Estilos parentais e práticas educativas

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Apresentação sobre a forma de educar os filhos e o comportamento deles no futuro;

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Estilos parentais e práticas educativas

  1. 1. 1
  2. 2. 2 ESTILOS PARENTAIS E PRÁTICAS EDUCATIVAS: FATORES DE RISCO E FATORES PROTETIVOS Profa. Ms Ludmila de Moura
  3. 3. 3
  4. 4. 4 Psicologia do Desenvolvimento • Relações familiares = área de pesquisa • Temas: –Interação entre pais e filhos • Processos normativos do desenvolvimento • Etiologia de aspectos patológicos do comportamento de crianças e adolescentes
  5. 5. 5 Identificar e descrever • A) As atitudes parentais: – Crenças e valores que servem de base para suas ações; • B) As práticas educativas parentais: – Estratégias específicas utilizadas em diferentes contextos; • C) Os estilos parentais: – Conjunto de atitudes, práticas e expressões que caracterizam a natureza das interações pais-filhos nas diversas situações.
  6. 6. 6 Estudos • Comportamento anti-social, o distúrbio de conduta e a delinquência = mesma variável • Não surgem repentinamente na adolescência • São precedidos por comportamentos anti- sociais na infância e tendem a permanecer na idade adulta.
  7. 7. 7 Manifestação destes comportamentos • Altera-se ao longo do desenvolvimento • Por exemplo: – Criança anti-social – problemas na escola – Adolescente – roubos – Adulto – agressivo com o cônjuge e negligente com os filhos • Estas alterações → mudanças tanto em nível individual (amadurecimento) como em nível ambiental (oportunidades)
  8. 8. 8 Estudos • Correlação estreita entre as características dos pais ou familiares e/ou dinâmica familiar e o posterior desenvolvimento de diversos tipos de distúrbios de comportamento.
  9. 9. 9
  10. 10. 10 FATORES DE RISCO E FATORES PROTETIVOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
  11. 11. 11 Vulnerabilidade Situações adversas ↓ ↓ ↓ diferentes respostas → adaptativas ↓ outras de maiores riscos O tipo de resposta do indivíduo depende da sua vulnerabilidade.
  12. 12. 12 Vulnerabilidade • Predisposição para o desenvolvimento de disfunções psicológicas ou de respostas pouco adequadas à ocasião. • Refere-se a uma variável individual. • Opera sómente quando um risco está presente. • Risco – envolve o ambiente em que o indivíduo está inserido.
  13. 13. 13 Fatores de Risco • Condições que estão associadas a uma alta probabilidade de ocorrência de resultados negativos ou indesejáveis. • Incluem comportamentos que podem comprometer a saúde, o bem-estar ou o desempenho social do indivíduo. – Ex: criança em situação de risco = com desenvolvimento fora de sua faixa etária e de sua cultura.
  14. 14. 14 Fatores de Risco • Características individuais: – Sexo, variáveis demográficas, habilidades sociais e intelectuais, história genética e aspectos psicológicos; • Características ambientais: – Eventos estressantes de vida, área residencial, apoio social, características familiares e culturais.
  15. 15. 15 Eventos estressantes • Quaisquer mudanças no ambiente que normalmente induzem a um alto grau de tensão e interferem nos padrões normais de resposta do indivíduo.
  16. 16. 16 Fator de risco • Para o desenvolvimento psicológico e social: – Baixo nível sócio-econômico Para famílias pobres: – Baixa remuneração parental, – Baixa escolaridade, – Famílias numerosas, – Ausência de um dos pais.
  17. 17. 17 Fator de risco • Para problemas de comportamento, como delinquência ou distúrbio anti-social: – Práticas parentais exercidas na família, – Problemas de comportamento na infância, – Comportamento anti-social em algum membro da família, – Abandono ou pouco envolvimento escolar.
  18. 18. 18 Fatores de risco • Para problemas de comportamento, como delinquência ou distúrbio anti-social → • Variáveis familiares: – Negligência parental, – Padrões parentais inadequados de cuidado e supervisão, – Modelos inapropriados de responsabilidade social e desempenho acadêmico
  19. 19. 19 Fatores protetivos • São influências que modificam, melhoram ou alteram a resposta dos indivíduos a ambientes hostis (que predispõem a consequências mal adaptativas). • São condições ou variáveis que diminuem a probabilidade do indivíduo desenvolver problemas.
  20. 20. 20 Fatores protetivos • São a contra parte positiva dos fatores de risco. • Incluem características individuais e ambientais.
  21. 21. 21 Fatores protetivos • Três categorias: • 1) atributos disposicionais da criança – Atividades, dificuldades, autonomia, orientação social positiva, auto-estima e preferências; 2) características familiares - coesão, práticas efetivas, bom funcionamento familiar, vínculo afetivo, apoio e monitoramento parental; 3) apoio individual e/ou institucional - para a criança e para a família.
  22. 22. 22 Família • Fator protetivo e fator de risco. • É o grupo social básico do indivíduo. • Relações entre pais e filhos = enorme complexidade.
  23. 23. 23 Família • Responsável pela socialização da criança: • adquirem comportamentos, habilidades e valores apropriados e desejáveis em sua cultura; • internalização de normas e regras → desempenho social mais adaptado e a aquisição de autonomia;
  24. 24. 24
  25. 25. 25 AS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS
  26. 26. 26
  27. 27. 27 Definição e Perspectivas Históricas • Práticas educativas parentais – influências filosóficas e socioeconômicas. • Filosofia: • “natureza pecaminosa” X “natureza virtuosa”
  28. 28. 28 “Natureza pecaminosa” • Hobbes – teologia judaico-cristã. • Salvação da alma da criança, por Deus, com auxílio dos pais; • Pais = inibir os desejos das crianças, utilizando sua autoridade, para preservar a ordem definida pela religião e pela tradição cultural.
  29. 29. 29 “Natureza virtuosa” • Rosseau • O melhor é permitir à natureza seguir seu curso; • A intervenção no desenvolvimento da criança poderia degenerá-la; • Educadores = não darem nenhuma ordem às crianças, mas deixarem que aprendessem com sua própria experiência.
  30. 30. 30 Influências sócio-econômicas • Séc. XVIII – altas taxas de mortalidade infantil: –preocupação dos pais se iriam ou não criar seus filhos e não como criá-los; –como criar um filho, para que tivesse uma vida longa; –Evitavam estabelecer uma ligação afetiva próxima e profunda com o filho.
  31. 31. 31 Séc. XVIII e XIX • Ética da Revolução Industrial: • desenvolver –o comportamento moral, –a integridade, –a honestidade, –o espírito trabalhador e –a cortesia no indivíduo.
  32. 32. 32 Início do Séc. XX • Criação infantil – opinião e supervisão médica: • Objetivo de redução dos índices de mortalidade – atenção à higiene e à prevenção de doenças. • Paralelo entre higiene física e higiene mental = estabelecimento de hábitos regulares.
  33. 33. 33 Séc. XX • Valorização de outras necessidades da criança, além da sobrevivência: –Necessidades psicológicas, como atenção e amor; –Os pais precisaram modificar suas atitudes e exigências em relação aos filhos; –respeitar os direitos das crianças → postura excessivamente permissiva
  34. 34. 34
  35. 35. 35 Classificação das Práticas Educativas Parentais e seus Efeitos sobre o Desenvolvimento • Hoffman (1975, 1979): • Técnicas coercitivas = aplicação ou a ameaça de uso direto de força, punição física e privação de privilégios; • Técnicas indutivas = uso da explicação; descrição de regras ou das consequências físicas e emocionais do comportamento, para as outras pessoas.
  36. 36. 36
  37. 37. 37 Técnicas coercitivas • Objetiva forçar a criança a comportar-se de forma apropriada. • Forma = Verbalmente, por ordens e comandos e fisicamente (punição física).
  38. 38. 38
  39. 39. 39 Técnicas coercitivas • A criança recebe informação e treino, sendo pressionada a alterar seu comportamento inadequado.
  40. 40. 40
  41. 41. 41 Punição • Ponto de vista cognitivo: sanções externas permitem que a criança avalie seu comportamento. • Processo de condicionamento – inibe certos comportamentos → gera ansiedade, medo e hostilidade.
  42. 42. 42
  43. 43. 43 Punição • Ansiedade – dificuldade de perceber “por que está sendo punida” e qual a forma adequada de se comportar. • Os efeitos da punição – limitados ao tempo, ao lugar e ao agente punidor.
  44. 44. 44
  45. 45. 45 Grusec e Kuczynski, 1980 • Pesquisa: • 100% mães – técnicas coercitivas (retirar privilégios, forçar comportamento adequado) • 70% - brigar, bater e gritar em algumas situações
  46. 46. 46
  47. 47. 47 “Punição psicológica” • Privação de privilégios e de afeto. • Privação de afeto = ameaça de rompimento de um forte laço emocional entre os pais e a criança • Gera insegurança e ansiedade.
  48. 48. 48
  49. 49. 49 Privação de afeto Formas de expressão: • Desaprovação; • Indiferença; • Isolamento da criança; • Privação condicionada de amor – “Eu não gosto de v. quando v. faz isso!” • Ameaça da perda permanente de amor – “Eu vou embora …”
  50. 50. 50
  51. 51. 51 TÉCNICAS INDUTIVAS
  52. 52. 52
  53. 53. 53 Técnicas indutivas • Termo “indução” – Hoffman (1975, 1979, 1994) = uso da explicação; • Modificar o comportamento por meio da descrição de regras ou das consequências físicas e emocionais do comportamento, para as outras pessoas.
  54. 54. 54
  55. 55. 55 Processo de socialização • Pais – estratégias disciplinares → desejam que a criança se desenvolva e se torne: –independente de sanções externas, –socialmente responsável, –capaz de regular seu próprio comportamento, –internalize as normas sociais – sistema de valores.
  56. 56. 56
  57. 57. 57 Indução • Facilita a internalização de normas morais e sociais. • Direciona a atenção da criança para as consequências de seu comportamento sobre as outras pessoas (mais do que para a punição em si mesma) e para as exigências lógicas da situação.
  58. 58. 58 Técnicas indutivas • Influenciam mais efetivamente crianças e adolescentes – internalização de valores dos pais (do que métodos coercitivos). • Controle parental firme na infância → necessidade de poucas regras na adolescência.
  59. 59. 59 Crianças pré-escolares • Explicações complexas são pouco efetivas (confundem a criança, não facilitam a obediência, nem o comportamento pró-social). • Explicar brevemente as regras; • Providenciar uma consequência firme para o comportamento inadequado.
  60. 60. 60 Comportamento típico • Disciplina indutiva = Independência de sanções externas, capacidade de empatia e de sentir culpa. • Disciplina coercitiva = Medo do castigo externo e de punição.
  61. 61. 61
  62. 62. 62 Práticas educativas inconsistentes • Inconsistências dos pais: • Um mesmo comportamento ora é punido, ora é recompensado, sem razão. • Um pai recompensa, outro pai pune, o mesmo comportamento.
  63. 63. 63 Práticas educativas inconsistentes • Não fica claro quais padrões de comportamento são esperados e adequados → maior risco de desenvolver distúrbio de conduta e comportamento delinquente.
  64. 64. 64
  65. 65. 65 Amor - Psyche
  66. 66. 66 Afetividade • Afetividade = expressão emocional de amor. • Elemento importante na relação pais- filhos. • Práticas disciplinares efetivas – pais envolvidos emocionalmente com os filhos; ofereçam amor e apoio.
  67. 67. 67
  68. 68. 68 Afetividade • Filho – mais receptivo para as técnicas disciplinares; segue o exemplo dos pais; sente-se emocionalmente seguro; é empático com os outros. • Facilita o desenvolvimento da consciência e a internalização de normas sociais.
  69. 69. 69
  70. 70. 70 Afetividade • Não quer dizer aprovação incondicional. • Falta de afetividade ou rejeição parental: – desajustamento social da criança; – agressividade ou delinquência (quando combinada com punição severa)
  71. 71. 71
  72. 72. 72
  73. 73. 73 DETERMINANTES DAS PRÁTICAS PARENTAIS
  74. 74. 74 • São as práticas parentais que produzem o comportamento da criança ou é o comportamento da criança que determina a prática de socialização utilizada pelos pais?
  75. 75. 75
  76. 76. 76 Determinantes das Práticas Parentais • Modelo de influência recíproca é mais aceito • Hoffman (1994): – as técnicas disciplinares antecedem o comportamento da criança; – Os pais possuem maior poder sobre estas; – a criança deve se ajustar aos pais;
  77. 77. 77
  78. 78. 78 Sistema de crenças dos pais • Atribuição dos pais para o comportamento dos filhos: – acreditar que não são completamente competentes ou responsáveis – técnicas indutivas; – acreditar que a criança previu e causou intencionalmente – técnicas coercitivas.
  79. 79. 79 Escolha da técnica educativa • Depende da percepção de culpa da criança sobre as consequências de seu comportamento. • Características dos pais, como educação e valores pessoais, afetam seus padrões disciplinares.
  80. 80. 80 ESTILOS PARENTAIS
  81. 81. 81 Definição e Classificação dos Estilos • Dois parâmetros de diferenciação dos estilos – responsividade e exigência
  82. 82. 82 Responsividade • Sincronicidade do comportamento de filhos e cuidadores. • Características: – Reciprocidade, – Comunicação, – Afetividade, – Apoio, – Reconhecimento e respeito à individualidade do filho.
  83. 83. 83 Exigência • Disponibilidade dos pais para agirem como agentes socializadores: – Supervisão, – Monitoramento do comportamento dos filhos, – Estabelecimento de expectativas de desempenho, – Cobrança, – Disciplina consistente.
  84. 84. 84 4 Estilos parentais • Autoritátio • Indulgente • Negligente • Autoritativo
  85. 85. 85 Pais autoritários • Alta exigibilidade e baixa aquiescência; • Rígidos, impõem valores, regras e punições – respeito às tradições; • Relação unilateral – obediência à hierarquia e conformismo;
  86. 86. 86 Pais indulgentes • Alto nível de responsividade e baixo nível de exigência; • Tolerantes e afetivos, complacentes; • Dificuldades em impor limites;
  87. 87. 87 Pais negligentes • Baixo nível de exigência e responsividade; • Pouco interesse em dar apoio emocional aos filhos; não demonstram afetos; • Não se interessam pelas atividades e sentimentos dos filhos;
  88. 88. 88 Pais autoritativos • Alto grau de responsividade e de exigência; • Interação – conselhos, regras e normas; • Controle afetivo e protetivo; • Encorajamento da liberdade e da autonomia; abertura ao diálogo; • Reconhecem os interesses individuais da criança, suas qualidades e competências;
  89. 89. 89
  90. 90. 90 IMPLICAÇÕES DOS ESTILOS PARENTAIS SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
  91. 91. 91 Pais autoritários • Filhos – limite na capacidade de auto- regulação : → alta competência acadêmica e baixos índices de problemas de comportamento ; → baixa auto-estima e auto-eficácia.
  92. 92. 92 Pais indulgentes • Filhos: • autonomia e boa auto-estima • problemas de externalização (hiperatividade, agressividade, abuso de substâncias ilícitas e delinquência)
  93. 93. 93 Pais negligentes • Filhos: • comprometimento do desenvolvimento psicológico → prejuízo na competência social e acadêmica; → depressão, ansiedade, somatizações e problemas de externalização.
  94. 94. 94 Pais autoritativos • Filhos = adaptação psicológica sadia: – Maiores níveis de auto-estima; – Autoconfiança; – Autoconceito positivo; – Competência social; – Melhor rendimento escolar; – baixo índice de depressão, ansiedade, delinquência e abuso de drogas.
  95. 95. 95
  96. 96. 96 Fatores que influenciam os Estilos Parentais
  97. 97. 97 Nível sócio-econômico (NSE) • NSE baixo – mais restritivos e autoritários, usam mais da força; • NSE alto – mais permissivos ou autoritativos; • Diferenças mais pronunciadas em relação aos filhos homens do que às filhas.
  98. 98. 98 Escolaridade dos pais Baixa escolaridade: • Estilo mais autoritário; • Poucos recursos pessoais dos pais para lidarem com o comportamento dos filhos; • Repetem modelos autoritários de seus pais (?).
  99. 99. 99 Influência dos pais • Mais importantes para os adolescentes de NSE mais alto do que para os de NSE baixo; • Classe média – menor número de filhos – maior proximidade entre os membros; • Atualmente - cultura de maior dependência dos filhos.
  100. 100. 100 Tipo de filiação • Visão dos adolescentes: • Biológica – estilo parental negligente • Adotiva – estilo mais indulgente e autoritativo –Alto investimento afetivo; compensarem estresses anteriores da criança; insegurança pela valorização da consanguinidade
  101. 101. 101 Idade dos filhos • Quanto mais velhos, percebiam os pais mais como autoritativos, menos permissivos e autoritários • Hipótese: diferenças na criação de acordo com a ordem de nascimento e a idade?
  102. 102. 102 Gênero da criança e dos pais • Os jovens descrevem: • Mãe – responsividade, compreensão e aceitação • Pai – julgador, menos disponível à discussão de sentimentos, dúvidas e problemas
  103. 103. 103 Gênero da criança Os pais tendem a ser : • mais autoritários ou negligentes com os meninos; • Mais autoritativos ou indulgentes com as meninas.
  104. 104. 104 Estilo parental Visão dos pais e dos filhos: • Filhos – visão mais negativa das atitudes parentais; • Quanto maior a discrepância na visão sobre o funcionamento familiar, menor é o bem-estar psicológico dos adolescentes, ao longo do tempo. • Discrepâncias são maiores em períodos de mudança – adolescência.
  105. 105. 105
  106. 106. 106 •www.psicologiainsite.com.br
  107. 107. Referências • HUTZ, C.S. (org.) Situações de Risco e Vulnerabilidade na Infância e na Adolescência – aspectos teóricos e estratégias de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. 107

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