O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  1	  1ª	  aula	  APRESENTAÇÃO	  DO	  CURSO	  A fim de que apresentemos todo homem perfei...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  2	  É o poder que suporta o insuportável e se derrama em alegria e gratidão ao Pai que ...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  3	  cinco aspectos da vida cristã, nós descartamos o Cristianismo autêntico e encarnamo...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  4	  A consequência desta vivência familiar e orgânica, bem como do sacerdócio universal...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  5	  prática de tais recomendações implica em conhecer as habilidades que o Senhor nos c...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  6	  2ª	  aula	  CHAMADOS	  PELO	  EVANGELHO	  PARA	  O	  SERVIÇO	  Portanto, dize à cas...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  7	  Todo o meu ser não considero meu;Quero gastá-lo no serviço teu.6Observe o padrão. E...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  8	  Notem o contraste entre esta jovem de pouco mais de 30 anos e nós. Nós nos sentimos...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  9	  Preste atenção. Isso não é fábula. Isso é real.2.3.2	  A	  praga	  do	  cinismo	  e...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  10	  um chamado à santidade incluído na conversão. Conversão é isso: Começar a conhecer...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  11	  3ª	  aula	  AS	  CAMADAS	  DO	  CHAMADO	  E	  O	  SACERDÓCIO	  UNIVERSAL	  DOS	  C...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  12	  [1]Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comu...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  13	  ou parente, por meio do qual veio a Jesus e à igreja”.12Os pesquisadores chamaram ...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  14	  Lehfeldt era pedreiro em Hamburgo.14Ele conheceu a graça de Deus aos 24 anos deida...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  15	  A saúde da igreja é prejudicada quando os seus membros não atendem ao chamado para...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  16	  Larry Richards propõe um esquema visual do clericalismo, reproduzido com pequenasm...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  17	  3.2.2	  O	  clericalismo	  é	  corrigido	  pelo	  sacerdócio	  universal	  dos	  c...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  18	  O chamado para o serviço na igreja é uma convocação a amar a Deus amando aosirmãos...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  19	  4ª	  aula	  MOLDADOS	  E	  CHAMADOS	  PARA	  O	  SERVIÇO	  CONTENTE	  E Moisés foi...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  20	  sermos e fazermos as obras que ele “preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10)....
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  21	  Outro exemplo disso é Moisés. Ele “foi vocacionado e preparado para receber ecomun...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  22	  mal da igreja é criticar a noiva de Cristo. Quem insiste nisso seca de dentro para...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  23	  O primeiro problema desta ideia é que ela estabelece um alvo de vida equivocado. E...
O	  CRISTÃO	  FRUTÍFERO	  —	  P.	  24	  Sendo assim, abandonemos a falácia da “geração jujubinha da felicidade”. Nosso alv...
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Aulas 01 04-cristao_frutifero2013

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Aulas 01 04-cristao_frutifero2013

  1. 1. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  1  1ª  aula  APRESENTAÇÃO  DO  CURSO  A fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo (Cl 1.28).VISÃO  GERAL  DA  1ª  AULA  Informações contidas neste capítulo: O núcleo bíblico do cristão frutífero. O alvo do curso Cristão Frutífero. Vocação, habilidades e jeito de ser.1.1  O  NÚCLEO  BÍBLICO  DO  CRISTÃO  FRUTÍFERO  A expressão “cristão frutífero”, conforme usada nestes estudos, é extraída de uma oração dePaulo, registrada no início de sua carta aos Colossenses:[3]Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós,[4]desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos ossantos; [5]por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistespela palavra da verdade do evangelho, [6]que chegou até vós; como também, em todo omundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em queouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade; [7]segundo fostes instruídos por Epafras,nosso amado conservo e, quanto a vós outros, fiel ministro de Cristo, [8]o qual também nosrelatou do vosso amor no Espírito.[9]Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vóse de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria eentendimento espiritual; [10]a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiroagrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; [11]sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverançae longanimidade; com alegria, [12]dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que voscabe da herança dos santos na luz (Cl 1.3–12).1.1.1  Uma  rápida  explicação  da  oração  de  Paulo  Paulo agradece a Deus pela fé daqueles crentes e suplica ao Senhor que lhes abençoe.Primeiramente ele reconhece alguns sinais de verdadeira conversão naqueles irmãos: Fé e amor,ouvir a Palavra entendendo a “graça de Deus na verdade” e ser transformado (v. 3-7).Daí ele pede a Deus algumas coisas em favor deles: Que eles transbordem “de plenoconhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (v. 9). E que talconhecimento produza santidade prática: Que eles vivam “de modo digno do Senhor, para oseu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus”(v. 10). Para isso eles precisam de provisão de poder espiritual a fim de terem paciência eaguentarem firmes, como verdadeiros adoradores (v. 11-12).
  2. 2. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  2  É o poder que suporta o insuportável e se derrama em alegria e gratidão ao Pai que nos fez forteso suficiente para que tenhamos parte em tudo de glorioso e belo que ele tem para nós.11 Salvação. Ele crê sinceramente em Cristo e vive em amor; isso indica que ele éregenerado e convertido (v. 4).2 Santidade. Ele vive para o agrado de Deus (v. 10).3 Serviço. Ele serve a Deus com boas obras (v. 10).4 Conhecimento espiritual. Ele cresce em “pleno conhecimento de Deus” (v. 10).5 Força. Ele é fortalecido “com todo o poder” espiritual (v. 11).1.1.2  A  vida  cristã  é  obra  da  graça  de  Deus  Cada um dos itens desse perfil é uma faceta do desfrute da pessoa e obra de Cristo. Oscristãos de Colossos estavam sendo atraídos por ideias estranhas, aparentemente uma misturade filosofia, rigorismo judaico e culto aos anjos (2.8, 11, 16-23). Daí a ênfase repetida doapóstolo na supremacia do Redentor (1.13-23).Sendo assim, cada aspecto desse perfil é obra da graça divina no cristão. Observemos queeles são tópicos de uma oração e não mandamentos. Com exceção do primeiro ponto, que éuma constatação da salvação daqueles crentes, os outros itens são anseios de Paulo. Os cincopontos agrupados formam o perfil de um cristão ideal. Isso quer dizer que nós tambémprecisamos orar por isso — para que nossas vidas sejam alinhadas, cada vez mais, a estepadrão bíblico de vida cristã. De certo modo, Paulo aplica o ensino de nosso Senhor: Aprodução de fruto permanente exige a prática da oração (Jo 15.16).2Em suma, no v. 6 o apóstolo se refere ao evangelho que “produz fruto e cresce”. Emseguida, no v. 10, ele ora para que os crentes frutifiquem em “toda boa obra” e cresçam no“pleno conhecimento” de Deus, ou seja, que eles sejam cristãos frutíferos (figura 01).Figura 01. O cristão completo ou frutífero1.1.3  A  vida  cristã  é  equilibrada  A Bíblia propõe a vida cristã equilibrada. Nós somos inclinados a assumir uma “versão”de vida cristã de um ou, talvez, de alguns pontos. Cada vez que deixamos de viver todos os1PETERSON, Eugene H. Mensagem: Bíblia em Linguagem Contemporânea. São Paulo: Vida, 2011, p. 1681.2“O meio de frutificação para a qual eles [os crentes] são escolhidos é a oração em nome de Jesus” (CARSON, D.A. O Comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 524).
  3. 3. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  3  cinco aspectos da vida cristã, nós descartamos o Cristianismo autêntico e encarnamos umadistorção ou caricatura. As cinco distorções mais comuns são mencionadas a seguir: O crente da fé ponto — o relaxado. Aquele que enfatiza a justificação pela graçamediante a fé sem a continuada dependência do Espírito, sem busca de crescimento nagraça e conhecimento de Cristo e sem fruto de santidade ou serviço. Ele insiste em quesomos eleitos ponto, quando a Bíblia ensina que nós fomos eleitos a fim de ou para asantidade, testemunho e frutificação (cf. Jo 15.16; Ef 1.4; 1Ts 1.4-7; 1Pe 1.2; 2.9). O crente rigorista ou santarrão insiste na necessidade de sermos santos. Ele é rigorosona observância de regras para manutenção da pureza e entende que sem o domínio dossentidos não é possível agradar a Deus. O problema é que ele faz isso sem destacar quea santidade é a aplicação graciosa da redenção pelo Espírito (Rm 8.1-11; Gl 3.1-5). Elese torna legalista e corre o perigo de considerar-se superior a qualquer pessoa que nãose sujeita a determinadas regras ou não seja tão santa quanto ele. O crente serviçal ou o ativista. Para este a coisa mais necessária é servir. Ele amamergulhar em ministérios e julga isso muito mais relevante do que qualquerconhecimento teológico. Como o trabalho para Deus é prioritário, importa assumirmais cargos. Sendo assim, ele se abre para dois perigos, quais sejam, o ativismo que oarrasta sob uma torrente de trabalho esgotante, e o pragmatismo que ignora a doutrinacristã e preocupa-se exclusivamente com resultados. O crente cerebral — o sabichão. Em alguns filmes de ficção científica, os alienígenassão mostrados como seres de corpo pequeno e cabeça enorme. Assim são os crentessabichões. Desenvolveram o conhecimento bíblico e teológico, mas permaneceramatrofiados no restante de suas funções. Conhecem os mínimos detalhes do queaconteceu no Concílio de Trento, mas não se preocupam com o cumprimento dasordenanças de Deus no poder do Espírito Santo. O maior perigo que correm é o doorgulho intelectual que afasta o coração de Jesus (Jo 7.48-49). O crente 220v ou o ungidão. No interior de São Paulo nós dizemos que uma pessoacheia de energia é ligada em 220v — “fulano é 220v”. O crente 220v é semelhante aum dispositivo altamente energizado. Enquanto ele fala é quase possível enxergarfaíscas saindo de suas orelhas. Ele toca nas pessoas e elas caem. Ele ora e o teto treme.O tempo todo ele busca mais poder espiritual orando no monte, jejuando eparticipando de campanhas de consagração. Ele aprecia o ministério solo e não se senteconfortável no trabalho em grupo, sujeitando-se a outros irmãos da igreja.Todas as posições acima destoam do padrão bíblico de vida cristã. Ao enfatizar umacoisa em detrimento de outras, elas impedem a formação do cristão frutífero. Sem enfatizar odesfrute e prática de todos os cinco aspectos da experiência cristã mencionados na oração dePaulo, nós permanecemos capengas.1.2  O  ALVO  DO  CURSO  CRISTÃO  FRUTÍFERO  Este curso sublinha o terceiro item do perfil do cristão frutífero — o cristão como servo. Eletem como alvo auxiliar e motivar você a servir a Deus dentro da igreja. Ao invés de entender aigreja como uma plateia — um ajuntamento composto de muitos expectadores que assistem eavaliam o desempenho de um pequeno corpo de obreiros remunerados e voluntários heroicos— temos de enxergá-la como família, corpo de Cristo e nação de sacerdotes (Ef 2.19-20; Rm12.4-5; 1Pe 2.9; Ap 1.5-6).
  4. 4. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  4  A consequência desta vivência familiar e orgânica, bem como do sacerdócio universal, é oserviço de cada crente com seus dons (Rm 12.6-8; Ef 4.15-16; 1Pe 4.10-11).Sendo assim, é bíblico e desejável que aproveitemos as oportunidades de serviçodisponíveis na igreja, testando nossas habilidades e confirmando nossa vocação. Nós podemosservir a Deus de acordo com o nosso chamado, com alegria e responsabilidade, ou seja,exercendo ministérios frutíferos.1.3  CHAMADO,  HABILIDADES  E  JEITO  DE  SER  O envolvimento com o trabalho na igreja exige a consideração de três coisas: O chamado parao serviço, que aponta para áreas de identificação ou encaminhamentos da providência; nossashabilidades provenientes dos dons da criação e dons espirituais; e o nosso jeito de ser ou omodo como funcionamos e interagimos uns com os outros (figura 02).3Figura 02. Chamado, habilidades e jeito de ser1.3.1  Nosso  chamado  para  o  serviço  Paulo tinha a convicção de que Deus o chamara para ser um apóstolo (1Co 1.1). Isso omotivou a trabalhar de todo coração, com responsabilidade e alegria (At 20.24; 2Co 6.4-10).Sem tal motivação o serviço se torna cansativo e desgastante (Sl 100.2; cf. Hb 13.17).Algumas vezes este chamado relaciona-se diretamente com as coisas que gostamos defazer. Outras vezes Deus nos chama para fazer coisas que nós jamais desejaríamos ouescolheríamos.4Enquanto a pessoa inconversa vive para satisfazer seus próprios desejos; oconvertido tem compromisso com o agrado do Senhor (Ef 2.3; 2Co 5.9). O chamado nosajuda a descobrir onde devemos servir.1.3.2  Nossas  habilidades  ou  dons  Deus nos deu habilidades — dons da criação e dons espirituais — para trabalharmos emsua igreja (1Co 12.7). Os sacerdotes do AT deviam consagrar seus dons a Deus (Lv 8.22-29).O jovem Timóteo foi admoestado a não negligenciar o seu dom (1Tm 4.14; 2Tm 1.6). A3O leitor atento verificará a semelhança com as categorias apresentadas no curso Rede Ministerial — o lugar docrente na igreja, a sua paixão e o seu estilo pessoal. As expressões “paixão” e “estilo pessoal” são intencionalmenteevitadas. Conforme pode ser constatado no decorrer deste texto, eu uso a formatação geral ao mesmo tempo emque rejeito alguns pressupostos, conclusões e proposições da Rede Ministerial.4Eis um primeiro ponto de discordância com o material original de Rede Ministerial. Corre-se perigo ao identificarprecipitadamente a vocação divina somente com as coisas com as quais nos entusiasmamos.
  5. 5. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  5  prática de tais recomendações implica em conhecer as habilidades que o Senhor nos concedeu,e em usá-las para a sua glória. Nossas habilidades ou dons indicam o que fazemos enquantoservimos.1.3.3  Nosso  jeito  de  ser  Cada um de nós é divinamente moldado com características exclusivas (Sl 139.13-18).Jesus chamou doze discípulos, cada um diferente do outro (Mt 10.1-4).Cada cristão é destacado para uma tarefa ímpar; não existem duas pessoas que façam amesma coisa de forma idêntica. O apóstolo Pedro, com sua personalidade e formação, foiusado na pregação do evangelho aos judeus (At 2.14-41). Paulo, dotado de outrascaracterísticas, foi útil e frutífero na proclamação da palavra aos gentios (At 9.15-16, 17.22-37; cf. Gl 1.15-17). Sendo assim, as tentativas de reproduzir o ministério de outra pessoageram frustrações.Alguns indivíduos mergulham em tarefas que exigem isolamento e concentração. Outrossão mais voltados para a interação com pessoas. Nosso jeito de ser indica como nós servimos.RESUMO  DA  AULA  1  A expressão “cristão frutífero”, conforme usada nestes estudos, é extraída de uma oração doapóstolo Paulo, registrada em Colossenses 1.3-12. O cristão frutífero é salvo, santo, servo,conhecedor e fortalecido por Deus. O desfrute e prática de todos os cinco aspectos daexperiência cristã mencionados na oração de Paulo caracterizam a vida cristã equilibrada.O curso Cristão Frutífero trabalha a terceira característica listada acima — o cristãocomo servo. Ele tem como alvo auxiliar e motivar você a servir a Deus dentro da igreja.Os cristãos devem compreender a igreja como família, corpo de Cristo e nação desacerdotes. A consequência desta vivência familiar e orgânica, bem como do sacerdóciouniversal, é o serviço de cada crente com seus dons.O envolvimento com o trabalho na igreja exige a consideração de três coisas: O chamadopara o serviço, que aponta para áreas de identificação ou encaminhamentos da providência;nossas habilidades provenientes dos dons da criação e dons espirituais; e o nosso jeito de serou o modo como funcionamos e interagimos uns com os outros.O chamado para o serviço nos ajuda a descobrir onde devemos servir; as habilidades oudons indicam o que fazemos enquanto servimos e nosso jeito de ser indica como nós servimos.
  6. 6. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  6  2ª  aula  CHAMADOS  PELO  EVANGELHO  PARA  O  SERVIÇO  Portanto, dize à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Convertei- vos, e apartai- vos dosvossos ídolos, e dai as costas a todas as vossas abominações (Ez 14.6).VISÃO  GERAL  DA  2ª  AULA  Informações contidas neste capítulo: A seriedade do chamado. Uma palavra sobre Amanda Lindhout. O chamado do evangelho. O chamado é para a vontade de Deus e possui várias camadas.2.1  A  SERIEDADE  DO  CHAMADO  Isso não é brincadeira ou conto de fadas. O assunto desta aula depreende-se da verdadeabsoluta de Deus. Eu escrevo assim para que você não desligue sua mente nem mergulhe nouniverso paralelo da abstração, considerando que isso não tem nada a ver com sua vidaprática. Sinceramente eu creio que Deus me chamou para insistir no assunto deste capítulo atéo fim de meu ministério. Quase três décadas de exercício de liderança cristã, participando decomissões de estudo, congressos e reuniões de concílios, me deixam convencido de que esta éuma das questões mais importantes para a igreja neste tempo.Eu estou falando do chamado para o serviço.Minha observação é a seguinte: Estamos perdendo a noção do que seja isso. Senãovejamos; há menos de meio século atrás uma das características principais de quem secandidatava ao Sagrado Ministério era a diligência, ou seja, era ordenado ao pastorado oindivíduo trabalhador. Tinha-se por certo de que servir a Deus como pastor equivalia atrabalhar muito. E isso era tido como bíblico, normal e desejável (2Co 11.23; Cl 1.29; 1Tm5.17). Hoje há pastores especialistas em muita coisa, mas nem todos são identificados pelosmembros de suas igrejas ou colegas de ministério como trabalhadores.O mesmo pode ser dito dos crentes em geral. Enfatiza-se muito a adoração, mas deixa-sede lado que Deus procura não apenas “adoradores”, mas, também “trabalhadores” (Jo 4.23-24; Mt 9.37-38). O grande fato é que, deste o início, adoração e trabalho são inseparáveis (Gn2.15).5Eu fico ouvindo estes especialistas em estratégia, missiologia urbana, comunicação eantropologia cultural, todos dedicados ao estudo do crescimento da igreja. Eu leio seus textose analiso seus ensaios e gráficos. Depois penso nas igrejas que estão realmente crescendo naatualidade e concluo que o que faz diferença, o que leva uma igreja a crescer é simplesmente oempenho prático de seus membros no trabalho. Igrejas que crescem trabalham; o povo sereúne para refletir e trabalhar. Simples assim. E isso de acordo com determinado padrão,belamente demonstrado nas duas primeiras linhas da 3ª estrofe do hino CoraçãoQuebrantado:5As palavras da Bíblia Hebraica traduzidas por “cultivar” e “guardar” são ligadas ao culto no tabernáculo do AT.
  7. 7. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  7  Todo o meu ser não considero meu;Quero gastá-lo no serviço teu.6Observe o padrão. Eu não pertenço a mim mesmo. Eu quero gastar-me no serviço deDeus. Isso nada mais é do que a aplicação da analogia da luz. Nós assumimos que somos “luzdo mundo” (Mt 5.14-16). O problema é que não somos alcançados pela força da analogia,porque em nosso tempo, para iluminar um ambiente, basta apertar um botão. No tempo doNT, porém, a iluminação era provida por lâmpadas alimentadas com azeite (Mt 25.1-3). Atécerca de 150 anos atrás, iluminava-se um ambiente com lampiões, lamparinas ou velas.O que tais dispositivos de iluminação tinham em comum? Eles proviam luz desgastando-se. O cristão não brilha como uma lâmpada elétrica, e sim, como uma vela. Ele derreteenquanto trabalha. Ele se gasta no serviço. Era assim antigamente.Mais uma vez, isso não é brincadeira. Temos de entender o que cantamos.Hoje toda a ênfase é em como manter o nosso bem-estar, em como Deus nos consolacom sua graça, em alívio e motivação; em Deus provendo o que eu necessito para ter umasemana vitoriosa. Até o século passado, os cristãos queriam “se gastar” no serviço. Oproblema maior da igreja é que levantou-se uma geração que perdeu a noção do que seja segastar no serviço de Cristo.2.2  UMA  PALAVRA  SOBRE  AMANDA  LINDHOUT  Provavelmente você nunca ouviu falar de Amanda (ou Linda) Lindhout. Ela é uma cristãprofissional de comunicação, que recebeu um chamado para o serviço. Sua história ébrevemente comentada pelo pastor Bill Hybels.Ela é uma jornalista canadense de 30 anos, que ouviu sobre as coisas terríveis queacontecem na Somália e então disse ao jornal onde trabalhava: “Estou indo para a Somáliapara escrever sobre as coisas terríveis que acontecem lá”. Pouco depois de ali chegar, ela foisequestrada e mantida por 15 meses. E durante aqueles 15 meses ela foi abusada, espancada,passou fome e foi maltratada de maneiras tais que devem envergonhar o mundo. E depoisque a família e amigos conseguiram o dinheiro do resgate a tiraram dali, ela voltou aoCanadá e se recuperou um pouco, e depois Deus chegou para ela e disse: “Volte. Volte, masnão como jornalista. Volte e ofereça ajuda humanitária às crianças da Somália”.Agora, pense. Especialmente vocês, mulheres, pensem: Como alguém faz isso? Esse é umchamado difícil. Ela disse “OK” e voltou a servir às crianças no país que a fez passar pelopior pesadelo imaginável. Isso é coragem. Não o que eu faço. Isso é coragem.7O que faz uma pessoa abrir mão de seu próprio conforto e, mesmo sofrendo maus-tratos,continuar firme em um lugar ou tarefa? A resposta simples é esta: O chamado de Deus para oserviço. É a mesma coisa que movia Paulo (At 18.9-11; 27.23-26; cf. 26.19). Amanda é umacristã que ouviu o chamado de Deus para o serviço. Ela tinha todas as razões pra dizer “estoutraumatizada e tenho de pensar em meu bem-estar” ou “agora eu não quero mais saber da fécristã; se Deus existisse e me amasse mesmo ele não permitiria que isso acontecesse”.6ORR, J. E.; KASCHEL, W. Hino 67. Coração Quebrantado. In: NOVO CÂNTICO. 15. ed. Reimp. 2007. SãoPaulo: Cultura Cristã, 2006, p. 62.7HYBELS, Bill. Um Chamado Difícil. In: The Global Leadership Summit 2011, p. 5. Cf. CBC NEWS. AmandaLindhout Talks Candidly About Abuse While In Captivity. Disponível em:<http://www.cbc.ca/news/canada/calgary/story/2013/02/15/calgary-amanda-lindhout-speaks.html>. Acesso em: 17fev. 2013.
  8. 8. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  8  Notem o contraste entre esta jovem de pouco mais de 30 anos e nós. Nós nos sentimoschateados se entendemos que ninguém nos dá suporte na igreja; eu não recebo a atenção quegostaria de receber. Esta é a geração atual de cristãos. Temos de voltar ao “todo o meu ser nãoconsidero meu; quero gastá-lo no serviço teu”.2.3  O  CHAMADO  DO  EVANGELHO  Ao pensarmos em servir a Deus, temos de considerar o nosso chamado. Existe uma noçãoequivocada de que chamado é somente para pastores ou missionários, mas receber umchamado divino é a experiência de todo cristão. A palavra usada pela Bíblia para referir-se aisso é “vocação” (1Co 1.26; Ef 4.1, 4; Fp 3.14; 2Tm 1.9; Hb 3.1; 2Pe 1.10).A vocação é um chamado para a salvação que produz conversão (figura 03). É uma obrado Espírito que aplica a palavra pregada no coração dos eleitos (At 16.13-15; Rm 8.28-30).O Espírito Santo opera de tal maneira sobre o povo eleito de Deus, que eles são levados aoarrependimento e à fé, e assim feitos herdeiros da vida eterna, por meio de Jesus Cristo,Senhor deles. Esta obra do Espírito, nas Escrituras, chama-se vocação.8Figura 03. O chamado para a conversão muda a vidaA ideia de chamado ou vocação é pactual: O Deus vivo estabelece um pacto conosco,abençoando-nos e responsabilizando-nos.9O modo como isso se dá é personalizado. Abraão,Moisés, Davi, Josias, Isaías, Jeremias e os apóstolos do NT exemplificam isso: Cada um foichamado em seu próprio tempo e lugar de um modo diferente.2.3.1  Tudo  novo  e  para  Cristo  O fato é que, em determinado momento de nossa história, Deus nos regenera. Entãoouvimos seu chamado ao arrependimento e fé. É quando nos convertemos a ele. Nósabandonamos a prática do pecado (Is 31.6; Jr 3.4; Ez 14.6; 18.30; 33.11; Os 14.2; Jl 2.12-13;Mc 1.15; At 3.19). Fazemos isso confiando unicamente em Cristo como nosso Salvador eSenhor (Mt 11.28-30; Jo 3.14-18; 3.36; 5.24; 6.40, 47; 12.46; At 10.43; 13.39; 16.31; Rm1.16; 10.4). A partir de então, a vida que era centrada em nossos próprios interesses passa aorganizar-se em torno da vontade de Deus (Mt 6.10; 7.21; 12.50; 26.42; Jo 4.34; 6.38; cf. Hb10.7; Jo 7.17; Rm 12.2; Ef 5.17; Cl 1.9; Hb 13.20-21; 1Jo 2.17). Enfim, o chamado para aconversão muda tudo (2Co 5.17; Cl 1.13-14).Não existe meia conversão. Assim como em Gênesis 1 Deus cria e organiza todas ascoisas por sua palavra, atualmente ele vem até nós e nos acha perdidos e mergulhados no caos.Então ele fala em nosso coração e nos alcança pelo Espírito. Ocorre nova criação ereorganização (2Co 4.6). Somos refeitos e santificados.8HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 961.9Nestes estudos o termo “pacto” aponta para a aliança que Deus estabeleceu com o homem na criação, reafirmadae garantida pelos pactos da redenção (firmado na eternidade entre o Pai e o Filho) e da graça (firmado entre Deus eo homem).
  9. 9. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  9  Preste atenção. Isso não é fábula. Isso é real.2.3.2  A  praga  do  cinismo  eclesiástico  Por que eu insisto nisso? Porque os membros de igrejas correm o risco de serem afetadospor um dos piores venenos espirituais — o cinismo eclesiástico. Eles se tornam cínicos com ascoisas da igreja. Eles ouvem verdades como essas e pensam: “Isso não é bem assim; isso não éreal”. Alguns cogitam: “Esse pastor é bem-intencionado, tadinho. Vive no universo daTeologia e não no mundo concreto”, ou ainda: “Esse pastor chegou agora e não conhecenossa igreja. Pastor, acorde pra vida! O senhor não sabe como as coisas funcionam; aqui ascoisas são diferentes, pastor!”Cinismo eclesiástico. Cuidado com isso. Não é porque alguns estão sendo reservadospara disciplina e juízo que nós devemos deixar de crer e viver na pureza e simplicidade doevangelho (2Ts 2.11-12; 2Pe 3.7; cf. Rm 9.19-29). Quando alguém dentro da igreja faz o quenão devia, ao invés de copiar o comportamento errado, eu preciso aplicar Mateus 18.15-20 eao mesmo tempo me preservar, para que eu não caia (1Co 10.12-13; Ap 2.25-29).E quando percebermos as “coisas antigas” — as tentações de outrora — querendo nosarrastar para desobediência a Deus, oremos: “Pai Celestial, aplica tua verdade em meucoração; eu não estou mais na carne, mas em Cristo; não estou mais nas trevas, mas na luz; enão apenas eu estou na luz, mas eu sou luz no Senhor” (Rm 6.1-14; Cl 1.13; Ef 5.1-20).2.4  O  CHAMADO  É  PARA  A  VONTADE  DE  DEUS  E  POSSUI  VÁRIAS  CAMADAS  Notemos o que o apóstolo diz em 1Pedro 4.1-6. A vida cristã é coisa séria. Cristo morreu parao pecado. Sendo assim, enquanto nós vivemos sobre esta terra, digamos não ao pecado evivamos conforme o propósito divino.Deus nos chamou pra que agora nós não vivamos mais segundo nossas vontades e sim,segundo a vontade dele. Pedro chega ao ponto de dizer “basta o tempo decorrido” (v. 3).Parem com isso, chegou a hora de viver segundo a vontade de Deus! Há crentes professos deuma década que insistem em prosseguir segundo os seus desejos e preferências. Basta!Entendamos o evangelho! Isso não é brincadeira. Agora nós vivemos para o agrado dele —esta é uma das características do cristão frutífero (cf. seção 1.1.1).Aquela jovem que foi para a Somália entendeu isso. Ela está fazendo diferença no mundocomo cristã, seguindo o chamado de Deus.Você não foi criado por Deus para apenas ganhar dinheiro. Você não está nesta vidaapenas para preocupar-se com as coisas deste mundo. Você está nesta vida — e isso não ébrincadeira — para cumprir o propósito de Deus que te moldou para que você faça algumacoisa para glória dele. Ele quer que você faça e não apenas ouça como deve ser feito, ou comodeterminado missionário está fazendo. Ele quer que você faça. Um hino coloca a questãonesses termos:O trabalho a que Jesus te chama aqui,Como será feito, se o não for por ti?10Cada um prestará contas diante de Deus pelo modo como respondeu a este chamado.Você está pronto para isso? Ademais, o chamado que começa na conversão se aprofunda emcamadas. Considerando que a conversão é uma moeda de dois lados (arrependimento e fé), há10WRIGTH, H. M. Hino 312. Há Trabalho Certo. In: NOVO CÂNTICO, op. cit., p. 284. Grifo nosso.
  10. 10. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  10  um chamado à santidade incluído na conversão. Conversão é isso: Começar a conhecer a Deus,amar a Deus e caminhar com ele. Mas isso desemboca em outras três coisas: Serviço na igreja,missão e mandato cultural (figura 04).Figura 04. Camadas distintas do chamado de DeusExiste uma chamado para o serviço na igreja, um chamado para a missão e um chamadopara o cumprimento do mandato cultural. Nós estudaremos tudo isso logo adiante, mas ficamaqui apresentadas as ideias gerais. Na próxima aula nós entenderemos o que são e comointeragem estas camadas do chamado divino.RESUMO  DA  AULA  2  Atualmente enfatiza-se muito a adoração, mas deixa-se de lado que Deus procura não apenas“adoradores”, mas, também “trabalhadores”. O que faz diferença, o que leva uma igreja acrescer é simplesmente o empenho prático de seus membros no trabalho. O problema maior daigreja é que levantou-se uma geração que perdeu a noção do que seja se gastar no serviço deCristo.Quando nós pensamos em como servir a Deus, temos de considerar melhor o nossochamado. A palavra usada pela Bíblia para referir-se a isso é “vocação”.O chamado é pactual — é a aplicação prática do pacto ou aliança de Deus conosco — e éexperimentado desde a conversão, quando respondemos ao evangelho com arrependimento efé. Esse chamado para a conversão muda tudo.Deus nos chamou pra que agora nós não vivamos mais segundo nossas vontades e sim,segundo a vontade dele.Há um chamado à santidade incluído na conversão. Conversão é isso: Começar aconhecer a Deus, amar a Deus e caminhar com ele. Mas isso desemboca em outras três coisas:Serviço na igreja, missão e mandato cultural.
  11. 11. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  11  3ª  aula  AS  CAMADAS  DO  CHAMADO  E  O  SACERDÓCIO  UNIVERSAL  DOS  CRISTÃOS  Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, teconsagrei, e te constituí profeta às nações (Jr 1.5).VISÃO  GERAL  DA  3ª  AULA  Informações contidas neste capítulo: Uma rápida descrição das camadas do chamado para o serviço. O chamado e o sacerdócio universal.3.1  UMA  RÁPIDA  DESCRIÇÃO  DAS  CAMADAS  DO  CHAMADO  PARA  O  SERVIÇO  Todas as palavras bíblicas que tratam do chamado referem-se a um “apelo de Deus a umatarefa ou função específica e sua relação especial com o seu povo”.11Esses dois aspectos —relacionamento e serviço — nos remetem a Marcos 3.13-15:[13]Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. [14]Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar [15]e a exercer aautoridade de expelir demônios.Deus nos chama soberanamente para “estarmos com ele” (relacionamento) e, em seguida,nos incumbe de uma ou mais tarefas (serviço). Quem se apega somente ao serviço transforma-se em ativista seco. Quem destaca exclusivamente a comunhão com Deus torna-se místicodespreocupado com as obras do reino. Nós somos corrigidos com a compreensão das camadasdo chamado.Relembrando, a consciência do chamado de Deus é iniciada na conversão e se aprofundaao longo da vida nos chamados para o serviço na igreja, para a missão e para o cumprimentodo mandato cultural (cf. seção 2.4, figura 04).3.1.1  O  chamado  para  o  serviço  na  igreja  O cristão é chamado para servir a Deus na igreja, ou melhor, servir a Deus servindo aigreja. Eu afirmo isso sabendo que a pessoa pode amar a igreja como instituição religiosadistanciando-se de uma experiência pulsante e real com o evangelho. Eu falo de amar a Deusamando aos irmãos, nos termos de 1João 4.7-8:[7]Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele queama é nascido de Deus e conhece a Deus. [8]Aquele que não ama não conhece a Deus, poisDeus é amor.E ainda:11MYERS, Allen C. The Eerdmans Bible Dictionary. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1987, p. 183. Grifos nossos.Os termos bíblicos são qārā (Êx 3.4 na Bíblia Hebraica) e o termo grego kaleō (Mt  25.14) e seus cognatos gregosproskaleō  (Mc  3.13); klēsis  (Rm  11.29); klētos  (Rm  1.1); legō  (no  sentido  de  nomear,  perguntar  ou  responder;  Mt  1.16;  Mc  2.16;  4.11); phōneō  (Mc  10.49) e chrēmatizō  (denominar  ou  advertir  com  instrução;  At  11.26;  Hb  8.5).
  12. 12. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  12  [1]Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhãodo Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, [2]completai a minha alegria, de modoque penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmosentimento. [3]Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerandocada um os outros superiores a si mesmo. [4]Não tenha cada um em vista o que épropriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros (Fp 2.1-4).Isso implica em trabalhar nas coisas ligadas ao culto, à liderança cristã e aos esforçosgerais e comuns do corpo de Cristo (Êx 31.1-11; Js 1.1-9; Jz 6.11-24; Ef 4.15-16; Fp 1.27-30;1Ts 1.2-4). Depois de ensinar aos crentes de Corinto que eles deviam servir uns aos outroscom seus dons espirituais (1Co 12.1—14.40), Paulo sublinha que o trabalho realizado paraDeus — como sugere o contexto, na e para a igreja — não é vão (1Co 15.58).Na aula passada eu mencionei o perigo do cinismo eclesiástico (cf. seção 2.3.2). Hádiversas coisas que se instalam em nossa alma ao ponto de nos retirar da esfera do serviço daigreja. Há quem assuma: “Ah, eu não tenho mais nada a fazer nesta igreja; não tenho maisidade para trabalhar”, desconsiderando que Moisés iniciou seu ministério aos 80 anos deidade (At 7.23-24, 30-31). Outros lamentam por algo que lhes aconteceu tempos atrás: “Porcausa daquilo eu nunca mais farei nada nesta igreja”. Estes se esquecem de que Jesus, mesmotendo razões de sobra para não mais contar com seus discípulos, “amou-os até o fim” (Jo13.1).Tais pessoas não entendem o que estão perdendo. Elas não levam em conta que foramchamadas por Deus para viver para a vontade dele e não para as suas próprias vontades. Elasacham que o chamado para o serviço na igreja é um detalhe que pode ser dispensado. “Comoeu sou salvo pela graça apesar da igreja, não preciso me envolver com ela mais do que omínimo necessário” — eis o que pensam. Ao fazer isso, mesmo considerando-se cuidadosas nadoutrina, tornam-se falhas na prática. Não era este o problema de nossos irmãos de Éfeso?(Ap 2.2, 4). O fato é que a vocação para o serviço não é uma opção.3.1.2  O  chamado  para  a  missão  Nós somos chamados à missão. Cristo convocou Pedro e André para se tornarem“pescadores de homens” (Mt 4.18-19). Após a ressurreição eles foram incumbidos de pregar oevangelho e fazer discípulos na dependência do Espírito Santo (Lc 24.48; Jo 20.21-22; Mt28.18-20; At 1.8). Paulo recebeu uma vocação semelhante (At 26.12-18). Ele considerou aevangelização como “obrigação” (1Co 9.16-18). Os demais apóstolos e as igrejas de Filipos eTessalônica entenderam o chamado para a missão e cumpriram a tarefa (Fp 1.5; 1Ts 1.8).Além do esforço dos apóstolos e evangelistas, a força vital para a evangelização residiano testemunho dos crentes em suas esferas de influência. Levi convidou seus colegas detrabalho para uma refeição (Mc 2.14-15). O geraseno foi enviado à sua casa (Mc 5.19). Pedroconheceu Jesus através de seu irmão André (Jo 1.41). Natanael, por meio de Felipe (Jo 1.45).Na cura do filho do “oficial do rei”, creram “ele e toda a sua casa” (Jo 4.53). Cornélio ouviua pregação de Pedro juntamente com “seus parentes e amigos íntimos” (At 10.24). Lídia foibatizada juntamente com “toda a sua casa” (At 16.15). De modo semelhante o carcereiro deFilipos (At 16.30-34). A evangelização não era um programa, mas o transbordamento da vidaespiritual dos crentes para aqueles à sua volta.Uma pesquisa realizada 20 anos atrás demonstrou que “uma maioria esmagadora doscristãos atualmente ativos (76%) têm suas raízes espirituais no relacionamento com um amigo
  13. 13. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  13  ou parente, por meio do qual veio a Jesus e à igreja”.12Os pesquisadores chamaram isso de“fator oikos”, “casa”(Gr.) e apresentaram a experiência de Michael Lehfeldt (figura 05):Figura 05. Oikos: Michael Lehfeldt cumprindo a missão“Oikos” é a palavra grega para “casa”. Na cultura greco-romana o termo “oikos” não sereferia somente à família direta com a qual a pessoa morava, mas também incluía escravos,amigos e até colegas de trabalho. “Oikos” descrevia a esfera de influência de uma pessoa, arede de seus relacionamentos.1312SCHWARZ, Christian. Evangelização Básica: Uma Maneira Agradável de Ensinar as Boas Novas. Curitiba:Editora Evangélica Esperança, 2003, p. 25. Grifo nosso.13SCHWARZ, op. cit., p. 27.
  14. 14. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  14  Lehfeldt era pedreiro em Hamburgo.14Ele conheceu a graça de Deus aos 24 anos deidade, em setembro de 1978. Daí ele testemunhou à sua irmã, Florence Krohn. A semente doevangelho continuou dando frutos de modo que, até 1990, outras 15 pessoas haviam sidotrazidas para o conhecimento de Cristo.15Ainda que tenha havido diferença nos eventos emétodos empregados, o princípio que une todas as iniciativas é o relacionamento que abre aporta para o testemunho.Isso se aplica a nós. Não há um cristão sequer que não seja chamado para a missão.Pensemos no ladrão pregado na cruz ao lado de Jesus e que creu no Senhor. Ele não tevetempo de realizar qualquer ação missionária, mas até hoje sua vida é um testemunho (Lc23.39-43). Não há desculpa para negligenciarmos a evangelização. O chamado para a missãonão é uma opção.3.1.3  O  chamado  para  o  cumprimento  do  mandato  cultural  Por fim, nós somos chamados para cumprir o mandato cultural — glorificar a Deus nodesempenho de nossa carreira ou trabalho. Esta camada do chamado foi destacada porMartinho Lutero. Ele aplicou a expressão alemã beruf, “vocação”, às profissões em geral.Um sapateiro, um ferreiro, lavrador, cada um tem o ofício e a ocupação próprios de seutrabalho. [...] cada qual deve ser útil e prestativo aos outros com seu ofício ou ocupação, deforma que múltiplas ocupações estão todas voltadas para uma comunidade, para promovercorpo e alma, da mesma forma com que os membros do corpo servem todos um ao outro.16Este chamado é uma aplicação de Colossenses 3.17, 22-25. Tudo o que fazemos deve serpara Deus e em nome do Senhor Jesus Cristo. E isso é para todos os crentes, ou seja, aconvocação divina para o cumprimento do mandato cultural não é uma opção.3.1.4  O  problema  dos  cristãos  sadios  na  doutrina  e  doentes  na  prática  Alguns de nós já ouviram falar de ortodoxia. Ortodoxia é o ensino conforme a sãdoutrina, fiel à Palavra de Deus. O oposto de ortodoxia é heterodoxia ou heresia. Por isso oheterodoxo é chamado de herege. Ao longo de sua história a igreja dedicou esforçossignificativos ao combate às heresias e estabelecimento da ortodoxia.Poucos ouviram falar de ortopraxia. No vocabulário médico, ortopraxia é a “correçãomecânica de deformações”.17Na vida cristã, é a prática conformada à sã doutrina, ou seja,obedecer a Deus. O oposto de ortopraxia é heteropraxia, viver contrário à vontade de Deusrevelada na Bíblia, ou seja, desobediência. Cristãos podem ser sadios na doutrina e doentes naprática, aceitando as doutrinas relativas à salvação e descartando o chamado para o serviço. Épossível dizer que amamos a Deus nos esquivando da palavra de Cristo:Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que meama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele (Jo 14.21).14Lehfeldt foi um dentre os vários cristãos pesquisados por Schwarz. Cf. op. cit., p. 29-31.15Até 1993, mais seis pessoas haviam sido acrescentadas à lista. Ibid., p. 30.16LUTERO, Martinho. À Nobreza Cristã da Nação Alemã, p. 81, apud BOBSIN, Oneide. Luteranos na ÉticaProtestante, in Revista Eletrônica do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Protestantismo (NEPP) da Escola Superiorde Teologia, v. 6, jan.-abr. de 2005, p. 12. Disponível em: <http://www3.10 est.edu.br/nepp>. Acesso em: 22 out.2012.17FERREIRA, op. cit., loc. cit.
  15. 15. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  15  A saúde da igreja é prejudicada quando os seus membros não atendem ao chamado parao serviço em todas as suas dimensões. Isso é muitas vezes respaldado pelo desconhecimento oucompreensão deficiente do ensino da Bíblia sobre o sacerdócio universal.3.2  O  CHAMADO  E  O  SACERDÓCIO  UNIVERSAL  A gente acha normal Deus ter chamado Abraão ou Gideão no passado, mas entende que hojeas coisas são diferentes. Talvez “chamado” seja para missionários ou pastores, mas não paraos crentes em geral. “Quem sabe” — pensamos — “isso de Deus chamar cada cristão paraviver absolutamente dentro de sua vontade não passe de fábula”.3.2.1  O  clericalismo  como  distorção  da  doutrina  do  chamado  A ideia comum é que os crentes são separados em duas categorias: Os clérigos(especialistas) e leigos (cristãos comuns — tabela 01).A ideia popular sobre o chamado para o serviçoOS CLÉRIGOS — O CLERO OS LEIGOS — O LAICATOÚnicos chamados para o serviço sacerdotalEspecialistas em TeologiaChamados para sustentar a igreja e os clérigosDesconhecedores ou alheios à TeologiaServiço remunerado Serviço voluntário esporádicoTabela 01. Cristãos clérigos e leigosEsse modo de enxergar as coisas é antibíblico. No NT klēros significa “uma parte” —um pedaço ou porção (At 1.17). Nos primeiros dias da igreja os cristãos se autodenominavam“clero” por entender que eram “escolhidos para serem de Deus, a ‘parte’ [ou porção] doSENHOR (como em Dt 32.9)”.18Menos de dois séculos depois, “já nos tempos de Tertuliano[klēros] era usada em referência aos oficiais ordenados da igreja, ou seja: Bispos, sacerdotes ediáconos”.19O termo “clérigo” passou a identificar o indivíduo “chamado por Deus” e quepertence à classe eclesiástica; o sacerdote, pastor ou obreiro remunerado da igreja.Os leigos são também chamados laicato, por causa da palavra grega laos, “povo” (laikos,laico ou leigo, é o que provém do laos).20O dicionário define “leigo” como alguém “que éestranho ou alheio a um assunto; desconhecedor”.21Na igreja, trata-se da pessoa que não seocupa da Teologia, ou seja, o crente que não foi chamado para o ministério. O que cabe a esteé sustentar a igreja com seus dízimos e ofertas, além de frequentar esporadicamente as reuniões.Alguns “leigos” podem até ajudar como voluntários, mas esse não é o procedimento padrão,uma vez que o trabalho de Deus deve ser feito pelos clérigos.Esse entendimento errôneo da igreja como clero e laicato é chamado de clericalismo.18MORRIS, L. Clérigos. In: ELWELL, Walter A. (Ed.). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. SãoPaulo: Vida Nova. 1988, p. 290-291. v. 1 A—D.19MORRIS, op. cit., p. 291. Grifo nosso.20Na cultura ocidental, “leigo” é o oposto de religioso. A Bíblia usa laos para referir-se a povo em geral, mas insisteem qualificar os crentes como povo especial de Deus. “Deus tomou dentre os ethnē [grupos étnicos ou nações] um laospara o seu nome (At 15.14)” (BIETENHARD, H. Povo. In: COENEN, Lothar; BROWN, Colin. (Orgs.). DicionárioInternacional de Teologia do Novo Testamento. 2ed. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 1743. v. 2). Cf. ainda:NASCIMENTO FILHO, Antonio José do. O Laicato na Teologia e Ensino dos Reformadores. Disponível em:<http://www.thirdmill.org/files/portuguese/31822~9_18_01_3-22-31_PM~laicato.htm>. Acesso em: 21 fev. 2013.21FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Leigo. In: Dicionário Aurélio Eletrônico 7.0. Curitiba: EditoraPositivo, 2009. CD-ROM). Grifos nossos.
  16. 16. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  16  Larry Richards propõe um esquema visual do clericalismo, reproduzido com pequenasmodificações na figura 06:Em primeiro lugar, a igreja é o pastor. (Quantas vezes falamos de uma igreja local nestestermos: “A igreja do pastor tal, no centro”?) Em segundo lugar, visualiza-se os membrosleigos da igreja assim, como normalmente estão, sentados em fileiras, encarando o pastor,prontos para serem servidos. Depois podemos imaginar os líderes leigos de um lado, porquesão invisíveis para a congregação que nem sabe para que eles existem, a não ser quando sereúnem em diretoria uma vez por mês ou servem a ceia.22Observe os detalhes: “O pastor — o que serve. Os leigos — não servem, mas são servidos.Líderes [e voluntários] leigos — presentes, mas com função incerta”.23Figura 06. Como funciona uma igreja que assume o clericalismoO clericalismo não é assumido por má fé. Muitos dos que entendem o chamado para oserviço dentro desta moldura clerical o fazem na melhor das intenções. A questão é que issonão é bíblico, e aquilo que não é bíblico provoca problemas sérios.Considerar apenas o pastor capaz de realizar o ministério produz uma distorção. Todo otrabalho da igreja é centralizado nele e os leigos são tidos como seus colaboradores e vivendoem sua órbita. Ele é não apenas o clérigo ou vocacionado. Ele também é remunerado e oscrentes, sem perceber, assumem mais e mais o papel de clientes que cobram o bom serviçopastoral sem engajar-se diretamente no trabalho da igreja.O papel do pastor é apresentar “todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28). Isso implicaem treinar os crentes para que estes sirvam em suas áreas de chamado. Uma das tarefas dopastor, conforme a Bíblia, é investir nos crentes que querem trabalhar, capacitando-os para odesempenho do seu serviço (Ef 4.11-12). O clericalismo, no entanto, produz igrejasacomodadas e pastores que se encaixam na descrição sugerida por Kyle Hasselden:“Escoteiro agradável, sempre prestativo, sempre pronto para ajudar; como o queridodas senhoras idosas e como suficientemente reservado com as mais jovens; como aimagem paternal para os moços e companheiro para os homens solitários; como ocordial recepcionista afável nos chás e nos almoços dos clubes cívicos”. Se isto, dealgum modo, retrata a realidade, mesmo que as pessoas gostem do pregador, certamentenão irão respeitá-lo.2422RICHARDS, Lawrence O. Teologia da Educação Cristã. 3ed. Reimp. 2008. São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 107.23RICHARDS, op. cit., loc. cit.24HADELSEN, Kyle. The Urgency of Preaching, p. 88-89, apud ROBINSON, Haddon W. Pregação Bíblica: ODesenvolvimento e a Entrega de Sermões Expositivos. 1ed. Atualizada e Ampliada. Reimp. 2011. São Paulo: VidaNova, 2002.
  17. 17. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  17  3.2.2  O  clericalismo  é  corrigido  pelo  sacerdócio  universal  dos  crentes  A Bíblia ensina o sacerdócio universal dos crentes. No AT o sacerdote era o mediadorentre Deus e Israel. Com sua obra redentora, Jesus assumiu o ofício de sumo sacerdote doscristãos (Hb 5.5-10). Em seguida, por seu sangue, ele “nos constituiu reino, sacerdotes para oseu Deus e Pai” (Ap 1.6). Isso quer dizer, em primeiro lugar, que não há mais uma classesacerdotal distinta da igreja como um todo; todos os crentes podem achegar-se a Deusoferecendo “sacrifício de louvor” aceitável por meio de Cristo (Hb 13.15; cf. Rm 12.1-2).Em segundo lugar, o serviço a Deus, que no AT era restrito aos sacerdotes e levitas,agora é atribuído a cada um dos crentes, de modo que a igreja-serva é estabelecida comobênção de Cristo ao mundo (Lc 24.48; Jo 17.20-23; At 1.8; Ef 3.10-12 — figura 07).Figura 07. O sacerdócio de todos os crentesSendo assim:Permanece, no entanto, um sacerdócio que pertence àqueles que, pela fé, foram unidos comCristo. Costuma-se chamá-lo “o sacerdócio de todos os crentes”. [...] É por isso que somosexortados a “apresentar os nossos corpos”, isto é, a nós mesmos, “por sacrifício vivo, santoe agradável a Deus”(Rm 12.1); e, ao nos sacrificarmos de boa vontade, expressamos o nossosacerdócio espiritual nos atos de louvor e gratidão, e no serviço altruísta ao nosso próximo,quando ministramos às suas necessidades.[...][O reino de Cristo], acima de tudo, não possui nenhum sistema sacerdotal. Não interpõenenhuma tribo ou classe sacerdotal entre Deus e o homem, por cujo exclusivo intermédioDeus é reconciliado e o homem perdoado. Cada membro individual tem comunhão pessoalcom a Cabeça Divina. A pessoa tem responsabilidade imediata diante dele, e é diretamentedele que ela obtém perdão e adquire força.25O que isso nos diz? Nós somos um corpo de sacerdotes (1Pe 2.9-10). Deus nos chamapara o serviço que ele “de antemão preparou” para nós (Ef 2.10; Jr 1.4-5; Gl 1.15-17). Sendoassim, podemos declarar como o autor do Catecismo de Heidelberg: “Como sacerdote,ofereço minha vida a ele como sacrifício vivo de gratidão” (pergunta 32).RESUMO  DA  AULA  3  Em todo chamado divino devem ser consideradas duas coisas (exemplificadas em Mc 3.13-15),relacionamento e serviço.25HUGHES, P. E. Sacerdócio. In: ELWELL, Walter A. (Ed.). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. SãoPaulo: Vida Nova, 1990, p. 329. v. 3 N—Z.
  18. 18. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  18  O chamado para o serviço na igreja é uma convocação a amar a Deus amando aosirmãos, nos termos de 1João 4.7-8. Isso implica em trabalhar nas coisas ligadas ao culto, àliderança cristã e aos esforços gerais e comuns do corpo de Cristo.Nós somos chamados à missão. Não há desculpa para negligenciarmos a evangelização.O chamado para a missão não é uma opção. Por fim, nós somos chamados para cumprir omandato cultural — glorificar a Deus no desempenho de nossa carreira ou trabalho.A ideia comum é que os crentes são separados em duas categorias: Os clérigos(especialistas) e leigos (cristãos comuns). Esse modo de enxergar as coisas é antibíblico. Talentendimento errôneo da igreja como clero e laicato é chamado de clericalismo.No clericalismo apenas o pastor é considerado capaz de realizar o ministério. Todo otrabalho da igreja é centralizado nele e os leigos são tidos como seus colaboradores e vivendoem sua órbita. Só ele é considerado vocacionado. Isso produz distorções, pois, de acordo comEfésios 4.11-12, uma das tarefas do pastor é investir nos crentes que querem trabalhar,capacitando-os para o “desempenho do seu serviço”.De fato, a doutrina do sacerdócio universal dos crentes ensina que o serviço a Deus, queno AT era restrito aos sacerdotes e levitas, agora é atribuído a cada crente, de modo que aigreja-serva é estabelecida como bênção de Cristo ao mundo.
  19. 19. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  19  4ª  aula  MOLDADOS  E  CHAMADOS  PARA  O  SERVIÇO  CONTENTE  E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras eobras (At 7.22).VISÃO  GERAL  DA  4ª  AULA  Informações contidas neste capítulo: O chamado e a providência. O chamado, o contentamento e a fidelidade.4.1  O  CHAMADO  E  A  PROVIDÊNCIA  Além do significado relacionado à vida religiosa, entende-se vocação como uma “disposiçãonatural e espontânea que orienta uma pessoa no sentido de uma atividade, uma função ouprofissão; pendor, propensão, tendência”.26É nesse sentido que dizemos que uma pessoa temvocação para as artes, a medicina ou os negócios.Vocações são formatadas a partir das experiências da infância e no contexto das relaçõescom nossos pais. Wolfgang Amadeus Mozart demonstrou genialidade musical desde cedo. Aos14 anos compôs Mitridate, sua primeira ópera de grande sucesso. Ele foi influenciado por seupai, o músico e compositor Leopold Mozart.27De modo semelhante, é difícil dissociar asfiguras de Neymar da Silva Santos Júnior (o jogador que empolga os torcedores do Santos e daSeleção Brasileira) e Neymar da Silva Santos, seu pai e empresário.28Vocação infundida narelação pai-filho. No 6º episódio da 1ª temporada da série The Following, a agente do FBIDebra Parker afirma que nós somos “definidos” por nossos pais. Ela tornou-se umaespecialista no estudo de seitas porque, na infância, foi distanciada de seus pais que setornaram seguidores fanáticos de um guru sedento de poder.29De fato, até os erros humanoscontribuem para a definição da vocação. Como afirma Stevens:Os tapetes artesanais persas são repletos de erros. Mas os tapetes acabam sendo lindosporque quando o mestre-artesão vê um erro na trama, incorpora, junto com seusajudantes, o erro em traçado agora alterado. Nosso Deus soberano nunca comete umerro, nunca falha.30Isso equivale a dizer que a vocação ou chamado para o serviço cumpre o propósitodivino revelado em sua criação e providência. Deus nos criou e nos inseriu no lar em quecrescemos. Ele permitiu que passássemos por cada experiência a fim de nos moldar para26HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. (Ed.). Vocação. In: Dicionário Eletrônico Houaiss da LínguaPortuguesa. Versão 1.0. Editora Objetivo Ltda., 2009. CD-ROM).27SUA PESQUISA.COM. Mozart: Biografia de Mozart, Suas Principais Obras, Óperas, Sonetos, Concertos,Composições Para Piano, Sonatas, Serenatas e Outras Composições Musicais. Disponível em:<http://www.suapesquisa.com/pesquisa/mozart.htm>. Acesso em: 1 mar. 2013.28Cf. NEYMAR JÚNIOR: OFICIAL. Carreira. <http://www.neymaroficial.com/nav/carreira.php>. Acesso em: 1mar. 2013.29THE FOLLOWING. Produção de Kevin Williamson. Local: Estados Unidos, 2013, episódio 6: The Fall.30STEVENS, Paul. A Hora e a Vez dos Leigos. São Paulo: ABU Editora, 1998, p. 91. Grifo nosso.
  20. 20. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  20  sermos e fazermos as obras que ele “preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Sendoassim, “é bom discernir a soberania de Deus em nossa formação e maneira de ser. É melhorviver para Deus no lugar em que estamos, seja onde for. Nisso reside o crescimento e agraça”.31Essa compreensão é vital para a saúde da fé e das emoções (figura 08).Figura 08. Diversas influências para o chamadoPensemos em José do Egito. Deus esteve com ele em todos os momentos. José passou umtempo preso, em uma situação que não havia escolhido, para a qual não estava naturalmenteadaptado e que certamente era desagradável. Sua vocação, o resultado de todo o processohistórico de sua vida, não era o resultado de uma série de escolhas indolores e alegres.Podemos nos sentir profissionalmente frustrados ou vocacionalmente insatisfeitos mas,mesmo assim, temos de saber que nossa vida transcorre debaixo do controle de um Deussoberano. Em outras palavras, é possível passar por dificuldades e enxergar motivos defrustração, mesmo quando estamos no centro da vontade divina. A aceitação serena deste fatoé o que separa o infantilismo da maturidade (figura 09).Figura 09. A criação, a providência e o chamado[11]Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudoquanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.[12]Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigoestá o engrandecer e a tudo dar força (1Cr 29.11–12).31STEVENS, op. cit., p. 90.
  21. 21. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  21  Outro exemplo disso é Moisés. Ele “foi vocacionado e preparado para receber ecomunicar grandes verdades da revelação de Deus. De maneira erudita, e com unção especial,ele transmitiu à sua gente aquilo que recebera do céu”.32Ele foi preservado do infanticídioordenado pelo Faraó, acolhido na corte egípcia, nutrido e criado em sua primeira infância porsua própria mãe israelita e, em seguida, pela filha do Faraó (Êx 1.8-16, 22; 2.1-10). Daafirmação de Atos 7.22 depreende-se que ele recebeu treinamento de alto nível, provavelmente“ao lado de herdeiros reais da Síria e outras terras”.33Santos sugere que:Sem dúvida Moisés desenvolveu-se no campo da filosofia, religião, legislação, geometria,escrita e tudo o que os mais sábios de então poderiam oferecer-lhe. Era a provisão de Deuspara o homem que deveria ser príncipe de um povo em formação durante quarenta anos emum deserto. Mas sua missão era ainda maior do que a de um príncipe. Seria o portador darevelação divina e o iniciador do seu registro; introduziria conceitos de pecado, redenção,perdão e santificação que formariam o arcabouço para toda a revelação divina posterior;assentaria as bases da religião judaica, a qual conteria em si os princípios das verdadesdivinas que seriam desenvolvidas nos séculos seguintes e alcançariam sua plenitude na vindado Messias. Assim, deveria receber preparo espiritual suficiente para torná-lo varão de Deus.Onde melhor que um deserto?34O chamado divino pode nos dirigir a experiências aparentemente novas, para a qualentendemos não ter habilidades ou recursos (Êx 4.10; cf. 2Co 2.16). Por outro lado, ochamado sempre tem a ver com a totalidade daquilo que somos, definida por nossaexperiência histórica, talentos e qualificações.4.2  O  CHAMADO,  O  CONTENTAMENTO  E  A  FIDELIDADE  O cristão frutífero é alegre. Ele ora e se regozija mesmo diante das coisas negativas (Fp 1.3-4,17-18). Ele aprende a alegrar-se em Deus para o bem de sua alma (Fp 3.1). Quem nãoconsegue alegrar-se não produz fruto, pois a amargura impede a frutificação (Hb 12.14-17;13.17). Mas o cristão deve ir além. Ele precisa chegar ao contentamento: “Aprendi a vivercontente em toda e qualquer situação” (Fp 4.11).4.2.1  O  desafio  do  contentamento  e  a  ameaça  do  cinismo  eclesiástico  Contentar-se é dar-se por satisfeito. Em outras palavras, sentir-se pleno. Nada mais énecessário. Estamos bem; estamos satisfeitos. Isso nada mais é do que a prática da Palavra deDeus: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu” (Sl 40.8). E ainda: “Bem-aventuradoaquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitoscom a bondade de tua casa — o teu santo templo” (Sl 65.4). Aplicado ao serviço da igreja,contentar-se é satisfazer-se “com a bondade” da igreja!Lembre-se do vilão que assombra o serviço cristão, o cinismo eclesiástico. Esta doençanos torna especialistas em enxergar os defeitos da igreja e nos impede de ver sua bondade. Há“bondade” na igreja porque o Redentor reside nela. A casa do Redentor é boa. A igreja é acasa de Cristo, a casa do Pai e a casa do Espírito Santo. Ela abriga vidas transformadas. Elaabriga vidas imperfeitas que desfrutam, todas as semanas, do perdão divino. Ela abriga aPalavra e os sacramentos. Na comunhão da igreja Deus dispensa sua bênção (Sl 133.3). Falar32SANTOS, Jonathan F. dos. O Culto no Antigo Testamento: Sua Relevância Para os Cristãos. São Paulo: VidaNova, 1986, p. 7.33SCHULTZ, Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 49.34Op. cit., p. 11-12.
  22. 22. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  22  mal da igreja é criticar a noiva de Cristo. Quem insiste nisso seca de dentro para fora; nãoproduz flor, muito menos fruto (cf. Mt 21.18-19).Quando olhamos apenas os defeitos da igreja nós nos afastamos do serviço ou servimospor obrigação ou maliciosamente, quais urubus, deliciando-nos com o falatório acerca doserros de outras pessoas — geralmente sem reconhecer nossos próprios erros. Isso é contradizero verdadeiro chamado divino.O rei Davi ensinou que o crente deve ter fé, alimentar-se da verdade e agradar-se doSenhor (Sl 37.3-5). O salmista une o serviço a Deus à alegria (Sl 100.2). Os setenta voltaramde seus trabalhos alegres (Lc 10.17-20). Paulo, ainda que suportando adversidades, expressavasatisfação no ministério de Cristo (2Co 6.4-10).Dito de outro modo, a obediência ao chamado de Deus produz autarkeia,“contentamento”; “suficiência”, ou seja, “um espírito contente com a sua sorte ou porção”.35Como afirma Hybels:Nunca conheci um único líder [e isso se aplica a todo cristão] que tenha se arrependido porter aceitado e cumprido um chamado difícil. Eles chegam ao fim da vida e dizem: “Puxa, foidemais. Sabe, foi demais”. Eles têm histórias para contar, livramentos que podem atribuir aDeus. Respostas de oração. Eles têm uma coleção valiosa de lembranças da fidelidade e dagrandeza de Deus.364.2.2  A  heresia  da  idolatria  da  satisfação  de  nossos  desejos  A alegria pode decorrer da afinidade da tarefa recebida com aquilo que nós gostamos defazer. Eu conheço cristãos que amam surfe e iniciaram um ministério de testemunho a surfistas.Outros confeccionam artesanato, organizam coleções, praticam esportes ou conversam compessoas. Deus pode inclinar os nossos corações para determinadas coisas e então nos chamarpara servi-lo com elas.O chamado cristão, no entanto, vai além de meramente nos inserir em serviçoscondizentes com nossos gostos ou habilidades. Isso precisa ser muito bem esclarecido porque aigreja de Cristo tem sido iludida com uma heresia. Esta heresia é, na verdade, uma versãopseudoevangélica de uma ideia popular: Dizem que a gente é feliz quando faz o que gosta. Esteé o pressuposto por detrás da maioria dos testes vocacionais; encontre algo de que goste emergulhe nisso. Quem faz o que gosta é feliz.Esta ideia atrativa tem uma versão aparentemente cristã. Deixe eu explicar melhor. Háquase 20 anos eu ouço que os serviços da igreja devem ser orientados por dons. Essa é umamaneira de sugerir que, conforme os dons espirituais sejam detectados, devemos organizar oserviço em torno deles.Isso dá origem ao serviço iupi! A proposta é articulada mais ou menos assim: “Se eugosto desenhar, Deus me deu dons artísticos, por isso, meu chamado é para o ministério dearte cristã”. Ao fazer o que eu gosto na igreja eu sou feliz ou, em outras palavras, eu merealizo no ministério cristão”. Como isso funciona na prática? Você gosta de música? Lidere olouvor. Gosta de pintar? Faça cartazes. Gosta de organizar? Lidere uma sociedade interna. Osresultados são, às vezes, desastrosos, porque tal ensino, apesar de simpático, é antibíblico.35LOUW, Johannes P.; NIDA, Eugene Albert. Greek-English Lexicon Of The New Testament: Based On SemanticDomains. Electronic ed. of the 2nd edition. New York: United Bible Societies, 1996, 298. v. 1.36HYBELS, op. cit, p. 7.
  23. 23. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  23  O primeiro problema desta ideia é que ela estabelece um alvo de vida equivocado. Ela mediz que meu alvo nesta existência deve ser feliz “ponto”, ou seja, a felicidade é assumida comometa final. Nós nos desdobramos para sermos “felizes”. Você já deve ter ouvido pais —inclusive pais cristãos — dizendo: “O que eu quero para meus filhos é que eles ‘sejam felizes’”.Líderes de igrejas se esforçam para que os crentes “sejam felizes” — o alvo supremo de algunsConselhos é “fazer suas igrejas felizes”.Isso resulta na síndrome da pesquisa de satisfação. Aqueles que deviam ser guiasespirituais da igreja circulam entre a membresia perguntando: “O que você está achando dolouvor, ou das pregações? O que podemos fazer para você sentir-se mais confortável e feliz?”O que eles deviam perguntar de fato é: “Você está cumprindo seu chamado com serviçocontente?” Essa ênfase na felicidade egoísta como resultado último da vida é tanto agradávelde dizer e ouvir, quanto absolutamente anticristã.No mundo esta ideia favorece, de modo neutro, a especialização. As pessoas mergulhamcada vez mais nos detalhes de suas áreas de interesse, desprezando aquilo com que não seidentificam. Negativamente, a mesma ideia fomenta o canto da sereia na chamada crise dameia-idade: “Eu tenho de sair desta profissão ou casamento; eu mereço ser feliz”.Surge o descontentamento eclesiástico. No trato com o serviço do reino, a felicidadetorna-se o padrão de medida de nosso envolvimento. “Se eu não estiver feliz, então Deus nãome chamou para isso”. Pastores agora assumem campos somente se a tarefa encaixar-se emsuas habilidades e preferências: “Meu dom é o ensino; eu não posso trabalhar neste ponto depregação que exige as habilidades de um evangelista”. Ou ainda “meu dom é administração;eu não posso visitar”. Ou: “Gosto de trabalhar com jovens; Deus não me chamou para ajudaraquela congregação de adultos”. E pior: “Deus me chamou para um ministério rural; nãoposso assumir uma igreja urbana”, ou vice-versa. Dizem que isso é a aplicação do princípio deministérios orientados por dons. Eu chamo isso de deturpação da doutrina do chamado cristão.Uma heresia.4.2.3  No  chamado  divino  a  felicidade  está  na  fidelidade  A verdade é que os serviços da igreja devem ser orientados pelo chamado divino, e aexecução do chamado de Deus nem sempre é acompanhada de alegria juvenil. Jeremias nãotransbordou de alegria ao servir (Jr 8.18, 21; 16.1-2; 20.7-9). Muito menos Jonas (Jn 1.1-3).Cumprir o chamado divino foi doloroso e desgastante para o Senhor Jesus Cristo e seusapóstolos (Lc 22.44; cf. Mt 26.38; Gl 4.19). A alegria natural decorre de eu fazer o que gostoe quero. O contentamento ou alegria espiritual decorre de eu fazer a vontade de Deus, aindaque esta contrarie aquilo que eu escolheria naturalmente (Mt 26.39, 42).Dito de outro modo, o alvo da vida cristã é ser feliz desfrutando de Deus (1ª pergunta doBreve Catecismo de Westminster). Nós não devemos nos desdobrar para sermos felizes e simpara sermos obedientes e fiéis (Ap 2.10). Na comunhão obediente com Deus, desfrutamos daexperiência apontada pelo salmista: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença háplenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11).Calvino podia fazer sua vontade, dedicando-se aos estudos acadêmicos, mas Deus olevou para a igreja pouco amigável de Genebra. William Carey podia deliciar-se com osrecursos da sociedade inglesa, mas Deus o mandou para a Índia. Simonton podia terestabelecido um próspero negócio nos Estados Unidos, mas Deus ordenou que ele viesse aoBrasil para estabelecer a Igreja Presbiteriana do Brasil e morrer com menos de 40 anos deidade. Mais: Jesus podia ter continuado em sua glória, mas veio ao mundo sofrer afrontas emorrer em uma cruz. Biblicamente falando, ser útil é melhor do que ser feliz.
  24. 24. O  CRISTÃO  FRUTÍFERO  —  P.  24  Sendo assim, abandonemos a falácia da “geração jujubinha da felicidade”. Nosso alvo naexistência é cumprir o chamado de Deus. O que os pais crentes devem desejar para seus filhosé que eles sejam obedientes à vontade de Deus. Os líderes de igrejas devem esforçar-se paraque os crentes sejam fiéis. Isso pode ser desagradável de dizer e ouvir, mas é absolutamentebíblico e, portanto, cristão: “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que,havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” (Hb 10.36).Na próxima aula nós finalizaremos a primeira parte deste curso, estudando sobre osconflitos vocacionais do cristão e realizando um teste de averiguação de nosso chamado.RESUMO  DA  AULA  4  A vocação ou chamado para o serviço cumpre o propósito divino revelado em sua criação eprovidência. Sendo assim, é bom discernir a soberania de Deus em nossa formação e maneirade ser. Essa compreensão é vital para a saúde da fé e das emoções.O chamado divino sempre tem a ver com aquilo que somos, com a totalidade de nossaestrutura, definida por nossa experiência histórica, talentos, qualificações e anseios.O cristão frutífero é alegre. Quem não consegue alegrar-se não produz fruto, pois aamargura impede a frutificação. Mas o cristão deve ir além. Ele precisa chegar aocontentamento.Quando olhamos apenas os defeitos da igreja nós nos afastamos do serviço ou servimospor obrigação ou maliciosamente. Isso é contradizer o verdadeiro chamado divino.As igrejas cristãs tem sido iludidas com a heresia de que a gente é feliz quando faz o quegosta, ou seja, na igreja, os serviços da igreja devem ser orientados por dons.A verdade é que os serviços da igreja devem ser orientados pelo chamado divino, e aexecução do chamado de Deus para o serviço nem sempre é acompanhada de alegria juvenil.A alegria natural decorre de eu fazer o que gosto e quero. O contentamento ou alegriaespiritual decorre de eu fazer a vontade de Deus, ainda que esta contrarie aquilo que euescolheria naturalmente (Mt 26.39, 42).Nós não devemos nos desdobrar para sermos felizes e sim para sermos obedientes. Sendoassim, abandonemos a falácia da “geração jujubinha da felicidade”. Nosso alvo na existência écumprir o chamado de Deus. O que os pais crentes devem desejar para seus filhos é que elessejam obedientes à vontade de Deus. Os líderes de igrejas devem esforçar-se para que oscrentes sejam fiéis.

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