Alvo potter e o caçador de destinos

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Alvo potter e o caçador de destinos

  1. 1. Alvo Potter e o Caçador de DestinosPor V. G. Cardoso, baseado no universo e personagens de J. K. Rowling
  2. 2. Porque a magia ainda não terminou, porque ainda há histórias a serem narradas, porque o gosto pela leitura de Harry Potter ainda aflora a pele e porque uma legião de pessoas não pode ficar sozinha sem o bruxo que elas mais adoram. 2
  3. 3. Dezenove anos se passaram desde a batalha que silenciara o inimigo número um da comunidade bruxa. Deste período os bruxos espalhados pelo mundo podem se gabar de uma sociedade de aparente paz e calmaria.Uma nova geração de bruxos e bruxas começa a surgir. Aprendendofeitiços e predições, e em meio a esta está o filho do renomado Harry Potter. Alvo Potter, junto com sua prima Rosa Weasley e com seuesquivo melhor amigo, Escórpio Malfoy (isso mesmo Escórpio Malfoy) devera embarcar em sua primeira aventura contra um conhecidovilão que tenta com toda sua genialidade e potencial espalhar o caos e trazer de volta a vida o impiedoso e nefasto Lorde Voldemort. 3
  4. 4. Sumário Um: A Rua dos Encanadores Dois: A Decisão do Chapéu Seletor Três: Encontro de Professores Quatro: O Memorial de Hogwarts Cinco: McNaught e Silvano Seis: O Sentimento que Ainda Habita a Sonserina Sete: O Artesão Esquecido Oito: O Conto do Bruxo Linguarudo Nove: Sonserina vs. Lufa-Lufa Dez: O Segredo de McNaught Onze: Férias em Hogwarts Doze: As Investigações de Rosa Treze: O Amigo das Corujas Catorze: O Exulto da Cobra Quinze: Plano Falível Dezesseis: Segredos DescobertosDezessete: A Jogada de Furius e a Vingança de Mylor Dezoito: O Caçador de Destinos Dezenove: O Fim da Sociedade da Serpente Vinte: O Presente do Velho Weasley 4
  5. 5. Capítulo Um A Rua dos Encanadores A muitos quilômetros longe da sede do governo trouxa e do Ministério da Magia, a mesma névoa que afligia os londrinos que vagavam pelas ruas semi-escurecidas também comprimia as janelas e cacos de vidrosdas habitações abandonadas que se estendiam por toda a Rua dos Encanadores. Mesmo sendo fim de tarde a escuridão já vagava pelas cidades de todo o país,inclusive aquela, que mergulhava em um depressivo e sombrio silêncio cortadoapenas pelo som das águas do rio onde peixes e pequenas formas de vidacarregavam quilos de poluição e elementos tóxicos. Todas as habitações ao seu redornão demonstravam a existência de nenhum morador atual, mesmo que há anos atrásvárias pessoas já houvessem constituído famílias inteiras naquelas paredes. Na calçada irregular pilhas e pilhas de lixo e caixas de papelão se amontoavam acada metro quadrado, onde famílias inteiras de ratos e ratazanas procriavam e sealimentavam a todo instante. Dentro de outra caixa de papelão uma pequena matilhaesquelética se abrigava inconfortavelmente da chuva. Vindo do extremo sul da Rua dos Encanadores, sem demonstrar nenhum tipo deaborrecimento com relação ao mau tempo e ao frio, um jovem homem bem trajado sedesviava das muralhas de lixo. Seu sapato; bem lustrado; parecia saber exatamenteonde pisar, desviando completamente dos ‚excrementos‛ deixados pelos animais. A Rua dos Encanadores não era o primeiro local que Malcolm Baddock desejavavisitar após um longo dia de trabalhos no Departamento de Transportes Mágicos.Mas ele havia se comprometido com seus ‚companheiros‛ a nunca ignorar ochamado e se encontrar na sede da sociedade que ele se filiou poucos meses antes deter sido aprovado no exame de aparatação e de ter ingressado no Ministério. Claro,não era um local agradável, mas a sede de uma organização secreta não poderia serem qualquer lugar próximo ao Caldeirão Furado, deveria ser um local que chamassepouca atenção, mesmo estando camuflado por um mísero Feitiço Fidelius. Quando Baddock passou perto do papelão junto à matilha, os cãezinhos quemoravam ali latiram tentando afugentar a má aura que rodeava o bruxo. Eramapenas cães, mas que podiam sentir muitos cheiros além dos que um humano sentiaentre eles o cheiro de magia. – Calem-se! – resmungou Baddock chutando a caixa de papelão e arremessando oscães alguns centímetros para perto do rio poluído. Ele sacou a varinha e a apontoupara os cães, fazendo com que faíscas azuis brotassem da varinha e ricocheteassemcontra o chão, dispersando os animais de perto do terreno abandonado. – Finalmentecheguei. Ah cara! Com certeza estou atrasado. O Sr Yaxley não vai gostar nada disso.“Sem atrasos nas próximas reuniões, ou pode custar caro para você.” 5
  6. 6. Baddock se adiantou e retirou do bolso do smoking um pedaço úmido e surradode pergaminho. Não havia nada escrito nele, mas ele sabia que aquilo servia comouma chave, que desativaria temporariamente o efeito do Feitiço Fidelius, e que opossibilitaria de chegar à sede. Ele fitou o pedaço de pergaminho e pousou a ponta da varinha sobre esse. “Aparecium” murmurou, fazendo com que pequenas palavras escritas a mãosurgissem meio desbotadas e fora de foco, contudo Baddock conseguia distingui-lase assim lê-las. A Sociedade da Serpente. Sede localizada na Rua dos Encanadores, número quinze,Londres. O chão começou a tremer, mas não um tremor como de um terremoto colossal,apenas como se uma banda de música soasse seu mais novo sucesso tendo váriascaixas de som espalhadas pelos cantos, todas no último volume e tendo uma legiãode fãs histéricos cantando e pulando. As caixas de papelão tombavam para os lados eas pilhas de lixo se desmoronavam, fazendo com que ratos e ratazanas fugissem paraalgum lugar seguro e assim, passando por entre os sapatos de Baddock. Esses já nãopisavam mais na calçada irregular e sim em um luxuoso caminho de mármore negroque se estendia dos pés de Baddock até as escadas de uma casa. Exatamente, uma casa havia se erguido de debaixo da terra até atingir a altura dedois... três... quatro andares. A casa não era muito grande em largura, mas erabastante comprida. Era mais alta que suas vizinhas, as de número catorze edezesseis. Duas gárgulas foram esculpidas em cada extremidade da casa. Seus olhosbrilhantes fitavam a Rua dos Encanadores de maneira sombria e colossal. O gramadoestava milimetricamente aparado por igual, tendo cada centímetro de gramaminuciosamente o mesmo tamanho e a mesma distância um do outro. Baddockengoliu em seco e se aproximou cuidadosamente da porta de latão revestida comtinta escura e protegida magicamente com todos os feitiços de proteção que umduende esquisito e cleptomaníaco conseguiram conjurar. Não foi nenhuma surpresapara Baddock ver um crânio esculpido no centro da porta. Era uma maneira eficazde dizer para os vizinhos “Dê o fora!” Não que esses o conseguissem ver, mastambém era um modo de proteger a sede da Sociedade da Serpente. Baddock se aproximou da entrada e esperou que a sentinela encantada sepronunciasse, e ela o fez. A cobra encantada que também fora esculpida na porta aoredor da cabeça do crânio, começou a se remexer e se enroscar envolta da figura delatão presa na porta. – Quem pede passsagem? – soou a voz fina e sinistra que Baddock imaginou vir dacobra sentinela. – Amigo, ou inimigo? Membro, ou intruso? – Malcolm Baddock. 6
  7. 7. – Tem o anel de passsagem? Ssse o tiver, coloque na fechadura correta e podepasssar. Malcolm retirou do mesmo bolso que guardava o pergaminho, um anel prateadodo tamanho de um galeão. Ele tinha duas iniciais gravadas “SS”, que representavamas iniciais da sociedade, mas que para despistar os enxeridos e curiosos, os membrosda Sociedade da Serpente apenas alegavam ser uma homenagem ao famoso SalazarSlytherin. Baddock estudou cuidadosamente as fechaduras da porta. Não era apenas uma,como das portas convencionais, mas sim cinco. Uma engenhosa maneira de retardaros invasores, inventada pelo mesmo duende cleptomaníaco. Mas para aqueles que jáa conheciam era apenas mais um pretexto para se chegar atrasado. Eram cincofechaduras, sendo que apenas quatro estavam totalmente amostras, a quinta estavaescondida dentro da boca do crânio empalhado, não era a coisa mais agradável a sefazer, mas era o único meio de se entrar na sede. Os outros fariam com que umacomplicada série de maldições e azarações recaíssem sobre a pobre vítima, o que nãoera o caso de Baddock. O bruxo pressionou seu anel prateado contra a fechadura oculta por entre osdentes brilhantes e prateado do crânio e esperou que as engrenagens e trancas seabrissem possibilitando sua passagem. – Ssseja bem vindo, Sssr. Baddock – ecoou o chacoalhar da cobra. A porta finalmente se abriu revelando um estreito vestíbulo que se ligava a trêscorredores. Por muito tempo aquela propriedade permaneceu desocupada edesmobiliada, mas agora servia para mais que apenas a sede da Sociedade daSerpente, era à base de operações do grupo e servia também de moradia para aquelesque não podiam se expor demais na sociedade ou que nasceram em outros países. Quando Baddock deixou o vestíbulo empoeirado desejoso a chegar o mais rápidopossível a sala de reuniões, ele se deparou com uma sala de estar bastantemovimentada. Alguns bruxos mal vestidos, com trapos envoltos no corpo, comcheiro de cerveja e pizza, jogavam cartas ao redor de uma mesa de armar. Outrogrupo de bruxos, esses um pouco mais bem vestidos e aparentemente apreciadoresde uma boa higiene, desenhava mapas e rabiscava anotações em rolos depergaminhos estendidos por entre a sala mal iluminada. A maioria daqueles homens eram os novatos da Sociedade da Serpente, homens emulheres que acabaram de se alistar para o grupo e que não tinham muita vozdentro da organização. Baddock sabia o que era estar naquele lado, não era nadaaconchegante ter de dividir o quarto com dois ou mais colegas que podem vir a tetrair no dia seguinte por uma vaga como conselheiro. E Baddock havia se alistadodurante os tempos mais sombrios para as organizações contra os interessesministeriais. A Sociedade da Serpente nasceu cinco anos após a Batalha de Hogwarts, 7
  8. 8. no ápice da carreira de ministro de Kingsley Shacklebolt, e no mesmo de HarryPotter como Chefe do Quartel-General dos Aurores. Não era a melhor ora para secomeçar um clube secreto revolucionário. – Noite, Malcolm – disse uma voz tristonha e infeliz às costas de Baddock. – Como vai, Bruno? – grunhiu Baddock, parando próximo ao arco de dava para asescadas que interligavam toda a casa. – Com foi sua missão em Liverpool? – Um fracasso. Nunca acreditei que poderíamos achar alguma coisa no museu dosBeatles. Um fracasso... Mas por que vocês cismam em me chamar pelo primeironome? Todos na minha família, todos os grandiosos, sempre foram chamados pelosobrenome: Avery. – Talvez por que você não seja um grandioso – retrucou Baddock um tantogozador, mas sabendo que aquilo tocaria Bruno Avery. Bruno era o típico bruxo que desde que nascera fora envolto pela sombra do nomeque carregava: Avery. Bruno é sobrinho do Comensal da Morte que assim como elecarregava o nome Avery, o pai de bruno Gastão, também era um seguidor do Lordedas Trevas, mas diferente do meio irmão mais novo, não era tão forte e não servia degrandes interesses para o Lorde das Trevas. Bruno entrou para Hogwarts no mesmoano da queda definitiva do Lorde Voldemort, tendo a escola como um segundo lar,Bruno tentou se mostrar um garoto malvado e detentor de um nome de assassinos,mas o máximo que conseguiu foi ser tachado como palhaço bobalhão. Naquela noite Bruno se mostrava muito magro, o que não era diferente por entre amaioria dos novatos, seus cabelos longos escorriam por seu rosto sujo e feio. Elevestia um bermudão que pertencera a um antigo membro muito mais gordo queBruno, o que obrigava a ele dobrar várias vezes as bainha e mesmo assim continuar aparecer que usava uma calça comprida. Seu abdômen magricela estava oculto poruma camisa sem mangas bastante suja e surrada. Era assim que a maioria dosnovatos se vestia como mendigos imundos, mas caso conseguissem se promover amembros honorários poderia melhorar de vida e muito possivelmente sair daquelechiqueiro. Contudo Baddock gostava de Bruno Avery. Acreditava que ele poderiaser um bom membro honorário, pois já o conhecia desde Hogwarts, o garotinhotravesso que suspendia os inimigos no ar e mergulhava suas calças em bombas debosta, mas que era muito fiel junto a seus companheiros. – E quanto à reunião? – perguntou Baddock interessado, colocando a mão sobre o ombro de Bruno e o convidando a um passeio até o quarto andar onde ficava a sala que Baddock ansiava chegar. – Alguém importante já chegou? – Apenas o ranzinza do Plochos, o Acrusto Underwood e Serena Tyranicus, sevocê pode chamá-los de importante. 8
  9. 9. – É o melhor lixo entre o emaranhado de porcarias do Ministério – riu Baddock aochegar ao segundo andar que servia como refeitório para os membros da sociedade.Várias mesas foram espalhadas rentes as paredes que entrevam por entre corredores,quartos e saletas, tomando todo o andar. – Plochos é nosso informante de dentro doGringotes, ele mesmo não faz grande coisa lá, mas pode nos trazer informaçõesvaliosas. Acrusto é membro do Departamento de Regulamentação e Controle dasCriaturas Mágicas, tem a mesma importância que eu dentro da sociedade: trazer omáximo de informações que julgar importante; impedir que qualquer membro doMinistério tente nos investigar e liderar missões junto aos novatos. Serena é quempoderia se rotular como nossa vice-presidente. É a que ocupa o maior cargoministerial ao comparar comigo e com Acrusto. Ela está dentro do Departamento deMistérios e só perde para o Sr Yaxley que é nosso fundador e líder supremo. Não queeu goste dele, mas é preciso que alguém tome conta de tudo que gire por baixo, ‚se éque você me entende”... Daqui sigo sozinho. O quarto andar era proibido a qualquer um que não fosse membro definitivo daSociedade da Serpente. Somente aqueles que haviam se mostrado dignos para o SrYaxley poderiam andar pelo quarto andar. Que era um local que o Sr Yaxleymantinha com total zelo e cuidado. Era no quarto andar que ficavam os aposentosdos membros mais fortes da Sociedade da Serpente, eram os dois maiores quartos dacasa, porém infelizmente os dois estavam ocupados. O Sr Yaxley era dono dapropriedade e um dos dois fiéis do Feitiço Fidelius, e quem ocupava um dos quartos.O outro era ocupado por Acrusto Underwood, que se negava a morar em outro lugarjá que tinha uma casa com comida e roupa lavada de graça, um avarento pornatureza. Felizmente, não havia muita diferença entre gostos dentro daquela casa naRua dos Encanadores, pois a grande maioria dos membros da sociedade um diapertenceu a casa Sonserina. Mas não era isso que impedia que as brigas e discussõestomassem conta do ambiente. Muito pelo contrário elas eram muito costumeiras, jáque todos os membros eram extremamente egoístas e sempre esperavam que no finaldas contas fossem eles os favorecidos. As paredes do quarto andar eram as únicas que possuíam quadros vindos dostempos dos antigos moradores. Os demais da casa eram pôsteres vindos junto comos novatos e se limitavam a habitar o primeiro andar. A maioria dos quadros estavacolocada no corredor que levava a sala de reuniões. Eram retratos pintados a óleo dehomens e mulheres de todas as idades. Alguns velhos outros bem novos – o maisnovo era de um garotinho loiro que brincava de galope em uma vassoura encantada.Baddock ficava admirando todos aqueles em suas molduras, todos pertencentes àmesma família, pois em suas identificações desbotadas, todos possuíam o mesmosobrenome: Yaxley. 9
  10. 10. Malcolm ficou imaginando o que teria acontecido com o verdadeiro LoquácioYaxley para ele ter o retrato rasgado. O mesmo acontecia com uma das filhas deLisandra Yaxley, que não possuía retrato junto às irmãs. Era uma experiência nada encantadora, estar ali junto aos retratos de pessoas queBaddock não conhecia e ficar se perguntando o que elas fizeram para merecer tallugar de destaque. Baddock também percebeu que os quadros estavam incompletos,só iam até a sexta geração da família Yaxley, percebeu que os filhos de Emma Yaxleye de seu irmão Hélio Yaxley eram representados como duas criançinhas, mesmotendo nascido no final do século anterior. No final do corredor de retratos estava à escura e densa porta de roble que davapara a sala de reuniões. Baddock sabia que há muitos anos – no tempo em que o SrYaxley morava naquela casa com seus irmãos e seus pais – aquela era a bibliotecaparticular da família. Mas que naquela noite estava sendo usada como sala dereuniões da Sociedade da Serpente e Baddock tremia só de pensar em como seriarecebido pelos outros conselheiros perante seu atraso. Seu coração batia mais forteconforme sua mão se elevava até alcançar a maçaneta da porta. Ela estava fria, masmesmo assim Baddock a girou. A biblioteca era o local mais bem iluminado de toda a Casa dos Yaxley. Tinha trêsabajures em cima da lareira que ficava na parede oposta a da entrada. Havia umamesa de madeira de carvalho ao centro da biblioteca onde foram distribuídas seiscadeiras ao seu redor, cinco estavam ocupadas. Em cada cabeceira estava sentadoum homem, um mais feio que o outro. Ao lado direito do homem mais próximo álareira estava uma mulher de cabelos castanhos um tanto desgrenhados e umaexpressão psicopata estampada em sua cara esquelética. No lado esquerdo dohomem estava um duendezinho cinzento e ranzinha, que fitava Baddock com seusolinhos pretos e gananciosos. Na cadeira ocupada ao lado do homem magricela denariz torto e cicatrizes no rosto estava outro homem alto e forte. Este era o menoselegante da sala. Vestia bermuda e tênis Nike, com uma camisa esportiva, cabeleiracastanho claro e barba escura. – Está atrasado, Baddock – afirmou o Sr Yaxley do outro lado da sala. – Se melembro bem, pedi para que nenhum de vocês se atrasasse em nossas reuniões. Se melembro bem, foi a Sociedade da Serpente que lhe ajudou a chegar a onde está. – Sim, Sr Yaxley. Sei que foi o senhor que me levou até meu cargo no Ministério,estarei sempre de bom grato. Mas meu fardo, meu trabalho no ministério tambémexige meu comprometimento. Infelizmente me atrasei, mas prometo que... – Relaxe – disse Yaxley erguendo sua mão e silenciando os soluços de Baddock. –Não vou te matar somente por causa de um atraso. Mas que não se repita. 10
  11. 11. – Podemos finalmente começar? – resmungou a mulher ao lado de Yaxley queBaddock reconheceu como a desprezível Serena Tyranicus. – Tenho outros assuntospendentes a tratar depois de nossa reunião. – Depois que os anos passam e as aventuras diminuem a Sociedade da Serpentecomeça a se tornar de segundo plano – debochou Acrusto se remexendo na cabeceirae inclinando o copo por cima da mesa para poder encarar melhor Serena Tyranicus. –Estou certo, Ser? – Cale a boca, Underwood – retrucou Serena por entre os dentes. – Deveria estarpensando em seus estúpidos animaizinhos em vez de minha pessoa. Já disse quevocê não faz meu tipo. – Humpf – tossiu o duende remexendo-se em sua cadeira. – Acho que essadiscussão amorosa já rendeu o suficiente. Seria um belo momento para os doisfecharem suas enormes matracas e prestarem atenção no que Yaxley tem a nos dizer.Afinal foi ele que convocou esta reunião. – Não me venha dizer o que devo fazer. Seu duende asqueroso! – rugiu Serenamostrando a varinha para o duende Plochos. – Eu concordo com nosso amiguinho cinza – disse o homem de barba que Baddockconhecia como Rúbo Wilfruss. – Que ótimo – adiantou Yaxley impedindo que Plochos pudesse contraargumentar. Dentro do conselho da Sociedade da Serpente eram constantes as discussões einterrupções já que todos ali se odiavam e imaginavam como tendo o companheiroao lado como maior inimigo. Da última vez, Plochos e Baddock estavam discutindocomo dois adolescentes, um ameaçando e xingando a mãe do outro, em quantoAcrusto e Serena praticamente travavam um duelo a mão armada. – Como devem saber a duas semanas atrás eu liderei dois novatos em uma missãode campo – prosseguiu Yaxley impedindo que qualquer conselheiro pudesseinterrompê-lo. – É claro que tinha outras intenções além de apenas estudar opovoado de Budleigh Bugmoreton com dois de nossos novatos. Em um povoadotrouxa podemos encontrar famílias bruxas, ou algum bruxo em especialaproveitando suas merecidas férias. – Quer dizer que foi atrás de mais alguém para nossa organização? – quis saberPlochos um tanto interessado. – Encontrou Lúcio Malfoy! – exclamou Serena bastante esperançosa, pois elasempre acreditou que Lúcio Malfoy era mais capaz que Yaxley para liderar asociedade. – Finalmente encontrou alguém que possa nos guiar para nosso objetivo! Yaxley fuzilou Serena, com seu antigo olhar assassino, mas que hoje mal assustavapessoas como Serena Tyranicus que sabia o que o velho bruxo havia feito durante aBatalha de Hogwarts. 11
  12. 12. – Sei que você sempre preferiu que fosse Lúcio Malfoy quem presidisse esta mesa.Mas igual a mim, Lúcio não acreditou novamente que o Lorde das Trevas foraderrotado. Eu também não cometerei o mesmo erro em poupar esforços para fazê-loressurgir novamente. Lúcio sumiu no mundo depois que a mulher e o filho otaxaram de psicótico e deixaram de apoiar suas idéias conquistadoras. Não acreditoque ele esteja vivo. E diferente de você Serena, eu não moverei um dedo paraencontrá-lo. A reunião prosseguiu. Yaxley continuou contando como conseguiu chegar até opovoado trouxa e como teve de utilizar sua especialidade, a Maldição Império, parapoder permanecer invisível. Volta e meia um membro do conselho se manifestava,impedindo do bruxo continuar e geralmente iniciando uma discussão. Mas o quepodia se ver era que Yaxley estava muito mais paciente do que de costume. –... Como ia dizendo, consegui aprisionar o bruxo em questão – prosseguiu Yaxleyapós discutir veementemente com Acrusto sobre os meios que ele usou para chegarao tal bruxo. – E ele está aqui mesmo, dentro destas paredes. Aprisionado em umaprisão a muito já usada por um Comensal da Morte conhecido meu. – Então – Baddock limpou a garganta e tomou coragem para interromper Yaxley –o que fez com esse prisioneiro? Onde ele está? – Que bom que perguntou – disse Yaxley lançando a Baddock um sorriso semhumor e desnecessário. Ele tirou de dentro da manga sua varinha e a apontou paraum baú que estava atrás de Baddock junto às antigas estantes vazias da biblioteca. O baú começou a levitar, chegando a uns quinze centímetros do chão. Depois elecontinuou a subir até ser cuidadosamente colocado por Yaxley em cima da mesa dereuniões. Dava para sentir a ansiedade dentro de cada um dos conselheiros. Todosestavam bastante inquietos com a idéia de a Sociedade da Serpente ter umprisioneiro escondido dentro de sua sede. E como uma pessoa normal poderia estarsendo mantida presa dentro de um baú. – Quem está ai dentro? – perguntou Rúbo Wilfruss assim que Yaxley quebrou ofeitiço e o baú jazia em cima da mesa. – Logo sua ansiedade será extinta, Rúbo. Apenas espere para ver... Com um aceno de varinha, Yaxley arrombou o cadeado do baú fazendo com quesua tampa chicoteasse o ar e caísse do outro lado. Serena deu um salto para poderver quem estava dentro do baú, mas este parecia ser encantado, pois do lado dedentro existia uma espécie de abismo que conduzia até um chão branco onde umhomem dormia. – Você se lembra deste, Baddock? – perguntou Yaxley apontando para o baúencantado com a ponta da varinha. – Se não me engano – começou Baddock analisando todas as sete trancas e oscompartimentos que existiam ao redor do baú. – Com certeza! Este baú foi usado por 12
  13. 13. Bartolomeu Crouch Júnior para aprisionar Olho-Tonto Moody durante meu primeiroano em Hogwarts. Mas como o conseguiu? Pensei que Dumbledore o tivessemandado para o Armazém Secreto do Ministério da Magia. – E mandou – afirmou Yaxley admirando o próprio objeto como se só emmencioná-lo já fosse algo de sumo importância. – Durante meus dias como chefe doDepartamento de Execução das Leis da Magia, consegui que este baú fosse liberado eque eu o tivesse em meu poder. Nunca se sabe quando teremos de possuir umprisioneiro secretamente. – Mas quem é ele! – berrou Serena impacientemente. – Como vou saber que vocênão seqüestrou alguém como o secretário de Alfredo Blishwick. Aquele traidor doBenedito Diggory. – Não, Serena. Não seqüestrei ninguém ligado ao Ministério – defendeu-se Yaxley.– Contudo, admito que este homem seja de suma importância para que as atividadesda Sociedade da Serpente possam prosseguir. – Diga o nome! – exigiu Plochos. – Já disse que não importa! – urrou Yaxley apontando, ligeiramente, a varinha parao duende. – Mas, se quiser vê-lo mais de perto e se assegurar de que não é BentoDiggory, pode ver. Yaxley apontou a varinha para dentro do baú e disse “Levicorpus”. O corpo do prisioneiro começou a ser suspenso no ar, e em cerca de cinco minutosele chegou até o centro da sala de reuniões. Mesmo tendo Yaxley quebrado e feitiçode levitação o homem continuou flutuando no ar, prezo em um transe muitoprofundo. Sua pele estava sem cor e seus cabelos muito brancos e sem vida. Seusossos se mostravam muito fracos dando ao homem uma aparência de cadáver. – Ele ainda está... vivo? – perguntou Baddock um tanto assustado. – Está – respondeu Yaxley bastante inocentemente. – E é justamente por isso queconvoquei esta reunião. Assim que encontrei com nosso prisioneiro lancei nele umasérie de complicados feitiços que aprendi com o Lorde das Trevas. São feitiços queenfraquecem nossos inimigos em quanto nós ficamos cada vez mais fortes.Infelizmente, para que esses feitiços possam ser lançados o inimigo deve sustentar aposição de prisioneiro de guerra. Era o que fazíamos com todos aqueles que erampegos pelos seqüestradores. Serena deva saber do que estou falando. A bruxa de esquelética assentiu. Serena fora mantida refém pelos seqüestradorespor um ano, até seus pais pagarem sua fiança que custou cerca de cem galeões. O prisioneiro continuava suspenso no ar em quanto os conselheiros da Sociedadeda Serpente continuavam a discutir o porquê de Yaxley tê-lo mantido ali e naquelascondições miseráveis. – Basta saber que a morte deste homem será de grande importância para que aSociedade da Serpente possa continuar a dar seguimento a suas atividades – Yaxley 13
  14. 14. se mostrava extremamente ansioso conforma falava. – Não faz mais sentido ficarconvocando mais novatos para nossa organização se ficarmos empacados neste local.Se tudo correr como planejo, a maioria dos novatos será dispensada e finalmente acasa de minha família deixará de ser um albergue. – ele olhou para as paredes dacasa com tristeza nos olhos. – Todos os novatos? – repetiu Baddock pensando no amigo, Bruno Avery. –Alguns poderiam nos ajudar se fossem promovidos a membros honorários. – A Sociedade da Serpente terá de se dissolver por algum tempo se quisercontinuar a existir – explicou Yaxley com toda a paciência que lhe existia. – Nós nosfortificamos mais do que eu imaginava e agora chegou a hora de nosdesvencilharmos daqueles que não nos servirem. Muitos irão se decepcionar, masnão é hora para isso... Saibam que quando lancei o Feitiço de Balanço neste homem,já arquitetei para que um de nós o mate. – Você – pigarreou Plochos sem animação. – Você sempre fica com a diversão. – Não, Sr de Floumatass – respondeu Yaxley num tom de ofendido. – Com disseum de nós... que não sou eu, irá matar este homem. – S-sou eu – murmurou Acrusto do outro lado da mesa. Ele demonstrava umenorme número de cacoetes, piscando os olhos e apertando os dedos das mãosfreneticamente. – Eu soube o dia todo que faria algo diferente. Sentia-me diferente odia todo. – Acrusto, se está com gases, por favor, vá ao banheiro – zombou Yaxley semanimação. – Não é você o assassino de que disse. A pessoa que irá matá-lo é muitomais forte que você. – Então sou eu – gemeu Serena num tom de desdém. – Também não, querida. – Sei que sou eu! – urrou Acrusto sacando a varinha e a apontando para o corpoinconsciente do prisioneiro. – Sou eu. Tem de ser eu! Posso provar apenas me de achance de... Avada... – Expelliarmus! – berrou Yaxley girando o punho direito e arremessando a varinhade Acrusto contra uma estante vazia. – Tão teimoso. Avada Kedavra. Um lampejo verde brotou da varinha de Yaxley clareando todos os cantos da salade reuniões até finalmente se chocar com a figura surpresa de Acrusto. Ao se chocarcom o lampejo verde, o corpo do bruxo caiu inerte no chão frio da biblioteca, morto. – Você... ficou... louco! – berrou Plochos saltando de sua cadeira tentando seespreitar em direção a porta. – Como pode matar um de nós?! Um conselheiro! – O conselho está suspenso – após dizer isso Yaxley apontou a varinha para oduende lançando na criatura cinza um jato de luz alaranjado. – Serena, sinto muito,mas você não me é mais necessária. Obliviate. 14
  15. 15. Os olhos de Serena saíram de orbita, suas sobrancelhas relaxaram e uma expressãode despreocupação e tranqüilidade tomou sua face. Baddock sabia que a mulheracabara de ter a mente alterada. – Rúbo, eu sinto muito, mas sua incompetência finalmente será paga – outrolampejo verde irrompeu da varinha de Yaxley até atingir o corpo de Rúbo, que caiupara trás de sua cadeira. Restavam somente Yaxley e Baddock conscientes na biblioteca da Casa dos Yaxley.Baddock suava frio, estava esperando ser locauteado pela Maldição da Morte deYaxley a qualquer momento, mas o outro bruxo parecia ter finalizado seu trabalho. – N-não vai m-me matar? – parecia a única frase lógica que poderia sair deBaddock. Ele tentava não mostrar seu nervosismo, mas era inevitável demonstrarseu medo. – Não prestou atenção no que eu disse, prestou? – perguntou Yaxley com umanaturalidade de dar medo. Como se nada houvesse acontecido minutos antes. –... umde nós... que não sou eu, irá matar este homem. Se todos os nossos outros conselheirosnão estão em condições de cometer um assassinato, o que você me diz? – Mas, por quê? – continuou Baddock com medo de fazer com que o companheiromudasse de idéia. – Por que agiu tão bruscamente com eles. Talvez se tivesseapagado a memória de todos como fez com Serena... E por que você não fez com aSerena, o que fez com os demais? – Porque Serena tem mais nome no Ministério do que qualquer um de vocês.Porque a morte de um membro do Departamento de Mistérios alertaria o Ministériode uma forma muito mais intensa que a morte de um mísero membro doDepartamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Afinal é muitocomum que membros deste departamento acabem mortos através de acidentes comas criaturas que examinam. – Mas e Plochos? Os duendes ficarão irados se souberem que um membro de seuclã foi morto por um bruxo. – Não é a primeira vez que isso acontece – explicou Yaxley com menos paciência. –Plochos era um duende desprezível e odiado por todos os seus irmãos. Mas isso não éo caso, pois Plochos não está morto, ainda. Não, em nosso amigo duende lancei umFeitiço Trava-Língua. Até porque se for necessário, é muito mais comum um acidenteno quarto do St. Mungus do que encontrarem um duende morto. – Mas e quanto a Rúbo. Ele servia apenas de bode expiatório. Servia apenas paradesvencilhar o ministério do verdadeiro cominho até a Sociedade da Serpente. Elefazia com que os inspetores do ministério acreditassem que Sociedade da Serpente éapenas um nome bonito de uma loja de poções falsas... – E é exatamente por isso que eu o matei – explicou Yaxley já sem paciência.Baddock concluiu que o companheiro ponderou o máximo as perguntas dele, e que 15
  16. 16. esta seria a última. – Ninguém vai dar falta dele no mundo da magia. E não vamosmais precisar de um bode expiatório, por isso que eu estarei dissolvendo todos osnovatos. Agora a Sociedade da Serpente se resume a nós, Malcolm. Se tudo corrercomo desejo, nós alcançaremos a glória. Caso contrário, prepare-se para se mudarpara Azkaban. Baddock engoliu em seco e assentiu. Sabia que não poderia negar o pedido dealguém que acabara de poupar sua vida. Para Yaxley seria extremamente fácilapontar sua varinha para Baddock e lançar a Maldição da Morte. Mas Baddock jásabia que os riscos de acabar em Azkaban eram grandes, ele já os conhecia desde omomento em que ele se alistou na sociedade. – Muito bem – disse Yaxley em um tom de alivio, como se já esperasse queBaddock desistisse. Ele alisou a varinha e a apontou para o prisioneiro que começoua girar no ar até que seus olhos apagados encontrassem os de Baddock. – Tudo o quetem que fazer é lançar a Maldição da Morte nele, Malcolm. Sabe qual é, e sabe qual éo requisito mínimo necessário para poder realizá-lo com êxito. Você tem que querermatá-lo. Tremendo, Baddock levou a mão direita ao bolso lateral de sua calça e retiroudelicadamente sua varinha de dentro da calça. O suor escorria friamente por suatesta, seus olhos iam desde a expressão fria de Yaxley até a face apagada doprisioneiro. – Faça, Malcolm – gritou Yaxley levantando-se inquietamente de sua cadeira. –Sabe o que deve fazer e tem os meios necessários! Então faça! AGORA! – Avada Kedavra! – berrou Baddock com uma mistura de medo e ódio por sua vozrouca. O feixe de luz verde irrompeu velozmente da varinha de Baddock clareando a salaainda mais do que quando Yaxley o fez. O corpo morto do prisioneiro rapidamentequebrou o Feitiço de Levitação lançado por Yaxley. Seu corpo gelado cauí sobre amesa que não suportou seu peso somado ao do baú e se estraçalhou sobre o tapeteque existia sobre suas pernas. – Muito bem, Malcolm – resmungou Yaxley por entre os dentes, admirando oscorpos gelados dos defuntos e as figuras inconscientes de Plochos e Serena. – Apartir de hoje a Sociedade da Serpente se resume a nós. Não irei admitir falhas suas;jovem. Afinal, espero ter escolhido bem, quando te escolhi no lugar de Serena. E porfavor, chame aquele seu amiguinho, Bruno Avery, para limpar essa sujeira. Baddock abaixou a cabeça e respondeu amargamente. – Não vai se decepcionar comigo, Sr Yaxley. Neste momento, do lado de fora da Casa dos Yaxley sobre a Rua dos Encanadorese sobre toda a Londres – a chuva caiu. 16
  17. 17. Capítulo Dois A Decisão do Chapéu Seletor O outono chegara de repente naquele ano. O dia primeiro de setembro amanheceu de uma forma dourada e brilhante, como moedas de galeões escorrendo pelas mãos. Porém tanto a meteorologia trouxaquanto o Sistema de Controle e Observação Climática dos Bruxos, já haviam alertadoa possibilidade do aparecimento de nuvens carregadas e de pancadas de chuva.Contudo nada poderia desanimar o jovem Alvo Potter, que caminhava junto a seuspais e seus irmãos pelas calçadas da poluída Londres, que era obrigada a suportar afumaça lançada pelos canos de descarga dos carros que cruzavam as ruas próximas aestação de Kings Cross. Duas grandes gaiolas cores de outro fosco deslizavam pela parte bamba docarrinho puxado pela pequena família que chegava a estação. Uma delas era marromescuro como casco de árvore velha, era a coruja de Tiago Potter, a antiga Nobby, aqual Tiago tratava com muito zelo. A outra era cinza como fumaça, e um tantorechonchuda, possivelmente por culpa dos ratos que ela caçara em quanto passavaas férias de verão n’ A Toca. Esta era a de Alvo, a qual ainda não possuía um nome. Talvez a única coisa que pudesse desanimar Alvo Potter era a morte precoce deseu avô Weasley que tivera um simples infarto poucas semanas antes do embarque àHogwarts. Alvo ainda estava inconformado com a morte do avô. Pensava como erapossível que tantos bruxos vivessem mais de cem anos – ao exemplo de sua queridatia-bisavó Muriel que possuía inexplicavelmente cento e vinte e sete anos – e seu avô,que era um bruxo bom e excepcional, morrera a partir de um simples infarto. Masaquilo não assombrava a mente de Alvo naquela manhã de primeiro de setembro,somente uma coisa rondava sua cabeça, a chegada a Escola de Magia e Bruxaria deHogwarts. Contudo com isso outro pensamento começou a atormentar sua menteinocente, a seleção... – Não vai demorar muito, e você também irá – disse Harry Potter para sua filhamais nova, Lílian, que agarrava sua mão em quanto chorava pela plataforma. – Dois anos – fungou a menina de cabelos ruivos. – Quero ir agora! Volta e meia os passageiros olhavam curiosos para as corujas da família Potter, oque divertia Alvo, que já estava acostumado em ser perseguido pelos olharesdaqueles que não tinham conhecimento do mundo bruxo. Porém o irmão mais velho de Alvo, Tiago, não estava preocupado se os trouxasolhavam ou não suas corujas. Somente uma coisa o interessava, retomar a discussãoque ele e Alvo haviam encerrado no carro da família. A qual já se estendera portodas as férias. – Não quero ir! – chorava Alvo cerrando os punhos e fuzilando Tiago com o olhar. –Não quero ir para a Sonserina! 17
  18. 18. – Tiago, dá um tempo! – pediu Gina já familiarizada com as discussões entre osdois filhos. – Eu só disse que ele talvez fosse – afirmou Tiago tentando se defender, mas semconseguir ocultar seu riso de implicância. – Não vejo problema nisso. Ele talvez vápara a Sonse... Sem pensar duas vezes, Gina lançou ao filho mais velho seu famoso olhar severode desaprovação. Tiago, por sua vez – já familiarizado com tal olhar – calou-se. Afamília Potter já se aproximava da barreira encantada que dividia as estações. Tiagoolhou por cima do ombro para o irmão mais novo e lançou-lhe, ligeiramente, umsorriso provocante. Ele apanhou o carrinho que a mãe levava e saiu correndo,atravessando a barreira e separando-se, momentaneamente, do resto da família. – Vocês vão escrever para mim, não vão? – perguntou Alvo rapidamente aos pais,aproveitando a momentânea ausência de Tiago. – Todo dia, se você quiser – respondeu Gina lançando a Alvo seu sorrisoconfortante, porém bastante acalorado. – Todo dia não – replicou rapidamente Alvo, já ciente das intenções da mãe demandar uma coruja carregada de cartas por dia. – O Tiago diz que a maioria dosalunos recebe carta de casa mais ou menos uma vez por mês. – Escrevemos para Tiago três vezes por semana no ano passado – contestou Ginaainda com esperanças de persuadir o filho até ele aceitar em receber cartas do LargoGrimmauld duas vezes por dia. – E você não acredite em tudo que ele lhe disser sobre Hogwarts – acrescentouHarry verificando rapidamente o horário no grande relógio da estação. – Ele gosta debrincar, o seu irmão. Juntos, eles empurraram o outro carrinho com mais força e assim, ganharam maisvelocidade em direção a barreira encantada. Alvo fez uma careta quando estavammuito próximos da formação de pedras, mas assim como no ano anterior quandoAlvo foi embarcar Tiago para seu primeiro ano na escola, a colisão não ocorreu. Eleapenas deslizou sobre a barreira e quando abriu os olhos já estava na plataformanove e meia, frente a frente com a locomotiva carmesim que transportava os alunosaté Hogwarts. Estava difícil distinguir os rostos das famílias que se movimentavamde um lado a outro da plataforma, culpa da densa fumaça clara que saia do ExpressoHogwarts. Fumaça que já havia engolido Tiago. – Onde eles estão? – perguntou Alvo, ansioso, apertando os olhos para tentardistinguir os vultos que avançavam desordenadamente pela plataforma. – Nós os acharemos – tranqüilizou-o Gina, repousando sua mão direita sobre oombro de Alvo. Infelizmente, o vapor era mais denso do que Alvo imaginava e a cada instanteficava mais difícil identificar quem passava à sua frente. Ele pensou ter ouvido a voz 18
  19. 19. do padrinho e futuro professor de Herbologia, Neville Longbottom, mas sabia queesse já estava na escola de Hogwarts. Também pensou ter ouvido a voz de Molly eLúcia Weasley, as filhas do tio Percy, discutindo uma com a outra sobre o que seriamais interessante de se fazer nas férias de Natal. Molly já era aluna de Hogwarts,cursava seu quinto ano, sendo uma das Weasley que quebraram a tradição da famíliae acabara sendo selecionada em outra casa que não a Grifinória. Mas oaborrecimento da quebra da tradição fora pouco, e se extinguira totalmente quandoMolly fora convidada para se tornar monitora da Corvinal. Lúcia por outro ladoainda não havia alcançado idade suficiente para ingressar em Hogwarts, assim comoLílian ele teria de aguardar mais alguns anos quando finalmente realizaria o sonhode toda a criança bruxa. – Acho que são eles, Al. – disse Gina, de repente. Quatro pessoas que estavam paradas próximas ao último vagão emergiram dadensa névoa clara. Seus rostos ficaram um bom tempo escondidos por essa, masquando eles chegaram bem próximos de Alvo, seus rostos ganharam forma e Alvopode, em fim, reconhecê-los. – Oi – disse timidamente Alvo, mas extremamente aliviado. Rosa Weasley já estava vestida com as recém-compradas vestes negras e longas deHogwarts. Ela deu a Alvo um grande sorriso. – Nervosa? – sussurrou Alvo ao pé do ouvido de Rosa em quanto seus paisconversavam sobre um esquisito Feitiço Supersensorial, muito útil para ser usadopara enganar examinadores trouxas. – Um pouco – admitiu Rosa com cuidado, temendo que seu pai a ouvisse. – Parameu pai só existe a Grifinória, embora muitos digam que eu me daria bem naCorvinal. – Mas você é brilhante! – exclamou Alvo um pouco impressionado. – Comopoderia não se dar bem na Corvinal, a casa dos geniozinhos iguais a você? – Para você é fácil falar – bufou Rosa dando de ombros. – Acho que a Corvinalseria muita pressão. Não é tão fácil como quando se é da Grifinória. Você tem quesaber de tudo! Talvez a Grifinória não fosse de um todo ruim. Afinal, minha mãe foida Grifinória e hoje é o que é. – Eu também não sei para onde quero ir – aceitou Hugo, o irmão mais novo deRosa. – Papai sempre diz que seus filhos nasceram para ser da Grifinória, e eu a achomuito legal, mas... Também me sinto atraído pelas outras casas, exceto a Sonserina!Eu acho que tenho um pouco de Corvinal em mim, e me agrada muito o jeito de serde um lufalufino. – Tomara que você não tenha problemas – disse Alvo sorrindo. – Você que o diga, não é maninho – riu Lílian ingenuamente. – Até agora não sabese quer ir par a Grifinória ou se para a Sonserina... 19
  20. 20. – Até você, Lílian! – exclamou Alvo completamente surpreso. – Se não bastasse oTiago, agora você também vai implicar comigo?! – Não, maninho. Até por que, se você se tornasse um sonserino, eu também ficariaem dúvida de para onde quero ir. Alvo e Lílian sempre foram muito amigos. A menina sempre gostava de imitar ojeito dos irmãos e suas ações, mas as de Alvo do que as de Tiago, as quais elachamava de “coisas de gente bobinha”. – Bem, para mim, o que for será! – afirmou Hugo sorrindo para os primos. – Se você não for para a Grifinória, nós o deserdaremos – afirmou o tio Rony aoouvir a parte final da frase de Hugo –, mas não estou pressionando ninguém. – Rony! – gritou a tia Hermione lançando um olhar de fúria e humor ao marido. Lílian e Hugo riram, mas Alvo e Rosa gelaram. A idéia de serem deserdados pelospais poderia persegui-los tanto quanto a falsa história da luta contra um dragão paraserem aceitos em Hogwarts. – Ele não está falando sério – disseram a tia Hermione e Gina, tentando acalmarseus respectivos filhos, mas o tio Rony já não estava mais interessado na antigadiscussão. Ele chamara a atenção de Harry com seus olhos, mas sem que soubessetambém chamou a de Alvo. O tio Rony fez um sinal com sua cabeça para um ponto aalguns metros atrás deles. A fumaça havia se dissipado ligeiramente, agora eles jápodiam distinguir as pessoas mais afastadas. – Vejam só quem está ali. Alvo se endireitou e pode ver uma família de três membros a uns cinqüentametros à frente deles. Um homem alto de cabelos loiros estava com a mão sobre oombro de uma criança, mais ou menos da idade de Alvo, fisicamente parecido com oprimeiro, aparentemente era seu filho. E ao lado dos dois estava uma mulher decabelos negros também muito alta. Se Alvo não os conhecesse afirmaria que era umafamília de vampiros, mas ele sabia que se tratava da família de Draco Malfoy.Família a qual Alvo não via muitas vezes. Foram poucas as ocasiões que ele seencontrara com os Malfoy, mas tinha uma vaga lembrança de quem era quem. – Então aquele é o pequeno Escórpio – comentou o tio Rony entre sussurros. – Nãodeixe de superá-lo em todos os exames, Rosinha. – Rony, pelo amor de Deus – bradou a tia Hermione seriamente, mas semconseguir esconder sua vontade de rir. – Não tente indispor os dois antes mesmo deentrarem para a escola! – Você tem razão, desculpe – mas ainda acrescentou –, mas não fique muito amigadele, Rosinha. Vovô Weasley nunca perdoaria se você casasse com um sangue-puro. – Ei! Tiago reaparecera. Não estava mais com sua mala ou com sua coruja,possivelmente já os havia embarcado no trem. Ele bufava tentando tomar ar, 20
  21. 21. aparentemente ele havia corrido um longo caminho e estava louco para contar suasnovidades. – Teddy está lá atrás – disse ele ainda sem fôlego, apoiando sobre as gordasnuvens de fumaça que voltaram a tomar a plataforma. – Acabei de ver! E adivinhemo que ele está fazendo? – mesmo sem fôlego ele estava disposto a contar a todos – Seagarrando com a Vitória! Tiago se mostrou um pouco desapontado com a falta de reação dos adultos,contudo as crianças se mostraram bastante atraídas pela notícia, principalmenteLílian, que se mostrava radiante com o novo fato. – O nosso Teddy! Teddy Lupin! Agarrando a nossa Vitória! Nossa prima! E pergunteia Teddy que é que ele estava fazendo... – Você interrompeu os dois? – indagou Gina. – Você é igualzinho ao Rony... –... e ele disse que tinha vindo se despedir dela! E depois me disse para dar o fora.Ele está agarrando ela! – repetiu. – Ah, – gemeu Lílian em um tom de fantasia – seria ótimo se os dois se casassem!Então o Teddy ia realmente fazer parte da nossa família! – Ele já aparece para jantar quatro vezes por semana – lembrou Harry, imaginandoàs vezes em que Ted aparecia no número doze do Largo Grimmauld esperando quea família o acolhesse para o jantar. – Por que não o convidamos para morar de umavez conosco? – É! – concordou alegremente Tiago, e acrescentou. – Eu não me importo de dividiro quarto com o Alvo... Teddy poderia ficar com o meu! – Não – retorquiu Harry firmemente, sem pensar duas vezes, tendo a imagem dosdois filhos empunhando as varinhas um contra o outro. – Você e Al só dividirão umquarto quando eu quiser ter a casa demolida. Alvo girou os olhos. Já imaginava que o pai vetaria a idéia de ter os dois filhosdividindo o mesmo quarto. Seria algo legal, mas Alvo usaria unhas e dentes paraficar com a cama de cima do beliche... – São quase onze horas, é melhor embarcar. – Não se esqueça de transmitir a Neville o nosso carinho! – recomendou Gina emquanto abraçava Tiago. – Mamãe! – chorou ele. – Não posso transmitir carinho a um professor! – Mas você conhece Neville... – Alvo percebeu que esse pedido também valia paraele. – Aqui fora, sim, mas, na escola ele é o Prof Longbottom, não é? Não posso entrarna aula de Herbologia falando em carinho... Ele balançou a cabeça para a mãe e chamuscou um carinhoso pontapé em Alvo. – A gente se vê, Al. Cuidado com os testrálios. 21
  22. 22. – Pensei que eles fossem invisíveis – lacrimejou Alvo. – Você disse que eraminvisíveis! Tiago rui. Finalmente cedeu aos braços da mãe e permitiu que ela o beijasse,rapidamente ele abraçou o pai e saltou para dentro do Expresso Hogwarts. Eleacenou e saiu correndo pelo trem a procura de seu grupo de amigos, sem olhar partrás. – Não precisa se preocupar com os testrálios – tranqüilizou Harry virando-se paraAlvo. – São criaturas meigas, não têm nada de apavorante. E de qualquer modo, vocênão irá de carruagem, irá de barco. Alvo sabia que este seria um assunto a ser discutido somente no ano seguinte. Eletambém permitiu que a mãe o beijasse, mas fora menos conservador que Tiago,gostava de quando recebia carinho dos pais. – Vejo vocês no Natal – disse ela lutando para conter as lágrimas. – Tchau, Al – disse Harry deixando que Alvo envolvesse seu corpo com seusbracinhos magros. – Não esqueça que Hagrid o convidou para tomar chá na próximasexta-feira. Não se meta com Pirraça. Não duele com ninguém até aprender como sefaz. E não deixe Tiago enrolar você. – E se eu for para Sonserina? – insistiu alvo, esperando ouvir uma resposta do paique realmente o confortasse. Seu sussurro foi apenas para Harry e este percebeu quesomente aquele momento realmente mostrava todo o real medo e a insegurança deAlvo. Harry se agachou e ficou na mesma altura que Alvo – o rosto de Harry ficouligeiramente abaixo do filho – ambos os olhos verdes herdados de Lílian Evansestavam fixos um no outro, nada mais importava. – Alvo Severo – murmurou Harry, de modo que somente Gina pudesse ouvir alémde Alvo. Gina que por sua vez fingia acenar para a sobrinha, mas na verdade estavabem atenta a tudo o que Harry dizia. –, nós lhe demos o nome de dois diretores deHogwarts. Um deles era da Sonserina, e provavelmente foi o homem mais corajosoque já conheci. – Mas me diga... –... então, a Sonserina terá ganhado um excelente estudante, não é mesmo? Não fazdiferença para nós, Al. Mas, se fizer para você, poderá escolher a Grifinória em vezda Sonserina. O Chapéu Seletor leva em consideração a sua escolha. – Sério? – Levou comigo – admitiu finalmente Harry. Pela primeira vez ele havia contadoseu segredo para algum filho. Alvo ficara perplexo em saber que o pai havia escolhido não ir para a Sonserina.Sempre imaginava Harry Potter como a personificação do grifinório perfeito, masagora que sabia que o pai poderia ter acabado sendo selecionado para a casa da 22
  23. 23. serpente... O choque de Alvo fora tanto que ele percebera que seu pai também notaraque sua face tomou uma expressão de assombro. Era uma revelação talvezinimaginável, mas que agora Alvo sabia que ocorrera. Agora, no entanto, Alvo não tinha muito tempo para refletir sobre a verdaderevelada sobre o passado de Harry. Já estava na hora do trem partir e ele permaneciana plataforma. Alvo pulou no vagão em quanto, outros pais ainda beijavam seusfilhos já embarcados ou davam recomendações de última hora. Às costas de Alvo,Gina fechou a porta do compartimento sem nenhuma dificuldade. Porém, parasurpresa ou espanto de Alvo, um grande número de estudantes se aglomeravam ouse penduravam nas janelas. A maioria dos rostos não estava voltada para seusparentes e familiares e sim para um bruxo que embarcava seus filhos na locomotivavermelha. Harry. – Por que eles estão todos nos encarando? – perguntou Alvo assim que ele se juntoua Rosa que se esticava para olhar seus colegas de Hogwarts. – Não se preocupe – articulou o tio Rony. – É comigo. Sou excepcionalmentefamoso. Alvo e Rosa riram, assim como Hugo e Lílian na plataforma. As rodas do Expresso Hogwarts começavam a se mover, obrigando a Alvoacompanhar o pai apenas com seus olhos verdes, já que esse, assim como o resto deseus parentes e toda a Londres, se distanciava cada vez mais dele. Alvo percebeu queHarry continuava a acenar, mesmo quando o vagão de Alvo já estava distante dele.Essa foi à última visão de Alvo antes de o trem dar sua primeira curva e varrer todoo país da visão do garoto. – Vamos, Al – disse Rosa puxando Alvo pela manga da camisa. – Vamos procuraruma cabine. Alvo assentiu. Mas estava bastante complicado de se encontrar uma cabine vazia.Todas elas estavam apinhadas de estudantes falantes e risonhos, ansiosos paraconversar com seus amigos, contar sobre as férias... Inclusive a cabine de Tiagoestava lotada. Ele e mais cinco amigos riam e conversavam animadamente, e Alvoagradeceu, timidamente, pelo irmão não tê-lo visto, pois fatalmente ele iriaaproveitar a ausência dos pais para atormentar Alvo novamente. Alvo e Rosa passaram por uma cabine, aparentemente vazia, somente um garotode cabelos loiros a ocupava. Porém, Alvo tomou coragem e se manteve de bocafechada, não alertou Rosa de que acabaram de passar por uma cabine vazia, afinalele havia percebido que o garoto que a ocupava era o mesmo que chamara a atençãodo tio Rony na plataforma. Quem a ocupava era Escórpio Malfoy. – É – disse Rosa desanimada abrindo a porta de uma cabine no segundo vagão. –Acho que só sobrou esta... 23
  24. 24. Ela indicou com a cabeça para a cabine que acabara de abrir. Aparentemente era aúnica vazia em todo o Expresso Hogwarts. Nos últimos anos, a quantidade de alunosem Hogwarts quase que dobrara. Segundo a tia Hermione, que ainda mantinhaalgumas relações profissionais com a escola – geralmente averiguando as condiçõesde Hogwarts perante a lei – ela afirmava que a razão pela qual o número de alunosse multiplicara era qual a quantidade de filhos que os antigos alunos de Hogwartstiveram fora maior que a estimada pelos diretores e professores. Além do mais,ainda existia a lenda de que os mecânicos da escola, que cuidavam da manutençãodo Expresso Hogwarts, gostariam de acoplar mais dois vagões na locomotiva. – Seria muito legal se Vitória e Teddy contraíssem um relacionamento mais sério –disse Rosa alguns minutos depois que eles se estabeleceram na cabine. – Nósconhecemos o jeito luxuoso e arrogante de Vitória e acho que Teddy seria muito bompara ela. Talvez ele a fizesse desgrudar do espelho. – O único problema é que a tia Fleur considera o Teddy um vagabundo –acrescentou Alvo meio desanimado. – Mas isso não é verdade. Disseram-me quedesde que ele foi contratado pelo tio Jorge para trabalhar na filial da loja emHogsmeade, ele tem trabalhado como um condenado! E ele ainda está à procura detestes para os times de Quadribol da Inglaterra. Já imaginou o Teddy jogando noPuddlemere United?! – Me agradaria mais se ele defendesse os Chudley Cannons – contestou Rosa. Ela eHugo herdaram a paixão pelos Chudley, mesmo Rosa detestando Quadribol, massegundo ela “os Chudley Cannons são mais do que Quadribol”. As horas iam passando e a viagem até Hogwarts ia se tornando cada vez maisentediante. Não que fosse ruim ou que não tivesse nada para fazer, muito pelocontrário, mas para Alvo era massacrante ter de esperar pela seleção, ainda maisdepois da revelação de seu pai na plataforma. A idéia de Harry ter pedido ao Chapéu Seletor para não ir para a Sonserina,atormentava a Alvo mais do que todas as piadas e provocações feitas por Tiago aolongo do verão. Será que Harry teria sido colocado na Sonserina se não o tivesse pedido?Era a pergunta que martelava a mente de Alvo a cada minuto que se passava. Suamente trabalhava arduamente a procura de uma resposta convincente. Alvo concluiuque nunca pensaria novamente como estava fazendo naqueles longos momentos,nem mesmos durante os exames finais da escola. – Você está bem, Al? – perguntou Rosa poucos momentos antes do grupo deamigos de Tiago entrarem na cabine para darem suas boas vindas. – Achamos que vocês estavam muito solitários então resolvemos fazer umavisitinha – contou Tiago sentando-se ao lado de Alvo e cruzando as pernas napoltrona oposta. – Não se preocupem, pedimos para Horácio tomar conta de nossacabine, vocês sabem, Hogwarts está ficando muito cheia. 24
  25. 25. Junto a Tiago estavam: Sabrina Hildegard uma sextanista da grifinória – ela tinhalongos cabelos ruivos como o dos Weasley, e sempre carregava uma pluma sobreseus cabelos ondulados – ao lado de Sabrina estava Ralf Dolohov, secundarista daSonserina, ele e Tiago haviam ingressado em Hogwarts no ano anterior. InicialmenteAlvo havia imaginado que Tiago só havia criado laços de amizade com Ralf porcausa de seu tamanho – Ralf seria um bom guarda costas – mas depois de um tempo,Alvo percebeu que Ralf não era o típico sonserino, e sim aquele que seguiu alinhagem sanguínea de sua família. E ao lado direito de Ralf estava Eduardo Jones,do terceiro ano. Jones, como o chamavam, era um dos membros do clubeextracurricular de Tiago que vestia as vestes da Lufa-Lufa. Jones tinha cabelos loirose ondulados, além de um sorriso atraente que deu arrepios em Rosa. – Como está nossa futura colega grifinória? – perguntou Tiago se voltando paraRosa, mas sem conseguir não completar. – E nosso sonserinozinho? Alvo corou. Queria xingar Tiago de todos os nomes que aprendera com Monstroem quanto o elfo se castigava, queria também reclamar de sua escolha com relação àSonserina, mas a presença de Ralf naquele momento impediu que Alvo pudesse ofazer. – Pare, Tiago – advertiu Ralf, abaixando os pés do amigo e sentando-se ao lado deRosa, podendo encarar Alvo frente a frente. – Não se intimide com tudo o que seuirmão te diz, Alvo. Não vou lhe dizer que a Sonserina é a casa mais amável domundo, mas ela sabe tratar bem seus membros. O único problema é se você for filhode trouxas. – acrescentou. – Veja o Ralf, por exemplo – disse Sabrina Hildegard juntando-se aoscompanheiros. – Primeiro eles tentam encontrar algum bruxo que carregue seusobrenome. Como Ralf tinha dois sobrenomes, a situação ficou mais complicada, masse eles concluírem que você é filho de trouxas... – ela passou a mão sobre o pescoçocomo se esse estivesse sendo ameaçado por lâminas bem afiadas. – Espere! – protestou Tiago saltando da poltrona e encarando seus companheiros.– Vocês estão encorajando Alvo a se juntar aos sonserinos? – ele fez uma pausa,limpou a garganta e acrescentou. – N-não que eu me importe. Mas é que... – Nós já entendemos – interrompeu Eduardo Jones lançando uma piscadela paraSabrina. Eduardo diferente dos demais continuava em pé, encostado na porta dacabine que permanecera aberta. – É... bem... – gaguejou Tiago dirigindo-se para fora da cabine. – Só queríamos dar-lhes as boas vindas à Hogwarts. Então, já podemos ir? – Se quiser que vá – disse Ralf passando os braços por trás da cabeça e recostando-os na parede às suas costas. – Não vou a lugar algum. Aqui está divertido. – Concordo – disse Sabrina. 25
  26. 26. – Bem, eu não vou deixar Horácio sozinho – afirmou Tiago dando as costas para osquatro. – Jones, você me segue? Eduardo não respondeu, apenas seguiu Tiago de volta a suas cabines de origem. – Ele está morrendo de medo que Alvo não vá para a Grifinória – concluiu Rosaretirando de sua mochila um exemplar de Hogwarts, uma história. O restante da viagem a bordo do Expresso Hogwarts parecera passar tão rápidocomo se fosse um sonho. Ao meio dia a velha bruxa do carrinho de doces passarapela cabine onde estavam Alvo, Rosa, Ralf e Sabrina. Os quatro não pouparamesforços para gastar as moedas douradas e prateadas que seus pais haviam lhe dado.Em questão de minutos a cabine dos quatro estava apinhada de doces e balas.Durante algumas horas o céu ficava coberto por escuras nuvens de chuva, que voltae meia despejavam suas águas sobre a lataria vermelha do trem. Felizmente,conforme o dia chegava ao fim e o crepúsculo começava a perder lugar para aescuridão total, a pesada chuva que acompanhava o trem desde o início dasmontanhas começava a se transformar em uma leva garoa, que mal molhava asfolhas das árvores das montanhas escuras. – Próxima parada, estação final de Hogsmeade. – ecoou a voz do maquinista atravésdas paredes encantadas do trem. – É melhor nos apressarmos – disse Alvo já vestido com as vestes da escola. – Eu recomendo que vocês saiam logo – aconselhou Ralf abrindo a porta da cabinee dando passagem para Sabrina. Eles voltariam até a cabine de Tiago, onde estavamseus pertences. – Aquilo ali vai ficar lotado rapidinho. Mesmo que Alvo quisesse seguir o conselho de Ralf, não pode. Rosa tivera algumadificuldade em guardar todos os livros que havia tirado da mochila para ler durantea viagem. – Pode ir na frente, Al – dizia Rosa espremendo seu exemplar de Voando comVampiros junto a uma antiga edição da Transfiguração, hoje. – Não tem problema. Eu esperei onze anos para chegar a Hogwarts. Mais algunsminutos não farão diferença. Com muito esforço, Rosa e Alvo conseguiram guardar todos os livros da meninadentro da mochila. Quando Alvo colocou seus pés sobre o concreto úmido e gelado da plataforma deHogsmeade sentiu como se sua vida acabasse de mudar. Como se ele não carregassemais o peso do nome Potter, como se as pessoas fossem parar de apontar para ele egritar ‚O filho de Harry Potter‛. Ele sentia que a partir daquele momento quandoapontassem para ele iriam gritar ‚Veja é Alvo Potter‛. Alvo se sentia forte, grandioso,como se pela primeira vez na vida ele pudesse controlar sozinho o caminho que suaspernas fossem traçar. Contudo, quando ele finalmente tomou consciência de que 26
  27. 27. deveria se juntar ao grupo de primeiranistas que já se aglomeravam junto ao lampiãoque o guarda caça de Hogwarts carregava, uma voz bem familiar soou pelos ouvidosde Alvo. – Estou de esperando na sala comunal com duas cervejas amanteigadas – disseTiago já fora do term. A mochila sobre um ombro e seus olhos fixos em Alvo, de ummodo que este nunca vira antes – Isso é claro se você não se juntar a Sonserina. Tiago esperava que Alvo pulasse em cima dele e começasse a socar sua cara, masele apenas sorriu para o irmão e ajeitou a mochila sobre os ombros. – Não me importo – retrucou Alvo inocentemente. – Como? – perguntou Tiago mais chocado do que nunca. – Quer dizer que euperdi metade do meu tempo de férias zombando de você para agora você dizer quenão se importa! – Sim. Depois do que o pai disse na plataforma eu não me importo em serselecionado para a Sonserina ou para a Grifinória. – E o que o pai te falou que fez com que você mudasse tão rapidamente de idéia? –Tiago estava imaginando que Harry havia dito ao filho o mesmo que a ele no anoanterior. Que não era mais mágico ser da Grifinória do que da Lufa-Lufa ou daCorvinal, ou até mesmo da própria Sonserina. – Disse que o Chapéu Seletor leva em consideração a sua escolha, e que ele memandaria para a Grifinória caso fosse meu desejo e que o chapéu não me obrigaria aser um sonserino se eu não quisesse. – Alvo esforçou-se para não contar a Tiagosobre a parte em que seu pai havia dito que escolhera a Grifinória. Alvo sabia queHarry possuía um bom motivo para não querer contar a Tiago sobre seu segredo, eque não seria ele, Alvo, que o revelaria para Tiago. – Te vejo no Salão Principal, Al – disse Tiago quase que em um sussurro,endireitando a mochila sobre seus ombros e dando as costas para o irmão mais novo. – Pode contar com isso – afirmou Alvo sorrindo para as costas do irmão. – Ah,Tiago! O irmão mais velho de Alvo deteve-se por um instante. – Não era para você estar usando os óculos que a mamãe mandou? – Não enche – disse Tiago por cima do ombro. Alvo teve de correr para não se perder do grupo de primeiranistas. Hagrid, ogigante e guarda caça da escola, já havia contornado a plataforma de Hogsmeade e jáexplicava aos novos alunos como deveriam utilizar os barcos da escola. –... Então, nada de mais de quatro alunos por barco – alertava o gigante para osprimeiranistas. – Não quero que nenhum de vocês vá nadar com a Lula Gigante. Elaestá brava há alguns dias, não sabemos por quê. Mas vamos controlá-la não precisamse preocupar. 27
  28. 28. – Como se eu fosse – murmurou um garoto dentuço de cabelos negros próximo àAlvo. O jovem Potter já sabia como chegaria à escola de magia. Os barcos deslizariampelas águas negras do Lago Negro até a outra extremidade da escola, onde por fimos alunos novos caminhariam até os portões do Salão Principal onde aguardariamaté o início da cerimônia de seleção. Alvo escolheu um barco que estava ocupado poralguém que ele conhecia: no caso, seu primo Luís Weasley que diferente dele nãoestava nem um pouco preocupado com a cerimônia de seleção. – E ai, Al! – bradou Luís assim que Alvo se sentou na borda do barco de madeira. –Sempre soube que ao vivo era bem mais atraente que através de fotos. Luís indicou com a cabeça a estrutura medieval do castelo de Hogwarts. Alvo semaravilhou com a arquitetura da escola, com o modo como o castelo escalava amontanha que o sustentava, de forma majestosa e segura. As janelinhas refletiam asluzes internas de Hogwarts que por sua vez eram refletidas pelas águas do LagoNegro que balançavam conforme o vento gélido ordenava. – Se estão todos prontos... – gritou Hagrid já sentado em seu barco magicamentefortificado – VAMOS! Ao soar da voz de Hagrid os barcos encantados da escola começaram a deslizarpelas águas do lago que cercava a escola. Quando Alvo finalmente baixou os olhosdo castelo para os alunos que o acompanhavam na travessia se deparou com duasgarotas bem diferentes uma da outra. À frente de Alvo estava uma menina bastantebonita de pele escura e cabelos negros, chamada Emília Jenkins. Ao lado de Emíliaestava outra garota, porém esta tinha pele pálida, braceletes prateados, sapatos estilopunk e um cordão que Alvo imaginava vir da mesma coleção que o amuleto mágicoque ficava envolto ao pescoço de Luna Lovegood. Mas outra coisa incandescente chamou mais a atenção de Alvo de que os milharesde janelinhas do castelo de Hogwarts. Alguns metros além da beira do Lago Negro,além da orla próxima a Floresta Proibida, uma criaturazinha luminosa brilhava nogalho de uma árvore. Não parecia ser uma criatura muito diferente de um morcego,tinha as mesmas características, porém era bem maior que um comum. Além do maisa criaturazinha estava brilhando junto à árvore. Mas tudo isso foi apenas por um breve momento. Rapidamente a criatura prateadadesapareceu. Como se sua presença fosse detectada e isso lhe custasse à vida.Quando Alvo concluiu que não avistaria mais nenhuma criatura luminosa, baixouseus olhos sobre as águas dançantes do lago por alguns segundo, mas tão rápidoquanto a primeira outra criatura incandescente surgiu na orla da Floresta Negra. Assim como a outra, esta criatura possuía uma cor prateada e florescente. Sua luzrefletia nas árvores ao seu redor. Ela era bem maior que a anterior, do tamanho deum veado, mas Alvo concluiu que não era um, pois não havia galhada como o 28
  29. 29. patrono de seu pai. A criatura continuava brilhando junto às árvores da FlorestaNegra, contudo, algo a mais chamou a atenção de Alvo. A criatura não estavaadmirando a beleza do castelo de Hogwarts assim como os primeiranistas e omorcego incandescente. Essa, por sua vez, mirava em um aluno em especial damesma forma que os estudantes e os pais na plataforma encaravam Harry. A criaturailuminada estava observando Alvo. – Cuidado com as cabeças! – alertou Hagrid quando os barcos atingiram a outraextremidade. Por um instante Alvo desviou seu olhar da criatura luminosa para poderdesembarcar do barco. Pisar na terra molhada pertencente aos terrenos da Hogwartsera algo que Alvo aguardava há muito tempo, e que agora era a mais pura realidade.Contudo quando ele voltou seu olhar para a orla próxima a floresta a procura dacriatura, deparou-se apenas com as árvores gigantescas que cercavam os terrenos daescola. – Todos os alunos, por favor, sigam-me! – berrava Hagrid guiando osprimeiranistas por uma espécie de túnel subterrâneo feito de pedras. A cabeça dogigante batia no teto de pedras a todo o tempo, mas em momento algum Hagrid semostrava irritado com tal fato. Ele parou de repente tateando o teto com o cabo de seu guarda-chuva cor de rosa.Como se estivesse procurando uma passagem secreta, Hagrid encostou o caboenferrujado em todas as pedras em um raio de um metro. Finalmente o giganteencontrou a passagem desejada. Quando encostou o cabo do guarda-chuva da pedradesejada, essa começou a se mover e a formar uma íngreme escada de pedra e limoque dava para o pátio de entrada da escola. – Subam e esperem até o professor Longbottom tomar frente ao grupo – ordenouHagrid abrindo caminho entre os estudantes para liberar a passagem. – Ele irá levá-los até o Salão Principal para a hora mais esperada da noite. Como ele era um dos últimos da fila, demorou um pouco até que Alvo pudessechegar mais perto da escada. Porém ele queria fazer algo antes de subir as escadas. – Oi, Hagrid! – exclamou Alvo se aproximando da figura corpulenta do guardacaça. – Alvo! Há quanto tempos nós não nos víamos! – Hagrid parecia um bebê chorão.Enxugando timidamente as lágrimas que brotavam dos seus olhos ele encarou Alvo.– Não te vejo desde março passado, e veja como você cresceu! Mesmo estando mais alto que há um ano atrás, Alvo sabia que para Hagrid elesempre pareceria um menininho de dez anos. – Eu também estava com saudades de você, Hagrid – disse Alvo pouco antes deser envolto pelos braços gordos de Hagrid. – O... o que aconteceu para você ficar tãosumido? 29
  30. 30. – Você sabe que a Profª McGonagall deixou seu cargo, como diretora, este ano.Então, quando se é um professor um tanto desastrado e que cuida de criaturas domundo da magia... Bem, tem que mostrar uma boa primeira impressão para o novodiretor – ele estudou Alvo com seus olhos miúdos, tentando ler as emoções de Alvoatravés de sua face. – Rápido, Alvo! – gritou o gigante batendo com os braços no tetodo túnel. – Suba logo, rápido se não você perde a passagem! Sem pensar duas vezes Alvo pulou o mais alto que pode, esticando as pernas aomáximo para atingir o topo das escadas o mais rápido possível. Ele pulou umas trêsou quatro vezes até finalmente repousar sobre o gramado fofo e úmido do pátio deentrada. Alvo estava encantado em estar dentro do castelo de Hogwarts. A única vez queestivera dentro do castelo fora quando seu pai levara a família para dar um passeiopelo estabelecimento, para conhecer alguma parte da escola antes dos onze anos deidade. Muita coisa parecia diferente de quatro anos antes quando Alvo esteve ali. OPátio de Entrada parecia ter sido restaurado, tendo as estátuas ao redor da fonte dopátio, mais belas e suntuosas. As ervas que cresciam entre os azulejos haviam sidopodadas e a única coisa velha que se encontrava no pátio era a figura carrancuda edesanimada do Sr Filch. Alvo só reconheceu o zelador da escola, pois esse se enquadrava em todas ascaracterísticas que seus parentes haviam lhe concedido. Um homem velho, deaparência fria e rabugenta. Cabelos sujos quebradiços, pele enrugada e sua gata quesempre estava juto dele, Madame Nor-r-ra. Filch aninhava a gata como se fosse umbebê, tomando cuidado para não machucar o animal, ele se mostrava poucointeressado em olhar para os alunos novos. Poucos minutos depois dos primeiranistas terem se reunido em frente às grandesportas de carvalho que davam para o hall de entrada, um homem da mesma idadeque o pai de Alvo, face rosada e um sorriso um tanto abobalhado, as abriu com umestalo e veio receber os alunos novos. – Bem vindo, alunos – disse a figura simpática do Prof Longbottom. Esse nãoprecisou de nenhuma característica para ser reconhecido por Alvo, pois ele conheciabem o rosto bobo do padrinho. Neville vestia vestes surradas e marrons, um chapéucônico remendado em sua aba e botas de escalada, como se estivesse pronto paraafundar os dois pés na terra molhada. Os múrmuros cessaram no instante em que o professor de Herbologia começou afalar. A atenção era geral em quanto o silêncio era cortado apenas pela voz suave doprofessor. – Bem, o banquete de início de ano será realizado em alguns instantes, mas antesde vocês se sentarem em uma de nossas mesas, será realizada a cerimônia de seleção.A cerimônia de seleção, como muitos já devem saber, consiste basicamente em 30
  31. 31. selecionar vocês em uma de nossas quatro casas: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal eSonserina. A Seleção é muito importante, pois enquanto vocês estiverem emHogwarts suas casas serão como suas famílias. Seus colegas serão seus amigos, eseus parentes. Contudo, nem tudo são flores aqui em Hogwarts. Aqui, como em todoestabelecimento, existem regras, se quebrarem alguma regra da escola sua casaperderá pontos. Porém, se vocês obtiverem algum triunfo na escola digno de umprêmio, sua casa ganhará pontos. No final do ano, a casa que tiver mais pontosganhará a Taça das Casas. – Então nós não teremos de enfrentar um trasgo para sermos aceitos na escola! –gritou um garoto no meio do grupo. – Não, o senhor pode ficar relaxado. Ninguém terá de enfrentar nada para seraceito pela escola – riu o Prof Longbottom. – Vocês já foram aceitos, não tem maisvolta. Vocês terão de suportar Hogwarts e Hogwarts terá de suportar vocês. Mas, eh,fiquem tranqüilos, nós faremos tudo para que vocês possam chamar este castelo delar. O Prof Longbottom deu as costas para os primeiranistas e, os guiou pelo interiordo castelo até chegarem próximos às grandes portas de carvalho que davam para oSalão Principal. As luzes vindas dos candelabros e tochas ao redor da entrada para osalão refletiam-se nas bordas e nos desenhos esculpidos nas portas. Eram imagensbonitas e únicas que mudavam de hora em hora. – Se estiverem preparados... Sigam-me – com um aceno de mão o Prof Longbottomabriu as portas que davam para o Salão Principal. Os zumbidos e vozes antes contidos pelas portas de carvalho se espalharam portoda a escola no momento em que o professor Longbottom abriu as portas. Aluminosidade do Salão Principal era infinitas vezes maiores que a dos corredores queAlvo acabara de passar. Ele concluiu que o Salão Principal era muitas vezes maiorque a antiga casa da Rua dos Alfeneiros que um dia acolheu Harry Potter e que hoje,já reformada, acolhia a família do primo de Harry, Dudley Dursley. O Prof Longbottom levou o grupo de calouros até um tablado que separava a mesados professores das outras quatro grandes mesas das casas da escola. Eram muitascoisas para se ver em pouco tempo. Rapidamente, Alvo levantou a cabeça para poderadmirar o teto encantado do Salão Principal, que mostrava um céu estrelado e umalua pronta para minguar. Depois Alvo observou as quatro mesas de Hogwarts,apinhadas de estudantes ansiosos para o início da seleção. Por um momento, Alvosentiu que era observado por alguém e não era para menos. Tiago Potter estava juntoa seus amigos grifinórios falando e rindo, mas seus olhos estavam fixos na figuramagricela do irmão. Por um instante Alvo se sentiu encabulado, mas logo suaatenção foi desviada pela voz do professor Longbottom. 31
  32. 32. – Antes do início da cerimônia de seleção – dizia o professor em quanto asconversas cessavam e os murmúrios morriam – a diretora Servilia Crouch quer dizeralgumas palavras. Diretora... Longbottom fez uma tímida reverência para a diretora que apenas lançou-lhe umsimpático sorriso antes de se erguer de sua nobre cadeira de diretora. Servilia Crouchera uma mulher que aparentava ter seus cinqüenta anos de idade, mas Alvo sabiaque ela possuía mais, pois graças às poções e atributos genéticos dos bruxos épossível você aparentar muito menos de sua idade natural. A diretora Crouchpossuía algumas rugas em sua face – nem tantas como sua antecessora, a ProfªMcGonagall que se sentava ao seu lado – Servilia possuía cabelos negros envoltos emum forte coque, com ligeiras mechas calvas que ela tentava arduamente esconder. – Boa noite, a todos vocês, principalmente aos alunos novos que estão se juntandoa nós aqui em Hogwarts pela primeira vez. A vocês primeiranistas, o meu: ‚boasvindas‛. E aos antigos, sejam bem vindos de volta. Bem, como muitos de vocês jádevem saber através do Profeta Diário e das demais revistas bruxas, este será, assimcomo o de alguns de vocês, o meu primeiro ano aqui em Hogwarts. É com muitahonra que substituo a Profª Minerva McGonagall como diretora de Hogwarts.Minerva – como pode ver – não nos deixou por completo, pois ela concordou emcontinuar educando-os na didática de Transfiguração e me auxiliando como vice-diretora. ‚Bem, como diretora da escola é meu dever informar aos primeiranistas, erelembrar aos alunos antigos, que é estritamente proibido a ida de alunos aosarredores da Floresta Proibida sem a autorização e o acompanhamento de umprofessor ou responsável. Afinal como o próprio nome já diz, a floresta é proibida.Também devo informar-lhes que é proibido o uso de feitiços nos corredores duranteos intervalos das aulas. E, o nosso zelador o Sr Filch, me pediu para lembrar-lhes quequalquer artefato que tenha ligações com a loja de brincadeiras GemialidadesWeasley, que possa fornecer qualquer tipo de transtorno ou rebuliço dentro daescola é proibido e corre um sério risco de ser confiscado pelos professores efuncion{rios.‛ ‚Antes de iniciarmos a seleção, gostaria de apresent{-los aos novos professores deHogwarts. Por favor, professores novos, levantem-se.‛ Cinco professores levantaram-se de suas cadeiras. Alvo havia prestado atençãosomente em dois, que desde o momento que ele entrou no Salão Principal, estavamenvoltos em uma complicada discussão que Alvo nem se quer poderia imaginar qualera. – Da esquerda para a direita – começou a diretora Crouch apresentando osprofessores. – Alunos deixem-me apresentá-los ao seu novo professore de Defesacontra as Artes das Trevas, professor Mylor Otacílio Silvano. Ao seu lado, está o 32
  33. 33. professor da nova didática de Artes dos Trouxas, professor Epibalsa McNaught.Depois estão seus novos professores da arte de mancia, professor R. J. H. King, paraTecnomancia e o professor Herberto Margolyes como professor de Geomancia. E porúltimo, mas não menos importante, nós teremos a presença da professora JulietaKnowles Revalvier, como professora de Literatura Mágica. ‚Por último, gostaria que minha colega, professora McGonagall dissesse algumaspalavras para vocês. Não gostaria que Minerva passasse a noite toda calada.‛ A diretora Crouch se silenciou por debaixo de fortes aplausos dos estudantes, emseguida a professora McGonagall começou seu discurso agora não mais comodiretora da escola. – Uma boa noite a todos – disse a Profª McGonagall para todos os presentes. –Serei rápida e breve, pois tenho certeza de que todos estão ansiosos com a seleção.Gostaria apenas de lembrar-lhes que não sou mais sua diretora, mas que inda possocolocá-los em detenção e tirar pontos de suas casas. Obrigada. Assim como a diretora, McGonagall se silenciou por baixo de aplausos dosestudantes, contudo estes foram menos animadores que os da diretora. Alvo percebera que Servilia e McGonagall tinham bastante em comum. Sendoduas senhoras muito gentis, porém severas com quem se deve. Alvo não gostaria deencontrar as duas irritadas, sendo ele o motivo de tal irritação. Pouco depois dos discursos de Crouch e McGonagall, a nova monitora daCorvinal, sua prima Molly, levara até o topo do tablado à frente dos primeiranistas,um banco de quatro pernas e um chapéu cônico velho. Alvo sabia exatamente o queia acontecer em seguida. O Chapéu Seletor iria cantar uma música – em geralrelacionada à amizade e a dificuldade em selecionar os alunos – e depois a seleção seiniciaria, com o Prof Longbottom chamando os primeiranistas e repousando o velhochapéu cônico sobre suas cabeças. Porém após os discursos da diretora e da professora de Transfiguração, Alvodesligou-se completamente da cerimônia de seleção. Seus pensamentos flutuavamdesordenadamente. Ele não sabia o que fazer e qual caminho seguir. Queria usartudo àquilo que o pai havia dito na plataforma, mas e se ele escolhesse o caminhoerrado. E se ele escolhesse a Grifinória e no final das contas essa fosse a errada. Não! Pensou Alvo com todas as forças. A Grifinória não podia ser o caminhoerrado, era a casa que seu pai freqüentara que sua mãe freqüentara, seus avós, tios etias... Mas muitos dos novos Weasley não haviam seguido o caminho grifinório.Vitória e Dominique eram da Lufa-Lufa e Luís estava determinado a seguir a mesma.Molly era da Corvinal e Rosa fatalmente seria enviada para a mesma, e se Alvoacabasse se saindo melhor em outra casa? – Luís Weasley – chamou o Prof Longbottom trazendo Alvo de volta a si. 33
  34. 34. O Chapéu Seletor demorou um pouco para decidir em que casa por o primo deAlvo, e nesse meio tempo, ele percebeu quais outras crianças já haviam sidoselecionadas. Um garotinho risonho de cabelos castanhos, chamado Cameron Creevey haviasido selecionado para a Grifinória. Emília Jenkins, a garota que havia cruzado o LagoNegro junto a Alvo havia sido enviada para a Corvinal assim como Irene Mcmillan. – LUFA-LUFA! – rugiu o Chapéu Seletor para alívio de Luís que já estavacomeçando a tremer por debaixo da aba do chapéu. – Eugênio Finnigan. – Grifinória! – a mesa de Tiago explodiu em vivas, assim como havia feito antescom Cameron Creevey. – Ísis Cresswell. – Corvinal! – anunciou o chapéu, e logo em seguida Ísis saiu correndo em direção àmesa do lado esquerdo a Alvo. Que ainda vibrava com a seleção da menina. – Valerie Rosier. – Sonserina! – Isaac Prewett. Aquele nome fez com que Alvo prestasse realmente atenção na seleção. Prewett,Alvo já ouvira aquele nome antes, mas de onde vinha? Uma parte adormecida de seucérebro começara a trabalhar arduamente a procura de algo que se encaixasse com onome. – O relógio? – murmurou Alvo lembrando-se do velho relógio de seu pai que antespertencera ao irmão mais velho da vovó Weasley. Mas Isaac não poderia ser seuparente, pois o tio-avô de Alvo, Fábio, havia sido morto durante a Primeira GuerraBruxa, assim como seu irmão. – Sonserina! – gritou o chapéu liberando o garoto de cabelos ruivos. – Lívio Black. Ouvir aquele nome foi quase que tomar uma descarga elétrica. Alvo sabia bastantesobre a família Black, sendo que ele morava na antiga casa da linhagem. Mas Alvotinha certeza de que após a morte precoce do padrinho do seu pai, Sirius Black, onome havia sido extinto, pois ele era o último a carregar o nome Black, e como Siriusnão havia procriado, era óbvio que a família Black havia sido extinta pelo ladomasculino, mas... Ele estava ali, o garoto chamado Lívio carregava o nome Black enão podia ser apenas coincidência. – Corvinal! – anunciou o chapéu. Depois de Lívio, Lana Longbottom foi chamada para ser selecionada.Cuidadosamente o professor de Herbologia repousou o Chapéu Seletor sobre oscabelos da filha sem antes desejar-la sorte. Alvo conhecia Lana, geralmente via a 34
  35. 35. garota brincando nas escadarias do Caldeirão Furado na companhia de seus irmãosmais novos. – Grifinória! – anunciou o chapéu para alívio de Lana, e de seu pai também. Antônio Zabini se tornou um sonserino, porém Alberto Stebbins foi escolhido parase juntar à mesa da Lufa-Lufa, a do lado direito à Alvo. Perseu Flint também foi selecionado para a Sonserina, assim como seu irmãogêmeo Teseu. Já Henry Thomas foi selecionado para a Grifinória do modo comodesejava. – Escórpio Malfoy – chamou o Prof Longbottom, despertando qualquer um quenão estivesse interessado na seleção. Escórpio parecia mais pálido do que quando Alvo o vira na plataforma e dentro doExpresso Hogwarts. Assim como Alvo, Escórpio herdara um nome muito famosodentre os bruxos e assim como Potter, todos os membros da família de Escórpiovieram da mesma casa há séculos. Alvo não conseguia imaginar o porquê donervosismo de Escórpio, pois assim como seu pai, sua mãe e todos os antigosmembros da família Malfoy, ele seria selecionado para a Sonserina... – Grifinória! – bradou o Chapéu Seletor. Não houve aplausos por parte dos membros da Grifinória. Alvo não sabia se elesestavam surpresos demais pela decisão final do chapéu ou se estavam com muitaraiva e nojo de terem de conviver com um membro da família Malfoy, que porgerações humilhou e perseguiu os membros da Grifinória. Escórpio também não se mostrava diferente. Ele continuara sentado no banco demadeira de quatro pés mesmo depois de ter sido selecionado. O choque de não tersido colocado na Sonserina o consumia de dentro para fora, impossibilitando seucérebro de pensar ou de comandar qualquer um de seus músculos. Escórpio só saiuda cadeira quando o Prof Longbottom chamou o nome de Morgana Hallterman. – Alvo Potter. Novamente o salão permaneceu em total silêncio. Assim como Escórpio, Alvochamou bastante atenção entre alunos e professores. – Longbottom disse: Potter? – É sim! É o filho de Harry Potter! – Shh! Cale a boca! Agora será selecionado outro filho de Harry Potter. Todos os comentários não eram para Alvo, e sim para O Filho de Harry Potter.Aquilo foi consumindo Alvo por dentro, ser o filho de Harry Potter não era apenas oque ele queria, ele queria que as pessoas começassem a reconhecê-lo por seu nome enão por ser filho de um dos maiores bruxos dos tempos atuais. A última coisa que Alvo conseguiu ver antes do Prof Longbottom deixar o chapéurecair sobre seus olhos, foi um salão cheio de alunos espichando os pescoços para 35
  36. 36. tentar ver o rumo da seleção de Alvo. Olhos arregalados sem ao menos piscar, evários grifinórios já cantando vitória. – Potter, Alvo. Sim. Admito que eu anseie em poder observar esta mente – disse oChapéu Seletor em um sussurrou, mas que podia ser ouvido, pois o salão estava emtotal silêncio. – Você é o quinto Potter que vem sob meu tecido, e o quarto a sesubmeter a meu julgamento. Quase cinqüenta anos se passaram, três gerações dePotter e vocês são sempre difíceis de classificar. Eu não tenho que ser igual ao meu pai. Pensou Alvo ingenuamente sem se lembrarque o chapéu estava sobre sua cabeça. Ser um grifinório não é meu dever. “... poder{escolher a Grifinória em vez da Sonserina.” As palavras de Harry ecoavam nos ouvidosde Alvo, como se o pai estivesse o seu lado as repetindo. – Sentimentos denunciadores, Potter – disse o chapéu. – Você seria grandioso emqualquer uma das quatro casas, mas será? Talvez... Lufa-Lufa? Não! Tudo, tudo menos a Lufa-Lufa! Pensou Alvo com todas as forças que ainda lherestavam. Eu posso ser grandioso em qualquer uma das casas, mas eu serei grandioso deoutro jeito: do meu jeito. – Hmm. Interessante, Potter. Se assim deseja... – o Chapéu Seletor fez uma pausaproposital, como se quisesse matar alguém do coração. – Sonserina! A mesa na extremidade direita à Alvo explodiu em festa. Era como umacompensação mais que satisfatória para os sonserinos, um Malfoy por um Potter.Um nome mais famoso e de mais expressão. Por outro lado, a mesa da Grifinóriaparecia se preparar para um funeral. Suas caras nunca demonstraram maiordesapontamento e sensação de perda do que naquele momento. Contudo, dentro de Alvo, uma mistura de sensações e emoções invadia seu corpo.Sua mente e seu coração pareciam estar em constante conflito. Ele não sabia se sorriaou se chorava. Se ele deveria corria para fora da escola ou se aceitava as boas vindasda Sonserina. Somente uma opção lhe ocorreu quando o Prof Longbottom retirou oChapéu Seletor de seus cabelos escuros. – É tão ruim ser da Sonserina? – perguntou Alvo para Neville que se mostrava tãosurpreso quanto o restante da escola. Neville encarou Alvo com seus olhos simpáticos e amistosos. Quase nada passavapela mente de Neville, nenhuma resposta que pudesse agradar completamente Alvo.Então, como um leve sopro, Longbottom deixou seus olhos recaírem sobre o afilhadoassustado e enfim respondeu: – Não. 36
  37. 37. Capítulo Três Encontro de Professores D esde os tempos de Armando Dippet como diretor de Hogwarts havia uma comemoração particular entre os diretores das casas da escola. Com o fim do mandato do Prof Dippet e a posse de AlvoDumbledore, a reunião se estendeu para além dos diretores de casas. Além destes,outros professores convidados pelo diretor poderiam compartilhar dos comes ebebes; distribuídos na festa particular. Porém durante o ano em que Severo Snape foidiretor nenhuma festa ou reunião fora marcada. Os tempos de guerra e desconfiançaentre os professores impediram que qualquer comemoração fosse organizada.Contudo naquele ano, durante o novo regime estudantil de Servilia Crouch acomemoração de início de ano foi mantida. Além dela e dos diretores de casas foramtambém convidados, o Prof Longbottom, o Prof Silvano, Prof Finch-Fletchley e aProfª Gertrudes Knossos de Runas Antigas. As reuniões geralmente aconteciam noescritório do diretor, mas devido ao número de convidados, achou-se mais agradávelque a reunião dos professores acontecesse na Sala Precisa no sétimo andar. Onde osprofessores poderiam ter mais conforto e privacidade, sem correr nenhum risco deserem surpreendidos por um aluno perdido. Para poder entrar na Sala Precisa a diretora Crouch e os demais professoresdeveria pensar em como precisavam de um lugar para poder conversar com osoutros colegas, sem se preocupar com os alunos e onde poderiam comer e beber semculpa. Servilia não teve dificuldade para achar a Sala Precisa. Em seus tempos deestudante ela utilizara a Sala Precisa várias vezes. Quando ela queria esconder suaCleansweep Cinco das outras garotas para que essas não a gozassem pelo fato deServilia treinar para o Quadribol e quando a atual diretora usava a sala para praticarfeitiços com seu grupo de amigos sonserinos. Quando a diretora chegou à Sala Precisa deparou-se com largas mesas repletas decomidas e bebidas, principalmente vinhos e cidras. Servilia agradeceu por não ter sefartado de comida durante o Banquete de Início de Ano. As paredes da Sala Precisaestavam cobertas por tapeçarias com as cores das casas da escola e com os emblemasrespectivos de cada uma. Algumas mesas e cadeiras de prata foram espalhadas pelasala, além de uma antiga vitrola encantada que repousava sobre uma bancada esoava as melodias da antiga banda bruxa Caldeirão Explosivo, liderada pela cantoraSelena Bichwitck. A cada dez minutos um professor chegava a Sala Precisa. Para não levantarsuspeitas entre os alunos, os professores combinaram de não chegarem todos juntos.Neville contou que a mesma tática era usada por ele e por seus colegas durante ostempos de reunião da Armada de Dumbledore. 37
  38. 38. Primeiro chegou a Profª McGonagall na companhia do Prof Flitwick. Em seguidaHorácio Slughorn adentrou na Sala Precisa em uma animada conversa com a ProfªKnossos. Poucos minutos depois o professor Finch-Fletchley de Estudos dos Trouxaschegou sozinho à Sala Precisa. E dez minutos depois o Prof Longbottom e a ProfªVector chegaram para a comemoração. A Profª Vector de Aritmancia havia sidoselecionada como diretora da casa Lufa-Lufa depois que a professora Sprout seaposentou. Por último chegou Mylor Silvano, o único professor novato que foraconvidado para a reunião dos professores. Foi idéia de Neville chamar o novoprofessor já que ele e Mylor tinham uma antiga amizade, formada durante seustempos como membros do Quartel-General dos Aurores. Cada professor se juntou perto de uma mesa de comida para discutir e conversarsobre as novas dos tempos de férias e sobre demais assuntos que geralmentevariavam entre Quadribol, política e feitiços. – Divino este banquete, Servilia! – suspirou o Prof Flitwick servindo-se de maisuma porção de salgadinhos. – Onde os encomendou? Não como algo tão... prazeroso enovo há algum tempo. – Encomendei de uma nova loja gourmet que inaugurou no Beco Diagonal. É bomsaber que foi aprovado – a diretora Crouch sabia que teria de encomendar os comese bebes, afinal, segundo as famosas Leis de Gamp, comida é uma das cindo exceçõessobre a Transfiguração Elementar. – A quanto não nos vemos, Mylor? – perguntou o Prof Longbottom de outroextremo da Sala Precisa. – Há uns cinco anos – respondeu o Prof Silvano. – A última vez que te vi foiquando nós pedimos demissão do quartel general dos Aurores. Daí você veio paraHogwarts e eu comecei minha viagem ao redor do mundo. – E quanto à seleção deste ano, hein? – começou o Prof Finch-Fletchley chamandoa atenção de todos os presentes – Acredito que este ano o Chapéu Seletorsurpreendeu a todos. E não estou me referindo a sua canção habitual. – De fato! – exclamou o Prof Slughorn levantando os braços e os abanando como seestivesse torcendo loucamente – Hoje fui presenteado com algo que nunca pudeimaginar que aconteceria! Um Potter, em minha casa! E justamente o parente deminha querida Lílian Evans! Alvo Potter, na Sonserina! – É verdade, Horácio. Tenho que admitir que fiquei bastante surpreso quando ochapéu decretou que Potter seria um sonserino. – aceitou o Prof Flitwick ajeitandoseus óculos dourados, colocando-os bem ao centro de sua carinha redonda –Contudo é verdade que fiquei decepcionado com o veredicto do chapéu com relaçãoa um dos primos de Alvo Potter. É verdade, esperava que Rosa Weasley se juntasse aminha casa este ano, afinal, ela é filha de Hermione Granger! 38

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