1           APOSTILA DO CURSO PANORAMA DO NOVO TESTAMENTOBIBLIOGRAFIA BÁSICA UTILIZADA:BRUCE, F.F. Paulo o apóstolo da gra...
2        O Antigo Testamento se encerra com o cativeiro que a Assíria impôs ao Reino doNorte, Israel, seguido pelo cativei...
3então ele envia seu general, Apolônio, com um exército de vinte e dois mil homens paracoletar tributo, tornar ilegal o ju...
4        Roma foi fundada no século VIII a.C. e no século V foi organizada a forma degoverno republicana. Após guerrear po...
5não crer na fé judaica, decorou o templo com mármore branco, ouro e pedras preciosas.Herodes o Grande morreu de hidropsia...
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8        É fato que houve uma larga popularidade e influência das religiões misteriosas dosgregos, egípcios e povos orient...
9quais eram considerados seres angélico-demoníacos. O que vigorava era uma atitude dedesespero, marcada pelo pessimismo.3....
10        A sinagoga representava muito mais que um centro de adoração religiosa a cadasábado. Durante os dias úteis da se...
11E a festa das Luzes, Dedicação ou Hanukkah – comemorando a rededicação do Templo,por Judas Macabeu, com luzes brilhantes...
12Apesar de seu espírito nacionalista o judaísmo atraía grande número de prosélitos(plenamente convertidos) e de tementes ...
13        Apesar de serem estritos em certo sentido os fariseus eram de tendênciasprogressistas, pois continuavam aplicand...
14de memorizar, declarações concisas e vívidas parábolas. Sempre ensinava com grandeautoridade.        Muitas das questões...
15        Contrastando com o modelo de educação judaico a educação greco-romana tinhabase liberal. Eram os escravos que su...
16das epístolas de Paulo. A violenta reação de cristãos ortodoxos contra a breve listapreparada por Marciom demonstra o fa...
17anteriores, ocasionalmente por diversas vezes. Apesar de tudo, o número de equívocos foiaumentando cada vez mais.       ...
18ágrafo. Existem também outros registros como os papiros de Oxyrhynchus e o supostoevangelho de Tomé que constituem colet...
19         Primeiramente precisamos nos lembrar que os cristãos primitivos não possuíamqualquer dos quatro evangelhos. Já ...
20conduziu os seguidores de Jesus até à morte? Que os manteve alicerçados durante séculosde intensa perseguição? O dramáti...
21        Atualmente é generalizada a opinião dos estudiosos quanto à impossibilidade de seproduzir uma biografia de Jesus...
22transição transmitir a idéia que Jesus estava sempre em ação, executando alguma tarefa,como o Servo que trabalha, que ag...
23aramaico? Alguns estudiosos dizem que Papias se referia mais propriamente ao estiloaramaico ou hebraico e não propriamen...
24        A maneira como os ensinos de Jesus estão apresentados, o conteúdo ético e a ênfasesobre o discipulado levam a cr...
25         É provável que Teófilo, a quem Lucas dedica sua obra fosse um convertido recenteou em potencial, ou então um pa...
26(8:1-3), a mulher imoral (7:36-50), Maria e Marta (10:38-42), a viúva pobre (21:1-4), asmulheres que se lamentaram por J...
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  1. 1. 1 APOSTILA DO CURSO PANORAMA DO NOVO TESTAMENTOBIBLIOGRAFIA BÁSICA UTILIZADA:BRUCE, F.F. Paulo o apóstolo da graça: sua vida, cartas e teologia. São Paulo: SheddPublicações, 2003.CARSON, D.A., MOO J. Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. SãoPaulo: Ed. Vida Nova, 2002.GUNDRY, R. H. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1978.APRESENTAÇÃO:O pano de fundo – uma visão histórica e política do período intertestamentário.1 - O NOVO TESTAMENTO Ele é composto de 27 livros e ocupa a segunda parte da nossa Bíblia, cobre menosde um século de história, mas sua importância é incontestável para a fé cristã porqueatravés de sua leitura compreendemos o divino plano de redenção dos homens por meio deJesus em cumprimento às profecias messiânicas. Ele foi escrito em grego entre os anos 45 e 95 depois de Cristo e seus principaisautores são: os apóstolos Pedro, João, Mateus e Paulo e alguns antigos escritores cristãos:João Marcos, Lucas, Tiago e Judas. Os livros na nossa Bíblia não se encontram em ordemcronológica, eles estão organizados conforme a tradição cristã. Em primeiro lugar, apresentando os fatos mais importantes da vida de Jesus estão osevangelhos, sendo que Mateus abre a lista porque é o que mais se aproxima do AntigoTestamento, uma vez que faz constante referência ao mesmo. Depois temos Atos, quedando seqüência aos evangelhos, narra o feliz surgimento da Igreja na Palestina e daí para aSíria, Ásia Menor, Macedônia, Grécia e até lugares bem distantes como Roma na Itália. Na seqüência estão as epístolas e finalmente o livro de Apocalipse, que descrevem osignificado teológico da história da redenção, além de ensinarem alguns princípios éticos.Entre as epístolas, as primeiras são as paulinas, que em nossa Bíblia estão em ordemdecrescente, exceção feita às cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) que estão antes deFilemon que é a mais breve das epístolas de Paulo que temos conhecimento. Depois vem amaior das epístolas não paulinas, Hebreus, e depois dela vêm as epístolas que chamamos deGerais, que foram escritas por Tiago, Pedro, Judas e João, e finalmente, somos desafiados aolhar para a eternidade, para o retorno do nosso Senhor, através do Apocalipse que conduzo fechamento do Novo Testamento a um ponto de clímax. O estudo do Novo Testamento é fundamental. Historicamente, descobrimos atravésdele, a explicação do fenômeno do cristianismo; culturalmente, descobrimos como ainfluência do cristianismo se faz sentir em meio à cultura ocidental, conhecê-lo se tornaextremamente relevante; teologicamente, seu estudo descortina a narrativa divinamenteinspirada sobre a missão remidora de Jesus nesse mundo que se torna padrão de fé e práticada Igreja; e devocionalmente, por meio do seu estudo, o Espírito Santo nos conduz a umvivo e crescente relacionamento com Deus.
  2. 2. 2 O Antigo Testamento se encerra com o cativeiro que a Assíria impôs ao Reino doNorte, Israel, seguido pelo cativeiro babilônico do Reino do Sul, Judá, e com o regresso àPalestina, de parte dos exilados, quando por ocasião do Império Persa, nos séculos VI e Va.C. O período chamado intertestamentário é compreendido pelos quatro séculos queseparam o Antigo Testamento do Novo Testamento. Durante esse período Alexandre oGrande se tornou o senhor do Antigo Oriente Médio, dominando os Persas. Issoimpulsionou o chamado helenismo, quando a cultura grega avança, o idioma grego torna-sea língua usada nas relações diplomáticas e comerciais. Alexandre fundou 70 cidades ondese misturou a cultura grega com a oriental. Quando ele morreu (323 a.C.) seus principaisgenerais dividiram o império em quatro porções, duas das quais são importantes nodesenvolvimento histórico do Novo Testamento, a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. Oimpério dos Ptolomeus centralizava-se no Egito, e sua capital era Alexandria. Cleópatra quemorreu no ano 30 a.C. foi o último membro da dinastia dos Ptolomeus. Já o impérioSelêucida tinha por centro a Síria e Antioquia era sua capital. Alguns dos membros dadinastia receberam o apodo de Seleuco e outros foram chamados Antíoco. Quando Pompeutornou a Síria uma província romana, em 64 a.C. chegou ao fim o Império Selêucida. Estando entre o Egito e a Síria, a Palestina tornou-se vítima das rivalidades entre osPtolomeus e os Selêucidas. No começo os Ptolomeus dominaram a Palestina por cento evinte e dois anos (320 a 198 a.C.). Os judeus então usufruíram boas condições de vidanesse período. Conforme uma antiga tradição foi durante esse período (285-246 a.C.) quesetenta e dois eruditos judeus começaram a tradução do Antigo Testamento hebraico para ogrego. Essa versão se chamou Septuaginta, realizada no Egito e provavelmente porEgípcios. As muitas tentativas dos Selêucidas de dominarem a Palestina, quer por invasão,que por alianças matrimoniais, fracassaram. Em 198 a.C. Antíoco III derrotou o Egito.Surge então entre os judeus duas facções: 1 - “a casa de Onias” (pró-Egito) e, 2 - “a casa deTobias” (pró-Síria). Antíoco IV ou Epifânio (175-163 a.C.), rei da Síria, substituiu o sumosacerdote judeu Onias III pelo irmão deste, Jasom, que era um helenizante, que planejavatransformar Jerusalém em uma cidade grega. Nesse período foi construído um ginásio compista de corrida, e os judeus começaram a se exercitar despidos, como os gregos faziam, eisto ultrajou os judeus piedosos. As competições aconteciam com cultos a divindadespagãs. O processo de helenização avançava e isso fez surgir os judeus chamados Hasidim,“os piedosos” que se opunham à paganização de sua cultura. Durante o processo de invasão do Egito, Antíoco Epifânio substituiu a Jasom, seupróprio escolhido para ser o sumo sacerdote, por Menelau, um outro judeu helenizante, queofereceu a Antíoco um tributo mais elevado. É bem provável que ele não pertencesse anenhuma família sacerdotal e seu ingresso deixou os piedosos muito ressentidos. A tentativa de Antíoco de anexar o Egito falhou, Roma não queria que o impérioselêucida se fortalecesse mais. Roma exigiu que ele respeitasse o seu poderio. Enquanto Antíoco estava ausente, chegou aos ouvidos de Jasom, o sumo sacerdote,que Antíoco tinha sido assassinado no Egito. Ele então retorna imediatamente a Jerusalém,vindo de seu refúgio na Transjordânia. Então Jasom retira de Menelau o controle da cidadee o toma para si. Antíoco fica amargurado em virtude da derrota psicológica que sofrera nasmãos dos romanos, ele interpreta a atitude de Jasom como uma revolta e envia seussoldados para punirem os rebeldes e reintegrarem a Menelau no ofício sumo sacerdotal.Nesse ínterim os soldados saqueiam o templo de Jerusalém e passam ao fio da espada amuitos de seus habitantes. O próprio Antíoco retorna à Síria e após dois anos (168 a.C.)
  3. 3. 3então ele envia seu general, Apolônio, com um exército de vinte e dois mil homens paracoletar tributo, tornar ilegal o judaísmo e estabelecer o paganismo à força, como um meiode consolidar o seu império e de refazer o seu tesouro. Os seus soldados então saquearamJerusalém, derribaram suas casas e muralhas e incendiaram a cidade. Mataram os homens eescravizaram as mulheres e crianças. A partir desse momento circuncidar era ofensa dignade morte, assim como guardar o sábado, celebrar festividades judaicas ou possuir cópias doAntigo Testamento. Muitos manuscritos foram destruídos. Tornou-se obrigatório sacrificaraos falsos deuses. Foi construído um altar a Zeus e erguida uma estátua em sua homenagemdentro do templo, os animais que a lei de Moisés proibia foram sacrificados sobre esse altare a prostituição chamada de “sagrada” começou a ser praticada dentro do templo deJerusalém.Diante de tudo isso surgem os MACABEUS Os judeus não podiam aceitar isso parados. Eles então resistem. Na aldeia deModim, um agente real de Antíoco provoca um velho sacerdote chamado Matatias, a quedesse exemplo aos habitantes da aldeia oferecendo um sacrifício pagão. Matatias se recusaa fazer isso. Um outro judeu dá um passo a frente apoiando Matatias, mata o agente real,destrói o altar e em seguida foge para uma região montanhosa na companhia de cinco deseus filhos e de outros simpatizantes. E foi assim que teve início a revolta dos Macabeus,em 167 a.C. sob a liderança da família de Matatias, coletivamente chamados deHasmoneanos, por causa de Hasmon, bisavô de Matatias, ou de Macabeus, devido aoapelido “Macabeu” (Martelo) conferido a Judas, um dos filhos de Matatias. Judas Macabeu encabeçou uma campanha de guerrilhas de extraordinário sucesso,até que os judeus se viram capazes de derrotar os sírios em campo de batalha regular. ARevolta dos Macabeus, entretanto, foi também uma guerra civil deflagrada entre os judeuspró-helenistas e os anti-helenistas. O conflito prosseguiu mesmo após a morte de AntíocoEpifânio (163 a.C.). Finalmente, os Macabeus recuperaram a liberdade religiosa,consagraram novamente o templo, conquistaram a Palestina e expeliram as tropas sírias dacidadela que ocupavam em Jerusalém. No ano 160 a.C. Judas Macabeu morre em batalha e seus irmãos Jônatas e depoisdeste Simão, o sucedem na liderança. Eles se auto declararam herdeiros presuntivos dotrono selêucida, um em oposição ao outro, obtendo assim favor dos judeus. Jônatascomeçou a reconstruir as muralhas danificadas e os edifícios de Jerusalém. Ele tambémassumiu o ofício sacerdotal. Simão obteve o reconhecimento da independência judaica daparte de Demétrio II, um dos que brigavam pela coroa dos Selêucidas, tendo renovado umtratado com Roma que originalmente fora firmado por Judas. Simão foi proclamado ogrande sumo sacerdote, comandante e líder dos judeus e concentrou para si a liderançareligiosa, militar e política do estado judeu. Como resultado o que se segue da dinastia hasmoneana (142-37 a.C.) é uma históriade guerras internas, fruto de ambição pelo poder. Os interesses políticos e as intrigas dosHasmoneanos separaram muitos dos Hasidim, de inclinações religiosas, que se tornam maistarde nos fariseus e nos essênios, muito parecidos com aqueles que produziram os Papirosdo Mar Morto, que viviam em Qumran. Os saduceus são o grupo que surge dos partidáriosaristocráticos, com tendências políticas, do sacerdócio hasmoneano. No ano 63 o generalromano Pompeu subjuga a Palestina e então durante o período do Novo Testamento aPalestina está dominada pelos romanos.
  4. 4. 4 Roma foi fundada no século VIII a.C. e no século V foi organizada a forma degoverno republicana. Após guerrear por dois séculos com a cidade rival de Cartago naÁfrica do Norte venceu (146 a.C.). O domínio romano foi se expandindo como fruto dasconquistas realizadas por Pompeu, Gália e Julio César. Após o assassinato de Júlio César,Otávio que mais tarde tornou-se conhecido como Augusto, derrotou as forças de Antonio eCleópatra, na batalha naval de Ácio na Grécia, 31 a.C. e torna-se imperador de Roma. ERoma passa dessa forma de um período de expansão para outro de paz – que ficouconhecido como a paz romana. No entanto a província da Judéia interrompeu essa paz emvirtude das revoltas que os romanos esmagaram nos anos 70 e 135 d.C. Mas é notório que aestabilidade política e a hegemonia sob o domínio do império Romano favoreceram apropagação do evangelho quando do seu surgimento. Os imperadores romanos abaixo relacionados fazem parte das narrativas do NovoTestamento: - Augusto (27 a.C. – 14 d.C.) Jesus nasce nesse período, e o recenseamento está ligado a esse nascimento assim como o “gérmen” do culto ao imperador. - Tibério (14 – 37 d.C.) Jesus realiza o Seu ministério público e é morto durante seu domínio. - Calígula (37 – 41 d.C.) foi quem exigiu ser cultuado ordenando que sua estátua fosse colocada no templo de Jerusalém, contudo ele morreu antes da estátua ser colocada no templo. - Cláudio (41 – 54 d.C.) foi quem expulsou de Roma os residentes judeus, entre os quais estavam Áquila e Priscila, por motivo de distúrbios civis; - Nero (54 - 68 d.C.) famoso por perseguir os cristãos, embora provavelmente somente nas cercanias de Roma, foi o responsável pelo martírio de Pedro e Paulo. - Vespasiano (69 – 79 d.C.) enquanto ele ainda era um general romano começou a esmagar uma revolta dos judeus, tornou-se imperador e deixou o término do trabalho aos cuidados de seu filho Tito numa campanha que culminou com a destruição de Jerusalém e seu templo, em 70 d.C.; - Domiciano (81 - 96 d.C.) perseguiu muito os cristãos. É provável que sua perseguição serviu de pano de fundo para a escrita de Apocalipse, como encorajamento para os cristãos oprimidos. A Palestina era governada, com permissão dos romanos, por nativos subordinados aRoma, Herodes o Grande, foi um deles, ele foi aquele que governou o país sob os romanosde 37 a 4 a.C. Seu pai Antipater, subiu ao poder graças a favores obtidos dos romanos elançou Herodes na carreira política e militar. O senado romano aprovou o ofício real deHerodes, mas ele foi forçado a obter o controle da Palestina por meio da força armada. Seusantepassados eram os idumeus (descendentes de Esaú), por isso mesmo ele não era vistocom bons olhos pelos judeus. Herodes era indivíduo astuto, invejoso e cruel, assassinouduas de suas próprias esposas e pelo menos três de seus próprios filhos. Foi ele quemmandou matar as crianças em Belém, conforme vemos narrado em Mateus. Era umgovernante eficiente e sabia atuar politicamente. Por exemplo: ele trocou a lealdade quetinha por Antonio e Cleópatra pela lealdade a Augusto e conseguiu convencê-lo de suasinceridade. Ele tinha uma forma de governo muito dura com toque de recolher e tributosaltíssimos, no entanto, distribuía cereais e vestimentas no tempo de fome e frio. Foi ele oresponsável pelo embelezamento do templo, o que agradou muito aos judeus. Apesar de
  5. 5. 5não crer na fé judaica, decorou o templo com mármore branco, ouro e pedras preciosas.Herodes o Grande morreu de hidropsia e câncer nos intestinos, em 4 a.C. Seus filhos restantes passaram a governar porções separadas da Palestina. Arquelau– Judéia, Samaria e Idumeia; Herodes Filipe, Itureias, Traconites, Gaulanites , Auranites eBatanéia e Herodes Antipas tetrarca da Galiléia e Peréia. João Batista repreendeu a Antipaspor haver se divorciado de sua esposa para casar-se com Herodias, mulher de seu meio-irmão. Quando Herodias induziu sua filha dançarina a que pedisse a cabeça de João Batista,Antipas cedeu a horrenda solicitação (vide Marcos 6:17-29) e Mateus 14:3-12). Jesuschamou a Herodes Antipas de “essa raposa” (Lucas 13:32) e mais tarde teve de enfrentar ojuízo deste em tribunal (vide Lucas 23:7-12). Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande,executou o apóstolo Tiago, filho de Zebedeu, e também encarcerou Pedro (vide Atos 12).Herodes Agripa II, bisneto de Herodes o Grande, ouviu Paulo em sua auto-defesa (videAtos 25 e 26). Como resultado de seus abusos de poder na Judéia, em Samaria e na Iduméia,Arquelau foi removido por ordens de Augusto em 6 d.C. Foi por causa de um dessesexcessos que José, Maria e Jesus ao voltarem do Egito tiveram de estabelecer-se em Nazaréda Galiléia, ao invés de faze-lo em Belém da Judéia (vide Mateus 2:21 a 23). Depois queArquelau foi retirado, o território passou a ser dirigido por governadores romanos, salvopor breves períodos. O juiz de Jesus, Pôncio Pilatos, foi um desses governadores. Osgovernadores Felix e Festo ouviram a exposição do caso de Paulo (vide Atos 23-26). Equando o governador Floro saqueou o tesouro do templo, isso foi o estopim da revolta dosjudeus, em 66-73 d.C. Agora, vale ressaltar que apesar dos governadores romanos e deHerodes, era o sacerdócio judaico e o Sinédrio (um tipo de Tribunal Superior dos judeus)que controlavam boa parte das questões locais no que diz respeito ao dia a dia do povo. Quando Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C. cessou também a adoraçãoformatada com seu sistema sacrificial. Visando suprir essa lacuna, os rabinos judeusestabelecem, como medida substitutiva, uma escola na cidade costeira mediterrânea deJamnia, onde se fizessem estudos mais intensivos da Tora, ou lei do Antigo Testamento. Asituação de incerteza continuou na Palestina até os dias do imperador Hadriano, quemandou erguer um santuário e o dedicou a Júpiter, deus romano, no local exato em queestivera o templo, e além disso, proibiu o ritual da circuncisão. Outra vez os judeus serevoltam, desta vez liderados por Bar Cochba que foi recebido por muitos como se fosse oMessias (132 d.C.). Mas os romanos abafaram o levante em 135 d.C. Eles reconstruíramJerusalém dentro dos moldes de uma cidade romana e expulsaram os judeus, proibindo-osde entrar na cidade. Assim terminou o estado judaico que deixou de existir oficialmente atéser reavivado em 1948.2 – O AMBIENTE SECULAR DO NOVO TESTAMENTO A população judaica que vivia no Império Romano era de aproximadamente quatromilhões e correspondia a 7% da população total do mundo Romano. Os judeus que viviamna Palestina atingiam a setecentos mil. Havia mais judeus na Alexandria e no Egito do queem Jerusalém; e mais na Síria do que na Palestina. E mesmo em certas partes da Palestinacomo na Galiléia onde Jesus se criou a maior parte da população era composta de gentios.
  6. 6. 6 Quanto à língua falada, a oficial do império romano era o latim, mas o idiomacomum falado era o grego; além do grego na Palestina também se falava aramaico ehebraico. É bem provável que Jesus e seus discípulos fossem trilingües. O transporte na Palestina era precário e não havia estradas pavimentadas. A escritaera realizada em papiros ou pedaços de cerâmica, os textos mais importantes eram escritosem couro ou pergaminho. O habitante típico da Palestina morava em um apartamento em um edifício, no níveldo chão, que possuía apenas um aposento, o piso era de terra batida, o eirado era utilizadopara as pessoas dormirem no calor, secar frutas, e lugar de oração. Os leitos consistiam deum colchão no chão. As pessoas dormiam vestidas com suas roupas de uso diário. Enquanto os romanos faziam quatro refeições diárias, os palestinos (judeus) faziamapenas duas refeições diárias. Sua dieta era constituída principalmente de frutas e legumes.Carne assada ou cozida somente em dias de festa, uvas passas, mel, tâmaras, figos e peixe.Comiam reclinados em divãs e nas refeições informais se assentavam. Quanto ao vestuário, os homens usavam túnicas que eram vestes parecidas comcamisas que iam dos ombros até os joelhos e uma faixa ou cinto era enrolado em volta dacintura; as sandálias para os pés eram grosseiras, e eles usavam um turbante ou chapéu nacabeça. Nos meses de frio usavam também uma manta ou capa pesada sobre a túnica. Asvestes eram geralmente brancas. As mulheres usavam uma túnica curta como roupa debaixo e algumas vezes usavam uma túnica externa brilhantemente colorida que descia atéaos pés. As mais elegantes usavam cosméticos, batom, sobras nos olhos, pintura parasobrancelhas e jóias que incluíam brincos e pendentes para o nariz. As mulheres palestinascostumavam usar um véu, mas não tapavam seu rosto. Os homens mantinham o cabelocurto, raspado com navalha. Os homens e mulheres tingiam os cabelos para disfarçar osgrisalhos. Usavam perucas e na Palestina os homens deixavam a barba crescer. Entre os pagãos as camadas sociais eram desniveladas, havia os aristocratas,proprietários de terras e os contratados pelo governo, que viviam no luxo; e os escravos quefaziam o trabalho pesado. Entre os judeus, o desnível social era um pouco menor por causada influência do judaísmo. Os rabinos formavam a classe média alta e os fazendeiros,artesãos, pequenos negociantes formavam a maior parte da população. Os cobradores deimpostos (publicanos) eram objeto especial de aversão como classe. A família era a unidade social básica. Para encorajar a família greco-romana típicaque contava com baixa taxa de nascimentos o governo oferecia benefícios especiais aospais de dois ou mais filhos, enquanto que os solteiros pagavam impostos especiais. Na Palestina era comum a família de muitos membros. Havia alegria no nascimentode um menino e tristeza no nascimento de uma menina. Muitas delas eram abandonadas eeram acolhidas e criadas para serem prostitutas. Os nomes eram muito repetitivos e comonão havia sobrenomes a distinção era feita ora por meio da profissão que era acrescida aonome, ora por meio da adição do nome do pai, ou da cidade de origem. Ao perder um entequerido eles costumavam rasgar suas vestes ou jejuarem em sinal de luto, e também podiamcontratar pessoas “carpideiras profissionais” para conduzir uma lamentação. No que diz respeito à moralidade no mundo greco-romano percebe-se, pelas listasnas cartas paulinas, que os pecados sexuais encabeçam a lista das proibições. A prostituiçãoembora já existisse como instituição bem reconhecida era condenada. Meninas escravaseram vítimas desses excessos. Alguns homens vendiam suas próprias filhas e mulheres. Erafácil divorciar, e o assassínio era uma prática comum.
  7. 7. 7 Quanto ao lazer, a forma mais espetacular de diversão era as lutas dos gladiadores.Eles podiam ser escravos, cativos, criminosos ou voluntários. Havia muito derramamentode sangue nesses eventos. Peças teatrais exibiam a imoralidade da época. Havia também os jogos olímpicosque eram eventos esportivos que atraíam muita gente. Havia boa música e literatura. Ascrianças brincavam com brinquedos como chocalhos, bonecas, casas e móveis emminiatura, balanços, jogos como a amarelinha, esconde-esconde, cabra-cega. Em se tratando de negócios e trabalho, as uniões trabalhistas eram prefiguradas pordivindades patronas. Esses grêmios se ocupavam de intrigas políticas, prestavam auxílio aseus membros em situação precária e distribuíam benefícios a viúvas e órfãos, na Palestinaeles regulavam os dias e as horas de trabalho. A indústria era limitada a pequenas oficinas locais, o transporte via fluvial erapossível apenas nos meses calmos do verão. A agricultura era muito avançada com autilização de diferentes tipos de fertilizantes, pesticidas, seleção de sementes e rotatividadeda região de plantio. Algumas companhias exploravam a atividade bancária de modo muito parecido aodos dias de hoje. As taxas de juro variavam entre quatro e doze por cento ao ano. A ciência no período do Novo Testamento já existia. Na verdade desde três séculosantes de Cristo um homem chamado Eratostenes, bibliotecário em Alexandria ensinava quea terra era esférica e calculou que ela teria 24 mil milhas de circunferência (errou apenasem oitocentas milhas de acordo com o cálculo moderno) e calculou a distância entre a terrae o sol em 92 milhões de milhas (a estimativa atual é de 93 milhões de milhas). Ele tambémconjecturou a existência do continente americano. A medicina, pelo menos a cirurgia estava bem mais avançada do que imaginamos.Lucas foi um médico. Os cirurgiões faziam intervenções cirúrgicas no crânio,traqueotomias, amputações. Preenchiam as cavidades dos dentes com ouro e as dentaduraseram feitas com os dentes dos falecidos ou de animais. Algumas vezes usavam pós-abrasivos para branquear os dentes.3 – AMBIENTE RELIGIOSO DO NOVO TESTAMENTO3.1. O paganismo No mais alto escalão das divindades gregas estava Zeus, filho de Cronos. Eleabafava rebeliões por parte dos outros deuses. Para os gregos os deuses eram superiores aoshomens no que diz respeito ao poder, inteligência e imortalidade, contudo não no que dizrespeito à moralidade. Grande parte do panteão e da mitologia grega foi assumida pela religião romana. Asdivindades romanas vieram a ser identificadas com os deuses gregos (Júpiter com Zeus,Vênus com Afrodite, e assim segue). É também de influência grega a adição, feita pelosromanos, de certas características como a de um sacerdócio sobre o qual o próprioimperador atuava como sumo sacerdote. O culto ao imperador aprovado pelo senado romano seguiu essa idéia ao deificarapós a morte a Augusto e a subseqüentes imperadores que porventura tivessem servido bemcomo tais. Alguns deles antecipavam essa deificação pós-morte entre eles – Calígula, Neroe Domiciano – contudo eles não foram honrados com tal distinção ao morrerem.
  8. 8. 8 É fato que houve uma larga popularidade e influência das religiões misteriosas dosgregos, egípcios e povos orientais sobre o primeiro século cristão. Havia os cultos deEleusis, Mitra, Isis, Dionísio, Cibele e inúmeros cultos locais. Eles promoviam apurificação e a imortalidade do indivíduo. Freqüentemente esses cultos giravam em tornode mitos sobre uma deusa cujo amante ou filho fora arrebatado dela, usualmente através damorte, para ser subseqüentemente restaurado. Esses mistérios envolviam ritos secretos deiniciação e outras cerimônias, como banhos, aspersão de sangue, alimentos sagrados,intoxicação alcoólica, êxtase emocional e muito luxo visando promover união mística dosdevotos com os deuses. Havia muitas supertições e sincretismo e o contraste dualista concebido por Platãoentre o mundo invisível das idéias e o mundo visível da matéria, formava o substrato dognosticismo do primeiro século de nossa era, segundo o qual, a matéria era equiparada aomal, ao passo que o espírito seria equivalente ao bem. Daí resultavam dois modos opostosde conduta: 1 – a supressão dos desejos do corpo, devido à sua conexão com a matéria má(ascetismo) e 2 – a indulgência quanto às paixões físicas por causa da irrealidade einconseqüência da matéria (libertinagem ou sensualismo). Em ambos casos as noçõesreligiosas orientais haviam corrompido as idéias originais de Platão. Por considerarem acarne como má a ressurreição era abominável. No entanto, buscava-se a imortalidade doespírito, podendo-se chegar a ela por meio do conhecimento de doutrinas secretas e desenhas através das quais a alma, por ocasião da morte, conseguiria escapar da vigilância deguardiões demoníacos dos planetas e das estrelas em seu vôo da terra para o céu. Para eleso problema religioso não passava pela culpa humana e necessidade de perdão, mas estavarelacionado à ignorância e era necessário obter conhecimento para resolve-lo. De fato, ovocábulo gnosticismo vem de gnosis, termo grego que significa conhecimento. A fim deassegurar-se a pureza do Deus supremo, era este separado do universo material, e, portantomau, mediante uma série de seres progressivamente menos divinos, chamados “aeons”, queemanaram dele. Assim, uma elaborada angelologia se desenvolveu juntamente àdemonologia. Parece que por trás de algumas heresias que são atacadas no Novo Testamento estãoalgumas idéias gnósticas. No entanto, o conteúdo da biblioteca gnóstica, descoberta nadécada de 1940, em NAG Hammadi ou Chenoboskion, no Egito, parece confirmar que nãoexistia conceito gnóstico de um redentor celestial, quando começou o movimento cristão.Ao que parece o gnosticismo tomou por empréstimo do cristianismo, em data posterior, adoutrina de um redentor celeste. Havia grande interesse em retornar a formas filosóficas mais puras. O epicurismodefendia que os prazeres (não necessariamente de ordem sensual) eram o sumo bem davida. O estoicismo ensinava que a aceitação racional da própria sorte, determinada por umaRazão impessoal, que governaria o universo e da qual todos os homens fazem parte, é deverdo homem. Os cínicos, antigas contrapartes dos modernos “hippies” reputavam a virtudesuprema como se fosse uma vida simples e sem convenções, rejeitando a busca popularpelo conforto, pelas riquezas e pelo prestígio social. Os céticos tendo abandonado em seurelativismo toda esperança de qualquer coisa em termos absolutos, sucumbiam ante adúvida e a conformidade para com costumes prevalecentes. O cristianismo penetrou em uma sociedade religiosa e filosoficamente confusa. Aantiga confiança dos primeiros gregos desaparecera. O enigmático universo desafiava acompreensão. A filosofia não conseguiu dar respostas satisfatórias. A religião tradicionaltambém não. Os homens se sentiam impotentes diante da sorte ditada pelas estrelas, as
  9. 9. 9quais eram considerados seres angélico-demoníacos. O que vigorava era uma atitude dedesespero, marcada pelo pessimismo.3.2. O Judaísmo O judaísmo, como era conhecido no primeiro século, iniciou-se perto do final doperíodo do Antigo Testamento, durante o exílio assírio-babilônico. A idolatria da naçãoisraelita foi punida por Deus, conforme predito pelos profetas, com o exílio. Essa puniçãocurou a nação de sua idolatria. Com a perda temporária do templo, durante o exílio, houveum incentivo ao estudo e observância da lei (Tora) do Antigo Testamento, e, a instituiçãode centros de adoração (sinagogas?). Alguns eruditos questionam se as sinagogas tiveram origem justamente durante oexílio ou mais tarde, já no período intertestamentário. Uma conjectura razoável, entretanto,é que em face de Nabucodonosor haver destruído o primeiro templo (o de Salomão) e haverdeportado da Palestina a maioria de seus habitantes, os judeus estabeleceram centros locaisde adoração intitulados sinagogas (assembléias) onde quer que pudessem ser encontradosdez judeus adultos do sexo masculino. Uma vez instituída como uma instituição, assinagogas prosseguiram em existência até a reconstrução do templo, sob a liderança deZorobabel. Sabe-se que uma sinagoga típica era um auditório retangular com uma plataformaelevada para o orador, atrás dela ficava uma arca portátil ou um nicho, contendo rolos doAntigo Testamento. A congregação se assentava em bancos de pedra, que estavamalinhados ao longo de duas ou três paredes, ou em esteiras e, possivelmente, assentos demadeira no centro do salão. Na frente, com seus rostos voltados para a congregação,assentavam-se os dirigentes ou anciãos da sinagoga. As músicas não eram acompanhadaspor instrumentos musicais. Quando ia ler algum rolo do Antigo Testamento, o orador selevantava. Ao pregar, ele se sentava. Todos se levantavam para realizar suas orações. Em um culto típico de uma sinagoga havia: a recitação responsiva do Shema(Deuteronômio 6:4 e ss. - texto áureo do judaísmo) e do Shemone Esreh (uma série delouvores a Deus); oração, cântico de salmos, leituras do Antigo Testamento hebraico, da leie dos profetas, com um targum, ou seja, frouxa tradução oral para o aramaico (ou para ogrego) que muitos judeus entendiam melhor que o hebraico. Um sermão (se alguémcompetente para tanto estivesse presente) e, uma benção proferida. Havia ampla liberdadeno fraseado da liturgia. Toda a congregação dizia “Amém”, no final das orações. O chefeda sinagoga selecionava diferentes membros da congregação para conduzir as recitações,ler as Escrituras e orar. Os visitantes que estivessem habilitados eram convidados a falar,uma prática que abriu muitas oportunidades para Paulo pregar o evangelho nas sinagogas. O chefe ou presidente eleito da sinagoga presidia as reuniões e fazia a apresentaçãodos estranhos. O atendente (ou hazzan) cuidava dos rolos e dos móveis, acendia aslâmpadas, soprava a trombeta que anunciava o dia de sábado, punha-se ao lado dos leitorespara assegurar a pronúncia correta e a leitura acurada dos textos sagrados, e algumas vezes,ensinava na escola da sinagoga. Uma junta de anciãos exercia superintendência espiritualsobre a congregação. Os membros que caíssem em erro eram punidos por meio de açoitesou de exclusão. As esmolas recolhidas pela sinagoga eram distribuídas entre os pobres. Osprimeiros cristãos, principalmente judeus, assimilaram de forma natural a organização dasinagoga como um modelo básico para suas igrejas locais.
  10. 10. 10 A sinagoga representava muito mais que um centro de adoração religiosa a cadasábado. Durante os dias úteis da semana ela se tornava em centro de administração dejustiça, de reuniões políticas, de serviços fúnebres, de educação de jovens judeus, e deestudos do Antigo Testamento. O estudo da Tora nas sinagogas tendia por obscurecer aimportância da oferenda de sacrifícios no templo judaico, razão pela qual o rabino, oumestre da lei, começou a ultrapassar ao sacerdote em importância. Conforme a lei mosaica, os sacrifícios só podiam ser legitimamente oferecidos nosantuário central. Por isso o segundo templo continuou a ser importante, até à suadestruição por Tito, em 70 d.C. As exortações dos profetas Ageu e Zacarias haviamimpulsionado a reconstrução do templo durante o período de restauração do VelhoTestamento, depois do desterro. Saqueado e aviltado por Antíoco Epifâncio, em 168 a.C. otemplo fora reparado, purificado e reconsagrado por Judas Macabeu três anos mais tarde.Herodes o Grande deu início a um grande programa de embelezamento do templo quefindou depois de sua morte, mas de nada adiantou, pois o templo foi outra vez destruído. O templo havia sido erguido em meio a átrios e abóbadas que cobriam cerca devinte e seis acres. Os gentios podiam entrar no átrio exterior; mas inscrições em latim egrego os advertia, sob ameaça de morte, a não entrarem nos átrios mais interiores,reservados aos judeus com exclusividade. Do lado de fora do templo havia o altar dosholocaustos e o lavatório cheio de água para ser usado pelos sacerdotes, em suas abluções.Já no Lugar Santo, havia um candeeiro com sete hastes, alimentado por azeite, uma mesacom o pão da presença (de Deus), ou pães da apresentação, e um pequeno altar onde eraqueimado o incenso. Uma pesada cortina separava o lugar santo do lugar chamado Santodos Santos, no qual apenas o sumo sacerdote entrava, e isso apenas um dia no ano, no Diada Expiação. A arca da aliança, a única peça de mobília que havia no Santo dos Santos, duranteos dias do Antigo Testamento, desde há muito havia desaparecido em meio aos distúrbiosdas invasões e do cativeiro. Além dos sacrifícios particulares, holocaustos diários em prolda nação inteira eram sacrificados no meio da manhã e no meio da tarde, conjuntamentecom a queima de incenso, orações, bênçãos proferidas pelos sacerdotes, libação de vinho(oferenda líquida), o toque das trombetas e um cântico por parte de um coro formado porlevitas, com acompanhamento de harpas, liras e instrumentos musicais de sopro. Ossábados, as festividades e outros dias santos requeriam cerimônias adicionais. A adoração no templo estava intimamente relacionada às festividades religiosas edias santos dos judeus. Aproximadamente em setembro/outubro tinha início o ano civiljudeu e o ano religioso começava em março/abril.O calendário religioso dos judeus era cheio de festas. Elas eram distribuídas assim:Entre março/abril – 15-21 (Nisã) celebrava-se a Páscoa que comemorava o êxodo do Egitoe marcava o início da colheita do trigo. O Pentecoste também chamado de Semanas –ocorria em abril/maio (Iyar) e maio/junho – 6 (Sivã) e marcava o fim da colheita do trigo.Ocorria também em junho/julho (Tamuz); julho/agosto (Ab); agosto/setembro (Elul).Havia também a festa das Trombetas ou Rosh – ou Hashanah – marcando o início do anocivil e o fim das colheitas da uva e da azeitona – Tisri (setembro-outubro) 1 e 2.O Dia da Expiação ou Yom Kippur – visando o arrependimento nacional, jejum e expiação(não era chamado de festa) – Tisri (setembro-outubro) 10.Havia também a festa dos Tabernáculos ou colheita – comemorando o viver em tendas acaminho de Canaã, após o êxodo no Egito – era uma festividade alegre, durante a qual opovo vivia em cabanas de ramos – Tisri (15-22)
  11. 11. 11E a festa das Luzes, Dedicação ou Hanukkah – comemorando a rededicação do Templo,por Judas Macabeu, com luzes brilhantes nos recintos do Templo e nos lares dos judeus –Heshvan (outubro-novembro) Quisleu (novembro-dezembro) 25 e Tebete (dezembro-janeiro) 2 e 3.E finalizando havia a chamada de Purim – comemorando o livramento de Israel ao tempode Éster, com a leitura pública do livro de Éster nas sinagogas – Shebet (janeiro-fevereiro)Adar (fevereiro-março) 14. Era prescrito pela lei mosaica os seis primeiros itens do calendário (da Páscoa - aoTabernáculo). Os dois restantes (Hanukkah e Purim) surgiram posteriormente, e à parte demandamento bíblico. Os peregrinos enchiam as ruas de Jerusalém vindos de toda parte daPalestina e também de países estrangeiros, por ocasião das três principais festividadesreligiosas. Páscoa - Pães Asmos, Pentecoste e Tabernáculos. O Antigo Testamento existia em três idiomas, para proveito dos judeus do primeiroséculo: o hebraico original, a Septuaginta (uma tradução para o grego) e os Targuns(traduções orais para o aramaico, que estavam começando a ser postas em forma escrita. OsTarguns também continham materiais tradicionais que não figura no texto bíblico).Escritos em hebraico, aramaico e grego, e datados dos períodos inter e neotestamentário, oslivros apócrifos do Antigo Testamento contêm história, ficção e literatura de sabedoria. Osjudeus, e posteriormente os primitivos cristãos, de modo geral não reputavam esses livroscomo Escritura Sagrada, razão por que o termo apócrifo, que inicialmente significava“oculto, secreto e por isso profundo”, terminou por significar “não canônico”. Os livrosapócrifos incluem os seguintes:I e II Esdras, Tobias, Judite, Adições ao livro de Éster, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico,ou Sabedoria de Jesus, filho de Siraque, Baruque, Epístola de Jeremias, Oração de Azarias,Cântico dos Três Jovens, Susana, Bel e o Dragão, Oração de Manasses, I e II Macabeus.Outros livros que datam da mesma era são intitulados pseudepígrafos (falsamente escritos)porquanto alguns deles foram escritos sob a alegação de que seus autores foram figuras doAntigo Testamento desde há muito falecidas, a fim de assumirem foros de autoridade.Alguns desses escritos pseudepígrafos também cabem dentro da categoria de literaturaapocalíptica (que visavam encorajar o povo a suportar as perseguições, até que seinaugurasse o reino messiânico).Essa literatura não possui limites conhecidos, possui autores anônimos cujo conteúdo élendário. Alguns desses livros são: I e II Enoque, II e III Baruque, Oráculos Sibilinos,Testamento dos Doze Patriarcas, Testamento de Jô, Vidas dos Profetas, Assunção deMoisés, Martírio de Isaías, Paralipômenos de Jeremias, Jubileus, Vida de Adão e Eva,Salmos de Salomão, Epístola de Aristéias, III e IV Macabeus.Em adição a estes, os documentos encontrados entre os rolos de Qumran: Documento deDamasco, Regra da Comunidade ou Manual da Disciplina, Guerra entre os Filhos da Luz eos Filhos das Trevas, Descrição da Nova Jerusalém, Hinos de Ação de Graças, Salmos deJosué, vários comentários (peshers) sobre Salmos, Isaías, Oséias, Miquéias, Naum,Habacuque e Sofonias. O Talmude judaico era o registro escrito do conjunto de tradições oraisconcernentes às decisões rabínicas sobre casos que envolviam questões de interpretaçãoacerca da lei do Antigo Testamento. Afirmando que as leis orais remontavam ao tempo deMoisés, os rabinos elevaram suas contraditórias interpretações do Antigo Testamento a umaposição de maior importância que o próprio Antigo Testamento. Duas famosas escolasrabínicas de interpretação eram a escola moderada de Hilel e a escola rigorosa de Shammai.
  12. 12. 12Apesar de seu espírito nacionalista o judaísmo atraía grande número de prosélitos(plenamente convertidos) e de tementes a Deus (gentios dispostos a praticar o judaísmo emparte - não circuncidado). A fé judaica era resultado da ação de Deus na história e frisava o destino da nação,(o período intertestamentário registrou a crescente ênfase no destino do indivíduo), mas onacionalismo e a consciência de pertencer ao povo escolhido nunca acabou. Os judeus esperavam o Messias. Eles realmente aguardavam o aparecimento decerta variedade de personagens messiânicas – profética, sacerdotal e real. Mas, de modogeral, não esperavam que o Messias fosse um salvador sofredor e moribundo, e nem um serdivino. Tinham a esperança que Deus viesse a usar a figura humana para trazer livramentopolítico militar da opressão e domínio romanos. Ou então o próprio Deus haveria de libertarSeu corpo (povo), para em seguida introduzir o Messias como governante. Seitas e outros grupos do judaísmo: Os fariseus (separados – provavelmente em sentido ritual) surgem após a revoltados Macabeus, como um desenvolvimento dos hasidim, que se opunham à helenização dacultura judaica. A maioria deles era da classe média leiga e compunham a mais numerosadas seitas religiosas dos judeus, embora consistissem tão somente de seis mil decididos, notempo de Herodes o Grande. Eles formavam a coluna mestra do judaísmo. Guardavamtanto as leis rabínicas quanto às mosaicas. Um fariseu não podia comer na casa de umpecador (alguém que não praticasse o farisaísmo), mas podia receber um pecador em suaprópria casa. Ele precisava dar-lhe vestes, para que as roupas do próprio pecador nãofossem ritualmente impuras. Observavam o sábado. Alguns fariseus rabinos proibiam quese cuspisse no chão desnudo, em dia de sábado, a fim de que a perturbação da poeira nãoviesse a constituir aragem e, portanto, quebra do sábado por meio desse trabalho. Asmulheres não poderiam olhar no espelho no dia de sábado para não serem tentadas aarrancarem algum cabelo branco (isso seria considerado trabalho). Quando lhes convinhaos fariseus planejavam desculpas, por exemplo: embora uma pessoa não pudesse levar nosbraços as suas roupas no dia de sábado caso houvesse um incêndio, ela poderia vestir-secom várias camadas de roupas antes de sair da casa e assim livra-las do incêndio. Não eralícito que um fariseu viajasse no sábado mais de um quilômetro. Mas se ele desejava irmais longe, depositava na sexta feira alimentos suficientes para duas refeições a umquilômetro distante de sua residência, na direção em que quisesse ir. O depósito dealimentos tornava aquele lugar um lar seu, distante de casa, pelo que, em dia de sábado,era-lhe possível viajar um quilômetro extra. Jesus e os fariseus por repetidas vezes entraramem choque em virtude do artificialismo de tal legalismo. O judeu comum admirava osfariseus, como perfeitos modelos de virtude. Os saduceus eram os aristocráticos herdeiros dos hasmoneanos do períodointertestamentário. Eles constituíam um menor grupo que os fariseus, mas detinham maiorinfluência política, porque controlavam o sacerdócio. Alguns relacionam o termo saduceuaos membros do concilio supremo, outros a Zadoque, sacerdote nos tempos de Davi eSalomão. Em virtude de seus contatos com os dominadores estrangeiros eles reduziam suadevoção religiosa e estavam mais abertos a helenização. Eles eram diferentes dos fariseus,davam importância somente aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento (oPentateuco, lei mosaica ou Tora) como únicos plenamente autoritativos, e desprezavam asleis orais dos rabinos não sacerdotais. Eles não criam na preordenação divina, em anjos, emespíritos e nem na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo, conforme criam osfariseus.
  13. 13. 13 Apesar de serem estritos em certo sentido os fariseus eram de tendênciasprogressistas, pois continuavam aplicando a lei do Antigo Testamento a novas e mutáveiscircunstâncias da vida diária. Já os saduceus confortavelmente situados na vida comoestavam, queriam manter o status quo, e assim sendo resistiam a qualquer contemporizaçãocom a lei, a fim de que não viessem a perder suas favoráveis posições de abastança eriqueza. Com a destruição do templo em 70 d.C. o partido dos saduceus se desintegrou. Osfariseus, porém, sobreviveram tendo-se tornado no alicerce do judaísmo ortodoxo dosséculos posteriores. Os essênios formavam uma seita menor, com cerca de quatro mil adeptos. Assimcomo os fariseus eles se originaram entre os hasidim (aqueles que se desgostavam dosexpansivos alvos políticos hasmoneanos). Alguns essênios viviam em comunidadesmonásticas, como aquela de Qumran, onde foram descobertos os papiros do Mar Morto. Aadmissão requeria um período de prova de dois a três anos, abandono de propriedadesprivadas e das riquezas, doadas ao tesouro comum. Os elementos mais estritos nãocasavam. Chegavam a ultrapassar os fariseus no extremo legalismo. Não ofereciamsacrifícios de animais no templo, usavam vestes brancas como símbolo de pureza, seconsideravam o remanescente vivo dos eleitos, esperavam o aparecimento do profeta (ummessias político-militar) e se preparavam para uma guerra de 40 anos. Foram influenciadospelo “Mestre da Justiça” um antigo mestre em suas crenças e práticas. Os herodianos não eram uma seita religiosa, era um grupo formado por umapequena minoria de judeus influentes – que pertenciam em sua maioria a aristocracia desacerdotes saduceus – e que apoiavam a dinastia dos Herodes e de forma encoberta aogoverno romano, que colocou os Herodes em posição de mando. Contrastando com eles oszelotes eram revolucionários que se dedicavam à derrubada do domínio romano, recusando-se a pagar as taxas impostas por Roma, eles consideravam a lealdade a César um pecado,iniciaram muitas revoltas, inclusive a rebelião judaica que culminou com a destruição deJerusalém em 70 d.C. Os eruditos em geral identificam os zelotes como sicários(assassinos) que tinham o costume de carregarem adagas escondidas. Talvez estes fossem oramo extremista dos zelotes. Um dos doze discípulos de Jesus fora um zelote (Simãochamado Zelote). Lucas 6:15 e Atos 1:13. Em se tratando dos escribas, eles não eram nem uma seita religiosa e nem umpartido político, mas constituíam um grupo de profissionais. Eram doutores, mestres da lei,também chamados “rabinos” que literalmente quer dizer “meu grande” ou “meu mestre”,professor. Sua origem está com Esdras, conforme uma certa tradição. Eles eramresponsáveis por interpretar e ensinar a lei do Antigo Testamento baixando decisõesjudiciais sobre os casos que lhes eram apresentados. Sua função interpretativa eranecessária em virtude da aplicação dos preceitos da lei à vida diária. Por exemplo: o queconsistia em trabalho no sábado? Os discípulos (aprendizes dos escribas) seguiam atrásdeles por onde quer que fossem, e aprendiam por rotina de memória as minúcias dastradições do Antigo Testamento e rabínicas. Os escribas ensinavam no recinto do templo enas sinagogas e ocasionalmente debatiam na presença de seus discípulos. Na época de Jesus a maioria dos escribas pertencia à seita dos fariseus, agora nemtodos os fariseus possuíam o treinamento teológico que era necessário a um escriba Umavez que o trabalho do escriba era gratuito, eles se sustentavam por meio de algum outroofício. Por exemplo: Paulo, que recebera treinamento rabínico, era fabricante de tendas(vide Atos 18:3). Apesar de não ter recebido educação teológica formal, Jesus foi chamadoRabi e cercou-se de discípulos. Com freqüência Ele ensinava em estruturas rítmicas fáceis
  14. 14. 14de memorizar, declarações concisas e vívidas parábolas. Sempre ensinava com grandeautoridade. Muitas das questões religiosas e domésticas dos judeus eram resolvidas por elesmesmos com a permissão dos romanos. Por causa disso, existiam numerosos tribunaislocais. O superior tribunal dos judeus era o Sinédrio, ele se reunia na área do templodiariamente, exceto aos sábados e outros dias santificados. Eles inclusive comandavam aforça policial. O sumo sacerdote presidia a setenta outros juízes, membros do tribunal,vindos dos partidos dos fariseus e dos saduceus. O Novo Testamento se refere ao Sinédriousando os termos “Concílio”, “principais sacerdotes, anciãos e escribas”, “principaissacerdotes e autoridades” ou simplesmente “autoridades”. Os judeus palestinos, as massasdo povo comum, chamadas “o povo da terra”, permaneciam desvinculados das seitas e dospartidos políticos. Isso acontecia em virtude do seu desconhecimento da Lei e eles eramdesprezados. Jesus misturava-se com essa gente e foi muito criticado por isso.A Diáspora Distantes da Palestina, os judeus da diáspora (dispersão) estavam divididos em duascategorias: 1 – os hebraístas, que retinham não só sua fé judaica mas também o idiomajudaico e seus costumes palestinos; e 2 - os helenistas que haviam adotado o idioma, oestilo de vestes e os costumes gregos, ao mesmo tempo em que se apegavam à fé judaicaem distintos níveis de intensidade. O filósofo judeu Filo, foi notável exemplo de judaísmohelenista. Ele viveu no primeiro século cristão e morava em Alexandria. Ele combinava ojudaísmo e a filosofia grega usando alegorias baseadas no Antigo Testamento. Sem dúvidaso judaísmo da diáspora era menos estrito e mais influenciado pelo mundo grego. Noentanto, como as influências gregas já permeavam a Palestina, o judaísmo palestino é muitodiferente do Talmude que representa um estágio mais avançado e com tendências maismonolíticas do judaísmo. Após os fracassos das revoltas contra Roma em 70 e 135 d.C., ojudaísmo da Palestina seguiu uma tendência em direção à uniformidade a partir de umfarisaísmo que buscava eliminar os elementos apocalípticos; quanto aos saduceus, eleshaviam perdido a sua base de influência, que era o templo, e os romanos tinham seencarregado de destruir as esperanças de seitas menores com tendências apocalípticas,como eram, por exemplo, os essênios.A educação judaica e a educação greco-romana Era em casa que as crianças judias recebiam suas primeiras lições de história e dereligião, de seus progenitores, inclusive habilidades práticas e quiçá, também capacidade deler e escrever. A própria Lei e o livro de Provérbios, no Antigo Testamento, contêm muitasreferencias nas quais essa responsabilidade é atribuída aos pais, isso incluía o emprego depunições físicas, para crianças que não aprendessem do modo devido. Os meninos judeusiam às escolas das sinagogas locais a partir dos seis anos de idade. Na Sinagoga o manualde leitura e escrita era O Antigo Testamento. As lições também incluíam aritméticasimples, tradições judaicas extrabíblicas e os complexos rituais do judaísmo. Eles tambémaprendiam uma profissão com o fim de tornar-se um erudito avançado como seu pupilo.Por exemplo, Paulo, antes de sua conversão, estudou aos pés do famoso rabino Gamaliel(veja em Atos 22:3).
  15. 15. 15 Contrastando com o modelo de educação judaico a educação greco-romana tinhabase liberal. Eram os escravos que supervisionavam os meninos greco-romanos em seusprimeiros anos, ensinando-lhes as suas primeiras lições, e depois os acompanhando àsescolas particulares e de volta das mesmas, até que chegassem à idade adulta, em meio agrande cerimonial. Ao se tornarem adolescentes eles passavam a freqüentar universidadesem Atenas, Rodes, Tarso, Alexandria e outras localidades, onde estudavam filosofia,retórica (oratória), leis, matemática, astronomia, medicina, geografia, botânica. Sequisessem também poderiam freqüentar as preleções de um filósofo peripatético (andarilho)assim chamados porque iam ministrando seus conhecimentos enquanto caminhavam. Aelevada taxa de alfabetismo, que é evidenciado pelos papiros remanescentes, mostra que aeducação era generalizada. Era comum pessoas carregarem cadernetas de anotações,anotarem as compras de mercado, os encontros e outros memorandos. Até mesmo ataquigrafia já era usada. Todos estes conhecimentos somados nos auxiliam no processo de compreensão doNovo Testamento.4 - O CANON O Cânon (vara de medir, padrão) do Novo Testamento é formado pelos livros queforam aceitos pela Igreja Primitiva como Escrituras inspiradas por Deus, constituindo regrade fé e prática. No começo os cristãos não possuíam nenhum dos livros que fazem parte do nossoNovo Testamento. Eles dependiam do Antigo Testamento, de uma tradição oral acerca dosensinamentos e da obra de redenção de Jesus, e de revelações diretas da parte de Deus,através de profetas cristãos. Agora, mesmo depois de já terem sido escritos os livros doNovo Testamento, muitos desses livros não haviam ainda sido geograficamente distribuídospor toda a Igreja. E antes de serem colecionados para formação do Novo Testamento,escritores cristãos haviam produzido alguns outros livros sendo alguns deles bons, e outrosde inferior qualidade. Os livros como as cartas de Paulo e os evangelhos foram canonizadossem maiores problemas. Mas uma autoria incerta de outros como Hebreus fez com que suacanonicidade fosse posta em dúvida por algum tempo. A segunda epístola de Pedro, porexemplo, demorou a ser aceita pela igreja primitiva como sendo de autoria petrina uma vezque no grego o seu estilo difere da primeira. Outros livros por terem circulação limitada enão se tornarem amplamente conhecidos só foram adicionados ao cânon mais tarde. Algumas citações retiradas dos livros do Novo Testamento, e isso de maneiraautoritativa, pelos primeiros pais da Igreja, nos ajudam a reconhecer os livros que elesconsideravam canônicos. Mais tarde a Igreja compilou listas formais de livros, ou cânons.Um dos primeiros foi o cânon de Marciom (cerca de 144 d.C.). Ele era um herege gnóstico,que ensinava a existência de um severo Deus no Antigo Testamento e de um amoroso Deusno Novo Testamento. Para Marciom esses “deuses” se opunham mutuamente. Ele ensinavatambém que Jesus Cristo veio como mensageiro do amoroso Deus do Novo Testamento eque fora morto pelo Deus do Antigo Testamento. Dizia também que Jesus confiara oevangelho aos doze apóstolos, mas estes não tinham evitado a corrupção do mesmo e quePaulo se tornara o único pregador do verdadeiro evangelho. Assim, pois, Marciom separouapenas aqueles livros que ele considerava livres do Antigo Testamento e do judaísmo econtrários ao mesmo, como por exemplo: Lucas (com algumas omissões) e a maior parte
  16. 16. 16das epístolas de Paulo. A violenta reação de cristãos ortodoxos contra a breve listapreparada por Marciom demonstra o fato que, como um todo, a Igreja já havia aceitado oslivros do Novo Testamento que Marciom rejeitou. Por isso mesmo o cânon de Marciomcausou tanta perturbação. No século IV d. C. todos os livros que compõem hoje o NovoTestamento já haviam sido reconhecidos de modo geral, ao passo que outros livros tinhamsido rejeitados. Os concílios eclesiásticos dos séculos IV e V d.C. formalizaram a crença e aprática então existente, no que diz respeito ao cânon do Novo Testamento. Podemos ver que Deus guiou a Igreja primitiva em sua avaliação de vários livros. Oprocesso de seleção precisou de algum tempo, e levantaram-se diferenças de opinião.Porém, podemos estar gratos porque a Igreja primitiva não aceitou certos livros sem adevida avaliação, e, algumas vezes, sem debate. A maioria dos leitores que faz acomparação dos escritos sub apostólicos e dos livros apócrifos do Novo Testamento com oslivros canônicos do Novo Testamento, de todo coração endossa o julgamento crítico doscristãos primitivos. Foram vários os critérios de canonicidade, como a consonância com a doutrina oralapostólica do primeiro século de nossa era, ou como o efeito moral edificante. O critériomais importante – de fato, crucial – era o da apostolicidade, isto é, autoria da parte de umapóstolo ou de um associado de algum dos apóstolos, e, por conseguinte, também haversido escrito numa data dentro do período apostólico. Marcos foi companheiro tanto de Pedro quanto de Paulo. Lucas foi companheiro dePaulo. E quem quer que tenha sido o autor da epístola aos Hebreus, exibe contatosteológicos bem próximos a Paulo. Tiago e Judas eram meio-irmãos de Jesus, associadosdos apóstolos na primitiva igreja de Jerusalém. Tradicionalmente, todos os demais autorescujas obras fazem parte do Novo Testamento eram apóstolos – Mateus, João, Paulo ePedro. A crítica moderna lança dúvidas sobre a exatidão da atribuição tradicional a certosautores. Porém, mesmo segundo pontos de vista críticos negativos, usualmente não énegado que livros não apostólicos tivessem sido escritos, dentro da tradição apostólica, porseguidores dos apóstolos. O próprio Jesus asseverou a total autoridade do Antigo Testamento como Escritura.Ele também conferiu às suas próprias palavras e ações um privilégio igualmenteautoritativo e prometeu aos apóstolos que o Espírito Santo haveria de relembrar-lhes o Seuministério, ensinando-lhes a significação do mesmo (João 14:26; 16:12-15). O cânon doNovo Testamento, pois, é o registro e a interpretação autoritativos da revelação que Deusfez de Si mesmo por meio de Jesus Cristo – um registro interpretativo autenticado pelonosso Senhor em pessoa. É bem provável que o papiro tenha sido o material de escrita da maioria, e talvez, detodos os nossos livros do Novo Testamento. Os escritores, que poderiam ser ou os própriosautores ou seus amanuenses usaram o antigo formato do rolo, embora alguns dos livrospossam ter sido escritos em forma de códex, com páginas separadas e vinculadas, como noslivros modernos. Era muito comum um autor ditar a um amanuense. E muitas vezes o autordava a seu amanuense certo grau de liberdade na escolha das palavras. Não existe nenhum dos documentos originais. Eles receberam o nome deautógrafos. No começo, quando os indivíduos e igrejas particulares desejavam cópias, umleitor ditava com base em um exemplar para uma sala repleta de copistas. Gradualmente,erros de vista e de sons, omissões e reiterações inadvertidas, notas marginais e“melhoramentos” teológicos e gramaticais deliberados foram penetrando no texto. Apreocupação com a pureza do texto provocou o confronto de manuscritos com manuscritos
  17. 17. 17anteriores, ocasionalmente por diversas vezes. Apesar de tudo, o número de equívocos foiaumentando cada vez mais. Na medida que a igreja foi percebendo a natureza sagrada e santa do NovoTestamento ela foi desenvolvendo, material de escrita de melhor qualidade e de maiordurabilidade que passou então ser usado, como o velum (pele de vitela) e o pergaminho(pele de carneiro). Os primeiros manuscritos foram escritos totalmente em letras maiúsculas(ou unciais) mas depois houve manuscritos em letras cursivas (ou minúsculas). No começonão existia a separação de palavras, os sinais de pontuação e as divisões em capítulos eversículos. Eles foram desenvolvimentos depois. Estevão Langton (morto em 1228) dividiuo texto em capítulos; R Stephanus em versículos, em sua edição impressa em 1551. Osmais antigos manuscritos que estão nas mãos dos eruditos pertencem ao século II d.C.,sendo que o mais antigo, o Fragmento Rylands do evangelho de João é datado de cerca de135 d.C. As fontes primárias é que nos permitem determinar qual o texto original do NovoTestamento são os manuscritos gregos, as antigas versões (isto é traduções geralmente emsiríaco e latim) e citações nos escritos dos primeiros pais da Igreja ou então lecionários(textos de leitura extraídos do Novo Testamento para ocasiões litúrgicas). Através dacomparação dessas fontes os eruditos chegam a uma decisão entre textos e variantes, comregular grau de certeza. Entre os seus mais importantes critérios para avaliação estão: apreferência pelo texto dos manuscritos e versões mais antigos e copiados com maiorcuidado, a preferência pela forma que melhor explica o desenvolvimento de outras formas,a preferência pela forma mais difícil (por ser mais provável que um copista procurassefacilitar e não dificultar a expressão), a preferência pela forma mais curta (o copista optariapor adicionar algo ao texto no lugar de apagar algo).5 - A VIDA DE JESUS – Fontes1. A história extrabíblica e os ágrafos Apesar de não terem sido os primeiros documentos a serem escritos no NovoTestamento (algumas epístolas foram escritas antes deles), os quatro evangelhos canônicos- Mateus, Marcos, Lucas e João – com todo o direito estão em primeiro lugar constituindo-se nas principais fontes de estudo sobre a vida de Jesus. As demais fontes informativas nãocanônicas – o historiador judeu do primeiro século Josefo (com posteriores inserções feitaspor copistas cristãos), o Talmude Babilônico e os escritores romanos Plínio o Jovem,Tácito, Suetônio e Luciano - são tão resumidas que não acrescentam dados importantes natentativa de reconstituição da vida de Jesus. Mas servem para confirmar que Ele realmenteviveu, tornou-se uma figura pública e morreu sob Pôncio Pilatos e que no espaço de dozeanos após a sua morte, a adoração à sua pessoa já havia chegado a lugares tão distantesquanto Roma. Há também algumas declarações de Cristo registradas fora dos quatroevangelhos canônicos. Paulo, por exemplo, cita uma afirmação dominical quedesconhecemos em qualquer outra fonte: “Mais bem-aventurado é dar que receber.” (Atos20:35). Essas declarações são chamadas de ágrafos e diferem das declarações de Jesus nosevangelhos, mas são citados por escritores cristãos primitivos e algumas vezes aparecem àmargem de antigos manuscritos do Novo Testamento, ágrafo vem do termo grego quesignifica não escrito. É lógico que essas afirmações foram escritas (senão não asconheceríamos) mas como não foram registradas nos evangelhos recebem o nome de
  18. 18. 18ágrafo. Existem também outros registros como os papiros de Oxyrhynchus e o supostoevangelho de Tomé que constituem coletâneas de declarações de Jesus. Algumas dessasdeclarações são semelhantes as que estão registradas nos evangelhos canônicos. Outrasdeclarações obviamente se originam de afirmativas canônicas, mas foram alteradas. Aindaoutras diferem totalmente de qualquer coisa que se possa ler no Novo Testamento. Existeum consenso geral de que os papiros de Oxyrhynchus e o evangelho de Tomé refletem umatradição quase inteiramente corrupta a respeito das palavras de Jesus. Agora, Lucas járegistra que havia numerosos registros evangélicos, escritos antes do terceiro evangelho,mas nenhum desses, excetuando o de Marcos e talvez o de Mateus, sobreviveu. Os evangelhos apócrifos pós-apostólicos, entretanto, não perduraram. Elesmesclavam crenças heréticas com imaginações piedosas e procuravam preencher ointervalo entre a morte e a ressurreição de Jesus ou apresentar detalhes sobre sua infância.Dados esses que os evangelhos omitem.2. A prioridade do evangelho de Marcos Vários estudiosos têm apresentado um certo número de argumentos em favor daprioridade do evangelho de Marcos. Em Lucas 1:1-4 o escritor sagrado chega realmente aafirmar que utilizou outros documentos dos quais obteve material registrado portestemunhas oculares para escrever seu próprio evangelho. Essa informação ao menos abrea possibilidade que Marcos tenha sido um desses documentos por trás do evangelho deLucas. Mateus incorpora praticamente todo o evangelho de Marcos e Lucas incorpora emseu texto quase a metade do evangelho de Marcos. Tanto Mateus quanto Lucas, comfreqüência, repetem as mesmas palavras de Marcos e utilizam a mesma seqüência doseventos da vida de Jesus que Marcos descreveu; no entanto, tanto Mateus quanto Lucasalteram o fraseado de Marcos buscando quem sabe, esclarecer melhor o sentido, mudando oestilo, anulando material desnecessário para seus próprios propósitos ou cujo significadopoderia ser mal entendido e destacando diferentes implicações teológicas. A prioridade deMarcos goza de considerável favor, é acerca da hipótese “Q” que se concentram as maioresincertezas.3. A hipótese “Q” Por causa das semelhanças que existem entre Mateus e Lucas no seu materialdidático que não está no evangelho de Marcos, eruditos tem defendido a hipótese daexistência de um segundo documento ao qual denominam “Q” – usualmente vinculada aovocábulo alemão Quelle que significa fonte, que é tido como uma antiga coletânea dedeclarações de Jesus, com o mínimo de arcabouço histórico. Contudo essa hipóteseapresenta alguns problemas pertinazes. Por exemplo, o grau de concordância entre Mateuse Lucas sobre declarações tradicionais varia muito. Isto leva alguns eruditos a suporem queMateus e Lucas utilizaram diferentes traduções gregas do documento “Q” que foioriginalmente escrito em aramaico.4. A crítica da forma dos evangelhos
  19. 19. 19 Primeiramente precisamos nos lembrar que os cristãos primitivos não possuíamqualquer dos quatro evangelhos. Já no século XX a erudição alemã se encarregou daambiciosa tarefa de inferir, através de uma análise literária (história da forma) dosevangelhos, como seria a tradição oral concernente a Jesus, antes dela assumir sua formaescrita. Procurando determinar a natureza e o conteúdo da tradição oral, classificando asunidades individuais do material escrito dos evangelhos, de conformidade com a formaliterária e o uso comum na Igreja primitiva. As categorias comuns são: sermões, relatos demilagres, parábolas, lendas que visavam magnificar a grandiosidade de Jesus. Essaabordagem parte da premissa que os cristãos primitivos modificaram as informações sobreJesus, chegando mesmo a inventar narrativas e declarações para satisfazer às necessidadesque surgiam da pregação missionária, das instruções catequéticas, dos sermões, daformação de liturgias, das controvérsias doutrinárias e de questões de disciplinaeclesiástica. Logo então os evangelhos narrariam mais a situação de vida da Igreja primitivaque narrar a respeito de Jesus. Visando chegar à verdade seria nessa visão necessárioeliminar os acréscimos editoriais, as observações geográficas e cronológicas, e quanto aoslances miraculosos e os elementos doutrinários, eles seriam posteriores ao da vida de Jesus.O mais conhecido crítico da forma foi E. R. Bultmann que concluiu depois de cuidadosaanálise que quase toda a tradição dos evangelhos não passava de fabricação ou estáaltamente distorcida, uma vez que os cristãos ao crerem na messianidade de Jesusinventaram histórias de milagres visando justificar essa crença. Logo, Bultmann propõe sernecessário “desmitologizar” os evangelhos (despi-los dos mitos) a fim de tornar amensagem cristã aceitável para o homem moderno, o qual, de seu ponto de vistanaturalístico, não mais pode acatar as reivindicações sobrenaturais dos evangelhos a favorde Jesus. Os críticos da forma não deram lugar à possibilidade de que a tradição dosevangelhos foi preservada meramente por expressar a verdade e também porque proviaexcelente material para o evangelismo, para o ensino e para a liturgia dos cristãos. Elesdesconsideraram a possibilidade das testemunhas oculares cristãs e anticristãs terem sidoum entrave para a criação e distorção, em larga escala, de informações. Numerosasreferências por todo o Novo Testamento indicam que os cristãos davam alto valor aoelemento de testemunho ocular como fator digno de confiança.4.1. A vida de Jesus Precisamos partir do pressuposto que nem todos os antigos aceitavam de formacrédula e sem questionar cada relato sobrenatural que ouviam. Isto porque o ceticismo erageneralizado no mundo grego-romano. Lendo os evangelhos percebemos que até entre ospróprios discípulos fizeram-se necessárias evidências para dissipar as dúvidas, como nocaso de Tomé, que a princípio desacreditou no relatório dado pelos outros sobre aressurreição de Jesus. Agora, se Jesus não foi a pessoa maravilhosa que foi relatada nosevangelhos, como podemos explicar a grande agitação em torno da sua figura? Por que Elefoi crucificado? Por que as pessoas O seguiam, continuando a confiar Nele e a proclamá-locomo salvador, mesmo depois que morrera a morte de um criminoso e, de fato, quaseimediatamente depois de sua execução? E, sobretudo, por que os judeus, que desde a tenraidade foram treinados a adorar somente ao Deus invisível, se sentiram constrangidos aadorar a um homem ao qual haviam conhecido? Como explicar a firmeza de coração que
  20. 20. 20conduziu os seguidores de Jesus até à morte? Que os manteve alicerçados durante séculosde intensa perseguição? O dramático aparecimento do cristianismo e sua influência por todaa história pedem uma explicação. Um dos conhecidos pais da Igreja, Papias, declarou no começo do século II d.C.,que Marcos registrou em forma escrita as reminiscências de Pedro a respeito de Jesus. Nãohá motivos suficientes para duvidarmos da afirmação de Papias, ou da fidelidade dosevangelhos em geral. Ao contrário, o texto dos evangelhos contém numerosas indicações deautenticidade. Os detalhes realistas são abundantes; as descrições sobre práticas legais econdições sociais na Palestina, são de uma exatidão impressionante. Se Marcos fosseescrito por cristãos posteriores, qual seria o interesse deles em apresentar os apóstolos comoindivíduos desajeitados, cabeçudos, incrédulos e acovardados em muitas ocasiões? Por qualrazão teriam sido inventadas declarações de Jesus embaraçosamente difíceis de interpretar?Apenas essas dificuldades já são suficientes para assegurar a autenticidade. Além do mais éde duvidar que distorções e invenções tivessem sido preservadas ou tivessem produzido aforma de poesia distintamente semítica dos ensinamentos de Jesus, conforme foi registradapelos evangelistas.4.2. O kerigma Com o objetivo de apresentar uma alternativa para a radical crítica da forma,C.H.Dodd, um estudioso britânico distingue um padrão comum nos sermões dos primeiroscapítulos de Atos (especialmente 10:34-43), e nas epístolas de Paulo, especialmente ondeeste, sumaria o evangelho (por exemplo, I Co 15:3 ss. e Rm 1:2,3, e 10:9).Dodd chamou de Kerigma (vocábulo grego que significa “proclamação”) esse padrão queele encontrou. Segundo Dodd gradualmente, o esboço mais simples do kerigma foi sendopreenchido com narrativas, declarações e parábolas extraídas da vida de Jesus. Osevangelhos foram escritos para registrar de forma permanente estes fatos. E à medida que oevangelho foi avançando para além das fronteiras da Palestina, onde não havia testemunhasoculares do fato, tornou-se mais necessário o surgimento dos registros fieis que foramusados pelos cristãos na sua pregação. Logo Marcos para Dodd é o registro escrito dokerigma.5. A crítica da redação Reagindo a forma como os evangelhos estavam sendo tratados, pelos críticos daforma, como se fossem meros retalhos ajuntados, alguns eruditos após a Segunda GuerraMundial passam a analisar os evangelhos como composições unificadas, cuidadosamenteeditadas ou redigidas por seus autores que visavam proteger pontos teológicos distintivos.Esse método de análise ficou conhecido como crítica da redação. O foco cai sobre osevangelhos como unidades completas e não sobre declarações e relatos isolados. Um dosmais conhecidos representantes dessa abordagem é H. Conzelmann, cuja hipótese é queLucas reinterpretou o ministério de Jesus como o ponto central histórico entre a era daIgreja e a Segunda Vinda de Cristo a seguir-se, e não como o estágio final da história,conforme ele alega que os cristãos primitivos criam.6. O estudo da vida de Jesus
  21. 21. 21 Atualmente é generalizada a opinião dos estudiosos quanto à impossibilidade de seproduzir uma biografia de Jesus, em completa escala, uma vez que os evangelhos, principalfonte de informação sobre Jesus, são por demais seletivos quanto ao volume e ao tipo deinformações que nos apresentam acerca dEle. Contudo, no século XIX, antes dessarestrição haver sido tão agudamente sentida, apareceram diversas notáveis biografias deJesus. Os seguidores de Bultmann continuam rejeitando a maior parte das tradições dosevangelhos. Alguns dos anteriores estudantes de Bultmann, chamados de pós-Bultmannianos, aceitam minúscula porção a mais como autêntica, mas a quantidade éinsignificante. Eruditos que ocupam uma posição intermediária aceitam como autênticauma proporção bem maior; mas se sentem na liberdade de rejeitar o resto. Eruditosortodoxos encontram boas razões históricas e teológicas para aceitarem na íntegra os relatosdos evangelhos. Isso não dá a entender, contudo, que os evangelistas sempre citaram asdeclarações de Jesus palavra por palavra. As diferenças existentes entre os evangelhos dãoa entender que houve freqüentes paráfrases e rearranjos editoriais, um modo perfeitamentelegítimo de transmitir os pensamentos de outra pessoa. Da mesma forma, os eruditosortodoxos não insistem em que seja necessária uma narração sempre completa ecronológica das atividades de Jesus. Mas atendendo ao propósito para o qual foram escritosque é o de proclamar as boas novas com respeito a Jesus Cristo, os evangelhos são dignosde plena credibilidade.6 - OS QUATRO EVANGELHOSQuatro visões sobre Jesus – O Messias real judeu em Mateus, o divino Servo trabalhadorem Marcos, o maravilhoso Salvador em Lucas e o Filho encarnado de Deus em João.6.1. MARCOS – JESUS O SERVO EM SUA AÇÃO REDENTORA Autoria marcana - Tradição petrina. Uma vez que os títulos são uma adição posterior a obra, partimos da tradição antigae das evidencias encontradas no próprio livro para tratar dos assuntos concernentes àautoria. É atribuída a João Marcos a autoria do primeiro dos evangelhos que foi escrito. Elefoi companheiro de Paulo, Barnabé e Pedro, conforme informações do livro de Atos e dasepístolas. Papias, pai da Igreja antiga, segundo se sabe, disse na primeira metade do séculoII d.C. que Marcos anotou cuidadosamente em seu evangelho, as lembranças de Pedrosobre a vida e os ensinamentos de Jesus, embora nem sempre em ordem cronológica ouretórica, porque o seu objetivo era o da instrução espiritual, e não produzir uma crônicaartística dos acontecimentos. Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes e Jerônimoconfirmam a autoria de Marcos, em associação com Pedro. Com raras exceções, Marcos é o evangelho da ação, e não dos longos discursos. Pormeio de uma movimentada narrativa, Marcos fala das atividades de Jesus na qualidade dopoderoso e autorizado Filho de Deus, destacando as curas e exorcismos. O reino de Deusinvade o reino do mal, enquanto Jesus combate às forças satânicas e demoníacas. Marcosusa muito a expressão “imediatamente” ou “logo”, buscando por meio desse elemento de
  22. 22. 22transição transmitir a idéia que Jesus estava sempre em ação, executando alguma tarefa,como o Servo que trabalha, que age. O ápice da ação redentora de Jesus encontra-se na narrativa da paixão, da morte e daressurreição, que ocupa um espaço grande no evangelho de Marcos. Alguns até chamamseu livro de história da paixão de Jesus com um prólogo. O ponto nevrálgico do evangelhoestá na confissão de Pedro a respeito do caráter messiânico de Jesus, em Cesaréia de Filipe(8:27-30). A partir daí Jesus começou a predizer Seus sofrimentos e Sua morte como oFilho do homem, e a narrativa adquire um encadeamento em direção o fim. Os discípulosestavam acostumados a pensar sobre o Filho do homem, expressão favorita de Jesus,extraída da visão de Daniel acerca de uma figura semelhante a um ser humano, que viriaem glória para julgar a humanidade (leia Daniel 7:13, 14), em termos de majestade; logo,eles não compreendem e nem aceitam facilmente as declarações de Jesus. É bem provável que o propósito de Marcos fosse evangelizar. Ele narra a história deJesus a fim de ganhar convertidos à fé cristã. Para isso, Marcos constrói seu evangelho demodo bastante simples. Ele começa por João Batista, o batismo de Jesus e a sua tentação(1:1-13), prossegue falando sobre o ministério de Jesus na Galiléia e seus arredores (1:14-9:50), continua pelo ministério de Jesus a caminho de Jerusalém, ao atravessar aTransjordânia e a Judéia (10:1-52), e termina com as narrativas da paixão, da morte e daressurreição de Jesus, que foram planejadas por Deus (11:1 a 16:8). Marcos é utilizado por Lucas. Lucas encerrou o livro de Atos sem descrever ojulgamento final de Paulo em Roma, logo, tal julgamento ainda não acontecera, portanto,Atos deve ser datado em cerca de 61 d.C., o seu volume anterior o evangelho de Lucas,deve ser datado em pouco antes disso, e , visto que o evangelho de Marcos foi utilizado porLucas, Marcos deve ser datado ainda em data mais recuada, na década de 50 ou fim dadécada de 40 d.C. A tradição endossa que Marcos escreveu para leitores romanos. Porque ele traduziuexpressões em aramaico para benefício de seus leitores (3:17, 5:41, 7:34, 14:36 e 15:34). Eporque ele esclareceu expressões gregas com seus equivalentes latinos (12:42 e 15:16)tendo usado certo número de outros termos latinos. Ele menciona Rufo 15:21 que conformeRm 16:31 vivia em Roma. Em I Pedro 5:13, a presença de Marcos em Roma(simbolicamente chamada Babilônia), combina com a declaração de Papias no sentido queMarcos foi o intérprete de Pedro com a antiga tradição sobre o martírio de Pedro em Roma,a indicação, no prólogo anti-marcionista de Marcos de que ele escreveu seu evangelho naItália, e posteriores declarações feitas por Clemente de Alexandria e Irineu, tudo istoestabelece um testemunho externo a favor da origem romana do evangelho de Marcos e deter sido destinado a leitores romanos.6.2. MATEUS: EIS O MESSIAS E O NOVO POVO DE DEUS Foi também Papias, aquele que disse que Marcos registrou as memórias de Pedro,quem declarou que Mateus registrou as logias (declarações ou oráculos) em hebraico ouaramaico, que outros iam traduzindo de acordo com sua capacidade. Neste contexto logiase refere a um evangelho. Não temos o evangelho que foi escrito pelas mãos de Mateusnessas línguas semíticas, mas apenas o atual evangelho em grego, o qual não parece seruma tradução feita de um original semítico. Por exemplo, por que teria Mateus fornecidotanto o original semítico como sua tradução grega de alguns poucos vocábulos como“Emanuel” (vide 1:23) se o evangelho inteiro tivesse sido tradução do hebraico ou
  23. 23. 23aramaico? Alguns estudiosos dizem que Papias se referia mais propriamente ao estiloaramaico ou hebraico e não propriamente ao idioma, outros dizem que as logias das quaistrata Papias dizem respeito ao documento “Q”. A verdade é que não podemos dizer comcerteza o que significava a declaração de Papias. Embora os eruditos modernos neguem que o apóstolo Mateus tenha escrito oevangelho que traz seu nome; as tradições da Igreja primitiva unanimemente atribuem aMateus o primeiro evangelho, e uma falsa atribuição a um apóstolo relativamentedesconhecido como foi Mateus, parece improvável até haver chegado uma época posterior,quando todos os apóstolos foram canonizados na imaginação cristã. É bem característico de um cobrador de impostos a habilidade de organizaçãoexibida pelo autor do evangelho atribuído a Mateus. É interessante também que apenasnesse evangelho é citado o episódio do pagamento de taxa do templo por parte de Jesus(17:24-27). A narrativa do chamamento de Mateus ao discipulado usa o nome apostólico,“Mateus”, ao invés do nome “Levi”, utilizado por Marcos e Lucas, e omite o pronomepossessivo “dele”, usado em conjunto com o termo “casa (lar)”, de que se valeram Marcose Lucas, ao descreverem o lugar onde Mateus entreteve Jesus em uma refeição (videMateus 9:9-13 em confronto com Marcos 2:13-17 e Lucas 5:27-32). Todos estes detalhes“incidentais” podem constituir notáveis indicações de que Mateus é o autor desse primeiroevangelho, em apoio às tradições da Igreja primitiva. Considerando que Mateus utilizou o evangelho de Marcos, e este é o do período de45 – 70 d.C., então provavelmente Mateus pertence a uma data um pouco posterior, dentrodaquele mesmo período. Existem alguns eruditos que atribuem data posterior a Mateus (80-90 d.C.) em virtude de ele ser o único que utiliza o termo igreja (16:18 e 18:17), mas adoutrina da igreja já desempenha papel importantíssimo nas epístolas paulinas, todas elasescritas antes de 70 d.C. E se Mateus escreveu com o objetivo de evangelizar aos judeus,parece menos provável que ele tenha escrito depois de 70 d.C., quando aumentou mais alacuna entre a igreja e a sinagoga. O evangelho de Mateus é o evangelho do Messias e do novo povo de Deus, a Igreja,o qual, pelo menos por enquanto, toma o lugar da nação de Israel, no antigo pacto. Oprimeiro evangelho começa com a natividade (cap. 1 e 2). Na seção média, mais extensa,alternam-se a narrativa basicamente marcana (em geral de forma condensada) e discursosde Jesus. Os capítulos 26-28 concluem o evangelho com narrativas da paixão e daressurreição de Jesus. Os sermões mais ou menos longos são uma marca em Mateus e a eles foramacrescentados ditos isolados de Jesus, em lugares apropriados. Cada discurso termina comesta fórmula: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras...” Os discursos e seus temasrespectivos são: 1 – O sermão da montanha (cap 5-7): significado da verdadeira (interna)retidão; 2 - A comissão dos doze (cap 10): significado do testemunho em prol de Cristo:perseguição e galardões; 3 – As parábolas (cap.13): significado do reino; 4 - Sem qualquertítulo geral (cap 18): significado da humildade e do perdão; 5 - A denúncia contra osescribas e fariseus (cap 23) e o discurso do monte das oliveiras, freqüentemente chamadode Pequeno Apocalipse (cap.24-25): significado da rejeição de Israel. Deus rejeitou a Israel,porque a nação rejeitou a Jesus, o Messias; ocorrerá um hiato de tempo, Jerusalém serádestruída, as nações serão evangelizadas e então Cristo retornará.Mateus retrata Jesus como um novo Moisés. Jesus profere como Moisés seus ensinos domonte. Cinco discursos – Pentateuco. “... ouvistes o que foi dito... eu porém vos digo”
  24. 24. 24 A maneira como os ensinos de Jesus estão apresentados, o conteúdo ético e a ênfasesobre o discipulado levam a crer que o evangelista tinha a intenção de fornecer um manualcatequético para recém-convertidos, ou apresentar um manual escolástico para os líderes daIgreja, adaptado à leitura. Mas o evangelho deixa a impressão mais clara ainda de ter sidoescrito para evangelizar aos judeus, confirmando-os na fé, após a sua conversão. Outra marca desse evangelho é o universalismo. Ele encerra sua narração com aGrande Comissão dirigida aos seguidores de Cristo, que ordena fazerem discípulos de todasas nações (28:19-20). Ainda nos primeiros lances do evangelho, os magos gentios adoramao Messias infante, na narrativa da natividade (2:1-12). Jesus é citado como quem disseraque “muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque eJacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nastrevas...” (8:11, 12). “... o campo é o mundo...” (13:38). O reino será transferido da naçãode Israel a outros (21:33-43). A natureza judaica do primeiro evangelho sugere que o mesmo foi escrito naPalestina ou na Síria, particularmente em Antioquia, para onde haviam imigrado muitos dosoriginais discípulos habitantes da Palestina (vide Atos 11:19, 27). Em harmonia com issotemos de considerar o fato que o mais antigo testemunho acerca do conhecimento daexistência do evangelho de Mateus nos chega do antigo bispo da igreja de Antioquia, Inácio(primeiros anos do segundo século) Epístola aos Esmirneanos 1:1 e Epístola a Policarpo1:2, 3. A ênfase posta por Mateus sobre o cumprimento das profecias messiânicas por partede Jesus, torna mui apropriada, neste ponto a consideração sobre o motivo do cumprimento,que figura por todo o Novo Testamento. Os escritores do Novo Testamento e o próprioJesus viam, na nova era, o cumprimento tanto das predições conscientes quanto da tipologiainconsciente do Antigo Testamento. (Tipologia é o termo que se refere a eventos históricos,a indivíduos e a instituições divinas que Deus queria que fossem prefiguradores,inteiramente à parte do fato que os autores do Antigo Testamento estavam ou não cônsciosdo seu simbolismo preditivo).6.3. LUCAS: O EVANGELHO É HISTORICAMENTE CONFIRMADO É interessante observar que o autor do terceiro evangelho começa com umareferência a narrativas prévias sobre os primórdios do movimento cristão, extraídas dosrelatórios daqueles que foram as “testemunhas oculares e ministros da palavra” (1:1, 2).Logo a seguir ele refina seu projeto, e diz que ele é “uma exposição em ordem” sobreaquela fidedigna tradição, o autor esclarece também que seu propósito é o de convencerseus leitores sobre a exatidão histórica das tradições cristãs (1:3, 4). Lucas é o autor do evangelho que leva seu nome e também do livro de Atos. Ambossão dedicados a Teófilo e compartilham de interesses comuns e de um só estilo de redação.Atos faz alusão a Lucas. (Atos 1:1). É provável que Lucas fosse um gentio (ou um judeu helenista) podendo ter-seconvertido em Antioquia da Síria. Isso se infere do fato de seu nome ser de origem grega eda sua facilidade no uso do idioma grego. O estilo grego de Lucas assim como o estilo deHebreus são os mais refinados de todo o Novo Testamento. Paulo chama Lucas de médicoamado em Cl 4:14, descrição essa confirmada pelo interesse acima do normal que Lucasdemonstrou por enfermidades, mediante seu uso freqüente de termos médicos em suaredação.
  25. 25. 25 É provável que Teófilo, a quem Lucas dedica sua obra fosse um convertido recenteou em potencial, ou então um patrono que patrocinou a circulação do terceiro evangelho (edo livro de Atos). Lucas faz ambos os seus livros penderem mais para os gentios, sobretudoaqueles dotados de um interesse franco nas origens históricas do cristianismo. Assim sendo,Lucas estava interessado em estabelecer a inocência política de Jesus sob as leis romanas.Lucas mostra que o evangelho é universal e que Jesus derrubara a barreira entre judeus egentios e inaugurara uma comunidade de âmbito mundial na qual as antigas desigualdadesentre escravos e libertos, entre homens e mulheres, não mais existem. Portanto Lucas sedirigiu a uma audiência gentílica, ele não demonstra o interesse judaico pelas profeciasmessiânicas cumpridas, com o mesmo grau de intensidade que faz Mateus. E tambémmodificou expressões peculiarmente judaicas, juntamente com alusões a costumes judaicos,a fim de que seus leitores gentios pudessem compreender melhor o que lessem. Percebe-seuma intenção em ligar os episódios da carreira de Jesus a datas da história secular (1:5; 2:1;3:1, 2). Jesus é a luz para revelação aos gentios (2:32). Quando cita Isaías 40 incluipalavras: “... e toda a carne verá a salvação de Deus” (3:6). Ao apresentar a genealogia deJesus não remonta somente até Abraão (como vemos em Mateus) mas até Adão, progenitorde toda a raça humana (3:23-38). Ressalta que Jesus chamou atenção para o fato que Eliasfoi abrigado por uma viúva fenícia, e não por uma israelita, e para o fato que Eliseu curou aum leproso sírio (Naamã), e não um leproso israelita (4:25-27). Da mesma forma queMateus, Lucas inclui a Grande Comissão de evangelizar (a todas as nações - 24:47 – Mt28:19,20). Mas enquanto o universalismo de Mateus recebe tons de um matiz maisparoquial, o universalismo de Lucas é um universalismo helenista que desconhece oslimites judaicos. Ele inclui não apenas os gentios em geral, mas também os excretadossocialmente, como, por exemplo, a mulher de vida imoral que veio ungir os pés de Jesus(7:36-50) assim como Zaqueu o publicano (19:1-10), como o criminoso penitente quemorreu na cruz ao lado da de Jesus (23:39-43), como o filho pródigo (15:11-32 - umaparábola), como o publicano que se arrependeu (18:9-14 – uma parábola), como ossamaritanos e os pobres. Tiago e João foram repreendidos por haverem querido chamarfogo do céu contra uma aldeia de samaritanos (9:51-56). O bom samaritano, em certaparábola, aparece sob luz que lhe é favorável (10:29-37). O único leproso, dentre noveoutros, que voltou para agradecer a Jesus pela cura recebida era um samaritano, tendo sidochamado “este estrangeiro” (17:11-19). Em Nazaré, Jesus pregou as boas novas “aospobres” (4:16-22). No Magnificat, Maria afirma que Deus exaltou os humildes e encheu debens os famintos e despediu vazios os ricos (1:52b,53). Na bem-aventurança acerca dospobres, falta a qualificação “de espírito” que se vê em Mateus (comparar Lucas 6:20 comMateus 5:3), como também na bem-aventurança sobre os famintos falta a qualificação “dejustiça”, que se vê em Mateus (Lc 6:21 – Mt 5:6). E Lucas equilibra as bem-aventurançasconcernentes aos pobres e famintos com os “ais” dirigidos aos ricos e satisfeitos (6:24,25).Lucas é o único evangelista a incluir as palavras de Jesus: “ Quando deres um jantar ouuma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhosricos... Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.”(14:12,13) É Lucas quem chama os fariseus de “avarentos” (16:14), e é igualmente quemnos expõe as parábolas do rico insensato, do gerente injusto que agiu com caridade (e, porconseguinte, com astúcia) e do rico e Lázaro (12:13-21; 16:1-13, 19-31). Lucas evidencia seu universalismo também pela atenção que ele dá às mulheres:Maria, Isabel e Ana, na narrativa da natividade (1,2) cita mulheres desclassificadassocialmente; cita o episódio da viúva de Naim (7:11-17), as mulheres sustentando Jesus
  26. 26. 26(8:1-3), a mulher imoral (7:36-50), Maria e Marta (10:38-42), a viúva pobre (21:1-4), asmulheres que se lamentaram por Jesus (23:27-31), que observaram a crucificação (23:49), eque tencionaram embalsamar a Jesus e acabaram por ser testemunhas do túmulo vazio ederam a notícia sobre a ressurreição (23:55-24:11).Lucas retrata Jesus como o salvador cosmopolita, o homem de oração (3:21; 9:28, 29;10:21; 11:1; 22:39-46; 23:34,46;) e somente Lucas registra certas duas parábolas de Jesus arespeito da oração (11:5-13; 18:1-8), e nos informa que Jesus orou por Pedro (22:31,32). Dentre os sinópticos é Lucas quem destaca a obra do Espírito Santo. Ele revela-nosque João Batista seria cheio do Espírito Santo desde o próprio ventre de sua mãe (1:15). OEspírito Santo desceu sobre Maria (1:35). Isabel foi cheia do Espírito Santo (1:41, 42).Zacarias cheio do Espírito Santo profetiza (1:67). O Espírito Santo repousava sobre Simeão(2:25-27). Jesus é cheio do Espírito e guiado ao deserto (4:1). Jesus retorna à Galileia “nopoder do Espírito” (4:14). Quando da volta dos setenta Jesus exulta no Espírito (10:21); eantes de sua ascensão promete que o Espírito Santo viria revestir Seus discípulos “depoder” proveniente do alto (24:49). No evangelho sente-se o pulsar da graça divinarevelando-se na história humana. Ele escreve cheio de confiança no avanço inevitavelmentebem sucedido do evangelho, inaugurado por Jesus, o Senhor (designação favorita de Lucas,que ele aplicava a Jesus) e levado avante por seus discípulos, no poder do Espírito. O lugar da escrita pode haver sido em Roma onde Lucas permaneceu em companhiade Paulo, quando do encarceramento do apóstolo (embora a tradição antiga esteja divididaentre Grécia e Roma, como local onde Lucas escreveu seus livros).Quando Atos termina Paulo está esperando para ser julgado em Roma, logo, o livro de Atosdata de algum tempo antes de 64 d.C., a data tradicional e geralmente aceita para o martíriode Paulo (e Pedro). Além disso, se Lucas escreveu seu evangelho antes do livro de Atos,conforme parece lógico, o evangelho, deve datar de algum anterior ao ano de 64 d.C. Dos evangelhos sinópticos Lucas é o mais completo. Ele é o mais volumoso livro detodo o Novo Testamento. A última viagem a Jerusalém é a mais distintiva contribuição deLucas ao nosso conhecimento da carreira de Jesus. Naquela seção, ele apresenta oministério de Jesus na Peréia, registra muita das mais famosas parábolas em nenhum outrolugar registradas (o bom samaritano, o rico insensato, o filho pródigo, o rico e Lázaro, ofariseu e o publicano, e outras) e dá ênfase à significação de Jerusalém como o alvocolimado pelo ministério de Jesus. (Mais tarde, no livro de Atos, vê-se que Jerusalémtornar-se-ia o centro de onde o testemunho cristão partiria para evangelizar ao mundo). Ahistória da natividade, em Lucas, contém muitíssima informação que não se encontra emMateus, incluindo vários hinos e a narrativa do nascimento de João Batista. Concluindo,Lucas nos presenteia com um material riquíssimo e é o único evangelista que narra aascensão de Jesus. Ele narra fatos relativos à ressurreição de Cristo que não se encontramnos outros evangelhos. O valor de sua contribuição é imensurável.6.4. JOÃO: CRENDO EM JESUS PARA A VIDA ETERNA Embora tenha sido escrito em um estilo bastante simples, o último dos quatroevangelhos apresenta uma profundeza teológica que ultrapassa à dos evangelhos sinópticos.Conforme indicam as tradições da Igreja primitiva o apóstolo João escreveu o quartoevangelho já no término do primeiro século da era cristã, em Éfeso, cidade da Ásia Menor.Respaldando essa tradição está o testemunho de Irineu, discípulo de Policarpo, o qual, por

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