Relatório Prática I - Diagnóstico e Projeto

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Relatório Prática I - Diagnóstico e Projeto

  1. 1. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral ÍNDICE Introdução................................................................................................................................... 1 1. Procedimentos Metodológicos e enquadramento teórico da Metodologia ..................... 3 2. Diagnóstico ......................................................................................................................... 5 2.1 Enquadramento Sociogeográfico da Instituição............................................................. 5 2.2 História, Missão e Objetivos ........................................................................................... 8 2.3 Áreas de Intervenção, Organização e Recursos ............................................................. 9 3. Projeto de Educação Social ................................................................................................. 12 3.1 Apresentação do Projeto................................................................................................ 12 3.2 Campos de intervenção e discussão teórica.................................................................. 13 3.3 Objetivos gerais e específicos ....................................................................................... 16 3.4. Plano de atividades, calendarização e recursos........................................................... 17 3.5. Método de avaliação previsto....................................................................................... 21 Referências ............................................................................................................................... 23 Anexos ...................................................................................................................................... 25 Anexo 1 – Análise SWOT ....................................................................................................... 26 Anexo 2 – Quadro Autodiagnóstico 1 .................................................................................... 27 Anexo 3 – Quadro Autodiagnóstico 2 .................................................................................... 28 Anexo 4 – Guião de entrevista A1 .......................................................................................... 29 Anexo 5 – Protocolo da entrevista A1 .................................................................................... 31 Anexo 6 – 1º tratamento da entrevista A1 ............................................................................. 48 Anexo 7 – Pré-categorização da entrevista A1 - Unidades de sentido.................................. 57 Anexo 8 - Grelha de categorização de unidades de sentido (Entrevista A1) ....................... 63
  2. 2. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral Anexo 9 - Categorização das unidades de sentido entrevista A1.......................................... 63 Anexo 10 - Quadro geral de comparação de dados................................................................ 71 Anexo 11 - Protocolo da entrevista A2 .................................................................................. 72 Anexo 12 - 1º. Tratamento da entrevista A2 .......................................................................... 74 Anexo 13 - Pré-categorização da entrevista A2 - Unidades de sentido................................ 76
  3. 3. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 1 INTRODUÇÃO O trabalho que nos propomos apresentar de Diagnóstico e Projeto de Educação Social para a Unidade Curricular de Prática I centra a sua elaboração a partir da entidade Junta de Freguesia de Almodôvar. Pretendemos conhecer de perto a realidade da população desta freguesia, para além da caracterização deste território, através dos dados demográficos e da caracterização a nível funcional e em termos de ocupação, pretendemos um olhar mais profundo identificando os principais atores deste espaço, que problemas é que identificam e que necessidades e mais- valias são sentidas na comunidade. É na tentativa de perceber estas relações e interações pessoais e coletivas bem como a sua organização social que surge o nosso trabalho e é neste sentido que o Educador Social poderá ter um papel relevante, sendo o seu “traço” marcante, sem dúvida, «… a capacidade para saber encontrar e ajudar a percorrer caminhos que vão no sentido do bem-estar da pessoa e da sociedade.» (Cardoso, 2006, p.14). Pretendendo conhecer de perto a realidade da população desta freguesia e, por considerar a Junta a entidade que nos podia privilegiar nesse mesmo sentido, tivemos por objetivo o desenvolvimento de um trabalho de diagnóstico social e, por consequência a elaboração de um Projeto de Educação Social. Este trabalho compreenderá as seguintes etapas: Iniciaremos com a nossa proposta metodológica, metodologia esta que assenta em técnicas que entendemos ser as mais adequadas à realidade da comunidade da vila de Almodôvar. Ao utilizarmos essas técnicas, pretendemos alcançar um diagnóstico assertivo, adequado e sempre a pensar no bem-estar e na melhoria da qualidade de vida da comunidade. Focaremos os nossos objetivos tendo em vista o tempo disponível para a realização do projeto, concentrar-nos-emos também em ser realistas mediante os recursos disponíveis à realização das atividades. Para a apresentação do projeto, pretendemos enfatizar o nome do mesmo como algo que, a nosso ver, demonstra o âmbito e a finalidade que se pretende alcançar. O título “LADO A LADO” pretende oferecer ao leitor deste projeto um significado de parceria que pretendemos estabelecer com as várias entidades da freguesia de Almodôvar, tal como o caminhar para o objetivo comum, onde a comunidade não seguirá atrás do projeto, mas sim, lado a lado com ele. Não fosse o projeto realizado com, e para a comunidade, ela própria.
  4. 4. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 2 Alberto Melo (2006), numa comunicação, assinala pelo mesmo diapasão quando refere que, a dinâmica educativa, não tem como objetivo ensinar algo a outrem, numa relação de “face a face”, mas sim, a reciprocidade de aprendizagens que se vão criando numa clara alusão de desenvolvimento “ombro a ombro”. Como missão do grupo, pretende-se promover uma maior dinâmica participativa à população local, para que sejam desenvolvidas soluções para alguns dos seus problemas, contribuindo assim para uma maior aprendizagem baseada nos saberes locais e na capacitação individual dos sujeitos. A participação das pessoas está intimamente ligada ao processo de conscientização, tal como foi definido por Paulo Freire (1987), e todos os resultados conseguidos através desta participação fazem com que as próprias pessoas sintam que é possível transformar a sociedade que as rodeia e toda a sua realidade social. Esta conscientização, alargando os horizontes e permitindo que as pessoas enfrentem desafios e os tomem como alavanca de dinamização, autonomia, capacitação, espírito crítico e reflexivo, etc., irá contribuir para emancipar esta comunidade e fazer com que exista uma maior potencialidade e competitividade saudável entre todos, reforçando as suas próprias capacidades, que irão não só impulsionar, como potenciar o desenvolvimento.
  5. 5. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 3 1. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E ENQUADRAMENTO TEÓRICO DA METODOLOGIA Em qualquer trabalho em ciências sociais é necessário recorrer a métodos, técnicas, e estratégias específicas consoante o assunto em questão (Albarello, L.; Digneffe, J.; Maroy, C.; Ruquoy, D. & Saint-Georges, P., 1995). Sendo a metodologia seguida segundo os princípio de Ander-Egg (1987), que a entende como a disciplina que se ocupa dos métodos e suas inter- relações, e, partindo de uma recolha de dados primários (gerados pela investigação) e secundários (já existentes). Esta recolha de dados primários, permitiu apurar informação qualitativa, através de observação não participante, com o auxílio de notas de campo que permitiram ver as caraterísticas culturais e organizacionais, através de fóruns auto diagnóstico, entrevistas semi-diretivas e onde se apuraram as opiniões da comunidade bem como a perceção dos investigadores e dos investigados sobre a problemática, pretendendo-se realizar um fórum de apresentação do resultado dos dados e respetiva problemática identificada à comunidade. Quanto aos dados secundários, além de permitirem chegar-se a dados qualitativos, através das pesquisas documentais sobre a história, cultura, educação, etc. em documentos oficiais e páginas web, obtiveram-se também dados quantitativos, através da consulta de dados que nos forneceram informação oficial, estatística, organigrama institucional; relatórios anuais, etc., e que nos conduziram para uma obtenção de dados mais fiáveis e ricos, sendo esta a organização metodológica e crítica das práticas de investigação (Almeida & Pinto, 1982). O trabalho de investigação no campo é flexível e sem procedimentos rígidos e a metodologia está constantemente a ser adaptada e redefinida pelo investigador (Burgess, 1997). Segundo Bell (1997) e Pérez Serrano (1994), a observação é uma das técnicas fundamentais utilizadas no processo de investigação em Ciências Sociais e pode tornar-se numa técnica poderosa. Aplicado a um determinado contexto social, fazem parte da observação direta, entre outros, os cadernos de campo, os guias de observação e as notas de campo, (Burgess, 1997; Machado, 2004; Pérez Serrano, 1994). Segundo Quivy e Campenhoudt (1998), na observação direta, procede-se diretamente à recolha de informação, onde devem estar presentes os indicadores pertinentes para o estudo em questão. Por outro lado, diz Machado (2004) que a observação direta, com a realização das notas de campo, permitem o registo de dados da vida quotidiana das pessoas. Estes dados, resultam de atitudes espontâneas e que permitem ao investigador fazer o registo dos acontecimentos, perceções e intuições, e foram regularmente escritos com as informações sobre as pessoas e as infraestruturas que posteriormente servirão como auxílio na orientação do trabalho e durante o seu percurso (Burgess, 1997).
  6. 6. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 4 Neste estudo, iniciámos o trabalho de observação direta não participante, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro, com recolha de registos fotográficos e com a elaboração de notas em cadernos de campo, que optámos por ser feita individualmente para melhor riqueza de recolha de dados, que posteriormente foram analisados e conciliados. Nesta recolha de dados, procurámos saber como a comunidade está organizada, quer a nível funcional - comércio, equipamentos, infraestruturas, espaço residencial e lazer e também a nível de ocupação - quem são os moradores, quem utiliza este espaço, quem são os líderes e representantes da população, tendo sido realizadas algumas conversas informais que nos permitiram uma recolha de dados muito significativos e serviram para aprofundarmos a observação. Estas conversas informais, segundo Duarte (2002), devem ser utilizadas na fase preliminar da investigação para ajudar às questões pertinentes para o estudo e sempre que possível devem ser registadas no caderno de campo. É então nesta ordem de ideias que achámos relevante dinamizarmos dois Fóruns de Autodiagnóstico, onde reunimos com várias entidades, líderes locais e sociedade civil, com o objetivo claro de, além de promover o encontro/discussão/debate sobre alguns tópicos previamente definidos, levar-nos à problemática social mais vincada nesta comunidade. Não temos quaisquer dúvidas de que este tipo de procedimento, porque a coberto de informalidade, permite estabelecer uma interação forte com as pessoas sem que estas sintam quaisquer constrangimentos relativamente às temáticas abordadas. Além dos métodos já descritos, realizamos também duas entrevistas: uma à Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Almodôvar e outra ao nosso Tutor e Presidente da Junta de Freguesia de Almodôvar, sendo estas duas instituições membros executivos do CLAS de Almodôvar. Cada entrevista foi efetuada apenas numa única vez, não tendo sido necessário recorrer a mais atendendo à riqueza dos dados obtidos, sendo a forma de linguagem adaptada à de cada entrevistado durante as entrevistas e mantida a aproximação e interação entre entrevistador e entrevistado (Jovchelovitch & Bauer, 2002).
  7. 7. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 5 2. DIAGNÓSTICO Considerámos importante para a realização do diagnóstico munirmo-nos de elementos que nos permitam intervir de uma forma mais incisiva e assertiva em áreas que se revelam essenciais. Demos, primeiro que tudo, destaque à pesquisa bibliográfica na medida em que sem ela este nosso trabalho se revelaria infrutífero. De um dos primeiros documentos que consultámos inferimos, segundo Espinoza (citado por Serrano, 2008), que um diagnóstico «… é o reconhecimento que se realiza, no próprio terreno em que se projeta a execução de uma ação determinada, dos sintomas ou signos reais e concretos de uma situação problemática» (p.29). Com efeito, para a elaboração de diagnósticos sociais é sabido que um dos aspetos que devemos levar em consideração é o conhecimento de uma realidade para que, posteriormente, possamos passar à ação. 2.1 Enquadramento Sociogeográfico da Instituição A freguesia de Almodôvar, com sede na Vila de Almodôvar, situa-se neste concelho do Baixo Alentejo, distrito de Beja, cuja área (do concelho) se enquadrada num contexto territorial rural, dado o seu cariz agrícola por excelência, muito extenso, com uma área de 775,4 Km2 e uma população de 8145 habitantes (INE, 2001), embora os dados de 2011 do INE indiquem uma diminuição de 696 habitantes nos últimos 10 anos, perfazendo um total atual de 7449 habitantes residentes. É composto pelas freguesias (8) de Aldeia dos Fernandes, Gomes Aires, Rosário, São Barnabé, Santa Clara – a – Nova, Senhora da Graça dos Padrões, Santa Cruz e Almodôvar. Consideramos este território, enquadrado no contexto tipológico, como sendo um território rural, dado o seu cariz fundamentalmente agrícola, em que a atividade principal deriva da agricultura e dos recursos naturais deste espaço, mas em via de urbanização (Reis, 2001). Dispõe de recursos naturais, sendo a sua principal riqueza a cortiça, a aguardente de medronho, o queijo de cabra e o mel. Dadas as suas características estruturais, munidas de várias infraestruturas, equipamentos e serviços e a sua relação de proximidade geográfica, social, económica e política, existente entre este espaço rural, recorrendo-nos do paralelismo referido por Campêlo (2000) entre o rural piscatório e rural agrícola, quer com a sua capital de distrito, Beja, quer com os concelhos contíguos e respetivas freguesias sediadas no limítrofe fronteiriço da sua área e mais concretamente pela proximidade com o Algarve, fazem com que este território se envolva numa fonte de oportunidades benéficas para o seu desenvolvimento e que seja enquadrado no novo conceito de território: “rurbano”.
  8. 8. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 6 Almodôvar aparece pela primeira vez nos mapas do tempo dos Árabes, que tiveram como é sabido uma grande influência na Península Ibérica, com o nome de Al-Mudura, que significa «a coisa em redondo, ou cercada em redondo». E, de facto, Almodôvar foi reedificada pelos árabes no século VII, altura em que a vila foi cercada de muralhas e edificado um castelo, cujos vestígios, no entanto, desapareceram. Almodôvar pertenceu ao mestrado de Santiago a quem concedeu Foral EL-Rei D. Dinis em 17 de Abril de 1285, o que demonstra ser esta vila, já nessa época um centro importante. Mas, para Almodôvar, há um acontecimento de grande valia e objeto de grande estima e orgulho: trata-se da existência aqui da primeira espécie de Universidade de Teologia do Sul de Portugal, que funcionou no Convento de S. Francisco, que ainda hoje existe, e foi fundado em 1680 por Frei José Evangelista, catedrático jubilado da Universidade com os bens que herdou dos seus pais, sendo lançada por si a primeira pedra a 2 de Setembro de 1680. Parte da Biblioteca desta Universidade encontra-se hoje na Câmara Municipal. O património histórico e arqueológico de Almodôvar constitui-se pelas igrejas edificadas, com destaque para as igrejas Matriz de Almodôvar (é o mais imponente monumento da Vila de Almodôvar, na simplicidade das suas colunas toscanas, na riqueza dos altares laterais e na sumptuosidade do altar-mor, mandado construir por D. João V) e Santa Cruz e o Convento de Nossa Senhora da Conceição, sendo de destacar a importância da estação arqueológica das Mesas do Castelinho, em Sta. Clara a Nova, assim como dos achados ligados à mais antiga escrita conhecida de Portugal, com mais de dois mil e quinhentos anos que podem ser apreciados no Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar – ‘MESA’. Outro dos patrimónios históricos marcantes é ainda o museu municipal Severo Portela - denominação em homenagem a este artista (pintor) - que se radicou em Almodôvar, espaço este que tem igualmente funções de galeria de exposições temporárias, e que reaproveita o imóvel onde estiveram instalados, primeiro os Paços do Concelho (para cujas funções foi edificado) e, depois, a cadeia civil. Quanto à freguesia de Almodôvar, composta pelos aglomerados populacionais: Almodôvar, Corte Zorrinho, Porteirinhos, Corvatos, Fontes Ferrenhas, Monte das Mestras, Guedelhas, Monte da Vinha, Gorazes e Monte dos Mestres, tem, segundo dados apurados, cerca de 221km2, com uma densidade populacional de 16,30 hab/Km2 e com uma população residente (total) de 3596 pessoas, sendo a população ativa de 1645 pessoas e 122 desempregadas, à qual corresponde a taxa de desemprego de 7,40%, (INE, 2001), sendo a Câmara Municipal e a empresa mineira Somincor os principais empregadores da região. Aliás, o acontecimento mais significativo nestes últimos anos foi a abertura deste complexo
  9. 9. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 7 mineiro sito em Neves-Corvo, tendo o ano de 1982 marcado o início das atividades no couto mineiro. Com uma área de 13,5 km², distribui-se pelos concelhos de Castro Verde e Almodôvar, o seu início de atividade veio aumentar a oferta de emprego e uma certa animação de alguns sectores do tecido social, tendo atualmente cerca de 1300 trabalhadores (diretos e indiretos), dos quais 90% são oriundos da região envolvente (Castro Verde, Almodôvar, Aljustrel, Ourique e Mértola). Em 2005, a Somincor, empregava 163 trabalhadores residentes em Almodôvar (CECA, 2006), com salários muito acima da média, mostrando pouco significativos os índices de pobreza quer em Almodôvar quer na região. Contudo, segundo os dados do INE (2011), existem 202 beneficiários do RSI no concelho. Em 2002 (INE - Anuário estatístico da região Alentejo de 2003), o índice de envelhecimento atingiu os 228 idosos por cada 100 jovens do concelho, valor este ultrapassado atualmente em 9,1 ou seja, aponta um índice atual de envelhecimento de 237,1. Um valor muito superior ao registado a nível nacional (105), à média da região Alentejo (168) e à média da sub-região Baixo-Alentejo (175), concluindo-se deste modo, que Almodôvar detém uma das populações mais envelhecidas do Baixo Alentejo (INE - Anuário estatístico da região Alentejo de 2009). Dos dados recolhidos, através das observações, notas de campo, conversas informais, pesquisas documentais, entrevistas e fóruns de autodiagnóstico, verifica-se que as relações internas entre a comunidade de Almodôvar não têm quaisquer barreiras, sendo dotadas de espontaneidade e de tranquilidade e que marcam afinidade entre todas as pessoas e os comportamentos e vida quotidiana manifestam-se essencialmente nas suas atividades. A população vive, mormente, de atividades provindas do 2º setor (administração, construção civil, indústria, função pública, comércio e serviços, etc.) e que desenvolve em paralelo com a pequena agricultura. Nesta comunidade da freguesia de Almodôvar existe uma propensão associativa relativamente alta e de variadas dimensões. A dimensão cultural e de promoção ao desenvolvimento local (Sociedade Popular e Cultural dos Porteirinhos; Associação de Agricultores de Almodôvar; Esdime - Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste, C.R.L.; Associação In Loco - Intervenção, Formação e Estudos para o Desenvolvimento Local); dimensão artística (Trequelareque - Oficina de Comunicação e Criatividade; Associação Os Malteses; Grupo Coral Feminino Flores do Campo; Grupo Vozes de Almodôvar – cantares alentejanos); dimensão desportiva (Associação de Cavaleiros da Vila Negra; Clube Desportivo de Almodôvar; Moto Clube de Almodôvar; Sociedade Artística Almodovarense; Clube Columbófilo Asas de Almodôvar; Casa do Benfica de
  10. 10. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 8 Almodôvar; Núcleo do Sporting de Almodôvar) e dimensão social (Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almodôvar; Grupo Sócio Caritativo da Paróquia de Almodôvar; Associação Ajuda a Sorrir). No entanto, esta dinâmica voltada para o 3º setor, como resultado emergente da colaboração entre as políticas sociais do Estado e projetos da sociedade, que promove uma diversidade de organizações voluntárias, sem fins lucrativos e com o princípio da solidariedade, é pouco significativa na comunidade no tocante a iniciativas próprias, coletivas ou individuais, sendo que as associações têm pouco destaque em funções de voluntariado, solidariedade e outras de cariz social, onde, comummente, apenas as associações de caráter social participam em algumas atividades. Institucionalmente, a Junta de Freguesia de Almodôvar, além de pertencer ao núcleo executivo do Centro Local de Ação Social (CLAS), sendo o Presidente desta Junta de Freguesia o representante das restantes Juntas do concelho no CLAS, mantém uma estreita relação com todas, com as associações da vila, freguesia e do concelho, apoiando e comparticipando, pelos meios adequados, no apoio a atividades de interesse da freguesia de natureza social, cultural, educativa, desportiva, recreativa ou outra, e prestando às entidades públicas toda a colaboração que lhe for solicitada, designadamente em matéria de estatística, desenvolvimento, educação, saúde, ação social, cultura e, em geral, em tudo quanto respeite ao bem-estar das populações. 2.2 História, Missão e Objetivos Quanto à sua história, a instituição Junta de Freguesia de Almodôvar, apurou-se que foi criada em 1941 (através do Decreto-Lei n.º 31.095, de 31 de Dezembro, in D.G. n.º 303, Série I de 1940-12-31) como órgão executivo colegial da freguesia, o qual no âmbito do território municipal, «visa a prossecução de interesses próprios da população residente em cada circunscrição paroquial», sendo que, como todas as Juntas de Freguesia, remota ao ano de 1832, aquando da criação da paróquia ou freguesia como unidade administrativa, designando- se então junta de paróquia e em 1916 passou a ter a atual designação. Como consagra a Constituição da República Portuguesa no seu Art.º 246º, «A junta de freguesia é o órgão executivo colegial de cada uma das freguesias de Portugal», sendo a Junta de Freguesia de Almodôvar, cujas competências se encontram previstas nos Art.ºs 33º e 34º da Lei n.º 5- A/2002, de 11 de Janeiro, composta por um Presidente (com competências previstas no Art.º 38º do mesmo diploma), eleito pela Assembleia de Freguesia, um Tesoureiro e um Secretário, um presidente da Assembleia (Art.º 19º e 17º, respetivamente), dois secretários e seis vogais.
  11. 11. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 9 O tipo de comunicação é vertical descendente, isto é, a comunicação é feita do vértice da hierarquia (Presidente) em direção à base da estrutura (restante equipa). A sua missão, está inserida na administração pública local, sendo que os seus objetivos vão no sentido de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus residentes e dos que exercem uma atividade económica e profissional, tendo como grande prioridade as pessoas e a procura de soluções para os variados problemas da Freguesia, dar dignidade aos equipamentos existentes, investir nos recursos próprios e/ou pressionar a Câmara Municipal e outras entidades a colmatar as debilidades da Freguesia (Junta de Freguesia de Almodôvar). Exerce uma liderança democrática, desenvolve uma forte cultura organizacional e uma forte relação de pertença em relação à organização e à comunidade que representa. 2.3 Áreas de Intervenção, Organização e Recursos Considerámos importante iniciar com a apresentação dos recursos da junta de freguesia de Almodôvar para depois partirmos para os aspetos organizacionais e de intervenção. Em termos de recursos físicos, a junta de freguesia de Almodôvar dispõe, além dos vários espaços públicos (ruas, jardins, parques, etc.), de condições e instalações próprias e que se adequam para a realização de várias atividades, como aulas, ensaios de grupos corais, salas de formação, uma no piso inferior e outra no superior, gabinetes, divisão para os funcionários (com 3 Pc`s, ligados em rede e com acesso à internet) uma fotocopiadora/impressora e telefones), gabinete do presidente (com Pc`s portátil com internet e telefone) e WC`s, e como recursos materiais dispõe, além do equipamento informático, de maquinaria e transportes próprios. Dada a sua estreita relação com as várias entidades e associações do concelho, consideramos ainda como recursos físicos as instalações afetas à Câmara Municipal (pavilhões; salas de conferências; biblioteca; polidesportivos, etc.); instalações das Escolas (primárias e E,B 2+3/S); instalações dos Bombeiros Voluntários, bem como instalações das várias associações existentes na freguesia e até mesmo do concelho, dada a boa ligação e articulação entre esta Junta de Freguesia com as mesmas. Quanto a recursos humanos, além dos elementos que compõem a estrutura organizacional da Junta, e em articulação com diversas entidades da região, das quais o Centro Distrital de Segurança Social, o Centro de Emprego de Ourique, o Centro Apoio aos Toxicodependentes (CAT) de Beja, a Câmara Municipal de Almodôvar, etc., que põem ao dispor os seus técnicos ao serviço da Junta de Freguesia, emprega cerca de 34 funcionários, provenientes do RSI, jovens em recuperação provenientes do CAT e desempregados sinalizados pelo Centro de Emprego.
  12. 12. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 10 No tocante aos recursos financeiros, a Junta de Freguesia de Almodôvar, limita-se ao orçamento do estado, sendo atribuída uma parcela anual para efetivar a administração local. Organizacionalmente, tem autonomia própria e exerce a administração pública local, prestando serviços à comunidade bem como apoio social aos idosos e mais carenciados, com prestação de serviços de apoio domiciliário; reparações; transportes hospitalares, etc., sendo que ao nível de organização social mobiliza e apoia a comunidade para os eventos por si protagonizados. Assim, a Junta de Freguesia de Almodôvar, e como membro da Rede Social e Centro Local de Ação Social de Almodôvar, direciona as suas áreas de intervenção social para a comunidade mais idosa e carenciada, em risco de exclusão social (pobreza, desemprego, toxicodependência e isolamento). Contudo, e para uma melhor análise da comunidade, efetuamos uma análise SWOT (ver anexo 1), que sistematiza os aspetos considerados mais pertinentes na comunidade, tendo servido para uma melhor perceção dos recursos e necessidades existentes. Após a análise descritiva procuramos identificar os fatores positivos e negativos, tendo em conta os fatores internos e externos. Desta análise detetámos que, além dos problemas sentidos, relacionados com o desemprego, êxodo, envelhecimento, isolamento, pouco dinamismo e criatividade (empreendorismo), resistência à mudança e um claro desânimo para o reaproveitamento dos recursos (naturais, físicos e humanos), existe também uma fraca participação da comunidade em envolver-se em ações sociais, que tende, de uma forma direta, a servir de propulsor e condicionador das restantes (excetuando o envelhecimento que é uma caraterística intrínseca ao ser humano). Sendo esta (pouca participação comunitária) a fragilidade que entendemos ser a base para a ação do nosso projeto, e, para colmatar esta lacuna, desenvolvemos o nosso trabalho tendo em conta os fatores positivos que esta comunidade apresenta. Numa visão geral por este território, consideramos que o mesmo tem como potencialidades a identificação da comunidade com o território e um forte sentimento de pertença; os recursos naturais; a exploração agrícola; a gastronomia; a presença de estruturas de apoio ao turismo rural e lazer e espaços lúdicos – biblioteca, jardins, museus, piscinas, cinema, complexos desportivos, etc.; o movimento associativo; a segurança; o património natural/paisagístico, histórico, ambiental e cultural; a localização geográfica; serviços e equipamentos; os recursos endógenos, cinegéticos e energéticos e as suas paisagens únicas e acessíveis. É uma freguesia vincadamente marcada pelas suas tradições e pelas suas atividades, quer culturais: Feira de Santo Amaro; Feira dos Passos; Feira de Abril; Feira Nova; Feira de Setembro, Dia do Foral;
  13. 13. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 11 Dia da Liberdade; Festa de São João e Festa de São Pedro, quer tradicionais e de artesanato: Mantas de Lã e de Retalhos; Trabalhos em Corda e em Couro; Trabalhos em Madeira e em Cortiça; Calçado Artesanal; Cestaria; Rendas; Toalhas de Linho; Artigos de Cartucheira; Ferro Forjado, e agro-alimentares: Cortiça, aguardente de medronho, enchidos de porco preto, queijo de ovelha e cabra e mel, as quais consideramos quer como pontos fortes quer em termos de oportunidades.
  14. 14. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 12 3. PROJETO DE EDUCAÇÃO SOCIAL 3.1 Apresentação do Projeto O presente trabalho baseia-se na comunidade da Vila de Almodôvar, sendo de esclarecer o fato de condensarmos o projeto “apenas” para a comunidade da Vila de Almodôvar e não para a sua freguesia, dado tratar-se de uma população densa e dispersa e logo necessitaríamos de mais tempo e maior disponibilidade para efetuar uma abordagem tão abrangente. Um projeto, tal como refere Ander-Egg (citado por Pérez Serrano, 2008), «… consiste essencialmente em organizar um conjunto ações e atividades a realizar que implicam o uso e aplicação de recursos humanos, financeiros e técnicos, numa determinada área ou setor, com o fim de alcançar certas metas ou objetivos» (p. 19). Neste sentido, e tendo como base a natureza do problema identificado (pouca participação da comunidade em ações sociais e culturais), o grupo entendeu enquadrar o projeto no conceito de Animação Comunitária, atuando nas suas dimensões informativas/formativas e de sensibilização, socioeducativas e culturais, ao qual demos o nome de “LADO A LADO”. Esta denominação surge, em primeiro lugar, pelo propósito de promover a união das pessoas e melhorar as suas relações pessoais e coletivas e as suas interações (colocá-las lado a lado, com um objetivo comum, promovendo a participação conjunta); em segundo pelo nosso acompanhamento a essas pessoas, promovendo o seu envolvimento participativo e envolvimento em ações de informação, formação cívica e sensibilização sobre aspetos educacionais, sociais, ambientais e culturais e que são, de certa forma, pouco abordados na comunidade (estamos ao lado delas); em terceiro para promover uma maior relação entre instituições e pessoas, e vice-versa (apoiando-se mutuamente - lado a lado), pretendendo-se criar elos de ligação, de reflexão, espírito comunitário e de participação social; e em quarto pela articulação do projeto com o grupo de práticas de Alcoutim (vamos caminhar lado a lado). Neste caso, irão ser desenvolvidas ações e dinâmicas de divulgação cultural (cantares alentejanos; gastronomia; produtos tradicionais locais, artesanato, hábitos e tradições, etc.) e intergeracional entre ambas as comunidades (Almodôvar e Alcoutim), com vista a criar uma maior aproximação comunitária entre todos os segmentos populacionais, em todas as suas dimensões, e sensibilizar para um interior do país cada vez mais desertificado e envelhecido, promovendo assim uma maior interação relacional entre as populações. Como é óbvio não podemos ser alheios ao atual momento de crise (política, económica e principalmente social) que o país atravessa, mas é nestes momentos de crise que as populações mais se devem apoiar e unir como forma estratégica de contribuir para o desenvolvimento dessas populações, sendo este, também, um dos princípios basilares deste nosso projeto.
  15. 15. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 13 A parceria com a Junta de Freguesia de Almodôvar, como entidade protocolada, visou operacionalizar certos aspetos que de outra forma poder-se-ia tornar mais complexa e burocrática, caso fôssemos acolhidos por alguma instituição mais formal. Temos a consciência de termos pouco tempo para projetarmos um trabalho deste tipo direcionado para a comunidade, sendo nossa intenção envolver a comunidade da Vila de Almodôvar, apoiados por todos os atotes sociais locais, e com o objetivo de, e em conjunto, desenvolvermos esforços em prol da população da vila, utilizando todos os recursos existentes e disponíveis, visando o êxito das atividades projetadas e contribuir para o bem-estar da comunidade e da plena cidadania. 3.2 Campos de intervenção e discussão teórica Não existem somente três técnicas de diagnóstico, existem muitas mais, e só o tratamento de dados num âmbito geral das técnicas utilizadas, possibilita-nos uma ótima construção dos objetivos do projeto. Assim, das observações efetuadas, das conversas informais, das notas de campo, dos fóruns de autodiagnóstico realizados e das entrevistas elaboradas, tendo sempre por base a filosofia do nosso projeto, onde a condição humana global está acima dos interesses individuais e/ou de possíveis interesses grupais, cabe-nos concluir que a problemática de fundo, que ramificará posteriormente para outras direções, é a falta de participação da comunidade nas atividades desenvolvidas na vila. Esta parca participação social, abarca quer ações dinamizadas e/ou organizadas pelas entidades existentes na região, quer simplesmente pela iniciativa da própria comunidade em promover qualquer iniciativa cultural, social e até mesmo económica ou que mostre orientação para o desenvolvimento local. Queremos deixar aqui a citação da nossa entrevistada Dra. Sílvia Batista, Vereadora da Câmara Municipal de Almodôvar, que nos transmite categoricamente essa falta de participação da comunidade nas atividades desenvolvidas na vila: «… Vamos lá ver, não tenho dados objetivos para vos dar respostas completamente concretas não é? Não tenho nenhum estudo que me diga qual é o … aquilo que eu sinto é que realmente a participação é uma lacuna». Esta nossa entrevistada remata ainda: «Não sei se foram muitos anos de não participação mas parece que as pessoas ainda têm algum receio, às vezes, em público… a não ser que seja uma coisa que lhes toque muito, como aquela questão das freguesias não é»? E por último dá um exemplo: «Ou, se eu disser que vou fazer um mamarracho qualquer aqui à porta não sei de quem, se calhar a população é capaz de se manifestar e dizer que não e… agora tirando isso, são muito cautelosos. Têm que pesar bastante...»
  16. 16. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 14 Partindo do conceito de desenvolvimento participativo como finalidade deste projeto, e, segundo Barroso (1998), que considera que a participação não se pode transformar num ritual que se destina às grandes questões ou a momentos muito específicos, mas sim que terá de ser encarada como uma forma de estar na vida em sociedade, a participação deve ser perspetivada como um processo duradouro, que deve promover um equilíbrio constante entre as diferentes forças ou entre os diferentes intervenientes no processo social. Talvez que um dos maiores desafios que atualmente se coloca à comunidade é o desenvolvimento de uma cultura de participação. Cada vez mais a participação comunitária é uma responsabilidade repartida por toda a comunidade e não apenas por uma pessoa ou grupos de pessoas. Da informação extraída na entrevista dois efetuada ao nosso tutor, o senhor Presidente Ricardo Colaço, essa importância e/ou responsabilidade de todos os que estão envolvidos no processo de participação fica bem vincado, quando o mesmo afirma que «A participação dos atores/agentes sociais de ADV, tem sido ativa dentro do CLAS, no entanto na minha forma de ver as pessoas, deveriam ser mais informadas sobre a ação deste órgão». E é nesta perspetiva de participação permanente que a animação comunitária desenvolve a sua função e introduz o seu contributo no desenvolvimento participativo comunitário. A animação comunitária destina-se essencialmente a pessoas que querem e podem ter uma voz ativa na comunidade e conduz a que cada pessoa participe ativamente no seio da comunidade em que está inserida, como elemento válido, ativo e útil. A motivação do investigador é a base fundamental para o sucesso numa intervenção comunitária. Este, deve ter uma perceção o mais real e aprofundado possível do contexto que irá experimentar, e, não basta saber ou conhecer os princípios da animação, sendo o lado intrínseco (motivação, vontade, crer, ética, envolvimento pessoal, etc.) do investigador fundamental para o seu progresso. Rui Fonte (s/d), afirma pelo mesmo diapasão na revista dos animadores, «O destino da animação não depende da origem etimológica. Depende sim das capacidades e motivações de cada animador» (p.22). Além das competências técnicas o investigador tem que ter em linha de conta o contexto de ação, os constrangimentos, a afinidade com o projeto, a orientação religiosa da comunidade, a cultural, entre outras. Pensamos que a utilização da animação comunitária como abordagem interventiva, será a mais adequada perante o contexto, faixa etária populacional, finalidade e objetivo geral identificado, e neste sentido, atendendo ao considerável índice de envelhecimento da comunidade em estudo, Hervy (citado por Jacob, 2007), reitera isso mesmo quando afirma que, «A importância da animação social das pessoas mais velhas é facilitar a sua inserção na
  17. 17. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 15 sociedade, a sua participação na vida social e, sobretudo, permitir-lhes desempenhar um papel, inclusive reativar papéis sociais» (p.6). Numa perspetiva intergeracional, e como defende Patrício, (s/d), «A promoção da educação e da aprendizagem de pessoas mais velhas através da convivência intergeracional, torna-se num valor acrescentado, mais efectiva, verdadeira e com resultados extremamente positivos fruto da interacção entre diferentes gerações» (p.3). Nesta direção, pretende-se dotar a comunidade de maior empatia, interação e envolvimento entre todos os segmentos populacionais, visando proporcionar uma melhoramento das relações sociais e desenvolvimento sociocultural, levando ao bem comum do bem estar social. A Animação Comunitária encontra ainda um campo fértil de atuação no estímulo do associativismo, nas atividades de voluntariado e do trabalho juvenil, nas políticas de educação cívica e de pedagogia de consciência crítica, nas iniciativas que promovam a identidade comunitária, nomeadamente, a promoção do património cultural, natural e ambiental, símbolo vivo da cultural local. Animar o desenvolvimento comunitário é educar para os valores do “local”, sensibilizar para o papel que cada indivíduo pode cumprir para o bem comum e, de acordo com Viveiros (2008), deve favorecer novas formas de olhar a realidade social por parte das próprias pessoas, promovendo-lhes um «… conjunto de competências, valores e princípios desde as suas raízes culturais, no sentido da valorização da auto-estima e da cultura, elemento central da ideia de comunidade» (p.8). O firmar espaços de construção alternativos à realidade presente, tende a provocar a mudança social com a comunidade e as pessoas deverão assumir o protagonismo da ação comunitária. Sabemos que é um processo difícil de se construir na sustentabilidade da participação, mas certamente, mais ativo, consciente, democrático e libertador de preconceitos culturais e estigmas sociais associados ao território local. A animação comunitária tem que alimentar a sua ação num projeto de educação para o desenvolvimento e será entendida como forma de educar para o sentido cívico, para a formação de cidadãos conscientes e participantes no próprio processo de desenvolvimento. A educação para o desenvolvimento está direcionada para a provocação da mudança de mentalidades, atitudes e comportamentos individuais e coletivos. A animação enquanto método educativo tem que educar para a solidariedade, para a responsabilidade coletiva, para a autoestima e valorização da cultura do território (Viveiros, 2008). Pretende-se assim estimular o desenvolvimento comunitário como desafio permanente, espaço de construção de uma cidadania ativa e fundamento da democracia participativa. A comunidade é o nervo central para a sustentabilidade da construção de alternativas de
  18. 18. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 16 desenvolvimento dos territórios, capaz de gerar sinergias criativas localizadas no envolvimento das populações. Alguns princípios funcionais do desenvolvimento local ou comunitário encontram correspondência no documento `Desenvolvimento de Comunidade e Serviços Conexos` das Nações Unidas, de 1956, onde o desenvolvimento de iniciativas direcionadas para a economia doméstica, tratando-se de um modo de educação informal das famílias rurais e outras de educação para a saúde, para a capacidade produtiva e bem-estar da comunidade são alguns dos serviços. O desafio do desenvolvimento local e comunitário reside na inspiração “pensar global, agir local”, ou seja, é partindo da realidade social que devem ser encontradas soluções participadas, integradoras e valorizadoras das gentes e dos recursos comunitários (Viveiros, 2008). Ainda da avaliação do diagnóstico, consideramos que, quanto a estrangulamentos, existem probabilidades de alguma parcela da população não aderir às atividades delineadas, quer pelo desinteresse quer até mesmo pela pouca motivação e disponibilidade, cabendo-nos a nós criar estratégias para que se envolvam, participem e percebam o objetivo das mesmas. Contudo, consideramos que o território tem como potencialidades a existência de grupos comunitários que aderem com alguma frequência a atividades socioculturais, a identificação da comunidade com o território e um forte sentimento de pertença e que têm em conta os recursos naturais e as paisagens alentejanas únicas e acessíveis; a gastronomia; a presença de estruturas de apoio (ao turismo rural, de lazer e espaços lúdicos – biblioteca, museus, piscinas, complexos desportivos, cinema, etc.); a presença de associações culturais, desportivas, artísticas e sociais; a segurança; o património natural/paisagístico, ambiental, histórico e cultural; a localização geográfica; serviços e equipamentos. Esta avaliação de diagnóstico contribuiu, acima de tudo, como método reflexivo e que nos permitiu decidir e preparar as atividades, sendo desta forma um veículo de decisão sobre as opções estratégias de ação. 3.3 Objetivos gerais e específicos A etapa dos objetivos num projeto, será aquela em que o investigador já terá na sua posse, o levantamento de um quadro de necessidades recolhidos com base num quadro de referências de diagnóstico. Espinoza (citado por Pérez Serrano, 2008) invoca o conceito de objetivo geral no projeto, referindo-o como sendo «… aqueles propósitos mais amplos que definem o quadro de referência do projeto» (p.45).
  19. 19. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 17 Tendo como finalidade o desenvolvimento participativo da comunidade da Vila de Almodôvar, o presente projeto apresenta como objetivo geral a promoção da participação da comunidade no exercício e envolvimento nas dinâmicas existentes, tal como despoletar e motivar interesse da mesma na promoção cultural e dinamização social. Os objetivos específicos assentam em pressupostos que identificam de forma mais precisa aquilo que se pretende atingir na execução do projeto, desta forma, fletindo de fora para dentro ou do geral para o especifico, o nosso grupo, de molde a promover dinâmicas no sentido de colmatar a problemática da falta de participação da comunidade no desenvolvimento e envolvimento nas atividades da vila, tentará utilizar os meios disponíveis na vila em parceria com as instituições, tal como na utilização dos seus recursos físicos e humanos disponibilizados e utilizáveis. Utilizaremos os verbos de ação que nos levem a avaliar efetiva e realisticamente o sucesso e a exequibilidade das dinâmicas em prol da comunidade, e a sua capacitação para atenuar e romper com problemática identificada. Este compromisso terá que ser selado entre todos os intervenientes no processo e terá que haver um consenso dos objetivos a atingir. Nesta lógica de compromisso considerámos os seguintes objetivos específicos: - Desenvolver e capacitar a comunidade na utilização das novas tecnologias. - Sensibilizar a comunidade para a valorização dos seus recursos naturais, ambientais, patrimoniais e culturais. - Incentivar a participação efetiva da comunidade para a prática de hábitos de vida saudáveis - Impulsionar a relação intergeracional da comunidade, dinamizando atividades que promovam a valorização cultural. - Dinamizar interações culturais entre todos os segmentos populacionais tendo em vista a sua própria cultura e a sua promoção noutros contextos territoriais. 3.4. Plano de atividades, calendarização e recursos Com o plano de atividades pretende-se a promoção de ações de formação na comunidade quanto às novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) como veículo de dinamização pessoal e social, alertando e sensibilizando não só para os seus benefícios mas também para os perigos da sua utilização em certos aspetos (no caso do uso por menores), abordando algumas temáticas pouco debatidas em comunidades com índices de envelhecimento significativo (como por exemplo o caso da sexualidade) e que por vezes se
  20. 20. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 18 tornam tabu. Em termos culturais pretende-se dotar a comunidade de criatividade expressiva e artística, levando-a a dinamizar e desenvolver a forte dimensão cultural já existente (cantares alentejanos, por ex.) e promover uma maior interação entre todos (crianças, jovens, adultos e idosos), bem como possibilitar a difusão cultural, incentivando o gosto pelas formas culturais e promovendo a cultura interna noutros contextos territoriais como veículo de desenvolvimento social e cultural. Na vertente socioeducativa a animação pretende combater desigualdades sociais, desenvolver a capacidade de participação, a solidariedade e o associativismo e melhorar as relações humanas da comunidade. E ainda para a responsabilidade coletiva, para a autoestima e valorização do território como património, pretendendo ainda educar para o uso adequado dos recursos naturais, ambientais e para o desenvolvimento sustentável. Com o propósito de educar para intervir, munindo-nos do pensamento de Paulo Freire (1983), pretende-se provocar mudanças reais nas relações das pessoas e na sua autonomia, no trabalho, na educação e na saúde. Estas devem poder ter os meios para fazer uma reflexão constante sobre a sua vida e decidir conscientemente sobre ela. O mesmo educador, também referiu que as pessoas, ao refletirem sobre determinados desafios ou problemas do contexto que os rodeia, leva a que essas mesmas pessoas se vejam como sujeitos, se valorizem, se organizem e acima de tudo que tenham capacidade de espírito crítico e que lhe permitam lutar pelos seus direitos, não somente como um ser adaptado mas sim integrado à realidade (1980). Plano de Atividades ATIVIDADE OBJETIVO RECURSOS Humanos Físicos Materiais Data/Hora:25JAN13 19H00 Fórum Apresentação do Projeto Recolha de opiniões e ideias - Elementos de Práticas e Tutor; - Responsável do CNO; - Responsável GNR; - Responsável Bombeiros; - Responsável da CM; - Responsável Escola Secundária - Responsável Cáritas - Representante Lar Idosos; - Associação de Estudantes; - Responsáveis grupos corais; - Sociedade civil. - Salão dos Bombeiros Voluntários de Almodôvar ou Sala da Junta de Freguesia - 1 datashow; 1 mesa e 20 cadeiras Data/Hora:15FEV13 19H00 Formação TIC (In)Formar sobre a utilização do computador e uso da Internet; motivar para o uso das TIC como forma de comunicação e dinamização cultural, social e pessoal. - 4 elementos do Grupo de Práticas; - 1 Formador; - 25/30 formandos - 1 sala de informática (Escola Secundária/C NO) -15 Pc`s; -25/30 Cadeiras e mesas.
  21. 21. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 19 Data/Hora:08MAR13 19H30 Os perigos da Internet Sensibilizar para os perigos da Internet, no que toca a abusos sexuais e educar pais, filhos, avós, netos e professores sobre como se pode e deve limitar o uso por parte das crianças. - 4 elementos do Grupo de Práticas; - 1 Orador; - 1 Mediador; - 70 espectadores - 1 sala de conferências/s eminário (Escola Secundária; Bombeiros; Biblioteca Municipal) - 1 mesa para orador e mediador e 2/3 cadeiras; - 1 projetor; - som e imagem; - 70 cadeiras. Data/Hora:30MAR13 19H00 Ação de Sensibilização sobre Recursos Naturais e Ambientais e Desenvolvimento Sustentável Educar e sensibilizar para o uso apropriado dos recursos naturais (desenvolvimento humano e sustentável) e educar para a valorização do património histórico, cultural, ambiental e paisagístico. - 4 elementos do Grupo de Práticas; - 1 Orador; - 70 espectadores - 1 sala de conferências/s eminário (Escola Secundária; Bombeiros; Biblioteca Municipal e Junta de Freguesia) - 1 mesa para orador 2/3 cadeiras; - 1 projetor; - som e imagem; - 70 cadeiras. Data/Hora:13ABR13 10H00 Envelhecimento ativo Promover uma caminhada, seguida de uma palestra sobre envelhecimento ativo, educando e impulsionando para a prática de desporto como forma de promover o bem-estar físico, psíquico e social. - 4 elementos do Grupo de Práticas; - 1 Orador; - 1 Mediador; - 70 espectadores - 1 sala (edifício de apoio das piscinas municipais) - 1 mesa para orador e mediador e 2/3 cadeiras; - 1 projetor; - som e imagem; - 70 cadeiras. Data/Hora:18MAI13 –TODOODIA– Encontro “interculturgeracional” Promover a cultura local noutros locais – Alcoutim (cantares alentejanos; artesanato; gastronomia; tradições; hábitos); estimular o gosto e valor da cultura entre todos os segmentos populacionais e impulsionar a comunidade para participar nas atividades socioculturais como veículo de desenvolvimento local. - 7 elementos dos Grupos de Práticas (4 de Almodôvar e 3 de Alcoutim); - 1 Orador; - 1 Mediador; - 70 participantes; - 1 motorista - Castelo e centro da Vila de Alcoutim - 1 autocarro; - Mesas e cadeiras suficientes Tabela 1 - Plano de atividades
  22. 22. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 20 Mês Fevereiro Março Abril Maio Atividade Semana 1 2 3 4 1 2 3 4 5 1 2 3 4 1 2 3 4 Informativa/ Formativa TIC – formação na ótica do utilizador Os vários perigos da Internet Socioeducativa Ação de Sensibilização sobre Recursos Naturais e Ambientais e Desenvolvimento Sustentável Envelhecimento ativo Cultural Encontro “interculturgeracional” Tabela 2 - Calendarização das atividades Legenda: Semana em que se realiza a atividade Preparação e divulgação da atividade Todas estas atividades calendarizadas, encontram-se articulados com os objetivos, gerais e específicos, sendo estas atividades um veículo de intervenção sobre a realidade da comunidade da Vila de Almodôvar. Estas atividades, são o conjunto de ações imprescindíveis para alcançar propósitos traçados, com observância de todos os recursos (institucionais – financeiros e logísticos – físicos, materiais e humanos) e que a seguir se delineiam: Recursos Humanos (disponíveis/utilizáveis) Elementos do grupo de Práticas I; comunidade em geral; técnicos e funcionários das várias entidades envolvidas no projeto; oradores externos e motoristas. Recursos Físicos (disponíveis/utilizáveis) Junta de Freguesia; Escolas, CNO, Bombeiros Voluntários; Câmara Municipal, Piscinas; Jardins; Pavilhão. Recursos Institucionais (Financeiros e Logísticos) Junta de Freguesia e Câmara Municipal. Tabela 3 - Mapa de Recursos
  23. 23. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 21 Entendemos que quanto a recursos, e mais concretamente a recursos institucionais (financeiros e logísticos), serão necessários transportes e combustíveis (suportados pela Câmara Municipal de Almodôvar - CMA e Junta de Freguesia de Almodôvar - JFA) para a realização de algumas das atividades, as quais enquadradas e articuladas com os objetivos geral e específicos, bem como material de som e imagem, sendo que os espaços físicos diagnosticados anteriormente se mostram suficientes. Pretende-se ainda que as ações sejam divulgadas pela internet, quer pelas redes sociais quer pelas páginas web da CMA e da JFA. Em relação a recursos humanos, consideramos que, após análise do diagnóstico, que serão necessários oradores para algumas temáticas das atividades programadas e motoristas para efetuarem os transportes (se necessário) de pessoas para participarem em algumas das atividades programadas. Os recursos acima apresentados, resultam quer da investigação na fase de diagnóstico, quer da avaliação deste mesmo diagnóstico e ainda já no decurso da fase de projeto. Foram tidos em conta todos os recursos existentes e disponíveis, sendo os agora apresentados aqueles que temos como utilizáveis para a execução das atividades programadas. 3.5. Método de avaliação previsto A avaliação é um processo de reflexão cuja finalidade é examinar, explicar e avaliar os resultados das ações realizadas. Este estudo, compara o estado da realidade social de partida com o estado da realidade social após a intervenção, com o propósito de descobrir o eventual desvio entre os objectivos traçados e os resultados obtidos, permitindo-nos reconhecer os erros e os sucessos da nossa prática. Para Espinoza (1986), «Avaliar é comparar num determinado instante o que foi alcançado mediante uma acção e o que se deveria ter alcançado de acordo com uma prévia programação» (p.14). A citação de Espinoza, acima transcrita, é elucidativa e ilustra a nossa estratégia de avaliação. Num plano de “intervenção comunitária” não devemos esquecer que “tudo diz respeito a todos”, daí que é essencial envolver todos os atores sociais que terão sempre uma palavra a dizer, ou uma ação a desenvolver, sobre algo que lhes diz respeito e contribui para a prossecução dos objetivos. No entanto, a aproximação destes atores ao projeto pode ter graus diferenciados, daí advém a necessidade de definir claramente a supervisão e coordenação do projeto como forma de promover a clareza de processos, a motivação constante e a clarificação de competências. Neste sentido, e partindo sempre da supervisão efetuada pelo grupo de trabalho, é nossa intenção efetuar uma avaliação por cada dinâmica, tal como também é de extrema importância termos uma perceção imediatamente após a atividade. Sem
  24. 24. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 22 avaliação sistemática das tarefas não é possível “ler” o trabalho realizado, não sendo possível agir retroativamente nem reformular as ações. Só é possível estabelecer estratégias adequadas se se puder avaliar o trabalho realizado. Correu como planeado? A nossa expetativa foi superada? Qual foi o feedback da comunidade? O que se poderia fazer para melhorar a performance? Estas são algumas questões a que procuraremos responder após cada dinâmica. Desta forma, conseguiremos ajustar nas atividades seguintes algumas imperfeições que tenhamos diagnosticado e reconvertê-las de molde a atingir o nosso objetivo geral. Propomo-nos realizar uma avaliação interna a qual compreende avaliadores internos que, como refere Serrano (2008), «(…) é levada a cabo por pessoas implicadas no programa que possam proporcionar um feedback continuo, de modo que possam integrar as adaptações necessárias» (p.89). Estes avaliadores são os que pertencem à instituição acolhedora do projeto, os parceiros, a comunidade, nós próprios executores do projeto e o docente, orientador da UC.
  25. 25. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 23 REFERÊNCIAS Albarello, L.; Digneffe, J.; Maroy, C.; Ruquoy, D. & Saint-Georges, P. (1995), Práticas e Métodos de Investigação em Ciências Sociais. Gradiva, p. 244. Almeida, J.F. & Pinto, J.M. (1982), A Investigação nas Ciências Sociais. Presença, Lisboa; Ander-Egg, E. (1987), Técnicas de investigación social. México: Editorial El Ateneo. 21. Barroso, J. (1998), Para o Desenvolvimento de uma Cultura de Participação na Escola. Lisboa. Instituto de Inovação Educacional – Cadernos de organização e gestão escolar. Bell, J. (1997), Como realizar um projecto de, investigação: um guia para a pesquisa em ciências sociais e da educação, Lisboa, Gradiva, - Colecção Trajectos, p.38. Burgess, R. (1997), A Pesquisa de Terreno. Uma Introdução. Oeiras: Celta Editora. Cardoso, A. (2006), Alguns desafios que se colocam à Educação Social. Cadernos de Estudo. Porto, Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, n.º 3, pp. 7-15. Campêlo, A. (2000), Congreso Virtual, disponível em [URL]: http://www.naya.org.ar/congreso2000/ponencias/Alvaro_Campelo.htm, acedido em 10OUT12. Caracterização de Almodôvar, disponível em [URL]: http://www.bejadigital.biz/pt/conteudos/territorial/caracterizacao+do+distrito/Concelho+ de+Almod%C3%B4var/Almod%C3%B4var/, acedido em 12-10-12. Constituição da República Portuguesa, disponível em [URL]: http://dre.pt/comum/html/legis/crp.html, acedido em 13NOV12. Carta Educativa do concelho de Almodôvar, 2006. Direção Geral de Arquivos, Criação da Junta de Freguesia de Almodôvar, disponível em [URL]:http://autoridades.arquivos.pt/producingEntityDetails.do?id=7632, acedido em 10OUT12. Diagnóstico de Potencialidades Turísticas de Almodôvar (DPTA), disponível em [URL]: http://www.cm- almodovar.pt/turismo/Diag_ProspectivodasPotencialidadesTuristicas_Almodovar.pdf, acedido em 27-09-12. Duarte, R. (2002), Pesquisa qualitativa: reflexões sobre o trabalho de campo. Rio de Janeiro, Cadernos de Pesquisa, nº 115, pp. 139-154. Espinoza, M. (1986), Evaluácion de Proyectos Sociales. Buenos Aires: Humanitas. Fonte, R. (s/d.), Animação instantânea – agitar só depois de usar, Editora: Intervenção – revista dos animadores. Freire, P. (1980), Conscientização. São Paulo, Moraes, p.15.
  26. 26. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 24 Freire, P. (1983 [1970]), Pedagogia do Oprimido. 12a edição, Rio de Janeiro: Paz e Terra. Freire, P. (1987), Acção Cultural para a Liberdade. São Paulo: Editora Paz e Terra. Idañez, M. & Ander-Egg, E. (1999), Diagnóstico Social. Conceptos e Metodología, Albacete e Buenos Aires, Instituto de Ciencias Sociales Aplicadas. INE – Censos 2001 e 2011 (Anuários Estatísticos do Alentejo de 2003 e 2009). Jacob, L. (2007), Animação de idosos. Edição nº4. Editora: Cadernos Socialgest. Disponível em [URL]:http://br.monografias.com/trabalhos-pdf/animacao-idosos/animacao- idosos.pdf, acedido em 25/11/2012. Disponível em [URL]: http://juntaalmodovar.blogspot.pt/ acedido em 11/11/2012. Jovchelovitch, S. & Bauer, M. (2002), Entrevista narrativa, In: Bauer, M. & Gaskell, G., Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Petrópolis, RJ: Vozes. Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro (Primeira alteração à Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, que estabelece o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e das freguesias); Melo, A. (2006), Comunicação em Sessão comemorativa do 30º aniversário da Unidade de Educação de Adultos da Universidade do Minho. Outubro, Minho. Patrício, M. (s/d), Aprendizagem Intergeracional com Tecnologias de Informação e Comunicação. Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Bragança. Portugal. Serrano, G. (2008), Elaboração de Projetos Sociais – Casos Práticos, Editora: Porto. Edição nº7. Coleção Educação e trabalho social. Viveiros, A. (2008), O Desenvolvimento Local e a Animação Sociocultural. Uma comunhão de princípios. JULIO de 2008; ISNN 1698-4044, disponível em [URL]: http:quadernsanimacio.net, nº 8, acedido em 25-11-2012.
  27. 27. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 25 ANEXOS
  28. 28. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 26 ANEXO 1 – ANÁLISE SWOT
  29. 29. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 27 ANEXO 2 – QUADRO AUTODIAGNÓSTICO 1 DIMENSÕES GNR B.V.ALMODOVAR CNO SÍNTESE NECESSIDADES - Passagem correta de informações - Adesão por parte da comunidade às ações de formação - Transportes públicos - Centro de Saúde a funcionar com os serviços mínimos de urgência - Dar formação mais direcionada para as necessidades da comunidade - Informação; - Formação DIFICULDADES - Isolamento da população - Dificuldade de deslocação da população - Constrangimento da comunidade por parte de certos temas - Mobilidade da comunidade - População isolada - Insegurança população devido ao isolamento - Burocracia do Sistema nacional de Saúde - Baixos rendimentos das pessoas - Deslocação das pessoas ao Centro da vila, devido à distância e falta de transportes públicos. - Isolamento; - Mobilidade POTENCIALIDADES - Interação com outras entidades, nomeadamente com os B.Vol. Almodôvar e Câmara Municipal - Interação com GNR - Apoio social e de saúde à comunidade - Bons recursos próprios, (ambulâncias bem equipadas) - Dinâmica do grupo de formadores, com capacidade de deslocação às diversas freguesias do concelho; - Vários protocolos com diversas entidades locais - Interação Institucional OUTROS/NOTAS - O Núcleo de programas Especiais efetuam ações de sensibilização, nomeadamente, direcionado para a população idosa. - Proposta de intervenção: Ação de sensibilização em caso de incêndio. - Sensibilização/informação para pedidos de socorro. - Importância da formação para valorização pessoal e social das pessoas. - Capacitar e sensibilizar para melhorar a integração na comunidade. - Ações de informação e formação/sensibilização; - Aproximar a comunidade (interação social)
  30. 30. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 28 ANEXO 3 – QUADRO AUTODIAGNÓSTICO 2 DIMENSÕES Câmara Municipal Grupo Coral «Flores do Campo» Associação «Vozes de Almodôvar» Cáritas e Lar idosos -Sta. Casa da Misericórdia Associação Estudantes Síntese NECESSIDADES - Falta de participação da população - Ações mais direcionadas para as necessidades da comunidade - Falta de pessoas no grupo - Falta de participação - Formação cultural - Espaço próprio (instalações) - Pouco apoio do conselho executivo para realização de atividades; - Fundos monetários - Motivação - Participação - Fundos Monetários - Formação DIFICULDADES - Falta iniciativa por parte das pessoas - Falta de participação da comunidade - Deslocação das pessoas à Vila, devido à distância e falta de transportes públicos - Falta de valorização -Desmotivação de elementos do grupo que saíram - Falta de divulgação - Dificuldade das pessoas na deslocação a consultas médicas (ao nível de mobilidade e monetário); - População isolada - Poucos transportes - Condicionamento logístico-financeiro; - Pouca participação da comunidade estudantil; - Falta de motivação e participação - Falta de iniciativa - Falta de divulgação POTENCIALIDADES - Rentabilizar as estruturas existentes - Alguma motivação das pessoas; - Dinâmicas do sector cultural; - Grupo predisposto a participar em tudo o que acontece na freguesia - Motivadas - Alguns elementos são dos montes, e usam os seus transportes pessoais p/ se deslocarem p/ ensaiarem - Preservar e divulgar as tradições da música Alentejana; - Boas relações entre estas entidades, e outras - Interajuda -Equipa de voluntariado - Boa ligação com todas as entidades/instituições da freguesia - Articulação com entidades do concelho no apoio social e de saúde à comunidade - Boa interação e comunicação entre a comunidade escolar; - Dinâmica interna da associação - Rentabilizar os espaços existentes - Há interajuda entre instituições - Motivação OUTROS/NOTAS - A Câmara é membro do Clas que é uma congregação de várias instituições, faz a monotorização de atividades, acompanha, estabelece metas e avalia; - A comunidade aspira um espaço, como um Centro de Dia - Importância da formação para valorização pessoal das pessoas. - Capacitar e sensibilizar para melhorar a integração na comunidade. - Colaboração da Junta em todas as divulgações e atuações - Importância para as ações de formação/sensibilização - Aproximar a comunidade -Tem muitas ajudas através de doações - Tem um Banco Alimentar -Grupo voluntariado «Ajuda a Sorrir» - Recolheram informação para enquadrar algumas atividades e promover a participação - Só conseguem fazer 1 atividade por período, no âmbito escolar, na área do desporto. - Formação; - Aproximar a comunidade; - Participação
  31. 31. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 29 ANEXO 4 – GUIÃO DE ENTREVISTA A1 BLOCOS TEMÁTICOS OBJECTIVOS ESPECÍFICOS INDICADORES DAS PERGUNTAS FORMULÁRIO PARA PERGUNTAS 1. Reconhecimento e certificação  Identificar e legitimar a entrevista  Expor os ideais do curso de ES e das práticas (projeto);  Importância da colaboração do entrevistado;  Solicitar autorização para gravação digital;  Agradecimento 2. Identidade e Território  Identificação local  Caraterísticas populacionais;  Sentimentos de pertença ao território;  Recursos, valores e crenças;  Património. I. Como carateriza a população do concelho de Almodôvar (ADV)? II. Qual o sentimento de identidade da população com o território? III. Sente que a população de ADV está devidamente informada sobre os recursos existentes e sensibilizada para o seu aproveitamento? IV. O território é encarado como património e valorizado nas suas dimensões históricas, culturais e sociais? 3. Relações Sociais  Interações pessoais, coletivas e institucionais  Relações entre os segmentos populacionais;  Relações entre a população e instituições;  Articulações entre instituições; V. Verifica interação entre os segmentos populacionais: crianças, jovens, adultos e idosos? VI. Quais as relações de afetividade destes segmentos populacionais na comunidade? VII. Como se relaciona o CLAS com outros atores sociais locais, nomeadamente com a Junta de Freguesia ADV? 4. Participação Social  Adesão comunitária  Conhecer as dinâmicas sociais da população;  Associativismo e voluntariado;  Atividade populacional;  Parcerias VIII. Nas dinâmicas socioculturais sente que a comunidade mantém uma participação ativa? IX. Como vê o associativismo e o voluntariado em ADV? Existe dinamismo? X. Os idosos têm um papel ativo? E os jovens? XI. Acha relevante a participação da comunidade na definição de estratégias para colmatar lacunas existentes? XII. Sendo a promoção do desenvolvimento social local um dos propósitos do
  32. 32. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 30 CLAS, sente que tem existido a devida participação dos atores/agentes sociais de ADV? XIII. Considera que, existindo uma promoção para a participação cidadã, os atores sociais locais aceitariam estabelecer parecerias e envolver-se- iam num projeto (de educação) social? 5. Problemáticas  Identificação de problemas sociais  Problemas e necessidades mais verificadas;  Dificuldades de mobilidade;  Exclusão social XIV. Ao nível de «possíveis» necessidades sente haver diferentes tipos relativamente no concelho de ADV, mormente nos «montes»? XV. Verifica alguma dificuldade de mobilização e utilização de serviços e equipamentos por parte dos residentes das restantes freguesias? XVI. Dada a atual conjuntura económico- financeira, sente que os fenómenos de exclusão social (pobreza, toxicodependência, racismo/xenofobia, isolamento, iniquidades, acesso à saúde, educação, etc.) têm-se mostrado mais expressivos ultimamente? 6. Ações Sociais  Características  Atividades sociais do CLAS;  Projetos;  Concretização XVII. Que a atividades têm sido promovidas pelo CLAS? XVIII. Projetos sociais futuros e em que dimensões? XIX. Essas atividades são executadas somente na vila ou estendem-se ao concelho? 7. Caracterização sociodemográfica  Identificar o entrevistado  Nome completo; data de nascimento; naturalidade;  Residência; profissão; habilitações. SOMENTE SE NECESSÁRIO!
  33. 33. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 31 ANEXO 5 PROTOCOLO DA ENTREVISTA A1 E – Podemos começar, como já tem conhecimento, nós ainda estamos na fase de diagnóstico, queríamos diagnosticar aqui algumas necessidades, fragilidades, problemáticas, qualquer coisa assim, mas não gosto muito de lhe chamar problemáticas, mas mais em termos de necessidades, que é para depois a partir daí partirmos para a ação, ou para o terreno. aa… estruturamos aqui mais ou menos as questões lá com o orientador do estágio, das práticas, e em relação ao curso, já tem mais ou menos uma ideia, não somos bem assistentes sociais, é um bocadinho diferente, eh eh. e - Pois também não são animadores, é uma coisa ali entre uma coisa e outra. E – É uma mescla ali das coisas, mas pronto. Pronto, aqui em termos de identidade e território, isto partindo já para a parte da entrevista, aqui no bloco temático aa…, como é que a Dr.ª. caracteriza a população do concelho de Almodôvar, caracterização…, as características populacionais, aa…, relações entre a população… e – Sim, pronto, começamos se calhar pl’a, pl’a… nós temos uma baixa demografia, a população é muito dispersa, temos uma população envelhecida e… o território vai ficando desertificado aa… talvez também por aí, e de facto nós temos cerca de 10 habitantes por km2, o que é uma baixa densidade populacional, aa… penso que as pessoas têm uma forte identidade cultural, penso que sim, têm, são muito ciosos das suas tradições, da sua cultura, portanto vão continuando a por em prática aa… saberes que vêm de muitos e muitos anos, e são ciosos disso, portanto tem algum orgulho nas suas tradições aa… estabelecem alguns laços, entre eles, penso que sim, mas o facto de ser uma população muito dispersa e, e de facto haver pequenos aglomerados populacionais com dois ou três habitantes às vezes essas relações são dificultadas por isso, pelas distâncias, e pelo isolamento, mas onde há agregados mais populacionais, o caso de Almodôvar, ou das freguesias aa… as pessoas juntam-se aa… associam-se, fazem alguma coisa. E – E mesmo em termos de mobilidade essas pessoas identificadas com o território em termos de património, participam, mesmo os isoladas têm… e – Sim, sim, nós temos uma experiência, aa…, que é em setembro, aa…, geralmente nas jornadas do património, costumamos fazer algumas atividades descentralizadas nos monumentos, e costumamos por transporte da Câmara aa… para que as pessoas possam ir assistir aos espetáculos, geralmente são de música, e visitar os monumentos de outras freguesias, e quando fazemos essa atividade há sempre muita gente interessada em ir, principalmente de locais, aa… mais pequenos, portanto, se nós fazemos um circuito com o autocarro, geralmente em todos os locais temos alguém interessado em participar, aa…, no
  34. 34. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 32 dia a dia a mobilidade não é muito fácil porque depende, se a pessoa tem carro até se desloca, e vai não é, mas nas camadas da população mais idosa que não têm meio de transporte aa…, depois os transportes públicos também não dão resposta a isso, tirando os transportes públicos para a vila, tudo o que é inter freguesias já não existe, ou se existem é de passagem, não dá para a pessoa ir e ficar, e regressar, portanto acaba por ser difícil a mobilidade quando as pessoas não têm meios para se deslocar por si próprias. E – Pois, mas acha que é mesmo uma lacuna ou é a Câmara que não consegue suportar por exemplo essa… essa… e – Não. Nem sequer é uma função da Câmara, nós, para garantir que as pessoas venham à vila já suportamos alguns custos com a rodoviária, portanto a rodoviária só faz aquilo que lhe dá lucro. E – Nos transportes escolares não é? e – Exatamente, portanto faz os transportes escolares, e associado aos transportes escolares transporta a população, o que é que acontece, há locais onde não temos população escolar, então a rodoviária pura e simplesmente não vai lá, porque as poucas pessoas que poderia transportar aa… não lhe dá rentabilidade. E – Não compensa, pois… e – Então o que é que fazemos, com núcleos populacionais que estão mais distantes, e que portanto, tem algumas pessoas que precisam de se deslocar, nós temos protocolos com a rodoviária, em que pagamos mensalmente um montante para elas fazerem esses circuitos, estou a falar por exemplo da Corte Pinheiro, fica na outra ponta do concelho, na freguesia de Sta. Cruz, até com as Guedelhas que é aqui a dois passos, nós temos de pagar para eles irem lá aa… e outros, temos vários, Portelas, Malhão, S. Barnabé, temos vários núcleos em que para terem transporte público assegurado, e têm, nós pagamos à rodoviária para que isso aconteça. E – Hum… hum… Ainda aqui em relação ao bloco temático da identidade e território, sente que a população de Almodôvar está devidamente informada sobre os recursos existentes e sensibilizada para o seu aproveitamento? e - É assim, não é fácil que a informação passe aa…rapidamente, portanto nós temos alguns programas que já estão implementados há dez anos, e que muitas vezes ainda vamos encontrar pessoas aa… que dizem do seu desconhecimento, é claro que agora já se calhar são muito poucos, mas nos primeiros dois, três, quatro anos, nós tínhamos que fazer sistematicamente campanhas de divulgação, mesmo nos núcleos populacionais, e nas localidades íamos lá, informávamos, porque as pessoas aa… não leem os papéis, nós podemos mandar muita informação para as juntas, podemos mandar muitos cartazes para a rua, mas há
  35. 35. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 33 uma certa dificuldade em passar a informação. Mas neste momento penso que já, se calhar muito pouca gente, muitos poucos idosos, somente esses desconhecem os programas que nós temos. Já são dez anos, não é, já vai passando. E – E encaram este território com valor, encaram como património, as pessoas dão… a Drª. à bocado falou que eles têm orgulho… e - Têm algum orgulho, não são muito de exteriorizar, ou seja, às vezes até nos chamam a atenção para determinadas coisas, mas quando somo nós a tomar a iniciativa e a ir falar lá com as pessoas, isto é importante, isto é, tem valor, eles dizem na vale nada, então isso já vem do tempo dos meu avós, e portanto as pessoas às vezes têm dificuldade em reconhecer, de facto a riqueza que têm, não é aa… apesar de depois ficarem orgulhosos daquilo que têm. E – Se partir deles… é a tal história, está bem. Então vamos aqui para mais a nossa área, as relações sociais principalmente, interações, quer de pessoas, quer de grupos, quer mesmo de pessoas, grupos e instituições, acha que há interação entre, entre a população em si, quer entre os vários segmentos populacionais, crianças idosos, idosos adultos, adultos crianças. e- É assim, eu penso que no dia a dia, possivelmente essas interações acontecem na família, porque interinstituições eu não vejo, eu vejo a escola aa… com as suas atividades dentro da escola para aquela camada etária, vejo os lares, os IPSS, com os seus idosos dentro das paredes com aquelas atividades, e de facto esse intercâmbio, ou essa troca de experiências entre uns e outros, ainda não acontece com regularidade, pode acontecer pontualmente aa…, por exemplo, pode acontecer nuns festejos de São Martinho… E – Pois acontece assim de uma ação da Câmara, por exemplo, não é? Agora partindo das entidades em si, e entre elas não. e- Pois não é muito fácil, não é muito fácil, não existe muito essa…, esse hábito, aa… essa prática no dia a dia, e também acontece muito, eu penso que hoje também, os avós…, os avós são mais jovens, e o que eu noto, é que aqui há uns anos atrás aa… os mais jovens recorriam muito ao suporte dos avós para ficarem com os miúdos e para, mesmo depois da escola, e neste momento há uma retração a esse nível, ou seja, a escola oferece um horário alargado, mas sempre com a condição de ser para aquelas famílias que de facto necessitam, e não tem suporte familiar em casa, porque isto sempre em parceria com a Câmara, porque os programas são implementados na escola, mas são pela Câmara, e eu tenho sempre o cuidado, de chamar a atenção dos pais, que é importante aquele espaço em que eles estão em casa com os avós, e com os tios, mas há uma recusa disso, os pais preferem deixar os miúdos hoje na escola, até às cinco, seis, sete horas, do que propriamente pedir aos avós para ficarem com eles, e se isto
  36. 36. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 34 acontece nas grandes cidades e em Almodôvar está a acontecer a mesma coisa, principalmente na vila, aa… E – Mas por falta de disponibilidade? e- Umas vezes dizem que sim, «ai ela tem mais que fazer, e tem as coisas dela e…», mas eu não sei, ainda não consegui perceber. E – Aí podem estar a falar dos laços, pode haver uma quebra aí… e- Mas nota-se há uns anos pra cá, principalmente desde 2006, foi quando começou a haver uma oferta maior em termos de horário na escola aa… pessoas que nós sabemos, que têm pessoas de família, a quem podiam recorrer, até para dar o almoço aos miúdos, porque, é… os miúdos almoçam na escola, mas é muito mais importante eles saírem ao meio dia, irem a casa e estarem num espaço fora daquele ambiente e voltarem, e isto não acontece. E- Por um lado, dá mais tempo e espaço à família, mas por outro lado, pode quebrar também aí um bocadinho os laços afetivos entre eles, é gradual, hoje não posso, amanhã nem tanto, hoje não veio… por outro lado é bom que a escola dê resposta como um ator social ativo, e nestas coisas ver o aspeto positivo, mas quebra um bocadinho as relações humanas… e- É um bocadinho violento, crianças com seis sete anos irem para a escola às nove da manhã e virem as sete da tarde, é … mas temos alguns casos desses, temos, depois vai-se refletir nos próprios valores, e até no aproveitamento escolar, porque a criança chega a uma certa altura e já está tão farta da escola, que aquilo para eles já não é nada. E- Pois em termos de afetividade, pois acabou de responder aqui à segunda pergunta. Em relação ao Clas, a, Câmara… é um dos parceiros aa… como funciona o Clas …, como é que acha que o Clas se relaciona, quer com as outras entidades, o Clas, ou o funcionamento entre si e- O CLAS é um órgão, é um fórum de discussão, que congrega várias entidades, não é a Câmara, não é a Segurança Social, são todas, portanto, tem a Câmara, tem as escolas, tem a Segurança Social, junta de freguesia, as associações locais, e aquilo acaba por ser um fórum de discussão, e não só, portanto o Clas serve essencialmente para aglomerar todas as ações que as várias entidades tem, ou associações, ou instituições tem, e no fundo faz a monotorização dessas atividades aa…, e tem mais algumas, neste momento o que é… o Clas…, o Clas reúne duas, três vezes por ano, não reúne mais, no inicio reunia mais, quando estava em fase de construção, agora vai ter de reunir por causa do novo PDS, mas no fundo o que é que fazemos, fazemos a elaboração de pareceres para candidaturas quando elas tem de ser submetidas a… ao QREN… candidaturas, a tudo o que tenha a ver com a área social, nós
  37. 37. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 35 e que fazemos, damos o primeiro parecer e depois é que, a segurança social a nível distrital dá o segundo, elaboram os instrumentos de planeamento e gestão aa…, são várias grelhas entre eles que vão aferindo da execução ou não do plano social aa… , e no fundo acabam por ser um, é um veículo de, de difusão da informação, portanto tudo vai parar ao CLAS, o Clas tem por obrigação, e mais a nível do núcleo executivo aa… enviar para todos os parceiros, e divulgar, e incentivar, ou não a sua participação, aa… e depois tem várias atividades aa… , que são as atividades, de cada uma das instituições, que faz parte do CLAS, aa… por exemplo agora foi feito uma coisa que eu achei muito interessante, foi em parceria com as juntas de freguesia, GNR, e a Câmara, foi o recenseamento de toda a população sénior do concelho, aa… mesmo em termos de localização, aos que estão isolados sem meio de comunicação com o exterior, as condições em que vive, portanto foi feito esse trabalho, da responsabilidade da GNR, mas que foi acompanhado sempre pelos outros parceiros, e é um trabalho muito válido, esse trabalho já tem vindo a dar alguns frutos, por exemplo aquela ação dos cafés Delta, a operação Delta, e que neste momento está a disponibilizar telemóveis com algumas características próprias para os idosos que estejam isolados e vivam sozinhos, portanto rapidamente eles conseguem aceder a socorro, no caso de necessitarem. Depois temos aquelas atividades aa… das entidades. E – A GNR não faz parte do CLAS? e- Faz E – aa… e as relações entre todos e- sim, são boas, são, aa… ás vezes tínhamos necessidade de uma maior participação, ou seja, se a gente convoca o Clas as entidades até vão todas e as instituições, mas há muito pouca participação ativa, as pessoas vão, marcam presença, aa… fizeram o seu papel, mas despois a discussão… E – Estratégias para algum problema… e- é complicado, muito complicado, é. E – A ideia que temos do Clas, no nosso entender, será diagnosticar, qualquer necessidade, e depois a partir daí avançar com as entidades em parceria… e- É que nós também temos outra estratégia que é assim, nós temos um gabinete de ação social na Câmara com técnicos que são muitos a…, e como tal aa… fazem trabalho… e o que é que acontece, quando há situações de problemáticas, geralmente são canalizados para o gabinete de ação social, temos uma técnica no gabinete de ação social que faz parte do Clas, que é responsável pela rede social, ela convoca, ou o conselho executivo para reunir, ou alguma entidade que tenha a ver mais com aquela problemática, por exemplo se for um caso
  38. 38. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 36 de doar, ela fala com as IPSS, se for o caso mais de algumas obras, um telhado que está a meter água, de repente fala com a Câmara e fala com a junta de freguesia, portanto ela própria faz essa articulação. E- tem a ver com as próprias necessidades da população… e- Ela própria faz essa articulação com aquelas entidades, que fazem parte do Clas que mais rapidamente poderão dar resposta aquela situação, que é de emergência, as coisas até estão a… a ter alguma resposta. E - Vamos partir aqui para a parte das, da participação social, quer em termos institucionais, quer em termos populacionais, sentem se.., se as dinâmicas são culturais se a comunidade tem uma participação ativa, embora na primeira questão já tenha respondido um pouco a esta pergunta…, acha que as pessoas acabam por se envolver, participar? e- Depende das atividades, aa… eu ainda não consegui perceber, o público de Almodôvar, concelho, não vila, concelho, aa… quando as atividades já tem alguns anos e eu acho que quando dizem alguma coisa às pessoas, elas até participam. Às vezes fazemos atividades e achamos que aquilo vai ter algum resultado, e temos a casa às moscas aa…, mas eu acho que depende das atividades, se as atividades focarem nos interesses das pessoas, e se de facto lhe dizem alguma coisa, elas até participam aa… E- então e partir apenas deles, quer institucional, quer a sociedade civil, isto porquê, por exemplo nós já percebemos que as Flores do Campo, são um grupo de pessoas muito ativas, elas próprias promovem os eventos delas, aa… vão aos lares, vão às creches, e é nesse sentido. e -Temos alguns casos desses e principalmente partindo dos grupos corais, por exemplo temos aqui as Flores do Campo aqui em Almodôvar, que de facto fazem as suas próprias atividades, e organizam, temos um outro grupo ali na Semblana que tem exatamente essa função, elas são um grupo coral, mas acabam por ser um grupo que anima a localidade elas organizam a festa de Natal, as festas da igreja, as festas, pronto acabam por ser ali um polo dinamizador, portanto nós tínhamos lá um centro cultural, e que estava fechado à uma série de anos, elas abriram-no e puseram-no a funcionar. Depois temos no Rosário também aa… que timidamente está a começar o próprio grupo coral também é dinamizar, e despois temos as associações, que dependem da sua vertente aa… algumas fazem aquelas atividades anuais, que são as festas de Verão e que tem sempre sucesso garantido. aa… depois outras participações são muito específicas, por exemplo é conforme os gostos, temos o pessoal do futebol que organiza, dinamiza e faz, o pessoal que gosta das bicicletas também, aa…, é um
  39. 39. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 37 bocadinho por polos de interesse não é. Nós temos muitas associações no concelho, lá está algumas trabalham anualmente durante o ano quase não se dá por elas, e outras tem atividades regulares. E- Nós acabamos por fazer o nosso trabalho de casa, e em termos de associações, há muitas associações. e – Há.., há muitas. E- e esta parte… algumas foram criadas e mais nada, ou para tirar aquele rendimento da câmara, ou para gerir a associação, isto o movimento associativo… há que participar um bocadinho também nas funções culturais e económicas e- As associações aqui funcionam muito, algumas, não posso generalizar, não é, aa… em função dos seus próprios interesses, aa.., e se eu gosto, se eu existo para angariar fundos, para no futuro fazer um lar, eu só trabalho em função disso, aa…, e tem alguma dificuldade em participar no global, é um bocadinho á volta dos seus próprios interesses. E – Em relação ao associativismo e voluntariado há dinâmicas de associativismo, agora no que consiste a base, e o objetivo, missão do associativismo não será bem assim. Mas há dinamismo, e voluntariado há algum? e- Voluntariado, há um grupo, mas que no fundo é um voluntariado um bocadinho escondido, não é, não tem, não está reconhecido em termos ainda institucionais, nós a nível de, daquele voluntariado que faz parte daqui do PDS, que é conhecido a nível nacional, penso que tem três pessoas, mas depois há outro, aqui, concretamente o grupo «Ajuda a Sorrir», de carácter sócio caritativo, aa… cujas pessoas acabam por fazer algum voluntariado, aa… se souberem de alguém que está com problemas, tentarem ajudar, irem lá a casa, mas é um voluntariado um bocadinho diferente daquele que estamos habituados, é mais na base da boa vontade. E – E em relação aos idosos, acha que são pessoas ativas, têm um papel ativo, nestas participações sociais, ou pelo menos gosto, mostram interesse? e- É assim, os idosos… há de tudo, de tudo aa…, nós organizamos atividades para eles. Nós temos por exemplo uma atividade, em termos contínuos, que é a nível do desporto, em que um técnico vai às freguesias dinamizar duas vezes por semana atividade física com eles, e temos grupos grandes a participar, essencialmente mulheres, acho que os homens são menos participativos nessas coisas, mas já vão aparecendo. Aa… se nós organizarmos um dos passeios para ir aqui ou ali, até com objetivos definidos para eles conviverem para estarem, para conhecerem, e temos grande participação. As atividades partindo deles é mais complicado.
  40. 40. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 38 E – Só se fizerem parte de alguma associação ou grupo já mais ou menos organizado. E em relação aos jovens como é a participação? e – os mais jovens, é um problema aa… tirá-los da frente do computador, ou de alguns locais onde eles se reúnem, é muito complicado. Tenho tentado à seis anos para cá, tento implementar projetos, na biblioteca essencialmente, para que aquela camada dos quinze aos vinte participe, e é sempre o grande problema que têm nessa faixa etária, tendo até aos quinze, até participam e vão e , e estão, depois já há défice entre os quinze, e os vinte, nós ainda não conseguimos descobrir como é que se dá volta a isso, e depois quando regressam, ou a partir dos vinte e dois, ou quando já tem miúdos pequenos, já voltam. E- finalizando o que a Dr.ª estava dizendo há esse handicap dos quinze aos vinte anos dos miúdos participarem e - Já organizamos, fizemos uma vez um projeto que saiu mesmo deles, baseado num inquérito, em que eles disserem aquilo que eles gostariam de ver implementado e gostariam como atividades bandas de garagem foram metidas na biblioteca, e depois daqueles trinta, quarenta, também temos um universo muito pequeno, não é que participaram neste trabalho, quando foi implementadas atividades, se calhar de quarenta passamos para trinta, os que estiveram presentes. E – Relativamente a esta Intergeracionalidade entre os jovens e os mais idosos, existe algum tipo de relacionamento mais afetivo, eles dissociam-se uns dos outros, existe algumas atividades nesse âmbito? e - Podem existir atividades pontuais, aa… mas por sistema não existem, aa… mas se calhar se quiser aa… uma festa em que se peça a colaboração de uns e de outros, essa relação existe e é boa. Mas por espontaneamente, ou por sistema, não me parece que haja muito essa ligação, a não ser os laços familiares em casa, mas em termos de sociedade, não me parece, portanto isto também é uma ideia, é a minha opinião. E – Qual a relevância da participação da comunidade na definição de estratégias, no sentido da parte da sua responsabilidade, ou seja para saber a opinião da comunidade no sentido de um diagnóstico, para saber o que ela precisa, não sei se existe? e - Existe alguma preocupação nesse sentido, principalmente quando nós estamos na fase de elaboração do orçamento, nos primeiros anos, eu estou a falar durante, portanto eu estou na Câmara à onze anos, aa…, nos primeiros oito, nove anos, nós íamos a todas as localidades, com mais de quinze habitantes e fazíamos reuniões com a população… sobre aa… no fundo queríamos fazer um levantamento sobre as necessidades sobre as aspirações, sobre aquilo que eles mais pretendiam que se concretizasse, aa… essas reuniões acabavam por ser um discurso
  41. 41. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 39 do presidente da câmara sobre as intenções, daquilo que pretendia fazer, aa… participação da população no global, e quando estavam todos reunidos era praticamente inexistente, não…, e depois ficavam para o fim abordavam individualmente o presidente a pedir-lhe isto ou aquilo, mas em termos pessoais, mais particulares, porque tudo o que fosse global a participação era muito, muito pouca, aa…e tudo o que era atividades como culturais, ou… aa… passava-lhes um bocadinho ao lado. Nos últimos três anos nós substituímos esses encontros com a população, e chamávamos encontros com a população, por questionários, aa… e é muito pouco participado, em termos de questionários, são questionários muito simples, em que tem um espaço para observações, mas é com cruzinhas a maior parte das coisas, aa… eu pessoalmente nunca acreditei nisso, nos questionários, até porque nós temos um nível de iliteracia bastante grande, aa… mas pronto, aa…eu prefiro sempre mais as reuniões com as pessoas e esses contactos com a população, mas de facto o que se tirava desses encontros acabava por ser quase que um aval daquilo a que nós tínhamos intenção de fazer, mas ao contrário, o feedback era muito…. E – pois e o que existia era mais a nível individual e- individual, exatamente, não havia ali um pensar no coletivo. Nós, há dez anos para cá que implementamos essas dinâmicas, aa… mas a participação, é muito baixa E- Muito baixa, não tem havido nenhum progresso praticamente? e - aa… até onde nós poderíamos apostar para haver algum progresso era nos jovens, e os jovens praticamente não vão lá, a não ser que em determinada localidade haja qualquer coisa, ou que seja polémico que possa vir a acontecer, em que… e aí as pessoas vão sim senhor, eu posso lhe contar agora em relação às freguesias, à agregação de freguesias, aa… nós tínhamos um menino nos braços não é, e é assim, ou fazíamos um estudo e mandávamos para a Assembleia da República, ou que as freguesias fossem agregadas, e viam os seus financiamentos aumentados, ou se nós disséssemos não nos queremos pronunciar eles agregavam na mesma, e esses acréscimo não viria, e nós soubemos enfrentar as coisas, fomos falar com as pessoas propomos quais seriam as freguesias agregadas, a câmara tinha uma ideia, mas resolvemos ir consultar essas freguesias, as pessoas estavam lá em peso, manifestaram-se dram a sua opinião, foram contra a opinião da câmara, portanto não tiveram qualquer problema em manifestar isso, e de facto a vontade deles foi…, foi para a frente, sim senhor vocês pensam dessa forma, nós temos uma opinião diferente, por isto e por isto, mas vocês entendem que não, é a vossa opinião que vai para a frente, e foi com o parecer da câmara, da Assembleia Municipal foi elaborado com base de facto na opinião das pessoas, mas lá está, tem que ser qualquer coisa que mexa com a vida das pessoas, e mais a divulgação
  42. 42. Prática I Educação Social – 3º ano, 1º semestre Pós Laboral 40 não foi assim tão grande quanto isso, porque nós agendamos a reunião, e estava o prazo um bocado apertado, e foi divulgado com um dia, dois dias de antecedência, e as pessoas estavam lá todas. Depende dos interesses, e das motivações. E – Relativamente aqui ao nível das possíveis necessidades que constata, sente haver diferentes tipos, relativamente aos diferentes montes do concelho? Portanto temos vários montes, Santiago… e – Pois é assim, a grande, o grande problema que eu vejo aqui, em relação aos montes mais dispersos, é de facto o envelhecimento dessas pessoas e o facto de estarem bastante isoladas aaa… muitas sem qualquer laço familiar próximo, são pessoas aa… mas as necessidades em termos gerais são muito idênticas… E – No acesso a equipamentos aa… se calhar pois… e – Pois, as pessoas que tão isoladas é mais difícil não… E – Cá está, porque a outra questão e que não pode dissociar-se dessa, é essa questão que se sente a nível de mobilização e a utilização de serviços e de equipamentos a nível de… e – Pois, as pessoas que estão mais isoladas é mais difícil. Nós temos aí uma localidade que nós, durante aí quinze em quinze dias fazemos o transporte das pessoas porque não têm qualquer transporte público nem lá próximo aa… e o acesso, pois eu acho que as pessoas nem sequer pensam em aaa… em usufruir dessas de, de aa… dos equipamentos que existem. Por exemplo pra vir à Biblioteca. Quem vem à Biblioteca? Aa… as pessoas que andam por aí, que conseguem vir à vila, que conseguem aa… claro que nós temos uma biblioteca itinerante que vai às localidades, mas vai a quais localidades? Às maiores, porquê? Nós começámos a ir a localidades com cerca de vinte pessoas e acabámos por estar lá uma tarde inteira sem um único utente, não é? Aa… portanto começámos inicialmente com vinte e tal localidades e depois começámos a selecionar, aquelas que durante duas, três vezes fomos lá, não aparecia ninguém interessado a usufruir daquele equipamento, nós tivemos que deixar de ir não é? Portanto temos esse problema e que as pessoas, não sei se não conhecendo, não sentem essa necessidade… E – Isso. Falou-me nesse exemplo especificamente, que se falava a nível do Centro de Saúde… e - Não, as pessoas aí organizam-se e principalmente com as Juntas de Freguesia, ou vêm com aa… um transporte público aa… aqueles que têm, ou então pedem a colaboração da junta e aí, a junta, são são muito colaborantes com os seus munícipes e fazem um grande trabalho nesse sentido, especialmente em montes isolados, quando há mesmo dificuldades aa… que não têm

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