A
Acumulação Flexível
O conceito de Acumulação Flexível foi desenvolvido
pelo geógrafo americano David Harvey, na obra
Con...
tempo de giro dos produtos de consumo. A moda
coloca nas passarelas, além da alta costura, roupas
para usadas em estações ...
Agenda 21 – Principal documento da Rio-92 ou ECO-
92 promovida pela ONU, no Brasil, e assinada por 170
países visando gara...
têm natureza histórica”(SCARLATO & PONTIN,
1993:5).
BBiogeografia – A palavra biogeografia quer dizer
geografia da vida ou...
Comunidade ou Biocenose- é o conjunto de
populações interdependentes que vivem em
determinada área geográfica. Por viverem...
(transparência política) implantada pelo líder Mikhail
Gorbatchev (1985-91). Foi com o Acordo de Minsk que
a URSS foi exti...
C
Cartografia – Conforme o Dicionário Cartográfico
(IBGE, 1987: 84) o vocábulo foi criado em 1839 pelo
historiador portugu...
Ciberespaço – (Cyberspace em inglês) O termo foi
criado pelo escritor Willian Gibson na obra de ficção
científica Neuroman...
Cidadania – o conceito de cidadão está relacionado
aquele que habita a cidade e é sua qualidade.
Também costuma-se relacio...
“O geógrafo que inicia um estudo apercebe-se da
cidade de diversas maneiras: por se reunir num
espaço mais ou menos vasto,...
Milton Santos assim explica os esquemas:
“Pelo esquema tradicional, havia uma série de
degraus, de etapas, e galgá-los era...
Configuração territorial – “A configuração territorial é
o território e mais o conjunto dos objetos existentes
sobre ele; ...
“... O cotidiano é o humilde e o sólido, aquilo que vai
por si mesmo, aquilo cujas partes e fragmentos se
encadeiam num em...
e se retorna de forma modificada...Esta suspensão é
temporária.”(NETTO & FALCÃO,1987:27)
Para o ensino da geografia muitos...
discriminação para todos, principalmente as gerações
mais novas.
D
Desenvolvimento Sustentável – A teoria do
Desenvolvimen...
têm as mesmas necessidades nem o mesmo
desenvolvimento tecnológico.
Divisão do Relevo Brasileiro - A classificação do
Rele...
Divisão Internacional do Trabalho –
A divisão do Trabalho é uma categoria de análise
utilizada, principalmente, pelos marx...
trabalho, tornada claramente internacional, é a
informação” (SANTOS, 1996, 106).
A distribuição dos recursos utilizados po...
Assim, literalmente ecologia é o estudo das casas ou,
por extensão, do hábitat” (SCARLATO & PONTIN,
1993: 5).
Atualmente, ...
tempo, já que a área de ocorrência é dada pela
extensão dos eventos”(SANTOS, 1996, 121).
Podemos exemplificar através das ...
Vemos assim que, espaço não se confunde com suas
categorias internas – no exemplo, a paisagem – ao
contrário, é no entendi...
1991, o Tratado de Maastricht já prevê a moeda única
no ano seguinte, a assinatura do Tratado extingue a
CEE que se torna ...
Esses limites podem ser demarcados a partir de
fenômenos físicos (rios, montanhas, por exemplo) ou
mesmo de fenômenos natu...
Das correntes de pensamento com mais destaque no
arcabouço geográfico, vamos destacar: o
determinismo, o possibilismo, a n...
O possibilismo é uma reação às idéias do
determinismo alemão e parte, principalmente, do país
rival, a França. Sem a neces...
americano David Harvey com a obra Explanation in
Geography (Londres, 1969). Posteriormente, esse
autor abandonaria essa li...
Para entender os conceitos geográficos, a geografia
crítica lança mão das categorias desenvolvidas por
Karl Marx, como Mod...
Geopolítica – (também chamada de Geografia
Política) Ramo da geografia que busca analisar
as relações internacionais, naci...
que, anteriormente, tinha por base o Estado como
único representante do poder organizado.
Geoprocessamento – “Tecnologia q...
· comprometimento com o melhoria contínua e a
prevenção;
· comprometimento com o atendimento à legislação do
país e outros...
ele se iniciou ou até que ponto irá prosseguir.”(ZINI
JR, 1996:3-3)
Processo em curso, a globalização pode ser entendida
a...
sócio-econômico onde diversos agentes e atores
interagem.
A urbanização e a industrialização tem muita ligação
(o que não ...
Ferrigno, “...o lazer é entendido pela maioria das
pessoas como um conjunto de atividades destinadas
somente ao entretenim...
liberalismo quanto a liberdade, por isso, não existe
uma coerência nesse tema.
Emmanuel Kant (1724-1804) afirmava que a es...
Lugar – O lugar pode ser entendido a partir de sua
relação com o mundo e, assim, todos os fenômenos
globais marcariam cada...
. Conselho Mercado Comum – organismo principal do
bloco formado pelos ministros das Relações Exteriores
e da Economia dos ...
países industrializados ou as de países
subdesenvolvidos. Nos primeiros, o subúrbio é cada
vez mais o lugar de residência ...
modernização (HARVEY, 1989:97), exemplo disso é a
semana de Arte Moderna ocorrida em 1922 em São
Paulo, onde um grupo de a...
praticidade e ainda, cidades como Brasília, por
exemplo, com suas grandes avenidas para o fluxo dos
carros (máquinas em ve...
encontrar e o porque de estarem em seus níveis de
desenvolvimento.
Milton Santos – Geógrafo brasileiro nascido em
Brotas d...
Federal do Rio Grande do Sul – 1996
De Barcelona – 1996(SILVA, 1997:137-42).
A grande proposta atual de Milton Santos é a
...
- Nações que compartilham um Estado; é o caso
dos suecos na Suécia e Finlândia, Irlandeses na
Irlanda e Reino Unido(CASTEL...
O
ONG – Organizações não governamentais
A normatização das ONG’s no Brasil foi aprovada pela
Lei na Câmara Federal em 3/3/...
VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do
desenvolvimento sustentável,
VII - promoção do volun...
Sua sede permanente é em New York (EUA)
contando, em 1994, com 185 países membros. Em
1998 as tropas de Paz da ONU estiver...
determinam e organizam os espaços, o capital
financeiro divide os países entre centrais e periféricos.
Os centrais, são aq...
proposto pelo geógrafo Milton Santos e abrange o
terceiro período – o atual – da tríade indicada para a
história do meio g...
espaço. Assim, a pós-modernidade não seria um
conjunto de idéias mais uma condição histórica que
não estaria devidamente e...
estudos urbanos em sua Tese de Estado Le Réseau
urbain de L’alsace, na década de 50.
No ‘Dicitionnaire de la Géographie’(S...
Rugosidades – Proveniente da geomorfologia, o
conceito de rugosidade é utilizado pela geografia
humana para designar a mem...
cadastrar os recursos naturais e construídos para
análise de problemas e medir as potencialidades de
cada área”(CASTILLO, ...
do Espetáculo, de Massas, de Consumo, Tecnológica,
em Rede, etc..
TTerritório – utilizado principalmente na Geografia
Polí...
datado de 1905 com a obra ‘Geografia do Turismo’ de
J. Stradner.
“Stradner (1905) fue el introductor en la bibliografía
ge...
da ciência e da tecnologia, a agricultura também é
beneficiada.
“No século XIX, para alimentar um urbano eram
necessárias ...
55
BIBLIOGRAFIA
Agenda 21 local. Comissão Pró Agenda 21 – Rio, 2ª ed, Rio de Janeiro, 1997,
ANDRADE, Mário. Paulicéia Desvair...
SANTOS, Milton. Por uma geografia Nova. 3ª ed., HUCITEC, São Paulo, 1990
SANTOS, Milton. A redescoberta da Natureza. Aula ...
INDICE DE PALAVRAS
Acumulação Flexível
Agenda 21
Ambiente
Biogeografia
Blocos
Cartografia
Ciberespaço
Cidadania
Cidade
Con...
Mercosul
Metrópoles
Modernidade
Modos de Produção
Milton Santos
Nação
Natureza
ONG
Organizações Internacionais
País
Paisag...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Geo50palavversão1

404 visualizações

Publicada em

first draft

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
404
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Geo50palavversão1

  1. 1. A Acumulação Flexível O conceito de Acumulação Flexível foi desenvolvido pelo geógrafo americano David Harvey, na obra Condição Pós-Moderna, e está em oposição direta ao conceito do fordismo . Diz Harvey: “A acumulação flexível, como vou chama-la, é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apoia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e dos padrões de consumo” (p. 140). As características principais desse processo estão ligadas à novos setores de produção, novas maneiras de financiamentos e grandes inovações comerciais, tecnológicas organizacionais. Essas características implicam em uma nova reestruturação do capital e, consequentemente do espaço, ampliando as desigualdades quando são criadas áreas de alta tecnologia em lugares. Até então, subdesenvolvidos. Porém, as desigualdades entre comando e execução, menos visíveis, mas com grande impacto nos territórios, já que, grandes decisões estão fora da área de execução, ampliando sempre a dependência destes últimos em relação aos centros decisórios. O apoio e o aparato tecnológico – satélites, e-mail, fibra óptica, fax – utilizado na comunicação diferenciam também as regiões. Na vida cotidiana1 tudo isso apresenta-se na forma de flexibilização da jornada de trabalho, aumento do trabalho terceirizado, trabalho informal, diminuição do 1 Ver verbete cotidiano 1
  2. 2. tempo de giro dos produtos de consumo. A moda coloca nas passarelas, além da alta costura, roupas para usadas em estações determinadas, privilegiando o efêmero e o fugaz. Em todo o mundo o setor de serviços ganha grande movimento com as novas necessidades criadas pelo – e no – mercado de consumo (Todos os disques, código 900, código 800). A mobilidade geográfica dos capitais buscando e investindo em novos conhecimentos técnico- científicos2 é um importante fator de competitividade do mercado. O conhecimento passa a ser a mercadoria chave e novas redes3 são criadas entre os centros de pesquisas, universidades e empresas em todo mundo. 1.1. Fordismo Conforme o Dicionário de Geografia (1996) , “modo de organização do trabalho nas indústrias predominante durante quase todo o século XX, e que consiste no trabalho em linhas de montagem e na produção em série, com utilização intensiva da força de trabalho humano “(p.87). Simbolicamente o ano de 1914 pode ser marcado como início do fordismo “...quando Henry Ford introduziu seu dia de oito horas e cinco dólares como recompensa para os trabalhadores da linha automática de montagem de carros que ele estabelecera no ano anterior em Dearbon, Michigan (HARVEY, p.120) 2 Ver verbete Período técnico-científico informacional 3 Ver verbete Redes 2
  3. 3. Agenda 21 – Principal documento da Rio-92 ou ECO- 92 promovida pela ONU, no Brasil, e assinada por 170 países visando garantir a continuidade do desenvolvimento, porém de maneira a não destruir o meio ambiente4 . Cinco são as dimensões da Agenda 21: 1. Principal documento da Rio-92, 2. É a proposta mais consistente para atingir o desenvolvimento sustentável, 3. Planeja ações de curto, médio e longos prazos, 4. Um roteiro de ações concretas, metas, recursos e responsabilidades definidas, e 5. Programa Estratégico para o desenvolvimento sustentável no século XXI (Comissão Pró Agenda 21, 1997:s/n) A palavra mais importante para a implantação e continuidade da Agenda 21 é a parceria entre orgão governamentais, comunidades, sociedades representativas e população em geral. Cidades como Santos, Porto Alegre, Curitiba, Vitória, Angra dos Reis, São Paulo e Belo Horizonte já iniciaram suas Agendas Locais. Ambiente – Conceito utilizado pela Ecologia que, ampliado, podemos entender como o conjunto de interações entre os ecossistemas com a cultura humana em reciprocidade. “Considerando o ambiente como um conjunto de fatores naturais e não naturais, podemos compreender que os problemas ambientais do homem contemporâneo não podem ser tratado com neutralidade. A sociedade é responsável pelos danos causados aos ecossistemas...os problemas ambientais 4 ver verbete Desenvolvimento Sustentável 3
  4. 4. têm natureza histórica”(SCARLATO & PONTIN, 1993:5). BBiogeografia – A palavra biogeografia quer dizer geografia da vida ou distribuição geográfica dos seres vivos (ANGELO FURLAN, 1997:20).” Esta área do conhecimento geográfico divide-se em Zoogeografia e Fitogeografia, a primeira estudando a distribuição espacial dos animais e a Segunda, a dos vegetais. Alguns conceitos da biogeografia são hoje muito utilizados pelos diversos meios de comunicação, entre eles: Autoecologia - estudo aplicado a uma espécie, levando em conta relações de um indivíduo com o seu ambiente. Relações de uma população local de uma só espécie com os fatores do ambiente. Relações dos indivíduos de uma população local entre si. Caducifólia - diz-se das plantas ou vegetações que não se mantêm verdes durante todo o ano, perdendo as folhas na estação seca ou no inverno. Competição - luta dos seres vivos pela sobrevivência, especialmente quando são escassos os elementos necessários à vida entre os componentes de uma comunidade. A competição é uma disputa entre organismos, observada quando existe algo em quantidade insuficiente para todos. Entre animais há competição se são obrigados a lutar por alimento e abrigo. Em vegetais, a competição geralmente é motivada por fatores como a luz e a água. 4
  5. 5. Comunidade ou Biocenose- é o conjunto de populações interdependentes que vivem em determinada área geográfica. Por viverem no mesmo local dependem dos mesmos fatores físicos e químicos; como por exemplo temos a comunidade de uma floresta, de um lago, etc. Diversidade - usado atualmente em vários sentidos. 1)Número de espécies que ocorrem em uma amostra tirada em uma unidade de área, volume de água, certo número de indivíduos, etc.; ou que são apanhados por um certo tipo de armadilha em uma unidade de tempo ("diversidade alfa"). 2)O grau de rotatividade (mudança)em espécies ao longo de um gradiente ecológico ("diversidade beta"). 3)O número total de espécies em uma paisagem contendo um ou mais gradientes ecológicos ("diversidade gama"). 4)Índice que representa o aumento de espécies com aumento do tamanho da amostra. 5)Alguma função combinando riqueza de espécies com equitabilidade.5 Blocos – A formação de blocos, no mundo contemporâneo, pode ser datada a partir da Conferência de Yalta em fevereiro de 1945, quando os líderes mundiais Roosevel, Churchill e Stálin, dividiram o mundo em áreas de influência, formando dois grandes blocos: o capitalista e o socialista. O mundo passa a ser dividido pela ideologia que está inserida nesses dois modos de produção. Perdurou até 9 de novembro de 1989 com a queda do muro de Berlim, símbolo da divisão desses dois blocos que foi construído em 1961 quando a Guerra Fria estava em seu momento mais tenso. Mas a Guerra Fria e o fim dos dois blocos, ocorreu mesmo com o desmembramento da URSS, a partir da Perestroika (restauração econômica) e a Glasnost 5 Available from http://www.geocities.com/RainForest/Canopy/1464 5
  6. 6. (transparência política) implantada pelo líder Mikhail Gorbatchev (1985-91). Foi com o Acordo de Minsk que a URSS foi extintae em seu lugar foi criado a CEI (Comunidade dos Estados Independentes). A partir desse fato,uma Nova Ordem Internacional foi posta em curso, onde o fator econômico passou a definir as relações internacionais e a formação dos blocos. Em 1991 a Europa forma a UE (União Européia) ampliando as metas do Mercado Comum Europeu criando ao final da segunda guerra mundial, com a proposta de criar uma moeda única para os países membros6 . Os norte americanos criaram, primeiramente, o NAFTA em 1991 com o objetivo de integrar sua economia a do Canadá e, posteriormente, foi criado a ALCA (1994) com inclusão do México e a possibilidade de incluir outros países da América Latina. Os japoneses criaram, ainda que não esteja oficializado o bloco que foi denominado de Bacia do Pacífico, área de influência econômica e financeira do Japão. O Mercosul foi criado em 26/03/1991 e oficializado como Bloco do Cone Sul da América do Sul em 1/1/19957 . 6 ver verbete Euro 7 ver verbete Mercosul 6
  7. 7. C Cartografia – Conforme o Dicionário Cartográfico (IBGE, 1987: 84) o vocábulo foi criado em 1839 pelo historiador português Visconde de Santarém, anteriormente era utilizado Cosmografia para a elaboração de cartas, mapas, projetos. O século XVI marca o descobrimento das obras de Ptolome, sendo possível edições de sua Geografia e dos mapas contidos. Em 1507 aparece pela primeira vez o nome América em uma edição dos textos ptolomaicos. O desenvolvimento iniciado nesse período vai possibilitar a construção da projeção de Mercator, iniciando um novo período na ciência. A chamada Cartografia moderna surge com Gerhard Kremer e sua projeção cilíndrica, conhecida como Projeção de Mercator, em 1569. O século XVIII é marcado principalmente pela criação dos Observatórios de Greenwich e Paris e a sistematização da Carte Géométrique de la France em escala 1:86.400 e a Carte d’État Major em escala 1:80.000 7
  8. 8. Ciberespaço – (Cyberspace em inglês) O termo foi criado pelo escritor Willian Gibson na obra de ficção científica Neuromancer (Gibson, 1991). Tudo acontece num futuro onde o planeta está ligado na grande rede de computadores e as pessoas, como que em uma alucinação coletiva, povoam o espaço de realidade virtual visual, que é o Ciberespaço. A palavra deriva de Cibernética, de origem grega (Kybenetes) que significa navegador e foi utilizada por Norbert Wiener(1961), professor de matemática do MIT (Massachussets Institute of Tecnologie/EUA) para designar um novo ramo de estudos na década de 40 do século vinte. No período técnico científico informacional, esse conceito passou a ser utilizado com maior freqüência designando, principalmente, a INTERNET. Assim, ciberespaço é entendido como o local onde fluxos trafegam sem que o usuário saiba por onde tais fluxos estão passando, isto é, uma “página” pode estar sendo aberta por um computador a milhares de milhas de distância. Atualmente a parte gráfica da INTERNET é conectada pela World Wide Web (WWW). 8
  9. 9. Cidadania – o conceito de cidadão está relacionado aquele que habita a cidade e é sua qualidade. Também costuma-se relacionar cidadania aos direitos e deveres políticos e civis, porém, a cidadania não está resumida apenas aos aspectos administrativos. O exercício da cidadania está intimamente ligado ao conceito e a construção do Lugar 8 , que é proximidade e vida cotidiana. Assim, a cidadania ultrapassa momentos como eleições, pagamento de impostos, reivindições para ocorrer diariamente nas escolhas, atitudes e opções que cada pessoa faz. Quanto maior a consciência e conhecimento dos fatos que envolve as pessoas de um lugar, mais fácil lutar por mudanças ou participar das decisões em que são atores. Cidade – O conceito de cidade é utilizado por diversas áreas do conhecimento (Urbanização, Arquitetura, Sociologia, Antropologia, entre outras), porém como nos informa Beaujeu-Garnier(1980:16) : 8 ver verbete Lugar 9
  10. 10. “O geógrafo que inicia um estudo apercebe-se da cidade de diversas maneiras: por se reunir num espaço mais ou menos vasto, mas no entanto muito denso, grupos de indivíduos que vivem e produzem; a cidade pode ser dinâmica e próspera ou degradada e quase moribunda; é o nó de fluxos sucessivamente centrípetos ou centrífugos, de toda natureza; em diversos graus e sob várias formas, a cidade é o elemento fundamental da organização do espaço.” A cidade, então, é o locus do fazer social com todos os seus processos, ora apresentando-se como sujeito, ora como objeto. No primeiro caso, como lugar que favorece e facilita as relações humanas, econômicas, políticas e, no segundo caso, como materialidade. Também as cidades mantém relações entre si, dentro de uma rede urbana. O esquema abaixo mostra dois momentos dessa relação: uma clássica e outra mais aproximada do real. 10
  11. 11. Milton Santos assim explica os esquemas: “Pelo esquema tradicional, havia uma série de degraus, de etapas, e galgá-los era crescer em importância, subir na hierarquia, ascender na escala da rede urbana. Utilizou-se este esquema por volta de um século, e apenas no início da década de 70 (1970) é que se elaboraram as primeiras propostas contra tal esquema, sugerindo que ele fosse abandonado...já que a cidade mantém relações apenas com as outras mais próximas da pirâmide(SANTOS, 1988:55).” Uma história da cidade pode ser encontrada na obra ‘A cidade na História’ de Lewis Munford(1965). Nessa obra o autor conta as transformações ocorridas nas cidades em suas formas e funções, da Grécia a década de 60 do século XX, com as megalópoles. 11
  12. 12. Configuração territorial – “A configuração territorial é o território e mais o conjunto dos objetos existentes sobre ele; objetos naturais ou objetos artificiais que a definem(SANTOS,1988:75).” Assim, o conceito de Configuração Territorial não confunde-se com o de Espaço (do qual é parte) nem com o de Paisagem (que participa da Configuração Territorial). Podemos ainda dizer que a Configuração Territorial é o momento técnico enquanto o espaço é o momento social de um dado agrupamento humano. No conjunto dos objetos técnicos (ruas, ‘fabricas, casas, carros, escolas, etc.) temos a materialidade representada pela configuração territorial. Quando afirmamos que ela não é a paisagem, queremos dizer que a paisagem é sempre o imediato da nossa percepção, por isso, apenas fragmento da Configuração Territorial. Cotidiano - O estudo do cotidiano recebeu, a partir da década de 80 (1980), maior importância nos estudos das ciências sociais. Henri Lefebvre assim coloca a questão: 12
  13. 13. “... O cotidiano é o humilde e o sólido, aquilo que vai por si mesmo, aquilo cujas partes e fragmentos se encadeiam num emprego do tempo. E isso sem que o interessado tenha de examinar as articulações dessas partes. É portanto aquilo que não tem datal(LEFEBVRE,1991:31).” E podemos acrescentar com Santos: “..com o papel que a informação e a comunicação alcançaram em todos os aspectos da vida social, o cotidiano de todas as pessoas assim se enriquece de novas dimensões. Entre estas, ganha relevo a sua dimensão espacial, ao mesmo tempo em que esse cotidiano enriquecido se impõe como uma espécie de Quinta dimensão do espaço banal , o espaço dos geógrafos(SANTOS, 1996:257).” Dessa maneira, existe uma ligação muito forte entre lugar e cotidiano, já que o cotidiano é pessoal e intransferível. Mas essa “corrente” do cotidiano pode ser suspensa, ainda que não infinitamente. “Há segundo Agnes Heller, quatro formas de suspensão da vida cotidiana...São elas: o trabalho, a arte, a ciência, a moral. Esta suspensão da vida cotidiana não é fuga: é um circuito, porque, se sai dela 13
  14. 14. e se retorna de forma modificada...Esta suspensão é temporária.”(NETTO & FALCÃO,1987:27) Para o ensino da geografia muitos sugerem que o aprendizado parta do cotidiano dos alunos para atingir conceitos mais elaborados, numa concepção sócioconstrutivista. Cultura – A conceituação de cultura esbarra, quase sempre, na questão ideológica. Para os fins a que se destina essa obra, podemos elabora-la a partir de Vannucchi como: ...auto-realização do ser humano no seu mundo, numa interação dialética entre os dois, sempre em dimensão social.”(VANNUCHI, 1987:14) Entendida dessa forma, cultura não se confunde com civilização , já que esta, partindo da etnologia, se refere a civil (do latim civilis) sendo entendido como habitante da cidade. Também cultura não confunde-se com erudição; etnologicamente erudito é aquele que saiu do estado bruto(IDEM,p.24). Dominar muitos conhecimentos não resume a cultura pois esta sempre será mais profunda e enraizada popularmente, enquanto erudição e mesmo civilização resumem-se a grupos menores ou mesmo à pouquíssimas pessoas. Dessa forma, cultura é tanto o fazer de um professor, de um intelectual, quanto o fazer de uma pessoa simples no seu trabalho diário urbano ou rural. O crescimento cultural brasileiro virá da perseverança daqueles ocupados em denunciar e/ou ensinar a não 14
  15. 15. discriminação para todos, principalmente as gerações mais novas. D Desenvolvimento Sustentável – A teoria do Desenvolvimento Sustentável faz parte, principalmente, das formulações da Ecologia e da Ciência Ambiental. A origem da noção está ligada aos debates em Estocolmo e, posteriormente, Rio de Janeiro, a partir da ECO-92(BECKER&MIRANDA,1997:22), quando passa a ser assumido de forma generalizada por Estados, empresas, organizações não-governamentais e imprensa em geral. Conforme a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, podemos assim entender o conceito: “...é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas.”(ONU,1991:49) Dessa forma, o desenvolvimento sustentável busca aliar recursos tecnológicos e naturais de maneira racional dentro do capitalismo. Como todo discurso, não é neutro, pois países periféricos e centrais não 15
  16. 16. têm as mesmas necessidades nem o mesmo desenvolvimento tecnológico. Divisão do Relevo Brasileiro - A classificação do Relevo Brasileiro data do século XIX com Aires de Casal (1817). Mas é a partir da década de 40 do século XX, com Aroldo de Azevedo que temos uma sistematização do relevo, dividido em oito unidades (planaltos e planícies). Já na década de 50, outro geógrafo, Aziz Nacib Ab’Saber, acrescenta duas outras unidades. Em 1998, Jurandir Ross, a partir de minucioso estudo e pesquisas por satélite e radar, ligados ao projeto Radam Brasil, reclassifica o relevo em vinte e oito unidades (planaltos, planícies e depressões). Classificação conforme Jurandir Ross 16
  17. 17. Divisão Internacional do Trabalho – A divisão do Trabalho é uma categoria de análise utilizada, principalmente, pelos marxistas e implica na racionalidade do trabalho para maior ganho social (socialismo) ou do lucro (capitalismo). Nos estudos geográficos essa categoria tem papel importante pois, hoje, a “divisão internacional do trabalho é processo cujo resultado é a divisão territorial do trabalho...” e “...o motor da divisão do 17
  18. 18. trabalho, tornada claramente internacional, é a informação” (SANTOS, 1996, 106). A distribuição dos recursos utilizados por empresas, bancos, escolas, etc. resulta da divisão do trabalho entre os lugares. Muitas vezes essa distribuição de recursos não ocorre dentro de um mesmo território nacional, extrapolando fronteiras. O exemplo dos bancos, cada vez mais globais, operando em mercados financeiros diversos transmitem a informação para várias partes do mundo e recebem outras informações de ganho ou perda do que foi aplicado. Também em escala mundial estão as montadoras de veículo, onde cada lugar do mundo, a partir de seus recursos (mão de obra, tecnologia, ciência) compõem o veículo que será montado num terceiro lugar. Todos, dessa forma, estão sujeitados à divisão territorial do trabalho quer cria uma hierarquia entre lugares e pessoas, gerando conflitos ( entre o Mercado e o Estado, por exemplo) que são importantes para uma análise geográfica pertinente à realidade. E Ecologia – Criada cientificamente por Ernst Haeckel em 1866 com a obra Morfologia dos Organismos, tinha a função de estudar as espécies em relação ao seu ambiente, assim, foi entendida inicialmente, apenas como uma ciência natural, na ecologia clássica é entendido como “termo especial para indicar os campos de interesse da biologia é ecologia, palavra derivada da raiz grega oikos, que significa casa. 18
  19. 19. Assim, literalmente ecologia é o estudo das casas ou, por extensão, do hábitat” (SCARLATO & PONTIN, 1993: 5). Atualmente, a ecologia busca compreender e atuar no espaço social, construído e utilizado pelos homens na transformação da natureza. Nessa transformação, através da cultura, o homem vem deteriorando seu próprio ambiente9 pondo em risco a sobrevivência, principalmente nos grandes centros. Hoje a luta ecológica ultrapassa a preservação de espécies ameaçadas de extinção e busca solucionar os problemas urbanos como o lixo, poluição de fábricas, rios, qualidade de vida, entre outros. Escala – A escala geográfica difere da escala cartográfica ou gráfica, que é matemática e utilizada na elaboração de plantas e mapas. O conceito de escala, em geografia, está ligado ao evento, seja ele finito ( a população, o dinheiro, o deslocamento para um lugar) ou infinito (liberdade, informação, formação). “A noção de escala se aplica aos eventos segundo duas acepções. A primeira é a escala da ‘origem’ das variáveis envolvidas na produção do evento. A Segunda é a escala do seu impacto, de sua realização...No primeiro caso temos a escala das forças operantes e no segundo temos a área de ocorrência, a escala do fenômeno. Aliás, a palavra escala deveria ser reservada a essa área de ocorrência e é nesse sentido que se pode dizer que a escala é um dado temporal e não propriamente espacial; ou, ainda melhor, que a escala varia com o 9 ver verbete ambiente 19
  20. 20. tempo, já que a área de ocorrência é dada pela extensão dos eventos”(SANTOS, 1996, 121). Podemos exemplificar através das decisões tomadas pelo FMI e Banco Mundial, enquanto eventos mundiais, que se apresentam diferentemente para cada lugar, região, país. Espaço – A definição de espaço é um problema que percorre a história do pensamento desde os clássicos gregos até hoje, com as teorizações sobre a pós- modernidade10 . Nas obras recentes de Milton Santos11 temos: “O espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá...O espaço é hoje um sistema de objetos cada vez mais artificiais, povoado por sistemas de ações igualmente imbuídos de artificialidade, e cada vez mais tendentes a fins estranhos ao lugar e a seus habitantes” (SANTOS, 1996:51). O mesmo autor apresenta um exemplo elucidativo sobre o espaço: “Durante a guerra fria, os laboratórios do Pentágono chegaram a cogitar a produção de um engenho, a bomba de Nêutrons, capaz de aniquilar a vida humana em uma dada área, mas preservando todas as construções. O Presidente Kennedy afinal renunciou a levar a cabo esse projeto. Senão, o que na véspera seria ainda espaço, após a temida explosão seria apenas paisagem12 . Não temos melhor imagem para mostrar a diferença entre esses dois conceitos(idem, p. 85)”. 10 consultar verbete pós-modernidade 11 consultar verbete Milton Santos 12 consultar verbete paisagem 20
  21. 21. Vemos assim que, espaço não se confunde com suas categorias internas – no exemplo, a paisagem – ao contrário, é no entendimento do espaço que as categorias analíticas são reconhecidas. Também é nesse sentido que os recortes espaciais (região, lugar, redes, escalas, etc. ) são possíveis. Implica ainda reconhecer que o espaço é o próprio objeto da geografia, o que possibilita o fazer científico na própria geografia. Em outras palavras, que a geografia não se transforme em história, sociologia, antropologia, etc.. Porém, deve ficar claro o que vem a ser Sistema de Objetos e Sistemas de Ações: “O enfoque geográfico supõe a existência dos objetos como sistema e não apenas coleções”(p.59). Porém os objetos estão ligados às ações. Os objetos do presente, passado ou futuro possuem utilidade para os grupos humanos que o criaram. Os objetos e as ações dialéticamente devem ser entendidos de forma unitária. Assim como existe relação direta entre objetos e grupos humanos, existe também entre os objetos e as ações. As significações não independem dos objetos, é a ação que confere sentido ao objeto. Euro – Moeda única de 11 dos 15 países integrantes da UE (União Européia). Começou a vigorar como moeda de compra a partir de 1° de Janeiro de 1999 e a substituição total ocorrerá em 2002. Até lá, os países que a adotaram trabalharão com duas moedas, a nacional e a Euro. Parte de um longo processo, iniciado no pós-guerra, em 1948 temos a criação da Organização Européia de Cooperação Econômica e em 1957 a CEE (Comunidade Econômica Européia) . Em dezembro de 21
  22. 22. 1991, o Tratado de Maastricht já prevê a moeda única no ano seguinte, a assinatura do Tratado extingue a CEE que se torna Comunidade Européia (CE). Os países cumpriram algumas exigências para participar da Euro: redução da inflação, redução das taxas de juros, dos déficits públicos e flutuações cambiais. Dos países que assinaram o Tratado, apenas a Grécia não conseguiu cumprir nenhuma exigência não podendo assim, adotar a moeda. A nova unidade monetária será controlada pelo Banco Central Europeu (BCE) localizado em Frankfurt (Alemanha) podendo os países integrantes emitir Euros em quantidade determinada pelo banco. O objetivo imediato da Euro é concorrer com o dólar americano, hoje moeda corrente em transações financeiras internacionais. Outros países acenam com a possibilidade de participar da Euro (Polônia, Eslovênia, Chipre, República Tcheca, Hungria, Estônia) mas os integrantes da UE impõem resistência a alguns países, entre eles Turquia, Eslováquia, Romênia, Bulgária. São países membros da Euro hoje: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal13 . F FRONTEIRA – Limite dividindo dois países, cidades, regiões e determinado a partir de acordos bilaterais. 13 Ver Mapa Geopolítico da Euro nos anexos 22
  23. 23. Esses limites podem ser demarcados a partir de fenômenos físicos (rios, montanhas, por exemplo) ou mesmo de fenômenos naturais (vegetação, iluminação, como é o caso dos povos da floresta). Com a possibilidade da comunicação em Redes de computadores, via satélite ou telefone, alguns autores afirmam que as fronteiras tornaram-se fluidas ou porosas (SERRES, 1997:248). Porém, com o acirramento dos nacionalismos na sociedade globalizada, as fronteiras estão cada vez mais presentes na problemática internacional. No caso brasileiro, as fronteiras com os outros países latinos são sempre áreas de tensões, seja pelo problemas do tráfico de drogas, contrabando de mercadorias ou questões de terra envolvendo brasileiros. GGeografia (Escolas) – Sobre o tema das “escolas geográficas” ou dos fundadores da geografia como ciência moderna, podemos destacar O que é Geografia, de Ruy Moreira. Obra básica da Coleção Primeiros Passos, Editora Brasiliense, apresenta de maneira simplificada e sucinta a formação da geografia chegando até a chamada ‘Geografia Crítica’. De mais fôlego é Por uma Geografia Nova, de Milton Santos, Editora Hucitec. Analisa a geografia desde seus fundadores, as correntes de pensamento mais importantes, propondo um novo caminho à geografia brasileira14 . 14 também é interessante a leitura de Geografia Pequena História Crítica e Gênese da Geografia Moderna, ambos de Antonio Carlos Robert de Moraes pela editora HUCITEC, 1981 e 1989 respectivamente 23
  24. 24. Das correntes de pensamento com mais destaque no arcabouço geográfico, vamos destacar: o determinismo, o possibilismo, a nova geografia, a geografia crítica e a Geografia Pós-Moderna. Estes são, na maioria dos autores que trabalham o tema, as mais marcantes. “Nascida não durante o desenvolvimento mas no decorrer do triunfo da burguesia...foi no início tanto uma filosofia como uma ciência, filosofia de que os geógrafos alemães, como os historiadores, se serviram com fins políticos”(SANTOS, 1990:13). Assim, a geografia nasce marcada pelo e para o capitalismo emergente, fornecendo as “bases teóricas” e as justificativas para a expansão mercantilista do mundo, pelas nações européias. O paradigma Determinista dessa fase afirma que as condições ambientais e principalmente climáticas determinavam o desenvolvimento humano favorecendo aqueles que estivessem em melhores condições, isto é, os povos adiantados seriam apenas aqueles localizados em países temperados. Adaptou-se dessa forma, as lei da natureza (Darwin e Spencer) para as ciências sociais. O grande divulgador dessas idéias foi Frederic Ratzel, considerado o pai da geografia moderna, nasceu em 1844 e participou como intelectual do Estado alemão de Bismarck (MORAES, 1989:178), seu conceito mais importante e divulgado é o de espaço vital, isto é, “...o território que representaria o equilíbrio entre a população ali residente e os recursos disponíveis para as suas necessidades, definindo e relacionando, deste modo, as possibilidades de progresso e as demandas territoriais”(CORRÊA, 1987:11). Esses conceitos, mais ideologias que conceitos na verdade, favorecem a expansão germânica rumo ao Estado Alemão que se forma então. 24
  25. 25. O possibilismo é uma reação às idéias do determinismo alemão e parte, principalmente, do país rival, a França. Sem a necessidade da criação do Estado, já que a Revolução Francesa havia tornado as relações de classe mais complexas e aptas ao capitalismo do país, cabia à geografia francesa combater a expansão alemão que se dava em solo europeu, apresentar um conceito onde o homem transformaria a natureza que lhe oferecia as condições. Tal conceito foi desenvolvido e proposto por Vidal de La Blache : o Gênero de vida. Este entendido dentro de uma relação complexa entre o homem e a natureza, sendo o primeiro o grande transformador e agente geográfico. E ainda, “...a paisagem geográfica tem, uma extensão territorial e limites razoavelmente identificáveis. Nestes termos, a região é a expressão espacial da ocorrência de uma mesma paisagem geográfica. O objeto da geografia possibilista é, portanto, a região...”(IDEM, p.13) Outra corrente de pensamento importante é a Nova Geografia. Surgida no pós guerra, dentro de um panorama marcado pela Guerra Fria e um mundo bipolar, dividido então entre as duas grandes potências, EUA e URSS, essa corrente nascer ao mesmo tempo na Suécia, Inglaterra e Estados Unidos, privilegia a quantificação e o pragmatismo. Termos como média, desvio-padrão, análise fatorial e muita estatística são aliados do planejamento de Estado e do positivismo lógico, como método para entender o real. Como seus geógrafos entendem a geografia matematicamente, podem assumir um papel de neutralidade científica. É conhecida como geografia teorética ou geografia quantitativa(CORRÊA, 1987:18). O grande expoente ,nesse momento da geografia, é o 25
  26. 26. americano David Harvey com a obra Explanation in Geography (Londres, 1969). Posteriormente, esse autor abandonaria essa linha de pensamento, aderindo a linha marxista de interpretação da realidade. Contra a neutralidade da geografia, debates acirrados ocorrem a partir de 1965, com severas críticas à geografia tradicional e a geografia quantitativa. Esses ataques partem de geógrafos com direcionamento no materialismo histórico e na dialética marxista, optando por uma geografia que não fique apenas nas descrições e medições da sociedade, mas se proponha a transforma-la. “As origens de uma geografia crítica, que não só contestasse o pensamento dominante, mas tivesse também a intenção de participar de um processo de transformação da sociedade, situam-se no final do século XIX. Trata-se da geografia proposta pelos anarquistas Élisée Reclus e Piotr Kropotkin. Ela não fez escola, submergida pela geografia ‘oficial’, vinculada aos interesses dominantes.”(IDEM, p. 19) A partir do resgate das idéias desses geógrafos esquecidos da geografia ‘oficial’ e de graves problemas sócio econômicos e políticos no – chamado – terceiro mundo, manifestados dentro da sociedade capitalista, intelectuais de todo o mundo começam a questionar o modelo geográfico de então: Yves Lacoste (França), David Harvey (EUA), Milton Santos(Brasil), Ruy Moreira (Brasil), entre outros. O marco histórico da geografia crítica no Brasil é o 3° Encontro Nacional de Geógrafos, julho de 1978 em Fortaleza questionando o papel da geografia no terceiro mundo, o ensino da geografia divorciado da realidade social do país, o papel do Estado no capitalismo subdesenvolvido. 26
  27. 27. Para entender os conceitos geográficos, a geografia crítica lança mão das categorias desenvolvidas por Karl Marx, como Modo de Produção, Mais Valia, Divisão do Trabalho (nacional e internacional), Teoria do Valor. Temas como Reforma Agrária, Meio Ambiente, urbanização, transporte, habitação ganham nova dimensão, agora social e transformadora com críticas e propostas de ação concretas. O método dialético, apontando as contradições do Capitalismo Global, é o instrumental básico da geografia crítica. Porém, com a queda do Muro de Berlim em 1989 e os processos de Perestroika e Glasnost vividos pela URSS até a sua desintegração no mesmo ano, a geografia crítica, de cunho marxista dialético, sofre um abalo, já que muitos intelectuais e pensadores passaram a ver essa posição como atrasada e, até, reacionária. Surge em meados de 1990 uma nova vertente geográfica, a Geografia Pós-Moderna15 , com expoentes importantes como Edward W. Soja e David Harvey. O foco central das análises passa a ser a fragmentação contemporânea e a flexibilização da vida a partir da globalização. 15 consultar verbete Pós-modernidade 27
  28. 28. Geopolítica – (também chamada de Geografia Política) Ramo da geografia que busca analisar as relações internacionais, nacionais e as intervenções políticas manifestadas nos territórios de expansão ou, como afirma Paul Claval, “...geopolítica, enquanto reflexão sobre estratégias desejáveis, antes de agir (CLAVAL, 1999:81)”. Com a globalização e o aparecimento das empresas transnacionais, as análises geopolíticas saíram do âmbito das ações governamentais e atingiram estratégias de mercado , dividindo o globo terrestre em áreas de atuação dessas empresas. Estratégias territoriais que garantam a continuidade da acumulação do capital. Nesse cenário, políticas locais e regionais defrontam-se pelos investimentos das grandes empresas, propondo formas de utilização dos territórios sob sua jurisdição, em detrimento de outras áreas impossibilitadas de oferecer as mesmas condições de infra-estrutura, subsídios fiscais, mão de obra, etc. Exemplo do papel geopolítico regional é o Nordeste brasileiro que, durante muitos anos foi o centro de decisões e políticas nacionais (período colonial), perdendo sua posição para as regiões sudeste e sul, onde as elites souberam melhor entender e aplicar as estratégias do modo de produção capitalista quando do fim da escravidão. Hoje a geopolítica propõe um debate maior sobre as questões e conseqüências da aplicação das novas tecnologias e novos gerenciamentos voltados ao chamado desenvolvimento sustentável, isto porque, as estratégias para atingir tal desenvolvimento devem ser pensadas localmente16 em parceria com toda a sociedade. Isso altera a forma do fazer geopolítico 16 ver verbete agenda 21 28
  29. 29. que, anteriormente, tinha por base o Estado como único representante do poder organizado. Geoprocessamento – “Tecnologia que abrange o conjunto de procedimentos de entrada, manipulação, armazenamento e análise de dados espacialmente referenciados”(TEIXEIRA & CHRISTOFOLETTI, 1997:53). Para tanto, vários sistemas fazem parte do geoprocessamento, eles podem ser: GIS, LIS, AM/FM que são tecnologias que englobam vários elementos como o Hardware, software, dados, usuários e as metodologias de análise. Tal tecnologia garante a eficiência no trato de informações em grande quantidade, produzindo mapas, gráficos, tabelas e relatórios que posteriormente serão analisados visando o fim determinado pelos administradores públicos ou privados. Podemos exemplificar a aplicação dessas informações georreferenciais quando se procura o melhor caminho para distribuição de produtos, com menor uso de frota de veículos, na busca de casas com diferentes características e localizações por imobiliárias. O cruzamento das várias informações possibilita uma busca racional e eficiente. Gestão Ambiental - É um conjunto de procedimentos e técnicas sistêmicas que visam dotar uma organização dos meios que permitam sua política ambiental e que assegurem o atendimento dos principais requisitos: 29
  30. 30. · comprometimento com o melhoria contínua e a prevenção; · comprometimento com o atendimento à legislação do país e outros requisitos dos mercados que deseja atingir; · estabelecimento de objetivos e metas ambientais; · avaliação e monitoramento do atendimento aos seus objetivos e metas ambientais; · conscientização e treinamento de todo o pessoal envolvido; · comunicação a todas as partes interessadas (acionistas, empregados, consumidores); e · avaliação crítica do desempenho ambiental e adoção de medidas corretivas. O QUE É PROTOCOLO VERDE? Protocolo Verde é o resultado do esforço feito pelo grupo de trabalho instituído pelo Decreto 29/05/95, objetivando uma proposta contendo diretrizes, estratégias e mecanismos operacionais para a incorporação da variável ambiental no processo de gestão e concessão de crédito oficial e benefícios fiscais às atividades produtivas17 . GLOBALIZAÇÃO – “É a palavra usada para designar um processo importante que está ocorrendo no mundo. Por ser novo, não se pode delimitar quando 17 http://www.df.sebrae.com.br/ 30
  31. 31. ele se iniciou ou até que ponto irá prosseguir.”(ZINI JR, 1996:3-3) Processo em curso, a globalização pode ser entendida apoiada em três fatores principais: revolução tecnológica, barateamento da transmissão de informações e barateamento dos transportes. Isso sugere imediatamente uma dimensão global, porém não é um processo homogêneo conduzindo à afirmação das diferenças culturais. Dentro desse processo, foi possível aos grupos menos hegemônicos, dos cenários nacional e internacional, manifestarem-se e serem ouvidos. Por outro lado, os grupos hegemônicos criam uma ordem mundial baseada na lógica do e para o mercado que pouco beneficia grandes contingentes da humanidade. A globalização portanto, opõe-se ao mundo bipolar da Guerra Fria, possibilitando o surgimento de diversos blocos de interesse: MERCOSUL, NAFTA, CE, BACIA DO PACÍFICO, por exemplo. I Industrialização – A industrialização, assim como a urbanização, é um processo e, dessa forma, maior que a indústria, a materialização arquitetônica de um momento desse processo. O processo de industrialização envolve diversos fatores: localização, transporte, infraestrutura, mão de obra, incentivos fiscais, tecnologia, arquitetura, capitais. Isso nos leva a qualifica-la como um processo 31
  32. 32. sócio-econômico onde diversos agentes e atores interagem. A urbanização e a industrialização tem muita ligação (o que não implica que uma determina a outra) já que, para a instalação das indústrias, as cidades, desde a chamada Revolução Industrial na Inglaterra, precisam oferecer condições físicas, materiais e humanas. A industrialização brasileira teve grande impulso no final do século XIX e começos do XX, principalmente no estado de São Paulo, através do ramo têxtil rudimentar. Nesse momento histórico, o café e outros produtos agrícolas tiveram grande importância, pois, nos momentos de lucros, os capitais puderam ser revertidos para a criação de indústrias e bancos. Nos anos setenta do século XX, a industrialização passou a ser comandada, principalmente, pelo capital internacional – com as empresas multinacionais . Os anos noventa marcam o processo com o surgimento das empresas transnacionais. Em todos esse momentos, a produção, reprodução e consumo do espaço ganham dimensões diferentes. No primeiro momento industrial, as cidades e os espaços foram estruturados pela industria. A partir dos anos noventa, a ciência, a tecnologia e a informação que passam a estruturar os espaços. Assim, nem sempre a área de produção é a área do desenvolvimento técnico-científico e decisório. L Lazer – O lazer, assim como o turismo, constitui-se nos anos noventa do século XX, numa área importante da economia capitalista globalizada. Conforme 32
  33. 33. Ferrigno, “...o lazer é entendido pela maioria das pessoas como um conjunto de atividades destinadas somente ao entretenimento ou a reposição das energias despendidas pelo trabalho.”(Revista Ensaio, 1998, p.66) Com o advento da acumulação flexível e a flexibilidade do tempo do trabalho, foi possível o re-investimento também para o lazer. A ligação do lazer com o tempo livre sugere a idéia de progresso. Porém, como nos alerta Milton Santos: “A noção de tempo livre vagamente dava a idéia de progresso...Neste fim de século, com essa fantástica mudança nas relações técnicas dentro do trabalho, criou-se essa visão de tempo livre que, na verdade, é uma miragem. Você o vê, mas tem dificuldade de alcança-lo, como tantas outras miragens criadas com tudo que a globalização trouxe. Grande parte das atividades de lazer não existia há 30 anos. Não havia meios de se convocar essas pessoas. Hoje não. Hoje existe uma espontaneidade industrializada. Ou seja, você industrializa a espontaneidade pelo uso orientado da informação. A própria noção de felicidade, hoje, é também industrializada. Você diz ao sujeito que ele vai ser feliz em tal lugar e a pessoa viaja com a obrigação de voltar dizendo que foi muito boa a viagem.”(IDEM, p.16) Liberalismo (neoliberalismo) – Doutrina que defendia a liberdade política podendo ser dividida em duas fases: século XVIII – caracterizada pelo individualismo, século XIX – caracterizada pelo estatismo. Diversos pensadores abordaram, tanto o 33
  34. 34. liberalismo quanto a liberdade, por isso, não existe uma coerência nesse tema. Emmanuel Kant (1724-1804) afirmava que a essência do liberalismo estava na relação entre propriedade e liberdade e concluía que toda lei é sagrada, ficando impossível até mesmo discuti-la. A lei estaria acima de qualquer cidadão (o chamado Estado de direito). Jean Jacques Rousseau (1712-1778) tinha como fundamento a igualdade baseada na liberdade, pois, não há liberdade onde não existir igualdade. Friedrich Hegel (1770-1831) fará a crítica a concepção liberal individualista da liberdade, propondo um Estado liberal que garanta a liberdade da pessoa, da iniciativa privada, não cabendo-lhe a manutenção da educação, da ética. O chamado neoliberalismo pode Ter seu marco inicial a partir da obra ‘O caminho da Servidão’ de Friedrich Hayek, alertando sobre os problemas que a intervenção do Estado traria para a economia e a liberdade. O autor entende que “existem somente duas interpretações possíveis para nossa sociedade: o Kosmos, que é a ordem amadurecida ou espontânea, a qual percebe o mundo moderno como resultado de iniciativas individuais espontâneas que se acumularam pelos séculos, numa história que combina essas iniciativas espontâneas com seleção pela experiência. A outra seria a Taxis que supõe ser possível dominar as leis do progresso e construir a sociedade de acordo com um plano ordenado. O liberalismo deriva da primeira; o socialismo, da Segunda”(NEGRÃO, 1998:20). Na prática, é o Estado mínimo, ou seja, um Estado que não concorra com a iniciativa privada no campo econômico. A privatização de vários setores econômicos no Brasil a partir de 1989 exemplifica o neoliberalismo na América Latina. 34
  35. 35. Lugar – O lugar pode ser entendido a partir de sua relação com o mundo e, assim, todos os fenômenos globais marcariam cada ponto do planeta, onde a globalização realmente estaria sendo praticada. Dessa maneira, o lugar e o cotidiano seriam expressões do mesmo fenômeno: nossa experiência diária. Outra corrente, intitulada pós-moderna, propõe não relacionar o lugar ao mundo, e o lugar seria um fragmento e, somente nesse imediato o prático, o empírico apresenta-se(SILVEIRA, 1993:204). Uma análise pós moderna não tentaria buscar a totalidade dos fatos, acontecimentos, mas a maneira como eles estão expressos nos lugares. MMercosul – O ‘Tratado de Assunção’ que criou o Mercado Comum do Sul da América do Sul foi assinado em 26 de Março de 1991, em Assunção (capital do Paraguai) pelos presidentes Fernando Collor de Mello (Brasil), Andrés Rodriguez (Paraguai), Carlos Menem (Argentina) e Luis Lacalle (Uruguai) e deverá estar totalmente operacionalizado em 2005. O objetivo central do Mercosul é a ampliação do mercado entre os quatro países e pode ser considerado um primeiro passo na adaptação a globalização. A data oficial do Mercosul é 1° de janeiro de 1995 e ele está organizado como: 35
  36. 36. . Conselho Mercado Comum – organismo principal do bloco formado pelos ministros das Relações Exteriores e da Economia dos quatro países; . Grupo Mercado Comum – Setor executivo do bloco formado por membros do segundo escalão dos governos; . Comissão Mercado Comum – auxilia o Grupo Mercado Comum com a tarefa de verificar a aplicação da política comercial; . Comissão Parlamentar Conjunta – tem o papel de adaptar as leis às normas do Conselho Mercado Comum; . Fórum Consultivo Econômico Social – orgão não- governamental representado pela sociedade civil (sindicatos, universidades, empresários, etc.); . Secretaria Administrativa do Mercosul – Com sede permanente em Montevidéu, é o arquivo geral do Mercosul. O ano de 2005 marca também a entrada do Mercosul na área livre de comércio, ou Européia na UE, ou Americana na ALCA, conforme opção que fizer. Metrópoles – A metrópole é uma forma espacial onde a cidade principal comanda as atividades econômicas e políticas de forma centralizada. Com grande extensão territorial, a metrópole guarda particularidades nos diferentes países. “O conteúdo espacial centro-subúrbio tem uma conotação diversa quando se trata de metrópoles de 36
  37. 37. países industrializados ou as de países subdesenvolvidos. Nos primeiros, o subúrbio é cada vez mais o lugar de residência das classes sociais de maior poder aquisitivo, que escolhem para usufruir de melhores condições e qualidade de vida. Para os segundos, a área suburbana – o próprio nome o indica – é uma área segregada, de subordinações de sobrevivência, habitada por pessoas socialmente semelhantes e com uma finalidade restrita: a reprodução da força de trabalho. Hoje a área é denominada “periferia”...(GIOVANNETTI&LACERDA, 1998:133-4) Porém, na globalização em curso, a definição de metrópole tradicional – com a relação centro-periferia – é alterada, já com as grandes cidades podendo conter mais de centro, como é o caso da cidade de São Paulo. “A cidade de São Paulo de agora tem três centros: o velho, a Paulista e a avenida Luiz Carlos Berrini. Na década de 80, a metrópole era vista como centro territorial onde se realizavam gestão e consumo. Hoje, entramos no período do mundo globalizado. A grande cidade agora se organiza ao redor da informatização que se apresenta como a nova estrutura de produção. O território metropolitano não é mais visto como uma súmula de partes e por isso não pode ser separado da problemática ambiental.”(FERREIRA, 1999:7) A metrópole moderna foi tema literário em várias partes do mundo e, no Brasil , a obras ‘Paulicéia Desvairada’ apresentou pela primeira vez a metrópole como protagonista(ANDRADE, 1987). Modernidade – O conceito de modernidade difere do de modernismo que é uma resposta estética a 37
  38. 38. modernização (HARVEY, 1989:97), exemplo disso é a semana de Arte Moderna ocorrida em 1922 em São Paulo, onde um grupo de artista opõe-se à estética vigente do período. Marshal Berman assim define a modernidade: “Há uma modalidade de experiência vital – experiência do espaço e do tempo, do eu e dos outros, das possibilidades e perigos da vida – que é partilhada por homens e mulheres em todo o mundo atual. Denominarei esse corpo de experiência “modernidade”. Ser moderno é encontrar-se num ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de si e do mundo – e, ao mesmo tempo, que ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. Os ambientes e experiências modernos cruzam todas as fronteiras da geografia e da etnicidade da classe e da nacionalidade, da religião e da ideologia; nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une toda a humanidade. Mas trata-se de uma unidade paradoxal, uma unidade da desunidade, ela nos arroja num redemoinho de perpétua desintegração e renovação,, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia. Ser moderno é ser parte de um universo em que, como disse Marx, “tudo que é sólido desmancha no ar”.(BERMAN, 1989:15) Essa fluidez a que Marx alude ‘’e uma das características marcantes da modernidade, isto é, o caráter de mercado de toda produção (arquitetônica, artística, literária, intelectual, etc.) foi contestada por todos os modernistas, ao mesmo tempo que a celebração da máquina e da velocidade também os caracterizou. A modernidade vai marcar o espaço urbano com padrões arquitetônicos, onde o conceito de morar é a 38
  39. 39. praticidade e ainda, cidades como Brasília, por exemplo, com suas grandes avenidas para o fluxo dos carros (máquinas em velocidade) a partir da proposta urbana de Le Corbusier. Modos de Produção - De maneira simplificada podemos dizer que a forma como a sociedade produz a sua riqueza é seu modo de produção. No modo de produção capitalista, a riqueza produzida visa o lucro de uma pessoa ou grupo, que são os donos das empresas. Já no modo de produção socialista, o resultado do trabalho de todas as pessoas (a riqueza produzida) visa o bem estar social, pois o lucro não é o resultado esperado e pode ser distribuído socialmente. Karl Marx, ao analisar a economia e a sociedade , em sua obra ‘O Capital’, assim define o conceito: “A forma econômica específica pela qual o trabalho excedente não pago se extorque dos produtores diretos determina a relação dominadores-dominados, tal como esta nasce diretamente da própria produção e, por sua vez, age sobre ela como elemento determinante. Aí se fundamenta toda a formação da comunidade econômica, que surge das próprias relações de produção, e por conseguinte, a estrutura política que lhe é própria. É sempre na relação direta entre os proprietários dos meios de produção e os produtores diretos – uma relação que corresponde sempre, naturalmente, a um dado nível de desenvolvimento dos métodos de trabalho e, portanto, da sua produtividade social – que encontramos o recôndito segredo, a base oculta de toda estrutura social.”(MARX, 1974:2) Esse conceito em geografia possibilita entender os diverso níveis sócio-econômicos em que os países se 39
  40. 40. encontrar e o porque de estarem em seus níveis de desenvolvimento. Milton Santos – Geógrafo brasileiro nascido em Brotas de Macaúbas (Bahia) em 1926 e ganhador do prêmio Vautrin Lud – o prêmio “Nobel” da geografia – em 1994, na França. Autor de uma vasta obra geográfica, Milton Santos iniciou seus estudos superiores cursando Direito. Em 1958 doutorou-se em Geografia na Universidade de Estrasburgo, lecionando até 1964 na Universidade da Bahia quando, após sua prisão pelos orgãos de repressão da época, a convite de colegas franceses, parte para o exílio, de onde retornaria em 1976. Ingressa na Universidade de São Paulo em 1980, atuando nos cursos de Graduação e Pós-graduação. Conforme sugestão do próprio autor, a sua obra, para aqueles que querem iniciar nos estudos geográficos é ‘O trabalho do Geógrafo no Terceiro Mundo’ , “...se você lê aquele livro, você vê que o que estou falando, vinte e oito anos depois – não vou dizer que está tudo ali, porque a globalização não estava como está hoje, mas eu já falo de globalização, já falo nas cidade globais.”(AGB-INFORMA, 1996) Entre os prêmios recebidos por Milton Santos, podemos destacar os títulos de Doutor Honoris causa nas Universidades: Toulouse – 1980 Federal da Bahia – 1987 De Buenos Aires – 1992 Complutense Madri – 1994 Estadual da Bahia – 1995 Federal de Sergipe – 1995 Estadual do Ceará – 1996 De Passo Fundo – 1996 40
  41. 41. Federal do Rio Grande do Sul – 1996 De Barcelona – 1996(SILVA, 1997:137-42). A grande proposta atual de Milton Santos é a teorização do período que ele denomina Período Técnico científico informacional, onde a técnica, a ciência e a informação são os estruturadores do espaço. NNação – O entendimento do conceito de Nação é importante para analisar a sociedade atual – sociedade globalizada do meio técnico-científico- informacional. Diferencia-se do conceito de Estado (grafado em maiúsculo) que se refere a organização política e jurídica num dado território com sua população. Castells define nação como ”...comunidades culturais construídas nas mentes e memória coletiva das pessoas por meio de uma história e de projetos políticos compartilhados”.(CASTELLS,1999b:69) Porém esse compartilhar não opera em tempos idênticos para todos, e uma distinção entre as existências de Estado e Nação faz–se importante: - Nações sem Estado; é o caso de Catalunha, Escócia, Quebec, - Estado sem Nação; é o caso de Cingapura, Taiwan, - Estado plurinacional, é o caso da ex-URSS, - Estado uninacional, é o caso do Japão, - Estados que compartilham uma nação; é o caso da Coréia do Sul e Coréia do Norte, 41
  42. 42. - Nações que compartilham um Estado; é o caso dos suecos na Suécia e Finlândia, Irlandeses na Irlanda e Reino Unido(CASTELLS, 1999b:69). Natureza – O conceito de natureza é utilizado por diversas áreas do conhecimento científico (ecologia, biologia, filosofia, história, p.ex.) e normalmente está associado à dualidade homem-natureza. Na geografia a “eterna disputa” entre geografia humana e geografia física atesta essa dualidade. Porém, como os espaços intocados da natureza – a natureza-natural – praticamente inexistem hoje e, se estão intocados pela ação imediata, ao menos são temas de debates e preocupações políticas, científicas e acadêmicas(SANTOS, 1988). “No contesto da sociedade, a natureza, como a espacialidade é socialmente produzida e reproduzida, apesar de sua aparência de objetividade e separação.”(SOJA, 1993:148) Assim, o conceito de natureza é uma relação complexa e dinâmica, de interação entre o homem e o ambiente com seus elementos naturais e sociais, entre o artificial produzido e natural transformado. O meio natural, segundo SANTOS (1996), foi o primeiro momento do homem, quando este valorizava e retirava aquilo que garantia a sua sobrevivência com a utilização relativa da técnica. 42
  43. 43. O ONG – Organizações não governamentais A normatização das ONG’s no Brasil foi aprovada pela Lei na Câmara Federal em 3/3/1999, no Senado Federal em 10/3/1999 e sancionada pela Presidência da República em 23/3/1999, sob o número 9.790 e dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. Em seu artigo 1° a lei especifica o que vem a ser tal organização : Art. 1º Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei. § 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social. O artigo 3° qualifica a ONG conforme suas finalidades: Art. 3o A qualificação instituída por esta Lei, observado em qualquer caso o princípio da Universalização dos serviços, no respectivo âmbito de atuação das Organizações, somente será conferida às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenha pelo menos uma das seguintes finalidades: I - promoção da assistência social; II - promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico, III- promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; IV - promoção gratuita da saúde, observando-se a, forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; V - promoção da segurança alimentar e nutricional; 43
  44. 44. VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável, VII - promoção do voluntariado; VIII - promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; IX - experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; X - promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de Interesse suplementar; XI - promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; XII- estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo. Parágrafo único - Para os fins deste artigo, a dedicação às atividades nele previstas configura-se mediante a execução direta de projetos, programas, planos de ações correlatas, por meio da doação de recursos físicos, humanos e financeiros, ou ainda pela prestação de serviços intermediários de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor público que atuem em áreas afins. No Brasil, diversas ONG’s destancam-se, entre elas, o Projeto Axé na Bahia com reconhecimento internacional pelo seu trabalho com menores carentes. Organizações Internacionais – ONU (Organização das Nações Unidas) criada em 1945 substituindo a Liga das Nações (criada em 1919 com sede em Genebra, Suíça) tem objetivo de trabalhar pela paz, segurança e cooperação entre as nações. Atualmente a ONU divide-se em setores para garantir a aplicação dos objetivos: .Assembléia Geral . Conselho de Segurança . Corte Internacional de Justiça . Conselho Econômico e Social (para assuntos de economia, saúde, cultura, problemas sociais) . Conselho de Tutela . Secretariado (Administração geral da Organização). 44
  45. 45. Sua sede permanente é em New York (EUA) contando, em 1994, com 185 países membros. Em 1998 as tropas de Paz da ONU estiveram intervindo nos conflitos étnicos na ex-Iugoslávia e em 1999 no Timor Leste (Ilha pertencente a Indonésia). UNESCO (United Nations Educational Scientific and Cultural Organization) fundada em 1946 com objetivo de promover a paz e segurança dos povos através da educação, ciência e cultura. Conta com 163 países membros e sua sede localiza-se em Paris. O filósofo Michel Serres, assim declara a importância da UNESCO: “Tornar possível o impossível eis a resposta...A UNESCO, eis o seu nome...A sua égide garante uma certa autonomia ao saber deste modo partilhado no mundo e pelos homens, e a escuta atenta das culturas enfraquecidas. Tal como a ciência e a cultura ou a informação nos dois sentidos, constituem actualmente a nossa infra- estrutura ou condição geral de vida, essa organização mundial realiza um projecto fundamental, utópico e positivo, deixando às outras instituições paralelas a liquidação sanguinária da velha história.”(SERRES, 1997:172-3) PPaís – Uma unidade territorial ocupada por uma população com história e geografia próprias. No momento da globalização, quando os fixos e fluxos 45
  46. 46. determinam e organizam os espaços, o capital financeiro divide os países entre centrais e periféricos. Os centrais, são aqueles com grande poder de decisão e hegemonia política e econômica, interferindo assim nas decisões mundiais, os chamados países do primeiro mundo. Os periféricos são aqueles sem hegemonia dentro do capitalismo mundial, principalmente, os chamados, países do terceiro mundo. Paisagem – conceito geográfico utilizado em várias áreas do conhecimento, entre elas o paisagismo, urbanismo, ecologia, história natural. Em geografia a paisagem vem a ser “o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza”.(SANTOS, 1996:83) O estudo da paisagem, pela possibilidade de sua apreensão imediata, foi entendida por muitos geógrafos como o próprio objeto da geografia ( Carl Sauer por exemplo que propunha estabelecer conexões apenas entre aquilo que era visível nos fenômenos). Atualmente, o estudo da paisagem leva em conta não apenas o caráter científico mas também o artístico, já que a ligação entre paisagem e beleza é muito grande (CAVALCANTI, 1998:100). Assim, para o ensino desse conceito, bordar o aspecto estético facilitaria a tarefa de alunos e professores na diferenciação entre espaço e paisagem, lugar e paisagem, etc. Período Técnico-Científico-informacional – Também chamado de Meio técnico-científico- informacional, este conceito faz parte do corpo teórico 46
  47. 47. proposto pelo geógrafo Milton Santos e abrange o terceiro período – o atual – da tríade indicada para a história do meio geográfico, sendo os outros dois momentos o meio natural e o meio técnico. Iniciado após a segunda guerra mundial (1945), irá afirmar-se como predominante na década de setenta do século XX, caracterizado pela “...profunda interação da ciência e da técnica, a tal ponto que certos autores preferem falar de tecnociência para realçar a inseparabilidade dos dois conceitos e das duas práticas” (SANTOS, 1996:190). O espaço, formado por ações e objetos passa a ser estruturado pela ciência, tecnologia e informação e os detentores dessas condições colocam-se como atores hegemônicos da globalização, o que nos leva a afirmar que “...o meio técnico-cinetífico-informacional é a cara geográfica da globalização”(idem, p.191). Pós-modernidade – Dois geógrafos abordaram com muita propriedade o tema da pós-modernidade, Edward W. Soja e David Harvey. O primeiro com ‘Geografias Pós-modernas’ ( Jorge Zahar editor, RJ, 1993) e, o segundo com ‘Condição Pós-moderna’ (Edições Loyola, SP, 1994). Ambos trabalham a flexibilidade ou Acumulação Flexível – ou ainda pós-fordismo – para indicar os caminhos de uma geografia pós-moderna, Diz Soja (p.93) : “...o objetivo afinal é uma geografia histórica politicamente carregada, uma perspectiva espaço-temporal da sociedade e da vida social, e não a ressurreição do determinismo geográfico.” Harvey, por sua vez, analisa a acumulação flexível para tratar a pós-modernidade como uma condição. Condição que estaria ligada à compressão do tempo- 47
  48. 48. espaço. Assim, a pós-modernidade não seria um conjunto de idéias mais uma condição histórica que não estaria devidamente elucidada geograficamente. Entender as novas formas como o espaço está sendo construído/desconstruído a partir da ciência, da tecnologia, da informação e da fragmentação que se mostra na sociedade, são caminhos para o entendimento da geografia pós-moderna proposta pelos autores. RRedes – Conforme estudos de Manuel Castells(1999a:498) “Rede é um conjunto de nós interconectados... Concretamente, o que um nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos. São mercados de bolsas de valores e suas centrais de serviços auxiliares avançados na rede de fluxos financeiros globais. São conselhos nacionais de ministros, ...são campos de coca e de papoula, laboratórios clandestinos, gangues de rua, ...são sistemas de televisão.” As redes desempenham papel fundamental na sociedade da informação que ora vivenciamos. Tais redes comandam os fluxos, organizando os espaços – Nacional e Global – em momentos ou tempos diferenciados. Espaços hegemônicos compõem as redes e os menos hegemônicos integram-se à elas: conhecimento e informação apresentam-se como essenciais na hegemonia das redes. Michel Rochefort foi o pioneiro na sistematização e utilização do conceito de Rede, aplicando-a nos 48
  49. 49. estudos urbanos em sua Tese de Estado Le Réseau urbain de L’alsace, na década de 50. No ‘Dicitionnaire de la Géographie’(SANTOS, 1996:209), rede “pode ser enxergada segundo, ao menos, três sentidos: a) polarização de pontos de atração e difusão, que é o caso das redes urbanas; b) projeção abstrata, que é o caso dos meridianos e paralelos na cartografia do globo; c) projeção concreta de linha de relações e ligações, que é o caso das redes hidrográficas, das redes técnicas territoriais e, também, das redes de telecomunicações hertzianas, apesar da ausência de linhas e com uma estrutura física limitada aos nós. Região – O conceito de região é complexo e perpassa as diversas escolas geográficas (deterministas, possibilistas, Nova Geografia, Geografia Crítica, p. ex. ), mas podemos compreende- la como: “...uma área formada por articulações particulares no quadro de uma sociedade globalizada. Essa região é definida por recortes múltiplos, complexos e mutáveis, mas destacando-se, nesses recortes, elementos fundamentais, como a relação de pertencimento e identidade entre os homens e seu território, o jogo político no estabelecimento de regiões autônomas ante um poder central, a questão do controle e da gestão de um território.”(CAVALCANTI, 1998:104) A divisão do Brasil oficializada pelo IBGE em Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul, toma por base o conceito de região natural e além disso, uma divisão duradoura e que possibilite a coleta e comparação de dados.(CORRÊA, 1987:27) 49
  50. 50. Rugosidades – Proveniente da geomorfologia, o conceito de rugosidade é utilizado pela geografia humana para designar a memória de processos históricos passados e que ainda convivem com o presente. “As rugosidades são o espaço construído, o tempo histórico que se transformou em paisagem, incorporado ao espaço. As rugosidades nos oferecem, mesmo sem tradução imediata, restos de uma divisão de trabalho internacional, manifestada localmente por combinações particulares do capital, das técnicas e do trabalho utilizados.”(SANTOS, 1990:138) A partir disso, vemos que mesmo se alterando a divisão do trabalho e até o modo de produção, o espaço ainda mantém esses registros (castelos medievais e catedrais na Europa, antigas fábricas têxteis brasileiras transformadas em centros de convivências, centros culturais, shoppings). S Sensoriamento Remoto – Técnica utilizada para observar e tomar medidas da Terra em seu conjunto. “O sensoriamento remoto define-se, basicamente, pela coleta de informações à distância da superfície da Terra, por meio do uso de dispositivos acoplados a plataformas (aviões, satélites, etc.) , envolvendo não só o registro de informações como também sua interpretação. Tem por finalidade identificar, mapear e 50
  51. 51. cadastrar os recursos naturais e construídos para análise de problemas e medir as potencialidades de cada área”(CASTILLO, 1996:41). Podemos dividir a partir da tecnologia empregada em: .Telecomunicação – utilizando satélites de comunicação, .Teledetecção – utilizando satélites de alta resolução para uso cartográfico em pesquisas de minérios, urbanismo, oceanos, etc. Sociedade – Termo genérico que pode ser tanto utilizado para grupo de indivíduos, animais, insetos ou mesmo diversos tipos de parcerias entre pessoas. Em geografia esse termo genérico ganha significado quando analisado espacialmente. Para tanto, o entendimento do espaço como ‘segunda natureza’ ou a natureza transformada pelo homem, é essencial. Em nosso momento técnico científico informacional, a “...tecnologia é a sociedade e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas.”(CASTELLS, 1999a:25) Dessa maneira podemos ainda entender a produção, organização e consumo do espaço nos seus diferentes períodos históricos, ou seja, dividindo os períodos conforme a técnica e ciência como estruturadores do espaço social. Dialéticamente Milton Santos nos define a relação Sociedade – Natureza: “A natureza é o continente e o conteúdo do homem, incluindo os objetos, as ações as crenças, os desejos e as perspectivas...Com a presença do homem sobre a Terra, a natureza está sempre sendo redescoberta.. com a criação da Natureza Social.”(SANTOS, 1992:12) São muitas as tentativas de dar conta do momento histórico atual, assim, também o conceito de sociedade é atualmente adjetivado e temos: sociedade 51
  52. 52. do Espetáculo, de Massas, de Consumo, Tecnológica, em Rede, etc.. TTerritório – utilizado principalmente na Geografia Política e Geopolítica relacionado ao conceito de poder. Nessa relação entre os conceitos de território e poder, o primeiro deve ser entendido como produzido socialmente e, poder como “uma força dirigida, orientada, canalizada por um saber, enraizado no trabalho e definido por duas dimensões: a informação e a energia.”(CAVALCANTI: 1998:107) Ligado ao conceito de território, temos outro muito importante que é configuração territorial que pode ser definido como o território mais os objetos atuando sobre ele (SANTOS, 1988:75). Assim, território é um processo social amplo de construção de uma área através da ligação entre poder público (Estado) e atores hegemônicos (grandes empresas nacionais e multinacionais), de onde podemos falar em território nacional. Turismo - O estudo do turismo em geografia deve-se ao fato da produção e consumo do espaço por massas, cada vez maiores, de pessoas estarem em trânsito, buscando o lazer. Não é uma área de estudos nova em geografia, já que, o primeiro trabalho é 52
  53. 53. datado de 1905 com a obra ‘Geografia do Turismo’ de J. Stradner. “Stradner (1905) fue el introductor en la bibliografía germana especializada del término Geografía del Turismo (Fremdenverkerhrs Geographie) , el cual, desde entonces, ha servido para designar a la rama de nuestra disciplina que se ha ocupado de analizar de una manera particular ciertos impactos producidos por lo que una manera amplia pudiéramos llamar el fenómeno del ócio.”(RODRIGUES, 1997:40) Como componentes geográficos do turismo, podemos indicar: o local de origem do turista, o destino e as rotas que percorre. Porém essas fronteiras não são fechadas e/ou definidas pois vários elementos (serviços, transportes, infraestrutura, comercio, etc.) interagem e devem ser estudados e entendidos no seu conjunto. UUrbano – Adjetivo relativo à cidade, ou o que se encontra dentro de uma cidade (a palavra deriva de urbis – cidade). Por outro lado, urbanização é um processo de formação e crescimento das cidades(GIOVANNETTI & LACERDA, 1996:215). Didaticamente, a urbanização é sempre maior que a cidade, pois ultrapassa os limites físicos impostos ou determinados, podendo-se hoje falar na cidade do campo, já que com a artificialização crescente no meio urbano, a partir do desenvolvimento 53
  54. 54. da ciência e da tecnologia, a agricultura também é beneficiada. “No século XIX, para alimentar um urbano eram necessárias cerca de sessenta pessoas trabalhando no campo. Essa proporção vai modificando-se ao longo destes dois séculos. Em certos países, hoje, há um habitante rural para cada dez urbanos. No Brasil caminhamos para igual proporção em certas regiões, como na maior parte do Estado de São Paulo.”(SANTOS, 1988:42-3) 54
  55. 55. 55
  56. 56. BIBLIOGRAFIA Agenda 21 local. Comissão Pró Agenda 21 – Rio, 2ª ed, Rio de Janeiro, 1997, ANDRADE, Mário. Paulicéia Desvairada IN Poesias Completas, Itatiaia-EDUSP, Belo Horizonte-São Paulo, 1987 BEAUJEU-GARNIER, Jacqueline. Geografia Urbana. Fundação Calouste Gulbenkion, Lisboa, Portugal, 1980 BECKER, Bertha K & MIRANDA, Mariana (org.) . A Geografia Política do Desenvolvimento Sustentável. Ed. UFRJ, Rio de Janeiro, 1997 BERMAN, Marshal. Tudo que é sólido desmancha no ar. A aventura da Modernidade. Cia das Letras, São Paulo, 1989 CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede. A Era da informação: Economia, Sociedade e Cultura. Vol. I, Paz e Terra, São Paulo, 1999a CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade. A Era da informação: Economia, Sociedade e Cultura. Vol. II, Paz e Terra, São Paulo , 1999b CASTILLO, Ricardo. Reflexões sobre os sistemas técnicos orbitais, IN Revista Experimental n° 1, julho de 1996, FFLCH/USP/SP CAVALCANTI, Lana de Souza – Geografia, Escola e Construção de Conhecimento. Papirus Editora, Campinas, São Paulo , 1998 CLAVAL, Paul. Geografia e Política IN Revista GEOUSP n° 5, Depto. Geografia/FFLCH/USP/SP, 1999 CORREA, Roberto Lobato. Região e Organização Espacial. 2ª ed., Ática, São Paulo , 1987 OLIVEIRA, Cêurio. Dicionário Cartográfico. Fundação IBGE, Rio de Janeiro, 1987 FERREIRA, Mariana. Um novo retrato de São Paulo. Entrevista com os Professores doutores Amália Inês G. De Lemos e José Bueno Conti, para o Jornal da USP, São Paulo, 22 a 28/2/99 GIBSON, Willian. Neuromancer . Ed. Aleph, São Paulo, 1991 GIOVANNETTI, Gilberto & LACERDA, Madalena. Dicionário de Geografia. Termos – expressões – conceitos . 2ª ed., Melhoramentos, São Paulo, 1998 LEFBVRE, Henri. A vida cotidiana no mundo moderno. Ed. Ática, São Paulo, 1991 MARX, Karl. O Capital. Livro III, cap. XVII. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro,1974 MORAES, Antonio Carlos Robert de (org.). Ratzel. Editora Ática, São Paulo, 1989 MUNFORD, Lewis. A cidade na história. Vol. I e II, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte, 1965 NEGRÃO, João José. Para conhecer o NEOLIBERALISMO. Publisher Brasil, 1998, São Paulo NETTO, José Paulo e FALCÃO, Maria do C. – Cotidiano Conhecimento e Crítica. 2ª ed., Côrtes Editora, São Paulo, 1987 ONU – Organização das Nações Unidas; Comissão Mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento. Nosso Futuro Comum, Rio de Janeiro, 2ª ed., FGV, 1991 RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Ática, São Paulo, 1993 RODRIGUES, Adyr B.. Turismo e Espaço. Rumo a um conhecimento trasndisciplinar. HUCITEC, São Paulo, 1997 SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado. HUCITEC, SP, 1988 56
  57. 57. SANTOS, Milton. Por uma geografia Nova. 3ª ed., HUCITEC, São Paulo, 1990 SANTOS, Milton. A redescoberta da Natureza. Aula Inaugural da FFLCH/USP/SP em 10.02.92. Edição FFLCH/USP SANTOS, Milton. A natureza do Espaço – Técnica e Tempo Razão e Emoção. HUCITEC, São Paulo, 1996 SCARLATO, Francisco & PONTIN, Joel A.. Do nicho ao lixo. Ambiente, sociedade e educação. 7ª ed., Atual Editora, 1993 SERRES, Michel. Atlas. Instituto Piaget, Lisboa, Portugal, 1997 SILVA, Paulo Celso da Silva. 70 miltonsantos Bahia IN Revista de Estudos Universitários, vol.23, n° 1, junho/97, Sorocaba SILVEIRA, Maria L. “Totalidade e fragmentação: O espaço global o lugar e a questão metodológica, um exemplo argentinio. In SANTOS, Milton (org.) Fim de século e globalização. HUCITEC, São Paulo, 1993 TEIXEIRA, Amandio Luiz & CHRISTOFOLETTI. Sistemas de Informação Geográfica. Dicionário Ilustrado. HUCITEC, São Paulo, 1997 Available from http://www.fatorgis.com.br.geoproc/ajuda.html VANNUCCHI, Aldo. Cultura Brasileira. Visão e Revisão. Edições Loyola, São Paulo, 1987 VONNIFACE, Brian & COOPER, Chris. The goegraphy of Travel and Tourism. Second Edition, Butterworth Heinemann, Oxford, England, 1994 (tradução nossa) WIENER, Norbert. Cybernetics. MIT Press, New York, 1961 ZINI JR, Alvaro Antonio. Globalização. Folha de S. Paulo 5/5/96, Coluna Uma Janela para o Mundo Revista Ensaio. outubro de 1998, SESC, São Paulo Encarte Especial AGB-Informa n° 62, 3° trimestre/96, São Paulo 57
  58. 58. INDICE DE PALAVRAS Acumulação Flexível Agenda 21 Ambiente Biogeografia Blocos Cartografia Ciberespaço Cidadania Cidade Configuração territorial Cotidiano Cultura Desenvolvimento Sustentável Divisão do Relevo Brasileiro Divisão Internacional do Trabalho Ecologia Escala Espaço Euro Fronteira Geografia (Escolas) Geopolítica Geoprocessamento Gestão Ambiental Globalização Industrialização Lazer Liberalismo (neoliberalismo) Lugar 58
  59. 59. Mercosul Metrópoles Modernidade Modos de Produção Milton Santos Nação Natureza ONG Organizações Internacionais País Paisagem Período Técnico Científico Informacional Pós-modernidade Redes Região Rugosidades Sensoriamento Remoto Sociedade Território Turismo Urbano 59

×