O PROFISSIONAL DA SAÚDE    DIANTE DA MORTE    Marian Festugato de Souza    Psicóloga/Psicooncologista      marian@clinionc...
“A vida é o primeiro bem a quetodos os seres humanos têm direito.   “Todos temos direito a nascer,   crescer, envelhecer e...
“A cultura ocidental moderna torna a morte um assunto    socialmente evitado e politicamente incorreto. A palavra morte fr...
A Formação Acadêmica•   1º Contato: Cadáver•   Ensinados a curar, a salvar...•   Onipotência? (cultural)•   Distanciamento...
• Questão:  Deparar-se com a morte do outro, é como dar-        se conta da sua própria finitude?      “(...) Poderíamos a...
O PROFISSIONAL DE SAÚDEPara o profissional da saúde, vivenciar na prática e atenderpacientes graves e em situação de morte...
Ninguém deixa de pensar a respeito da morte. Pormais que tentemos negá-la ou mesmo evita-la, asua existência é um fato e d...
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Questões pontuadas por Norbert Elias em        “A Solidão dos Moribundos”• A morte biológica não é o maior pesadelo. O pio...
Elizabeth Kübler-Ross• Kübler Ross descreve cinco estágios quando da aproximação da  morte:• 1º) a negação e o isolamento•...
Trabalhando com a Equipe, pela enfermeira              Marilyn Stoner: É necessário que a equipe vivencie o luto, trabalhe...
Dicas de Leitura:• BOTSARIS, Alex. Sem Anestesia: o desabafo de um médico.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.• ELIAS, Norber...
Referências:CECCIM, RB.; CARVALHO, PR. Criança hospitalizada: atenção  integral como escuta à vida. Porto Alegre: Ed. da  ...
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O profissional da saúde diante da morte

  1. 1. O PROFISSIONAL DA SAÚDE DIANTE DA MORTE Marian Festugato de Souza Psicóloga/Psicooncologista marian@clinionco.com.br Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  2. 2. “A vida é o primeiro bem a quetodos os seres humanos têm direito. “Todos temos direito a nascer, crescer, envelhecer e morrer” (BEYERS et.al,1995). Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  3. 3. “A cultura ocidental moderna torna a morte um assunto socialmente evitado e politicamente incorreto. A palavra morte freqüentemente associa-se ao sentimento de dor. No tocante aos médicos, formados para salvar ecurar, associa-se à sensação de fracasso ou erro. Embora a maioria dos óbitos no século XXI ocorra nos hospitais, os médicos são pouco treinados para cuidar do paciente vítima de doença terminal. Torna-se então necessário que o tema morte e morrer passe a ser debatido no lar, escolas e universidades. Aprender a aceitar e conviver com a morte e o morrer é essencial para a formação dos profissionais de saúde”. (Moritz, Raquel) Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  4. 4. A Formação Acadêmica• 1º Contato: Cadáver• Ensinados a curar, a salvar...• Onipotência? (cultural)• Distanciamento da Morte Mas tem como não se deixar afetar? “(...) A atenção de saúde, por ser um encontro, produz afeto. (...) Todo encontro é afecção, isto é, quando há um encontro afetamos e/ou somos afetados pelo outro” (Ceccim, 1997) Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  5. 5. • Questão: Deparar-se com a morte do outro, é como dar- se conta da sua própria finitude? “(...) Poderíamos argumentar que se a experiência da nossa própria morte é impossível, podemos pelo menos ter a experiência da morte do outro. No entanto, tal experiência é também impossível; quando muito podemos ter a experiência dos últimos momentos da vida do outro, mas não podemos ter a experiência do seu próprio morrer”. (Garcia Roza, APUD: Ceccim, 1997) Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  6. 6. O PROFISSIONAL DE SAÚDEPara o profissional da saúde, vivenciar na prática e atenderpacientes graves e em situação de morte iminente é umgrande desafio (SANTOS, 1996). Tal fato se explica pelocompromisso que assume com a sociedade, “pois tem emseus ideais a preservação da vida” (FIGUEIREDO et al.,1995). Para MIRANDA (1996) é provável que esta seja aquestão mais difícil e delicada quando se fala da área desaúde, “pois todo o movimento do profissional dessa área éem direção ao bem estar, à saúde, à vida”. E de repente há odefrontamento com o seu exato avesso - a perda, a finitude,a morte. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  7. 7. Ninguém deixa de pensar a respeito da morte. Pormais que tentemos negá-la ou mesmo evita-la, asua existência é um fato e dela ninguém poderáfugir.Ao pensarmos sobre ela tornamo-nos ansiosos eos valores e as crenças pessoais de cada uminterferem decisivamente no comportamentoadotado individualmente perante a questão.RIBEIRO et al. (1998) afirmam que a equipe deenfermagem sofre com tais situações, mas estesofrimento parece ser mascarado pelocumprimento de rotinas. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  8. 8. • O profissional de saúde é um ser humano que, como qualquer outro, tem suas tristezas, irritações, receios, dentre outros sentimentos. No entanto, muitas vezes vê como necessário a minimização de tais qualidades, para que, assim, consiga realizar a “tarefa” que muitas vezes lhe é cabida. Ao isolar sentimentos e receios, minimiza suas tensões, afim de assegurar que as suas respostas individuais não prejudiquem o paciente que está sendo atendido. Assim seria possível chegar ao doente, configurar diagnósticos, planejar sistematicamente a assistência e a partir daí, implementá-la, avaliá-la e modificá-la quando houver necessidade. Mas a questão é: dá realmente para fazer isto?? Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  9. 9. Moritz coloca que o médico, formado para salvar vidas,nega a morte de seu paciente. Sua indignação ante seuslimites o torna culpado no processo do morrer. Abarganha o leva à busca de novas opções terapêuticas,que poderão somente prolongar o sofrimento doenfermo. Sua depressão ante a constatação dairreversibilidade da morte e de sua própria impotência ofaz avaliar a morte como fracasso, e não parte natural davida. O erro médico passa a ser temido e o profissionalse deixa vencer pela tecnologia, esquecendo-se deavaliar o lado humano do problema. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  10. 10. No século XXI, a morte entrou na era da altatecnologia, podendo ser qualificada por cincocaracterísticas: um ato prolongado, gerado pelodesenvolvimento tecnológico; um fato científico,gerado pelo aperfeiçoamento da monitoração; um fatopassivo, já que as decisões pertencem aos médicos efamiliares e não ao enfermo; um ato profano, por nãoatender às crenças e valores do paciente, e ato deisolamento, pois o ser humano morre socialmente emsolidão. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  11. 11. Questões pontuadas por Norbert Elias em “A Solidão dos Moribundos”• A problemática em questão não é só a morte, mas, principalmente, o significado de partida antecipada que assume o envelhecimento nas sociedades industrializadas.• Nas sociedades modernas, a morte é vista como um dos maiores perigos biopsicossociais na vida dos indivíduos. Em outros momentos da civilização, como na Idade Média, pode-se perceber que a morte era muito menos oculta, mais presente e familiar, embora, não mais pacífica.• Pouco se fala sobre morte porque ela é uma evidência de nosso limite, da nossa fragilidade enquanto condição humana. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  12. 12. Questões pontuadas por Norbert Elias em “A Solidão dos Moribundos”• Muitas pessoas vivem secreta ou abertamente em constante terror da morte. A angustia, a depressão e o sofrimento, causados por fantasias e pelo medo de morrer, podem ser tão intensos e tão reais quanto a dor física.• Encobrir a morte da consciência é uma tendência muito antiga na história da humanidade, porém, mudaram os modos usados para esse encobrimento. Atualmente, os avanços científicos que permitem o prolongamento da vida e a possibilidade de institucionalizar os cuidados com os velhos e moribundos, são as formas mais comuns para encobrir o processo de envelhecer e morrer. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  13. 13. Questões pontuadas por Norbert Elias em “A Solidão dos Moribundos”• A morte biológica não é o maior pesadelo. O pior pode ser a dor dos moribundos e a incomensurável perda sofrida pelos vivos quando morre uma pessoa amada.• A grande tarefa que ainda temos pela frente é enfrentar os terrores que, emocionalmente, alimentamos sobre envelhecer e morrer opondo-lhes a realidade de uma vida biológica que tem fim.“A morte não tem segredos. Não abre portas. É o fim de uma pessoa. O que sobrevive é o que ela ou ele deram às outras pessoas, o que permanece na memória alheias”(Elias, 2001)• Existem alguns meios para se mudar a atitude frente à morte: a amizade e solidariedade dos vivos e o sentimento dos moribundos de que não causam embaraço aos vivos Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  14. 14. Elizabeth Kübler-Ross• Kübler Ross descreve cinco estágios quando da aproximação da morte:• 1º) a negação e o isolamento• 2º) a raiva• 3º) a barganha• 4º) a depressão• 5º) a aceitação Percebe- se que estas etapas são vividas não apenas diante da morte, mas também, pro exemplo, quando alguém recebe um diagnósitco como o de câncer. E cabe também pensar se os profissionais da saúde não vivenciam estas etapas em si mesmos, quando diantes de um paciente terminal, ou diante da perda de um paciente. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  15. 15. Trabalhando com a Equipe, pela enfermeira Marilyn Stoner: É necessário que a equipe vivencie o luto, trabalhe o luto. Existem vários modos de fazer isto. O que importa é que hajam rituais de despedida, que podem ser, por exemplo:• Reunir a equipe e fazer uma oração para os pacientes que morreram;• Despetalar uma flor e, a cada pétala, dizer o nome de um paciente. Depois, pode-se guardá-las, ou jogá-las ao vento;• Na época do Natal, enfeitar uma árvore, fazendo um ritual em que cada um traz um enfeite, e cada enfeite representa um dos pacientes falecidos...Enfim... é preciso que a equipe possa fazer a sua despedida!! Marilyn Smith Stoner, RN, Phd. Universidade do Estado da Califórnia, Fullerton Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  16. 16. Dicas de Leitura:• BOTSARIS, Alex. Sem Anestesia: o desabafo de um médico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.• ELIAS, Norbert. A Solidão dos Moribundos. Rio de Janeiro, Zahar, 2001.• KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2000.• KÜBLER-ROSS, Elisabeth & KESSLER, David. Os Segredos da Vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.• MILLER, Sukie. Depois da Vida: Desvedando a jornada pós- morte. São Paulo: Summus, 1997.• MURPHET, Howard. Entendendo a Morte. São Paulo: Pensamento, 1990• VIORST, Judith. Perdas Necessárias. São Paulo: Melhoramentos, 2002. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br
  17. 17. Referências:CECCIM, RB.; CARVALHO, PR. Criança hospitalizada: atenção integral como escuta à vida. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1997.CECCIM, R.B. “O Psicanalista na CTI”. In: A Prática da Psicologia nos Hospitais. ROMANO, Wilma (org). Ed. Pioneira, 1997.SPEZANI René & CRUZ, Isabel. Produção Científica de Enfermagem sobre ansiedade e morte: implicações para o enfermeiro de terapia intensiva (fonte: internet)ELIAS, Norbert. A Solidão dos Moribundos. Rio de Janeiro, Zahar, 2001.MORITZ, Raquel. Simposio Médico.In: http://www.portalmedico.org.br/revista/bio13v2/simposios/simposio03.htmKLÜBER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer.Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2000. Marian Festugato de Souza- marian@clinionco.com.br

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