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Em Portugal continental, também há uma lesma fotossintética, só que de outra espécie (a Elysia viridis). Mas aequipa de bi...
Nas plantas, os cloroplastos estão sob o comando de genes que se encontram no núcleo das células vegetais. Mas,uma vez ing...
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Lesma do-mar-movida-energia-solar

  1. 1. ECOLOGIALesma-do-mar movida a energia solar27/10/2010Equipa de biólogos portugueses descobriu caso raro de fotossíntese em animais. Lesmado mar finge ser como as plantas, e pode ser tão boa ou até melhores do que as algas ausar a luz do Sol na obtenção do seu alimento. Este pequeno animal marinho faz um pequeno furo na alga. para lhe sugar todo o conteúdo celular, passando a comportar-se como uma planta, usando a luz solar para produzir parte do seu alimento. Três biólogos portugueses foram de propósito apanhá-la em dois locais do Mediterrâneo e publicaram um artigo na revista Journal of Experimental Marine Biology and Ecology com o que descobriram: ela pode ser mais Lesma do Mar comporta-se como uma planta eficiente na fotossíntese do que as algas que come. Elysia timida faz parte de um grupo designado por lesmas-do-mar movidas a energia solar, que é conhecido há bastante A Elysia timida, o nome científico desta tempo espécie de lesma-do-mar, foi descrita pela primeira vez no início do século XIX. Faz parte Das cerca de 6000 espécies de Lesmas-do- de um grupo designado por lesmas-do-mar mar conhecidas, quase 300 são movidas a movidas a energia solar, que é conhecido há eneria solar bastante tempo. Quase desde a sua descoberta que se percebeu que têmcapacidade de fazer fotossíntese, diz Bruno Jesus, um dos autores do artigo, do Centro de Oceanografia daFaculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. "Era estranho serem verdes."É que esse roubo não é discreto. Quase todas as lesmas-do-mar fotossintéticas, capacidade rara entre os animais,são verdes. Esta cor é-lhe conferida pelas estruturas mais importantes das plantas para a fotossíntese - oscloroplastos. Ou seja, as fábricas de energia das plantas.Entre as 6000 espécies de lesmas-do-mar descritas até agora em todo o mundo, conhecem-se quase 300movidas a luz solar, todas a viver em associação com algas verdes que podemos ver com frequência nas praias.Tal como a alga que come, a Acetabularia acetabulum, a Elysia timida não mora nas costas portuguesas. Vive emprofundidades baixinhas e em zonas onde há muita luz. "Bastou andarmos de óculos em apneia que se apanhoubem", conta Bruno Jesus.Copyright © 2010 Universia Portugal. Todos os direitos reservados. Página 1 de 3
  2. 2. Em Portugal continental, também há uma lesma fotossintética, só que de outra espécie (a Elysia viridis). Mas aequipa de biólogos - que inclui ainda Patrícia Ventura, do mesmo centro de oceanografia, e Gonçalo Calado, daUniversidade Lusófona - elegeu a prima mediterrânica para as suas investigações, porque, entre outros aspectos, ospigmentos fotossintéticos que ela rouba à alga são bastante claros, o que os torna mais fáceis de estudar.Uma só célula giganteEnquanto a alga, que é encimada por um chapéu, atinge cinco centímetros de altura, os maiores exemplares dalesma têm apenas um de comprimento. A relação entre as duas ganha contornos ainda mais curiosos quando BrunoJesus revela que a alga é feita de uma única célula. É dos maiores seres unicelulares.Portanto, a lesma tem a vida facilitada quando a come: em vez de ter de abrir diversos buracos, para retirar oconteúdo de inúmeras células, só precisa de o fazer uma vez para sugar a parte onde se encontram os cloroplastos."Como é uma célula gigante, consegue ter acesso a todo o seu conteúdo de uma só vez. Mas não come a alga toda,deixa ficar a parte de fora", explica Bruno Jesus.Os cloroplastos ingeridos pela lesma passam depois pelo seu tracto digestivo sem serem digeridos e mantêm-sefuncionais, qual cleptómana. Roubados assim às algas, podem produzir energia tal como o faziam na alga. Enquantooutros animais desperdiçam os cloroplastos, ela aproveita-os para obter parte do seu alimento. A outra parte é obtidaatravés da digestão do próprio conteúdo celular da alga.No caso desta lesma, as largas centenas de cloroplastos funcionaram durante várias semanas. As fábricas deenergia roubadas vão-se depois degradando, mas, até a lesma acabar por perdê-las, verificou-se que, em situaçõesde excesso de luz, é mais eficiente do que a alga na fotossíntese. Este é o primeiro resultado de um projecto deinvestigação português, o SymbioSlug, coordenado pelo Instituto Português de Malacologia, que estuda estacuriosa relação entre animais e plantas.Há uma explicação para tanta eficiência. Quando os cloroplastos das plantas estão sujeitos a condições de grandeexposição solar, o rendimento da fotossíntese baixa, porque só contam com mecanismos fisiológicos para seprotegerem do excesso de luz. Os cloroplastos roubados, além desta protecção, beneficiam ainda de unsprolongamentos da pele da lesma, que podem abrir-se ou fechar-se consoante a quantidade de luz ambiente.Enrolam-se como um charuto, tapando a parte verde onde estão os cloroplastos com a parte branca do corpo.A lesma também pode simplesmente fugir das zonas com muita luz. É como usar o melhor de dois mundos: fazerfotossíntese como uma planta e comportar-se como um animal. "É fascinante como um animal pode ser ainda maiseficiente a fazer fotossíntese do que a alga a quem roubou a maquinaria", diz Bruno Jesus.Barreiras quebradasAté há pouco tempo, não se sabia como as fábricas de energia das plantas se mantinham em funcionamento dentrodas lesmas. "Estes animais conseguem não só pôr os cloroplastos dentro das suas células - o que já éimpressionante -, como pô-los a funcionar", sublinha Bruno Jesus. Como é isto possível?Copyright © 2010 Universia Portugal. Todos os direitos reservados. Página 2 de 3
  3. 3. Nas plantas, os cloroplastos estão sob o comando de genes que se encontram no núcleo das células vegetais. Mas,uma vez ingeridos pelas lesmas, como é que são postos a trabalhar?O mistério foi esclarecido de vez em 2008, por uma equipa norte-americana, que encontrou genes do núcleo celularde uma alga... dentro do núcleo das células de uma lesma-do-mar. Afinal, ao longo da evolução, alguns genes donúcleo celular das algas tinham sido transferidos para o das lesmas. Este tipo de transferência de genes já eraconhecido entre bactérias - "mas não entre um animal e uma planta", sublinha Gonçalo Calado. "Isto foi uma grandeinovação."É por esta razão que as lesmas-do-mar são únicas entre os animais, e não por fazerem fotossíntese. Embora sejararo, conhecem-se outros animais fotossintéticos, como certos corais, que vivem associados a uma microalga(também de uma só célula). A diferença é que esses corais introduzem no seu interior a alga inteira, e não apenas assuas fábricas de energia. "O que é único neste grupo de lesmas-do-mar é que apenas incorporam os cloroplastosnas suas células. E, para funcionarem, têm de ter informação vinda do núcleo do animal, pois deixaram de ter onúcleo da alga", frisa Gonçalo Calado. "Isso é que é único."Compreender como um sistema celular vegetal consegue funcionar dentro de um animal é um dos motivos por queos cientistas se sentem tão fascinados pelas lesmas-do-mar. "Já quebraram muitas das barreiras cognitivas quetínhamos na cabeça", diz Gonçalo Calado.Fonte: PublicoCopyright © 2010 Universia Portugal. Todos os direitos reservados. Página 3 de 3

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