Apostila diaconato

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Apostila diaconato

  1. 1. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoSUMÁRIO Autoridade Espiritual I 02 Costumes06 História da Igreja14 O Serviço no Diaconato43 Relações Interpessoais 46 Hombridade 63 Doutrinas Fundamentais73 Família 82 Projeto Semear119 Bibliografia Geral124
  2. 2. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoDISCIPLINA: AUTORIDADE MINISTERIAL II. A IMPORTÂNCIA DA AUTORIDADE ESPIRITUALTEXTO BÁSICO: ROMANOS 13.1-2Em Romanos 13.1-2 a palavra de Deus diz: “Obedeçam àsautoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem apermissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seuslugares por ele. Assim quem se revolta contra as autoridades estáse revoltando contra o que Deus ordenou, e os que agem dessemodo serão condenados”.Na vida espiritual e na vida carnal, temos autoridades, as quais devemos seguir, pois arebeldia a essas autoridades é pecado, conforme nos ensina a Bíblia.A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito demandar. Ela é traduzida na versão atualizada, de João Ferreira de Almeida, como: autoridade, poder,jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no Antigo Testamento.A autoridade de Deus é o princípio da ordem. Cada coisa no seu lugar.(Salmos 103:19) - OSENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.Deus é a autoridade superior é a fonte da autoridade. Ele reina não para ser autoridade, maisporque ele é autoridade.Ninguém tem autoridade, Deus é quem a concede e delega. Por isso quando alguém obedecea autoridade do homem, está obedecendo a autoridade de Deus, pois, Deus é quem concedeu.(Romanos 13:1) - TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade quenão venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.A Bíblia define o pecado como transgressão (1João 3.4). Em Romanos 2.12, a palavra “sem”lei é o mesmo que “contra” a lei. A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto épecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração. Opresente século caracteriza-se pela transgressão, e logo o fruto desse pecado aparecerá.A autoridade no mundo está sendo cada vez mais solapada até que, finalmente, todas asautoridades sejam destruídas e a transgressão governe. Saibamos que no universo existem doisprincípios: o da autoridade de Deus e o da rebeldia satânica. Não podemos servir a Deus esimultaneamente andar pelo caminho da rebeldia. Satanás ri quando uma pessoa rebelde prega apalavra, pois nessa pessoa habita o princípio satânico. O princípio do serviço tem de ser aautoridade, se obedecemos ou não a autoridade de Deus”.Na palavra de Deus há linhas específicas de autoridade que devemos obedecer para nãoestarmos em rebeldia contra o próprio Deus:2
  3. 3. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato1. Em relação a Deus (Daniel 9.5-9)2. Ao governo civil (Romanos 13.1-7, 1Timoteo 2.1-4; 1Pedro 2.13-17)3. Aos pais (Efésios 6.1-3)4. Esposa em relação ao marido (1Pedro 3.1-4)5. Ao patrão (1Pedro 2.18-23)6. Aos líderes da igreja (Hebreus 13.17)7. Uns aos Outros (Efésios 5.21)II. TIPOS DE AUTORIDADEA) Temporal ou físicaAssim chamada porque ela está sujeita a mudanças de acordo com o tempo e com osurgimento de necessidades humanas ou materiais . Ex: mudanças de governos, costumes e avançostecnológicos. Vejamos o que diz a Palavra de Deus sobre estas autoridades:B) Autoridade na famíliaO esposo deve seguir os padrões de Cristo, com relação à Igreja (Ef 5:25 - 29).• A esposa, submissa ao esposo (Ef 5:22).• Os filhos, submissos aos pais (Ef 6:1,2).C) Na vida profissionalOs empregados devem respeitar seus patrões, diretores, chefes, etc..., e trabalharem commaior desenvoltura durante suas ausências (Ef 6:5 - 8).D) Na vida do paísEmbora espiritualmente já não pertençamos mais a este mundo, ainda vivemos nele, e sendoassim temos deveres a cumprir através de uma consciência pura (Rm 13:4 - 7) e (Mt 22:17 - 21).III. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO/É O INVERSO DA SUBMISSÃOO princípio da Rebelião se deu com o Diabo. (Isaías 14:12)Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu quedebilitavas as nações! 13) - E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deusexaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. 14) - Subireisobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. 15) - E contudo levado serás ao inferno,ao mais profundo do abismo.Deus expulsou o Lúcifer do céu por causa de sua insubordinação, no céu não há lugar para ainsubordinação. Após esta sentença ele começou a ser chamado de Satanás ou diabo, que revela seucaráter, pois significa: inimigo, opositor, adversário, caluniador, usurpador. E com ele muitos anjosse aliaram dando origem aos demônios. O diabo tenta implantar então a insubordinação aoshomens e começa por Adão e Eva. (Gênesis 3:5) - Porque Deus sabe que no dia em que delecomerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. O homeminsubordinado tenta se assemelhar a Deus, acreditando que domina a própria vida, depois acreditaque domina outras vidas. Características do Insubordinado. Ganância. (nunca está satisfeito com oque têm quer sempre mais)1. Arrogância (acha que já sabe de tudo) Ex. Filho/Pais2. Presunção. (acha que sabe fazer melhor)3
  4. 4. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato3. Avareza (quer tudo para si)4. Ira (quando os seus intentos não dão certos ele se revolta)5. Inveja. (deseja a posição que o outro ocupa)Visite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica GospelO EXEMPLO DO APÓSTOLO PAULOAntes de reconhecer a Autoridade, Paulo tentou acabar com a igreja (Atos 8.3); mas depoisde se encontrar com Jesus na estrada de Damasco entendeu que era difícil recalcitrar (revoltar-se;rebelar-se, dar coices), contra os aguilhões (autoridade divina) (Atos 9.5) Imediatamente Paulo caiuno chão e reconheceu Jesus como Senhor.Em seguida, deu-se início ao tratamento de Paulo. O que precisava aprender aquele quetinha livre trânsito nas salas dos governadores e dos sumos-sacerdotes? O que precisava aprenderaquele que fora instruído aos pés de Gamaliel, o homem mais sábio de sua época e que podia secomunicar livremente com qualquer estrangeiro do seu tempo? O que precisava aprender aqueleque não parava de ameaçar e perseguir a igreja, por considerá-la a escória da humanidade?O EXEMPLO DE JESUSA ATITUDE DE JESUS DIANTE DOS TRIBUNAISMateus 26 e 27 registram o duplo julgamento que Jesus enfrentou após o seuaprisionamento. Diante do sumo sacerdote ele recebeu julgamento religioso e diante de PôncioPilatos recebeu julgamento político. Quando foi julgado por Pilatos (Mateus 27), o Senhor nãorespondeu nada, pois se encontrava sob jurisdição terrena. Mas quando o sumo sacerdote oconjurou pelo Deus Vivo, então ele precisou responder às perguntas que estavam sendo feitas. Isto éobediência à autoridade.Aqui está a segunda consideração que precisávamos fazer acerca deste princípio: Todoaquele que conhece a autoridade lida com a autoridade e não com o homem.O ARCANJO MIGUEL.• O Arcanjo Miguel quando contendia com o diabo a respeito do corpo de Moisés não pronunciouinfâmia contra ele, não obstante já estar caído (Jd 9).• Somente os ímpios vivem no erro difamando autoridades e rejeitando os governos constituídos,Jd 9 e II Pe 2 :10 – 22.• Ao repreendermos um demônio devemos estar inteirados que a autoridade exercida pertenceao Nome de Jesus Cristo.Exemplos e conseqüências de quem quebrou a autoridade.• Lucifer• Adão• Caim• Cam• Miriã e Arão• Davi• Filhos de El4
  5. 5. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato• SansãoSaulA) A leitura do texto de (I Sm 15:1 –26) nos dá a exata compreensão do valor da obediência àautoridade espiritual, vejamos :I. O Senhor ditou ordens bastante claras (vs 1 - 3).II. Saul fez tudo ao seu próprio modo (vs 7,8).III. Junto com a desobediência anda a cobiça e o orgulho (vs 1,2).IV. Para encobrir a sua desobediência, Saul usou a mentira (vs 13 - 15).a) Nos dias de hoje muitos estão preferindo sacrificar a obedecer (vs 19- 22), tal como procedeuSaul .Obs: A desobediência é tão grave quanto a ser feiticeiro ou praticar a idolatria (vs 23).b) O Senhor Deus deixou claro que sua autoridade era exercida no povo de Israel através de Moisése quem desrespeitasse a Moisés estaria desrespeitando ao próprio Senhor Deus ( Nm 16 : 1 - 3 ).IV. O MAU USO DA AUTORIDADEa. Saul foi ungido como rei do povo de Israel (I Sm 10:1).b. Não obstante as perseguições, Davi o respeitou como autoridade (I Sm 24:6).c. Davi reconhecia a unção de Deus sobre Saul (I Sm 24:10).d. O rei Saul, fazendo mau uso da sua autoridade , perseguia a Davi e aos seus homens, sem seimportar com as conseqüências de sua atitude (I Sm 18:18 e ISm 19:10).e. A autoridade delegada ao rei Saul foi tornada sem efeito no momento em que ele fazendo mauuso, no tocante às devidas limitações com relação à autoridade do profeta ao tentar tomar o lugardeste (I Sm 15:26).V. AUTORIDADE ESPIRITUALa) É fundamental para a paz e o crescimento da Igreja de Cristo. Quem não se aperceber disso,seja um pastor, um líder ou simplesmente um membro da Igreja, certamente terá problemasem sua vida espiritual e no seu ministério, pois Deus, como vimos, não tolera a quebra daautoridade constituída. Ele constituiu, ele estará corrigindo ou retirando, se for o caso, noSeu devido tempo, ou será que alguém queira fazer o trabalho de Deus?b) O princípio fundamental da autoridade, é ser fiel a quem o constituiu naquela autoridade,pois se você não sabe, ser submisso e estar debaixo de autoridade, como que o Senhorpoderá lhe dar mais autoridade? Como que os demais servos vão lhe obedecer? A Igreja semove debaixo da autoridade espiritual, e sem ela, a Igreja não pode caminhar. Este princípioé fundamental para quem quer fazer a obra de Deus e ser bem realizado.CONCLUSÃOQue Deus nos abençoe, para que possamos cumprir a Sua vontade em relação äAUTORIDADE, e não a nossa vontade.5
  6. 6. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoPastor Ariel Eugênio – Regional São Marcos/BH (ariel.eugenio@hotmail.com).DISCIPLINA: COSTUMES1. DEFINIÇÃOCostume é o nome dado a qualquer forma social resultante de uma prática,observada de forma generalizada e prolongada, o que resulta numa certa convenção deobrigatoriedade, e de acordo com cada sociedade e cultura especifica.Exemplos bíblicosa) No Velho Testamento: Jr 10.3 (Nação – Prática)b) No Novo Testamento: Lc 1.9 (Grupo); Lc 4.16 (Pessoal); 1Co 11.12 a 16(Costume da Igreja local); 1 Coríntios 15.33 (Bons)c) Costumes superados: Bigode e ChapéuNecessitamos manter os bons costumes da Assembleia de Deus. Dentro dacontextualização atual.Nossa matéria envolve• Ética• Antropologia• Teologia• Doutrinas• Entre outras2. MINISTÉRIO DO DIACONATOO ministério diaconal emergiu na história da igreja, entre os cristãos da igreja primitiva porcausa do crescimento espantoso da igreja. O texto bíblico em Atos retrata este fato: "Naqueles dias,crescendo o número dos discípulos ... ". (At 6.1a)Automaticamente, com o crescimento da igreja, surgiram muitos trabalhos quesobrecarregavam os apóstolos a ponto deles não poderem atender a comunidade cristã a contentoe, em detrimento disso, as pessoas começavam a murmurar deles achando que estavam dandopreferência para uns na igreja e ignorando outros. O texto bíblico diz: "Naqueles dias, crescendo onúmero dos discípulos, houve murmuração dos gregos, contra os hebreus, porque suas viúvas eramdesprezadas na distribuição diária de alimentação." (At 6. 1)Os apóstolos sacrificavam o ministério deles, que era o ministério da palavra e praticidade naoração para atender o povo. Mesmo assim eram alvo de murmuração. Para cortar este mal pela raizos apóstolos instituíram o ministério dos diáconos podendo assim dedicarem-se ao ministério dapalavra e a oração.6
  7. 7. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato"Então os doze, convocando os discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos apalavra de Deus, e sirvamos às mesas. Escolheis, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação,cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Masnós perseveraremos na oração e no ministério da palavra." (At 6.2-4)A primeira coisa que um diácono ou aspirante a diácono precisa saber, antes de qualqueroutra coisa, é que o diaconato é um ministério. O diaconato não é apenas um cargo, é umministério. A Bíblia fala de ministérios como dos Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores emestres, que são ministérios que estão intrinsecamente ligados ao ministério da pregação e doensino da palavra de Deus para edificação do corpo de Cristo. Já o ministério dos diáconos estáaliado à idéia de servir. Se observarmos o texto de Atos 6, que fala da instituição desse ministério,vamos encontrar no texto algumas palavras chaves que retratam a eleição dos diáconos, sendo estesescolhidos para servir. Quais as palavras que retratam isso no texto de Atos 6? O texto mostra queos diáconos foram instituídos para servir: as viúvas, servir na distribuição de alimentos diariamenteaos carentes, servir as mesas. O texto ainda destaca este serviço como um importante negócio.A palavra "ministério" é oriunda da palavra grega "diakonai" e significa "variedade deserviços” prestados em favor da expansão do Reino de Deus. Logo, fica subentendido que ministérionão dá apenas a idéia de "cargo". Ministério está aliado a idéia de "prestação de serviços". Portanto,toda pessoa que faz parte do grupo que foi separado para servir como diácono na igreja, mas nãocumpre com as funções estabelecidas para esta posição, tem o cargo, mas não tem o ministério.Se alguém pretende fazer a diferença no ministério como diácono, o mesmo precisa servir,ou seja, é necessário seguir o exemplo de Jesus, que foi o melhor diácono de todos os tempos. DisseEle: "... Todo aquele que, entre vós, quiser tornar-se grande, seja vosso servo, e quem dentre vósquiser ser o primeiro, seja vosso escravo - tal como o Filho do homem não veio para ser servido, maspara servir e dar sua vida em resgate por muitos." (Mt 20.26-28)3. O QUE OS DIÁCONOS PRECISAM SABER SOBRE A BÍBLIA?Os diáconos precisam conhecer a estrutura da BíbliaQuando falo de conhecer a estrutura da bíblia estou falando da importância de se conhecerfatos acerca da bíblia como: qual a origem da bíblia? Quais são suas principais divisões? Qual osignificado da palavra bíblia? Quantos testamentos ela possui? Quando e como a bíblia assumiu suaforma atual? Quantos livros têm a bíblia? São perguntas desse gênero que precisamos ser capazesde responder antes de penetrar no estudo de seu conteúdo.4. O ZELO NO MINISTÉRIO DO DIACONATOa) O que chamou a atenção da rainha de Sabá no reinado de Salomão?Ela ouviu a fama de Salomão"Quando a rainha de Sabá ouviu a fama de Salomão .... " (IRs10.1).Todo obreiro deve saber que a igreja, na qual ele pertence, está diante de duas alternativas:carregar a boa fama, por sua estrutura organizacional, ou a má fama por sua desorganizaçãoestrutural. Lembrando que todos os membros daquela instituição são co-participantes ou da boafama ou da má fama.b) Exemplo bíblico de má fama7
  8. 8. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato"Ora, Eli que já era muito velho, ouvia tudo que seus filhos faziam a todo o Israel .... Então elelhes disse: Por que fazeis tais coisas? Ouço de todo este povo os vossos malefícios. Não, filhos meus,não é boa fama a que ouço entre o povo do Senhor." (I Sm 2.22-24)Os diáconos pelo fato de serem as primeiras pessoas na quais os visitantes têm contatoquando vêm à igreja, carregam sobre os seus ombros uma grande responsabilidade. Há um ditadoque diz: a primeira impressão é a que fica. Se ao chegar ao estacionamento da igreja, sendosupostamente o primeiro local de contato, o membro ou visitante for mal recebido, recepcionadocom mau humor por parte de quem o recebe, com arrogância ou com indiferença, este terá,conseqüentemente, uma má impressão da igreja. Então os diáconos precisam ter cuidado para nãoserem instrumentos propagadores de má fama da igreja.A rainha pelo fato de não acreditar no que ouvia foi ter com Salomão para conferir. Ela ficoufora de si, pois testemunhou que o que viu era até mesmo além do que lhe falaram: "Vendo a rainhade Sabá toda sabedoria de Salomão, a casa que edificara, a comida da sua mesa, o assentar dos seusoficiais, o serviço de seus criados e os trajes deles, seus copeiros e os holocaustos que ele ofereciana casa do Senhor, ficou fora de si, e disse ao rei: Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra,acerca dos teus feitos e da tua sabedoria. Porém eu não acreditava naquelas palavras, até que vim, evi com os meus olhos. Deveras, não me disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a famaque ouvi." (I Rs 10.4-7)A estrutura organizacional do reino de Salomão era tão “perfeita” que sua fama percorreuem todos os reinos da época e chegou até a rainha de Sabá que, ao tomar conhecimento, resolveu irconferir e quando chegou, ela ficou tão impactada, que chegou a dizer: “... é muito mais além doque me disseram.” Foi a organização dos servos de Salomão que chamou a atenção da rainha. Se nósprestarmos um serviço organizado na igreja nossa fama vai correr nas outras igrejas e vamos recebermuito visitantes que virão conferir nossa modalidade de trabalho.c) O que deixou a rainha de Sabá impressionada?A casa que Salomão edificaraA edificação da casa de Salomão deixou a rainha de Sabá muito impressionada. Para nósobreiros, que estamos sendo treinados para fazer a obra de Deus, isso nos traz duas lições:• Lição materialO bom gosto de Salomão ao planejar a arquitetura da casa deixou a rainha de Sabáimpressionada. Com isso aprendemos que as coisas que fazemos, mesmo na vida material, com bomgosto, redunda em louvor a Deus. Paulo escreveu aos filipenses: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o queé verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é,justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável,tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai." (FI 4.8)• Lição espiritualA edificação da casa que Salomão construiu, chamou a atenção da rainha de Sabá nãoapenas em termos de bom gosto, mas também em termos de qualidade do material utilizado naconstrução. Com isso aprendemos que na obra de Deus além do bom gosto, quando formos realizaralguma coisa para Deus, devemos primar por material de qualidade pois a bíblia nos faz a seguinteadvertência: "Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio construtor, ofundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Pois ninguém podepôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este8
  9. 9. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatofundamento levantar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra decada um se manifestará, porque o dia a demonstrará. Pelo fogo será revelada, e o fogo provará qualseja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou sobre ele permanecer, esse receberágalardão." (I Co 3.10-14)d) A comida da sua mesaA comida que era posta na mesa na casa de Salomão também chamou a atenção da rainhade Sabá. Não obstante o texto não descrever a presença de um nutricionista para estabelecer ocardápio diário, o próprio Deus deu sabedoria a Salomão até na sua forma de se alimentar. Issoretrata que devemos cuidar com o que nos alimentamos porque o nosso corpo é templo do EspíritoSanto. Esse cuidado deve ser extensivo também a nossa alimentação espiritual, devemos cuidar comque tipo de alimento espiritual estamos nutrindo a nossa alma. Em se tratando do trabalho dosdiáconos é bom lembrar que não só a comida posta na mesa era boa, mas também a arrumação damesa chamou a atenção da rainha. Servir as n1esas é um trabalho dos diáconos. Assim diz o texto:"Então os doze, convocando os discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra deDeus, e sirvamos às mesas." (At 6.2). É trabalho dos diáconos arrumar as mesas para o café aosdomingos a tarde, servir os irmãos da melhor maneira possível, arrumar a mesa da ceia do Senhor,guardar os utensílios como: toalhas, cálices, mandar lavar e passar toalhas da ceia e os panosutilizados dentro da igreja. Todos estes são alguns dos serviços dos diáconos.e) O assentar de seus oficiaisOs oficiais de Salomão tinham postura tão digna de um oficial do rei, que deixou, também, arainha de Sabá perplexa. A forma deles assentarem diante do rei foi um bom exemplo de postura.Isto revela que os obreiros devem ter boas maneiras e primar por uma postura que dignifique ao Reidos reis e Senhor dos senhores. Os oficiais aqui podem ser uma figura dos diáconos, presbíteros,evangelistas e pastores da Igreja. Os diáconos bem podem estar sentados dentro do templo, masprecisam estar atentos a tudo que está acontecendo, sendo diligentes para agir quando precisodispensando, até mesmo, a necessidade de o pastor ter que pedi-Ios para atender a algumademanda dentro da igreja.f) O serviço de seus criadosOs criados eram os servos que cuidavam dos serviços gerais do palácio real. Eles faziam seusserviços com tanta disciplina e discrição, que mesmo sendo criados que prestavam serviços demanutenção do palácio real, foram motivos de apreciação por parte da rainha de Sabá. Os servos deSalomão, apesar de serem criados, não deixaram de chamar a atenção da rainha de Sabá, através daprestação do serviço de manutenção da ordem funcional do palácio. Isso é uma grande lição paraaqueles irmãos na igreja que cuidam da manutenção da casa de Deus, ou seja, os auxiliares detrabalho, os diáconos. Os criados eram responsáveis pelos preparativos das atividades do palácioreal. A eles competiam arrumar e manter arrumado o local de atividades dentro do palácio como osalão de festas, salão de reuniões, cuidar da limpeza, iluminação, ventilação etc. A rainha ficoucomovida ao ver que nada era feito de última hora, tudo era muito bem organizado. Isso deixa claropara os diáconos, e auxiliares de trabalho, que a pontualidade no serviço da casa de Deus fala alto econtribui para a boa fama da igreja.g) A rainha também reparou os trajes deles9
  10. 10. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoA maneira de se vestir dos oficiais e dos criados de Salomão também abismou a rainha deSabá. Ora, se para estar diante do rei Salomão os seus criados e oficiais se vestiam tão bem a pontode chamar a atenção da rainha, imagine como os obreiros, que servem na casa do Senhor, devemtrajar-se. No Evangelho segundo Lucas está escrito que entre nós está alguém maior que Salomão."A rainha do Sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois dosconfins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é maior do que Salomão." (Lc11.31).Como já falamos anteriormente a primeira impressão é a que fica. Os diáconos e auxiliares detrabalho não devem vir à igreja prestarem serviços mal trajados. Estes devem, portanto, apresentar-se sempre da melhor forma possível, de preferência procurar ir de terno para os cultos. Pelo fato deterem que tirar oferta e desenvolver determinadas tarefas na igreja que requerem movimentação,os diáconos são os que mais são vistos na igreja. Um diácono mal arrumado depõe contra aestrutura organizacional e estética da igreja. Queridos obreiros está na hora de renovarmos nossosguarda-roupas para estar na presença do nosso grande Rei Jesus.h) Seus copeirosOs copeiros tinham uma grande responsabilidade: eram eles que experimentavam o que o reibebia e comia antes do rei, comer e beber. O Antigo Testamento destaca Neemias como copeiro dorei: " ... eu era copeiro do rei. No mês de Nisã, no vigésimo ano do rei Artaxerxes, quando lhetrouxeram o vinho, eu o tomei e o dei ao rei ... "(Ne 1.11,12)Os copeiros retratam obreiros que cuidam de seus pastores, tanto os servindo, quantoprotegendo-os, de qualquer projeto maquiavélico de Satanás contra eles. Os diáconos são osguardiões tanto da casa do Senhor, como dos homens de Deus que são colocados para cuidar doReino. Os diáconos devem estar sempre com a atenção voltada para seu pastor, para servi-Io, paraprotegê-Io de emboscadas, laços, armadilhas, falsos irmãos que entram na igreja com capa deovelha, defender a obra de Deus de venenos destilados pelos inimigos da obra de Deus. Estevão, poramor a obra de Deus, morreu apedrejado.i) Os holocaustos que ele oferecia na casa do SenhorOs holocaustos retratam como Salomão oferecia culto ao Senhor. Isto também impressionoua rainha de Sabá. Salomão não economizava quando oferecia culto a Deus. A Bíblia revela um cultooferecido por Salomão ao Senhor, que deve ter sido a razão pela qual a rainha de Sabá ficou fora desi. O texto diz:"E o rei Salomão ofereceu em sacrifício vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas.Assim, o rei e todo povo dedicaram a casa de Deus." (II Cr 7.5). Imagina o trabalho que os criados deSalomão tiveram para ajudar Salomão preparar um holocausto tendo que imolar vinte dois mil boise cento e vinte mil ovelhas? Obviamente a rainha de Sabá ficou boquiaberta com a maneira queSalomão oferecia culto a Deus, sem reservas. No entanto o que mais chamou a atenção dela foi adisposição dos criados no preparo do holocausto. Hoje nós não fazemos sacrifícios desse gêneroporque estamos na dispensação da graça. Com o advento do Cristo e sua morte, rituais como estesutilizados no Antigo Testamento já não mais são necessários, tendo em vista de que Jesus foi osacrifício perfeito e definitivo quando se entregou em holocausto por todos nós.REFLEXÃO10
  11. 11. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoUm dos propósitos deste curso é a preparação daqueles que foram separados para esteimportante negócio na obra de Deus, capacitando os mesmos a impactar a igreja, por meio daprestação de um serviço com tanta qualidade, que a os servos de Salomão deixaram a rainha deSabá pasmada e também serão capazes de deixar muita gente admirada pelo que serão capazes defazer para glória do nome do Senhor.5. O PERFIL DE UM BOM DIÁCONO A LUZ DA BÍBLIAa) Um bom diácono precisa ser uma pessoa vocacionada para servir.O que valida o ofício de diácono é a vocação para servir e como diz o salmista: "servir comalegria”. De modo que ninguém pode executar o ministério de diácono, correta e ordenadamentesem ter sido vocacionada antes por Deus para servir em Sua obra. O bom diácono é aquele que estádisposto a aprender, aquele que está disposto a ser bem treinado para o exercício do oficio querecebeu da parte do Senhor. Disse Jesus: "Se alguém vem a mim e ama a seu pai, sua mãe, suamulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode sermeu discípulo. E aquele que não carrega sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo." (Lc14.26,27).b) Um bom diácono precisa ter boa reputação para servir"Escolhei, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e desabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio." (At 6.3 )A idéia de boa reputação está relacionada com a idéia de bom testemunho das pessoas dedentro da igreja e das de fora. O apóstolo Paulo disse: "Também é necessário que tenha bomtestemunho dos que estão de fora, para que não caia em opróbrio, e no laço do diabo." (I Tm 3.7). Odiácono não pode ser aquela pessoa rabugenta, mau humorada, indelicada, que trata mal aspessoas. Se ele proceder assim obviamente não terá o bom testemunho dos irmãos da igreja. Odiácono precisa ser uma pessoa afável, amável, cortez, cavalheiro, primar pela boa educação notratamento para com os irmãos, sendo assim uma pessoa estimada, amada e respeitada por todos.c) Um bom diácono precisa ser cheio do Espírito Santo para servir"Escolhei, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e desabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio."( At 6.3 ).Apesar do trabalho do diácono ser um trabalho que muitas vezes, ganha conotação deserviço material na igreja. O bom diácono é aquele que desenvolve seu ministério dentro ou fora daigreja na direção do Espírito Santo. Para isso ele procura viver uma vida de oração, jejum emeditação na palavra de Deus, para se manter cheio do Espírito Santo assim como Estevão. O textobíblico diz: "Ora, Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo";"Mas ele cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava àdireita de Deus." (At 6.8; 7.55)d) Um bom diácono precisa ser cheio de sabedoria para servir"Escolhei, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e desabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio." (At 6.3). O serviço de diáconoexige muita sabedoria, para ser desenvolvido. O diácono é aquela pessoa que lida com todo tipo de11
  12. 12. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatogente na igreja. Ele lida e tem que servir desde o visitante não crente até o pastor da igreja. Logo, odiácono tem que se prostrar diante de Deus pedindo sempre sabedoria para desenvolver oministério que Deus o delegou. O apóstolo Tiago disse: Ora, se alguém de vós tem falta desabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e não censura, e ser lhe-á dada." (Tg 1.5 )e) Um bom diácono precisa ser um homem que exerça seu ministério com consciência limpa"Da mesma forma os diáconos sejam respeitáveis, sinceros, não dados a muito vinho, nãocobiçosos de sórdida ganância, conservando o ministério da fé com a consciência pura." (I Tm. 3.8.9)Os diáconos são homens de confiança, por isso precisam ser pessoas respeitadas, pessoassinceras, pessoas de consciência pura. Não devem ser pessoas de dupla personalidade, que pensamLima coisa e dizem outra, pessoas que mudam de postura de acordo com suas própriasconveniências. Também não devem confundir a idéia de serem pessoas de palavra com a idéia deserem pessoas teimosas e inflexíveis.6. O QUE A IGREJA ESPERA DOS DIÁCONOS?a) Pontualidade no cumprimento de seus deveresOs diáconos que desejam primar pela boa reputação, não devem chegar à igreja atrasadosem nenhuma de suas programações. A pontualidade no cumprimento dos deveres na obra de Deusé o cartão de visita do diácono. É uma questão de honra para o diácono chegar cedo na igreja edeixar todo ambiente preparado para o início da programação. Seja culto, Escola Dominical, mesa docafé, instrumentos, microfones, arrumação do salão, salas de aula, banheiros, etc.b) Serem dizimistas e ofertantes servindo de exemplo para os fiéisComo um diácono vai recolher dízimos e ofertas dos irmãos se ele mesmo não é dizimista enão coopera com ofertas alçadas? É um contra-senso levar as pessoas a fazerem aquilo que nãopraticamos.A igreja espera que os diáconos sejam homens irrepreensíveis no aspecto moral eespiritual.Se é responsabilidade dos diáconos zelar pela boa ordem da obra de Deus, eles não pode sermaus exemplos para o povo de Deus em absolutamente nada. Se as pessoas não devem ficar do ladode fora batendo papo, muito menos um diácono. Se as pessoas não devem conversar dentro daigreja, ou chupar bala, mascar chicletes, atender telefone etc., o que dizer de um diácono.7. QUAL A RECOMPENSA QUE OS DIÁCONOS TERÃO PELO TRABALHO PRESTADO?1. Os diáconos serão honrados por Deus pelo trabalho prestado ao seu reino"Aquele que me serve deve seguir-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. Ese alguém me servir, meu Pai o honrará." (Jo 12.26)2. Os diáconos que servirem bem, serão estimado pela igreja e alcançarão posição de honrana obra de Deus12
  13. 13. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato"Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição, e muitaconfiança na fé que há em Cristo Jesus." (I Tm 3.13)3. Cada serviço prestado pelos diáconos será lembrado de forma graciosa por Deus"Deus não é injusto; ele não se esquecerá da vossa obra, e amor que para com o seu nomemostrastes, pois servistes e ainda servis aos santos." (Hb 6.10)4. O serviço prestado pelos diáconos será recompensado por Deus"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes sempre abundantes na obra doSenhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão." (I Co 15.5)8. CONCLUSÃOQue Deus em Cristo Jesus possa aplicar esta lição no coração de cada diácono ou aspirante aodiaconato. Que ambos tenham consciência de que o diaconato é um importante negócio esta-belecido por Deus para servir a igreja tanto como corpo místico de Cristo, como uma grandeinstituição organizacional.BibliografiaRIBEIRO, Samuel César Pastor. Fazendo a diferença no Ministério como Diácono. 200613
  14. 14. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoDISCIPLINA: HISTÓRIA DA IGREJA14
  15. 15. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoI – INTRODUÇÃO.Definição de Igreja.A palavra igreja vem do grego eklesia, que tem origem em kaleo ("chamo ou convosco"). Naliteratura secular, eklesia referia-se a uma assembléia de pessoas, mas no Novo Testamento (NT) apalavra tem sentido mais especializada. A literatura secular podia usar a apalavra eklesia para denotarum levante, um comício, uma orgia ou uma reunião para qualquer outra finalidade. Mas o NTemprega eklesia com referência à reunião de crentes cristãos para adorar a Cristo.Contribuições para o Surgimento e Expansão da Igreja.A "Plenitude dos tempos"Lendo Marcos 1:15 e Gálatas 4:4. Estes textos revelam que Jesus Cristo não nasceu numaépoca qualquer, mas ao chegar a "plenitude dos tempos". Como as profecias messiânicas nãoapontam para uma data da vinda do Messias, não se podem interpretar esses textos como fazendoalusão ao cumprimento de uma profecia específica. De acordo com os estudiosos, a interpretaçãoadequada de "plenitude dos tempos" é: "tempo certo”, “momento ideal", "ocasião propícia"designada por Deus, mas não revelada nas profecias escritas.Assim, temos a seguinte definição técnica para a expressão "plenitude dos tempos": época oucontexto histórico cuja realidade (acontecimentos) foi tremendamente favorável ao objetivo da vindade Cristo ao mundo, que é a anunciação e propagação universal do Evangelho do Reino de Deus. Anatureza dessa realidade é a uniformização cultural e política propiciada pelo sistema administrativodo império romano, somadas as outras contribuições religiosas (dos judeus) e culturais (dos gregos)que já faziam parte desse ambiente mundial.II. A IGREJA DAS ANTIGUIDADES.A Influência do Judaísmo na Igreja.Para entender a história do cristianismo, é necessário conhecer um pouco do contexto em quea nova fé foi abrindo caminho e estruturando sua vida e suas doutrinas.O pano de fundo mais imediato da igreja nascente foi o Judaísmo – primeiramente o judaísmoda Palestina e posteriormente o que existia fora da Terra Santa.O judaísmo da Palestina já não era aquele que conhecemos pelos livros do Antigo Testamento.Mais de trezentos anos antes de Cristo. Alexandre Magno, o grande, tinha criado um vasto impérioque se estendia da Grécia ao Egito e até as fronteiras da Índia, o qual, portanto, abrangia todapalestina. Uma das conseqüências dessas conquistas foi o “helenismo”, nome que se dá a tendênciade combinar a cultura grega, que Alexandre tinha trazido, com as culturas antigas de cada uma dasterras conquistadas.Esse judaísmo da Palestina não era todo igual; pelo contrário, havia nele partidos e posturas religiosasdiferentes. Entre eles se destacavam os Zelotes, os fariseus, os saduceus e os essênios. Esses gruposdivergiam quanto a maneira de servir a Deus e também quanto a postura diante do Império Romano.Mas todos concordavam que há um só Deus, que esse exige certa conduta da parte do seu povo e que15
  16. 16. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoalgum dia ele cumprirá suas promessas a esse povo.Fora da Palestina, o judaísmo contava com fortes contingentes no Egito, na Ásia Menor, emRoma e até nos territórios da antiga Babilônia. Trata-se da “Dispersão” ou “Diáspora”, conforme sechama. O judaísmo da Diáspora mostrava sinais do impacto das culturas vizinhas. No Império Romano,esse impacto manifestava-se no uso da língua grega – a língua mais generalizada no mundo helenista– além do hebraico ou do aramaico – a língua mais usada na parte da Diáspora que se estendia até aBabilônia. Foi por isso que na Diáspora, no Egito, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Essatradução se chama “Septuaginta”, e foi a Bíblia que os cristãos de fala grega usaram durante muitotempo. Também no Egito viveu o judeu helenista Filo de Alexandria que tentou combinar a filosofiagrega com judaísmo, sendo, portanto, precursor de muitos teólogos cristãos que tentaram fazer amesma coisa com o cristianismo.O Avanço do Cristianismo.As Perseguições e a Paz.IMPERADOR ANO FATOS/ACONTECIMENTOS MARTIRESTIBÉRIO 14 – 37 Perseguição Judaica sem intervenção doImpérioEstevão 35GAIO 37 – 41 Perseguição Judaica sem intervenção doImpérioTiago (disc.) 42CLAUDIO 41 – 54 Período da expulsão dos Judeus de Roma. Tiago 62NERO 54 – 68 64 – 68 Perseguição oficial no Impériocomeçou em Roma depois do grandeincêndio 64 A.C.VESPASIANO 69 – 79 Não houve perseguição diretamentecontra os cristãos, pois o imperadorestava ocupado em guerrear contraJerusalém.TITO 79 – 81 Filho de Vespasiano terminou o conflitode Jerusalém destruindo a cidade.Flavio ClementeDOMICIANO 81 - 96 95-96 João exilado na Ilha de Patmos eexílio de Domitila,; desenvolvimento doculto do imperadorNERVA 96 – 98 João e Domitila Libertados16
  17. 17. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoTRAJANO 98 – 117 Não procura os cristãos, nem aceitosacusações anônimas.Inácio (de Antioquia).ADRIANO 117 – 138 Seguia a política de Trajano e nãoaceitava acusações anônimas contra oscristãos.ANTONINO, O PIO 138 – 161 Policarpo (de Esmirna) 155/156MARCO AURELIO 161 – 180 177 perseguições ferozes na Gália (Lião eViena )Justino, 165 / Fotino, 177/Blandina 177CÔMODO 180 – 193 Vários cristãos condenados as minas naSardenha foram soltos.SÉTIMO SEVERO 193 – 211 202 -206 decretou que era ilegal tornar-se judeu ou cristão; perseguição feroz aoEgitoLeônidas (Alexandria) Perpetuae Felicidade (Cartago)VÁRIOSIMPERADORES206 – 250 Paz: A igreja aumentou.DÉCIO 249 – 251 250 – 251 Décio queria uma religião noimpério; requereu que todas tivessemcertificado de sacrifício (libelli); 1ªperseguição universal; problemas doscaídos e sua reentrada na Igreja.Fabiano (de Roma)Orígenes (morreupoucos anos depois datorturas sofridasVALERIANO 253 – 259 Em 253 diminuiu a persegução deciana;mas em 257 proibiu reuniões cristãs noscemitérios e, em 258, ordenou aexecução dos líderes da Igreja.Sixto II (de Roma)Cipriano (de Cartago).VÁRIOSIMPERADORES260 -300 Paz: a igreja aumentou; o imperadorGalieno (260-269) revogou os decretoscontra os cristãos, restaurou seuscemitérios e proibiu os maus trados.DIOCLECIANO 284 -305 303 -305 - Perseguição final (incitada econtinuada por Galério); edito ordenou adestruição dos prédios das igrejas e ascópias das Escrituras. Os cristãos queentregavam as Escrituras eram chamadosde “traidores”GALÉRIO 305 – 311 306 – 311 perseguição até a promulgaçãodo Edito de TolerânciaCONSTANTINO 313 Edito de Milão: Terminou aperseguição oficial do cristianismo noimpério.A primeira tarefa do cristianismo foi definir sua própria natureza em contraste com o judaísmodo qual surgiu. Como se vê no Novo Testamento, boa parte do contexto em que essa definição foi feitaconsistia na missão aos gentios.O cristianismo não demorou em ter seus primeiros conflitos com o Estado, esses conflitos com17
  18. 18. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoo Estado produziram mártires e apologistas. Aqueles selaram o seu testemunho com o próprio sangue.Em atos dos Apóstolos, quando os cristãos são perseguidos, os perseguidores são geralmentesão os lideres religiosos entre os judeus com aval do imperador da época .Além disso, em várias ocasiões as autoridades do império intervêm para deter um motim,livrando indiretamente os cristãos de dificuldades.Em pouco tempo, as coisas começaram a mudar e o império começou a perseguir os cristãos,no século I, as piores perseguições aconteceram com Nero (54 – 68) e com Domiciano (81 – 96). Porcruentas que tenham sido, parece que as perseguições foram relativamente locais.No século II a perseguição foi se tornando mais generalizada, ainda que, a grosso modo, tenhaseguido a política de Trajano (98 – 117) de castigar os cristãos se alguém os delatasse, mas semempregar os recursos do Estado para sair em busca deles. Por isso, a perseguição foi esporádica edependeu muito das circunstancias locais. Entre os mártires do século II contam Inácio de Antioquia,de quem cujo martírio inda existe um relatório muito fidedigno, e os mártires de Lion e Vienne naGália.No século III, embora com longos intervalos de relativa tranqüilidade, a perseguição foi seintensificando. o imperador Sétimo Severo (193 – 211) seguiu uma política sincretista e decretos apena de morte para quem se convertesse a religiões exclusiva como o judaísmo e o cristianismo. Nessaperseguição Perpetua e Felicidade foram martirizadas. Décio (249 – 251) ordenou que todossacrificassem diante dos deuses e que se expedissem certificados disso. Os cristãos que se recusassema tal deveriam ser tratados como criminosos. Valeriano (253 – 260) seguiu uma política semelhante.Entretanto, a pior perseguição veio com Diocleciano (284 – 305) e com seus sucessoresimediatos. Em primeiro lugar, os cristãos foram expulsos das legiões romanas. Em seguida, foiordenada a destruição dos seus edifícios e dos livros sagrados. Finalmente, a perseguição segeneralizou, e todos os tipos de tortura começaram a ser praticados contra os cristãos.Quando morreu Diocleciano, alguns dos seus sucessores continuaram a mesma política, até quedois deles, Constantino (306 – 337) e Licínio (307 – 323), puseram fim a perseguição por meio do“Edito de Milão”.III. ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO PAPADORecomendamos a leitura de: Cairns, Earle. O Cristianismo Através dos Séculos, p 122-131 Gonzales,Justo. A Era dos Gigantes. p.57-78. e A Era das Trevas. p.39-59.V. QUEDA DE ROMA E EVANGELIZAÇÃO DA EUROPAO quarto e o quinto século viram a continuação do declínio do império romano e finalmente suaqueda no ocidente. Constantino governou o império a partir de 323 com energia e sabedoria.Transferiu a capital para a sua nova e belíssima cidade de Constantinopla (Istambul). Depois dele,verificou-se novamente a divisão de autoridade até Teodósio o qual, já governando no oriente obteveo poder total que manteve de 392 a 395. Foi ele o último a manter o domínio de todo o mundoromano. Depois dele, houve duas linhas de imperadores, do oriente e os do ocidente, com as capitaisem Constantinopla e em Roma. Durante todo esse tempo o império vinha-se esfacelandointernamente enquanto, se acentuavam os ataques externos dos bárbaros.Em 378, verificou-se em Adrianópolis uma das mais decisivas batalhas do mundo, em que osvisigodos que habitavam o Baixo Danúbio derrotaram os romanos sob o comando de Valêncio emataram este imperador. Em 410 sob as ordens de Alarico, procederam o saque de Roma.Finalmente, em 476, o general germânico Odoacro destronou Romulo Augusto, o último imperador18
  19. 19. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoromano do ocidente e ocupou o governo.Os historiadores não são unânimes em apresentar as causas da queda do império romano.Elas são difíceis de determinar, especialmente sendo que é difícil distinguir entre causas e sintomas.Algumas sugestões são: Degeneração moral, fatores político militar, destruição da iniciativa criativados gregos, a falta de uma economia verdadeiramente capitalista, problemas de malária, peste,guerra, mistura com outras raças. Todos estes elementos estão intimamente relacionados econtribuíram para a queda de Roma.Evangelização da EuropaInglaterra. De Roma, o papa Gregório I enviou cerca de 40 monges chefiados por Agostinho,prior de um mosteiro romano, como missionários à Inglaterra. Em 597 aportaram à foz do Tâmisa.Naquele mesmo ano, Ethelberto rei de Kent, foi batizado e seu reino tornou-se quase todo cristão.Agostinho foi nomeado primeiro arcebispo da Inglaterra, com sede em Cantuária (Canterbury).Outros missionários romanos seguiram a esse primeiro grupo. Outro importante centro missionáriose estabeleceu em York, no norte da Inglaterra.Os ingleses enviaram a outros povos alguns dos seus mais nobres missionários. O maior delese de todos os missionários deste período, foi Bonifácio (680-755). Nasceu em Devonshire, de paisricos. Tornou-se famoso por sua cultura, eloqüência e piedade. Ainda moço se sentiu chamado paraevangelizar os germanos. Conseguiu permissão do papa para trabalhar como missionário na Turingia.Ali trabalhou de maneira assombrosa, pregando, batizando, fundando escolas e mosteiros,instituindo uma organização eclesiástica no sul da Alemanha, país que ele conquistou para oCristianismo.O "apóstolo do norte"foi Ansgar (801)865), francês de família nobre, monge de Corbey. Seudesejo era pregar aos pagãos. A oportunidade lhe apareceu com o desejo de Luiz, o Pio, filho deCarlos Magno, de enviar um missionário à Dinamarca. Depois de ali permanecer vários anos,atravessou a Suécia com alguns companheiros, e lá iniciou o trabalho evangélico. Foi depois sagradobispo de Hamburgo com autoridade missionária sobre todo o norte. Seus companheiros foramespalhados e sua diocese saqueada pelos piratas; mas restaurando suas forças, viu, afinal ocristianismo estabelecido na Suécia, embora que este só se torna-se forte no século XIA primeira das terras eslavas a ser evangelizadas foi a Morávia, no século IX, por dois grandese notáveis irmãos, Constantino (Cirilo) e Metódio, gregos de Tessalônica.Pouco depois, o cristianismo foi estabelecido entre os sérvios e os 8búlgaros, como também naBoêmia. Em vários países o cristianismo foi imposto pela força, pelos respectivos governos e, àsvezes, de modo bem cruel. Tal foi o caso da Noruega e da Polónia.Recomendamos a leitura de Cairns, Earle. O Cristianismo Através dos Séculos p.137-168. eGonzales, Justo. A Era das Trevas. p. 1-38.O APOGEU DO PODER PAPALAs origens do bispado romano se perderam na penumbra da história. A maior parte doshistoriadores, tanto católicos como protestantes, concorda que Pedro esteve em Roma, e queprovávelmente morreu nesta cidade durante a perseguição de Nero. Porém não existe nenhumdocumento antigo que diga que Pedro transferiu sua autoridade apostólica aos seus sucessores.Quando os bárbaros invadiram o império a igreja do ocidente começou a seguir um rumo bem19
  20. 20. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatodiferente da do oriente. No oriente o império continuou existindo, e os patriarcas continuaramsubordinados a ele. No ocidente entretanto, o império desapareceu, e a igreja veio a ser a guardiã davelha civilização. Por isto o patriarca de Roma, o papa, chegou a ter grande prestígio e autoridade.As Causas do Apogeu do PapadoNo período da idade média aparece um dos grandes papas (nomeado anteriormente),Gregório I, chamado o Grande. O fato de sua eleição ao papado (590) para alguns marca o início doperíodo medieval ou um período da história da igreja. Ele era de caráter irrepreensível, muitohonrado por sua bondade e modo de vida, de uma austeridade muito severa. Valendo-se dos seusdons extraordinário, Gregório tirou o máximo de proveito da sua posição de bispo de Romaconstituindo-se em patriarca do ocidente. Defendeu e impôs constantemente a sua autoridade sobreesta grande parte da igreja. Conseguiu que os mais fortes bispos metropolitanos reconhecessem asuperioridade de Roma. Fez com que o culto seguisse o ritual romano. Enviou missionários adiferente lugares. Ele muito trabalhou para purificar e fortalecer a Igreja, cuidando dos pobres eenviando o cristianismo aos pagãos.Além do mais, não havia na Europa ocidental nenhum governo civil bastante forte entre o ano400 e o tempo de Carlos Magno (768-814), e mesmo depois de Carlos Magno, até aparecer Oto I. Nãohouve por todo esse tempo qualquer governo que ministrasse justiça e impusesse a ordem e a paz.Mas em Roma, a antiga sede do poder mundial, estava o bispo exercendo um ofício então julgadosanto, visto crer-se ter sido primeiramente exercido por um apóstolo. Esse pode de Roma pretendia odomínio mundial da Igreja, e tentava alcançar todo mundo ocidental com a sua soberania. E muitosdos bispos de Roma foram homem fortes e capazes de governar. Em toda Europa ocidental, pormuitos anos, o papa era o único representante de um governo permanente. Nesta situação, o poderdo papado inevitavelmente cresceu por todo o ocidente e, em menor grau, em outras partes daIgreja.Os papas exerciam justiça, pois foi durante o pontificado de Nicolau I, (858-867), Lotário, reida Lorena, repudiou a esposa, substituindo-a por outra mulher e, não obstante, conseguiu aprovaçãodos arcebispos subservientes do seu reino. Tal situação, constituía, naturalmente, uma grave ameaçaà moralidade. Mas o papa depois de uma forte luta, compeliu o rei a receber a esposa e despedir arival. Nenhum outro governo no mundo teria realizado esse feito. Mas a autoridade do chefe daIgreja, baseada no temor da excomunhão que, como se cria, significava a morte eterna, contribuiupara alcançar essa vitória. O papa aparecia assim, encarnando um poder acima dos reis, poisrepresentava a lei moral. Tais circunstancias fortaleciam cada vez mais o papado, que tanto podia seruma força para o bem, como para o mal.Outra coisa que muito fortaleceu o papado foi a situação de muitos papas como governadorescivis de Roma. Esse governo civil é conhecido como o "poder temporal". Muitas vezes em épocas decalamidades pública, como de pestilência ou fome, perigo de invasão, motins ou desordens emgerais, os bispos tiveram de assumir o governo da cidade. Além das cidades, os papas governavamextensos territórios na Itália, os quais lhes foram doados por Pepino, rei dos francos, pai de CarlosMagno.As missões também contribuíram em parte para o soerguimento do poder de Roma. quandoos papas enviavam missionários, encarregavam-nos de tornar as terras conquistadas obedientes aopapa. Assim cada conquista do cristianismo era outra para o poder papal.O avanço do islamismo ajudou aumentar o poder papal. Quando a Ásia ocidental e a África do20
  21. 21. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatonorte cairam sob a dominação árabe, a Igreja foi terrivelmente enfraquecida no oriente. Três doscinco patriarcados (Alexandria, Jerusalém, Antioquia), cairam sob o domínio de uma religião que erainimiga mortal do cristianismo. Enquanto isso, a Igreja no ocidente crescia vantajosamente por meiodas suas missões. De modo que, a parte da Igreja que reconhecia a soberania do papa, cresceu emimportância enquanto a parte oriental, em que tal soberania não era reconhecida, se tornou menor eenfraquecida.Recomendamos a leitura de: Cairns, Earle. O Cristianismo Através dos Séculos. p.146-177 eGonzales, A Era das Trevas. p.61-85EXPANSÃO DO MONACATOMenos de um século depois da morte de Bento de Nursia as conquistas dos bárbaros na Itália,Galia e Espanha foram reconquistadas para o império. Os territórios da Inglaterra, Alemanha eEscandinávia foram incorporados ao cristianismo ou abertos a trabalhos missionários. Os beneditinostiveram grande participação nesta evangelização. Até o XIII século os beneditinos tiveram um quasemonopólio do monacato, sendo os cistercianos e os de Cluny apenas reforma dos beneditinos. Osmovimentos monásticos continuaram a se multiplicar durante os quatro séculos que compreendemos anos 950 e 1350 e que alcançaram o apogeu no século XIII.Os cistercienses. No século XII, a direção da vida monástica passou para este grupo. Elescomeçaram com Roberto, monge beneditino o qual devido ao seu zelo por reformas e observânciaestrita do ideal monástico, atraiu muitos eremitas. Os cistercienses seguiam a disciplina beneditina.Mas tinham cinco características peculiares. Primeiro, era a vestimenta. No lugar de roupa preta dosbeneditinos, levavam a cor branca grisalha e frequentemente eram chamados dos "monges brancos".Outra marca distintiva foi a observância da regra de estrita pobreza. Tanto roupas como comidasdeveriam ser simples. Terceiro, eles se estabeleciam nos seus mosteiros em lugares remotos dapopulação. Eles limpavam e cultivam os seus terrenos com seu próprio trabalho. Em quarto lugar,reduziram o tempo dedicado aos serviços litúrgicos. E por último, a disposição de unificar todas ascasa monásticas numa só ordem.Os dominicanos. A ordem dos "frades pretos"surgiram no XIII século para ir ao encontro doselo, ascetismo e devoção dos catari e waldenses. Um espanhol cujo nome era Domingos (1170-1221), possuía grande cultura universitária quando se tornou sacerdote. Após os 30 anos de idadeviajou pelo sudeste da França onde observou a necessidade de reformas e da pregação da verdadecristã. Concebeu o plano de organizar uma companhia de pregadores que devia viajar por toda aparte ensinando o povo. O pedido de formar uma ordem foi recusada aprovação pelo papa no IVconcílio de Latrão (1215) mas foi aprovado por Honório III em 1216. O propósito dos dominicanos eraser humilde, abnegado, democrático, bem como douto. São pregadores e professores. Esta ênfasesobre erudição eventualmente deu um sabor aristocrático à ordem. Como metodologia, procuraramse espalhar pelos centros de educação (Paris, Roma, Bologna). Localizados em cidades universitárias,logo foram representados nas congregações das universidades. Entre os mais conhecidos de entãosão: Albertus Magnus e Tomas de Aquino (teólogos); Eckhart e Tauler (místicos). Hoje sãorepresentados pela Êcole de Jerusalém (Bíblia e comentários).Os franciscanos. Ordem fundada por São Francisco de Assis (1182-1226). Este se dedicou aimitar Cristo com toda sinceridade. Quis restaurar as igrejas, pregando em pobreza o21
  22. 22. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoarrependimento. Inocêncio III aprovou a ordem em 1210. Tomou a mendicância como a práticanormal de vida. Embora hierárquica como a dominicana, a franciscana era mais democrática. Aordem fortaleceu o papado às custas do sacerdócio normal. Os franciscanos podiam pregar eabsolver em qualquer lugar. Trabalhando nas cidades, se aproximaram mais do povo e assimminaram a força dos hereges. Desenvolveu uma terceira ordem (terciários), a segunda era mosteirospara as mulheres, em que as pessoas ficaram em suas ocupações ordinárias, vivendo uma vida semi-monástica. A fraternidade se desenvolveu rapidamente para além das fronteiras, pois quando sereuniram pela segunda vez em 1217, havia irmãos franciscanos na Alemanha, Hungria e Espanha e jáiniciadas as missões em terras pagãs. Apesar de modificados os ideais de S.Francisco, os franciscanosconservaram ainda por muitos anos muita coisa do espírito do fundador de aquela organização. Ondehavia gente desamparada e sofredora, os franciscanos apareciam para ajudar.A sociedade de Jesus. Ordem fundada por Loyola em 1540, plena época da Reforma, ala édiferente das dominicanos e franciscanos, em que a estrutura é ditatorial, exigindo obediênciaabsoluta ao superior e sendo totalmente a serviço do papar. Teve grande influência sobre o Concíliode Trento e tornou o meio pelo qual a contra-reforma foi propagada. Até meados do século XVIIIsustentava 669 faculdades e se tornou muito rica.Como um dos propósitos da sociedade era lutar contra o protestantismo eles usaram 3métodos principais: primeiro, nas igrejas que estabeleceram ou naquelas que conseguiram controlar,colocavam hábeis pregadores e promoviam reuniões atraentes. Colocaram assim, nova vida no cultopúblico da Igreja Romana. Também dispensavam muita atenção à obra educacional. Abriram escolasprimárias que logo se enchiam, pois o ensino era gratuito e bom. Os alunos eram, naturalmente,treinados a demonstrar devoção a I. Católica Romana e, através dos filhos, os jesuítas alcançavam ospais. Um terceiro método era de caráter político. Os jesuítas se dedicaram a inspirar nos governantescatólicos, devoção à Igreja e ódio ao protestantismo. como resultado dessa política, se levantaramtremendas perseguições aos protestantes em vários países. A pressão jesuítica era constante epoderosa no ânimo dos governos. Dentro de poucos anos, os jesuítas se tornaram dominadores daI.C. Romana. O espírito deles era o da contra reforma e o seu ideal esmagar os dissidentes.Ao ser feita uma avaliação destes movimentos religiosos, geralmente os protestantesdestacam as fraquezas e as más atuações dos religiosos, mas apesar destes maus resultados, omonasticismo no princípio: atraiu poderosamente pagãos ao cristianismo. Fizeram grande obramissionária. Produziu uma forte resistência ao mundanismo. Promoveu muitas vezes o estudoteológico e, mais tarde cultural. Foi um lugar de refúgio para a escória da sociedade. Também setornaram pioneiros da civilização ocidental. Também a obra agressiva da igreja católica romana temsido feita quase que exclusivamente por monges. Além do mais não pode ser esquecido que aproteção e a evangelização dos povos americanos foi feita quase que exclusivamente pormissionários franciscanos (espanhol) e jesuítas (português). Cp. Bartolomé de las Casas e Anchieta.Ao mesmo tempo podemos destacar alguns pontos gerais que caracterizam este movimentomonástico especialmente nestes quatro séculos de 950 a 1350.1o. A vida monástica parecia ser o caminho que levava a uma vida cristã perfeita e se alcançava asalvação da alma.2o. Todos os esforços por alcançar o ideal cristão através do sistema monástico, perdiam a sua forçae as instituições criadas por eles tendiam a se corromper.22
  23. 23. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato3o. Devido a este relaxo, de tempo em tempo, surgiam e floresciam novos movimentos monásticos.4o. Este movimentos eram extremamente variados, pois mostravam uma separação total do mundomas ao mesmo tempo iam ao mundo para alcançar mais homens e mulheres para a fé cristã.5o. A grande maioria dos novos movimentos monásticos tinham seu origem na Itália, naquilo quetinha sido a Galia, áreas que por muito tempo professavam a fé cristã. Poucos surgiram em regiõescomo Inglaterra, Escócia, Alemanha do Norte, Escandinávia, Espanha.6o. Os fundadores das novas ordens eram principalmente da aristocracia exceto Francisco de Assis,embora pertencia a classe dos comerciantes e não dos plebeus.7o. Havia um grande desejo de tornar mais profunda, mais inteligente e mais efetiva a lealdade a fécristã, a qual era meramente nominal por parte dos convertidos em massa nos primeiros séculos.8o. Estes movimentos eram um esforço para purificar a Igreja e ao mesmo tempo elevar o nível moralde toda a população que levava o nome de cristão.Recomendamos a leitura de: Gonzales Justo, A Era das Trevas. p.87-181 e A Era dos Altos Ideais, p.1-46AS CRUZADASAs cruzadas são, sob vários aspectos, o fenômeno mais notável da idade média, foi umfenômeno avassalador, dramático. Durante vários séculos a Europa ocidental derramou o seu fervore seu sangue em uma série de expedições cujos resultados foram, nos melhores casos, de poucaduração; e nos piores casos trágicos.Objetivos e Causas das cruzadasEra derrotar os muçulmanos que ameaçavam Constantinopla, salvar o império do oriente, unirde novo a cristandade, reconquistar a terra santa, e em tudo isto ganhar o céu. Desta forma temosque de modo geral sentia-se que o cristianismo podia repelir os maometanos. O amor da aventura, aesperança do saque, o desejo da expansão territorial e o ódio religioso seguramente impulsionarampoderosamente os cruzados. Seríamos, 8porém, injustos para com eles se não reconhecêssemostambém que os cruzados criam estar praticando algo mui importante para suas almas e Cristo. Assimtemos que as causas as cruzadas eram um misto de fatores: políticos, religiosos, econômicos, pessoal.Um Breve Histórico das CruzadasPrimeira CruzadaAleixo I (1081-1118), rei mais forte que seus predecessores imediatos em Constantinopla, sesentiu incapaz de enfrentar os perigos que ameaçavam o império. Pediu então auxílio ao papaUrbano II, o qual prometeu o socorro. No sínodo reunido em Clermont,(1095) França, Urbano pregoua cruzada obtendo resultado inesperado. Ele exortou aos cristãos da Europa ocidental a socorrer osseus irmãos do oriente e também libertar os lugares santos das mãos dos hereges (muçulmanos).23
  24. 24. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoUrbano, prometeu indulgência plenária a todos quantos se engajassem. Os ouvintes profundamenteemocionados se disse que gritaram: "Deus o quer". Um dos pregadores mais conhecidos destacruzada foi Pedro, o eremita, monge de Amiens ou seus arredores. Ele divulgou a mensagem pelaEuropa ocidental, aumentando o entusiasmo e arrebanhava multidões para este empreendimento.Muitos destas multidões pereciam no caminho, porém no verão de 1096 saíram exércitos melhororganizados, passaram o inverno em Constantinopla, e na primavera entraram na Ásia Menor ecapturam Antioquia em junho de 1098 e no ano seguinte tomaram Jerusalém, matando muito dosseus habitantes.Segunda CruzadaNão obstante a desorganização feudal, o reino de Jerusalém se manteve até a captura deEdessa pelos islamitas, em 1144. Essa captura representou a perda do seu baluarte do noroeste.Bernardo de Claraval, então no auge da fama, pregou nova cruzada, em 1146, e recebeu apoio do reifrancês, Luis VII (1137-1180) e do imperador alemão Conrado III, (1138-1152). Não tinha, no entanto,o ardente entusiasmo da anterior. Muitas das suas forças pereceram na Ásia Menor e as quealcançaram a Palestina sofreram grave derrota em 1148, quando intentavam tomar Damasco. Foi umdesastre completo, que deixou profundo ressentimento no ocidente contra o império do oriente,pois os príncipes desse império, com ou sem razão, foi atribuído o insucesso. As divisores entre osmuçulmanos tinham sido a causa do sucesso da primeira cruzada. Mas o curdo Saladino tinhaedificado um estado muçulmano forte que circundava o reino latino nas suas fronteiras continentais.Terceira CruzadaAs novas desta catástrofe lançaram a Europa na terceira cruzada (1189-1192). Nenhuma delasfoi melhor preparada que esta. Três grandes exércitos foram chefiados pelo imperador FredericoBarba Ruiva (1152-1190), o maior soldado da época; pelo Rei Filipe Augusto, da França (1179-1223);pelo rei Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra (1189-1199). Frederico morreu afogadoacidentalmente na Cilícia e seu exército, sem a sua vigorosa direção, tornou-se inteiramente ineficaz.As questões entre os reis da França e Inglaterra e o rápido retorno de Filipe à França para atender aseus planos políticos, deram como resultado o fracasso da expedição. Acre foi recuperada, masJerusalém ficou na posse dos muçulmanos.Quarta CruzadaNo ano de 1202 estimulada pelo papa Inocêncio III e com o sonho da reconquista dos santoslugares houve um novo empreendimento. Neste caso a intenção não era atingir a terra santa, masatacar os muçulmanos no centro do seu poder, o Egito. Esperava-se que desta maneira a reconquistade Jerusalém fosse mais fácil e duradoura. E em vez de deixar o empreendimento em mãos depríncipes p papa se declarou seu único chefe legítimo, mostrando como na terceira cruzada osinteresses temporais dos reis tinham levado ao desastre. Como na primeira cruzada os soldados deCristo marchariam sob as ordens diretas dos legados papais. O mais famoso pregador desta novaaventura foi Foulques de Neuilly, homem de origem humilde que nos lembra Pedro, o eremita"Cruzada das Crianças"Em 1212 se deu este episódio triste e dramático. Crianças da França e da Germânia, dirigidas24
  25. 25. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatopor dois meninos, Estevão e Nicolau, marcharam pelo sul da Europa até Itália, na suposição de que apureza de suas vidas lhes daria o sucesso numa aventura em que seus pecadores pais tinhamfracassado. Muitos pereceram no caminho e os sobreviventes foram vendidos como escravos no EgitoFim das CruzadasOutras tentativas de cruzadas foram feitas. Contra o Egito foi organizada um expedição em1218-1221. De começo alcançou certo êxito, mas terminou em fracasso. É geralmente denominadaquinta cruzada. Mas curiosa foi a Sexta (1228-1229) O imperador Frederico II (1212-1250), que era livrepensador, tomou a cruz em 1215 mas não tinha pressa em cumpri seus votos. Partiu por fim, em 1227,retornando logo. Parece haver adoecido, no entanto o papa Gregório IX (1227-1241) o consideroudesertor e, tendo outros motivos para hostilizá-lo, o excomungou. Apesar da interdição, Fredericopartiu em 1228 e no ano seguinte, por um tratado feito com o sultão do Egito, obteve a posse deJerusalém. Belém, Nazaré e um ponto da costa. E Jerusalém ficou mais uma vez em poder dos cristãos,mais foi definitivamente perdida em 1244. O espírito da cruzada estava quase morto, quando o reiFrancês Luís IX (1226-1270) levou uma expedição desastrosa contra o Egito (1248-1250). Foi feitoprisioneiro nessa empresa. E num ataque a Túnis, em 1270, perdeu a vida. A última tentativa deimportância foi a do príncipe Eduardo, pouco depois de Eduardo I, da Inglaterra (1272-1307). Essaexpedição se deu 1271-1272. A última possessão latina na Palestina foi perdida em 1291. Estavamterminadas as cruzadas, ainda que se continuasse a falar em novas expedições durante os dois séculosseguintes.Consequências das CruzadasCresceu a inimizade entre o cristianismo latino e o oriental. Prejudicou a vida dos cristãos queviviam em terras de muçulmanos.Na Europa ocidental contribuíram para aumentar ainda mais o poderdo papa. No que se refere à devoção, as cruzadas também viveram grandes conseqüências para acristandade ocidental. As viagens constantes para a terra santa e histórias cheias de prodígios, houveinteresse em conhecer mais sobre a realidade física de Jesus. Também a vida intelectual é alcançada,pois chegam novas idéias do oriente. Algumas destas idéias consistiam nas velhas heresias. Mastambém chegaram à Europa idéias filosóficas, princípios arquitetônicos ou matemáticos, costumes egostos de origem muçulmana. Por último, as cruzadas têm relações complexas com uma série demudanças econ6omicas e demográficas que ocorreram na Europa ao mesmo tempo. Neste período é odo crescimento das cidades e da economia mercantil.Recomendamos a leitura de: Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos. p.178-186 e Gonzales, Justo,A Era dos Altos Ideais. p. 47-84O ESCOLASTICISMOO termo "escolasticismo"vem através do latim, da palavra grega "schole", que significa o lugaronde se aprendia. O termo "escolástico"foi aplicado aos professores na corte ou na escola palaciana deCarlos Magno e também aos eruditos medievais que se serviam da filosofia no estudo da religião. Esteestudiosos procuravam provar a verdade vigente através de processos racionais em vez de buscar umanova verdade. Desta forma o escolasticismo pode ser definido como a tentativa de racionalizar a25
  26. 26. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoteologia para que se sustente a fé com a razão.As Causas do Surgimento do EscolasticismoA causa principal foi a emergência na Europa da filosofia de Aristóteles. Outra causa foi ointeresse das novas ordens mendicantes pelo uso da filosofia no estudo da revelação. Tomas deAquino, o grande escolástico, e Alberto Magno, seu mestre, e Guilherme de Occam e Boaventura eramfranciscanos. A expansão do movimento universitário, que começou no século XII, deu um lugar para onovo movimento intelectual; tanto é que as universidades logo centralizaram seus currículos em tornodo estudo da teologia pela ajuda da lógica e da razão. A universidade de Paria tornou-se ao tempo deAbelardo o centro principal do escolasticismo.O Conteúdo e Metodologia do EscolasticismoOs escolásticos não estavam interessados em buscar a verdade mas em organizarracionalmente um corpo de verdades aceitas, para que, venha ela da revelação através da fé oufilosofia através da razão, pudesse ser um corpo harmônico. A mente medieval buscava uma unidadeintelectual, política e eclesiástica. Para os escolásticos, os dados ou o conteúdo de seu estudo estavamfixados definitiva e absolutamente. O conteúdo do seu estudo era a Bíblia, os credos dos concíliosecumênicos e os escritos dos Pais da Igreja, estes se constituíam nas suas fontes, o que eles desejavamresolver era saber se a fé era ou não razoável.Assim como seu conteúdo deveria ser a teologia autorizada da Igreja católica romana, ametodologia escolástica estava muito sujeita à autoridade da dialética ou lógica de Aristóteles. Ocientista contemporâneo segue o método empírico da lógica indutiva e só enuncia uma verdade geralcom base nos fatos depois de uma longa observação e experimentação. A dialética ou lógica deAristóteles é mais dedutiva do que indutiva e dá destaque para o silogismo como instrumento da lógicadedutiva. O filósofo dedutivo começa com uma verdade ou lei geral que não prova, mas pressupõe. Elerelaciona esta lei geral a um fato particular e da relação entre a lei geral e o fato particular tira umaconclusão que, por sua vez, torna-se uma nova lei ou verdade geral para ser relacionada a novos fatos.Este método foi tirado pelos escolásticos de Aristóteles.As Escolas do EscolasticismoEmbora os escolásticos tinham como base a filosofia grega houve divergências em relação aotratamento do problema da natureza dos universais ou da realidade última, e relação entre a fé e arazão. Assim temos o realismo e o nominalismoRealismoSua origem se remonta até o seu autor Platão, o qual declarava que os seres universais tem umaexistência independente da mente do pensador ou seja tem uma existência objetiva em algum lugar douniverso. Esta filosofia foi resumida na seguinte frase: "os universais existem antes das coisas criadas.Uma boa obra, por exemplo, é apenas uma sombra o reflexo da realidade da bondade que existeobjetivamente à parte desta obra. Platão achava, desse modo, que os homens devem olhar para arealidade última além desta vida. Agostinho e Anselmo foram os principais pensadores a aplicar estasidéias à teologia26
  27. 27. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoNominalismoPor outra parte, esta escola ensinava que somente as coisas particulares são reais e que asuniversais são meramente as palavras inventadas pelo intelecto. Segundo eles, verdades ou idéiasgerais não têm existência objetiva fora da mente; ao contrário, elas são apenas idéias subjetivasformadas pela mente como resultado da observação das coisas particulares. Os universais são apenasnomes de classes. A justiça é simplesmente a idéia decorrente da observação que o homem faz dajustiça em ação. Os nominalistas cuidavam mais do indivíduo; os realistas se preocupavam mais com ogrupo e a instituição.Figuras do EscolasticismoAnselmoFoi o primeiro dos grandes pensadores desta época. Natural do Piemonte, na Itália, descendiade uma familia nobre e seu pai se opôs a sua carreira monástica. Ele foi feito Arcebispo de Canterrburyem 1093. A importância teológica de Anselmo está em que foi ele quem primeiro, depois de séculos detrevas, voltou a aplicar a razão às questões da fé de maneira sistemática. Anselmo crê primeiro, edepois faz suas perguntas à razão. Seu propósito não é provar alguma coisa depois crer nela, masdemonstrar que o que ele de antemão aceita pela fé é eminentemente racional. Suas obras principaisforam Proslogion, Monologion, e Por que Deus se fez homem?. Neste último desenvolveu a sua teoriada ExpiaçãoAbelardoNasceu na Bretanha em 1079, e dedicou boa parte da sua juventude a estudar os mais ilustresmestres do seu tempo. Ele é conhecido sobretudo por sua doutrina da expiação, segundo a qual o queJesus Cristo fez por nós não foi vencer o demônio, nem pagar nossos pecados, mas nos dar umexemplo e um estímulo para que pudessemos cumprir a vontade de Deus. Também foi importante asua doutrina ética, ele dava importância especial à intenção de uma ação, e não tanto à ação em si.Tomas de AquinoA dedicação deste mestre foi o desejo de integrar a filosofia natural de Aristóteles com ateologia revelada da Bíblia como interpretada pela Igreja romana. Sua produção literária foi muitointensa e suas duas obras mais conhecidas são: Suma Teológica e Suma contra os gentios. Quanto arelação entre fé e razão afirma que há verdades que estão ao alcançe da razão e outras que estãoacima dela.Recomendamos a leitura de: Cairns, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos-187-198. Gonzales,Justo. A Era dos Altos Ideais, 127-169VI. PRE-REFORMALogo no início do século XII, surgiram vários movimentos de oposição contra a atitude e oestado da igreja, por parte de homens que conheciam o grande mal nela existente, e que abandonara oseu culto e a comunhão. Não deve ser esquecido que geralmente as conversões eram em massas o que27
  28. 28. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoproduzia um cristianismo nominal. Assim que sempre houve dentro da Igreja pessoas que desejavampurificar esta de qualquer anormalidade ou caminhos que fugiam do padrão cristão, mesmo que algunsmovimentos beiravam ou eram heresias.PetrobrusianosSurge no sudeste da França, sob a chefia de Pedro de Bruys e Henrique de Laussane. Ele e osseus seguidores opunham-se a superstição dominante na igreja e a certas formas de culto, comotambém a imoralidade do clero. Ele rebatizavam após a conversão, eram contra os templos ou igrejas,bem como a cruz. Eram biblicistas embora tenham rejeitado o AT.CataristasDesenvolveu-se nos fins do século XII e durante o século XIII. Na realidade foi uma igreja rival,pois ela possuía a sua própria organização, o seu ministério, o seu credo, culto. O credo era umaestranha mistura de cristianismo e idéias religiosas orientais. Pensavam que matéria fora criada porSatanás e que ela era a sede e fonte de todo o mal. Por isto não acreditavam que o Filho de Deustivesse tido um corpo e vida humana. A santidade era alcançada fugindo do poder da carne, negandoos desejos ou deles fugindo pelo suicídio. Suas vidas abnegadas e de moral irrepreensível constituiamuma reprimenda ao clero que usava o nome de cristão.Os ValdensesNo fim do século XII, um negociante de Lião, chamado Pedro Valdo, movido pelo ensino docapítulo 10 de Mateus, começou a distribuir o seu dinheiro com os pobres e se tornou pregadorambulante do Evangelho. Teve muitos seguidores, As autoridades eclesiásticas logo os excomungaram.Expulsos e considerados inimigos começaram a se organizar como igreja à parte. Era um movimentosemi-monástico (pobreza, celibato, consagração ao trabalho religioso itinerante) Eram biblicista emeclesiologia, embora que alguns repudiaram o AT. Só usava a oração dominical e davam ações degraças nas refeições. Ouviam confissões, celebravam juntos a Ceia do Senhor e ordenavam os seusmembros ao ministério. Não aceitavam as missas e orações pelos mortos. Negavam o purgatório.João WycliffO espírito de nacionalismo que se vinha desenvolvendo na Inglaterra preparou o caminho paraa obra de Wycliff. Quando ele entrou em luta com o papado em 1375, já a Inglaterra durante 75 anos,pelos seus reis, pelo seu parlamento, e mesmo pelos bispos, resistira a interferência papal nos negóciosda Igreja. A primeira investidura de Wycliff foi contra um suposto direito do papa de cobrar impostosou taxas de Inglaterra. Sustentou a tese de que não haveria distinções de classes dentro do clero.Negou a transubstanciação. Traduziu a Bíblia no vernáculo e a distribuiu em toda Inglaterra. Para ele asuprema autoridade em assuntos religiosos era a Bíblia. Para espalhar entre o povo ea Bíblia e os seusensinos, ele organizou a ordem dos "lolardos", muitos dos quais eram estudantes de Oxford.João HussOs ensinos de Wycliff deram origem a outra revolta maior contra a igreja papal chefiada porJoão Huss. De posse dos livros de Wycliff avidamente bebeu-lhe as idéias. Ensinando as doutrinas de28
  29. 29. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoum "hereje"entrou em conflito com os chefes da igreja papal. Todavia defendeu seu direito de pregar averdade de Cristo como sentia e a entendia. Excomungado pelo seu desafio ao papa João XXIII, em1412, ao qual Huss compareceu. escreveu o seu livro mais importante, no qual ensinava que a "Lei deCristo", isto é, o Novo Testamento, era o guia suficiente para a igreja, e que o papa só podia serobedecido até onde suas ordens coincidissem com esta lei divinaConcílios ReformistasO meio pelo qual propunham reformar a Igreja era um concílio geral, que, segundo a velhateoria, era a suprema autoridade na Igreja. Perdidas as esperanças no papado, os reformadoresreviveram essa teoria com um meio de alcançarem os seus propósitos. tentaram isto primeiramenteno Concílio de Pisa, num vão esforço para curar o cisma. Pouco tempo depois foi convocado oconcílio de Constança que conseguiu restaurar a unidade da igreja. Muitos participantes do Concílio,porém, pretendiam fazer muito mais do que isto. Queriam conseguir o que eles chamavam "areforma da Igreja da Cabeça aos pés". O concílio era constituindo por um grupo de homens aos quaisnão faltavam habilidade, intelig6encia e interesse.Também estavam representados os poderes civis quer pessoalmente ou por meio deembaixadores. Não obstante haver muita discussão sobre a reforma, o concílio, depois de três anos,nada conseguiu. Os políticos representantes do papa fizeram um astuto jogo de oposição a qualquermodificação que se chocasse com seus altos interesses pessoais. Zelos nacionalistas dividiram osreformadores. Mas a causa real do fracasso é que não havia entre eles bastante caráter, firmeza depropósitos, entusiasmo moral para atingirem os seus objetivos.Considerações sobre a Reforma de Lutero.Alemanha – Martinho Lutero (1483-1546).• 1483 – Nascimento em Eisleben.• 1502 – bacharel pela Universidade de Erfurt.• 1505 – Mestrado pela Universidade de Erfurt - depois dum temporal, entrada noconvento agostiniano de Wittenberg.• 1508 – 17 – Professor.• 1511 – Viagem para Roma.• 1512 – doutorado em teologia pela Universidade de Wittenberg.• 1515 – 16 – preleção sobre os livros de Romanos e Gálatas• 1517 (out. 31) – 95 Teses contra a pregação das indulgências de Tetzel.• 1518 – Frederico, o Eleitor da Saxônia, dá seu apoio – chegada de Felipe a melanchton.• 1519 – Debate em Leipzig contra João Eck (em alguns pontos Hus tinha razão e o conciliode Constança errou).• 1520: Apelo a Nobreza Germânica (contra a hierarquia romana). O Cativeiro Babilônico (contra o sistema sacramental de Roma). Sobre a Liberdade do Homem cristão (contra a teologia romana; afirma que osacerdócio de todos os crentes).• 1521: Dieta de Worms (Lutero: Bíblia é a única autoridade cristã)29
  30. 30. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato Excomunhão por Leão X Refugio em Wartburgo Começa a tradução do NT para o Alemão.• 1522: Volta para Wittenberg Lançamento do NT em Alemão.• 1525: Revolta dos camponeses Admoestação à Paz Contra o bando de assassino e salteador Casamento com Catarina Bora• 1526 escreve: Diesta de Spira - decide que o governante de cada Estado determina a fé noterritório dele.• 1527 escreve: Doença e depressão intensa Composição de Castelo Forte.Pilares da Reforma Protestante.• Sola Scriptura (Somente a Escritura) - afirma a doutrina bíblica de que somente a Bíblia é aúnica autoridade para todos os assuntos de fé e prática. As Escrituras e somente as Escriturassão o padrão pelo qual todos os ensinamentos e doutrinas da igreja devem ser medidos.Como Martinho Lutero afirmou quando a ele foi pedido para que voltasse atrás em seusensinamentos: "Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escriturasou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens quecitei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não possoretratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aquipermaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. Amém."• Sola Gratia (Somente a Graça ou Salvação Somente pela Graça) - afirma a doutrina bíblica deque a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenaspor Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causaeficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristopor nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.• Sola Fide (Somente a Fé ou Salvação Somente pela Fé) - afirma a doutrina bíblica de que ajustificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pelafé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeitajustiça de Deus.• Solus Christus (Somente Cristo) - afirma a doutrina bíblica de que a salvação é encontradasomente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva sãosuficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai. O evangelho não foipregado se a obra substitutiva de Cristo não é declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não éproposta.30
  31. 31. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconato• Soli Deo Gloria (Glória somente a Deus) - afirma a doutrina bíblica de que a salvação é deDeus, e foi alcançada por Deus apenas para glória de Deus.VII. PROTESTANTISMO NO BRASIL.O termo "evangélico" na América Latina designa as religiões cristãs originadas oudescendentes da Reforma Protestante Européia do século XVI. Está dividido em duas grandesvertentes: o protestantismo tradicional ou histórico, e o pentecostalismo. Os evangélicos que hojerepresentam 13% dos brasileiros, ou mais de 23 milhões de pessoas, vem tendo um crescimentonotável (no Censo de 1991 eram apenas 9% da população - 13,1 milhões). As denominaçõespentecostais são as responsáveis por esse aumento.Protestantismo histórico - Esse grupo surge no Brasil de duas formas: uma decorre daimigração e a outra, do trabalho missionário. O protestantismo de imigração forma-se na primeirametade do século XIX, com a chegada de imigrantes alemães ao Brasil, em especial à Região Sul,onde fundam, em 1824, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil. As igrejas doprotestantismo de missão são instituídas no país na segunda metade do século XIX, por missionáriosnorte-americanos vindos principalmente do sul dos Estados Unidos e por europeus. Em 1855, oescocês Robert Reid Kelley funda, no Rio de Janeiro, a Igreja Congregacional do Brasil. Segundo oCenso de 1991, os protestantes tradicionais são 3% da população brasileira e estão concentrados,em sua maioria, no sul do país. Nas últimas décadas, com exceção da Batista, as igrejas protestantesbrasileiras ou estão estagnadas, apenas em crescimento vegetativo, ou em declínio. Seus integrantestêm, em média, renda e grau de escolaridades maiores que os dos pentecostais.Presbiterianos - A Igreja Presbiteriana do Brasil é fundada em 1863, no Rio de Janeiro, pelomissionário norte-americano Ashbel Simonton. Maior ramo da igreja presbiteriana do país possui150 mil membros, 600 pastores e 700 igrejas. Em 1903 surge a Igreja Presbiteriana Independente,com cerca de 50 mil membros. Há ainda outros grupos, como a Igreja Presbiteriana Conservadora(1940) e a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (1966), que somam 5 mil membros. Esta última é aigreja protestante brasileira mais aberta ao ecumenismo. Um de seus fundadores, o reverendoJaime Wright (1927-1999), foi um dos religiosos que se destacaram na luta contra a tortura duranteo regime militar de 1964. Na década de 70 surgem grupos com características pentecostais, como aIgreja Cristã Presbiteriana, a Igreja Presbiteriana Renovada e a Igreja Cristã Reformada. Pelo censode 1991, têm 498 mil membros. Os presbiterianos mantêm na capital paulista uma das maisimportantes universidades do Brasil, a Mackenzie.Luteranos - A Igreja Luterana tem origem em Martinho Lutero, filho de João Lutero, que aos18 anos tornou-se aluno da Universidade de Erfurt, em cuja biblioteca descobriu uma Bíblia Latina.Na porta da Igreja de Wittenberg afixou suas 95 teses nas quais PROTESTAVA contra os desvios daIgreja Católica (daí o nome Protestantismo, Protestante). Isso ocorreu em 31.10.1517. As primeirascomunidades luteranas de imigrantes alemães se estabelecem no Brasil a partir de 1824, nas cidadesde São Leopoldo (RS), Nova Friburgo (RJ), Três Forquilhas (RS) e Rio de Janeiro (RJ). O primeirotemplo é construído em 1829, em Campo Bom (RS), e os pastores europeus chegam depois de 1860.Em 1991, há 1 milhão de membros, localizados principalmente no Rio Grande do Sul, e 1,1 milhãoem 1995. Até 2000, o número de luteranos, bem como dos demais protestantes históricos, não sofrealteração significativa. Os luteranos, como os anglicanos, estão mais próximos da teologiaprofessada pela Igreja Católica. Em 1999 chegam a assinar um documento histórico em que colocamfim às suas divergências sobre a salvação pela fé. Das correntes luteranas, a maior e mais antiga no31
  32. 32. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoBrasil é a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, com 410 paróquias espalhadas por todosos estados brasileiros, segundo dados da própria igreja. Posteriormente, surgem outras correntesluteranas, como a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, vinda dos Estados Unidos no início do séculoXX.Metodistas - Primeiro grupo de missionários protestantes a chegar ao Brasil, os metodistastentam fixar-se no Rio de Janeiro em 1835. A missão fracassa, mas é retomada por Junnius Newmanem 1867, que começa a pregar no oeste do estado de São Paulo. A primeira igreja metodistabrasileira é fundada em 1876, por John James Ranson, no Rio de Janeiro. Concentrados sobretudo naRegião Sudeste, os metodistas reúnem 138 mil fiéis e 600 igrejas em 1991, conforme censo do IBGE.De acordo com o livro Panorama da Educação Metodista no Brasil, publicado pelo Conselho Geraldas Instituições Metodistas de Ensino (Cogeime), atualmente são 120 mil membros, distribuídos em1,1 mil igrejas. Entre os ramos da igreja metodista, o maior e o mais antigo é a Igreja Metodista doBrasil. Sobressaem também a Igreja Metodista Livre, introduzida com a imigração japonesa, e aIgreja Metodista Wesleyana, de influência pentecostal, estabelecida no Brasil em 1967. Osmetodistas participam ativamente de cultos ecumênicos. Na educação têm atuação de destaque noensino superior, com 23 mil alunos matriculados em 2000.Adventistas - Os primeiros adeptos da Igreja Adventista surgem em 1879, em Santa Catarina.A Igreja Adventista do Sétimo Dia, a maior desse ramo no país, é organizada em Gaspar Alto (SC), em1896. Em 2000, a instituição estimava ter quase 1 milhão de membros e 3.696 igrejas. Entre osoutros ramos que aqui se desenvolvem estão a Igreja Adventista da Promessa e a Igreja Adventistada Reforma. Os adventistas mantêm uma extensa rede hospitalar e estão em todos os estadosbrasileiros.Batistas - Os batistas chegam ao Brasil após a Guerra Civil Americana e se estabelecem nointerior de São Paulo. Um dos grupos instala-se em Santa Bárbara dOeste (SP) e funda, em 1871, aIgreja Batista de Santa Bárbara dOeste, de língua inglesa. Os primeiros missionários desembarcamno Brasil em 1881 e criam no ano seguinte, em Salvador, a primeira Igreja Batista brasileira. Em 1907lançam a Convenção Batista Brasileira. Em meados do século, surgem os batistas nacionais, osbatistas bíblicos e os batistas regulares, que somam 233 mil membros. Em 1991, o censo do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística - IBGE registra 1,5 milhão de membros em todo o país.VIII. O MOVIMENTO PENTECOSTAL.Sobre a origem e o desenvolvimento inicial do movimento pentecostal no Brasil, o sociólogoPaul Freston cita “três ondas” ou fases da implantação doPentecostalismo no Brasil.Primeira Onda:Cristã do Brasil: 1910.Assembléias de Deus: 1911.Essas Igrejas dominaram amplamente o campo pentecostal durante 40 anos.2. Segunda onda.Igreja do Evangelho Quadrangular (1951).32
  33. 33. Curso de Preparação de Obreiros – DiaconatoIgreja Pentecostal O Brasil para Cristo (1955).Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962).Essa Onda coincidiu com o aumento do processo de urbanização do país e o crescimento aceleradodas cidades.Terceira Onda.Igreja Universal do Reino de Deus (1977).Igreja Internacional da Graça de Deus (1980)Igreja Renascer em Cristo, Comunidade Sara Nossa Terra, Igreja Paz e Vida, ComunidadesEvangélicas e muitas outras (A partir da década de 80).Estas Igrejas denominadas neopentecostais, com sua ênfase na teologia da prosperidade...Igreja Nova Vida:a) Esta foi importante precursora dos grupos neopentecostais, fundada pelo canadense bispo RobertMcAllister, que rompeu com a Assembléia de Deus em 1960.b) Essa igreja foi pioneira de um pentecostalismo de classe média, menos legalista, e investiu muitona mídia. Foi também a primeira igreja pentecostal a adotar o episcopal no Brasil.c) Sua maior contribuição foi treinamento de futuros lideres como Edir Macedo e seu cunhadoRomildo R. Soares.d) Outros grupos pentecostais e neopentecostais brasileiros resultaram da chamada renovaçãocarismática. Esse movimento surgiu nos estados Unidos no início dos anos 60, com a ocorrência defenômenos pentecostais nas igrejas protestantes históricas e também na Igreja Católica Romana.e) No Brasil, a renovação produziu divisões em quase todas as denominações mais antigas, com osurgimento de grupos como:• Igreja Batista Nacional.• Igreja Metodista Wesleyana.• Igreja Presbiteriana Renovada.HISTÓRIA DA ASSEMBLÉIA DE DEUS NO BRASILNo princípioEnquanto o avivamento pentecostal expandia-se edominava a vida religiosa de Chicago, na cidade de SouthBend, no Estado de Indiana, que fica a cem quilômetros deChicago, morava um pastor batista que se chamava GunnarVingren.Atraído pelosacontecimentos do avivamento deChicago, o jovem foi a essa cidade a fim de saber o que realmenteestava acontecendo ali. Diante da demonstração do poder divino,33Aqui em Azuza, Street –EUA, inicia-se o sonho.
  34. 34. Curso de Preparação de Obreiros – Diaconatoele creu e foi batizado com o Espírito Santo.Pouco tempo depois, Gunnar Vingren participou de uma convenção de igrejas batistas,em Chicago. Essas igrejas aceitaram o Movimento Pentecostal. Ali ele conheceu outro jovemsueco que se chamava Daniel Berg. Esse jovem também fora batizado com Espírito Santo.Ambos eram de origem sueca e membros da igreja batista em seu país, havendo emigrado paraa América em épocas diferentes. Ali, não somente tomaram conhecimento do avivamentopentecostal, mas receberam-no individualmente de modo glorioso.Posteriormente, já amigos e buscando juntos o Senhor, receberam Dele a chamadamissionária para o Brasil. Através de uma revelação divina, o lugar tinha sido mencionado: Pará.Nenhum dos presentes conhecia aquela localidade. Após a oração, os jovens foram a umabiblioteca à procura de um mapa que lhes indicasse onde o Pará estava localizado. Foi quandodescobriram que se tratava de um estado do Norte do Brasil. Era uma chamada de fé, pois paraeles, era um lugar totalmente desconhecido.De Chicago a Nova York e de Nova York para o BrasilGunnar Vingren e Daniel Berg despediram-se da igreja edos irmãos em Chicago. A igreja levantou uma coleta para auxiliaros missionários que partiam. A quantia que lhes foi entregue sódeu para a compra de duas passagens até nova Iorque. Quando láchegassem, eles não saberiam como conseguir dinheiro paracomprar mais duas passagens até o Pará. Porém, esse detalhenão os abalou em nada, nem os deteve em Chicago à espera demais recursos. Tinham convicção de que haviam sido convocadospor Deus. Portanto, era da total responsabilidade de Deus fazercom que os recursos materiais inexistentes necessários à viagemsurgissem.Chegaram à grande metrópole, Nova Iorque, semconhecer ninguém, e sem dinheiro para continuar a viagem. Osdois missionárioscaminhavam por uma das ruas da cidade, quando encontraramum negociante que conhecia o jovem Gunnar. Na noiteanterior, enquanto em oração, aquele negociante sentira quedevia certa quantia ao irmão Vingren. Pela manhã, aquelehomem colocou a referida importância em um envelope paramandá-la pelo correio, mas enquanto estava caminhando paraexecutar aquela tarefa, viu os dois enviados do Senhorsurgirem à sua frente. Surpreso ao ver a maneira especialcomo Deus trabalhava, o comerciante contou-lhes suaexperiência e entregou-lhe o envelope.Quando o irmão Vingren abriu o envelope, encontroudentro dele 90 dólares - exatamente o preço de duaspassagens até o Pará.Assim, no dia 5 de novembro de 1910, os missionáriosDaniel Berg e Gunnar Vingren deixaram Nova Iorque abordo do navio "CleMent" com destino àBelém do Pará. No início do século XX, apesar da presença de imigrantes alemães e suíços de origemprotestante e do valoroso trabalho de missionários de igrejas evangélicas tradicionais, nosso país era34

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