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2     MARÍLIA MESQUITA GUEDES PEREIRAPROPOSTA DE UM PROGRAMA DE LEITURA PARA   PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL EM        ...
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15       O esquema conceitual propõe quatro itens:a) o campo humanitário, cobrindo ao mesmo tempo a idéia de respeito  à p...
16  desenvolyimento dos países. Uma dessas estratégias, por exemplo,  pode ser encontrada na publicação "Saúde para Todos ...
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19explicita, em seu quinto princípio, os direitos dos excepcionais, levando oseducadores em geral a assumir, conscientemen...
20comprovaram que, uma vez reabilitado, educado e profissionalizado, oindivíduo sem visão é recebido para participar; se e...
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22governamentais e o nãodesempenho das suas verdadeiras funções naEducação, Cultura, Informação e na Recreação.        Por...
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26        Confirmando-se os estudos, deve-se atentar para a similitude depadrões na Ásia, onde as doenças infecciosas são ...
27se principalmente em grupos limitados de cada comunidade nacional.Mas as cifras extraídas do Questionário preparado pela...
28são continuamente ajustados para melhor. Isso implica no aumento dasatividades de atenção médica, educação e reabilitaçã...
29                        governo apenas externaliza uma tendência                        histórico-cultural que só agora ...
30              II – HISTÓRICO DA BIBLIOTERAPIA      Neste capítulo temos a intenção de mostrar a origem, no tempo,da Bibl...
31estímulo ao uso da leitura e à discussão dos preceitos dos grandesoradores como forma terapêutica. TEWS(70) observa que ...
32procuraram melhorar o tratamento dos insanos. O método era oferecerleitura como recreação.        Pelo começo do século ...
33        Por volta de 1956, ROBERTS(70) assumiu um papel maisagressivo no uso da literatura como técnica de aconselhament...
34filiais. Em 1905, a Biblioteca Pública de Washington DC, estabeleceu ocargo de anfitriã Bibliotecária, para guiar seus v...
35nos Estados Unidos. Em 1926 tomou-se um professor na Universidade deColumbia.        Outro pioneiro no campo foi Jacob M...
36estudos de pesquisas foram publicados. Dos 131 artigos de 1970 - 1973,330 o apareceram em jornais bibliotecários e 65% e...
37                                  Figura 1                 Raízes da Biblioterapia em Grupo                             ...
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39       Mostraremos agora que, em abril de 1956, a BibliotherapyCommittee do então Hospital Libraries Division of ALA, so...
40       E de se prever que a ALA, na década de 80, particularmenteatravés de seu ALA Bibliotherapy Committe, continue des...
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43                        organismo do leitor tiver que se submeter a                        alguma mudança, o mesmo livro...
44destrutivo por um outro poder novo e construtivo da visão interna ecompreensiva.        A Biblioterapia e outras ativida...
45opressivo. Aceitação pode ser um meio de se fugir à responsabilidade,mas pode também ser uma meta. Um paciente que apren...
46IV – CONCEITUAÇÃO E DEFNIÇÕES DA BIBLIOTERAPIA      A Biblioterapia assume um importante papel na sociedademoderna. Esta...
47próprias impressões e interpretações.        A esse respeito Moore & Breland citado por TEWS(70), define aBiblioterapia ...
48                         em grupo é um híbrido campo de Psicologia e                         Bibioteconomia usando sessõ...
49                       ciência da Biblioterapia e onde se tenta remediar                       defeitos pessoais de ajud...
50  V – TIPOLOGIA E SUBDIVISÕES DA BIBLIOTERAPIA        No decorrer da história da civilização, pode-se verificar queLoure...
51b) Biblioterapia Clínica - É a que se refere ao uso, numa primeira fase,    da literatura imaginativa, com grupo de clie...
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53             VI – OBJETIVOS DA BIBLIOTERAPIA          A Biblioterapia constitui assim um apoio à ação das pessoasque est...
54ajudar aos pacientes a viverem mais efetivamente.        Gottschalk ressalta, num trabalho de BEATTY(12) algumasinformaç...
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56   VII – O BIBOIOTECÁRIO COMO BIBLIOTERAPEUTA7.1 Biblioterapeuta: Revisão de Literatura      No ambiente de uma Bibliote...
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Biblioterápia é um livro de Marília Mesquita Guedes Pereira.

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Biblioterapia marília

  1. 1. 1
  2. 2. 2 MARÍLIA MESQUITA GUEDES PEREIRAPROPOSTA DE UM PROGRAMA DE LEITURA PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL EM BIBLIOTECAS PÚBLICAS Editora Universitária João Pessoa 1996
  3. 3. 3DEDICATÓRIAAo bom Deus, pois sem Ele, não teriasido possível a realização destetrabalho.A Normando Guedes Pereira, meu pai,“in memoriam”, pelo exemplo ededicação à frente do Instituto deProteção à Infância da Paraíba e peloque dele aprendi e estou usando navida.A Catherine H. Roberts, que não tive oprazer de conhecer, grandebatalhadora pela causa da deficiênciavisual nos Estados Unidos, a nossahomenagem e saudade.A minha mãe, irmão, irmãs, cunhados,cunhadas e sobrinhos, pelo apoio emtodos os momentos.
  4. 4. 4 AGRADECIMENTOSPara o desenvolvimento das idéias apresentadas neste livro gostaria deagradecer especialmente a influência e a contribuição das seguintesinstituições e pessoas:A nossa gratidão é extensiva ao FNDE – Fundo Nacional deDesenvolvimento do Ministério da Educação e Desporto pelo suportefinanceiro que permitiu viabilizar esta publicação através do convênio nº00005737/96, FNDE/UFPB.Aos portadores de deficiência visual e, especialmente ao BibliotecárioPAULO DA SILVA CHAGAS colega e amigo e à Profª. JOANABERLARMINO DE SAUZA e a MARIA FELISMINA DOS SANTOS, semos quais não teria a motivação necessária para elaborar este livro.Ao Prof. ALVIN H. ROBERTS, CARREN BOWMAN e JANE BOWMAN,americanos, pela amizade, contribuição bibliográfica dada à pesquisa e,principalmente, pela experiência altamente enriquecedora, permitindo-meconsolidar aos pouquinhos os meus conhecimentos, pois acredito queainda tenho muito que aprender junto à comunidade cega da Paraíba.À amiga MAY BROOKING NEGRÃO – Assessora do Escritório Regionale do Comitê Permanente da Seção da América Latina e Caribe da IFLApor ter acreditado e incentivado na nossa pesquisa.À FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários napessoa de sua presidente – Bibliotecária SELMA MENDES FONTESSODRÉ, pelo estímulo, incentivo, amizade e solidariedade nos momentosdifíceis.Ao Diretor da Editora Universitária da UFPB, Prof. JOSÉ DAVID CAMPOSFERNANDES, pelo apoio e empenho na confecção desta obra.Agradeço de modo especial, às amigas MARIA DO SOCORROAZEVEDO F. FERNANDEZ VÁSQUEZ e ANA MARIA GONÇALVES DOSSANTOS PEREIRA, pelas críticas, apoio, incentivo e sugestões.E, finalmente a todos que buscam compreensão, respeito, justiça social eliberdade para o portador de deficiência visual.
  5. 5. 5 MENSAGEM DO EXCEPCIONALACEITA-ME Como sou. Por questão de justiça e não por piedade.TORNA-ME Um ser útil, porque de esmolas não quero viver.IGNORA Meu defeito e ama,.me como uma criança normal.ILUMINA. Meu caminho para que eu não mergulhe na sombra tristonha domedo.FAZ-.ME Refletir que meu início foi igual ao teu início.ACEITA Meu sorriso triste, única maneira compreensível de de mostrargratidão.OLHA-ME, Sou humano como você.LIVRA-ME Da ignorância e da dependência, teu dever de cidadão.PÕE Em meus lábios a luz de um sorriso e não a sombra tristonha domedo.AJUDA-ME A não ser tão pesado a meus queridos pais, fazendo minha reintegração à sociedade.SAIBA Que as ilusões que cercaram o meu nascer foram as mesmas com que teus pais sonhavam.DESPERTA, Com teu afeto a minha mansidão contra a agressividade que avasalha, nós não nascemos como desejaríamos e não é justo que sejamos abandonados quando temos muito menos condições de defesa. (Autor desconhecido)
  6. 6. 6 PREFÁCIO É com muita honra que aceitamos o convite de Marília MesquitaGuedes Pereira para prefaciar seu livro Biblioterapia: Propostas de umPrograma para Portadores de Deficiência Visual em Bibliotecas Públicas. Trata-se de um trabalho pioneiro no Brasil, na área de Biblioterapiapara cegos, com enfoque no papel da leitura e que teve sua origem napesquisa desenvolvida pela autora, quando da preparação de suadissertação de Mestrado em Biblioteconomia, defendida na pós-graduação da área, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas daUniversidade Federal da Paraíba, em abril de 1990. A problemática da reabilitação e ajustamento do deficiente visualtem caráter universal; todavia, em nosso meio social ela se apresenta demodo mais grave e, portanto, merecedora de maiores estudos. Naverdade, o cego é visto, entre nós, muito mais como objeto decomiseração e alvo de assistência humanitária do que como um ser comimenso potencial e amplas possibilidades de participar do processo sociale do contexto produtivo. .Mas, como direcionar ações, que possam nãosomente contribuir para o ajustamento psicossocial do cego e ao mesmotempo fornecer-lhe instrumentos que lhe possibilite a integração ao seumeio social, tornando-o um elemento participante e útil à comunidade? A proposta nos vem, tanto do ponto de vista teórico como prático,através da Biblioterapia, particularmente como concebida pelaespecialista Marília Pereira, Bibliotecária do Setor Braille da BibliotecaCentral da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. Em seulivro Marília faz, inicialmente, um diagnóstico da situação do cego noBrasil e no mundo, passando a analisar tentativas de estudiosos e deinstituições, no sentido de promover a melhoria de situação dessesdeficientes, depois faz um histórico da Biblioterapia, desde suas origensaos dias atuais. Finalmente, com base no levantamento realizado, ondese configura o papel determinante da leitura, tanto como instrumento deJazer e de formação do homem integral, além de mecanismo capaz de
  7. 7. 7amenizar psicologicamente a vida do cego, a autora indica como entrosá-lo no complexo quadro do sistema social. O trabalho, elaborado com muita dedicação e entusiasmo,características da autora, afigura-se da maior valia para os profissionaisque amam na área de apoio ao deficiente visual, aí incluídosbibliotecários, assistentes sociais, psicólogos, professores e pessoas daárea médica. O mais importante é que a metodologia sugerida tem porbase a longa experiência da autora em trabalhos os mais produtivos,junto a instituições para cegos e, particularmente, no Setor Braille daBiblioteca Central da UFPB.. A obra que hoje vem à luz deve ser recebida de bom grado pelosparaibanos e pela comunidade, pois constitui uma contribuição das maisexpressivas à escassa bibliografia existente. De parabéns, portanto, a autora e a todos os que contribuírampara a consecução desta obra, cujos ensinamentos são da maiorimportância como alternativa para minimização dos problemasdecorrentes de deficiência visual. João Pessoa, 20 de setembro de 1996 JOSÉ ELAS BARBOSA BORGES Professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPb.
  8. 8. 8 SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO..................................................................................................................................................................................................................I. INTRODUÇÃO............................................................................................ 1.1. Estado Atual do Problema............................................................ 1.2. Situação Mundial do Cego...........................................................II. HISTÓRICO DA BIBLIOTERAPIA............................................................. 2.1. Origens da Biblioterapia na Biblioteconomia............................... 2.2. Origens da Biblioterapia na Psicologia........................................III. ORIGENS E TERMINOLOGIA DA BIBLIOTERAPIA...............................IV. CONCEITUAÇÃO E DEFINIÇÕES DA BIBLIOTERAPIA........................V. TIPOLOGIA E SUBDIVISÕES DA BIBLIOTERAPIA................................VI. OBJETIVOS DA BIBLIOTERAPIA............................................................VII. O BIBOIOTECÁRIO COMO BIBLIOTERAPAUTA.................................. 7.1. Biblioterapeuta: Revisão de Literatura......................................... 7.2. O Biblioterapeuta: Educação e Treinamento...............................VIII. PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE BIBOIOTERAPIA PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL EM BIBLIOTECAS PÚBLICAS............................................................... 8.1. Introdução à Problemática dos Bibliotecários.............................. 8.2. Conceituação de Biblioteca.......................................................... 8.3. Objetivos....................................................................................... 8.3.1. Objetivo Geral................................................................. 8.3.2. Objetivos Específicos..................................................... 8.4. Organização Básica de um Programa de Biblioterapia para Portadores de Deficiência Visual em Bibliotecas Públicas.......... 8.5. Metodologia.................................................................................. 8.5.1. Clientela.......................................................................... 8.5.2. Instalação........................................................................ 8.5.3. Recursos Humanos........................................................ 8.5.4. Recursos Materiais......................................................... 8.5.5. Horário............................................................................ 8.5.6. Recursos Financeiros..................................................... 8.5.7. Avaliação........................................................................ 8.5.8. Divulgação......................................................................IX. BIBLIOGRAFIA PROPOSTA PARA UM PROGRAMA DE BIBLIOTERAPIA ENVOLVENDO DEFICIENTES VISUAIS.................X. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................
  9. 9. 9LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASALA – American Library AssociationCENESP – Centro Nacional de Educação EspecialMEC – Ministério da Educação e CulturaMILS – Máster in Library SciencesOMS – Organização Mundial de SaúdeONU – Organização das Nações UnidasSEPS – Secretaria de 1º e 2º GrausUIC – The University of Illinois / ChicagoUNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência eCulturaVA – Administração de Veterano
  10. 10. 10 APRESENTAÇÃO Este livro originou-se do meu trabalho de dissertação do Mestradoem Biblioteconomia da UFPB, A BIBLIOTERAPIA EM INSTITUIÇÕESDE DEFICIENTES VISUAIS: UM ESTUDO DE CASO, em 1989. De lápara cá venho desvendando com curiosidade, persistência e admiraçãoas causas e os efeitos da Biblioterapia entre os portadores de deficiênciavisual. É um trabalho de conteúdo simples, que espero seja de utilidadepara os graduandos dos cursos de Biblioteconomia, Psicologia eEducação Especial, e para os bibliotecários que estão à frente dasBibliotecas Públicas e que vem se interessando pelo assunto, naesperança de suprir as informações que lhe são negadas. No mundo de hoje, espera-se que o bibliotecário brasileiro sejacapaz de voltar-se para a sociedade e criar meios alternativos parasolucionar os problemas voltados para este setor especial da Ciência dainformação. Ressalte-se que houve necessidade de se proceder a uma análisecrítica e retrospectiva global de Biblioterapia, desde os seus primórdiosaté o seu estado atual. Partiu-se de dados relatados na bibliografia deque a Biblioterapia é uma técnica importante, tanto para o aumento deinformações do portador de deficiência visual, como por se constituirnum elemento motivador de sua vivência e de seu ajustamento socialatravés desse processo de leitura orientada. Citou-se a problemática da cegueira, tanto nos países desen-volvidos como naqueles em desenvolvimento, sendo analisadas asimplicações dessa situação nas aspirações do cego, mormente numasociedade competitiva como a nossa. Particularizam-se as vantagens dastécnicas de leitura como um possível método biblioterapêutico de
  11. 11. 11utilidade para o deficiente visual. Considerou-se, com especial atenção aposição do Bibliotecário como Biblioterapeuta. Abordou-se ainda a pos-sibilidade das Bibliotecas Públicas atuarem junto a contingentes cegosvinculados a instituições de educação para esses deficientes. Finalmente, foi incluída uma Bibliografia para um programa deBiblioterapia e uma Bibliografia detalhada sobre essa técnica, parautilização por bibliotecários, educadores, outros técnicos, pessoasinteressadas e envolvidas com a problemática. João Pessoa, 20 de setembro de 1996 Marília Mesquita Guedes Pereira Coordenadora da Sub-Comissão Brasileira de Bibliotecas Braille.
  12. 12. 12I - INTRODUÇÃO1.1 - Estado Atual do Problema Educação pode ser definida como um processo de contínuareconstrução da experiência, com o propósito de ampliar e aprofundar oseu conteúdo social. A história da Educação fornece subsídios através dos quais,verifica-se que, desde os primórdios da existência do homem, a açãoeducativa esteve presente, ditada pela necessidade de sobrevivência ede conservação da espécie. Essa necessidade, obviamente, varrou deépoca para época, fazendo também com que se desenvolvessemsistemas educacionais que atendessem às aspirações de cada povo e decada época, proporcionando à sociedade mudanças e contínuodesenvolvimento. Já entre os povos primitivos nota-se a procura, por todos osmeios, de melhoria dos processos de transmissão da experiência,precursora dos métodos educacionais; graças a tal esforço, a educaçãovem sofrendo um processo de transformação marcante. Em se tratando da educação do excepcional, pode-se verificaruma certa lentidão em seu desenvolvimento, ocasionada por fatoresdiversos, entre os quais se destaca a concepção de muitos povosantigos, que eram propensos a desprezar e mesmo a eliminar portadoresde deficiência física ou mental. O aparecimento das primeiras instituições para educar odeficiente visual fez com que muitos educadores se interessassem pelacausa e partissem para a tentativa de engajá-lo na sociedade, buscandomelhores técnicas e processos didáticos que lhes possibilitassem ummelhor ajustamento. Chegou-se a um consenso de que o deficientevisual, como membro de uma sociedade, não poderia ficar alheio ao
  13. 13. 13progresso do mundo e sem uma assistência necessária ao seu desenvol-vimento. E importante ressaltar que uma parte considerável da populaçãomundial (entre 10 e 15%) é portadora de deficiências sensoriais, motorasou mentais, que limitam sua capacidade de se beneficiar da educaçãonormal. Essas pessoas precisam de uma educação adequada às suaspossibilidades, aptidões e necessidades - uma educação especial, comose costuma chamar, que lhes permita desenvolver suas potencialidades afim de que possam se tomar membros de pleno direito da sociedade aque pertencem e alcancem um desenvolvimento pessoal que lhesproporcione meios de se tomarem independentes.Daí ser fundamentalconsiderar a educação como um meio de proporcionar aos deficientesvisuais um atendimento especializado, tendo em vista o seu ajustamentonos planos físicos, intelectual, emocional, social e econômico. De fato, pode-se perceber que a educação especial é uma peçafundamental no processo de reabilitação, sendo assim necessária atodos os que experimentam ou podem experimentar grandes esucessivas dificuldades para aprender e aproveitar as oportunidadesoferecidas às demais pessoas, pela educação normal. Nesse contexto, há de se considerar a concepção de GORN (31) a informação pertence, juntamente com a matéria e a energia, a trilogia dos fenômenos básicos que constituem os fundamentos de todas as atividades humanas. Toma-se oportuno enfatizar que a biblioteca, como um dosinstrumentos de disseminação da informação, assume importância vitaldentro deste contexto, principalmente, quando engajada no processoeducacional. Nesse sentido, FERREIRA. (28) lembra que: Em nossos dias não se pode mesmo conceber ensino sem utilização de bibliotecas as quais,
  14. 14. 14 além de possibilitarem acesso à informação, têm um papel da maior relevância, enquanto favorecem o desenvolvimento de potenciais, capacitando pessoa a tomarem suas próprias decisões. Os comentários aqui apresentados indicam que a bibliotecaconstitui uma dessas ferramentas que deve estar em perfeita harmoniacom o desenvolvimento global da educação, particularmente numengajamento com a educação dos excepcionais, notadamente, dosdeficientes visuais. A fim de se evitar a marginalização dessas pessoas, váriospaíses estão se esforçando para propiciar a sua integração àcomunidade, considerando as deficiências visuais dentro de baseslegais. Cumpre registrar ainda que a preocupação com os problemaspsicossociais dos cegos ainda não assumiu a importância devida nospaíses em desenvolvimento. Atualmente, estamos presenciando um. ressurgimento deinteresse pela situação e pelo futuro das pessoas excepcionais. Após oalerta da Assembléia das Nações Unidas, na sua trigésima primeirasessão, realizada em 16/12/1976, foi aprovada a Resolução 31/123elegendo 1981 como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes epropondo incentivos a um trabalho nesse campo, prevendo-se umarevisão e uma avaliação de resultados até 1991. De acordo com os trabalhos e estudos publicados, a AssembléiaGeral das Nações Unidas aprovou um plano de ação mundial para a AnoInternacional, atrayés da Resolução 34/154, que previa atividades aserem levadas a cabo a nível nacional, regional, e internacional, tanto noplano de prevenção como no da readaptação dos indivíduos jáincapacitados. Esse plano de ação seria implantado a longo prazo, emfavor da integração dos incapacitados à sociedade e de sua participaçãointegral na vida econômica e social.
  15. 15. 15 O esquema conceitual propõe quatro itens:a) o campo humanitário, cobrindo ao mesmo tempo a idéia de respeito à pessoa humana e de dignidade humana, do ponto de vista da justiça social. Em outras palavras, os sentimentos de caridade e de piedade devem ser substituídos por ações e medidas legislativas e afirmativas, no que se refere aos incapacitados;b) o campo psicológico, no qual se trata principalmente de informar e de formar a opinião pública sobre a natureza das incapacitações, as necessidades específicas dos incapacitados e as necessidades de que a sociedade favoreça o desenvolvimento de suas potencialidades. O que querem os incapacitados é que os aceitemos como pessoas, que têm, sem dúvida, necessidades especiais, para cuja satisfação é necessária a ajuda da sociedade, de tal maneira que não sintam mais a humilhação ou a negação de sua própria pessoa e de seu meio social. Nesse campo, cabe uma grande responsabilidade aos veículos de divulgação de massa;c) o campo a prevenção, que é a área por excelência da Organização Mundial da Saúde (OMS). O adágio "mais vale prevenir que remediar" aplica-se tanto ao plano científico como ao do planejamento. Afirmam certos estudos que 30 a 40% das vítimas incapacitadas poderiam ter sido salvas. Nos campos da saúde e da educação, o papel dos centros de atendimento de cuidados primários e das instituições escolares é capital. A institucionalização dos exames médicos periódicos nos países industrializados deve ajudar os pais na identificação, sob todos os aspectos, de doenças incapacitantes tais como a desnutrição, as moléstias venéreas e as afecções pulmonares. Assim, deye-se dar às mães a possibilidade de se submeterem a visitas pré-natais e pós- natais, podendo os professores exercer certa pressão no sentido de que tais exames se tomem obrigatórios.d) Deveriam ser elaboradas estratégias apropriadas de prevenção e de tratamento dos incapacitados, levando em conta o nível de
  16. 16. 16 desenvolyimento dos países. Uma dessas estratégias, por exemplo, pode ser encontrada na publicação "Saúde para Todos no ano 2.000" da OMS.e) o campo da participação, exigindo que o plano de ação se apoie em bases realistas, razão pela qual seria conveniente estabelecer distinção entre os deficitários capazes de participar integralmente de processos de desenvolvimento e os que são a tal ponto incapacitados que não poderiam contribuir para a vida econômica de seus países. A efetiva participação dos incapacitados, ligada á igualdade de oportunidades, não deve ser encarada exclusivamente de um ponto de vista humanitário, mas, ao contrário, no âmbito total da sociedade, que não tem interesse algum em perder ou malbaratar seus recursos humanos. Essa participação deve ser encarada em todos os níveis e em todos os setores, desde o cultural e o social, até ao econômico e o político. De fato, a questão assume toda sua importância quando se sabe que o desenvolvimento de recursos humanos é considerado uma condição imprescindível para acelerar o processo de desenvolvimento e o advento de uma nova ordem econômica e social. Partindo desses pontos relevantes, deve-se considerar que,entre os objetivos da Assembléia Geral das Nações Unidas para o AnoInternacional de Deficientes - 1981, estavam: a) auxiliar as pessoas deficientes no seu ajustamento à socie- dade; b) educar e informar o público dos direitos das pessoas defi- cientes; c) promover medidas efetivas para a realização das pessoas deficientes. Estes objetivos visam a uma participação completa dosdeficientes, igual à dos outros cidadãos, na vida de suas sociedades. E
  17. 17. 17os objetivos fornecem metas pertinentes àqueles bibliotecários, queserviriam, entre outras pessoas, como elementos de apoio educacionalao deficiente. Constata-se ainda que os objetivos da Organização das NaçõesUnidas (ONU) também implicam uma abordagem tríplice: a) serviço,destinados a indivíduos com visão reduzida, para as agências que osservem; b) serviços para o público em geral, que precisa entender asnecessidades especiais; c) e as intenções de tais serviços. Na realidade, pode-se afirmar que os incapacitados têm o direitode participar plenamente da vida e do desenvolvimento da sociedade àqual pertencem. É nosso dever permitir-lhes exercer esse direito. Toma-se oportuno ainda enfatizar que desde então, eespecialmente na última década, têm sido alcançados importantesprogressos em técnicas educacionais e introduzidas consideráveisinovações no campo da educação especial. Assim, descobriu-se queainda pode ser feito pelas pessoas deficientes, muito mais do que seimaginava a princípio. Muitos desses progressos técnicos podem seradaptados às necessidades dos países em desenvolvimento, cujosrecursos em matéria de instalações e pessoal são limitados. Comreferência ao cego, a deficiência visual já não é sintoma dramático davida moderna. Hoje, os mais aperfeiçoados métodos permitem a rápidareabilitação do deficiente. No Brasil do ponto de vista legal, a ação educativa não fazdiscriminação entre a criança normal e o excepcional. Este direito éassegurado em leis, tais como:a) Artigo 88, da lei 4.024, de dezembro, de 1961, que fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e estabelece: a educação de excepcionais deve, no que for possível, enquadrar-se no sistema geral da educação, a fim de integrá-los na comunidade.
  18. 18. 18b) A lei 5.962, de 1971, corroborando a anterior, preconiza que o educando deve ser tratado com suas diferenças individuais, quando diz, no seu Artigo 9: [...] os alunos que apresentem deficiências físicas deverão receber tratamento especial de acordo com as normas fixadas pelos componentes dos Conselhos de Educação.c) O 1º Plano Setorial de Educação e Cultura do MEC (19721974) com o Projeto Prioritário nº 35, definiu como sua finalidade máxima: [...] promover em ação coordenada, em todo território nacional, a expansão e melhoria de atendimento aos excepcionais fixando e implementando estratégias decorrentes de princípios doutrinários e de política que orientam a educação especial.d) Normas do Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), quando estabelece que: ... a educação, do ponto de vista filosófico, fundamenta-se em valores éticos, sociais e em axiomas científicos que defendem o princípio doutrinário de que a função da Educação é valorizar cada novo homem, como indivíduo e como ser social. (IPSECD-72/74). Em todas essas palavras está implícito o sentido universal daEducação, englobando, portanto, os excepcionais.e) A Declaração Universal dos Direitos do Homem, endossada pelo Brasil, que garante indistintamente a todos, a educação, quaisquer que sejam as origens ou condição social.f) A Declaração dos Direitos da Criança, também encampada pelo Brasil,
  19. 19. 19explicita, em seu quinto princípio, os direitos dos excepcionais, levando oseducadores em geral a assumir, conscientemente, a responsabilidade devalorizar cada deficiente como indivíduo e como ser social. Tentando sintetizar esta seqüência geral, cabe ressaltar anecessidade de uma integração do deficiente visual junto à sociedade,através de uma filosofia participante. Em trabalhos publicados, observa-se que os primeiros movimentos independentes realizados por cegosvisam, à criação de fontes de trabalho e rendimento para os mesmos.Isto ocorre por um motivo fundamental: o cego não preparadoprofissionalmente pelas escolas existentes, sempre encontra dificuldadespara ser aceito nas empresas e sempre está à margem do sistemaprodutivo do país. Ora, os indivíduos sem profissão não têm condições psicológicase profissionais de pleitearem e conquistarem um trabalho, o que oslevaria a fundarem sociedades, que lhes possam propiciar certasegurança. Investigando a história, tais sociedades produziram asegregação de pessoas deficientes visuais, tomando-as muitas vezesdependentes de grupos mais fortes, sem aquela real autonomia pela quallutavam. Ademais, a segregação dos cegos é um dos piores males aimpedir a sua integração social. Recentemente, surgiram novosmovimentos de associações que buscam, baseadas num novo espírito ecalcadas numa filosofia progressista, contribuir para um programa deação que realmente venha a culminar com a total integração dos cegosàs comunidades em que vivem, delas participando efetivamente. Atravésdestes movimentos reivindicatórios, cegos se reabilitam e se profissio-nalizam, exercendo concretamente atividades, tarefas ou funçõescompatíveis com as suas limitações, podendo, em conseqüência,sustentarem-se, terem famílias, serem cidadãos capazes e responsáveis,iguais aos demais. Tecidas essas considerações, toma-se fundamental a afirmativade que a sociedade deve receber o cego como ele vem. Várias entidades
  20. 20. 20comprovaram que, uma vez reabilitado, educado e profissionalizado, oindivíduo sem visão é recebido para participar; se ele é apresentado aopúblico apenas educado, mas sem profissão, é recebido para seradmirado; se ainda for apresentado como indivíduo sem qualquerpreparo é recebido como ainda inválido para ser sustentado ou mantidoem obras de benemerência. É evidente que muitos destes empecilhos são reconhecidosuniversalmente, no que diz respeito ao deficiente visual; todavia, como sesabe, o cego com aptidão e qualificação poderá no início, ser recebidocom restrição, mas, se após a oportunidade que obteve, corresponder àexpectativa, passará a ser acreditado, constituindodo-se este fato a suaaceitação através do trabalho e, em conseqüência, a sua integração soci-al. Chega-se assim à convicção de que os entraves relativos àintegração social do cego residem, tanto na falta de preparo dosmesmos, como no trabalho pouco objetivo das entidades e órgãosresponsáveis por sua preparação educacional e especialização. Naverdade, a sua especialização profissional é a maior, responsável pelasua aceitação na grande sociedade. E conveniente ressaltar as dificuldades enfrentadas por muitasdas organizações existentes; todavia, sente-se também, e isto pode sercomprovado, que elas têm uma instintiva reação a qualquer movimentorenovador que possa contrariar sua filosofia de ação. Entidades há querejeitam a cooperação e o trabalho paralelo, mantendo-se enclausuradasdentro de princípios cujo valor integrador para o cego é muito discutível.De uma realidade lamentável estamos seguros: de um modo geral, umdos lugares onde o cego está menos integrado é na sua instituição ouórgão precipuamente destinado a sua educação, reabilitação,profissionalização e integração social. Aí, muito raramente, o cegoparticipa realmente daquele processo de socialização e de integração. Dentro de nossa análise, chegamos à percepção de que, apesar
  21. 21. 21da criação, pelo govemo, de órgãos destinados à aplicação de novastécnicas e métodos na preparação de cegos para uma vida integrada,não tem havido a evolução esperada de mentalidade dos educadores eresponsáveis pela política tiflológica que possa acompanhar o progressoatual. Para a grande parte dos educadores brasileiros, o cego, enquanto"educando", é um indivíduo apregoado como detentor de grandesvalores e possibilidades. Todavia, no momento em que o cego tiver departicipar de atividades sociais nas mesmas condições que as de seuseducadores, este sistema deve recebê-lo numa equipe de trabalho. Seriamesmo aconselhável que se fizesse um levantamento para se constatar,concretamente, o grau de aceitação a indivíduos deficientes de visão,nos quadros de trabalho das próprias instituições especializadas, onde oindivíduo foi reabilitado e educado. A experiência obtida dessa maneiraofereceria grandes possibilidades de se ajustar o deficiente à função. Outro aspecto a se considerar é uma legislação adequada àintegração social. Existem muitas leis criadas com esse propósito, sob oimpacto emocional, mas cujo cumprimento, nunca foi exigido, ou porculpa dos próprios cegos ou de seus educadores. Cumpre ressaltar quetal integração existe na legislação em alguns estados e municípios dopaís. Essas leis permitindo o ingresso do indivíduo com deficiência visualnos serviços públicos, não são, todavia, cumpridas. Sua execuçãodepende ainda da descoberta, na hora certa, de alguém que julgue queelas devam ser cumpridas. Caso contrário, são LEIS FRIAS E MORTAS.Nesse sentido, torna-se oportuno criar uma estrutura adequada quevenha a dar a necessária sustentação legal para que a sociedade sejalevada a reconhecer os direitos do cego. Na verdade, somentedispondo-se de instrumentos jurídicos é que os seus direitos estarãorealmente garantidos. É oportuno lembrar, considerando o acima exposto que, no casobrasileiro, se a biblioteca não buscar superar as características que lhesão atualmente marcantes, sobretudo em termos de elitismo epassividade, continuar-se-á a verificar a ausência dos cegos nos planos
  22. 22. 22governamentais e o nãodesempenho das suas verdadeiras funções naEducação, Cultura, Informação e na Recreação. Por outro lado, fatores como a linguagem, a locomoçãoindependente, as habilidades físicas e a coordenação motora geral,alguns processos perceptíveis, maneirismos e, especialmente, reaçõessociais à deficiência sensorial, situam os focos de dificuldades que umapessoa cega encontra para viver feliz, integrada, para participarcompetitivamente da sociedade, e para usufruir dos seus recursospotenciais. Estes são vários e abundantes, daí ser fundamental atenderdevidamente a estas pessoas cegas, dando-lhes uma perspectiva futurada realização pessoal. Outro aspecto que deve ser considerado é ressaltado por Drogcitado por MELO. (47) ... a informação é uma necessidade do homem e ‘a necessidade de informação é contínua e permanente mesmo para o mais treinado dos especialistas’. Acredita-se que se houver informação utilitária, lazer e técnicabiblioterapêutica de acordo com a necessidade desse estrato social, istoirá oportunizar o ajustamento bio-psíquico, social e pedagógico daclientela cega, atrayés de sua participação no programa de integração ereintegração social, atendendo às necessidades de uma populaçãocarente de tais serviços. MELO (47) salienta a importância fundamental da informação: Quando concebida como um recurso que afeta todas as áreas do conhecimento humano, quando bem utilizada por quem detém o poder decisório, pode contribuir para provocar transformações no campo social, político e econômico e conduzir ao processo de conquista de melhores condições de vida a nível individual e social.
  23. 23. 23 Deve-se considerar fator primordial para a educação e culturadas pessoas o acesso ao acervo cultural, sobretudo, através de livros.Verificamos, no entanto, que a pessoa cega encontrar-se-à impedidadeste acesso se não lhe forem providenciadas as publicações especiaisimpressas no sistema Braille. Assim sendo, esta providência é altamentenecessária, principalmente se levarmos em conta que o livro se constituinum dos recursos de aprendizagem, aperfeiçoamento e distração, deacesso tão fácil para as pessoas videntes e tão difícil para as pessoascegas que, na maioria das vezes, dependem de iniciativas isoladas,quando contam com a boa vontade, interesse ou compreensão dealgumas pessoas.1.2. Situação Mundial do Cego Tão antiga quanto a própria Organização Mundial da Saúde é asua preocupação pelo imenso problema representado pela cegueira. Efoi a compilação de dados para fins de publicação em 1966, das“Estatísticas epidemiológicas e vitais”, da OMS, que proporcionou umavisão ampla do cenário mundial da deficiência visual. Quatro anos maistarde, a Organização enviou aos seus Estados-Membros um questionárioque possibilitou a atualização e o encaminhamento desses dados àconsideração da Assembléia Mundial da Saúde reunida em Genebra,em 1972. As cifras apresentadas a seguir podem fornecer uma idéia dasdimensões desse problema de saúde, embora se deva observar que osíndices citados se aplicam com freqüência a segmentos demográficosrelativamente limitados ou talvez se baseiem em distintos critérios, nãosendo, portanto, estritamente comparáveis entre si. É possível que, emcertos países e regiões, a situação tenha mudado bastante desde aelaboração das cifras. De significação especial é o fato de muitos países africanos
  24. 24. 24revelarem prevalência particularmente alta de cegueira, dado o númerorelativamente alto de pessoas examinadas. Embora oscile, via de regra,entre 150 a 300 por 100.000 habitantes, a prevalência de cegos naquelaRegião é maior nos seguintes países: Etiópia (380-450); Quênia(1.050-1.150); Malawi (724); Nigéria Setentrional (1.000); CamarõesSetentrional (684); Serra Leoa (952); Tunísia (450); Tanzânia, semSanzibar (569); Uganda (1.842) e Zâmbia (500-750). Em sua maioria, as causas de cegueira são oficialmente“desconhecidas” ou “indeterminadas”, mas, para citar os exemplos doEgito e da África do Sul, a causa principal é atribuída a doençasinfecciosas, vindo a seguir os acidentes. Quanto às Américas, os índices de prevalência fornecidos variamde 80 a 90 por 100.000 habitantes na Argentina e no Uruguai, a 969 emCuba. Nos Estados Unidos a prevalência é de 214, com uma populaçãocega total estimada em 385.000 habitantes. O Brasil e o México registramprevalências comparativamente baixas de l47 e 101 e uma populaçãocega de 60.700 e 16.880, respectivamente. Destaque para a edição do CORREIO SAÚDE (53), afirmandoque segundo a Organização Mundial de Saúde, quando a populaçãobrasileira era de 130 milhões de habitantes, 13 milhões (10%) eramindivíduos portadores de algum tipo de deficiência. Desses 5% (6,5milhões) eram deficientes mentais; 2 % deficientes físicos; 1,3%defIcientes auditivos; 0,7% deficientes Visuais e 1% portadores dedeficiência múltiplas. De um certo modo, ¼ de nossa população (25%)está de certa forma comprometida intimamente com o problema dadefIciência, uma vez que o coeficiente populacional indica algo em tomode 4,2 pessoas por família. Dos 13 milhões de deficientes, 4,3 milhões tem um atendimentoconsiderável e os 8,7 milhões restantes, são deficientes desassistidosque não recebem, lastimavelmente, qualquer tipo de assistência. A cada minuto, nascem 100 crianças das quais 20% morrem no
  25. 25. 25primeiro ano; 70% dos que sobrevivem, em virtude da fome e daausência de assistência médica, tomar-se-ão crianças subnutridas, asquais estarão sujeitas a danos físicos e mentais. A fome associada à faltade educação gera a miséria social que culminará em seu vértice, com adeficiência. Das causas determinantes das deficiências 22% são gênicas (5%recessivas; 1% dominantes); 1% ligadas ao cromossomo X e 15%poligênicas); 15% relacionados às alterações cromossômicas e 3% comanomalias dos cromossomas sexuais. As causas ambientais (fome,substâncias químicas tóxicas, radiações ionizantes e outras) perfazem20%.; as doenças específicas (infecções, lesões cerebrais) 5%, causasvárias 15% e causas desconhecidas 23%.. Referindo-se também, a reportagem de SARMENTO (69)dizendo que: ... a população de portadores de deficiência visual é de cerca de 0,5% da população de cada país ou localidade, o que representa, em termos de Paraíba, algo em torno de 20 mil pessoa e, destas 4 mil só em João Pessoa. De acordo com REZEENDE, FIORAVANTE (56): ... 1% da população brasileira é deficiente visual (em milhões de pessoas). É do nosso conhecimento que possuímos uma população de 146.825.475 milhões de habitantes, conforme o IBGE de agosto de 1995. Citam-se as doenças infecciosas como a causa mais importanteda cegueira na América Central, na Venezuela e na Argentina, seguindo-se as oftalmias hereditárias e prénatais. As doenças infecciosas tambémocupam o primeiro lugar no Canadá e nos Estados Unidos, ao passo queos acidentes são a segunda causa em importância no México e nosEstados Unidos e a terceira na Argentina e no Canadá.
  26. 26. 26 Confirmando-se os estudos, deve-se atentar para a similitude depadrões na Ásia, onde as doenças infecciosas são a principal causa decegueira em praticamente todos os países, exceto no Japão, em que sãosuperadas pelos acidentes. O mesmo país informou existirem 248 cegospor 100.000 habitantes. Em diferentes pontos do continente asiático, al-guns dos índices mais altos de prevalência registram-se na ArábiaSaudita (3.000); Iêmen (4.000); Iraque (500-1.000); Paquistão (1.000); SriLanka (470); República Democrática do Vietnã (428); Indonésia (239);China (450) e Hong-Kong (1.392). Na Europa, a prevalência varia de 51, na Bélgica, a 272 naIslândia (embora atinja 647 em Gibraltar). Com relação a alguns dospaíses maiores, as cifras são as seguintes: República Federal daAlemanha, 60; França, 107; Grécia, 170; Hungria , l00; Itália, 200;Holanda, 50-60; Polônia, 66; Portugal 93; Espanha, 56; Romênia, 77;Suécia, 196; Suíça, 195; Inglaterra e País de Gales, 209 e Iugoslávia,100. Na União Soviética, com população superior a 200 milhões dehabitantes, registrou-se um total de 179.317 cegos. Em decorrência dos resultados, observa-se que entre as causasde cegueira, as doenças infecciosas ocupam o primeiro lugar somenteem Malta. Na Europa, as condições hereditárias e pré-natais são as maisimportantes, seguidas de perto pelos acidentes, que são a causaprincipal na Austria, Tcheco-Eslováquia, Dinamarca, República Federalda Alemanha, Finlândia e Itália. Na Oceania, a Austrália registra 222 cegos por 100,000habitantes, e a Nova Zelândia, 135. Com exceção de Fidji, onde é de1.190, a incidência na~ ilhas da Polinésia é inferior a 145. Na Austrália ena Nova Zelândia, a causa principal vincula-se às condições hereditárias,pré-natais e metabólicas degenerativas, seguidas, a consideráveldistância, por infecções e acidentes. Fazer uma estimativa do total de cegos no mundo é tarefa quaseimpossíye1, porque as percentagens contidas nas estatísticas baseiam-
  27. 27. 27se principalmente em grupos limitados de cada comunidade nacional.Mas as cifras extraídas do Questionário preparado pela OMS, em 1970,revelam a existência de 8,5 milhões de pessoas reconhecidamentecegas. Claro está que esse total é inferior ao verdadeiro e que, pararefletir a situação real com mais precisão, seria razoável estimar em l0 a16 milhões o número de cegos no mundo. A visão de outros milhões étão precária que, para fins de educação, trabalho e assistência social, épreciso considerá-las cegas. A menos que se comece a agir, essestotais, que vêm aumentando, poderão duplicar nos próximos 25 anos. Pode-se fazer nítida distinção entre as causas de cegueira nomundo em desenvolvimento e nos países mais industrializados. Entre ospaíses em desenvolvimento, o tracoma, a oncoceríase e a xeroftalmiasão os três grande problemas de saúde relacionados à visão. Somente de tracoma, calcula-se que há no mundo entre 400 e500 milhões de casos, 120 milhões dos quais na Índia. Dessespacientes, cerca de dois milhões são cegos. A oncoceríase afeta um totalde cerca de 20 milhões de pessoas, mas na bacia do Volta Superior, naÁfrica Ocidental, que é a área mais afetada de uma população total de 10milhões, há um milhão de vítimas e destas 70.000 são cegas. A xeroftal-mia é causa importante de cegueira na Indonésia, em certas áreas daÍndia, em outros países da Ásia Ocidental, e em algumas partes daAmérica Central e da África. Acredita-se que há hoje pelo menos 100.000pessoas cegas em consequência do mal. Há hoje consenso geral de que, em países com baixo nível dedesenvolvimento econômico a produtividade é baixa, também tendo esseatributo pessoas afetadas pela cegueira. O padrão de vida é baixíssimo,o que não permite que os cegos consumam em maior escala. Percebe-sedeste modo que se pode fazer nítida distinção entre as causas decegueira no mundo em desenvolvimento e nos países industrializados. Nos países industrializados, sobrevive o desenvolvimentoeconômico, assegurando-se dessa forma padrões de vida mínimos, que
  28. 28. 28são continuamente ajustados para melhor. Isso implica no aumento dasatividades de atenção médica, educação e reabilitação, de equipamentosespeciais e de movimentos de caixa. Com o desenvolvimentoeconômico, a maioria das ocupações toma-se mais especializada eprodutiva. Em se tratando de países do Terceiro Mundo, em termos deprodução, os cegos contribuem menos para a economia e, em termos deconsumo, principalmente de serviços de saúde, exigem mais. Verifica-seque as suas necessidades básicas referem-se a emprego, habitação eassistência médica, num sentido amplo, e que, uma das dificuldadesneste sentido é a falta de informação. Daí se constata a necessidade de informação dos cegos comofator representativo para sua integração em um novo sistema social, e aimportância da participação da biblioteca é crucial nesse processo deressocialização, visto ser o seu objeto de atuação a própria informação. MIRANDA (48), afirma que a: ... informação e o instrumento que seleciona e classifica os indivíduos em nossa sociedade, isto é, somos o que sabemos. Esta informação não se restringe em termos exclusivos de instrução escolar ou acadêmica mas, sobretudo, e acima de tudo, através do uso de informação para enfrentar os desafios da vida modera e para decidir entre as opções que essa luta pela vida nos coloca frente a frente. É necessário, então, repensar nosso sistema de baixo para cima,através de consulta à própria comunidade cega. Afinal de contas o queestá em jogo é a mudança da própria sociedade. Convém sempre lembrar o pensamento de Carlos Castelo Brancoquestionado por MIRANDA(48): O que é fechado, no Brasil, não é governo. A sociedade é que é fechada e exclui de seu contexto e estrutura a esmagadora maioria da população. O
  29. 29. 29 governo apenas externaliza uma tendência histórico-cultural que só agora – e Oxalá seja de forma irreversível – dá mostras de cansaço e cede a novas formas de convivência e de gerência de Poder.Pode-se aceitar, de acordo com MIRANDA(48) ... que as nossas bibliotecas são o espelho fiel de nossa desigualdades regionais, econômicas e sociais, explicando-se, dessa forma, que a maioria das bibliotecas brasileiras de todos os tipos (especializadas, universitárias, públicas, para cegos, escolares) encontram-se no triângulo Rio- São Paulo-Belo Horizonte e ao longo da costa atlântica. Com a população brasileira ocorre o mesmo. As cidades maisricas recebem, consequentemente, os melhores serviços bibliotecários;os acervos são cada vez mais pobres ou inexistentes à medida que nosafastamos dos grandes centros econômicos. É mister afirmar que sepretende uma melhor distribuição da riqueza e da renda nacional, seránecessário redistribuir as oportunidades de leitura de nossa população.Do contrário, o sistema bibliotecário, ao invés de influir no avanço cultural,limitar-se-á a perpetuar as atuais desigualdades. Pode-se dizer finalmente que, onde não existe sistema educacionaldesenvolvido, não há lugar para o livro. A biblioteca para os cegos deve,pois, deslizar sobre dois trilhos: o do sistema educacional (socializaçãoda leitura) e o da busca livre da informação e do lazer, a democratizaçãoda leitura enfim, visto que é necessário se ter um sistema educacionalvoltado para a leitura como instrumento aberto de socialização.
  30. 30. 30 II – HISTÓRICO DA BIBLIOTERAPIA Neste capítulo temos a intenção de mostrar a origem, no tempo,da Biblioterapia, narrando detalhes de sua história, seu desenvolvimentoe situação atual. Uma revisão da história da Biblioterapia demonstra sua vitalidadecontínua. Mas, para entender a evolução da Biblioterapia na sua formacomum atual e a de "leiturra direta" e "discussão de grupo", deve-setratar origens da Biblioterapia tanto dentro da Biblioteconomia como daPsicologia. A preocupação com a origem da Biblioterapia como idéia surgiuem épocas remotas pois alguns povos já consideravam a leitura comouma das melhores medidas terapêuticas no tratamento de doentesmentais. Assim, foram descobertas em bibliotecas antigas e medievais,inscrições sobre o valor terapêutico da leitura. Os gregos afirmavam quesuas bibliotecas eram repositário de remédio para o espírito, enquantoque os romanos achavam que as orações poderiam ser lidas parapacientes melhorarem sua saúde mental. ROBERTS(57), afirma que, desde a antiguidade, os livrosespecialmente as biografias, têm sido usadas transmitindo informaçõessobre a vida, de geração a geração. Salienta que a Bíblia foi usada parapreparar jovens para a vida, fornecendo conforto e cura espiritual, emcircunstâncias trágicas. Assim a pessoa que, sofrendo por perda de umente querido, se volta para a Bíblia a fim de obter palavras de conforto,está fazendo Biblioterapia pessoal. Implicitamente formulada há milênios, sabe-se que Ramsés II,faraó egípcio, mandou colocar no frontispício de sua biblioteca ainscrição: “Remédios para a Alma". Entre os romanos do primeiroséculo, vamos encontrar em Aulus Cornelius Celsus, palavras de
  31. 31. 31estímulo ao uso da leitura e à discussão dos preceitos dos grandesoradores como forma terapêutica. TEWS(70) observa que na Roma doprimeiro século, a leitura e a medicina estavam associadas. Inúmeras discussões são mantidas sobre as origens do termoBiblioterapia, sabendo-se entretanto, que surgiu na América do Norte,pelo menos na primeira parte do século SI~, em trabalho relacionandobiblioteca e ação terapêutica. Como se vê, as primeiras experiências em Biblioterapia foramfeitas por médicos americanos de 1802 a 1853, os quais indicavam que,uma das melhores receitas para seus pacientes hospitalizados, era aleitura de livros cuidadosamente selecionados e adaptados àsnecessidades individuais. O interesse aqui recai sobre a BibliotecaPública de Boston em 1853, que se revelou a maior Biblioteca Públicadaquela época, possuíndo uma postura assistencial o tempo todo.Um estudo foi realizado por Benjamim Rush, numa conferência sobre aConstrução e Administração de Hospitais, proferida em 10 de novembrode 1802, no qual lembra que para o divertimento e instrução dospacientes de um hospital, uma pequena biblioteca deve, por todas asrazões, ser parte do seu mobiliário. Recomendou também, dois tipos deleitura, aquelas que fornecem entretenimento, consistindo os livros deviagens, que ele considerava extremamente divertidos para osconvalescentes e para pessoa confinadas por doenças crônicas, e, a quetransmite saber, devendo versar sobre assuntos filosóficos, morais ereligiosos. Outro aspecto de destaque é que, a partir de 1904, aBiblioterapia passa a ser considerada como um ramo da Biblioteconomia.Isso ocorreu quando uma certa bibliotecária, assumindo a direção deuma biblioteca, em Massachusetts, resolveu fazer suas própriasexperiências, obtendo bons resultados. No final do século XVIII, um número de instituições humanitárias,notadamente, o Pinel na França, o Chiarugi na Itália e Tuke na Inglaterra,
  32. 32. 32procuraram melhorar o tratamento dos insanos. O método era oferecerleitura como recreação. Pelo começo do século XIX, essas reformas se espalharam pelaAmérica. Até meados do século XIX, nos hospitais mentais e prisõesexistia toda uma motivação religiosa na demanda de livros. Por outro lado, há informações de que a Biblioterapia floresceurecebendo um grande impulso, durante a primeira guerra mundial,quando bibliotecários leigos, notadamente da Cruz Vermelha, ajudaram aconstruir rapidamente bibliotecas nos hospitais do Exército. Desde aquelaépoca que o Bureau dos Veteranos dos Estados Unidos teve um grandepapel na Biblioterapia. No século XIX, mudaram as atitudes dos acadêmicos em relaçãoà biblioteca, pois com o desenvolvimento do conhecimento, aBiblioterapia adquiriu maior amplitude tomando-se profissionalizada eespecializada. Cumpre ressaltar que, para se entender a evolução daBiblioterapia, em sua forma comum atual de leitura dirigida e discussãodo grupo, devemos nos aprofundar na Biblioteconomia e na Psicologia. As décadas de 40, 50 e 60 produziram muito mais publicações ealgumas pesquisas significativas. Contudo, é necessário ressaltar que debates sobre a ausência deuma estrutura científica para a Biblioterapia tinham sido ouvidos porvários anos, até que um esforço maior para colocar o assunto naperspectiva própria, foi completado em 1949 na forma de umadissertação de doutorado: Biliotherapy: a Theoretical and Clinical –Experimental Study, da autoria Caroline Shrodes, nos Estados Unidos. Completando tal entendimento, é mister salientar que aBiblioterapia freqüentemente evoca um ambiente hospitalar como ficouconstatado; entretanto, a tendência da Biblioterapia é atingir muitasoutras áreas do conhecimento.
  33. 33. 33 Por volta de 1956, ROBERTS(70) assumiu um papel maisagressivo no uso da literatura como técnica de aconselhamento. Durante1960, começou a usar livros com os cegos para facilitar a vidaprofissional das pessoas afetadas pela cegueira. Uma revisão da história da Biblioterapia demonstra que a leituraé fundamental, não importa se identificada como arte ou ciência Se osBiblioterapêutas, no futuro, praticarem profissionalmente a Biblioterapia efizerem estudos detalhados e conscientes sobre seus livros, usando suaimaginação e senso crítico, a Biblioterapia certamente irá prosperar parao bem de todos os envolvidos.2.1 Origens da Biblioterapia na Biblioteconomia Essa habilidade Biblioterapia é uma aplicação refinada de umafunção normal de aconselhamento de leitura. Por sua vez, o serviço deleituras promove o desenvolvimento de outras funções bibliotecárias. No século XIX houve mudanças nas atitudes acadêmicas paracom a Biblioteca, que se tomou profissionalizante e especializada. JustinWilson, empregado pela Havard University em 1877, estabeleceu umprecedente quando abriu as prateleiras para os estudantes e permitiu acirculação dos livros. Isso foi o começo do serviço de referência. Essaprimeira proposta para um programa real de assistência ao leitor haviasido feita em 1876 por Samuel Sweet Green da Worcester Public Library. Em 1883 a Boston Public Library, que era a maior BibliotecaPública da época, tinha um cargo de assistente em tempo integral. Aomesmo tempo, Melville Dewey, no Columbia College, estava tentandoadotar a idéia da Biblioteca Moderna de ajuda aos leitores. A verdadeira frase Serviço de Referência foi primeiro usada parasubstituir qjuda aos leitores e assistência aos leitores em 1891, noLibrary Joumal. Por volta de 1900, o serviço de referência estavadisponível não apenas na Biblioteca Pública de Detroit, mas também nas
  34. 34. 34filiais. Em 1905, a Biblioteca Pública de Washington DC, estabeleceu ocargo de anfitriã Bibliotecária, para guiar seus visitadores. Na época eraum cargo ligado à referência, mas em 1945, foi considerado um cargo decirculação de leitores. Nos anos 20 e 30, o aconselhamento a leitoresvinha à frente da Biblioteconomia. Em fins dos anos 40, Flexner estavadesenvolvendo programas de leitura para grupos variados tanto a nívellocal como nacional. Essa iniciativa de leitura, começada em 1931, éprecursora óbvia da Biblioterapia, pois ela desenvolveu listas de leiturapara adultos, em liberdade condicional, depois de entrevistar osindivíduos envolvidos. Muitos dos serviços do aconse1hamento ao leitornos anos 40, foram integrados ao Departamento de Educação de Adultosdas Bibliotecas Públicas. Um dos exemplos mais conhecidos daeducação de adultos nos anos 40 é o programa de grandes livros,desenvolvido na Universidade de Chicago em 194.5. Esse programa dediscussão baseava-se em livros oriundos do desenvolvimento da leituraorientada terapeuticamente, que era o serviço chamado de Biblioterapia.2.2 Origens da Biblioterapia na Psicologia Para melhor compreensão do assunto, seria bom considerar aquique a história da terapia de grupo foi registrada em 1905, quando Dr.Joseph Platt, de Boston, começou um grupo de aulas para pacientestuberculosos. .Ias alguns grupos de terapia encontram suas origens nosdramas gregos, nas peças medievais e em encontros religiosos, assimcomo na Biblioterapia. No começo dos anos 20, Alfred Adler advogou um Grupoterapêutico nos terrenos político e econômico. Como um socialista, elesentia que a classe instrutora deveria ter acesso à terapia e que umaabordagem de grupo seria a única forma financeiramente viável. Ele abriualgumas clínicas em Viena, mas seu trabalho foi menos popular lá do que
  35. 35. 35nos Estados Unidos. Em 1926 tomou-se um professor na Universidade deColumbia. Outro pioneiro no campo foi Jacob Moreno que em 1931 criou otermo Terapia de grupo. Moreno declarou que tinha usado a técnica emViena desde 1910. Eventualmente, seu trabalho tomou-se a base para otreinamento dos Bethel Laboratories, em 1946, que por sua vez levou aosmodernos Grupos T. O psiquiatra Maxwel Jones citado por RUBI(67) explica que foino limiar da Segunda Guerra Mundial que a Terapia de grupo realmentefloresceu. A terapia de grupo na Grã Bretanha fez grandes progressos na Segunda Guerra Mundial por que um psiquiatra tinha mais sucesso com 20 casos em grupos do que com 4 em psicoanálise ... Acreditamos (mas não provamos) que os resultados descritos não podiam ser alcançados somente pela psicoterapia e hospitalização. Outro aspecto a ser mencionado diz respeito a todos; os tipos depsicoterapia, tanto individuais, como de grupo, que floresceram depois daSegunda Guerra Mundial. . A guerra e suas consequências trouxerammuitas mudanças, incluindo novas; terapias, porque a terapia individualnão foi capaz de suportar novos pacientes criados pela guerra. Não é coincidência que a Segunda Guerra Mundial, na era de1939-1943, também produziu trabalhos significativos no campo daBiblioterapia. Os bibliotecários estavam ocupados servindo a pacientesem hospitais e a veteranos nas ruas. Por volta de 1930, mais de 400artigos de jornais sobre Biblioterapia foram publicados. De 1930 a 1960,mais de l00 artigos haviam sido publicados, apenas tratando daBiblioterapia para adultos, em pacientes hospitalizados. 2/3 daspublicações no campo, durante a década, foram publicados em jornaisnãomédicos. De 1960 a 1973, 193 artigos, mais 32 dissertações e
  36. 36. 36estudos de pesquisas foram publicados. Dos 131 artigos de 1970 - 1973,330 o apareceram em jornais bibliotecários e 65% em periódicos deoutros campos tais como Enfermagem, Terapia Ocupacional: Psiquiatriae Educação. Biblioterapia é claramente e deve ser desenvolvida comouma atividade interdisciplinar. Para uma visão geral sobre a opinião e a prática da Biblioterapia,durante as quatro décadas passadas, é útil rever os levantamentos. Atéagora, pelo menos dois levantamentos particulares e três levantamentosda American Library Association Bibliotherapy Committee forampreparados, usados e analisados conforme quadros a seguir:
  37. 37. 37 Figura 1 Raízes da Biblioterapia em Grupo Na Biblioteconomia Educação Bibliotecária Serviço de Grupo de AdultoServiços de Biblioterapia deReferência grupo Guia de Leitura Biblioterapia Individual Na Psicologia Dinâmica de GrupoPiscoanálise Psicoterapia de Biblioterapia de Grupo Grupo Terapia de Grupo Fonte: Extraído do RUBIN, Rhea Joyce(67)
  38. 38. 38 Figura 2 Raízes da Biblioterapia, com suas datas importantes naBiblioteconomia, nas Ciências Humanas, na Psiquiatria e nas CiênciasComportamentais.
  39. 39. 39 Mostraremos agora que, em abril de 1956, a BibliotherapyCommittee do então Hospital Libraries Division of ALA, sob a orientaçãode Margaret Hannigan, conduziu uma pesquisa para mostrar a natureza eextensão dos serviços de Biblioterapia desenvolvido pelos membros doHospital Libraries Division. Em junho de 1961, a ALA Bibliotherapy Committe, dirigida porRuth Tews, conduziu um estudo para determinar o pensamento correntede um grupo selecionado de indivíduos engajados e interessado emBiblioterapia e que possuíam conhecimento do potencial para o uso daleitura de maneira terapêutica. O objetivo era obter do grupo umconsenso do que fosse Biblioterapia e do que ela poderia fazer; tambémse deseja oferecer uma base para a formulação de uma definição. A terceira pesquisa feita pela ALA Bibliotherapy Committe,conduzida em 1975, também usou o programa com duas finalidades. Todas essas pesquisas refletem as filosofias e práticas daBiblioterapia durante os últimos trinta anos. Essas tendências teminfluenciado práticas mecânicas e dinâmicas de Bibloterapia. Reportando-se ao pensamento de HANNIGAN (32) diz que aBiblioterapia é um acesso, a longo prazo, aos serviços bibliotecários,usados para fins terapêuticos. No seu artigo da revista Libraly Trendsafirma que "a Biblioterapia é uma refinada aplicação das funções normaisdo biblioterário como conselheiro do leitor". Os serviços dos leitores sedesenvolvem fora de outras funções das bibliotecas. Constata-se que, nos anos 70, muito tempo foi consumido paraoferecer uma ampla base do desenvolvimento da Biblioterapia comocampo, incluíndo os programas de compreensão do assunto. Ressalte-se a importância do maior investimento durante os anos80, com relação aos padrões e certificados para biblioterapeutastreinados. Questões teóricas estão sendo consideradas, assim comonecessidades de pesquisas e métodos sendo identificados e tentados.
  40. 40. 40 E de se prever que a ALA, na década de 80, particularmenteatravés de seu ALA Bibliotherapy Committe, continue desenvolvendoestudos e pesquisas que venham a ter, cada vez mais aplicação, nasolução de problemas de comunidade. Concluíndo essa parte, reconhecemos que a Biblioterapiaproporcionará ao educando a formação necessária ao desenvolvimentode suas potencialidades.
  41. 41. 41 III – ORIGENS E TERMINOLOGIA DA BIBLIOTERAPIA A crescente literatura estrangeira sobre Biblioterapia, eprincipalmente a sua conceituação vem influenciando os bibliotecáriosbrasileiros que também começam a se ocupar do tema. Considera-se a palavra Biblioterapia, como oriunda do grego,significando “Biblion” - livro e “Therapia” - tratamento. Em estudosrecentes reconhece-se SamuelMecbord Grothers como o criador dapalavra em 1916, em artigo publicado no Atlantic Monthy existindo aindaconfusão sobre essa terminologia. O termo Biblioterapia não foi inteiramente aceito. Muitos disseramque era uma designação muito ampla e sugeriram termos mais restritoscomo biblio – diagnostico para avaliação, ou bibliofilaxia como o usopreventivo pela leitura. Outros achavam que a nomenclatura era muito restrita e sugeriamBibliogomia, Biblioconselho ou Terapia Bibliotecária. Os termos temaplicações mais amplas porque não são limitados pela palavra Terapia.Terapia de grupo tutelada e Literapia tem também sido usadas paraevitar o prefixo Biblio. Como diz o Dr. Michael Shiyo, o nome Literapia,formado por literatura e terapia, foi escolhido, principalmente pararessaltar suas diferenças do nome mais popular Biblioterapia que foiconsiderado extremamente vago e sem significado. O abuso do termoBiblioterapia atinge toda e qualquer combinação de temas relacionadoscom livros e com grupos de pacientes. Literapia tenta enfatizar atendência literária – imaginativa, mais do que simplesmente estudodidático, informativo e também, apresentar a literapia como BONA FIDE,método da primeira qualidade da psicoterapia, ao invés de uma funçãopadronizada, relegado a bibliotecários. Outro termo relacionado de perto à Biblioterapia é Bibliotecário -Conselheiro. Em 1951 a Uniyersity of Illinois Chicago UIC substitui o
  42. 42. 42Librarys Reference Department pelo Department of Library Instructionand Adrisement e planejou implantar Educação geral, Instrução deBiblioteca e um Conselho Estudantil. Quatro bibliotecários foramescolhidos para se tornarem Bibliotercários-Conselheiros, participandodos cursos de treinamento do Departamento UIC. Eles deveriam serbibliotecários rigorosamente selecionados, treinados e experientes, compersonalidade especial e qualificações, incluindo Referência, Ensino,Habilidade de liderança de grupos e Execução de programas dedesenvolvimento cuidadosamente planejados. Bibliotecáriosos - Conselheiros treinados deveriam ser capazesde fazer muito para encorajar os leitores a aplicar livros para si próprioatravés da extensão dos tipos existentes de serviços bibliotecários. Omelhor serviço de referência encontra-se comumente noaconselhamento, mas sua principal preocupação é com a transmissão dainformação e solução de problemas mais ou menos imediatos. O trabalhode aconselhamento dos leitores e da Biblioterapia, com as atençõesvoltadas para as necessidades dos indivíduos, geralmente aproxima-sedo aconselhamento psicológico. Rubakin., um grande escritor russo, criou uma teoria de leituraque chamou de Bibliopsicologia, formulada em 1916; publicou em doisvolumes: Introdução â Bibliopsicolologia, em 1922; naquele ano. seuInstituto de Bibliopsicologia mudou-se de Genova para Lausanne. (Essesfatos estão incluídos numa fascinante biografia de Rubakin escrita peloseu filho, inserida num livro recente sobre Bibliopsicologia). O próprioRubakin escreveu 70 artigos sobre Bibliopsicologia (1921-19-1-6). Rubakin citado por RCBI::(6S) indica que: Um livro, como material-objeto será precedido diferentemente por pessoas diferentes. Na nossa visão quando o livro está sendo lido, ocorre um fenômeno subjetivo psicológico baseado nas nossas impressões que o organismo psicofísico do leitor recebe dele como objeto externo. Se o
  43. 43. 43 organismo do leitor tiver que se submeter a alguma mudança, o mesmo livro parecerá diferente para ele. Portanto o próprio livro como fenômeno independente do perceptor é uma entidade desconhecida... O leitor não considera o fenômeno psicológico como evocado pelo texto. Ele atribui ao livro que é um material objeto. Rubakin sentiu que esta teoria deveria causar mudanças nasatitudes e métodos do bibliotecário. Assim deveriam voltar suasatenções, do livro, visto como inerte, para a vida interior da personalidadehumana. E o seu leitor que cria, constrói e combina; o livro não passa deum instrumento. O bibliotecário que não entender isso poderá converter amelhor biblioteca num cemitério de livros. Dos muitos termos utilizados para "Biblioterapia", alguns foramaplicados a novos. campos, mas a maioria surgiu por causa dereclamações de que o termo era restrito e vago demais. O prefixo Biblio também é muito limitado nos dias atuais. Todosos tipos de material audiovisual poderiam e deveriam ser usados. O sufixo terapia também parece uma escolha errada num tempoem que técnicas de terapia estão proliferando. Biblioterapia não épsicoterapia. A. palavra terapia origina-se da palavra grega para cura. Noentanto, Biblioterapia não se restringe ao contexto cura, mas valetambém como descoberta do sentido verdadeiro do mundo. A meta da Biblioterapia deveria ser vista internamente e sercompreensível. É importante que os biblioterapeutas estejam conscientesdo poder que podem engendrar no cliente. Uma demonstração do poder,por uma pessoa incapaz, manifesta-se através de uma crise nervosa ouna realização de um crime. Agindo, ele ou ela pode chamar atenção esimpatia e isto indica poder sobre outros. Quando a pessoa, na terapia,aprende sobre o motivo de seu comportamento, aquele poder égeralmente removido. Qualquer terapia de efeito deve substituir o poder
  44. 44. 44destrutivo por um outro poder novo e construtivo da visão interna ecompreensiva. A Biblioterapia e outras atividades terapêuticas ativas ajudam osclientes a apreciar suas atividades na dança, na arte ou na compreensão. A palavra terapia pode também ter conotação política,relacionada a objeção. A política de terapia tradicional interpessoal tocanuma situação que envolve um paciente e um terapeuta - um recebendoe outro prescrevendo. Michael Glenn, um terapeuta radical, declara que terapia hoje éuma relação poderosa entre pessoas – uma para cima outra para baixo;ajudante e ajudado. A grande vantagem da Biblioterapia é que até uma certaextensão, o livro ou outro material faz o trabalho pelo terapeuta.Biblioterapeutas ou outros líderes de grupo, escolhem o material, mas osclientes individuais interpretam isso, primeiro como elemento fora doterapeuta e deles mesmos, depois integram os ensinamentos em simesmos. A Biblioterapia de grupo utiliza não apenas o material, mas opróprio grupo para facilitar o çrescimento individual a fim de que a tensãoterapeuta - cliente seja confortável. . A política da terapia é evidente tanto nos níveis pessoal comointerpessoal. Terapia deveria significar mudança, não simplesmenteajustamento, mas, como explica Seymom Hallek, o processo terapêuticoencoraja o paciente a tentar mais mudar a si mesmo do que ao ambiente.Na maioria das formas de psicoterapia individual o paciente é geralmentesolicitado a examinar seu próprio sentimento e atitudes. Ele tambémaprende como o ambiente afeta estes sentimentos e atitudes, mas aprincipal ênfase é colocada na forma com que ele possa alterar suapercepção e reação ao seu ambiente. Quando o paciente se concentrano que é considerado como sua própria inadequação, ele é chamadopara ajustar-se e pode tomar-se resignado ao ajuste e ao ambiente
  45. 45. 45opressivo. Aceitação pode ser um meio de se fugir à responsabilidade,mas pode também ser uma meta. Um paciente que aprenda a aceitar aincapacidade física é um bom exemplo do caso. A definição de terapia como cura, o poder interpessoal e aestrutura da terapia, posições exaltadas por médicos na nossasociedade, causam nos bibliotecários o temor a qualquer atividadedenominada Terapia. Outros se preocupam com as ramificações políticasda terapia. Em qualquer dos casos, parece que a terminologia aliena aspessoas, não a atividade de usar literatura para atingir uma visão interna.Os bibliotecários deveriam abordar a Biblioterapia mais como atividaderecreacional e ocupacional do que como uma atividade terapêutica quepossa fazer parte de um programa médico ou que sirva como caminhopossível para uma atualização individual.
  46. 46. 46IV – CONCEITUAÇÃO E DEFNIÇÕES DA BIBLIOTERAPIA A Biblioterapia assume um importante papel na sociedademoderna. Esta assertiva é baseada em vários estudos que têmdemonstrado como a Biblioterapia, ao longo do curso da história, vemocupando uma parte da organização social que cresceu e se diversificoupara atender às mudanças e necessidades psicossociais. No dicionário "DORLAND’S ILLLUSTRATED MIEDICALDICTIONARY" (1941), sob a yerbete Biblioterapia, está a seguintedefInição: "emprego de livros e de sua leitura no tratamento de doençasmentais". Informações apresentadas anteriormente todavia, demonstramque a palavra já havia sido usada desde 1815. Por outro lado, o primeiro dicionário não especializado a registrá-la foi o WEBSTERS THIRD NEW INTERNATIONAL DICTIONARY,(1961), que a definiu "uso de material de leitura selecionada comoadjuvanre terapêutico em Medicina e Psicologia, e também como "guiana solução de problemas penais através da leitura dirigida", informandoque a palavra foi adotada especialmente pela ASSOCIA TION OFHOSPITAL AND INSTITUTION LIBRARlES dos Estados Unidos. No mesmo ano acima referenciado, o dicionário Random Housedefiniu-a como: “O uso da leitura com adjuvante na terapia” É necessário relatar o ponto de vista de BUONOCORE(17) noseu Dicionário de Biblioterologia quando afirma que a Biblioterapia é a"arte de curar as enfermidades por meio da leitura". No entanto, é válidoesclarecer, que outras definições são encontradas em autores diversos,bibliotecários, educadores, médicos e psicólogos, apresentando suas
  47. 47. 47próprias impressões e interpretações. A esse respeito Moore & Breland citado por TEWS(70), define aBiblioterapia como uma atividade interessante e desafiante para oBibliotecário, uma vez que põe vida na palavra impressa, podendo o seuimpacto sobre uma personalidade individual ter efeito curativo. TEWS(70) defimiu-a, com maior profundidade referindo-se a: Um programa de atividade selecionadas envolvendo materiais de leituras, planejadas, conduzidas e controladas como um tratamento, sob orientação do médico, para solução de problemas emocionais ou outros. Um Psiquiatra conceituou-a como: "O uso consciente e deliberado de materiais de leitura com o propósito de alargar ou dar suporte ao programa terapêutico como um todo, conforme ele se relacione a um paciente particular ou, em alguns casos a um grupo mais ou menos heterogêneo de pacientes. Outra bibliotecária considerou-a "Um programa planejado deleitura ou de atividades de leitura, para um paciente individual ou para umgrupo de pacientes". Outra bibliotecária subdividiu a Biblioterapia em explícita eimplícita. Esses termos foram originalmente usados para distinguir outrasterapias, porém Evelane P. Jackson, adaptou-os à Biblioterapia. À terapiaimplícita é um recurso utilizado pelos conselheiros de leitores, enquantoque a explícita é feita apenas por um terapeuta treinado. Recomenda-se atenção especial para essas definições: "A Biblioterapia individual é um refinamento de orientação do leitor enquanto que a Biblioterapia
  48. 48. 48 em grupo é um híbrido campo de Psicologia e Bibioteconomia usando sessões e discussões como modalidade terapêutica Considerando-se todas essas observações, parece relevanteressaltar o posicionamento de PERElRA(52) ao afirmar que cada umadessas definições representa um ponto de conflito entre as pessoasenvolvidas na Biblioterapia. Por exemplo, a Biblioterapia dos anos 30 eracentrada em hospitais, com doentes mentais que precisavam deinformações sobre suas doenças e sobre suas implicações; o instrumentode terapia era a leitura didática usada por um grupo de médico e bi-bliotecários. Hoje em dia, há um interesse renovado na educação depacientes que preencham um modelo geral. O uso de Biblioterapia seespalhou nos contextos da educação: grupo de crianças normaisparticipando de sessões, usando literatura criativa, dirigidos por umprofessor ou bibliotecário. Atualmente a Biblioterapia é usada porbibliotecários públicos com dois grupos de adultos: os normais e osperturbados. BRYAN(15), em 1939, escreveu um artigo Pode haver limaciência da Biblioterapia? Ela respondeu sua própria perguntaafirmativamente: Sim, pode haver. No entanto, ela acrescenta que ocampo precisava de um corpo de dados de pesquisadorescientificamente treinados antes que pudesse ser considerada umaciência. Desde aquele tempo tem havido um debate contínuo se aBiblioterapia é Arte ou Ciência. Uma maneira de lidar com essa perguntaé separar o conceito de Biblioterapia em duas partes e chamar a primeiraum aspecto de Ciência e a outra de Arte. Brown citado por HORNEO(34) usa essa abordagem quandosugere que: "... essa prescrição de leitura no tratamento de doença mental ou física pode ser vista como a
  49. 49. 49 ciência da Biblioterapia e onde se tenta remediar defeitos pessoais de ajudar indivíduos a resolver problemas de pessoas através de sugestões de leitura própria através da bibliotecária ou outro indivíduo, de fora do campo médico, pode ser visto como arte da Biblioterapia. Essa afirmação também é confirmada no Dicionário Webster. Para muitos, o problema vital não é a procura de uma definição,nem mesmo os problemas de ser a Biblioterapia uma Arte ou umaCiência. Em seus estudos BEATIY(12) afirma que: "A leitura é importante, não importando se é identificada como uma ‘arte’ ou como uma ‘ciência’. Neste contexto é importante esclarecer a opinião de umpsiquiatra que respondeu a um questionário dizendo que o problema nãoé simplesmente definir o que a Biblioterapia é, mas fornecer umaabordagem mais criativa para reconhecer as necessidades existentes econduzir tipos de Biblioterapia que sirvam a essas necessidades. Os comentários aqui focalizados demonstram que a Biblioterapia,na prática e na discussão, permanece um assunto complexo. É evidentesalientar que, no presente, as observações relacionadas com aBiblioterapia indicam um interesse vasto, apesar de algumas limitaçõesclaramente definidas e de contínuas confusões. Cumpre ressaltar que aBiblioterapia não está restrita a médicos e bibliotecários em hospitais einstituições.
  50. 50. 50 V – TIPOLOGIA E SUBDIVISÕES DA BIBLIOTERAPIA No decorrer da história da civilização, pode-se verificar queLourell Martin citado por TFWS (70) deixou uma mensagem central parao futuro da Biblioterapia. A pesquisa produz conhecimento. O conhecimento é necessário para o entendimento. Entendimento combinado com habilidade levam a uma ação efetiva. Dentro desta proposição não é possíve1 planejar Biblioterapia.em nenhum de seus aspectos sem um adequado referencial quanto àssuas características. De um modo geral os especialistas concordam com a existênciade três tipos de Biblioterapia a) Biblioterapia Institucional b) Biblioterapia Clínica c) Biblioterapia Desenvolvimentala) Biblioterapia Institucional se refere a que de literatura - primeiramente didática - com clientes, individualmente. e que já se encontra instituciunalizada. I nc1ui o uso médico tradicional de Biblioterapia cujos textos de higiene mental são recomendados a pacientes mentais. Isso caracteriza uma situação especial de prescrição de litros para doenças específicas. Este tipo de terapia é exercido por uma bibliotecária juntamente com um médico ou uma equipe médica. A meta é principalmente informativa e recreativa, embora algum material interno possa ser oferecido. Este, tipo de Biblioterapia não prevalece hoje, mas alguns programas semelhantes ainda existem. A Biblioterapia institucional também inclui o uso da comunicação dos médicos com pacientes individuais, em prática privada.
  51. 51. 51b) Biblioterapia Clínica - É a que se refere ao uso, numa primeira fase, da literatura imaginativa, com grupo de clientes com problemas emocionais ou comportamentais. Esses clientes podem ou não participar do programa voluntariamente. Os grupos podem ser liberados por um médico ou por um bibliotecário, mas geralmente são implementados por ambos, um consultando o outro. O ambiente pode ser um instituto ou uma comunidade, objetivando uma possível mudança no comportamento.c) Biblioterapia Desenvolvimental - Refere-se ao uso de literatura de modo imaginativo e didático com grupos de indivíduos normais. O grupo de Biblioterapia é designado e liderado pelo bibliotecário, professor ou outro profissional ajudante, para promover o desenvolvimento normal e autoatuação ou para manter a saúde mental. A Biblioterapia desenvolvimental pode ajudar pessoas em tarefas comuns, além de ajudá-las a suportar problemas individuais como divórcio, gravidez, morte e preconceitos, com refinamento das tarefas desenvolvimentais. As distinções entre esses três aspectos da Biblioterapia têmimplicações para uma Biblioterapia dinâmica e são importantes para adiscussão da educação e conscientização do seu valor. Observe-se acaracterística comum aos três tipos e discussão do material após aleitura.
  52. 52. 52 Figura 3 Características dos três tipos de Biblioterapia INSTITUCIONA CLÍNICA DESENVOLVIMENTIST L AFORMATIVO Individual ou Grupo ativo, Grupo ativo Grupo Voluntário e geralmente Involuntário Grupo voluntário passivoCLIENTE Paciente médico Pessoas com Pessoa normal geralmente ou psiquiátrico, problemas em situação de crise prisioneiro ou emocional ou cliente em prática comportament privada alCONTRATANT Sociedade Sociedade ou IndividualE individualTERAPÊUTICA Equipe médica ou Médico, Bibliotecário, professor ou bibliotecária instrutor de outros saúde mental ou bibliotecário, geralmente em consultaMATERIAL Tradicionalmente Literatura Literatura imaginativaUSADO didático imaginativa e/ou didáticaTÉCNCIA Discussão de Discussão de Discussão de material com material material, com ênfase nas visões e reações ênfase nas do cliente. visões e reações do cliente.LOCAL Prática de Prática de Comunidade instituição instituição pública ou privada ou de privada comunidadeMETA Geralmente Visão interna Comportamento normal e informativo, com e/ou mudança auto-realização alguma visão de interna. comportament o
  53. 53. 53 VI – OBJETIVOS DA BIBLIOTERAPIA A Biblioterapia constitui assim um apoio à ação das pessoasque estão interessadas na orientação de leitura e que não procuraram oupodem não precisar de cuidados clínicos. Essa orientação consiste empromover encontros efetivos entre pessoas e livros, e é tida como parteda tarefa do programa educacional da biblioteca. Há de se acrescentar que nem sempre os usuários reais oupotenciais da Biblioteca têm hábitos bem estabelecidos de leitura, poisvêm de cursos secundários com limitações comportamentais a esterespeito, como se pode comprovar a partir dos dados de LOPES(42). Face a essas circunstâncias e às ponderações arroladas na parteintrodutória, aparecem formulados alguns objetivos da Biblioterapiaindicados a seguir. BRYAN(15), apresenta uma lista de cinco objetivos: a) evidenciarpara o leitor que ele não é o primeiro a sentir o problema; b) fazer ver aoleitor que existe mais de uma solução para o seu problema; c) ajudar oleitor a ver os valores el1Yolvidos na sua experiência em termoshumanos; d) oferecer fatos necessários para a solução do seu problema;e e) encorajar o leitor a encarar realisticamente o seu problema. KENNETH(37), ao abordar o assunto, mostra qual tem sido a suapreocupação, mencionando que a Biblioterapia pode SeI usada "comomeio de aquisição de informação e conhecimento sobre psicologia gerale psicologia do comportamento humano; a leitura pode ser necessáriapara capacitar o indivíduo a viver o tema "conhece-te a ti mesmo". Aleitura pode ser aconselhada para extroverter o paciente e aumentar seuinteresse por outra coisa fora de si próprio. Outros propósitos podem ser:elevar o interesse e conhecimento de realidades externas ou efetuar umfluxo controlado do processo inconsciente ou ainda ofereceroportunidades para identificação e compensação. Seu objetivo final é
  54. 54. 54ajudar aos pacientes a viverem mais efetivamente. Gottschalk ressalta, num trabalho de BEATTY(12) algumasinformações sobre a Biblioterapia, mencionando que a leitura prescritapode ajudar os pacientes a entenderem melhor suas próprias reações,conflitos e frustrações psicológicas e fisiológicas. Por outro lado, podeajudar a estimular o paciente a pensar construtivamente entre asentrevistas, possibilitando a auto-análise, amenizando futuras atitudes epadrões de comportamento. E continua mostrando que a leitura reforça,por percepções e exemplos, nossos padrões sociais e culturais, inibindopadrões infantis de comportamento. Finalmente, enfoca a importânciaque se deve dispensar à leitura porque ela, dessa maneira estimula aimaginação, dando enorme satisfação ou alargando as áreas deconhecimento. do paciente. ALSTON(6), esclareceu alguns objetivos, destacandose osseguintes: “O paciente encontrará coragem para entrar em terapia oudiscutir um problema particular depois de ler sobre determinadoassunto”, mostrando que os livros podem ser usados para ajudar ospacientes a obterem maior compreensão. sobre seus problemas,adquirindo linguagem e idéias que lhes permitem comunicarem essesproblemas. A leitura de livros pode ajudar o paciente no processo desocialização, oferecendo algo que ele possa compartilhar, possibilitandoa troca de idéias com outras pessoas; geralmente, as pessoas podemencontrar novos caminhos e atitudes através dos livros. Finalmente,existe um valor terapêutico de bom relacionamento e diversão que podeser encontrado nos livros, embora não se tenha dado muito valor a isto. Menninger citado por BEATTY(12), um dos pioneiros quedetalhou os benefícios da Biblioterapia, procurou dividí-los emidentificação, estímulo e gratificação narcisista. Mostra .como aexperiência de um livro pode ocasionar uma aberração de emoção,alívio pelo reconhecimento de que outros têm problemas similiares, ouprojeção de suas características no caráter. Se o usuário é estimulado a
  55. 55. 55comparar suas idéias e valores com as do autor, isso pode resultar emmudança de atitude. O autor também procura evidenciar que o leitorpode alcançar gratificação narcisista, escapando de seus conflitosatravés de fantasias, fazendo contato com a realidade, ou inquirindoconhecimentos através de leitura didática.
  56. 56. 56 VII – O BIBOIOTECÁRIO COMO BIBLIOTERAPEUTA7.1 Biblioterapeuta: Revisão de Literatura No ambiente de uma Biblioteca, uma figura-chave é a dobibliotecário. Por esta razão, e considerando os objetivos desta pesquisa,faz-se mister apresentar algumas reflexões sobre o papel do Biblio-terapeuta. A propósito, vale, mencionar a observação de HORNE(34), paraquem o livro é, ele mesmo, um terapeuta. Os livros podem serferramentas valiosas e poderosas para a comunicação, quando prescritoscuidadosamente para indivíduos que estão perturbados. A leitura reflete as experiências humanas de todas as épocas elugares, e portanto, dá acesso aos registros de vidas, atitudes esentimentos. Por outro lado, vários mecanismos são postos emfuncionamento quando existe uma interação entre um leitor e um livro. Um leitor pode identificar-se com um personagem ou comexperiências específicas num livro e ser capaz de purificar-se desentimentos ou pensamentos reprimidos. O leitor também pode ganharcom a leitura, tomando-se capaz de recuar e aceitar a realidade maisprontamente. Ao ler e aprender que um problema não é único, oproblema parece menos amendrontador. O leitor pode conseguir umsentimento de universalidade, com a percepção de que não está sozinhocom seus problemas no mundo e de que pode também ajudar a reduziros sentimentos de inferioridade porventura existentes. Constata-se que a leitura tem uma vantagem sobre acomunicação humana direta porque não é tão intensiva como a palavrafalada. Um livro é Muito menos ameaçador, muito menos exigente, eainda assim pode oferecer muito no sentido de comunicar situaçõeshumanas e permitir ao leitor aplicá-las à sua própria realidade. Entretanto, faz-se mister afirmar que o bibliotecário não é um

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