Tríduo pascal - indicações litúrgico-pastorais
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Tríduo pascal - indicações litúrgico-pastorais

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Todas as orientações litúrgicas para celebrar bem e de maneira certa o Tríduo Pascal: paixão, morte e ressurreição do Senhor!

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Tríduo pascal - indicações litúrgico-pastorais Document Transcript

  • 1. 1 ARQUIDIOCESE DE SÃO LUÍS-MA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO Av. 3, s/n, Cohab-Anil II Tel: (98) 3311-0550 CEP: 65054-240 www.pnsps.com.br INDICAÇÕES LITÚRGICO-PASTORAIS PARA A CELEBRAÇÃO DO TRÍDUO PASCALSeparamos este artigo para os agentes de pastoral litúrgica, membros deequipes de liturgia e celebração das comunidades, sacerdotes e para todosaqueles que desejam celebrar bem a paixão, morte e ressurreição de Cristotendo como importância ter o entendimento de todos os ritos que serãorealizados nas comunidades. Este é um ótimo artigo que já pode começar aser estudado e lido por todos.________________________________________Sentido do tríduo pascalO tríduo pascal, memória dos ‘últimos passos de Jesus, “começa com a missavespertina na Ceia do Senhor, possui o seu centro na vigília pascal e encerra-se com as vésperas do domingo da ressurreição” (NUAL, 19)3. É a páscoa doSenhor, celebrada sacramentalmente em três dias: Sexta-feira da paixão,sábado da sepultura e domingo da ressurreição. É chamado “tríduo pascal,porque com a sua celebração se torna presente e se cumpre o mistério dapáscoa, isto é, a passagem do Senhor deste mundo ao Pai” (cf. PCFP, 38).“Partindo do tríduo pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo daRessurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade” (CIC, 1168)4. “Porisso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras; é ‘a festa dasfestas’ (...). O mistério da ressurreição, (...) penetra o nosso velho tempocom a sua poderosa energia, até que tudo lhe seja submetido” (CIC, 1169). A data da páscoa “No Concílio de Nicéia (325) todas as Igrejas chegaram a um acordo que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua-cheia (14 de Nisan) depois do equinócio de primavera. A reforma do calendário no Ocidente (chamada ‘gregoriana’, do nome do papa Gregório XIII, em 1582) introduziu uma
  • 2. 2 defasagem de vários dias em relação ao calendário oriental. Hoje as Igrejas ocidentais e orientais buscam um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor” (CIC, 1170)Onde celebrarCertamente o documento não tem como referência as paróquias (urbanas oururais) formadas por várias comunidades, como temos no Brasil; nemcomunidades com assembléias litúrgicas com bom número de membros eministérios, embora refira-se a paróquias pequenas confiadas a um só padre.Fala da possibilidade dos fiéis se reunirem na igreja principal para celebraremo tríduo e de mais de uma celebração presidida pelo mesmo padre em igrejasdiferentes (cf. PCFP, n. 43). Não considera o tríduo pascal celebrado “naausência do presbítero”, como acontece em algumas de nossas paróquias ecomunidades, com muitos e bons frutos.Preparação remota dos ministériosPara o desenvolvimento conveniente das celebrações do tríduo pascal, requer-se um suficiente número de ministros e de ajudantes (acolitas e acólitos),“que devem ser diligentemente instruídos sobre o que devem fazer”. Mais doque isto: o mistério celebrado e seus ritos devem ser relembrados aosministros e ajudantes. E mais: estes não são improvisados, mas frutos de umapastoral litúrgica e de uma prática celebrativa séria; colhemos o que foiplantado. Preparar ao longo da quaresma Esta é uma experiência muito interessante: preparar o tríuduo pascal a partir da primeira semana da quaresma. Mais de uma reunião é reservada para cada celebração. O primeiro contato é com a seqüência ritual de cada celebração: preparada por alguém, com cópia para todos. Em cada rito dá-se o tempo necessário para os participantes lerem os textos, comentarem, tirar dúvidas, explicitar o sentido... Depois disto, passa-se para o método consagrado dos quatro passos: o mistério da celebração, a Palavra de Deus, sugestões para a realização dos ritos (cantos, etc) e,
  • 3. 3 finalmente, distribuição dos ministérios e serviços. Com certeza será preciso marcar uma reunião para vivenciar alguns ritos.Preparação do cantoParticular importância é dada ao canto do povo, dos ministros e de quempreside a celebração do tríduo pascal, atribuindo às conferências episcopais odever de propor melodias para os textos e as aclamações. O documento falade “um repertório próprio para estas celebrações” e a elas reservado (reservasimbólica), tendo em conta a devida participação do povo. Chega mesmo aapontar o que deve ser cantado, por exemplo: o relato da paixão e a oraçãouniversal, a proclamação da páscoa, a ladainha dos santos e a bênção da águabatismal... (cf. PCFP, 42). No Brasil dispomos já um rico repertório apropriadoe reservado para a celebração do tríduo pascal5. Salmos cantados com melodia única Em geral em nossas comunidades não dispomos de muita gente habilitada para o canto e a música. A grande quantidade e variedade de cantos fazem com que as pessoas envolvidas no ministério da música tenham sua participação limitada pela preocupação com as diferentes melodias. Uma boa solução foi dada pela 7ª edição do 2º fascículo do Hinário da CNBB: as versões dos salmos responsoriais da vigília aí apresentadas, tendo a mesma métrica, podem ser cantados com a mesma melodia, o que facilita, e muito, a atuação dos/as salmistas e sua participação no conjunto da celebração.A CELEBRAÇÃO NA CEIA DO SENHORSentidoA celebração da Ceia do Senhor, “Recorda aquela última ceia em que oSenhor Jesus, na noite em que ia ser traído, tendo amado até ao extremo osseus que estavam no mundo ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob asespécies do pão e do vinho e deu-os aos apóstolos como alimento” (PCFP, 44).Celebrada nas horas vespertinas da Quinta-feira Santa, tem caráter maispropriamente de ‘primeiras vésperas’ da ‘bem-aventurada paixão’, acenado
  • 4. 4já na antífona de abertura: devemos gloriar-nos na cruz... “Enquanto o Tríduonos apresenta a realidade do mistério pascal único e unitário na sua dimensãohistórica, a quinta-feira o transmite em sua dimensão ritual” (Bergamini,316)6. É o momento sacramental da páscoa do Senhor, resumindo no Lava-Pése no Sacramento do Pão e do Vinho, antecipadamente, todo o Mistério que vaise desdobrar no sacratíssimo Tríduo do Salvador, crucificado, sepultado eressuscitado... O que deve ser sublinhado é a dimensão ritual, ou seja, o ritomemorial, que torna presente o mistério pascal de Cristo (sem esquecer que averdadeira eucaristia da páscoa, a missa da comunhão pascal é a da vigília,ápice da iniciação cristã).Tabernáculo vazioPara que apareça a ligação entre os gestos de Jesus que deram origem àliturgia eucarística (Jesus tomou o pão, deu graças, partiu e repartiu) “ashóstias para a comunhão dos fiéis devem ser consagradas na mesmacelebração da missa”, por isso, “antes da celebração, o tabernáculo deveestar vazio”. O que está em jogo é a verdade dos sinais “para que a comunhãose manifeste mais claramente como participação do sacrifício celebrado”(IGMR, 56, h)7. “Consagrem- se nesta missa hóstias em quantidade suficientepara este dia e para o dia seguinte” (PCFP 48).Capela da reposiçãoNesta noite, consagrada à lembrança da eucaristia, com o sinal da adoração, aIgreja quer sublinhar a presença permanente de Cristo sob as espécieseucarísticas, como aspecto decorrente da celebração. Deste modo, o mistérioeucarístico é considerado tanto na celebração da missa como no culto dassantas espécies, que são conservadas depois da missa. Contudo a reserva dosacramento do Corpo do Senhor é destinada em primeiro lugar para acomunhão dos fiéis na ação litúrgica da Sexta-feira Santa e para o Viático dosenfermos (Cf. DPPL, 141 e PCFP, 55). As orientações parecem supor quehavendo capela do Santíssimo, é para lá que devem ser conduzidoprocissionalmente o sacramento do corpo do Senhor, desde que haja espaçopara abrigar certo número de fiéis. Caso contrário, “reserve-se uma capelapara a conservação do Santíssimo Sacramento”. Algumas recomendações apropósito deste lugar da reposição: que seja ornado de modo conveniente,para que possa facilitar a oração e a meditação; que seja sóbrio, comoconvém à liturgia destes dias; o sacramento seja conservado num tabernáculoou cibório fechados, nunca exposto em ostensório (cf. PCFP, 55).Lava-pés“O lava-pés que, por tradição, é feito neste dia a alguns homens escolhidos,significa o serviço e a caridade de Cristo, que veio ‘não para ser servido, maspara servir’ (Mt 20,8). Convém que esta tradição seja conservada e explicadano seu significado próprio” (PCFP, n. 51). Quanto ao beijo dos pés após alavagem, como acontece no Vaticano e comumente entre nós, não é citado. Orito, como foi dito, expressa o serviço e a caridade do Cristo à humanidade.
  • 5. 5 Lava-pés alternativos Em algumas comunidades procura-se preparar o lava-pés em sintonia com o apelo da Campanha da Fraternidade do ano. Muitas vezes também mulheres e crianças têm os seus pés lavados. Aquele que preside às vezes é sucedido por irmãos e irmãs da comunidade. Há, inclusive, pequenas comunidades onde os membros podem lavar os pés uns dos outros. O mandato de Jesus de lavar os pés mutuamente é compreendido como destinado aos ministros ordenados e a todos os membros da Igreja: algo extremamente significativo em um mundo marcado pela exclusão e pela competição.“Dons para os pobres”A celebração da Ceia, é o lugar e o critério para verificar a coerência entre aeucaristia e a comunhão fraterna, como acena o relato do lava-pésproclamado neste dia. Por isso, está previsto para a procissão das ofertas quese apresentem “os dons para os pobres, especialmente os que foramrecolhidos no tempo quaresmal como frutos de penitência” (PCFP, 52), oucomo resultado da Campanha da Fraternidade.Doentes“Para os doentes que recebem a Comunhão em casa, é mais oportuno que aEucaristia, tomada da mesa do altar no momento da Comunhão, seja a eleslevada pelos diáconos ou acólitos ou ministros extraordinários, para quepossam assim unir-se de maneira mais intensa à Igreja que celebra” (PCFP,53).Reposição do pão eucarísticoDevemos ter cuidado com a condução deste rito. O essencial da celebração jáse realizou: Palavra, lava-pés, eucaristia. A reposição do SantíssimoSacramento não é o ápice dessa noite. Apesar da cruz, círios acesos e incenso,deve predominar a sobriedade na procissão e na reposição, para não se perdera densidade da celebração e sua continuidade com a paixão.Adoração ao SS.“A piedade popular é particularmente sensível à adoração do SantíssimoSacramento... É preciso que os fiéis sejam esclarecidos sobre o sentido dareposição; realizada com austera solenidade...” (DPPL, 141). Os fiéis sãoconvidados, à adoração silenciosa e prolongada, até a meia noite, quando
  • 6. 6começa o dia da Paixão do Senhor. É importante evitar, que depois da meianoite, continuem os turnos organizados de adoração para que esta continue,de fato, “sem solenidade” (cf. DPPL, 141 e PCFP, 56). Mais do que dasexplicações catequéticas, a clareza virá da maneira de proceder. Aexperiência tem mostrado a importância de valorizar o canto dos salmos nestaadoração e o documento sugere que “Durante a adoração eucarísticaprolongada pode ser lida uma parte do Evangelho de João (13-17)” (PCFP, 56),apontando a adoração como mistagogia da celebração.Desnudamento do altarConcluída a celebração, a mesa do altar é desnudada. “Convém cobrir ascruzes da igreja com um véu de cor vermelha ou roxa, a não ser que játenham sido veladas no sábado antes do V domingo da Quaresma. Não sepodem acender velas ou lâmpadas diante das imagens dos santos” (PCFP, n.57).OfícioNa liturgia das horas não há um ofício próprio para oração da comunidadedepois da reposição do Santíssmo. O Ofício Divino das Comunidades, contudo,apresenta o “ofício da agonia”, (ODC, p. 55)8. Não sendo a adoração umaação litúrgica, o estilo proposto é o da leitura orante, intercalando arecitação comunitária de salmos e leituras com os momentos de silêncio eoração pessoal. Uma boa alternativa para este tempo prolongado deadoração! Pão e oração em família Uma prática possível e bem aceita. Pode incluir os vizinhos, mas prioriza unir os membros da mesma casa, onde nem todos participam do tríduo pascal. A partir do domingo de ramos, ou mesmo da quarta- feira de cinzas, pode ser preparada uma mesa com toalha e uma Bíblia e, se for conveniente, velas. Nesta noite, ao voltar para casa, um membro da família receberá pão e uma breve proposta de oração. Ao redor da mesa preparada em sua casa, irá rezar e partilhar o pão, lembrando a ceia do Senhor com seus discípulos.
  • 7. 7SEXTA-FEIRA SANTASentidoA Sexta-feira Santa não é dia de enfatizar o sofrimento de Cristo, mas decontemplar com atenção amorosa a sua morte vitoriosa, a sua bem-aventurada e gloriosa paixão. “Neste dia, em que ‘Cristo, nosso cordeiropascal, foi imolado’ a Igreja, com a meditação da paixão do seu Senhor eEsposo e adorando a cruz, comemora o seu próprio nascimento do lado deCristo que repousa na cruz, e intercede pela salvação do mundo todo” (PCFP,58).Jejum e abstinência“É sagrado o jejum pascal destes dois primeiros dias do tríduo, em que,segundo a tradição primitiva, a Igreja jejua “porque o Esposo lhe é tirado. NaSexta-feira da Paixão do Senhor, em toda a parte o jejum deve ser observadojuntamente com a abstinência, e aconselha-se prolongá-lo também no SábadoSanto, de modo que a Igreja, com o espírito aberto e elevado, possa chegar àalegria do Domingo da Ressurreição” (PCFP, 39 e 60).Manhã de sexta-feiraOfíciosÉ recomendada a celebração comunitária, nas Igrejas, do ofício da leitura edas laudes matutinas na Sexta-feira Santa da paixão e também no SábadoSanto, com a participação do povo para contemplar em piedosa meditação apaixão, morte e sepultura do Senhor, à espera do anúncio da sua ressurreição(cf. PCFP, 40 e 62).Nas matrizes – sem dúvida – e em todas as comunidades onde for possíveldeveriam ser organizados os ofícios e o ofício das leituras na manhã da sexta-feira santa. Desta forma estaríamos oferecendo algo consistente à assembleialitúrgica e aos “peregrinos” que visitam as igrejas neste horário. Ofício divinodas comunidades e Liturgia das horas completam-se na preparação dessesmomentos comunitários de oração, ao redor do altar desnudado.
  • 8. 8 Meio-dia e oração em família Há famílias onde se faz jejum ao longo de todo o dia; não se houve música; a alimentação é mínima e muito simples. Comidas típicas são feitas para a noitinha. Há, no entanto, uma tradição de se fazer jejum até a metade do dia e depois partilhar um almoço à base de peixe e tendo o vinho (não a cerveja) como bebida. Para muitos escravos era o único dia do ano realmente “santo”, sem trabalho, onde os “senhores” lhes davam o “quebrajejum”. Tal confraternização de familiares (e amigos) – como de costume – prolonga-se pela tarde (impedindo o povo de estar na igreja às quinze horas). Em ambos os casos cabe muito bem uma oração comum, sugerida pela comunidade eclesial.Celebração da paixão do SenhorSentidoPela ação litúrgica da tarde a Igreja "medita a paixão do seu Senhor,intercede pela salvação do mundo, adora a cruz e comemora a própria origemdo lado aberto do Salvador" (DPPL, 142).A cruz da adoração“A cruz a ser apresentada ao povo seja suficientemente grande e artística.Das duas formas indicadas no missal para este rito, escolha-se a maisadequada. Este rito deve ser feito com um esplendor digno da glória domistério da nossa salvação...” (PCFP, n. 68). Adquirir essa cruz deve entrar nalista de prioridades da comunidade.E não se pode esquecer: “Use-se uma única cruz para a adoração, tal como orequer a verdade do sinal” (PCFP, n. 69). Há antífonas, ‘lamentos’ e hinosapropriados para a adoração, “que recordam com lirismo a história dasalvação”. Estão no hinário da CNBB. Outro desafio para os animadores docanto da comunidade: aprender o apropriado e deixar de lado o improviso.O lugar da cruz depois da comunhãoDuas orientações muito válidas: “Depois da comunhão proceda-se àdesnudação do altar, deixando a cruz no centro, com quatro castiçais.(Depois) Disponha-se na igreja um lugar adequado (por exemplo, a capela da
  • 9. 9reposição da eucaristia na quinta-feira santa), para colocar ali a cruz, a fimde que os fiéis possam adorá-la, beijá-la e permanecer em oração emeditação” (PCFP, n. 71). Horário mais tarde: por quê? A celebração litúrgica deve estar acima das “práticas piedosas”, mesmo na escolha do horário (PCFP, 72). Em muitos lugares o final da tarde e a noite são preferíveis por motivos vários: existe o costume de o povo ir à igreja nesse horário, como ponto alto do dia; o calor do dia de verão é mais suave; a confraternização do almoço em família já terminou. Há o simbolismo das três horas da tarde, mas a celebração pode ser realizada “desde o meio-dia até ao entardecer, mas nunca depois das vinte e uma horas” (PCFP, n. 63). O motivo é facilitar a reunião dos fiéis. As práticas piedosas (se realmente necessárias) são realizadas após a celebração litúrgica.Práticas piedosasSão também chamadas de “pios exercícios” a via-sacra, o grande sermão (das“sete últimas palavras de Jesus”), a descida da cruz, a procissão do Senhormorto, etc. As práticas piedosas para alguns são um complemento dacelebração litúrgica; para outros são a expressão mais forte – às vezes única –da sexta-feira da paixão do Senhor. Uma advertência que merecia seraprofundada: evitar o “hibridismo celebrativo distorcido” entre ação litúrgicae práticas piedosas (cf. DPPL, n. 143). Uma orientação valiosa: “Os textos e oscânticos destes pios exercícios correspondam ao espírito litúrgico deste dia”(PCFP, n. 72). Vinho e oração em família No final deste dia poderia novamente a família se reunir. Agora, o membro que participou da celebração da paixão trará da comunidade um copo de vinho engarrafado e uma nova proposta de oração: nova oração e partilha em lembrança da entrega do Senhor.
  • 10. 10SÁBADO SANTOSentido“Durante o Sábado Santo a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor,meditando a sua paixão e morte, a sua descida aos infernos, e esperando naoração e no jejum a sua ressurreição” (PCFP, 73). É momento de meditarsobre a sepultura do Senhor, certificação de sua morte, pertencente à formamais antiga da fé: ‘Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Cor 15,3-4). Sábado santo hoje O sábado santo, em nossos tempos, é um dia de compras e limpeza da casa. Até mesmo a sexta-feira santa em muitas cidades perdeu quase toda a reverência da população. Na Baixada Fluminense, para muitos é dia de descontração com churrasco e cerveja. O crescimento dos evangélicos parece ter ajudado a desvanecer o caráter religioso desses dias. Também é assim na maioria das cidades brasileiras?Jejum pascal e algo maisAlgo não integrado em nossa prática: aconselha-se prolongar o jejum tambémno Sábado Santo, “de modo que a Igreja, com o espírito aberto e elevado,possa chegar à alegria do Domingo da Ressurreição” (PCFP, 39).Em algumas comunidades é feita uma limpeza especial do templo, em formade mutirão. Ainda há tempo disponível para a confissão sacramental. O retirode sábado santo começa a ser promovido, como veremos. “Recolhimento” dosmembros da comunidade e seus catecúmenos é a proposta do Ritual dainiciação cristã dos adultos.Ofícios pela manhã e à tardeDiferentemente da Igreja antiga que, no Sábado Santo, não se reunia nemmesmo para as orações, hoje recomenda-se com insistência a celebraçãocomunitária do oficio das leituras e das laudes com a participação do povo(cf. PCFP, 73 e 40). A comunidade reunida na igreja (não na capela dareposição), encontrará nos salmos, nos próprios relatos evangélicos referenteao sepultamento de Jesus e no texto patrístico do sábado santo, ricaexpressão do mistério deste dia. O Ofício Divino das Comunidades e a Liturgia
  • 11. 11das Horas oferecem indicações preciosas para o ofício da manhã, do meio diae da tarde (vésperas).Ritos com os catecúmenosNo sábado santo a Igreja recomenda que os catecúmenos façam jejum ereservem tempo para a oração, participando do “recolhimeno” de toda acomunidade. Há ritos previstos para esse dia como o “éfeta”, a recitação docreio, o sentido do nome... A Igreja sabe, no entanto, que o trabalhoprofissional nem sempre permite um encontro para a celebração dos ritos. Retiro na tarde de sábado? Pode ser feito com os catecúmenos, ao redor dos ritos e leituras bíblicas previstas. Além dos padrinhos e introdutores, podem participar membros da comunidade. Igualmente pode ser preparado um retiro para os membros da comunidade, mesmo que não haja batismo na vigília pascal. Os ofícios desse dia (seja no Ofício Divino das Comunidades, seja na Liturgia das horas) darão a orientação na escolha dos textos e dos cantos. Há comunidade que une o retiro ao começo da vigília pascal.VIGÍLIA E DOMINGO DE PÁSCOASentido do domingo e da vigília“O domingo de páscoa é a máxima solenidade do ano litúrgico” (DPPL, 148).Segundo uma antiga tradição, esta noite é consagrada ‘em honra do Senhor’“e a vigília que nela se celebra, comemorando a noite santa em que o Senhorressuscitou, deve ser considerada a ‘mãe de todas as santas vigílias’. Nestavigília, a Igreja permanece à espera da ressurreição do Senhor e a celebracom os sacramentos da iniciação cristã” (PCFP 77) (...) “Com efeito, aressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança, e pormeio do Batismo e da Confirmação fomos inseridos no mistério pascal deCristo: mortos, sepultados e ressuscitados com Ele, com Ele também havemosde reinar” (PCFP 80)
  • 12. 12 Prática alternativa de começar de madrugada A vigília pascal deve terminar antes do amanhecer. Embora não seja comum, é possível começar a vigília de madrugada, ao redor das quatro horas. Nem todas as cidades e bairros permitem o livre trânsito das pessoas, mas há muitas vantagens nesta opção. Na escuridão e no silêncio, desenvolve-se a mãe de todas as vigília cristãs. Um café da manhã comunitário também faz sentido.Estrutura da vigília“A vigília tem a seguinte estrutura: depois do lucernário e da proclamação daPáscoa (primeira parte da vigília), a santa Igreja contempla as maravilhas queDeus operou em favor do seu povo desde o início (segunda parte ou liturgia daPalavra), até ao momento em que, com os seus membros regenerados peloBatismo (terceira parte), é convidada à mesa, preparada pelo Senhor para oseu povo, memorial da sua morte e ressurreição, à espera da sua nova vinda(quarta parte). Esta estrutura dos ritos por ninguém pode ser mudadaarbitrariamente” (PCFP, 81).Possibilidades do círioCostumamos dar preferência aos círios pascais pintados (e escavados) com acruz, o “a” (alfa) e o “z” (ômega), assim como a indicação do ano em curso.Mas essa não é a primeira opção do missal. A primeira é o círio despojado dequalquer inscrição. Ele é símbolo por ser uma grande vela e pelo material comque é feito, embora a maioria das comunidades não tenha condições de terum círio de “cera virgem”. A segunda opção é fazer as inscrições na própriacelebração, com um estilete. A terceira possibidade é a nossa costumeira.Participação dos neófitosRecém-nascidos é a tradução literal de neófitos; aqueles que foram iniciadosno mistério de Cristo pelo batismo e pela confirmação na vigília pascal. Pelaprimeira vez, agora como membros do povo sacerdotal, participam das precese levam os dons do pão e do vinho até o altar. Pela primeira vez participamda oração eucarística e da recitação da oração do Senhor e, como ápice dainiciação, se aproximam da mesa para a comunhão eucarística. É convenienteque participem de todo o tríduo pascal, embora sem comungar.
  • 13. 13 Ovos de galinha, água e oração em família No final da vigília, os participantes podem receber ovos de galinha cozidos e, eventualmente, coloridos. (As crianças da comunidade poderão pinta-los na semana santa.) Um ovo para cada membro da família, a ser partilhado no café da manhã ou no almoço. A ressurreição do Senhor é lembrada com esse sinal de fecundidade e com uma oração proposta pela comunidade. O almoço de páscoa também costuma ser festivo e reunir parentes e amigos e pede uma bênção à mesa. Outro sinal que poderá ser levado para casa é a água benta, tão apreciada.Mistagogia e “verdade dos sinais”A primeira parte da vigília pascal “compreende ações simbólicas e gestos, quedevem ser realizados com tal dignidade e expressividade, de maneira que osfiéis possam verdadeiramente compreender o significado, sugerido pelasadvertências e orações litúrgicas. Na medida em que for possível, prepare-sefora da igreja, em lugar conveniente, o braseiro para a bênção do fogo novo,cuja chama deve ser tal que dissipe as trevas e ilumine a noite. Prepare-se ocírio pascal que, no respeito da veracidade do sinal, deve ser de cera, novocada ano, único, relativamente grande, nunca artificial, para poder recordarque Cristo é a luz do mundo. A bênção do círio seja feita com os sinais epalavras indicados no Missal ou por outros aprovados pela ConferênciaEpiscopal” (PCFP 82).“A liturgia da vigília pascal seja realizada de modo a poder oferecer ao povocristão a riqueza dos ritos e das orações; é importante que seja respeitada averdade dos sinais, se favoreça a participação dos fiéis e seja assegurada apresença de ministros, leitores e cantores” (PCFP 93).“Ao anunciar a vigília pascal, evite-se apresentá-la como o último ato doSábado Santo. Diga-se antes que a vigília pascal se celebra ‘na noite daPáscoa’ e como um único ato de culto. Recomenda-se encarecidamente aospastores insistir na formação dos fiéis sobre a importância de se participar emtoda a vigília pascal” (PCFP 95).“Para poder celebrar a vigília pascal com o máximo proveito, convém que ospróprios pastores adquiram um conhecimento melhor tanto dos textos comodos ritos, a fim de poderem dar uma mistagogia que seja autêntica” (PCFP96).
  • 14. 14Aspersão com água“A missa do dia da Páscoa deve ser celebrada com grande solenidade”. O queé sugerido para todos os domingos do ano, aqui se recomenda de maneiraespecial: em lugar do ato penitencial, o rito da aspersão "com a água benzidadurante a celebração da vigília”. Temos uma boa versão para o canto daantífona (Vidi aquam) sugerida para acompanhar o gesto da aspersão: ‘eu vi,eu vi, vi foi água a manar’ ou ‘Banhados em Cristo’. Com essa mesma águaconvém encher os recipientes (vasos, pias) que se encontram à entrada daigreja (cf. PCFP, 97)“Vésperas batismais”“Conserve-se, onde ainda está em vigor, ou, segundo a oportunidade,instaure-se a tradição de celebrar as vésperas batismais do dia da Páscoa,durante as quais ao canto dos salmos se faz a procissão à fonte” (PCFP, 98).__________________________________________1 CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Paschalis Sollenitatis: A Preparação e Celebração das Festas Pascais(carta circular), 1988. Foi publicada no Brasil com o Título: Preparação e Celebração das Festas Pascais, nacoleção, Documentos Pontífícios, n. 224, p. 25.2 CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Diretório sobre piedade popular eliturgia; princípios e orientações. São Paulo: Paulinas, 2003. Cf. especialmente pp.112-156 sobre o ciclopascal.3 Normas Universais do Ano Litúrgico.4 Catecismo da Igreja Católica.5 Cf. CNBB. Hinário Litúrgico da 2º fascículo. Quaresma, Semana santa, Páscoa, Pentecostes. São Paulo:Paulus, 2006. 7ª Edição, revisada e ampliada. Cf. também Cds: Tríduo pascal I e II. São Paulo: Paulus.6 BERGAMINI, Augusto. Cristo, festa da Igreja; o ano litúrgico. São Paulo: Paulinas, 1994, p. 316.7 Instrução Geral sobre o Missal Romano.8 Este ofício ampliado, encontra-se na página eletrônica da revista de Liturgia e da Rede celebra, com onome: “Vigília com Jesus no Horto”.___________________________________________________________________Fonte: http://www.revistadeliturgia.com.br/revista.php?idsecao=45&id_revista=23&secao=true