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4AGRADECIMENTOSAgradeço a Deus pelo dom da vida e por sempre ter me guiado, iluminado e medado força nos momentos difíceis...
5“Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.”(CLARICE LISPECTOR)
6RESUMOA presente pesquisa teve por objetivo avaliar o conhecimento dos usuários de uma UnidadeBásica de Saúde (UBS), de P...
7LISTA DE ILUSTRAÇÕESFotografia 01 - Recado aos faltosos.....................................................................
8LISTA DE TABELASTabela 01 - Faltas dos usuários da UBSBV às consultas de Nutrição. Palhoça-SC, out. 2012....................
9SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................
10APÊNDICE D – Mural sobre o Nutricionista na Atenção Básica em Saúde................... 71
111 INTRODUÇÃOUma sociedade baseada em conhecimento tem como principal objetivo aprodução acadêmica e, para o sucesso dest...
12A transição nutricional vem ocorrendo, nos últimos anos, com o aumento doconsumo de alimentos ricos em gorduras e açúcar...
13O terceiro capítulo refere-se ao método, que exibe as características, local,participantes e como foi realizada a coleta...
142 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA2.1 NUTRICIONISTA NO BRASIL: UM POUCO DA SUA HISTÓRIAAo longo da história, ocorreram vários fatos...
15No ano de 1940, surgiram: a Nutrição Clínica, a partir da Nutrição Básica eExperimental; e a Nutrição Coletiva, que cons...
16dividido em oito semestres, conforme estabelecido pelo Ministério da Educação(FRIEDMAN; GOUVEIA, 1999; CFN, 2008; SIMONA...
17saúde de toda a população brasileira. Os princípios filosóficos deste sistema sãohierarquização, resolutividade e descen...
18A ESF busca resgatar, por meio de atendimento humanizado, os vínculos decompromisso e responsabilidade recíproca entre o...
19Educação Física, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Nutricionista, Psicólogo eTerapeuta Ocupacional, estes dev...
20 Discutir com gestores de saúde, em parceria com outros coordenadores/supervisoresda Atenção Básica em Saúde, a efetiva...
21Segundo o Conselho Nacional de Educação, o Nutricionista é definido comogeneralista, humanista, crítico e capacitado a a...
222.3.2 Importância do Nutricionista na Atenção Básica em SaúdeSegundo Lima e Gouveia (1999), o estado nutricional das pop...
23É relevante considerar que a opinião dos gestores acerca do valor da intervenção, dopotencial de resolutividade dela a c...
24Conforme o estudo de Ferreira et al. (2011), os fatores que levam os usuários afaltarem às consultas são: problemas de s...
25Para estimular os indivíduos a uma mudança de hábitos e comportamentosalimentares incorretos, é necessário que o educado...
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27verificação das faltas e presenças, quantificou-se a frequência do problema (LUCIANO, 2001;CERVO; BERVIAN, 2001).De acor...
283.3 COLETA E ANÁLISE DOS DADOSA pesquisa foi dividida em quatro etapas: verificação de faltas, entrevista,intervenção, t...
29também um comparativo desses dados com o número de faltantes às consultas, dentro doperíodo estipulado, através da liter...
304 RESULTADOS E DISCUSSÃODurante o mês de outubro de 2012, foram verificadas as faltas de 175 usuários nasconsultas agend...
31Tabela 1 – Faltas dos usuários da UBSBV às consultas de Nutrição. Palhoça-SC, out. 2012.Variáveis n %SexoFeminino 141 81...
32Observando-se os prontuários dos usuários que agendaram suas consultas noperíodo de julho a setembro de 2012, verificou-...
33Em uma UBS no município de São Paulo-SP, Sala et al. (1993) realizou umapesquisa com usuários portadores de doença crôni...
34Fotografia 1 – Recado aos faltososFonte: Küter, 2012.Atualmente não existe uma norma na Política Pública de Saúde que pe...
35Tabela 2 – Perfil socioeconômico e demográfico dos usuários da UBSBV. Palhoça-SC, out.2012.(continua)Variáveis n %Idade1...
36Tabela 2 – Perfil socioeconômico e demográfico dos usuários da UBSBV. Palhoça-SC, out.2012.(conclusão)Variáveis n %> 1 a...
37Universitário do Leste de Minas Gerais, objetivando verificar o estado nutricional e estilo devida. Dos usuários atendid...
38A maioria dos entrevistados (79%, n=44) era casado (a) ou tinha união estável.Em relação ao número de filhos dos usuário...
39Conforme o estudo de Ferreira et al. (2011), os fatores que levam os usuários afaltarem às consultas são o baixo nível s...
40Tabela 3 – Conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. ...
41Tabela 3 – Conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. ...
42A SBH (2010) afirma que há uma prevalência na população brasileira acima de30% para casos de HAS. Esta, por sua vez, é m...
43muita propriedade e até mesmo certeza o que acharam sobre os materiais e os temas quelembram. Talvez isto esteja associa...
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46Fotografia 2 – Entrega da cartilhaFonte: Santos, 2012.Também como forma de intervenção foi impressa uma cartilha e dispo...
47Fotografia 4 – Cartilha para UBSBV e usuárioFonte: Küter, 2012.Além disso, foi elaborado um mural (APÊNDICE D), em forma...
48leiam e entendam o papel e a importância do Nutricionista, ou seja, modifiquem e/ou ampliemseus conhecimentos sobre a Nu...
495 CONSIDERAÇÕES FINAISA presente pesquisa alcançou todos os seus objetivos pré-estabelecidos.Verificou-se que, dos agend...
50Por fim, verificou-se que é ainda mais importante e necessário conscientizar apopulação sobre quem é e o que faz o Nutri...
51REFERÊNCIASAGÊNCIA BRASIL. Empresa Brasil de Comunicação. Pesquisadores concluem que latinossão mais propensos a diabete...
Conhecimento dos usuário de uma ubs sobre o papel e a importância do nutricionista na atenção básica em saúde
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  1. 1. 0UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINAMARIANE KÜTERCONHECIMENTO DOS USUÁRIOS DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DEPALHOÇA-SC SOBRE O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DO NUTRICIONISTA NAATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDEPalhoça2012
  2. 2. 1MARIANE KÜTERCONHECIMENTO DOS USUÁRIOS DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DEPALHOÇA-SC SOBRE O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DO NUTRICIONISTA NAATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDEProjeto de Conclusão de Estágio apresentado àdisciplina de Estágio Supervisionado emNutrição Social do Curso de Nutrição daUniversidade do Sul de Santa Catarina, comorequisito parcial para aprovação.Orientadoras: Prof ª. Rosana Henn, Msc.Prof ª. Raquel Stela de Sá, Dra.Palhoça2012
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  4. 4. 3Dedico este trabalho ao meu amado, aos meuspais, irmão, amigos e professores, por teremme dado carinho, compreensão e todo apoionecessário para conclusão desta fase tãoimportante em minha vida.
  5. 5. 4AGRADECIMENTOSAgradeço a Deus pelo dom da vida e por sempre ter me guiado, iluminado e medado força nos momentos difíceis.Ao meu amor, Leopoldo Nass Neto, por sempre me apoiar e estar ao meu lado meincentivando e confiando em meu potencial nos momentos em que mais precisei e porcompreender, por muitas vezes, a minha ausência.Agradeço aos meus pais, Reni e Ewald, pois recebi deles o dom mais precioso douniverso, a vida. Por isso, serei infinitamente grata. Eles revestiram minha existência de amore dedicação, cultivaram na criança todos os valores que me transformaram em uma pessoaconsciente e responsável. Agradeço ainda por sempre estarem ao meu lado me apoiando,incentivando, auxiliando, me acalmando, com muito amor e paciência, mesmo a distância.Agradeço às minhas colegas por sempre estarem presentes nas minhas atividades,me auxiliando e trocando muitos conhecimentos, especialmente à Patrícia Schmid, que tive aoportunidade de conhecer melhor durante esse período, e que pude descobrir que é umapessoa incrível e por juntas termos superado desafios.Agradeço imensamente à minha amiga Marcela dos Santos, por me ouvir e porpoder dividir as dificuldades dessa jornada; por sempre me auxiliar nas dificuldades e revisarmeus trabalhos, me dando muitas orientações e trocando conhecimentos.Agradeço em especial às minhas orientadoras, Raquel Stela de Sá e Rosana Henn,pelo carinho e atenção e pelos valiosos conhecimentos que transmitiram. Mostraram-me oscaminhos para que eu chegasse ao fim desta jornada com muito sucesso.Agradeço à Nutricionista Helen Gazola e a todos os profissionais da UnidadeBásica de Saúde Bela Vista que me acolheram colaborando para o sucesso da realização doestágio.Agradeço ainda a todos que, direta ou indiretamente, fazem parte da minha vidade forma positiva.
  6. 6. 5“Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.”(CLARICE LISPECTOR)
  7. 7. 6RESUMOA presente pesquisa teve por objetivo avaliar o conhecimento dos usuários de uma UnidadeBásica de Saúde (UBS), de Palhoça-SC, sobre o papel e a importância do Nutricionista naAtenção Básica em Saúde. Trata-se de uma pesquisa com característica quantitativa epredominância qualitativa, do tipo descritiva. Em relação aos procedimentos técnicos, édefinida como pesquisa documental e estudo de caso. Primeiramente, foram verificadas asfaltas dos 175 usuários que agendaram consultas com a Nutricionista na UBSBV, no períodode julho a setembro de 2012. Em seguida, foram realizadas 65 entrevistas, por demandaespontânea na UBSBV e em visitas domiciliares. Verificou-se que 81% (n=141) dosagendamentos foram com pessoas do sexo feminino, 53% (n=93) faltaram às consultas e ofator predominante associado a esta problemática foi o baixo nível socioeconômico. Por meiodas entrevistas, concluiu-se que os usuários desconheciam o papel do Nutricionista naAtenção Básica em Saúde, definindo a atuação deste profissional de forma muitogeneralizada, afirmando que faz dietas ou algo relacionado à perda de peso. Grandepercentual dos entrevistados (82%, n=46) considerou o trabalho do Nutricionista importante,porém, confundia este profissional com o médico ou não sabia exatamente qual era o seupapel. Quando pensavam em consultar o Nutricionista (70%, n=39), 46% (n=18) associavameste desejo à perda de peso e, quando encaminhados por outro profissional (34%, n=19), namaioria das vezes (37%, n=07), era pelo mesmo motivo. No caso da saída da Nutricionista daUBSBV, 61% (n=34) acreditavam que não faria nenhuma diferença, e o motivo relatado por82% (n=28) foi o de que nunca precisaram desse tipo de atendimento. Assim, pode-se afirmarque o conhecimento sobre o papel e sobre a importância do Nutricionista na Atenção Básicaem Saúde é muito pequeno, o que pode estar associado ao baixo nível socioeconômico, fatordeterminante para as faltas nas consultas de Nutrição. Por fim, foi realizada a intervençãonutricional através da entrega de uma cartilha e exposição de um mural sobre o papel eimportância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde, além da socialização da pesquisapara os profissionais da UBSBV. A intervenção nutricional foi muito positiva na tentativa deconscientizar o público entrevistado e os demais usuários da UBSBV sobre o papel e aimportância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde.Palavras-chave: Nutricionista. Atenção Básica em Saúde. Faltas.
  8. 8. 7LISTA DE ILUSTRAÇÕESFotografia 01 - Recado aos faltosos...................................................................................... 34Fotografia 02 - Entrega da cartilha ..................................................................................... 46Fotografia 03 - Cartilha para o usuário ................................................................................. 46Fotografia 04 - Cartilha para UBSBV e usuário.................................................................... 47Fotografia 05 - Mural sobre as atribuições do Nutricionista.................................................. 47
  9. 9. 8LISTA DE TABELASTabela 01 - Faltas dos usuários da UBSBV às consultas de Nutrição. Palhoça-SC, out. 2012.......................................................................................................................................... ..31Tabela 02 - Perfil socioeconômico e demográfico dos usuários da UBSBV. Palhoça-SC, out.2012..................................................................................................................................... 35Tabela 03 - Conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. Palhoça-SC, out. 2012...................................... 39
  10. 10. 9SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO............................................................................................................... 112 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 142.1 NUTRICIONISTA NO BRASIL: UM POUCO DA SUA HISTÓRIA ........................... 142.2 ATRIBUIÇÕES DO NUTRICIONISTA NO SUS ......................................................... 162.2.1 Sistema Único de Saúde ............................................................................................ 162.2.2 Estratégia de Saúde da Família ................................................................................ 172.2.3 Núcleo de Apoio à Saúde da Família ........................................................................ 182.2.4 Atribuições do Nutricionista..................................................................................... 192.3 PAPEL E IMPORTÂNCIA DO NUTRICIONISTA NA ATENÇÃO BÁSICA EMSAÚDE ............................................................................................................................... 202.3.1 Papel do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde............................................... 202.3.2 Importância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde.................................... 222.3.3 Faltas dos usuários nos serviços de saúde................................................................. 232.4 EDUCAÇÃO NUTRICIONAL...................................................................................... 243 MÉTODO........................................................................................................................ 263.1 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA.......................................................................... 263.2 LOCAL E PARTICIPANTES DA PESQUISA .............................................................. 273.3 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS............................................................................ 284 RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................................... 304.1 FALTAS DOS USUÁRIOS ÀS CONSULTAS DE NUTRIÇÃO................................... 304.2 PERFIL SOCIOECONÔMICO E DEMOGRÁFICO ..................................................... 344.3 CONHECIMENTO DOS USUÁRIOS SOBRE O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DONUTRICIONISTA NA ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE ................................................. 394.4 EDUCAÇÃO NUTRICIONAL E DEVOLUTIVA DO ESTUDO.................................. 455 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................... 49REFERÊNCIAS................................................................................................................. 51APÊNDICES ...................................................................................................................... 60APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ...................................... 61APÊNDICE B – Entrevista sobre o Perfil Socioeconômico e Demográfico e sobre oConhecimento dos Usuários sobre o Papel e a Importância do Nutricionista na AtençãoBásica em Saúde................................................................................................................. 62APÊNDICE C – Cartilha sobre o Nutricionista na Atenção Básica em Saúde ............... 64
  11. 11. 10APÊNDICE D – Mural sobre o Nutricionista na Atenção Básica em Saúde................... 71
  12. 12. 111 INTRODUÇÃOUma sociedade baseada em conhecimento tem como principal objetivo aprodução acadêmica e, para o sucesso desta produção, faz-se necessário o conhecimentocientífico e a prática na realidade comunitária (SILVA, 2005). Segundo Salas (1991), deve-segerar conhecimento científico através da pesquisa, dessa maneira, este trabalho visa àpesquisa dentro da realidade comunitária da Unidade Básica de Saúde Bela Vista (UBSBV).O Nutricionista é o profissional que tem formação acadêmica para orientar apopulação, principalmente sobre a relação do homem com o alimento, além docomportamento alimentar de um indivíduo, com intuito de uma alimentação saudável eprevenção dos agravos relacionados à má alimentação (BOOG, 2008).O tema de estudo da presente pesquisa refere-se ao conhecimento dos usuários deuma Unidade Básica de Saúde, na cidade de Palhoça–Santa Catarina, sobre o papel e aimportância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde. Os usuários são atendidos peloSistema Único de Saúde (SUS) e o primeiro contato acontece através da Estratégia de Saúdeda Família (ESF), com apoio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), no qual estáinserido o Nutricionista (BRASIL, 2012a).Identificou-se a importância de estudar este tema durante o reconhecimento daUBSBV: neste período, observou-se que os usuários faltam muito às consultas com aNutricionista e que vários alegam não ter interesse pelo atendimento, mesmo com aoportunidade de tê-lo gratuitamente.No entanto, segundo relatos das enfermeiras do local e de acordo com o que foiobservado durante visitas domiciliares, grande parte dos usuários tem problemas relacionadosà alimentação e nutrição, tais como: obesidade, diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterialsistêmica (HAS). Para todas as enfermidades relatadas, é necessário o atendimento eacompanhamento com o profissional Nutricionista, o que por muitas vezes não ocorre porfalta de conhecimento e interesse da população.A prática do profissional Nutricionista no Brasil teve início em 1940, porém,somente em 1960 surgiu a Nutrição Pública, considerada uma área de atuação recente, torna-se relevante identificar se os usuários têm conhecimento de quem é o Nutricionista, seu papele importância (ASBRAN, 1991). Esta área de atuação desse profissional caracteriza-se porações dentro de coletividades e tem caráter preventivo. Assim, é de vital importância que apopulação conheça a existência e o trabalho deste profissional (BOOG, 2008).
  13. 13. 12A transição nutricional vem ocorrendo, nos últimos anos, com o aumento doconsumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares, juntamente com o baixo consumo defrutas, legumes e verduras, favorecendo, assim, o aparecimento das doenças crônicas nãotransmissíveis (DCNT) e a diminuição das doenças relacionadas à fome e à miséria (CFN,2008; VASCONCELOS, 2007). Nesse sentido, atuar com o cuidado nutricional na AtençãoBásica em Saúde é uma forma eficiente, preventiva e traz menores gastos aos cofres públicos(CFN, 2008).O Ministério da Saúde, através da Política Nacional de Alimentação e Nutrição(PNAN), tem como objetivos garantir a qualidade dos alimentos, promover práticasalimentares saudáveis e prevenir e controlar os distúrbios alimentares (BRASIL, 2012c). ONutricionista está inserido na Atenção Básica em Saúde com a finalidade de promover asaúde através de práticas alimentares saudáveis, combatendo os malefícios relacionados àalimentação e nutrição (BRASIL, 2010).Este projeto se justifica principalmente pela importância da pesquisa, que dizrespeito à necessidade do profissional Nutricionista na Atenção Básica em Saúde para apromoção e prevenção da saúde, pois estes são os princípios do SUS (BRASIL, 2008b). ParaBOSI (1996), uma profissão só existe quando é reconhecida socialmente, para isso, éimprescindível que os usuários do SUS conheçam as atribuições do Nutricionista,compreendam o papel e a importância do profissional na Atenção Básica em Saúde,auxiliando, assim, na garantia do crescimento, desenvolvimento, prevenção, manutenção erecuperação da saúde (FERREIRA; MAGALHÃES, 2007).A partir disso, o objetivo geral deste estudo foi avaliar o conhecimento dosusuários de uma Unidade Básica de Saúde de Palhoça-SC sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. Os objetivos específicos foram: verificar faltasdos usuários nas consultas de Nutrição; identificar o perfil socioeconômico e demográfico dosusuários; investigar o conhecimento dos usuários sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde; realizar intervenção nutricional ao término dasentrevistas; apresentar os resultados da pesquisa aos colaboradores da UBSBV e comunidadeacadêmica.Após a apresentação do capítulo introdutório, descreve-se o segundo item, queabrange o referencial teórico, abordando a história do Nutricionista no Brasil, atribuiçõesdeste profissional no SUS e seu papel e importância inserido nesse sistema, assim como, aESF, o NASF, a problemática das faltas e, por fim, a educação nutricional.
  14. 14. 13O terceiro capítulo refere-se ao método, que exibe as características, local,participantes e como foi realizada a coleta e análise dos dados da pesquisa.No quarto capítulo, são demonstrados os resultados e discussão da pesquisarespondendo aos objetivos da mesma, através dos dados coletados e da intervençãonutricional o que permitiu a construção das seguintes categorias: faltas dos usuários àsconsultas de nutrição, perfil socioeconômico e demográfico, conhecimento dos usuários sobreo papel e a importância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde e educação nutricionale devolutiva do estudo.As considerações finais são abordadas no quinto capítulo, respondendo se apesquisa conseguiu atingir os objetivos iniciais, se houve limitações, e sugestões de possíveispropostas para novas pesquisas sobre o tema abordado.Por fim, são apresentadas as referências utilizadas durante o trabalho e osapêndices.
  15. 15. 142 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA2.1 NUTRICIONISTA NO BRASIL: UM POUCO DA SUA HISTÓRIAAo longo da história, ocorreram vários fatos que contribuíram para a evolução daCiência da Nutrição, como, por exemplo, a Revolução Industrial europeia no século XVIII e aPrimeira Guerra Mundial. Neste período, iniciaram os primeiros estudos nessa área, quandofoi percebido que soldados bem alimentados lutavam melhor (CRISTOFOLLI; BONATO;RAVAZZANI, 2012). O surgimento efetivo da Ciência da Nutrição, em âmbito mundial, teveinício no começo no século XX, por isso, é considerada uma ciência recente(VASCONCELOS, 2002; DEMÉTRIO et al., 2011).O interesse pela Nutrição no Brasil foi influenciado, em grande parte, pelotrabalho de um médico argentino, Pedro Escudero que, em 1926, na sua terra natal, fundou oInstituto Nacional de Nutrição e, em 1933, a Escola Nacional de Dietistas e o Curso deMédicos Dietólogos (TOLOZA, 2003; VASCONCELOS, 2002; CRISTOFOLLI; BONATO;RAVAZZANI, 2012).Vários brasileiros estudaram nas instituições fundadas por Escudero, sendo válidodestacar um deles: Josué Apolônio de Castro, que no ano de 1932 iniciou a pesquisa sobre ascondições de vida das classes operárias em Recife (L`ABBATE, 1988; ICAZA, 1991). Esseestudo foi considerado o primeiro inquérito nutricional do Brasil e motivou outras pesquisas,dando origem, também, ao primeiro salário mínimo (CRISTOFOLLI; BONATO;RAVAZZANI, 2012).Josué de Castro foi uma figura importante para a evolução da Ciência da Nutriçãono Brasil, pois idealizou e concretizou o Instituto de Nutrição na Universidade do Brasil, atualUniversidade do Rio de Janeiro. Castro também foi presidente da Sociedade Brasileira deNutrição, criou o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS) e publicou várioslivros sobre a fome, entre eles, Geografia da fome e Geopolítica da Fome (CENTRO JOSUÉDE CASTRO, 2012).A formação de Nutricionistas no Brasil iniciou em 1939, com a criação doprimeiro curso de Nutrição no Instituto de Higiene de São Paulo, atual faculdade de SaúdePública da Universidade de São Paulo. O curso tinha duração de um ano, era ministrado emtempo integral e dividido em quatro períodos (FRIEDMAN; GOUVEIA, 1999; CFN, 2008;SIMONARD-LOUREIRO et al., 2006; CRISTOFOLLI; BONATO; RAVAZZANI, 2012).
  16. 16. 15No ano de 1940, surgiram: a Nutrição Clínica, a partir da Nutrição Básica eExperimental; e a Nutrição Coletiva, que constituiu o núcleo inicial da perspectiva social daNutrição, com atuação voltada para o coletivo, para a sociedade e para a economia(VASCONCELOS, 2002). Os cursos técnicos do Serviço Central de Alimentação do Institutode Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI) também surgiram em 1940 e, em 1943,eles deram origem ao Curso de Nutricionistas do Serviço de Alimentação da PrevidênciaSocial (SAPS), criado por Josué de Castro, que atualmente é o Curso de Graduação emNutrição da Universidade do Rio de Janeiro (COSTA, 1953; MAURÍCIO, 1964; ASBRAN,1991).No ano de 1944, foram criados o Curso de Nutricionistas da Escola Técnica deAssistência Social Cecy Dodsworth, sendo hoje o Curso de Graduação em Nutrição daUniversidade Estadual do Rio de Janeiro e os Arquivos Brasileiros de Nutrição(SIMONARD-LOUREIRO et al., 2006; VASCONCELOS, 2002). Em 1948, teve início oCurso de Dietistas da Universidade do Brasil, atual Curso de Graduação em Nutrição doInstituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COSTA, 1953; MAURICÍO,1964; ASBRAN, 1991).No ano de 1949, foi fundada a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN) quepossibilitou a discussão, de forma coletiva, dos avanços e problemas dos Nutricionistas. AASBRAN também permitiu a promoção da integração entre os profissionais, professores ealunos, por meio de reuniões e especialmente dos congressos brasileiros de Nutriçãorealizados a partir de 1958 (SIMONARD-LOUREIRO et al., 2006; VASCONCELOS, 2002).Segundo Costa (1999), até a década de 60, a profissão de Nutricionista eraconsiderada exclusivamente feminina, já em 2006, segundo o CFN (2006), somente 96,5%dos profissionais eram do sexo feminino. Esta profissão se tornou uma carreira jovem epromissora, devido ao início da preocupação com a alimentação e nutrição por parte dapopulação. No mesmo período, surgiu a área de Nutrição em Saúde Pública(VASCONCELOS, 2002). Em 1967, a profissão de Nutricionista foi regulamentada(CRISTOFOLLI; BONATO; RAVAZZANI, 2012).Impulsionando ainda mais o crescimento da Nutrição, no ano de 1968, ocorreu aReforma Universitária, que determinou a abertura de novos cursos em todas as áreas deconhecimento, especialmente naquelas que contavam com menor número de cursos degraduação, como era o caso da Nutrição (VASCONCELOS, 2002; MARTINS, 2009).Até a década de 70, havia sete cursos de Nutrição no Brasil (ASBRAN, 1991).Em 1972, o primeiro curso de graduação em Nutrição passou a ter quatro anos de duração,
  17. 17. 16dividido em oito semestres, conforme estabelecido pelo Ministério da Educação(FRIEDMAN; GOUVEIA, 1999; CFN, 2008; SIMONARD-LOUREIRO et al., 2006).Segundo o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), a criação e execução doprimeiro Programa Nacional de Alimentação e Nutrição, em 1972, aumentou a necessidade derecursos humanos que, por sua vez, impulsionou a criação de novos cursos de Nutrição eaumentou o mercado de trabalho para Nutricionistas. Consequentemente, a profissão seexpandiu para os hospitais e SAPS, escolas, restaurantes de trabalhadores, docência, indústria,marketing, Nutrição em esportes, saúde suplementar, núcleos de assistência à saúde dafamília, entre outros. (CFN, 2008; VASCONCELOS, 2002).Em 20 de outubro de 1978, foi sancionada a Lei nº 6.583 que criou o ConselhoFederal e Regional de Nutricionistas, com a finalidade de orientar, disciplinar e fiscalizar oexercício profissional (CFN, 1999). A instalação dos Conselhos Regionais foi feita a partir de1980 (CFN, 2008). Em 1990, ocorreu a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais doCurso de Graduação em Nutrição, que definiu o perfil do Nutricionista, marco importante nahistória do profissional (BRASIL, 2001; ASBRAN, 1991).Em 1996, o número de Instituições de Ensino Superior para formação deNutricionistas no Brasil era de 44; em 2007, essa quantidade passou para 267; e, em 2008,subiu para 311. Na região Sul, no ano de 2000, havia 24 cursos; em 2009, passaram para 59,demonstrando, assim, esta expansão na área e no número de profissionais (BRASIL, 2011a).Segundo o CFN, a ampliação das áreas de atuação dentro da Nutrição, tanto na SaúdeColetiva como nas demais áreas, se mantém nos dias atuais. Dentro da área de SaúdeColetiva, o Nutricionista pode atuar no SUS, integrado ao NASF (CFN, 2006; CFN, 2008).2.2 ATRIBUIÇÕES DO NUTRICIONISTA NO SUS2.2.1 Sistema Único de SaúdeSegundo o Ministério da Saúde, o SUS é um dos maiores sistemas públicos desaúde do mundo. Foi criado em 1988 e regulamentado pelas leis orgânicas da saúde, com oobjetivo de que todos tivessem acesso à saúde de forma menos desigual (BRASIL, 2012d).Com a criação do SUS, a saúde passou a ser direito de todos e dever do Estado, tornandoobrigatório o atendimento gratuito a toda população. O SUS é um sistema que reúne váriosserviços, ações e Unidades Básicas de Saúde (UBS) que atuam em conjunto para garantir a
  18. 18. 17saúde de toda a população brasileira. Os princípios filosóficos deste sistema sãohierarquização, resolutividade e descentralização (BRASIL, 2000).Conforme o Ministério da Saúde, o SUS objetiva a promoção da igualdade noatendimento das necessidades de saúde da população, ofertando serviços com qualidadeadequados a essas necessidades, independente do poder aquisitivo do cidadão. Este sistema sepropõe a promover a saúde, priorizando as ações preventivas, repassando informaçõesimportantes para que a população tenha conhecimento dos seus direitos e dos riscos emrelação à sua saúde. O controle da ocorrência de doenças, seu aumento e propagação sãoalgumas das responsabilidades de atenção do SUS, assim como o controle da qualidade deremédios, de exames, de alimentos, higiene e adequação das instalações que atendem aopúblico, na qual atua a Vigilância Sanitária (BRASIL, 2008a).Através do SUS, todos os brasileiros têm direito a consultas, internações, examese qualquer tratamento, em qualquer unidade de saúde que tenha vínculo ao SUS, desde oatendimento ambulatorial até o transplante de órgãos. O sistema é mantido com recursosarrecadados através de impostos e contribuições pagos pela população (BRASIL, 2012d).O setor privado participa do SUS de forma complementar, por meio de contratos econvênios de prestação de serviço ao Estado. Isto ocorre quando as unidades públicas deassistência à saúde, como a ESF, não são suficientes para garantir o atendimento a todapopulação de uma determinada região (BRASIL, 2008b).2.2.2 Estratégia de Saúde da FamíliaNo ano de 1994, com o intuito de atender aos princípios da Atenção Básica emSaúde, foi criado o Programa Saúde da Família que, em 1999, transformou-se na ESF. Com oobjetivo de reorganizar a Atenção Básica em Saúde, o Programa passou a não ser mais vistocomo um programa, pois é a porta de entrada do usuário aos serviços de saúde; assim, a ESFpassou a ser parte da Política Nacional de Saúde (COSTA; SANTANA, 2011; PACHECO,2009).O Ministério da Saúde afirma que com a implantação das equipesmultiprofissionais da ESF, tem-se como meta a substituição do modelo hospitalocêntricotradicional, focado na doença, para um modelo voltado principalmente para a prevenção. Estaestratégia visa à atenção integral, que abrange promoção, prevenção, assistência e reabilitaçãoda saúde (BRASIL, 1997).
  19. 19. 18A ESF busca resgatar, por meio de atendimento humanizado, os vínculos decompromisso e responsabilidade recíproca entre os serviços de saúde, os profissionais e apopulação. Para viabilizar suas ações, cada equipe multiprofissional da ESF precisa ter aparticipação de um Enfermeiro, de um Médico generalista (clínico geral), de dois auxiliaresde Enfermagem e de quatro a seis Agentes Comunitários de Saúde (TEIXEIRA; COSTA,2003; BRASIL, 2006). Esta pode ter ainda uma equipe de saúde bucal, composta por umcirurgião Dentista, um Auxiliar de consultório dentário e um Técnico em higiene bucal(BRASIL, 2007; BRASIL, 2011b).A ESF deve acolher integralmente as necessidades de uma comunidade, definidapor limites territoriais, interferindo nos padrões de produção de saúde e doença e,consequentemente, melhorando os indicadores de saúde. A equipe também deve atuar deforma interdisciplinar e ser responsável pela atenção integral à saúde de 600 a 1000 famílias,não devendo ultrapassar 4000 mil pessoas residentes em seu território de abrangência(BRASIL, 2007; BRASIL, 2011b).2.2.3 Núcleo de Apoio à Saúde da FamíliaEm janeiro de 2008, o Ministério da Saúde, pela portaria nº 154, criou o NASF,que tem como principal objetivo apoiar o trabalho da ESF, além de promover a saúde e aqualidade de vida como forma de prevenção de doenças. O NASF é uma ampliação da ESF edeve atuar de forma integrada à rede de serviços da saúde, considerando as necessidadesidentificadas no trabalho em conjunto com as ESF (BRASIL, 2010).Segundo o Ministério da Saúde, os núcleos devem ser constituídos porprofissionais de diferentes áreas que atuam em parceria com os profissionais das ESF.Existem dois tipos de núcleos: o NASF 1 e o NASF 2 (BRASIL, 2009a).O NASF 1 é composto por, no mínimo, cinco dos profissionais, dentre eles,podem estar: Nutricionista, Médico Ginecologista, Médico Homeopata, Médico Pediatra,Médico Psiquiatra, Assistente Social, Profissional da Educação Física, Farmacêutico,Fonoaudiólogo, Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional. Os profissionais que integram oNASF devem ser cadastrados e desenvolver as funções junto à, no mínimo, oito e no máximo20 ESF (BRASIL, 2009a).O NASF 2 é destinado a municípios que tenham população abaixo de dezhabitantes por quilômetro quadrado, composto por, no mínimo, três profissionais de nívelsuperior de ocupações diferentes; dentre estes, podem estar: Assistente Social, Profissional de
  20. 20. 19Educação Física, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Nutricionista, Psicólogo eTerapeuta Ocupacional, estes devem desenvolver ações junto à, no mínimo, 3 ESF (BRASIL,2009a). O Nutricionista tem várias áreas de atuação e, dentro do NASF, essa área édenominada área de Saúde Pública. Nesta, o Nutricionista tem várias tarefas que são citadaspelo CFN (2008) como atribuições do Nutricionista na Atenção Básica em saúde.2.2.4 Atribuições do NutricionistaUm grande passo para dar sustentação ao trabalho do Nutricionista na SaúdePública ocorreu no ano de 2005, quando o CFN, a partir da resolução nº 380, dispôs acercadas áreas de atuação do Nutricionista, levando em consideração os objetivos, os campos deatuação e o princípio da integralidade na atenção à saúde no SUS (BOOG, 2008; CFN, 2005).A área de Saúde Pública, conforme esta resolução, compreende três subáreas deatuação: as políticas e programas institucionais; Atenção Básica em Saúde e VigilânciaSanitária ou Vigilância em Saúde (CFN, 2005; BOOG, 2008). Segundo o CFN (2005), sãoatribuições obrigatórias do Nutricionista, na Atenção Básica em Saúde no SUS: Planejar e executar ações de educação alimentar e nutricional, de acordo com odiagnóstico da situação nutricional identificado no usuário; Coletar, consolidar, analisar e avaliar dados de Vigilância Alimentar e Nutricional,propondo ações para a resolução da problemática em situações de risco nutricional; Identificar grupos populacionais de risco nutricional para DCNT, com o objetivo deplanejar ações específicas; Participar, desde o planejamento até a execução, de cursos de aperfeiçoamento etreinamento para profissionais da área de saúde; Participar da elaboração, revisão e padronização de métodos relativos ao campo dealimentação e nutrição; Promover, junto com a equipe de planejamento a implementação, a implantação e oacompanhamento das ações de Segurança Alimentar e Nutricional; Integrar campos de educação permanente para o aprimoramento contínuo dos recursoshumanos de todos os níveis do SUS; Desenvolver, implantar e implementar protocolos de atendimento nutricionaladequado às particularidades da população assistida;
  21. 21. 20 Discutir com gestores de saúde, em parceria com outros coordenadores/supervisoresda Atenção Básica em Saúde, a efetiva implantação de fluxos e mecanismos de referênciae contra referência, além de outras medidas necessárias para garantir o desenvolvimentode ações de assistência à saúde e nutrição; Elaborar o plano de trabalho anual, que inclua os procedimentos adotados para odesenvolvimento das atribuições.Outras áreas de atuação deste profissional são a Alimentação Coletiva, a NutriçãoClínica, docência, extensão, pesquisa e coordenação relacionadas à alimentação e à nutrição.O Nutricionista também pode atuar na indústria de alimentos, realizando atividades dedesenvolvimento de produtos, também na Nutrição Esportiva, atuando em academias, clubesesportivos e similares, bem como em âmbitos do marketing, entre outras funções (CFN,2005).Na área de Alimentação Coletiva, o Nutricionista realiza atividades dealimentação e nutrição nas Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN). O profissionaltambém pode atuar: dentro de empresas fornecedoras de serviços de alimentação coletiva, emserviços de alimentação autogestão, restaurantes comerciais e similares; hotelaria marítima;serviços de buffet e de alimentos congelados; comissárias e cozinhas dos estabelecimentosassistenciais de saúde; e em atividades próprias da alimentação escolar e da alimentação dotrabalhador (CFN, 2005).Na Nutrição Clínica, este profissional atua nos hospitais e clínicas, nas instituições de longapermanência para idosos, nos ambulatórios e consultórios, nos bancos de leite humano, noslactários, nas centrais de terapia nutricional, nos spas e em atendimento domiciliar (CFN,2005). Indiferentemente da área de atuação, o Nutricionista é formado para atuar comqualidade, eficiência e resolubilidade no SUS.2.3 PAPEL E IMPORTÂNCIA DO NUTRICIONISTA NA ATENÇÃO BÁSICA EMSAÚDE2.3.1 Papel do Nutricionista na Atenção Básica em SaúdeNa Atenção Básica em Saúde, o Nutricionista realiza um conjunto de ações, decaráter individual e coletivo, situadas no primeiro nível de atenção nos sistemas de saúde,visando à prevenção de doenças, promoção, manutenção e recuperação da saúde (CFN, 2005).
  22. 22. 21Segundo o Conselho Nacional de Educação, o Nutricionista é definido comogeneralista, humanista, crítico e capacitado a atuar visando à segurança alimentar e à atençãodietética. O Nutricionista também está apto para atuar em todas as áreas do conhecimento nasquais a alimentação e nutrição se mostrem essenciais para a prevenção, promoção,manutenção e recuperação da saúde de indivíduos ou coletividades. O intuito desseprofissional é contribuir para a melhoria da qualidade de vida, fundamentado em princípioséticos, com visão sobre a realidade cultural, econômica, política e social (BRASIL, 2001).Na Atenção Básica em Saúde, atuando junto ao NASF, o Nutricionista deverealizar ações de alimentação e nutrição em todas as fases do ciclo da vida. Deve atuar tantodiante de indivíduos saudáveis, como de enfermos com problemas como desnutrição,carências específicas, obesidade e nos demais distúrbios nutricionais e alimentares e na suarelação com as patologias (BRASIL, 2009a).O trabalho do Nutricionista é importante para socialização do conhecimento sobreos alimentos e sobre o processo de alimentação, bem como para o desenvolvimento deestratégias de resgate de hábitos e práticas alimentares regionais, relacionadas ao consumo dealimentos locais e de custo acessível com elevado valor nutritivo (CFN, 2005).O Nutricionista que atua no NASF deve conhecer e estimular a produção e oconsumo dos alimentos saudáveis produzidos regionalmente, além de incentivar o cultivo dehortas e pomares comunitários. Este profissional também deve capacitar a ESF e participar deações vinculadas aos programas de controle e prevenção dos distúrbios nutricionais; devendotambém elaborar, em conjunto com as ESF, rotinas de atenção nutricional e atendimento paradoenças relacionadas à alimentação e nutrição, de acordo com protocolos de Atenção Básicaem Saúde (BRASIL, 2011b).O Nutricionista está capacitado para atuar auxiliando o Brasil, colocando emprática as políticas direcionadas aos problemas relacionados à alimentação e nutrição, como,por exemplo, a desnutrição e a obesidade. Também está apto a orientar as pessoas de acordocom fatores culturais, nível socioeconômico, hábitos alimentares, religião, tabus, vocaçãoagrícola do local, entre outros fatores que podem influenciar na prática da alimentaçãosaudável. A atuação do profissional na Atenção Básica em Saúde é essencial, visto que elebusca a prevenção e promoção da saúde através de uma alimentação saudável e da educaçãonutricional da população (LIMA; GOUVEIA, 1999; CFN, 2012a).
  23. 23. 222.3.2 Importância do Nutricionista na Atenção Básica em SaúdeSegundo Lima e Gouveia (1999), o estado nutricional das populações é resultadode fatores ambientais, sociais, econômicos, culturais e demográficos, resultando nadisponibilidade de alimentos, do consumo e utilização orgânica dos nutrientes. A alimentaçãoé uma preocupação mundial, um desafio para cada país, de uma forma diferente, devido àsindividualidades climáticas, culturais, entre outras.A transição nutricional é verificada em diversas partes do Brasil e do mundo, estefenômeno é caracterizado pela diminuição da prevalência dos déficits nutricionais e aumentode pessoas com sobrepeso e obesidade. Esse problema atinge todas as faixas etárias, o quevem trazendo prejuízos à saúde e à qualidade de vida dessas pessoas (BATISTA FILHO et al.,2008).É fundamental que o Nutricionista atue na rede de saúde para a redução dosproblemas de caráter nutricional; também é importante e essencial que os usuários sejamencaminhados ou busquem atendimento para um diagnóstico precoce e que, assim, possamser realizadas as intervenções necessárias o mais cedo possível (WHO, 2004).O profissional Nutricionista realiza o diagnóstico de agravos nutricionais, o que éfundamental para mobilizar as autoridades com as soluções dos problemas relacionados àalimentação e nutrição. Para chegar a este diagnóstico, é necessária a utilização de indicadoresespecíficos e bem conhecidos pelo Nutricionista. Depois de diagnosticados os problemas, asinformações podem ser utilizadas pelos órgãos governamentais, auxiliando na criação deestratégias para intervenção nutricional como, por exemplo, o programa de suplementação deferro criado pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição (LIMA; GOUVEIA, 1999;BRASIL, 2012b).É importante ressaltar que medidas políticas e sociais de alimentação e nutrição sóse tornam eficazes quando inseridas em um contexto maior, em uma política ampla queatenda às necessidades da população, também sendo relevante que os programas dealimentação e nutrição estejam associados à distribuição de alimentos. Essas políticasnecessitam ser acompanhadas de educação nutricional e por avaliação permanente da eficáciado programa, realizadas por um profissional capacitado que é o Nutricionista (LIMA;GOUVEIA, 1999).Boog (2008, p. 34) afirma que a inserção da Atenção Básica em Saúde dentro doNASF é definida pelos gestores municipais de acordo com as necessidades e disponibilidadesde profissionais dos locais.
  24. 24. 23É relevante considerar que a opinião dos gestores acerca do valor da intervenção, dopotencial de resolutividade dela a curto, médio e longo prazos e a representação queeles têm sobre o papel que o Nutricionista pode ou deve desempenhar são tão oumais significativos na tomada de decisão sobre a incorporação do profissional naequipe, do que a necessidade e disponibilidade de profissionais na região, e aavaliação dessa necessidade dificilmente será realizada sem sofrer a influência doscentros de interesse e de poder.Dessa forma, a atuação deste profissional no NASF é primordial para desenvolverum trabalho interdisciplinar, através de ações voltadas para a alimentação e nutrição, com afinalidade de melhoria da saúde e qualidade de vida dos usuários (ASSIS et al., 2002).Verifica-se ainda a importância do Nutricionista, quando Ferreira e Magalhães (2007), combase na Declaração Universal dos Direitos Humanos, afirmam que alimentação e nutrição sãodireitos humanos fundamentais e importantes para um desenvolvimento biológico e socialcompleto.2.3.3 Faltas dos usuários nos serviços de saúdePoucos estudos foram realizados, até o presente momento, sobre as faltas dosusuários nas consultas com o profissional Nutricionista, na Atenção Básica em Saúde, e atémesmo com os demais profissionais.Para Ferreira et al. (2011), as faltas às consultas representam um consumo extrade recursos humanos e econômicos, tornando-se uma limitação para a atuação do profissional.Essa problemática, segundo os autores, afeta todas as especialidades médicas. Para Bender,Molina e Mello (2010), o não aviso prévio da falta é um prejuízo, visto que se perde aoportunidade de inserir outro usuário naquela consulta.Segundo um estudo realizado em São Paulo, por Almeida et al. (2009), percebeu-se que, apesar de toda estrutura ser oferecida aos usuários, eles não compareciam às consultasde odontologia agendadas e não justificavam essas faltas posteriormente. Perceberam que, namaioria dos casos, as faltas se davam por esquecimento do paciente, que alegavam não teremrecebido uma ligação de lembrete acerca da consulta.As faltas às consultas representam um consumo acrescido de recursos humanos,estruturais (espaço físico) e econômicos. Têm um impacto importante na qualidadeassistencial, constituindo uma oportunidade perdida de diagnóstico, de prevençãoe/ou tratamento. Alguns autores verificaram que a saúde dos doentes que faltam àconsulta pode estar em risco, apesar da sua percepção de “bem estar” (FERREIRAet al., 2011, p. 259).
  25. 25. 24Conforme o estudo de Ferreira et al. (2011), os fatores que levam os usuários afaltarem às consultas são: problemas de saúde mental, baixo nível socioeconômico, períodomuito longo entre uma consulta e outra e até a distância da casa até a unidade de saúde. Oesquecimento das consultas também é um ponto muito referido.Para resolução desta problemática, no serviço particular, se mostra eficiente oserviço de lembrete às consultas, ao contrário das multas punitivas. Por isso, torna-se cada vezmais importante identificar as causas dessas faltas e implementar medidas que otimizem aeficiência e eficácia dos serviços de saúde (FERREIRA et al., 2011).Dessa forma, é também importante verificar se os usuários faltam muito às consultas com oNutricionista na Atenção Básica em Saúde. A partir deste dado, pode-se pensar em algumamedida de intervenção para que os usuários não faltem às consultas, e/ou compreendam aimportância deste profissional, tanto no que se refere às atividades de educação nutricional,quanto no tratamento de doenças.2.4 EDUCAÇÃO NUTRICIONALTurano e Almeida (1999) afirmam que a educação é um processo que tem comoobjetivo capacitar o ser humano para agir diante de situações novas do dia a dia, fazendo usode experiências anteriores, sempre visando à integração, a continuidade e o progresso nocampo social, segundo as necessidades de cada um, afim de serem atendidos, integralmente, oindivíduo e a coletividade. A educação em saúde, no campo da Nutrição, tem o objetivo deensinar um indivíduo ou coletividades sobre a maneira agir frente aos problemas diários,tornando-se fundamental, assim, a prática da educação nutricional.Para Boog (1997), a educação nutricional é uma importante estratégia de ação emSaúde Pública, além de ser uma disciplina obrigatória nos cursos de Nutrição, fazendo partedas ações do Nutricionista em todas as áreas de atuação. A educação nutricional, tanto nateoria como na prática, tem o mesmo objetivo, que é fazer com que o indivíduo tenhaconsciência e responsabilidade sobre suas ações relacionadas à alimentação.O comportamento alimentar tem sua construção na infância, transmitido pelafamília e pelas tradições, crenças e tabus, que passam pelas gerações associado aos hábitosalimentares. Esses hábitos e comportamentos alimentares podem mudar de acordo com asmudanças do ambiente (TURANO; ALMEIDA, 1999; CFN, 2012b). A mudança de hábitos ecomportamentos alimentares também pode se dar através da educação nutricional, que estáinserida na prática diária do Nutricionista (TURANO; ALMEIDA, 1999).
  26. 26. 25Para estimular os indivíduos a uma mudança de hábitos e comportamentosalimentares incorretos, é necessário que o educador, neste, caso o Nutricionista, consigasensibilizar e motivar o indivíduo e/ou a coletividade passando segurança e conhecimento(LINDEN, 2005). A mudança dos hábitos e comportamentos alimentares inadequadostambém é conhecida como reeducação alimentar e tem como objetivo a promoção da saúdepara evitar as consequências negativas de uma má alimentação e nutrição (STÜRMER, 2004).A educação nutricional é uma das ferramentas da área da Nutrição que pode serutilizada com o objetivo de estabelecer bons hábitos alimentares. Para seu sucesso, éimportante que seja realizado um diagnóstico nutricional da população para a qual aorientação se destina, utilizando informações claras e pertinentes quando o assunto forabordado (CERVATO; GOMES; JORGE, 2004).Segundo Campadello e Diniz (2006), não existe uma idade para começar a sealimentar corretamente, porém, seria importante a criação de bons hábitos e comportamentosdesde a infância, pois, conforme as pessoas envelhecem, a mudança de hábitos ecomportamentos torna-se mais difícil.A alimentação tem influência em todo o organismo, desde a saúde da pele até asaúde mental. Stürner (2004) argumenta que para uma vida mais saudável, é necessárioinvestir em educação alimentar, e o Nutricionista está habilitado para atuar promovendo essaeducação através da instrução de bons hábitos e comportamentos alimentares.Conforme Boog (2008), compete ao Nutricionista, no exercício de suasatribuições na área de Saúde Coletiva, prestar assistência e educação nutricional para ascoletividades, bem como para os indivíduos sadios ou enfermos, podendo atuar também eminstituições públicas ou privadas e em consultório de nutrição e dietética, através de ações,programas, pesquisas e eventos, direta ou indiretamente relacionados à alimentação enutrição.Embora a assistência e educação alimentar e nutricional constituam açõesprivativas do Nutricionista, conforme a Lei 8.234/91 que regulamenta a sua atuaçãoprofissional, a promoção da alimentação saudável tem caráter mais amplo, envolvendo nesseprocesso os demais profissionais da saúde e os órgãos governamentais (BOOG, 2008).
  27. 27. 263 MÉTODO3.1 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISAA presente pesquisa possui característica quantitativa com predominânciaqualitativa, do tipo descritiva. Sua classificação em relação aos procedimentos técnicos édefinida como pesquisa documental e estudo de caso (LUCIANO, 2001; CERVO;BERVIAN, 2002).Segundo Luciano (2001), Silva e Menezes (2001) uma pesquisa tem característicaquantitativa quando seus resultados podem ser traduzidos em números. Com base nestaafirmação, a pesquisa em questão tem característica quantitativa, pois após a verificação dosdados das faltas dos usuários da UBSBV, em consultas com a Nutricionista, no período dejulho a setembro de 2012 os dados foram tabulados e, consequentemente, quantificados.Formulou-se uma entrevista semiestruturada sobre o Perfil Socioeconômico eDemográfico e sobre o Conhecimento do Usuário sobre o Papel e a Importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. A entrevista continha perguntas abertas e fechadase foi aplicada aos usuários da UBSBV, por demanda espontânea e em visitas domiciliares.A entrevista semi-estruturada tem como características a utilização de um roteiropreviamente elaborado com perguntas principais, complementadas por outras questõesrelativas às circunstâncias do momento da entrevista. Além disso, as respostas nesse tipo deentrevista não estão condicionadas a uma padronização de alternativas. A elaboração doroteiro possibilita um planejamento da coleta dos dados para que se possa alcançar o objetivofinal (MANZINI, 1991; SILVA; MENEZES, 2001; LUCIANO, 2001).Após a verificação e tabulação das faltas dos usuários e aplicação da entrevista, osdados foram confrontados com a contribuição da bibliografia já existente. Com base nessaproposta, a pesquisa tem característica qualitativa, pelo fato de centrar-se não apenas naquantificação, mas principalmente na qualificação dos dados após a verificação, preocupando-se em compreendê-los e explicá-los (FONSECA, 2002; LUCIANO, 2001; SILVA;MENEZES, 2001; DESLANDES; GOMES; MINAYO, 2007). Para Fonseca (2002), autilização conjunta das características qualitativa e quantitativa permite obter um maiornúmero e qualidade de informações do que com o uso destas isoladamente.A pesquisa é considerada também do tipo descritiva, pois através da aplicação daentrevista, foram analisadas e descritas características dos usuários da UBSBV e, através da
  28. 28. 27verificação das faltas e presenças, quantificou-se a frequência do problema (LUCIANO, 2001;CERVO; BERVIAN, 2001).De acordo com os procedimentos técnicos, a pesquisa é classificada comodocumental e estudo de caso. Documental, pois foram analisados documentos, ou seja, osprontuários UBSBV, que não receberam nenhum tipo de tratamento científico. A pesquisa sedeu, assim, em busca de informações que ainda não haviam sido analisadas que, neste caso,foram as faltas dos usuários às consultas com a Nutricionista (SÁ-SILVA; ALMEIDA;GUINDANI, 2009). Também é classificada como estudo de caso, devido à pesquisa teracontecido com um determinado grupo, os usuários da UBSBV, objetivando verificar oconhecimento deles sobre o papel e a importância do Nutricionista na Atenção Básica emSaúde (CERVO; BERVIAN, 2001). Segundo Yin (2005), o estudo de caso pode ser de casoúnico ou de casos múltiplos, podendo conter tanto dados qualitativos como quantitativos e asevidências podem ser de documentos, entrevistas, entre outros.Após a aplicação da entrevista, realizou-se uma intervenção nutricional com aentrega de uma cartilha e fixação de um mural na UBSBV (LUCIANO, 2001; FONSECA,2002). Ambos objetivaram que os entrevistados e os usuários, de um modo geral, entendam opapel e a importância do profissional Nutricionista na Atenção Básica em Saúde.3.2 LOCAL E PARTICIPANTES DA PESQUISAA pesquisa foi realizada com os usuários da UBSBV de Palhoça-SC, localizada naRua José Cosme Pamplona, 1447, no bairro Bela Vista, por demanda espontânea nasdependências da UBSBV e em visitas domiciliares. A UBSBV foi fundada em 1996 peloSecretário de Saúde e foi transferida para o atual local em 28 de Março de 2005.A UBSBV realiza suas atividades de segunda a sexta-feira, das 07:00 às 12:00h edas 13:00 às 17:00h, atendendo às pessoas que moram no bairro Bela Vista e que tem umcadastro e número de prontuário junto a este local. Para o atendimento na UBSBV, osusuários são divididos em duas áreas de abrangência, a 008 e 028. Cada área contém ummédico e uma enfermeira vinculados a ESF. Já a Nutricionista, que é vinculada ao NASF,atende em ambas as áreas. Atualmente, a UBSBV conta com 26 colaboradores e é coordenadapor uma técnica de enfermagem.A UBSBV não contém dados sobre o número de usuários cadastrados, porém,segundo relatos das enfermeiras, a maioria dos problemas de saúde relacionados à Nutriçãosão a HAS e o DM.
  29. 29. 283.3 COLETA E ANÁLISE DOS DADOSA pesquisa foi dividida em quatro etapas: verificação de faltas, entrevista,intervenção, tabulação, análise descritiva dos dados e devolutiva dos resultados.Inicialmente foram verificadas as faltas dos usuários da UBSBV nas consultas queforam agendadas com a Nutricionista. A verificação desses dados ocorreu no mês de outubro,analisando-se os agendamentos de julho a setembro de 2012, sendo verificado, no prontuário,se o usuário comparecia ou não.No mês de outubro de 2012, foram realizadas as entrevistas (APÊNDICE B) comos usuários da UBSBV, por demanda espontânea, em atendimento ou não com aNutricionista, tanto na própria como em visitas domiciliares. Antes da entrevista, ao usuárioque aceitou participar, foi solicitada a assinatura de um Termo de Consentimento Livre eEsclarecido (TCLE) (APÊNDICE A). A Entrevista abordou questões sobre o perfilsocioeconômico e demográfico e também sobre o conhecimento do papel e da importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. Segundo Linden (2005), a entrevista é um tipo detécnica que pode ser utilizada no processo de comunicação direta com o entrevistado. Paraobter sucesso nas entrevistas e um bom diagnóstico da situação, o entrevistador deve serimparcial, orientando o entrevistado e não o induzindo às respostas.Ao término da entrevista, como forma de intervenção, cada usuário recebeu umacartilha (APÊNDICE C), com explicação didática, imagens e texto de fácil leitura,possibilitando ao entrevistado a real compreensão do papel e importância do Nutricionista naAtenção Básica em Saúde. Também foi elaborado um mural (APÊNDICE D) com o objetivode que todos os usuários da UBSBV tivessem acesso a essa informação. Conforme Linden(2005), os recursos materiais, como a cartilha que foi entregue e o mural exposto, servem parao usuário poder estimular seu aprendizado. Esses recursos permitem maior facilidade decompreensão dos conteúdos para o processo de aprendizagem. Esses materiais devem ser bemselecionados e adequados às características do indivíduo, resultando em um melhoraprendizado.Para verificar o perfil socioeconômico e demográfico dos usuários e seuconhecimento sobre o papel e a importância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde,foram analisados, discutidos e agrupados os dados levantados, o que permitiu a construçãodas seguintes categorias: faltas dos usuários às consultas de nutrição, perfil socioeconômico edemográfico, conhecimento dos usuários sobre o papel e a importância do Nutricionista naAtenção Básica em Saúde e educação nutricional e devolutiva do estudo. Foi realizado
  30. 30. 29também um comparativo desses dados com o número de faltantes às consultas, dentro doperíodo estipulado, através da literatura científica existente.Ao final da análise, realizou-se a apresentação dos resultados da pesquisa aoscolaboradores da UBSBV, com a entrega de uma cópia dos resultados, e à comunidadeacadêmica, com a apresentação da pesquisa e disponibilização do projeto impresso.
  31. 31. 304 RESULTADOS E DISCUSSÃODurante o mês de outubro de 2012, foram verificadas as faltas de 175 usuários nasconsultas agendadas com a Nutricionista da UBSBV, no período de julho a setembro domesmo ano. Além disso, foram entrevistados 56 usuários da UBSBV que aceitaram assinar oTCLE (APÊNDICE A). As entrevistas (APÊNDICE B) foram realizadas na UBSBV e emvisitas domiciliares, com o objetivo de verificar o perfil socioeconômico e demográfico dosusuários e o seu conhecimento sobre o papel e a importância do Nutricionista na AtençãoBásica em Saúde.4.1 FALTAS DOS USUÁRIOS ÀS CONSULTAS DE NUTRIÇÃOAs faltas foram verificadas com o intuito de analisar a frequência dessaproblemática e sua interferência e/ou relação com o conhecimento dos usuários da UBSBVsobre o papel e a importância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde, além da conexãocom o perfil socioeconômico e demográfico.Segundo Riberto et al. (2010), uma das maiores problemáticas dos serviços desaúde consiste em saber como lidar com as faltas dos usuários às consultas e em comoorganizar a sobrecarga do serviço com urgências que não estão na programação dosatendimentos. Sendo assim, o autor coloca a necessidade de reduzir o número de faltas, nãoapenas para diminuir o desperdício de recursos financeiros, mas por estar negando oatendimento às pessoas necessitadas que estejam na fila de espera.Das 191 consultas pré-agendadas com a Nutricionista de julho a setembro, em 16não foi possível verificar se o usuário compareceu ou não, devido ao prontuário não ter sidolocalizado na UBSBV, mesmo com três tentativas em dias alternados para localização dessesnos arquivos do local. Por isso, foram considerados somente 175 agendamentos paratabulação e discussão dos resultados.Na Tabela 1 estão apresentados os dados das faltas dos 175 usuários queagendaram consultas com a Nutricionista no período de julho a setembro de 2012, assimcomo o gênero de cada um.
  32. 32. 31Tabela 1 – Faltas dos usuários da UBSBV às consultas de Nutrição. Palhoça-SC, out. 2012.Variáveis n %SexoFeminino 141 81Masculino 34 19FrequênciaFaltas 93 53Presenças 82 47Faltas por sexoFeminino 81 87Masculino 12 13Presenças por sexoFeminino 60 73Masculino 22 27Faltas em relação ao totalde cada sexoFemino 81 57Masculino 12 35Presenças em relação aototal de cada sexoFemino 60 42Masculino 22 65Fonte: Küter, 2012.Observou-se, durante a coleta de dados, a necessidade de a UBSBV implantar umsistema informatizado para o arquivamento de dados dos prontuários de cada usuário, poismuitos deles foram extraviados ou até mesmo armazenados em lugar incorreto. Além disso,não existia uma padronização na forma de evolução, pelo fato de muitas vezes as letras dosmédicos e de outros profissionais serem de difícil compreensão. Assim, as faltas nem sempreeram registradas e não se tinha um controle efetivo do número de usuários atendidos e/oucadastrados pela UBSBV atualmente e suas principais enfermidades para ações preventivas.Um estudo realizado por Wechsler et al. (2003) abordou a questão dos prontuárioseletrônicos, destacando as vantagens dessa ferramenta. Dentre essas vantagens, tem-se: umtexto legível, a possibilidade de acesso ao mesmo prontuário, em vários locais, ao mesmotempo; a facilidade na localização dos prontuários; entre outros. Porém, para que sejautilizado esse sistema, é necessária a existência de software, hardware e de infraestrutura deredes, elétrica, de manutenção, entre outros. Perondi, Sakano e Schvartsman (2008) tambémidentificam vantagens na informatização dos prontuários, dentre elas, a impossibilidade deextravio dos prontuários, o controle do fluxo de usuários no serviço de saúde, mais agilidade,a impossibilidade de deterioração e alteração das informações, dentre outros.
  33. 33. 32Observando-se os prontuários dos usuários que agendaram suas consultas noperíodo de julho a setembro de 2012, verificou-se que dos 175 usuários, a maioria, 81%(n=141) eram mulheres e, em menor quantidade, 19% (n=34), homens. Segundo o Ministérioda Saúde, os homens têm maior presença nos serviços de urgência e emergência em relaçãoaos serviços de Atenção Básica em Saúde no Brasil. Também é apontado que os homenssofrem mais de condições severas e crônicas de saúde do que as mulheres e que apresentamuma expectativa de vida menor (BRASIL, 2007). Gomes et al. (2011) e Gomes, Nascimento eAraújo (2007) apontam, em seus estudos, que os homens evitam procurar as unidades desaúde, sendo contrários à prevenção e ao autocuidado. Por isso, foram criadas as diretrizesvoltadas à saúde do homem (BRASIL, 2009b).Dos 175 agendamentos, somente 47% (n=82) compareceram às consultas com aNutricionista, e, dentre os que faltaram, 87% (n=81) eram mulheres e 13% (n=12) eramhomens.Segundo relatos da Secretaria Municipal de Saúde de Biguaçu-SC, pode-seconcluir que a problemática das faltas não se restringe à UBSBV nas consultas com aNutrição. A porcentagem de faltas no município, em algumas especialidades, chega a 57%,sendo muito comuns os casos em que os usuários faltam à consulta ou exames semjustificativa e não comunicam a unidade para que possa ser colocada outra pessoa na vaga(BIGUAÇÚ, 2012). O gerente de regulação da Secretaria de Saúde do município de Biguaçu-SC, afirma que:As ausências causam danos financeiros ao município, uma vez que os profissionaisou os prestadores de serviços estão sendo pagos, além disso, a pior consequência éque aquela vaga não utilizada poderia ser destinada a outro paciente que estánecessitando muito do serviço. Isso faz com que a lista de espera para a realizaçãodo procedimento não consiga ter a vazão adequada em muitos casos (BIGUAÇU,2012, s. p.).No município de Campinas-SP foi implantado um serviço para diminuir oabsenteísmo, chamado de serviço “Disque Saúde”, ele ajudou na redução do número de faltasde 30% para 5%, em um mês, nas unidades da rede básica. O “Disque Saúde”, funciona comoum lembrete aos usuários: dois dias antes da consulta, a unidade entra em contato paralembrá-lo do agendamento. (CAMPINAS, 2012). Segundo outro estudo realizado por Vilela,Silva e Batista Filho (2010), o tempo prolongado de espera leva os usuários a um sentimentode insatisfação, o que gera reclamações e, por estarem desacreditados do serviço, acabamfaltando às consultas.
  34. 34. 33Em uma UBS no município de São Paulo-SP, Sala et al. (1993) realizou umapesquisa com usuários portadores de doença crônico-degenerativa, verificando que muitosnão retornam às consultas para o seguimento do tratamento e que cerca de 30% faltam já naprimeira consulta. Outro estudo realizado no município de Balneário Camboriú-SC, porScholze et al. (2006), demonstrou que quando a demanda dos usuários a consultas imediatasnão é atendida, isso induz a riscos à saúde, como, por exemplo, a automedicação, que tambémé um importante motivo para faltas às consultas marcadas e que congestiona ainda mais osagendamentos.Fazendo uma análise, separadamente, por cada sexo e com seus respectivosnúmeros de agendamentos, pode-se identificar que os que compareceram, em maiorpercentual, foram os homens com 65% (n=22) e, dos que faltaram, o maior percentual foi odas mulheres, com 57% (n=81). Ou seja, mesmo com os homens procurando menos o serviçode saúde, quando agendavam uma consulta, compareciam em maior percentual do que asmulheres.Já Couto et al. (2010), em seu estudo, relatam, conforme afirmativas dosprofissionais de saúde, que os homens, além de menos presentes e assíduos, oferecem maisresistência aos convites para irem ao serviço de saúde e faltam mais às consultas marcadas,além de não seguirem o tratamento como esperado, resultado este que difere do da atualpesquisa.Na UBSBV, segundo relatos da coordenadora e das enfermeiras, há uma grandeproblemática em relação às faltas em todas as áreas de atendimento, dentre elas: em clínicageral, pediatria, enfermagem, odontologia, além da Nutrição. Esse descaso por parte dosusuários fez com que a coordenadora da UBSBV tomasse a iniciativa de determinar queaqueles que faltam às consultas e não entram em contato com antecedência para avisar, estãoimpedidos de marcar consulta com qualquer profissional dentro dos próximos 30 dias,conforme está demonstrado na Fotografia 1 a seguir:
  35. 35. 34Fotografia 1 – Recado aos faltososFonte: Küter, 2012.Atualmente não existe uma norma na Política Pública de Saúde que permita oprocedimento adotado por esta coordenadora, porém, é necessário adotar estratégias pararedução do número de faltas. Outras medidas podem ser tomadas para diminuir este número,como a conscientização da população, o lembrete das consultas através de ligações com umdia de antecedência e a humanização do atendimento.Bender, Molina e Mello (2010) realizaram um trabalho em uma UBS deFlorianópolis-SC e identificaram, segundo relatos dos faltantes, que o principal fator que levaàs faltas é a vulnerabilidade social; e os fatores que contribuem são o tempo de espera para aconsulta e a omissão dos usuários em manter seus contatos atualizados. Assim, a seguir, serãodiscutidos os dados do perfil socioeconômico e demográfico dos usuários da UBSBV.4.2 PERFIL SOCIOECONÔMICO E DEMOGRÁFICOO perfil socioeconômico e demográfico foi coletado com o objetivo de verificar arelação desses com o conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde e a conexão com o grande número de faltas àsconsultas com a Nutricionista.Para verificar o perfil socioeconômico e demográfico, conforme a Tabela 2, foiaplicada uma entrevista aos 56 usuários que aceitaram participar da pesquisa, cada uma commédia de duração de 10 a 15 minutos, dependendo do grau de entendimento do entrevistado.
  36. 36. 35Tabela 2 – Perfil socioeconômico e demográfico dos usuários da UBSBV. Palhoça-SC, out.2012.(continua)Variáveis n %Idade10 a 19 anos 02 0420 a 59 anos 42 75≥ 60 anos 12 21SexoFeminino 41 73Masculino 15 27EtniaBranca 48 86Parda 06 11Negra 02 03OcupaçãoAposentado (a) 11 20Doméstica 11 20Motorista/Caminhoneiro 04 07Outras 30 53Carga horária de trabalho4 a 6 08 147 a 8 16 299 a 12 05 0913 a 16 05 09Período de trabalho*Matutino 27 48Vespertino 31 55Noturno 08 14Anos de estudo0 a 4 anos 21 375 a 8 anos 20 369 a 11 anos 11 2013 a 14 anos 04 07Estado civilSolteiro (a) 08 14Casado (a) / União Estável 44 79Viúvo (a) 04 07Nº de Filhos0 a 2 38 683 a 4 13 235 a 6 05 09Nº de pessoas na casa1 a 4 48 865 a 8 08 14Renda mensal familiar (saláriomínimo)Até 1 SM 01 02
  37. 37. 36Tabela 2 – Perfil socioeconômico e demográfico dos usuários da UBSBV. Palhoça-SC, out.2012.(conclusão)Variáveis n %> 1 a 2 SM 16 28> 2 a 3 SM 16 28> 3 a 4 SM 14 25> 4 a 5 SM 09 17Renda per capita≤ ½ SM 25 45> ½ a 1 SM 23 41>1 a 2 SM 06 11>2 a 3 SM 02 03Meio de transporte até a UBSBVA pé/bicicleta 35 62Transporte coletivo 02 04Transporte próprio (carro/moto) 19 34* O percentual ultrapassou 100% pois foram consideradas mais de uma alternativa.Fonte: Küter, 2012.Das 56 pessoas entrevistadas, 75% (n=42) eram adultas e a maioria do sexofeminino (73%, n=41). Segundo dados do IBGE (2010), o número de idosos no Brasil vemcrescendo e já representa 12% da população, porém, ainda há predominância da populaçãoadulta.Pode-se inferir, através desses resultados, que as mulheres procuram mais aUBSBV do que os homens. Segundo o Ministério da Saúde, vários estudos comprovaram queos homens são mais suscetíveis às doenças, pelo fato de procurarem com menos frequência asUnidades Básicas de Saúde e, quando procuram, os quadros já estão agravados (BRASIL,2012f). Isso pode ser observado na fala dos entrevistados, como, por exemplo, quando umsenhor de 60 anos disse que “é difícil procurar médico, só quando estamos ruins”. Merino eMarcon (2007) também verificaram, através de uma pesquisa com adultos em uma cidade depequeno porte (Porto Rico-PR) que, dentre os participantes do sexo masculino, a maior parteprocura a unidade de saúde apenas quando sente que a situação de saúde é grave.Vieira (2009), em seu trabalho sobre o atendimento do Nutricionista em umaPoliclínica do município de São José-SC, verificou, segundo relatos da Nutricionista, que amaioria dos atendimentos são de adultos e idosos, com predominância do sexo feminino.Mendes (2010) também verificou a predominância do sexo feminino em uma pesquisarealizada somente com adultos atendidos no ambulatório de práticas de saúde do Centro
  38. 38. 37Universitário do Leste de Minas Gerais, objetivando verificar o estado nutricional e estilo devida. Dos usuários atendidos, 85% eram mulheres com idade entre 20 e 29 anos.A raça branca foi predominante nesta pesquisa (86%, n=48). Em muitos estudos, aetnia é relatada como fator de risco para doenças, como por exemplo, a HAS que é maispredominante em pessoas de etnia não-branca e o DM Tipo II que é mais comum em brancose latinos (SBH, 2010; AGÊNCIA BRASIL, 2012). Com base nisso, não se pode fazer umarelação da etnia com a predominância de DCNT, pois se obteve um maior número de relatosde HAS e brancos.Em relação à ocupação, o maior percentual dos relatos são de domésticas (20%,n=11), aposentados (as) (20%, n=11) e motoristas/caminhoneiros (07%, n=4).As demais profissões relatadas incluíram costureira (05%, n=3), ajudante depedreiro/pedreiro (04%, n=2), autônomo (04%, n=2), professora (04%, n=2) e, as demais(02%, n=1): administrador, apicultor, atendente em restaurante, auxiliar de padaria, auxiliarjurídico, bordadeira, camareira, cozinheira, chefe de loja, desempregada, diarista, embaladora,estudante, frentista de caixa, gerente de hotel, repositora de supermercado, representantecomercial e servente de limpeza. Durante as entrevistas, percebeu-se que existe uma relaçãoentre a renda, o baixo nível de escolaridade e a profissão, ou seja, quanto maior o nível deescolaridade, maior a renda.Bordin e Caputo (2008) relacionam o menor grau de escolaridade a uma maiordificuldade na superação da pobreza, com menor qualificação e oportunidades de competir nomercado de trabalho, aumentado a submissão ao trabalho informal e mal remunerado.A carga horária da maioria foi de 7 a 8 horas diárias, totalizando 29% (n=16) e,referente ao período de trabalho, 103% (n=58) trabalham em período integral. O horário defuncionamento da UBSBV é no mesmo período em que a maioria dos entrevistados comvínculo empregatício está trabalhando, o que pode influenciar na procura ao serviço de saúdeou até mesmo levar à faltas. Caccia-Brava et al. (2011) verificaram que um dos principaisfatores que levam os usuários a procurarem os serviços de pronto-atendimento (PA), ao invésda UBS, é o horário de funcionamento. Este estudo foi realizado em Ribeirão Preto-SP e tevecomo objetivo identificar os motivos que levam os usuários a buscarem mais o PA do que aUBS.A escolaridade predominante foi de 0 a 4 anos de estudo (37%, n=21). Mendes(2010) associou o excesso de peso com a baixa escolaridade; e a maior renda familiar aosedentarismo, a HA, o DM e as dislipidemias.
  39. 39. 38A maioria dos entrevistados (79%, n=44) era casado (a) ou tinha união estável.Em relação ao número de filhos dos usuários, grande parte (68%, n=38) possuía de 0 a 2filhos. A estrutura familiar e o padrão de consumo de refeições influenciam diretamente noconsumo e na escolha alimentar de crianças e adolescentes. Os pais influenciam seus filhostanto no modelo que representam e como a primeira referência que a criança tem noestabelecimento de seus costumes, hábitos e preferências alimentares (COBELO, 2004;ESTIMA; PHILIPPI; ALVARENGA, 2009).O número de integrantes do grupo familiar e a renda mensal foram coletados paraverificar a renda per capita. A renda per capita predominante (45%, n=25) foi menor ou iguala meio salário mínimo (R$311,00). O nível de escolaridade associado ao baixo poderaquisitivo tende a um acesso maior aos alimentos em níveis qualitativos menores, assim comoa alimentos mais calóricos, por serem mais baratos (PÉREZ; TURRA, 2008).A literatura aponta que fatores demográficos e socioeconômicos influenciam noestabelecimento de diferentes estilos de vida. Estes, por sua vez, influenciam nos padrões decomportamento para a ocorrência ou prevenção de problemas de saúde (MANDERBACKA;MARTIKAINEN; LUNDBERG, 1999). Segundo o IBGE (2010), 32,7% da população recebeaté um salário mínimo de rendimento mensal.Verificou-se que os usuários da UBSBV relacionam o fato de se ter umaalimentação saudável com o nível socioeconômico; uma senhora de 60 anos relatou, quandoperguntado sobre o que ela achava dos murais expostos com assuntos sobre alimentação enutrição: “muitos leem, muitos não leem e muitos não tem condições de comprar” ou comofoi citado por uma mulher de 31 anos que já consultou com a Nutricionista da UBSBV: “éimportante consultar o Nutricionista para manter a saúde, só que o que pedem na dieta nósnão temos condições de comprar”. Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares(POF) (2008-2009), a população rural consome mais grãos, frutas e peixes e a urbana temmaior consumo de refrigerantes, pão de sal, cerveja e sanduíches. À medida que aumenta orendimento familiar per capita, diminui o consumo de alguns componentes de uma dietasaudável e aumenta o consumo de pizzas, salgados fritos, doces e refrigerantes (IBGE, 2011).O meio de transporte mais relatado pelos usuários para ir à UBSBV foi apé/bicicleta, totalizando 62% (n=35). Muitas pessoas citaram, durante as entrevistas, quegeralmente vão a pé até a UBSBV devido à proximidade da sua casa. Considerando que umdos fatores que leva as pessoas a faltarem às consultas é a distância da casa até a UBSBV,provavelmente isso não se aplicaria aos usuários entrevistados nessa pesquisa (FERREIRA etal., 2011).
  40. 40. 39Conforme o estudo de Ferreira et al. (2011), os fatores que levam os usuários afaltarem às consultas são o baixo nível socioeconômico, período muito longo entre umaconsulta e outra e até a distância da casa até a unidade de saúde. Considerando esses fatores, éinteressante que a UBSBV implante um serviço de lembrete de consultas, como o “DisqueSaúde”, utilizado em Campinas-SP (CAMPINAS, 2012). Pelos resultados obtidos através dasentrevistas, verificou-se que o principal fator que poderia levar esses usuários a faltarem àsconsultas com a Nutricionista seria o baixo nível socioeconômico que também pode interferirno conhecimento do papel e da importância deste profissional.4.3 CONHECIMENTO DOS USUÁRIOS SOBRE O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DONUTRICIONISTA NA ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDENeste subitem foi analisado o conhecimento dos usuários atendidos pela UBSBVsobre o papel e a importância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde, através deentrevistas aplicadas no mês de outubro, por demanda espontânea na UBSBV e em visitasdomiciliares (TABELA 3).Tabela 3 – Conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. Palhoça-SC, out. 2012.(continua)Variáveis n %DCNT na famíliaSim 33 59Quais*HAS 26 52DM 12 21Câncer 04 09Não 23 41Já ouviu falar do NutricionistaSim 52 93Não 04 07O que acha que o Nutricionista faz*Cuida da comida/alimentação 18 32Oferece orientação alimentar/nutricional 16 28Dieta 09 16Auxilia as pessoas a emagrecerem 09 16Ajuda na saúde 07 12Não sabe 07 12Reeducação 02 04Outros 05 09
  41. 41. 40Tabela 3 – Conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. Palhoça-SC, out. 2012.(continuação)Variáveis n %Já visualizou algum material da Nutrição na UBSBVSim 45 80O que achou*Bom 16 35Legal 09 20Interessante 08 18Instrui as pessoas 06 13Bom porque tentamos comer melhor 04 09Outros 28 62Não 11 20Lembra do (s) tema (s)Sim 30 67Qual (is)*Frutas 06 20Receitas 05 17Colesterol 05 17Açúcar 05 17Alimentação saudável 05 17Legumes e verduras 05 17HAS 04 13Gorduras 04 13Outros 13 43Não 15 33Acha importante o trabalho do NutricionistaSim 46 82Por quê*Orientação para alimentação saudável 31 67Para saúde/evitar doenças 15 33Outros 06 13Não 10 18Por quêNão sabe informar/Não conhece o profissional 04 40Não precisa 04 40Outros 02 20Já pensou em consultar um NutricionistaSim 39 70Por quê*Perda de peso 18 46Encaminhamento médico 11 28Colesterol elevado 05 13Para ter uma alimentação saudável 05 13Outros 17 44Não 17 30Por quêNunca precisei 12 71
  42. 42. 41Tabela 3 – Conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde. Palhoça-SC, out. 2012.(conclusão)Variáveis n %Outros 05 29Alguém já encaminhou você para o NutricionistaSim 19 34Por quê*Emagrecer 07 37DM 06 32HAS 04 21Colesterol elevado 04 21Outros 07 37Não 37 66Você marcou a consultaSim 17 89CompareceuSim 16 94Não 01 06Não 02 11Já foi ao Nutricionista sem encaminhamento de umprofissionalNão 48 86Sim 08 14Se a Nutricionista da UBSBV saísse faria diferençaSim 22 39Por quêNão teria para cuidar da minha saúde 06 27Teria que ir buscar longe do bairro 05 23Pelo contato, confiança no Profissional 04 18Outros 07 32Não 34 61Por quê*Eu nunca precisei 28 82Já consultei com a Nutricionista 04 12Outros 05 15*O percentual ultrapassou 100% pois foram consideradas mais de uma opção.Fonte: Küter, 2012.Em se tratando das DCNT na família, 59% (n=33) relataram a presença de algumaenfermidade, sendo que a doença mais citada foi a HAS (52%, n=26). Além da HAS, teve-seum grande percentual de DM (12%, n=21). A Organização Mundial de Saúde está priorizandoos esforços para vigilância das doenças não transmissíveis, focando para os principais fatoresde risco: tabagismo, consumo excessivo de álcool, inatividade física, sobrepeso e obesidade,consumo inadequado de frutas e hortaliças e hiperglicemia (WHO, 2002).
  43. 43. 42A SBH (2010) afirma que há uma prevalência na população brasileira acima de30% para casos de HAS. Esta, por sua vez, é mais prevalente em homens, pessoas de cor não-branca e entre indivíduos com menor escolaridade.Segundo o Ministério da Saúde, o DM é uma epidemia que afeta mais de 200milhões de pessoas no mundo todo. Até o ano de 2025 está previsto que chegue a 380 milhõesde diabéticos no mundo (BRASIL, 2012e).Quando questionados se já ouviram falar do profissional Nutricionista, a maioria(93%, n=52) afirmou que sim. Na rotina da UBSBV existe o trabalho de estagiários deNutrição que divulgam os atendimentos dentro da UBSBV através de cartazes e nas visitasdomiciliares, o que pode influenciar na resposta positiva destes.Em relação ao questionamento do que os usuários acham que o Nutricionista faz,grande parte (32%, n=18) respondeu que cuida da comida/alimentação das pessoas. Pode-severificar através deste dado que os usuários da UBSBV desconheciam o papel e as atribuiçõesdeste profissional, conforme falas a seguir: “Faz dieta para saber como devemos comer”,“Orienta uma alimentação saudável”, “Dá receita para fazer regime, melhorar o peso alto”.O mesmo resultado foi obtido em um estudo realizado por Santos (2005), queobjetivou avaliar o conhecimento dos trabalhadores de saúde sobre o papel do Nutricionistanos programas de Saúde da Família, em uma UBS do município de Colombo-PR. Bosi (2000)constatou que mesmo após 30 anos de reconhecimento legal o profissional Nutricionista aindaé visto como calculador de dietas.Definiu-se o profissional Nutricionista da seguinte forma:Nutricionista, com formação generalista, humanista e crítica, capacitado a atuar,visando à segurança alimentar e à atenção dietética, em todas as áreas doconhecimento em que alimentação e nutrição se apresentem fundamentais para apromoção, manutenção e recuperação da saúde e para a prevenção de doenças deindivíduos ou grupos populacionais, contribuindo para a melhoria da qualidade devida, pautado em princípios éticos, com reflexão sobre a realidade econômica,política, social e cultural (BRASIL, 2001, s. p.).Outro fator preocupante, segundo Santos (2005), é o Nutricionista ser confundidocom o médico, o que sugere a centralização no ato médico. Pode-se perceber tal confusão nafala de um dos entrevistados: “Nunca pensei em procurar um Nutricionista porque é difícilprocurar médico, só quando estamos ruins”.A maioria relata já ter visto algum material referente à Nutrição e alimentação naUBSBV (80%, n=45), grande parte achou bom (35%, n=16) e o tema mais lembrado foram asfrutas (20%, n=6). Percebeu-se durante as entrevistas que as pessoas não responderam com
  44. 44. 43muita propriedade e até mesmo certeza o que acharam sobre os materiais e os temas quelembram. Talvez isto esteja associado à baixa escolaridade da maioria (n=41, 73%). Duranteas entrevistas teve-se a percepção sobre esta problemática quando os usuários afirmaram que:“tem muita gente que não dá bola para isso”, “é ótimo pra quem lê”, “para quem tem a menteboa ajuda, para quem não tem não ajuda”, ou ainda, “a gente é acostumado a comer arroz efeijão e eu não vou mudar por causa do que está escrito”. As enfermeiras do local tambémrelataram que dificilmente ou apenas uma minoria das pessoas leem os murais e demaismateriais expostos.Os entrevistados (82%, n=46) acham o trabalho do profissional Nutricionistaimportante, pois oferece orientação para alimentação saudável (67%, n=31). Algumas falasinteressantes dos usuários neste questionamento foram: “Porque nos dias de hoje com otrabalho é difícil se alimentar bem. É importante ter esse profissional tanto nas empresas,como nos restaurantes” e “Interessante, porque tem muita gente que peca sem saber. Dá umaalimentação para o filho ficar alegre e acaba dando uma má alimentação”.No estudo de Vieira (2009), quando perguntado à Nutricionista sobre aimportância deste profissional na Saúde Coletiva, esta afirma que o serviço ainda é poucodivulgado e as pessoas associam o seu trabalho com a perda de peso, consequentemente asdemais competências ficam desconhecidas ou ainda delegadas ao médico. O que pode serobservado na resposta de um usuário, que não acha o trabalho do Nutricionista importante:“quem vai ao médico, o médico educa”.Isto pode ocorrer por falta de iniciativa do profissional e da UBSBV para realizaratividades de educação nutricional como grupos, palestras, entre outros, ou até mesmo pelodesânimo. Como a comunidade em questão não é assídua às consultas e já houve insucesso natentativa de formação de outros grupos de educação em saúde no local (gestantes, porexemplo), seu trabalho é voltado apenas para o atendimento clínico. Segundo Bosi (1996),uma profissão só existe quando é reconhecida socialmente, justamente por isso é necessárioque os profissionais continuem se façam presentes, realizando todas as atribuições delegadaspara que a comunidade busque o apoio do Nutricionista, não se limitando apenas aoatendimento médico.Os usuários que já pensaram em consultar o profissional Nutricionista (70%,n=39) relacionaram esta vontade ao desejo de perder peso (46%, n=18). Segundo resultadosobtidos através da POF (2008-2009), o excesso de peso atinge 49% da população brasileiraadulta (IBGE, 2011). Apesar de o excesso de peso ser uma problemática atual, o que torna
  45. 45. 44ainda mais relevante a atuação do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde, é importanteconscientizar os usuários das demais atribuições e a importância da atuação deste profissional.Grande parte dos entrevistados nunca foi encaminhado por outro profissional aoNutricionista (66%, n=37) ou nunca consultou este profissional sem encaminhamento (86%,n=48). Dos que foram encaminhados (37%, n=07), grande parte foi para perda de peso.Destes, a maioria agendou (89%, n=17) e compareceu a consulta (94%, n=16). Na UBSBVnão é necessário encaminhamento do clínico geral para o acompanhamento com oNutricionista, e a estimativa de espera até o atendimento é de duas a três semanas após oagendamento. Além disso, não é necessário adquirir uma senha para marcação em um diaespecífico da semana, como nas demais especialidades. Todos estes fatores facilitam eagilizam o acesso do usuário às consultas com o profissional.Se a Nutricionista da UBSBV deixasse de atender no local, para a maioria (61%,n=34) não faria nenhuma diferença. O maior percentual dos entrevistados apresenta DCNT nafamília e mesmo assim acredita que nunca precisou do atendimento do profissional (82%,n=28). Isto por já ter consultado e acreditar que não há necessidade de um retorno, ou aindapor pensar que tem domínio sobre temas relacionados à alimentação e nutrição, afirmando:“Para mim não tem necessidade porque eu já tive orientação, mas para outros que não temcondições é importante. Eu pesquiso bastante na internet!”, “já sei de tudo o que ela mefalou e a gente ouve falar muito na televisão”, “pra mim não tem necessidade doatendimento, mas para o povo que precisa sim” e “tanta pessoa que precisa de umaorientação, porque precisa estar fazendo certo, por exemplo, pão é um veneno para quem temcolesterol, essas coisas”. Através deste resultado, pode-se observar que a populaçãoentrevistada não tem muito conhecimento do real papel e importância do profissionalNutricionista na Atenção Básica em Saúde.Uma das causas que leva a baixa procura ou ao pensamento de que não sejanecessário um retorno, segundo relatos dos entrevistados, é o não seguimento das orientaçõesnutricionais: “o pessoal procura bastante, mas não seguem! Procuram mais por curiosidade edepois não vão mais”, “Já consultei com a Nutricionista, mas não sei se vou retornar porquenão consegui seguir nada do que ela me falou e não perdi nada de peso”.Durante as entrevistas, o que mais chama a atenção e preocupa é que grande parteacredita que nunca precisou consultar com o Nutricionista apesar de a maioria apresentarDCNT na família e a falta de conhecimento do papel e importância deste profissional.Acreditam que a busca seria necessária apenas quando há excesso de peso e obesidade ou até
  46. 46. 45mesmo por acreditarem que sabem o suficiente sobre alimentação e nutrição. Por isto, torna-se cada vez mais importante a atuação do Nutricionista por meio da educação nutricional.4.4 EDUCAÇÃO NUTRICIONAL E DEVOLUTIVA DO ESTUDOA educação nutricional configura-se em um campo de atuação educativa doNutricionista segundo a Lei Federal 8.234/91 (MANÇO; COSTA, 2004). EducadorNutricional é o profissional da saúde que fornece aconselhamentos ou informações que temrelação com a Nutrição ou que levam a um novo comportamento alimentar (SBD, 2006).Segundo um estudo realizado por Lazari et al. (2012), verificou-se que o processode educação nutricional deve iniciar desde a infância. Estas ações educativas proporcionamconhecimentos sobre práticas alimentares saudáveis, porém, para efetividade nas mudançasdos diagnósticos nutricionais é necessário o desenvolvimento de trabalhos de um período detempo maior.Como intervenção nutricional, logo após as entrevistas foi entregue aos usuáriosuma cartilha (APÊNDICE C) com o tema “O Nutricionista na Atenção Básica em Saúde”.Nesta consta a explicação do que é Nutrição, quem é o Nutricionista, as suas atribuições naAtenção Básica em Saúde, por que é importante consultar com este profissional, entre outrosaspectos relevantes e condizentes com o tema.Alguns reagiram muito bem à intervenção, demonstraram um sorriso como formade agradecimento e se interessaram pela leitura e até o fizeram enquanto aguardavam oatendimento médico. Outros não demonstraram tanto interesse, dobrando-a e colocando-a nabolsa. A cartilha foi entregue aos 56 usuários entrevistados, como fica identificado naFotografia 2 a seguir:
  47. 47. 46Fotografia 2 – Entrega da cartilhaFonte: Santos, 2012.Também como forma de intervenção foi impressa uma cartilha e disponibilizadana UBSBV para os colaboradores e usuários que tivessem interesse pela leitura e algunsexemplares para que os usuários que não participaram da pesquisa através das entrevistas,pudessem levar para casa (FOTOGRAFIA 3 e 4).Fotografia 3 – Cartilha para o usuárioFonte: Küter, 2012.
  48. 48. 47Fotografia 4 – Cartilha para UBSBV e usuárioFonte: Küter, 2012.Além disso, foi elaborado um mural (APÊNDICE D), em forma de varal,abordando o papel e a importância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde e exposto daUBSBV, conforme Fotografia 05 a seguir:Fotografia 5 – Mural sobre as atribuições do NutricionistaFonte: Santos, 2012.Cervato et al. (2005) realizaram um estudo de educação nutricional para adultos eidosos que frequentam universidades abertas em São Paulo-SP e verificaram que houve váriasmodificações, como aumento dos conhecimentos sobre Nutrição, diminuição de consumo delipídios, de proteínas e de colesterol. Concluíram que, em função da educação nutricional,houve uma propensão para modificação da dieta e dos conhecimentos sobre Nutrição. Este foio objetivo da intervenção deste estudo, por meio da cartilha e do mural, para que os usuários
  49. 49. 48leiam e entendam o papel e a importância do Nutricionista, ou seja, modifiquem e/ou ampliemseus conhecimentos sobre a Nutrição, entendendo a importância de consultar com esteprofissional e/ou comparecer às consultas.Ao término de todas as entrevistas, tabulação e análise dos dados, foramapresentados à UBSBV os resultados do presente estudo e fornecida uma cópia do trabalho naíntegra à mesma.
  50. 50. 495 CONSIDERAÇÕES FINAISA presente pesquisa alcançou todos os seus objetivos pré-estabelecidos.Verificou-se que, dos agendamentos com a Nutricionista entre julho e setembro de 2012, 81%(n=141) foram pelo sexo feminino e ocorreram 53% (n=93) de faltas. Foi possível verificarque o fator predominante associado a esta problemática foi o baixo nível socioeconômico,sendo que 37% (n=21) dos usuários entrevistados relataram de 0 a 4 anos de estudo e 45%(n=25) possuíam renda per capita menor que meio salário mínimo.Os usuários desconhecem o papel do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde,definindo o que este profissional faz de forma muito generalizada ou afirmando que faz dietasou algo relacionado à perda de peso. Grande parte (82%, n=46) considerou o trabalho doNutricionista importante, porém, confundia este profissional com o médico ou não sabiaexatamente qual era o seu papel. Quando pensavam em consultar o Nutricionista (70%,n=39), 46% (n=18) associava este desejo à perda de peso e, quando encaminhados por outroprofissional (34%, n=19), na maioria das vezes foi pelo mesmo motivo (37%, n=07).Se o Nutricionista deixasse de atender na UBSBV, 61% (n=34) acreditavam quenão faria nenhuma diferença e o motivo de 82% (n=28) seria porque nunca precisaram dessetipo de atendimento. Pode-se afirmar que o conhecimento sobre o papel e a importância doNutricionista na Atenção Básica em Saúde é muito pequeno, fato que também pode estarrelacionado ao baixo nível socioeconômico dos usuários.A intervenção nutricional realizada foi muito positiva, com o intuito de tentarconscientizar o público entrevistado e os demais usuários da UBSBV sobre o papel e aimportância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde. Porém, para que haja umamudança no conhecimento dos usuários do real papel e importância do profissionalNutricionista, seria necessário um tempo mais prolongado de intervenção, o que não foipossível devido ao cronograma de elaboração do PCE.Com base nesta pesquisa e na dificuldade de encontrar literatura relativa ao tema,propõe-se a realização de novas pesquisas, trabalhando com outros objetivos, buscandorespostas e possíveis soluções para a atual problemática. Sugere-se para a UBSBV, e tambémas outras UBS com tais problemas, implantem um sistema de lembrete de consultas, realizematividades educativas divulgando o papel e a importância do profissional e informatizem oprocesso de trabalho. Além disso, é necessário que a UBSBV dê uma maior atenção aotrabalho multiprofissional, pois a atuação conjunta dos profissionais de diferentes áreastornaria mais fácil a compreensão do usuário sobre o papel e a importância de cada um deles.
  51. 51. 50Por fim, verificou-se que é ainda mais importante e necessário conscientizar apopulação sobre quem é e o que faz o Nutricionista, além de seu papel no combate às DCNT,estas que atualmente acometem grande parte da população. O fator socioeconômico édeterminante para o reduzido conhecimento dos usuários da UBSBV sobre o papel e aimportância do Nutricionista na Atenção Básica em Saúde, assim como às faltas nas consultascom esse profissional.Para que o Nutricionista possa atuar de forma mais efetiva, é necessário que osusuários tenham conhecimento do papel e da importância desse profissional na AtençãoBásica em Saúde e compareçam às consultas. Também é fundamental que o profissionalesteja estimulado a trabalhar com esse público, não focando apenas no atendimento clínico, esim em todas as suas atribuições dentro da Atenção Básica em Saúde.
  52. 52. 51REFERÊNCIASAGÊNCIA BRASIL. Empresa Brasil de Comunicação. Pesquisadores concluem que latinossão mais propensos a diabetes tipo 2 do que negros e brancos. 2012. Disponível em:<http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-12/pesquisadores-concluem-que-latinos-sao-mais-propensos-diabetes-tipo-2-do-que-negros-e-brancos>. Acesso em: 27 out. 2012.ALMEIDA, Gabriela Lemos de et al. Estudo do perfil sócio-econômico dos pacientes e osmotivos que os levaram a faltar em consultas odontológicas na Estratégia de Saúde da Famíliaem uma distrital de Ribeirão Preto/São Paulo. Ciência Odontológica Brasileira, São Paulo,v. 12, n. 1, p. 76-86, jan./mar. 2007. Disponível em: < http://ojs.fosjc.unesp.br/index.php/cob/article/viewFile/256/196>. Acesso em: 20 ago. 2012.ASBRAN - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO. Histórico do Nutricionista noBrasil, 1939-1989: coletânea de depoimentos e documentos. São Paulo: Atheneu, 1991.ASSIS, Ana Marlúcia Oliveira et al. O Programa Saúde da Família: contribuições para umareflexão sobre a inserção do Nutricionista na equipe multidisciplinar. Revista de Nutrição,Campinas, v. 15, n. 3, set. 2002. Disponível em: <http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=329614&indexSearch=ID>. Acesso em: 01 set. 2012.BATISTA FILHO, Malaquias; SOUZA, Ariani Imperi de; MIGLIOLI, Teresa Cristina;SANTOS, Marcela Carvalho dos. Anemia e obesidade: um paradoxo da transição nutricionalbrasileira. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. 247-257, 2008.Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/Enpacs/pesquisaArtigos/anemia_e_obesidade_um_paradoxo_2008.pdf >. Acesso em: 01 set. 2012.BENDER, Anemarie da Silveira; MOLINA, Leandro Ribeiro; MELLO, Ana Lúcia SchaeferFerreira de. Absenteísmo na Atenção Secundária e suas aplicações na Atenção Básica.Revista Espaço para Saúde, Londrina, v. 11, n. 2, p. 56-65, jun. 2010. Disponível em:<http:// www .ccs.uel.br/espacoparasaude/v11n2/absent.pdf>. Acesso em: 02 set. 2012.BIGUAÇU. Secretaria Municipal de Saúde. Portal da Cidadania. Excesso de faltas àsconsultas e exames prejudica saúde municipal. Biguaçu, 2012. Disponível em:<https://www.bigua.sc.gov.br/blog/excesso-de-faltas-as-consultas-e-exames-prejudica-saude-municipal/>. Acesso em: 21 out. 2012.BOOG, Maria Cristina Faber. Atuação do Nutricionista em saúde pública na promoção daalimentação saudável. Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 33-42, jan./jun.2008. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faenfi/article/viewFile/3860/2932>. Acesso em: 19 ago. 2012.______. Educação nutricional: passando, presente, futuro. Revista de Nutrição daPUCCAMP, Campinas, v. 10, n. 1, p. 5-19, jan./jun. 1997. Disponível em:<http://www.faculdadeguararapes.edu.br/site/hotsites/biblioteca/educacaonutricional_passado-presente-futuro59500.pdf>. Acesso em: 01 de set. 2012.

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