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  1. 1. VEJA .COM 12-01-2012Logística parou no tempo e é desafio no Rio GrandeEstradas, portos, ferrovias e hidrovias carecem de investimento. A expectativaé que, com o PAC 2 e Dilma na Presidência, estado volte a receber recursosAna Clara Costa, de Porto AlegrePorto do Rio Grande: ampliação com recursos do PAC e gargalo no acesso (JeffersonBernardes/Preview.com)Poucos estados brasileiros possuem uma geografia tão privilegiada quanto o Rio Grandedo Sul. Hidrovias extensas, fronteira com Argentina e Uruguai e 622 quilômetros de costaque lhe garante a possibilidade de escoar sua produção Atlântico adentro. No entanto, seo trabalho da natureza foi exemplar, o mesmo não pode ser dito dos governantes queestiveram no Palácio Piratini nas últimas duas décadas. A falta de investimento eminfraestrutura fez com que a localização e os recursos naturais que o estado oferece nãofossem aproveitados adequadamente. Hoje, esse gargalo responde por boa parte da culpada falta de competitividade do estado.Alguns números são bastante ilustrativos das dificuldades logísticas do estado. Menos de20% das rodovias estaduais são duplicadas, por exemplo. Um pouco mais da metade dosacessos municipais é asfaltada, ao passo que apenas 50% da capacidadade dos rios aptosao transporte de carga são utilizados. O porto de Rio Grande – localizado a 320quilômetros ao sul de Porto Alegre, e que deveria ser utilizado para escoar boa parte daprodução do estado – tem dificuldade, tal como outros portos brasileiros, para atender acrescenmovimentação de mercadorias. Sem contar o agravante de seu principal acesso, a BR-101,estar constantemente congestionado, sobretudo em períodos de embarque da safra desoja. Para se ter ideia, a movimentação total de carga no porto no primeiro semestredeste ano foi de 18 milhões de toneladas – cerca de 9% a mais que no mesmo período do
  2. 2. ano anterior – sem que nenhuma melhoria no acesso fosse efetuada. A boa notícia é queao menos o porto recebeu do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC)investimentos de 1 bilhão de reais para obras de ampliação.Em 2011, a Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg), em conjunto com osterminais Bianchini, Bunge e CCGL (Termasa/Tergrasa) e órgãos de controle e Segurança,colocou em prática o Plano de Ação da Safra de Soja. Trata-se de um conjunto de medidaspara reduzir os problemas que surgem no período de concentração dos embarques, taiscomo agendamento de cargas e expansão da área de estacionamento para diminuir asfilas de caminhões na BR 392, que vai de Pelotas ao Rio Grande. Quando tudo corre bem,as filas de caminhoneiros esperando para embarcar duram 24 horas. Segundo opresidente do Sindmóveis (sindicato patronal da indústria moveleira de Bento Gonçalves),Glademir Ferrari, a burocracia para o embarque é tanta que, para alguns empresários daindústria, a exportação vira prejuízo. O transporte até o porto chega a encarecer osprodutos em 10%. “Muitas vezes a carga fica mais de um mês parada no porto. Se ocliente não pagou ainda, ele cancela o pedido”, diz o empresário.Opções de transporte – Como alternativa para chegar mais rápido ao porto e ajudar areduzir os fretes, o governo gaúcho pretende ampliar o tráfego das hidrovias. Sãoatualmente 798 quilômetros de rios navegáveis, mas que não funcionam em sua totalpotencialidade, entre outras razões, por ainda não haver permissão para o tráfegonoturno. Segundo o secretárioLogística do estado, Beto Albuquerque, o Rio Grande do Sul é o estado com a melhormalha hidroviária do país. “Estamos tentando desenvolver isso para conseguir desafogar otransporte rodoviário. Nosso potencial fluvial é grande. Não tem porque não ser utilizado”,afirma.Já o transporte ferroviário tampouco serve o estado a contento. A ideia do atual governoestadual é tentar viabilizar a extensão da Ferrovia Norte-Sul até o Porto de Rio Grande. Oatual ponto final da obra é na cidade de Estrela d’Oeste, em São Paulo. “Não faz o menorsentido haver uma ferrovia Norte-Sul que termina no Sudeste”, diz o secretário.Apagão logístico na capital – É um desafio, mesmo para os especialistas, delimitar qualo maior problema logístico do estado – até porque todos estão interligados. Porto Alegre,vítima do crescimento desordenado, tem picos de congestionamento que se igualam aosde outras metrópoles brasileiras; sobretudo quando a ponte móvel sobre o Lago Guaíba,que liga a cidade ao oeste e ao sul do estado, é içada para permitir a passagem de naviosde grande porte.A própria presidente Dilma Rousseff afirmou, durante a campanha eleitoral, que conheciabem os problemas do estado e que uma das obras fundamentais de sua gestão seria aconstrução de uma segunda ponte para cumprir esse mesmo trajeto. “Só tem um jeito defazer a ponte no dia seguinte: usar o nosso projeto e estudo de viabilidade técnica que,garanto, são de qualidade. Uma ponte não cai do céu", disse a presidente. O projeto deviabilidade foi apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de TranspTransportes (DNIT), do Ministério dos Transportes. Contudo, após os escândalos decorrupção que resultaram na queda do ministro Alfredo Nascimento (PR), nada avançouaté o momento.Em agosto, foi instaurada a Frente Parlamentar Pró-Nova Ponte do Guaíba na Câmara dosVereadores de Porto Alegre, que é liderada pelo petista Carlos Todeschini. O projetoelaborado pelo grupo será inspirado no que foi citado por Dilma, e a obra deverá custar
  3. 3. em torno de 900 milhões de reais. Não há, por ora, qualquer definição se será pública,privada, ou resultante de parceria entre ambos.Outra obra prevista – ainda não confirmada – que poderá desafogar o tráfego de PortoAlegre é o metrô. O prefeito da cidade, José Fortunati (PDT), anunciou que, em 14 deoutubro, a presidente deve ir até lá para anunciar a construção da linha, como parte doPAC Mobilidade das Grandes Cidades. A capital gaúcha tem 1,4 milhão de habitantes eapenas uma linha de trem urbano que liga a rodoviária ao município de São Leopoldo, noVale dos Sinos.O caos das BRs – Duas rodovias federais cortam o estado e respondem por parte dosproblemas logísticos do Rio Grande. A BR 116 – que começa em Fortaleza (CE) e vai atéJaguarão (RS) – é um dos maiores desafios rodoviários dos gaúchos, e também do Brasil.O trecho que liga Novo Hamburgo (no Vale dos Sinos) a Porto Alegre é considerado osegundo mais movimentado do país, com um fluxo diário de mais de 100 mil veículos. Emhorários de pico, como no início da manhã ou às 18 horas, o trecho de 40 quilômetrospode demorar até duas horas e meia para ser vencido. Nem passando pelo local antes das17 horas, a reportagem do site de VEJA conseguiu escapar do congestionamento – quenada fica a dever aos horários mais temíveis das Marginais Pinheiros e Tietê, em SãoPaulo.Segundo o secretário Beto Albuquerque, a rodovia BR 448 – também chamada de Rodoviado Parque – está sendo construída justamente para desafogar a BR 116 na ligação entrePorto Alegre e Sapucaia. Dos 22,3 quilômetros de extensão, metade está concluída.Também está em processo avançado a licitação para duplicação da BR 116 entre ascidades de Guaíba e Pelotas – outra rota importante de acesso ao porto de Rio Grande.“Essas duas obras são cruciais porque vão dinamizar muito o acesso ao porto, além defacilitar a movimentação entre municípios. É muito mais eficiente criar a BR 448 do quepedagiar esse trecho da BR 116, como queriam fazer antes”, afirma o secretário.Albuquerque foi taxativo ao afirmar que as obras não serão congeladas devido ao apertoorçamentário deste ano, já que estão inseridas no Programa de Aceleração deCrescimento 2 (PAC 2).Auxílio federal – O fato de o Rio Grande do Sul não possuir reservas petrolíferascertamente fez com que fosse destino de menor atenção por parte da União – perdendoespaço para Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e alguns estados do Nordeste. Essemovimento, segundo o secretário de Desenvolvimento, Mauro Knijnik, foi essencial paraque a economia do estado se desacelerasse e os investimentos não crescessem comodeveriam – especialmente em infraestrutura e logística. Sobre isso, ele não poupa críticasaos governos passados. “Não se trata de lamúria. Mas o Brasil tem de decidir se irádesenvolver a região Sul ou se continuará concentrando seus investimentos nos estadosdo Sudeste e alguns do Nordeste”, diz o secretário.Na avaliação de Knijnik, a presidente Dilma Rousseff será peça-chave para fazer com queos investimentos federais voltem ao estado e ajudem na retomada. “Não acredito que elabeneficieo estado só porque iniciou sua carreira aqui. Mas acredito que ela tenha senso de justiça esaiba que fomos prejudicados nos últimos anos”, afirmou. Para o secretário, uma dasformas de se “fazer justiça” é que haja uma divisão mais equilibrada dos royalties dopetróleo, gerando assim mais recursos para o Sul

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