ISSN 1516-8085                           bibRevista Brasileira de Informação Bibliográfica                           em Ci...
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BibliografiaALBUQUERQUE, Leila Marach Basto. (1998), “Revista Planeta: imagens do corpo, imagens      da alma”. Trabalho a...
_________. (1994), “O encontro de velhas e novas religiões: esboço de uma teoria dos esti-         los de espiritualidade”...
_________. (1999a), “O xamanismo urbano e a religiosidade contemporânea”. Religião &         Sociedade, 20 (2): 113-140, R...
SANCHIS, Pierre. (1995), “Sendeiros, atalhos e encruzilhadas: o campo religioso contempo-       râneo”. Trabalho apresenta...
_________. (1999b), “Feiras esotéricas e redes alternativas: algumas notas comparativas entre         circuitos carioca e ...
RésuméNéo-ésotérisme au Brésil : Dynamique d’un Champ d’ÉtudesCet article fait le point sur les études qui ont été dévelop...
Perspectivas Teóricas sobre o Processo de                                                          Formulação de Políticas...
Dinâmica do modelo: os três fluxos                Em momentos críticos esses fluxos conver-                               ...
de uma questão, esta pode ser percebida              problemas, para posteriormente alcançar a agen-como problemática pelo...
formuladores de políticas. Como resultado           (policy stream) produz uma lista restrita de pro-final, partindo de um...
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  1. 1. ISSN 1516-8085 bibRevista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais
  2. 2. BIB – Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais (ISSN 1516-8085) é uma publicação semestral da AssociaçãoNacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) destinada a estimular o intercâmbio e a cooperação entre as ins-tituições de ensino e pesquisa em Ciências Sociais no país. A BIB é editada sob orientação de um editor, uma comissão editorial e umconselho editorial composto de profissionais vinculados a várias instituições brasileiras.Diretoria (Gestão 2005-2006)Presidente: Gabriel Cohn (USP); Secretário Executivo: Marcelo Ridenti (Unicamp); Secretário Adjunto: Gildo Marçal BezerraBrandão (USP); Diretores: Raymundo Heraldo Maués (UFPA); José Eisenberg (Iuperj); Maria Eunice de Souza Maciel (UFRGS).Conselho Fiscal: Brasilmar Ferreira Nunes (UnB); Iracema Brandão Guimarães (UFBA); Carmen Silvia Rial (UFSC).Coordenação: Marcelo Siqueira Ridenti (Unicamp).Editor: João Trajano Sento-Sé (Uerj).Comissão Editorial: César Guimarães (Iuperj); Emerson Alessandro Giumbelli (UFRJ); José Sérgio Leite Lopes (MN/UFRJ); MariaCeli Scalon (Iuperj).Conselho Editorial: Gustavo Lins Ribeiro (UnB); Jane Felipe Beltrão (UFPA); João Emanuel Evangelista de Oliveira (UFRN); JorgeZaverucha (UFPE); Lívio Sansone (UFBA); Lúcia Bógus (PUC/SP); Helena Bomeny (CPDOC-FGV/RJ); Magda Almeida Neves(PUC/MG); Paulo Roberto Neves Costa (UFPR); Roberto Grün (UFSCar).EdiçãoAssistente Editorial: Mírian da Silveira PavanelliPreparação/revisão de textos/copidesque: Ana Lúcia NovaisVersão/tradução de resumos: Jorge Thierry Calasans e Juris Megnis Jr.Editoração eletrônica: Hilel Hugo MazzoniProdução gráfica: Edusc____________________________________________________________________________________Apropriate articles are abstracted/indexed in:Hispanic American Periodicals Index; DataÍndice____________________________________________________________________________________ BIB: revista brasileira de informação bibliográfica em ciências sociais / Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. -- n. 41 (1996)- .-- São Paulo : ANPOCS, 1996- Semestral Resumos em português, inglês e francês Título até o n. 40, 1995: BIB: Boletim informativo e bibliográfico de ciências sociais. ISSN 1516-8085 1. Ciências Humanas 2. Ciências Sociais 3. Sociologia 4. Ciência Política 5. Antropologia I. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais CDD 300Associação Nacional de Pós-Graduação ePesquisa em Ciências Sociais – ANPOCSAv. Prof. Luciano Gualberto, 315 – 1o andarUniversidade de São Paulo – USP05508-900 – São Paulo – SPTelefax.: (11) 3091-4664 / 3091-5043e-mail: anpocs@anpocs.org.br Editora da Universidade do Sagrado Coração Rua Irmã Arminda, 10-50 17011-160 – Jardim Brasil – Bauru-SP Programa de apoio a Publicações Científicas Tel.: (14) 2107 7111 – Fax: (14) 2107 7219 e-mail: edusc@edusc.com.br MCT
  3. 3. ISSN 1516-8085 bib Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências SociaisSumárioNeo-esoterismo no Brasil: Dinâmica de um Campo de Estudos 5Elisete SchwadePerspectivas Teóricas sobre o Processo de Formulação 25de Políticas PúblicasAna Cláudia N. Capella“A cigarra e a formiga”: Qualificação e Competência – 53Um Balanço CríticoAna M. F. TeixeiraModelos Espaciais na Teoria de Coalizões Internacionais: 71Perspectivas e CríticasAmâncio Jorge Oliveira, Janina Onuki e Manoel Galdino Pereira NetoA Sociologia de Norbert Elias 91Tatiana Savoia LandiniProgramas de Pós-Graduação e Centros de Pesquisa 109Filiados à AnpocsFontes de Pesquisa 113Trabalhos Publicados: 1975-2006 119BIB, São Paulo, nº 61, 1º semestre de 2006, pp. 3-138
  4. 4. Colaboraram nesta ediçãoElisete Schwade, doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP), éprofessora do Departamento de Antropologia e Programa de Pós-Graduação em AntropologiaSocial da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Suas linhas de pesquisasão: práticas culturais urbanas, religiosidade e gênero. E-mail: schwade@digizap.com.br.Ana Cláudia N. Capella, doutora em ciências sociais pela Universidade Federal de São Carlos(UFSCar), é professora do Departamento de Administração Pública da Universidade EstadualPaulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp/Araraquara) , onde desenvolve pesquisas na área deciência política e administração pública. E-mail: acapella@terra.com.br.Ana M. F. Teixeira, doutora em ciências da educação pela Universidade Paris 8, é professoraadjunta do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Feira de Santana. Linhasde pesquisa: trabalho e educação; juventude e sociedade. E-mail: a.f.Teixeira@terra.com.br.Amâncio Jorge de Oliveira, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), éprofessor do Departamento de Ciência Política e pesquisador do Centro de Estudos dasNegociações Internacionais (Caeni-DCP/USP), na mesma instituição. E-mail: amancioj@usp.br.Janina Onuki, doutora em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), é profes-sora de Relação Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) epesquisadora do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni-DCP/USP).E-mail: janonuki@caeni.com.br.Manoel Galdino Pereira Neto é mestrando do Departamento de Ciência Política daUniversidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Centro de Estudos das NegociaçõesInternacionais (Caeni-DCP/USP). E-mail: manoel.galdino@caeni.com.br.Tatiana Savoia Landini, doutora em sociologia pela Universidade de São Paulo. Defendeutese intitulada Horror, honra e direitos: a violência sexual contra crianças e adolescentes no séculoXX, cujo objetivo principal era analisar a violência sexual sob a ótica da sociologia de NorbertElias. E-mail: tatalan@uol.com.br.
  5. 5. Neo-esoterismo no Brasil: Dinâmica de um Campo de Estudos* Elisete Schwade Tendo como marcas emblemáticas duen- tuando-se nos anos de 1990. É certo que algu-des, bruxas, incensos, a chamada Nova Era mas de suas características remetem a décadasconstitui-se em um fenômeno; uma onda de anteriores, em especial a um conjunto de con-práticas que vem caracterizando mudanças de teúdos veiculados no contexto da “contra-cul-comportamento, especialmente em segmen- tura”, o que é assinalado por vários autores.2tos médios urbanos, o que chama a atenção No entanto, as diferentes leituras enfatizam ade cientistas sociais desde as últimas décadas dinâmica do fenômeno e sua complexidade,do século XX. visto que ele está relacionado ao universo da Pretendo, neste artigo, situar perspecti- religiosidade, do consumo, do lazer, das novasvas diversas de análise a respeito desse fenô- apropriações/construções acerca do corpo,meno (que se convencionou chamar esoteris- entre outros.mo, nova era, fenômeno neo-esotérico, entreoutras denominações), no Brasil, em particu-lar. O balanço dos estudos realizados permi- No Campo Religioso ete produzir um mapeamento das discussões em Outros Camposlevadas a efeito sobre o tema, considerandoos aspectos que emergem como demarcado- As mudanças de comportamento, forte-res de sua especificidade e que caracterizam mente associadas às novas buscas de cami-suas práticas, experiências e discursos. São nhos espirituais, foram identificadas em umtraçados de uma literatura que se encontra primeiro momento no que diz respeito à re-ainda em construção, desde que debruçada lação com o sagrado.sobre um fenômeno que tem na dinamicida- Os autores familiarizados com estudosde e multiplicidade de direções uma de suas das religiões no Brasil tendem a delinear cer-principais marcas. tos aspectos acerca do universo neo-esotérico Situar o fenômeno neo-esotérico1 implica no cenário brasileiro em confronto comconsiderar as múltiplas possibilidades em outras vertentes religiosas mais consolidadas,que as ações e as representações correlatas como o catolicismo, os cultos afro-brasilei-emergem como manifestações presentes em ros, o protestantismo e o espiritismo karde-comportamentos que, no Brasil, se tornaram cista.3 Suas análises permitem perceber que ovisíveis no decorrer da década de 1980, acen- neo-esoterismo envolve a introdução de for-* O presente texto retoma e amplia a revisão bibliográfica efetuada para a minha tese de doutorado(Schwade, 2001).BIB, São Paulo, nº 61, 1º semestre de 2006, pp. 5-24 5
  6. 6. mas inovadoras de exercício religioso, bem vamente.5 No caso dos papers, cabe destacarcomo a incorporação de representações pree- um interesse significativo na então virada doxistentes que influenciam o modo como milênio que, embora agora compreenda ou-essas novidades se apresentam. Tendo, por- tra dinâmica, ainda se mantém.6tanto, como objeto de análise o campo reli- Entre os trabalhos publicados destacam-gioso, trata-se de trabalhos fundamentais se estudos como o de Vilhena (1990), sobre apara se perceber tons e cores que o fenôme- adesão à astrologia em camadas médias dono neo-esotérico assume no Brasil, na intera- Rio de Janeiro; Russo (1993), sobre terapiasção e comunicação com vertentes religiosas corporais e a trajetória dos chamados “tera-preexistentes.4 peutas corporais”; os trabalhos de Amaral Vários são os autores que se destacam (1994, 1998 e 1999), sobre o “trânsito reli-por essa abordagem, entre eles Carlos Rodri- gioso” no contexto do movimento “Novagues Brandão (1994), Luiz Eduardo Soares Era”; o trabalho de Martins (1999), sobre as(1994), José Jorge de Carvalho (1991, 1994 e representações do corpo no contexto das tera-2000) e Pierre Sanchis, (1995 e 1998). In- pias alternativas em Recife; Tavares (1999 ecitados a refletir sobre as características con- 1999a), acerca da difusão do tarô e do “holis-temporâneas do campo religioso no Brasil, mo terapêutico”, no Rio de Janeiro; Magnanitodos eles destacam uma certa “efervescên- (1995, 1996, 1999 e 1999a, 2000), que dis-cia”, na qual o neo-esoterismo teria partici- cutem as práticas neo-esotéricas como pro-pação ativa. Outro aspecto mencionado é dutoras de estilos de vida particulares nao caráter difuso desse tipo de religiosidade, o metrópole; D’Andrea (1996), que estuda aque se coaduna com a caracterização de sua projeciologia no Rio de Janeiro; Fortis (1997),clientela como pouco afeita a fidelidades ins- que focaliza a experiência iniciática natitucionais. Eubiose; Siqueira e Bandeira, (1997, 1998, Apesar de esses estudos terem se tornado 1998a), que versam sobre “Grupos Místico-análises referenciais, é um segundo conjunto Esotéricos” em Brasília; Maluf (1996), quede leituras sobre o fenômeno que permite trata da emergência de uma cultura terapêu-perceber sua abrangência e ampliação na tica “neo-espiritual ou neo-religiosa”; Stollatualidade e que me interessa mais especifi- (1999), que trata das relações entre expressõescamente. Refiro-me a trabalhos que se de- contemporâneas do Espiritismo no Brasil e abruçam sobre recortes empíricos e temáticos presença de interlocuções com correntes emais delimitados com relação a esse univer- conteúdos da “Nova Era” ou “neo-esotéricos”;so, representativos do interesse que tem sus- Reis (2000), que enfoca “novas formas de reli-citado o fenômeno do neo-esoterismo ou giosidade” e educação em Brasília.movimento “Nova Era”, como alguns o de- Em relação aos papers, diferentes pers-nominam. Tais trabalhos configuram uma pectivas de enfoque enriquecem a discussão.outra vertente de análise, presente em livros, Eis alguns exemplos: o estudo das pré-escolasartigos publicados em periódicos, teses e dis- vinculadas a grupos que se relacionam com osertações de mestrado e também papers apre- neo-esoterismo em Brasília (Reis, 1998); asentados em congressos, dos quais se desta- investigação da presença de práticas como ocaram, no final do século XX, os eventos tarô em um terreiro de umbanda, em São“Jornadas sobre Alternativas Religiosas na Paulo (Souza e Souza, 1998); análise dos con-América Latina”, realizados em 1998 e 1999, teúdos veiculados pela revista Planeta acercaem São Paulo e no Rio de Janeiro, respecti- do corpo (Albuquerque, 1998 e 1999); análi-6
  7. 7. se do conceito de natureza tal como apro- giosidade e suas manifestações plurais, entre-priado por grupos ecológicos e místico-eso- laçadas com práticas e conteúdos dissemina-téricos da região de Alto Paraíso em Goiás dos pelo neo-esoterismo, estão contempladas(Lima, 1998), entre outros.7 Deve-se consi- de diferentes formas nos estudos citados.derar ainda trabalhos dedicados à análise de Amaral (1994, 1998, 1999), direcionando seureligiões orientais, tema presente em diferen- enfoque sobre o trânsito religioso, seus con-tes congressos e eventos. Práticas específicas, teúdos e práticas, argumentam um “sincretis-como as que caracterizam as praticantes de mo em movimento” sustentando que,wicca, chamadas bruxas modernas, tambémtêm merecido a atenção de pesquisadores […] mais do que um substantivo que possa(Osório, 2004). definir identidades religiosas bem demarca- Em síntese, enquanto as primeiras inter- das, Nova Era é um adjetivo para práticaspretações mencionadas detiveram-se sobre a espirituais e religiosas diferenciadas e em com-dinâmica do campo religioso, aí identificando binações variadas, independente das defini-a emergência de uma “religiosidade difusa”, a ções e inserções religiosas de seus praticantesvalorização da espiritualidade associada a prá- (1999, p. 48).ticas de “cultivo da interioridade” e a constru-ção de uma “nova visão ecológica”, o segundo Já o estudo efetuado por Stoll (1999), emconjunto de trabalhos concentra-se na investi- reflexão sobre duas lideranças religiosas espíri-gação de idéias e práticas de determinados seg- tas que, por meio de sua história pessoal e car-mentos do universo neo-esotérico. Dada a di- reira religiosa, personificam modos diversosversidade de questões propostas e perspectivas de “ser espírita” no Brasil (os médiuns Chicoadotadas, poder-se-ia perguntar o que possibi- Xavier e Luiz Gaspareto), refere-se à aproxi-lita agrupá-los e considerá-los como cons- mação do médium espírita Luiz Gasparettotitutivos de um campo de estudos, ainda que com algumas das expressões do universoem construção. O conjunto desses trabalhos neo-esotérico, o que significou a produção denão permite, porém, a constituição de um uma nova “síntese”, “um arranjo particularquadro empírico ou interpretativo único. No de idéias e práticas que tem origens em fontesentanto, observa-se que, apesar de comporta- diversas – religiosas e não-religiosas – reinter-rem nuanças e recortes singulares, existem cer- pretadas, porém, a partir da tradição religiosatas regularidades nesses estudos, seja no modo de origem” (p. 236).de recortar o campo empírico quanto à de Ainda em relação ao sincretismo, traba-construção dos objetos, seja no plano da inter- lhos apresentados na forma de papers men-pretação, se considerarmos a preocupação cionam, por exemplo, a incorporação de ele-com o delineamento das representações cole- mentos e práticas esotéricas (realizações detivas presentes no universo que compõem es- palestras, cursos e meditações envolvendo es-sas práticas. tudos de técnicas terapêuticas como Reiki, Os estudos contemplam algumas ques- cromoterapia etc.) em terreiros de Umbandatões em torno das quais se desenvolvem di- em São Paulo (Souza e Souza, 1998), trazendoferentes argumentos. elementos importantes para pensar desdobra- Uma primeira questão localiza-se em mentos singulares do entrelaçamento de práti-recortes circunscritos do exercício da religiosi- cas e conteúdos do neo-esoterismo com uni-dade, assinalando de modo especial novas for- versos religiosos já estabelecidos no Brasil. Ummas de expressões do sincretismo religioso. A reli- outro estudo é o de Castro Martins (1999) 7
  8. 8. sobre a dinâmica do doutrina do “Vale do Ama- e das concepções de saúde/doença. Destaca-nhecer”, assinalando uma espécie de sincretis- se, sob esta ótica, o trabalho de Tornquistmo entre elementos do cristianismo, do espiri- (2002), sobre a humanização do parto, e detualismo e da umbanda, organizados em uma Rachel Menezes (2004, 2005), sobre a huma-referência efetuada na construção do espaço nização da morte. Essas pesquisas indicam,sagrado sede da comunidade, a elementos egíp- ainda, usos recentes do ideário associado aocios, africanos, incas, maias etc. O sincretismo neo-esoterismo, num cruzamento cada vezé ainda alvo de reflexão sobre a construção de mais complexo de múltiplas referências, aotrajetórias espirituais no contexto da sociedade qual retornarei adiante.carioca (Carneiro, 1998), com o propósito de Uma terceira questão é a referência a es-pensar a busca da religiosidade, como projeto sas práticas como produtoras de estilos de vida.na modernidade, e também expressão da É sobre indicadores da configuração de es-“reflexividade” e da “destradicionalização” em tilos de vida que se evidenciam especificida-contexto urbano. des de práticas e conteúdos, o que pode ser Um segundo eixo de questões contempla percebido nos estudos de artes divinatórias,a construção de discursos alternativos sobre o como a astrologia (Vilhena, 1991), o tarôcorpo e a saúde. Do corpo como veículo de (Tavares, 1999), e na abordagem das “tera-liberação e prazer (Martins, 1999) à ênfase no pias alternativas” (Maluf, 1996). Nas organi-corpo nas técnicas psicoterapêuticas (Russo, zações das práticas neo-esotéricas e sua1993) e novas concepções nas relações doen- implementação espacial, Magnani (1999)ça/cura no contexto da “neo-espiritualidade” defende o delineamento de comportamentose “neo-religiosidade” (Maluf, 1996). A ênfase no interior da metrópole. A referência aono corpo vai ser mencionada ainda em traba- estilo de vida verifica-se também no campolhos voltados para a discussão da espirituali- da “experimentação religiosa”, envolvendo adade terapêutica (Tavares, 1999a) e na idéia emergência de grupos “mísitico-esotéricos”,de uma “cultura corporal alternativa”, que em Brasília/DF (Siqueira e Bandeira, 1998).ganha sentido diante da noção de “corpo civi- É ainda o estilo de vida dos pais que, de acor-lizado”, conforme argumenta Albuquerque do com Reis (1998), demarca a opção por(1998 e 1999). São diferentes abordagens que “escolas alternativas” para os filhos, questãoremetem, de um lado, à emergência de con- identificada em estudo envolvendo escolascepções sobre o corpo e sua utilização como vinculadas a grupos místico-esotéricos, emmecanismo de autopercepção, autoconheci- Brasília/DF. A referência ao estilo de vidamento individual; de outro, a processos his- está presente também no privilégio do seg-tóricos por meio dos quais são elaboradas mento de adeptos ao neo-esoterismo pordiferentes ênfases no corpo, cuja reflexão opções selecionadas de lazer (viagens, partici-aponta alternativas para o estabelecimento da pação em eventos, literatura, filmes, entrecondição de um corpo saudável, prazeiroso. outros), citados com freqüência em diversos A referência ao corpo e à saúde vem sen- estudos como demarcadores de comporta-do mencionada em outra perspectiva, mais re- mentos delineados por meio do contato e dacente, que aponta para desdobramentos signi- interação com o neo-esoterismo, dando visi-ficativos do fenômeno neo-esotérico: a ênfase bilidade a um fenômeno cujas expressõesno que se convencionou chamar de humani- têm especial ressonância em segmentoszação, em se tratando dos cuidados do corpo médios urbanos.8
  9. 9. No Meio Urbano: Contextualizando algumas interpretações acadêmicas, comoPontos de Partida concepções de bem-estar emergentes, como alternativa à conturbada vida moderna. Nas grandes cidades brasileiras, observa- Ao lado desses signos, que têm uma rela-se a presença de signos relacionados ao neo- ção mais direta com o consumo, menciona-seesoterismo por meio da implementação pro- também a insatisfação generalizada em rela-gressiva de uma rede de produtos e serviços ção aos sistemas de sentido estabelecidos,8fundamentada na perspectiva de uma reorien- atingindo mais significativamente os segmen-tação de diversos aspectos da vida cotidiana, tos médios urbanos. Na dimensão religiosa,com a finalidade de orientar e promover o no que concerne à religião como instituição“bem-estar”. A valorização de alimentações doutrinária reguladora e normativa;9 na orga-específicas, denominadas naturalista, vegeta- nização familiar, questionando os padrões deriana, macrobiótica, cujo consumo se relacio- organização familiar vigentes;10 nas relaçõesna com a concepção de que proporciona “vida afetivas, revelando uma preocupação com amais saudável”, apresenta-se nos inúmeros intimidade e propondo a aproximação, a coo-restaurantes especializados e também em lojas peração e o companheirismo como substitu-que comercializam produtos associados a no- tos da competição e do distanciamento;11 nosvos hábitos alimentares. A utilização de te- sistemas de intervenção terapêutica, dirigidarapias consideradas “alternativas” – terapias aos tratamentos convencionais, questionandocorporais, diversos tipos de massagens, ho- seu caráter fragmentado e racionalizante, emmeopatia, acupuntura etc. – associa-se à ins- defesa das “terapias alternativas”.talação de clínicas que concentram profissio- Assim, identifica-se no meio urbano anais especializados nessas áreas e também a presença de inúmeros produtos, serviços eabertura de farmácias homeopáticas. As artes cursos, cujos conteúdos e práticas remetem aodivinatórias despertam interesse progressivo, universo neo-esotérico. Incorporados ao estilotanto na forma de uso como na importância de vida de certos segmentos sociais, esses pro-atribuída ao aprendizado (curso de tarô, astro- dutos, serviços e representações expressam-selogia etc.). Lojas de produtos esotéricos dis- por meio da busca de novos padrões no con-ponibilizam velas, incensos, que vão ser utili- vívio familiar, nas relações afetivas, no cuida-zadas nas residências com fins diversos do com a alimentação, com o nascimento e(decorativos, com o intuito de purificar am- com a morte, na expectativa de cobrir todas asbientes, na realização de meditações, nos ri- dimensões da existência, tendo como eixotuais etc.). Aulas de yoga, entendidas como uma perspectiva transformadora voltada paraum exercício alternativo que permite simulta- o “cuidado de si”. Nesse universo, transitamneamente cuidar do corpo e do espírito, in- não só adeptos, como também aqueles quecorporadas nas práticas das academias de gi- esporadicamente se utilizam das artes divina-nástica asseguram seu espaço ao lado das tórias, das terapias alternativas e/ou adquiremúltimas novidades em aparelhos e tecnologias produtos, como incenso, amuletos, imagenspara manter a forma física. de duendes, de anjos, cds etc. A forma como tais signos se apresen- Esse modo urbano de prática do neo-tam, vinculados a diferentes estabelecimen- esoterismo contrasta com a organização detos e diluídos em um amplo mercado de “comunidades rurais alternativas”, as quaisconsumo, faz com que em muitas ocasiões também veiculam práticas e idéias do uni-sejam referenciados, na mídia e também em verso neo-esotérico.12 Nessas comunidades, 9
  10. 10. o questionamento da sociedade capitalista na mídia. Trata-se de uma apropriação parti-manifesta-se de forma mais radicalizada. cular, que leva em conta o aprendizado do sis-Grupos com inspirações diversas organizam tema astrológico e seu simbolismo,14 de formaseu cotidiano numa convivência comuni- que a crença e a linguagem astrológicas pas-tária, em contato com a “natureza”, tendo sam a fazer parte da interpretação do cotidia-como preocupação o “desenvolvimento in- no de seus adeptos. Segundo o autor, a as-tegral” do ser humano, o que envolve os pla- trologia configura para seus adeptos “umnos físico, mental e espiritual. mundo”como sistema de interpretação, asso- Apesar da diversidade e dos múltiplos ciado a outros sistemas simbólicos, como adirecionamentos, as práticas do neo-esote- psicanálise, a religião e diversas expressões dorismo apresentam alguns denominadores esoterismo. Desse diálogo, emerge, porém,comuns. Primeiramente, o fato de algumas sua singularidade, o que lhe atribui um lugardelas – como astrologia, tarô e terapias cor- específico no conjunto mais amplo de práticasporais – não constituírem práticas isoladas, e representações que vêm alimentando visõesuma vez que estabelecem diálogo com dife- de mundo e estilos de vida de certos segmen-rentes fontes culturais. Outro aspecto é que tos das camadas médias urbanas.tais práticas terapêuticas, associadas a tradi- O uso do tarô, por sua vez, foi analisadoções culturais diversas (chinesa, japonesa, por Tavares (1999). Neste caso, a especifici-budista, hinduísta etc.), são freqüentemente dade de sua apropriação pelas camadastonalizadas pela vivência religiosa. Impor- médias urbanas constrói-se em tensão comtante também é a relação das práticas neo- outros usos da cartomancia, cuja práticaesotéricas com a dinâmica urbana, o que se popular se volta a finalidades de ordem prá-evidencia na estrutura arquitetônica dos tica, ao passo que os “tarólogos” pretendem“espaços” e no modo de constituição de suas fazer uso das cartas como instrumento queredes e circuitos. induz ao “autoconhecimento”. O jogo, a rela- Tomadas em conjunto, essas práticas não ção com o consulente e a interpretação dascaracterizam um “movimento” (“Nova Era”, cartas têm, portanto, sentido e motivação“New Age”, “Esotérico”), mas um fenômeno – diversos daqueles que presidem a atividade daneo-esotérico – que se define pelo modo de sua cartomante nos meios populares.constituição, dinâmica particular e vínculos As restrições dos tarólogos às leituras efe-que estabelece com outras expressões culturais tuadas pelas cartomantes, segundo Tavares,de segmentos médios urbanos. De suas carac- dizem respeito à sua qualificação, isto é, con-terísticas, tais como aparecem em diversos estu- sideram a leitura desorganizada, composta dedos efetuados, trato nos tópicos seguintes. frases feitas, voltada para “adivinhar” o passa- do e prever o futuro do consulente (Idem, pp. 115-116). Em contrapartida, propõem oA ênfase diferenciadora das práticas uso do jogo de tarô como fator de aprendiza- do, iniciação e instrumento de autoconheci- No estudo do chamado “mundo da astro- mento, estabelecendo-se um outro padrão delogia”, Vilhena (1990) reflete sobre as apro- relacionamento entre consultor e consulente.priações do sistema astrológico por um seg- Atribui-se, portanto, à forma, ao uso e aomento das camadas médias urbanas do Rio de modo de manipulação de certos tipos de co-Janeiro.13 Salienta, assim, que não está falando nhecimento um papel preponderante para sedos usos da astrologia amplamente difundidos diferenciar práticas divinatórias populares da10
  11. 11. prática do tarô e/ou do uso da astrologia. sidade de transformação do indivíduo em vá-Distinguindo-se da prática divinitória difun- rias dimensões de sua vida. Quando se faladida nos jornais15 e pelas cartomantes tradi- em terapias alternativas, tem-se em mentecionais, entendidas como vinculadas à deter- uma representação que redimensiona a no-minação e à previsão, praticantes do jogo do ção de cura. No plano individual, a expecta-tarô e adeptos da astrologia enfatizam esses tiva de transformação implica intervençãosistemas simbólicos como busca de significa- numa situação de crise, de mal-estar,16 comdos para eventos de sua vida cotidiana, porém vistas à recuperação do equilíbrio – físico-considerando a sua participação efetiva nesta orgânico, psíquico/mental e espiritual. Alématribuição de sentido. Esse mesmo tipo de dis- disso, toda crise é pensada como “oportuni-tinção pode ser observado no contraponto dade”, como possibilidade de se desenvolverentre o “terapeuta alternativo” e a “benzedei- potencialidades, o que sugere ao sujeitora/curandeira” popular (Tavares, 1999a). “tomar posse de si” por meio do endosso do O que se destaca é uma nova atribuição de prefixo “auto”: autocura, autoconhecimento,sentido a práticas “tradicionais” por meio do auto-ajuda.diálogo com outras formas de conhecimento, Esse conceito contempla também o senti-crenças e sistemas simbólicos, resultando nu- do de transformação do ambiente: uma pers-ma elaboração que as diferencia de uma cono- pectiva holística, em que a constatação detação pragmática, característica da utilização mal-estar, de crises e insatisfações se associa aomais convencional da cartomancia e extensiva questionamento de padrões e valores vigentesa outros sistemas divinatórios. Trata-se de sis- nas relações entre os seres humanos e com atemas simbólicos que não se fecham em si natureza. Perspectiva que pode assumir ummesmos, mas, ao contrário, buscam referência viés religioso quando associada à espiritualida-em outras fontes culturais com as quais os de e à terapia. Embora não seja uma associa-adeptos dessas práticas dialogam e interagem – ção inovadora,17 no universo neo-esotéricosistemas religiosos, áreas do conhecimento assume tonalidades específicas: aponta para acientífico, o conhecimento tradicional das ar- necessidade de se resgatar o lugar do ser hu-tes divinatórias –, referências que são ressigni- mano na criação divina, como possibilidadeficadas, atribuindo sentido a essas práticas. de compensar a destruição ambiental (uma Um dos principais resultados, almejado visão ecológica) e a violência (valorizando aspor meio dessa atribuição de sentido, é a pos- relações humanas). Trata-se de uma tentativasibilidade de utilização dos diferentes sistemas de salvar o mundo, perspectiva que atribui àsimbólicos e seus entrecruzamentos para o transformação uma conotação espiritual.“conhecimento de si”. Objetivo que também É essa dimensão ampliada que remete àé mencionado em outras práticas do campo transformação em escalas planetária, social eneo-esotérico, como as que dão ênfase a uma de valores que estão presentes na interven-conotação terapêutica. ção terapêutica do meio neo-esotérico. Os estudos sobre o tema revelam certa dificuldade em delimitar as fronteiras doConotação terapêutica campo das chamadas “terapias alternativas”. A começar pela abrangência das práticas No universo neo-esotérico, a noção de envolvidas, como tarô, astrologia, reiki, acu-terapia vem sendo apontada como portadora puntura, florais etc., cujos especialistas sede um sentido próprio, pois remete à neces- autodenominam “terapeutas”. As classifica- 11
  12. 12. ções propostas pelos autores variam nesse […] afirmação de um outro tipo de consa-sentido. Tavares (1999), por exemplo, iden- gração, paralela, marginal, que não dependetifica um segmento específico – a categoria tanto de estudo, diplomas, teoria, mas sim“terapeuta não-médico” –, que divulga uma de “vivências”, “exercícios”, em suma, de tra-“espiritualidade terapêutica”, cuja prática se balho corporal (Idem, p. 193).diferencia tanto de outras práticas da cha-mada “nebulosa místico-esotérica” como das Essas práticas, assim como o perfil des-práticas médicas oficiais e/ou de cura com ses especialistas, constroem-se, portanto,fundamento religioso (Idem, pp.110-112). segundo a mesma lógica observada no caso O estudo de Jane Russo (1993), por sua das práticas divinatórias, isto é, por meio devez, chama essas mesmas práticas de “terapias interfaces, diálogos e conflitos com outroscorporais”. Segundo a autora, elas consti- sistemas simbólicos de cura e de crença.tuem o entrecruzamento entre dois campos Na análise das articulações criadas pelasdistintos – “complexo alternativo”18 e campo práticas neo-esotéricas de cunho terapêuticoda “psi”. Ou seja, Russo enfatiza a singulari- com um amplo espectro de “fontes” ou “tra-dade das terapias corporais em relação à dições”, reside a principal contribuição dosintervenção psicológica convencional pelo estudos voltados às “terapias alternativas”.fato de utilizarem o “corpo como instrumen- A contribuição de Sonia Maluf (1996,to básico de mudança e de autoconstrução’’, 1999) a esse debate está no fato de ela quali-em oposição à palavra. Sublinha a autora, ficar as chamadas “terapias alternativas” comoporém, que as próprias terapias corporais do constitutivas de “uma cultura terapêutica“complexo alternativo” são produtoras de neo-religiosa ou neo-espiritual”, que conside-certo modo de vida que define os chamados ra resultante do cruzamento entre novas e“terapeutas corporais, de tal forma que “prá- velhas formas de religiosidade, práticas tera- pêuticas e experiências ecléticas vivenciadasticas e personagens se confundem [e] […] o por camadas médias urbanas. Na tentativa deideário que sustenta a sua prática dá sentido apreender os significados específicos dessa re-à sua trajetória” (Idem, p. 191). lação, Maluf (1999) enfatiza a necessidade de Debruçando-se especificamente sobre a deslocar-se a perspectiva unilateral, que temforma como se cruzam os percursos dos tera- caracterizado o olhar para as instituições reli-peutas com a construção das terapias corpo- giosas e suas doutrinas, por um lado, e as téc-rais, Russo salienta que a oposição entre as nicas de cura, por outro, tendo em vista quetécnicas propostas em relação às intervenções é a experiência da articulação entre esses dife-fundamentadas na psicologia convencional – rentes campos que caracteriza o neo-esoteris-o corpo contra a palavra – adquire significa- mo. Nesse sentido, afirma: “é o sujeito porta-dos que extrapolam o campo terapêutico. dor de uma experiência ímpar que podeEntre as questões desenvolvidas pela autora, reunir experiências e doutrinas religiosas einteressa-me ressaltar a idéia de que terapias espirituais tão díspares e lhes dar um sentido”corporais, como técnicas, se produzem “nas (Idem, p. 71). Isso implica pensar como essasmargens” das instâncias legitimadas pela diferentes referências são assimiladas e articu-palavra, instrumento da racionalidade e da ladas nos “itinerários terapêuticos”.lógica escolar por excelência. As terapias cor- Na construção desse argumento, a auto-porais singularizam-se, portanto, pela nega- ra destaca a importância de alguns elementosção da “consagração pela palavra” e pela do universo simbólico das camadas médias,12
  13. 13. entre os quais a cultura psi,19 a difusão da possibilidade que tais práticas abrem no sen-homeopatia e outros campos em que tais seg- tido de uma mudança do imaginário domentos sociais atuam como organizações co- corpo na sociedade ocidental. Uma vez que seletivas voltadas à ecologia e/ou alinhadas à veiculam, por meio das práticas terapêuticascontra-cultura. Sublinha ainda a existência de alternativas, novas concepções acerca docertas continuidades, como a espiritualidade e corpo, estas vêm se confrontar, de um lado,a ênfase terapêutica de certos sistemas religio- com a noção de “corpo perfeito” e, de outro,sos. Mas, ressalta a autora, inexiste uma ver- com a imagem do “corpo culposo”.tente exclusiva de sustentação desse sistema – Para além das terapias que incidem sobrea “cultura terapêutica neo-espiritual ou neo- o corpo, mudando a imagem que dele pos-religiosa” tem como princípio o cruzamento suímos, interpretações recentes de conteúdosentre diferentes fontes, sistemas religiosos, veiculados pelo neo-esoterismo têm ressonân-terapias convencionais oficiais e não-oficiais. cia em novas alternativas propostas para o É na ressalva do aspecto da presença de nascer e o morrer, limites da consciência dodiferentes fontes como possibilidades e dos humano, cunhados como humanização,cruzamentos possíveis entre elas na efetivação como apontam os estudos de Carmemde experiências que reside uma das contribui- Suzana Tornquist (2002) e Rachel Aisengartções mais significativas dos diversos estudos Menezes (2204), que tratam, respectivamen-que fazem alusão às terapias alternativas. te, da humanização do parto e da humaniza-Nesse contexto, o uso de artes divinatórias ção da morte. Ambos os trabalhos sublinham(como a astrologia e o tarô) ou a participação a presença da noção do alternativo e o retornoem sessões do Santo Daime são encarados à natureza como norteadores de práticas quecomo recursos que podem ser acionados em se institucionalizam em hospitais, envolven-processos e itinerários de busca espiritual e do, portanto, não somente a geração conside-“conhecimento de si”, entendidos como por- rada alternativa, mas especialmente equipestadores de uma conotação terapêutica em de profissionais (médicos, psicoterapêutas, en-função do caráter que lhes é atribuído na fermeiros entre outros) que integralizam suasexperiência dos sujeitos. Esses trabalhos, por- atividades propondo tais alternativas.tanto, sugerem que o cruzamento de diferen- Tais imagens se difundem e são reinter-tes referências implica uma atribuição de sen- pretadas no processo de circulação, o quetido a essas práticas que não está dada a reflete uma outra característica do fenômenopriori, mas que se organiza pela circulação de neo-esotérico, qual seja, a tendência à imple-pessoas, informações e da assimilação de dife- mentação progressiva de redes e circuitos atra-rentes saberes na interpretação das experiên- vés dos quais circulam especialistas/terapeutas,cias cotidianas. adeptos com diferentes graus de envolvimen- O deslocamento do eixo de referência to e informações sobre as práticas das diversasdas instituições e dos sistemas simbólicos para especialidades.o campo da experiência dos sujeitos abre tam-bém outras possibilidades interpretativas. Porexemplo, a discussão sobre a formulação, no Redes, circuitos, espaçosseio das camadas médias urbanas, de novasrepresentações sobre corpo e saúde. O traba- Para além da doutrina e do templo, asso-lho de Martins (1999) é sugestivo nesse sen- ciados à disseminação do neo-esoterismo,tido. O argumento do autor gira em torno da assinala-se a emergência progressiva de “espa- 13
  14. 14. ços” cujas ações têm uma conotação que os dos pelos seus fins específicos. Mas, há sin-singulariza em relação a outros núcleos em gularidades que podem ser percebidas naque se desenvolvem práticas semelhantes. forma de implementação e organização dasAlém das práticas mencionadas – de cura e atividades, bem como no modo de circula-divinatórias –, esses “espaços” patrocinam ção de pessoas.atividades educativas (cursos, palestras, edi- A pesquisa de Magnani (1999) em Sãoção de livros), rituais (da lua cheia, de ano Paulo caracteriza esses espaços como “pontosnovo etc.) e de lazer (projeção de filmes, via- de referência estáveis no circuito neo-esotéri-gens etc.), como assinala Magnani (1999) co”, uma vez que “constituem lugares deem estudo realizado em São Paulo. Esses encontro e sociabilidade para pessoas cujosespaços apresentam, portanto, regularidades gostos, formação, preocupações espirituaisna forma de organização e nas atividades que e estilos de vida se assemelham” (p. 34). Odesenvolvem, o que é extensivo também a estudo concentra-se na relação das práticasoutras atividades, como a organização de neo-esotéricas com a dinâmica da sociabili-congressos e “feiras místicas”, que congregam dade na metrópole e demonstra que existemespaços holísticos, constituindo redes que ar- articulações entre essas práticas, levando emticulam diversas regiões do país, bem como consideração a distribuição espacial associadaredes de relações internacionais. à movimentação dos adeptos. Para caracteri- Assim, as práticas que conciliam, por zar o movimento entre espaços neo-esotéri-exemplo, espiritualidade e terapia não se cos da cidade Magnani utiliza-se da categorialimitam mais aos “consultórios”, lugar onde circuito, que consiste em identificar conjun-se estabelecem relações entre especialista e tos de estabelecimentos que têm em comumconsulente. Progressivamente, têm-se imple- determinada prática ou serviço no meio ur-mentado “espaços” que, a exemplo de algu- bano, mas que não são contíguos, e sim re-mas clínicas, promovem diversas atividades: conhecidos pelos usuários habituais (Idem,consultas de tarô e/ou astrologia, massagens, p. 68). Esta categoria permite, portanto, ob-cursos, palestras, encontros coletivos, “vivên- servar o conjunto de práticas, grupos e espa-cias” e workshops. Nessa ambientação, as prá- ços com suas diferentes orientações e propó-ticas se cruzam, estabelecem intercâmbios de sitos, dotados de sentido, “sem no entantoconteúdos que lhes dão sustentação. Fato dissolvê-los no interior de um mesmo caldei-que pode ser observado também em “feiras rão” (Idem, p. 41).místicas”, congressos etc.20 Se, por um lado, a distribuição geográ- Na trama da cidade, tais práticas vêm fica dos espaços confere visibilidade ao fenô-adquirindo visibilidade, desde que associa- meno, por outro, é a circulação de adeptos edas a uma rede de serviços e de consumo. agentes entre e através deles que concretizaAlém de clínicas, consultórios e suas técnicas as redes e os circuitos. Em outros termos, éalternativas, de restaurantes, cujo propósito a circulação que dá vida aos circuitos e redes,é oferecer alternativas alimentares, nos últi- fazendo com que as práticas adquirammos anos têm proliferado os espaços holísti- “carne e osso” (Carneiro, 1998). Nessa pers-co-alternativos, onde se atende à demanda pectiva torna-se proeminente a análise depor produtos e práticas e se discute os con- trajetos, trajetórias, itinerários e processosteúdos que as alimentam. Alguns desses que promovem a adesão a essas práticas, aespaços têm-se tornado pontos de referência formação de terapeutas e a delimitação deno circuito dos adeptos, uma vez reconheci- especialidades. A circulação permite perce-14
  15. 15. ber também que existem diferentes graus de teúdo de mitos, de saberes vistos como tradi-envolvimento e níveis de adesão.21 cionais, associados ou não a diversas doutri- nas e experiências religiosas. Essa forma de expressão, que não con-Caracterização do Fenômeno verge para a institucionalização nos moldes de uma doutrina, de uma religião, de um Os estudos apresentados sugerem a exis- partido político ou de uma disciplina, susci-tência de um campo intermediário entre o ta um esforço de construção de estratégiasexercício esporádico de uma prática neo-eso- de análise que desloquem referenciais esta-térica orientada pelos apelos do mercado de belecidos – por exemplo, os institucionais,consumo, de um lado, e o engajamento num como a religião –, privilegiando o processoideal de sociedade que se pretende realizar nas de construção, fluxos e movimentos.comunidades rurais alternativas, de outro. Nos estudos sobre o tema há duas con-Ainda que não possua contornos e fronteiras cepções principais: primeiro, de que o uni-claramente definidas, esse campo intermediá- verso neo-esotérico se torna visível para alémrio apresenta certas especificidades que se das referências religiosas institucionais, exi-delineiam no confronto com outras práticas e gindo a elaboração de estratégias de análiserepresentações, como exemplificam estudos que permitam a apreensão das ressonânciassobre a astrologia e o tarô. Também contri- na dinâmica cultural e na mudança social;buem para isso o modo de organização dos segundo, estes trabalhos questionam a idéiaespaços e de suas atividades; o fluxo dos ato- de que as ações e as representações que defi-res sociais e o modo como eles, com base nas nem o universo neo-esotérico simplesmentesuas experiências, atribuem sentido às práti- espelham a fragmentação do mundo moder-cas ditas “alternativas”; e o delineamento de no e a tendência à proliferação de bens decampos semânticos, como é o caso das “tera- consumo simbólicos, cuja escolha seria indi-pias corporais”, que definem o seu nicho no vidual e a finalidade, a satisfação de necessi-interior do campo mais amplo das alternati- dades imediatas.vas terapêuticas. Entre as diferentes estratégias evidencia- As ações e as representações concernen- das nos estudos citados destacam-se a ênfasetes ao universo neo-esotérico consolidam-se nas experiências dos sujeitos e a referênciaprogressivamente no meio urbano mediante aos “espaços”, ampliando, assim, as perspec-referências objetivas – espaços holístico/al- tivas de apreensão do processo de difusão deternativos instalados nas cidades e organiza- conhecimentos e práticas do universo neo-ção de feiras e/ou congressos, nos quais se esotérico. Evidencia-se também a emergên-promovem atividades especializadas, envol- cia de comportamentos coletivos, que sur-vendo práticas de cura, cursos, organização gem da troca/comunhão de experiências emde rituais, vivências, workshops etc. Essas ati- atividades desenvolvidas nesses “espaços”.vidades dinamizam campos semânticos atua- Argumenta-se freqüentemente que a de-lizados e/ou ressignificados e mobilizam a manda pelas intervenções terapêuticas alter-circulação de “especialistas”. Em todas essas nativas e outras práticas estariam associadas àdimensões, operacionalizam-se cruzamentos insatisfação de certos segmentos sociais (espe-de conhecimento de origens diversificadas, cialmente as camadas médias urbanas) empromovendo-se diálogos com algumas áreas relação a instituições consolidadas, como odo conhecimento científico, o recurso a con- sistema biomédico, a família e a religião. De- 15
  16. 16. manda que, no entanto, não se traduz em pro- As vivências, palestras, cursos e celebraçõespostas de transformação social, uma vez que as multiplicam-se ao longo do circuito, estabe-transformações almejadas se circunscrevem na lecendo relações de proximidade e de trocasbusca e promoção do bem-estar individual.22 próprias de comunidade. Não, porém, aque- Por seu caráter fragmentário, tais práticas las das comunidades biológicas, instituciona-não se organizam na forma de um “movi- lizadas, permanentes, mas de um tipo que semento” estruturado. Mas, alguns estudos dissolve ao término da atividade, podendoapontam para certas possibilidades organiza- ser reeditada no próximo evento, em algumtivas, como é o caso dos “espaços” neo-esoté- outro ponto do circuito- com os mesmos ouricos, cujas formas de sociabilidade permitem outros participantes, não importa, pois todosmomentos de partilha e o reconhecimento de conhecem o código ou ao menos o jargão básico (Idem, p. 134).que há uma coletividade constituída pelosadeptos, à medida que estes se reconhecemcomo tal pelo endosso de determinadas lin- Também Maluf (1996) sustenta que nasguagens e no modo de partilha de suas expe- expressões da cultura terapêutica neo-religio-riências de busca espiritual. sa no Brasil há uma concepção de indivíduo Referindo-se à formação de uma “sensibi- que não é mera continuidade do “individua-lidade neo-esotérica”, a noção de comunidade lismo” ocidental, pois muitos adeptos per-é utilizada por Magnani (1999) para questio- tencentes à classe média urbana ao se identi-nar a forma pela qual convencionalmente se ficarem com certos movimentos culturais etem retratado esse universo, qual seja, a idéia políticos – como a contra-cultura, o feminis-de indivíduos trilhando solitariamente seus mo, o movimento ecológico, entre outros –caminhos espirituais.23 Considerando os pro- passam a ter uma visão crítica da sociedade,cessos de comunicação entre essas práticas e ainda que não organizados em torno de uma consolidação dos “espaços”, em torno dos movimento.quais se definem circuitos e trajetos, Magnani O modo de difusão predominante doassinala a presença na metrópole de um “tipo” fenômeno neo-esotérico contempla ordena-de comunidade que se define por ser “efême- mentos processados em meio à circulação dera, de fim de semana” (p. 108). Trata-se, por- pessoas e de informações com a assimilaçãotanto, de uma comunidade singular, que pro- de diferentes saberes apreendidos no cotidia-picia uma sociabilidade alimentada por troca no. Assim, na atribuição de sentido às práticasde pontos de vista, leituras, experiências de e aos conteúdos veiculados, em estreita de-viagens… “no contexto do “pedaço” de cada pendência dos diferentes processos de difu-um – aquele contexto onde os laços de lealda- são, ganha destaque o movimento dos atoresde são mais fortes – mas principalmente nos que desenvolvem participação ativa nos signi-“circuitos”, ao longo dos quais se recortam ficados conferidos. A abertura constante paraos “trajetos” personalizados” (Idem, ibidem). novas práticas constitui-se parte de uma lógi-Assim, utilizando-se da categoria “circuito” ca de organização que pode ser observadapara caracterizar uma forma específica de arti- buscando, não possíveis sínteses, mas o pro-culação entre os adeptos, Magnani afirma que cesso e a dinâmica de elaboração do sentido.os espaços e as atividades neo-esotéricas cons- Localizando na especificidade de suatituem uma forma particular de prática cultu- manifestação os mecanismos da sua dinâmi-ral e comportamento, permitindo a formação ca, o universo neo-esotérico, seus conheci-de pequenos grupos e redes: mentos e ações correlatas, pode ser situado16
  17. 17. como um projeto em construção, cujas possi- ordenada no decorrer de sua evidência empí-bilidades de abrangência vêm se ampliando e rica. É o que se observa nas diferentes e sem-diluindo, sem perder de vista lógicas internas pre inovadoras dimensões sugeridas pelas lei-próprias de uma difusão não localizada, mas turas e interpretações do fenômeno. Notas1. No decorrer deste trabalho, refiro-me a este conjunto pelo termo neo-esotérico, seguindo as distinções apontadas por Magnani (1999), na expectativa de reconhecer singularidades e simultaneamente considerar uma ampla gama de propósitos tomados como caracterís- ticas do conjunto de práticas em questão.2. Sobre as relações com a “história” da constituição dessas práticas, ver, entre outros, Heelas (1996), Carozzi (1999). Magnani (2000).3. Para exemplos de diferentes direções desse debate, ver Carvalho (1991 e 1994); Brandão (1994), Sanchiz, (1995 e 1998), Soares (1994). Esses estudos apontam entrelaçamentos singulares, em que o exercício religioso, relacionado a “escolhas” e “sínteses individuais”, merece destaque.4. O que não significa que sejam adaptadas de maneira simplista. Nesse sentido, é impor- tante a observação de Carvalho de que “não se pode passar dos búzios para a astrologia sem que os transformemos em outros búzios, próprios deste meta-circuito e não mais característico da tradição afro-brasileira” (1994, p. 95).5. Alguns desses artigos estão publicados na coletânea organizada por Carozzi (1999), que contém também dois artigos sobre práticas esotéricas na Argentina.6. As diferentes versões que assumem as práticas relacionadas ao neo-esoterismo continuam em evidência na programação de seminários, congressos e encontros acadêmicos. Como exemplo, a “XIII Jornadas sobre Alternativas Religiosas na América Latina”, realizada em Porto Alegre, em setembro de 2005. Ver o site: www.pucrs.br/eventos/xiiijornadas/.7. Nesses congressos, além de trabalhos especificamente dedicados ao fenômeno, são fre- qüentes as menções ao neo-esoterismo em textos sobre a religião e a religiosidade, com referências ao pluralismo religioso e a novas formas de sincretismo.8. Questão discutida por Soares (1994), que se refere ao “alternativo” e ao “experimentalis- mo cultural” contextualizados em um grau crescente de insatisfação em face de institui- ções como a religião e a família.9. No plano da vivência religiosa e espiritual, as alternativas evidenciam a valorização da escolha em detrimento da afiliação em função de vínculos familiares; escolha que se carac- terizará também em oposição à conversão, fazendo emergir a possibilidade de novos arranjos de conteúdos e práticas religiosas, distanciando-se da fidelidade a uma doutrina, a uma instituição, a uma Igreja.10. Refiro-me às considerações acerca da família nas camadas médias urbanas. Ver, entre outros autores, Salem (1989) Figueira (1985).11. Sobre novos parâmetros nas relações afetivas, remeto o leitor à discussão de Giddens (1992).12. Uma das experiências citadas com freqüência é Esalem, na Califórnia, que também se constitui em espaço de formação e disseminação (ver Heelas, 1996; Amaral, 1998; 17
  18. 18. Carozzi, 1999). No Brasil, essas comunidades possuem características particulares, con- forme sublinhado por Magnani (2000, pp. 22ss.).13. O autor entende a a astrologia como uma “fronteira simbólica” que influencia a formu- lação de estilos de vida e visões de mundo de um segmento dessas camadas, ou seja, uma maneira de “pensar a familiaridade e a prática da astrologia como um critério útil para produzir tais fronteiras” (p. 82).14. A noção de simbolismo foi formulada por Vilhena com base na recorrência em que apa- recia nas entrevistas realizadas pelo autor: “assume um papel estratégico, contribuindo para sua autodefinição [dos praticantes da astrologia]” (p. 135).15. Embora a mídia em algumas ocasiões também se preocupe em divulgar os “simbolismos”, como sublinha Maluf (1996) em relação à forma em que se apresenta a coluna “Horóscopo” da Folha de São Paulo.16. Como sublinha Maluf (1996), nas “narrativas terapêuticas” prefere-se falar em “mal-estar” e não em “doença” para se referir à crise que desencadeia a busca de processos terapêuti- cos singulares.17. Especificamente no caso brasileiro, relações entre espiritualidade e cura estão presentes nas diferentes versões dos cultos de origem africana, em segmentos do espiritismo e, mais recentemente, no movimento neo-pentecostal e carismático católico.18. Como “complexo alternativo”, Russo entende “uma filosofia difusa […] criando uma espé- cie de amálgama a partir do qual as práticas se revelam passíveis de um uso concomitante, tornam-se intercambiáveis ou combinam-se de diversas maneiras” (1993, p. 113).19. Trata-se da referência à disseminação de uma linguagem psicanalítica que teria extrapola- do o espaço da clínica e a relação do terapeuta com seu cliente, constituindo-se em uma linguagem partilhada por segmentos médios urbanos. “Cultura psi” remete às análises de Figueira (1985, apud Maluf, 1996).20. O contexto da “feira esotérica” como espaço que amplia essa relação foi sublinhado por Guerreiro (1998). Em relação aos Congressos,ver descrição de Amaral (1998), Schwade (2001); Para espaços holísticos, ver Magnani (1999) e Schwade (2001).21. Como exemplo, Vilhena (1990) destaca, em relação aos adeptos da astrologia, pratican- tes com vínculos diferenciados. Magnani (1999) classifica-os em diferentes grupos – eru- dito, participativo, ocasional.22. Nesse caso remete-se ao universo simbólico no qual as camadas médias urbanas estão inse- ridas, que teria no “individualismo” uma de suas principais marcas. A referência concen- tra-se, entre outros autores, em Dumont (1995), Giddens (1992) e Simmel (1983). A con- textualização sociológica contempla ainda outras questões: a ausência de instituições, de doutrina ou de filosofias exclusivas de referência (seja religiosa seja política); a fragmenta- ção do cotidiano e as inúmeras referências disponíveis, associadas a uma condição presen- te especialmente nas grandes cidades, algumas vezes assinalada como “pós-moderna”.23. Referência que o autor remete às afirmações de Russo (1993).18
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  24. 24. RésuméNéo-ésotérisme au Brésil : Dynamique d’un Champ d’ÉtudesCet article fait le point sur les études qui ont été développées, particulièrement au Brésil, àpropos du phénomène néo-ésotérique au cours de la dernière décennie. Les principales réfé-rences analytiques sont identifiées et révèlent la dissémination du néo-ésotérisme au-delà desa relation avec la religiosité et la spiritualité. Tout en considérant ce phénomène comme ununivers en construction, l’auteur signale, par des évidences littéraires, son ouverture vers d’au-tres possibilités, l’importance de sa connotation thérapeutique et le mode de vie urbain assu-mé par ses nouvelles pratiques.Mots-clés: Néo-ésotérisme; Changements comportementaux; Sociabilité urbaine.24
  25. 25. Perspectivas Teóricas sobre o Processo de Formulação de Políticas Públicas* Ana Cláudia N. CapellaIntrodução Modelo de Multiple Streams Este trabalho tem como objetivo apresen- Em Agendas, alternatives, and public poli-tar e discutir modelos teóricos que auxiliem cies, Kingdon procura responder à seguintena compreensão do processo de formulação questão: por que alguns problemas se tornamde políticas públicas. A análise privilegiará o importantes para um governo? Como umaprocesso de formação da agenda de políticas idéia se insere no conjunto de preocupaçõesgovernamentais (agenda-setting), procurando dos formuladores de políticas, transforman-investigar de que forma uma questão específi- do-se em uma política pública? Kingdon con-ca se torna importante num determinado mo- sidera as políticas públicas como um conjuntomento, chamando a atenção do governo e formado por quatro processos: o estabalecimentopassando a integrar sua agenda. de uma agenda de políticas públicas; a consi- deração das alternativas para a formulação de Dois modelos, em especial, desenvolvi- políticas públicas, a partir das quais as escolhasdos na área de políticas públicas, destacam- serão realizadas; a escolha dominante entre ose por sua capacidade em explicar como as conjunto de alternativas disponíveis e, final-agendas governamentais são formuladas mente, a implementação da decisão. Em seue alteradas: o modelo de Múltiplos Fluxos modelo de multiple streams, o autor preocupa-(Multiple Streams Model) desenvolvido por se especificamente com os dois primeiros pro-John Kingdon (2003) e o modelo de Equi- cessos, chamados estágios pré-decisórios: alíbrio Pontuado (Punctuated Equilibrium formação da agenda (agenda-setting) e as alter-Model), de Frank Baumgartner e Brian Jones nativas para a formulação das políticas (policy(1993). formulation). A seguir, procuraremos apresen- Esses modelos representam importantes tar e analisar o modelo de Kingdon, destacan-ferramentas na análise de processos de formu- do suas bases teóricas, benefícios potenciaislação de políticas e de mudança na agenda para a compreensão dos processos de forma-governamental, reservando grande destaque à ção da agenda governamental, bem como asdinâmica das idéias no processo político. principais críticas direcionadas ao modelo.* Este trabalho foi apresentado no GT “Políticas Públicas” no 29º Encontro Anual da Anpocs, Caxambu,em outubro de 2005. Agradeço aos comentários e sugestões dos participantes do encontro e dos pare-ceristas anônimos do BIB.BIB, São Paulo, nº 61, 1º semestre de 2006, pp. 25-52 25
  26. 26. Dinâmica do modelo: os três fluxos Em momentos críticos esses fluxos conver- gem, e é precisamente neste momento que Inicialmente formulado para analisar as são produzidas mudanças na agenda. Assim,políticas públicas nas áreas de saúde e trans- para o modelo de Kingdon, a mudança daportes do governo federal norte-americano, o agenda é o resultado da convergência entremodelo de Kingdon tornou-se referência para três fluxos: problemas (problems); soluções ouos estudos voltados à análise da formulação de alternativas (policies); e política. (politics).políticas governamentais (Zahariadis, 1999). No primeiro fluxo, o modelo buscaBaseado em um corpo extenso de dados empí- analisar de que forma as questões são reco-ricos, obtidos em sua maior parte por meio de nhecidas como problemas e por que deter-entrevistas com altos funcionários públicos, o minados problemas passam a ocupar a agen-modelo preocupa-se com os estágios pré-deci- da governamental. Considerando que assórios da formulação de políticas. A agenda pessoas não podem prestar atenção a todosgovernamental, para Kingdon, é definida co- os problemas durante todo tempo, Kingdonmo o conjunto de assuntos sobre os quais o parte do pressuposto de que esses indivíduosgoverno e pessoas ligadas a ele concentram concentrarão sua atenção em alguns delessua atenção num determinado momento.1 ignorando outros. Uma questão passa a fazer parte da agen- Para entender o processo de seleção,da governamental quando desperta a atenção Kingdon estabelece uma importante dife-e o interesse dos formuladores de políticas. renciação entre problemas e questões (condi-No entanto, em virtude da complexidade e tions). Uma questão, para o autor, é umado volume de questões que se apresentam a situação social percebida, mas que não des-esses formuladores, apenas algumas delas são perta necessariamente uma ação em contra-realmente consideradas num determinado partida. Esse tipo de questão configura-semomento. Estas compõem a agenda decisio- como problema apenas quando os formula-nal: um subconjunto da agenda governamen- dores de políticas acreditam que devem fazertal que contempla questões prontas para uma algo a respeito. Dado o grande volume dedecisão ativa dos formuladores de políticas, decisões e a incapacidade de lidar com todasou seja, prestes a se tornarem políticas (poli- as questões ao mesmo tempo, a atenção doscies).2 Essa diferenciação faz-se necessária, formuladores de políticas depende da formasegundo o autor, porque ambas as agendas como eles as percebem e as interpretam e,são afetadas por processos diferentes. Existem mais importante, da forma como elas sãoainda agendas especializadas – como aquelas definidas como problemas.específicas da área de saúde, transportes e As questões transformam-se em proble-educação –, que refletem a natureza setorial mas ao chamar a atenção dos participantesda formulação de políticas públicas. de um processo decisório, despertando a Para compreender como algumas ques- necessidade de ação por meio de três meca-tões passam a ser efetivamente consideradas nismos básicos: indicadores; eventos, crises epelos formuladores de políticas, Kingdon símbolos; e feedback das ações governamen-(2003) caracteriza o governo federal norte- tais. Quando indicadores – custos de umamericano como uma “anarquia organizada”3, programa, taxas de mortalidade infantil,na qual três fluxos decisórios (streams) se- variações na folha de pagamento de servido-guem seu curso de forma relativamente inde- res, evolução do déficit público, por exemplopendente, permeando toda a organização. – são reunidos e apontam para a existência26
  27. 27. de uma questão, esta pode ser percebida problemas, para posteriormente alcançar a agen-como problemática pelos formuladores de da governamental.políticas. Indicadores, no entanto, não deter- Do ponto de vista da estratégia política, aminam per si a existência concreta de um definição do problema é fundamental. Aproblema, antes são interpretações que auxi- forma como um problema é definido, articu-liam a demonstrar a existência de uma ques- lado, concentrando a atenção dos formulado-tão. Assim, contribuem para a transformação res de política pode determinar o sucesso dede questões em problemas, principalmente uma questão no processo altamente competi-quando revelam dados quantitativos, capazes tivo de agenda-setting.de demonstrar a existência de uma situação No segundo fluxo – policy stream – temosque precisa de atenção. O segundo grupo de um conjunto de alternativas e soluções (policymecanismos compreende eventos (focusing alternatives) disponíveis para os problemas, ouevents), crises e símbolos. Muitas vezes, um “what to do ideas”5. Kingdon (2003) conside-problema não chama a atenção apenas por ra que as idéias geradas nesse fluxo não estãomeio de indicadores, mas por causa de even- necessariamente relacionadas à percepção detos de grande magnitude, como crises, desas- problemas específicos. Como afirma o autor:tres ou símbolos que concentram a atenção “As pessoas não necessariamente resolvemnum determinado assunto. Esses eventos, no problemas. […] Em vez disso, elas geralmen-entanto, raramente são capazes de elevar um te criam soluções e, então, procuram proble-assunto à agenda, e geralmente atuam no mas para os quais possam apresentar suassentido de reforçar a percepção preexistente soluções” (Idem, p. 32).6 Assim, as questõesde um problema. Finalmente, o terceiro presentes na agenda governamental (que atraigrupo consiste no feedback sobre programas a atenção das pessoas dentro e fora do gover-em desenvolvimento no governo. O monito- no) não são geradas aos pares, com problemasramento dos gastos, o acompanhamento das e soluções.atividades de implementação, o cumprimen- A geração de alternativas e soluções éto (ou não) de metas, possíveis reclamações explicada pelo modelo de multiple streams emde servidores ou dos cidadãos e o surgimen- analogia ao processo biológico de seleçãoto de conseqüências não-antecipadas são natural. Da mesma forma como moléculasmecanismos que podem trazer os problemas flutuam no que os biólogos chamam depara o centro das atenções dos formuladores “caldo primitivo”, o autor entende que asde políticas. idéias a respeito de soluções são geradas em Mesmo que indicadores, eventos, símbolos comunidades (policy communities) e flutuamou feedbacks sinalizem questões específicas, esses em um “caldo primitivo de políticas” (policyelementos não transformam as questões auto- primeval soup). Neste “caldo”, algumas idéiasmaticamente em problemas. Essencial para o sobrevivem intactas, outras confrontam-se eentendimento do modelo é compreender que combinam-se em novas propostas, outrasproblemas são construções sociais, envolvendo ainda são descartadas. Nesse processo compe-interpretação: “Problemas não são meramente as titivo de seleção, as idéias que se mostram viá-questões ou os eventos externos: há também um veis do ponto de vista técnico e as que têmelemento interpretativo que envolve percepção” custos toleráveis geralmente sobrevivem,(Kingdon, 2003, pp. 109-110, trad. nossa).4 assim como aquelas que representam valoresPortanto, as questões podem se destacar entre os compartilhados contam com a aceitação doformuladores de políticas, transformando-se em público em geral e com a receptividade dos 27
  28. 28. formuladores de políticas. Como resultado (policy stream) produz uma lista restrita de pro-final, partindo de um grande número de postas, reunindo algumas idéias que sobrevive-idéias possíveis, um pequeno conjunto de ram ao processo de seleção. Tais idéias nãopropostas é levado ao topo do “caldo primiti- representam, necessariamente, uma visão con-vo de políticas”, alternativas que emergem sensual de uma comunidade política a respeitopara a efetiva consideração dos participantes de uma proposta, mas sim o reconhecimento,do processo decisório. pela comunidade, de que algumas propostas As comunidades geradoras de alternativas são relevantes dentro do enorme conjunto de(policy communities) são compostas por espe- propostas potencialmente possíveis.cialistas – pesquisadores, assessores parlamen- Kingdon assegura às idéias um papeltares, acadêmicos, funcionários públicos, ana- importante em seu modelo, argumentandolistas pertencentes a grupos de interesses, entre que elas são freqüentemente mais importan-outros – que compartilham uma preocupação tes na escolha de uma alternativa do que aem relação a uma área (policy area). No pro- influência de grupos de pressão, por exemplo,cesso de seleção descrito acima, quando uma e chama a atenção dos cientistas políticosproposta é percebida como viável, ela é rapi- para essa dimensão do processo decisório:damente difundida, ampliando a consciênciados atores sobre uma determinada idéia. Isso Cientistas políticos estão acostumados anão significa que todos os especialistas de uma conceitos como poder, influência, pressão ecomunidade compartilhem das mesmas cren- estratégia. No entanto, se tentarmos com-ças: algumas comunidades são extremamente preender as políticas públicas somente emfragmentadas, abrigando pontos de vista bas- termos desses conceitos, deixamos de enten-tante diversificados. A difusão das idéias tam- der muita coisa. As idéias, longe de serempouco se dá de forma automática, uma vez meras desculpas ou racionalizações, são par-que comunidades bem estruturadas apresen- te integrais do processo decisório dentro etam tendência a resistirem às novas idéias. A em torno do governo (idem, p. 125).7difusão é descrita pelo autor como um pro-cesso no qual indivíduos que defendem uma Abordagens que, como o modelo deidéia procuram levá-la a diferentes fóruns, na multiple streams, destacam a centralidade dastentativa de sensibilizar não apenas as comu- idéias, das interpretações e da argumentaçãonidades de políticas (policy communities), mas no processo de formulação das políticastambém o público em geral, vinculando a constituem um desafio à análise tradicionalaudiência às propostas e construindo progres- sobre a formulação de políticas públicas, au-sivamente sua aceitação. Dessa forma, as xiliando na compreensão da dimensão sim-idéias são difundidas, basicamente, por meio bólica desse processo.8da persuasão. A importância desse processo Finalmente, o terceiro fluxo é compostode difusão – chamada de soften up pelo autor pela dimensão da política “propriamente– vem da constatação de que, sem essa sensi- dita” (politics stream). Independentemente dobilização, as propostas não serão seriamente reconhecimento de um problema ou das al-consideradas quando apresentadas. ternativas disponíveis, o fluxo político segue Com o processo de difusão ocorre uma sua própria dinâmica e regras. Diferentemen-espécie de efeito multiplicador (bandwagon), te do fluxo de alternativas (policy stream), emem que as idéias se espalham e ganham cada que o consenso é construído com base na per-vez mais adeptos. Assim, o fluxo de políticas suasão e difusão das idéias, no fluxo político28

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