão; Espírito de Aventura; Necessidade de tranquilidade, Aquisição de Status; Motivação Cultural; Motivação Comercial. Cada um deles representa um sentimento intrínseco de cada um de nós, no que diz respeito a lazer. «Desejo de evasão: é fundamental para a existência em lugares diferentes, por livre disposição pessoal. Representa uma forma de usar a natureza de maneira comedida, redimindo-se do uso inadequado dos recursos naturais. Necessidade de Evasão: mudar o ambiente físico e social, altera o estado de espírito da vida que é dinâmica, processual. A evasão é uma solução para o desgaste. «Saída estratégica». Espírito de Aventura: representa uma oportunidade de aventuras autênticas, para um grupo restrito. Querem garantias necessárias. Nem todos procuram aventura em tempo integral. Aquisição de Status: sensação de mobilidade social vertical, promoção na escala social, aquisição de status. Pessoas que têm a necessidade de viajar para «impor», ou conquistar um nível social.
  25. 25. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 25 Necessidade de tranquilidade: busca do clima de paz, cooperação, tranquilidade. O turismo retrai-se e desaparece com o surgimento de ameaças de violências, guerras, ou qualquer sinal de comoção social que possa perturbar a ordem, a disciplina e a prosperidade. Procuram núcleos que lhes proporcionem paz e serenidade. Motivação Cultural: exerce, duplamente, a função de agente aculturado e de elemento susceptível de sensibilização por culturas diferentes da sua. Dispõe-se a interferir e a integrar-se, num processo cultural, como elemento activo e passivo de influência, formando a «Cultura terciária». Motivação Comercial: pelo desejo de possuir mais e melhores bens. Essa procura fez surgir o Turismo Negócios como uma fonte de rendimentos, isto porque faz mover a economia local, com vendas de souvenirs, trabalhos tradicionais, produtos tradicionais entre outros.» Das motivações resultam diversos tipos de turismo que provêm destas intenções individuais, e a diversidade destas motivações, resultam pela diversidade de tipos de turismo, a partir do estudo do Prof. Bernenecker, pode-se identificar vários tipos de turismo, agrupando por afinidades os motivos de viagens, podem destacar-se os tipos a seguir enumerados, mas mesmo assim, não esgotam, e nem existem barreiras entre eles, muitos podem estar interligados: a) Turismo de Recreio, este tipo de turismo é praticado pelas pessoas que viajam para «mudar de ares», por curiosidade, ver coisas novas, desfrutar de belas paisagens, das distracções que oferecem as grandes cidades ou os grandes centros turísticos. Algumas pessoas encontram prazer em viajar pelo simples prazer de mudar de lugar, outras por espírito de imitação e de se imporem socialmente. Este tipo de turismo é particularmente heterogéneo porque a simples noção de prazer muda conforme os gostos. O carácter, o temperamento, o meio em que cada um vive, e o desenvolvimento económico, são questões que exigem um tratamento preferencial. Apesar de sobre estas propostas ter decorrido uma década, elas mantêm integralmente a sua validade e actualidade. b) Turismo de repouso, a deslocação dos viajantes incluídos neste grupo é originado pelo facto de pretenderem obter um relaxamento físico e mental, de obterem um benefício para a saúde ou de recuperarem fisicamente dos desgastes provocados pelo «Stress», ou pelos desequilíbrios psicológicos provocados pela agitação da vida moderna, ou pela intensidade do trabalho, para eles o turismo surge como um factor de recuperação física e mental e procuram, por via de regra, os locais calmos, o contacto com a natureza. As estâncias termais ou os locais onde tenham acesso à prestação de cuidados físicos. Constituem um importante segmento de mercado, principalmente
  26. 26. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 26 originário dos grandes centros urbanos, que não desdenha a animação, os desportos e a recreação. c) Turismo Cultural, as viagens das pessoas incluídas neste grupo são provocados pelo desejo de ver coisas novas, de aumentar os conhecimentos, de conhecer as particularidades e os hábitos doutras populações, de conhecer civilizações e culturas diferentes, de participar em manifestações artísticas ou, ainda, por motivos religiosos. Os centros culturais, os grandes museus, os locais onde se desenvolveram no passado as grandes civilizações, os monumentos, os grandes centros de peregrinação ou os fenómenos naturais ou geográficos constituem a preferência destes turistas. Incluem- se neste grupo as viagens de estudo, bem como as realizadas para aprender novos idiomas. d) Turismo desportivo, as motivações desportivas cada vez mais albergam mais camadas de população, como por exemplo todas as idades, e todos os estratos sociais, neste tipo de Turismo, existem duas vertentes: Desporto turismo, onde as pessoas têm uma atitude mais passiva, isto quer dizer, não praticam a actividade, simplesmente deslocam-se, para assistir a uma prova desportiva, por exemplo temos o Euro 2004, que se realizou em Portugal. Muitos turistas deslocaram-se para Portugal, no âmbito de assistir aos jogos. O outro é Turismo desporto, isto é as pessoas têm um papel mais activo, e deslocam-se no âmbito de praticar uma actividade desportiva. Há que referir que neste caso, não é incluído o Golfe, que devido ao seu desenvolvimento, é referido como um tipo específico. As modernas tendências da procura em que a preferência pelas férias activas assume uma importância cada vez maior, obriga a que o desenvolvimento turístico, em qualquer destino, tenha que ser equipado com os meios mais apropriados à prática dos desportos tendo em consideração as possibilidades de cada local. e) Turismo de negócios, com a globalização é cada vez mais importante, a deslocação de grupos de trabalhos e empresas, por isso é cada vez mais importante, como movimentos turísticos. Incluem-se neste grupo as deslocações organizadas pelas empresas para os seus colaboradores, viagens de incentivo, ou mesmo de prémio de produção, quer para participarem em reuniões de contacto com outros que trabalham em locais ou países diferentes. f) Turismo político, a participação em acontecimentos ou reuniões políticas provocam também uma movimentação significativa de pessoas, são como exemplo, as primeiras comemorações do duplo centenário da Revolução Francesa, e as reuniões políticas internacionais, entre outras. Porém são casos específicos que não traduzem a realidade dos movimentos das pessoas por razões políticas já que diariamente se verificam com maior ou menor intensidade, quer interna quer internacionalmente. Têm parâmetros iguais ao turismo de negócios, embora o turismo político exija condições necessariamente acrescidas de uma organização mais cuidada por razões diplomáticas e de segurança.
  27. 27. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 27 g) Turismo étnico e de carácter social. Neste grupo incluem-se viagens realizadas para visitar amigos, parentes e organizações, para participar na vida em comum com as populações locais, as viagens de núpcias ou por razões de prestígio social. Uma grande parte deste grupo é formada por jovens que pretendem aumentar os seus conhecimentos ou, temporariamente, se integram em organizações ou manifestações juvenis. Também, os portugueses e os seus descendentes, residentes fora do país constituem um grande grupo, logo representam um vasto mercado potencial, com disponibilidade de serem motivados, para visitar Portugal, muito mais, que os nacionais desses países. 1.3.2. Países ou Centros Emissores ou Receptores de Turismo. A distinção de países Emissores e Receptores de Turismo, está directamente relacionada, com a origem e o destino das correntes turísticas, assim os termos emissor e receptor são utilizados com muita frequência, mas a definição do seu conceito é muito complexa, segundo Licínio Cunha, deve-se ter em atenção os seguintes aspectos: «Não é fácil encontrar países que sejam exclusivamente emissores ou receptores, pelo que será mais correcto utilizar as expressões «Predominantemente Emissor»; «Predominantemente Receptor», isto porque um país emissor pode também ser receptor, e vice-versa; A noção de país emissor ou receptor do ponto de vista do turismo internacional anda geralmente ligada ao nível de desenvolvimento económico, os países predominantemente emissores são normalmente mais desenvolvidos economicamente que os receptores, isto também se revê no turismo Interno, em termos de regiões. As regiões mais ricas, também são usualmente emissoras de Turismo (dentro das mesmas fronteiras); Um país ou região predominantemente emissor apresenta, normalmente, condições socioeconómicas favoráveis, isto é elevado nível de vida e níveis culturais que incitam à viagem; O país receptor, como também uma região dispõe de recursos, infra-estruturas e instalações turísticas necessárias para acolher os turistas mas as suas condições socioeconómicas são por via de regra, inferiores ás dos países emissores, como já referido nos pontos anteriores. País Emissor de turismo, pode ser classificado como, um país que dá origem a movimentos turísticos superiores àquele que recebe. Para indicador, temos as receitas
  28. 28. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 28 e despesas geradas pelo turismo, logo o emissor tem as despesas superiores que as receitas. Logo o país receptor de turismo é aquele que dá origem a movimentos turísticos inferior ao que recebe e as suas receitas são superiores que as despesas turísticas.» Estas distinções vão ao encontro dos fluxos turísticos, que são o movimento migratório, por terra, ar ou mar, que desloca turistas de um ponto demográfico para outro, estas correntes podem desenvolver-se dentro das fronteiras, ou fora das mesmas. Com isto distinguimos o Turismo Emissor e o Turismo Receptor, este traz divisas ao país ou região e o Emissor, escoa divisas. Isto vai ter repercussões nos efeitos na balança de pagamentos, os câmbios turísticos estão directamente relacionados com as receitas (os ganhos efectuados do Turismo receptor, pelo Turismo Emissor), as despesas (os gastos efectuados pelo Turismo Emissor no Turismo receptor), logo o que um turista gastar num dado país é considerado como receita. A organização Mundial de Turismo, definiu os seguintes conceitos: «País emissor de Turismo: é o país, que devido ao seu alto nível social e económico, gera uma corrente turística, em direcção a outros, superior à que recebe»; País que devido aos seus recursos naturais, entre outros atraí uma corrente turística superior à que gera. Corrente Turística: Também denominada de fluxo turístico, é o movimento migratório, pelas diferentes vias (Terra, Mar e Ar), que desloca os visitantes de um lado para o outro. Podendo ser dentro fronteiras ou fora das mesmas.» Logo um país ou região Emissor de Turismo é aquele que emite mais Turismo emissor, isto é, emite mais despesa em Turismo do que receita, na balança de pagamentos. Logo um país ou região Receptor de Turismo, é aquele que recebe mais turismo receptor, o que quer dizer que tem mais receitas turísticas que despesas, na balança de pagamentos. Existem, em termos de pagamentos turísticos internacionais as receitas e despesas do Turismo Internacional. Em termos das receitas, estas são definidas como as despesas efectuadas no país de acolhimento pelos visitantes internacionais, compreendendo o pagamento dos seus transportes internacionais às companhias nacionais de transporte. Devem igualmente incluir todos os outros pagamentos prévios de bens ou de serviços, recebidos pelo país de destino. Em princípio devem também incluir as despesas dos excursionistas, a não ser quando estas pela sua importância recomendam que, na Balança Turística, as despesas de transportes internacionais sejam contabilizadas separadamente.
  29. 29. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 29 As despesas do turismo internacional, são definidas como as despesas efectuadas no estrangeiro pelos visitantes com destino a outros países, compreendo o pagamento dos seus transportes internacionais às companhias de transportes estrangeiros. Em termos de Títulos de transportes temos igualmente as receitas e despesas a Título de transportes Internacionais, as receitas são definidas como «Todo o pagamento efectuado a companhias de transporte registadas no país, efectuadas por visitantes estrangeiros, quer se dirijam ou não para o país que contabiliza as receitas.» As despesas são definidas como «Todo o pagamento efectuado a companhias de transporte registadas no estrangeiro por uma pessoa residente no país que contabiliza as despesas». 2. Evolução do Turismo O fenómeno do turismo pode se ter iniciado no séc. XIX, mas em termos económicos tornou-se mais importante a partir do séc. XX, foi neste século que a sociedade em geral, teve acesso, às viagens devido ao progresso económico, e melhoria das condições de vida e infra-estruturas. E como já referido foi na época de 70, que o Turismo se lançou para o Turismo de Massas, claro que este tipo de turismo causou em todo o mundo bastantes impactos negativos tanto a nível da Natureza, como também Cultural, de bastantes países, ou regiões receptoras de Turismo. Devido a estes efeitos negativos, deram-se várias publicações, como por exemplo a publicação do relatório Mundial sobre o Meio Ambiente e desenvolvimento das Nações Unidas, em 1987, referia que o interesse económico, não devia ultrapassar, os limites de suporte dos sistemas ambientais, logo começou-se a enveredar para uma evolução mais Sustentável. Entretanto o anseio pelas viagens, o desejo de conhecer outras culturas e povos e de estabelecer relações com outras civilizações sempre existiu na história do Homem. Mas a natureza das viagens, a sua dimensão e extensão foram adquirindo características muito diferentes de época para época.
  30. 30. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 30 2.1. Cronologia das Grandes Migrações, Viagens e realizações que tiveram influência no Turismo Mundial, e também a nível da Sustentabilidade. Desde há muito que existem grandes Migrações, e deslocações, Lícinio Cunha desenvolveu no seu Livro Economia e Política do Turismo uma Cronologia das viagens que tiveram influência no Turismo, directa ou indirectamente, onde apresentava as viagens e migrações, que evoluíram, e criaram a Indústria do Turismo, como também influenciaram, o seu efeito na economia Mundial de hoje. Por isso peguei nessa Cronologia e completei-a, com referência á Sustentabilidade, que é uma das Bases deste trabalho, como também, referi acontecimentos recentes que afectaram o Turismo Directamente. Quadro nº 1: Cronologia das Grandes Migrações, Viagens e realizações que tiveram influência no Turismo Mundial, e com referência ao Português Desde há 350.000 anos até há 15.000 anos Movimentações do «homo sapiens», e a deslocação do paleolítico para o continente Americano a partir da Ásia Entre 4000 AC, aos 2000 AC Os sumérios inventam a moeda, a escrita cuneiforme e a roda. O começo da construção das pirâmides do Egipto. Os skis surgem na Suécia, e é elaborada a primeira carta geográfica na China. Entre 2000 AC e os 430 AC As viagens marítimas dos fenícios, a introdução do primeiro carro puxado a cavalos, pelos Hicsos. A primeira viagem realizada por uma rainha, rainha Hatshepsut, ao Egipto. Em 777 AC, deu-se o início dos jogos Olímpicos na Grécia. Mais tarde em 753 AC, deu-se a fundação de Roma. Viagens de Heródoto. Também duas importantes construções a construção do Partenon e da Acrópole. Entre 336 AC, ao Século I A travessia do Alexandre o grande pelas montanhas de Indo Kush. Os primeiros poemas que há conhecimento de viagens, e do lazer, de Horácio. Em 25 AC aparecimento das primeiras termas, e os coliseus romanos recebem os seus primeiros visitantes, também se dá o apogeu Romano. Século II ao Século VI Pausânias escreve a «Descrição da Grécia» (guia para estrangeiros). Aparecimento das primeiras casas de refúgio para os visitantes e asilos.
  31. 31. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 31 Em 333 um autor desconhecido escreve «O itinerário de Bordeus a Jerusálem». João Crisóstomo defende a causa da hospitalidade. No ano 500, os Polinésios viajam das ilhas da sociedade para o Hawai. Do Século VII, ao Século XII O aparecimento do Islamismo. Surgem os harbinguer que se encarregam de descobrir os melhores caminhos, alojamento e alimentação para servirem depois para guias. Em 1020, dá-se a construção do «Domus hospitalis», em Jerusalém. Mais tarde dá-se a construção da Catedral de S. Tiago de Compostela, centro de peregrinação. No ano 1095 dá-se a primeira cruzada a Jerusalém. Fundação de Várias Ordens: - Ordem dos Hospitaleiros de S. João de Jerusalém; - Ordem dos Templários; - Ordem dos Cavaleiros Teutónicos. 1225 Publicação do «Guia dos Peregrinos». 1257 – 1325 Iniciam-se as viagens dos Portugueses às Canárias. 1271 – 1295 Marco Polo viaja para o Oriente. 1325-1354 O marroquino, Ibn Battuta, faz seis peregrinações a Meca e visita a Índia, China, Espanha Egipto. 1407 Início do registo dos visitantes em França. 1411 Publicação da «Geografia» por Ptolomeu. 1412 Fundação da Escola Náutica de Sagres pelo Infante D. Henrique. 1434 Gil Eanes passa o Cabo Bojador, em África. 1440 Gutenberg inventa a máquina de impressão. 1453 Queda da Constantinopla e fim do império romano do Oriente. 1464 Édito de Luis XI estebelecendo os primeiros correios – Início das grandes viagens dos Portugueses. 1485 Criação do Hospital Termal das Caldas da Rainha, ainda se encontra em funcionamento, foi o primeiro Hospital do Mundo, fundado pela Rainha D. Leonor. 1486 Bartolomeu Dias chega ao Cabo da Boa Esperança. 1492 Cristóvão Colombo chega á América. 1494 Assinatura do tratado de Tordesilhas entre Portugal e a Espanha dividindo o mundo em zonas de influências dos Portugueses e dos Espanhóis. 1497 John Cabot descobre a Nova Escócia (América do Norte). 1498 Descoberta do Caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. 1500 Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil. 1507-1511 Afonso de Albuquerque estabelece posições portuguesas em Ormuz, Goa e Malaca e explora as Molucas, Java, Bali e Nova Guiné. 1513 Balboa, descobre o Oceano Pacífico. 1519 Fernão de Magalhães faz a viagem de circunvalação à volta do
  32. 32. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 32 Mundo. 1523 Chegada dos Portugueses ao Japão. 1553 Charles Estienne imprime «O guia dos caminhos de França». 1570 Publicação pelo belga Ortélius do primeiro atlas. 1605 O «hackney coach» é introduzido nos transportes de Londres. 1639 Publicação em França de «Le voyage en France drésse pour la Commodité dês Français e dês Etrangers». 1651 Publicação de «Le Cuisinier François» por P.F. de la Varenne. 1665 Colbert vigia as tarifas dos albergues e dos hoteleiros. 1675 Primeira viagem termal organizada entre Chester e Londres. 1687 Papin constrói um barco a vapor. Com quatro rodas de paletas. 1709 Ascensão da «Passarola» de Bartolomeu de Gusmão, 1º aeróstato que se elevou livremente na atmosfera. 1776 Declaração da Independência dos Estados Unidos da América. 1779 «Viagem nos Alpes» escrito pelo suíço Horace Benedit de Sanssure. 1785 Primeira Travessia da Mancha em balão. 1786 A palavra «restaurante», figura, pela primeira vez, num texto oficial em França. 1789 Revolução Francesa. 1793 «Guide dês Voyage en Europe» de H.O. Reichard. 1800 Napoleão inicia a construção da estrada do Simplon e começam a surgir os primeiros hotéis na Suíça. 1802 Introdução do passaporte em França. 1808 Iniciam-se os serviços regulares por diligência no Simplon. 1814 George Stephenson cria a locomotiva a vapor. 1815 McAdam e Thomas Telford inventam as estradas para todas as situações climatéricas, subsequentemente cobertas a betume. 1817 Primeira Travessia do Atlântico em Barco a Vapor. 1822 Robert smart, de Bristol, inicia o serviço de reservas para passageiros viajando por barco para a Irlanda. 1825 Inauguração da primeira linha de caminho de ferro entre Stockton e Darlington (Inglaterra). Fundação do primeiro clube de ski na Noruega. 1826 – 1840 Iniciam-se os primeiros 1829 A Thermont House abre, em Boston, o primeiro Hotel moderno. 1830 Abertura da linha de ferro Liverpool-Manchester. 1838 Steghal escreve «Les Mémoires d’un Touriste» que é considerado a primeira utilização escrita da palavra tourist. 1840 Fundação da Agência de Viagens Abreu. 1841 Thomas Cook organiza a primeira excursão em «Comboio». 1844 Inauguração da linha de caminho de ferro Basileia-St. Johann. Primeira edição na Suíça de Guia Baedeker.
  33. 33. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 33 1850 Thomas Bennett organiza viagens individuais para Oslo a partir de Inglaterra, providenciando itinerários e outros serviços. 1863 Fundação do clube Alpino da Suíça e da Cruz Vermelha. Começaram a circular a primeira linha de Metro do Mundo, em Londres. 1864 Primeira viagem Organizada por Thomas Cook (com destino à Suiça). 1869 Lançamento do «Central Pacific», que atravessa o Continente Americano. 1873 Criação do American Express Company pela fusão da companhia do mesmo nome, fundada em 1850, com Wells, Fargo Co., fundada em 1852. 1876 Criação da «Compagnie Internationale dês Wagons-Lits». Bell inventa o telefone. 1878 O Engadiner Kulun é o primeiro hotel do mundo a ser electrificado. 1879 Telemark (Noruega) organiza o primeiro concurso de ski. 1880 Aparição da bicicleta em Inglaterra. 1882 Abertura do túnel de St. Gothard. 1883 Entra em serviço o primeiro veículo automóvel a petróleo por Delamare e Debontteville. 1885 Lançamento do motor de explosão por Daimler. 1888 Dunlop inventa o pneu. 1893 Abertura da Escola Hoteleira de Lausanne. 1895 Primeiro automóvel equipado com pneus. 1896 Jogos Olímpicos modernos em Atenas. 1898 Inauguração do primeiro hotel Ritz em Paris. 1900 Zepplin lança o dirigível. 1902 Fundação da American Automobile Association. O Transiberiano atinge Vladivostock. 1903 Os irmãos Wright voam pela primeira vez. Fundação do Real Automóvel Clube de Portugal. 1906 Abertura do túnel de Simplon. Criação da Sociedade de Propaganda de Portugal. 1907 O «Sud-Express» estabelece ligações diárias entre Paris e Lisboa. 1908 Henry Ford introduz o famoso automóvel modelo T. Fundação da Federação franco-espanhola de sindicatos de iniciativa e propaganda de que em Portugal passou a fazer parte em 1909. 1909 Blenot atravessa a Mancha em Avião. Fundação do Aéreo Clube de Portugal. 1910 Constituição da companhia dos caminhos de ferro Portuguesa. Primeira excursão de autocarro (entre Eastbourne e North Wales) Organizada por Capman. 1911 Criação de um «Office National de Tourisme» em França.
  34. 34. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 34 Criação da Organização Oficial do Turismo portuguesa. Lisboa acolhe o IV Congresso Internacional de Turismo, e é criada a primeira organização Oficial do Turismo Português, integrada no Ministério de Fomento. 1912 Abertura da estação de caminho de ferro do Jungfraujoch (3.454 metros de altura. 1914 Concessão de facilidades governamentais à construção de hotéis em Portugal. 1914 – 1918 Primeira Guerra Mundial. 1915 Construção do primeiro avião inteiramente metálico. 1917 Revolução Russa. Fundação do «Office National Suisse du Tourisme». 1918 Criação da Deutsche Lufthansa que organiza a primeira linha aérea regular entre Berlim, Leipzig e weimar. 1919 Intalação em Généve da sociedade das Nações. Criação, em França, da União das Federações dos Sindicatos de Iniciativa. Fundação da Aliança Internacional do Turismo. Primeira ligação postal aérea e serviço de passageiros na linha Dudendorf-Généve. 1921 Instituição, em Portugal, da organização turística local: são criadas as «Comissões de Iniciativa» sucessoras das «Comissões de Turismo Locais» criadas no ano anterior. Fundação da KLM. 1922 Gago Coutinho e Sacadura Cabral realizam a primeira viagem aérea entre a Europa e a América do Sul (Lisboa - Rio de Janeiro) 1925 Fundação da União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT) na base da Federação Franco-hispano-Portuguesa dos organismos do turismo. 1926 Criação das primeiras companhias aéreas dos Estados Unidos da América: Varney Airlines e Western Airlines. 1927 Charles Lindberg faz a primeira travessia aérea do Atlântico entre Nova York e Paris. 1929 A 12 de Outubro, Convenção sobre o transporte aéreo de Varsóvia. 1930 Criação da Comissão e Propaganda do Turismo de Portugal no Estrangeiro. 1934 Nelly Diener torna-se a primeira hospedeira de ar da Europa (Suiça). Criação da União Internacional dos Organismos Oficiais de Propaganda Turística. 1935 Criação da União Internacional dos «Auberges de Jeunesse». 1936 França, dá-se a grande viragem – o governo de Léon Blum elabora uma legislação de trabalho que estabelece 40 horas semanais e numa primeira fase 2 semanas de férias pagas. Constituição da Air Transport Association. 1937 Primeiro turbo-reactor. 1939-1945 Segunda Guerra Mundial. 1944 Fundação da American Society of Travel Agents (ASTA).
  35. 35. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 35 A 7 de Dezembro, convenção Internacional da Aviação civil de Chicago. 1945 Primeira aparição dos aviões a reacção. Nascimento da Organização das Nações Unidas (ONU). 1947 Criação da Comissão Europeia de Turismo. Criação da União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT). Primeiro avião pilotado ultrapassa a velocidade do som. 1948 Proclamação pela ONU da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nascimento do Clube Mediterrannée. Criação da OCDE – Organização de Cooperação e desenvolvimento económico. 1949 Gerard Blitz vai passar férias a Espanha. Quer voltar no ano seguinte e põe um anuncio, ao qual responderam 2.500 pessoas, e ele esqueceu- se das questões logísticas. 1954 Aparição da televisão a cores. A Grã-Bretanha cria o Comet, primeiro avião a jacto de passageiros. A 4 de Julho, Convenção sobre facilidades alfandegárias para o turismo. 1956 A França estabelece as três semanas legais de férias. 1957 Assinatura do Tratado de Roma que cria a CEE, actual União Europeia. Lançamento do primeiro satélite artificial. 1958 A Boeing produz o B 707, primeiro avião comercial a jacto produzido nos EUA. O Bank of América lança o Bank Americard, actual cartão visa. 1959 Introdução em França da licença de agências de agências de viagens. 1960 O club Med atravessa dificuldades económicas depois de passar a sociedade anónima, mas surge um salvador (o Barão Edmund de othschild), que já tendo passado férias num dos villages aposta no projecto e compra 34% das acções. 1960 Em Portugal iniciou-se recolha sistemática de elementos estatísticos referentes a deslocações turísticas. 1961 Primeiro homem no espaço. É criada a U.S.Travel and Tourism Administration. Introdução do Caravelle, bi-reactor de médio cruzeiro. 1962 Revolução sexual e a libertação dos costumes, os «village» transformaram-se, em muitos casos, no palco procurado para encontros fortuitos. 1964 Construção do Shinkansan, «Comboio Bala», no Japão, o Primeiro Comboio da Alta velocidade. 1966 A 16 de Dezembro, Pacto Internacional relativo aos direitos económicos, sociais e culturais. Também o Pacto Internacional relativo aos direitos civis e políticos. 1968 Conferência das Nações Unidas, em Estocolmo. Sobre a
  36. 36. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 36 Sustentabilidade. 1969 Neil Amstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins são os primeiros homens a viajar para a lua. 1970 A Pan American World Airways realiza o primeiro voo no «Jumbo Jet», Boeing 747, com 352 passageiros, entre Nova York e Londres. Introdução dos DC-10. Em Portugal foram criadas a Direcção Geral do Turismo, e o centro de Formação Turística. 1972 Convenção sobre a protecção do património cultural e natural mundial, em 23 de Novembro. 1ª Conferência das Nações Unidas, em Estocolmo. (Sobre a Sustentabilidade. Publicação do estudo «Limites do Crescimento», de Denis Meadows. 1973 O Canadiano, Maurice Strong lança o conceito de desenvolvimento, cujos princípios foram formulados por Igracy Sacms. 1974 Criação da Organização Mundial do Turismo (OMT), em substituição da antiga, (UIOOT), que tinha sido criada em 1925 1976 O governo Francês fundou o projecto TGV, com a primeira linha LGV, Sul-Este, a primeira linha de alta velocidade. 21 de Janeiro, inicio dos voos Comerciais do Concorde, avião supersónico. 1980 Conferência Internacional sobre o turismo em Manila, sob a égide da OMT. 1985 Resolução da 6ª Assembleia-Geral da OMT (Sofia), adoptando a Carta de Turismo e Código de Turista, de 26 de Setembro. 1986 Criado o plano nacional de Turismo em Portugal, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 17-B/86. 1987 Comissão Mundial da ONU, sobre o meio ambiente e desenvolvimento (UNCED). 1989 Queda do «muro de Berlim» e início do desmoronamento da «Cortina de Ferro». 1990 O turismo doméstico em todo o mundo, aumentou à taxa média anual de 1,17%, enquanto o turismo internacional atingiu um aumento médio anual de 2,8%, o que mostra que este cresce mais rapidamente do que o turismo interno. A 26 de Janeiro, Convenção relativa aos Direitos da Criança, de 26 de Janeiro. 1991 Assinatura do Tratado de Maastricht que cria a União Europeia. A 4 de Outubro, Resolução da 9ª Assembleia-Geral da OMT (Buenos Aires), sobre matérias de facilitação das viagens, da segurança e protecção dos turistas. Apresentação da Carta empresarial para o desenvolvimento Sustentável, documento preparado por representantes de empresas no âmbito da Câmara de Comercio Internacional.
  37. 37. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 37 1992 Entrada em funcionamento do Mercado Único Europeu institucionalizando a liberdade de movimentação de pessoas na CEE. A 13 de Junho a Declaração do Rio de Janeiro sobre o ambiente e o desenvolvimento. (ECO92). Lançada a Agenda 21. Documento que teve como âmbito, preparar o mundo para os desafios futuros. 1994 Início da «Idade da Viagem»: a mais complexa viagem pode ser organizada por uma simples chamada telefónica, envolvendo numerosas companhias aéreas, um cruzeiro, excursões, aluguer de automóvel, entretenimento e outros serviços, todos reservados por um sistema mundial computorizado, sendo toda a viagem paga por um simples cartão de crédito. A 15 de Abril, o Acordo Geral sobre o Comércio e os Serviços. 1994 Abertura do «Channel» ligando por caminho de ferro a Inglaterra e a França. 1995 Entrada em Vigor dos acordos de Schegen que eliminam todos os entraves à circulação de pessoas entre os Estados Signatários. Resolução da 11ª Assembleia-Geral da OMT (Cairo) sobre a prevenção do Turismo sexual organizado, de 22 de Outubro de 1995. A OMT, define Turismo Sustentável. 1996 As receitas turísticas mundiais passaram a representar mais de 8% do total de exportações de mercadorias e quase um terço das exportações dos serviços comerciais. Declaração de Estocolmo contra a exploração sexual de crianças para fins comerciais, de 28 de Agosto. A OMT, cria a «Agenda 21 para a Industria de Viagens e Turismo para o Desenvolvimento Sustentável. 1997 Declaração de Manila sobre o impacto na sociedade, de 22 de Maio. Convenções e recomendações adoptadas pela Organização Internacional do trabalho em matéria de convenções colectivas, de proibição do trabalho forçado e do trabalho de menores, de defesa dos direitos dos povos autóctones, de igualdade de tratamento e de não discriminação no trabalho. 1998 O turismo torna-se num fenómeno tipicamente europeu e norte- americano. 1999 13ª Assembleia-Geral em Santiago do Chile, onde foram definidos os princípios do Código Mundial de Turismo. 2000 25 de Julho, acidente de aviação, com o Concorde, sendo o começo do fim. 2001 Apresentação do Protocolo de Kyoto. Realização da convenção de Bohn para a discussão do Protocolo de Kyoto. 11 de Setembro, atentados terroristas nos Estados Unidos, utilizando voos comerciais.
  38. 38. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 38 2002 3ª Conferência das Nações Unidas, em Joanesburgo, em termos da Sustentabilidade. 2003 24 de Outubro, ultimo voo do Concorde, o avião comercial. 2004 11 de Março, atentados terroristas na rede rodoviária de Madrid, Espanha. 26 de Dezembro, sismo no Oceano Indico, que provocou a morte a centenas de turistas. 2006 Criação do Plano Estratégico Nacional de Turismo. (PENT) 2005 7 de Julho, atentados terroristas, á rede metropolitana, e viária de Londres, Inglaterra. 2008 1 de Outubro, Crise Mundial Financeira. Fonte: Fonte própria (Através do Cronograma de Lícinio Cunha desenvolveu no seu Livro Economia e Política do Turismo) Com este Cronograma, podemos observar que a Europa sempre teve um papel muito importante na evolução do Turismo, e que o Turismo Sustentável é um tema muito recente, mas que está a crescer e a desenvolver-se cada vez mais. Podemos também identificar as evoluções do Turismo, que em seguida vou falar. Como também que vivemos numa época em que o Turismo, tem sido fustigado por diversos acontecimentos negativos, a nível externo. Estes Eventos, são tanto a nível ambiental, como também social, por isso torna-se cada vez mais importante, o Código Mundial de ética do Turismo, para se fazer frente a estes acontecimentos, e tentar melhorar a nível global, o ambiente como o entendimento entre as diversas culturas, como também o nível de vida da sociedade. Isto através também da Industria do Turismo. Mais á frente, passo a citar como o Código Mundial de Ética do Turismo o pode fazer. 2.2 História do Turismo Como a evolução do conceito de Turista, o Turismo, tem vindo a acompanhar todo o percurso da história, tendo já dito anteriormente, somente no séc. XIX e principalmente no séc. XX, sido compreendido, como uma Industria, de importante referência a nível Mundial. Para falarmos da sua história, temos que voltar muitos séculos a trás, comecemos com os Gregos, que atraiam grandes multidões por altura dos jogos Olímpicos. Foi considerado o primeiro evento de Turismo desporto, que se deu, isto ainda na época Clássica. Em que os habitantes das diferentes cidades de estado da antiga Grécia se deslocavam, em massa, para
  39. 39. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 39 observar os Gladiadores, nos seus jogos, simplesmente, no âmbito de lazer, e podemos realçar que também em paz. Os Romanos, nas suas viagens aproximaram-se ainda mais do que hoje se entende por turismo e Lazer. Viajavam por motivos de saúde, indo às termas, onde podemos observar outro fenómeno turístico, que ainda hoje existe, o Turismo Termal (Saúde). Com as invasões bárbaras e a queda do Império Romano, a Europa desintegrou-se em feudos, que não facilitaram a deslocação das pessoas. As fronteiras fecharam-se e houve o aparecimento de Guerras, logo as deslocações por lazer, foram impedidas, pode analisar-se aqui, que o Turismo, só se desenvolve, em territórios, onde a paz esteja implementada. No entanto, mais tarde, com a descoberta do sextante e a vela latina, com as grandes navegações, na procura de estabelecer comércio e novas terras, deu-se o aparecimento de rotas, como a rota das especiarias, que mais tarde atingiram um imenso desenvolvimento nos séculos XV e XVI, e determinam a Era de Exploradores, acabando depois, e já no século XVIII E XIX, com a criação de uma nova rota para o sonho dourado, ou seja para a América. A Odisseia de Homero, ou os Lusíadas de Camões, podem ser consideradas como roteiros de viagem, já que ambos relatam um percurso percorrido. Na Bíblia, a travessia de José e Maria a caminho de Jerusalém, tentando escapar à fúria de Herodes, é também a história de uma viagem. Aliás, as religiões de todo o mundo de uma maneira ou de outra retrataram fascinantes de viagens ou peregrinações, como por exemplo judeus para Israel, os budistas para a Índia, os Muçulmanos para Meca, os Cristãos para Roma e Jerusalém... e todos sabemos que as grandes catedrais da Europa, como a de Canterbury, referida nas «Cantebury Tales» de Chaucer, foram construídas para receber os grandes peregrinos. Tudo isto está directamente relacionado com o Turismo religioso, que ainda hoje, tem grande importância. As viagens continuaram, misturaram-se motivações, dos negócios à religião e, por toda a Europa isso aconteceu. Franceses, ingleses, espanhóis, portugueses, holandeses procurando sempre a mesma coisa, «Conquistar»..., com isto também se deu o intercâmbio dos povos e nações, o que é uma das características do Turismo. Muito mais tarde esta ideia de conquista foi tão grande que levou o Homem até à Lua. Contudo a ideia de viajar por prazer só aparece na época moderna, e na época Contemporânea, aqui além do Lazer e prazer de viajar, junta-se o respeito pelo ambiente, este veio a ser demarcado do implantado Turismo de Massas, passando a ser designado como Turismo Alternativo, mais tarde deu-se o aparecimento do conceito de Turismo Sustentável, e o aparecimento do ecoturismo, e os respectivos ecoturistas. Os transportes e as infra-estruturas, tiveram um papel muito importante na evolução do Turismo, vejamos, que antes do aparecimento do caminho-de-ferro como já referido
  40. 40. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 40 anteriormente, as viagens eram caras, lentas, penosas e a segurança não era muita, logo com o seu aparecimento, (1820/30), passou a ser possível viajar, mais rápido, barato, e com mais segurança, começou a viajar-se em massa tornando-se as viagens uma prática acessível a muita gente que até então nunca viajara. Cidades à beira mar, principalmente em Inglaterra, isto devido a ser o primeiro país a ter linha ferroviárias começam a crescer como cogumelos, verdadeiros modelos de urbanização específicos e prósperos. Assim tornou-se moda o transporte por caminhos-de-ferro. Quando se passou a acreditar que o ar do mar, bem como as águas termais, curavam e relaxavam. Os molhes sofreram obras importantes a nível de infra-estruturas, melhoraram-se os transportes, e este desenvolvimento também passou a ser moda, e a receber cada vez mais visitantes, tanto as Termas, como vilas balneares. Passando a ser massificadas no século XIX. Mais tarde o aparecimento do barco a vapor criou novos centros de interesse, principalmente, certas ilhas, por outro lado os navios que partiam para os Estados Unidos, carregados de imigrantes voltavam, cheios de turistas, assim Inglaterra, tornou-se um local turístico de eleição, e foi sem dúvida a revolução de transportes que incentivou todo esse desenvolvimento. Depois o aparecimento do automóvel, concebido ainda no século XVIII, mas só produzido em série no século XIX, e mais tarde ainda, já em 1903, com o aparecimento do avião, as viagens estavam definitivamente instaladas nas vidas ou no horizonte de muita gente. Com a sua produção em massa, iniciada por Henry Ford, novas camadas da população foram incorporadas naquilo que se pode designar como «fazer turismo». A partir de Licínio Cunha o automóvel trouxe 3 contribuições importantes para o turismo: Criou clubes de ajuda Mútua entre associados, os designados «Touring and automobile Clubs». Estes editam mapas guias, proporcionam auxílio mecânico e facilitam descontos em hotéis, restaurantes, etc.; Os hotéis deslocaram-se dos centros das cidades para as rodovias, permitindo que o viajante, o turista, fosse com o carro á porta do alojamento ou muito perto dele, criando os motéis. Ao longo da rodovia criaram-se restaurantes diferentes dos que até então eram habituais, as comidas eram mais simples e mais baratas. Até este momento as viagens eram Individuais, mas foi Thomas Cook, Inglês que nasceu a 22 de Novembro de 1808, e foi ele que introduziu as viagens em grupo, considerado o primeiro agente de viagens do mundo, foi em Julho de 1841, que levou um grupo de 570 passageiros para participarem num congresso. Esta viagem, foi organizada com a duração de um dia. Logo
  41. 41. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 41 organizou assim a primeira viagem com pacote de serviços incluídos, como transporte e actividades, um procedimento que acabou por ser copiado pelo mundo inteiro. As férias pagas estavam a ser discutidas, a ideia surgiu depois da primeira guerra mundial, quando o projecto começou a ser debatido, em França o político Leon Blum proclamou a necessidade de uma acção audaciosa na matéria. E foi no seu governo que a França viu aprovarem esta medida, muito discutida por políticos, trabalhadores e empregados. Assim, em 1936, uma importante Convenção procurava garantir para todos os trabalhadores do país, as férias pagas. A legislação estabelecia períodos de férias, remunerações e isso foi muito importante para o desenvolvimento do turismo que até então estava sedimentado nas classes abastadas, abrindo assim as suas portas às classes trabalhadoras, onde antes existia, aqui e ali, uma regalia, passou a reconhecer-se um direito, o que veio aumentar as deslocações por lazer, e o aumento do Turismo, Global. Da segunda metade do século XIX até à primeira Guerra Mundial, o Turismo cresceu de forma significativa atingindo proporções de um verdadeiro fenómeno mundial, como já referido, nessa altura os destinos preferidos dos turistas eram: as praias frias do norte da Europa e a Costa Azul Francesa; o termalismo, com especiais incidências na Europa Central; Os casinos do sul da Europa, como Nice e Montecarlo; países com belo património natural, cultural e histórico, como eram o caso de França. Mas foi só a seguir à 2ª Guerra Mundial, que todos os países ocidentais decidiram inscrever esta prática no direito do trabalho. O direito a Ferias pagas, e houve também um prolongamento das mesmas, o que fez com que o turismo, tivesse um desenvolvimento muito grande. Devido ao aumento da procura, aqui começou a aparecer o Turismo de Massas. Em França, depois da 2ª Guerra Mundial, criou-se a Federação Internacional de Turismo e o Centro de Educação Operária, que procuravam proporcionar aos trabalhadores, actividades de lazer conotadas com prestígio das classes mais abastadas. Ofereciam-se bilhetes gratuitos para festivais de música, fazia-se publicidade a viagens marítimas, e a ideia de viagem era assim muito enaltecida. Animavam-se também passeios de montanha, criavam-se Organizações como «Os amigos da Natureza», mas todas estas Organizações, não só em França como em muitas outras partes da Europa, estavam imbuídas de forte missão política. Só a partir dos anos 50 a expressão «Estou de Férias», foi substituída por «Vou de Férias».
  42. 42. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 42 Aparecem os primeiros campo de férias que se conhece, em Inglaterra e o tão conhecido, Clube Mediterranée, que propunha repouso, animação e lazer, sendo um dos primeiros campos de férias do Mundo. Em 1974 é criada a OMT, (Organização Mundial de Turismo). Que veio substituir a antiga União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo. A OMT, referindo os Estatutos da Organização Mundial de Turismo, estes estatutos foram rectificados no Diário da Republica nº169/76, a 21 de Julho, pelo Decreto nº 579/76, assinado a 8 de Julho do mesmo ano, pelo Presidente da República, Francisco da Costa Gomes: A constituição, artigo 1º «A Organização Mundial de Turismo, a seguir denominada «a Organização», é criada como organização Internacional de carácter intergovernamental resultante da transformação da União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT); Em termos de objectivos da OMT, temos o Artigo 3º: 1. «O objectivo da Organização é o promover e desenvolver o turismo com vista a contribuir para a expansão económica, a compreensão internacional, a paz, prosperidade, bem como para o respeito universal e a observância dos direitos e liberdades humanas fundamentais, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião. A Organização tomará todas as medidas necessárias para atingir este objectivo. 2. No prosseguimento deste objectivo, a Organização prestará especial atenção aos interesses dos países em vias de desenvolvimento no domínio do Turismo. 3. A fim de afirmar o papel central que é chamada a desempenhar no domínio do turismo, a Organização estabelecerá e manterá uma cooperação eficaz com os órgãos competentes das Nações Unidas e as suas agências especializadas. Para esse efeito, a Organização procurará estabelecer relações de cooperação e participação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, como organização participante e encarregada da execução do programa. Na década de 90 iríamos assistir ao desenvolvimento do turismo alternativo com a mudança de um turismo de sol e praia, para um turismo em que o turista s volta a estar mais próximo da natureza, como já foi anteriormente referido, tornando-se muito mais exigente mas também muito mais responsável. Logo o Turismo sol e praia, tão conhecido como Turismo de massas estava a passar de moda, dando lugar, a um turismo, mais sustentável. Este Turismo de massas, está relacionado com a construção massiva de infra-estruturas, para acolher o maior número de pessoas que vinha já dos anos 50, e que se veio a tornar, como o causador de inúmeros efeitos negativos, tanto a níveis sociais, como ambientais e económicos.
  43. 43. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 43 No início do Século XXI, destaca-se o ecoturismo, com uma enorme taxa de crescimento, referente a dados da OMT, bem como o turismo de aventura. O Ecoturismo é um Turismo que é desenvolvido em espaços naturais, e que está em sintonia com os mesmos, tentando causar os menos impactos negativos possíveis, tanto á Natureza, como as populações locais, logo é um Turismo muito mais sustentável O turismo experimenta hoje um processo de desenvolvimento sem precedentes tornando-se uma actividade económica que ultrapassa o sector do petróleo, automobilístico e electrónico, e as previsões da OMT continua a apontar para o seu crescimento, até hoje em dia o homem já pensa em fazer turismo na lua. Figura nº2: Evolução da Industria do Turismo. Fonte: Fonte própria. Turismo efectuado por um numero limitado de pessoas, a maioria, jovens aristocratas, com o objectivo de estudo. séc. XIII séc. XIX 1ª Metade: Com o aparecimento do Romantismo, o aparecimento da Natureza, e além dos jovens aristocratas, também os artistas, mas um número ainda muito limitado de pessoas, na prática de Turismo. 2ª Metade: Devido ao aparecimento do Caminho de Ferro, o começo das viagens em Massas, o número de pessoas aumentou, mas só em classes, mais elevadas. séc. XX 1ª Metade: Com a melhoria de transportes, e o aparecimento do automóvel, dá-se o aumento do Turismo de Massas. O aumento de países com o direito a férias pagas, e prolongamento de Férias, aumento do número de visitantes, e passou a não ser praticado só por pessoas de classes altas. 2ª Metade: O auge do Turismo de Massas, e uma maior consciencialização do Turista, o aparecimento do Turismo alternativo, e Ecoturismo. séc. XXI O crescimento do Turismo Sustentável, e do Ecoturismo.
  44. 44. Código Mundial de Ética do Turismo como suporte da Gestão da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto Rui Lourenço Pires Página 44 2.3. O Turismo em Portugal Portugal com uma superfície de 91906 km2 e uma população residente de sensivelmente 9,9 milhões de habitantes, é constituído por uma parcela de continente europeu e pelos arquipélagos dos Açores e Madeira. O país está dividido administrativamente em duas regiões Autónomas Açores e Madeira, e em dezoito distritos, repartidos por 305 concelhos (municípios) e por 4241 freguesias. Em termos de Turismo Portugal, subdivide-se em regiões de Turismo, cada uma com uma sede, estas são: Direcção Regional do Turismo dos Açores; (Horta) Direcção Regional do Turismo da Madeira; (Funchal) Região de Turismo do Algarve; (Faro) Região de Turismo do Alto Alentejo; Região de Turismo do Alto Minho; (Viana do Castelo) Região de Turismo do Alto Tâmega e Barroso; (Chaves) Região de Turismo centro; (Coimbra) Região de Turismo da Costa Azul; (Setúbal) Região de Turismo Dão Lafões; (Viseu) Região de Turismo Douro Sul; (Lamego) Região de Turismo de Évora; (Évora) Região de Turismo de Leiria/Fátima; (Leria) Região de Turismo do Nordeste Transmontano; (Bragança) Região de Turismo do Oeste; (Óbidos) Região de Turismo Planície Dourada; (Beja) Região de Turismo do Ribatejo; (Santarém) Região de Turismo da Rota a Azul; (Aveiro) Região de Turismo de São Mamede; (Portalegre) Região de Turismo da Serra da Estrela; (Covilhã) Região de Turismo da Serra de Marvão; (Vila Real) Região de Turismo dos Templários; (Tomar) Região de Turismo do Verde Minho; (Braga) Hoje em dia o secretário de estado do Turismo, Bernardo Trindade, tem uma proposta de Lei Quadro para o sector, da mudança das dezanove Regiões de Turismo para apenas cinco, coincidentes com as NUTS II, regiões administrativas que dividem Portugal Continental, que seriam: Norte; Centro; Lisboa; Alentejo; Algarve.

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