PLURIATIVIDADE NO ESPAÇOPLURIATIVIDADE  URIATIVID       ESPAÇO  RURAL DO PÓLO BAIXO    JAGUARIBE, CEARÁ
Série: Documentos do ETENE, v. 11Obras já publicadas na série:V. 01 – Possibilidades da Mamona como Fonte de Matéria-Prima...
Maria Odete Alves (Coordenadora) Enga Agrônoma, Mestre em Administração e Desenvolvimento Rural                e Pesquisad...
Presidente                                        Roberto Smith                                         Diretores         ...
AGRADECIMENTOS       Ao colega do Etene, José Maria Marques de Carvalho, pelas valiosascontribuições na definição da amost...
SUMÁRIO1 – INTRODUÇÃO .......................................................................... 9                   DESEN...
CONCLUSÕES8 – CONCLUSÕES E SUGESTÕES ............................................... 6 1REFERÊNCIAS .........................
1 – INTRODUÇÃO        A realização do presente estudo foi motivada pela premente necessidadede se disponibilizar informaçõ...
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DESENVOLVIMENTO2 – PÓLOS DE DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS    (PDAs)        As preocupações iniciais com a concentração o...
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identificou, em sua área de atuação, doze PDAs, com cadeias produtivas centradasem grãos, fruticultura, pecuária, carcinic...
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PLURIATIVIDADE      URIATIVID3 – PLURIATIVIDADE NO MEIO RURAL                     Termo3.1 – Significado do Termo Pluriati...
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Ocorreu, em decorrência, um crescimento da população não-agrícola e reduziua população ocupada na agricultura. Passou a te...
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a) o emprego agrícola vem caindo sistematicamente desde meados dos   anos 80, mas a população rural ocupada (PEA Rural), a...
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JUSTIFICATIVA4 – JUSTIFIC ATIVA E OBJETIVOS        Os subsídios obtidos a partir de revisão bibliográfica e dos resultados...
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Tabela 1 – Distribuição da amostragem nas comunidades           selecionadas nos respectivos municípios,           propor ...
6 – CARACTERIZAÇÃO GERAL DO PÓLO DE    DESENVOLVIMENTO                 BAIXO    DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS BAIXO    J...
Em termos de desenvolvimento social, os índices de desenvolvimento humano(IDH) dos municípios do PDA Baixo Jaguaribe são i...
Embora a maior parte da área irrigada do Pólo Baixo Jaguaribe aindaesteja ocupada pela cultura do arroz, os produtores est...
Além dessas atividades, verifica-se também a existência de agroindústriaspara beneficiar polpa de frutas, de castanha de c...
SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS7 – CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS           PLURIATIVAS             URIATIV       ...
Quando se analisa a escolaridade a partir da perspectiva de gênero, verifica-se a existência de maior quantidade de homens...
A partir das declarações feitas pelos entrevistados, verifica-se que, dototal dos membros das famílias, 39,7% possuem rend...
Verifica-se que não somente os “sem-terra” são submetidos a condiçõesprecárias de exploração de terra de trabalho. Também ...
a principal atividade, superando, em grande escala, as atividades agrícolas. Partedessas famílias (41,3%) sequer pratica q...
Tabela 11 – Atividades agrícolas praticadas pelos membros                                                  membros        ...
Por outro lado, verifica-se que, entre as famílias, ainda não existemocupações no setor de turismo rural.       Ainda, ten...
pode ser uma indicação de que algumas dessas atividades (não-agrícolas) estejamocupando um lugar importante na obtenção de...
A maioria das famílias entrevistadas (62,5%) afirma que a atividade não-agrícola ocupa acima de 30 horas semanais; outros ...
desenvolvimento das atividades não-agrícolas de sua família, quando se esperavaque a maioria apontasse a existência de pro...
Tabela 16 – Principais fontes de financiamento das atividades não-            agrícolasFontes de Financiamento            ...
Tabela 18 – Opinião do entrevistado sobre adequação, suficiência            e oportunidade da fonte de financiamento das  ...
Com efeito, deste total, cinco haviam tido acesso a algum tipo de financi-amento anteriormente, porém, quatro deles declar...
Tabela 21 – Áreas em que são realizadas atividades de            planejamento para as atividades não-agrícolasÁreas de Pla...
Outra problemática observada junto às famílias extensas pesquisadas, é aausência de orientação para o planejamento das ati...
Tabela 24 – Áreas em que são realizadas atividades de controle                                                      contro...
Pluriatividade no espaço rural do pólo baixo jaguaribe ce 2006
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  1. 1. PLURIATIVIDADE NO ESPAÇOPLURIATIVIDADE URIATIVID ESPAÇO RURAL DO PÓLO BAIXO JAGUARIBE, CEARÁ
  2. 2. Série: Documentos do ETENE, v. 11Obras já publicadas na série:V. 01 – Possibilidades da Mamona como Fonte de Matéria-Prima para a Produção de Biodiesel no Nordeste BrasileiroV.02 – Perspectivas para o Desenvolvimento da Carcinicultura no Nordeste BrasileiroV. 03 – Modelo de Avaliação do Prodetur/NE-II: base conceitual e metodológicaV. 04 – Diagnóstico Socioeconômico do Setor Sisaleiro do Nordeste BrasileiroV. 05 – Fome Zero no Nordeste do Brasil: construindo uma linha de base para avaliação do programaV. 06 – A Indústria Têxtil e de Confecções no Nordeste: características, desafios e oportunidadesV. 07 – Infra-Estrutura do Nordeste: estágio atual e possibilidades de investimentosV. 08 – Grãos nos Cerrados Nordestinos: produção, mercado e estruturação das principais cadeiasV. 09 – O Agronegócio da Caprino-ovinocultura no Nordeste BrasileiroV. 10 – Proposta de Zoneamento para a CajuculturaV. 11 – Pluriatividade no Espaço Rural do Pólo Baixo Jaguaribe, Ceará
  3. 3. Maria Odete Alves (Coordenadora) Enga Agrônoma, Mestre em Administração e Desenvolvimento Rural e Pesquisadora do BNB-ETENE Airton Saboya Valente JúniorEconomista, Doutorando em Economia e Pesquisador do BNB-ETENE Maria Simone de Castro Pereira Brainer Eng Agrônoma, Mestre em Economia Rural e Pesquisadora a do BNB-ETENE Série Documentos do ETENE N 0 11 PLURIATIVIDADE NO ESPAÇO PLURIATIVIDADE URIATIVID ESPAÇO RURAL DO PÓLO BAIXO JAGUARIBE, CEARÁ Fortaleza Banco do Nordeste do Brasil Nordeste 2006
  4. 4. Presidente Roberto Smith Diretores Augusto Bezerra Cavalcanti Neto Francisco de Assis Germano Arruda João Emílio Gazzana Luiz Ethewaldo de Albuquerque Guimarães Pedro Rafael Lapa Victor Samuel Cavalcante da Ponte Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE Superintendente: José Sydrião de Alencar Júnior Coordenadora de Estudos Rurais e Agroindustriais e da Série Documentos do ETENE Maria Odete Alves Ambiente de Comunicação Social Gestor: José Maurício de Lima da Silva Editor: Jornalista Ademir Costa Normalização Bibliográfica: Rodrigo Leite Revisão Vernacular: Roberto Cunha Lima Vernacular: Diagramação: Franciana Pequeno Tiragem: 1.500 exemplares iragem: Mais Informações Internet: http://www.bnb.gov.br Cliente Consulta: 0800.783030 e clienteconsulta@bnb.gov.brDepósito Legal junto à Biblioteca Nacional, conforme Decreto Lei nº 10.994, de 14/12/2004 Copyright © by Banco do Nordeste do Brasil Alves, Maria Odete.A474p Pluriatividade no espaço rural do pólo Baixo Jaguaribe, Ceará / Maria Odete Alves, Airton Saboya Valente Júnior, Maria Simone de Castro Pereira Brainer. – Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2006. 86 p. (Série Documentos do ETENE, n. 11). ISBN: 85-87062-57-3 1. Pluriatividade, 2. Atividades não-agrícolas no meio rural. 3. Nordeste. I. Valente Junior, Airton Saboya. II. Brainer, Maria Simone de Castro Pereira. III. Título. CDD: 338.1 Impresso no Brasil/Printed in Brazil
  5. 5. AGRADECIMENTOS Ao colega do Etene, José Maria Marques de Carvalho, pelas valiosascontribuições na definição da amostra e elaboração do questionário. Ao colega do Etene, Wendell Márcio de Araújo Carneiro, pela participaçãona aplicação do teste-piloto em algumas comunidades rurais do município deLimoeiro do Norte. Ao IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura),pelo apoio financeiro para a realização da pesquisa de campo. À SETA (Serviços Técnicos Associados S/C Ltda), empresa responsávelpela aplicação dos questionários. Aos agricultores das comunidades rurais dos municípios do Pólo BaixoJaguaribe, pela acolhida, paciência, disponibilidade e expressiva colaboração, sema qual este trabalho não teria sido possível. A Elias Augusto Cartaxo e Mário Henrique Bernardo Nascimento, daCentral de Informações do Etene, os responsáveis pela elaboração do programae tabulação dos dados, etapa fundamental para a concretização da análise dasinformações. Aos bolsistas de nível superior do Etene Felipe Muniz Gadelha, FranciscoJosé Aguiar Castro Júnior e Osias Pereira da Silva, pela colaboração durante adigitação dos questionários. À colega do Etene, Inez Sílvia Batista Castro, pelas orientações econtribuições por ocasião da análise dos dados de renda. À Karla, pela contribuição na organização das figuras constantes do corpodo texto. E por último, mas com a mesma importância, agradecemos a todas aspessoas que contribuíram anonimamente para a realização deste trabalho.
  6. 6. SUMÁRIO1 – INTRODUÇÃO .......................................................................... 9 DESENVOLVIMENTO2 – PÓLOS DE DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS (PDAs) ...................................................................................... 1 1 PLURIATIVIDADE URIATIVID3 – PL URIATIVID ADE NO MEIO RURAL .................................... 1 5 Termo3.1 – Significado do Termo Pluriatividade ................................... 1 53.2 – A Pluriatividade segundo o Grau de Desenvolvimento das Sociedades ..................................................................... 1 63.3 – A Pluriatividade nas Regiões Dinâmicas do Brasil ............. 1 8 TIVA4 – JUSTIFIC ATIVA E OBJETIVOS ............................................... 2 15 – METODOLOGIA ..................................................................... 2 36 – CARACTERIZAÇÃO GERAL DO PÓLO DESENVOLVIMENTO DE DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS BAIXO JAGUARIBE ................................................................ 2 7 SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS7 – C ARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMIC A D AS FAMÍLIAS PLURIATIVAS URIATIV BAIXO RURAIS PLURIATIVAS DO PÓLO BAIX O JAGUARIBE ........ 3 17.1 – Gênero, Faixa Etária e Escolaridade dos Entrevistados ..... 3 17.2 – Perfil das Famílias Extensas ................................................. 3 27.3 – Atividades Desenvolvidas pelos Membros das Famílias Extensas ................................................................................ 3 47.4 – Fontes de Financiamento para as Atividades Não-agrícolas Desenvolvidas pelos Membros das Famílias Extensas ........ 4 0 Organização, Controle Exer7.5 – Or ganização, Planejamento e Controle Ex ercidos ercidos pelas Famílias Extensas ........................................................ 4 3 Produção Mercados7.6 – Produção e Mercados para os Pr odutos Produtos das Famílias Extensas ........................................................... 4 67.7 – Capacitação e Assistência Técnica recebidas pelos Membros das Famílias Extensas ................................. 4 87.8 – Organização Social entre Membros das Famílias Extensas .. 4 97.9 – Montante e Composição da Renda Auferida pelas Famílias Extensas ........................................................ 5 0
  7. 7. CONCLUSÕES8 – CONCLUSÕES E SUGESTÕES ............................................... 6 1REFERÊNCIAS ................................................................................ 6 4APÊNDICES .................................................................................... 678
  8. 8. 1 – INTRODUÇÃO A realização do presente estudo foi motivada pela premente necessidadede se disponibilizar informações capazes de subsidiar o planejamento regional doNordeste, mais especificamente no que se refere à implementação de estratégiase ações voltadas para os chamados “Pólos de Desenvolvimento de Agronegócios”1,tendo em vista a nova conformação do meio rural brasileiro apontada por estu-dos realizados nos últimos anos. Conclusões preliminares de pesquisas em andamento pelo Projeto Rurbanoda Unicamp2, iniciadas em 1997, mostram que o meio rural brasileiro apresentacrescente diversificação de atividades agrícolas e não-agrícolas, o que vem sendodenominado de “pluriatividade”3. Uma das constatações do referido projeto dizrespeito à sistemática redução do nível de ocupação e de renda no âmbito deatividades eminentemente de natureza agropecuária. Ao mesmo tempo, atividadesnão-agrícolas implementadas no rural vêm possibilitando maior oferta de ocupa-ções e postos de trabalho, além de remunerações mais elevadas quando compara-das com as obtidas nas atividades rurais ligadas à agropecuária tradicional. As conclusões das pesquisas do Rurbano e da revisão bibliográfica sobreas transformações ocorridas ao longo da história nas sociedades desenvolvidas4fornecem indícios de que em áreas rurais do Nordeste, cujas economias são maisdinâmicas, as atividades não-agrícolas tendem a se diversificar, adensar e apre-sentar crescente complexidade, além de possuírem significativo papel em termosde composição da renda das famílias. A emergência do chamado novo rural contém uma série de implicações paraa elaboração e implementação de políticas públicas voltadas para o meio rural.Inicialmente, tem-se a possibilidade de estancar ou reduzir o êxodo de populações1 Vide tópico específico sobre Pólos de Desenvolvimento de Agronegócios.2 Atualmente, desenvolve-se um projeto de pesquisa na Unicamp – Projeto Rurbano – cuja proposta é explorar a relevância dos cortes urbano/rural e agrícola/não-agrícola no desenvolvimento brasileiro recente. O projeto, implantado e coordenado inicialmente pelo pesquisador José Graziano da Silva, atualmente se encontra sob a coordenação do pesquisador Mauro del Grossi e envolve diversos pesquisadores ligados a instituições de diversos estados brasileiros. Os principais resultados da fase inicial aparecem em publicações recentes da Embrapa, editada por Silva e Campanhola (2000a; 2000b; 2000c; 2000d).3 Vide tópico específico sobre o tema.4 Vide tópico específico sobre o tema. 9
  9. 9. para as grandes aglomerações urbanas, através do estímulo a uma gama de ativida-des não-agrícolas no meio rural, considerando-se que referidas atividades não-agrícolas venham a gerar ocupação e renda para um subconjunto significativo depessoas. Adicionalmente, o reconhecimento da existência de famílias rurais quecombinem atividades agrícolas e não-agrícolas como estratégia de manutenção ereprodução social sugere mudança no viés das políticas públicas para o rural, ca-racterizadas até então pela valorização única e exclusiva do “agrícola”. Além desta introdução, o presente documento é composto por mais seiscapítulos, fechando com algumas conclusões e sugestões. Nos capítulos 2 e 3 são apresentados, respectivamente, os referenciaisteóricos que nortearam a pesquisa no tocante a Pólos de Desenvolvimento ePluriatividade. O capítulo 4 é composto pela justificativa para a realização doestudo, bem como os objetivos que nortearam o trabalho. No capítulo 5, estádescrita a metodologia do trabalho. Um levantamento sistemático dos dados e informações socioeconômicasdos municípios que compõem o Pólo Baixo Jaguaribe é apresentado no capítulo5. Em seguida, no capítulo 6, é feita a análise das informações de campo obtidaspor meio da aplicação de questionários semi-estruturados. Por fim, a partir de uma reflexão à luz da discussão realizada no corpo dodocumento, são elaboradas as conclusões e apontadas algumas sugestões deação consideradas fundamentais para o desenvolvimento das principais ativida-des não-agrícolas existentes ou com potencial no Pólo de Desenvolvimento deAgronegócios Baixo Jaguaribe.10
  10. 10. DESENVOLVIMENTO2 – PÓLOS DE DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS (PDAs) As preocupações iniciais com a concentração ou aglomeração de atividadeseconômicas em determinados espaços geográficos estão vinculadas com as teoriasda desigualdade regional, elaboradas por François Perroux5 nas décadas de 1950e 1960. Referidas teorias introduziram os conceitos de “pólos de crescimento”,ou seja, focos de desenvolvimento socioeconômico e político-institucional inter-relacionados e localizados em centros privilegiados de determinado espaçogeográfico. Referidos pólos, geograficamente situados, manteriam, de acordocom a teoria, fortes vínculos em termos políticos, socioeconômicos, institucionaise culturais com suas áreas de influência (HADDAD et al., 1989). Dessa forma, o pólo representa um conceito complexo sendo considerado,no âmbito da teoria do desenvolvimento regional, um espaço-tempo que guardasemelhanças embora não implique em uniformidade. Assim, duas tipologias delugar ou região se sobressaem: os espaços homogêneos e aqueles polarizados. Osespaços ou regiões homogêneos se fundamentam no princípio da identidade entreseus subespaços constituintes. As regiões polarizadas, por sua vez, se fundamentamno princípio da interdependência entre seus subespaços constituintes, o que implicaheterogeneidade. A diferenciação ou heterogeneidade dos subespaços que compõemas regiões polarizadas resulta do pressuposto de interdependência entre essessubespaços, uma vez que ela deve resultar da cooperação ou da exploraçãoeconômica, política, social e institucional entre unidades geográficas com atributosdiferentes, portanto heterogêneas (HADDAD et al., 1989). Os centros onde se desenvolvem atividades de natureza econômica, políticae social e onde são tomadas as decisões que geram fluxos de mercadorias, criandorelações de influência com centros de escalões inferiores, são chamados de “pólosde atração”. Conforme a intensidade e a natureza das relações de dependência,um estímulo exercido sobre o pólo de atração causa repercussões diretas e indiretasnos centros dependentes e no próprio pólo de atração em questão. Os centros de maior interesse, em princípio, são aqueles que apresentamas maiores taxas de desenvolvimento econômico e social. Assim, se caracterizampor fatores que fazem os sistemas a que pertencem se desenvolverem a taxas5 Perroux, F. O conceito de pólo de crescimento. In: SCHWARTZMANN, J. (Org.). Economia regional e urbana. Belo Horizonte: CEDEPLAR, 1977. 11
  11. 11. diferentes. Os pólos que apresentam as maiores taxas de crescimento são chamadosde “pólos de desenvolvimento econômico”. Por outro lado, os pólos potenciaisde desenvolvimento econômico são centros que apresentam condições em potencialque lhes asseguram um grande desempenho econômico em futuro próximo, desdeque sejam convenientemente ativados. Os pólos de desenvolvimento podem surgir devido ao acaso oualternativamente podem ser estimulados através de um conjunto de políticaspúblicas. No caso dos pólos nordestinos, houve um estímulo deliberado do Bancodo Nordeste do Brasil (BNB), quando criou o programa Pólos de Desenvolvimentode Agronegócios (PDAs) com ações estruturadas em várias mesorregiões doNordeste, com o objetivo de potencializar as vocações locais e atrair novosinvestimentos, estimulando a cooperação entre os diversos setores e envolvendo-os na dinamização do desenvolvimento local integrado e sustentável. Os PDAs foram concebidos com base nas teorias de Perroux e nos enfoquesde cadeias produtivas, isto é, empresas e instituições interconectadas, de carátercomplementar entre si, concentradas em uma dada região geográfica e trabalhandoem negócios correlatos. Assim, o PDA pode ser visto como uma rede de empresase instituições (públicas e privadas), trabalhando de forma sistêmica, com o objetivode atender a uma determinada parcela das necessidades do consumidor. O PDArepresenta uma maneira alternativa para organizar um determinado complexo oucadeia agroindustrial (LOPES NETO, 2002). O Programa PDA do BNB é caracterizado sob duas dimensões inter-relacionadas: i) dimensão físico-econômica; e ii) dimensão político-institucional.A dimensão físico-econômica envolve o espaço geográfico ou uma sub-regiãodelimitada; a ação do programa possui um enfoque sistêmico ou da cadeiaprodutiva. Em termos da dimensão político-institucional, o Programa prevê queas ações sejam desenvolvidas de forma cooperativa, com a efetiva participaçãodas entidades e organizações que compõem a base institucional do pólo emquestão; a gestão e a coordenação do Programa devem ser compartilhadas, como envolvimento do setor privado, especialmente os empreendedores que integramas cadeias produtivas; também requer a adoção de estratégias que contribuampara assegurar a efetiva incorporação de pequenos empreendedores e suasassociações e cooperativas nas cadeias produtivas (ABIPTI, 1999). Os PDAs são formados por municípios que apresentam dinamismo epotencialidades socioeconômicas semelhantes, seja em função da dotação de recursosnaturais ou de sistemas empresariais, nível tecnológico ou infra-estrutura. O BNB12
  12. 12. identificou, em sua área de atuação, doze PDAs, com cadeias produtivas centradasem grãos, fruticultura, pecuária, carcinicultura, artesanato e turismo (Figura 1). O programa PDA do BNB prevê o desenvolvimento de ações integradas,em bases programadas, orientadas ao incremento sustentável dos níveis de produção,de padrão de qualidade dos produtos e de produtividade dos segmentos das cadeiasprodutivas, a partir de uma visão sistêmica e de longo prazo, objetivando assegurareficiência econômica e o contínuo processo de melhoria da competitividade, daqualidade de vida e bem-estar social das populações envolvidas. Em essência, o programa PDA do BNB tem por missão o aumento dopoder de competitividade do agronegócio no mercado e o desenvolvimentosustentado de sua área de abrangência, por meio da satisfação das necessidadesbásicas das comunidades locais, do incremento da produtividade, da geração deempregos, da conservação de recursos naturais e da preservação do meioambiente (BNB, 2003).♦ Alto Piranhas♦ Assu-Mossoró♦ Bacia Leiteira de Alagoas♦ Baixo Jaguaribe♦ Cariri Cearense♦ Noroeste do Espírito Santo♦ Norte de Minas♦ Oeste Baiano♦ Petrolina/Juazeiro♦ Sul de Sergipe♦ Sul do Maranhão♦ Uruçuí-Gurguéia agronegócios NordesteFigura 1 – Pólos de desenvolvimento de agronegócios do Nordeste (PDAs)Fonte BNB (2003).Fonte: 13
  13. 13. 14
  14. 14. PLURIATIVIDADE URIATIVID3 – PLURIATIVIDADE NO MEIO RURAL Termo3.1 – Significado do Termo Pluriatividade Nos últimos anos, mais precisamente a partir da década de 1990, osprincipais fóruns de discussão sobre o meio rural brasileiro vêm aprofundando adiscussão sobre o assunto pluriatividade (SCHNEIDER, 1994; 1995; SILVA,1995; 1998 e KAGEYAMA, 1998). Entretanto, conforme revisão realizada poralguns autores, remonta ao início do século XX a discussão em torno de termoscomo agricultor em tempo parcial, atividades não-agrícolas no meio rural, empregosmúltiplos, fontes de renda diversificadas e pluriatividade (ALVES, 2002;SCHNEIDER, 1994). Apesar dos longos debates acerca do assunto, principalmente na Europa enos Estados Unidos, o termo pluriatividade ainda hoje é confuso. Para Le Heronet al. (1994 apud KAGEYAMA, 1998), a pluriatividade tanto pode representaruma estratégia de sobrevivência da família, quanto uma estratégia de expansãodo capital. Os estudiosos brasileiros Silva e Campanhola (2000a; 2000b; 2000c;2000d) consideram que o conceito de pluriatividade permite juntar as atividadesagrícolas a outras atividades que gerem ganhos monetários e não-monetários,independentemente de serem internas ou externas à exploração agropecuária.Para os autores, esse conceito considera todas as atividades exercidas por todosos membros dos domicílios, inclusive as ocupações por conta própria, o trabalhoassalariado, realizados dentro e/ou fora das explorações agropecuárias. Segundo Souza (199-) a pluriatividade pode ser compreendida: como resultado de diversas negociações entre indivíduos, cada um com diferentes apostas e posições nos negócios, família e grupo domiciliar, com preferências variantes sobre minimização de riscos, ajustes a mudanças no desenvolvimento do ciclo familiar, permitindo a entrada ou saída da exploração agrícola, assegurando continuidade da família na mesma de uma geração a outra, financiando desenvolvimento no interior ou externamente a ela, a sua organização e o trabalho do grupo domiciliar. A reflexão desse autor nos faz observar que as evidências teóricas eempíricas que sublinham os impactos combinados de pressões internas e externasimpõem a necessidade de se tratar o fenômeno da pluriatividade por meio de umconceito flexível. Para Souza (199-), “a flexibilidade de sua conceituação faz-seevidente diante da heterogeneidade/diversidade do fenômeno, pois as realidades 15
  15. 15. sociais são muito diferentes e terminam por entorpecer as análises teóricas”. Esseautor propõe que se diferencie a pluriatividade em função do grau dedesenvolvimento da sociedade onde ela está presente, o que seria uma forma detentar resolver esse problema. Seguindo essa linha de raciocínio, o autor argumentapela necessidade de se falar de “pluriatividade do subdesenvolvimento” e“pluriatividade de sociedades desenvolvidas com industrialização e urbanizaçãoconcentradas”. Contudo, o autor reconhece que a adoção dessa diferenciaçãonão é suficiente para esclarecer a questão da heterogeneidade de situações depluriatividade que continuam existindo no interior desses tipos de sociedades. A realização de pesquisas empíricas em regiões que apresentem os perfisdescritos pode contribuir para esclarecer ambas as questões, uma vez que tantoé possível se observar o comportamento da pluriatividade nos diversos tipos desociedades como é possível detectar sua diversidade.3.2 – A Pluriatividade segundo o Grau de Desenvolvimento das Sociedades As sociedades desenvolvidas, ao longo de sua história, sofreram uma sériede transformações, resultado de fatores externos e internos, segundo revisãorealizada por Wanderley (2000). Os fatores externos referem-se às mudanças no cenário mundial que seconfiguram por novas relações econômicas e políticas em que há cada vez maisinternacionalização do ponto de vista de funcionamento e de regulação daprodução agrícola e de valorização do meio rural. Os fatores internos dizem respeito ao processo de diversificação social nomeio rural e à perda do antagonismo existente nas relações entre o rural e ourbano, passando a existir uma relação de complementaridade. O desenvolvimento dos espaços rurais nessas sociedades passa a dependernão apenas do dinamismo do setor agrícola, mas também da sua capacidade deatrair outras atividades econômicas. Com efeito, a descentralização econômica e a disseminação espacial dosserviços criaram condições para que plantas industriais se instalassem em áreasrurais. Dessa forma, o desenvolvimento econômico e a expansão das cidadesfacilitaram o acesso das populações rurais a bens e serviços urbanos. Isso fez comque fosse sendo reduzida a distância física e social entre populações urbana e rural. Segundo Wanderley (2000), atualmente já não existem grandes diferençaseconômicas e sociais entre ambos os espaços nas sociedades desenvolvidas.16
  16. 16. Ocorreu, em decorrência, um crescimento da população não-agrícola e reduziua população ocupada na agricultura. Passou a ter mais evidência a diversidadeeconômica e do próprio perfil da população rural, que deixou de ser meramenteagrícola, uma vez que o campo passou a ser atrativo para jovens, pessoas idosase aposentadas, seja com o objetivo de exercer alguma atividade produtiva, sejapara usufruir do lazer e de uma melhor qualidade de vida. A pluriatividade, entretanto, não é um fenômeno exclusivo das sociedadesdesenvolvidas. Estudos realizados por diversos autores relatam a existência dapluriatividade também entre populações rurais de sociedades em desenvolvimentoou subdesenvolvidas, assumindo características distintas dependendo do estágioem que se encontram tais sociedades. Reardon, Cruz e Berdegué (1998), ao realizar uma revisão bibliográfica,identificou três fases da transformação das atividades não-agrícolas no meio ruralde países em desenvolvimento. Num primeiro momento é observada a existênciade atividades cuja produção é de pequena escala, utilizando tecnologia tradicionale intensiva em mão-de-obra, produzindo bens e serviços quase que exclusivamentepara o mercado local. Nesta fase, a maioria dos adultos pratica a pluriatividadeno sentido de que cada um ajuda no trabalho agrícola dentro da propriedade,migrando ou praticando uma atividade não-agrícola na entressafra; a segundafase é caracterizada pela mescla de atividades vinculadas à agricultura e atividadesnão-agrícolas baseadas na demanda derivada dos ingressos do primeiro grupo,no desenvolvimento de comunidades rurais e na demanda derivada do setor urbano(como o turismo) ou no setor exportador. Na segunda fase há produtos cujacomercialização se dá além do mercado local e se verifica uma bimodalidadecrescente, tanto na intensidade de capital quanto nos benefícios da mão-de-obradas atividades dentro de um dado subsetor de atividade não-agrícola. Emconseqüência, há uma coexistência de indivíduos de classes sociais distintastrabalhando no mesmo subsetor, porém, empregando tecnologias e habilidadesdiferentes e auferindo rendas distintas; na terceira fase há uma intensificação dadiferenciação dos elementos da transformação que contribuíram para adiferenciação da segunda em relação à primeira fase. Já nas sociedades subdesenvolvidas, em geral, dada a falta de dinamismoda economia, a precariedade e pobreza que caracterizam a população rural, onível de investimento da família na propriedade depende da disposição dos fatoresinternos de produção em relação à possibilidade de obtenção de rendas não-agrícolas. Significa que a prática de atividades não-agrícolas é uma estratégia de 17
  17. 17. sobrevivência do grupo familiar e o acesso ao mercado ocorre de forma marginal(ALVES, 2002; GARCIA JÚNIOR, 1983; 1989; CHAYANOV, 1974).3.3 – A Pluriatividade nas Regiões Dinâmicas do Brasil O assunto pluriatividade tem ocupado nos últimos anos (mais precisamentea partir da década de 90), espaço razoável nos principais fóruns de discussãosobre o meio rural brasileiro. Atualmente, as questões relacionadas com apluriatividade estão estabelecidas nas nossas melhores universidades, e a produçãode dissertações e teses na área reflete o grau de interesse que este tema adquiriu. A discussão envolve autores como José Graziano da Silva, NazaréWanderley e Ricardo Abramovay, dentre outros. As preocupações destes estudiososabrangem questões que vão desde a releitura do atual conceito de “setor rural”(WANDERLEY, 1997), passando pelas novas funções e espaços da ruralidade nodesenvolvimento contemporâneo, com ênfase no papel do território (ABRAMOVAY,1999) e até a discussão sobre as atividades e fontes de renda não-agrícolas dasfamílias rurais (SILVA, 1995; 1997a, 1997b, 1998). A proposta de pesquisa aqui colocada se relaciona, especificamente, àquestão abordada por Silva (1995, 1997a, 1997b, 1998), em cujos estudos,há a preocupação de mostrar que o meio rural brasileiro ganhou novas funçõese por isso já não pode ser mais tomado apenas como um conjunto de atividadesagropecuárias e agroindustriais. Silva acredita que o agricultor não é mais somenteum agricultor, pois dentro ou fora de sua propriedade ele vem desenvolvendooutras atividades no meio rural, concorrendo com as atividades agrícolas6. Nesta perspectiva, este “novo rural”, do qual emergem novas atividadesligadas às transformações na base técnica da agricultura, parece refletir a realidadede regiões cuja agricultura passou por um processo de modernização tecnológicae nas quais a economia é mais dinâmica que aquelas cuja agricultura permaneceusem modernizar-se. Os principais resultados da pesquisa em andamento pelo Projeto Rurbanosão (SILVA; CAMPANHOLA, 2000a; 2000b; 2000c; 2000d):6 Silva (1997a) considera a existência de um “Novo Rural Brasileiro”, associado a transformações na agricultura brasileira (queda na rentabilidade dos principais produtos agropecuários) e aumento de produtividade decorrente da adoção de tecnologias (queda na oferta do emprego agrícola).18
  18. 18. a) o emprego agrícola vem caindo sistematicamente desde meados dos anos 80, mas a população rural ocupada (PEA Rural), ao contrário do esperado, vem crescendo no mesmo período;b) os conta-própria não-agrícolas cresceram significativamente no período 1992/97, tanto no meio urbano quanto no rural;c) entre os conta-própria agrícolas cresceram apenas aquelas famílias com residência no meio urbano;d) os conta-própria pluriativos mostraram-se estáveis, ao contrário do que se esperava;e) a pluriatividade está presente em 35% do conjunto das famílias ligadas às atividades agropecuárias;f) há crescimento de desempregados e aposentados residentes no campo;g) ocorre queda da renda per capita dos agricultores familiares e crescente importância das atividades e rendas não-agrícolas entre essas famílias;h) entre agricultores familiares exclusivamente agrícolas que possuem pequenas áreas de terra, o peso das aposentadorias e pensões chega a representar mais de um terço da renda familiar, independentemente do local de domicílio, se rural ou urbano. 19
  19. 19. 20
  20. 20. JUSTIFICATIVA4 – JUSTIFIC ATIVA E OBJETIVOS Os subsídios obtidos a partir de revisão bibliográfica e dos resultados depesquisas realizadas pelo grupo Rurbano permitem levantar a hipótese de que asatividades não-agrícolas ganharam significado também nos chamados Pólos deDesenvolvimento de Agronegócios (PDAs) nordestinos, por serem regiões cujaseconomias vêm recebendo estímulos de órgãos públicos e ganhando dinamismonos últimos anos. A realização de pesquisas de campo nessas áreas justifica-se, portanto, nosentido de melhor qualificar as tendências apontadas nos estudos recentesrealizados no âmbito do grupo Rurbano (em geral com base em dados secundários)para, a partir do aprofundamento do conhecimento da realidade local, adequaras políticas regionais de desenvolvimento às condições das respectivas economias.Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo principal desenhar o perfildas atividades não-agrícolas no meio rural dos PDAs, bem como discutir sobre aspossibilidades de elaboração de políticas públicas direcionadas para referidas áreas.Mais especificamente, o estudo objetiva: a) conhecer a diversidade de atividades não-agrícolas no meio rural dos Pólos de Desenvolvimento de Agronegócios nordestinos. b) determinar problemas e potencialidades econômicos das principais atividades não-agrícolas existentes nos PDAs. c) analisar as possibilidades de se implementar políticas públicas específicas para as principais atividades não-agrícolas nos referidos pólos. d) sugerir políticas públicas específicas de apoio às principais atividades não-agrícolas dos referidos PDAs. 21
  21. 21. 22
  22. 22. 5 – METODOLOGIA A pesquisa piloto7 foi realizada no PDA Baixo Jaguaribe, composto por11 municípios8, considerando que: a) embora encravado em pleno semi-árido (cujos municípios em geral, apresentam economia estagnada), o pólo em questão possui uma economia razoavelmente dinâmica; b) em virtude de ter coordenação e gerência sediadas em Fortaleza, apresenta maior facilidade de interação entre a equipe do BNB e o Pólo de Desenvolvimento; c) dispõe de estruturas de apoio que poderiam facilitar o andamento da pesquisa. A coleta das informações foi feita utilizando-se de fontes secundárias(material bibliográfico, banco de dados do IBGE e Iplance) e primárias (infor-mações fornecidas pelas prefeituras por intermédio das secretarias de saúdemunicipais – agentes comunitários de saúde), além da aplicação de questioná-rio semi-estruturado. A aplicação do questionário foi feita por meio de 320 (trezentas e vinte)entrevistas realizadas junto às famílias extensas dos domicílios9 rurais selecionados.A família extensa inclui, além da família nuclear, os parentes desta que vivem no7 Pretende-se que a metodologia utilizada neste trabalho seja estendida, numa segunda etapa, para os demais PDAs da área de atuação do BNB.8 Municípios que compõem o PDA Baixo Jaguaribe: Icapuí, Aracati, Itaiçaba, Jaguaruana, Palhano, São João do Jaguaribe, Quixeré, Russas, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Tabuleiro do Norte.9 O domicílio é utilizado aqui como unidade de coleta, porque permite caracterizar a atividade exercida individualmente pelos membros da família, independente do local de moradia. Exclui os domicílios coletivos que se destinam à “habitação de pessoas cujo relacionamento se restringe ao cumprimento de normas administrativas” e os domicílios particulares improvisados, assim considerando aquele domicílio localizado em unidade que não tem dependência destinada exclusivamente à moradia, como loja, sala comercial, prédio em construção, embarcação, carroça, vagão, tenda, barraca, gruta que estejam servindo de moradia (SILVA; GROSSI, 2002, p. 9). 23
  23. 23. mesmo domicílio (mesmo que formem outro casal) e os agregados10; exclui, dentreseus membros, os pensionistas11 e as empregadas domésticas12 e seus parentes13. A seleção dos domicílios para aplicação do questionário foi realizada emquatro etapas:Etapa 1 – Seleção dos municípios: Determinação dos municípios de economia mais dinâmica a partir dasseguintes variáveis: a) PIB Indústria + PIB serviços ≥ 75% do PIB Total do município; b) soma do número de estabelecimentos: industriais + estabelecimentos de serviços do município ≥ 53 e/ou c) município em que haja a presença de pelo menos 1 (um) núcleo/arranjo produtivo. Na primeira etapa foram selecionados nove dos 11 municípios do PDABaixo Jaguaribe: Aracati, Icapuí, Itaiçaba, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, MoradaNova, Palhano, Russas e Tabuleiro do Norte.Etapa 2 – Seleção dos setores amostrais (comunidades): Após a definição dos municípios a serem pesquisados adotou-se os seguintesprocedimentos para determinar as comunidades a serem amostradas, limitando-se ao máximo de três e ao mínimo de uma por município: a) foram selecionadas todas as comunidades rurais com presença de núcleo (s)/arranjo (s) produtivo (s) conforme (CED, 2002); b) foi selecionada, por município, a comunidade rural com o maior número de atividades não-agrícolas (de acordo com informações obtidas junto às prefeituras e aos agentes de desenvolvimento com atuação nos municípios);10 Agregado é considerado pelo IBGE como sendo “a pessoa que não é parente da pessoa de referência da família nem do seu cônjuge e não paga hospedagem nem alimentação a membro(s) da família” (SILVA; GROSSI, 2002, p. 9).11 “aquele que não é parente da pessoa de referência da família nem do seu cônjuge e paga hospedagem ou alimentação a membro da família” (SILVA; GROSSI, 2002, p. 9).12 “pessoa que presta serviço doméstico remunerado em dinheiro ou somente em benefícios a membro (s) da família” (SILVA; GROSSI, 2002, p. 9).13 “pessoa que é parente do empregado doméstico e não presta serviço doméstico remunerado a membro (s) da família” (SILVA; GROSSI, 2002, p. 9).24
  24. 24. c) nos casos em que havia mais de uma comunidade com o mesmo número de atividades, procedeu-se ao sorteio entre todas elas, a fim de se chegar àquela que deveria ser amostrada; d) para o município de Icapuí, em virtude da grande diversidade de atividades verificada durante a coleta de informações preliminares, além do procedimento citado nos itens (a) e (b), optou-se pela realização do sorteio de mais uma comunidade, conforme o item (c), totalizando três comunidades amostradas; e) para o município de Limoeiro do Norte, em virtude da não presença de arranjo/núcleo produtivo em comunidades específicas, e pela grande diversidade de atividades ali verificada, além do procedimento citado no item (b), optou-se por realizar o sorteio de duas comunidades, conforme o item (c), totalizando três comunidades amostradas. Os procedimentos realizados na etapa 2 possibilitaram a seleção das seguintescomunidades (setores amostrais), cujo número de domicílios corresponde a 31%do total dos domicílios rurais existentes nos nove municípios: Barreira dos Vianas eCanoa Quebrada (Aracati); Barreiras de Cima, Cajuais e Redonda (Icapuí); Tabuleirodo Luna (Itaiçaba); Borges e Ribeirinha (Jaguaruana); Boa Fé, Córrego da Areia eVárzea do Cobra (Limoeiro do Norte); Aruaru e Juazeiro de Baixo (Morada Nova);Jurema (Palhano); Periferia e Retiro (Russas); Água Santa (Tabuleiro do Norte).Etapa 3 – Distribuição da amostragem nas comunidades selecionadas: A amostragem foi distribuída nas comunidades selecionadas na etapa 2,proporcionalmente ao número de domicílios existentes em cada uma delas,conforme distribuição apresentada na Tabela 1:Tabela 1 – Distribuição da amostragem nas comunidades selecionadas nos respectivos municípios, proporcionalmente ao númer o de domicílios propor oporcionalmente número (continua)Município Comunidade selecionada N . de domicílios o N . de entrevistas oAracati Barreira dos Vianas 729 42 Canoa Quebrada 371 21Icapuí Barreiras de Cima 165 9 Cajuais 187 11 Redonda 529 30Itaiçaba Tabuleiro do Luna 83 5 25
  25. 25. Tabela 1 – Distribuição da amostragem nas comunidades selecionadas nos respectivos municípios, propor oporcionalmente número propor cionalmente ao número de domicílios (conclusão)Município Comunidade selecionada N . de domicílios N . de entrevistas o oJaguaruana Borges 94 5 Ribeirinha 94 5Limoeiro do Norte Boa Fé 397 23 Córrego da Areia 328 18 Várzea do Cobra 181 10Morada Nova Aruaru 1.372 78 Juazeiro de Baixo 603 34Palhano Jurema 80 5Russas Periferia 134 8 Retiro 133 8Tabuleiro do Norte Água Santa 139 8Total 5.619 320Fonte Elaboração dos autores.Fonte:Etapa 4 – Procedimentos de campo para a seleção das unidades amostrais (domicílios): Tendo em vista não se dispor de uma listagem de cadastro prévio dosdomicílios e da dificuldade de construção dessa lista, optou-se por distribuir 80%das entrevistas na zona rural e os 20% restantes no núcleo urbano. O processode definição dos domicílios ocorreu da seguinte forma: a) escolheu-se como ponto de partida o centro de cada comunidade, seguindo em forma de cruz em direção à zona rural; b) em cada raio aconteceram 25% das entrevistas, sendo 5% no núcleo urbano, saltando de cinco em cinco propriedades; e 20% na zona rural, saltando uma propriedade; c) em ambos os casos, quando no domicílio selecionado não existiam pessoas que exerciam atividades não-agrícolas, entrevistou-se o domicílio seguinte. Considerando-se os padrões teóricos, o número mínimo de 320 entrevistaspara o público 5.619 domicílios existentes nas comunidades pesquisadas permitiudelimitar um erro amostral inferior a 6%. Isso garante um nível de confiabilidadesuperior a 94% para as inferências retiradas a partir do resultado da pesquisa emquestão.26
  26. 26. 6 – CARACTERIZAÇÃO GERAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO BAIXO DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS BAIXO JAGUARIBE O PDA Baixo Jaguaribe, objeto do presente estudo, está localizado nazona semi-árida do Ceará, abrangendo um total de 11 municípios, conformeapresentado na Figura 2. Possui área de 9,9 mil km2, o que corresponde a 6,8%do território do Estado, e população de 346 mil habitantes, dentre os quais 44%residentes no meio rural.Figura 2 – Pólo de desenvolvimento de agronegócios Baixo JaguaribeFonte BNB (2003).Fonte: Conforme Veiga (2001), o patamar de densidade demográfica que acusarazoável grau de urbanização em municípios com até 100 mil habitantes e externosàs aglomerações e centros urbanos está próximo dos 80 hab/km2. Levando-se emconta esse argumento, todos os municípios do PDA Baixo Jaguaribe seriam rurais,tendo em vista que a população de cada um deles não atinge os 70 mil habitantese a densidade demográfica oscila entre o máximo de 64,6 hab/km2 na cidade maisdinâmica (Limoeiro do Norte) e o mínimo de 18,7 hab/km2 no município de Palhano.A densidade demográfica média do PDA Baixo Jaguaribe é de 34,6 hab/km². 27
  27. 27. Em termos de desenvolvimento social, os índices de desenvolvimento humano(IDH) dos municípios do PDA Baixo Jaguaribe são inferiores ao índice médio doBrasil (0,757 em 2000). O município de Limoeiro do Norte possui o maior índice(0,711 em 2000) enquanto que o menor IDH ocorreu no município de Icapuí –0,631 em 2000 (PNUD; IPEA, 2003). Em termos de renda per capita, a médiapara o PDA Baixo Jaguaribe (US$ 1.389 em 1998) mostrou-se inferior em relaçãoà média do Estado do Ceará (US$ 1.830 em 1998), menos de 50% da renda percapita do Nordeste (US$ 3.145 em 1998) e apenas um quinto da renda per capitamédia para o Brasil (US$ 6.824 em 1998), conforme apresentado na Tabela 2.Tabela 2 – Indicadores socioeconômicos: PD A Baix o Jaguaribe PDA Baixo População Área Densidade PIB per capitaInformações (2000) (km²) Demográfica (em US$-1998) (hab/km²) - (2000)Brasil 170.000.000 8.512.000 19,97 6.824,48Nordeste 47.600.000 1.532.000 31,07 3.145,20Ceará 7.417.402 146.348 50,68 1.830,07Pólo Baixo Jaguaribe 345.669 9.989 34,60 1.389,05Limoeiro do Norte 49.620 768 64,60 1.745,24Russas 57.320 1.607 35,67 1.222,77Morada Nova 64.400 2,784 23,13 1.735,65Jaguaruana 29.735 743 40,02 1.239,94Aracati 61.187 1.270 48,17 1.266,75Quixeré 16.862 598 28,20 1.112,62São João do Jaguaribe 8.650 286 30,24 1.364,03Palhano 8.166 437 18,69 1.146,41Tabuleiro do Norte 27.098 829 32,69 976,02Icapuí 16.052 428 37,50 2.235,87Itaiçaba 6.579 239 27,93 1.700,53Fonte IBGE (2000).Fonte: Os principais núcleos produtivos do PDA em questão são representadospela fruticultura irrigada, apicultura, pecuária leiteira, ovinocaprinocultura,carcinicultura, lagosta, movelaria, artesanato, redes de dormir e atividades do setormetal-mecânico. O acesso rodoviário ocorre pela BR 116 e está a aproximadamente200 km da capital do Ceará – onde há dois portos (Mucuripe e Pecém) – a 350 kmdo porto de Natal e a 600 km de Recife, que conta com o porto de Suape. O maior percentual da área irrigada do pólo pertence ao município deAracati (15,8%), seguido de Quixeré (14,3%), tendo como principais culturasirrigadas o melão, a banana e o milho. Além dessas culturas, são tambémimportantes no PDA as culturas do arroz, feijão, algodão herbáceo, manga,coco-da-baía, caju e mandioca (IBGE, 2002).28
  28. 28. Embora a maior parte da área irrigada do Pólo Baixo Jaguaribe aindaesteja ocupada pela cultura do arroz, os produtores estão aumentandosensivelmente a área com fruticultura e olericultura, principalmente banana,melão, coco, manga, acerola, uva, graviola e goiaba. As principais culturas cujasáreas plantadas estão se expandindo compreendem o melão para exportaçãoe banana e mamão para o mercado local (Tabela 3).Tabela 3 – Indicadores de pr odução: PD A Baix o Jaguaribe produção: PDA BaixoProduto (eixo do pólo) Quantidade Produzida Área Colhida (ha)Arroz 10.115 (t) 1.697Melão 88.500 (t) 3.660Algodão Herbáceo 1.746 (t) 2.600Banana 61.374 2.097Coco-da-Baía 8.541 (mil frutos) 1.472Limão 9.178 (t) 825Feijão 13.950 (t) 27.450Milho 14.002 (t) 14.094Fonte IBGE (2000).Fonte: Ainda segundo dados do IBGE (2002), existem no PDA Baixo Jaguaribe150 estabelecimentos industriais e 167 de comércio. Estudo recente realizadopelo CED (Centro de Estratégias de Desenvolvimento do Estado do Ceará) apontapara a existência de alguns núcleos ou arranjos produtivos em nove dos 11municípios do pólo, além daquele referente à fruticultura e cuja importânciaeconômica poderá crescer nos últimos anos. São os seguintes os núcleos ouarranjos produtivos apontados no documento do CED (2002): produção deredes (Jaguaruana), lagosta (Icapuí), metal-mecânico (Tabuleiro do Norte), móveisde madeira (Morada Nova), cerâmica (Russas), camarão em cativeiro e artesanato(Aracati, Palhano e Itaiçaba) e mel de abelhas (Limoeiro do Norte). Registre-se o artesanato como sendo a atividade não-agrícola importanteno pólo, aparecendo na maioria das comunidades, tendo, inclusive, arranjosprodutivos em três municípios. Observam-se diversas formas de artesanato, taiscomo barro, palha de carnaúba, palha de milho, casca de coco, labirinto, renda,bordado, pintura em tecido, crochê e tapeçaria. Figuram também como atividades não-agrícolas importantes a produçãode redes (com arranjo produtivo em Jaguaruana), a atividade metal-mecânica,importante no município de Tabuleiro do Norte e a produção de móveis de madeirano município de Morada Nova. 29
  29. 29. Além dessas atividades, verifica-se também a existência de agroindústriaspara beneficiar polpa de frutas, de castanha de caju e fabricação de rapadura decaju, doces, queijo e farinha, mini-indústrias para beneficiamento de cera decarnaúba e fabricação de vassouras, o comércio em geral, a extração de sal, afabricação de barcos, borracharias, comércio de pescado, extração de calcário,fabricação de filtros, pesque-pague e olarias. Em virtude do crescimento dessas atividades nos municípios do pólo, outrasoportunidades de negócio se abrem para fabricação e revenda de máquinas eequipamentos, venda de combustível, produção e revenda de embalagens,produção e revenda de agroquímicos, produção de mudas, packing houses,indústrias de sucos, doces, polpa de frutas, concentrados, atacadistas,transportadoras, trading companies, dentre outras atividades (BNB, 2003). Além dos agronegócios ligados à cadeia da fruticultura, o PDA aindapossui diversas outras atividades complementares como consultorias especializadas,escritórios de projeto e assistência técnica, oficinas mecânicas, cursosespecializados nas atividades rurais e agroindustriais e de comercialização agrícolae logística de agronegócios (Quadro 1).INSUMOS Fabricação ou revenda de máquinas, equipamentos e implementos Revenda de combustíveis e lubrificantes Produção ou revenda de embalagens Produção ou revenda de agroquímicos Produção ou revenda de mudas e sementesPRODUÇÃO Frutícolas (banana, mamão, manga, uva, pinha, acerola, graviola, limão, abacaxi, coco e outras)TRANSFORMAÇÃO Packing-house Agroindústrias: sucos, doces, beneficiamento de polpa, concentrados, ração EmbaladorasDISTRIBUIÇÃO Atacadistas Transportes Traiding companies Lojas de horti-granjeiros (olerícolas e frutícolas)SERVIÇOS Escritórios de projeto e assistência técnica Consultorias agropecuárias especializadas Laboratórios de análises de solo, água e planta Patrulha mecanizada Unidades de beneficiamento de sementes Casas de produtos agropecuários Cursos especializados nas atividades rurais, agroindustriais e de comercialização agrícola Logística de negóciosQuadro 1 – Oportunidades de negócios no PDA Baixo JaguaribeFonte BNB (2003).Fonte:30
  30. 30. SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS7 – CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS PLURIATIVAS URIATIV DESENVOLVIMENTO RURAIS PLURIATIVAS DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO DE AGRONEGÓCIOS BAIXO JAGUARIBE O presente capítulo é dedicado ao estudo da realidade do grupo, quesugere a discussão de questões cujo aprofundamento é fundamental para que seconheçam a origem e o significado das reais demandas do público alvo. O texto é escrito a partir da análise e interpretação de informações colhidasna área cuja amostragem foi definida conforme indicado no capítulo 4, quediscorre sobre a metodologia utilizada no estudo.7.1 – Gênero, Faixa Etária e Escolaridade dos Entrevistados A maioria dos entrevistados é do sexo masculino (62,8%) e relativamentejovem (mais de 54% na faixa etária inferior a 41 anos). Do total, 39,1% têmidade entre 41 e 60 anos e somente 6,6% têm idade superior a 60 anos. Emtermos de gênero, tanto homens quanto mulheres estão distribuídosproporcionalmente entre todas as faixas etárias, exceto naquela superior a 60anos, cujos percentuais, em ambos os gêneros, é bem reduzido (Tabela 4).Tabela 4 – Distribuição por faixa etária segundo o gênero dos gênero entrevistados Homem Mulher Total Faixa Etária Quantidade % Quantidade % Quantidade %Entre 15 e 30 anos 48 23,9 22 18,5 70 21,9Entre 31 e 40 anos 66 32,8 38 31,9 104 32,5Entre 41 e 60 anos 72 35,8 53 44,5 125 39,1Acima de 60 anos 15 7,5 6 5,0 21 6,6Total 201 100,0 119 100,0 320 100,0Fonte Pesquisa de campo.Fonte: Quando se observa a escolaridade dos entrevistados, verifica-se razoávelpercentual de pessoas que não tiveram acesso a nenhum tipo de instrução (21,3%)ou que se consideram somente alfabetizados (28,1%). Por outro lado, constata-se que boa parte teve acesso à escola, chegando a 42,3%, o percentual entreaqueles que têm entre 10 grau incompleto e 20 grau incompleto. Porém, somente5,6% e 1,6%, respectivamente, conseguiram concluir o 20 grau e o curso superior. 31
  31. 31. Quando se analisa a escolaridade a partir da perspectiva de gênero, verifica-se a existência de maior quantidade de homens sem instrução (25,2%) comparativamenteao percentual de mulheres (14,2%). Porém, nos demais níveis, não existem grandesdiferenças de escolaridade entre homens e mulheres (Tabela 5).Tabela 5 – Nível de escolaridade segundo o gênero dos gênero entrevistados Nível de Homem Mulher Total Escolaridade Quantidade % Quantidade % Quantidade %Sem instrução 51 25,4 17 14,3 68 21,3Alfabetização 55 27,4 35 29,4 90 28,11º Grau Incompleto 66 32,8 42 35,3 108 33,81º Grau Completo 9 4,5 6 5,0 15 4,72º Grau Incompleto 8 4,0 4 3,4 12 3,82º Grau Completo 10 5,0 8 6,7 18 5,6Superior Incompleto 0 0,0 4 3,4 4 1,3Superior Completo 2 1,0 3 2,5 5 1,6Total 201 100,0 119 100,0 320 100,0Fonte Pesquisa de campo.Fonte:7.2 – Perfil das Famílias Extensas A média de pessoas por grupo familiar entrevistado é de 5,3 pessoas (1.697membros/320 famílias). O grupo é composto predominantemente por jovens, poismais da metade dos membros dessas famílias (65,1%), encontra-se na faixa etáriaentre 0 e 30 anos de idade e outros 15,2% têm entre 41 e 60 anos. Somente 3,3%dos membros dessas famílias têm mais de 60 anos (Tabela 6). É importante ressaltar que 81,9% dos membros das famílias entrevistadashabitam no domicílio. Os demais residem em outros locais não investigados napresente pesquisa.Tabela 6 – Faixa etária das famílias dos entrevistados FaixaFaixa etária dos membros da família Quantidade %Entre 0 e 14 anos 446 26,3Entre 15 e 30 anos 659 38,8Entre 31 e 40 anos 277 16,3Entre 41 e 60 anos 257 15,2Acima de 60 anos 56 3,3Não respondeu 02 0,1 MembrosTotal Membr os 1.697 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte:32
  32. 32. A partir das declarações feitas pelos entrevistados, verifica-se que, dototal dos membros das famílias, 39,7% possuem renda para o sustento da família,enquanto que 55,2% não conseguem obter renda suficiente para isso. Outros5,1% não responderam à pergunta (Tabela 7). É elevado o número de ocupações informais, considerando que, do totaldos membros das famílias, somente 5,2% têm assinada a Carteira de Trabalho.Ainda, segundo declaração dos entrevistados, a renda média mensal da famíliaextensa é de R$ 270,20 (aproximadamente US$ 91) (Tabela 7).Tabela 7 – Situação das famílias com relação à renda mensal e carteira de trabalhoSituação Sim % Não % Não % To t a l respondeu MembrosPossui renda para o sustento da família? 674 39,7 937 55,2 86 5,1 1.697Possui Carteira de Trabalho assinada? 89 5,2 1.470 86,6 138 8,2 1.697Valor da Renda Média Mensalda Família Extensa (R$) 270,20Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Analisando-se a distribuição das famílias entrevistadas entre as categoriassociais, verifica-se que do total, somente 27,8% são “proprietárias” das terrasonde trabalham. Por outro lado, a maioria (72,2%) está na categoria “sem-terra”e 27,0% são “parceiras”. Do total das famílias, 7,2% se distribuem entre ascategorias de “arrendatário”, “diarista”, “herdeiro”, “ocupante” e “assentado”(Tabela 8).Tabela 8 – Categorias sociais dos entrevistadosCondição do produtor rural Quantidade %Sem-terra 231 72,2Parceiro 87 27,2Proprietário 89 27,8Arrendatário 15 4,7Diarista 04 1,3Herdeiro 02 0,6Ocupante 01 0,3Assentado 01 0,3Total F amílias Famílias 320 ———Fonte Elaboração dos autores.Fonte: 33
  33. 33. Verifica-se que não somente os “sem-terra” são submetidos a condiçõesprecárias de exploração de terra de trabalho. Também as famílias “donas deterras” enfrentam semelhante problema, na medida em que a grande maioria(84,3%) possui área que não supera os 10 hectares. Apenas uma propriedade(1,1%) tem área superior a 200 hectares. As demais (14,6%) têm área individualentre 11 e 50 hectares (Tabela 9). Considerando a média de 5,3 pessoas por grupo familiar, e tendo em vistatratar-se de região incluída no semi-árido, observa-se que o tamanho daspropriedades é extremamente reduzido, insuficiente para ocupar toda a força detrabalho do grupo familiar, bem como proporcionar os elementos necessáriospara a reprodução física e social da unidade doméstica. Em outras palavras, faltaterra para que o trabalho possa se materializar, o que dificulta a reprodução dasunidades domésticas. Segundo Garcia Júnior (1983, p. 224), o que dificulta areprodução de unidades domésticas nessas condições não é sua insuficiência depotencial de trabalho, “...mas por não terem acesso à terra de trabalho em quepossam materializá-lo”. Assim sendo, é provável que o grupo familiar faça usocrescente de atividades não-agrícolas, como forma de complementar a rendanecessária à aquisição do consumo familiar.Tabela 9 – Tamanho da propriedade rural das famílias Tamanho propriedadeTamanho da propriedade rural propriedade Quantidade %Até 10 hectares 75 84,3De 11 a 30 hectares 11 12,4De 31 a 50 hectares 2 2,2De 51 a 100 hectares 0 0,0De 101 a 200 hectares 0 0,0De 201 a 500 hectares 1 1,1Acima de 500 hectares 0 0,0Total Propriedades Propriedades 89 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte:7.3 – Atividades Desenvolvidas pelos Membros das Famílias Extensas No item anterior, observou-se que existe escassez de terra para ocupaçãoda mão-de-obra disponível entre as famílias entrevistadas. Por esse motivo, asatividades não-agrícolas têm grande importância para as famílias, conformeapresentado na Tabela 10. Veja-se que a maioria das famílias (67,8%) considera-a34
  34. 34. a principal atividade, superando, em grande escala, as atividades agrícolas. Partedessas famílias (41,3%) sequer pratica qualquer atividade agropecuária (Tabela 11). Por outro lado, somente 32,2% das famílias têm a agropecuária comosua principal atividade (Tabela 10). E dentre essas atividades, a produção degrãos é a mais importante, por ser exercida por 50,0% das famílias, conformeapresentado na Tabela 11. Outras atividades agropecuárias de menor importânciasão a fruticultura, a ovinocaprinocultura, a bovinocultura e a mandioca, exercidaspor respectivamente 21,3%, 9,4%, 9,0% e 7,5% das famílias.Tabela 10 – Atividade principal dos membros das famílias membrosAtividade principal Quantidade %Agrícola 103 32,2Não-Agrícola 217 67,8Total F amílias Famílias 320 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: A produção de grãos (basicamente milho e feijão) aparece como a maisimportante (50% dos agricultores dedicam-se a essa atividade), contrapondo-seaos dados para o pólo como um todo, que apresentam a fruticultura irrigadacomo a principal atividade. Ocorre, na verdade, uma preocupação do grupo empriorizar a manutenção de atividades de subsistência, como forma de garantir aalimentação familiar. Entre tais agricultores acontece o mesmo relatado por Alves(1999, p. 74) em pesquisa realizada no sertão cearense (município de Tejuçuoca),que por tratar-se de grupo com características eminentemente de camponeses, é“movido pelo princípio básico da maximização da segurança e minimização dorisco...”. Por isso, “na hora de plantar”, prioriza as atividades de subsistência.Tabela 11 – Atividades agrícolas praticadas pelos membr os membros das famílias (continua)Atividades agrícolas exercidas Quantidade %pelos membros da famíliaProdução de Grãos 160 50,0Fruticultura 68 21,3Ovinocaprinocultura 30 9,4Bovinocultura 29 9,0Mandioca 24 7,5Avicultura 18 5,6 35
  35. 35. Tabela 11 – Atividades agrícolas praticadas pelos membros membros das famílias (conclusão)Atividades agrícolas exercidas Quantidade %pelos membros da famíliaPesca 12 3,8Suinocultura 05 1,6Horticultura 3 0,9Melancia 01 0,3Algodão 01 0,3Batata doce 01 0,3Nenhuma 132 41,3Total F amílias Famílias 320 ———Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Quando indagados sobre qual atividade não-agrícola é considerada maisimportante, os entrevistados apontam o artesanato, o comércio e a construção civil,como sendo as três principais (Tabela 12). O artesanato é a atividade mais importante,sendo praticada por membros de 17,8% famílias. Em seguida, aparecem o comércio(composto principalmente por bodega e mercearia) e a construção civil, praticadospor 17,5% e 12,8%, respectivamente do total das famílias. Porém, estas não são as únicas atividades não-agrícolas exercidas por essasfamílias. Dentro da grande diversidade de atividades citadas, podem também serdestacadas, por apresentarem relativa importância, os serviços gerais (9,6%), oassalariamento no meio urbano (8,8%)14, o magistério (6,3%), a pequena e médiaindústria rural (5%)15 e o trabalho com confecções (2,8%).14 Quanto ao assalariamento no meio urbano, observa-se grande variedade de ocupações, dentre as quais destacam-se: funcionário público, auxiliar administrativo, comerciário, telefonista, secretária, caixa, gerente, auxiliar financeiro, auxiliar de enfermagem, agente de saúde, coletor de dados do Ibama, merendeira de escola, vendedor, policial, garçom, operário e zelador.15 A pequena ou média indústria rural inclui atividades de beneficiamento de castanha, fabricação de queijos, de cera, de mel de abelhas, de vinho, de doce de caju e a fabricação de tijolos.36
  36. 36. Por outro lado, verifica-se que, entre as famílias, ainda não existemocupações no setor de turismo rural. Ainda, tendo em vista o grande número de jovens entre as famílias, éreduzido o número de aposentados e pensionistas, menos de 1%.Tabela 12 – Atividades não -agrícolas praticadas por membros das não-agrícolas membros famíliasAtividade não-agrícola exercida Quantidade %pelos membros da famíliaArtesanato 57 17,8Comércio (Bodega/mercearia/outros) 56 17,5Construção civil 41 12,8Serviços Gerais 30 9,4Assalariado no meio urbano 28 8,8Magistério [professor(a)] 20 6,3Pequena ou média indústria rural 16 5,0Confecções 9 2,8Diarista 8 2,5Caseiro (a) 7 2,2Motorista/Bugueiro 7 2,2Carpinteiro 6 1,9Vigia 6 1,9Bar/Restaurante 4 1,3Empregado(a) doméstico(a) 3 0,9Mecânico 3 0,9Aposentados e pensionistas 2 0,6Borracheiro 2 0,6Catador de lixo 2 0,6Eletricista 2 0,6Mineração 1 0,3Turismo rural 0 0,00Outros (Promotor de bolão de vaquejada,Empresário, Artista plástico) 7 2,2Total F amílias Famílias 320 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: O fato de somente 32,2% famílias indicarem a atividade agropecuáriacomo sua atividade produtiva mais importante, diferentemente do que ocorrecom as atividades não-agrícolas (consideradas as mais importantes para 67,8%), 37
  37. 37. pode ser uma indicação de que algumas dessas atividades (não-agrícolas) estejamocupando um lugar importante na obtenção de renda para a família. Assim é que, segundo afirmação da maioria dos entrevistados (65%), aprática de atividades não-agrícolas por parte de membros da família se deve ànecessidade de complementar a renda familiar (Tabela 13). Outros 28,4% justificamo exercício dessas atividades pelo fato de não haver disponibilidade de terras para aprática da agricultura e 5,6%, por não haver opções de trabalho. Por outro lado,somente 4,7% admitem que não gostam do trabalho agrícola e por isso praticamatividades não-agrícolas. Além desses motivos, existem aqueles que praticam atividadenão agrícola por lazer, conforme resposta de 5,6% dos entrevistados.Tabela 13 – Motivos pelos quais se pratica atividades não -agrícolas não-agrícolas na família extensaMotivos Quantidade %Para complementar a renda familiar 208 65,0Não possui terra para praticar a agricultura 91 28,4Por não ter outro trabalho 18 5,6Por lazer 18 5,6Não gosta do trabalho agrícola 15 4,7Por que gosta da atividade 10 3,1Outros motivos 06 1,9Total F amílias Famílias 320 ———Fonte Elaboração dos autores.Fonte: A baixa renda e escassez de meios de produção agropecuária fazem comque a grande maioria das famílias (97,5%) exerça atividades não-agrícolas queasseguram uma remuneração. Somente oito famílias (2,5%) declararam que suasatividades não-agrícolas não oferecem remuneração, sob as seguintes justificativas:não há interesse em vender, a produção é destinada ao consumo doméstico (50,0%);não consegue produzir em escala (25,0%); o produto não tem qualidade paraser levado ao mercado (12,5%); não compensa vender o produto (12,5%). É provável, portanto, que esteja ocorrendo uma inversão na importânciaque algumas atividades não-agrícolas ocupam nos trabalhos familiares. Muitasdessas atividades, a exemplo do artesanato, eram reservadas no passado às horaslivres dos trabalhos domésticos. A dedicação de membros das famílias à prática de atividades não-agrícolasé confirmada pelos dados apresentados na Tabela 14 abaixo.38
  38. 38. A maioria das famílias entrevistadas (62,5%) afirma que a atividade não-agrícola ocupa acima de 30 horas semanais; outros 10,3% ocupam de 25 a 30horas semanais nessa atividade, enquanto que 17,2% ocupam de 19 a 24 horassemanais, o que confirma a importância que tais atividades vêm assumindo nadivisão do trabalho entre os grupos familiares pesquisados (Tabela 14).Tabela 14 – Periodicidade da prática da atividade não -agrícola Periodicidade não-agrícolaPeriodicidade Quantidade %Até 12 horas semanais 10 3,1De 13 a 18 horas semanais 24 7,5De 19 a 24 horas semanais 55 17,2De 25 a 30 horas semanais 33 10,3Acima de 30 horas semanais 198 62,5 FamíliasTotal F amílias 320 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Quando indagados sobre os principais problemas no desenvolvimento dasatividades não-agrícolas, os entrevistados apontam o financiamento (20,6%), asmáquinas e equipamentos (13,8%) e os canais de comercialização (10,0%), comosendo os mais problemáticos (Tabela 15). A solução para o problema do financiamento da atividade, segundo osentrevistados, ocorreria com a liberação de empréstimos de forma rápida, fácil esem burocracia para melhorar o negócio, aprimorar o trabalho, aumentar aprodução e aumentar as vendas. Os problemas de acesso a máquinas e equipamentos também seriamsolucionados com o financiamento para sua aquisição, bem como através de projetoassociativo; alguns entrevistados apontaram a união e o trabalho em grupo comouma necessidade para o desenvolvimento da atividade e o crescimento da produção. Com relação à deficiência nos canais de comercialização, 15,6% daquelesque a apontaram como o principal problema da atividade, acreditam que poderiaser resolvida com a criação de uma associação; outros 37,5% acham que a melhoriada dinâmica da economia local, com o respectivo aumento do mercado consumidor,poderia ser a solução para a deficiência nos canais de comercialização. Issocontribuiria, inclusive, para a redução do número de atravessadores, apontadopor 6,3% também como uma forma de reduzir o problema. Importante observar que a pesquisa revela um dado surpreendente aoapontar que 39,7% dos entrevistados declaram não haver problemas no 39
  39. 39. desenvolvimento das atividades não-agrícolas de sua família, quando se esperavaque a maioria apontasse a existência de problemas de diversas ordens, tais comofalta de organização, ausência de treinamento, deficiências de infra-estruturaetc. Estes itens foram minimamente citados pelos entrevistados, conformeobservado na Tabela 15, a seguir.Tabela 15 – Principais pr oblemas no desenvolvimento das problemas atividades não-agrícolasProblemas Quantidade %Financiamento 66 20,6Máquinas e equipamentos 44 13,8Falta de organização 2 0,6Falta de treinamento 3 0,9Falta de profissionalismo 0 0,0Falta de pessoal auxiliar 3 0,9Fornecedores de matéria-prima 22 6,9Canal de comercialização deficiente 32 10,0Falta de serviço 30 9,4Baixa estação 25 7,8Falta de Infra-estrutura 5 1,6Outros 16 5,0Não tem problemas 127 39,7Total de F amílias Famílias 320 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte:7.4 – Fontes de Financiamento para as Atividades Não-agrícolas Desenvolvidas pelos Membros das Famílias Extensas Do total dos entrevistados (320), a grande maioria (95,6%) declarou quesuas famílias utilizam somente recursos próprios para desenvolver suas atividadesnão-agrícolas e, portanto, não dispõem de financiamento externo. Por outro lado, o financiamento obtido por 4,4% das famílias restantes foiconcedido pelo fornecedor da matéria-prima (3,2%), BNB (0,6%) e agiota (0,6%).40
  40. 40. Tabela 16 – Principais fontes de financiamento das atividades não- agrícolasFontes de Financiamento Quantidade %BNB 2 0,6Outros Bancos (citar) 0 0,0Crédito Informal 0 0,0ONGs 0 0,0Cooperativas de crédito 0 0,0Agiota 2 0,6Fornecedor de matéria-prima 10 3,2Comprador do produto 0 0,0Não dispõe de financiamento, utiliza apenasrecursos próprios 306 95,6Total de F amílias Famílias 320 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Dos 14 entrevistados que declararam ter tido acesso a financiamento parasuas atividades não-agrícolas, 85,7% utilizaram os recursos para compra de matéria-prima; outros 14,3% afirmam que utilizaram os recursos para aquisição de máquinase equipamentos e 7,1% aplicaram os recursos em capital de giro (Tabela 17).Tabela 17 – Finalidades do financiamento das atividades não - não- agrícolasFinalidades do Financiamento Quantidade %Aquisição de máquinas e equipamentos 2 14,3Compra de matéria-prima 12 85,7Investimento 2 14,3Capital de giro da atividade não-agrícola 1 7,1Total F amílias com financiamento Famílias 14 ———Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Sobre a adequação, suficiência e oportunidade do crédito obtido, osentrevistados apresentaram opiniões que variam entre favoráveis e desfavoráveis, tendomaior peso, em termos percentuais, as opiniões desfavoráveis, conforme se podeobservar na Tabela 18, abaixo. Do total dos entrevistados que tiveram acesso aalguma fonte de financiamento, 35,7% consideram-no inadequado; 71,4%, insuficientee 21,4%, inoportuno; por outro lado, 21,4%, 28,6% e 28,6%, respectivamente, dosentrevistados, consideram a fonte de financiamento adequada, suficiente e oportuna. 41
  41. 41. Tabela 18 – Opinião do entrevistado sobre adequação, suficiência e oportunidade da fonte de financiamento das atividades não-agrícolasOpinião sobre a Fonte de Financiamento Quantidade %Adequação Adequada 3 21,4 Inadequada 5 35,7 Não respondeu 6 42,8 Total 14 100,0Suficiência Suficiente 4 28,6 Insuficiente 10 71,4 Não respondeu 0 0,0 Total 14 100,0Oportunidade Oportuna 4 28,6 Inoportuna 3 21,4 Não respondeu 7 50,0 Total 14 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Quando indagados sobre quais finalidades dariam aos recursos caso obti-vessem novos financiamentos para investir na atividade não-agrícola, 15% dosentrevistados responderam que aplicariam na aquisição de máquinas e equipa-mentos, 12,8%, na compra de matéria-prima e 18,1%, utilizariam os recursoscomo capital de giro da atividade. Porém, acima da metade dos entrevistados (185 ou 57,8%) declararam quenão gostariam de obter financiamento para investir em suas atividades não-agrícolas,o que denota certa reserva do grupo com relação ao sistema financeiro (Tabela 19).Tabela 19 – Finalidades de novos financiamentos para investir nas atividades não-agrícolasFinalidades do novo financiamento Quantidade %Aquisições de máquinas e equipamentos 48 15,0Comprar matéria-prima 41 12,8Investimento 25 7,8Capital de giro da atividade não-agrícola 58 18,1Outros 26 8,1Não gostaria de obter financiamento 185 57,8Total F amílias Famílias 320 ———Fonte Elaboração dos autores.Fonte:42
  42. 42. Com efeito, deste total, cinco haviam tido acesso a algum tipo de financi-amento anteriormente, porém, quatro deles declararam que “têm medo de nãopoder pagar”, “medo dos juros”, ou preferem “não ficar devendo”, por isso nãoquerem mais o financiamento; apenas um declarou que não tomaria outro finan-ciamento “porque ainda está pagando um empréstimo” (Tabela 20). Os demais entrevistados (180) que não pretendem obter financiamentoapresentaram diversas justificativas para tal decisão, aparecendo como mais im-portante o “medo de não poder pagar” (34,4%). Na mesma linha, aparece commenor percentual o “medo de juros” (6,1%) e o “medo de Banco” (5,0%). Hátambém os que afirmam não necessitar de financiamento (31,7%) ou que suaatividade “não se enquadra” (20,5%). Porém, existem aqueles que não gostam de dever (7,8%), que não têminteresse em contrair financiamentos (6,7%) ou conduzem negócios cujo portenão comporta empréstimo (7,8%).Tabela 20 – Justificativa para a não aquisição de novos financiamentos Famílias com Famílias sem To t a lJustificativa financiamento “em ser” financiamento “em ser” Quantidade % Quantidade % Quantidade %Medo de não poder pagar 44 24,4 02 40,0 46 24,9Medo de Banco 09 5,0 – 09 4,8Medo de juros 11 6,1 01 20,0 12 6,5Não gosta de dever 14 7,8 01 20,0 15 8,1O porte do negócio nãocomporta empréstimo 14 7,8 – 14 7,6Não necessita 39 21,7 – 39 21,1Não tem interesse 12 6,7 – 12 6,5Não se enquadra 37 20,5 – 37 20,0Está pagando um empréstimo – – 01 20,0 01 0,5To t a l 180 100,0 05 100,0 185 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Organização, Controle Exer ercidos7.5 – Organização, Planejamento e Controle Exercidos pelas Famílias Extensas No que se refere à atividade de planejamento, foram listadas, conformeapresentado na Tabela 21, algumas áreas consideradas importantes e consulta-das aos entrevistados. Observou-se que grande parte (68,2%) não realiza talatividade, enquanto que apenas 15,9% planejam a comercialização e 8,5% pla-nejam a produção. 43
  43. 43. Tabela 21 – Áreas em que são realizadas atividades de planejamento para as atividades não-agrícolasÁreas de Planejamento Quantidade %Produção 27 8,5Comercialização 51 15,9Aquisição de insumos 1 0,3Utilização máquinas/implementos 1 0,3Armazenamento 2 0,6Beneficiamento/industrialização 1 0,3Capacitação e Assistância Técnica 3 0,9Propaganda e Marketing 1 0,3Recursos Humanos e Materiais 14 4,5Não realiza atividade de planejamento 219 68,4Total F amílias Famílias 320 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Dentre aqueles entrevistados que praticam planejamento (total de 101entrevistados), 33,7% declararam que tal planejamento é feito com a participaçãoda família; outros 27,7% o fazem isoladamente. Ainda, 22,8% envolvem osfuncionários nas atividades de planejamento. O item outros (12,8%) é compostoprincipalmente de professores, os quais afirmam realizar a atividade deplanejamento no grupo escolar (Tabela 22). Deve-se ressaltar, que a revelação de grande percentual de famíliasrealizando planejamento isoladamente, com reduzida participação de associações,cooperativas ou organizações não-governamentais, representa um indício de baixonível de organização entre as famílias pesquisadas.Tabela 22 – Quem participa do planejamento para as atividades não-agrícolasQuem participa desse planejamento? Quantidade %O produtor isoladamente 28 27,7O produtor juntamente com a família 34 33,7O produtor juntamente com a família e vizinhança/comunidade 01 1,0Sebrae 00 0,0Associação/Cooperativa 01 1,0ONGs 0 0,0Os funcionários 23 22,8Com os fornecedores de matéria-prima 01 1,0Outros 13 12,8Total F amílias que planejam atividades Famílias 101 100,0Fonte: Elaboração dos autores.44
  44. 44. Outra problemática observada junto às famílias extensas pesquisadas, é aausência de orientação para o planejamento das atividades não-agrícolas. Ouseja, além do elevado percentual de famílias que não realiza planejamento (Tabela21), entre aquelas que realizam alguma atividade de planejamento, a maioria(56,2%) não recebe orientação para tal (Tabela 23). Por outro lado, entre as famílias que recebem alguma orientação para oplanejamento de sua atividade não-agrícola, verifica-se uma grande dispersão emtermos de oferta do serviço, aparecendo como mais representativos a prefeitura(16,8%), o comprador do produto (8%) e o governo (6%). Não se observa aparticipação de ONGs e sindicatos neste processo, o que denota o baixo nível deorganização das comunidades locais.Tabela 23 – Entidade que oferece orientação para o planejamento das atividades não-agrícolasEntidade Quantidade %Cooperativa/Associação 2 2,0Escritório de Projeto/Profissional Autônomo 4 4,0Emater 1 1,0Prefeitura 17 16,8Sindicato 0 0,0Governo 6 6,0ONGs 0 0,0Fornecedor da matéria-prima 3 3,0Comprador do produto 8 8,0Empregador 3 3,0Não existe orientação 57 56,2 FamíliasTotal F amílias que planejam atividades 101 100,0Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Com relação ao controle gerencial das atividades não-agrícolas, apresenta-se como um problema do grupo pesquisado, tendo em vista que mais da metadedas famílias extensas (58,1%) não faz nenhum tipo de controle gerencial, conformese pode observar na Tabela 24. Entretanto, no que diz respeito à qualidade doserviço, 28,1% das famílias preocupam-se e realizam controle gerencial. Outrosgerenciam o controle de preços (12,5%) e a qualidade dos produtos (17,2%).Curiosamente, os menores percentuais de adoção de controle gerencial ocorremnas áreas de custos (9,4%) e estoques (8,4%). 45
  45. 45. Tabela 24 – Áreas em que são realizadas atividades de controle controle gerencial das atividades não-agrícolasÁreas de controle gerencial Quantidade %Custos 30 9,4Estoques 27 8,4Preços 40 12,5Qualidade dos Produtos 55 17,2Qualidade dos Serviços 90 28,1Não faz controles 186 58,1Total 320 ———-Fonte Elaboração dos autores.Fonte: Produção Mercados Produtos Famílias7.6 – Produção e Mercados para os Produtos das Famílias Extensas Com relação à aquisição de matéria-prima para a prática das atividadesprodutivas, 30,9% dos entrevistados afirmaram que há facilidade e 11,3%declararam que há dificuldade de adquiri-la. Porém, a maioria respondeu que asituação não se aplica à realidade do entrevistado (Tabela 25). Com efeito,conforme se observou no item 6.3., boa parte dos entrevistados pratica atividadesde serviço nas áreas de magistério, construção civil, emprego doméstico, vigilância,mecânica, dentre outros.Tabela 25 – Condições para a aquisição de insumos/fornecimento de matéria-primaExiste facilidade de aquisição de insumos/ Quantidade %fornecimento de matéria-prima?Sim 99 30,9Não 36 11,3Não se aplica ao entrevistado 185 57,8 FamíliasTotal F amílias 320 100,0Fonte Elaboração dos atores.Fonte: Dentre os que alegaram a dificuldade de adquirir a matéria-prima, foramapontados os motivos conforme apresentado na Tabela 26 a seguir. Acima de50,0% apontaram a falta de oferta de matéria-prima no local como a grandedificuldade; outros apontaram a escassez de matéria-prima como a principaldificuldade (19,4%) ou a falta de recursos para adquiri-la (19,4%).46

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