Movimentos sociais

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Movimentos sociais no Brasil

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Movimentos sociais

  1. 1. MOVIMENTOS SOCIAISMOVIMENTOS SOCIAIS Prof. Ju CorvinoProf. Ju Corvino
  2. 2. Direitos, cidadania e movimentos sociais Há registros de movimentos sociais no Brasil desde o primeiro século da colonização até nossos dias. Esses movimentos demonstram que os que viviam e os que vivem no Brasil nunca foram passivos e sempre procuraram, de uma ou de outra forma, lutar em defesa de suas ideias e interesses.
  3. 3. CONCEITO DE MOVIMENTO SOCIAL • É a ação coletiva de um grupo organizado que busca alcançar mudanças sociais por meio do embate político, conforme seus valores e ideologias, dentro de determinada sociedade e contexto específicos, permeados por tensões sociais. • Segundo o cientista político Norberto Bobbio, os movimentos sociais constituem tentativas – pautadas em valores comuns àqueles que compõem os grupos de definir formas de ação social para alcançar determinados resultados. Buscam a mudança, a transição ou até mesmo a revolução de uma sociedade hostil a certo grupo ou classe social, seja por meio de luta, de um ideal, pelo questionamento de certa realidade que se caracterize como algo impeditivo da realização de anseios deste movimento.
  4. 4. • Conforme aponta Alain Touraine, Em defesa da Sociologia (1976), para se compreender os movimentos sociais, mais do que pensar em valores e crenças comuns para a ação social coletiva, seria necessário considerar as estruturas sociais nas quais os movimentos se manifestam. Cada sociedade ou estrutura social teria como cenário um contexto histórico (ou historicidades) no qual, assim como também apontava Karl Marx, estaria posto um conflito entre classes, terreno das relações sociais, a depender dos modelos culturais, políticos e sociais. • Assim, os movimentos sociais fariam explodir os conflitos já postos pela estrutura social geradora por si só da contradição entre as classes, sendo uma ferramenta fundamental para a ação com fins de intervenção e mudança daquela mesma estrutura.
  5. 5. • Dessa forma, para além das instituições democráticas como os partidos, as eleições e o parlamento, a existência dos movimentos sociais é de fundamental importância para a sociedade civil enquanto meio de manifestação e reivindicação. • Podemos citar como alguns exemplos de movimentos o da causa operária, o movimento negro (contra racismo e segregação racial), o movimento estudantil, o movimento de trabalhadores do campo, movimento feminista, movimentos ambientalistas, da luta contra a homofobia, separatistas, movimentos marxista, socialista, comunista, entre outros.
  6. 6. • A existência de um movimento social requer uma organização muito bem desenvolvida, o que demanda a mobilização de recursos e pessoas muito engajadas. Os movimentos sociais não se limitam a manifestações públicas esporádicas, mas tratam-se de organizações que sistematicamente atuam para alcançar seus objetivos políticos, o que significa haver uma luta constante e em longo prazo dependendo da natureza da causa. • Em outras palavras, os movimentos sociais possuem uma ação organizada de caráter permanente por uma determinada bandeira.
  7. 7. IMPORTANTE!IMPORTANTE! • O elemento constitutivo de um movimento social é o conflito. • Isso ocorre pela incapacidade do Estado em atender às demandas/reivindicações dos grupos sociais, e por isso ocorrem as passeatas! • A primeira forma de manifestação social foi o movimento operário pós Revolução Industrial (movimento ludista – Ned Lud - séc. XIX) = QUEBRA DAS MÁQUINAS. • 1830 -> Movimento Cartista = Associação dos Operários. “A Carta do Povo”. O Estado Liberal não respeitava a causa operária, e a carta reivindica o Sufrágio Eleitoral Masculino, Voto Secreto, etc. (1848 fim das greves operárias). • Trade Unions -> é uma associação com objetivo de assistência mútua entre os membros, gerando, posteriormente os sindicatos. O sindicato não busca a assistência mútua dentro da associação, mas sim lutar pelos direitos trabalhistas. • Partido Bolchevique -> 1917 = Internacionais Comunistas. • Movimento Operário no Brasil: tem início em 1907 (greve geral de SP) com o fortalecimento da classe operária com a chegada dos imigrantes europeus (italianos, poloneses com os ideais marxistas) = ANARCO SINDICALISMO. • 1922 = Inauguração do PCB levando a uma maior organização dos
  8. 8. Os movimentos sociais no Brasil Lutas no período colonial Durante o período colonial (1500-1822), os movimentos sociais mais significativos foram: os de independência em relação a Portugal: a Inconfidência Mineira (1789-1792) e a Conjuração Baiana (1796-1799). os dos povos indígenas, que lutaram para não ser escravizados e para manter suas terras e seu modo de vida; os dos escravos africanos, cuja principal forma de resistência eram as revoltas localizadas e a formação de quilombos;
  9. 9. Revoltas regionais, abolicionismo e republicanismo No período imperial (1822-1889), ocorreram movimentos pelo fim da escravidão e contra a monarquia, objetivando a instauração de uma república no Brasil ou a proclamação de repúblicas isoladas. Todos foram reprimidos. Edição de 15 de julho de 1848 do jornal A voz do Brasil, de Recife, que incitava a radicalização da luta popular contra o poder da aristocracia provincial. AcervoIconographia Ocorreram ainda movimentos em que se lutou por questões específicas, contra as decisões vindas dos governantes, percebidas como autoritárias.
  10. 10. A partir de 1850, dois grandes movimentos sociais alcançaram âmbito nacional: o movimento abolicionista e o republicano. Desenvolvidos paralelamente, e com composições diferentes, esses movimentos foram fundamentais para a queda do Império e a instauração da República no Brasil. O movimento abolicionista agregou políticos, intelectuais, poetas e romancistas, mas também muitos negros e pardos libertos. Cresceu lentamente, pois sofria a oposição dos grandes proprietários de terras e escravos.
  11. 11. O movimento republicano foi dominado pelos segmentos mais ricos da sociedade. A organização buscava uma nova forma de acomodar os grupos que desejavam o poder sem a presença do imperador e da monarquia. Participaram desse movimento liberais que defendiam uma república democrática, mas eles foram afastados e os conservadores se apossaram do poder.
  12. 12. De Canudos à Coluna Prestes Os movimentos que ocorreram entre o fim do século XIX e o início do século XX revelavam um caráter político e social marcante. Dois deles podem ser lembrados pela denúncia da miséria, da opressão e das injustiças da República dos Coronéis: a Guerra de Canudos e a Guerra do Contestado. Após anos de resistência e muitas batalhas, os participantes desses movimentos foram massacrados pelo Exército nacional.
  13. 13. Liderados por Antônio Conselheiro, sertanejos baianos estabeleceram-se em Canudos. Ali, cerca de 30 mil habitantes viviam em sistema comunitário, no qual não havia propriedade privada e todos os frutos do trabalho eram repartidos. Igreja de Santo Antônio, Canudos, 1897. MuseudaRepública,RiodeJaneiro Guerra de Canudos (1893-1897), Bahia Guerra do Contestado (1912-1916), Paraná e Santa Catarina Seus integrantes eram sertanejos revoltados com as condições de opressão impostas pelos coronéis locais, posseiros expulsos de suas terras pela empresa britânica Brazil Railway Company e ex-empregados que haviam sido demitidos sumariamente dessa companhia.
  14. 14. Outros movimentos sociais, de caráter urbano, marcaram as primeiras décadas do século XX. Greves operárias No Rio de Janeiro e em São Paulo, eram comandadas principalmente por imigrantes italianos com forte influência anarquista. Mesmo proibidas por lei, as greves operárias tomaram conta das fábricas no Sudeste do país e denunciavam as péssimas condições de vida dos trabalhadores.
  15. 15. Tenentismo O primeiro levante ocorreu em julho de 1922 no Rio de Janeiro. Para tentar impedir a posse do presidente eleito Arthur Bernardes, os oficiais rebelados ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. O movimento foi controlado pelo Exército. O segundo levante ocorreu em 1924, em São Paulo, e reuniu cerca de mil homens. Esse movimento também foi controlado pelo Exército. Movimento político-militar com o objetivo de conquistar o poder para promover as reformas necessárias à modernização da sociedade. O líder da revolta, general Isidoro Dias Lopes, dirigiu-se com uma tropa para o Sul do país e se uniu a outros militares revoltosos, liderados por Luís Carlos Prestes, formando a Coluna Prestes. A Coluna Prestes percorreu mais de 20 mil quilômetros do território brasileiro, com o objetivo de levantar a população contra o poder das oligarquias regionais.
  16. 16. A República varguista O período de 1930 a 1945 foi marcado por um forte controle do Estado sobre a sociedade. Mesmo assim,dois movimentos buscaram alcançar o poder. Movimento da Ação Integralista Nacional Congresso integralista em Santa Catarina, 1935. Ao centro, sentado, Plínio Salgado. De tendência fascista, foi liderado por Plínio Salgado. Tentou um golpe, fracassado, em 1938.
  17. 17. Aliança Nacional Libertadora (ANL) Rebeldes da Aliança Nacional Libertadora. Rio de Janeiro, novembro de 1935. O movimento, liderado por Luís Carlos Prestes, tinha tendência socialista. Em 1935, a ANL foi proibida por Vargas e tentou dar um golpe militar, mas fracassou.
  18. 18. No período de 1946 a 1964, eclodiram vários movimentos: “O petróleo é nosso” (1948-1953) Campanha de cunho nacionalista que culminou na criação da estatal Petrobras. Movimentos grevistas Em 1962, ocorreu a primeira greve nacional contra o custo de vida, pela realização do plebiscito para o retorno ao presidencialismo e por reformas de base. Movimentos agrários Denunciavam as condições precárias da população rural, bem como a estrutura da propriedade rural no Brasil.
  19. 19. Apesar da violenta repressão pelos militares, surgiram os movimentos armados de contestação ao regime. Nas cidades, os sequestros e os roubos a bancos foram as ações mais utilizadas. No campo, foram montados movimentos de guerrilheiros – o mais conhecido é a Guerrilha do Araguaia. Após o governo de Ernesto Geisel, foram organizados grandes movimentos políticos pela democratização da sociedade: movimento pela Anistia (1978-1979); movimento pelas eleições diretas – Diretas Já (1983-1984); movimento pela Constituinte (1985-1986).
  20. 20. Manifestação de trabalhadores rurais em Santa Catarina, 1955. ANotíciadeJoinville/AE De 1955 a 1964, organizaram-se as Ligas Camponesas (PE). Na década de 1950, os mais expressivos ocorreram em Porecatu (PR), Trompas e Formoso (GO). A República fardada Mesmo com o golpe militar de 1964, os movimentos dos trabalhadores e estudantes continuaram atuantes, até dezembro de 1968, quando foi decretado o AI-5. Passeata dos Cem Mil, Rio de Janeiro, 1968. Maior manifestação pública organizada contra a ditadura militar.
  21. 21. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Movimentos grevistas no ABCD paulista (1979, 1980) Nesse período, outros movimentos também foram importantes: Questionavam as condições salariais e de trabalho, e a legislação que não permitia a livre organização e manifestação de trabalhadores. Questiona a estrutura da propriedade da terra no Brasil e a situação dos trabalhadores rurais. No início da década de 80, começaram então a acontecer as ocupações de forma massiva. Essas lutas isoladas, em quase todos os estados do país, passaram a constituir um movimento articulado pelos camponeses sem terra do Brasil, que ganhou o nome de MST. O I Congresso com a palavra de ordem "Sem reforma agrária não há democracia", em 1985, reuniu 1.500 delegados e foi criada a Coordenação Nacional do MST, com representantes de 13 Estados do Brasil.
  22. 22. Movimentos sociais hoje De 1988 aos dias atuais, observa-se uma série de movimentos pela efetivação dos direitos existentes e pela conquista de novos direitos. Os movimentos dos negros, das mulheres, dos indígenas, dos ambientalistas, dos sem-terra e dos sem-teto, por exemplo, não têm a preocupação de alcançar o poder do Estado. Procuram construir espaços políticos públicos nos quais possam ser debatidas as questões importantes para uma sociedade politizada.
  23. 23. Em 1990, o MST e as ONGs tiveram destaque, ao lado de outros sujeitos coletivos, tais como os movimentos sindicais de professores. • Ações coletivas que tocam nos problemas existentes no planeta (violência, por exemplo), •Ações coletivas que denunciam o arrocho salarial (greve de professores e de operários de indústrias automobilísticas); •Ações coletivas que denunciam a depredação ambiental e a poluição dos rios e oceanos (lixo doméstico, acidentes com navios petroleiros, lixo industrial) Os protestos no Brasil tem semelhança com outros protestos ao redor do mundo.
  24. 24. A recente onda de manifestações que varre o Brasil de Norte a Sul surpreendeu muitas pessoas, que assistiram atônitas à forma como um movimento que começou pequeno, contra o aumento da tarifa de transporte público, agora abraça outras causas e conseguiu mobilizar mais de um milhão de pessoas em cem cidades. As manifestações brasileiras seguem tendências que vem se repetindo em outros países. •o Irã, em 2009 •o Egito, em 2011 •a Espanha, também em 2011 •a Turquia, em 2013
  25. 25. Apesar de terem motivações diferentes, esses protestos têm em comum o fato de terem sido organizados e promovidos nas mídias sociais Na Turquia, por exemplo, os protestos também não têm uma liderança clara, enquanto que, na Espanha, os líderes das manifestações não tinham clara vinculação partidária. O movimento no Egito começou inspirado na revolta na Tunísia, que semanas antes tinha conseguido derrubar o governo do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali. O governo do então presidente egípcio Hosni Mubarak estava com a imagem desgastada, a economia ia mal, o desemprego era grande e o custo de vida era muito alto.
  26. 26. Vitórias e ‘efeito contágio’ multiplicam pequenos protestos pelo país Após as gigantescas manifestações que tiveram início com a luta pela redução das tarifas do transporte público, mas que incorporaram outras pautas e tomaram diversas cidades do país nos últimos dias, um novo fenômeno passou a ficar mais evidente no cenário brasileiro: protestos e passeatas com um menor número de pessoas e reivindicações mais específicas começaram a brotar no centro e nas periferias das grandes metrópoles ou em municípios do interior.
  27. 27. 95% desaprovam 'black blocs', diz Datafolha (27/10/2013) http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1362856-95-desaprovam-black-blocs-diz-datafolha.shtml Nada menos do que 95% dos paulistanos desaprovam a atuação dos chamados "black blocs" --manifestantes que praticam o confronto com as forças policiais e a destruição de agências bancárias, lojas e prédios públicos como forma de protesto. É o que mostra pesquisa Datafolha feita na sexta-feira com 690 pessoas. A margem de erro máxima da amostra é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos para o total da amostra.
  28. 28. Slogans em protestos revelam consumismo e alienação Os manifestantes no Brasil tomaram um caminho incomum, usando os populares slogans para defender causas não relacionadas (aos slogans). É um sinal, dizem sociólogos, de excessivo consumismo e alienação política“. Ao se referir às frases "O gigante acordou", extraída da campanha do uísque Johnnie Walker, e "Vem pra rua", dos anúncios da Fiat. "Sem esforço, a italiana Fiat e a britânica Diageo, dona da marca de uísque Johnnie Walker, se tornaram patrocinadores não oficiais dos maiores protestos no Brasil desde o movimento pelo impeachment de Fernando Collor de Melo, em 1992". "Muitos dos manifestantes não têm qualquer conexão com partidos políticos, então eles tomam emprestadas expressões do mundo no qual eles estão imersos- e nos últimos anos este tem sido o mundo do consumo", "Depois de uma década de alto crescimento econômico, não surpreende a adoção de slogans" que, além de ajudar a traduzir "o desencanto com o sistema político", "são também uma expressão do mal-estar do modelo de desenvolvimento baseado no consumo"
  29. 29. FEMINISMO NO BRASIL • As origens do feminismo no Brasil se encontram no século XIX. Estas primeiras manifestações desafiaram ao mesmo tempo a ordem conservadora que excluía a mulher do mundo público (do voto, do direito como cidadã) e também, propostas mais radicais que iam além da igualdade política, mas que abrangiam a emancipação feminina, pautando-se na relação de dominação masculina sobre a feminina em todos os aspectos da vida da mulher. • Durante o império, alguns juristas tentaram legalizar o voto feminino, com ou sem o consentimento do marido. A constituição de 1891, não excluía a mulher do voto, pois na cabeça dos constituintes não existia a ideia da mulher como um indivíduo dotado de direitos. Isso fez com que muitas mulheres requeressem, sem sucesso, o alistamento. A constituição republicana de 1889 continha inicialmente uma medida que dava direito de voto para as mulheres, mas na última versão essa medida foi abolida, pois predominou a ideia de que a política era uma atividade desonrosa para a mulher (SANCIONADO POR VARGAS APENAS EM 24/02/1932).
  30. 30. • Alguns momentos históricos desta época foram importantes no avanço da luta das mulheres, entre outros, as greves de 1917, em 1922 o surgimento do Partido Comunista do Brasil e, nesta mesma data, a realização da Semana de Arte Moderna em São Paulo. • Em 1922, aquela que é, ao lado de Nísia Floresta, considerada pioneira no feminismo brasileiro, Berta Lutz, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que lutava pelo voto, pela escolha do domicílio e pelo trabalho de mulheres sem autorização do marido. • O Rio Grande do Norte foi o estado pioneiro no país a legalizar o voto feminino, em 1927. A primeira eleitora registrada foi Celina Guimarães Viana. O código eleitoral elaborado em 1933 finalmente estendia o direito a voto e a representação política às mulheres; na constituinte de 1934 houve uma representante do sexo feminino, a primeira deputada do Brasil: Carlota Pereira de Queirós. • Um outro movimento na época, concomitante a luta por direitos políticos era um movimento mais de enfrentamento na justiça e nas atividades de mulheres livres pensadoras que criavam jornais e escreviam livros e peças de teatro. Somavam-se a elas as anarquistas radicais que traziam consigo à luta das trabalhadoras, discutindo, assim, o trabalho e a desigualdade de classe, bem distante das preocupações das feministas de elite.
  31. 31. • O movimento feminista atualmente tem como bandeiras principais, no Brasil, o combate à violência doméstica — que atinge níveis elevados no país — e o combate à discriminação no trabalho. Também se dá importância ao estudo de gênero e da contribuição, até hoje um tanto esquecida, das mulheres nos diversos movimentos históricos e culturais do país. A legalização do aborto (que atualmente só é permitido em condições excepcionais) e a adoção de estilos de vida independente são metas de alguns grupos. • 43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 35%, a agressão é semanal. Esses dados foram revelados no Balanço dos atendimentos realizados em 2014 pela Central de Atendimento à Mulher. • Em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%). • Dos atendimentos registrados em 2014, 80% das vítimas tinham filhos, sendo que 64,35% presenciavam a violência e 18,74% eram vítimas diretas juntamente com as mães. O Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil revela que, de 2001 a 2011, o índice de homicídios de mulheres aumentou 17,2%, com a morte de mais de 48 mil brasileiras nesse período. Só em 2011 mais de 4,5 mil mulheres foram assassinadas no país.
  32. 32. • 1. (Unimontes 2012) À medida que, a partir dos anos 70, amplia-se uma cultura democrática no Brasil, que os movimentos sociais, junto com outros setores democráticos, vão .arrombando as portas da ditadura., o Estado torna-se lentamente permeável à participação de novos atores sociais. O Estado brasileiro, tradicionalmente privatizado pelos seus vínculos com grupos oligárquicos, vai lentamente .cedendo. espaço, tornando-se mais permeável a uma sociedade civil que se organiza, que se articula, que constitui espaços públicos nos quais reivindica opinar e interferir sobre a política, sobre a gestão do destino comum da sociedade. A radicalização da democracia não significa apenas a construção de um regime político democrático, mas também a democratização da sociedade e a construção de uma cultura democrática. Esse é ainda um desafio. • Considerando o texto e essa conjuntura, analise as afirmativas, tendo em vista o significado da participação social: • I. Participar da gestão dos interesses coletivos significa participar do governo da sociedade, disputar espaço no Estado e no mercado, nos espaços de definição e execução das políticas públicas. • II. Os movimentos sociais têm, apesar das limitações e precariedades, construído contrapartidas que colocam num outro patamar de dignidade e respeito setores excluídos da sociedade, rompendo as fronteiras dos espaços onde têm sido confinados. • III. Ampliar a tolerância, o respeito democrático pelo diferente, eliminar as segregações raciais, de gênero, de opção sexual, entre outras, é o resultado da incidência de práticas participativas que constroem e modificam os valores sociais. • IV. Participar significa questionar o monopólio do Estado como gestor da coisa pública, construir espaços públicos não estatais, abrir caminhos para o aprendizado da negociação democrática e afirmar a importância do controle social sobre o Estado. • Estão corretas as afirmativas: • a) II, III e IV, apenas. b) I, II e III, apenas. c) I, III e IV, apenas. d) I, II, III e IV. • Resposta: A

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