Alfabetização

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Apresentação sobre os mecanismos de aprendizagem da leitura e da escrita.

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Alfabetização

  1. 1. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesALFABETIZAÇÃO
  2. 2. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes1. O QUE É ALFABETIZAR?2. CONTRIBUTOS PARA UMA ALFABETIZAÇÃO EFICAZ
  3. 3. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes O QUE É?• ALFABETIZAÇÃO• LEITURA• ESCRITA• LITERACIA / LETRAMENTO 1. Os alunos podem ler e escrever logo no início do 1.º ano? 2. O que fazem mais facilmente: leitura ou escrita? 1. Qual treinam em 1.º lugar?
  4. 4. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesALFABETIZAÇÃOO Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001) apresenta a definição estrita de alfabetização. Ela é oacto ou efeito de alfabetizar, de ensinar as primeiras letras.Assim, uma pessoa alfabetizada é entendida como aquela que domina as“primeiras letras”, que domina as habilidades básicas ou iniciais do ler e doescrever.Um exemplo: nós somos capazes de ler global e instantaneamente (de uma só vez,sem analisar cada elemento) a palavra CASA porque somos alfabetizados. Domesmo modo, somos capazes de descodificar, analisando seus elementos (letra,sílaba), a palavra AVLATONPLAN (embora ela não exista), porque somosalfabetizados.Em síntese: alfabetização, no seu sentido estrito,designa, na leitura, a capacidade de descodificar ossinais gráficos, transformando-os em sons, e, naescrita, a capacidade de codificar os sons da língua,transformando-os em sinais gráficos.
  5. 5. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesLEITURAPor leitura entende-se o processo interactivo entre o leitor e o texto,através do qual o primeiro reconstrói o significado do segundo. Aextracção do significado e a consequente apropriação da informaçãoveiculada pela escrita são os objectivos fundamentais da leituraO percurso da aprendizagem da leitura deve ter como meta primordiala fluência, que implica rapidez de decifração, precisão e eficiência naextracção do significado do material lido. A fluência de leitura exige queo leitor descodifique automaticamente, de tal modo que possa canalizara capacidade de atenção para a compreensão do texto. A consequênciapedagógica decorrente é a necessidade de treino sistematizado detécnicas de automatização que permitam ultrapassar o processomoroso de tradução letra-som, conduzindo ao imediatoreconhecimento visual de palavras e possibilitando o rápido acesso àcompreensão do texto. Sim-Sim, et al. (1997) A Língua Materna na Educação Básica
  6. 6. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesESCRITAA expressão escrita consiste no processo complexo de produçãode comunicação escrita.o ensino da expressão escrita não se esgota no conhecimentoindispensável da caligrafia e da ortografia, mas abarcaprocessos cognitivos que contemplam o planeamento da produçãoescrita (selecção dos conteúdos a transmitir e sua organização), aformatação linguística de tais conteúdos (selecção dos itenslexicais que os exprimem com maior precisão, sua formatação emsequências bem formadas, coesas, coerentes, e adequadas), orascunho, a revisão, correcção e reformulação e, finalmente, adivulgação da versão final para partilha com os destinatários. Sim-Sim, et al. (1997) A Língua Materna na Educação Básica
  7. 7. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesLITERACIASegundo a OCDE, a literacia de leitura é definida como acapacidade de cada indivíduo compreender, usar textosescritos e reflectir sobre eles, de modo a atingir os seusobjectivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos epotencialidades e a participar activamente na sociedade(OCDE, 2001).
  8. 8. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesLETRAMENTOLetramento é, de certa forma, o contrário de analfabetismo. Aliás, houveum momento em que as palavras letramento e alfabetismo sealternavam, para nomear o mesmo conceito. É uma tentativa detradução da palavra inglesa literacy.Analfabetismo é definido como o estado de quem não sabe ler eescrever. O seu contrário, alfabetismo ou letramento, é o estado dequem sabe ler e escrever. Ou seja: letramento é o estado em que vive oindivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticassociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive:sabe ler e lê jornais, revistas, livros; sabe ler e interpretar tabelas,quadros, formulários, sua carteira de trabalho, suas contas de água, luz,telefone; sabe escrever e escreve cartas, bilhetes, telegramas semdificuldade, sabe preencher um formulário, sabe redigir um ofício, umrequerimento. Soares, Magda, (2002) Letrar é mais que alfabetizar
  9. 9. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Vamos Ler?De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em que odrem etãso as Lteras de uma plravaa, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa.
  10. 10. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4M05TR4R COMO 4 NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3MN15TO! NO PR1NC1P1O P4R3C14 MU1NTOCOMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 4 NO554 M3NT3V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU4534UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R D3 P3N54RMU1TO, C3RTO? POD3M F1C4R B3M ORGULHO5O5D155O! A5 SU45 C4P4C1D4D35 M3R3C3M!P4R4BÉN5!
  11. 11. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes• Exercício de leitura de um texto em romeno• Exercício de escrita de um texto em romeno
  12. 12. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes HIPÓTESE: as crianças já sabem muito sobre aescrita antes de entrarem na escola aos seis anos.Relativamente à escrita, a maior parte das crianças ainda não sabe ler, mas sabe que há uma relação estreita entre a escrita e a fala e que esta se pode representar sobre o papel ou o ecrã, sob a forma de grafismos, que são percebidos numa sequência determinada (da esquerda para a direita e de cima para baixo, nas línguas ocidentais). Se viveu em contacto com enunciados escritos, formulou hipóteses, tentou apreender as relações entre a escrita e a fala, construindo conceptualizações surpreendentes. Joaquim Bento, A Génese da Aprendizagem da Língua Escrita
  13. 13. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesEmília Ferreiro e Ana Teberosky (1986) partiram deum pressuposto semelhante:Pareceu-lhes difícil admitir que a criança - queaprende a falar sem ir à escola - não aprendessenada sobre a língua escrita, «[...] até ter seis anos euma professora à sua frente.»
  14. 14. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesSegundo as mesmas autoras, os modelos que acriança constrói, para apreender a realidade daescrita, afastam-se muito das evidências do adulto.Por isso, este pode ser tentado a considerar como"errónea" a análise que aquela faz da página impressa.Assim, por exemplo, para a criança, um «m»manuscrito pode ser visto como constituído por trêsletras; um «E» pode ser entendido como número, seestiver isolado; uma sequência de caracteres só sepode ler se contiver pelo menos de duas a quatroletras, etc.
  15. 15. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesA explicação para estes "erros" é-nos facultada pelareflexão psicolinguística, conforme sublinham asautoras:«[...] a criança procura activamente compreender anatureza da linguagem que se fala à sua volta, e [...]tratando de compreendê-la, formula hipóteses,busca regularidades, coloca à prova suasantecipações e cria sua própria gramática [...]»
  16. 16. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesNesta busca de compreensão do fenómeno “escrita”, ascrianças passam por diversos Níveis(o seu estudo e conhecimento é fundamental quer para perceber asdificuldades do aluno, quer para justificar as práticas do professor)• Nível A - É o nível de conceptualização mais evoluído. Todas as palavras do texto oral estão representadas no texto escrito.• Nível B - Todas as palavras estão escritas, excepto os artigos. Para estes, surgem três soluções: «Afirmar que ali nada diz, propor tirá-lo»; «juntá-lo a alguma das unidades maiores»; «dar-lhe um valor silábico».
  17. 17. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes• Nível C - Há correspondência para os substantivos, mas não para o verbo. Este «é solidário da oração inteira, ou do predicado inteiro».Assim, na frase “A menina come um caramelo”, a criança procura localizar os dois substantivos. Quanto ao verbo, ou diz que não está lá, ou o inclui no segmento gráfico do segundo substantivo, ou o faz corresponder a toda a mancha gráfica da frase.• Nível D - Impossibilidade de estabelecer correspondência entre as partes do texto oral e as partes do texto escrito. A criança não consegue segmentar a frase oralizada.Por isso, as respostas são diversas e incongruentes. Quando se pergunta à criança onde está escrita uma palavra ou toda a frase, a resposta é imprevisível: pode estar em qualquer parte do texto escrito, em todo ou apenas numa sílaba. Esta frase constitui um todo indivisível nos planos fónico, sintáctico e semântico.
  18. 18. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes• Nível E - «Toda a oração está num fragmento do texto; no resto do texto, outras orações congruentes com a primeira.»• Nível F - A criança procura no texto escrito apenas os nomes, ou seja, a escrita serve como objecto substitutivo (função simbólica) dos objectos.Assim, a frase “O papá chuta na bola” só representa, para a criança deste nível, os dois objectos designados. As palavras que "sobram", como o verbo e o artigo, ou se nega que estejam escritas ou se integram nos substantivos. Como no papel há mais do que dois segmentos gráficos, terão que ser encontrados outros nomes (como mamã), para que se obtenha uma correspondência lógica entre a frase oral e a mesma frase escrita.Nesta fase, palavras só com dois caracteres, como alguns artigos, «não são para ler», e as acções não são representáveis. Tudo se passa como no desenho. Aí figuram dois actantes: um homem (o papá) e uma bola. A acção de chutar não pode ser desenhada em si mesma.
  19. 19. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesPodemos então concluir que há muitas crianças que chegam à escola com níveis muito avançados de conhecimento sobre a escritaNos estudos de Bento (1991) com crianças deJardins de Infância da região de Viseu, foi possívelencontrar crianças que detectavam até 60% doescrito.Como podemos usar esse conhecimento, garantindoníveis de motivação e auto-confiança?
  20. 20. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesVoltemos a Paulo Freire... para saborear oentusiasmo da descoberta da escrita comadultos. 20
  21. 21. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesMas em Portugal, e na alfabetização curricular de crianças, também há entusiastas... 21
  22. 22. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes DILEMA Motivação intrínseca para a escrita no JI vs Desmotivação no 1.ºCEBSerá possível manter estes níveis de interesse e motivação?
  23. 23. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes 23
  24. 24. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes 24
  25. 25. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesE em Portugal? Excertos da reportagem “A primeira Escola”, SIC
  26. 26. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Qual a situação actual da investigação? Fonte: Magda Soares (vários textos)Até muito recentemente, considerava-se que aentrada da criança no mundo da escrita se faziaapenas pela alfabetização, pela aprendizagem das“primeiras letras”, pelo desenvolvimento dashabilidades de codificação e de descodificação.O uso da língua escrita, em práticas sociais de leiturae escrita, seria uma etapa posterior à alfabetização,devendo ser desenvolvido em fases posteriores. Frutodessa concepção, temos os manuais do 1.º e 2.ºanos de escolaridade...
  27. 27. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesDesde meados dos anos 80, porém, as concepçõespsicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escritaprocuraram mostrar que, se a aprendizagem das relaçõesentre as “letras” e os “sons” da língua é uma condição do uso dalíngua escrita, esse uso também é uma condição daalfabetização ou da aprendizagem das relações entre as “letras”e os “sons” da língua.Trata-se, portanto, de uma relação de reciprocidade.Desta teoria, nasceu a ideia de criar “ambientesalfabetizadores” na sala de aula (através de etiquetas, listas,etc), que permitissem que a criança usasse a língua escrita,mesmo antes de dominar as “primeiras letras”,Considera-se importante que a criança perceba para que serve 27a escrita e como é usada em práticas sociais significativas.
  28. 28. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesA necessidade desse conhecimento sobre os usos eas funções da língua escrita seria particularmenterelevante para crianças de famílias com restritaexploração da cultura escrita e de suas diversaspráticas, ou seja, que não teriam muitasoportunidades de manusear textos, de participar desituações de leitura e produção de textos. Aqui entrao conceito de Letramento/Literacia.E torna-se um aspecto fundamental do processo, jáque os estudos internacionais (p.ex. o PISA) noscolocam em posições pouco dignas no que dizrespeito precisamente à Literacia. 28
  29. 29. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesPodemos então dizer que as dificuldades queenfrentamos hoje na alfabetização são agravadastanto pelo passado (a herança do analfabetismo edas desigualdades sociais), como pelo presente (aampliação do conceito de alfabetização e dasexpectativas da sociedade em relação aos seusresultados). 29
  30. 30. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes CONTRIBUTOS PARA UMAALFABETIZAÇÃO MAIS EFICAZ
  31. 31. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes O Que é então necessário para que a alfabetização seja mais eficaz?1. A alfabetização deve ocorrer em ambiente de leitura e de escrita;2. A alfabetização deve ter por alicerces as experiências e osconhecimentos que a criança tem já sobre a escrita;3. O ensino das correspondências fonema/grafema deve serexplícito e deve partir sempre da consciência fonológica;4. A alfabetização deve usar palavras conhecidas e frequentes,para que o processamento seja rápido e eficaz;5. A alfabetização tem de estar associada a práticas de expressãoescrita;
  32. 32. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesCapacidades/competências a desenvolverNão se trata de conteúdos ou "matérias" a serem "dados" um depois do outro; trata-sede capacidades interligadas, necessárias ao domínio do sistema de escrita* Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas(outros sistemas de representação)* Dominar convenções gráficas (i) Compreender a orientação e o alinhamento da escrita da língua portuguesa (ii) Compreender a função de segmentação dos espaços em branco e da pontuação* Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas, terminaçõesde palavras, etc.* Conhecer o alfabeto* Compreender a natureza alfabética do sistema de escrita* Dominar as relações entre fonemas e grafemas
  33. 33. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas(outros sistemas de representação)(i) letras e desenhos;(ii) letras e rabiscos;(iii) letras e números;(iv) letras e símbolos gráficos como setas, asteriscos, sinais matemáticos, etc. ( *, +, =,%,@,$).Como se trata de conhecimento básico para a compreensão da natureza da escrita, eledeve ser introduzido, trabalhado e consolidado logo no momento inicial da alfabetização.Propostas de Actividades:Exploração, em livros, revistas e outros materiais, das diferenças gráficasentre o texto escrito e o desenho, entre a escrita alfabética e os ícones esinais, muito usados actualmente, mas que não representam os sons(smileis). Quanto à distinção entre letras e números, é possível propor aosalunos que procurem saber ou levantem hipóteses sobre a presença dossímbolos que representam os números em calendários, listas telefónicas,folhetos com preços de produtos, etc.
  34. 34. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Dominar convenções gráficas (i) Compreender a orientação e o alinhamento da escrita da língua portuguesa(ii) Compreender a função de segmentação dos espaços em branco e da pontuaçãoTanto a fala como a escrita são produzidas em sequência linear, isto é, "som" depois de"som", ou letra depois de letra, palavra depois de palavra, frase depois de frase. Um dospontos fundamentais no início da alfabetização é compreender que essa linearidadeacontece de maneira diferente na fala e na escrita.Proposta de Actividade:(I) uma actividade que contribui para a aprendizagem da orientação e doalinhamento convencionais é o professor assinalar com o dedo as linhasdos textos que lê, para que os alunos observem a direcção da leitura.(II) um bom procedimento é ler em voz alta para as crianças, apontandocada palavra lida e os sinais de pontuação no final das frases. Uma outramaneira de chamar a atenção dos alunos para as marcas desegmentação da escrita é, ao fazer a leitura oral em sala de aula, solicitarque eles próprios identifiquem os diferentes marcadores de espaço(espaços entre as palavras, pontuação, parágrafos).
  35. 35. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesReconhecer unidades fonológicas (nesta fase de iniciação, proporia unidades como sílabas, rimas,terminações de palavras, etc)É, por isso, muito importante, que o professor domine bem as Fases daConsciência FonológicaNo uso diário da língua, as pessoas não costumam dar atenção aos sons queproduzem, centrando-se em exclusivo no conteúdo. No entanto, para aprender a lere escrever com autonomia, um requisito indispensável é ser capaz de manipularracionalmente unidades sonoras de apreensão mais difícil - os fonemas - e ascomplexas relações entre os fonemas e o modo de os representar graficamente.
  36. 36. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesSugestão de Actividade:Uma maneira de introduzir esta questão é centrar a atenção dos alunos nas unidadesfonológicas com as quais eles já são capazes de lidar antes mesmo de entrar para aescola: (sílabas, começos ou finais de palavras, rimas, aliterações, etc)* cantigas como "Atirei o pau no gato”* jogos de palavras (palavras começadas com [ca], terminadas com [ão], etc.* a língua do pê* os trava-línguas* Etc,...Trazendo essa produção cultural para a sala de aula, podem criar-se situações lúdicasque levem os alunos manipular deliberadamente com sílabas, rimas, aliterações, etc.É possível também brincar com a posição desses segmentos nas palavras, porexemplo, formando listas de palavras que comecem, ou que terminem, comdeterminada sílaba. 36
  37. 37. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Conhecer o alfabetoA importância da aprendizagem do alfabeto na fase inicial da alfabetização está,sobretudo, na necessidade de o aluno identificar e saber os nomes das letras. Alémdisso, um conhecimento básico a ser trabalhado nesse momento é a regra geral deque o nome de cada letra tem relação com pelo menos um dos "sons" da fala que elapode representar na escrita. O domínio do nome das letras pode auxiliar na leitura, nacompreensão da grafia das palavras.Creio que o estudo do alfabeto se poderá fazer com a apresentação de todas asletras, preferencialmente (?) seguindo a ordem alfabética, já que isso dará à criança aconsciência do todo, a possibilidade de distinção e a capacidade de percepção daordem alfabética (conhecimento segundo o qual se organizam muitos dos escritos deuso corrente)I) Compreender as diferenças gráficas (maiúscula, minúscula, cursiva, imprensa) efuncionais das letrasUma das implicações do princípio de identidade funcional das letras para o processode alfabetização é que o aluno precisa de aprender que não pode escrever qualquerletra em qualquer posição numa palavra, porque as letras representam fonemas, osquais aparecem em posições determinadas nas palavras.
  38. 38. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes (ii) Conhecer e utilizar diferentes tipos de letraAlguns estudos recomendam o uso exclusivo de letras maiúsculas nos primeirosmomentos da alfabetização, pelo menos até que o aluno passe a reconhecer todas asletras e tenha destreza na escrita das palavras.Argumentos a favor:Na Leitura:* por serem unidades discretas (e não "emendadas" como as letras cursivasmanuscritas), as maiúsculas de imprensa podem ser diferenciadas e contadas maisfacilmente pelos alunos;* é mais fácil reconhecer as letras que aparecem em sequência nas diversaspalavras quando essas letras se apresentam com tipos uniformes e regulares;Na Escrita:* as maiúsculas de imprensa são mais fácies de escrever, especialmente pelascrianças pequenas;Os defensores dos métodos analítico e global defendem que se deve começar pelascursivas minúsculas, aparentemente porque facilitariam a memorização dasunidades maiores (texto, frase, palavra).
  39. 39. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesSugestão de Actividades:Na sala de aula, esta questão deve ser tratada de modo produtivo e flexível. Assim,se se trata de uma actividade de leitura autónoma (pelas razões apresentadas), asugestão é a de utilização das maiúsculas de imprensa. Noutras actividades, usar-se-ão outros tipos de letra.Leitura: Propiciar aos alunos o manuseio de escritos diversos, impressos emanuscritos, perguntando-lhes em que géneros de texto e em que suportesexistentes na sociedade se podem encontrar exemplos de cada tipo de escrita,pedindo-lhes que classifiquem as letras quanto a suas características gráficas.Escrita: É preciso ensinar a forma das letras isoladas, mas esse procedimento nãotem de ser exclusivo. Pode investir-se nas acuidades motoras e cognitivasnecessárias ao domínio dessas capacidades propondo também aos alunos a escritade palavras, em textos curtos mas significativos, como avisos, listas, cançõesconhecidas, etc.Especificamente quanto às funções da escrita cursiva, é importante o aluno saberque, além de representar estilos individuais de caligrafia, ela também serve para seescrever com rapidez. Porém, não se pode desconsiderar que, como uma dasfunções da escrita é a de nos possibilitar produzir textos para que outras pessoasleiam, é preciso escrever de maneira clara e elegante.
  40. 40. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Compreender a natureza alfabética do sistema de escrita Nem todos os sistemas humanos de escrita grafam os "sons" da língua falada, e entre os que o fazem, nem todos são "alfabéticos". Há símbolos da escrita chinesa, por exemplo, que não representam sons, mas ideias, conceitos. São ideográficos. Na escrita japonesa, há sinais que representam sílabas. É sobretudo na escrita das línguas indo-europeias que se usa representar, em linhas gerais, cada unidade fonológica por um símbolo gráfico, ou seja, cada "som" por uma "letra", cada "fonema" por um "grafema". Um sistema de escrita é alfabético quando seu princípio básico é o de que cada "som" é representado por uma "letra". As crianças desenvolvem esse conhecimento, passando por diversas fases ou “hipóteses”.Proposta de ActividadesAluno, ao ler, diz beola em vez de bolaExplorando o trabalho contrastivo com palavras em que o fonema em causa apareça seguido de diferentes vogais, por exemplo, desafiando-as a ler e escrever: bala, bela, bola, bula.A identificação de determinada relação fonema-grafema num conjunto de palavras que a apresentam, como, por exemplo, a identificação do fonema /f/ nas palavras: fita, foto, futebol, farofa.Actividades que explorem a contraposição entre palavras parecidas, cuja diferença se deve a um fonema (pares mínimos), representado na escrita por uma letra: cala/cola, janela/ panela, maleta/muleta.Construção de palavras a partir de conjuntos de letras dispostos aleatoriamente.
  41. 41. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo Antunes Dominar as relações entre fonemas e grafemasApropriar-se do sistema de escrita depende fundamentalmente de compreender umprincípio básico que o rege: os fonemas, unidades de som, são representados porgrafemas na escrita. É preciso, então, que o aluno aprenda as regras decorrespondência entre fonemas e grafemas, a partir do tratamento explícito esistemático encaminhado pelo professor na sala de aula.Essas regras de correspondência são variadas, ocorrendo algumas relações maissimples e regulares e outras mais complexas, que dependem da posição do fonema-grafema na palavra (posicionais), ou dos fonemas/grafemas que vêm antes ou depois(contextuais).A complexidade ocorre porque no sistema alfabético nem sempre a relação entreum fonema e um grafema equivale a uma única correspondência. Na verdade, nalíngua portuguesa temos pouquíssimos casos em que há apenas uma correspondênciaentre um fonema e um grafema.Na aprendizagem do sistema de escrita é importante para o aluno contar com o apoiodo significado, e não ser obrigado a lidar exclusivamente com abstracções comofonemas e sílabas.
  42. 42. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesPropostas de Actividade• Separar em sílabas palavras faladas e observar de que maneira essa separação seconfigura na escrita ajuda os alunos na identificação e percepção da representaçãográfica dos fonemas.• Identificação e comparação da quantidade, da variação e da posição das letras naescrita de determinadas palavras: bingo, texto com lacunas, colocação de palavras porordem alfabética, confronto entre a escrita produzida pelo aluno e a escrita padrão;• Prever o significado das palavras na leitura é uma chave importante na decifração dassequências de grafemas e na aprendizagem das relações fonemas/grafemas.• Na leitura: Isto pode ser conseguido através do conhecimento do suporte (manual, livrode histórias, jornal) e do género do texto (lista de nomes de colegas, lista de material,história).• Na escrita: é possível prever um conjunto de palavras que podem ser usadas naprodução de determinado texto (por exemplo, um convite de aniversário, um comunicadoda escola aos pais sobre uma reunião) e, então, discutir e explorar com os alunos aspossibilidades de grafia dessas palavras.• Promover o reconhecimento automático de algumas palavras pelos alunos e deixaressas palavras visíveis na sala de aula. As palavras conhecidas, expostas, servirão comoapoio e recurso para as crianças analisarem e, daí, empregarem correctamente, naleitura e na escrita de outras palavras, as relações fonema-grafema pertinentes.• Ler e escrever pequenos textos mesmo antes de ter domínio do sistema da escrita.
  43. 43. Alfabetização - Formação PNEP - Viseu - Ricardo AntunesQuestão conflituosaDominar as relações fonema-grafema significa, em última instância, dominar aortografia. A discussão sobre qual é o papel da ortografia durante o processo dealfabetização é polémica. Os debates têm que ver com o excesso de rigor na correcçãodos erros ortográficos dos alunos, ou com a ausência de rigor, justificada pelaconcepção de que os erros são elementos importantes do processo de ensino eaprendizagem.O caminho será sempre o meio-termo entre estas posições.Proposta:No início do processo de alfabetização, quando o aluno começa a compreender asregras que organizam o sistema da escrita e, assim, a descobrir como funcionam osmecanismos de codificação e descodificação, não é necessário que o professor oatropele com preocupações sistemáticas com a ortografia.À medida que os alunos vão aprendendo a escrever com certa fluência, o professorprecisará, contudo, de organizar de maneira sistemática o estudo de algumas regrasortográficas.Aqui funcionam muito bem tarefas como:• Discussões colectivas sobre a adequação ortográfica de textos dos alunos;• Trabalhos de auto-correcção, a partir de grelhas adequadas ao nível de aprendizagemdo aluno.

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