Paulo Vergolino – perfil informal
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Perfil Paulo Vergolino 1

  1. 1. Paulo Vergolino – perfil informal Unic | Josafá Vilarouca | paulo@unicbuilding.com.br | (11) 994920882 São Paulo, 29 de fevereiro de 2012 – Uma aula em Belém da arte-educadora Christina Rizzi, atual professora doutora do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) rendeu a Paulo Leonel Gomes Vergolino a oportunidade de lhe pedir, pessoalmente, um emprego em São Paulo. Três meses depois, recebia o convite para integrar a equipe do setor educativo do SescPompéia. O Serviço Socialdo Comércio (Sesc),criado em1946, inovou ao introduzir novos modelos de ação cultural no Brasil e sublinhou, na década de 1980, a educação como pressuposto para a transformação social. Diante da oportunidade, o então bacharel em artes plásticas e licenciado em arte-educação pela Universidade Federal do Pará (UFPA) pediu abrigo para um casal de amigos da família. Paulo Vergolino, como assinahojesuas curadorias, saiu de Belém em1996 para começar uma missão: resgatar artistas. O que era para ser uma viagem de apenas três meses, tempo que duraria os trabalhos no setor educativo no Sesc, transformou-se em uma vida de 16 anos. Saiu da capital do Pará com 23 anos, recém-formado, e hoje, aos 38 anos, jáassinacomo curador-assistente da exposiçãode um dos maiores medalhões das artes plásticas do país, Tarsila do Amaral (Centro Banco do Brasil do Rio de Janeiro, de 13 de fevereiro a 29 de abril de 2012). “De repente, vi-me envolvido em projetos que tinham relevância para a cultura nacional, como esse que comemora os 90 anos da Semana de Arte Moderna no Brasil”, explica. Quando o primeiro trabalho acabou, no Sesc, a família que o acolheu em São Paulo rompeu o prazo da moradia. Foi então morar com o tio porque o segundo trabalho, no setor educativo do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, apareceu na sequência. Era a chance de trabalhar, mesmo que indiretamente, com Milu Vilela, uma das figuras mais emblemáticas do setor das artes visuais brasileiras e que até hoje é presidente de um dos mais importantes museus da América Latina. O MAM, fundado em 1948 por iniciativa do empresário Francisco Matarazzo, havia sido inspirado no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, sendo concomitante ao surgimento do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ). “A fundação do MAM coincide com um período importante de institucionalização do meio artístico brasileiro e, por isso, era importante ter uma vivência naquele espaço”, afirma Vergolino, referindo-se ao surgimento paralelo do Museu de Arte de São Paulo (Masp), da companhia cinematográfica Vera Cruz, do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e da fundação da Cinemateca Brasileira. Na coleção do MAM existem mais de cinco mil obras dos mais expressivos artistas nacionais da arte moderna e contemporânea.
  2. 2. Sua passagempor aquele museu, no entanto, foi rápida, mas no tempo certo para quem precisava acumular experiências variadas. Foram seis meses de trabalho no MAM até assumir, por três anos, a coordenação do setor educativo da Casas das Rosas, um dos mais badalados centros culturais da cidade, localizado na Avenida Paulista. “A Casa das Rosas, construída entre 1928 e 1935 pelo arquiteto Ramos de Azevedo, era palco de inspiração para meu trabalho. Foi ali, em um dos últimos casarões da avenida mais movimentada do país, que aprendi a produzir, montar, desmontar e curar uma exposição”, conta Vergolino. Da experiência acumulada nos cursos de especializações quefez na Universidade de São Paulo (USP) na área de museologia, Vergolino foi dar aulas no Senac. “Foi uma experiência que me rendeu novas habilidades, agora como propagador da cultura brasileira. O conhecimento é uma sede eterna. Quanto mais você conhece, mais quer conhecer. E falar para alunos interessados em arte nos gera motivação para ir buscar sempre novos desafios”. Foi issoque Vergolino fez. A necessidadede novos desafios lhe levou também, em 2001, à Pinacoteca do Estado de São Paulo, o museu de arte mais antigo da cidade. Lá, participou de exaustivas aulas sobre o escultor francês Auguste Rodin (1840-1917) para trabalhar na inauguração da exposição Auguste Rodin: A Porta do Inferno, que levou à Pinacoteca mais de 200 mil visitantes. “Foi a primeira grande experiência que eu tive com o grande público e com o atendimento de visitantes estrangeiros em outra língua, no caso o inglês”, relembra. “Era gratificante ter o contato com obras originais, como a peça em gesso de A Porta do Inferno, emprestada pelo Museu D´Orsay de Paris”. Já com 29 anos de idade, Vergolino foi então convidado para trabalhar no setor cultural da BM&FBovespa, a quarta maior bolsa de valores do mundo, de onde sairia potencializada a sua experiência com produção de nomes de primeira grandeza para as artes plásticas brasileiras. “No setor educativo, praticamente inaugurei o espaço cultural da Bolsa, que recebeu mostras memoráveis. Dois anos depois, já estava coordenando a área e fazia a primeira catalogação profissional do acervo da instituição”, comenta. Lá, ele produziu as exposições de Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi, Darel Valença Lins, Maria Bonomi, Clóvis Graciano, Antonio Henrique Amaral e Renée Lefreve, além do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. A experiência de trabalhar em uma empresa financeira que acreditava nas artes, em geral, fez com que Vergolino passasse a focar seu trabalho na área que mais gostava: gravura. “Eu vi que a gravura era um setor das artes visuais que precisava de resgate, porque ela, apesar de sua relevância, era sempre colocada em segundo plano, em detrimento à escultura e à pintura”. Em suas produções, era nítido o esforço em prestigiar gravadores importantes, mas muitas vezes esquecidos no cenário artístico cultural. “Lembro, com muito orgulho, de ter apresentado ao público, como produtor, a coleção do bibliófilo José Mindlin que reunia gravuras de renomados artistas e muitos deles esquecidos, como Lívio Abramo, Axl Leskoschek,Hansen Bahiae Hans Grudzinski”. De uma conversa informal com o amigo e curador Antonio Carlos Abdalla, conheceu o que viria a ser um dos artistas mais presentes emsua vida profissional, já como curador.
  3. 3. “Carlos Oswald entrou na minha vida de uma forma tão simples que, quando notei, já estava me relacionando com a família do artista, assinando as curadorias de quatro exposições sobre ele e publicando dois catálogos, oriundos de meu trabalho. Não fui eu quem o escolhi. Fui escolhido por ele”. Carlos Oswald é considerado um dos maiores nomes da gravura em metal no Brasil, mas não tinha uma individual desde 1986. “Nas exposições, colhi trabalhos raríssimos, passando por todas as fases da carreira dele. Os temas mais recorrentes são as representações religiosas, de paisagens, figuras humanas e da vida animal”, explica o curador, que apresentou Carlos Oswald – o resgate de um mestre na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba e, ainda para 2012, planeja levar a exposição a Belém. Mas não foi com Oswald, idealizador dos croquis do Cristo Redentor, que Paulo Vergolino inaugurou sua fase de curadoria. A primeira exposição com sua assinatura foi sobre a artista, também gravadora alemã, naturalizada brasileira, Hannah Brandt. “A Associação Paulista de Medicina me pediu, para seu espaço cultural, uma exposição por conta do Dia Internacional da Mulher e escolhi essa gravadora, que hoje tem 82 anos. Foi a minha primeira curadoria e também o meu primeiro grande resgate”.Depois dessa exposição, Hannah Brandt foi editada por Vergolino mais três vezes, nas mostras realizadas no Espaço Cultural dos Correios de Juiz de Fora, na Caixa Cultural de Brasília e no Espaço Cultural do Clube A Hebraica de São Paulo. “A gravura passou a ser para mim uma arte primeira, tão importante quanto a pintura e a escultura. O mercado não acreditava nisso e, dessa forma, passei a me dedicar quase que exclusivamente a ela”, diz Vergolino. “Se não tem quem faça – referindo-se à falta de coletâneas sobre a arte gravada –, faço eu”. Em recente exposição no Museu da Universidade Federal do Pará (UFPA), Vergolino assinou a produção local de Oswaldo Goeldi – poesia gravada, o maior nome da xilogravura nacional, com patrocínio da Vale. Para Vergolino, a qualidade é fundamental na escolha de seus artistas. “Eu tenho predileção pela gravura, mas nada impede de realizar curadorias de outros artistas. A única edição é que só faço curadoria de nomes que realmente acredito e que, por algum motivo, não estão em evidência”, diz, referindo-se ao contemporâneo Apo Fousek, que teve sua exposição assinada por ele em abril de 2011, na Caixa Cultural Brasília. “Não sou médico, nem engenheiro. Também não sou somente um estudioso das artes, mas um profissional que vive dela. Por isso, todos os dias eu busco o aprimoramento dos meus conhecimentos, direcionando-os à valorização da gravura no Brasil”, afirma. Quando perguntado sobre seus planos futuros, Vergolino diz que não existem sonhos, mas uma missão clara: seguir no resgate de gravadores, considerando que são artistas de primeira importância e que precisam ser mostrados ao grande público. “Resgatar esses profissionais tem um valor enorme para as artes visuais do país. É o meu reencontro com eles. É a minha missão”.

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