Artigo futsal

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FUTSAL NA ESCOLA: ALÉM DAS LINHAS DA QUADRA

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  1. 1. FUTSAL NA ESCOLA: PARA ALÉM DAS LINHAS DA QUADRA GID, Patricia – UTP-PR patiravaglio@hotmail.com. DAL-CÓL, Alessandra Dal-lin – SME-CTBA profeale1@gmail.com ALMEIDA, Camila Marta de – UTP-PR camilaalmeiday@hotmail.com Eixo Temático: Didática: Teorias, Metodologias e Práticas Agência Financiadora: Não contou com financiamento Resumo A educação física tem um papel importante e desafiador na escola, o de formar alunos de corpo inteiro com um pensamento crítico e autônomo. A abordagem cooperativa aponta oportunidades de desenvolver valores como a cooperação contribuindo na formação de cidadania dos alunos. Diante disso surgiu o questionamento: será que a atividade de gincana de futsal associada a uma ação social influenciará para o desenvolvimento da cooperação entre os alunos? Para atender esse problema formulou-se o seguinte objetivo analisar a mudança no desenvolvimento da cooperação dos alunos a partir da gincana de futsal. Este estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa qualitativa, do tipo observação direta. A amostra foi composta por 27 alunos sendo 12 do sexo masculino e 15 do sexo feminino estudantes da 6° série de uma Escola Estadual de Curitiba. A análise das observações foi desenvolvida a partir dos conceitos-chaves da Teoria dos Sistemas Ecológicos de Urie Bronfenbrenner (2002), processo, pessoa, contexto e tempo, alicerçada no sujeito em desenvolvimento e nas relações que este estabelece com o ambiente onde está inserido. Os resultados mostraram que o estágio mais elevado de cooperação não foi atingido, devido ao fato dos alunos nunca terem desenvolvidos atividades com este foco, porém observou-se que gradativamente durante as atividades realizadas os alunos conseguiram ter atitudes cooperativas. Conclui-se por meio deste estudo que a abordagem dos jogos cooperativos, quando utilizada nas aulas de educação física pode trazer resultados significativos no desenvolvimento do senso de cooperação dos alunos formando cidadãos com autonomia para intervir significativamente na sociedade. Palavras-chave: Educação Física. Abordagem Cooperativa. Cidadania. Futsal. Introdução A educação física é uma ciência de corpo inteiro, e sua função é favorecer o processo de desenvolvimento do ser humano a partir dos temas da cultura corporal. O homem é um ser
  2. 2. 3124 único em sua essência, porém é também um ser social e como tal sofre influências do meio em que vive. Assim, a escola tem a responsabilidade de agregar valores para formar pessoas mais comprometidas com a sociedade. A competição é natural entre os seres, porém a cooperação precisa ser desenvolvida e estimulada não somente entre o grupo mas entre os grupos. O fenômeno esportivo influência diretamente o perfil dos jovens, principalmente o futsal. É comum observar jovens assumindo condutas similares aos dos jogador, modo de vestir, falar, cortar o cabelo e até mesmo andar. O que revela a importância do esporte na vida deles. Por outro lado, o esporte é um meio de exploração, discrimação e competição que ultrapassa muitas vezes o bom-senso. O professor de educação física precisa estar atento a todas as ideologias que envolvem o esporte e assim tentar mostrar para os alunos as diferentes esferas que o esporte assume na sociedade e também as consequências de cada uma delas. Abordagens pedagógicas atuais revelam que o esporte rendimento deve estar longe do muro das escolas e o professor precisa inovar suas ações metodológicas para recontextualiza- lo no âmbito escolar. Uma dessas estratégias tem sido a utilização do esporte como instrumento para a aplicação da abordagem pedagógica jogos cooperativos, que segundo Brotto (2001), “é preciso ter convicção de que o importante não é o jogo, mas sim quem joga”. Revisão de Literatura A cidadania é um aspecto social e cada vez mais tem assumido um papel relevante nos discursos pedagógicos. Entender o papel da educação nesse processo é um desafio para o professor. Assim, surgem diferentes estratégias pedagógicas que aproximam conteúdos do processo educativo ao contexto da formação da cidadania. De acordo com Libaneo cidadania: Vem de “cidade”. Cidade vem de civitas, civilis. A cidadania é a ação pela qual alguém se torna civil, habitante de uma cidade, e passa a fazer parte de uma civilização. A cidadania, como forma de viver em cidade, vínculo social que ligue as pessoas entre si, segundo regras comuns, sob determinado poder, e consequentemente obediência a elas. Ser cidadão é viver em grupos sociais que formam células vivas cada vez maiores, de modo respeitoso. Cidadania implica um processo: a paixão se submete a razão; a razão e os interesses individuais se submetem à razão pública e os interesses coletivos (1996, p.17-18).
  3. 3. 3125 Nesse contexto entende-se que a cidadania envolve muito mais do que simplesmente interesses próprios, uma ação cidadão precisa influenciar todo o grupo ou comunidade na qual a pessoa está inserida, os deveres e direitos devem ser socializados e estruturados para o bem comum. Ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela vida é um importante movimentos social do Brasil, essa ação acredita que "só a participação cidadã é capaz de mudar esse país" (Betinho) e que "a comida alimenta, mas só a educação e a cultura transformam e libertam” (JACOBI, 2002). De acordo com esse aspecto todas as áreas/ disciplinas bem como a educação física tem a responsabilidade de aproximar o aluno para a ação cidadã. É importante que o aluno experimente situações de cidadania dentro da escola e que desenvolva sua capacidade de autonomia no momento de exercer seus direitos e deveres, facilitando assim sua ação na sociedade. A ação cidadã surge como necessidade nesse cenário contraditório que é a sociedade em que vivemos. Ignorar ou até mesmo “achar normal” aspectos como fome, violência é incompreensível. E a educação não pode se omitir a isso, mesmo porque a população de estudantes carente é representativa no Brasil. Assim, educar para a partilha, para a democratização de idéias, pelo respeito ao próximo se torna uma necessidade e não pode continuar somente nos discursos teóricos. Segundo Cotta et al. (2007) “a educação ocupa posição de destaque nos processos de desenvolvimento e construção da sociedade. De fato, sua função se compõe em duas vertentes principais”: • Instruir profissionais, tornando-os qualificados e capazes de atender às demandas e às necessidades da sociedade; • E principalmente, formar cidadãos comprometidos com a relevância, a efetividade, e a qualidade do seu trabalho e capazes de refletir sobre sua própria inscrição no mundo. Na tentativa de fazer uma intervenção educacional eficaz favorecendo aquilo que o conceito da palavra educação sugere segundo Buffa et al. (1996, p. 79), “[...] a educação é fruto e expressão dos processos de sua constituição da cidadania”, assim percebe-se a importância dos jogos cooperativos como ferramenta de ação social desencadeadora da formação cidadã, cumprindo assim com um dos objetivos educacionais.
  4. 4. 3126 O jogo é um importante instrumento para o jovem desenvolver suas capacidades físicas e valores humanos. Não o jogo competitivo, aquele que exclui, compete, joga contra o outro e não com o outro. Na escola o importante é educar, conscientizar, humanizar, diminuindo a competição e estimulando a cooperação. Os jogos cooperativos para Amaral (2008) são atividades que requerem um trabalho em equipe para alcançarem metas mutuamente aceitáveis. Não é necessário que os indivíduos que cooperam tenham os mesmos objetivos, porém seus alcances dever proporcionar satisfação para todos os integrantes do grupo. Brotto (1999, p. 73) conceitua a proposta dos jogos cooperativos como “um processo de interação social, em que os objetivos são comuns, as ações são compartilhadas e os benefícios são distribuídos para todos”. Orlick indica um caminho: Se nossa qualidade de vida futura, e talvez até nossa sobrevivência, depender da cooperação, todos pereceremos se não estivermos aptos a cooperar, a ajudar uns aos outros, a sermos abertos e honestos, a nos preocuparmos com os outros, com as nossas gerações futuras (1989, p. 22). A escola é um ambiente onde perpassa uma pluralidade de relações sociais, e seria este ideal para que o jogo fosse realizado, pois a função da escola é organizar a sociedade, participando da formação de diferentes aspectos que envolvem o aluno como um todo. Os jogos cooperativos podem ter varias categorias, segundo Orlick (apud BROTTO, 2001, p. 85) entre elas os jogos semi-cooperativos que indicados para inicio de trabalho cooperativos com adolescentes, para aprendizagem motora, fortalece a cooperação entre os membros do mesmo time e oferece aos participantes a oportunidade de jogar em diferentes posições: todos jogam, todos tocam/todos passam, todos marcam ponto, todas as posições, passe misto e resultado misto. Diante dessas constatações o objetivo desse estudo foi analisar a mudança no desenvolvimento da cooperação dos alunos a partir da gincana de futsal utilizando-se da categoria semi-cooperativa.
  5. 5. 3127 Procedimentos Metodológicos Tipo de Pesquisa Este estudo se caracteriza por ser uma pesquisa qualitativa, tipo observação direta. A análise das observações foi desenvolvida a partir dos conceitos-chaves da Teoria dos Sistemas Ecológicos de Urie Bronfenbrenner (2002), (processo, pessoa, contexto e tempo) alicerçada no sujeito em desenvolvimento e nas relações que este estabelece com o ambiente onde está inserido. Sujeitos A amostra foi constituida de 27 alunos sendo 12 do sexo masculino e 15 do sexo feminino estudantes da 6° série de uma Escola Estadual de Curitiba no ano de 2008. Coleta de dados Em grupos os alunos realizaram uma pesquisa sobre “fome no mundo”, e executaram a elaboração de cartazes. Um dos cartazes foi sobre, quais os males que a fome pode causar? e o outro cartaz, o que podemos fazer para ajudar a acabar com a fome? Após discussão e reflexão do tema ocorreu a conscientização dos alunos para a problemática, com o objetivo de arrecadar alimentos não peracíveis para cesta básica. A partir das aulas ministradas do conteúdo futsal no 4° bimestre, ocorreu um jogo cooperativo da categoria descrita por Orlick (apud BROTTO, 2001, p. 85) como semi- cooperativa, em forma de gincana para os grupos, utilizando os fundamentos do futsal. O grupo vencedor por pontuação entregou os alimentos arrecadados para a entidade pesquisada durante o trabalho. Análise de Dados A análise das observações foi desenvolvida a partir dos conceitos-chaves da Teoria dos Sistemas Ecológicos de Urie Bronfenbrenner (2002), processo, pessoa, contexto e tempo.
  6. 6. 3128 Descrição dos Resultados Processo O processo se caracteriza como um modelo de interação constante e recíproco entre o ambiente e as pessoas. Para a efetividade da pesquisa o trabalho precisa acontecer numa base consideravelmente regular, por meio de um período de tempo. O processo nesse caso é considerado processo proximal- neste trabalho foi utilizado a abordagem pedagógica - jogos semi-cooperativos, uma categoria dos jogos cooperativos proposta por Brotto (2001). Critérios para a avaliação do processo: a) A pessoa deve estar engajada em uma atividade Este critério foi constituído pelas atividades cooperativas de futsal, em forma de gincana. Cada etapa da gincana cooperativa tinha a participação de todos os integrantes. As atividades foram desenvolvidas em quatro grupos classificados como grupo A, grupo B e grupo C e grupo D. Todos os alunos da turma selecionada participaram de todo o processo do trabalho. Os meninos apresentaram-se mais motivados durante as atividades desenvolvidas e as meninas apresentaram-se menos motivados em relação ao meninos, mas em relação ao grupo a aceitação das atividades foi satisfatória. b) Esta atividade deve acontecer em uma base relativamente regular, através de um período de tempo. Este critério foi desenvolvido durante um mês tendo seu início em 11/11/2008 e seu término no dia 09/12/2008, de atividades que ocorrem uma vez na semana num tempo de 2 hora/ aula. As atividades foram desenvolvidas e organizadas de forma progressiva. c) As atividades devem ser progressivamente mais complexas As atividades foram desenvolvidas de forma processual, iniciando com a escolha do tema, pesquisa, elaboração dos cartazes, apresentação do trabalho, reflexão e discussão, gincana com os fundamentos do futsal, arrecadação dos alimentos e a escolha da entidade. Primeira semana 11/11/2008: A seleção do tema a partir da estratégia pedagógica de tempestade de idéias e reflexão do impacto do tema na sociedade. Depois da escolha do tema A Fome no Mundo, foi realizada uma pesquisa na sala de informática da escola com dois tópicos: O que a fome causa de mau? O que podemos fazer para ajudar a combater a fome?
  7. 7. 3129 Segunda semana 18/11/2008: A elaboração dos cartazes foi realizada como tarefa de casa com os tópicos pesquisados na aula. Na apresentação os grupos expuseram os cartazes, discutiram e refletiram sobre o tema abordado. Terceira semana 25/11/2008: Após a pesquisa foi explicada para os grupos a relação entre o tema estudado e a educação física para uma melhor compreensão da próxima etapa do trabalho: A gincana foi composta de quatro provas, sendo a primeira prova campeonato de embaixadinhas, a segunda prova campeonato de cabeceio, a terceira prova o jogo quatro cantos e a quarta prova que foi o número de alimentos arrecadados sendo esta prova realizada durante três semanas. Nesta semana foi realizado o campeonato de embaixadinhas onde todos os integrantes do grupo deveriam realizar o maior número de embaixadinhas para a somatória dos pontos. Quarta semana 02/12/2008: Campeonato de cabeceio onde todos os integrantes do grupo deveriam realizar o maior número de cabeceios para a somatória dos pontos. Quinta semana 09/12/2008: Jogo quatro cantos, o grupo deverá proteger o seu gol e tentar fazer gol nos outros grupos. Também foi concretizada a arrecadação dos alimentos e a escolha da entidade para doação pelo grupo vencedor. A complexidade do trabalho se deu não somente em relação ao conteúdo, mas também nas interações entre o grupo. Todas as atividades foram elaboradas a partir do plano de aula diário. A complexidade das atividades se deu em função da observação da experiência anterior dos alunos em relação ao conteúdo de futsal. Vale ressaltar que o objetivo dos jogos semi-cooperativos é que a preocupação da equipe está em realizar a tarefa e não em ganhar dos adversários. No caso deste estudo o interesse era a cooperação entre o grupo para conseguir atingir o objetivo máximo de pontos. E também, analisar a participação dos colegas das outras equipes, estratégias, companheirismo, dentre outros. d) Deve haver reciprocidade nas relações interpessoais Esse critério ocorreu entre os grupos A, B, C e D e também na relação, com a professora, com a comunidade escolar-diretora, pedagoga e demais professores e alunos. A análise desse processo se deu desde a reunião com a diretora e pedagoga para a execução da gincana, passando por todos os colegas de outras turmas, envolvendo os professores de outras disciplinas e principalmente os familiares dos alunos envolvidos nas atividades cooperativas.
  8. 8. 3130 O grupo A e o D procurou mais ajuda de amigos e familiares conquentemente arrecadando mais alimentos. Já os grupos B e C tiveram um menor comprementimento com a atividade proposta. e) Os objetos e símbolos presentes no ambiente imediato devem estimular a atenção, exploração, manipulação e imaginação da pessoa em desenvolvimento. Este critério foi desenvolvido a partir da seleção dos alimentos e da Instituição que seria a beneficiária do resultado do trabalho. Grupo A sempre esteve presente nas atividades, explorando diferentes maneiras de ajudar o grupo, manipulando as informações e gravuras sobre o problema social com autonomia e dedicação. O grupo B estava presente nas atividades mais demonstrou-se o mais desinteressado na pesquisa, não ocorreu cooperação no grupo e nem interesse na tema abordado. O Grupo C foi participativo em determinadas atividades práticas, mas em relação ao estudo do problema social mostrou indiferente e o grupo D mostrou-se motivado e interessado na pesquisa e elaboração dos cartazes. O processo de análise no contexto, como o proposto pelo modelo ecológico, compreende a troca de informações, revela percepções e sentimentos dentro da equipe, na qual as experiências individuais e do grupo e os aspectos observados no ambiente são expressados. Desta forma, o processo de equipe também gera processos proximais no desenvolvimento da própria equipe. Observação sobre percepções e sentimentos dentro dos grupos: • Grupo A: os alunos se interessaram em fazer uma ação social a partir do futsal, ajudaram-se mutuamente, respeitaram as opiniões individuais, conversaram sobre as propostas que surgiram no grupo interagiram de forma incentivadora durante as atividades, expressaram sentimentos de emoção, desejos, ansiedade, alegria, medo, raiva, desejos negativos quando as outras equipes realizavam as tarefas, participaram contra as outras equipes. • Grupo B: os alunos não se interessaram em fazer uma ação social a partir do futsal, expressaram sentimentos de emoção, desejos, ansiedade, alegria, medo, raiva, discriminação e desejos negativos quando as outras equipes realizavam as tarefas e participaram contra as outras equipes. • Grupo C: os alunos não se interessaram em fazer uma ação social a partir do futsal expressaram sentimentos de emoção, desejos, ansiedade, alegria, medo
  9. 9. 3131 expressaram sentimentos de raiva, discriminação ou exclusão expressavam raiva, desejos negativos quando as outras equipes realizavam as tarefas participaram contra as outras equipes • Grupo D: os alunos se interessaram em fazer uma ação social a partir do futsal, ajudaram-se mutuamente, não respeitaram as opiniões individuais, conversaram sobre as propostas que surgiram no grupo interagiram de forma incentivadora durante as atividades, expressaram sentimentos de emoção, desejos, ansiedade, alegria, medo, raiva, desejos negativos quando as outras equipes realizavam as tarefas e participaram contra as outras equipes. Pessoa O desenvolvimento humano acontece através do desvelamento e aproximações entre a pessoa e os diferentes elementos que compõem o contexto. Este desenvolvimento é dinâmico, e altera-se qualitativamente ao longo do processo. A interação significa mais que uma relação simples e de encontros, porque implica alterações em ambos os grupos envolvidos. É como se a pessoa se desenvolvesse em “inter- ação”, no inter-jogo, em constante troca com os outros e com o ambiente. Na interação a pessoa constrói sentidos que definem a sua forma particular de ação nos diversos contextos de desenvolvimento. A análise da pessoa revela que os alunos influenciam os outros ao mesmo tempo que são influenciados formando uma teia de relações: • Grupo A: demonstrou os que os alunos auxiliavam, torciam e incentivavam os colegas, as atividades envolviam todos os alunos, mesmo os que não estavam participando, os esforços dos colegas eram sentido por todos, as relações entre os colegas durante as atividades ultrapassavam as atividades e não ocorreu ajuda entre os grupos • Grupo B: os alunos auxiliavam, torciam e incentivavam os colegas, vaiaram e gritaram com os outros integrantes dos outros grupos e não ocorreu ajuda entre os grupos. • Grupo C: os alunos auxiliavam, torciam e incentivavam os colegas, vaiaram e gritaram com os outros integrantes dos outros grupos, as relações entre os colegas
  10. 10. 3132 durante as atividades ultrapassavam as atividades e não ocorreu ajuda entre os grupos. • Grupo D: O grupo A demonstrou os que os alunos auxiliavam, torciam e incentivavam os colegas, as atividades envolviam todos os alunos, mesmo os que não estavam participando, os esforços dos colegas eram sentido por todos, as relações entre os colegas durante as atividades ultrapassavam as atividades e não ocorreu ajuda entre os grupos. Em geral os grupos auxiliaram os colegas de sua equipe e aconteceu o incentivo. A reciprocidade gera um momento próprio, que estimula e mobiliza as pessoas a se engajarem e a perseverarem em padrões de interação mais complexa. Contexto O contexto é sub-dividido em quatro níveis de interação o microssistema, mesossistema, exossistema e macrosistema- é necessário que interação ocorra nos microssistemas É essencial que a inserção Ecológica esteja nos microssistemas- onde acontecem os processos proximais e que sua compreensão possa ser relacionada com os demais sistemas, ampliando o campo de investigação. Passando para a análise do contexto em estudam os alunos, partiu-se em primeiro lugar para a compreensão do microssistema, que se configura a sala de aula, o laboratório de informática e quadra poliesportiva A análise do mesossistema, que inclui as inter-relações entre dois ou mais ambientes onde se encontram os estudantes, trouxe dados sobre como se dão as interações dos alunos, com as outras pessoas da vizinhança, professores e famílias dos estudantes. Pensando no exossistema, ou seja, aquele que não envolve a pessoa em desenvolvimento como participante ativo ocorreu a reunião da coordenadora e da diretora com a professora de educação física. Na análise do macrossistema observou-se a compreensão da cultura na qual está inserida a escola, problema social escolhido pelos alunos – fome. Um aspecto pode estar mais evidenciado do que os outros, porém não pode perder de vista os outros.
  11. 11. 3133 Tempo Todos os níveis foram considerados, mas o nível micro e macrossistema foram desenvolvidos com mais rigor de observação e análise. Na primeira etapa (11/11/2008) da pesquisa a estratégia pedagógica tempestade de idéias para escolha do tema causou falta de compreensão por parte dos alunos em relação com a matéria de educação física. Foi criada uma estratégia pedagógica, no porque da relação do tema com a matéria, causando curiosidade, desconfiança, interesse e desinteresse: • Grupo A: os alunos na maioria mostraram-se curioso e interessado se preocuparam com o sucesso do grupo dois meninos pesquisaram o tema em site acadêmico e duas meninas estavam pouco interessadas no tema. • Grupo B: mostrou-se desconfiado e desinteressado, não gostaram do tema. A maioria dos integrantes do grupo era rebelde, e limitados para realizar uma pesquisa. • Grupo C: esse grupo teve um integrante a menos e três desinteressado, com duas meninas interessada. Houve pouquíssima cooperação entre os integrantes do grupo. • Grupo D: grupo cooperativo e todos interessados na pesquisa. Na segunda etapa (18/11/2008) foi feita a exposição dos cartazes, apresentação oral, reflexão e discussão do tema. Obs.: A confecção dos cartazes foi tarefa de casa. • Grupo A: reuniram-se para democratizar idéias e todos participaram da elaboração dos cartazes e fizeram à apresentação oral. • Grupo B: não houve cooperação do grupo para elaboração dos cartazes Somente um cartaz foi confeccionado, por duas alunas. Uma aluna faltou no dia da apresentação e somente as duas alunas que confeccionaram o cartaz fizeram à apresentação oral. Os outros integrantes do grupo elaboraram e apresentaram o outro cartaz fora de prazo, no início da aula da semana seguinte. • Grupo C: nesse grupo dois integrantes não participaram da elaboração dos cartazes e todos participaram da apresentação oral. • Grupo D: todos elaboraram os cartazes e participaram da apresentação oral.
  12. 12. 3134 Na terceira etapa (25/11/2008) Campeonato de Embaixadinha: • Grupo A: foram mais eufóricos e participativos, sofriam porque o colega errou ou apresentava dificuldades. • Grupo B: iniciou-se um processo de atitudes cooperativas. • Grupo C: criticavam os colegas que não conseguiam desenvolver as atividades. Iniciou-se um processo de atitudes cooperativas e auxiliaram os colegas de sua equipe. Considerações: houve um desenvolvimento de interação neste grupo somente da segunda para a terceira etapa, ainda dois participantes ainda tiveram dificuldade em interagir. • Grupo D: auxiliaram os colegas de sua equipe e foram mais eufóricos. Na quarta etapa (02/10/2008) Campeonato de Cabeceio: • Grupo A: todos participaram entusiasmados. • Grupo B: o grupo tornou-se mais cooperativo. • Grupo C: todos estavam envolvidos na atividade. • Grupo D: participaram entusiasmados. Na quinta etapa (09/12/2008) o jogo quatro cantos: • Grupo A: todos participaram de forma cooperativa. • Grupo B: o grupo teve atitudes cooperativas durante o jogo. • Grupo C: todos se envolveram na atividade e agiram de forma cooperativa. • Grupo D: auxiliaram os colegas de sua equipe senso assim tendo uma atitude cooperativa. Nesta última etapa verificou-se um nível mais elevado de cooperação entre os integrantes do próprio grupo, mas em relação à cooperação entre os grupos não foi possível relatar o mesmo. Considerações finais A proposta deste estudo foi a de identificar a melhoria no nível de cooperação entre os alunos a partir de uma gincana de futsal. Sabe-se que o futsal é um conteúdo que favorece a
  13. 13. 3135 competição e por isso tentar implantar uma gincana com aspecto semi cooperativo foi um desafio importante. A Teoria dos Sistemas Ecológicos de Urie Bronfenbrenner (2002), processo, pessoa, contexto e tempo utilizada como análise do desenvolvimento da cooperação por meio da gincana, orientou todo o processo. A intenção da ação social vinculada ao conteúdo futsal foi bem aceita pelos alunos, mesmo eles sendo de classe média, pois demonstrou que apesar da realidade da fome estar longe de seus lares, eles no decorrer do processo demonstraram sensibilidade ao tema. O trabalho de inovação em relação ao ensino do esporte é uma necessidade hoje, pois a sociedade é contraditória e instável, e ficar nas linhas da quadra é realmente pouco para a formação do aluno como cidadão. Conclui-se por meio deste estudo que a abordagem jogos cooperativos, quando utilizada nas aulas de educação física, pode trazer resultados significativos no desenvolvimento do senso de cooperação dos alunos. Os alunos participantes da pesquisa nunca haviam desenvolvido atividades com este foco, logo o estágio mais elevado de cooperação não foi atingido, porém com a análise dos resultados observou-se que gradativamente os alunos conseguiram ter atitudes cooperativas. Por este motivo se o tempo disponível para aplicação das atividades fosse maior, possibilitaria maiores desdobramentos da proposta influindo com mais significância no desenvolvimento no senso de cooperação das crianças. Deste modo sugere-se que a abordagem cooperativa seja mais estimulada no âmbito escolar, uma vez constatada a influência dos jogos cooperativos no seu desenvolvimento. Percebeu-se que aspectos relacionados a observação social dos alunos, a respeito da análise do mundo que os circundam (fatos sociais, relações sociais, visão política) foi considerada mínima antes da aplicação da abordagem cooperativa. Este foco temático possibilita que outras pesquisas venham a ser realizadas por meio da mesma abordagem referida, de modo que, com mais disponibilidade de tempo pode-se aprofundar tais questões e assim tentar contribuir de uma maneira efetiva e significativa para a formação de cidadãos autônomos, cooperativos, responsáveis para atuar na sociedade.
  14. 14. 3136 REFERÊNCIAS AMARAL, D. J. Jogos Cooperativos. 3 ed. São Paulo: Phforte editora, 2008. BRONFENBRENNER, U. A Ecologia do Desenvolvimento Humano: Experimentos Naturais e Planejados. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. BROTTO, F. Jogos cooperativos: Um exercício de com-vivencia. SÃO Paulo: SESC, 1999. _________. O Jogo e o Esporte como um exercício de convivência. São Paulo: Editora Projeto Cooperação, 2001. BUFFA, E.; ARROYO, M.; NOSELLA, P. Educação e cidadania: quem educa o cidadão. 6. ed. São Paulo: Cortez, 1996. COTTA, R. M. M.; GOMES, A. P.; MAIA, T. M.; MAGALHÃES, K. A.; MARQUES, E. S.; SIQUEIRA-BATISTA, R. Pobreza, injustiça, e desigualdade social: repensando a formação de profissionais de saúde. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, vol.31, n.3, set./dez. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S01005502200700030010&script=sci_ bstract&tlng=pt>. Acesso em: 5 mai. 2009. JACOBI, P. R. Políticas sociais locais e os desafios da participação cidadã. Ciência e Saúde Coletiva, São Paulo, vol.7 n.3, 2002. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S141381232002000300005&script=sci_arttext>. Acesso em: 5 mai. 2009. LIBÂNEO, J. B. Ideologia e cidadania. 3. ed. São Paulo: Moderna, 1996. ORLICK, T. Vencendo a competição. São Paulo: Círculo do Livro, 1989.

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