Apostila ludica

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Apostila ludica

  1. 1. Atividades lúdicas no cotidiano escolar www.idcp.pro.br
  2. 2. Atividades lúdicas no cotidiano escolar A brincadeira é um espaço de interação e de confronto. É através dela que a criança e ogrupo constroem a sua compreensão sobre o mundo e as ações humanas. Não é atividadeespontânea, antes se constrói através das experiências de contato social, primeiro na família,depois nos grupos informais e depois na escola, ou simultaneamente. Representa o elo de ligaçãoentre a criança e a cultura na qual está imersa. Produz e responde indagações e abre espaçopara experiências impossíveis em outros contextos da vida, o que promove comportamentos quevão além das possibilidades atuais da criança, apontando para sua área potencial dedesenvolvimento.Fátima Camargo Através de uma brincadeira de criança, podemos compreender como ela vê e constrói omundo - o que ela gostaria que ele fosse, quais as suas preocupações e que problemas a estãoassediando. Pela brincadeira, ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras.Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo, sua escolha é motivada porprocessos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente dacriança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemosrespeitar mesmo se não a entendemos. Bruno Bettelheim Brincar é um componente crucial do desenvolvimento, pois, através do brincar a criança écapaz de tornar manejáveis e compreensíveis os aspectos esmagadores e desorientadores domundo. Na verdade, o brincar é um parceiro insubstituível do desenvolvimento, seu principalmotor. Em seu brincar, a criança pode experimentar comportamentos, ações e percepções semmedo de represálias ou fracassos, tornando-se assim mais bem preparada para quando o seucomportamento "contar".Howard Gardner Crianças quando jogam são sérias, intensas, entregam todo seu corpo, toda sua alma parao que estão fazendo. Jogar com regras e obedecer algo que foi aceito é a entrega, a obediênciano sentido filosófico do termo, porque se aceitou livremente e convencionalmente jogar e ganharou perder dentro de certos limites. Os adversários são as melhores pessoas que podemos ter, são nossos amigos, temos quesaber tudo sobre eles, temos que pensar como eles, temos que reconhecê-los, temos que tê-loscomo referência constante para um diálogo consigo mesmo. Um diálogo em um contextodemocrático em que as condições são as mesmas, em que ganha o melhor nesta partida, porqueuma outra partida é uma outra partida. O jogo desenvolve a competência e a habilidade pessoal, ou talento, para enfrentarproblemas e resolvê-los o melhor que se possa. É inevitável para ganhar, coordenar diferentespontos de vista, antecipar, compreender melhor, ser mais rápido, coordenar situações, tercondutas estratégicas, estar atento, concentrado, ter boa memória, abstrair as coisas e relacioná-las entre si o tempo todo. E esse desafio se repete a cada partida. Um jogo parece só um jogo, uma brincadeira, mas não é. Trata-se de um momento designificativo e importante crescimento pessoal.Lino de Macedo Diante destas afirmações, formuladas por estudiosos e educadores na área de Educação,é possível compreender a importância do jogo e da brincadeira para o desenvolvimento infantil e arazão pela qual o BRINCAR foi colocado nos Referenciais Curriculares Nacionais para aEducação Infantil como uma área de conhecimento a ser trabalhada, com o mesmo cuidado dasdemais áreas, como Português, Matemática e outras.
  3. 3. A importância do brincar no processo educativo A infância se caracteriza pelo brincar. É através do brincar que a criança constrói suaaprendizagem acerca do mundo: em que vive, se relaciona e a cultura em que está inserida. Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e brincadeiras ocupemum lugar de destaque no programa escolar desde a Educação Infantil. Se desejamos formar seres criativos, críticos e aptos para tomar decisões, um dosrequisitos é o enriquecimento do cotidiano infantil com a inserção de contos, lendas, brinquedos ebrincadeiras. Vygotsky (1988) indica a relevância de brinquedos e brincadeiras como indispensáveispara a criação da situação imaginária. Revela que o imaginário só se desenvolve quando sedispõe de experiências que se reorganizam. A riqueza dos contos, lendas e o acervo debrincadeiras constituirão o banco de dados de imagens culturais utilizados nas situaçõesinterativas. Dispor de tais imagens é fundamental para instrumentalizar a criança para aconstrução do conhecimento e sua socialização. Ao brincar a criança movimenta-se em busca deparceria e na exploração de objetos; comunica-se com seus pares; expressa-se através demúltiplas linguagens; descobre regras e toma decisões. As instituições infantis, em muitos casos, deixam de lado aspectos da cultura excluindoelementos caracterizadores da cultura do país como o carnaval, rituais do Bumba meu boi, festade coroação dos reis, capoeira, futebol, as lendas, contos e a multiplicidade de brincadeirasoferecidas pelo folclore infantil. Há falta de materiais típicos da fauna e flora brasileiras, comofolhas, galhos, pedras, conchas, frutos, flores, penas. Cabe à escola a tarefa de tornar disponível o acervo cultural dos contos, lendas,brincadeiras tradicionais que dão conteúdo à expressão imaginativa da criança, abrir o espaçopara que a escola receba outros elementos da cultura que não a escolarizada para que beneficiee enriqueça o repertório imaginativo da criança. Concretizar pressupostos de Vygotsky (1988,1987, 1982), de que a cultura forma a inteligência e que a brincadeira de papéis, favorece acriação de situações imaginárias e reorganiza experiências vividas é, também, o caminhoapontado por Bruner (1996), que abre as portas da escola para a entrada da cultura e condicionao saber a um fazer. Aprendizado esse que começa com brincadeiras em que se aprende a criarsignificações, a comunicar-se com outros, a tomar decisões, decodificar regras, expressar alinguagem e socializar. Vantagens de se utilizar o jogo em sala de aula Os jogos são uma fração, uma pequena parte, desta atividade de brincar da criança. Osjogos, pela sua estrutura, representam situações em que a criança tem de enfrentar limites. Nãosomente os limites das regras a serem respeitadas, mas também seus próprios limites que devemser superados para que a criança possa ter êxito. Permitem ainda que a criança crie ou modifiqueas regras, de comum acordo com seus parceiros, propiciando o desenvolvimento de suaautonomia moral. A criança que tem seus primeiros contatos com a aprendizagem de forma lúdica,provavelmente terá maior chance de desenvolver um vínculo mais positivo com a educaçãoformal, vai estar mais fortalecida para lidar com os medos e frustrações inerentes ao processo deaprender. Mas, para que os jogos cumpram seu papel dentro da escola, o professor deve realizaras intervenções necessárias para fazer deste jogo uma aprendizagem. Como nos diz Lino deMacedo, “as aquisições relativas a novos conhecimentos e conteúdos escolares não estão nosjogos em si, mas dependem das intervenções realizadas pelo profissional que conduz e coordenaas atividades” (Macedo, Petty & Passos. Aprender com jogos e situações-problema. Porto Alegre:Artes Médicas Sul, 2000).
  4. 4. O observar do educador como fonte de informação avaliativa No jogo de exercício, o educador pode observar, através dos movimentos que as criançasfazem, o que estão descobrindo sobre um objeto ou sobre o resultado que seu próprio corpo emmovimento provoca no mesmo; quando uma criança passa a ter movimentos cada vez maisintencionais com objetivo de formular um novo conhecimento ou constatar uma hipótese; quehábitos de investigação a criança está formando; que habilidades está aprimorando e querelações está fazendo entre seus movimentos e os objetos e entre estes últimos. Através do jogo simbólico o educador pode perceber os conteúdos que as crianças estãoatribuindo aos objetos e, os gestos e falas, indicam como elas acham que estes conteúdosfuncionam e para que servem. Os personagens que vivenciam no faz-de-conta revelam osdiferentes papéis que compõem as relações humanas. Observando suas crianças brincando, oeducador pode constatar as lideranças do grupo e temas que estão mobilizando os interesses dosmesmos. A participação das crianças no jogo de regras torna explícita a compreensão que elas têmda estrutura do jogo, da importância de alcançar o objetivo do mesmo, a estratégia econhecimento que utilizarão para alcançá-lo. Nesta atividade, o educador pode perceber se ascrianças já conseguem entender o ponto de vista do outro e como lidam com o fato de perder ouganhar. A garantia da memória dos acontecimentos com grupo nodecorrer do dia, das semanas, do ano letivo. A forma de garantir esta memória é o registro. As anotações do que foi ou está sendoobservado, é um importante instrumento para que o educador possa fazer a análise de sua práticae dos seus alunos. O registro pode ser feito de duas maneiras básicas:-Registro no ato: colocando-se no papel de observador, o educador registra detalhadamente tudoque acontece durante as atividades, principalmente por se tratarem de momentos ricos emaspectos cognitivos e afetivos de cada criança e do grupo.-Registro diário ou semanal: quando o educador realiza uma parada, distante dos fatos e atitudes,para registrá-los. Esta segunda forma de registro pode estar pautada na revisão das anotaçõesfeitas durante o registro no ato ou através de sua memória recente. Pode descrever as atividadesrealizadas de forma mais geral, mas tentando descobrir o que determina ou está por trás de cadafato e de cada atitude. O registro após uma proposta ou um dia de trabalho permite ao educadoruma reflexão que o leva a conhecer mais sua turma, pensar sobre seus objetivos educacionais eplanejar um trabalho de intervenção pedagógica possibilitando que estas mesmas alcancem osobjetivos desejados. O educador pode intervir na brincadeira O educador pode intervir oferecendo materiais, espaço e tempo adequados para que abrincadeira aconteça na sua essência, ou seja, movida pelo desejo, garantindo o desenvolvimentoorganizacional, imaginativo e da capacidade de construção de conceitos e conhecimentospessoais de seus alunos. O adulto pode estimular a imaginação das crianças, despertando idéias,questionando-as para que busquem uma solução para os problemas que surgirem ou mostrandovárias formas de resolução, promovendo um momento de opção pela alternativa que acharemmais conveniente. Outra forma que o educador pode utilizar para estimular a imaginação dascrianças é servindo de modelo, brincando junto ou contando como brincava quando tinha amesma idade que elas. Os jogos de construção fabricados e feitos pelas próprias crianças ou professor (sucatasdiversas:caixas, latas, potes de iogurte, etc) devem estar organizados de forma clara e lógica, emlocal acessível para as crianças e devem ser guardados por elas. Algumas vezes, elas iramguardam os materiais de maneira diferente da original. Neste momento é bom observá-las ouquestioná-las sobre quais critérios utilizaram para a nova forma de organização. Enquanto brincam, o educador pode sugerir formas novas de construção e socializar asdescobertas das crianças para o grupo.
  5. 5. Ao distribuir os materiais para as crianças, o educador deixa claros os critérios que utilizoue eventualmente elege um ou dois de seus alunos seu papel na atividade. Quando as criançasdistribuem o material, o educador deve deixar que elas utilizem seus próprios critérios e que osinjustiçados reclamem pelos seus direitos caso se sintam assim. A intervenção direta, mostrandoa maneira mais justa de distribuir um material, só deve ocorrer se for estabelecido um impasse ouse as crianças pedirem a sua ajuda. Podemos observar na prática, o quanto, às criançasconstroem conhecimentos em relação às quantidades, através da comparação do que cada umarecebeu, com objetivo de argumentar a defesa de seus direitos. O jogo simbólico deve ter um canto ou sala especial. Este local deve estar equipado comfantasias, roupas velhas, panos, utensílios quebrados (telefone, teclado de computador, secadorde cabelos etc.), caixas, maquiagens e brinquedos fabricados para este fim. Um espelho próximoserve para que avaliem a construção de suas personagens. Alguns temas mais freqüentes podemestar organizados em caixas separadas de antemão, como: casinha ou super - heróis; com otempo, outras caixas temáticas podem ser organizadas, quando algum tipo de brincadeira setornar freqüente no grupo, como: médico, castelos, supermercado e outros. Nenhum tema deve ser censurado por ser considerado violento ou amoral, seja polícia eladrão, violência doméstica, questões relativas à sexualidade e outros. Qualquer conteúdo queapareça no faz-de-conta, já foi vivenciado de alguma forma na vida real e, através do brincar, acriança pode compreendê-lo melhor e, se necessário, ser ajudada em suas dificuldades. Observando os seus alunos brincando, o educador deve intervir para garantir quenenhuma criança exerça sua liderança de forma autoritária e também para promover o rodízio depapéis e de comando entre as crianças nas brincadeiras. No jogo de regra, a intervenção inicial do educador é mais intensa. As regras sãoarbitrárias e o educador deve garantir que todos os participantes tenham uma compreensãomínima para que o jogo possa acontecer. Para tornar isto possível, o professor analisa osconteúdos necessários para compreender a essência de um determinado jogo e verifica osconhecimentos prévios de seus alunos, constatando se o jogo é adequado ou não. Iniciada apartida, o educador pode ajudar os seus alunos a relacionarem os aspectos parecidos entre o jogonovo e os jogos conhecidos pelo grupo e comandar o jogo até que as crianças possam jogar deforma mais autônoma. Os jogos que as crianças já souberem jogar sozinhas devem ficar disponíveis para osmomentos em que a classe é dividida em subgrupos ou TDL (Trabalho Diversificado Livre) e oeducador precisa dividir a sua atenção. Certamente, outro fator que exigirá a intervenção do professor é o da competição. Nestemomento, o educador deve ressaltar o caráter coletivo e democrático do jogo, que dá condiçõesiguais de vencer a todos os jogadores e oferece a repetição da chance de ganhar, pois na próximapartida todos partem do zero novamente. As atividades do brincar poderão ser planejadas ao lado das outras áreas, através daarticulação de temas e projetos educativos cuja origem seja a mesma. A intervenção do educador é necessária e preciosa, desde que conceda à criança o direitode brincar como pode e deseja. Brincadeiras de antigamente No tempo dos nossos pais ou avós, a vida das crianças era nas calçadas, ruas, praças,nos muitos terrenos descampados da cidade e nos sítios e fazendas do interior. Asbrincadeiras eram mais simples, porém muito divertidas. Existiam brincadeiras de meninos ebrincadeiras de meninas. Mas tinham também as brincadeiras para ambos os sexos. Asbrincadeiras de meninos estimulam competições e atividades físicas, enquanto as brincadeirasdas meninas são geralmente relacionadas à vida doméstica e às relações afetivas. Rubem Alves, falando da importância do brincar e do brinquedo de ontem e de hoje, diz:“Que desafio existe numa boneca que fala quando se aperta a sua barriga? Que desafio existenum carrinho que anda ao se apertar um botão? Como os brinquedos do professor Pardal, eles
  6. 6. logo perdem a graça. Mas um cabo de vassoura vira um brinquedo se ele faz um desafio”:“Vamos, equilibre-me em sua testa!” Quando era menino, eu e meus amigos fazíamoscompetições para saber quem era capaz de equilibrar um cabo de vassoura na testa por maistempo. O mesmo acontece com uma corda no momento em que ela deixa de ser coisa para seamarrar e passa a ser coisa de se pular.Que adulto não se lembra com carinho das brincadeiras da infância? Mas o mundo de hojedespreza o verbo brincar. As crianças vivem a rotina dos adultos no lar e em suas atividades.Depois da escola há as academias, as aulas de línguas ou de música e outras mais. Em casa,vivem presas nos apartamentos, fazendo deveres de casa ou fugindo da violência urbana emfrente da tevê ou do computador.Vejam as sábias palavras do psicólogo Alexandre Cordeiro de Vasconcelos, do Laboratório dePesquisa sobre a Infância, imaginário e comunicação da USP:Hoje, o lúdico, infelizmente, está muito submetido a esses frankensteins mecânicos que aspessoas chamam de brinquedos. O ato de brincar evoluiu de forma muito negativa. O conceito foideturpado. O homem está distante do papel primordial da brincadeira, que é conectar as pessoasentre si e com o mundo. Você já brincou de? Passa-anel; batatinha frita; batatinha quando nasce; boca-de-forno; piques; cabra-cega; cadê otoucinho que estava aqui?; caí no poço, quem me acode?; casa da baleia; casamento oculto; chicotinhoqueimado; corre-cutia; estátua; gambá roubando galinha; jogar lenço; mamãe, posso ir?; pular corda; soltarpipa; quebrar a corrente; salada-saladinha; sô lobo taí?; roda, pião; serra, serra, serrador; tatu passa aí?;carneirinho quer mel; você viu o meu carneirinho?; ciranda-cirandinha e outras cantigas de roda; trava-línguas; adivinhas; trocadilhos; trovas; correio elegante; coelhinho na toca; amarelinha; Pipa Soltar pipa, papagaio ou arraia era um lazer delicioso, o brinquedo era feito com talinhos depalha de coqueiro, papel de seda colorido e o rabo de pano. A meninada botava suas pipas para flutuarcompetindo na maior altura, nas evoluções no ar ou nas formas, tamanhos ou beleza de uma comrelação as outras. Pião Os piões de madeira de peroba eram postos a girar com um cordão com o qual o enrolavam esoltavam com força em direção ao chão. Pegava-se o pião com uma das mãos, ainda rodando, e jogava-o ao chão outra vez. Carros de lata Eram fabricados com armação e rodas de madeira e lataria de latas velhas. Os meninosamarravam cordões à frente dos carros e saiam puxando em filas. As vezes a brincadeira partia para aimprudência imitando certos motoristas de carros de verdade: batidas, cavalos-de-pau, viradas. Tudoacabava com os carros destruídos, mas sem nenhum ferido gravemente. Jogos de bola Bater bola nos terrenos baldios ou mesmo nas ruas, sempre foi das brincadeiras infantis maisrealizadas. Afinal de contas vivemos no país do futebol. Jogava-se com bolas de plástico, borracha e até com bolas de meia, o importante era jogar. Ostimes se organizavam por “zona” ou por rua. As “peladas” duravam manhãs ou tardes inteiras. Pem barra Faz-se uma “risca” (traço, faixa) no chão. Uns ficam de um lado e outros do outro lado. Unscorrem para uma “manja” cruzando a “risca”, atrás do grupo adversário, e outros correm para a outra“manja”. Uns ficam esperando ele voltar. Ele vem correndo fazendo dribles, tentando se livrar dosopostos. Se ele cruzar a “risca” e voltar para o seu campo, a sua “linha” (equipe) ganhou.
  7. 7. Cipozinho queimado Um (a) menino (a) esconde o cipó e os outros vão procurá-lo. Quem estiver perto do esconderijo,quem escondeu diz:-Tá quente!-Tá pegando fogo!Quando está longe: -Tá frio!-Tá gelado!O que acha o cipó vai esconder e recomeça a brincadeira.Em outra versão (sádica), o que acha o cipó pode chicotear os outros que estiverem próximos, sóparando quando eles alcançarem a “manja”. Sentar na roda Todos sentam no chão fazendo uma roda. Um (a) fica em pé, e um (a) na roda fica com um pauou outro objeto qualquer, passando de um (a) para o (a) outro (a) e assim sucessivamente. O (a) queficou em pé, de olhos fechados ou de costas para a roda apita ou grita: -Pare!. Quem estiver com o paunaquele momento, paga uma prenda do gosto de quem apitou. Pode ser dançar, cantar, fazer imitação,etc. O gato e o rato As crianças de mãos dadas formam um círculo, ficando dentro o “rato” e fora o “gato”. O “gato” correatrás do “rato”, e ambos contornando os (as) companheiros (as) de roda, por baixo de seus braços. Abrincadeira termina quando o “gato” consegue pegar o “rato”. Outras duas crianças começam a repetir ojogo. Bola de gude Esse jogo é conhecido por toda criançada brasileira. É jogado de diversas maneiras. Uma das maissimples é a seguinte: Os jogadores alinham-se a alguns metros de distância de uma “risca” (linha traçada),e cada um joga a sua bolinha de gude (ou de “marraio” ou ainda “marraite”) em direção à “risca”. Quemaproximar mais a sua bolinha mais próxima da “risca” jogará primeiro em direção à “busca” ou “biloco” (umpequeno buraco). Quem consegue colocar a bola na “busca” já pode “matar” as bolas dos adversários comum teco (bater a sua bola em outra). Vence quem “matar” mais bolas. Outra variação de jogo de bola de gude é o “triângulo”, que é riscado no chão, e dentro delecolocadas várias bolas da “aposta” . De fora do triângulo os jogadores vão tecando (as bolas de dentro),tentando tirá-las do triângulo. Quando conseguem, as bolas tiradas passam a pertencer a que as tirou.Vence que ficar com mais bolas. Baleadeiras A baleadeira ou estilingue era a “arma” de todo moleque. Um gancho de madeira em forma de “Y”,duas tiras de borracha ou elástico e um pedaço de couro, estava pronta a baleadeira. Era usada paramuitas funções: tiro ao alvo em latas, garrafas ou lâmpadas queimadas; caçadas de passarinhos oulagartixas; “guerras” entre grupos rivais. A “munição” era geralmente pedrinhas ou mamonas verdes. Peteca A peteca é um brinquedo genuinamente brasileiro, foi criada pelos índios que a confeccionavam com palha de milho, recheadas de folhas ou capim. Em cima do pequeno saco amarravam penas coloridas. A brincadeira consistia em “não deixar a peteca cair”, através de tapas que a mantinha no ar. Os portugueses ficaram maravilhados com o jogo, que se mantém até a atualidade, ganhando o mundo. O jogo de peteca tornou-se um esporte internacional. O termo “peteca” em tupi significa: pancada, tapa ou tabefe. Adivinhas São sugeridos enigmas, verdadeiros desafios à inteligência infantil, nas quais existem relações alfabéticas, simbólicas, comparativas, descritivas, opostas, etc. na tentativa de chegar à resposta correta. Vejamos exemplos de algumas das mais conhecidas advinhas ou adivinhações correntes no estado de Sergipe: -Tem escama e não é peixe, tem coroa e não é rainha? - Abacaxi. -Baixinho, gordinho, tem duas asas e não voa? - Açucareiro. -Tem barba e não é bode, tem dente e não morde? - Alho. -Se tem olho não tem cabeça, se tem cabeça não tem olho? - Agulha e alfinete. -Qual é a cidade que tem mais caju? - Aracaju. -Quanto mais tira mais cresce? - Buraco.
  8. 8. -Põe na mesa, corta, mas não se come? - Baralho.-Tem quatro pés mas não caminha? - Cadeira.-Pau que nasce em pé e corre deitado? - Canoa.-Tem olho e não vê, tem pé e não anda? - Cana.-Tem carne para dentro e osso para fora? - Caranguejo.-Tem casa de um lado só? - Camisa.-Mais baixo de que uma galinha e mais alto de que um homem? - Chapéu.-Tem boca e não come, tem bico e não belisca, tem asa e não voa? - Chaleira.-Nasce em pé e corre deitado? - Chuva.-Um morre queimado e outro morre cantando? - Cigarro e cigarra.-Branco por dentro, branco por fora e tem uma lagoinha d’água? - Coco.-Tem quatro pernas, dois rabos e voa? - Dois passarinhos.-Corre, corre mas não sai do lugar? - Estrada.-Sai de dentro de casa, bate a cabeça na parede e morre queimado? - Fósforo.-No mato é verde, em casa é preto? - Fumo.-Jeni cai no chão e faz papo? - Jenipapo.-Nasce grande e morre pequeno? - Lápis.-Tem barriga d’água e a cabeça de fogo? - Lampião ou candeeiro.-Tem pico como jaca, é verde como o limo e tem rabo como o rato? - Maxixe.-Uma casinha verde com uma porção de negros dentro? - Melancia.-O que é que tem dente mas não morde e tem cabelo mas não penteia? - Milho.-Limpa, limpa, abre as pernas e bota o nariz dentro? - Óculos.-Uma casinha sem janela. Dona clara mora nela? - Ovo.-Irmão de meu tio, que não é meu tio? - Meu pai.-Verde como o limo e fala como gente? - Papagaio.-Qual é o animal que não fecha os olhos? - Peixe.-De noite está de pé e de dia está deitado? - Pé.-Qual é o país que se come e a capital que se chupa? - Peru, capital Lima.-Verde, encarnada (vermelha), a mãe é mansa e a filha é danada? - Pimenta.-Dá um pulo e se veste de noiva? - Pipoca.-Em casa tá batendo e no mato tá parado? - Um pilão.-Qual é o bicho que come com o rabo? - Todos, nenhum tira o rabo para comer.-Cru não existe e cozido não se come? - Sabão.-Nasci na água, na água me criei e na água morrerei? - Sal.-Qual é o estado que quer ser jipe? - Sergipe.-Na igreja está por dentro e no boi está por fora? - Sino.-Está no céu, está no jogo e mora no quartel? - Soldado.-Quando uma mija todas mijam? - Telha.-Qual é a diferença entre um gato e um tijolo? - Jogue os dois na parede, o que miar é gato.-O que é que nasce branco e morre preto? - Urubu.-O que é que varre e varre e bota no canto? - Vassoura.-Queima pela cabeça e chora pelo pescoço? - Vela.-Tem a boca na barriga e os dentes na cabeça? - Violão.-Qual é a letra do alfabeto que não é cega? - O “v”. Casinhas e bonecas Elas tinham em miniaturas de madeira ou de plástico as mobílias de casa: mesas, cadeiras,fogões, camas, etc. Brincavam de donas de casa e as “filhas” eram as bonecas de pano de cabelosde tranças, as quais carregavam nos braços. Outras brincadeiras e jogos O número de brincadeiras e jogos infantis é enorme, tornando difícil comentar sobre todos ou amaioria deles. Agora mais algumas das mais famosas atividades lúdicas praticadas pela criançada:cabo-de-guerra manja, garrafão, perna-de-pau, jogo de castanhas, esconde-esconde, cabra-cega,amarelinha ou macacão, móveis de caixas de fósforos, pés de lata, dobras de papel (barcos, aviões,balões, animais, etc.), jogos de tabuleiro (damas, dominó.), jogos gráficos (forca, jogo da velha.), fazde conta (“médico”, “mamãe”, “professora”, “visitas”, “polícia x ladrão”, etc.). Os benefícios de uma infância bem vivida, com muitas brincadeiras sadias e alegres quedespertam a alegria de viver e paz de espírito são para toda a vida do indivíduo, são experiênciasque ninguém nunca esquece.
  9. 9. Sugestões de brincadeiras: O baú de roupas Para crianças de 2 a 7 anos Objetivos: desenvolver a imaginação, o "faz-de-conta". Desenvolvimento: as crianças retiram do baú roupas e acessórios de adultos. Cada criança veste a roupa escolhida. Organize um desfile de modas ou faça com que ela dramatize situações. Os menores podem apenas se fantasiar. Não esqueça de levá-los até o espelho para se enxergarem, pois terão reações diversas, como: medo, alegria, estranheza. Converse sobre tais sentimentos. Caso a criança comece a chorar retire a fantasia. Jogo de Boliche Para crianças de 2 a 7 anos Objetivos: desenvolver a percepção visuo-motora Materiais: As crianças precisarão de 6 a 10 garrafas pet limpas. Coloquem no fundo das garrafas uma porção de areia. Rasguem papel colorido e também coloquem dentro das garrafas. Fechem as garrafas. Confeccionem uma bola de meia ou jornal. Desenvolvimento: Agrupem as garrafas e a uma distância de 2 metros joguem a bola. Vejam quantas garrafas foram derrubadas. Ganha o jogo quem derrubar mais garrafas. Cantigas de roda: Brincadeiras cantadas Nas noites claras de luar, as meninas de saias rodadas, formavam grande círculo,e todas de mão dadas, em movimento de carrossel, cantavam cantigas: 01. Se essa rua, se Eu também de você Sou carioca da gema essa rua Eliana Carioca da gema do Fosse minha Vou pedir pra teu pai ovo. Eu mandava, eu Eliana Rebola, bola mandava Para casar com você Você diz que dá que dá Ladrilhar Eliana... Você diz que dá na bola Com pedrinhas, com ______________________ Na bola você não dá. pedrinhas ___ [....]. De brilhante 03. Atirei o pau no gato ______________________ Para o meu, para o totó 06. Ciranda cirandinha meu Mas o gato totó Vamos todos cirandar Amor passar. Não morreu reu reu Vamos dar a meia volta Nessa rua, nessa rua Dona Chica cá cá Volta e meia vamos dar. Tem um bosque Admirou-se se Que se chama, que Do miau, do miau O anel que tu me destes se chama Que o gato deu Era vidro e se quebrou Solidão Miiaaauuu!!! O amor que tu me tinhas Dentro dele, dentro ______________________ Era pouco e se acabou dele 04. O cravo ficou doente [....]. Mora um anjo A rosa foi visitar ___________________ Que roubou, que O cravo deu um 07. Ou a palma, ou a roubou desmaio palma Meu coração A rosa pôs-se a chorar. Ou a pé, ou a pé, ou a ___________________ [....} pé _____ ______________________ Oi a roda, roda roda 02. Você gosta de mim 05. Sou mineiro de Caranguejo peixe é. Eliana? Minas Caranguejo não é peixe Mineiro de Minas Gerais Caranguejo peixe é
  10. 10. Na beirada da maré. Sete e sete são Quem foi que pegou_____________________ quatorze nela 08. Terezinha de Jesus Três vezes sete vinte e Sabendo que é minha. De uma queda foi ao um Sabendo que é minha chão Tenho sete namorado Eu também sou sua Acudiram três E não quero casar com Pula machadinha cavalheiros nenhum. Para o meio da rua. Todos três chapéu na [....]. Na rua eu não fico mão. _____________________ E nem é de ficar O primeiro foi seu pai 11. Fui no Itororó Porque eu tenho Cristina O segundo, seu irmão Beber água e não achei Para ser meu par. O terceiro foi aquele Achei bela morena _____________________ Que a Tereza deu a Que no Itororó deixei. 13. Quebra, quebra mão. Aproveita minha gente guabiraba _________________ Que uma noite não é Quero ver quebrar 09. Criança feliz nada Quebra lá que eu Quebrou o nariz Se não dormir agora quebro cá Foi prá o hospital Dormirá de madrugada. Quero ver quebrar. Tomou sonrisal Ó Mariazinha, ó [....] Se eu fosse Pelé Mariazinha Minha mãe brigou Tomava café Entrarás na roda Se eu fosse Tostão E ficarás sozinha. comigo - quero vê Cobria botão. Sozinha eu não fico quebrar ________________ Nem hei de ficar Por causa de uma Porque tenho “Fulana” tigela - quero vê quebrar 10. A rosa vermelha Para ser meu par. Quanto mais se ela É do bem querer [....]. visse - quero vê quebrar A rosa vermelha e ______________________ O namoro na janela - branca _ quero vê quebrar. Hei de amar até morrer. 12. Quá, quá, quá Ô quebra, quebra Minha machadinha guabiraba ... “Há em nossa alma cansada,mesmo sendo a vida atroz,criança eterna e levada que brinca dentro de nós.” (Alberto F. Bastos) SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS: • COSTA, Mônica Rodrigues. Você sabe quem foi que inventou a maria-cadeira? Folha de São Paulo. 500 Brincadeiras. São Paulo, 16 abril, 2000. • FELINTO, Marilene. Do que você gosta de brincar?. Folha de São Paulo. 500 Brincadeiras. São Paulo, 16 abril, 2000. • FERNANDES, Florestan. O folclore em questão. São Paulo: Hucitec, 1989. • FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 1989. • ____. Antes de falar de Educação Motora. In: DE MARCO, Ademir (org). Pensando a Educação Motora. São Paulo: Papirus, 1995. • MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer: uma introdução. Campinas: Autores Associados, 1996. • ____. Pedagogia da animação. Campinas: Papirus, 1997. • MULLER, Verônica R.; RODRIGUES, Patrícia C. Reflexões de quem navega na educação social: uma viagem com crianças e adolescentes. Maringá: Clichetec, 2002. • NODA, Lídia Mieko. Curso de Aperfeiçoamento para professores atuantes no 2º grau. Maringá, [s.d]. (Material Didático). • OLIVEIRA, Paulo de Salles. Brinquedo e indústria cultural. Petrópolis: Vozes, 1986. • PIMENTEL, Giuliano. Lazer: fundamentos, estratégias e atuação profissional. Jundiaí: Fontoura, 2003.
  11. 11. • PINTO, Manuel. A infância como construção social. In: SARMENTO, Jacinto (org). As crianças: contextos e identidades. Minho-Portugal: Centro de Estudos da Criança, 1997. p. 31-73.• ROCHA, Maria S. P. de M. L. da. Não brinco mais: a (des)construção do brincar no cotidiano educacional. Ijuí: Unijuí, 2000.• SARMENTO, Jacinto, et. al. A escola e o trabalho em tempos cruzados. In: PINTO, Manuel; ______. As crianças: contextos e identidades. Minho-Portugal: Centro de Estudos da Criança, 1997. p. 265-93.• SILVA, Maurício R. da. A exploração do trabalho infantil e suas relações com o tempo de lazer/lúdico: quando se descansa se carrega pedra! Licere, v. 4, n. 01, 2001. p. 09-21.• Bruner, Jerome. L’éducation, entrée dans la culture. Les problèmes de l’école à lá lumière de la psychologie culturelle. Trad. Yves Bonin. Paris: Retz, 1996.• Canholato, Maria Conceição et al. Diagnóstico da pré - escola no Estado de São Paulo – 1988. São Paulo: Fundação para o desenvolvimento da Educação, 1990.• Rêgo, José Lins do. Menino do Engenho. Introdução de Castele, José Aderaldo: nota de Ribeiro, João. 14a. ed., Rio de janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1969.• Vygotsky, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2. Ed., 1988.• ____________ História del desarrollo de las funciones psíquicas superiores. Ciudad de la Habana:Editorial Científico Técnica, 1987. ____________ La imaginación y el arte en la infancia. Madrid:Akal,1982.• MACEDO, Lino de. A importância dos jogos de regras para a construção do conhecimento na escola. Unversidade de São Paulo/Instituto de Psicologia/Laboratório de Psicopedagogia. BETTELHEIM, Bruno. Uma vida para seu filho.• MACHADO, Marina Marcondes.O brinquedo - sucata e a criança. São Paulo: Edições Loyola.• GARDNER, Howard. As artes e o desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artes Médicas.• CAMARGO, Fátima. Considerações acerca do jogo. Espaço Pedagógico.• Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil - Brincar. Versão -Preliminar - dezembro/1997.

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