RAFAEL REBONATO SOARES - A CASA DE ADAO

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RAFAEL REBONATO SOARES inclui aqui um texto emocionante.

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RAFAEL REBONATO SOARES - A CASA DE ADAO

  1. 1. Joseph Rykwert (Varsóvia, 1926) é um historiador de arte britânico de origempolonesa que em 1939 - aos catorze anos de idade - seguiu para a Inglaterra para realizarseus estudos de arquitetura na Bartlett School e na Architectural Association School.Joseph Rykwert foi professor do Royal College of Art de Londres, obtendo seu título dedoutor em 1970, e lecionou nas universidades de Essex e Cambridge. Em 1988estabeleceu-se nos Estados Unidos e atualmente leciona História da Arte naUniversidade da Pensilvânia (com o título honorífico de “Paul Philippe Cret Professorof Architecture”). É o autor do Livro “A casa de Adão no Paraíso”, a partir do qual essaresenha foi elaborada.
  2. 2. 2 O texto de Joseph Rykwert, é iniciado com uma discussão acerca do inicio daarquitetura, com o que poderia ter sido a primeira manifestação da construçãoarquitetônica, iniciada através de uma cabana primitiva, e se esse primeiro modelo teriasido seguido como um “padrão” para as futuras gerações. O texto prossegue com aspolêmicas, controvérsias e os embasamentos teóricos e especulativos, elaborados porestudiosos de arquitetura, a respeito do assunto. O primeiro grande estudioso citado no texto é o Abade Laugier, Marc-AntoineLaugier, um ex-jesuíta, que se havia ocupado com temas arquitetônicos. Em 1753,Laugier publica seu primeiro Essai sur´l architecture (Ensaio sobre a Arquitetura) eanos mais tarde, 1765, ele publicava um segundo texto sobre o mesmo tema,Observations sur´l architecture (Observações sobre a Arquitetura). Em seu primeiro Essai, Laugier relata como o homem em suas origensprimitivas, sem qualquer ajuda, se guia e segue seus instintos para manter-se abrigado eacomodado. Ele conta: “...ele (o homem) deseja um lugar para acomodar-se. Ao lado de um córregotranquilo, ele avista um prado; a relva fresca agrada seus olhos, a maciez o convida.Ele se aproxima, e reclinando sobre as cores radiantes desse tapete, pensa somente emdesfrutar na paz, as dádivas da natureza; nada lhe falta e ele nada deseja; mas logo, ocalor do sol começa a crestá-lo, forçando-o a procurar abrigo. A floresta vizinhaoferece frescura de suas sombras, ele corre para se esconder em seu interior,novamente satisfeito. Nesse interim, milhares de vapores que se haviam elevado emvários pontos se encontram e se agrupam; nuvens espessas escurecem o ar e temíveischuvas escorrem em torrentes abaixo na deliciosa floresta. O homem, mal abrigadopelas folhas, não sabe como se defender à sua frente: ele escorrega pra dentro,sentindo-se protegido da chuva e encantado com sua descoberta. Mas novasinconveniências tornam essa moradia do mesmo modo desagradável; ele vive noescuro, obrigado a respirar o ar insalubre. Ele deixa a caverna, decidindo a compensarcom sua indústria as omissões e negligencias da natureza. O homem deseja umamoradia que o abrigue sem enterrá-lo. Alguns galhos quebrados da floresta serãomaterial para seu propósito. Ele escolhe quatro dos mais fortes, erguendo-osperpendicularmente ao chão e formando um quadrado. Sobre esses quatro, ele apoiaquatro outros, dispostos de través e, acima desses, outros ainda, inclinados para ambosos lados e que se encontram num ponto no centro. Esse tipo de telhado é coberto comfolhas espessas o suficiente para proteger tanto o sol como da chuva; e assim o homemse encontra alojado.” Para Laugier a cabana como fora descrita é o tipo sobre o qual são elaboradastodas as magnificências da arquitetura. Que é pela aproximação à sua simplicidade deexecução que os defeitos fundamentais são evitados e a verdadeira perfeição alcançada.As peças verticais de madeira sugerem a idéia das colunas, e as peças horizontais nelasapoiadas, os entablamentos. Finalmente, os elementos inclinados que formam o telhadoresultam na idéia do frontão.
  3. 3. 3 Mas analisando mais minuciosamente o texto, nos atentamos ao fato de quetalvez essa cabana primitiva pudesse não ter sido a primeira, pois para um homemprimitivo, não dotado de experiências construtivas, uma construção com tamanhatécnica e maestria digna de conhecimentos um pouco arquitetônicos poderia ter sidoinviável para a época. Outras tentativas certamente poderiam ter sido utilizadas antes da “cabanaprimitiva de Laugier”, até que essa forma arquitetônica tivesse sido alcançada. Autores como “Chambers” adotavam a idéia de que as cabanas primitivas teriamsido concebidas de outra forma. Chamber até escreve um texto parecido como o deLaugier para o que teria sido a primeira cabana primitiva: “...no principio – ele afirma, referindo-se aos primeiros homens – o maisprovável é que se retiram em cavernas formadas pela natureza na rocha, em troncos dearvores, ocos, ou covas que eles mesmos cavaram na terra. Porém, logo, descontentescom a umidade e a escuridão dessas habitações, eles começaram a buscar moradiasmais salubres e confortáveis. A criação de animais indicou tanto os materiais comométodos construtivos: andorinhas, gralhas, abelhas e cegonhas foram os primeirosconstrutores. O homem observou suas operações instintivas, admirando e imitando-as,e por ser dotado das faculdades do raciocínio, e de uma estrutura apropriada aospropósitos mecânicos, ele logo superou seus mestres na arte da construção. Toscas e inconvenientes, sem duvida, foram suas primeiras tentativas: semexperiência ou ferramentas, o construtor recolhia uns poucos galhos de arvores,estendendo-os de forma cônica, e cobrindo-os com juncos, ou uma mistura de folhas eargila, formando assim sua cabana; suficiente para abrigar o audacioso moradordurante as noites e estações de mau tempo. Contudo, com o decorrer do tempo, oshomens tornaram-se mais hábeis, inventaram instrumentos para diminuir e aperfeiçoarsuas tarefas: adotaram modos de construção mais engenhosos mais engenhosos eduradouros e formar mais adaptadas que o cone para os propósitos, aos quais eramdestinadas suas cabanas. A hipótese de que a cabana primitiva apresentasse uma formacônica é razoável, pois das formas solidas, está é a mais simples e fácil de serconstruída...” Observamos claramente que apesar das semelhanças entre as teorias de Laugiere a de Chamber, existe uma diferença na maneira com que as construções poderiam tersido concebidas. Laugier talvez tenha pecado em afirmar que a primeira construçãoprimitiva já tinha sido mais audaciosa, com um homem dotado de um conhecimentomaior, ao contrario do que observamos na teoria de Chamber que supôs que asprimeiras construções foram simples e que só com o passar do tempo, após ter adquiridomaiores habilidades, o homem foi evoluindo e construiu algo melhorado para umaconstrução “arquitetônica”. Laugier cita também em seu texto que a pequena cabana seria do tipo sobre aqual são elaboradas todas as magnificências da arquitetura. Um grande estudioso daépoca de Laugier, Durant, argumentou a respeito da hipótese de que as ordens fossemuma imitação da cabana primitiva.
  4. 4. 4 Observando os índios com exemplo, uma civilização que em alguns países jáexiste há muitos anos. Se a cabana primitiva proposta por Laugier supostamente teriasido o “molde para as futuras gerações da arquitetura”, porque então não teriam osíndios adotado a mesma forma de construção , diferente das ocas que eles elaboram comperfeição. Ou os Egípcios que ao invés de madeira e da forma quadrada da construção,utilizavam pedras gigantes sobrepostas umas nas outras, formando uma enormeestrutura piramidal. Estudiosos da arquitetura como o Padre Lodoli já afirmavam que não seriapossível, considerando-se a verdadeira historia da arquitetura, afirmar com toda asegurança, e em relação a todas as suas manifestações, que esta fosse uma arte imitativa. O que desmitifica um pouco a versão de Laudier a respeito do modelo daarquitetura primitiva como base para as outras. Se Laudier possuísse na época umavisão mais inteligente e ampla, e entendesse que para compor uma historia arquitetônicateria sido essencial entender que era preciso deixar seu refugio e fosse visitado a antigaEtruria, os reinos de Napoles e Sicilia, tanto quanto o Egito e a Grécia, talvez tivessedescoberto outros critérios que pudessem guiar alguns homens sábios por caminhosinexplorados, fazendo-os compreender que aqueles que começaram utilizando a pedra eo tijolo como materiais de construção, jamais se preocuparam em imitar as cabanas. Talvez a madeira possa não ter sido o primeiro material usado na construção,visto que nos países orientais a pedra foi o primeiro material utilizado na construção. Oque mais uma vez iria contra as teorias de Laudier e também de Chamber a respeito daprimeira manifestação da arquitetura. O fato é, que se nos prendêssemos a essas teorias, ficaríamos um tanto confusos,uma vez que todas não passam de meras especulações sem uma experiência cientifica arespeito do assunto. Se pensarmos que a arquitetura é resultante de um determinadoconjunto de elementos necessários para sua concepção, como por exemplo: o materialutilizado na região, material disponível na região, finalidade e objetivo da construção eaté a habilidade manual empregada na construção, habilidade essa baseada no raciocínioe aprendizado dos construtores, observaríamos que antigamente, assim como hoje,existiam todos esses elementos da arquitetura presentes em variados locais, e que elesforam cruciais para os tipos variados de construções de cada época. Não podemosafirmar certamente qual teria sido o início da arquitetura e se o primeironecessariamente teria sido modelo para os demais. Podemos afirmar sim, com a absoluta certeza, que para os dias de hoje, todas asmanifestações da arquitetura nos deixaram belos exemplos a serem seguidos, cada umde sua maneira. Vale a pena colocar aqui também em questão o que alguns autores citam comobeleza positiva e beleza arbitraria. Um estudioso nomeado Perrault afirmava que asbelezas positivas, convincentes e racionais são de uma natureza diversa:
  5. 5. 5 “A riqueza de material, a grandeza e a magnificência do edifício, a execuçãoadequada e cuidadosa e a symmétrie que significa (em francês) o tipo de proporção queproduz uma beleza evidente e notável, pois existem duas classes de proporção, uma dasquais é difícil perceber constituindo em uma relação racional das partes proporcionais,tal qual a das dimensões das diferentes partes entre si ou com o todo. A outra classe de proporção, denominada symmetrie, e que consiste na relaçãoque as partes mantêm em conjunto em função da igualdade e paridade de seu numero,tamanho e sua posição, é uma questão evidente, cujas deficiências não se pode deixar denotar.” Perrault deixa bastante claro aqui que as belezas “positivas e convincentes”requerem para a sua realização somente o bom senso, enquanto que as demais,arbitrárias, requerem a habilidade de um arquiteto treinado. Aqui, notamos que embora houvesse uma utilização das ordens, existia tambéma criatividade do arquiteto. Muitas vezes na historia da arquitetura o que era novocausava uma certa aversão aos olhos do observador. Como foi o caso da arquiteturabarroca, que embora utilizasse elementos da arquitetura clássica, foi audaciosa obastante a ponto de não seguir mais os padrões impostos pelo clássico, reinventando, seé que podemos assim utilizar o termo, uma nova arquitetura, que fora chamada até degrotesca no tempo de sua concepção. Vale aqui então reafirmar que a arquitetura é resultante de um determinadoconjunto de elementos necessários para sua concepção, e principalmente que acriatividade do arquiteto deve ser aqui inserida. Só dessa forma podemos tentarcompreender que cada historia, cada época, possuiu seus determinados propósitos eobjetivos. Técnicas e modelos foram adquiridos ao longo do tempo, mas não podemospensar como a arquitetura como uma arte imitativa, uma vez que ela se renova e quenovas idéias cada vez mais criativas dos arquitetos estão sempre surgindo. A arquiteturadeve ser pensada como o produto de um ponto de partida e a resultante dos elementosacima citados.

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