Museu

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  1. 1. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007A VISITA A UM MUSEU: UM RESGATE HISTÓRICOPOR ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL E A CONSTRUÇÃO DE UM JORNAL DE CIÊNCIAS Edson Schroeder Celso MenezesApresentação Johann Theodor Friedrich Müller: para Darwin, o “príncipe dos O artigo apresenta uma experiência observadores”desenvolvida com estudantes de quintasérie de uma escola pública, envolvendo Johann Theodor Friedrich Theodorquatro diferentes áreas do conhecimento Müller, ou Fritz Müller, filho de Dorotheaque compõem o currículo escolar: Trommsdorff e Johann Friedrich Müller,ciências, artes, história e língua nasceu em 31 de março de 1822 naportuguesa. A partir de uma visita de pequena aldeia alemã deestudos a um museu de ciência, os Windischholzhausen. Filho e neto deestudantes e seus professores pastores protestantes, Fritz, sobtrabalharam conjuntamente na influência do pai, sempre demonstrouelaboração de um jornal que divulga os grande interesse pelos assuntos relativosdiferentes aspectos desta visita. Entre à fauna e a flora. Muito embora Fritzeles, colocamos em evidência a vida e a Müller tenha completado o curso deobra do grande naturalista Fritz Muller medicina, não pôde colar grau, pois seque viveu parte de sua vida em negou a proferir o juramento em funçãoBlumenau, como agricultor e do seu conteúdo religioso, não compatívelpesquisador. Fritz Müller, amigo e com as suas convicções pessoais: seucorrespondente de Charles Darwin, juramento continha a frase “Sicut Deusdesenvolveu importantes pesquisas em me adjuvet et sacrosantium ejusdiferentes áreas como a zoologia e a evangelium” [“assim me ajudem Deus ebotânica, sendo um dos naturalistas mais seu sacrossanto Evangelho”] (PINTO,respeitados por Darwin. Suas pesquisas 1979; CASTRO, 1992; ZILLIG, 1997).trouxeram significativas contribuições Fritz já era doutor em filosofia.para o trabalho do pesquisador britânico, No ano de 1852, face ao conturbadoque culminaria em sua mais importante contexto político e social vivido pelaobra denominada “A Origem das Alemanha e também por motivaçõesEspécies”. Este importante e fascinante existenciais e científicas, Fritz Mülleraspecto da história de nossa cidade é (figura 1), juntamente com sua esposacontado em um jornal construído em sala Karoline, sua pequena filha e seu irmãode aula. mais novo e esposa, chegou ao Brasil, mais especificamente na colônia de Blumenau, três meses depois da partida
  2. 2. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007em Hamburgo, a bordo do navio 18641 trazendo significativas“Florentin”. A colônia tinha sido contribuições às teses defendidas porrecentemente fundada pelo botânico e Charles Darwin.farmacologista alemão Doutor Hermann Ao retornar à colônia de Blumenau,Bruno Otto Blumenau. Na condição de Fritz Müller desempenhou as atividadescolono, Fritz iniciou suas atividades às de colono e de investigador científico,margens do rio Itajaí-Açu. uma vez que estava profundamente Quatro anos depois, foi convidado interessado em conhecer melhor apara lecionar matemática no “Liceu riqueza da imensa Floresta Atlântica que cobria o Vale do Itajaí e que já sofria seu processo de destruição, uma vez que a principal receita da colônia era o comércio da madeira, segundo Castro (1992). Raramente atuou como médico na colônia e nunca mais retornou à Europa. Muito embora estivesse longe dos grandes centros culturais e científicos, mas em função da sua sólida formação acadêmica, Fritz desenvolveu suas atividades de investigação de forma autodidata, que resultou em 248 artigos científicos tornando-se conhecido e respeitado nos círculos científicos europeus. Durante os seus 45 anos no Brasil, Fritz Müller como o “naturalista viajante”, também esteve a serviço do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Figura 1: Fritz Müller. Foto acervo do Museu de Ecologia Fritz Müller (PINTO, 1979; ZILLIG, 1997). Considerado pelo amigo Ernst Heckel um “herói da natureza e precursorProvincial” do Desterro, hoje da ecologia” e denominado por CharlesFlorianópolis, que era sede da província Darwin de “o príncipe dos observadores”,de Santa Catarina. Durante onze anos, Fritz Müller manteve, pordedicou-se também à história natural da correspondência, um estreito laço deregião e foi, nesta época, que Fritz Müller amizade com Darwin, até a sua morte, emconheceu a obra “A origem das espécies”, 1882. Na série de cartas de que se dispõede Charles Darwin, convertendo-se num da troca de correspondência entre Fritzgrande defensor e admirador das teoriasevolucionistas deste autor (MÜLLER, 1 “Fatos e argumentos a favor de Darwin” ou “Für1990; ZILLIG, 1997). Seu trabalho sobre o Darwin”, publicado em Leipzig, com 92 páginas, foi o único livro escrito por Fritz Müller, considerado umdesenvolvimento embrionário de marco para a formação do moderno pensamentocrustáceos foi publicado na Alemanha em científico. Em 1869, Darwin promoveu a sua publicação em Londres com o título “Facts and arguments for Darwin”.
  3. 3. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007Müller e Darwin, “há 39 missivas de “Annales des Sciences Naturelles” e, noCharles Darwin a Fritz Müller e 34 de Brasil, na “Revista do Museu Paulista”.Fritz Müller a Darwin; algumas estão Darwin incentivou Fritz Müller aem alemão, mas a maioria se encontra escrever um segundo livro sobre as suasem inglês” (ZILLIG, p. 12, 1997). Em suas atividades como naturalista no sul docartas, Darwin solicitava auxílio e Brasil. Motivado com a idéia do amigo, noopiniões sobre os mais variados temas, início, acabou desistindo, frente a muitasconforme esta, escrita para Fritz Müller decepções, entre elas, o suicídio de Rosa,em 10 de agosto de 1865: sua filha preferida, que aconteceu na “Se o senhor tiver alguma Alemanha. No dia 21 de maio de 1897, oportunidade, sendo um habilidoso sem forças, morre Fritz Müller aos 75 dissecador, eu gostaria muito que anos, vítima de tromboflebite seguida de desse uma olhada no orifício da base do primeiro par de cirros nos septicemia (CASTRO, 1992). cirrípedes, e no curioso órgão que ele contém, e descobrir qual é sua natureza; suponho que eu esteja Uma visita ao museu e a construção errado, embora não possa me sentir do Jornal de Ciências: um resgate totalmente satisfeito com as histórico pelo registro escrito, observações de Krohn. Ainda, se o desenhado e fotografado2 senhor encontrar algumas espécies de Scalpellum, procure por machos A utilização de recursos da complementares; recentemente um comunidade para a educação científica autor alemão duvidou de minhas observações sem razão alguma, exceto representa parte importante no que os fatos lhe pareceram tão desenvolvimento das atividades escolares. estranhos” (apud ZILLIG, 1997, p. 16, Conforme Delizoicov, Angotti e tradução do autor). Pernambuco (2002), Além do livro, a obra de Fritz Müller também os espaços de divulgaçãocompreendeu monografias, artigos e científica e cultural, como museus,relatórios, reunidos em um grande laboratórios abertos, planetários, parques especializados, exposições,volume pelo sobrinho, também feiras e clubes de ciências, fixos ounaturalista, Alfred Möller. De acordo com itinerantes, não podem ser encaradosCastro (1992), os trabalhos foram só como oportunidades de atividadespublicados nas revistas alemãs “Archiv educativas complementares ou de lazer. Esses espaços não podemfür Naturgeschichte”, “Zeitschrift für permanecer ausentes ou desvinculadoswissenschaftliche Zoologie”, do processo de ensino/aprendizagem,“Zoologischer Garten”, “Zoologischer mas devem fazer parte dele de formaAnzeiger”, “Kosmos”, “Archiv fürMikroskopische Anatomie”, “Natur- 2 As atividades de visita ao museu de ciência eforschende Gessellchaft in Halle”, construção do jornal foram desenvolvidas com“Zeitschift für Naturwissenschaft”. Na estudantes das quintas séries do ensino fundamental em uma escola pública do município de Blumenau.Inglaterra, foram publicados nas revistas Lembramos que a participação dos estudantes não“Journal of the Linean Society of ocorreu somente na visita ao museu e na construção doLondon”, “Nature”, “Entomological jornal, mas sim, durante todo o processo de planejamento que antecedeu estas atividades.Monthly Magazine”. Na França, nos
  4. 4. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007 planejada, sistemática e articulada (p. 37, grifo nosso). Figura 2: A casa original de Fritz Müller, hoje o Museu de Ecologia “Fritz Müller”. Foto Edson Schroeder Entre as muitas possibilidades do trabalho. Com suas equipesoferecidas pela cidade de Blumenau, está previamente organizadas, os estudantesa visita ao Museu de Ecologia Fritz complementam as informações a partirMüller3. Esta visita reveste-se de de fontes diversas (livros, artigos deimportância especial por várias razões, divulgação científica, Internet, folders),entre elas, o conhecimento sobre a vida e discutem e organizam suas páginas. Oas contribuições de Fritz Müller à ciência. trabalho de elaboração do jornal tem porA casa, em estilo enxaimel (figura 2), objetivos o desenvolvimento deconstruída pelo naturalista, hoje abriga o habilidades como a observação, amuseu. Alguns pertences pessoais e a comparação, a obtenção e a organizaçãoexposição de trabalhos científicos fazem de dados, a imaginação, a crítica, a leituraparte do acervo, além de outras coleções e a escrita, entre outras. Além destasentomológicas, arqueológicas e geológicas habilidades, pretendemos desenvolvere exposição de fotos e cartazes. Toda a atitudes como o espírito cooperativo, asignificação histórica e científica é organização, a responsabilidade, além doresgatada pelos estudantes, que interesse pela história da ciência.perguntam ao guia, fazendo registros O jornal, construído peloescritos e fotográficos para o trabalho “estudante-repórter” é constituído de dezfinal que será o Jornal de Ciências. páginas, cada uma relatando diferentes No retorno à escola, munidos de aspectos associados ao museu e à vida deseus registros, dão início à segunda etapa Fritz Müller. Lembramos que o número3 de páginas e seus títulos podem variar, de Informações sobre o Museu de Ecologia Fritz Müllerdisponíveis em: acordo com o planejamento doshttp://www.blumenauonline.com.br/conhecablumenau/ professores e estudantes e também compontosturisticos_detalhes.aspx?pontoid=1 Último acesso: 17/09/2008 as características do local a ser visitado.
  5. 5. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007Em nosso caso, o jornal ficou assim • Um trabalho científico: Fritzorganizado: Müller escreveu inúmeros artigos, • A primeira página: com as resultados de suas observações na, principais manchetes do trabalho, então, exuberante Floresta Atlântica imagens e um convite para que todos local. Grande parte destes trabalhos leiam o jornal (figura 3). foi publicada na Europa e até mesmo em nosso país. No museu, alguns dos • Uma carta ao leitor: contém a trabalhos estão expostos para que a apresentação do jornal e da turma ao comunidade possa conhecer seu leitor, bem como os principais grande interesse pelo mundo natural. objetivos de todo o trabalho. Uma das equipes encarrega-se de • O roteiro da nossa visita: fazer a apresentação escrita de um apresentação, registrada em mapa destes trabalhos para posterior dos locais que foram visitados (uma divulgação. espécie de “mapa do tesouro”). Em • Os animais do museu: por se nosso caso, o cemitério luterano e o tratar de um museu de ciência, museu de ciência. muitos animais taxidermizados, • O cemitério luterano: descrição conservados em vidro e até vivos, em da visita preliminar ao cemitério mais terrários, fazem parte do acervo. A antigo da cidade, para conhecer os página do jornal apresenta este túmulos de Fritz Müller, sua esposa aspecto do museu e suas Karoline, duas de suas filhas e outros curiosidades. parentes. O texto também apresenta • O repórter fotográfico: equipe uma apresentação e descrição do belo responsável pela seleção e jardim de coníferas, muitas plantadas organização das imagens obtidas pelos imigrantes alemães que pelos estudantes, com o objetivo de trouxeram as sementes. ilustrar as diferentes etapas do • O jardim do museu: trabalho. apresentação e descrição do jardim No processo de construção do situado em frente ao museu, que Jornal de Ciências, nas equipes de possui espécies plantadas pelo trabalho, os estudantes trocam idéias próprio naturalista. para a elaboração do texto comum que • O museu de ciência: texto que venha expressar, da melhor forma, o apresenta com detalhes a história do pensamento dos seus componentes. museu, suas transformações e sua Lembramos que este procedimento pode organização atual. acontecer em diferentes aulas, podendo • Fritz Müller, o cientista: contar com a valiosa contribuição dos contém uma biografia do naturalista professores de história, língua portuguesa e suas contribuições para a ciência. e artes na organização do pensamento, na Além de naturalista, Fritz foi um construção textual, no planejamento das importante membro da então colônia ilustrações (fotos e desenhos) e na alemã, fundada pelo Dr Hermann montagem de cada página que fará parte Bruno Otto Blumenau. do jornal. Ao final do processo, o jornal é
  6. 6. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007 distintos. Assim, o ensino da arte, da história e da língua, integrados nas atividades de construção do jornal, a partir de uma atividade feita em aulas de ciências busca, entre seus objetivos, a formação intelectual dos estudantes, bem como, na visão de Fusari e Ferraz (1992), uma formação mais completa, valorizando nestes os aspectos intelectuais, éticos e estéticos, procurando-se despertar a consciência individual, harmonizada ao grupo social ao qual pertence. Por sua vez, também acreditamos que o ensino de ciências contribui significativamente para que os estudantes ampliem sua percepção do mundo através Figura 3: A capa de um dos jornais já produzidos pelos estudantes e seus professores do conhecimento científico. Ressaltamos que este conhecimento construído ereproduzido e distribuído aos seus acumulado pela humanidade, pode serautores, professores, pais e comunidade, mostrado por um caminho diferentecom o intuito explícito de divulgar a obra daquele da lógica da transmissão ede Fritz Müller e sua contribuição para o aceitação passiva por parte dosprogresso do conhecimento científico estudantes. O ensino, portanto, nãomundial, bem como o esforço dos precisa centrar-se exclusivamente naestudantes na elaboração e finalização descrição de fenômenos, repetição dedeste trabalho. conceitos e conhecimento de Propomos este enfoque nomenclaturas científicas. Na visão deinterdisciplinar do tema, abandonando Carvalho (1998, p. 9), é importantepráticas mais tradicionais centradas darmos oportunidades “aos estudantesexclusivamente no repasse de conteúdos de exporem suas idéias sobre osformais, descontextualizados e na fenômenos estudados, num ambienteutilização de um livro texto. encorajador, para que eles adquiramCompreendemos as práticas segurança e envolvimento com asinterdisciplinares como um processo práticas científicas”.fundamental que não pode ser imposto,mas como um esforço de correlacionar O que pretendemos com estadisciplinas objetivando uma síntese que propostadá origem a um novo texto, caracterizadopor uma nova linguagem e, Os resultados mostram que osconseqüentemente, o estabelecimento de estudantes conseguem desenvolver umnovas relações entre conhecimentos conjunto de atitudes e habilidades importantes para a sua formação
  7. 7. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007científico-cultural. Acreditamos que a organizadas linearmente pelos programasconstrução de significados aconteça ou também pelos livros didáticos.através das atividades em que são Frente às reflexões apresentadas,motivados para a prática da observação, poderíamos, em síntese, apresentarda leitura, do questionamento e discussão alguns princípios que orientaram nossoe, principalmente, do registro das etapas planejamento da visita de estudos aoe idéias, tão importantes para todos, na museu de ciência para a elaboração dorecuperação da história vivida pelo grupo. jornal, envolvendo e contando com aO desafio da obtenção e organização e importante colaboração de diferentesdivulgação dos conhecimentos a partir de áreas do conhecimento:uma visita de estudos e a construção do • A educação, sobretudo a educaçãoJornal de Ciências, permitiram que os científica, é um dos instrumentosprofessores envolvidos tratassem, utilizados na promoção dojuntamente com seus estudantes, de desenvolvimento das crianças e dosdiferentes dimensões do processo de adolescentes.construção de significados, como a • Este desenvolvimento é resultado dacriatividade e a imaginação, colocando-as ajuda sistemática e planejada,em evidência na resolução dos desafios processo que é assegurado pela escola.que as tarefas demandaram. Assim, na Poderíamos acrescentar que competeargumentação de Pietrocola, à escola o desenvolvimento intelectual a escola se imbui da missão de e pessoal dos estudantes com vistas à transmitir às novas gerações valores, construção de uma identidade em um atitudes, conhecimentos e demais elementos da cultura humana. Nessa determinado contexto social e tarefa, muitas vezes relega a cultural. criatividade e a imaginação ao aspecto meramente motivacional das • A aprendizagem não se caracteriza atividades, atribuindo ao lúdico como uma cópia ou reprodução do unicamente a capacidade de entreter. conteúdo, mas é um processo Em geral, separam-se as atividades de raciocínio daquelas imaginativas, construtivo com a participação do como se tratassem de áreas estudante, que atribui significados desconexas do pensamento. Por um sobre o que lhe é ensinado. duplo preceito, não atribuem ao raciocínio a possibilidade de criar, • Entretanto, a participação do nem à imaginação de organizar e professor neste processo é crucial, moldar representações sobre o mundo (2004, p. 130). pois, além de organizador das atividades e situações de ensino é o O professor tem grande relevância orientador e desencadeador dosneste processo ao valorizar uma prática processos construtivos, objetivando avoltada para uma participação efetiva dos construção de significadosseus estudantes, a partir de abordagens socialmente organizados ede ensino mais diversificadas, em partilhados. Nunca é demais notar quedetrimento daquele centrado no professor um ambiente encorajador em sala decomo repassador de informações, aula é fundamental para a
  8. 8. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007 aprendizagem do conhecimento construção do jornal pode se tornar uma científico. interessante alternativa para os professores interessados no • O planejamento interdisciplinar desenvolvimento de habilidades contribui para que os estudantes importantes como a coleta, o registro e a tenham uma percepção muito mais organização das informações na forma de completa e adequada dos objetos de textos escritos; no desenvolvimento de estudo. atitudes como a responsabilidade, o Lembramos, ainda, o pensamento trabalho em equipe, a crítica, ade Harlan e Rivkin (2002), que imaginação, para mencionar algumas ecaracteriza o ensino de ciências como no trato direto dos estudantes com osoportunidade para os estudantes conhecimentos científicos que estiveremexperimentarem, coletarem, testarem, associados às atividades. Em nosso caso,pensarem, partilharem, enfim serem os estudantes envolveram-se de formaprotagonistas reais no processo de ativa com uma parte importante daconstrução de significados. Sabemos que história da cidade, mas, também, com atrazem consigo um interesse natural para história da ciência, se for levada emconhecer o mundo, o que acontece consideração a grande contribuição dequando sentem curiosidade nos processos Fritz Müller para a ciência mundial.de investigação. Estudos mostram como épossível auxiliá-los na resolução deproblemas sem temores e inseguranças, REFERÊNCIASutilizando experiências e situações que CARVALHO, A. M. P. de et. al. Ciências noenvolvam a utilização da linguagem e os ensino fundamental: o conhecimento físico.conhecimentos científicos. São Paulo: Scipione, 1998. Outro aspecto também considerado CASTRO, M. W. de. O sábio e a floresta. Rioimportante relaciona-se ao fato de de Janeiro: Rocco, 1992.percebermos os estudantes como sujeitos DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências:da sua aprendizagem, um processo em fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez,contínua construção, tendo-se, na 2002.linguagem, um importante instrumento FUSARI, M. F. de R.; FERRAZ, M. H. C. de T.de elaboração conceitual e interação com Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez,a realidade. Identificamos, assim, no 1992.espaço da sala de aula, um cenário HARLAN, J. D.; RIVKIN, M. S. Ciências nadeterminado pelas interações professor- educação infantil. Uma abordagemconhecimento científico-estudantes: o integrada. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2002.professor de ciências, empenhado em MÜLLER, F. Fatos e argumentos a favor depromover um ensino que conduza a Darwin. Florianópolis: Edições Fundaçãopatamares mais sofisticados do Catarinense de Cultura, 1990.conhecimento e seus estudantes, PIETROCOLA, M. Curiosidade e imaginaçãoparticipantes ativos deste processo. – os caminhos nas ciências, nas artes e no Como já tínhamos argumentado ensino. In: CARVALHO, A. M. P. de. Ensinoanteriormente, a visita a um museu e a
  9. 9. Ciência & Ensino, vol. 2, n. 1, dezembro de 2007de Ciências: unindo a pesquisa e a prática.São Paulo: Thompson, 2004, p. 119-133.PINTO, E. R. Glória sem rumor. 2. ed.Blumenau: Prefeitura Municipal: Museu FritzMuller, 1979.ZILLIG, C. Dear Mr. Darwin: a intimidadeda correspondência entre Fritz Müller eCharles Darwin. São Paulo: Sky/AnimaComunicação e Design, 1997.Edson Schroeder é doutor em EducaçãoCientífica e Tecnológica (PPGECT/UFSC) eprofessor do Departamento de Educação naUniversidade Regional de Blumenau/SC.e-mail: edi.bnu@terra.com.brCelso Menezes é professor de ciências ebiologia e Coordenador de Ciências daSecretaria Municipal de Educação deBlumenau/SC.e-mail: mencelso@ibest.com.br

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