Os lusíadas inês de castro

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Os Lusíadas, Canto III, episódio de Inês de Castro, plano da História, recursos expressivos

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Os lusíadas inês de castro

  1. 1.  I – Introdução (est. 118, 119)  Relato de Vasco da Gama ao rei de Melinde:  Anúncio do episódio: momento e condições em que se deu a morte de Inês de Castro; “o caso triste e dino de memória”(est. 118)  Responsabilização do Amor – força trágica e fatal que exige sacrifícios (est.119)  Identificação poetisada das causas da morte.  Hipérbole – “O caso…/que do sepulcro os homens desenterra”
  2. 2.  II – Antecedentes (est. 120, 121) – “as memórias de alegria”  Inês é a linda mulher apaixonada “nos saudosos campos do Mondego”, vivendo um amor correspondido, “num engano de alma ledo e cego/ Que a Fortuna não deixa durar muito”:  Felicidade despreocupada de Inês em Coimbra, dominada pelo Amor recíproco e pelas saudades do Príncipe: “do teu Príncipe ali te respondiam” (est. 121).  Hipérbole - “Nos saudosos campos de Mondego, dos teus fermosos olhos nunca enxuito”  Antíteses – realçam o caráter absurdo do sacrifício de Inês “noite”/”dia”; “doces sonhos que mentiam”
  3. 3.  III – Condenação de Inês e sua apresentação ao rei (2ª parte da est. 122; est. 123)  Causas da morte:  D. Inês é castelhana, o Povo não quer essa aliança, nem o rei se quer envolver na guerra civil com Castela.  2ª parte da estrofe 123 – comentário do Poeta feito pela voz de Vasco da Gama.  Súbita desgraça – o dia “fatal” (est. 124) - Inês perante o Rei, “o velho pai sesudo”, trazida pelos algozes, prepara-se para implorar o perdão do Rei e avô dos seus filhos.
  4. 4.  IV – Súplicas e defesa de Inês (2ª parte da est.124; 125 a 129)  Argumentos de Inês:  a compaixão dos animais ferozes e das aves agrestes pelas crianças, em contraste com a crueldade dos homens;  a sua inocência, “uma culpa que não tinha”;  A sua morte será um crime, contrária ao código cavaleiresco: “Contra uma dama, ó peitos carniceiros, /Feros vos amostrais e cavaleiros?” e contrária às leis da justiça, pois morre sem culpa.  a condição de cavaleiro do próprio rei D. Afonso IV que, sabendo dar a morte, deve também saber dar a vida com clemência;  a sua situação de Mãe, que teme pelo desamparo dos seus filhos.
  5. 5.  V – Hesitação do Rei e confirmação da sentença (130)  Piedade do Rei em contraste com a insistência do Povo e o destino trágico que segue Inês.  Desfecho trágico – imolação da vítima inocente praticada pelos “horríficos algozes”, que o Poeta logo condena.  Desenlace – Morte de Inês (est. 132)  Sinédoque (a parte pelo todo) – “ó peitos carniceiros” ◦ → corações sedentos de sangue → os algozes, os assassinos;  Antítese (contraste) – “Feros vos amostrais e cavaleiros”
  6. 6.  VI – Considerações finais do narrador (133, 134, 135)  Reprovação do Poeta,  um crime de lesa-beleza “Tal está, morta, a pálida donzela” (est. 134),  sublinhada pelo pranto comovente das filhas do Mondego e pela animização da Natureza, sua antiga confidente, que chora a morte de Inês (est. 135).  Comparação – “Assi como a bonina, que cortada antes do tempo foi, cândida e bela,… “Tal está, morta, a pálida donzela,”;  Hipérbole – “…em fonte pura as lágrimas choradas transformaram.”  VII – Vingança de D. Pedro (est. 136, 137)
  7. 7.  ALGUNS ASPETOS ESTILÍSTICOS  1. As alternâncias de tempos verbais  Introdução: pretérito perfeito (ação terminada aquando do seu relato).  O acontecimento: pretérito imperfeito (maior presentificação de uma ação passada, no seu decorrer).  As considerações finais: Presente histórico (est. 134): maior visualização do “crime”; Pretérito perfeito (et. 135): a ação retoma-se como já passada.
  8. 8.  ALGUNS ASPETOS ESTILÍSTICOS  2. Jogos de contrastes  “a se gozar da paz com tanta glória” (est. 118) ≠”o caso triste e dino de memória”;  “linda Inês” (est. 120) ≠ “ pálida donzela” (est. 134);  “engano de alma ledo e cego” (est. 120) ledo ≠ cego;  “memórias de alegria” (est. 121) ≠ “tirar Inês ao mundo determina” (est. 122);  “Rei benino” ≠ “pertinaz povo” ≠ “horríficos algozes”  “brutas feras” ≠ “ó tu que tens de humano o gesto e o peito”;  “contra uma dama, ó peitos carniceiros, /feros vos amostrais, e cavaleiros?” (est. 130)
  9. 9.  ALGUNS ASPETOS ESTILÍSTICOS  3. Jogos de sonoridades  Estrofes 120-121: sequência de vogais doces (i/ui) sugerindo doçura, tranquilidade  Estrofe 135: aliterações em nasais:  “As filhas do Mondego a morte escura longo tempo chorando murmuraram…”  Sugerindo, para além da intenção onomatopaica (o correr da água, que se prolonga) o prolongar do drama.  Versos finais:  Vede que fresca fonte rega as flores/que lágrimas são a água e o nome Amores… - sucessão de consoantes v/f, sugerindo dureza, antes de se retomarem as aliterações em nasais e em - r- no verso final.
  10. 10.  PARA COMPREENDER OS LUSÍADAS, Amélia Pinto Pais, AREAL EDITORES  CAMÕES ÉPICO, INTRODUÇÃO À LEITURA DE OS LUSÍADAS, Avelino Soares Cabral, Edições Sebenta

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