Argumentos e falácias informais

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Argumentos e falácias informais

  1. 1. 28-11-12 Filosofia 1
  2. 2. 28-11-12 Filosofia 2
  3. 3. Argumentação Situa-se entre a retórica e a lógica. pelo seu carácter dialéctico, dela retirando algumas noções como, por exemplo, a de auditório. retirando dela a estrutura que sustenta o discurso. A argumentação - pode ocorrer no encontro interpessoal, isto é, numa situação de diálogo em que as pessoas se dirigem directamente umas às outras; - ou de forma mais indirecta através dos meios de comunicação social.28-11-12 Filosofia 3
  4. 4. Ao nível das relações interpessoais, o discurso argumentativo exerce-se num contexto em que há um determinado emissor ou orador e um destinatário ou auditório que, de uma ou outra forma, estabelecem um contacto dialógico próximo e directo: a palestra, a conferência, o debate, a exposição... Ao nível dos meios de comunicação social, agente formador e informador da opinião pública, o discurso argumentativo dirige-se a um auditório indiferenciado, como acontece com um artigo de fundo, com um editorial, com as notícias, com os comentários e com a publicidade.28-11-12 Filosofia » 4
  5. 5. 28-11-12 Filosofia 5
  6. 6. Discurso argumentativo Acto comunicativo que apresenta provas ou razões para defesa deuma opinião, as quais visam persuadir o receptor e interferir nas suas atitudes e comportamentos. Para deliberar, justificar, discutir, explicar, provar ou fundamentar, recorremos ao discurso argumentativo .28-11-12 Filosofia » 6
  7. 7. Características do discurso argumentativoExerce-se numa situação comunicativa, pressupõe o uso da palavra,excluindo a violência ou a força física para atingir o seu objectivo:conquistar a adesão do auditório.Serve-se da linguagem natural e não de símbolos abstractos, alinguagem deve ser compreendida pelo auditório.Possui carácter dialógico. Relação interactiva entre orador eauditório, podendo ambos, em cada momento, dar assentimento ourejeitar aquilo que o outro diz.As mensagens transmitidas não são neutras, visam alterar asconvicções e as atitudes das outras pessoas. Pela palavra, o oradorpretende agir sobre os outros, interferindo nas suas opiniões.28-11-12 Filosofia » 7
  8. 8. »O objectivo é granjear adesão, esforçando-se por conquistar oauditório.Integra um conjunto de estratégias. Para melhor convencer oreceptor, uma boa selecção e organização de argumentos podeconduzir mais eficazmente ao que se pretende.É uma forma problematizadora de encarar os temas – os queconduzem à dúvida e suscitam diferentes pontos de vista. Umaquestão é objecto de argumentação se a sua verdade não forevidente nem objectiva.28-11-12 Filosofia » 8
  9. 9. Tipos de argumentos28-11-12 Filosofia 9
  10. 10. Tipos de argumentos28-11-12 Filosofia 10
  11. 11. Argumento dedutivo São susceptíveis de validade formal – constituem objecto de estudo dalógica;Característico das ciências formais, como a lógica e a matemática;Processo de inferência pelo qual de uma ou mais proposições conhecidas(premissas) se conclui necessariamente uma proposição (conclusão), nelas, dealgum modo, incluída e implicada;A conclusão de um argumento dedutivo é uma consequência necessária oulógica das premissas;Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão é necessariamenteverdadeira;Não é ampliativo ou demonstrativo.28-11-12 Filosofia 11
  12. 12. Argumento indutivoNum argumento indutivo, a verdade da conclusão não é garantida pelaverdade das premissas, a conclusão é apenas provavelmente verdadeira;Está presente nas ciências experimentais como a física e a biologia(investigação com base nos dados recolhidos pela observação na natureza);Processo de inferência que vai do particular para o geral;São ampliativos ou não-demonstrativos ( a conclusão “ultrapassa” aspremissas, é uma extrapolação – no sentido em que, a verdade conjunta daspremissas não garante a verdade da conclusão);Um argumento indutivo é forte quando a força das premissas tornaaltamente improvável (embora não impossível logicamente) que a conclusãoseja falsa.28-11-12 Filosofia 12
  13. 13. Argumento indutivo28-11-12 Filosofia 13
  14. 14. Argumento por analogia28-11-12 Filosofia 14
  15. 15. 28-11-12 Filosofia 15
  16. 16. Argumento por analogiaBaseia-se numa comparação entre objectos diferentes e inferem de certassemelhanças outras semelhanças (partem da ideia de que se diferentes coisassão semelhantes em determinados aspectos, também o serão noutros); a verdade da conclusão não é garantida pela verdade das premissas (há queter em conta aquilo que as premissas e a conclusão afirmam e os dados daexperiência);A forma não permite concluir se é bom ou mau – a qualidade desteargumento não depende da sua forma lógica;Podem ser fortes ou fracos:- a comparação tem de se basear num número razoável de semelhanças;- as semelhanças apontadas devem ser relevantes para a conclusão que sequer inferir;- não deve haver diferenças fundamentais relativamente aos aspectos queestão a ser comparados.28-11-12 Filosofia 16
  17. 17. Outros argumentos: Entimema (argumento dedutivo)É um silogismo em que uma das premissas é omitida por ser óbvia epoder ser facilmente subentendida. É um silogismo a que falta umapremissa, geralmente a primeira.Ex. O aborto deve ser proibido, porque é o assassínio de inocentes.A primeira premissa está suprimida. Forma canónica Todo o assassínio de inocentes deve ser proibido. O aborto é um assassínio de inocentes. Logo, o aborto deve ser proibido.28-11-12 Filosofia 17
  18. 18. Ex. Os golfinhos não são peixes porque não respiram por guelras.Falta a primeira premissa. Forma canónica Os peixes respiram por guelras. Os golfinhos não respiram por guelras. Logo, os golfinhos não são peixes.Ex. Todo o texto é subversivo. Logo, o poema é subversivo. Falta a segunda premissa. Forma canónica Todo o texto é subversivo. O poema é um texto. Logo, o poema é subversivo.28-11-12 Filosofia 18
  19. 19. Argumentos com base em exemplosArgumento de natureza indutiva que consiste em citar comoportunidade um exemplo ou caso particular visa produzir no auditório a convicção de que ilustra um princípio geral Efectuam generalizações e previsões a partir de casos ou exemplos particulares (mesmo quando os exemplos são verdadeiros, a generalização comporta certa possibilidade de erro)28-11-12 Filosofia 19
  20. 20. Argumentos de autoridadeArgumento baseado na opinião de um especialista (pessoa ouinstituição com conhecimentos seguros sobre dada matéria).O argumento estrutura-se da seguinte forma:X (alguém com conhecimentos seguros) faz a afirmação Y. A diz que P.Logo: A afirmação Y é verdadeira. ou Logo, P.Ex. Hegel diz que todo o real é racional e todo o racional é real; logo,todo o real é racional e todo o racional é real.É um mau argumento de autoridade, não porque Hegel não seja umespecialista na matéria, mas porque muitos outros especialistas na matériadiscordam dele, quanto ao que está em causa.Nota: em filosofia, os argumentos de autoridade são quase sempre maus; isto porque os filósofos discordamentre si acerca de quase tudo o que é interessante. 28-11-12 Filosofia 20
  21. 21. Regras a ter em conta para que o argumento de autoridade seja um bom argumento:O especialista invocado deve ser muito bom no assunto em causaNão haver discordâncias significativas entre os especialistas relativamente aoassunto em questãoNão haver outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da tesecontráriaOs especialistas não terem interesses pessoais na afirmação em causa (imparciais)28-11-12 Filosofia 21
  22. 22. Falácias informaisSão erros de raciocínio, que pode ter várias origens, mas que decorre sempre doconteúdo do argumento, da sua matéria (da linguagem natural comum) e nãopropriamente da sua forma – as premissas não sustentam a conclusão.28-11-12 Filosofia 22
  23. 23. 28-11-12 Filosofia 23
  24. 24. Falácias da irrelevânciaFalácias ad baculum ou recurso à força Uso de ameaças ou intimidações com o objectivo de fazer aceitar uma afirmação. Estes argumentos “de mão dura” não deixam as pessoas decidir de forma livre. Ex. “O dinheiro ou a vida” Falácias ad hominem ou contra a pessoa Atacar ou lançar em descréditoEstes ataques poderão centrar-se: na alguém para mostrar a falsidade dasclasse social, na etnia, na família, religião, suas afirmações. Ataca-se a pessoapartido político … em vez de atacar ou refutar a sua Ex. A tua tese não tem qualquer tese. valor, porque és comunista e ateu.28-11-12 Filosofia 24
  25. 25. » Falácias da irrelevância Falácias ad ignorantiam ou da ignorância Quando alguém apela à ignorânciaEstes argumentos são usados muitas vezes defendendo que uma afirmaçãono âmbito de fenómenos psíquicos raros e deve ser verdadeira só porque nãoexcepcionais, para os quais é difícil encontrar se provou a sua falsidade ou falsaprovas (telepatia, espiritismo, fantasmas …). só porque não se provou que é Ex. Não há destino. Jamais se provou verdadeira. o contrário. Falácias ad misericordiam ou da misericórdia Argumentos que, em vez deRecorre-se à pressão apresentar razões justificativas dapor via emocional. conclusão, apelam à piedade ou compaixão do auditório. Ex. Os sacrifícios que tenho feito por ti (chantagem afectiva). 28-11-12 Filosofia 25
  26. 26. » Falácias da irrelevância Falácias ad populum ou falácia populista Fazer aderir a uma tese ou produto, servindo-se do facto de a Nestas falácias tenta-se conquistar a concordância popular, despertando a sua origem ou apresentação se admiração e entusiasmo. deverem a pessoa credora de popularidade. Ex. Campanhas eleitorais. Falácias ad verecundiam ou da autoridade Tentativa de sustentar uma tese,Surge quando : apelando a uma personalidade de- Se pretende apoiar uma afirmação, apelando a reconhecido mérito (cujo saberalguém que é prestigiado numa área diferente. ou competência é irrelevante- Se insiste na autoridade de um especialista e tentafurtar-se às objecções críticas dos interlocutores. para o tema em discussão).- O próprio orador se erige em autoridade. Ex. É falacioso defender a boa qualidade de uma TV, afirmando que o futebolista X ou a top-model Y compraram um igual. Ficha de trabalho 28-11-12 Filosofia 26
  27. 27. As situações seguintes têm subjacentes falácias da irrelevância. Identifique-as. Ad verecundiam Ad populum Ad hominem Ad baculum Ad baculum Ad mesiricordiam Ad populum Ad ignorantiam Ad hominem Ad hominem Ad hominem Ad mesiricordiam Ad baculum Ad verecundiam Ad populum Ad populum28-11-12 Filosofia 27
  28. 28. 28-11-12 Filosofia 28
  29. 29. Falácias da insuficiência de dados Falácia da generalização precipitada Enunciar uma lei ou uma regra geral Esquema da generalização precipitada: a partir de dados insuficientes ou O fenómeno X ocorre em A1, A2, … não representativos. _____________________________________________________________________________ Logo, o fenómeno X ocorre em todos os AA Falácia da falsa causa Non causa pro causa (“não causa pela causa”) Atribuição da causa de um fenómeno a outro fenómeno, não existindo entre eles qualquer relação causal. Post hoc, ergo propter hoc(“depois de, logo por causa de”)Esquema: Consiste em supor que a causa deO fenómeno B ocorre a seguir ao fenómeno A. um fenómeno reside noutro que o______________________________________Logo, A é causa de B. precede no tempo. 28-11-12 Filosofia 29
  30. 30. » Falácias da insuficiência de dados Falácia da falsa analogia Tirar conclusões de um objecto ou de uma situação para outra semelhante, semEsquema da falsa analogia: atender às diferenças significativas.O fenómeno X apresenta a característica AO fenómeno Y apresenta a característica A_____________________________________________________________________________Logo: X é igual a Y Falácia da petição de princípio Adopção da conclusão que se quer demonstrar para premissa do raciocínio Confunde-se a repetição de uma (usa as mesmas palavras ou palavras com afirmação com a sua prova. Trata- o mesmo significado para designar o que se de “andar às voltas” sem nada quer explicar e as explicações). clarificar. Ex. Uma pessoa odeia as pessoas de outra raça porque é racista. 28-11-12 Filosofia 30
  31. 31. As situações seguintes têm subjacentes falácias da insuficiência de dados. Identifique-as. Generalização Falsa analogia Falsa causa precipitada Petição de Falsa analogia Generalização princípio precipitada28-11-12 Filosofia 31
  32. 32. 28-11-12 Filosofia 32
  33. 33. Falácias da ambiguidade Falácia da equivocidade Introdução de um termo com duplo Argumento: sentido num argumento. Os pés têm dedos e unhas O termo “pés”, neste caso, é uma palavra As mesas têm pés equívoca, refere-se a conceitos distintos. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Logo: As mesas têm dedos e unhas Falácia do falso dilema Consiste em reduzir as opções possíveis a apenas duas, ignorando-se as restantesÉ como se existissem só dois caminhos. alternativas. Ex. Ou concordas comigo ou não! (pode concordar-se parcialmente) . Ex. Ou és meu amigo, ou és meu inimigo. Não és meu amigo. Logo, és meu inimigo. 28-11-12 Filosofia 33
  34. 34. » Falácias da ambiguidade Falácia do espantalho Consiste em atribuir a outrem uma opinião fictícia ou em deturpar as suas afirmações de modo a terem outro significado. É frequente em contendas ou polémicas. Ocorre uma caricatura do argumento apresentado.28-11-12 Filosofia 34
  35. 35. As situações seguintes têm subjacentes falácias da ambiguidade. Identifique-as. Equivocidade Espantalho Equivocidade Falso dilema Falso dilema Falso dilema28-11-12 Filosofia 35
  36. 36. BibliografiaMaria Antónia Abrunhosa e Miguel Leitão, Manual Escolar “Um Olhar sobre o Mundo”,Ensino Secundário, 11º Ano, Vol.1, Edições ASA, 2008Fátima Alves, José Arêdes e José Carvalho, Manual Escolar “Pensar Azul Filosofia - 11ºAno”, Texto Editores, 2008Fátima Alves, José Arêdes e José Carvalho, Manual Escolar “705 Azul Introdução àFilosofia - 11º Ano”, Texto Editores, 2004Marta Paiva, Orlanda Tavares e José Ferreira Borges, Manual Escolar “Contextos, Filosofia- 11º Ano”, Porto Editora, 2008Artur Polónio, Faustino Vaz e Teresa Cristóvão, Manual Escolar “CriticaMente Filosofia - 11ºAno”, Porto Editora, 2008Adília Maia Gaspar e António Manzarra, Manual Escolar “Em Diálogo Filosofia 11º Ano /Ensino Secundário”, Lisboa Editora, 2008 28-11-12 Filosofia 36

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