Dores trigêminais

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Aula sobre dores trigêminais ministrada por Dr. Rafael Higashi, médico neurologista, com fellow em dor pela NYU EUA, em 2006 ao convite do Departamento de Odontologia do Hospital Central do Exército do Rio de Janeiro. www.estimulacaoneurologica.com.br

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Dores trigêminais

  1. 1. Dores Trigêminais Dr Rafael Higashi Médico Neurologista www.estimulacaoneurologica.com.br
  2. 2. Definição Nervo Trigêmio : <ul><li>É quinto nervo craniano, e o maior deles, têm natureza mista, apresentando fibras motoras para o músculos da mastigação, e fibras sensitivas para a face e parte do crânio </li></ul>
  3. 3. Anatomia
  4. 5. <ul><li>As células localizadas no gânglio de Gasser se unem num tronco único e penetram ao nível do sulco bulboprotuberancial. As fibras ascendentes terminam a nível do núcleo sensitivo principal do trigêmio na protuberância anular(sensibilidade tátil) que após haver cruzado a linha média, constituem o feixe trigêmio-talâmico dorsal. As fibras descendentes formam a raiz espinhal do trigêmio e conduzem a sensibilidade térmica e dolorosa da face. Estas fibras terminam no núcleo na raiz descendente ou substância gelatinosa do V par e cruzam a linha média formando trigêmio-talâmo ventral. </li></ul><ul><li>As fibras correspondendo ao ramo oftálmico estão localizados na porção mais baixa do núcleo espinhal, enquanto as fibras sensitivas do ramo mandibular estão localizados na porção mais alta do núcleo. </li></ul><ul><li>As lesões nucleares do trigêmio costumam ser dissociadas (seringobulbia, síndrome de Wallenberg) enquanto nas lesões tronculares o déficit sensitivo é global. </li></ul>Porção sensitiva :
  5. 6. Distribuição cutânea do nervo trigêmio
  6. 7. Inervação sensitiva não trigêminal
  7. 8. Porção motora: <ul><li>Tem origem no núcleo mastigador, na porção média da protuberância anular. A raiz motora passa pelo gânglio de Gasser e deixa o crânio pelo forame oval. Estas fibras são responsáveis pela inervação do músculo masseter, temporal, pterigóideo externo e interno, milo-hióideo e ventre anterior do digástrico. Na lesão motora à esquerda ao abrir a boca se desvia para à esqueda, ou seja o lado lesado </li></ul>
  8. 9. Exploração :
  9. 10. Exploração :
  10. 11. Reflexos axiais da face
  11. 12. Etiologia : <ul><li>Lesões bulboprotuberanciais : síndromes vasculares do tronco encefálico, siringobulbia, EM, Glioma, Linfoma. </li></ul><ul><li>Lesões entre a protuberância e o gânglio de Gasser : tumor do ângulo pontocerebelar, meningite crônica. </li></ul><ul><li>Lesões do gânglio de Gasser : síndromes tumorais, fratura da fossa craniana média, Herpes Zoster, síndrome de Gradenigo(osteíte da ponta do rochedo que leva distúrbio sensório total, perda motora, paralísia do abducente e ou dor auricular ipsilateral). </li></ul><ul><li>Lesões dos ramos periféricos : aneurisma ou trombose do seio cavernoso(comprometimento do ramo oftálmico associado a uma oftalmoplegia e exoftalmo),síndrome de Tolosa-Hunt, neurite leprótica, neuralgia essencial, drogas, colagenoses, sarcoidose. </li></ul>
  12. 13. Amiotrofia do músculo temporal esquerdo devido a infiltração de carcinoma metastático de mama .
  13. 14. Doença de Sturge-Weber apresentando malformação hemangiomatosa na distribuição do nervo trigêmio .
  14. 15. DORES TRIGÊMINAIS <ul><li>CEFALÉIAS TRIGÊMINO-AUTONÔMICAS </li></ul><ul><li>Cefaléias em Salvas (episódica x crônica) </li></ul><ul><li>Hemicrania paroxística (episódica x crônica) </li></ul><ul><li>Cefaléia de curta duração, unilateral, neuralgiforme com hiperemia conjuntival e lacrimejamento (SUNCT) </li></ul><ul><li>NEURALGIA DO TRIGÊMEO </li></ul><ul><li>Neuralgia clássica do trigêmio </li></ul><ul><li>Neuralgia sintomática do trigêmeo </li></ul><ul><li>DOR FACIAL ATRIBUÍDA AO HERPES ZOSTER AGUDO </li></ul><ul><li>NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA </li></ul>
  15. 16. <ul><li>A cefaléia em salvas, a mais dolorosa dentre as cefaléias primárias, é uma dor estritamente unilateral que ocorre associada a manifestações disautonômicas e, na maioria dos pacientes, tem uma notável periodicidade circanual e circadiana. </li></ul>Cefaléia em Salvas
  16. 17. Cefaléia em Salvas-Epidemiologia <ul><li>Rasmussen encontrou uma prevalência de 0,1 % na população dinamarquesa. </li></ul><ul><li>Kudrow,, encontrou prevalência de 0,08% nas mulheres e de 0,4% nos homens na população norte americana. </li></ul><ul><li>Karl Ekbom encontrou em 9.803 recrutas do exército sueco uma prevalência de 0,09%; </li></ul><ul><li>Roberto D’Alessandro, em 21.972 habitantes da Repúblicade San Marino, encontrou uma prevalência de 0,07%. </li></ul>
  17. 18. Cefaléias em Salvas Critérios diagnósticos <ul><li>Pelo menos 5 crises de dor forte ou muito forte com: </li></ul><ul><li>Localização unilateral, orbitária, supra-orbitária e/ou temporal </li></ul><ul><li>Duração de 15 a 180 minutos se não tratada </li></ul><ul><li>Presença de pelo menos uma das seguintes alterações: </li></ul><ul><ul><li>Injeção conjuntival ipsilateral e/ou lacrimejamento </li></ul></ul><ul><ul><li>Congestão nasal ipsilateral e/ou rinorréia </li></ul></ul><ul><ul><li>Edema palpebral ipsilateral </li></ul></ul><ul><ul><li>Sudorese frontal e facial ipsilateral </li></ul></ul><ul><ul><li>Miose e/ou ptose ipsilateral </li></ul></ul><ul><ul><li>Sensação de inquietude ou agitação </li></ul></ul>
  18. 19. Um homem em crise de cefaléia em Salvas . CEFALÉIA EM SALVAS – Maria Eduarda Nobre – editora lemos 2001 pag.24.
  19. 20. Patofisiologia <ul><li>Não é totalmente conhecida </li></ul><ul><li>Semelhanças com migrânea </li></ul><ul><li>Envolvimento do I ramo do trigêmeo </li></ul><ul><li>Mecanismo inflamatório ou vasculítico ao redor do seio cavernoso (divisão simpática e parasimpática) </li></ul><ul><li>Disfunção simpática e e super atividade parasimpática </li></ul><ul><li>Espasmo pela arteriografia da a. carótida interna </li></ul><ul><li>Ritmo circadiano envolvimento da região retroquiasmática </li></ul><ul><li>Ativação unilateral da substância cinzenta do hipotálamo ipsilateral a dor </li></ul>
  20. 21. Tratamento abortivo da crise <ul><li>Oxigênio a 100 % com máscara facial com 7 a 8 l / minuto. </li></ul><ul><li>Sumatriptano a 6 mg SC </li></ul><ul><li>Diidroergotamina 1 mg IM ou EV </li></ul><ul><li>Lidocaína nasal ( 4-6%) </li></ul>
  21. 22. Tratamento profilático <ul><li>Verapamil 120-480 mg/dia </li></ul><ul><li>Ergotamina 0,7 a 1 mg 1 hora antes de deitar </li></ul><ul><li>Lítio 300 mg de 12/12h </li></ul><ul><li>Metissergida 4 a 12 mg divido em 3 tomadas. </li></ul><ul><li>Valproato 600 a 2.000 mg /dia </li></ul><ul><li>Prednisona 60 mg dose decrescente </li></ul>
  22. 23. Hemicrania Paroxística Descrição <ul><li>Crises similares às da cefaléia em salvas quanto à dor e os sintomas e sinais associados, porem mais freqüentes e de duração mais curta, ocorre mais comumente em mulheres e respondem de maneira absoluta a indometacina. </li></ul>
  23. 24. Hemicrania paroxística Critérios diagnósticos <ul><li>Pelo menos 20 crises características </li></ul><ul><li>Crises de dor forte unilateral, orbitária, supra-orbitária e/ou temporal durando de 2 a 30 minutos; </li></ul><ul><li>Cefaléia acompanha-se de pelo menos um dos seguintes: hiperemia conjutival ipsilateral e/ou lacrimejamento, congestão nasal ipsilateral e/ou rinorréia, edema palpebral ipsilateral, sudorese frontal e facial ipsilateral; </li></ul><ul><li>Crises com freqüência superior a 5 por dia em mais da metade dos casos. </li></ul>
  24. 25. Cefaléia de curta duração, unilateral neuralgiforme com hiperemia conjutival e lacrimejamento <ul><li>Esta síndrome se caracteriza por crises de dor unilateral de curta duração, muito mais breve que aquelas vistas em qualquer outra cefaléia trigêmino-autônomica e freqüentemente é acompanhada de lacrimejamento proeminente e vermelhidão no olho ipsilateral. </li></ul>
  25. 26. <ul><li>Pelo menos 20 crises com as características a baixo: </li></ul><ul><li>Crises de dor unilateral, orbitária, supra-orbitária ou temporal, em pontada, ou pulsátil durando de 5 a 240 segundos; </li></ul><ul><li>A dor se acompanha de hiperemia conjuntival ipsilateral e lacrimejamento; </li></ul><ul><li>As crises ocorre com freqüência de 3 a 200 vezes por dias. </li></ul>Cefaléia de curta duração, unilateral neuralgiforme com hiperemia conjutival e lacrimejamento Descrição
  26. 27. Cefaléia de curta duração, unilateral, neuralgiforme com sintomas autonômicos <ul><li>No mínimo 20 crises; </li></ul><ul><li>Crises de cefaléia pulsátil ou em pontadas, unilateral, orbitária, supraorbitária ou temporal, durando de 2 segundos a 10 minutos; </li></ul><ul><li>A dor é acompanhada por um dos seguintes: hiperemia conjutival e/ou lacrimejamento, congestão nasal e/ou rinorréia, edema palpebral; </li></ul><ul><li>As crises ocorrem com freqüência maior ou igual 1 por dia em mais da metade do tempo. </li></ul>
  27. 29. Dor facial atribuída ao herpes-zóster Critérios Diagnósticos <ul><li>Dor facial na distibuição de um nervo ou divisão de nervo; </li></ul><ul><li>Erupção herpética no território do mesmo nervo; </li></ul><ul><li>A dor precede a erupção herpética por menos de 7 dias; </li></ul><ul><li>A dor desaparece dentro de 3 meses; </li></ul><ul><li>Afeta o gânglio trigeminal em 10% a 15% dos pacientes, e a divisão oftálmica é a única afetada em cerca de 80% dos pacientes. </li></ul><ul><li>O herpes zoster oftalmico pode associar-se a paralisia do III, IV e VI nervos crânianos. </li></ul>
  28. 30. Zoster na região inervada pelo nervo trigêmio (1 º ramo ).
  29. 31. Zoster na porção inervada pelo 2 ° ramo do trigêmio
  30. 32. Neuralgia pós-herpética <ul><li>Dor facial na distribuição de um nervo ou divisão de nervo; </li></ul><ul><li>A dor precede a erupção herpética por menos de 7 dias; </li></ul><ul><li>A dor persiste após 3 meses; </li></ul><ul><li>Mais freqüêntes em idosos acometendo 50% dos pacientes que contraem herpes zôster após os 60 anos. </li></ul>
  31. 33. <ul><li>É um transtorno unilateral caracterizado por dores de curta duração como choques elétricos que tem início e término abrupto e se limitam a uma ou mais divisões do nervo trigêmio comumente, a dor é desencadeada por estímulos triviais ou espontaneamente. </li></ul>Neuralgia do trigêmio
  32. 34. Neuralgia do trigêmio.
  33. 35. RNM em T2 mostrando placa de EM em ponte em paciente com clínica de neuralgia do trigêmio
  34. 36. Obrigado pela atenção ! www.estimulacaoneurologica.com.br

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