Aprenda+xadrez+com+garry+kasparov(rev)

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Aprenda+xadrez+com+garry+kasparov(rev)

  1. 1. 1 AApprreennddaa XXaaddrreezz ccoomm GGaarrrryy KKaassppaarroovv Repleto de idéias e estratégias geniais
  2. 2. 2
  3. 3. 3 Sumário Notação Algébrica ............................................................................ 4 LIÇÃO 1 Por Que Estudar Xadrez? ................................................. 5 LIÇÃO 2 Idéias e Técnicas............................................................... 8 LIÇÃO 3 Equilíbrio Material ........................................................... 13 LIÇÃO 4 A Importância do Centro .................................................. 18 LIÇÃO 5 Como Ganhar Espaço ....................................................... 24 LIÇÃO 6 Estruturas de Peões ........................................................... 29 LIÇÃO 7 Dinamismo e Iniciativa ..................................................... 34 LIÇÃO 8 Evitando Desastres na Abertura ........................................ 39 LIÇÃO 9 Negligenciando os Princípios da Abertura ........................ 44 LIÇÃO 10 O Objetivo da Abertura ................................................... 50 LIÇÃO 11 A Escolha da Abertura .................................................... 56 LIÇÃO 12 A Arte do Planejamento .................................................. 63 LIÇÃO 13 Forçando as Continuações .............................................. 69 LIÇÃO 14 Sacrifícios de Dama ........................................................ 74 LIÇÃO 15 Estratagemas Táticos ....................................................... 79 LIÇÃO 16 O Final ............................................................................. 84 LIÇÃO 17 Métodos de Ataque .......................................................... 89 LIÇÃO 18 Ataque ou Defesa ............................................................. 94 LIÇÃO 19 Contra-ataque ................................................................... 99 LIÇÃO 20 A Oposição ....................................................................... 104 LIÇÃO 21 O Ataque no Final ............................................................. 109 LIÇÃO 22 Fortalezas no Tabuleiro ..................................................... 114 LIÇÃO 23 A Beleza do Xadrez ........................................................... 120 LIÇÃO 24 Dedique-se Bastante .......................................................... 125 Índice de Jogos e Posições .................................................................. 128
  4. 4. 4 Notação Algébrica Os lances que aparecem neste livro são escritos segundo a "notação algébrica", uma denominação pomposa para descrever um método muito simples de se anotar os movimentos. Os leitores que já estiverem familiarizados com o sistema podem passar direto para as lições propriamente ditas; mas aqueles que só conhecem anotação descritiva ou que tenham pouca experiência em xadrez irão considerar útil o material que se segue. Partimos do princípio de que os nossos leitores já sabem jogar xadrez. Cada peça é representada por um símbolo, conforme se segue: Peão p Cavalo n Bispo b Torre r Dama q Rei k As casas do tabuleiro são descritas por meio de um sistema de coordenadas, a cada uma correspondendo um par formado por uma letra e um número a letra para a coluna e o número para a fileira (veja o diagrama). A casa marcada com um X é denominada "e4". O princípio é exatamente o mesmo aplicado no jogo "batalha naval". Não há mistério algum nisto! !""""""""# çtMvWlVmT% æOoOoOoOo% å + + + +% ä+ + + + % ã + + + +% â+ + + + % ápPpPpPpP% àRnBqKbNr% /èéêëìíîï) X
  5. 5. 5 LIÇÃO 1 Por Que Estudar Xadrez? A proposta da revista Sport in the URSS, de publicar uma série de lições minhas para os seus leitores, me pegou um pouco de surpresa; porque eu mesmo ainda estou estudando as sutilezas do xadrez. Depois de pensar um pouco, eu resolvi que, escrever a respeito da minha compreensão e da minha interpretação dos fundamentos do xadrez, também seria útil para mim. Eu sou um apaixonado pelo xadrez; esta paixão já dura muitos anos e é para sempre. Eu estou sempre estudando xadrez, e estudando minuciosamente. Mesmo quando eu analiso aquilo que já fiz e traço planos para o futuro, não consigo deixar de me impressionar diante da inesgotabilidade do xadrez e de me tornar cada vez mais convencido da sua imprevisibilidade. Veja por você mesmo: já foram disputados milhões de partidas e milhares de livros foram escritos, sobre vários aspectos do jogo. E assim mesmo não existe um método ou uma fórmula capaz de garantir a vitória. Não há critérios, matematicamente comprovados, para avaliar-se sequer um lance, quanto mais uma posição. Os experts em xadrez não têm dúvidas de que, na maioria das posições, há mais de uma continuação recomendável e cada um escolhe o "melhor" lance com base na sua própria experiência, capacidade analítica e até mesmo caráter. Nem mesmo a possibilidade do emprego de computadores, para análise, parece séria no presente, uma vez que ainda não foi encontrado um algoritmo [definitivo] da partida de xadrez, e não há programa algum capaz de lidar confiavelmente com suas complicações múltiplas. E por que falar a respeito de detalhes, posições e estágio da partida
  6. 6. 6 quando nem mesmo há uma resposta para a pergunta “O que é o xadrez? Um esporte, uma arte ou uma ciência?” Alguns dirão: “Os jogadores de xadrez participam de torneios e disputam partidas, lutam para vencer e o resultado é importante para eles - o que significa que o xadrez é um esporte. Ele desenvolve a força de vontade e ajuda as pessoas a se tomarem mais fortes.” E como pode alguém convencer outro da correção da opinião daqueles que sempre se impressionam com a beleza das combinações e da lógica das táticas do xadrez? Para estes um engenhoso sacrifício da Dama em uma partida perdida é uma fonte de prazer, ao passo que uma partida monótona, forçada, os deixa indiferentes. Para estes o xadrez é uma arte, capaz de trazer felicidade e de dar sentido aos momentos de lazer. Ao mesmo tempo, há também muitos entusiastas capazes de passar noites em claro resolvendo um problema do tipo: “Por que as Pretas moveram a Torre para a casa d8 em vez de mover o Cavalo para a casa c6? Por que a posição das Pretas é melhor?” Para estes o xadrez é principalmente uma ciência baseada no raciocínio lógico. Eu gosto do xadrez pela sua versatilidade e pela sua multiplicidade. Foi a beleza e o brilhantismo dos golpes táticos que me cativaram ainda na infância. Primeiro admirando este brilhantismo, e depois buscando-o nas minhas próprias partidas, e a seguir tentando jogar bonito - tais foram os estágios do meu crescimento - como um prisioneiro da arte do xadrez. Mas depois veio a época em que comecei a competir com os outros, a tomar parte em torneio após torneio, e isto quer dizer que tive que começar a trilhar o caminho do xadrez como esporte. Eu ainda gosto de jogar bonito, mas não mais posso ser indiferente aos meus resultados; a se vou ganhar ou terminar nas últimas posições. Eu quero vencer, eu quero derrotar todos, mas quero fazê-lo com estilo, em um combate esportivo honesto. O ex-campeão mundial, Mikhail Botvinnik, que eu considero meu professos é um acadêmico do xadrez, cujo trabalho me ajudou a abordar o xadrez cientificamente. Ele despertou em mim o prazer de pesquisar e de resolver os inumeráveis problemas do jogo. Ao longo de meus
  7. 7. 7 preparativos para as competições, e durante minhas análises de partidas e aberturas, de repente, percebi que estava tentando estudar meticulosa e metodicamente, com uma persistência típica de um pesquisador. Estou convencido de que a minha afeição por todos estes aspectos do xadrez irá contribuir para preservar a minha paixão, pelo resto da minha vida. Meus pais me ensinaram a mover as peças quando eu tinha cinco anos, e eu fiquei fascinado. Um ano mais tarde, fui levado para um grupo de xadrez no Clube de Jovens Pioneiros em Baku, onde eu me imaginava em um reino de jogadores de xadrez. Desejando convencer-nos do caráter paradoxal do xadrez, o nosso instrutor arrumou as peças sobre o tabuleiro, logo em uma das primeiras sessões; veja o diagrama a seguir. Esta posição, onde os pequenos Peões derrotam o inimigo, era tão surpreendente que parecia um conto de fadas, e tomei-me incapaz de viver sem o xadrez desde então. Sempre admirei esta posição. Eu sempre gostei de atacar desde a infância; ainda gosto de jogar na ofensiva. Dediquei muito tempo para estudar os !""""""""# ç + V +tL% æ+ +p+ Oo% å + + + +% ä+ + + + % ã + + + +% â+ Q + + % ápP OoOpP% à+ +r+ +k% /èéêëìíîï) fundamentos, que parecem não ter nenhuma influência direta no jogo mas que - estou convencido - são necessários tanto para um Grande Mestre quanto para um amador que queira melhorar o seu jogo e obter agradáveis resultados em torneios. Para atingir o seu alto padrão de jogo, um Grande Mestre tem que gastar milhares de horas estudando centenas de partidas. Seu talento jamais se desenvolveria sem tamanho trabalho. Se você gosta de jogar xadrez mas não tem tempo para dedicar-se a um estudo independente, mas assim mesmo quer derrotar seus amigos, você terá que gastar algumas dezenas de horas debruçado sobre o tabuleiro. Nesta série de artigos, tento expor a minha compreensão dos fundamentos, em uma linguagem que seja clara para todos, e falar sobre as sutilezas que são imprescindíveis aos verdadeiros amantes do xadrez.
  8. 8. 8 LIÇÃO 2 Idéias e Técnicas Antes de discutir os fundamentos da partida de xadrez, eu gostaria de mostrar um trecho de uma partida, e apresentar alguns comentários meus preparados especificamente para o jogador de nível médio. Espero que, após ler a minha análise, você seja capaz de ver, por si mesmo, que qualquer um que queira prover seus movimentos de significado e beleza precisa de muito conhecimento. G. Kasparov – F. Gheorghiu Moscou 1982 1.d4 Os jogadores experientes sabem que este lance, assim como o lance do Peão do Rei para a casa e4, é o mais lógico e direto, ou para falar de modo mais simples, o melhor para se iniciar uma partida. Cada um de vocês pode chegar à mesma conclusão, após estudar por duas ou três horas os princípios básicos que guiam os primeiros estágios da partida: colocar as próprias peças em ação tão rápido quanto possível e assumir o controle do centro do tabuleiro. 1... Cf6 Este é um dos melhores movimentos para as Pretas. As Pretas põem uma peça em jogo e impedem que o adversário conduza seu Peão para a casa e4, de modo a consolidar seu domínio sobre o centro. 2.c4 Agora as Brancas impedem o avanço do Peão da Dama para a casa d5, pois, neste caso, após 3.cd as Pretas terão de escolher entre 3... Dxd5 4.Cc3, quando as Brancas desenvolvem o Cavalo ao passo que as Pretas têm que mover novamente a Dama, desacelerando o desenvolvimento
  9. 9. 9 de suas peças, ou ficando para trás no desenvolvimento, conforme costuma dizer-se. Se as Pretas tornarem o Peão com o Cavalo via 3... Cxd5, permitirão que as Brancas joguem 4.e4 e mantenham um forte par de Peões no centro, todos eles controlando posições importantes no lado das Pretas, ou seja, as casas c5, d5, e5 e f5. Vamos voltar às primeiras linhas da nossa análise do movimento 2.c4, onde dissemos que “as Brancas impedem...”. Este é o início de um conflito consciente no jogo de xadrez. Idéias se chocaram, o combate começou. Quanto maior for a habilidade e o conhecimento de um jogador, tanto melhor estará ele capacitado a detectar a ocorrência de tais microconflitos, dos quais há dezenas em uma partida, e tanto melhor será também o seu julgamento sobre as conseqüências e as ações futuras. 2... e6 As Pretas abrem uma passagem para o Bispo, e, como se querendo compensar o tempo perdido, preparam-se para levar o seu Peão da Dama para a casa d5. 3.Cf3 As Brancas têm uma boa gama de continuações fortes, inclusive os lances 3.Cc3 e até mesmo 3.Bg5 ou 3.Bf4. São primordiais à compreensão dos princípios de desenvolvimento rápido das peças e a sua implementação prática durante a abertura. 3... b6 As Pretas preocupam-se com o seu Bispo na casa c8 e preparam-se para colocá-lo em ação na posição principal de combate na casa b7 ou na posição alternativa a6. 4.a3 Para entender este movimento, aparentemente passivo, é necessária uma compreensão profunda de medidas preventivas em uma partida. Este movimento discreto das Brancas evita que o Bispo Preto possa exercer uma pressão ativa a partir da casa b4, e ao mesmo tempo prepara a condução do Cavalo Branco à casa c3 onde ele pode desempenhar um papel vital na luta pelo centro. 4... Bb7 5.Cc3 Ambos os lados tentam colocar logo as peças em jogo, de modo a consolidar seu poder de fiscalização das casas centrais do tabuleiro. 5... d5 As Pretas fortalecem, radicalmente, a sua posição no centro. Mesmo assim, o Lance d5 tem as
  10. 10. 10 suas desvantagens, um vez que bloqueia a diagonal do Bispo na casa b7. 6.cd Cxd5 Após 6...ed, o Bispo na casa b7 teria sido bloqueado pelo seu próprio Peão e correria o risco de continuar imobilizado por algum tempo. Embora uma tal característica na posição das Pretas não seja capaz de, por si só, determinar o sucesso das Brancas, é o acúmulo consistente de pequenas vantagens como esta que permite a um Grande Mestre virar o jogo a seu favor. !""""""""# çtM WlV T% æOvO +oOo% å O +o+ +% ä+ +m+ + % ã + P + +% âP N +n+ % á P +pPpP% àR BqKb+r% /èéêëìíîï) 7.Dc2 Um outro microconflito se desenvolve na partida em torno do lance e4, que permitiria às Brancas ocuparem o centro. Ao escolher este lance as Brancas levam em consideração que após 7.e4? Cxc3 8.bc Bxe4 as Pretas ganham um Peão. 7... c5 As Pretas poderiam acabar com o plano das Brancas jogando 7... f5, mas o custo seria muito alto. Elas ficariam com um Peão fraco e atrasado na casa e6. 8.e4 Cxc3 9.bc Aqui há um novo ganho por parte das Brancas. Elas conseguiram colocar um forte par de Peões no centro e estão lutando pelo controle da quinta fileira, isto é, de “território inimigo”. Os jogadores de xadrez chamam isto de “vantagem em espaço”. 9... Be7 10.Bb5+ Bc6 11.Bd3 Em xadrez nem sempre uma linha reta corresponde à menor distância entre dois pontos. Ao mover o Bispo para d3, em dois lances, as Brancas colheram mais benefícios do que teriam feito caso o tivessem movido para lá diretamente. As Pretas tiveram que abdicar do lance mais natural contra o xeque, porque após 10.Bb5+ Cc6 11.e5 Tc8 12.Da4 Dc7 13.Dxa7 Ta8? 14.Bxc6+ as Brancas venceriam. O Bispo das Pretas fica em uma posição infeliz na casa c6, atrapalhando as suas próprias peças. Os jogadores de xadrez costumam se referir a
  11. 11. 11 tais casos como “mau posicionamento de peça” e “pobre coordenação de forças". 11... Cbd7 O Bispo ocupando a casa c6 forçou o Cavalo a um papel passivo, impedindo que pudesse exercer um papel ativo naquela casa, de onde ele atuaria sobre o centro controlado pelas Brancas. Pode ser que as Pretas não quisessem dar às Brancas a vantagem do par de Bispos após 11... O-O 12.Ce5, mas este teria sido o menor de dois males, uma vez que na situação presente o Rei Preto permanece no centro. Teria sido mais razoável se as Pretas buscassem a segurança do seu monarca retirando-o do centro, tão logo quanto possível. 12.0-0 Já que as Pretas demoram a colocar seu Rei em segurança, as Brancas decidem abrir o centro a qualquer custo (removendo os Peões das colunas centrais). Para isto elas afastam o seu Rei da zona de combate deixando a área livre para a ação das Torres. 12... h6 Uma medida preventiva, similar ao lance 4.a3, que impediu o lance das Pretas ... Bb4. Mas 12... O-O seria mais adequado. O seqüenciamento preciso das operações é um componente importante da partida, e o Grande Mestre Florian Gheorghiu escolheu um momento infeliz para medidas preventivas. 13.Td1 As Brancas centralizam a Torre, antevendo a abertura da coluna da Dama. 13... Dc7 Já é tarde demais para as Pretas rocarem. Depois de 13... O-O 14.d5 (um sacrifício de Peão) 14... ed (14 ... Bb7? é uma jogada fraca, pois com 15.de fe 16.Bb5! as Pretas teriam problemas por causa do seu Cavalo preso na casa d7) 15.ed Bb7 16.c4 Bf6 17.Bb2 as Brancas obtêm um forte Peão passado no centro. 14.d5! !""""""""# çt+ +l+ T% æO WmVoO % å Ov+o+ O% ä+ Op+ + % ã + +p+ +% âP Pb+n+ % á +q+ PpP% àR Br+ K % /èéêëìíîï)
  12. 12. 12 “Aquele que está em vantagem deve agir rápido.” Esta era uma das máximas do grande pensador do xadrez e primeiro campeão mundial Wilhelm Steinitz (1836-1900), que formulou as leis básicas da estratégia enxadrística. Uma análise da herança clássica deixada pelos corifeus do passado é útil para todos os entusiastas do xadrez e uma necessidade para aqueles que desejam estudar seriamente e melhorar seu jogo. Na partida anterior as Brancas sacrificaram apenas um Peão para obter tudo o que queriam: abrir as colunas centrais, amarrar as peças Pretas na coluna da Dama e manter o Rei adversário no centro. As Brancas visivelmente venceram o primeiro estágio da partida a abertura e fizeram por meio de um plano de ação consistente. No entanto, para capitalizar tais vantagens, é preciso agir de modo rápido e preciso.
  13. 13. 13 LIÇÃO 3 Equilíbrio Material De modo a avaliar corretamente o equilíbrio de forças em um tabuleiro, é preciso, antes de tudo, estar ciente do valor comparativo das peças. O Rei ocupa uma posição excepcional aqui, ele não tem preço. Ele não pode ser trocado, e qualquer ameaça ao mesmo deve ser eliminada, ou a partida termina imediatamente. A peça mais poderosa é a dama, que em média costuma ter o valor de uma Torre, um Bispo e um Peão e meio. Uma Torre tem aproximadamente o valor de um Cavalo ou Bispo e um Peão e meio. E por último, um Bispo ou um Cavalo são mais ou menos equivalentes a três Peões. Mas além do valor nominal de cada peça, há um valor real que se modifica ao longo da partida. Esta noção mais sutil e importante reflete a importância de cada peça no que se refere à sua carga de trabalho, em um dado momento (na hora de um lance), e às suas perspectivas, que decorrem da posição específica no tabuleiro e do plano de jogo. A avaliação correta da força real de cada peça, a cada lance, determina em grande parte a extensão do potencial de um jogador. A noção de vantagem material no xadrez reside no desequilíbrio de forças. Quando um lado obtêm uma vantagem material, ele tenta aumentá-la, de modo a quebrar a resistência de seu adversário; ou mantém a vantagem, trocando tantas peças quanto possível para entrar na fase final. Mas às vezes acontece de um jogador entregar material deliberadamente. Eu, por exemplo, gosto de atacar a posição do Rei, e não hesito em sacrificar peças em troca dos Peões, de modo a derrubar sua defesa. Foi deste modo que joguei,
  14. 14. 14 algum tempo atrás, com Lajos Portisch, um Grande Mestre húngaro. Depois dos primeiros 16 lances chegamos à seguinte posição: !""""""""# ç +t+ Tl+% æOvW VoOo% å O +o+ +% äM + + + % ã +pP + +% âP +b+n+ % á B +qPpP% à+ +r+rK % /èéêëìíîï) Se nós imaginássemos que o Peão na casa d4 não estivesse no tabuleiro, veríamos que os Bispos Brancos atacam exatamente os dois Peões Pretos que protegem o Rei, que não tem nenhuma outra proteção. Tudo isto exige um ataque-relâmpago cujos fins - roubar do Rei suas últimas defesas - justificam os meios, que neste caso representam a perda de um Peão Branco e do formidável par de Bispos. Em primeiro lugar é necessário abrir caminho para o Bispo na casa b2. 17.d5! ed 18.cd Bxd5 O próximo passo é eliminar as defesas do Rei. 19Bxh7+ Rxh7 20 Txd5 Agora, quando o Rei busca proteger-se atrás do seu Peão, o Bispo restante vem e, ao custo de sua vida, aniquila de vez o último refúgio do Rei Preto. 20... Rg8 21.Bxg7 Rxg7 !""""""""# ç +t+ T +% æO W VoL % å O + + +% äM +r+ + % ã + + + +% âP + +n+ % á + +qPpP% à+ + +rK % /èéêëìíîï) Uma série de sacrifícios deixou o Rei Preto encarando o nada, em uma posição na qual a Dama Branca representa a maior ameaça. 22.Ce5! Td8 23.Dg4+ Rf8 24.Df5 f6 25.Cd7+ Txd7 Se 25... Rf7 as Brancas vencem imediatamente com 26.Dh7+ Re6 27.Te1+ Rxd5 28.De4+ Rd6 29.De6 mate. 26.Txd7 Dc5 27.Dh7 Tc7
  15. 15. 15 Há um certo equilíbrio material na posição acima. Uma Torre e um Peão Brancos confrontam um Bispo e um Cavalo. Ainda assim as peças Pretas estão mal posicionadas, especialmente o Rei, e as Brancas penetraram na sétima horizontal com duas de suas peças mais fortes. O final da batalha está próximo. Tudo dependerá de quão rápido as Brancas possam trazer uma de suas Torres para a casa g3. No entanto, o último lance das Pretas arma discretamente uma cilada, para os jogadores afoitos. 28.Dh8+ Se as Brancas tivessem jogado 28.Td3 de imediato as conseqüências seriam desastrosas, já que as Pretas fariam um sacrifício de Dama - 28... Dxf2! 29.Rxf2 Bc5+ e Txh7 a seguir. A réplica 29.Txf2? é ainda pior, seguindo-se mate com 29 ... Tc1+ 30.Tf1 Bc5+ 31.Txf1 mate. 28... Rf7 29.Td3 Xc4 30.Tfd1 Nunca é demais pôr em jogo as suas reservas... 30... Ce5 31.Dh7+ Re6 É impossível recuar com 31... Rf8 porque se seguiria um novo sacrifício com 32.Td8+! Bxd8 33.Txd8 mate. O Rei é obrigado a dirigir-se para o centro do tabuleiro, e em noventa e nove por cento dos casos, isto é sinônimo de derrota. 32.Dg8+ Rf5 33.g4+ Rf4 34.Td4+ Rf3 35.Db3+ E as Pretas abandonam. Não é preciso dizer que todos os jogadores devem conhecer e respeitar os princípios básicos do xadrez, inclusive os valores relativos das peças, mas é exatamente a diversidade de exceções a esta regra, que torna o xadrez um jogo tão fascinante. Tais exceções levam a situações de equilíbrio incomuns, onde o caminho correto costuma ser encontrado pela intuição e pela experiência. Como parte das minhas experiências eu lembro de um trecho de uma partida, disputada entre !""""""""# ç + + L +% æO TrV +q% å O + O +% äM W + + % ã + + + +% âP + + + % á + + PpP% à+ + +rK % /èéêëìíîï)
  16. 16. 16 Mikhail Tal e Oscar Panno, em 1958. !""""""""# çt+vW Tl+% æ+ + V Oo% åo+ + + +% äMoO N + % ã +mP O +% â+b+q+ +p% ápP B Pp+% àRn+ R K % /èéêëìíîï) Sem que houvessem concluído o desenvolvimento de suas peças, os adversários iniciaram um embate feroz em que o equilíbrio material de forças perdeu a sua importância imediata. A coisa vital ali era avaliar corretamente o alcance e a eficácia das peças. 18... Cxb3 19.Cc6 As Brancas pretendem tomar a Dama com este lance, mas entregam material demais em troca. 19... Cxa1 20.Cxd8 Bf5! 21.Df3 Taxd8 22.Txe7 Bxb1 23.Bxf4 Txd4 A posição se alterou, além de qualquer possibilidade de reconhecimento, em cinco lances. !""""""""# ç + + Tl+% æ+ + R Oo% åo+ + + +% ä+oO + + % ã +mT B +% â+ + +q+p% ápP + Pp+% àMv+ + K % /èéêëìíîï) Dois Cavalos e uma Torre não valem, de algum modo, menos que uma Dama e, além disto, o Bispo Branco não se encaixa adequadamente no jogo. Obviamente o resultado desta luta dependerá da agilidade da Dama Branca. 24.Dg4! Bg6 25.De6+ Bf7 26.Df5 Cc2 27.b3 Bg6 Tal temia mais um contra- ataque Preto iniciando-se com 27... Td1+ 28.Rh2 Cd2. As Pretas acabam por jogar um lance sólido que força as Brancas a complicarem o jogo ainda mais. 28.Txg7+ Rxg7 29.Bh6+ Rxh6 30.Dxf8+ Rg5 31.bc bc Mais uma vez a posição transformou-se radicalmente. As Brancas têm apenas a Dama e alguns Peões no ataque.
  17. 17. 17 !""""""""# ç + + Q +% æ+ + + +o% åo+ + +v+% ä+ O + L % ã +o+ + +% â+ + + +p% áp+m+ Pp+% à+ + + K % /èéêëìíîï) 32. g3 Be4 33.h4+ Rg4 34.Rh2 Bf5! Panno visa entregar uma peça (35.f3+ Rxf3 36.Dxf5+ Re3) de modo a trazer o Rei para o flanco da Dama. Por isso é que as Brancas a recusam, preferindo a oportunidade de manter o Rei inimigo no flanco direito, ao alcance dos seus Peões. 35.Df6 h6 36.De5 Te4 37.Dg7+ Rf3 38.Dc3+ Ce3 Um empate mais simples dar-se-ia com 38... Rxf2 39.Dxc2+ Rf3. !""""""""# ç + + + +% æ+ + + + % åo+ + + +% ä+ O + +o% ã +o+ +vP% â+ + TlP % áp+ + + +% à+ + Q K % /èéêëìíîï) 39.Rg1 Bg4 40.fe h5 41.De1 Txe3 41... Te6 42.e4 c3 poderia ser outro caminho alternativo para um empate, já que as peças Pretas acabariam defendendo umas às outras, como Rei Branco imobilizado em uma jaula. 42.Df1+ Re4 43.Dxc4+ Rf3 44.Df1+ Re4 45.Dxa6 Agora a Dama Branca conta com o auxílio do Peão passado na casa a2. Foi este Peão que definiu o resultado do combate, mas trata- se de assunto para uma outra lição.
  18. 18. 18 LIÇÃO 4 A Importância do Centro As casas e4, d4, e5 e d5 no centro do tabuleiro são muito importantes. Elas comparam-se a uma colina do alto da qual pode se ver todo o campo de batalha ou lançar um ataque nocauteador a qualquer alvo no tabuleiro. !""""""""# ç + + + +% æ+ + + + % å + + + +% ä+ + + + % ã + + + +% â+ + + + % á + + + +% à+ + + + % /èéêëìíîï) Expressões tais como "luta pelo centro", "controle do centro" e "minar o centro" também refletem instantes cruciais da batalha e são velhas conhecidas de qualquer jogador experiente. A luta pelo centro começa mesmo nos primeiros lances. O lado que conquista uma vantagem no centro (ou o ocupa) geralmente garante uma facilidade de mover suas peças, de um lado para outro do tabuleiro, o que constitui uma vantagem para suas forças. Cem anos atrás o combate pelo centro era bem mais descomprometido e cavalheiresco. As Brancas em geral corriam e ocupavam o centro com os seus Peões e dispunham-se razoavelmente a sacrificar material. Os gambitos, ou as aberturas em que se entregava material, estavam muito em voga. 1.e4 e5 2.f4! ef Atualmente a resposta mais comum é o contra-gambito 2... d5 3.ed d4!, tornando o combate central mais sutil. 3.Cf3 Wilhelm Steinitz (1836- 1900), oficialmente considerado o primeiro campeão mundial, gostava de jogar 3.d4, de modo a permitir e4 e5 d4 d5
  19. 19. 19 3... Dh4+ 4.Re2. Ele acreditava que ter uma vantagem no centro era mais importante, do que uma boa proteção para o Rei. 3... g5 4.Bc4 g4 5.O-O! gf 6.Dxf3 Df6 7.d3 Bh6 8.Cc3 Ce7 9.Bxf4 d6 10.Bxh6 Dxh6 11.Dxf7+ Rd8 12.Tf6 Dg5 13.Taf1 !""""""""# çtMvL + T% æOoO Mq+o% å + O R +% ä+ + + W % ã +b+p+ +% â+ Np+ + % ápPp+ +pP% à+ + +rK % /èéêëìíîï) Esta foi a continuação de uma das partidas disputadas pelo grande enxadrista russo Mikhail Chigorin, em 1878. As Brancas sacrificaram uma peça e desencadearam um forte ataque, onde a sua superioridade no centro desempenhou um papel decisivo. O eminente enxadrista americano Paul Morphy (1837- 1884) ilustrou de modo mais prático a estratégia das Brancas no centro. P. Morphy - J. Arnous de Rivière Paris 1863 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5 4.b4 Bxb4 5.c3 Bc5 6.O-O d6 7.d4 ed 8.cd Bb6 9.Cc3 !""""""""# çt+vWl+mT% æOoO +oOo% å VmO + +% ä+ + + + % ã +bPp+ +% â+ N +n+ % áp+ + PpP% àR Bq+rK % /èéêëìíîï) Naquela época esta posição interessantíssima não ficava nada a dever à atual popularidade da abertura espanhola. Ao sacrificar um Peão, as Brancas obtém uma clara vantagem no centro, onde elas mantêm um poderoso par de Peões que, se usado como um escudo sólido, permite que as
  20. 20. 20 Brancas reagrupem suas forças conforme necessário. As Brancas também estabeleceram um forte controle sobre o centro do adversário, i.e., dois ataques contra duas defesas à casa e5 e três ataques à casa d5, que não conta com defesa alguma. As Pretas não podem jogar 9... Cf6 porque aí se expõem ao ataque 10.e5! de 11.Ba3! Bxd4 12.Db3! Be6 13.Bxe6 fe 14.Dxe6+ Ce7 15.Cxd4 ed 16.Tf1! !""""""""# çt+ Wl+ T% æOoO M Oo% å + +qM +% ä+ + + + % ã + O + +% âB N + + % áp+ + PpP% àR + R K % /èéêëìíîï) Considera-se que a melhor resposta para as Pretas é 9... Bg4, continuando após 10.Bb5 com 10... Bd7 ou 10... Rf8. J. Arnous de Rivière fez um lance natural, mas infeliz, que permitiu, às Brancas, tirar partido de uma outra vantagem, do seu par de Peões no centro - a sua mobilidade. De fato, enquanto os Peões estão fixos na casa e4 e d4 eles provocam uma situação à qual as Pretas podem se adaptar. Mas cada um destes Peões pode avançar, criando novas situações para as quais as Pretas terão que achar uma defesa, o que é consideravelmente mais difícil. Por isto é que um "centro móvel" de Peões é um fator importante na hora de se avaliar as chances de ambos os lados na batalha que se anuncia. 9... Df6 10.Cd5 Dg6 11.Cf4! Df6 12.e5! O Peão central avançou e criou uma situação na qual as Pretas, em vez de desenvolver suas peças, têm de se preocupar com a defesa do seu Rei. Será preciso um esforço formidável, já que a maior parte das peças Pretas está ainda presa nas suas posições iniciais. É neste ponto que as Brancas - valendo-se da sua vantagem com relação ao número de peças efetivamente envolvidas no combate - executam uma operação típica: abrir o centro (eliminando os seus próprios Peões e também os do inimigo) para dar passagem às peças maiores. Quando o centro está aberto, o papel das peças aumenta consideravelmente, e o seu posicionamento é revestido de uma importância crítica.
  21. 21. 21 Esta etapa exige um timing que só se consegue com cálculo e precisão excepcionais. 12... de 13.de Df5 As Pretas não podem, certamente, tomar o Peão com 13... Cxe5? 14.Cxe5! Dxe5? 15.Tel, após o que as Brancas ganham a Dama. E o Peão do Rei continua a movimentar-se para a frente. 14.e6 !""""""""# çt+v+t+mT% æOoO +oOo% å Vm+p+ +% ä+ + +w+ % ã +b+ N +% â+ + +n+ % áp+ + PpP% àR Bq+rK % /èéêëìíîï) 14... f6 As Pretas não melhoram a sua situação com 14... fe 15.Cxe6 Bxe6 16.Bxe6! Df6 17.Dd7+ Rf8 18.Bb2! (por isso é que o Peão saiu da casa e5) 18... Dxb2 19.Df7 mate. Agora o Peão na casa e6 divide o contingente das Pretas em dois e o seu valor é revestido de uma importância ainda maior. As Brancas só precisam impedir que o Rei Preto consiga fugir para um dos lados. 15.Ch4! Dc5 16.Be3! Dg5 Se 16... Dxg4 segue 17.Dh5+ 17.Cf3 Da5 18.Bxb6 Dxb6 19.Cd5 Da5 20.Cd2! Agora as Pretas não podem fazer nada contra a ameaça à Torre em a8 após 21.Cb3 e 22.Cxc7+, nem contra a ameaça não menos importante Dh5+. O fim está próximo. 20... Cd4 21.Cb3 Cxb3 22.ab Dc5 23.Dh5+ Rd8 Com 23... g6 24.Cxf6+, perde-se a Dama. 24.Tad1 !""""""""# çt+vL +mT% æOoO + Oo% å + +pO +% ä+ Wn+ +q% ã +b+ + +% â+p+ + + % á + + PpP% à+ +r+rK % /èéêëìíîï) Não há como fugir das graves conseqüências do xeque descoberto (25.Cb6+; o Cavalo deixa a coluna da Dama expondo o Rei inimigo à Torre), portanto as Pretas abandonaram.
  22. 22. 22 É essencial que cada lado preste atenção à formação dos Peões no centro e tente fazer com que os seus predominem. Às vezes apenas um Peão se mantém no centro. Esta situação cria novos problemas como, por exemplo, ocupar um "posto avançado" no centro, que de modo geral permite que as peças possam ser utilizadas de modo mais vantajoso, determinando assim uma superioridade em relação ao adversário. T. Petrosian - Kozma Munique 1958 1.Cf3 Cf6 2.d4 e6 3.Bg5 c5 4.e3 b6?! O modo despretensioso como as Brancas jogam a abertura, diminuiu a vigilância das Pretas e permitiu que, por causa deste lance aparentemente natural, seu adversário ocupasse um posto avançado no centro com uma peça. 5.d5! ed 6.Cc3 Bb7 7.Cxd5! Bxd5 8.Bxf6 Dxf6 9.Dxd5 As Brancas têm um forte posto na casa d5, já que as Pretas não podem forçar a saída da Dama desta posição nos próximos lances. !""""""""# çtM +lV T% æO +o+oOo% å O + W +% ä+ Oq+ + % ã + + + +% â+ + Pn+ % ápPp+ PpP% àR + Kb+r% /èéêëìíîï) Ao mesmo tempo, as debilidades das Pretas na coluna da Dama são permanentes e podem adquirir grande importância. Os enxadristas experientes nunca dão início a ataques nos flancos sem antes consolidar suas posições no centro. No diagrama a seguir, as Brancas, sem terem feito o necessário Cc3, iniciaram um ataque de Peões na ala do Rei. Isoladamente não é uma ameaça muito grande. Em uma partida por correspondência, entre Neergard e Simagin, em 1964, as Pretas provaram o perigo que ele representa para as Brancas (!) de modo bastante convincente. 1... b5!! 2.cb d5!! 3.ed e4! 4.Dxe4
  23. 23. 23 !""""""""# çt+ WtVl+% æOo+m+o+o% å + Ov+o+% ä+ + O + % ã +p+p+pP% â+p+qBp+ % áp+ +n+ +% à+ +rKb+r% /èéêëìíîï) A 4.fe seguir-se-ia 4... Ce5!, mas ainda assim as Brancas ficam em uma posição desconfortável. 4... Bxg4 5.Df4 Bh5 6.Rf2 Ce5 7.Bg2 Bd6 8.Da4 Tc8! 9.Td2 Df6 Em poucos lances a posição Branca, que parecia sólida, desmoronou a partir de um contra- ataque no centro no momento correto. A partida continuou: !""""""""# ç +t+t+l+% æO + +o+o% å + V Wo+% ä+p+pM +v% ãq+ + + P% â+p+ Bp+ % áp+ RnKb+% à+ + + +r% /èéêëìíîï) 10.Bg5 Df5 11.Cf4 Bxf3 12.Bh3 Se 12.Bxf3 Cxf3 13.Rxf3 segue-se 13... Tc3+ 14.Rf2 Bc5+ 15.Rf1 Tf3+ 16.Rg2 Dg4+. 12... Bg4 13.Rg2 Tc2 e as Brancas abandonam, pois a seqüência 14.Thd1 Bxh3+ 15.Cxh3 Df3+ ou 14.Tf2 Txf2+ 15.Rxf2 Cd3+ é decisiva. Portanto, tente controlar as casas centrais, protegê-las e nunca subestime o seu valor!
  24. 24. 24 LIÇÃO 5 Como Ganhar Espaço Uma vez que o xadrez á jogado em uma área limitada, as 64 casas de um tabuleiro, a dimensão do espaço, isto é, do número de casas conquistadas por cada lado, para o posicionamento de suas peças, têm, em geral, grande importância no desenvolvimento do jogo. No início, as Brancas e as Pretas controlam a mesma área. Geralmente, qualquer jogada na abertura visa ao controle de um número maior de casas, de preferência no território inimigo. Os Peões, ao pressionar as peças maiores do adversário e dar maior liberdade para as próprias peças, desempenham o papel principal no ganho de espaço. Mas seu movimento tem de ser necessariamente acompanhado do apoio das outras peças, ou irão sucumbir logo. Um enxadrista experiente tenta sempre assegurar a sua superioridade no centro do tabuleiro, delimitado pelas colunas c e f, onde estão as melhores posições para as peças. Para tomar a nossa discussão mais específica, vamos analisar duas partidas. A primeira foi jogada no final do século passado. S. Tarrasch – R. Charousek Nuremberg 1896 1.d4 d6 2.e4 Cf6 3.Cc3 g6 4.f4 Bg7 5.Cf3 O-O 6.Be2 !""""""""# çtMvW Tl+% æOoO OoVo% å + O Mo+% ä+ + + + % ã + PpP +% â+ N +n+ % ápPp+b+pP% àR BqK +r% /èéêëìíîï)
  25. 25. 25 Apenas cinco lances feitos, mas as vantagens em espaços das Brancas são grandes: três Peões controlam casas importantes na quinta fila, que é território do adversário. Com o apoio das demais peças eles poderão avançar ainda mais, aumentando o controle sobre o território inimigo. No xadrez moderno, um método estratégico confiável para combater tais cadeias de Peões é um imediato contra-ataque de Peões (geralmente com o apoio das demais peças) com o objetivo de impedir a progressão dos Peões inimigos; ou ao menos abrir espaço para as próprias peças, através de trocas de Peões. Ao mesmo se segue uma ofensiva de Peões contra os Peões adversários buscando quebrar a cadeia em seções isoladas, ou "ilhas". A variante 6...c5! 7.d5 e6 8.O-O ed 9.ed ilustra bem este método. Charousek, um dos jogadores mais fortes da época, também tenta restringir a cadeia de Peões Brancos, mas sem sucesso. Ele bloqueia a movimentação de suas peças e, mais importante, toma impossível um ataque ao centro de Peões Brancos. A posição das Pretas se torna extremamente delicada após mais três lances. 6... d5 7.e5 Ce8 8.Be3 e6 !""""""""# çtMvWmTl+% æOoO +oVo% å + +o+o+% ä+ +oP + % ã + P P +% â+ N Bn+ % ápPp+b+pP% àR +qK +r% /èéêëìíîï) Sob a proteção do tridente de Peões nas casas d4-e5-f4, as peças Brancas dispõem de bastante espaço para manobrar e podem ser reagrupadas em qualquer ponto do tabuleiro, O grande jogador alemão, Tarrasch, resolve o problema de explorar esta superioridade de um modo muito simples: ele inicia um ataque de Peões no flanco do Rei. Os seus Peões irão abrir espaço para as peças mais importantes, e as peças Pretas, confinadas às duas ultimas fileiras, acabarão por atrapalharem-se umas às outras não conseguindo organizar uma defesa. 9.h4! Uma das regras básicas do xadrez é: "Uma ofensiva nos flancos é melhor contestada por um contra-ataque no centro."
  26. 26. 26 Infelizmente ao efetuar o lance 6... d5 as Pretas perderam esta chance e tiveram o seu destino selado. 9... Cc6 10.h5 Ce7 11.g4 f5 12.hg Cxg6 13.Bd3 h6 14.g5 Rh7 15.De2 Th8 16.Dg2 c5 17.gh !""""""""# çt+vWm+ T% æOo+ + Vl% å + +o+mP% ä+ OoPo+ % ã + P P +% â+ NbBn+ % ápPp+ +q+% àR + K +r% /èéêëìíîï) As Pretas abandonaram tendo em vista as inevitáveis perdas de material, e.g. se 17... Bxh6 18.Dg5! A segunda partida ilustra os métodos modernos de obter uma vantagem em espaço. Esta partida tem uma importância especial para mim por representar a minha primeira vitória, jogando uma partida posicional contra um adversário forte em uma competição de alto nível. G. Kasparov – T. Georgadze Minsk 1979 1.e4 e5 2.Cf3 d6 3.Bc4 Be7 4.d3 Este lance não foi por medo, mas por querer evitar as variantes desta abertura que se seguem a 4.d4 ed 5.Cxd4, bastante estudadas pelo meu adversário. 4... Cf6 5.c3 O-O 6.O-O c6 7.Bb3 Be6 8.Bc2 h6 9.Te1 Cbd7 10.Cbd2 Dc7 Ambos os jogadores jogam sem pressa, parecendo manobrar com o mesmo sucesso, mas isto não é verdade. As Brancas são as primeiras a conquistar espaço. 11.d4! Tfe8 12.h3! !""""""""# çt+ +t+l+% æOoWmVoO % å +oOvM O% ä+ + O + % ã + Pp+ +% â+ P +n+p% ápPbN Pp+% àR BqR K % /èéêëìíîï)
  27. 27. 27 Limitar as oportunidades do adversário (nem o Bispo ou o Cavalo podem chegar à casa g4 agora) também é um meio de se ganhar espaço. 12... Cf8 13.c4! Cg6 As Pretas não desejam abrir o centro, liberando jogo às peças Brancas, após 13... ed 14.Cxd4 Rb6 15.C2f3! Bxc4 16.Cf5. Pelo contrario, as Pretas abandonam a área sob fiscalização do tridente c4-d5-e4. 14.d5 Bd7 As Pretas deveriam ter jogado 14... cd para obter espaço para manobrar no flanco da Dama com ... b5! posteriormente. 15.Cb1! Bf8 16.Cc3 c5? 17.Ba4 Em uma posição restringida como esta, a maior parte das trocas seria favorável às Pretas, mas este não é o caso do seu Bispo de casas brancas. Ele defende casas importantes e é também a peça menor que tem mais potencial. 17... a6 18.Bxd7 Cxd7 19.g3 Be7 20.h4! As Brancas decidiram pela estratégia de limitar a mobilidade das peças Pretas na ala do Rei, e prepararam-se para uma ruptura na ala da Dama. 20... Cf6 21.Ch2 Dd7 22.a4 Dh3 23.Df3 Dd7 24.a5! As Brancas cruzaram a linha central também no flanco da Dama, pressionando ainda mais as Pretas. A sua expansão é agora evidente para ambos os jogadores, mas as Pretas, incapazes de manobrar suas reservas, não podem fazer nada a respeito. 24... Cf8 25.Bd2 Tec8 26.Cf1 Cg4 27.Ca4 Bd8 28.Tec1 Tab8 29.b4! cb 30.Bxb4 h5 31.Cb6! Em princípio esta parece tratar-se de uma continuação !""""""""# ç TtV Ml+% æ+o+w+oO % åoN O + +% äP +pO +o% ã Bp+p+mP% â+ + +qP % á + + P +% àR R +nK % /èéêëìíîï)
  28. 28. 28 ilógica, pois poder-se-ia exercer uma pressão maior na coluna b. Mas as Brancas planejavam abrir a coluna c e é muito importante ter um ponto de entrada à disposição. A casa c7 é a melhor cabeça-de- ponte para um ataque das Brancas. 31... Bxb6 32.ab De7 33.Da3 Td8 A última oportunidade de resistir era impedir o avanço do Peão da coluna c sacrificando a Torre em troca de um Bispo – 33... Tc5! 34.Bxc5 dc. Ainda assim as Brancas manteriam todas as chances de vitória. Agora, porém, a ofensiva das Brancas se desenvolve rapidamente e de acordo com o planejado. 34.f3 Ch6 35.c5 dc 36.Bxc5 Df6 37.Rg2 Te8 38.Be3 Cd7 39.Tab1 De7 As Pretas perderam no tempo, por não terem efetuado 40 lances nas duas horas e trinta de que dispunham. Porém, após 40.Dxe7 Txe7 41.Tc7 a posição das Pretas seria desesperadora. Conclusão: valorize o espaço, obtenha tanta vantagem em espaço quanto puder. Mas não seja ganancioso demais, a sua estrutura de Peões muito avançada pode ser bloqueada e destruída, com as peças adversárias correndo ao ataque por entre as brechas abertas, e aí qualquer resultado é possível.
  29. 29. 29 LIÇÃO 6 Estruturas de Peões Embora os Peões sejam os elementos mais fracos, eles freqüentemente determinam a progressão e o resultado de uma partida. Se algum dos lados tem uma vantagem de 2 ou 3 Peões, esta vantagem é na maior parte das vezes suficiente para forçar uma vitória. A situação é mais complexa quando há um número igual de Peões. Ai a avaliação da posição dá-se pelo exame do posicionamento dos mesmos. Antes da partida iniciar-se, os Peões estão alinhados nas suas casas originais. Ao avançar eles se apoiam mutuamente e limitam a mobilidade das peças adversárias. Os enxadristas experientes freqüentemente sacrificam material para conseguir uma linha de Peões móvel, flexível, onde os mesmos se protegem mutuamente, conforme o diagrama a seguir: T. Petrosian - H. Pfleger URSS vs. Alemanha Ocidental 1960 !""""""""# çt+ +l+ T% æ+vW Vo+o% åoO +o+o+% ä+ M P + % ã +p+ P +% â+ N + + % ápBq+b+pP% à+ +r+rK % /èéêëìíîï) 1.Cd5! ed 2.cd Agora os Peões nas casas d5 e e5 tomaram-se o fator decisivo. 2... Dc8 Veja o diagrama a seguir 3.e6! O-O 4.Dc3 f6 5.d6 Ca4
  30. 30. 30 !""""""""# çt+w+l+ T% æ+v+ Vo+o% åoO + +o+% ä+ MpP + % ã + + P +% â+ + + + % ápBq+b+pP% à+ +r+rK % /èéêëìíîï) 5... Dxe6 não e uma boa jogada, já que se perde a Dama após 6.Bc4. 6.Dxc8 Tfxc8 7.Ba1 Tc2 8.de Txe2 9.Td8+ Rg7 10.Tc1 Seria um erro promover a Dama com 10.e8D, já que após 10... Txg2+!! 11.Rh1 Tg3+ as Brancas tomam um xeque-mate inesperado. !""""""""# çt+ R + +% æ+v+ P L % åoO +pOo+% ä+ + + + % ãm+ + P +% â+ + + + % áp+ +t+pP% àB R + K % /èéêëìíîï) 10... Txe6 11.Tc7 Agora há a ameaça de 12.e8D+. 11... Rh6 12.Bxf6 E as Pretas abandonam. Como pode alguém lidar com uma potente falange de Peões? E preciso usar de uma solução radical: destruir toda a linha, ou ao menos o elo central. Em outras palavras, quebrar a linha em duas entidades separadas, incapazes de protegerem- se mutuamente. No entanto costuma acontecer que o meio mais eficaz de combater uma linha móvel de Peões seja contendo a sua mobilidade ou preparando um bloqueio. O que pode ser feito, por exemplo, vulnerando as casas em frente aos Peões. A linha de Peões Pretos nas casas c4, d5 e e6 pode ser contida por um Bispo Branco posicionado na. diagonal a1-h8. !""""""""# ç + + + +% æ+ + + + % å + +o+ +% ä+ +o+ + % ã +o+ + +% â+ + + + % á B + + +% à+ + + + % /èéêëìíîï) Mas se o avanço dos Peões Pretos for apoiado por um Cavalo
  31. 31. 31 Preto na casa c6, somente o Bispo Branco não será capaz de parar o avanço da cadeia de Peões. O melhor método para montar uma barricada é bloqueando Peões com Peões. Se os Peões Pretos nas casas c4, d5 e e6 fossem bloqueados não por um Bispo mas por três Peões colocados nas casas c3, d4 e e5, tal barreira seria intransponível. !""""""""# ç + + + +% æ+ + + + % å + +o+ +% ä+ +oP + % ã +oP + +% â+ P + + % á + + + +% à+ + + + % /èéêëìíîï) No xadrez moderno os dois lados tentam restringir a mobilidade dos Peões desde o início da partida. Veja esta abertura, por exemplo: 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.e3 c5 5.Bd3 Cc6 6.Cf3 Bxc3+ 7.bc d6 8.e4 e5 !""""""""# çt+vWl+ T% æOo+ MoOo% å + O M +% ä+ OpO + % ã +p+p+ +% â+ Pb+n+ % áp+ + PpP% àR BqK +r% /èéêëìíîï) Conforme se vê, três Peões c4, d5 e e4 enfrentam a oposição de uma estrutura das Pretas nas casas c5 e e5, apoiada por um Peão na casa d6. Isto mostra-se suficiente para tomar a posição no centro estável. Nem todos os jogadores, no entanto, tentam restringir a mobilidade dos Peões com tamanha meticulosidade. As propriedades dinâmicas das linhas de Peões oferecem grandes oportunidades de combinações, que pode levar a complicações interessantes, principalmente quando ambos os jogadores preferem uma partida aberta. Por outro lado, uma cadeia de Peões estacionária, bloqueada, geralmente leva a uma partida lenta e não muito espetacular. Você já deve ter esbarrado na literatura enxadrística com expressões do tipo "Peão débil", "Peão isolado" e etc. Cada uma destas denota uma falha na estrutura
  32. 32. 32 de Peões que restringe a sua mobilidade e aumenta a sua vulnerabilidade. Aqui se segue um exemplo simples: !""""""""# ç + + + +% æ+ + + + % å L + + +% ä+ + + + % ã K + + +% â+ + + + % á P + + +% à+ + + + % /èéêëìíîï) Apesar do obstáculo representado pelo Rei Preto, as Brancas, jogando corretamente, podem não só proteger o Peão como também forçar a sua promoção. Mas assim que movermos o Rei, digamos, para a coluna a, o Peão se torna fraco porque pode ser facilmente atacado pelo Rei inimigo. Outras fraquezas comuns na formação de Peões são Peões dobrados ou triplicados na mesma coluna. Portanto, é muito raro que alguém os enfileire voluntariamente. Sua defesa é difícil, principalmente nos finais, onde podem se tomar a fonte de muitos problemas. Mas há exceções a todas as regras, especialmente no xadrez. Aqui está um final que foi disputado de fato, há 55 anos, por dois jogadores poloneses, Tulkowski e Wojceiwski, em Poznan. !""""""""# ç + T + +% æOr+ + Ol% å V + + O% ä+ O + + % ã +o+ P +% â+ N + P % ápP + +p+% à+ + + K % /èéêëìíîï) Após os lances óbvios 1... Td2 2.Ca4 começam a ocorrer milagres no tabuleiro. 2... Txb2 Acontece que os defeitos da estrutura de Peões (dê uma olhada nos Peões Pretos) podem ser compensados por um jogo criativo. As Pretas entregam sua Torre sem nenhum motivo aparente. 3.Cxb2 c3 Acontece que após 4.Cd3 c4+ o Bispo que até então estivera “dormindo” entra no jogo, e o decide. 5.Txb6 cd 6.Rf2 c2 7.Tc6 d2 e um Peão é promovido. 4.Txb6
  33. 33. 33 !""""""""# ç + + + +% æOr+ + Ol% å V + + O% ä+ O + + % ã + + P +% â+ O + P % ápN + +p+% à+ + + K % /èéêëìíîï) À jogada óbvia 4... ab segue- se 5.Cd3 e as Brancas vencem com uma peça a mais. As Pretas, no entanto, respondem com 4... c4! Agora a casa d3 é tomada ao Cavalo e após 5.Cxc4 o Peão da coluna c é promovido. Será possível que duas peças não sejam capazes de conter dois Peões “aleijados” rastejando pela coluna c? 5.Tb4 Parece que as Brancas vão vencer já que não há defesa contra o lance 6.Txc4. 5... a5! Trata-se de uma verdadeira ode aos Peões. O Peão deixado para trás que não tomou a Torre agora define o combate em um salto que parece irreal. Agora a Txc4 segue-se 6... cb, sendo que a Torre não pode voltar para b4 e o Peão na coluna b é promovido. Um final surpreendentemente belo! Mesmo tais finais clássicos podem ser examinados criticamente. O que aconteceria se as Brancas jogassem 2.a4 como resposta a 2... Txb2 com 3.a5? Um final semelhante aconteceu dois anos depois entre Sanz e Ortueta, em Madri, com leves diferenças na posição dos Peões na ala do Rei. Nós concluímos a nossa breve introdução às peculiaridades das estruturas de Peão com este exemplo. Você encontrará uma descrição mais detalhada dos termos, regras e exceções mencionados nesta lição em manuais de xadrez. Gostaria de recomendar aos principiantes que se atenham aos princípios comuns de estabelecer e consolidar uma estrutura de Peões evitando enfraquecê-la tanto quanto possível. Os enxadristas experientes podem usar das exceções. É a capacidade de avaliar quando tais exceções se aplicam que em grande medida toma o xadrez tão belo e cheio de surpresas.
  34. 34. 34 LIÇÃO 7 Dinamismo e Iniciativa As regras do xadrez são semelhantes às de qualquer outro esporte. E não se aplicam apenas aos esportes: aqueles que são mais ativos, habilidosos e criativos é que têm sucesso. O que é então o dinamismo no jogo de xadrez? Na minha opinião, dinamismo é o fortalecimento da própria posição a cada lance e as ameaças colocadas sobre as peças inimigas. Para que os lances sejam bem- sucedidos é preciso que sejam adequados à estratégia do jogo e baseados em fundamentos táticos sólidos. Um enxadrista com a reputação de ser um indivíduo enérgico tenta impor o seu próprio estilo ao adversário, forçando-o a lidar com vários problemas. Para ilustrar estes princípios, vamos analisar uma partida disputada pelo então campeão mundial, Anatoly Karpov. A. Karpov -I. Dorfman Moscou 1976 1.e4 e5 2.Cf3 d6 3.d4 cd 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 e6 6.g4 Be7 7.g5 Cfd7 8.h4 Alguns dos resultados da abertura são óbvios: as Brancas limitaram as peças adversárias na ala do Rei às duas últimas fileiras, com o Cavalo na casa d7 bloqueando o Bispo na casa c8 e até a própria Dama, parcialmente. 8... Cc6 9.Be3 a6 10.De2!? Veja o diagrama a seguir. É uma idéia interessante e ativa, que leva a uma disposição
  35. 35. 35 !""""""""# çt+vWl+ T% æ+o+mVoOo% åo+mOo+ +% ä+ + + P % ã + Np+ P% â+ N B + % ápPp+qP +% àR + Kb+r% /èéêëìíîï) equilibrada de peças. Karpov coloca a sua Dama na coluna do Rei de modo que a mesma não fique na frente da Torre na casa d1 e ao mesmo tempo contribua para criar ameaças de combinações. A Dama não bloqueia o Bispo na casa f1 que pode ir para h3 e jogar Bxe6 posteriormente. Conforme você pode ver, o lance das Brancas é eficiente e pressiona as Pretas. 10... Dc7 11 O-O-O b5 A resposta adversária é forçada. As Pretas são empurradas para trás e tentam encontrar algum jeito de impedir que as Brancas executem algum lance decisivo. Mas o jogo já vai adiantado e o último movimento das Pretas tem mais a ver com desespero que com uma ação justificável. 12.Cxc6 Dxc6 13.Bd4! Esta jogada é muito desagradável para as Pretas, porque o lance natural 13... O-O irá levar logo à derrota devido ao ataque por parte dos Peões Brancos, ao passo que 13... e5 cria um ponto fraco na estrutura Preta na casa d5. 13... b4 !""""""""# çt+v+l+ T% æ+ +mVoOo% åo+wOo+ +% ä+ + + P % ã O Bp+ P% â+ N + + % ápPp+qP +% à+ Kr+b+r% /èéêëìíîï) As Pretas tentam forçar a saída do Cavalo de uma posição de controle da casa d5. Elas jogam de modo lógico, mas sua estratégia carece de um embasamento sólido e as suas peças estão mal posicionadas. Como podem as Brancas explorar estas fraquezas? 14.Cd5! Este é um lance extremamente eficaz já que o Bispo na casa d4 se torna mais forte e a Dama Branca entra no combate, para a surpresa das Pretas.
  36. 36. 36 14... ed 15.Bxg71 Tg8 16.ed Dc7 17.Bf6 As Brancas ganharam dois Peões em troca do Cavalo e boas perspectivas de ataque contra o Rei inimigo que fica preso no meio do tabuleiro. 17... Ce5! É o único jeito de resistir. Uma vez que há a ameaça de 18... Bg4 as Brancas não têm tempo para jogar 18.f4. As Pretas têm que procurar reduzir o potencial de ataque das Brancas. 18.Bxe5 de 19.f4 Agora um ataque de Peões substitui o ataque das peças. As Pretas não têm como evitar que as Brancas conectem os seus Peões pois após 17... e4 seguir-se-ia a seqüência vencedora 18.d6 Bxd6 19.Dxe4+ etc. 19... Bf5 !""""""""# çt+ +l+t+% æ+ W Vo+o% åo+ + + +% ä+ +pOvP % ã O + P P% â+ + + + % ápPp+q+ +% à+ Kr+b+r% /èéêëìíîï) 20.Bh3 O desejo de restringir o contra-jogo do adversário é típico do estilo do campeão do mundo. As Brancas poderiam ter jogado 20.fe sem correr o risco de 20... Tc8 por causa de 21.Th2 Da5 22.Dxa6 Dxa6 23.Bxa6. Karpov decide-se por trocar os Bispos de casas Brancas eliminando assim qualquer risco à casa c2. 20... Bxh3 21.Txh3 Tc8 22.fe Na minha opinião, 22.b3 e4 23.Dxe4 Tf8 24.f5 seria melhor, porque assim a Dama Preta não poderia entrar no jogo. 22... Dc4! As Pretas põem sua Dama em uma posição ativa e o equilíbrio parece alterar-se. 23.Tdd3 Manobras de Torre ao longo da terceira fila também fazem parte das táticas preferidas do campeão. Neste caso, este lance não só precede a troca de Damas como também serve ao propósito de melhorar a coordenação das peças Brancas. A coordenação das peças é um fator muito importante que de fato define a força de um jogador de xadrez. A habilidade de coordenar a movimentação de cada uma das peças e de
  37. 37. 37 cada Peão de modo que eles hajam em conjunto e sob um único plano, ao mesmo tempo em que se protegem mutuamente, é uma grande arte. Aqui novamente ambas as Torres na terceira fileira estão prontas a apoiar o progresso dos Peões centrais, ao passo que a Dama protege a casa c2 e está pronta para apoiar as Torres. A dupla de Peões (d5, e5), protegida por suas próprias peças, é muito poderosa. Estes Peões podem forçar o adversário para a última fileira e desorganizar as suas ações. 23... Df4+ Esta parece ser a melhor resposta. Se 23... Dxa2 24.d6. 24.Rbl Tc4! 25.d6 Te4! !""""""""# ç + +l+t+% æ+ + Vo+o% åo+ P + +% ä+ + P P % ã O +tW P% â+ +r+ +r% ápPp+q+ +% à+k+ + + % /èéêëìíîï) 26.The3 As Brancas têm de trocar outro par de peças, abandonando qualquer esperança de explorar a localização desfavorável do Rei e da Torre das Pretas. A falta de coordenação das peças do adversário é resultado do mau posicionamento da Torre na casa g8 e da limitação da sua mobilidade. 26... Txe3 27.Txe3 Dxh4 O contra-sacrifício 27... Txg5 28.hg Bxg5 seria ineficaz por causa da má localização do Rei: 29.d7+ Td8 30.Dxa6 Dxe3 31.Dc8+ Re7 32.De8 mate. 28.Df3! Os Peões Brancos dividem as forças das Pretas em duas partes e não há uma defesa adequada às ameaças de Dc6+ ou Da8+. Um Peão defendido, que penetre fundo na posição do adversário ou a conquista de um posto avançado similar, desorganiza as forças do adversário e divide em duas unidades mais fracas. 28... Dxg5 29.Te1 Dg2?! 30.Df5 Tg6 31.Tf1 Dd5 32.de Rxe7 33.Df4! As Brancas recuperaram a peça e mantiveram o ataque. O pequeno número de peças restantes só melhora, ligeiramente, as chances
  38. 38. 38 de sobrevivência das Pretas. Quando somente restam algumas poucas peças no ataque tudo depende da força das defesas do Rei. Neste caso o Rei Preto não tem praticamente defesa alguma e tudo o que as Brancas precisam é de precisão no ataque, o que não falta ao campeão mundial de então. !""""""""# ç + + + +% æ+ + Lo+o% åo+ + +t+% ä+ +wP + % ã O + Q +% â+ + + + % ápPp+ + +% à+k+ +r+ % /èéêëìíîï) 33... a5 34.Dh4+ Re8 35.Dxh7+ Df3 36.Dh8+ Re7 37.Dh4+ Re8 38.Dc4! Db7 39.b3 Te6 40.Tg1! Txe5 41.Tg8+ Re7 42.Dh4+ Rd7 43.Df6+ Te7 44.Df5+ Rd6 45.Dxa5 Te5 46.Dd8+ Re6 47.Rb2! f6 48.Tf8 Dg7 49.Dc8+ Rd5 50.Dc4+ E as Pretas abandonam. Portanto, tente ser enérgico e você poderá realmente gozar dos benefícios. Deixe as suas peças interagirem bem, e ajudarem-se mutuamente. Assim você experimentará os louros da vitória com mais freqüência que a amargura da derrota.
  39. 39. 39 LIÇÃO 8 Evitando Desastres na Abertura Tendo aprendido as noções básicas do jogo, o jogador irá perceber que os lances da abertura, quando quase todas as peças ainda estão no tabuleiro, freqüentemente determinam o desenrolar da partida e em alguns casos o seu final. É comum que um enxadrista, que tenha dominado todos os fundamentos e observado ataques brilhantes jogados por Grandes Mestres, tenha que passar toda a partida em uma defesa monótona, tentando consertar fraquezas na sua posição que se originaram na abertura, mas com pouco sucesso. Este é o resultado de um fraco conhecimento da teoria das aberturas e de uma carência de habilidades básicas para se jogar a primeira etapa de uma partida. Uma partida de xadrez é, de certo modo, semelhante a uma confrontação militar onde, como se sabe, em muito depende não somente da capacitação técnica e dos equipamentos das tropas, mas também da capacidade dos comandantes de antever o desenvolvimento da batalha e posicionar suas forças de modo a engajar as mesmas nos momentos e na ordem mais favoráveis. É por isto que cada jogador que controla a movimentação dos seus exércitos de madeira deveria conhecer os princípios básicos da abertura. É bem sabido que qualquer partida de xadrez pode ser anotada e preservada para a posteridade. Um enorme número de partidas foi escrito ao longo da história do xadrez, e a sua análise ajudou a desenvolver todas as nuances da estratégia das aberturas. Eu não pretendo abordar todas as aberturas e as suas características, o que seria ama tarefa impossível em face da abundância de informações. Eu vou limitar-me
  40. 40. 40 a descrever alguns princípios gerais a serem seguidos e como evitar um desastre. O Primeiro Princípio A abertura é ganha pelo jogador que desenvolve as peças mais rapidamente. Esta é uma regra básica e é muito importante aplicá-la corretamente. Vamos analisar um exemplo simples: 1.e3 e5 2.Bc4 Cc6 3.Df3 Cc5 4.Dxf7 mate !""""""""# çt+vWl+mT% æOoOo+qOo% å +m+ + +% ä+ V O + % ã +b+ + +% â+ + P + % ápPpP PpP% àRnB K Nr% /èéêëìíîï) Parece que as Brancas fizeram tudo corretamente - desenvolveram duas peças e deram xeque-mate. Ainda assim, esta linha de jogo merece críticas. O primeiro movimento é fraco. Nós dissemos, em uma das nossas lições anteriores, o quão importante ocupar o centro do tabuleiro com os próprios Peões. Isto tem de ser feito na abertura, de modo a posicionar as peças do modo mais favorável. É por isso que o lance e4 é mais forte e mais lógico que o lance e3. Eu quero reforçar mais uma vez o que disse, que é importante tentar dominar as casas com Peões, especialmente as casas centrais. O segundo lance das Brancas (2.Bc4) não é tão fácil de se contestar, embora ele não tenha tantos méritos. A experiência das gerações anteriores nos indica o melhor método para desenvolvermos nossas peças: primeiro avançar os Peões para o centro, depois mover os Cavalos, seguidos dos Bispos e só então as peças mais fortes - as Torres e a Dama. No nosso exemplo o Bispo saltou direto para uma posição importante, mas sem atentar para as conseqüências de um possível lance 2... d5 das Pretas, em que elas obteriam um forte Peão central e forçariam o Bispo Branco a recuar para posições inferiores, tais como d3, e2, b5 ou b3. O xadrez é um jogo de lógica, e uma combinação de jogadas tímidas como 1.e3 e agressivas como 2.Bc4 não faz nenhum sentido e como tal merece ser castigada.
  41. 41. 41 As Pretas retrucaram 2... cc6, que deve ser encarado como um lance regular, não sendo de modo algum o mais forte possível, dada a situação. É verdade que o lance 2... Cc6 está de acordo com os princípios de desenvolver rapidamente as peças, mas ele não cria problemas para as Brancas, o que seria o caso do lance 2... d5!. O terceiro lance Branco 3.Df3 parece eficiente, mas um enxadrista experiente não o teria executado; mais até, ele nem mesmo o consideraria. Se as Pretas reagissem corretamente com 3... Cf6! a jogada da Dama Branca teria sido em vão. E além disso a Dama Branca ao ocupar a casa f3 priva o Cavalo do Rei de uma boa casa para agir, deixando ao mesmo nenhuma escolha senão ocupar um papel passivo na casa e2 ou mover-se para h3, para longe do combate no centro. A peça mais poderosa do jogo, a Dama, não deve entrar na batalha de modo apressado, sob o risco de ser caçada pelas peças menores do adversário, com ganho de tempo. Com relação à jogada das Pretas 3... Bc5??, ela é lógica apenas sob uma ótica formal (as Pretas desenvolvem uma segunda peça na seqüência correta), pois ela perde a partida. O fato é que as Pretas não levaram em conta a ameaça real representada pelo adversário. Você pode ver o quanto se pode aprender a partir da análise de uma partida muito breve e cheia de erros mútuos. Nós ilustraremos o primeiro princípio o do desenvolvimento rápido das peças, com uma partida disputada há mais de um século. J. Schulten - E Morphy Nova York 1857 1.e4 e5 2.f4 Esta é uma abertura antiga e romântica, que recebeu um belo nome, "O Gambito do Rei". Ela em geral define o jogo através de um rápido avanço das peças. A teoria moderna crê que a melhor defesa aqui é um contra-ataque, o que foi claramente demonstrado pelo talentoso jogador americano Paul Morphy. 2... d5! 3.ed e4! Tomar quaisquer dos Peões não seria bom, as Pretas tentam ganhar tempo e desenvolver as suas peças colocando-as nas casas planejadas.
  42. 42. 42 4.Cc3 Cf6 5.d3 Bb4 6.Bd2 Após 6.de Cxe4 7.Dd4 De7 8.Be2 O-O 9.Bd2 Cxd2 10.Dxd2 Bxg4, seria fácil para as Brancas ativarem suas peças. 6... e3! !""""""""# çtMvWl+ T% æOoO +oOo% å + + M +% ä+ +p+ + % ã V + P +% â+ NpO + % ápPpB +pP% àR +qKbNr% /èéêëìíîï) Trata-se de um sacrifício de Peão ousado e com vistas ao desenvolvimento futuro, já que a Torre irá ocupar a coluna do Rei após o roque. 7.Bxe3 O-O 8.Bd2 Bxc3 9.bc Te8+ 10.Be2 Bg4 11.c4? Podemos dizer, com um grau de confiança razoável, que esta jogada é particularmente prejudicial às Brancas. Seria preferível livrar-se da clavada na coluna do Rei, de preferência com 11.Rf2. Mas as Brancas desejam manter um Peão a mais no centro. 11... c6! 12.dc?! Ainda não era tarde para jogar 12.Rf2 ou l2.h3. Ainda com uma vantagem material, as Brancas permitem que o seu adversário desenvolva o Cavalo da casa b8 com muita eficácia, e aí a vantagem das Pretas se toma esmagadora, na parte mais importante do tabuleiro. 12... Cxc6 !""""""""# çt+ Wt+l+% æOo+ +oOo% å +m+ M +% ä+ + + + % ã +p+ Pv+% â+ +p+ + % áp+pBb+pP% àR +qK Nr% /èéêëìíîï) 13.Rf1 É difícil dar bons conselhos para as Brancas. 13.Bc3 Cd4 14.Bxd4 Dxd4 15.g3 pode ser retrucado com 15.Txe2+ 16.Cxe2 Te8 com um ataque decisivo. Parece que após 12.dc?! não há defesa para as Brancas. 13... Txe2! 14.Cxe2 Cd4
  43. 43. 43 Toda a ação se passa na coluna do Rei, onde a clavada vertical tem um papel decisivo. Pois de fato as ameaças colocadas sobre esta coluna forçaram as Brancas a atrasar a retirada do seu Rei da clavada. Agora segue-se uma nova pequena combinação, transformando a clavada vertical em uma ainda mais perigosa, diagonal. 15.Db1 Bxe2+ 16.Rf2 Cg4+ 17.Rg1 !""""""""# çt+ W +l+% æOo+ +oOo% å + + + +% ä+ + + + % ã +pM Pm+% â+ +p+ + % áp+pBv+pP% àRq+ + Kr% /èéêëìíîï) O Rei começa a correr para todos os lados sentindo a iminência do desastre. Eu recomendaria, a todos os que querem desenvolver as suas habilidades de ataque, a deixar este livro de lado por uns 20 ou 30 minutos e tentar achar sozinhos uma vitória rápida para as Pretas, só então retornando ao livro e comparando a sua decisão com a que foi tomada por Paul Morphy. 17... Cf3+ 18.gf Dd4+ 19.Rg2 Df2+ 20.Rh3 Dxf3+ 21.Rh4 Ce3 22.Thg1 Cf5+ 23.Rg5 Dh5 mate. Continuaremos a estudar os princípios das aberturas no próximo capítulo.
  44. 44. 44 LIÇÃO 9 Negligenciando os Princípios da Abertura Na última lição aprendemos que o domínio do centro e o rápido desenvolvimento das peças em larga escala determinam o resultado do combate na abertura; especialmente quando a partida é jogada por enxadristas experientes. Antes de prosseguir com a teoria das aberturas, vamos analisar alguns erros que são freqüentemente cometidos por jogadores inexperientes nos estágios iniciais da partida. Em primeiro lugar, é importante lembrar que os pontos mais vulneráveis na ala do Rei são aqueles que só contam com a proteção do mesmo. Na posição inicial tais pontos são os Peões nas casas f2 e f7. Após o roque, tais pontos são os Peões nas casas h2, g2, h7 e g7. A proteção destas casas deve ser uma preocupação primordial. A experiência mostra que, geralmente, é nestas casas que ocorrem desastres, mesmo nos sistemas de abertura mais sofisticados. Vamos analisar uma posição que ocorre na antiga e romântica Abertura Italiana: 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5 4.c3 Bf6 5.d4 ed 6.cd Bb4+ 7.Cc3! Em vez de jogar um cauteloso 7.Bd2, as Brancas decidem sacrificar dois Peões e uma Torre em troca do desenvolvimento rápido das suas peças - um artifício típico de jogadores de estilo agressivo. Os métodos modernos de luta na abertura não recomendam os próximos lances das Pretas, mas é preciso ter em mente que esta partida ocorreu um século atrás, quando ninguém duvidava
  45. 45. 45 do princípio de que “qualquer sacrifício deve ser aceito”. 7... Cxe4 8.O-O Cxc3 9.bc Bxc3? !""""""""# çt+vWl+ T% æOoOo+oOo% å +m+ + +% ä+ + + + % ã +bP + +% â+ V +n+ % áp+ + PpP% àR Bq+rK % /èéêëìíîï) As Pretas tomaram dois Peões adversários mas ficaram para trás quanto ao desenvolvimento. O castigo por tais violações das regras de uma boa abertura vem em geral de forma rápida e selvagem. Esta velha análise é uma boa amostra das conseqüências desastrosas da “ganância” na abertura. Ainda assim você não deve imaginar que esta partida somente tem valor histórico. É uma situação freqüente em simultâneas. Não se distraia capturando todos os Peões do inimigo em detrimento da mobilização das suas próprias forças. 10.Db3 Bxa1 As Pretas mantêm-se consistentes em seu desejo de ganhar tanto material quanto possível e perdem a última oportunidade de retirar o Rei do centro. A chance era: 10... d5 11.Bxd5 O-O. 11.Bxf7+ Rf8 12.Bg5 Ce7 13.Ce5! !""""""""# çt+vW L T% æOoOoMbOo% å + + + +% ä+ + N B % ã + P + +% â+q+ + + % áp+ + PpP% àV + +rK % /èéêëìíîï) É chegada a hora das Pretas pagarem por terem ignorado o desenvolvimento de suas peças e saído devorando Peões na abertura. Neste caso, o desastre deu-se na casa f7. As Pretas perdem, não importa o quanto tentem defender-se. Por exemplo: 13... Bxd4 14.Bg6 d5 15.Rf3+ Bf5 16.Bxf5 Bxe5 17.Be6+ Bf6 18.Bxf6 gf 19.Dxf6+ Re8 20.Df7 mate. (novamente a casa 17). Além de perseguir Peões, outro erro típico de muitos enxadristas é demorar para retirar o Rei do centro. Na prática dos mestres, há muitas partidas onde ambos os Reis permanecem no centro e sobrevivem,
  46. 46. 46 mas tratam-se de exceções à regra e ainda assim são baseadas em um conhecimento profundo da situação e em habilidades defensivas. Os principiantes e aqueles que não têm tanta experiência devem fazer o roque na primeira oportunidade. Ao permanecer sem rocar, o Rei pode ser atraído para o centro do tabuleiro através de sacrifícios e aí o desastre se torna iminente. Y. Vasyukov - B. Lebedev Moscou 1960 1.e4 e5 2.Cf3 d6 3.d4 Cd7 O desenvolvimento, não muito sofisticado, das Pretas é muito freqüente em partidas de amadores. A idéia perfeitamente válida de fortalecer o posto avançado, representado pela casa e5, no centro, é executada de um modo meio esquisito, que acaba por bloquear o Bispo da casa c8. 4.Bc4 h6 É uma decisão dúbia. Em vez de desenvolver suas peças (com 4... Be7, por exemplo), as Pretas, que planejam colocar seu Cavalo na casa e6, perdem tempo impedindo a ida do Cavalo das Brancas para g5. Mas ainda assim, para demonstrar a impropriedade da estratégia das Pretas na abertura, as Brancas tiveram que jogar de modo criativo e vigoroso. 5.de de Após 5... Cxe5 6.Cxe5 de 7.Bxf7+! as Pretas estariam perdidas. 6.Bxf7! O primeiro golpe recai no ponto mais vulnerável. 6... Rxf7 7.Cxe5+ Rf6 Qualquer outra coisa só apressada o desfecho. 8.Cc3! !""""""""# çt+vW VmT% æOoOm+ O % å + + L O% ä+ + N + % ã + +p+ +% â+ N + + % ápPp+ PpP% àR BqK +r% /èéêëìíîï) Para trazer o Rei Preto para fora as Brancas sacrificaram um Cavalo. As ameaças de 9.Cd5+ e 9.Dd4 só podem ser evitadas de um único modo, porque qualquer continuação diversa não salva as Pretas. Por exemplo:
  47. 47. 47 8... c6 9.Df3+ Rxe5 10.Df5+ Rd6 11.Bf4+ Ce5 12.Dxe5+ Rd7 13.Td1+ ou 8... Bc5 9.Df3+ Rxe5 10.Df5+ Rd6 11.Bf4+ Re7 12.Cd5+ Re8 13.Cxc7+ ou 8... De8 9.Cd5+ Bxe5 10.Bf4+ Re6 11.Cc7+. 8... Rxe5 A caminhada de e8 para e5 foi curta, e o mesmo pode ser válido quanto ao retomo, por isso as Brancas têm de atacar sem demora. 9.Dh5+ g5 As Pretas tentam usar o Peão para bloquear a Dama. O enfraquecimento destes Peões não é muito importante aqui porque a própria “caminhada” do Rei está cheia de perigos: 9... Re6 10.Df5+ Re7 11.Cd5+ Cd6 12.Bf4+ Rc6 13.De6+ Bd6 14.Cb4+ etc. 10.Bxg5! !""""""""# çt+vW VmT% æOoOm+ + % å + + + O% ä+ + L Bq% ã + +p+ +% â+ N + + % ápPp+ PpP% àR + K +r% /èéêëìíîï) Um toque brilhante. A 10... Dxg5 seguir-se-ia 11.f4+! Rxf4 12.O-O+ Re5 (12... Re3 13.Tad1! Dxh5 14.Td3 mate.) 13.Tf5+ Rxf5 14.Dxf5+ Rd6 15.Td1+ Re7 16.Cd5+ Rd8 17.Cb6! cb 18.Dxf8+ Rc7 19.Dg7, ganhando. As Pretas tentam agora safar- se entregando uma Torre. 10... hg 11.f4+! Re6 12.f5+ Re7 13.Cd5+ Rd6 14.Dxh8 Cgf6 15.O-O-O Rc6 16.The1 b6 17.Cb4+ Bxb4! As Pretas encontram um engenhoso modo de complicar o combate sacrificando a Dama. A resposta para 17... Bb7 seria 18.e5. 18.Dxd8 Bb7 !""""""""# çt+ Q + +% æOvOm+ + % å Ol+ M +% ä+ + +pO % ã V +p+ +% â+ + + + % ápPp+ +pP% à+ KrR + % /èéêëìíîï) Uma idéia diabólica! A Dama Branca acaba encurralada prestes a perecer Mas o xadrez é um jogo
  48. 48. 48 lógico, e não parece que as Brancas possam perder após conquistarem tanta vantagem. E de fato as Brancas têm um trunfo. 19.Txd7 Cxd7 Seria mais vantajoso para as Brancas o lance 19 ... Txd8 20.Txd8 Bxe1 21.e5! Cg4 22.e6 Bb4 23.Td4. 20.Dxg5 Bxe1 21.De3! !""""""""# çt+ + + +% æOvOm+ + % å Ol+ + +% ä+ + +p+ % ã + +p+ +% â+ + Q + % ápPp+ +pP% à+ K V + % /èéêëìíîï) Agora a situação está clara. O Bispo das Pretas está perdido, pois a 21... Bb4 ou 21... Ba5 segue-se 22.Dd4! 21... Bh4 22.Dh6+ Bf6 23.e5 Tf8 24.ef Txf6 O combate está praticamente terminado. Não há como conter os Peões Brancos da ala do Rei, apoiados como estão pela Dama. 25.Df4 Bc8 26.g4 C5 27.b4 Cb7 28.De4+ Rd7 29.Dd4+ Td6 30.Dg7+ Rc6 31.f6 Cd8 32.f7 Cxf7 33.Dxf7 Be6 34.De8+ Rd5 35.Da8+ Re5 36.Dxa7 Tc6 37.Da4 Tc4 38.Db5+ Rf4 39.g5 c6 40.Dxb6 E as Pretas abandonam. Para confirmar a tese exposta acima, eu gostaria de oferecer uma partida elegante e instrutiva, disputada no século passado, para uma análise independente por parte dos leitores. M. Chigorin - S. Alapin St. Petersburg 1883 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5 4.b4 Bxb4 5.c3 Ba5 6.O-O Cf6 7.d4 O-O 8.de Cxe4 9.Bd5! Bxc3 10.Bxe4! Bxa1
  49. 49. 49 !""""""""# çt+vW Tl+% æOoOo+oOo% å +m+ + +% ä+ + P + % ã + +b+ +% â+ + +n+ % áp+ + PpP% àVnBq+rK % /èéêëìíîï) 11.Bxh7+ Um sacrifício de Bispo exatamente no ponto mais vulnerável. Como você pode ver, o Rei está melhor posicionado na casa g8 do que na casa e8, mas ainda assim ele não está 100% seguro. 11... Rh8 Após 11... Rxh7 as Brancas vencem com 12.Cg5+ Rg6 13.Dg4 f5 14.ef Ce5 15.Dg3! Rxf6 16.f4 Re7 17.Te1 d6 18.Cc3! 12.Cg5 g6 13.Dg4 Bxe5 14.Dh4 Rg7 15.Ce6+! fe 16.Dh6+ Rf7 17.Bxg6+ Re7 18.Dh4+! Tf6 19.Ba3+! d6 20.Dh7+ Rf8 21.Dh8+ Re7 22.Dg7+ Tf7 23.Dxf7 mate.
  50. 50. 50 LIÇÃO 10 O Objetivo da Abertura Nas duas lições anteriores nós nos voltamos para os erros mais comuns, cometidos por jogadores inexperientes, nos estágios iniciais da partida. Tendo visto como não jogar uma abertura, vamos agora tentar descobrir o que deve ser feito para conquistar uma boa posição desde o início. Praticamente todas as instruções a este respeito estão presentes na lição 8, onde foi explicado o Primeiro Princípio para o combate na abertura. Este princípio define os fatores mais importantes do desenvolvimento, que são válidos independentemente de como esta abertura se desenvolve. É preciso lembrar-se que se deve liberar as peças para assegurar uma vantagem definitiva no meio-jogo, que é onde os eventos principais acontecem. Ao desenvolver as suas peças é importante, especialmente para os menos experientes, manter uma harmonia, isto é, deixar espaço pata manobrar, sem amontoar as peças, e ao mesmo tempo tentar dificultar que o adversário faça o mesmo. Não importa qual seja a abertura, os melhores lances para cada lado estão sempre subordinados a uma meta - a luta pelo centro. As Brancas, tendo a vantagem do primeiro lance, podem atingir o seu objetivo mais rápido que as Pretas, que fazem o possível para atrapalhá- las. Examine !""""""""# çt+vTmVmT% æOoOo+oOo% å +m+ + +% ä+b+ O + % ã + +p+ +% â+ + +n+ % ápPpP PpP% àRnBqK +r% /èéêëìíîï)
  51. 51. 51 os primeiros lances de dois dos mais complexos sistemas da teoria moderna, a Abertura Ruy Lopez (1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5) !""""""""# çtMvWl+ T% æOoOo+oOo% å + +oM +% ä+ + + + % ã VpP + +% â+ N + + % ápP +pPpP% àR BqKbNr% /èéêëìíîï) e a Defesa Nizmo Ìndia (1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4). Está evidente que, desde o início, a luta se dá em tomo das casas centrais, e5 e e4, respectivamente. Isto é natural, já que o domínio do centro (significando não apenas a sua ocupação por Peões mas também o seu controle por peças) permite o estabelecimento de um ponto forte de onde operar no meio-jogo. Vamos tentar ilustrar isto com uma partida bastante elementar: 1.e4 e5 2.f4 Cc6 3.Cf3 ef 4.d4 d6 5.Bxf4 Cf6 6.Cc3 Be7 7.Be2 O-O 8.O-O !""""""""# çt+vW Tl+% æOoO VoOo% å +mO M +% ä+ + + + % ã + PpB +% â+ N +n+ % ápPp+b+pP% àR +q+rK % /èéêëìíîï) Este é, aliás, o modo pelo qual as partidas entre principiantes ou em partidas simultâneas costumam começar. Ambos os lados parecem ter mantido o ritmo de desenvolvimento, mas as Brancas estão claramente mais desenvolvidas, com um forte centro de Peões e espaço para manobrar. É claro que a posição das Pretas não está nem perto de perdida, mas por que comportar-se passivamente desde o início? Nós não vamos recomendar aqui nenhuma abertura, mas considerando a grande popularidade do gambito do Rei, entre jogadores inexperientes, nós talvez devêssemos examinar os métodos por trás da mesma. 1.e4 e5 2.f4 ef 3.Cf3 d6 4.d4 g5 5.Bc4 Bg7 6.O-O h6
  52. 52. 52 !""""""""# çtMvWl+mT% æOoO +oV % å + O + O% ä+ + + O % ã +bPpO +% â+ + +n+ % ápPp+ +pP% àRnBq+rK % /èéêëìíîï) As Pretas ganharam um Peão que pode ser mantido com segurança, e ao mesmo tempo não negligenciaram o desenvolvimento. 1.e4 e5 2.f4 d5 3.ed e4 4.d3 Cf6 !""""""""# çtMvWlV T% æOoO +oOo% å + + M +% ä+ +p+ + % ã + +oP +% â+ +p+ + % ápPp+ +pP% àRnBqKbNr% /èéêëìíîï) Esta é uma tentativa de contra- ataque que guarda muitos perigos, para ambos os lados, e exige um bom conhecimento de muitas variantes. Do exemplo que se segue, tirado de uma partida entre Grandes Mestres, podemos ver como a negligência dos princípios do desenvolvimento na abertura levou as Brancas ao desastre rapidamente. E. Bogoljubow –M. Botvinnik Nottingham 1936 1.d4 Cf6 2.Cf3 b6 3.e3 Basicamente as Brancas estão se recusando a lutar ativamente pelo centro. As tentativas de se garantir uma vantagem na abertura envolvem, em geral, os lances c4 ou Cc3. (Compare com a partida Kasparov-Gheorghiu na lição 2.) 3... Bb7 4.c4 c5 5.Cc3 cd 6.ed e6 7.Bd3 Be7 8.O-O O-O? 9.b3? Um momento instrutivo. As Brancas, na ânsia de desenvolverem suas peças, não pesaram os problemas das Pretas e não viram o lance 9.d5!, que tornaria impossível o desenvolvimento tranqüilo das peças adversárias. O que digo é que a continuação 9... ed 10.cd Cxd5 11.Cxd5 Bxd5 12.Bxh7+ Rxh7 13.Dxd5
  53. 53. 53 !""""""""# çtM W Tl+% æO +oVoOo% å O +oM +% ä+ + + + % ã +pP + +% â+pNb+n+ % áp+ + PpP% àR Bq+rK % /èéêëìíîï) é claramente vantajosa para as Brancas, e portanto as Pretas teriam que fazer concessões pela existência do Peão Branco na casa d5, o que restringe a sua posição. 9... d5 10.Be3! Aqui é preciso dizer claramente que este lance é do tipo “vamos ver no que dá”. O Bispo na casa e3 foi colocado da forma mais desajeitada possível, já que atrapalha as peças Brancas e as impedem de controlar a importante casa e4, para onde o Cavalo das Pretas irá em breve. A partir do que vinha jogando, as Brancas deveriam prosseguir com Bb2 e De2, e então, dependendo do que acontecesse, jogar Tac1 e Tfd1 ou Tad1 e Tfe1. As Brancas teriam então mais liberdade e poderiam encarar o desenrolar do jogo com confiança. 10... Ce4 11.Tac1 Cd7 12.De2 Ao continuar a jogar de modo descuidado, permitindo o desenvolvimento das Pretas, as Brancas perderam agora a sua última chance de contestar o domínio das Pretas no centro, com 12.cd ed. 12... Tc8 Agora a troca cd não é mais possível. 13.Tfd1 f5 !""""""""# ç +tW Tl+% æOv+mV Oo% å O +o+ +% ä+ +o+o+ % ã +pPm+ +% â+pNbBn+ % áp+ +qPpP% à+ Rr+ K % /èéêëìíîï) As Pretas consolidaram a posição do seu Cavalo no centro. Agora está claro que as Brancas estão em sérios apuros. Em primeiro lugar, as Pretas prevalecem no centro. Além disso, a fraqueza das Brancas nas casas pretas da ala da Dama está começando a vir à tona. E lembramos que tudo isto poderia ser evitado se as Brancas tivessem colocado seu Bispo na
  54. 54. 54 casa b2 – o lugar mais natural para o mesmo nesta posição! Este é um exemplo claro de como a má colocação de uma única peça pode afetar a solidez de uma posição inteira. 14.Bf4? As Brancas tentam controlar a casa e5 tarde demais (e no momento errado!). Teria sido mais sábio passar à defesa e tentar simplificar a posição através de uma série de trocas: 14.Cb1, seguido de cd e Txc8. 14... g5! Valendo-se da cobertura do seu Cavalo na casa e4, as Pretas deslancham o ataque decisivo, sem se preocuparem com o enfraquecimento da posição do Rei. 15.Be5 Uma maior resistência seria com o lance 15.Be3, mas como as Brancas poderiam fazer um lance deste? !""""""""# ç +t+ Tl+% æOvW V +o% å O +o+ +% ä+ + Po+ % ã +p+o+o+% â+pN + + % áp+ +qPpP% à+ RrN K % /èéêëìíîï) 15... g4 16.Ce1 Cxe5 17.Bxe4 de 18.de Dc7 A luta acabou. O Peão na casa e5 vai seguir em frente e o forte par de Peões central das Pretas, apoiado pelo par de Bispos, vai forçar em breve as Brancas a abandonar. 19.Cb5 Dxe5 20.Td7 Bg5! Um fecho de ouro para o final – o Bispo escapa do perigo e ganha um tempo. 21.Tcd1 Bc6 22.Txa7 Tcd8 E agora além de tudo as Pretas obtêm o controle da coluna da Dama. A partida terminou assim: 23.h4 Txd1 24.Dxd1 Td8 25.Dc2 Bd2 E as Brancas abandonaram. As Brancas não poderiam defender-se dos lances ... Ra1 e ... e3 ao mesmo tempo. Este pode ser um bom momento para citar uma análise de Mikhail Botvinnik de uma outra partida disputada entre ele e o Mestre Alexander Sokolsky nas semifinais do campeonato soviético de 1938: “... e o controle das casas centrais passa gradativamente para as Pretas. Aos poucos se torna claro
  55. 55. 55 que as Brancas não têm nenhum plano de jogo e estão meramente preocupadas com o 'desenvolvimento'. Talvez alguém pudesse safar- se jogando assim na virada do século, mas hoje, quando todos os mestres começam a estabelecer planos para o meio-jogo, a partir do sexto ou oitavo lance, não há forma melhor de acabar em uma posição restringida do que buscar apenas o desenvolvimento." Botvinnik fala aqui da visão dos experts, e por isso seria no mínimo frívolo da minha parte exigir dos leitores tamanha compreensão e análise de uma posição. Mas acho que a análise deste ex-campeão mundial pode ser tomada como um axioma válido para qualquer pessoa que jogue xadrez. Lembre-se dele e tente ainda na abertura valer-se de qualquer chance para planejar mais ou menos como você quer que a partida prossiga.
  56. 56. 56 LIÇÃO 11 A Escolha da Abertura Tendo estudado as lições anteriores você arruma as peças e pensa sobre qual será o seu primeiro lance. Não se apresse em ler um manual de aberturas – este só irá afastá-lo do caminho correto. Vamos tentar fazer uma escolha juntos. Em primeiro lugar, lembre-se de que não existe nenhum lance que possa ser considerado "o melhor" ou "o mais forte" a partir da posição inicial. Há vários lances que atendem aos princípios de desenvolvimento na abertura, e você deve fazer uma escolha baseando-se no seu gosto, no seu conhecimento e na sua experiência. Eu sugiro que você comece o jogo avançando um dos Peões centrais. Antes de me tornar um Grande Mestre eu costumava iniciar com 1.e4! Este lance me evocava imagens de cavalheirismo galante e prontidão para o combate. O Peão Branco na casa e4 controla a importante casa d5, e espera por reforços na casa d4. Como você pode ver, as metas das Brancas são bem claras e diretas, e por isso é natural que as aberturas que se iniciam por 1.e4 sejam chamadas de "abertas" ou "semi-abertas". Assim, as Brancas jogaram 1.e4. Qual a melhor resposta para as Pretas? Embora possa parecer estranho, as Pretas tem uma ampla escolha. A resposta mais básica é realizar um lance simétrico, com o Peão do Rei. Todas as aberturas que se iniciam por 1.e4 e5 caem na categoria das "aberturas abertas", que são ricas em história e pela prática nos torneios. O Gambito do Rei: 1.e4 e5 2.f4 ef 3.Cf3 d5 4.ed. Esta abertura esplêndida saiu do circuito dos grandes torneios devido às idéias
  57. 57. 57 que advogam de um contragambito que capacita as Pretas a lutar com sucesso pela iniciativa, jogando 2... d5! 3.ed e4! ou 2... ef 3.Cf3 d5 4.ed Cf6. !""""""""# çtMvWlV T% æOoO +oOo% å + + M +% ä+ +p+ + % ã + + O +% â+ + +n+ % ápPpP +pP% àRnBqKb+r% /èéêëìíîï) Uma outra tentativa de retirar o Peão do centro – 2.d4 ed 3.Dxd4 – encontrou muito poucos defensores. O resultado do passeio da Dama 3... Cc6 4.De3 Cf6. !""""""""# çt+vWlV T% æOoOo+oOo% å +m+ M +% ä+ + + + % ã + +p+ +% â+ + Q + % ápPp+ PpP% àRnB KbNr% /èéêëìíîï) É que as Pretas põem seus dois Cavalos em jogo, garantindo chances iguais. A Giuoco Piano: 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5. A idéia é ocupar o centro e atacar a casa f7. Esta é uma das aberturas mais antigas do xadrez e é rica em possibilidades. As tentativas de empregar sacrifícios jogando 4.b4 Bxb4 5.c3 Bc5 6.d4 ou 4.c3 Cf6 5.d4 ed 6.O-O. !""""""""# çt+vWl+ T% æOoOo+oOo% å +m+ M +% ä+ V + + % ã +bOp+ +% â+ P +n+ % ápP + PpP% àRnBq+rK % /èéêëìíîï) caminham lado a lado com os métodos modernos de lento desenvolvimento das peças após 4.d3 d6 5.c3 Cf6 6.O-O O-O 7.Bg5. !""""""""# çt+vW Tl+% æOoO +oOo% å +mO M +% ä+ V O B % ã +b+p+ +% â+ Pp+n+ % ápP + PpP% àRn+q+rK % /èéêëìíîï)
  58. 58. 58 A Ruy Lopez, 2.Cf3 Cc6, Bb5 é o exemplo mais típico das aberturas abertas. A abertura é rica em idéias estratégicas e táticas. Os melhores Grandes Mestres encaram a habilidade de jogar a Ruy Lopez com ambas as cores como um teste de força no xadrez. A abertura tem variantes para todos os gostos. A Variante das Trocas, por exemplo, que é relativamente simples (3 ... a6 4.Bxc6 dc) !""""""""# çt+vWlVmT% æ+oO +oOo% åo+o+ + +% ä+ + O + % ã + +p+ +% â+ + +n+ % ápPpP PpP% àRnBqK +r% /èéêëìíîï) a luta aberta pelo centro na Variante Aberta (3... a6 4.Ba4 Cf6 5.O-O Cxe4 6.d4 b5 7.Bb3 d5 8.de Be6) !""""""""# çt+ WlV T% æ+ O +oOo% åo+m+ + +% ä+o+oP + % ã + +m+ +% â+b+ +n+ % ápPp+ PpP% àRnB +rK % /èéêëìíîï) o famoso contra-ataque Marshall (3... a6 4.Ba4 Cf6 5.O-O Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 O-O 8.c3 d5!? 9.ed Cxd5 ou mesmo 9... e4), e, finalmente, !""""""""# çt+vW Tl+% æ+ O VoOo% åo+m+ M +% ä+o+p+ + % ã + +o+ +% â+ P +n+ % ápP + PpP% àRnBqR K % /èéêëìíîï) a Variante Clássica, que somente jogadores experientes e bem preparados estão capacitados a jogar (3... a6 4.Ba4 Cf6 5.O-O Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 O-O 8.c3 d6 9.h3 Ca5 10.Bc2 ou 9... Cb8 10.d4). !""""""""# çtMvW Tl+% æ+ O VoOo% åo+ O M +% ä+o+ O + % ã + Pp+ +% â+bP +n+p% ápP + Pp+% àRnBqR K % /èéêëìíîï) Vamos voltar à posição que se segue ao primeiro lance das Brancas. Além do lance 1... e5 as Pretas podem iniciar o jogo com
  59. 59. 59 outras aberturas que não a Ruy Lopez. Todas as aberturas onde as Pretas evitam jogar 1... e5 em resposta ao lance 1.e4 das Brancas, são chamadas "semi-abertas". A abertura mais simples é a Defesa Escandinava: 1.e4 d5 2.ed Dxd5 3.Cc3 Da5. Ao custo de perder um tempo recuando a Dama, as Pretas reduzem a tensão no centro, esperando poder desenvolver as peças do seguinte modo: 4.d4 Cf6 5.Cf3 Bg4 6.Bc4 e6 7.O-O Cc6. !""""""""# çt+ +lV T% æOoO +oOo% å +m+oM +% äW + + + % ã +bP +v+% â+ N +n+ % ápPp+ PpP% àR Bq+rK % /èéêëìíîï) seguido por ... O-O-O. Não é uma abertura popular entre os enxadristas experientes (nós não gostamos de perder tempo), mas é bastante aceitável para a maior parte dos jogadores. A Defesa Siciliana, que se inicia com 1... c5, é a abertura jogada com mais freqüência. As Pretas desencorajam as Brancas de manter dois fortes Peões centrais. A continuação 2.Cf3 Cc6 3.d4 cd 4.Cxd4 costuma conduzir a posições ricas em possibilidades táticas e caracterizadas por uma luta complexa em torno das casas centrais. Eu o aconselharia a começar a estudar a Defesa Siciliana em algumas partidas bem conhecidas na linha da Variante Dragão: 4... cf6 5 5.Cc3 d6 6.Be3 g6 7.f3. !""""""""# çt+vWlV T% æOo+ Oo+o% å +m+ Mo+% ä+ + + + % ã + Np+ +% â+ N Bp+ % ápPp+ +pP% àR +qKb+r% /èéêëìíîï) (ou 7.Be2), ou no Sistema Scheveningen: 4... Cf6 5.Cc3 d6 6.Be3 e6. !""""""""# çt+vWlV T% æOo+ +oOo% å +mOoM +% ä+ + + + % ã + Np+ +% â+ N B + % ápPp+ PpP% àR +qKb+r% /èéêëìíîï)
  60. 60. 60 Duas aberturas – a Defesa Caro-Kann (1.e4 c6 2.d4 d5) e a Defesa Francesa (1.e4 e6 2.d4 d5) – têm conceitos estratégicos semelhantes. As Pretas combatem a formação do centro de Peões “ideal” limitando a sua mobilidade e estabelecendo um ponto de controle bem protegido na casa d5. As posições mais críticas na Caro-Kann são, a primeira, 1.e4 c6 2.d4 d5 3.e5 Bf5 4.Cc3 e6, e a segunda, 1.e4 c6 2.d4 d5 3.Cc3 de 4.Cxe4 Bf5 5.Cg3 Bg6 onde as Brancas têm uma pequena vantagem. !""""""""# çtM WlVmT% æOo+ OoOo% å +o+ +v+% ä+ + + + % ã + P + +% â+ + + N % ápPp+ PpP% àR BqKbNr% /èéêëìíîï) Mas não há fraquezas na posição das Pretas, nem entraves ao seu desenvolvimento. A posição básica da Defesa Francesa 1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Bb4 4.e5 c5 leva à posição em que os Peões bloqueados nas casas d4 e e5 estão sob ameaça constante. !""""""""# çtMvWl+mT% æOo+ +oOo% å + +o+ +% ä+ OoP + % ã V P + +% â+ N + + % ápPp+ PpP% àR BqKbNr% /èéêëìíîï) Estas duas aberturas são consideradas bastante confiáveis e levam a um meio-jogo rico em manobras complexas. Aqueles que se dão a trabalhos meticulosos no tabuleiro e têm paciência para usar bem o tempo, fariam bem em estudar uma destas aberturas, embora eu, pessoalmente, prefira a Defesa Caro-Kann, onde as Pretas desenvolvem livremente suas peças, ao passo em que na Defesa Francesa o Bispo Preto na casa c8 fica preso pelos próprios Peões. O desenrolar dos acontecimentos é bem mais lento se as Brancas iniciam jogo com o avanço do Peão da Dama – 1.d4. Neste caso após os primeiros lances os planos de ambos os lados não estão claros e são resguardados do adversário. Todas as aberturas que se iniciam com o lance 1.d4 são ditas "fechadas" ou "semifechadas". Para jogá-las bem e com eficiência é preciso
  61. 61. 61 que se tenha um certo entendimento de jogo posicional e experiência. Portanto, eu o aconselho a jogar, por ao menos um ano, partidas abertas e somente então começar a jogar partidas fechadas. De modo análogo ao lance 1.e4, a resposta mais básica possível é a imitação do lance 1.d4 com 1... d5. 2.c4 leva a diferentes linhas do Gambito da Dama. A resposta 2... c6 leva à Defesa Eslava ou !""""""""# çtMvWlVmT% æOo+ OoOo% å +o+ + +% ä+ +o+ + % ã +pP + +% â+ + + + % ápP +pPpP% àRnBqKbNr% /èéêëìíîï) 2... e6 leva as Defesas Ortodoxa ou Tarrasch. As Pretas irão tentar consolidar sua posição na casa d5, ao passo que as Brancas irão, metodicamente, criar condições favoráveis para o avanço do Peão do Rei para a casa e4. No presente século surgiram outros métodos de desenvolvimento que visam oferecer às Pretas um contrajogo menos direto, no centro. Na Defesa Nimzo Índia (1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4) !""""""""# çtMvWl+ T% æOoOo+oOo% å + +oM +% ä+ + + + % ã VpP + +% â+ N + + % ápP +pPpP% àR BqQbNr% /èéêëìíîï) e na Defesa Índia da Dama (1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 b6) !""""""""# çtMvWlV T% æO Oo+oOo% å O +oM +% ä+ + + + % ã +pP + +% â+ + +n+ % ápP +pPpP% àRnBqKb+r% /èéêëìíîï) as Pretas tentam lutar pelo controle da casa e4. Na Defesa Índia do Rei (1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6) !""""""""# çtMvWl+ T% æOoO OoVo% å + O Mo+% ä+ + + + % ã +pPp+ +% â+ N + + % ápP + PpP% àR BqKbNr% /èéêëìíîï)
  62. 62. 62 e na Defesa Grünfeld (1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4.cd Cxd5 5.e4) as Pretas permitem que as Brancas estabeleçam um forte centro de Peões mas adotam uma estratégia de miná-lo. E aqui termina o nosso breve esboço das aberturas básicas do xadrez. Quando você ler um dos vários manuais de xadrez disponíveis, não se deixe confundir pela profusão de variantes que você poderá encontrar. Elas refletem tudo o que pode ser importante nos torneios, ou, em outras palavras, !""""""""# çtMvWlV T% æOoO Oo+o% å + + +o+% ä+ +m+ + % ã + Pp+ +% â+ N + + % ápP + PpP% àR BqKbNr% /èéêëìíîï) as leis básicas da estratégia das aberturas. Nós já discutimos a respeito e elas são uma necessidade absoluta para o principiante.
  63. 63. 63 LIÇÃO 12 A Arte do Planejamento Antes de dedicar-se a qualquer atividade, quase todas as pessoas contemplam as operações que terão de executar para atingir suas metas, e tenta descobrir qual a melhor seqüência para executá-las. Eu acredito firmemente que o xadrez é, até uma certa extensão, um espelho de vida e que, portanto, o planejamento é uma característica fundamental deste jogo. O que é o planejamento em uma partida de xadrez? É uma série de operações em uma ordem bem calculada que visam a um objetivo concreto, sendo que esta ordem é determinada pelas posições que se apresentem no tabuleiro e é constantemente alterada pelas ações do adversário. O plano não deve ser confundido com o objetivo do jogo. Algum amador poderia pensar, "eu quero dar um xeque-mate, por isso eu vou jogar visando um mate desde o início e por isso eu jogo de acordo com um plano". Trata-se de uma abordagem redondamente equivocada; não existem condições de se dar mate ao Rei do adversário no início da partida. O mate é o objetivo máximo do jogo e "jogar visando um mate desde o início" é tão-somente uma vontade de satisfazer este desejo. Primeiro, desenvolva as suas peças segundo um padrão, para estabelecer uma supremacia em alguma parte do tabuleiro. Em seguida aumente a pressão para conquistar vantagens posicionais concretas ou vantagens materiais no meio-jogo. Finalmente, explore as vantagens no final, através do estabelecimento de uma vantagem material que torne qualquer resistência impraticável.
  64. 64. 64 O lado que se defende também não deve jogar de qualquer maneira; deve jogar segundo um plano, considerando todos os perigos, ameaças e debilidades na sua posição e tentando acima de tudo livrar-se delas. O plano é elaborado com base em uma avaliação concreta da posição e das suas peculiaridades. Portanto, é importante ser capaz de analisar as formações de combate de ambos os lados e compreender todas as sutilezas desta posição. A capacidade de se elaborar um plano e executá-lo de modo consistente no tabuleiro é um dos aspectos mais atraentes do xadrez; às vezes, chega a ser mais gratificante que, digamos, lançar um ataque direto ao Rei inimigo. E se você levar em conta que, freqüentemente, os jogadores disfarçam suas intenções, lançando mão de manobras que visam distrair o adversário, você entenderá que jogar segundo um plano é uma grande arte. É claro que demora muito para que alguém aprenda a conduzir as suas operações no tabuleiro de xadrez. Erros graves e erros menores irão acontecer e estes são inevitáveis. Mas acredito que aprender com seus erros é melhor do que jogar sem qualquer plano. Para ilustrar o que foi dito, vamos considerar os exemplos que se seguem. A. Suetin -I. Bondarevsky Moscou 1963 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 d6 5.O-O !""""""""# çt+vWlVmT% æ+oO +oOo% åo+mO + +% ä+ + O + % ãb+ +p+ +% â+ + +n+ % ápPpP PpP% àRnBq+rK % /èéêëìíîï) Esta é uma das linhas mais antigas da abertura Ruy Lopez. Após cumprirem a primeira metade do plano na abertura (tirar o Rei do centro), as Brancas planejam a criação de um centro de Peões através dos lances c3 e d4, que também pressionam o Peão Preto na casa e5. As Pretas normalmente tentam sustentar seu Peão na casa e5 jogando Cg8-e7-g6, seguidos de Be7. Também é possível montar uma outra formação
  65. 65. 65 defensiva: ... Cg8-e7, ... g6, ... Bg7. Ambos os lados parecem estar dispostos a engajarem-se em lentas manobras posicionais. De repente as Pretas jogam um lance impulsivo e antiposicional. 5... g5?! 6.d4! As ações enérgicas no centro devem ser consideradas como a melhor resposta para o avanço prematuro dos Peões da ala do Rei das Pretas. A melhor maneira de se explorar o desenvolvimento lento das Pretas é abrindo o centro. O sexto lance das Brancas é um bom exemplo de uma correção de um plano anterior no momento adequado, de modo a explorar as ações do adversário. 6... g4 7.Bxc6+ bc 8.Ce1 ed? Outra concessão posicional. Iludido por achar que a sua vantagem em conservar o par de Bispos lhes permitirá abrir o centro, as Pretas ainda pouco desenvolvidas fazem concessões importantes, no centro. 9.Dxd4 Df6 10.Da4 Ce7 11.Cc3 Mais uma correção efetuada no plano para a abertura. Esta posição não mais requer o avanço do Peão à casa c3, por isto esta casa é agora ocupada pelo Cavalo, que tomará parte no combate pelo centro – o setor decisivo. 11... Bd7 12.Da5! As Brancas alteram o seu plano e se valem da debilidade do Peão na casa c7 para impedir que as Pretas façam o roque, frustrando a intenção do adversário de mobilizar suas peças. A perda de tempo é mais do que compensada pela desarmonia das peças Pretas. 12... Rd8 13.Cd3 Bg7 14.e5! !""""""""# çt+ L + T% æ+ OvMoVo% åo+oO W +% äQ + P + % ã + + +o+% â+ Nn+ + % ápPp+ PpP% àR B +rK % /èéêëìíîï) Esta é a parte do plano das Brancas que visa organizar um ataque ao Rei, sem rocar. O modo mais rápido é limpar o caminho no centro. 14... Df5
  66. 66. 66 Após 14 ... de 15.Cc5 não há defesa para Td1. 15.Te1 d5 O único meio de salvar a partida é evitando a abertura da coluna da Dama. No entanto, as debilidades das casas no território das Pretas acabam por tomar-se um fator decisivo. 16.Ce2 Cg6 17.Cg3 De6 18.Bg5+ Rc8 19.Cc5! De8 !""""""""# çt+l+w+ T% æ+ Ov+oVo% åo+o+ +m+% äQ NoP B % ã + + +o+% â+ + + N % ápPp+ PpP% àR + R K % /èéêëìíîï) 20.Ch5! Os Cavalos das Brancas ganharam controle total sobre o tabuleiro. O último estágio do plano das Brancas é obter uma vantagem material decisiva. 20... Tg8 21.Cxg7 Txg7 22.Cxa6 Ta7 23.Be3 Txa6 24.Dxa6+ e as pretas abandonaram logo. Aqui está um outro exemplo tirado de uma partida entre Svetozar Gligoric e Vasily Smyslov. !""""""""# ç +t+ Tl+% æO + +oOo% å O +oM +% ä+ + O + % ã +p+p+ +% â+pN + P % áp+ R Pk+% àR + + + % /èéêëìíîï) Além do Peão extra que somente poderá ser explorado no final, a maior vantagem das Pretas reside no controle de varias casas no centro: d4, d5, c5, f4 e f5. As Brancas também têm suas chances de contra-jogo: uma maioria de Peões na ala da Dama e a coluna da Dama aberta. Quantas posições semelhantes não acabaram em empate como resultado de lances superficiais. Mas Smyslov é um grande expert em tais finais. O seu plano para vencer consiste de três estágios fundamentais. O primeiro estágio é a troca imediata de uma das Torres para evitar a penetração na coluna da Dama. A outra Torre será preservada para combater um eventual avanço dos Peões Brancos na ala da Dama.

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