Unidade

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Um livro que procura trazer a Unidade de uma maneira diferente da qual estamos condicionados a pensar e acreditar, buscando fugir da uniformidade da realidade e quebrando paradigmas para que cada ser humano possa fazer a sua transformação.

“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”. (Madre Teresa de Calcutá)

“Ninguém nasce odiando outra pessoa devido à cor de sua pele, à sua origem ou ainda à sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar”. (Nelson Mandela)

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Unidade

  1. 1. Unidade Marcello Aguilera
  2. 2. [ 2 ] Os ideais não têm lugar na educação porque impedem a compreensão do presente. Podemos dar atenção ao que é somente quando deixamos de fugir para o futuro. (Jiddu Krishnamurti)
  3. 3. [ 3 ] Sumário PARTE I..............................................................................................5 PARTE II ..........................................................................................22 PARTE III.........................................................................................37
  4. 4. Esse livro é dedicado a todos os mestres de Luz, especialmente a Tania Mara A. da Silva.
  5. 5. [ 5 ] I
  6. 6. [ 6 ] Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitisse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica. (Paulo Freire)
  7. 7. [ 7 ] Nesse planeta habitado por milhões de espécies, um ser vivo se autodenominou racional. Essa denominação abriu espaço para a superioridade do que chamamos de ser humano, ocasionando uma interferência – direta ou indiretamente – catastrófica no ciclo da vida, movido pela soberba do conhecimento. O ser humano é constituído por duas cosias: pensamentos e sentimentos. É através delas que há a manifestação do que somos nessa trilha de aprendizado. Cada ser humano é singular, mas não existe compreensão entre os habitantes para entender isso. O único consenso dos seres humanos é da importância da educação. A origem da palavra educação deriva-se do termo em latim educare, que significa tirar e, apropriada ao contexto em que é utilizado, tirar o melhor de si. Mesmo soando um tanto quanto pré-potente e arrogante, a relevância de sua importância é indiscutível para a grande maioria das pessoas no mundo, colocando como prioridade a reivindicação do direito à educação para todos. Na Grécia Antiga, dos grandes filósofos, a educação era seu grande pilar. Os espaços eram abertos para a reflexão, tendo como principal combustível o questionamento. Os sofistas trouxeram à educação outra forma através da cobrança de pagamento do “ensinar”, porém, sem a obrigatoriedade como foco. Assim, a resistência dos pensadores dava o ar da graça junto à imaginação, criatividade e troca constante de conhecimentos. Enquanto na Grécia a educação se constituía através da reflexão, do outro lado do mundo, na América Pré-Colombiana, o aprender se dava através do contato com o que conhecemos como Natureza. Até o início da colonialização – que para muitos é “ensinado” descobrimento – existiam milhões de nativos na América. As
  8. 8. [ 8 ] diversas tribos espalhadas aprendiam a valorizar e cultivar a Pachamama. Os povos extraíam apenas o necessário para a sobrevivência e, mesmo na caça, compreendiam o quão sagrado eram os outros seres vivos. O surgimento da demarcação das propriedades advém do século XIII. Na Inglaterra de Tudor, é realizado o cerceamento de terras pelo parlamento. As grandes terras comunais que eram compartilhadas foram reduzidas às pequenas propriedades privadas. Isso se espalha pela Europa, para em seguida abrir espaço para a colonialização. Nesse momento, as pessoas deixam de pertencer à Terra e a terra passa a pertencer ao povo. A partir do século XV inicia-se uma exterminação impulsionada pelo surgimento do mercantilismo, que viria a fomentar a economia dos Estados com medidas estabelecidas – protecionismo alfandegário, incentivo às manufaturas, balança comercial favorável e soma zero – através da exploração. No Novo Continente que acabara de ser “descoberto”, a grande maioria dos nativos desparecem com inúmeras línguas entrando em esquecimento. Começa-se a Era das “Conquistas”, com a ocupação dos territórios. A dominação é feita ignorando as culturas, os povos e as crenças para a extração da riqueza de suas terras. Depois de “conquistar” a América, milhões de africanos são transplantados para o Brasil para sofrer nos séculos seguintes a escravidão – nos garimpos, nas plantações de cana, café, etc. – e alimentar a economia dos Estados colonizadores enquanto os povos da Europa disputavam terras e guerreavam entre si. Após o fim da escravidão lidam com o abandono e, através do mesmo sofrimento dos séculos passados, buscam a superação. Passam-se os tempos e a ambição do ser humano vai se fazendo cada vez mais presente na mente das pessoas. O entendimento de que a todo o momento estamos educando e sendo educados
  9. 9. [ 9 ] através da troca constante de aprendizados do dia-dia é deixada de lado. Porém, de maneira proposital, para fazer da educação uma ferramenta. A assinatura da Lei Áurea no fim do século XIX se dá junto à ascensão e disseminação do nascimento da educação pública, gratuita e obrigatória pelo mundo. Em um momento em que achamos que estamos deixando os últimos escravos livres, passamos a criar a ferramenta que faria nos tornar verdadeiros escravos nos séculos seguintes. Foi no Despotismo Esclarecido em um antigo Reino e já dissolvido estado alemão chamado Prússia, no fim do século XVIII e início do século XIX, que se cria a educação pública, gratuita e obrigatória. Originado do padrão militar, os Monarcas se baseiam na forte divisão de classes e castas para criar um modelo de educação que fomente a disciplina, a obediência e o regime autoritário. Sua origem vem do modelo Espartano, em que havia uma instrução militar onde o Estado se desfazia daqueles que não alcançavam os níveis esperados. A educação era realizada através de aulas obrigatórias, fortes castigos e modelagem de conduta através da dor e do sofrimento. O objetivo principal do surgimento da educação era evitar as revoluções que ocorriam na França. Para satisfazer o povo os Monarcas incluíram alguns conceitos do Iluminismo, mas mantendo o regime absolutista. Na Rússia, por exemplo, que foi uma das precursoras da educação pública, gratuita e obrigatória junto à Prússia, foram chamados enciclopedistas para preparar a administração do que seria ensinado nas escolas. Um dos grandes Iluministas da época, Diderot foi trazido para auxiliar esse pacote formador de uma massa de pessoas disciplinadas para obedecer aos seus Estados e competitivas para terem disposição para guerrear.
  10. 10. [ 10 ] Um pouco antes, no século XVII, Thomas Newcomen cria uma invenção que logo em seguida, daria início ao que conhecemos como “Revolução Industrial”. Com a criação da bomba a vapor para tirar água de uma mina, aumentou-se a retirada de carvão feita pelos mineiros ingleses. A produtividade/hora cresce, levando isso à frente para as corporações que surgiriam logo em seguida. Impulsionadas pela Guerra Civil e a Revolução Industrial, a expansão das Ferrovias fez com que o Estado doasse terras públicas para a criação de bancos e indústrias. As regras eram bem claras, tudo o que faziam eram do conhecimento do Estado. O tempo de operação e o valor do Capital, nada disso era regido pelas corporações. As corporações eram vistas como um presente do povo para servir um bem público, porém, com a remoção das restrições historicamente impostas às corporações e a concessão do Estado a uma licença, elas passam a operar não como um grupo de pessoas, e sim como uma pessoa jurídica sob a lei. Coincidentemente, o início da escolarização pública, gratuita e obrigatória se dá junto à ascensão das corporações e da Era Industrial. Os empresários da época a viram como um investimento e ajudaram a financiar a criação das escolas – JP Morgan, Andrew Carnegie, John Rockfeller, Henry Ford, etc. – enxergando a resposta ideal à necessidade dos trabalhadores. Visando encontrar um lugar para os operários colocarem seus filhos, a escolarização também serviu para o ensinamento das leis e principalmente o aprimoramento da mão de obra, com o foco na aplicação de fórmulas científicas, Leis Gerais e em matérias específicas ligadas à produção e o consumo. Não é de se assustar a semelhança das escolas com as fábricas e o modelo de produção, em que existe um processo meramente mecânico através de passos determinados em uma ordem
  11. 11. [ 11 ] específica, separado por gerações e graus com etapas pré- estabelecidas e focalização de alguns elementos. Com isso, também há o fardamento obrigatório, horários estipulados de entrada e saída, com sirenes indicando os intervalos dentro de um espaço com grandes muros e grades, seja de concreto ou de árvores. Com o discurso de educação para todos, muitos países importaram a escola moderna elevando a bandeira da igualdade, quando justamente a própria essência da educação provinha do Despotismo, buscando perpetuar modelos elitistas e divisão de classes. Depois da Prússia, Rússia e Polônia, no século XVIII, Napoleão – grande inimigo dos despóstas – importa o modelo de escolarização para a França. Sucessivamente, chega-se à Espanha e os Estados Unidos é o primeiro país a implantar esse modelo na América. Um sistema educacional que se espalhou pelo mundo que acaba adestrando cidadãos para servir ao sistema, através de uma máquina de subjulgamento que se estende às Universidades e diversas esferas de vida na sociedade. Uma grande ferramenta para que a cultura permaneça sempre igual e se repita, conservando as estruturas sociais da sociedade condizentes com as diferentes realidades. O espaço de tédio e desinteresse que rodeiam as Instituições Educacionais é potencializado pela busca – unicamente – do desenvolvimento curricular, fazendo com que o conhecimento permaneça reduzido através de uma visão extremamente parcial. Isso é impulsionado pela Globalização que, ao contrário da estática educacional, está em um constante crescimento. É no século XX, através da fragmentação dos territórios, que se inicia a Era da Globalização. O modelo de consumo insaciável substitui o humanismo como motor de progresso, impulsionado
  12. 12. [ 12 ] pela Revolução Tecnológica e as grandes corporações, fazendo do consumo o verdadeiro fundamentalismo. Através da desculpa para a trilha do crescimento, as corporações buscam diversas medidas. Elevação dos impostos, juros altos para atrair investimentos estrangeiros, austeridade fiscal, privatizações em nome da boa administração do setor privado e incapacidade dos Estados são as reformas sugeridas para o desenvolvimento da sociedade. Com o processo de Globalização transformando o consumo em ideologia da vida, não era de se esperar que as pessoas menos favorecidas tivessem melhorias em suas condições. Através dessa lógica, os habitantes com uma condição social mais baixa são reciclados para longe dos centros da cidade. A problemática de acesso se torna um grande empecilho junto à barreira de locomoção que só cresce – nas periferias, becos, vielas, favelas, conjuntos habitacionais, etc. – seja no valor das passagens ou na grande distância. A Globalização impulsionada pelas grandes empresas afastaram as corporações de uma relação com o território, através do distanciamento das ações efetivas dos Estados e a aproximação pelos interesses econômicos. Isso fez com que se criasse uma fábrica de perversidade, deixando de lado a responsabilidade moral e social, maquiada por uma falsa dependência criada pela sociedade. O principal objetivo das corporações é obter o máximo de lucro possível, tendo como sua única preocupação os acionistas. É seu lucro que alimenta o sistema capitalista, com os interesses financeiros dos donos corporativos acima até mesmo do bem público. A corporação precisa objetivar o crescimento e lucrar para que os demais paguem pelo seu impacto na sociedade, fazendo gerar externalidades.
  13. 13. [ 13 ] Esse trabalho é realizado em conjunto com os Estados, nos países subdesenvolvidos existem fábricas clandestinas com condições precárias para os trabalhadores ganharem míseros centavos, para depois as corporações revenderem seus produtos. Tudo isso é feito com muita proteção e segurança, acordado com os governos locais. Para colocar uma máscara em cima da exploração, é muito comum as grandes empresas doarem parte de seus lucros para Instituições Filantrópicas. Dessa maneira, os consumidores são tocados pela sua boa ação social tanto pela “facilitação” da vida do consumidor, como pela ajuda às instituições de caridade. Essas fábricas clandestinas são necessárias, pois as corporações não conseguem fabricar nas áreas em que elas conseguem obter sucesso. A renda aumenta e, como consequência, a mão de obra fica cara. Ou seja, não tem mais como maximizar o lucro. Entendendo esse contexto, fica mais fácil de compreender que historicamente as corporações também impulsionaram os regimes fascista e nazista. O fascismo de Mussolini cresceu com a ajuda das grandes corporações, fazendo os investimentos alavancarem. O mesmo aconteceu quando Hitler assumiu o poder. Mesmo com os Estados Unidos estando ao lado da União Soviética e do Reino Unido liderando o grupo formado pelos Aliados que venceram a Segunda Guerra Mundial contra o Eixo, comandado pela Alemanha de Hitler, Itália de Mussolini e o Império do Japão de Hirohito, as corporações – sobretudo americanas – ajudaram a reconstituir a Alemanha e apoiar o regime nazista. A busca do lucro pelas corporações se sobrepõe a qualquer bandeira e, até hoje, elas são multadas por negociar com tiranos. Porém, isso é visto como um negócio, se a multa for menor que o lucro o financiamento continuará existindo.
  14. 14. [ 14 ] A facilitação – para uma parcela da população – através da Globalização fez com que se maximizasse não só o lucro, mas também problemas sociais. Para além dos problemas sociais, o meio ambiente se encontra em um abismo cada vez mais profundo e a cura do câncer nunca será encontrada se não enxergarem que a indústria é seu grande causador. O declínio do ser humano com a relação cada vez mais próxima ao consumo se faz presente na produção de produtos perigosos, produtos químicos sintéticos, lixo tóxico, lixo nuclear, poluição, mal aos animais, destruição dos habitats, extinção de espécies, fazendas industrializadas, experimentações, emissões de CO2, devastação florestal, derretimento das geleiras, etc. Tudo isso se reflete em exterminação da vida através da contaminação do ar, da água e da terra. O conceito de riqueza foi deturpado para satisfazer a lógica do consumo, estamos guerreando contra a evolução. Criamos a nossa autodestruição, pois um pedaço de papel tem mais importância do que a vida nessa busca pelo lucro e sede pelo consumo. Essa demonstração não está presente só nas catástrofes geradas pelo ser humano, mas também na ambição dentro dos grandes laboratórios, fazendo a reverência pela vida se perder através das empresas e Universidades que podem ser donas de espécies, deixando de lado a compreensão de que formas de vida não são como invenções da indústria, como rádio ou TV. Existem países no mundo que legalmente, aceitam patentear organismos vivos criados em laboratórios. Para essas questões não chegarem aos meios de comunicação, existe uma grande manipulação da mídia. Ela transforma a população em consumidores inconscientes criando desejos e impondo uma filosofia, voltando atenção das pessoas para aspectos fúteis da vida como, por exemplo, o consumo de
  15. 15. [ 15 ] modismo. Movidos pela competição, os indivíduos ficam desassociados entre si e o senso de valor acaba se refletindo na quantidade de desejos que conseguem satisfazer. As corporações controlam os meios midiáticos para propagarem não um produto, mas um estilo de vida. Isso é realizado através de ilusões feitas para nos distrair e manipular nossa aprovação, criando-se um padrão desejado. É um jogo de uma indústria que gasta bilhões por ano para influenciar os consumidores. No mundo da Globalização os acontecimentos diários são inumeráveis, porém, as informações que nos são passadas são escolhidas minuciosamente e distorcidas não para informar, mas para formar uma opinião específica em relação aos assuntos que nos são passados. Os meios de comunicação selecionam o que está acontecendo. Existem os fatos, as notícias são interpretações desses fatos de acordo com os interesses pré-determinados de economistas, acionistas e empresas patrocinadoras. A imposição da mídia fez com que os valores da nossa sociedade fossem transformados em um único valor, o consumismo. O sistema educacional vigente acaba refletindo verdadeiras estruturas políticas ditatoriais que não aspiram desenvolvimento coletivo, fazendo com que as pessoas não trabalhem para melhorar sua comunidade. O trabalho que se almeja é aspirado sempre de maneira individual, procurando melhorar a qualidade de vida da pessoa de uma maneira extremamente contraditória e agressiva para o entorno da sociedade. A importância voltada apenas para o conhecimento formal faz com que os seres humanos fechem os olhos para o que acontece além da sua realidade. O objetivo se tornando mensurável, quantificável e objeservável faz surgir uma medição inexistente dos objetivos a partir de um padrão invisível, fugindo da singularidade do ser humano e criando uma estruturação para se
  16. 16. [ 16 ] comparar as pessoas. Através disso, as notas ajudam a reafirmar quem são os perdedores e quem são os ganhadores, criando diversos conflitos na mente e se estendendo muito além das esferas educacionais institucionalizadas. Toda essa reafirmação faz contrapor os valores que em teoria, as estruturas educacionais objetivam – comunidade, cooperação, paz, liberdade, felicidade, amor, etc. – para dar espaço para outros valores que alimentam o sistema – concorrência, violência, materialismo, discriminação, individualismo, condicionamento, etc. – fazendo com que se tornem apenas um mero discurso de palavras bonitas ou os tratando como conteúdo para ser revisado para os próximos exames. Isso faz com que o processo de ensinar se torne uma reprodução simbólica, com o professor tradicional dando aula em um quadro negro sobre o que ele aprendeu ou o que vem fazendo por tradição durante muitos anos, sobre todo um material imposto pelos administradores educativos. Na formação dos docentes não se diz quase nada sobre emoções, fora isso, não são os docentes que ditam suas aulas ou passam para os alunos o que acham importante ensinar. A escolarização se dá como um processo de instrução, em que os materiais são preparados detalhadamente em sua maioria por administradores e não por educadores, visando dar continuidade à servidão ao sistema. A consequência disso é a perda do senso crítico, do questionamento, da imaginação e da criatividade. Da mesma maneira em que as corporações auxiliaram com investimentos nos regimes fascista e nazista, os países precursores do processo de escolarização pública, gratuita e obrigatória são até hoje focos de Xenofobia e Nacionalismo extremo, pelo fato das escolas terem se complementado com pesquisas sobre o controle de condutas e até propostas de
  17. 17. [ 17 ] superioridade racial, baseando-se no sistema Prussiano ou similar a ele. Pensando na homogeneização da sociedade, o sistema educacional se assemelha ao sistema de linha de montagem que nasce com o Taylorismo. Pouco a pouco, as pessoas “educadas” tornam-se cidadãos obedientes, consumistas e eficazes transformando-se em números, qualificações e estatísticas que através das exigências e pressões do sistema acabam desumanizando a todos e fazendo-os tornar robôs, indo muito além dos alunos, professores, inspetores e diretores. A verticalidade dos sistemas educacionais faz com que haja uma exclusão social, selecionando o tipo de pessoas que farão parte de uma elite que futuramente dominarão as corporações – os sistemas de produção, de comunicação, econômico, etc. – e outro tipo de pessoas que serão dominadas e não precisarão dos diplomas para fazer esse tipo de trabalho. Ou seja, é apenas um processo de instrução e não de aprendizado. Essa verticalização é proveniente da escolarização da educação que, com as raízes do sistema Prussiano, se mantém até hoje no mesmo padrão. O sistema e o Estado não se preocupam com o ser humano enquanto indivíduo, por isso esse método educacional torna-se eficiente para ele. Perderam-se também os critérios exteriores da Natureza e, junto a isso, a descoberta. Sem fomentar a imaginação e a criatividade passamos a seguir tudo que nos é imposto de forma natural. E tudo que nos é imposto em relação a qualquer tipo de conhecimento é com base no medo, para gerar bons cidadãos – dóceis e obedientes – para uma sociedade competitiva. Esse fechamento do mundo exterior do projeto educacional que nós somos obrigados a seguir, não leva em consideração a importância do amor, a liberdade de escolha, a natureza da aprendizagem e as relações humanas no desenvolvimento
  18. 18. [ 18 ] coletivo e individual. Diferente das experimentações livres, espaços de reflexão e conversação da Grécia Antiga, a educação é obrigatória, se assemelhando muito mais às instruções dadas aos escravos e se distanciando da liberdade. A educação que nos é imposta se contrapõe ao valor de paz que é disseminado no dia-dia. Muito pelo contrário, reafirma-se a guerra quando a competição é alimentada pelos educadores das instituições, que também não passam de escravos do sistema. Depois de anos lendo e estudando, não é o estudante ou o professor que fracassa, o sistema que é mal planejado. Aliás, é muito bem planejado para ser dessa maneira. Estamos seguindo um caminho que propaga o conceito de liberdade como forma suprema e, ao mesmo tempo, suprime a verdadeira liberdade. A civilização não tem espaço para nenhuma discussão, pois a lógica financeira não tem espaço para solidariedade. Um bom exemplo é a África, o continente mais rico da Terra em riquezas materiais e naturais assolados pelo sofrimento em grande parte da região. A questão da fome é muito debatida e, sempre citamos o continente africano, mas o que muitos não enxergam é que essa questão é uma problemática de distribuição dos alimentos e de dominação e exploração de pessoas, principalmente na África. Nós produzimos muito mais comida do que nós podemos comer. Só que não somos nós que produzimos, são as corporações. Elas detêm um grande monopólio de sementes e plantações que afrontam diretamente com a estimulação de Agricultura Orgânica para a população, fazendo grande parte dos habitantes do planeta Terra esquecer que podem produzir o seu próprio alimento e a Natureza pode lhes dar tudo que necessitam para a sobrevivência. O povo do Ocidente, diferente dos Orientais, dificilmente sabe ouvir tranquilamente uma palavra crítica. Isso faz com que se
  19. 19. [ 19 ] perca o amor. Perdendo-se o amor, não existe a possibilidade de se criar um diálogo, pois amar significa aceitá-lo na sua diferença. As Instituições Educacionais não são sinônimas de educação, como muitos acreditam ser. O amor, o respeito e o diálogo nunca vão ser encontrados em livros ou ensinados nas escolas, Universidades ou em um emprego. A potencialidade do medo na Era da Globalização ditado pelas corporações é o que paralisa o ser humano a aprender, pois sendo movidos pela competição passamos a ter medo de errar. Porém, o que muitos não conseguem enxergar é que no erro também se aprende e ninguém tem que ganhar aqui. A importância da pergunta está colocada desde o início da Filosofia, onde a aprendizagem surge do repensar e do questionar. O que fazem é exatamente o contrário, fugimos da natureza da aprendizagem para através das Instituições Educacionais ordená-la e estruturá-la. Isso é feito para a criação de um guia de conhecimento baseado em experiências prévias, o currículo. Nós, como cidadãos, temos que nos “educar” para melhorar nosso currículo para poder almejar alguma coisa na vida. É exatamente isso que as corporações querem que nós sigamos, e elas como cidadão, tem um currículo eterno de pessoas imortais e sem consciência moral. As corporações podem produzir bens ou serviços que nos são úteis e melhoram nossas vidas, o problema é que o lucro – nunca suficiente – é o único objetivo. O que muitos não entendem pelo fato de estarem cegos por essa “facilitação” que as corporações trazem à vida de uma parcela da população, é que muitos produtos que foram criados e são comercializados não deveriam sequer ser fabricados. As empresas sabem disso e tentam banalizar toda essa situação para poder continuar lucrando através de uma aspiração imperialista de deter o poder.
  20. 20. [ 20 ] Estamos caminhando para um futuro muito obscuro que, se não refletirmos nossa maneira de pensar, passará a ser tornar um caminho sem volta. A água é um bem comum que deve ser conservado por todos, contanto, pode estar nas mãos das corporações um futuro que boa parte da população mundial nunca imaginou passar se não mudarmos nossa consciência. A interioridade de cada pessoa se manifesta através da arte e, nos dias de hoje, podemos repensar como manifestá-la nessas condições. A arte não tem definição, ela sempre se reinventa. Podemos reinventá-la utilizando-a para arar a terra, adubá-la, plantar o alimento, colhê-lo, cozinhá-lo e se alimentar. Não estaremos alimentando não só a nós, mas nosso espírito interior e coletivo com o mundo. Recriar e reutilizar também pode fazer parte desse trajeto, diferente do desperdício, que devemos deixar de lado nessa trilha. Mudemos nosso conceito de riqueza imposto na Era da Globalização e passemos a valorizar a água limpa, a terra fértil e o ar puro. Falemos sobre Democracia, mas de outro modo, com outra visão. Não podemos nos limitar a colocar um governo que não gostamos por outro que talvez venhamos a gostar. As grandes decisões são tomadas dentro de organizações que não possuem leitos democráticos – Bancos Mundiais, Fundos Monetários Internacionais, grandes Organizações Financeiras Internacionais, grandes Organizações Mundiais de Comércio, etc. – e, dessa forma, não há representatividade do povo, pois não é ele quem escolhe os representantes dos países nessas organizações. Vivemos em uma Democracia que mais se parece um Despotismo, em que não temos voz nas decisões tomadas por aqueles que governam o mundo. Essa geopolítica imposta pelos economistas e pela mídia pode ser repensada se tivermos uma conscientização. Arbitrariamente, dificilmente conseguiremos transformar as corporações e a
  21. 21. [ 21 ] política que as envolve. “Democraticamente”, nosso voto sempre se restringirá a “tirar e colocar”. Exatamente por isso, a mudança é um processo muito mais árduo e, com uma troca de hábitos e disseminação de novos valores, a esperança poderá se tornar algo efetivo para o planeta Terra. O desemprego é uma condição para ter mais Globalização, a pobreza é tratada com naturalidade pelo Estado e aceitamos tranquilamente ficar discutindo a questão da fome. As corporações desorganizam os territórios tanto moralmente, como socialmente. Não podemos ser coniventes com suas mentiras e trapaças para obtenção de lucro junto a uma tecnologia exterminadora e extremamente alienadora. Não há nenhuma indústria no planeta que seja sustentável porque elas são saqueadoras da Terra e, não pelo fato da nossa definição como civilização. Isso é um grande erro que deve ser corrigido. O Terceiro Mundo deixou de ser visto como monstro e mostrou que as corporações eram os verdadeiros aterrorizantes. Se há uma grande dificuldade quando só há um fornecedor – o Estado – temos que criar sistemas que alimentem a Terra e os seres humanos sem as corporações. O futuro está no plantar o alimento e preservar os recursos naturais, pois o capitalismo perdeu o rumo e substituiu a política através dos donos das grandes empresas. Um dia esse sistema se sucumbirá, pois a emergência da Era da Globalização está ocasionando não apenas problemas sociais e demográficos, mas problemas ambientais que interferem no todo, no absoluto. Não podemos fazer com que um prédio responda por responsabilidades sociais e morais, mas podemos fazê-lo entrar em esquecimento através da nossa mudança de pensamento. Temos que superar a barreira da meta para alcançar a liberdade, esse é o verdadeiro caminho.
  22. 22. [ 22 ] II
  23. 23. [ 23 ] A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo. (Albert Einstein)
  24. 24. [ 24 ] Desde a escolarização da educação, somos instruídos a pensar e acreditar no observável. Esse reducionismo faz com que deixemos de alimentar a nossa imaginação, perdendo a visualização e limitando-se a enxergar apenas o que os nossos olhos veem. Todas essas ideias são potencializadas desde o surgimento da escolarização que, tinha como foco para instrução as formulas científicas e Leis Gerais. Esse padrão estabelecido no fim do século XVIII e início do século XIX se estende até hoje nas esferas educacionais, procurando focalizar as mesmas matérias que requeriam mais atenção na ascensão da Revolução Industrial, para hoje dar continuidade à Era da Globalização. Atualmente, estamos na época audiovisual em uma Era movida pelo excesso das coisas. Podemos ter acesso a tudo a qualquer momento, mas dificilmente temos tempo para o que podemos adquirir. Essa ilusão alimentada pela superabundância de imagens está nos deixando cada vez mais perdidos através da constante multiplicação de sonhos. Esse “sonhar” que comumente vivenciamos não é alimentado pela imaginação e sim pelas coisas que vemos na mídia em geral. As imagens que enxergamos são vistas fora de contexto e quase nunca tentam nos dizer algo, o que é feito – pelas revistas, televisão, internet, jornais, etc. – é uma tentativa de venda através da visualização. Exatamente por isso, estamos em uma espécie de cegueira generalizada. Acabamos perdendo a visão pelo fato de os nossos sonhos já estarem sendo introduzidos automaticamente, sem espaço para a criação junto à imaginação. Isso se assemelha às Instituições Educacionais que, assim como a mídia, impõe toda uma ordem através de uma estruturação feita pelo sistema. De certo modo, a ânsia por imagens é potencializada por esses meios de “educação” que não fazem
  25. 25. [ 25 ] outra coisa a não ser instruir as pessoas a seguirem algo, dando- lhes a informação pronta e fazendo-os acreditar ser a única verdade. Estamos cegos da nossa própria ideia, da nossa própria razão, alimentando o espetáculo que nos é apresentado. A Caverna de Platão nunca se fez tão presente como hoje, pois perdemos o olhar interior através dos tantos clichês que nos são mostrados e que por fim, acabamos a aceitar. As imagens substituíram a realidade, ficamos impotentes à situação das pessoas acorrentadas na Caverna em um mundo que as pessoas olham para frente, veem as sombras e acreditam que essas sombras são de fato a realidade. A visão dos olhos atrapalha a visão interior, pois o olhar é uma interpretação mediada por nossos conceitos e valores criados através das nossas experiências. Sendo assim, a realidade visível não existe na verdade, pelo fato de ela ser sempre condicionada pelo olhar. A incapacidade de focalização e atenção com o que acontece não só ao nosso redor, acaba por ocasionar diversas voltas sem sentido pela vida, deixando de lado a busca pela compreensão do que somos, para o que servimos e o sentido da nossa existência, fazendo nos perder com nós próprios. O medo como o centro de todas as relações criadas pelo ser humano hoje, está nos deixando aprisionados pelo conforto e pela segurança, potencializando uma carência de sentido pela vida e distanciando a visualização da simplicidade nas coisas. Essas questões estão limitando o nosso ato de ver apenas para o olhar visível. Estamos enfraquecendo o nosso olhar invisível que se encontra na mente, conhecido por muitos como imaginação. O poder de complementar as palavras, fazendo nos deixar projetar dentro delas através da imaginação está se perdendo na
  26. 26. [ 26 ] atualidade. Essa magia que vemos com frequência nas crianças, desaparece conforme elas vão crescendo e se “desenvolvendo” através do que são impostos a elas, visto de uma maneira mais concreta nas Instituições Educacionais. O problema tratado se estende para além da questão educacional, pois estamos sendo manipulados diariamente por diversas esferas de poder hierarquizantes estruturadas pelo sistema. Entretanto, a escolarização da educação é a raiz da potencialidade dos problemas que estamos lidando. Todos nós somos constituídos de pensamentos e sentimentos. Nossas experiências, sensações e percepções fazem de nós criaturas emocionais. Cada emoção é pessoal e fica codificada na imagem, porém, isso é constantemente modificado. Nós sugerimos que os olhos são passivos e as coisas apenas entram. Mas a imaginação sai e é ela que nos faz visualizar de fato, acabamos por enxergar com os olhos da mente, sem ver estamos vendo constantemente. Os olhos permanecem passivos enquanto a imaginação transborda. Nós não conhecemos as coisas como elas são, somos capazes de ver e ouvir com os ouvidos, com o cérebro. Vemos em partes com os olhos, mas não exclusivamente. O convencionalismo que move a Terra faz com que enxerguemos menos, escutemos menos e falemos mais, deixando de evoluir a visão interior que se desenvolve em nós. Uma forma enriquecedora para a subjetividade é o incomodo, ele nos impulsiona a buscar as coisas. Contanto, não devemos nos incomodar com o que os outros pensam, pois utilizamos o olhar dos outros, a língua dos outros e acabamos por existir através dos outros. Precisamos tentar existir por nós mesmos. Só assim nos daremos conta que somos mortais de fato, para amar e aprender mais ao longo da vida.
  27. 27. [ 27 ] O olhar é singular, assim como cada ser humano. A visualização que é plural, podendo ser encontrada no abstrato. Diferente do que estamos acostumados a sugerir, as coisas não entram apenas nos olhos, elas surgem dentro de nós. Se distinguindo das lembranças que apenas reveem as coisas, a imaginação traz a visualização que transfigura o mundo. É através dela que podemos transcender ultrapassando a fronteira da mente e dos fótons mentais. A tecnologia avançou muito na Era da Globalização e isso é visto de maneira muito positiva por grande parte da sociedade. O problema é que ao mesmo tempo em que ela avançou, ela também passou a se tornar não só um instrumento de alienação, mas principalmente de investigação – que vigia e invade a nossa privacidade – na mão do sistema. Entretanto, mesmo com todo esse avanço, a tecnologia sempre será limitada. Nós temos dentro de nós a tecnologia mais avançada do mundo, chamada consciência. Diferente dos computadores quânticos desenvolvidos por meios de investigação e de busca, sua inteligência se manifesta de maneira espontânea, demonstrando o quão avançado é o poder que possuímos conosco. Porém, estamos vivendo uma matrix que não está sendo visualizada pelas pessoas. Ela pode ser sentida quando vamos ao trabalho ou quando olhamos pela janela, quando pagamos nossos impostos ou ficamos hipnotizados às telas. O mundo que nos é imposto foi colocado diante dos nossos olhos para que não fosse visto a prisão que nascemos. Uma prisão na qual não conseguimos tocar ou sentir. Tudo isso, é tocado por um sistema que se baseia no encobrimento para expandir sua esfera de influência através de operações de inteligência, diplomáticas, políticas, militares, econômicas e científicas.
  28. 28. [ 28 ] Na Inglaterra do século XVIII, do Rei Jorge III, é declarado ilegal a moeda independente e livre de juros que as colônias estavam produzindo e usando entre elas, obrigando-as à fazer empréstimos com juros do Banco Central da Inglaterra e, instantaneamente endividando-as. Dessa forma, foi impedido às colônias de operarem em um sistema monetário honesto que livrasse o homem comum das garras manipuladoras do dinheiro e da ambição. Desde o início do que conhecemos como mercantilismo, a mercadoria nunca se viu tão evidenciada como hoje. Ao contrário dos escravos e explorados ao longo da história, estamos vivendo um tempo em que a maioria da sociedade não quer enxergar e a minoria da sociedade não percebe a escravidão que estão vivendo. Essa matrix é alimentada pelos seus servos que continuam a se empregar em um trabalho cada vez mais alienante – caso estejam suficientemente domados – e a comprar mercadorias que lhes tornam potencialmente mais escravos. O cenário atual da Era da Globalização é motivado pelo urbanismo que refez a totalidade do seu espaço como seu próprio cenário, junto ao desenvolvimento de uma lógica de dominação absoluta impulsionada pelo sistema capitalista, criando uma eterna instabilidade e construção do mesmo. A insegurança na qual vivemos é a justificação da remodelação permanente, fazendo com que os lugares fiquem cada dia mais barulhento e sujo. Através da apropriação exclusiva do solo, os habitantes da matrix acabam por pagar suas próprias jaulas sem discutir a vida lamentável que lhes foram planificadas. Uma servidão voluntária que se espalhou pela Terra colocando as pessoas cada vez mais dentro de suas Cavernas.
  29. 29. [ 29 ] Na época audiovisual, a mercadoria vendida através da imagem não é mais condicionada pela demanda e sim pela oferta. É dessa forma que se criam novas necessidades que são consideradas vitais de maneira tão rápida pela maioria da população. Dispondo-se disso, o sistema dominante utiliza as mercadorias para difundir suas mensagens e afastar os seres humanos de seu semelhante. Visando aprisionar mais consciências, são disseminadas mensagens publicitárias que procuram associar a felicidade às mercadorias distanciando as pessoas da oportunidade de serem feliz, junto à falsa ilusão de escolha. Isso fica mais explicitado quando a mercadoria são os alimentos. A variedade demonstrada nos supermercados dissimula a degradação e falsificação dos produtos alimentícios. São através das indústrias agroquímicas – ou alimentícias – que são produzidos organismos geneticamente modificados com uma mistura de colorantes, pesticidas, hormônios e conservantes que fazem nossos alimentos chegarem às prateleiras. O exemplo da nossa alimentação também pode ser vivenciado na exterminação massiva e bárbara das espécies que suprem os desejos criados das pessoas que dispõe de uma filosofia onívora. Essa filosofia não resiste ante o desejo de proveito de certos seres vivos, utilizando-se do prazer imediato como sua regra de alimentação. Isso acaba por se estender também ao consumo, movido pela insaciável satisfação de desejos. Contanto, para consumir desenfreadamente é preciso ter dinheiro e isso nós podemos conseguir apenas com o trabalho. O termo trabalho deriva-se do termo em latim tripalium, que significa três paus, instrumento de tortura utilizado para subjulgar os animais e forçar os escravos a aumentarem sua produção.
  30. 30. [ 30 ] Assustados pelo desemprego – que é uma condição da Era da Globalização – as pessoas se submetem a qualquer tipo de humilhação e acabam se vendendo para pagar em parcelas sua vida miserável. Apressados pelo cronômetro engolem rápido o alimento modificado para poderem ir rapidamente ao emprego maximizar o número de mercadorias produzidas em um processo meramente mecanizado. Com apenas um trabalho respectivo em uma determinada área, seja ele intelectual ou físico, os trabalhadores são gratos pela “generosidade” das pouquíssimas portas de oportunidades que se abrem. Esse tipo de trabalho constitui em sua essência a desapropriação dos próprios trabalhadores através das atividades alienantes que são vistas como libertadoras. Nessa Era, majoritariamente, a mercadoria é produzida na Ásia e concebida no Ocidente, enquanto a morte e a exploração são demonstradas com mais veemência na África. O sistema condiciona o homem a um trabalho que o faz ter um comportamento produtivo para além das fábricas e das indústrias. Todos esses males são esquecidos pelos “menos” explorados quando entram de férias – bem organizadas para não parar a produção – ou quando estão se divertindo e tendo acesso ao lazer, sumariamente, sem o desprendimento do consumo. Para enganar sua insatisfação, os servos da matrix se divertem através das imagens na época audiovisual. Junto à tecnologia, as imagens levam consigo a mensagem da sociedade moderna e serve de instrumento de unificação e propaganda. Essa sufocadora perda de liberdade e de capacidade de reflexão tem início com as crianças que são instruídas dentro das escolas através de modelos alienadores e induzidas fora delas por telas hipnotizadoras.
  31. 31. [ 31 ] Isso tudo é difundido pela mídia que é patrocinada pelas corporações que buscam promover o consumo vendendo modelos de vida. Existem imagens para todas as ideias, idades e classes sociais. Apropriam-se disso para disseminar a troca de imagens com cultura e arte, criando uma confusão na cabeça das pessoas através de uma usurpação. Impulsionado pelo sistema e não diferente das corporações, que colocam o lucro acima de tudo, a mídia utiliza-se de qualquer coisa para fazer a sua divulgação. Duplamente escravizada na sociedade, é a mulher que paga o preço mais alto para a venda das mercadorias, sendo apresentada como simples objeto de consumo. Os trabalhadores não enxergam que esse divertimento na época audiovisual, é colocado em suas mãos para distraí-los do verdadeiro mal que lhes afetam. Além disso, todo esse condicionamento faz comprarmos a ideia de que não temos controle algum, se expandindo para o nosso pensamento e nos levando a crer que o mundo externo não só é mais real que o interno, como também a única realidade. O ser humano perdeu a noção do poder do pensamento, pois vive preso a preceitos de presunção sobre a história do mundo que não condizem com a verdade. Um paradigma que muitos não enxergam, mas que se for visualizado abrem novas formas de ver o mundo passando a compreender que o verdadeiro encanto da vida não está no saber e sim no mistério. Todas as realidades existem simultaneamente transbordando infinitas possibilidades, por isso podemos recriá-la. O que está acontecendo conosco internamente, irá criar o que acontece conosco externamente. Entretanto, somos impostos a aceitar que a realidade física absolutamente sólida é a realidade. Porém, ela compartilha da ideia que tem como princípio um pressuposto particular de
  32. 32. [ 32 ] existência de cada um, partindo da percepção da pessoa que vive a experiência sobre o que é real. O cérebro não sabe a diferença do que vê no ambiente e do que lembra ou é criado, pois são os mesmos neurônios que são ativados, por isso a realidade está acontecendo no nosso cérebro a todo instante. Contanto, pelo fato do ser humano ser movido por objeções e subjulgamentos nós não conseguimos integrar a realidade da mente e transcender o poder da consciência. Nós conseguimos ver o que acreditamos ser possível e os padrões de associação já existem dentro de nós através do que nos é condicionado. Essas questões são reafirmadas pelo tempo que, na verdade, não é concreto. Mesmo nos baseando sempre nele, não temos explicação do que ele é de fato, a não ser uma pura ilusão. Temos que banir o pensamento de que as coisas que nos cercam não são objetos que existem sem a nossa escolha e contribuição. Precisamos reconhecer que o mundo material que nos cerca são apenas possíveis movimentos da consciência e estamos escolhendo momentos nesses movimentos para manifestarmos a nossa existência. Achamos de maneira prepotente, que o mundo existe independente da nossa experiência. Porém, temos que compreender que ele é feito de todas as possibilidades – sendo apenas uma – do subconsciente. Essa matrix que faz as pessoas trabalharem e se aborrecerem vivendo a vida como se nada de especial tivesse acontecendo, tem como resultado mentes enjauladas. Os olhos são apenas lentes, mas os habitantes da Caverna acreditam que eles o fazem enxergar de fato, deixando de entender a magia que está diante delas que se manifesta em todos os momentos. O verdadeiro observador é o espírito que está dentro da nossa roupa biológica conhecida por muitos como consciência. Cada
  33. 33. [ 33 ] um de nós, afetamos a realidade como a vemos, mesmo que não acreditemos ou nos façamos de vítimas. O nosso pensamento pode mudar o corpo – e a vida ao nosso redor – completamente, mas as pessoas aprisionadas na matrix não transformam a realidade de maneira consistente, pois não tem a crença de que podem criá-la e recria-lá. Segundo Einstein e sua Teoria da Relatividade, o tempo está na quarta dimensão. No entanto, estamos em um mundo tridimensional, em que a nossa química se revela através de nossos corpos. Entretanto, pensamos em objetivos e ficamos aprisionados à uniformidade da realidade, fazendo dela completa e não conseguindo alterá-la reafirmando a nossa insignificância. Mas se transformarmos a realidade em nossas possibilidades, criamos uma extensão da nossa imagem e passamos a nos questionar como podemos modificá-la, manifestando a força do pensamento através da consciência e expandindo para além da tridimensionalidade. O cérebro é feito de pequenas células nervosas chamadas neurônios, eles possuem ramificações para se conectarem e fornecerem uma rede neural. Cada área conectada está integrada a um pensamento ou uma memória, construindo assim, todos os conceitos através de memórias associativas. Nós criamos e recriamos modelos de como enxergamos o mundo exterior, pois refinamos nosso modelo de visualizar através da quantidade de informação que adquirimos. Contanto, as informações que chegam do mundo exterior são sempre preenchidas por experiências ou respostas emocionais – sentimentos – acerca do que estamos observando. Nos dias de hoje, comumente deixamos de ser uma pessoa sentimental e consciente de seu corpo e sua mente, pois frequentemente estamos respondendo ao ambiente como se fosse algo automático. Isso é realizado através da interrupção de
  34. 34. [ 34 ] um processo de pensamento que produz uma resposta química ao corpo, fazendo as células nervosas que estavam ligadas quebrarem o seu relacionamento e deixando com que elas não voltem a se ativarem juntas, perdendo sua conexão e criando uma identidade. Com essa questão, podemos reafirmar que a maior farmácia do mundo é a mente, pois através de pensamentos positivos fazemos as células se conectarem e reconectarem o tempo todo, criando um longo relacionamento na rede neural com as boas vibrações que estamos emanando. O nosso corpo é uma unidade que produz cerca de 20 diferentes aminoácidos para formulação de sua estrutura física. No cérebro, existe uma pequena parte chamada hipotálamo que reúne materiais químicos para se conectar com certas emoções. Dentro do hipotálamo temos pequenas cadeias de proteínas chamadas peptídeos que se juntam com neuropeptídeos e hormônios neurais para combinar com os diferentes estados emocionais que sentimos diariamente. Quando sentimos um estado emocional, o hipotálamo se compatibiliza imediatamente com o peptídeo e o libera na corrente sanguínea, achando seu caminho para as diferentes partes do corpo condizentes com a emoção sentida no momento para se conectar com as células. Todas as células do corpo possuem milhares de receptores externos. A célula se abre ao mundo exterior quando o peptídeo se atraca nela, disparando uma cascata de eventos bioquímicos podendo alterar até mesmo seu núcleo. Ou seja, criamos situações para suprir as necessidades bioquímicas das células do nosso corpo e, ao contrário do que pensamos, se não controlarmos nosso estado emocional podemos nos viciar a ele. Temos que mudar a nossa forma de ver nossas necessidades e identidades pessoais, pois a busca que
  35. 35. [ 35 ] é feita está relacionada em sua maioria a achar apenas uma emoção que interesse. Existem materiais químicos para o que sentimos e todos estados emocionais pelo quais passamos e, como tudo que olhamos envolve o aspecto emocional, somos alienados por isso na época audiovisual para ficarmos desconectados com nós mesmos. Se nós ficamos nos sentido tristes por muito tempo, precisamos nos policiar para estarmos felizes e evitarmos que o cérebro produza as imagens tristes que passamos a ficar acostumados. Não é apenas o que conhecemos como droga que vicia, pois o hipotálamo produz peptídeos para cada emoção que temos, podendo ocasionar uma dependência de certos peptídeos (emoções) das células. Nossa consciência literalmente cria o nosso corpo, pois ele capta o sinal do cérebro e os receptores das células mudam de sensibilidade. Nossa constituição de pensamentos e sentimentos é inseparável, levando em conta que cada processo do nosso corpo, que curam ou consertam algo dentro de nós, está sendo influenciado diretamente pelas moléculas de emoção impulsionadas pelo que pensamos ou sentimos. O problema é que a rotulação feita pelas pessoas – principalmente pelos profissionais – é constante. Não há liberdade de escolha, pois os habitantes da matrix são instruídos a homogeneizar a maneira que pensam. Qualquer pensamento que fuja da “normalidade” é taxado de loucura. Entretanto, são os mesmos seres humanos “normais” e julgadores que majoritariamente tem uma vida entediante e sem inspiração, pois eles nunca tentaram buscar algo que os fizessem imaginar. Esses servos da Caverna estão hipnotizados por seus ambientes e por pessoas que ditam ideias e parâmetros que quase todos lutam para imitar, mas que ninguém consegue alcançar em termos de aparência física ou definições de beleza.
  36. 36. [ 36 ] Essas ilusões fazem com que as mentes fiquem cada vez mais aprisionadas, passando a ter uma vida de rendição ao sistema e mediocridade com seu espírito. Desse modo, a alma pode ficar escondida e não se manifestar para que uma mudança de visualização ocorra. Nós temos vícios e vivemos acorrentados na Era da Globalização, pois ninguém nunca se aproximou de nós e nos deu um conhecimento inteligente suficiente sobre como nós funcionamos de dentro para fora. No entanto, podemos ir em direção a um novo paradigma de ampliação de pensamento. Fugindo das “verdades” prontas, podemos aprender a sonhar com algo melhor através da imaginação, expandindo o Universo e recriando-o através das nossas consciências.
  37. 37. [ 37 ] III
  38. 38. [ 38 ] A verdadeira compaixão é mais do que atirar uma moeda a um pedinte. É ver que o edifício que produz pedintes precisa de reestruturação. (Martin Luther King Jr.)
  39. 39. [ 39 ] A procura pela felicidade na Era da Globalização torna-se inalcançável se associada à busca do prazer através do consumo, pois ela é momentânea, mas não é plena. E é somente nessa felicidade que o capitalismo se baseia, para poder alimentar o sistema monetário. O jogo de publicidade da mídia faz com que aceitemos esse valor de felicidade e nos baseemos nele para podermos alcançar a nossa plenitude, porém, de maneira totalmente equivocada. Dessa forma, acabamos potencializando a nossa infelicidade – ou falsa felicidade – e gerando mais desigualdade no mundo. “Nós realmente queremos viver em um mundo no qual 1% tem mais do que todos nós juntos?”, questionou Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam e co-presidente do Fórum Econômico Mundial que acontece anualmente e reuniu os ricos e poderosos no resort suíço de Davos entre 21 e 24 de janeiro de 2015. Segundo o estudo da ONG (Organização Não-Governamental) britânica Oxfam, divulgado no dia 19 de janeiro de 2015, a partir de 2016 o 1% mais rico do planeta ultrapassarão a riqueza do resto da população. A riqueza desse 1% subiu de 44% dos recursos mundiais em 2009 para 48% em 2014. Em 2016, esse número pode vir a superar 50% se o ritmo do atual crescimento for mantido. Essa concentração de riqueza também pode ser observada dentre os 99% restantes da população mundial, que detém 52% dos recursos mundiais hoje. Destes 52% restantes, 46% estão nas mãos de 1/5 (um quinto) da população. Todos esses números resultam na informação de que apenas 5,5% dos recursos estão nas mãos da maior parte de toda a população mundial. Compreendendo que o sistema capitalista não surgiu ou foi criado, temos que entender como ocorreu o desenvolvimento desse sistema que tem como pilar o sistema monetário
  40. 40. [ 40 ] alimentado pelo livre mercado. Como foi dito anteriormente, na Inglaterra de Tudor o povo deixou de pertencer a Terra e a Revolução Industrial deu início às corporações. Porém, o sistema monetário só veio se consolidar no século XX. No fim do século XVIII, os Estados Unidos conseguiu sua independência, travando uma batalha com o Banco Central da Inglaterra que detinha o monopólio da produção de riqueza. O Banco Central é uma instituição que detém dois poderes específicos que são da responsabilidade de suas funções: controle do poder de compra e controle de fornecimento de dinheiro, mais conhecido como inflação. O Banco Central não fornece apenas dinheiro à economia do governo, ele faz um empréstimo com juros. Então, é através do aumento e da diminuição do fornecimento de dinheiro que ele regula o valor da moeda. Assim sendo, toda estrutura por trás desse sistema monetário acaba por produzir unicamente dívida. Como o Banco Central tem o monopólio da produção de riqueza de toda a nação, eles emprestam o dinheiro com uma dívida associada a ele, para depois o dinheiro que virá a pagar o déficit surgir novamente do Banco Central. Desse modo, há um crescimento do fornecimento de dinheiro para cobrir o débito, que aumenta ainda mais visto que o novo dinheiro emprestado também tem juros, criando uma dívida cada vez maior em um processo cíclico. Os estadunidenses que lutaram pela independência de seu país sabiam que o único modo desse sistema não falhar era a conivência com essa escravidão, pois seria impossível para a nação de seu povo sair dessa eterna autogeração de dívida. O que temos na contemporaneidade é um mundo em estado de colapso acumulativo movido pelo mercado. Um pouco antes, no século XVII, John Locke – filósofo inglês e um dos idealizadores do liberalismo – introduz o conceito de
  41. 41. [ 41 ] propriedade para os direitos à privacidade e à propriedade através de três pré-requisitos: excedente suficiente para os outros, não permissão de danos à propriedade e, acima de tudo, integração do trabalho a ela. Por meio da criação desse contrato social que aparentemente é justo, pelo fato de combinar a mão de obra com o mundo tendo direito aos produtos e evitando o desperdício e danos nas propriedades enquanto há excedentes para os outros, há uma falsa conclusão através de interpretações para satisfazer o poder, apropriando-se do que Locke tinha criado. As consequências disso foram que o produto e a propriedade não são mais merecidos por nossa mão de obra, pois o dinheiro passou a comprar mão de obra. Não existe mais preocupação se há excedente suficiente para os outros ou se as coisas estragam ou não, pois o dinheiro não pode ser responsabilizado pelo desperdício. Essas questões são totalmente incompreensíveis pelo fato de não estarmos falando do valor da moeda, mas sim de seus efeitos. Com diversas falsas conclusões, essa surpreendente trapaça lógica só tem o objetivo de servir os interesses dos detentores do capital. Tudo isso é complementado por Adam Smith – filósofo economista escocês e um dos teóricos do liberalismo econômico – no século XVIII, através da ideia central da economia: o equilíbrio entre a oferta e a procura através da “mão invisível” criada por um dos idealizadores do livre mercado. Os bens que as pessoas colocam à venda e que outras pessoas os compram passam a se equivaler através da escassez ditada pelos meios de subsistência que limitam a reprodução dos pobres com a eliminação de seus filhos dada pela “mão invisível”. Com esse pressuposto, não há limites para quanta mão de obra alheia os investidores podem comprar, quanta mercadoria podem acumular ou quanta desigualdade podem gerar.
  42. 42. [ 42 ] Entendendo todo este panorama, no início do século XX, em que já haviam sido criados Bancos Centrais nos Estados Unidos, as famílias dominantes da época – JP Morgan, Rockfeller, etc. – procuraram impulsionar leis para a criação de outro Banco Central, com o objetivo de privatizar o sistema de crédito. Utilizando-se da mídia e os meios de comunicação, foram publicados boatos sobre a falência de um importante banco em 1907 patrocinada por essas famílias para causar histeria no povo e afetar os outros bancos em um medo que se espalhou. Isso ocasionou retiradas em massa realizadas pelo povo, em que os bancos foram forçados a reclamar seus empréstimos fazendo devedores perderem suas propriedades, surgindo uma espiral de especulação, cobranças e tumultos. Os interesses dos empresários da época ganhavam vantagem por meio da criação de todo o pânico. A consequência disso foi uma recomendação do Congresso estadunidense para a implementação do Banco Central de forma que todo o pânico – gerado por uma suposta fraude – não voltasse a se repetir, agradando o interesse dos ricos para iniciarem sua jogada. Em 1910, foi escrito por banqueiros – e não legisladores – o tratado do Banco Central para a criação de uma Reserva Federal, com a intenção de privatizar o sistema de crédito. Em 1913, o Presidente Woodrow Wilson que teve pesado patrocínio político dos banqueiros – e viria a demonstrar seu arrependimento publicamente depois – aprovou o Ato da Reserva Federal que foi votado dois dias antes do Natal, quando a grande maioria dos congressistas estavam com suas famílias. Todo esse processo deu início à fragmentação dos territórios e o surgimento da Era da Globalização, onde a Terra está nas mãos de algumas pessoas. As corporações são controladas pelo sistema de crédito que se privatizou, tirando a liberdade dos
  43. 43. [ 43 ] governos e de toda a população, em que as decisões são tomadas não pelo voto das maiorias, mas sim por um pequeno grupo. O sistema de Reserva é um estabilizador econômico. Em 1920, nos Estados Unidos, a Reserva passou a diminuir uma massiva porcentagem de fornecimento de dinheiro, resultando nos bancos tentarem reaver um grande número de empréstimos e, como aconteceu em 1907, ocasionando um colapso do sistema monetário, evidenciando a dependência da Reserva. Mais de cinco mil bancos fora do sistema da Reserva faliram, trazendo assim, a consolidação de um pequeno grupo de banqueiros internacionais através da mesma criação de pânico de alguns anos atrás, minuciosamente planejada para o fortalecimento do monopólio, para passarem a ter em mãos o mecanismo ideal para a expansão de suas ambições pessoais. Contanto, o pânico de 1920 foi apenas um pequeno susto perto do estrondo causado pela famosa crise de 1929. De 1921 até 1929, a Reserva aumentou a disponibilidade de dinheiro resultando longos empréstimos aos bancos e ao povo. Criou-se também um novo tipo de empréstimo, chamado Empréstimo Paralelo na Bolsa de Valores. O Empréstimo Paralelo permitia ao investidor pagar 10% do preço real das ações, com os outros 90% sendo emprestados ao corretor. Em outras palavras, uma pessoa poderia ter uma ação de $1000,00, pagando apenas $100,00. O Empréstimo Paralelo se popularizou nessa década, fazendo com que todas as pessoas gerassem dinheiro no mercado de valores. Contudo, esse empréstimo tinha uma contrapartida: poderia ser convocado a qualquer momento e deveria ser pago dentro de 24 horas. Em linguagem da Bolsa é um “Margin Call” e o seu resultado é a venda das ações compradas com esse empréstimo.
  44. 44. [ 44 ] Por isso, meses antes de Outubro de 1929 que foi quando ocorreu a grande depressão, diversos empresários – um dos exemplos é Rockfeller – foram abandonando o mercado de maneira silenciosa e em total sigilo. Em Outubro de 1929, os financeiros que fizeram esses Empréstimos Paralelos começaram a cobrar os endividados. Isso teve como consequência uma massiva venda no mercado de todos que tinham que cobrir os empréstimos e, ao tentarem tapar o buraco criado pelo Empréstimo Paralelo, mais de quinze mil bancos foram arruinados. Toda essa falência possibilitou os banqueiros internacionais não só comprarem os bancos rivais a preço de saldo, como também comprar corporações inteiras a preços mínimos. Nesse momento, o país que tinha se tornado o mais rico do planeta depois da Primeira Guerra Mundial que havia terminado em 1918 com a vitória dos Aliados – que foram os países combatentes que os Estados Unidos apoiaram –, via uma sociedade inteira em um estado deplorável de miséria. Passando a compreender todo esse contexto, conseguimos enxergar que a única coisa que dá valor ao dinheiro é a quantidade que circula. Portanto, regular o fornecimento de dinheiro é regular o seu valor. Exatamente por isso que as leis não existem perto do poder que os grandes banqueiros têm sobre nós. As complexidades que rodeiam o sistema monetário distancia a sociedade do entendimento de seu funcionamento. Entretanto, ele é projetado para ocultar uma das estruturas que mais impedem o avanço social da humanidade. A criação do dinheiro surge através de uma dívida, pois o que os bancos fazem quando aceitam notas promissórias nos contratos de empréstimo em troca de crédito – dinheiro – que vai para a conta corrente daquele que recebe o empréstimo é o surgimento
  45. 45. [ 45 ] do dinheiro simplesmente porque existe a procura, ele é criado do nada. É um processo contínuo independente do valor e as Reservas Monetárias recebem uma taxa de porcentagem pré- estabelecida acordada com os governos locais. O dinheiro é criado por um sistema de reserva fracionária e o que dá o valor ao dinheiro recém-criado é o dinheiro que já existe, pois o novo dinheiro “rouba” o valor da reserva de dinheiro existente, já que a quantidade total de dinheiro aumenta independentemente da procura por bens ou serviços. E, como a oferta e procura requerem equilíbrio através da “mão invisível”, os preços aumentam diminuindo o poder de compra de cada moeda individual do país em específico, gerando a famosa inflação que é essencialmente uma taxa escondida do público geral. Esse sistema de reserva fracionária é inflacionário por natureza, porque o ato de aumentar a Reserva Monetária sem que haja um aumento proporcional de bens e serviços na economia irá desvalorizar sempre a moeda. Esse modelo de inflação é economicamente autodestrutivo, pois no sistema monetário em que vivemos dinheiro é dívida e vice-versa. Se todos nós fossemos capazes de pagar nossas dívidas, inclusive os Estados, nós não teríamos nenhuma moeda em circulação. O dinheiro é criado através da dívida por empréstimos que são retirados de uma Reserva Bancária, que derivam de depósitos. E através desse sistema de reserva fracionária, qualquer depósito pode criar mais dinheiro do que o valor original, desvalorizando a Reserva Monetária existente e aumentando os preços na sociedade. Como todo dinheiro é criado a partir de uma divida e ele circula de maneira aleatória através do comércio, as pessoas tornam-se inconscientes de suas dívidas originais gerando um desequilíbrio para serem forçadas a competir por emprego, de
  46. 46. [ 46 ] forma que consigam tirar dinheiro suficiente da Reserva Monetária para cobrir seus custos de vida. O principal elemento da estrutura financeira que revela a verdadeira essência fraudulenta do sistema monetário é a aplicação dos juros. Todo o dinheiro que é emprestado pelo banco é devolvido com acréscimo de juros. Contanto, o problema é que todo dinheiro é emprestado pelo Banco Central e expandido por bancos comerciais através de empréstimos. Entretanto, eles não cobrem os juros que são cobrados, pois simplesmente eles não existem. A quantidade de dinheiro que é devida aos bancos sempre excederá a quantidade de dinheiro disponível em circulação, exatamente por isso que a inflação é uma constante na economia, pois será sempre preciso dinheiro novo para cobrir a dívida eterna interente ao sistema, causada pela necessidade de se pagar os juros. O resultado disso são as falências que nunca deixarão de fazer parte do sistema, fazendo sempre as pessoas mais pobres da sociedade sofrerem com isso. O dinheiro que o banco nos dá não só é falso, como também é uma forma ilegítima contra prestação, cegar-nos a isso faz parte do jogo para a transferência perpétua de riqueza e dividas continuarem. Essa política de reserva fracionária que se espalhou como prática da grande maioria dos bancos no mundo é um sistema moderno de escravidão, pois passamos todos nós a trabalhar para os bancos. Se o dinheiro é criado a partir de dívidas e as pessoas procuram trabalho para poder pagá-los, mas se o dinheiro só pode surgir a partir de empréstimos, não tem como a sociedade se livrar desse processo contínuo homogeneizante. Cria-se o dinheiro no banco e invariavelmente ele volta ao lugar que foi criado, por isso os verdadeiros donos do mundo são os banqueiros junto com as corporações e os governos que os
  47. 47. [ 47 ] apoiam. Diferente da escravidão física que exige abrigo e comida para os trabalhadores, a escravidão monetária exige que as pessoas consigam sua própria casa e comida. Uma guerra invisível contra a população em um esquema planejado de manipulação social, em que a dívida é a arma para conquistar e escravizar sociedades e os juros é sua principal munição. Na época audiovisual esse esquema não é mostrado a nós pelo fato da mídia ser controlada também pelos banqueiros, corporações e governos – impotentes em toda essa situação – que estão de acordo. O sistema da inflação composto pela escassez inevitável característica da oferta de dinheiro criado pelos juros que nunca poderão ser pagos, mantém o escravo na linha através da luta para pagar dívidas eternas alimentadas pelo medo de perder bens, fortalecendo um império que só beneficia a elite no topo da pirâmide. A população que ainda acredita que o sistema procura pensar no bem estar das pessoas não deve compreender que se isso de fato fosse verdade, não haveria terceirização de empregos. Enquanto muitos não enxergam – ou não querem enxergar – toda essa realidade, as novas bases que foram implantadas para aperfeiçoar e expandir essa tática de guerra econômica – Bancos Mundiais, Fundos Monetários Internacionais, grandes Organizações Financeiras Internacionais, grandes Organizações Mundiais de Comércio, etc. –, continuam sem leitos democráticos e participação popular. A forma que os poderosos corporativos e banqueiros trabalham é buscando um país que tenha recursos para fazer um empréstimo enorme do Banco Mundial ou alguma de suas organizações próximas, porém, o dinheiro não vai para o país. Esse empréstimo acaba nas mãos das grandes corporações, para criarem projetos de infraestrutura – usinas de energia, parques industriais, portos, etc. – que são coisas que beneficiam alguns
  48. 48. [ 48 ] ricos desse país e também as corporações, mas não a maioria da população que vive nele. O país acaba ficando com uma dívida enorme que não consegue pagá-la, para os jogadores poderosos adquirirem mais recursos que passaram a se tornar desvalorizados ou ganharem apoio, seja na cúpula da ONU (Organizações das Nações Unidas) ou em bases militares. As corporações e os banqueiros também fazem pedidos que em sua maioria são atendidos, conseguindo privatizar a companhia elétrica, sistema de água e esgoto, etc. pelo fato do Estado não ter capital para uma boa administração por estar completamente endividado. Nessa altura, o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) pedem o refinanciamento da dívida cobrando mais juros, fazendo o país vender também os recursos de serviços sociais e empresas de serviços básicos, podendo ser vendido às corporações estrangeiras até mesmo os sistemas educacionais, penais, de seguro, entre outros. Um trabalho em conjunto dos poderosos corporativos e banqueiros, acordado com os governos locais. Assim como o sistema monetário mantém a população em uma serventia através da dívida e inflação de juros, o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) executam essa função em uma escala global, seja com empréstimos ou corrompendo líderes desses países através de ações de inteligência. Depois, são impostos políticas de ajustes estruturais que normalmente consistem em: desvalorização da moeda, grandes cortes nos fundos para programas sociais, privatização de empresas do Estado e abertura da economia removendo quaisquer restrições ao comércio externo. Isso tudo resulta em perda dos recursos naturais disponíveis por uma fração de seu valor; comprometimento do bem-estar e da integridade física da sociedade, deixando o público vulnerável à
  49. 49. [ 49 ] exploração; perda de sistemas sociais importantes para empresas estrangeiras lucrarem; manifestações econômicas abusivas através da introdução de produtos específicos em massa, ocasionando uma subtração da produção camponesa e arruinação da economia local. A premissa básica de todo esse jogo do sistema é a maximização do lucro sem pensar nas questões sociais e ambientais, criando até mesmo numerosas despercebidas fábricas desumanas desregulamentadas que surgem como consequência das dificuldades econômicas impostas. Além disso, devido à produção irregular a destruição ambiental é exorbitante, pois majoritariamente as corporações são indiferentes a esses assuntos. As corporações controlam a mídia através de publicidade, controla a maioria dos políticos – seja financiando campanhas ou estabelecendo regras –, elas não são eleitas, não cumprem um tempo de mandato e muito menos dão satisfações. Não conseguimos saber se as corporações trabalham para si próprias ou para o governo, tornando o Estado invisível na maior parte do tempo. E, tudo isso, é realizado em parceria com os bancos. O Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) apoiam os interesses das corporações. Sendo assim, ajudar países a se desenvolver e aliviar a pobreza, é o mesmo que o aumento da pobreza e a má distribuição de riquezas enquanto o lucro das empresas sobe. A maior lástima é que isso é alimentado pelo dinheiro que nasce do nada através do sistema bancário de reserva fracionária, gerando um mundo imutável socialmente determinado pelos negócios. As diversas questões citadas no decorrer do livro são ocasionadas pelos seguintes “ismos”: egocentrismo, totalitarismo, reducionismo, extremismo e consumismo. Sendo a má utilização de todos os outros que o sucedem frutos da agonia
  50. 50. [ 50 ] humana que atrapalham o desenvolvimento saudável da sociedade. Na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles acreditava que felicidade era o fim do homem na pólis (civilização/cidade). O grande empecilho para alcançarmos a felicidade na atualidade pode ser explicado através da narrativa da história de Narciso na Mitologia Grega, que originou a criação do termo narcisismo. Narciso era um jovem muito bonito que desprezou o amor da ninfa Eco e por isso foi condenado a apaixonar-se por sua própria imagem espelhada na água. Este amor impossível levou Narciso à morte, afogado em seu reflexo. O narcisismo, portanto, retrata a tendência do indivíduo de alimentar uma paixão extrapolada por si mesmo. Podemos explicar o egocentrismo através dessa estória, em que a potencialidade do ego de forma exagerada faz com que o ser humano deixe de praticar o altruísmo. É exatamente isso que o sistema capitalista explora através do consumo, junto à vaidade e a satisfação dos prazeres e desejos criados de cada pessoa, alimentados pela lógica do egoísmo. A compaixão se perde e o ego, que é importante para nossa sobrevivência, infla-se por completo tornando o mundo vazio. Sentimos-nos ofendidos constantemente, alimentamos a competição movida pela ambição de sempre querer mais, estamos presos à necessidade de ter razão e de se sentir superior. Com essas questões potencializamos esse mecanismo egoísta dominante e acabamos por perder o domínio sobre nós próprios e o nosso ego. A consequência disso é o fechamento da vida ao palpável, pois caso não consigamos nos despir do ego fazemos da nossa zona de conforto algo extremamente equivocado que faz perdermos a visualização. Porém, criar a realidade faz romper com o
  51. 51. [ 51 ] condicionamento e, é só fora da nossa zona de conforto, que percebemos a manifestação do nosso pensamento. A mente e o coração tem que trabalhar em conjunto para o livre arbítrio nos mostrar um caminho diferente dessa retórica que seguimos. É muito raso seguir apenas o que nos é imposto e, isso se amplifica para além do sistema capitalista. O que difere o capitalismo de alguns sistemas é o grau de interferência do Estado nas empresas, porém, a centralização de poder ainda existe. No anarquismo há a ausência total do Estado, mas existem diversas vertentes e, em sua maioria, são radicais. Todos os sistemas movidos pelo extremismo e grande parte deles partilham do imediatismo, levando-nos invariavelmente ao reducionismo. No entanto, nenhum dos sistemas é mais agressivo que o sistema capitalista do livre mercado, que visa o interesse próprio com a desculpa de que a competição leva à prosperidade social, já que o ato de competir incentiva as pessoas motivando-as a perseverar. Contanto, uma competição baseada na economia – sistema monetário – leva inevitavelmente, a corrupção estratégica de dar poder aos ricos, gerando uma estratificação social, paralisia tecnológica, abusos de trabalho e uma forma disfarçada de governo ditatorial por uma elite rica. O poder no capitalismo está nas mãos das corporações, bancos e governos que são coniventes com suas táticas, esse centralismo de poder é extremamente perigoso por afrontarem diretamente com questões sociais e ambientais. E essa corrupção estratégia é moldada pelo termo corrupção derivado do latim corruptos, o seu significado é quebrar e manter o quebrado em pedaços através de calunia, com o sentido de deterioração, processo ou efeito de corromper. Por meio de buscar a maximização do lucro temos uma corrupção
  52. 52. [ 52 ] que muitas pessoas não consideram na sociedade, porém, são mecanismos de autopreservação do sistema que colocam o bem- estar das pessoas em segundo plano, ou seja, depois do sistema monetário. O monopólio empresarial, a desvalorização da mão de obra ou despejo de lixo tóxico no meio ambiente são alguns exemplos que mostram que a corrupção é a própria base do sistema. Entretanto, são mascarados e usurpados pela mídia para não enxergarmos que isso é comportamento corrupto por parte das corporações e dos bancos, em atuação com os Estados. A ingenuidade da sociedade para essas questões que alimentam esse mecanismo egoísta nos fazem ter uma democracia em que não sabemos quem de fato elegemos, comandada pelo absolutismo da elite. Ao invés de um sistema democrático, temos uma enorme riqueza concentrada na mão de alguns poderosos. Mesmo assim, muitos ainda acreditam nessa ilusão de colocar políticos honestos no poder para ficarem mais calmos. O ato de lucrar com problemas alheios e a criação de novos problemas é o que sistema dominante faz para criar uma sociedade competitiva baseada na exploração de um ser humano por outro. E, sumariamente, essa sociedade nos é dada como imutável associando essa competitividade desumana à nossa essência. Entretanto, nossa natureza humana não partilha da índole individualista que é disseminada pelo sistema através da competição. O ato de competir é alimentado pelo esporte midiatizado que representa o sucesso e o fracasso, as vitórias e as derrotas. Isso é potencializado de maneira natural, visto que as crianças já são induzidas pelos pais a acharem divertido um esporte em que há apenas um vencedor. Não diferente da Roma Antiga onde os imperadores compravam a submissão do povo com pão e jogos,
  53. 53. [ 53 ] hoje em dia o Pão e Circo se faz presente no entretenimento e consumo do vazio para silenciar a nação. O sistema se aproveita disso não apenas para conseguir o silêncio de seus servos, mas também para disseminar a cultura do homem branco “machão”, que é majoritariamente o ser dominante na sociedade elitista. Utilizando-se da mídia, a publicidade propaga essa cultura para manter a submissão da mulher que historicamente sempre foi explorada, alimentando também a segregação racial e fazendo surgir novas denominações de gênero e orientação sexual buscando criar uma identidade que contraditoriamente alimenta o sistema. O único objetivo de tudo isso é fazer com que os seres humanos percam a percepção, para assim, a interioridade das pessoas não se manifestarem. Esse controle de consciências tem auxilio das palavras, que nos são dadas como neutras, mas tem sua definição como evidente. Como a elite é a classe detentora de praticamente todos os meios de comunicação, ela faz uma utilização viciada das palavras através de uma definição parcial e falsa que dá a elas. Assim, a linguagem resigna algo muito diferente da vida em que grande parte da população vive, nos condenando à impotência através da conservação da atual sociedade mercantil. Essa conservação por meio da aceleração do consumo incondicional em um planeta de recursos finitos que é promovida em prol do crescimento econômico está nos suicidando, pois é impossível produzir algo da melhor maneira possível se uma corporação tem como objetivo a competitividade e manutenção de seus produtos acessíveis ao consumidor. Tudo que é criado e posto à venda na economia global são inferiores logo no momento de sua produção, pois o sistema de mercado exige uma eficiência de custo que é feita através da
  54. 54. [ 54 ] redução de gastos em cada etapa da produção. Isso faz com que os produtos comercializados não sejam os mais eficientes, sustentáveis e avançados cientificamente possíveis. Além disso, o principio fundamental para o regimento da economia é não produzir um produto com uma vida útil maior que a necessária. É assim que se mantém o consumo cíclico, pois quanto mais tempo um produto funcionar, pior será a manutenção do sistema de mercado. A sustentabilidade do produto é contrária ao crescimento econômico e não tem como o sistema atual dominante funcionar de outra forma. Milhares e inumeráveis aterros ao redor do mundo mostram essa obsolescência programada de maneira mais clara, evidenciando que eficiência, sustentabilidade e preservação são inimigos notórios do livre mercado. No entanto, não existe um ser humano culpado. As pessoas sofrem interferência direta no comportamento através do ambiente e das relações sociais do local em que nascem, vivem e crescem. O que há é um sistema que se desenvolveu e que assola toda a humanidade. Independentemente de esse sistema ter pessoas no topo da pirâmide, a felicidade de suas vidas não é garantida sem a plenitude. O criar e recriar a nossa realidade se desvencilhando da dualidade resgatam a nossa essência e nos fazem transcender o plano físico. Tudo está conectado e através da imaginação começamos a remodelar nossa consciência para ter essa visualização. Temos o poder de manifestar nossa realidade por meio da abstração, mas primeiro temos que ter foco, atenção e vontade. Continuadamente, a confiança e a entrega se dão junto com a crença de que podemos fazer a mudança. Por fim, tudo flui e através da permissão apenas recebemos o que nós criamos em nossa consciência.
  55. 55. [ 55 ] Por isso, com a quebra de paradigmas e o despertar da consciência de cada um podemos transmutar a realidade para uma nova Era. Mas isso, só é possível com a procura do ser humano em se autoconhecer mais. O olhar para dentro de si faz com que a manifestação ocorra de dentro para fora e é exatamente isso que faz realizar a transformação. FIM
  56. 56. [ 56 ] Ou um novo início...? Nada na vida deve ser temido, apenas compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos. (Marie Curie)

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