UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
PROFESSORA Gínia Maria Gomes
Aluna Jéssica Fraga da C...
Com as poesias de Ou isto Ou Aquilo, Cecília “chama”, atrai o pequeno leitor que
certamente identifica-se com o que lê, po...
“Eco, vem passear comigo!
Mas não sabe se o eco é amigo
ou inimigo.
Pois só lhe ouve dizer:
“Migo!”
( MEIRELES, 1979, p.76...
passos do bailado, as aliterações exprimem movimento de rodopio o que torna ainda mais
visível a brincadeira. No final, de...
de desejo dos pequenos que se distraem em catá-las e colecioná-las. No final do poema, há
ainda referência aos balanços qu...
cujas reiterações fonéticas provocam dificuldade de pronunciação e até mesmo a
deturpação dos termos, quando lidos em ritm...
livro, como “Na sacada da casa”, “Rômulo rema”, “O violão e o Vilão””, Procissão de
pelúcia”, “O chão e o pão”, “Pregão do...
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.
Mas a nossa profunda saudade
é Maria, ...
e tocar uma flautinha
e soprar numa palhinha
qualquer canção.
Todos querem ser cantores
quando a Estrela da Manhã
brilha s...
assim.
Tinha uma dentuça muito
ruim.
Lulu, lulu, lulu, lulu
vou fazer uma cantiga
para o anjinho de São Paulo
que criava e...
principalmente suscitando a curiosidade do desenrolar dos fatos e dos destinos das
personagens. É interessante observar a ...
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Artigo cecília

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL LITERATURA INFANTO-JUVENIL PROFESSORA Gínia Maria Gomes Aluna Jéssica Fraga da Costa O brincar infantil na poesia de Ou isto ou aqui O presente trabalho tem por objetivo realizar uma breve análise sobre a presença da brincadeira nas poesias de Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles. Receberão destaque as muitas facetas do brincar infantil, visando a forma como aparecem, sendo como temas explícitos ou imagens construídas, assim como as possibilidades de brincar com a linguagem dos poemas. Até aproximadamente 1960, a poesia infantil brasileira era algo muito próximo ao estilo parnasiano, trazendo sempre, um caráter formal e pedagógico, deixando a ludicidade, ou as sonoridades em segundo plano. Pouco tempo depois, em 1964, Cecília Meireles rompe com esse postulado com o livro Ou Isto Ou Aquilo, que retrata uma visão de mundo infantil, o mundo como a criança o vê, onde o real e a fantasia andam juntos. Segundo a estudiosa Ana Maria Lisboa de Mello, no artigo “Ou Isto Ou Aquilo: Um clássico da poesia infantil brasileira”, a publicação de Ou Isto Ou Aquilo: Constituiu uma espécie de divisor de águas entre dois períodos de produção poética para criança no Brasil, inaugurando um novo modo de criação que privilegia o olhar e os sentimentos da criança, ao deixar para trás o feitio didático e doutrinário, predominante nas produções anteriores. (p.190) Cecília Meireles tinha a criança como uma de suas preocupações, foi educadora primária, tendo contato direto com os pequenos. Ela conhecia-os, entendia-os e amava-os. Além disso, como poeta, Cecília tinha sensibilidade suficiente para captar os sentimentos, as inquietações e as curiosidades infantis, compondo uma poesia atrativa. Mello trás que: “O Eu lírico dos poemas cecilianos é, assim, uma espécie de porta-voz da criança, que se esforça por traduzir as suas aspirações e formas de relacionamento com a vida...”
  2. 2. Com as poesias de Ou isto Ou Aquilo, Cecília “chama”, atrai o pequeno leitor que certamente identifica-se com o que lê, por deparar-se com seu dia a dia e com o que mais gosta de fazer: brincar. Através de inúmeras formas de brincadeiras ora como tema, ora como cenas criadas do brincar, as crianças encontram um verdadeiro “Parque de Diversões” diante de seus olhos. No livro Ou Isto ou aquilo, a brincadeira infantil ganha grande destaque, fazendo parte de suas páginas desde o começo, com o Colar de Carolina: Com seu colar de coral, Carolina corre por entre as colunas da colina. O colar de Carolina colore o colo de cal, torna corada a menina. E o sol, vendo aquela cor do colar de Carolina, põe coroas de coral nas colunas da colina. ( MEIRELES, 1979, p.6) Aqui, há a composição da imagem de uma criança brincando. O leitor pode perfeitamente visualizar essa criança que corre por entre as colinas com seu colar que ganha ainda mais cores com a iluminação solar. Dentro desta temática encontram-se ainda mais quatorze poemas: “Tanta tinta”, “A bailarina”,” Joga de bola”, "A chácara do Chico bolacha", 'A avó do menino", "Para ir à lua", "Figurinhas", "Cantigas da babá", "Roda na rua", "O menino azul", "Ou isto ou aquilo", "Rômulo rema", "Os pescadores e as suas filhas" e "O eco". Esse brincar da criança como tema aparece de duas formas distintas nas poesias. Uma delas dá-se pela construção das imagens. Não há a existência da palavra brincadeira em si, nem de nomes de brincadeiras, mas Cecília Meireles constrói para o leitor a imagem da brincadeira infantil. Isso ocorre no poema acima analisado, "O colar de Carolina" e também em vários outros, como por exemplo, em "O eco": O menino pergunta ao eco onde é que ele se esconde. Mas o eco só responde: “Onde? Onde?” O menino também lhe pede:
  3. 3. “Eco, vem passear comigo! Mas não sabe se o eco é amigo ou inimigo. Pois só lhe ouve dizer: “Migo!” ( MEIRELES, 1979, p.76) Aqui nesse poema, não há nenhuma palavra que faça menção ao brincar da criança, não temos ao menos a palavra brincadeira explícita, mas percebe-se por todo o contexto que se trata de uma situação em que um menino brinca com o eco. Tal brincadeira com os sons é algo que chama bastante a atenção das crianças, que lhes intriga muito, por imaginarem que ao terem suas palavras repetidas, alguém o faz. Compreender o fenômeno do eco é muito complexo para os pequenos, e com suas férteis imaginações, imaginam como no poema de Cecília, que há uma pessoa que fica imitando e respondendo tudo que é dito. Outro exemplo em que fica clara a percepção da imagem de uma criança brincando é no poema "A bailarina": Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá mas inclina o corpo para cá e para lá. Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri. Roda, roda, roda com os bracinhos no ar e não fica tonta bem sai do lugar. Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu. Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças. ( MEIRELES, 1979, p.11) Aqui, neste poema é criada a imagem de uma menina igual a qualquer outra, que existe no mundo real. Uma menina que brinca e imagina ser uma bailarina, ela copia os passos da dança, levanta seus bracinhos, pula de um lado e de outro. Os ritmos dos versos sugerem os
  4. 4. passos do bailado, as aliterações exprimem movimento de rodopio o que torna ainda mais visível a brincadeira. No final, depois de tanto brincar, cansada de tanto pular, ela sente sono, como todas as outras crianças e vai dormir. Outra forma em que aparece a brincadeira como tema nos poemas de Ou Isto Ou Aquilo, são de forma muito mais explícita. Neste outro grupo, há a menção às brincadeiras que acontecem e não apenas a construção de tais imagens. Assim como, ainda há a nomeação de brincadeiras infantis típicas que permanecem de geração em geração como “chicote queimado”. Essas afirmações são visíveis no poema "Figurinhas II": Onde está meu quintal amarelo e encarnado, com meninos brincando de chicote-queimado, com cigarras nos troncos e formigas no chão, e muitas conchas brancas dentro da minha mão? E Julia e Maria e Amélia onde estão? Onde está meu anel e o banquinho quadrado e o sabiá na mangueira e o gato no telhado? -- a moringa de barro, e o cheiro do alvo pão? E a tua voz, Pedrina, sobre meu coração? Em que altos balanços se balançarão?... ( MEIRELES, 1979, p.26) Este poema é repleto de brincadeiras infantis. Desde o seu começo há a presença de meninos que brincam no jardim de “chicote queimado” brincadeira folclórica, bastante conhecida dos pequenos que normalmente é ensinada pelos pais, avós, pessoas mais velhas, tratando de algo que é passado pelas gerações e que permanece pela tradição. Após é falado sobre os infantes brincando com os insetos, que é algo que chamam muito sua atenção, pelo seu pequeno tamanho, por suas formas, cores e que por serem seres tão curiosos, gostam de ficar lhes observando e brincando. Assim como, com as conchinhas que também são objeto
  5. 5. de desejo dos pequenos que se distraem em catá-las e colecioná-las. No final do poema, há ainda referência aos balanços que também é algo que as crianças de todas as idades adoram. Ficar se balançando de lado a outro imaginando por vezes que estão voando. Ainda pensando sobre o tema da brincadeira é relevante observar mais uma vez a presença da brincadeira folclórica de roda que aparece no poema "Os pescadores e suas filhas": Os pescadores dormiam cansados, ao sol, nos barcos. As filhinhas dos pescadores brincavam na praça, de mãos dadas. As filhinhas dos pescadores cantavam cantigas de sol e de água. Os pescadores sonhavam com seus barcos carregados. Os pescadores dormiam cansados de seu trabalho. As filhinhas dos pescadores falavam de beijos e abraços. Em sonho, os pescadores sorriam. As meninas cantavam tão alto, que até no sonho dos pescadores boiavam as suas palavras. ( MEIRELES, 1979, p.73) Aqui, há a explicitação da brincadeira folclórica, as meninas de mãos dadas estavam cantando e brincando de roda. Além dessa explicitação da brincadeira, ainda existe uma imagem bem construída da situação. Cecília Meireles não apenas fala na brincadeira, mas mostra ao leitor através de uma riqueza de detalhes tudo que está acontecendo neste brincar dando um grande ar de realidade ao relato do poema. O leitor consegue visualizar a empolgação dessas crianças que por tal sentimento cantavam mais e mais alto, invadindo com essa cantoria toda até mesmo os sonhos dos pescadores. Além do que já foi analisado, outra forma de se pensar a brincadeira dentro do livro Ou Isto Ou Aquilo, é observar o quanto a linguagem constitutiva dos poemas permite que os leitores a utilizem como formas de divertimento. As poesias de Ou Isto Ou Aquilo já são em si verdadeiras brincadeiras. Fazendo uso de elementos folclóricos, Cecília torna sua poesia, muitas vezes, uma brincadeira infantil, como o trava-língua, “... tipo especial de parlenda
  6. 6. cujas reiterações fonéticas provocam dificuldade de pronunciação e até mesmo a deturpação dos termos, quando lidos em ritmo acelerado” (MELLO, 2001, p.190). Um bom exemplo disso é o poema O menino dos FF e RR: O menino dos ff e rr é o Orfeu Orofilo Ferreira: Ai com tantos rr, não erres! ( MEIRELES, 1979, p.35) Neste poema, o uso das aliterações compostas pelas repetições das letras F e R dificulta muito a pronunciação, principalmente ao tentar falar de forma rápida. Essa brincadeira é bastante feita pelos infantes que gostam do desafio, da dificuldade e principalmente da possibilidade do erro, que é algo bastante engraçado e suscita o riso. Outro exemplo, de um poema que é praticamente um trava-língua e ainda mais difícil, é o poema Canção: De borco no barco. (De bruços no berço...) O braço é o barco. O barco é o berço. Abarco e abraço o berço e o barco. Com desembaraço embarco e desembarco. De borco No berço... (De bruços no barco...) ( MEIRELES, 1979, p.54) Aqui, a dificuldade de pronúncia se dá pelo uso repetido de palavras semelhantes, sendo que algumas, apenas alternam uma vogal, como borco e barco, e em outros casos, a localização da consoante como em braço e barco. Dessa forma, o leitor tem um grande desafio diante de si, precisa ter atenção e falar as palavras de forma mais lenta para não errar sua pronunciação. Essa brincadeira sonora está presente em vários outros poemas do
  7. 7. livro, como “Na sacada da casa”, “Rômulo rema”, “O violão e o Vilão””, Procissão de pelúcia”, “O chão e o pão”, “Pregão do vendedor de lima”, dentre outros. Segundo Mello: É permitido afirmar que no conjunto de poemas de Ou Isto Ou Aquilo, a exploração da sonoridade das palavras parece ter sido uma das características mais relevantes do processo criativo de Cecília Meireles. (2001, p.192) Outra brincadeira folclórica que aparece são brincadeiras de roda ou ainda, as cirandas, um tipo de brincadeira geralmente desenvolvida em círculo, em que as crianças, voltadas para o centro, seguram as mãos dos colegas ao seu lado, e cantam as chamadas cantigas de roda. Sua origem está relacionada à cultura popular brasileira que recebeu influências européias, indígenas e africanas. Para Mello: É uma brincadeira completa, sob o ponto de vista pedagógico. Brincando de roda, a criança exercita o raciocínio e a memória, estimula o gosto pelo canto e desenvolve naturalmente os músculos ao ritmo das danças ingênuas. (Mello, 2010, p.194) Tal pode ser observado no poema “As meninas” que é praticamente igual a uma canção de roda: Arabel abria a janela. Carolina erguia a cortina. E Maria olhava e sorria: "Bom dia!" Arabela foi sempre a mais bela. Carolina, a mais sábia menina. E Maria apenas sorria: "Bom dia! Pensaremos em cada menina
  8. 8. que vivia naquela janela; uma que se chamava Arabela, outra que se chamou Carolina. Mas a nossa profunda saudade é Maria, Maria, Maria, que dizia com voz de amizade: "Bom dia!" ( MEIRELES, 1979, p.16) Neste poema, a grande musicalidade e suas rimas bem marcadas, tornam o poema uma própria canção de roda, podendo facilmente ser cantado e interpretado pelos pequenos, como acontece nas cirandas. Além disso, o tema do poema colabora para as afirmações, pois trás uma espécie de narrativa sobre três meninas amigas, segundo Rebeca Tavares no livro, Rodas Ciranda da Vida: "Dentre as características principais das cantigas de roda está a narrativa simples que propicia a memorização."(2008,p.28). Essa narrativa ajuda a estimular o leitor a imaginar a situação atribuindo-lhes sentidos e valores. Cada uma das meninas possuía qualidades distintas. Porém, Maria a que demonstra ser mais amiga por sorrir e sempre dar “Bom Dia!” aos outros, ganha destaque, valorizando a importância da amizade, o que desde cedo é relevante ao cotidiano pueril: "Nas rodas não podem faltar os temas cotidianos, o amor, a amizade, os bons sentimentos."( TAVARES,2010,p.31) Pensando ainda sobre a brincadeira infantil, é de grande importância destacar que Cecília pensara inclusive na hora de dormir dos pequeno, pois é possível associar poemas de OU Isto Ou Aquilo às conhecidas cantigas de ninar: "sagrado convívio materno-infantil, sempre adoçadas pela maciez do berço, no conforto da rede ou no encantamento de um colo de mãe" ( TAVARES,2010,p.31). Certamente a ludicidade deve estar presente até mesmo na hora de fechar os olhos e descansar depois de tantas brincadeiras. Um dos poemas do livro que é bastante próximo desse gênero é "Os carneirinhos": Todos querem ser pastores, quando encontram, de manhã, os carneirinhos, enroladinhos como carretéis de lã. Todos querem ser pastores e ter coroas de flores e um cajadinho na mão
  9. 9. e tocar uma flautinha e soprar numa palhinha qualquer canção. Todos querem ser cantores quando a Estrela da Manhã brilha só, no céu sombrio, e, pela margem do rio, vão descendo os carneirinhos como carretéis de lã... ( MEIRELES, 1979, p.22) Aqui neste poema, há a menção ao famoso “contar carneirinhos” tão representativo da hora de dormir dos pequenos: "Sempre que a criança diz não ter sono os adultos mandam que ela conte carneirinhos, imagine que um carneirinho pulou a cerca, outro carneirinho e assim por diante, até o sono chegar" (TAVARES,2010, p.35). Além disso, a estrutura do poema, seu grande número de rimas e repetições é igual as cantigas de ninar: A repetição constitui uma das principais características das cantigas de ninar observada independentemente de aspectos étnicos, culturais, sociais. Todos os rituais e práticas sagradas privilegiam a repetição – seu efeito, catártico e encantatório. Não esquecendo das rimas, cantiga sem rimas não é cantiga.( TAVARES,2010,p.40) Outro poema que claramente desde o seu título está associado às cantigas de ninar é o poema Cantiga para adormecer Lulu: Lulu, lulu, lulu, lulu vou fazer uma cantiga para o anjinho de São Paulo que criava uma lombriga. A lombriga tinha uns olhos de rubim. Tinha um rabo revirado no fim. Tinha um focinho bicudo
  10. 10. assim. Tinha uma dentuça muito ruim. Lulu, lulu, lulu, lulu vou fazer uma cantiga para o anjinho de São Paulo que criava essa lombriga. A lombriga devorara seu pão a banana, o doce, o queijo, o pião. A lombriga parecia um leão. E o anjinho andava triste e chorão. Lulu, lulu, lulu, lulu Pois eu faço esta cantiga para o anjinho de São Paulo que alimentava a lombriga. A lombriga ia fiando maior que o anjinho de São Paulo! (Que horror!) Mas um dia chega um caçador! Firma a sua pontaria, sem rumor. Lulu, lulu, lulu, lulu paro até minha cantiga sobre o anjinho de São Paulo! A espingarda faz pum pum! pim pim! O anjinho abana as asas ( MEIRELES, 1979, p.40) Neste poema, a repetição é constante, podendo ser de vários termos (exemplo: Lulu, lombriga, anjinho) ou de versos (exemplo: vou fazer uma cantiga), assim como acontecem com as cantigas de ninar. Há o uso de muitas rimas, bem marcadas, uma certa melodia, que dá um ritmo ao poema, colaborando para que ele possa ser facilmente cantado. Pode-se observar a presença de uma narrativa bastante simples o que desperta a imaginação infantil,
  11. 11. principalmente suscitando a curiosidade do desenrolar dos fatos e dos destinos das personagens. É interessante observar a grande ocorrência de onomatopeias ao longo do poema, o que faz com que ele seja ainda mais próximo das cantigas, que tem em tais representações sonoras "os verdadeiros sons aos pequenos ouvidos" (TAVARES, 2010,p.43). As onomatopeias são mais uma possibilidade do pequeno leitor de Cecília Meireles brincar com a linguagem algo que encanta e atrai crianças de todas as idades. Tais construções linguísticas acompanham boa parte dos poemas o que deixa clara a intenção lúdica e sua matriz folclórica. Cabe ressaltar, que não se pretendeu aqui esgotar as questões referentes à brincadeira infantil nas poesias do livro Ou Isto Ou Aquilo, pois além do que já foi visto, existem muitas outras possibilidades utilizando este foco, uma vez que o brincar perpassa a obra do começo ao fim. Construindo e brincando com palavras e frases, a autora leva a criança a descobrir a língua em sua originalidade e singularidade, valorizando sempre o lúdico. Os poemas cecilianos trazem um mundo infantil onde tudo é possível, porém mesmo com o uso da ludicidade e da fantasia, não há a perda do compromisso com a realidade, principalmente com a realidade das crianças: a brincadeira. Nesse sentido a autora é de grande fidelidade. Cecília Meireles pensou muito bem em tudo, soube abordar a brincadeira, atividade cotidiana e prazerosa das crianças e expressá-la da mesma forma, convidando os pequenos leitores para brincar. Bibliografia MEIRELES,Cecília. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Melhoramentos. 1976. MELLO, Ana Maria Lisboa de. Cecília Meireles: a poética da educação. Rio de Janeiro : Ed. PUC-Rio, : Loyola, 2001. TAVARES, Rebeca. Rodas, cirandas da vida. Rio de Janeiro: Afonsus,2008. TAVARES, Rebeca. Ninando o ninar. Rio de Janeiro: Afonsus, 2010.

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