LINGUAGEM, TRABALHO, EDUCAÇÃO E CULTURA:      POEMAS BRASILEIROS SOBRE TRABALHADORES, ENTRE                    OUTROS DISC...
focaliza os trabalhadores personagens de artigos e reportagens sobre a crise econômicamundial iniciada em 2008. A pesquisa...
Um texto, ou materialidade textual, veicula, portanto, um conteúdo, expressa umadeterminada visão de mundo. Por isto, quan...
o outro (MAINGUENEAU, 2010, p.33).2.2 A linguagem como agir     Quando pensamos na temática do trabalho, o agir é, sem dúv...
coletânea de poemas brasileiros que trazem trabalhadores como protagonistas, esses textosdão uma noção do trabalho que vie...
Da consorte e dos filhos a saudade!                            (ALVARENGA PEIXOTO, 2011, p.24)    Separado de sua família ...
Meu espírito soltado                      Não partiu – ficou-me lá!...                      (...)                      A l...
Virtudes e crenças, dever e afeição!                      Fiz bem! Deus me julga!Tu sabes meu crime,                      ...
Ainda no mesmo século, o filho de escravos Cruz e Souza (1861-1898) também exploraem seus poemas a temática do abolicionis...
Narrado em primeira pessoa, o texto do poema não faz referência explícita aostrabalhadores, que ficam implícitos como pers...
Que sua imensa fadiga                       Era amiga do patrão.                             (Idem, p.170-171)    A mais-v...
CASTRO ALVES, Antônio Frederico de. A canção do africano. In: FARIA et al (org.).Poemas brasileiros sobre trabalhadores: u...
MORAES, Vinícius de. O operário em construção. In: FARIA et al (org.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologi...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Linguagem, trabalho, educação e cultura: poemas brasileiros sobre trabalhadores, entre outros discursos

2.095 visualizações

Publicada em

Apresentado no SITRE/2012.

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.095
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
9
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
7
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Linguagem, trabalho, educação e cultura: poemas brasileiros sobre trabalhadores, entre outros discursos

  1. 1. LINGUAGEM, TRABALHO, EDUCAÇÃO E CULTURA: POEMAS BRASILEIROS SOBRE TRABALHADORES, ENTRE OUTROS DISCURSOSMaria Juliana Horta Soares1 – mariajulianasoares@gmail.comRosalvo Gonçalves Pinto2 – rosalvopinto@gmail.comAntônio Augusto Moreira de Faria3 – aamf@ufmg.brFaculdade de Letras / UFMGAvenida Antônio Carlos, 6627, PampulhaBelo Horizonte/MG - CEP: 31270-901Resumo: Neste artigo apresentamos resultado do trabalho desenvolvido na Faculdade deLetras da Universidade Federal de Minas Gerais (FALE/UFMG) por um grupo de ensino,pesquisa e extensão focado no estudo das relações entre linguagem, trabalho, educação ecultura. Alunos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, orientados porprofessores da faculdade, estudam discursos sobre trabalhadores nos mais diversos gênerosem circulação na nossa sociedade, entre eles o literário, o jornalístico e o educacional. Umdos resultados da pesquisa foi a publicação, sem fins comerciais, do livro Poemas brasileirossobre trabalhadores: uma antologia de domínio público, disponível tanto na versão impressaquanto na internet. O presente artigo apresenta, além da antologia, uma visão geral dotrabalho que vem sendo desenvolvido pela equipe. E, ainda, discute alguns conceitosnorteadores da análise linguística do discurso e do interacionismo sociodiscursivo,fundamentos teóricos dos nossos estudos.Palavras-chave: linguagem e trabalho, análise do discurso, interacionismo sociodiscursivo1 INTRODUÇÃO Este artigo relata e discute atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas naFaculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais há cerca de três anos por umaequipe de dois professores e seus estudantes orientandos de graduação, especialização,mestrado e doutorado, todos interessados nas relações entre linguagem, trabalho, educação ecultura. Uma das nossas principais atividades é analisar discursos – jornalísticos, literários eeducacionais - em que o trabalhador esteja entre as personagens principais. No caso do discurso literário, como primeira etapa da pesquisa vem sendo realizado umlevantamento de poemas, contos, crônicas e romances nos quais o trabalhador figura nãocomo mero coadjuvante, mas como personagem protagonista. Remamos contra a corrente:nossa perspectiva tem sido historicamente preterida, por razões como o desinteresseideológico tanto pelas personagens desprestigiadas econômica e socioculturalmente quantopela temática das relações entre empregadores e empregados, ou seja, entre capital e trabalho. No discurso jornalístico, uma de nossas pesquisas, da doutoranda Maria Juliana Soares,1 Doutoranda na UFMG (Faculdade de Letras, Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos).2 Doutor em Linguística pela UFMG; professor da Faculdade de Letras da UFMG.3 Doutor em Linguística pela USP; professor da UFMG, Faculdade de Letras.
  2. 2. focaliza os trabalhadores personagens de artigos e reportagens sobre a crise econômicamundial iniciada em 2008. A pesquisa dá continuidade ao mestrado da aluna, defendido naFALE há quatro anos (SOARES, 2008). Outra pesquisa, da doutoranda Priscila Viana, que defendeu seu mestrado em 2009(VIANA, 2009), dedica-se tanto ao discurso jornalístico (reportagens) sobre trabalhadorasdomésticas quanto ao discurso literário: novelas, contos e romances em que elas sãopersonagens. Há ainda pesquisa sobre o discurso educacional: análise de livros didáticos destinados àeducação de jovens e adultos trabalhadores - EJA. A pesquisa de mestrado de ClariceGualberto (GUALBERTO, 2012) busca apreender como o trabalho e o trabalhador sãotratados nessa modalidade de discurso educacional. Algumas destas atividades de pesquisa desdobram-se também em extensão universitária,no caso o CIPMOI - Curso Intensivo de Preparação de Mão de Obra Industrial. O curso, quefunciona desde 1957 na Escola de Engenharia, oferece aperfeiçoamento profissional atrabalhadores, principalmente operários da construção civil. No CIPMOI, as aulas para ostrabalhadores-alunos são ministradas por instrutores estagiários: estudantes de engenharia eoutros cursos, supervisionados por professores de engenharia, letras e pedagogia. O presente artigo se concentrará em um aspecto das atividades de ensino e pesquisarelacionadas ao discurso literário, já que um resultado recente delas é a coletânea Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público (FARIA et al., org.,2011). No artigo, além de apresentar esta primeira antologia, analisando alguns exemplos delaretirados, discutiremos alguns conceitos importantes para nossa pesquisa, localizadosteoricamente na análise linguística do discurso e no interacionismo sociodiscursivo. Cabe ressaltar que outros grupos de estudos contribuem significativamente para acompreensão das relações entre linguagem e trabalho. São exemplos as publicações deSOUZA-E-SILVA & FAÏTA (2002) e DUARTE & FEITOSA (1998), assim como ostrabalhos realizados pelos grupos Atelier e Alter-ISD, da pós-graduação em linguística naPUC-SP (LAEL/PUC-SP), entre outros que se desenvolveram no Brasil desde meados dadécada de 1990.2 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS2.1 Discurso, ideologia, reflexo e refração A primeira noção aqui, por ser fundamental para nossos estudos, é a de discurso,compreendido como “um conjunto de temas e figuras que materializa uma dada visão demundo” (FIORIN, 2005, p.32). Para o autor, o discurso está, ainda, ligado à noção deconteúdo, enquanto o texto é definido como articulação entre o conteúdo e sua expressão, seusuporte, articulação também denominada manifestação. O signo linguístico é formado por dois componentes: um conceito e um suporte do conceito, que serve para expressá-lo, manifestá-lo, veiculá-lo. Ao conceito chama-se significado ou conteúdo; ao suporte denomina-se significante ou expressão. (...) O discurso pertence ao plano do conteúdo. Ele é manifestado por um plano de expressão. A manifestação é, portanto, o encontro de um plano de conteúdo com um plano de expressão, que pode ter como [suporte] material qualquer língua natural ou um meio não-verbal de expressão, como o cinema, a pintura, a gestualidade, a fotografia etc. Neste nível surge o texto. Enquanto o discurso pertence exclusivamente ao plano do conteúdo, o texto faz parte do nível da manifestação. (FIORIN, 2001, p.37-38)
  3. 3. Um texto, ou materialidade textual, veicula, portanto, um conteúdo, expressa umadeterminada visão de mundo. Por isto, quando são selecionados poemas em que trabalhadoresfiguram como personagens protagonistas, são selecionados textos em verso (materialidade)que exponham visões de mundo nas quais os trabalhadores são protagonistas. Isso quer dizerque o conteúdo das poesias (referente às relações trabalhistas, às relações afetivas, às relaçõesculturais etc.) retrata a vida de trabalhadores. Algo semelhante acontece no discurso jornalístico. Assim como um poeta escolhe seuspersonagens, um jornalista escolhe tanto as personagens a quem dar voz quanto à visão demundo que surge a partir das personagens e dos temas aos quais elas são relacionadas. Umamatéria sobre a crise econômica mundial pode focar o prejuízo de empresas, numa visão demundo empresarial, ou o número de trabalhadores dispensados devido a reduções deprodução, numa visão de mundo sindical. É o que também podemos ver em matériasjornalísticas que tenham domésticas como personagens. A matéria pode analisar a luta pordireitos iguais aos de outros trabalhadores como justa ou alegar que atendimento a talreivindicação traria gastos excessivos aos empregadores. Tudo é uma questão de escolha, como esclarece Charaudeau (2005). Essas escolhas nãose norteiam somente em função da clareza linguística, afirma o autor, mas também dos efeitosideológicos que se pretende causar no leitor. Communiquer, informer, tout est choix. Non pas seulement choix de contenus à transmettre, nos pas seulement choix de formes adéquates pour être conforme à des normes de bien parler et de clarté, mais choix d’effets de sens pour influencer l’autre, c’est-à-dire, au bout du compte choix de stratégies discursives. (Comunicar, informar, tudo é escolha. Não somente de conteúdos a serem transmitidos ou de formas adequadas às normas do bem falar e de clareza, mas escolha de efeitos de sentido para influenciar o outro, ou seja, no fim das contas, escolhas de estratégias discursivas4.) (CHARAUDEAU, 2005, p.28) Um texto, portanto, nunca é isento, imparcial ou objetivo, ao contrário do que a mídiacostuma propagar. Todo texto é resultado de escolhas simultaneamente linguísticas eideológicas, portanto discursivas, e por isso não apenas reflete a realidade, como também arefrata, criando uma realidade própria. A ideia de que qualquer discurso, não só o jornalístico, não apenas reflete a realidade,mas a refrata, reconstrói, modifica, remonta a Bakhtin/Voloshinov, em Marxismo e Filosofiada Linguagem. Segundo a obra, todo signo é ideológico, e é próprio da ideologia não sóreproduzir a realidade (refleti-la), como reproduzi-la modificada (refratá-la). Após afirmar que mesmo objetos físicos e instrumentos de produção podem se converterem signos, dando como exemplo a ideologização da foice e do martelo no discurso socialistaem perspectiva soviética, assim como do pão e do vinho no discurso cristão em perspectivacatólica, os autores discorrem sobre a linguagem verbal. Se “tudo que é ideológico possui umvalor semiótico” (BAKHTIN/VOLOSHINOV, 1979, p.18), “esse aspecto semiótico (...) nãoaparece em nenhum lugar de maneira mais clara e completa que na linguagem. A palavra é ofenômeno ideológico por excelência. (...) A palavra é o modo mais puro e sensível de relaçãosocial.” (idem, p. 22). Outra noção pertinente é trazida por Maingueneau (2010). Ele afirma que, além de seruma organização para além da frase, interativo, contextualizado, colocado em cena por umsujeito e regido por normas, entre outras características, o discurso é uma forma de agir sobre4 Livre tradução do texto em francês.
  4. 4. o outro (MAINGUENEAU, 2010, p.33).2.2 A linguagem como agir Quando pensamos na temática do trabalho, o agir é, sem dúvida, outro conceitofundamental. Se o discurso é uma forma de agir sobre o outro, como afirma Maingueneau, éimportante pensar qual a relação entre linguagem e trabalho nessa perspectiva. Para isso,traremos também de alguns tópicos fundamentais do interacionismo sociodiscursivo (ISD). Bronckart (1999 e 2006) e seu grupo, fundadores do movimento do ISD e adeptos dapsicologia interacionista, privilegiam o estudo da linguagem em suas dimensões textuais e/oudiscursivas. Para eles, as produções de textos e discursos são interdependentes de seu contextoacional e social, daí a importância de se estudar esses produtos. Por acreditarem que a linguagem é constitutiva da expressão do agir humano, osinteracionistas opõe-se às proposições cognitivistas, neurocientistas e behavioristas de suaabordagem. Os últimos procuram explicar o agir e o comportamento humano através deanálises neurobiológicas ou mesmo de condicionamentos psicológicos (no caso dosbehavioristas). Os interacionistas, por sua vez, levam em conta a historicidade humana,interessando-se pelas condições de desenvolvimento das organizações sociais e interaçõessemióticas, de produção de significação. Para a análise dos sistemas semióticos, o interacionismo utiliza abordagens que consideram os fatos de linguagem como traços de condutas humanas socialmente contextualizadas, isto é, o interacionismo se refere preferencialmente aos trabalhos que integram dimensões psicossociais. Trata-se de trabalhos centrados na interação verbal e, sobretudo no estudo e análise dos gêneros e tipos textuais (...).” (VIANA, 2009, p.17-18) A partir de Vygotsky, Hegel e Marx, Bronckart (1999) afirma que a evolução dasespécies deu aos humanos um comportamento peculiar e a capacidade de criar instrumentospara relacionar-se com o meio, interagir de forma cooperativa com os outros e desenvolverlinguagem verbal para com eles se comunicar. O autor “concebe a linguagem como atividadesocial, acreditando que o processo histórico de socialização resulta nas propriedadesespecíficas de condutas humanas” (idem, p. 21). Para ele, a linguagem deve ser concebida nãoapenas como “um meio de processos que seriam estritamente psicológicos (operação,cognição, sentimentos, emoções)”, mas como “o instrumento fundador e organizador dessesprocessos, em suas dimensões especificamente humanas” (BRONCKART, 2006, p.122). Alinguagem para o ISD é, portanto, a maneira através da qual o homem se relaciona com omeio.3 ANTOLOGIA DE POEMAS SOBRE TRABALHADORES: DISCUSSÃO DEEXEMPLOS Trouxemos acima conceitos que acreditamos serem os norteadores de nossa pesquisa. Daanálise linguística do discurso, resgatamos as ideias de que é através do discurso,materializado nos mais diversos tipos de textos, que o homem mostra ao outro sua visão demundo, agindo sobre este interlocutor na busca por convencê-lo. Do interacionismosociodiscursivo, a noção de que é justamente através da linguagem que o homem consegueorganizar-se e agir sobre o mundo e o outro. Linguagem é, pois, ação. Passemos agora à análise de alguns exemplos do discurso literário. Retirados do livrorecém-lançado Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público,
  5. 5. coletânea de poemas brasileiros que trazem trabalhadores como protagonistas, esses textosdão uma noção do trabalho que viemos fazendo e exemplificam um pouco os fundamentosexplicitados acima. Como já afirmamos o mais recente resultado de nossa pesquisa é uma antologia. Sãotextos retirados de obras pertencentes ao domínio público, cujos autores são falecidos há maisde 70 anos. A exceção são os textos de Vinícius de Moraes, cuja publicação, sem finscomerciais, foi recentemente autorizada pela família do poeta. Foi a partir da segunda metade do século XIX, quando o discurso realista surgiu naliteratura brasileira, que textos literários envolvidos com a temática do trabalho começaram arealmente proliferar em nosso país. Nossa publicação, no entanto, buscou alcançar umpanorama mais amplo, trazendo poetas anteriores à época. O primeiro escritor a figurar em nossa antologia de poemas é Gregório de Mattos(1623?1636?-1696). Sua extensa obra aborda as mais diversas temáticas. Entre elas está aescravidão, em poemas nos quais tematiza as condições de trabalho a que eram submetidos osescravos. No trecho que selecionamos abaixo, da “Crônica do Viver Baiano Setecentista”(“Preceito 4”), a indignidade com que os escravos eram tratados por seus senhores édenunciada. Contados são, os que dão a seus escravos ensino, e muitos nem de comer, sem Ihes perdoar serviço. Oh quantos, e quantos há de bigode fernandino, que até de noite às escravas pedem selários indignos, (MATTOS, 20115, p.15-16) Sem educação ou sem alimentação adequadas, submetidas a trabalhos sem folga (“semlhes perdoar o serviço”) como os demais trabalhadores escravos, mulheres escravas aindaeram obrigadas a terem relações sexuais com seus senhores. No excerto, há comopersonagens os senhores, implícitos nos verbos ‘dar’ e ‘pedir’, e os trabalhadores escravos eescravas, explicitados no texto; e, como tema, as más condições de trabalho. Como trata essascondições em tom de denúncia, podemos dizer que o discurso se posiciona favoravelmenteaos escravos e contrariamente aos patrões. O segundo autor de nossa antologia é Alvarenga Peixoto (1744?-1792). Nos poemas queselecionamos, o autor trata das temáticas do trabalho escravo e da exploração das riquezasbrasileiras por Portugal. No texto abaixo, “[Não me aflige do potro a viva quina]”, otrabalhador personagem não se sente ferir somente pela escravidão, mas principalmente pelasaudade de sua família. Grilhão pesado os passos não domina; Cruel arrocho a testa me não fende; À força perna ou braço se não rende; Longa cadeia o colo não me inclina. (...) Estes males não sinto, é bem verdade; Porém sinto outro mal inda mais duro:5 Os excertos de todos os poemas que citamos aqui foram retirados da antologia Poemas brasileiros sobretrabalhadores. Por isso estão com 2011 como ano de publicação – na antologia, obviamente.
  6. 6. Da consorte e dos filhos a saudade! (ALVARENGA PEIXOTO, 2011, p.24) Separado de sua família ao vir escravizado para o Brasil, os castigos do corpo nãoatingem o trabalhador escravo, mas a tristeza lhe inflige grande dor. Também do século XVIII, Tomás Gonzaga (1744- 1810?) denuncia, entre os maus tratosaos quais os escravos eram submetidos, punições a quem fugia de seus senhores. Na série depoemas “cartas chilenas” referida metaforicamente à vida em vila rica, a “terceira carta”, daqual destacamos um trecho abaixo, tematiza a construção de uma cadeia para escravosfugidos. E sabes, Doroteu, quem edifica Esta grande cadeia? Não, não sabes. Pois ouve, que eu t’o digo: um pobre chefe Que, na corte, habitou em umas casas Em que já nem abriam as janelas. E sabes para quem? Também não sabes. Pois eu também t’o digo: para uns negros Que vivem (quando muito), em vis cabanas, Fugidos dos senhores, lá nos matos. (GONZAGA, 2011, p.36) São personagens os trabalhadores, desde o mestre de obras, “um pobre chefe”, e seusfuncionários (implícitos), até os escravos fugidos, que ficarão presos na cadeia. Por outro lado, e como uma das primeiras expoentes femininas na cultura literáriabrasileira do século xix, há Maria Firmina dos reis (1825-1917), descendente de escravos.Publicando na imprensa interiorana do maranhão, onde viveu, a poeta compôs um “Hino àLiberdade dos Escravos”, em que canta a abolição da escravatura. Salve Pátria do Progresso! Salve! Salve Deus a Igualdade! Salve! Salve o Sol que raiou hoje, Difundindo a Liberdade! Quebrou-se enfim a cadeia Da nefanda Escravidão! Aqueles que antes oprimias, Hoje terás como irmão! (REIS, 2011, p.53) Outro escritor que se coloca contrário à escravidão, contemporâneo da poeta, é LuizGama (1830-1882). Com versos satíricos, o filho de uma escrava alforriada e de umaristocrata de origem portuguesa que o vendeu como escravo faz críticas contundentes à elitede sua época e à exploração da mão de obra escrava. Em “saudades do escravo”, tematiza asagruras de um trabalhador escravo que, apesar de seu sofrimento vive livre em pensamento. Escravo – não, não morri Nos ferros da escravidão; Lá nos palmares vivi, Tenho livre o coração! Nas faces ensanguentadas Sinto as torturas de cá; Deste corpo desgraçado
  7. 7. Meu espírito soltado Não partiu – ficou-me lá!... (...) A liberdade que eu tive Por escravo não perdi-a; Minh’alma que lá só vive Tornou-me a face sombria, O zunir de fero açoite Por estas sombras da noite Não chega; não, aos palmares! Lá tenho terra e flores... Minha mãe... os meus amores... Nuvens e céus... os meus lares! (GAMA, 2011, p.68-69) A face ensanguentada pelas torturas não impede que o personagem protagonista,trabalhador escravo, reviva a liberdade perdida. Ainda do século XIX, o mais ilustre descendente de escravos entre os escritoresbrasileiros, Machado de Assis (1839-1908), aparece em nossa antologia com poemas queapresentam os temas do trabalho e das relações entre trabalhador e empregador, nos quais otrabalhador é visto não só como um lutador, mas como um vencedor. Em “13 de maio”, títulocom explícita referência ao dia de assinatura da ‘Lei Áurea’ em 1888, o poeta conclama: Brasileiros, pesai a longa vida Da nossa pátria, e a curta vida nossa: Se há dor que possa remorder, que possa Odiar uma campanha, ora vencida, Longe essa dor e os ódios seus extremos: Vede que aquele doloroso orvalho De sangue nesta guerra não vertemos... União, brasileiros! E entoemos O hino do trabalho. (MACHADO DE ASSIS, 2011, p.73) O tema da escravidão também está na obra de Fagundes Varela (1841-1875). “Mauro, oescravo” narra em versos um julgamento de um escravo que foi preso por defender sua irmãde um estupro. A violência, incluindo a sexual, é outro tema forte no poema, assim como osofrimento imposto aos trabalhadores escravos por seus senhores. Em um dos trechos dolongo poema, o narrador-personagem alterna sua própria fala com falas de outraspersonagens, inclusive do o escravo mauro, que revela o motivo de seu julgamento. Não creias que eu tema! não creias que escravo Suplícios me curvem, ai! não, que sou bravo! Por que me condenas? que culpa me oprime, Senão ter vedado que um monstro cruento, De fogos impuros, lascivos, sedento, Lançasse a inocência nas lamas do crime? (...) Oh! sim, sim, teu filho, no lúbrico afã, Tentou à desonra levar minha irmã! Ai! ela não tinha que um mísero irmão!... Ergui-me em defesa; teus ferros esmagam, Humilham, rebaixam, porém não apagam
  8. 8. Virtudes e crenças, dever e afeição! Fiz bem! Deus me julga!Tu sabes meu crime, O fero delito que a fronte me oprime, As faltas nefandas, os negros horrores; Agora prossegue, prossegue, estou mudo, Condena-me agora que sabes de tudo, Abafa-me ao peso de estólidas dores! (FAGUNDES VARELA, 2011, p.94) Dando voz ao personagem Mauro, o narrador-personagem expõe o ponto de vista de umescravo oprimido. Na voz do oprimido, sua causa fica ainda mais clara e parece ainda maisjusta aos olhos do leitor. Por outro lado, mais conhecido pelo poema épico “o navio negreiro”, Castro Alves(1847-1871) é outro escritor que trazemos. O poeta, que tematiza o trabalho, as condições devida, o poder, a propriedade e s violência, produz um discurso abolicionista romântico, quetem liberdade como um outro tema caro. Em “a canção do africano” trabalhadores escravoscantam as saudades da terra natal, em meio a condições de via subumanas. Lá na úmida senzala, Sentado na estreita sala, Junto ao braseiro, no chão, Entoa o escravo o seu canto, E ao cantar correm-lhe em pranto Saudades do seu torrão... De um lado, uma negra escrava Os olhos no filho crava, Que tem no colo a embalar... E à meia voz lá responde Ao canto, e o filhinho esconde, Talvez pra não o escutar! "Minha terra é lá bem longe, Das bandas de onde o sol vem; Esta terra é mais bonita, Mas à outra eu quero bem! (...) "Lá todos vivem felizes, Todos dançam no terreiro; A gente lá não se vende Como aqui, só por dinheiro". (...) O escravo então foi deitar-se, Pois tinha de levantar-se Bem antes do sol nascer, E se tardasse, coitado, Teria de ser surrado, Pois bastava escravo ser. (CASTRO ALVES, 2011, p112-113) A liberdade da vida na áfrica contrapõe-se à dureza da vida no Brasil, em que basta serescravo para ser surrado. Neste poema, Castro Alves ficcionalmente atribui voz aospersonagens escravos, contam ao leitor sua vida de privações.
  9. 9. Ainda no mesmo século, o filho de escravos Cruz e Souza (1861-1898) também exploraem seus poemas a temática do abolicionismo. Opõe escravidão e liberdade, comumenteassociadas a escuridão e a luz, como em “Gritos de guerra”, poema no qual tece um elogio aossenhores que libertam seus escravos. Bem! A palavra dentro em vós escrita Em colossais e rubros caracteres, É valorosa, pródiga, infinita, Tem proporções de claros rosicleres. (...) Quem como vós principiou na festa Da liberdade vitoriosa e grande, Há de sentir no coração a orquestra Do amor que como um bom luar se expande. Vamos! São horas de rasgar das frontes Os véus sangrentos das fatais desgraças E encher da luz dos vastos horizontes Todos os tristes corações das raças... (CRUZ E SOUZA, 2011, p.141-142) Na virada dos séculos XIX-XX, trazemos Olavo Bilac (1865-1918). Com oabolicionismo, o tema da escravidão começa a perder força no discurso literário. Entretanto,os trabalhadores continuam sendo explorados, como mostra o poema “O tear”. A fieira zumbe, o piso estala, chia O liço, range o estambre na cadeia; A máquina dos Tempos, dia a dia, Na música monótona vozeia. Sem pressa, sem pesar, sem alegria, Sem alma, o Tecelão, que cabeceia, Carda, retorce, estira, asseda, fia, Dobra e entrelaça, na infindável teia. (BILAC, 2011, p.150) O personagem tecelão, em um trabalho monótono e sem alegria, faz seu trabalho deforma quase automatizada. Sem alma, sem pressa, dia após dia, ele cumpre sua jornada e sealiena em seu ofício. É o que também nos mostra augusto dos anjos (1884-1914). Desta vez, oque o discurso tematiza não é apenas a monotonia na rotina do trabalho, mas também ainsalubridade nas condições de trabalho “numa forja”. De inexplicáveis ânsias prisioneiro Hoje entrei numa forja, ao meio-dia. Trinta e seis graus à sombra. O éter possuía A térmica violência de um braseiro. Dentro, a cuspir escórias De fúlgida limalha Dardejando centelhas transitórias, No horror da metalúrgica batalha O ferro chiava e ria! (ANJOS, 2011, p.158)
  10. 10. Narrado em primeira pessoa, o texto do poema não faz referência explícita aostrabalhadores, que ficam implícitos como personagens. Mas mostra o interior de umaindústria e seu ambiente de trabalho insalubre. A descrição dá ao leitor uma ideia de como ostrabalhadores deviam se sentir ali dentro, submetidos a altas temperaturas, à “violência de umbraseiro”, ao “horror da metalúrgica”. O último poeta incluído na antologia é Vinicius de Moraes (1913-1980). Recentementeseus herdeiros autorizaram a publicação de seus textos em obras sem fim comercial, o que nospossibilitou inclui-lo entre os demais na antologia. Conhecido pela dedicação ao tema doamor entre homens e mulheres, Vinícius de Moraes também escreveu poemas e peças deteatro tematizando o amor social e solidário dos seres humanos entre si, além de outros temassociais e políticos. No poema “o operário em construção”, o ‘poetinha’ discute a relaçãocapital/trabalho. Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia, por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. (MORAES, 2011, p.168) Escravidão aqui refere-se metaforicamente não mais ao trabalho forçado e semremunerado, mas ao trabalho assalariado mal pago e sem reconhecimento social. Quandopercebe toda a injustiça à qual é submetido, o operário, personagem principal do poema,finalmente entende a sua missão histórica e passa a lutar contra as desigualdades que vê à suavolta. E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não. E aprendeu a notar coisas A que não dava atenção: Notou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerveja preta Era o uísque do patrão Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão Que a dureza do seu dia Era a noite do patrão
  11. 11. Que sua imensa fadiga Era amiga do patrão. (Idem, p.170-171) A mais-valia, subtema do trabalho no sistema capitalista, fica clara na estrofe acima. Otrabalho do operário, que lhe rende um salário indigno, enriquece seu patrão.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo buscamos ressaltar algumas relações entre os temas linguagem, trabalho,educação e cultura. Além de apresentar alguns conceitos para a pesquisa na área,apresentamos exemplos principalmente do discurso literário. Retirados do livro Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público, esses excertos de textosem verso trazem trabalhadores como protagonistas e defendem o seu ponto de vista. Se a temática da escravidão é a mais recorrente nesses textos de domínio público, vimosque já no fim do século xix outros temas aparecem no discurso literário brasileiro, como aalienação, a mais-valia e as condições subumanas de trabalho. O motivo principal que justifica esse e outros trabalhos como os mencionados no início éacreditarmos que em nossa sociedade e nos mais diversos discursos que nela circulam, há umatendência ao apagamento dos trabalhadores e de sua visão de mundo. Personagensdesprestigiados socialmente, eles ficam à margem da literatura, do jornalismo e mesmo dodiscurso didático. Isso acontece mesmo em um país no qual a maior parte da população é detrabalhadores, como o nosso. Com a antologia, assim como com os demais trabalhos que desenvolvemos, pretendemoscontribuir para reverter tal situação.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALVARENGA PEIXOTO, Inácio José de. [Não me aflige do potro a viva quina]. In: FARIAet al (org.). Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público.Belo Horizonte: Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.24.ANJOS, Augusto dos. Numa forja. In: FARIA et al (org.). Poemas brasileiros sobretrabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte: Edições Viva Voz(Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.158-160.BAKHTIN, Mikhail/VOLOSHINOV, Valentin. Marxismo e filosofia da linguagem. SãoPaulo: Hucitec, 1979 [1929].BILAC, Olavo. O tear. In: FARIA et al (org.). Poemas brasileiros sobre trabalhadores:uma antologia de domínio público. Belo Horizonte: Edições Viva Voz (Faculdade de Letrasda UFMG), 2011, p.150-151.BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos e discursos. Por uminteracionismo sócio-discursivo. São Paulo: EDUC, 1999.______________________. Atividade de linguagem, discurso e desenvolvimento humano.São Paulo: Mercado de Letras, 2006.
  12. 12. CASTRO ALVES, Antônio Frederico de. A canção do africano. In: FARIA et al (org.).Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. BeloHorizonte: Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.112-113.CHARAUDEAU, Patrick. Les médias et l’information – L’impossible transparence dudiscours. Bruxelles: Ed. De Boeck Université, 2005.CRUZ E SOUSA, João. Gritos de Guerra. In: FARIA et al (org.). Poemas brasileiros sobretrabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte: Edições Viva Voz(Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.141-143.DUARTE, Francisco, FEITOSA, Vera (org.) Linguagem e Trabalho. Rio de Janeiro,Lucena/COPPE-UFRJ, 1998.FAGUNDES VARELA, Luiz Nicolau. Mauro, o escravo In: FARIA et al (org.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte:Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.89-110.FARIA, Antônio Augusto Moreira de, PINTO, Rosalvo Gonçales et al. (orgs.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte:Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011.FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. 7ª ed. São Paulo: Editora Ática, 2001.________________. Elementos de análise do discurso. 13ª impressão. São Paulo: Contexto,2005.GAMA, Luiz Gonzaga. Saudades do escravo. In: FARIA et al (org.). Poemas brasileirossobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte: Edições VivaVoz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.68-70.GONZAGA, Tomaz Antônio. Cartas chilenas. In: FARIA et al (org.). Poemas brasileirossobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte: Edições VivaVoz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.33-40.GUALBERTO, Clarice Lage. Linguagem, Trabalho e Educação: estudo exploratório delivros didáticos para E.J.A. Belo Horizonte, 2012. Dissertação (Mestrado em EstudosLinguísticos) - Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais.MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. 13 de maio. In: FARIA et al (org.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte:Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.73.MAINGUENEAU, Dominique. Analyser les textes de communications. Paris: ArmandColin Éditeur, 2010.MATTOS, Gregório de. Crônica do viver baiano setecentista. In: FARIA et al (org.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte:Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.15-16.
  13. 13. MORAES, Vinícius de. O operário em construção. In: FARIA et al (org.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte:Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.168-173.REIS, Maria Firmina dos. Hino à liberdade dos escravos. In: FARIA et al (org.). Poemasbrasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte:Edições Viva Voz (Faculdade de Letras da UFMG), 2011, p.53.SOARES, Maria Juliana Horta. Aspectos intra e interdiscursivos de um jornal: análise denotícias sobre transporte e trânsito no Estado de Minas (1955-1956 e 2005-2006). BeloHorizonte, 2009. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) - Faculdade de Letras,Universidade Federal de Minas Gerais.SOUZA-E-SILVA, M. C. P., FAlTA, Daniel (Orgs.). Linguagem e Trabalho: construçãode objetos de análise no Brasil e na França. São Paulo: Cortez Editora, 2002.VIANA, Priscila Lopes. Análise de Estratégias Linguístico-Discursivas Constitutivas doGênero Textual “Santinho Político”. Belo Horizonte, 2009. Dissertação (Mestrado emestudos linguísticos) - Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais.Abstract: This is a research from a study group from the Faculty of Letters of FederalUniversity of Minas Gerais (FALE/UFMG). Students from undergraduation, graduation,Master’s Degree and Ph.D, supervised by FALE professors, have been together for threeyears to evaluate how workers appear in the various discourses that circulate in our society,such as the literary, the journalistic and the didactic ones. As a result an anthology waspublished and released in the end of 2011, containing Brazilian poems highlighting thisworking theme. Poemas sobre trabalhadores: uma antologia brasileira de domínio público, byEditora Viva Voz (FALE/UFMG), will be soon available throughout the internet. In thispaper we present, besides this anthology, a wider view of the research we have been workingon. We discuss some fundamental concepts for our group, such as the sociodiscoursiveinteractionism and the Discourse Analysis.Key-words: language and work, sociodiscoursive interactionism, Discourse Analysis

×