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  1. 1. EDUCAÇÃO INFANTIL E AS PRÁTICAS DE CUIDAR E EDUCAR NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS Jucilene de Souza Ruiz 1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Campus do Pantanal INTRODUÇÃO Esta pesquisa se propôs em descrever e analisar as práticas educar e cuidar no contexto das relações entre professoras e assistentes e entre elas e as crianças, no cotidiano de uma instituição de educação infantil, além de confrontá-las com as políticas educacionais que se referem a integração do cuidar e educar e formação dos profissionais da Educação Infantil. Têm como tarefa primordial, contribuir para estudos referentes à criança pequena, assim como também ressaltar a importância da interação entre as práticas de cuidar e educar. Para sua realização foi necessário realizar observação direta e entrevistas com as professoras e assistentes de uma instituição de educação infantil, creche, localizada na cidade de Corumbá. Para que a integração das práticas ocorra é necessário que os profissionais envolvidos com a criança pequena estabeleçam em suas práticas os mesmos objetivos, a fim de proporcionar o desenvolvimento integral da criança. É por isso que Campos (1994), afirma que: “Se torna muito importante reconhecer quais são os objetivos que se deseja alcançar com a criança, pois eles orientarão as ações: se são os objetivos de cuidar e educar, a formação de seus profissionais deve também assegurar essas facetas, aliando as questões pedagógicas com as questões ligadas à higiene, alimentação e cuidados em geral (...) e ambas se relacionam ás dimensões afetivas, ética e estética da prática educativa.” (apud VIEIRA, p.36) Algumas questões se tornaram relevantes em nosso trabalho como: quem são os profissionais da creche? Por que abraçam essa profissão? Como vêem o próprio trabalho? Que aspectos consideram gratificantes e cansativos? Como é o relacionamento entre professoras e assistentes e entre elas e as crianças? Estas questões contribuíram para que fossem alcançados os objetivos traçados inicialmente na proposta da pesquisa, como o de investigar o perfil profissional das educadoras de creche, a relação entre professores e assistentes nas práticas de cuidar e educar, as interações entre adulto-adulto e adulto-criança, verificar se há (ou não) a presença de hierarquia entre as professoras e assistentes. 1 Aluna do programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Campo Grande, pesquisa de Iniciação Científica- PROPP/ CNPq, finalizada em 2005.
  2. 2. 2A formação dos profissionais de educação infantil No Brasil a formação de professores para os primeiros anos da educação básica erarealizada nos cursos de formação de nível médio, antigo curso normal que com a Lei 5.692/71passa a ser chamado de habilitação para o magistério - e no nível superior no curso depedagogia. As primeiras iniciativas de formação de professora de criança pequena podem serobservadas nos pareceres de Rui Barbosa, em 1882. Nos anos 50 surgem seis cursos depedagogia com formação para a educação pré-escolar. (SILVA, 2003, p.23) A Lei 5.692/71 criou a Habilitação para o Magistério, entre elas magistério em pré-escolas, escolas maternais e jardins de infância, As instituições de educação infantil durante a história, tiveram dupla trajetória: osjardins de infância, mais tarde chamados de pré-primário e pré-escolar, davam ênfase aoaspecto educacional, sendo destinado para as crianças ricas, com métodos e atividadespedagógicas, voltadas para o desenvolvimento social, cognitivo e outras habilidades, já asinstituição denominadas como creches e escolas maternais era enfatizado a guarda, aalimentação, cuidados com a saúde, higiene e formação de hábitos de bom comportamento nasociedade, sendo destinada pra as crianças pobres e abandonadas. (VIEIRA,1999) Para as creches o profissional vinha das áreas da saúde e assistência, em geral eramdirigidas por médicos ou assistentes sociais (ou irmãs de caridade), contavam com educadorasleigas ou auxiliares das quais eram requeridos conhecimentos nas áreas de saúde, higiene epuericultura. E nos jardins de infância o profissional era o professor, destinado à tarefa deeducar e socializar os pequenos. Na Década de 80 retomou-se a discussão sobre creches e a elaboração de propostapedagógicas que rompe-se com o assistencialismo e passa-se a enfatizar o desenvolvimentocognitivo das crianças. Ainda nos anos 80, os cursos de pedagogia passam a ter dentre suashabilitações a formação para a pré-escola. Em MS, segundo pesquisas, realizadas por Silva (2003), a formação de profissionaispara a educação das crianças pequenas, era atendida por curso de formação em serviço,projetos de extensão universitária, cursos promovidos por instituições como pela OrganizaçãoMundial pra a Educação Pré-Escolar (OMEP), pela Legião Brasileira de Assistência (LBA) epor outras entidades, além dos manuais elaborados e divulgados pelo Movimento Brasileirode Alfabetização (MOBRAL) e por várias publicações do Fundo das Nações Unidas pra aInfância (UNICEF).
  3. 3. 3 Nos anos 70 a Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso ofereceu cursos deformação para professoras que trabalham na casa Escola Infantil do Bom Senso, que foi aprimeira iniciativa pública para as crianças de quatro a seis anos. Um segundo tipo de formação foram os cursos do Programa de atendimento ao Pré-escolar (PROAPE), visando complementar uma proposta pedagógica para a pré-escola,baseado na teoria piagetiana. Outro tipo de formação oferecida foram os cursos da OMEP quecapacitava as professoras para atuar na pré-escola até o início dos anos 90, com oreconhecimento da Legislação do Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul. Segundo a Política Nacional de Educação Infantil (1994), o adulto que atua na área deeducação deve ser reconhecido como profissional, requerendo a valorização no que respeita áscondições de trabalho, plano de carreira, remuneração e formação, sendo que “condiçõesdeverão ser criadas para que os profissionais de educação infantil que não possuam aqualificação mínima, de nível médio, obtenham-na no prazo máximo de 8 (oito) anos”. Após a LDB de 1996 alguns cursos de pedagogia passam a se ocupar da formação deprofissionais para a educação infantil, incluindo as crianças de 0 a 6 anos, situando-a comoprimeira etapa da Educação Básica (Art.24). Ela caracteriza o professor, como docente, cujaformação se fará em nível superior, admitindo-se como formação mínima a oferecida emnível de ensino médio- modalidade Normal (Art.62) Nas disposições transitórias determina que “até o fim da década da Educação somenteserão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento emserviço”. (Art.87) Notamos que na Educação Infantil, em especial creche estão inseridas duasprofissionais com formações distintas num mesmo espaço (sala de atendimento), para aatendente é exigida apenas que ela desenvolva ações de cuidados, nenhum curso a qualificapara as funções que ela terá que desempenhar, em relação ao grau de escolaridade destasnotamos que diante dos dados apresentados algumas possuem nível fundamental incompleto.Para a professora é exigido formação em nível superior, no entanto não sabemos de que formao cuidar e educar são contemplados em sua formação. O professor de educação infantil ao adentrar no espaço da creche acaba entrando emconflito ou não com um profissional que já estava ali, um profissional cuja força de trabalho émuito mais barata. No entanto o que vemos é que ambas cuidam do seu próprio trabalho semse preocupar em desenvolver uma ação conjunta, a própria hierarquia de funções impede queuma se interesse pelo trabalho que é desenvolvido pela outra.
  4. 4. 4As práticas de cuidar e educar diante dos documentos A LDB de 1996 trouxe um fato novo ao colocar a educação infantil (creche e pré-escola) como a primeira etapa da educação básica, começa a ficar visível nos documentosposteriores a ênfase na integração do cuidar e educar. A creche que antes estava sobre aresponsabilidade da secretaria de Assistência passa para o setor educacional. O Referencial Curricular Nacional para a educação infantil, criado em 1998, peloMinistério da Educação, propõe a indissociabilidade das ações de cuidar e educar crianças de0 a 6 anos idade, sem hierarquizar os profissionais ou a instituição que atuam com as criançaspequenas. De acordo com o referencial, educar significa: “(...) propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.” (RCN/I, vol. I, 1998, p.23) Já o cuidar é definido como: “(...) parte integrante da educação, embora exigir conhecimentos, habilidades e instrumentos que extrapolam a dimensão pedagógica, ou seja, cuidar de uma criança em um contexto educativo demanda integração de vários campos de conhecimentos e a cooperação de profissionais de diferentes áreas.” (RCN/I, vol.I, 1998, p.24) O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais, que envolvem adimensão afetiva e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como a qualidade daalimentação e dos cuidados com a saúde, quanto da forma como esses cuidados são oferecidose das oportunidades de acesso a conhecimentos variados. “Para cuidar é preciso antes de tudoestar comprometido com o outro, com sua singularidade, ser solidário com suas necessidades,confiando em suas capacidades. Disso depende a construção de um vínculo entre quem cuidae quem é cuidado”. (RCN/I, vol. I, 1998, p.24/25) Assim, o cuidar deixa de ter uma conotação assistencialista e pode adquirir um carátereducativo se for visto como um momento privilegiado de interação entre criança-criança ecriança-adulto, ao mesmo tempo em que o ato de educar perde aquele caráter exclusivamenteescolar, com a preocupação exacerbada com o intelecto. (SILVA, 1999) Podemos também observar a questão do cuidar e educar nas Diretrizes CurricularesNacionais para a Educação Infantil:
  5. 5. 5 “As instituições de Educação Infantil devem definir em suas propostas pedagógicas, práticas de educação e cuidados, que possibilitem a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos/lingüísticos e sociais da criança, entendendo que ela é um ser completo, total e indivisível.” (Resolução nº022/98, artigo 3º inciso III) Nesses documentos podemos notar a proposta de integração entre o cuidar e o educarna Educação Infantil, no entanto não é mencionado que as práticas dos dois profissionaisdevem caminhar juntas, ou que devam partir de uma mesma proposta educativa. O cuidar e o educar de crianças de 0 a 6 anos envolve uma visão integrada dedesenvolvimento da criança, dessa forma, os profissionais que trabalham com a criançapequena devem tomar precações para que suas práticas não se transformem em açõesmecanizadas, guiadas por regras. O cuidar e o educar são duas práticas que devem caminharde maneira indissociável, possibilitando que ambas as ações construam na totalidade, aidentidade e autonomia da criança. A ação conjunta dos educadores e demais membros da equipe da instituição éessencial para garantir que o cuidar e o educar aconteçam de forma integrada. Essa atitudedeve ser contemplada desde o planejamento educacional até a realização das atividades em si.“A creche é o espaço do cuidado e da educação indissociados e indissociáveis. O cuidado e aeducação, são na esfera pública, o direito à educação para as crianças de 0 a 6 anos.” (ÁVILA,2002, p.126) METODOLOGIA Na finalidade de analisar como vêm sendo desenvolvidas as práticas de cuidar eeducar diante das relações entre professoras e assistentes e entre elas e as crianças, nocotidiano da Educação Infantil. A pesquisa iniciou-se com estudos teóricos sobre os temas:educação infantil, cuidar e o educar, profissionais da educação infantil. Analisou-se como ocuidar e o educar estão transpostos nas políticas educacionais, entre eles atentou-se no estudode dois documentos, Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (1998) e oReferencial Curricular para a Educação Infantil (1998). A presente pesquisa se concretizou na Creche Municipal Maria Candelária, localizadana parte alta da cidade de Corumbá, do Estado de Mato Grosso do Sul. Optamos para melhorobservação em delimitar nosso campo empírico na Creche em duas salas, que foram os níveis3A e 3B, as crianças dessa sala estavam na faixa etária de dois a três anos de idade, cada salapossuía uma professora e uma assistente.
  6. 6. 6 As visitas ao campo foram permeadas pela observação e consequentemente o seuregistro no diário de campo; foram elaboradas entrevistas destinadas às professoras e àsassistentes da creche; as entrevistas possuíam perguntas abertas e de múltipla escolha. Apesquisa foi analisada através de uma visão qualitativa dos dados alcançados. Realizou-se conversas informais com as professoras e as assistentes o que nospossibilitou conhecer um pouco mais sobre os papéis que desempenham na creche, além deconversas com a diretora o que nos possibilitou ter em mãos a proposta pedagógica dainstituição, fato que favoreceu um maior enriquecimento da pesquisa. RESULTADOS E DISCUSSÃOInstituição pesquisada Esta pesquisa foi realizada na creche municipal Maria Candelária Pereira Leite,localizada no bairro Centro América, na parte alta da cidade de Corumbá-MS. Essa instituição de atendimento a criança pequena foi fundada em 1985, através doDecreto Municipal Nº. 270/98, pelo Ex-Prefeito Municipal Eder Moreira Brambilla; atendecrianças de zero a quatro anos de idade, é mantida pela Prefeitura Municipal de Corumbá. Atualmente, a creche atente 100 crianças em período integral, que são divididas emdiferentes níveis de acordo com a faixa etária, ainda apontamos o número de crianças em cadanível, conforme podemos observar na tabela abaixo: Nível Faixa etária Número de Crianças por Nível 1 (berçário) Zero a um ano de idade; 16 2 Dois a três anos de idade; 34 (turmas A e B) 3 Três a quatro anos de idade. 40 (turmas A e B) Por cada nível, é responsável uma professora e uma assistente, com exceção do Nível1 (Berçário) que possui uma professora e duas assistentes para cada período, apenas duasprofessoras trabalham durante os dois períodos na creche. A creche possui num total de oitoprofessores, todos têm nível superior, sete em pedagogia e uma em psicologia, destes, seis sãoefetivos na instituição e quatro são contratados. As assistentes que permanecem na sala deatendimento totalizam em 12 profissionais, sendo que dez possuem ensino médio completo,uma tem nível superior e uma tem nível fundamental incompleto. A creche ainda conta commais seis funcionários de serviços diversos, todos tem ensino médio completo.
  7. 7. 7Objetivos da instituição A instituição visa oferecer o atendimento a crianças de ambos os sexos e todos oscredos e raças, sem discriminação, aos filhos de mães trabalhadoras ou não, criando umambiente de acolhimento que dê segurança e confiança às crianças, garantido oportunidadepara que sejam capazes de: • Experimentar e utilizar os recursos de que dispõem para a satisfação de suas necessidades essenciais, expressando seus desejos, sentimentos, vontades e desagrados e agindo com progressiva autonomia; • Familiarizar-se com a imagem do próprio corpo, conhecimento progressivo de seus limites, sua unidade e as sensações que ele produz; • Interessar-se progressivamente pelo cuidado com o próprio corpo, executando ações simples relacionadas à saúde e higiene. • Relacionar-se progressivamente com mais crianças, com seus professores e demais profissionais da instituição, demonstrando suas necessidades e interesses. Esses objetivos estavam dispostos na Proposta pedagógica criada no ano de 2004, pelo corpo docente e auxilio da diretora da creche. Nessa proposta estão definidos os conteúdos ou áreas de conhecimento que permearam no trabalho com a criança pequena na instituição, foram destacadas as seguintes: • Movimento • Expressividade • Equilíbrio e coordenação • Música • Artes visuais • Linguagem oral e escrita • Natureza e sociedade • Matemática Além das atividades permanentes: • Alimentação • Sono • Higiene
  8. 8. 8Caracterização dos sujeitos da pesquisa Foram entregues no total de dezenove entrevistas na instituição, doze foram entreguespara as assistentes que trabalham diretamente com a criança pequena e sete para asprofessoras; dessas entrevistas retornaram apenas doze, sendo que sete eram das assistentes ecinco das professoras, ressaltamos ainda que sete das entrevistas não foram devolvidas.1. As assistentes - como são chamadas - possuem idade entre 21 e 59 anos, a cor da pele variaentre parda e branca, três assistentes são casadas, três são solteiras e uma é separada, 80%delas são mães, o número de filhos permeia entre um a seis filhos. O tempo em que trabalham na educação infantil varia entre 3 meses a menor e 20anos a maior e o tempo de serviço na instituição em que trabalham hoje varia entre 3 meses a10 anos de serviço. Seis dessas profissionais já participaram de algum curso de capacitação naárea de educação infantil. Ressaltamos, ainda, que cinco assistentes possuem ensino médiocompleto, duas ensino Fundamental incompleto e uma nível superior no curso de Pedagogia. Foi perguntado como elas consideram as condições de trabalho: uma respondeu comosendo ótimo, três bom, uma regular e uma como sendo péssimo. O mesmo foi perguntado emrelação a remuneração no qual apenas duas responderam como sendo bom, e três comoregular e uma como péssimo, o salário ganho por período correspondem a um salário mínimo. As maiores dificuldades encontradas como assistentes de crianças pequenas foram ofato de terem que ficar sozinha na sala com as crianças, a quantidade de crianças na sala,cuidar de criança, na hora do banho e a falta de materiais pedagógicos. Os aspectos cansativosdestacados, na maioria estavam relacionados à rotina do banho, fazer faxina na sala e nobanho e cuidar de crianças. Os aspectos gratificantes na creche foram marcados como sendo ahora do sono, crianças limpas e saudáveis, carinho e respeitos das crianças. Seis assistentesafirmaram que existe divisão de tarefas entre ela e a professora da sala, o motivo dessa divisãosão visíveis na hora do banho das crianças e quando a professora fica com a parte pedagógica.O que diferencia a divisão é o grau de escolaridade que elas possuem. A relação existente notrabalho entre elas e as professoras para a maioria é considerada como sendo ótima e bom euma minoria como sendo péssima.2. As professoras- possuem idade entre 29 e 37 anos, a cor da pele varia entre parda e preto,três delas são casadas, uma é solteira e uma é viúva, quatro professoras são mães, o número
  9. 9. 9de filhos varia entre um a sete. Todas as professoras possuem nível superior em pedagogia,duas professoras já fizeram um curso de especialização e uma está fazendo. Duas professoras trabalham na educação infantil há cinco anos, uma a três anos, umahá 3 meses e uma há 14 anos, o tempo de trabalho que possuem na creche pesquisada varia dedois a cinco anos; duas professoras trabalham nela durante os dois períodos; todas asprofessoras já participaram de vários curso de capacitações, específicos para a educaçãoinfantil. Também foi perguntado às professoras como elas consideram as condições de trabalhona creche, todas responderam como sendo boa; em relação às condições de remuneração, trêsresponderam como sendo regular e duas como boa, o salário ganho por período corresponde adois salários mínimos. As principais dificuldades apontadas no trabalho como professora de criançaspequenas foram: a falta de recursos materiais como brinquedos, a falta de formação dasassistentes, o espaço físico, o número de crianças acima do permitido por lei; apenas uma dasprofessoras não encontrou nenhuma dificuldade. Em relação aos aspectos cansativos do dia a dia da creche, foram apontadas comosendo a rotina e a indisponibilidade de recursos. Nos aspectos gratificantes na creche foramconsiderados o trabalho com as crianças, o conhecimento adquiridos pelas crianças, aaceitação das crianças na instituição, o entrosamento com as crianças. A maioria das professoras afirmou que existe a divisão de tarefas entre elas e asassistentes, principalmente porque a professora fica com a parte pedagógica e a assistente coma limpeza, pelo fato de faltar capacitação para as assistentes. Mas, a maioria reconhece quetambém cuidam da criança. Apenas uma das professoras apontou que tenta fazer trabalho emconjunto com a assistente. Todas as professoras afirmaram ter um bom relacionamento com as assistentes. Noque se refere como a professora planeja, registra e avalia o seu trabalho com as crianças amaioria os executam conjuntamente com outros professores e também sozinhas. Idade das professoras Idade das assistentes 5 7 6 4 5 3 4 2 3 2 1 1 0 0 21 a 25 anos 26 a 30 anos 21 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 41 a 50 mais de 51 anos
  10. 10. 10 Grau de escolaridade das professoras Grau de escolaridade das assistentes5 7 64 5 43 32 2 11 00 Ensino fundamental Incompleto Ensino médio completo Nível superior Nivel superior Tempo de trabalho na educação infantil Tempo de trabalho na educação infantil das professoras das assistentes 75 64 5 43 32 2 11 00 menos de 1 ano de 1 a 5 anos menos de 1 ano de 1 a 5 anos de6 a 10 anos mais de 10 anos de 6 a 10 anos mais de 10 anos Como as professoras consideram Como as assistentes consideram as as condições de trabalho na creche condições de trabalho na creche5 74 6 53 42 3 21 10 0 bom ótimo regular péssimo bom ótimo regular péssimo Como as professoras consideram as Como as assistentes consideram as condições de remuneração condições de remuneração5 7 64 53 42 3 21 10 0 bom ótimo regular péssimo bom ótimo regular péssimo
  11. 11. 11 AS PRÁTICAS DE CUIDAR E EDUCAR NO COTIDIANO DA CRECHE A partir dos dados levantados no decorrer da pesquisa procuraremos descrever ediscutir como vêm sendo desenvolvidas as práticas de cuidar e educar no cotidiano da creche;é por esse motivo que se fez necessário destacarmos as profissionais incumbidas em colocá-las em prática. A creche se concebe como um espaço de educação e cuidado e se constitui porprofissionais com formações diversas. As professoras possuíam formação em nível superior eas assistentes na maioria possuíam ensino médio completo ou ensino fundamental incompleto,além das diferenças relacionadas à formação, existem diversos aspectos interligados, taiscomo os princípios, valores morais, costumes, preconceitos e suas mais variadas visões demundo, constituídos em uma esfera sócio, histórico e cultural. Tais aspectos acabam pordirecionar suas ações, também fica visível que essas duas profissionais são responsáveis emdesempenhar diferentes papéis no trabalho com as crianças pequenas. “(...) esses fatoresinterferem na organização do trabalho cotidiano, embora não houvesse consciência dessainterferência e dessas diferenças quanto à forma de conceber o trabalho de cada segmentoprofissional.” (ÁVILA, 2002, p.75) Tais influências puderam ser observadas através de duas cenas que ocorreram durantea pesquisa de campo, a primeira com a professora que não viu mal algum no fato dos meninosbrincarem com bolsas de mulheres. “A professora distribui brinquedos para as crianças, entre os brinquedos tinha duas bolsas dois meninos as pegaram e a colocaram no pescoço e começaram a passear pela sala, a professora viu e nada disse” (diário de campo, Nível 3A , 14:00 horas, dia 10/05/2005) A segunda se refere ao fato da assistente ter demonstrado em sua atitude preconceitosque impedia os meninos de brincarem com brinquedos classificados como sendo de meninas; “A assistente pegou um saco de bonecas, os meninos começaram a pedir e ela respondeu que bonecas era só para meninas.” (Diário de campo, Nível 3B, 9:00 horas, dia 05/04/2005) Atitudes como o da assistente também é observada na prática de muitos educadores.Tais exemplos nos levam a refletir sobre a convivência da criança com adultos constituídospor princípios e valores extremamente opostos. Apontamos ainda que esses dois profissionaisestão influenciando no modo de pensar e agir de futuros adultos. Devemos estar cientes de que no contexto da creche, apesar de existir um profissionalespecífico para desenvolver as atividades pedagógicas (educar) e outro para as atividades de
  12. 12. 12cuidados básicos (cuidar), percebemos que tanto a professora quanto a assistente educa ecuida das crianças pequenas ao mesmo tempo. Porém, essas práticas são desenvolvidas porprofissionais que possuem distintas concepções, além das diferenças relacionadas à formação,de modo que, suas ações são permeadas por objetivos diferentes em relação aodesenvolvimento dessa criança. Ou seja, cada profissional educa e cuida do modo que acreditaser correto. “As professoras são reconhecidas por tratarem de questões ditas “pedagógicas”, ensino/aprendizagem e as monitoras por tratarem de questões ligadas aos cuidados. Tal associação traz as separações: mente/corpo; trabalho manual/trabalho intelectual; natureza/cultura; razão/emoção.” (ÁVILA, 2002, p.2) A professora é responsável por desenvolver as atividades ditas “pedagógicas”,organiza e propõe atividades lúdicas e os espaços onde elas serão realizadas, além dedisponibilizar os materiais necessários para a sua execução; na maioria das atividadespropostas nota-se a preocupação em desenvolver as habilidades motoras, sensoriais eperceptivas nas crianças. “A professora pegou três cadeiras, colocou-as enfileiradas, ao final da última cadeira colocou uma pequena escada que possuía três degraus, a professora demonstrou o que as crianças deveriam fazer, elas deveriam passar por baixo das cadeiras e depois subir nos degraus da escada e com a ajuda da professora iriam pulá-lo.” (Diário de campo, Nível 3A, 14:00 horas, dia 01/04/2004) Além das atividades relacionadas à ampliação das habilidades motoras, sãodesenvolvidas atividades relacionadas à literatura infantil, brincadeiras de rodas; a professoracostuma frequentemente organizar as crianças em círculo para cantarem cantigas de roda.Também são organizadas atividades em que as crianças possam brincar de forma mais livres eespontâneas, um momento onde elas criam e inventam as suas próprias brincadeiras eexploram com maior intensidade o ambiente à sua volta, sem a intervenção direta da figura doadulto. “A professora pegou uma caixa com brinquedos e distribui entre as crianças, um menino estava enfileirando na parede as pequenas placas de madeira”. (Diário de campo, Nível 3A, 14:15 horas, 16/03/05) No trabalho desenvolvido pelas assistentes na creche fica visível que suas ações sãomais voltadas para os cuidados relacionados à alimentação, higiene e sono das crianças; alémde fazerem a faxina das salas de atendimento e dos banheiros, também auxiliam as
  13. 13. 13professoras na organização das crianças durante algumas atividades e cuidam para que elasnão briguem ou se machuquem. Segundo campos (1994): “Os profissionais que atuam nas creches- com denominação diversa: monitoras, educadoras, ADIs, recreacionistas, e outras - são mulheres com pouca escolaridade, com salário reduzido, das quais se espera disposição para “limpar, cuidar, alimentar e evitar riscos de quedas e machucaduras, controlando e contendo certo número de crianças. (CAMPOS, 1994, p.32/33) Ao observarmos a rotina dessa instituição verificamos que essa atividade é a queocupa maior tempo se compararmos com o tempo destinado para as atividades pedagógicas. “A assistente fica andado pelo refeitório na hora do almoço, ajudando algumas crianças a comer, recolhendo prato das que já terminaram, perguntava se queriam comer mais, servia água e limpava a boca das crianças”. (Diário de campo, refeitório, 11:30 horas, dia 13/04/05) “A assistente se levantou, e caminhou até o banheiro e chamou quatro meninas para dar banho.” No momento do banho a assistente fala: -Cadê a sua mochila? - Vai jogando água! - Não abre a torneira! (Diário de campo, Nível 3ª, 14:00 horas, dia 15/04/2005) Nas entrevistas realizadas com as assistentes, a hora do banho foi apontado como umdos momentos mais cansativos da rotina da creche, pois alegam que são muitas crianças paradar banho, tirar e colocar roupas e pentear cabelos em um determinado tempo. Geralmente, obanho é realizado no período da manhã, antes do almoço e no período da tarde antes do jantar;ressaltamos que para cada período há uma assistente, todas trabalham em apenas um períodona creche. “Conhecendo-se as necessidades das crianças, o banho, a alimentação e o descanso terão papel de destaque na dinâmica do dia-a-dia. Mais do que um ritual de limpeza, o banho acalma a criança, ajuda a fortalecer laços afetivos e proporciona prazer. Representa divertimento, descoberta e proximidade ao ser realizado num ambiente previamente preparado.” (ÁVILA, 2002, p.97) A correria do dia-a-dia na creche de certa forma impede a criança de vivenciar essesmomentos de prazer, descoberta e divertimento durante as atividades relacionadas aoscuidados, principalmente na hora do banho, das refeições e do descanso; esses momentosocorrem sempre de maneira rápida e mecânica. “Assim, os momentos rotineiros, como as refeições ou higiene pessoal, muitas vezes considerados como tendo pouca importância, permite-nos estabelecer relacionamentos que oferecem as crianças possibilidades de compreender, aprender, analisar, reconhecer e recordar.
  14. 14. 14 Tudo depende da forma como os adultos se relacionam com ela.” (GHEDINI, Apud ÁVILA p. 90) Apesar da confirmação da presença da divisão de trabalho na creche entre asprofessoras e assistentes, também foi notado que as práticas desenvolvidas por ambas acabamse “contagiando”. A assistente muitas vezes se deparava com situações inesperadas, onde elaacabava manifestando conhecimentos aprendidos no convívio com a professora.Presenciamos várias situações onde as assistentes ficaram na sala com as crianças sem apresença da professora, mas em nenhum momento presenciamos a professora com as criançassem a presença das assistentes. “As crianças estavam na sala somente com a assistente, elas estavam sentadas em círculo, a assistente cantava algumas cantigas de roda e as crianças acompanhavam. A assistente disse: - Vamos lá atirei o pau no gato! - Não vi ninguém cantando! “Quando a assistente errava a letra da cantiga alguma criança a corrigia.” (Diário de campo, Nível3B, 14:00 horas, dia 30/03/2005) Nesse momento, a assistente percebeu que não podia deixar as crianças ociosas pormuito tempo, algo deveria ser feito mesmo não tento consciência do objetivo da prática queestava desenvolvendo, ela sabia que essa atividade acalmava e chamava atenção das crianças.Houve também, uma sensibilidade por parte dessa profissional que ao perceber que ascrianças tinham perdido o interesse pela atividade, logo propôs outra. “(...) a contaminaçãodas práticas educativas mostram a impossibilidade de separar cuidado e educação, a cabeça docorpo, a razão da emoção o cognitivo e o afetivo (...).” (ÁVILA, 2002, p.221) “A assistente vendo que a maioria das crianças não queria mais cantar, então resolveu pegar a caixa de brinquedos e distribuiu para elas, deixando-as livres para brincar.” (Diário de Campo, Nível 3B, 14,00 horas, dia 30/03/2005) Mas nem sempre uma atitude como essa é tomada, presenciamos também situaçõesem que havia a ausência da professora na sala e a assistente demonstrou que não sabia o quefazer com as crianças, assim achou mais plausível deixá-las sob controle. “As crianças começaram a levantar do chão e a assistente pediu que as crianças voltassem a sentar e que ficassem encostadas na parede.” “A assistente falou para quatro crianças que estavam na porta da sala:
  15. 15. 15 - Quem mandou ficar na porta! - Todo mundo sentado perto da parede! A assistente caminhou até a porta e pegou na mão delas, e as levou até o canto da sala.” (Diário de campo, Nível 3A, 15;00 horas, dia 18/03/05) A “contaminação” de práticas também ocorre por parte da professora, que acaba seenvolvendo com as atividades de cuidados físicos, por exemplo, a professora costuma pentearo cabelo das crianças após o banho, junto com a assistente ela serve o lanche, o almoço e ajanta. “As meninas que já tinham tomado banho iam até a professora que estava sentada numa cadeira, com a escova de cabelo na mão” (Diário de campo, Nível 3A , 14:15 horas, dia 16/03/05) È importante focar que as práticas desenvolvidas pelos profissionais acabam se“contaminando” até mesmo pelas necessidades encontradas no dia-a-dia da creche. Noentanto, essas ações não são pensadas e nem feitas de modo planejado e integrando. Cadaprofissional educa e cuida da criança à sua maneira, baseado na sua própria concepção demundo. “Chamo a atenção para o aspecto de que não é o cuidado e a educação que estão separados. (cuidar e educar estão indissociáveis) - não há uma profissional que cuida (monitora) e outra que educa (professora) – são as ações educativas de cada profissional que estão separadas e cada uma pensa e faz seu trabalho paralelamente. Ambas estão cuidando e educando as crianças e trocando informações sobre elas, no entanto, uma profissional não entra naquilo que seja considerado esfera de atuação de outra profissional.” (ÁVILA, 2002, p.100) Uma das professoras relatou que se assustou quando entrou na creche, porque ela nãoestava acostumada a fazer o que ela faz e disse que não é paga para ficar penteando o cabelodas crianças, mas não tem como não o fazer, “como ela iria deixar a assistente fazer tudosozinha”. Esse relato demonstra que as atividades relacionadas aos cuidados básicos dacriança não fazem parte do trabalho e nem do planejamento das professoras, elas apenas“ajudam” as assistentes. Essa afirmação vem a confirmar a existência da divisão de papéis e apresença da hierarquia nas relações entre as profissionais da creche. “Assim, cuidar e educar, que deveriam ser propostas de uma mesma prática pedagógica, tornam-se divisores de águas da função exercida por esses profissionais em seu cotidiano de trabalho: cuidar passa a ser de responsabilidade daquele que possui menos formação (a auxiliar, a crecheira, etc.), ao passo que o educar torna-se responsabilidade do profissional com mais formação.” (LANTER, 1999) Através das entrevistas realizadas notamos que o professor fica com a partepedagógica; nas respostas das assistentes e das professoras fica explícito que as assistentes são
  16. 16. 16incumbidas de realizar as tarefas relacionadas aos cuidados físicos e da higiene pessoal dacriança. Porém, algumas professoras demonstram a preocupação em realizar um trabalhointegrado, mas segundo elas, a falta de formação das assistentes dificulta a sua realização. Taldivisão de trabalho é reflexo do próprio sistema capitalista, onde o trabalho acaba sendodividido para obter rapidez em receber o produto final, porém os envolvidos na sua produçãonão participam de todas as etapas da qual resulto o produto. “A pedagogia italiana (Montovanni e Perani) nos permite ver uma relação dialética nesta questão: Não há incompatibilidade entre contar uma história e trocar a roupa de uma criança. È possível trocar-lhe a roupa e contar-lhe uma história. Sem perder de vista o objetivo educativo presente nesta ação.” (FARIA, Apud ÁVILA, 2002, p. 97) Fica visível na rotina da creche, momentos onde é revelado a existência de hierarquiadurante as relações de trabalho, entre a professora e a assistente, apesar de haver momento de“contágio” das práticas desenvolvidas por ambas. Outro aspecto analisado diz respeito aosconfrontos e conflitos vividos entre essas profissionais no dia-a-dia da creche. “A relação com meu professor é péssima, ela com todo esse estudo que ela tem e eu apenas com 1º grau. Os professores por serem pedagogos ou psicólogos alegam que tem nível superior, nós assistentes não temos grau de escolaridade, temos que ralar, realmente. A divisão é a professora dá atividade para quatro e a assistente cuida do restante.” (entrevista realizada com as assistentes) A assistente demonstra que está ciente das diferenças existentes entre ela e aprofessora, principalmente pelo grau de escolaridade que ambas possuem; afirma também afalta de importância do papel pedagógico desempenhado pela professora e considera que ficacom as crianças muito mais tempo que a professora e que o seu trabalho é muito maiscansativo. As diferenças existentes entre professoras e assistentes contribuem para aocorrência de situações conflituosas nas suas relações de trabalho. “Os trabalhadores da creche têm diferentes formações escolares, o que dificulta o seu trabalho enquanto grupo. È um grande engano supor que o trabalho em grupo esteja garantido, ao invés de considerá-lo como uma competência que deve ser adquirida...” (GHEDINI, Apud ÁVILA, 2002, p.75) Todo trabalho em grupo é conflituoso, principalmente quando os objetivos de suasações perpassam por diferentes caminhos, porém vimos que a integração entre as práticas decuidar e educar vai depender muito da escolha de um mesmo caminho (objetivo) paradirecionar suas práticas. No entanto, para que essa unificação ocorra depende de fatores que opossibilitem, pois percebemos que a própria rotina da creche impede que a proposta do
  17. 17. 17professor esteja integrada com a prática desenvolvida pela assistente. A integração entre aspráticas é um processo que ainda se encontra em construção. Destacamos ainda, que a própria formação acadêmica do profissional para a educaçãoinfantil não o subsidia o suficiente para que ele possa integrar em sua proposta pedagógica aação de cuidados com caráter educativo. Em relação à interação entre adulto-adulto, podemos dizer que há uma relação derespeito entre ambas e pelo papel que desempenham; notamos ainda que a própria rotina nacreche contribui para que haja pouco diálogo entre as duas profissionais. As poucas conversaspresenciadas entre elas estavam relacionados à criança, mas também surgem conversasrelacionadas a outros assuntos. “A professora notou a falta da Soraia na sala e perguntou a assistente onde ela estava, a assistente respondeu que ela estava no banheiro” (Diário de campo, nível 3A , horas 14:00, dia 12/05/05) “A assistente perguntou a professora se ela iria assistir ao filme que estava passando no moinho cultural, comentou com a professora que ela não conseguiu assistir porque estava com seus netos e o filme era proibido para menores”. (Diário de campo, nível 3A, horas14:00, dia 12/05/05) Durante o momento em que a professora fica desenvolvendo atividades com ascrianças, a assistente costumeiramente fica observando-as de longe durante algum tempo equando chega perto da hora do banho se dirige ao banheiro para limpá-lo e organizá-lo parareceber as crianças. “A assistente estava sentada do lado de fora da roda e apenas observava a professora e as crianças. Logo depois ela se levantou e foi limpar o banheiro.” (Diário de campo, nível 3ª, horas 14:15, dia 16/03/05) Havia momentos em que a própria professora solicitava a ajuda da assistente paraajudá-la no trabalho que estava desenvolvendo com as crianças, a assistente demonstrouprazer e seriedade na hora de ajudá-la. Nesse momento houve a integração do trabalho entre aprofessora e a assistente, eram adultos inteiros educando crianças inteiras. “A assistente pegou uma cola e ajudou a professora a passar cola nas folhas de sulfite e também ensinava como as crianças deveriam colocar o barbante sobre o papel. (Diário de campo, nível 3A , horas 14:00, dia 12/05/05) “A professora estava sentada e pediu para a assistente pegar os brinquedos de encaixe, depois a assistente sentou no chão e ficou olhando as crianças brincando”. (Diário de Campo, Nível 3A, horas 14:00, dia 11/03/05)
  18. 18. 18 As professoras e assistentes encontravam-se cotidianamente, estavam juntas, mas suaspráticas não estavam totalmente integradas. Portanto, havia tentativas de integração quando aassistente era convidada a participar das atividades que a professora estava desenvolvendo equando professora e assistente trocavam informações sobre as crianças. Na interação entre adulto-criança, a questão da afetividade está presente tanto nasações das professoras quanto das assistentes pelas crianças e destas por ambas asprofissionais. As crianças também procuravam tanto as professoras, como as assistentes. Estas eramprocuradas não só com o objetivo de satisfazer as suas necessidades básicas como higiene ealimentação, mas como uma forma de buscar colo e assim as sensações de conforto,aconchego e carinho. As crianças são capazes de estabelecer múltiplas relações entre elas eentre elas e os adultos. “A assistente sentou numa cadeira, Soraia foi até ela, a assistente abraçou-a e ficou conversando com ela.” (Diário de campo, nível 3A, 13:30 horas, dia 28/04/05) “Soraia sentou no colo da professora, começou a passar a mão no seu rosto e a professora conversava com ela nesse momento.” (Diário de campo, nível 3A , 14:20 horas, dia 10/05/05) Um fato que nos chamou a atenção foi a maneira como as crianças chamam asprofessoras e as assistentes, ambas são chamadas de tias. “Quando a professoras não se importam de ser chamadas de tias, negligenciam uma dimensão da profissionalização e da política de atuação técnica que possui.” (Ávila, 2002, p. 92) Uma menina falou para a professora: _ Tia eu sou uma coelhinha? Um menino pegou a sua mochila e disse para a assistente: - Tia já! (Diário de campo, nível 3B, 15:00 horas, dia 23/03/2005) Uma última questão a ser destacada é que os adultos responsáveis pelas criançasimpediam que elas se expressassem, que fossem espontâneas; ou seja, elas eram limitadas porregras, pela disciplina, pela ordem. - Welliton, não mexe aí! Thaís vem pra cá! - Senta Geovani! - Fica todo mundo sentado! - Podem sair da porta! (Fala da professora e da assistente)
  19. 19. 19 Nesse sentido, pode-se afirmar que ambos os profissionais desconsideram aimportância do movimento, da brincadeira espontânea, da imaginação e da criatividade,privilegiando a ordem o silêncio e o “ficar quieto”. CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer da pesquisa, observamos que as práticas de cuidar e educar sãoindissociáveis no cotidiano da creche, no entanto o que se encontra separado são os objetivosque permeiam nessas práticas; cada profissional educa e cuida da criança ao mesmo tempo, domodo que acredita ser correto. Há momentos em que os profissionais acabam utilizando conhecimentos queaprenderam no convívio com o outro, esses momentos demonstram a tentativa de aliar suaspráticas, apesar de ambas as ações serem pensadas, planejadas e executadas de maneiraseparada. Essas tentativas também são percebidas quando a professora convida a assistentepara participar das atividades que desenvolve e quando ambas trocam idéias e conversamsobre as crianças. A própria divisão de trabalho existente na creche acaba demarcando o trabalho quedeve ser realizado por cada uma dessas profissionais. È através de suas relações de trabalhoque notamos que ela se estabelece de forma contraditória e muitas vezes conflituosa, poisprofissionais com características e princípios tão diferentes acabam se confrontando enegando a importância um do outro neste contexto. Através das relações estabelecidas entre professoras e assistentes, percebemos ainda apresença de hierarquia, que acaba existindo principalmente pelo fato de cada profissionalpossuir formações distintas e por serem incumbido em realizar determinadas tarefas. Essadistribuição de tarefas cria barreiras que impedem esses profissionais de adentrarem notrabalho que é desenvolvido pelo outro. Apesar de considerarmos que nesse contexto a integração das práticas é um processoque se encontra em construção, apontamos ainda a importância da criação de uma propostaeducativa que considere o cuidar como parte integrante e vice-versa. No entanto, antes se faznecessário que a própria formação acadêmica do profissional de educação infantil dêsubsídios para assegurar essa junção, além de capacitar, também as assistentes comconhecimentos relativos à criança pequena e seus direitos. A indissociabilidade entre as práticas de cuidar e educar requer que ambos osprofissionais tenham os mesmos objetivos em suas ações, de modo que juntas proporcionem o
  20. 20. 20desenvolvimento infantil nos aspectos físicos, emocional, afetivo, cognitivo, lingüístico esocial e assegurem em sua totalidade, a identidade e autonomia das crianças, livre depreconceitos e ideologias de caráter dominante. Assim, percebe-se a necessidade de políticas públicas especificas para a formação dosProfissionais de Educação Infantil que contemplem as práticas de cuidar e educar, pois nota-se que essas ações ainda não se encontram bem definidas diante dos documentos oficiaisvoltados para a educação infantil, assim como também o oferecimento de cursos que integrema participação dos dois profissionais que atuam nesse espaço. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASÁVILA, Maria José Figueiredo. As professoras de Crianças Pequenininhas e o Cuidar eEducar. Um estudo sobre as práticas educativas em um CEMEI de Campinas/SP. Dissertação(Mestrado Educação) UNICAMP.2002.BRASIL. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil/ Ministério daEducação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental.- Brasília: MEC/SEF,1998.BRASIL. Parecer CEB nº 022 de 17 de dezembro de 1998. Diretrizes CurricularesNacionais para a Educação Infantil. Brasília, DF. Disponível em: www.portal.mec.gov.br.BRASIL. Lei n.º 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional. LDBEN, 1996 Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1996.Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/LEIS/L9394.htm>.FOREST, Nilza Aparecida. Cuidar e Educar. Perspectiva para a prática pedagógica naeducação infantil. http://www.icpg.com.br/artigos/rev03-07.pdf . Acessado em: 8 abril de2005.LANTER, Ana Paula. A política de formação do profissional de educação infantil: os anos90 e as diretrizes do MEC diante da questão. In: KRAMER, Sonia; LEITE, Izabel M. ;NUNES, Maria F. e GUIMARÃES, Daneila. (orgs.) Infância e educação infantil. Campinas:Papirus, 1999.SILVA, Anamaria S. A professora de Educação Infantil e sua formação universitária.Tese (doutorado em Educação). Curso de Pós-Graduação em educação, Universidade deCampinas, 2003.VIEIRA, Lívia Maria Fraga. A formação do profissional de educação infantil no Brasil nocontexto da legislação, das políticas e da realidade do atendimento. Revista quadrimestral,Faculdade de Educação Unicamp. V.10, n.1, p.28-39, março. 1999.

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