Pequenos resumos de dois dos episódios de os lusíadas

863 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
863
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
9
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
3
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Pequenos resumos de dois dos episódios de os lusíadas

  1. 1. PEQUENOS RESUMOS DE DOIS DOS EPISÓDIOS DE “OS LUSÍADAS”  CONSÍLIO DOS DEUSES  INÊS DE CASTRO
  2. 2. CONSÍLIO DOS DEUSES Neste momento, é convocado o Concílio dos deuses (estrofes 20 a41) para decidir se os portugueses devem ou não conseguir alcançaro seu destino. Júpiter afirma que sim, porque isso lhes estápredestinado. Baco discorda porque, se isto for permitido, as suas própriasconquistas no Oriente serão esquecidas, ultrapassadas por estepovo. Mas Vénus vê os portugueses como herdeiros dos seus amadosromanos e sabe que será celebrada por eles. Camões era um homemde paixões, que também celebrava o amor na sua lírica, e talvez porisso tivesse escolhido a deusa romana desse sentimento parapatrona do seu povo.
  3. 3. CONSÍLIO DOS DEUSES Segue-se um tumulto, com os restantes olímpicos a tomar partido de Bacoou Vénus, até que o poderoso Marte se impõe, assustando Apolo num aparte(estrofe 37). O amante de Vénus, e admirador dos feitos guerreiros dosportugueses, lembra que não só já é merecido que consigam realizar a suafaçanha, como Júpiter já tinha decidido conceder esse favor e não deveriavoltar atrás na palavra. O rei dos deuses concorda e encerra o concílio. O discurso com que Júpiter começa a reunião é uma acabada peça deoratória. Abre com o inevitável exórdio (1ª estrofe) em que, depois de umaoriginal saudação, expõe brevemente o tema a desenvolver. Segue-se, aomodo da retórica antiga, a narração (o passado mostra que a intenção dosfados é mesmo a que o orador apresentou). Vem depois a confirmação: comfactos do presente corrobora o que já, a seu modo, a narração comprovara(4ª estrofe). E termina com duas estrofes de peroração, onde se apela àbenevolência dos deuses para com os filhos de Luso - aliás, a decisão dosfados cumprir-se-á inexoravelmente. Contra o que seria de esperar, Júpiterconclui determinando e não abrindo o debate.
  4. 4. INÊS DE CASTRO O turbilhão de emoções continua com este episódio lírico-trágico(estrofes 118 a 135), talvez o mais reconhecido dOs Lusíadas. Convém quese não perca de vista a sua integração no poema, via alocução de Vasco daGama ao rei de Melinde. Costuma-se classificá-lo como lírico, distinguindo-o assim, sobretudo, dos mais comuns episódios bélicos. D. Inês e D. Pedro são os amantes trágicos por excelência. O seu amor éilícito, proibido pelos poderes (razões de estado). O poeta que tinhaescrito sonetos tão sombrios, de sofrimento amoroso, chamarepetidamente este de “puro amor”, e censura o rei, de quem tantoelogiara os feitos guerreiros, por esta sombra no seu reinado. D. Afonso IV pretende casar o filho que, apaixonado por Inês, recusa. Asolução é eliminá-la. Trazida à presença do rei, esta implora pela sua vida,só para poder cuidar dos seus filhos. Comove o velho soberano, mas osconselheiros e o povo exigem a morte. E assim a frágil e bela apaixonadaé assassinada ”só por ter sujeito O coração a quem soube vencê-la” (poramar quem soube conquistar o seu coração).
  5. 5. INÊS DE CASTRO Uma rápida análise do episódio permite encontrar aí presentes, com maiorou menor clareza, elementos trágicos como o destino, que conduz a acçãopara o final trágico; a peripécia; até algo próximo do papeldo coro (apóstrofes). A nobreza moral e social dos personagens é tambémsalientada, de modo a criar no leitor sentimentos de terror ede piedade perante a desgraça que se abate sobre a protagonista(catástrofe). Quando Inês teme mais a orfandade dos filhos que a própria perda davida, quando ela suplica a comutação da pena capital por um exílio naSibéria (Cítia) ou na Líbia, entre “toda a feridade”, só para poder criar osfilhos do seu amor, quando é comparada com “a linda moça Policena,consolação extrema da mãe velha”, quando o leitor escuta toda a estrofe134, e mesmo a 135, estão-se a dedilhar os acordes da piedade. Já osversos iniciais da estrofe 124, a apóstrofe com que termina a 130 (e antes ada segunda metade da 123) e a estrofe 133 estão ao serviço da sugestão doterror trágico.

×