Projeto - Metodologias de intervenção comunitária

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Projeto - Metodologias de intervenção comunitária

  1. 1. Universidade do Algarve Escola Superior de Educação e Comunicação Licenciatura em Educação Social Unidade Curricular de Metodologias de Intervenção Comunitária 2º Ano – 1º Semestre 2011/2012 PROJETO DE INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA PRAIA DE FARODocente:Emílio Lucio-VillegasDiscentes:Ana Abreu, aluna n.º 1757; Ricardo da Palma, aluno n.º 43043; Rita Gonçalves,aluna n.º 41807; Telvia Costa, aluna n.º 43728. Faro e UAlg-ESEC, Janeiro de 2012
  2. 2. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro ÍndiceFase Preliminar .................................................................................................................................. 4 Análise SWOT ................................................................................................................................ 5Fase Interventiva ................................................................................................................................ 6 Objetivos gerais: ............................................................................................................................. 8 Objetivos específicos: .................................................................................................................... 8 Vertente Piscatória ......................................................................................................................... 9 Vertente Turística ......................................................................................................................... 10 Parcerias ...................................................................................................................................... 11 Orçamento .................................................................................................................................... 13 Cronograma.................................................................................................................................. 14 Atividades formativas ................................................................................................................... 15 Avaliação do projeto ..................................................................................................................... 16Considerações finais ........................................................................................................................ 17Referências Bibliográficas ................................................................................................................ 18 Índice de IlustraçõesIlustração 1 - Análise SWOT da Praia de Faro .......................................................................................... 5Ilustração 2 - Orçamento ............................................................................................................................. 13Ilustração 3 - Cronograma de Formação .................................................................................................. 14Ilustração 4 - Atividades Formativas .......................................................................................................... 15Ilustração 5 - Tabela de indicadores .......................................................................................................... 16 2
  3. 3. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro PROJETO – DESENVOLVER PARA O FUTUROO presente trabalho enquadra-se no conteúdo programático da Unidade Curricular deMetodologias de Intervenção Comunitária, do 2º ano – 1.º semestre da Licenciatura deEducação Social (pós laboral), orientada e coordenada pelo professor Emílio Lúcio-Villegas, o qual incide sobre a elaboração de um projeto de intervenção comunitário naIlha/Praia de Faro.Numa perspectiva de futuros Educadores Sociais, onde o “traço” marcante é, sem dúvida,a capacidade para saber encontrar e ajudar a percorrer caminhos que vão no sentido dobem-estar da pessoa e da sociedade” (Cardoso, 2006:14), pretendemos, neste sentido,elaborar um projeto de intervenção comunitária, tendo como princípios fundamentais odespertar da participação ativa e da consciência crítica, procurando desenvolver ascapacidades do individuo; fomentar a ocupação dos tempos livres e do trabalho emequipa, de modo a envolver as próprias pessoas da comunidade, que devem participarna elaboração e discussão do projeto, e assim contribuir para a resolução dos problemasexistentes.Propõe-se assim projetar um plano de intervenção, procurando, de forma simples masobjetiva, contribuir para uma boa política de desenvolvimento do mundo das pescas,promovendo o empowerment e a participação ativa desta comunidade prevalecendo osentimento de pertença territorial, patrimonial e de desenvolvimento.A elaboração deste projeto foi dividida em duas partes, a primeira parte consistiu emobservar a comunidade de modo a caracterizá-la, procurando perceber quais os seusproblemas, as suas necessidades, as aspirações sentidas, os valores, asrepresentações, as tradições, identificar as várias infraestruturas, com a finalidade defazer um descrição e criação de um mapa da comunidade.Este estudo de caso, trata-se de uma abordagem metodológica de investigaçãoespecialmente adequada quando procuramos compreender, explorar ou descreveracontecimentos e contextos complexos, nos quais estão simultaneamente envolvidosdiversos factores. Yin (1994), afirma que esta abordagem adapta-se à investigação emeducação quando o investigador é confrontado com situações complexas, de tal formaque dificulta a identificação das variáveis consideradas importantes, quando oinvestigador procura respostas para o “como?” e o “porquê?”, quando o investigadorprocura encontrar interacções entre factores relevantes próprios dessa entidade, quandoo objectivo é descrever ou analisar o fenómeno, a que se acede directamente, de uma 3
  4. 4. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faroforma profunda e global, e quando o investigador pretende apreender a dinâmica dofenómeno, do programa ou do processo. Assim, Yin (1994:13), define “estudo de caso”com base nas características do fenómeno em estudo e com base num conjunto decaracterísticas associadas ao processo de recolha de dados e às estratégias de análisedos mesmos. Fase PreliminarNuma fase preliminar da investigação para ajudar às questões pertinentes para o estudoe para a recolha de dados foram utilizadas a técnica de observação direta nãoparticipante, efetuadas durante os meses de Outubro, Novembro e Dezembro.Posteriormente, foram recolhidos registos fotográficos, pesquisa documental e efetuadasalgumas conversas informais, de modo a enriquecermos o nosso projeto.A elaboração de um projeto, exige várias fases, numa primeira fase, é necessárioidentificar o problema. Tendo em conta esta questão, consideramos importante obterinformações através dos representantes da comunidade, e, neste caso, os presidentesdas três associações existentes na comunidade. Considerando a importância dasassociações neste território foram realizadas algumas conversas informais, das quaiscom o presidente da Associação para a Defesa e Desenvolvimento da Praia de Faro(APRAFA), com o presidente da Associação Nascente Duna Mar, com o presidente daAssociação dos Utentes da Ilha de Faro (AUIF), com um comerciante da Ilha de Faro ealguns residentes.Na comunidade da Praia de Faro procurámos saber como está organizado, quer a nívelfuncional - comércio, equipamentos, infraestruturas, espaço residencial ou de lazer, quera nível de ocupação - quem são os moradores, quem utiliza este espaço, quem são oslíderes e representantes da população.Consideramos o território da Praia de Faro, enquadrado no contexto tipológico, comosendo um território rural, dado o seu cariz piscatório, em que a atividade principal derivada pesca e dos recursos naturais deste espaço, mas em via de urbanização (Reis, 2001),ou seja, dadas as suas características estruturais e a sua relação de proximidade,geográfica, social, económica e política, existente entre este espaço rural, recorrendo-nosdo paralelismo referido por Campêlo (2000) entre o rural agrícola e rural piscatório, quercom o grande centro urbano que é a cidade da Faro (capital de Distrito), quer com acapital de freguesia, à qual pertence, Montenegro, bem como à grande infraestruturasediada no limítrofe fronteiriço da sua área que é o Aeroporto Internacional de Faro. 4
  5. 5. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de FaroCom as devidas adaptações do paralelismo referido por Campêlo (2000), as perspectivasde Reis (2001) e Ferrão (2000), quanto à redescoberta do mundo rural (agrícola episcatório), apostam nas competências e valorizações das pessoas e motivando-as aencarar o território como património. O reaproveitamento e valorização do território,centrado na renaturalização – conservação e protecção da natureza; a procura deautenticidade – com vista a criar identidade própria e privilegiar a conservação eprotecção do património histórico, com capacidade de suportar as tendências actuais daglobalização; e a comercialização das paisagens – valorizando as actividades de turismoe lazer, num sentido de resposta à expansão de novas práticas de consumo, sãomedidas que, não só promovem o território em si, tornando-o multifuncional e com valorpatrimonial, como fomentam a pluriatividade das famílias pesqueiras, levando a que estascontribuam na manutenção e expansão do mundo de produção tradicional, quer emtermos económicos quer também em termos sociais e ambientais (Ferrão, 2000). Análise SWOTA análise SWOT, sistematiza os aspetos considerados mais pertinentes na comunidade,tendo servido para uma melhor perceção dos recursos e problemas existentes. 5 Ilustração 1 - Análise SWOT da Praia de Faro
  6. 6. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de FaroDesta análise detetámos que um dos problemas sentidos pela comunidade relacionava-se com o fato de existir desemprego e um claro desânimo para o reaproveitamento dosrecursos (naturais, físicos e humanos). Para colmatar esta lacuna desenvolvemos onosso projeto tendo em conta os fatores positivos que esta comunidade apresenta. Nãoobstante da forte relação e sentimento de pertença que esta comunidade tem com oterritório, pretende-se de uma forma geral estimular a valorização deste espaço, elevandoa sua conscientização para a riqueza do ambiente natural, a valorização da ria, apresença de estruturas de apoio ao turismo de natureza e da sua própria localizaçãogeográfica. Fase InterventivaApós a análise descritiva da comunidade procuramos identificar os fatores positivos enegativos, tendo em conta os fatores internos e externos. Utilizamos a análise SWOT,que nos pareceu simples e objetiva.Foram traçadas algumas linhas de intervenção na elaboração do presente projeto.Partindo do pensamento Freireano e do empowerment da comunidade da Praia de Faro,e, não obstante da crise económica actual que o país (e o mundo) atravessa,consideramos que esta componente económica podia ser “espicaçada”. Através deacções de formação, enquadradas na modalidade não formal do sistema educativo, querpara a vertente social e educacional, numa clara aposta na formação das pescas e numvolte-face para a actividade piscatória e dos seus derivados, quer para a vertenteeconómica, no sentido de valorizar as actividades económicas em articulação com apreservação dos recursos naturais e patrimoniais e que podem ser usados comopropensores à atividade turística e de lazer, enquanto fatores de competitividade egeração de riqueza. É deste modo também possível promover uma maior dinâmica àpopulação local, para que sejam desenvolvidas soluções para os problemas atuais,contribuindo assim para uma maior aprendizagem e desenvolvimento baseados nossaberes locais e na capacitação individual dos sujeitos.Partindo do princípio de que a participação das pessoas está intimamente ligada aoprocesso de conscientização, tal como foi definido por Paulo Freire (1987), todos osresultados conseguidos através desta participação fazem com que as próprias pessoassintam que é possível transformar a sociedade que as rodeia e toda a sua realidadesocial. Esta conscientização, alargando os horizontes e permitindo que as pessoasenfrentem desafios e os tomem como alavanca de dinamização, autonomia, capacitação, 6
  7. 7. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faroespírito crítico e reflexivo, etc., irá emancipar esta comunidade e fazer com que existauma maior potencialidade e competitividade saudável entre todos, reforçando as suaspróprias capacidades que irão não só impulsionar como potenciar o desenvolvimento.Como refere Fragoso (2005:68), “Corresponde a valorizar as vivências das populaçõespara atingir finalidades mais orgânicas.”Um projecto de intervenção comunitária compreende várias fases, em primeiro lugarpretende-se fazer um diagnóstico da situação, no qual será detetado e analisado oproblema principal existente na comunidade, e é a partir deste que será desenvolvidotodo o projeto. Deste modo, os problemas sentidos pela comunidade da praia de Faro,(identificados na análise SWOT) são vários, sendo o enfoque principal do presenteprojeto dirigido essencialmente ao subaproveitamento do território, aliado ao fato daspróprias pessoas da comunidade se mostrarem bastante preocupadas com esta questão.Depois de diagnosticado o problema, partimos desta primeira etapa estabelecendoprioridades de ação, com base em critérios bem definidos. A praia de Faro possuirecursos naturais e culturais que deverão ser aproveitados de modo a manter a suasustentabilidade e é nesta perspetiva que este projeto é direcionado, implementandoformações que irão de encontro à resolução destas problemáticas.Após delineadas as ações a desenvolver na comunidade da ilha de faro, procedemos àanálise do público-alvo destinado a participar neste projeto. De um modo geral todo oprojeto implica a participação da comunidade da Praia de Faro, mas, especificamente,destina-se aos desempregados, dando lugar a 30 participantes, de modo a possibilitar aaquisição de conhecimentos e competências, para que consigam valorizar e reaproveitaro seu território e melhorar os seus hábitos e modos de vida.Deste modo, foram traçadas linhas de intervenção e de aplicabilidade na comunidade daPraia de Faro, as quais partindo de uma participação e interação ativas com a populaçãoe com o contributo de algumas instituições governamentais e não-governamentais,podem contribuir para o “emancipar” desta comunidade.Após delineadas as ações a desenvolver na comunidade da praia de faro, utilizámos ateoria de Rezsohazy (1988) que consiste em primeiramente tentarmo-nos assegurar quea comunidade-alvo reconhece os seus problemas para posteriormente se poder aspirar aorganizar as necessidades e subsequentemente representa-las em algo que viesse a serassumido através da ação pela própria, de modo a aprofundar as questões centrais detodo o projeto. Após identificados os recursos que a comunidade possui, o problema deenfoque, as consequências e causas que advém do mesmo, já referidas, segue-se a 7
  8. 8. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Farodefinição dos objetivos e estratégias que levarão por diante o projeto, ou seja, asatividades que serão realizadas, de acordo com os objetivos definidos. Objetivos gerais:  Valorizar as atividades económicas em articulação com a preservação dos recursos naturais e patrimoniais enquanto fatores de competitividade e de geração de riqueza;  Manter a atividade da pesca de modo a manter a sua sustentabilidade;  Promover a vertente turística e de “refuncionalização” e comercialização no espaço mar. Objetivos específicos:  Melhoria da autoestima da comunidade-alvo;  Aquisição de novos conhecimentos, para uma melhoria das qualificações;  Adaptação das embarcações, para o desempenho de atividades turísticas.  Garantir a preservação e valorização do património ambiental e cultural;  Promover a melhoria das condições de vida da comunidade local.Assim, no nosso entender, existem várias estratégias de intervenção no mundomareante, das quais há algumas que se destacam. A visão do “voltar às origens” e (re)aproveitar os recursos naturais, quer do ponto de vista económico através damercantilização do mar e optando por abrir o mundo piscatório a novos horizontes demercado, onde a predominância da produção marítima deixa de ter tanta expressão epassa a considerar os recursos naturais carregados de simbolismos como patrimóniohistórico, social e cultural, como parte multifuncional da realidade actual; quer do pontode vista social que permite cativar e fixar pessoas para o meio mareante através dacriação de infra-estrutras e políticas sustentáveis gerando de uma forma geral algunsempregos partindo da capacitação das pessoas, permitindo assim uma participação maisactiva e de envolvimento social, são, em nosso entender, as principais formas decontribuição positiva para o desenvolvimento local desta comunidade piscatória.O presente projeto, visa também, de uma forma geral, contribuir para uma visão do actualconceito “rurbano”, tentando de uma forma objectiva sensibilizar para a reestruturação e 8
  9. 9. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Farovalorização territorial e patrimonial. Entende-se, deste modo, que o mundo rural piscatórioe o mundo urbano são indissociáveis e logo complementam-se natural e socialmente.Pretende-se com este projeto estimular a comunidade da Praia de Faro a fazer umareflexão pessoal sobre as novas perspectivas de reaproveitamento e valorização doterritório, baseando esta política de desenvolvimento territorial como uma mais valia parao património e impulsionando o fato de que a produção piscatória/marítima pode ser umaforma de resposta à actual situação de crise económica, quer como forma desubsistência quer como forma de impulso à produção marítima (turística e piscatória)como “veículo” de dinamização e capacitação social.Definidos os objetivos, pretende-se desenvolver este projeto a partir de duas vertentes: Vertente PiscatóriaA pesca é ainda uma actividade a preservar, quer por motivos económicos, uma vez queeste sector primário é imprescindível para a manutenção de uma série de indústrias eserviços, quer por motivos sociais porque torna vantajosa a qualidade de vida de quem láreside, criando postos de trabalho, permitindo assim a fixação das populações, tendo emconta a não absorvência de todos os grupos sociais nos sectores secundário e terciário(Martinho, 2000). Para além da importância social e económica das atividadespiscatórias, e pelo seu contributo directo para a criação de riqueza e de emprego, elassão também relevantes para a dinamização de outras actividades, designadamente aconstrução e reparação naval (associada às embarcações de pesca), a indústria (detransformação e conserva), o comércio e o turismo (como factor de atractividade daregião).É nestes pontos que se baseia o presente projecto: apostar nos recursos da Praia deFaro (naturais e humanos) com vista a criar novos horizontes sociais e económicos,partindo da própria participação da comunidade. Verifica-se, em parte, algum cepticismoquanto às novas tendências de reaproveitamento do espaço-mar, quer por motivoseconómicos, dada a débil conjuntura financeira actual, quer por motivos sociais, peladificuldade em cativar e fixar pessoas nestes meios marinhos.Partindo das condições físicas (quanto ao espaço) e sociais (quanto à mão de obra; aspessoas) pretende-se assim romper com as resistências de afastamento da comunidadedo seu território de origem e fazer com que vejam e sintam este seu território comsentimento de pertença, valorizando-o e levando a que esta mesma comunidade seidentifique com este espaço e interiorize o conceito de mais-valia, reaproveitando-o e 9
  10. 10. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Farotirando partido da sua riqueza. Com isto, cremos que existem medidas de dinamização.Tais medidas, partem da formação de novos agentes de desenvolvimento marítimo,desenvolvendo projetos de cooperação além-fronteiras a fim de se trocarem experiênciase desencadear processos de desenvolvimento nos mundos piscatórios e criar condiçõesde acesso a infra-estruturas e contribuir para uma melhoria da baixa densidade física esocial do mundo das pescas. É com esta dinâmica de valorização do território, decapacitação e participação das pessoas, de promoção da reflexão e espírito critico ecriativo, de promoção de autonomia (social, económica, política) que este projeto assentaa sua funcionalidade. Vertente TurísticaDe acordo com Brito (2006), o sector do turismo, apesar da sua prática ter sofridograndes alterações ao longo do tempo, é atualmente entendido como um latente meio dedinamização da economia, de modernização de infraestruturas e de criação de empregose (re) qualificação operária, e logo, tem sido perspectiva como polo de atração dodesenvolvimento socioeconómico, quer pelas receitas obtidas quer por permitir a criaçãode relações de proximidade com outros sectores de atividade como o agropecuário, aindústria, o comércio e os serviços e ainda por exigir uma atenção particular no querespeita aos meios natural e sociocultural. “O turismo pode contribuir para uma múltipla valorização, de âmbito sociocultural, económico e ambiental. Sociocultural, ao promover a divulgação da cultura popular, das práticas tradicionais e das formas de expressão artística ancestrais, fundamentadas na tradição oral e no costume e ameaçadas de perda, da preservação patrimonial, histórica e arquitectónica, bem como da promoção das formas artísticas emergentes. Económica, pela capacidade de incentivar e dinamizar actividades produtivas complementares, criando postos de trabalho e melhorando as condições de vida e de trabalho da população activa, mas também retendo divisas e valorizando o investimento produtivo, promovendo a revitalização do tecido empresarial. Ambiental, ao criar condições para que a preservação ambiental e a protecção de espécies se efective, através da criação de áreas protegidas e de reserva natural.” (Brito, 2006:22).E a Praia de Faro, nestas relações de proximidade dada a sua boa localização geográficaquer com o grande centro urbano que é a cidade da Faro (capital de Distrito), quer com acapital de freguesia, à qual pertence, Montenegro, bem como pela proximidade com a 10
  11. 11. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Farogrande infraestrutura sediada no limítrofe fronteiriço da sua área, que é o AeroportoInternacional de Faro, pode tirar partido das mesmas, cativando, com os objetivos a quese propõe o presente projeto (dinamização territorial, com alternativas turísticas, e dotar asua comunidade de empreendorismo, numa clara participação-ação e impulsionandoassim o setor económico), quer as próprias pessoas da comunidade e assim evitar oêxodo, quer turistas nacionais e estrangeiros e servir assim como polo de atração.O Algarve continua claramente identificado com o tradicional produto turístico, em que oprincipal mercado são viagens de lazer, não obstante o desenvolvimento de produtosalternativos e complementares, este articula-se com a oferta regional (e nacional), comoé assumido na estratégia nacional para o sector, que o apresenta como um produtotradicional a requalificar.As condições climáticas e oceanográficas da costa do Algarve e a sua localização numazona de passagem para o Mediterrâneo têm contribuído para uma procura crescente porparte da navegação de recreio e o aparecimento de novos portos e marinas aumentaramconsideravelmente a oferta associada a esta actividade no Algarve.O turismo náutico é um dos cinco “produtos inovadores” que deverão constituir umaaposta de acordo com o Plano Estratégico Nacional do Turismo. O turismo naturezatambém merece destaque, sendo outro dos “produtos inovadores” seleccionados compotencialidade dada as características inerentes da Ria Formosa, nomeadamente noâmbito do birdwatching (Polis Litoral, 2008).Os índices de produção piscatória da praia de Faro não atingem valores muitosatisfatórios, logo, há que apostar nesta dimensão do marítimo não piscatório, ou seja,numa vertente turística, aproveitando ainda o fato desta se situar muito perto doAeroporto Internacional de Faro. ParceriasPara a realização deste projeto será imprescindível o estabelecimento de parcerias comas seguintes entidades públicas e privadas:  Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), com atribuição de bolsas de formação;  Um protocolo com Rendimento Social de Inserção (RSI) celebrado com o apoio técnico e financeiro do Instituto de Segurança Social (ISS); 11
  12. 12. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro  CCDR-Alg (Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Algarve), sendo esta a entidade coordenadora do projeto  Polis Litoral, a fim de serem partilhados esforços de reestruturação.  Junta de Freguesia do Montenegro, no apoio às deslocações;  Câmara Municipal de Faro, com apoio nos materiais de desgaste;  Região de Turismo do Algarve (RTA), com apoio de recursos humanos na área da formação de formadores;  Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, com apoio de recursos humanos na área da formação de formadores;  Aeroporto Internacional de Faro, que contribuirá financeiramente para a obtenção das cartas de marinheiros;  Companhias Petrolíferas – GALP, CEPSA e BP, patrocinadores das acções cívicas;  Visualforma, apoio logístico ao nível informático.  Associações Locais (APRAFA, DUNAMAR, AUIF, CENTRO NAÚTICO)Estas parceiras valem-se essencialmente pelo apoio financeiro e logístico, no sentido deproporcionar condições físicas (em termos de equipamento e infraestruturas) emonetárias (de comparticipação de vencimentos e quantias para aquisição de materialpedagógico e estrutural). 12
  13. 13. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro OrçamentoAtendendo ao plano de atividades/formação, foi definido o seguinte orçamento: Ilustração 2 - Orçamento 13
  14. 14. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro CronogramaA formação terá uma duração de 6 meses, compreendida entre Outubro e Março, com ototal de 182 horas de formação. Ilustração 3 - Cronograma de Formação 14
  15. 15. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro Atividades formativasNa seguinte tabela são apresentadas as atividades propostas, bem como os seusobjetivos e recursos (humanos, físicos, materiais) necessários para implementação doprojeto de intervenção. Ilustração 4 - Atividades Formativas 15
  16. 16. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro Avaliação do projetoConsideramos necessário para avaliação do sucesso deste projeto os indicadores abaixodescritos. INDICADORES RESULTADOS Habilitações literárias da comunidade- 7º ano alvo Masculino 25 Nº Desempregados aderentes Feminino 5 Nº de Instalações disponíveis para 1 formação Públicas 8 Nº Parcerias Privadas 9 Aproveitamento 30 Nº de co-investigadores (de dentro da 3 comunidade) Ilustração 5 - Tabela de indicadoresConsideramos que este projeto terá sucesso se o número inicial de formandos semantiver até ao final do mesmo e o concluir com aproveitamento.No entanto, só será possível avaliar os objetivos propostos inicialmente se existir umacompanhamento dos formandos após terminus do projeto.Assim, espera-se que estes consigam aplicar os conhecimentos e competênciasadquiridos no decorrer da formação, para que possam reaproveitar a ria e os seusrecursos para a sua própria sustentabilidade. 16
  17. 17. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro Considerações finaisConsideramos que existem várias estratégias de intervenção no mundo mareante, dasquais há algumas que se destacam. A visão do “voltar às origens” e (re) aproveitar osrecursos naturais, quer do ponto de vista económico através da mercantilização do mar eoptando por abrir o mundo piscatório a novos horizontes de mercado, onde apredominância da produção marítima deixa de ter tanta expressão e passa a consideraros recursos naturais carregados de simbolismos como património histórico, social ecultural, como parte multifuncional da realidade actual; quer do ponto de vista social quepermite cativar e fixar pessoas para o meio mareante através da criação deinfraestruturas e políticas sustentáveis gerando de uma forma geral alguns empregospartindo da capacitação das pessoas, permitindo assim uma participação mais activa ede envolvimento social, são, em nosso entender, as principais formas de contribuiçãopositiva para o desenvolvimento local desta comunidade piscatória. 17
  18. 18. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro Referências Bibliográficas ALMEIDA, J.F. e PINTO, J.M. (1982), “A Investigação nas Ciências Sociais”, Presença, Lisboa. AMIGUINHO, A. (2005), “Educação em meio rural e desenvolvimento local”. Revista Portuguesa de Educação. Braga – CIED-Universidade do Minho, 18 (2), pp. 7-43. BARROS, A. (1990), “Sociologia Rural perante a problemática do espaço”, in Sociologia, Problemas e Práticas, nº 8, CIES-ISCTE, pp.43-53. BRITO, B. (2006), “Turismo em espaço rural, a experiência de São Tomé e Príncipe”. Revista de Humanidades. Lisboa – ISCTE, Volume 7, n.º 19, pp.10-56. CARNEIRO, M.J. (1998), “Ruralidade: novas identidades em construção”. Estudos Sociedade e Agricultura, n.º 11, Outubro 1998, pp.53-75. CAMPÊLO, A. (2000), “Congreso Virtual 2000”, disponível em [URL]: http://www.naya.org.ar/congreso2000/ponencias/Alvaro_Campelo.htm, acedido em 20NOV11. FERRÃO, J. (2000), “Relações entre Mundo Rural e Mundo Urbano: Evolução Histórica, Situação Actual e Pistas para o Futuro”, in Sociologia, Problemas e Práticas, nº 33, CIES-ISCTE, pp.45-54. FRAGOSO, A. (2005), “Desenvolvimento Participativo: uma sugestão de reformulação conceptual”. Revista Portuguesa de Educação. Braga. Volume 18, n.º 1, pp. 23-51. FREIRE, P. (1987), “Acção Cultural para a Liberdade”. São Paulo: Editora Paz e Terra. GUERRA, I. (2001), “Intervenções face à exclusão social urbana: uma luta inglória”, in Comunidades e Territórios, nº 2, Lisboa, Centro de Estudos Territoriais, pp. 47-56. MARTINS, A. M. (2000), “As Sociedades Periféricas na Recontextualização da Economia Mundial”, in Sociologia, Problemas e Práticas, nº 32, CIES-ISCTE, pp.147-157. 18
  19. 19. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro MARTINHO, V.J.P. (2000), “Reflexões sobre o Desenvolvimento Rural”. Revista Millenium, ano 5, nº19, pp.241-250, ISPV, Viseu; em [URL]: http://www.ipv.pt/millenium/19_spec10.htm, acedido em 9-12-2011. PEIXOTO, P. (s.d.), “Os meios rurais e a descoberta do património”, CES, disponível em [URL]: http://www.ces.fe.uc.pt/publicacoes/oficina/175/175.pdf, acedido em 6-12-2011. POLIS LITORAL RIA FORMOSA, disponível em [URL]: http://www.polislitoralriaformosa.pt, acedido em 28DEZ11. REIS, J. (2001), “Observar a mudança: o papel dos estudos rurais”, CES, disponível em [URL]: http://www.ces.uc.pt/publicacoes/oficina/165/165.pdf, acedido em 10-5-2011. REZSOHAZY, R. (1988), “El Desarrollo Comunitário”. Madrid: Narcea YIN, R. (1994). “Case Study Research: Design and Methods”. (2ª Ed) Thousand Oaks, CA: SAGE Publication. 19
  20. 20. Projeto de Intervenção Comunitária Praia de Faro 20

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