Graduation Thesis - The Multilatinas

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Graduation Thesis - The Multilatinas

  1. 1. FACULDADE IBMEC DE MINAS GERAIS Curso de Relações Internacionais João Paulo Veloso Assis Notini Cancado O CRESCIMENTO DAS MULTILATINAS E A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS MULTINACIONAIS BRASILEIRAS Belo Horizonte 2014
  2. 2. João Paulo Veloso Assis Notini Cancado O CRESCIMENTO DAS MULTILATINAS E A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS MULTINACIONAIS BRASILEIRAS Trabalho de monografia apresentado junto ao Curso de Relações Internacionais da Faculdade IBMEC de Minas Gerais, como requisito parcial à graduação. Área(s) de Concentração: Internacionalização de Empresas Orientador: Felipe Leroy Belo Horizonte 2014
  3. 3. João Paulo Veloso Assis Notini Cancado O CRESCIMENTO DAS MULTILATINAS E A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS MULTINACIONAIS BRASILEIRAS Trabalho de monografia apresentado junto ao Curso de Relações Internacionais da Faculdade IBMEC de Minas Gerais, como requisito parcial à graduação. Curso: Relações Internacionais Aprovado por: _________________________________________________ Dr. Felipe Lacerda Diniz Leroy (IBMEC MG) – Orientador _________________________________________________ Ms. Dorival Guimarães Pereira Júnior (IBMEC MG) – Examinador 1 __________________________________________________ Prof. Reginaldo Pinto Nogueira Júnior (IBMEC MG) – Examinador 2 Belo Horizonte, _____ de _________________ de 2014.
  4. 4. RESUMO O crescente sucesso do processo de internacionalização das multinacionais latino- americanas despertou o interesse de vários estudiosos que tentam compreender estes tipos de empresa, que passaram a ser conhecidas como multilatinas. Incluídas neste fenômeno estão as multinacionais brasileiras, que por encaixarem no grupo das multilatinas, apresentam características em comum com as demais. A maioria destas firmas utiliza do paradigma eclético de Dunning e do U-Model em sua internacionalização, por isso elas internacionalizam tendo vantagens competitivas, e um menor risco devido à semelhança cultural com o país de origem. O Ranking das Multilatinas e o Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras, além da série histórica de investimento direto estrangeiro da América Latina, mostram como elas estão expandindo e ganhando cada vez mais espaço dentre as empresas de países considerados desenvolvidos. Diante disto, este trabalho também analisa dois casos de sucesso, começando pela indústria brasileira de automotores, WEG, e depois a mexicana produtora de cimentos, CEMEX. Palavras-chave: Multilatinas. Multinacionais brasileiras. Paradigma eclético de Dunning. U-Model. Internacionalização. Investimento direto estrangeiro.
  5. 5. ABSTRACT The increasing success of the internationalization process of the Latin American multinationals have attracted the attention of many scholars, that try to comprehend this type of companies, which now are known as multilatinas. Included on this phenomenon are the Brazilian multinationals, and because they fit into the multilatinas group, they share similar characteristics. The majority of these firms adopt Dunning’s eclectic paradigm and the U-Model on their internationalization, which means that they expand with a competitive advantage, and with a low risk perspective due to the cultural similarity with their country of origin. The Multilatinas Ranking, plus the FDC Ranking of Brazilian Multinationals, and a series of the foreign direct investment indexes in Latin America, points out how these multinationals have been expanding and gaining space among the well-developed countries firms. Hence, this thesis also analyses two cases of success, beginning with the Brazilian motors industry WEG, followed by the Mexican cement maker CEMEX. Keywords: Multilatinas. Brazilian multinationals. Dunning’s eclectic paradigm. U- Model. Internationalization. Foreign direct investment.
  6. 6. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS IDE Investimento Direto Estrangeiro Outward FDI Investimento Direto no Estrangeiro U-Model Modelo Uppsala
  7. 7. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1 - Dados culturais entre Brasil e Estados Unidos .................................... 22 Quadro 2 - Dados culturais entre México e Espanha................................................ 23 Gráfico 1 - Comparativo cultural entre Brasil e Estados Unidos........................... 23 Gráfico 2 - Comparativo cultural entre México e Espanha...................................... 24 Gráfico 3 - Série histórica de 2000 a 2013 do outward FDI da América Latina (em milhões de dólares).................................................................................................... 26 Gráfico 4 - Receita de Vendas das 50 primeiras colocadas no Ranking das Multilatinas (em milhões de dólares) ............................................................................ 27 Gráfico 5 - Evolução dos índices de internacionalização médios das empresas brasileiras ............................................................................................................................. 28
  8. 8. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................9 2 METODOLOGIA............................................................................................................... 11 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................... 12 4 A WEG E A CEMEX, DOIS CASOS DE SUCESSO................................................... 17 4.1 A fabricante brasileira de motores elétricos, WEG............................................. 17 4.2 A indústria mexicana de cimentos, CEMEX.......................................................... 18 5 ANÁLISE DOS ESTUDOS DE CASO E DISCUSSÃO SOBRE ÍNDICES.............. 21 6 CONCLUSÃO .................................................................................................................... 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 31
  9. 9. 9 1 INTRODUÇÃO Estudos sobre empresas multinacionais latinas têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Essas empresas são denominadas “Multilatinas”, e muitos autores têm produzido materiais sobre estas firmas; sejam eles estudos teóricos ou empíricos; devido ao sucesso e o crescimento das mesmas nos últimos anos. Consoante a este fato, o sucesso da internacionalização das multinacionais brasileiras também tem sido foco de muitos pesquisadores e teóricos. O campo das relações internacionais é muito amplo. A globalização e o surgimento de novos atores certamente diminuiu a importância do Estado em diversas teorias, embora o mesmo continue a ser o principal agente das relações internacionais. Marques (2008) demonstra que ao longo do século XX outros atores internacionais além do Estado passaram a ter relevância na sociedade internacional, como por exemplo, as organizações internacionais, organizações não governamentais, e as empresas transnacionais. Diante deste fenômeno, o campo da internacionalização de empresas tem se tornado cada vez mais atrativo para profissionais da área de relações internacionais, envolvendo questões de análise. E são estas razões que o tema desta monografia visa contribuir para os estudos desta área, permitindo um entendimento maior de uma questão muito relevante para o cenário comercial internacional, que é a expansão e o crescimento das multinacionais latino-americanas. Segundo Santiso (2007) o mundo empresarial no comércio internacional passou por uma mudança significativa desde o final dos anos 1990. O surgimento de empresas multinacionais de países como China, Índia, Brasil, África do Sul e México tem tornado essas economias grandes investidoras do mercado internacional. Grandes empresas na América Latina são exemplos desse fenômeno, como a brasileira Vale e a mexicana Cemex. Olaya et al. (2012) destacam que embora o fenômeno de internacionalização de empresas de países emergentes não seja algo tão novo, as empresas de países
  10. 10. 10 latinos tiveram este processo mais tardio devido ao passado protecionista dos Governos da região. Para Ramsey e Almeida (2009) o enorme crescimento das multinacionais brasileiras nos últimos 15 anos não desconsidera os obstáculos e desafios que as mesmas enfrentam, sendo ainda que são poucas as empresas que possuem uma estratégia consistente. Assim, o principal objetivo deste trabalho é mostrar como e porque as multilatinas se internacionalizam. Além do mais, busca-se descobrir para onde elas se internacionalizam e qual a tendência percebida, destacando os fatores de sucesso dessas empresas na internacionalização. Um último foco, porém, é reforçar a literatura da área, através de uma revisão e agrupamento de materiais relevantes sobre o universo das multilatinas e das multinacionais brasileiras. Sendo assim, em um primeiro momento faz-se uma revisão do conceito e aborda teorias que explicam a internacionalização destas multinacionais. Posteriormente são citados dois estudos de caso de empresas de destaque, sendo eles o estudo da brasileira WEG e outro da mexicana CEMEX. E por fim são apresentados alguns índices, além de alguns dados do Ranking das Multilatinas e do Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras, que corroborem as análises.
  11. 11. 11 2 METODOLOGIA O presente trabalho utiliza do método monográfico, através de uma revisão da literatura que explique o que são as multilatinas, e que indique as características do processo de internacionalização deste tipo de empresas. Segundo Marconi e Lakatos (2003), a vantagem deste método é agrupar elementos em um mesmo grupo devido à suas características em comum, evitando analisá-los em separado, o que poderia gerar uma análise prematura destes elementos. Para isto, serão utilizados dois estudos de caso. O primeiro é o da WEG, que é uma multinacional brasileira de motores elétricos. O segundo é o da CEMEX, que é uma multinacional mexicana de cimentos. Outro método empregado é o histórico. Ele permite compreender como se deu os processos de internacionalização dos casos de empresas que representam o fenômeno das multilatinas, e que hoje são exemplo de sucesso. Marconi e Lakatos (2003) explicam que este método facilita no elo dos acontecimentos e fatos desde o passado até o presente, explicando o desenvolvimento do que se está analisando. Dessa forma será avaliada índices de materiais empíricos como o Ranking das Multilatinas e o Ranking das Multinacionais Brasileiras da FDC, para corroborar as evidências de que as multilatinas estão crescendo e se tornando cada vez mais internacionalizadas nos últimos anos.
  12. 12. 12 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Nas últimas décadas o crescimento das multinacionais em países considerados em desenvolvimento tem sido um fenômeno que desperta muito interesse dentre os estudiosos da área. Dentro deste fenômeno, destacam-se as multinacionais latino-americanas provenientes principalmente do Brasil, México, e Chile. Ao analisarmos pesquisa do Ranking das Multilatinas 2013, elaborado pela América Economía Intelligence, percebemos esta evidência, uma vez que a maioria das empresas é originada destes países. A pesquisa contou com uma amostra de 80 empresas latino-americanas dos seguintes países: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Peru e Venezuela. O que vale a pena ser observado é o efeito da crise mundial de 2008. As vendas destas empresas no exterior caíram significativamente neste ano. No entanto, a partir de 2009 a taxa de crescimento das vendas foi retomada, e tem aumentado significativamente nos anos subsequentes até 2012, comprovando o sucesso das multinacionais latino-americanas no exterior. Toledo (2008) indica que os principais setores dessa expansão são os de telecomunicações, mineração, aço, alimentos, bebidas, varejo, aviação e mídia. Vários autores têm utilizado o termo multilatinas para designar estes tipos de multinacionais. No entanto, um conceito se destaca. O termo foi explicado a primeira vez por Cazurra (2010), em seu artigo “Multilatinas”. Segundo Cazurra, estas são empresas originadas de países colonizados pela Espanha, Portugal ou França, no continente Americano, que tenham operações fora. Cazurra (2010) enfatiza que este processo de internacionalização de empresas latino-americanas não é algo tão recente, haja vista o caso da Alpargatas (Argentina) que se internacionalizou em 1890. O fato é que existiram diversos momentos ao longo da história que impactaram na expansão destas firmas.
  13. 13. 13 O crescimento das multilatinas acompanhou o crescimento das demais multinacionais de países emergentes. Goldstein (2009) afirma que entre as décadas de 1980 e 1990, essas firmas tiveram sucesso sobre as multinacionais dos países da OCDE, principalmente devido a regimes regulatórios pró-mercado e também pós Consenso de Washington. No caso da América Latina, este sucesso ocorreu, pois a maioria das indústrias era estatal, e por isso elas tinham vantagem competitiva em “terceiros mercados” ao competirem com as firmas da OCDE. Ainda, de acordo com Goldstein (2009), outro motivo para tal sucesso foi a capacidade dessas empresas de explorar as oportunidades e operarem em ambientes turbulentos, através de soluções mais flexíveis que acompanhavam as mudanças do mercado. É importante explicar que o IDE na América Latina passou por três fases ao longo da história. De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o primeiro período abrange até o meio da década de 1980, o segundo a partir de meados da década de 1980 até meados da década de 1990, e o terceiro a partir de meados da década de 1990 até os dias de hoje, onde o IDE tem aumentado exponencialmente. Este é a razão que explica o fato de que a expansão dessas empresas está muito mais dinâmica desde o final dos 1990. Com relação à forma de internacionalização dessas multinacionais, Cazurra (2008) sustenta que dois modelos de internacionalização via IDE foram fundamentais para o processo das multilatinas. O primeiro é o paradigma eclético de Dunning (2000) e o outro é o Modelo Uppsala ou U-Model (JOHANSSON e VAHLNE, 1977). Dunning (2000) explica que o paradigma eclético é uma estrutura analítica que busca explicar que a decisão de se produzir em um mercado estrangeiro, bem como a dimensão, a localização geográfica e a composição industrial de uma multinacional, advêm da interação de três variáveis interdependentes. A primeira delas é chamada de vantagens específicas de propriedade, ou seja, a firma deve analisar quais as vantagens competitivas ela possui sobre suas competidoras no mercado em que ela deseja atuar. A segunda chama-se vantagem de localidade, ou
  14. 14. 14 seja, quais são as vantagens que o ambiente de destino poderá oferecer para empresa (envolve recursos naturais, preço da mão de obra, etc.). Por fim existe a vantagem de internalização, que está ligada às competências da própria empresa que controla e gerencia seus recursos e os riscos, e verticaliza sua cadeia de valor sem depender de outros, o que gera uma vantagem competitiva no mercado de destino. Já o U-Model, elaborado por Johansson e Vahlne (1977), é outro modelo bastante empregado e discutido em muitas literaturas da área até hoje. Neste caso, a internacionalização das empresas seria algo que ocorreria de forma gradual, comprometendo cada vez mais recursos à medida que expandem suas atividades no exterior. No entanto, para a tomada de decisão do comprometimento dos recursos para a internacionalização, as firmas tentariam minimizar o risco. Por isso diferenças culturais (psíquicas) entre o país de origem e o de destino são consideradas, bem como a distância geográfica entre eles. Dessa maneira, as firmas prefeririam internacionalizar para países com baixa distância psíquica e geográfica, pois teoricamente o risco será menor. Para corroborar a ideia de que as multilatinas tendem a internacionalizar pelo U- Model, basta analisarmos o Ranking das Multinacionais Brasileiras 2014, elaborado pela Fundação Dom Cabral. A pesquisa; que teve como amostra 52 firmas; mostrou que o número total de países com presença de empresas brasileiras em 2013 por IDE era 89. O ponto relevante, é que a maioria tinha operações na América do Sul, e dos sete países com maior presença de multinacionais brasileiras, cinco eram sul- americanos. Após considerar estes dois modelos, Cazurra (2008) afirma que as multilatinas também passaram por três estágios na internacionalização: a implantação de subsidiárias de marketing, a implantação de subsidiárias de produção ou uma mistura das duas nos países de destino. Estas empresas também foram emergentes e tiveram que construir seu sucesso passo a passo, à medida que se internacionalizavam. Como a maioria delas eram
  15. 15. 15 entrantes tardias, algumas tiveram que criar alguma de romperem com a desconfiança do mercado. Por isso, como a maioria das empresas que entram em um mercado novo e já desenvolvido, elas devem criar um “rito” naquele mercado onde se havia um “mito”, que faça com que elas se diferenciem das demais, como por exemplo, dando garantias mais extensas de seus produtos ou serviços (MEYER e ROWAN, 1977). Casanova (2010) explica como elas conseguiram criar uma vantagem competitiva com a internacionalização. Em conformidade com o estudo de Chandler (1962) das empresas americanas, há um processo de aprendizagem no ambiente de destino, que faz com que cada estrutura operacional adapte sua estratégia de acordo com o mercado. “As empresas emergentes nem sempre iniciam sua expansão com uma vantagem competitiva clara, mas vão adquirindo isto no seu processo de internacionalização. Dessa forma se produz um círculo vicioso, por onde se entende a internacionalização como um processo de aprendizagem que se traz de volta à matriz, e assim vai se construindo a vantagem competitiva”. (CASANOVA, 2010, p. 442). Vale destacar, porém, alguns problemas que muitas vezes atrapalham este sucesso dessas empresas. Segundo Toledo (2008) um dos problemas das multilatinas é a necessidade de saber gerenciar projetos, o que ajudaria significativamente na expansão das mesmas. A necessidade de lidar com muitas subsidiárias em diferentes países requer uma estrutura de gerenciamento de projetos bem elaborada metodologicamente. “Multilatinas tradicionalmente têm pequenas margens de lucro e possuem estruturas de custo rígidas e frugais. Apesar de tudo, a compreensão do que é gerenciamento de projetos ainda não é completamente compreendida.” (TOLEDO, 2008, p.2). Esta falta de habilidade para gerenciar projetos de expansão no exterior, comprova a preferência das multilatinas pelo U-Model, ao se internacionalizarem para os países mais próximos, com menores distâncias psíquicas e maior similaridade cultural, o que seriam os próprios países latino-americanos.
  16. 16. 16 Não obstante a este fato, Cazurra (2008) explica que embora o processo de internacionalização das multilatinas esteja sendo muito rápido, a tradição das empresas latino-americanas sempre foi a exportação. Isto explica esta “falta de habilidade” em gerenciar os projetos de internacionalização, e a falta de experiência com o processo. Somente recentemente estas empresas resolveram adicionar valor em suas operações no exterior ao praticarem IDE (CAZURRA, 2008). Segundo Santiso (2008) estas multilatinas surgiram do mecanismo pull-push, ou seja, por oportunidades no exterior ou por força do próprio mercado interno que “empurrou” estas empresas para outros mercados. No caso da maioria dessas empresas, a internacionalização foi recente, e a causa foi a saturação do mercado interno, o que forçou as mesmas a expandirem para o exterior. No Brasil, Almeida e Ramsey (2010) explicam que a falta de infraestrutura descente, e a ausência de políticas governamentais e de programas que apoiem as empresas a expandirem para o exterior, geram problemas. Outros fatores que dificultam a internacionalização é a complexidade de transferir a vantagem competitiva que a multinacional possui no Brasil para as unidades no exterior, bem como o etnocentrismo da gestão da maioria das firmas. Após esta breve revisão do que são as multilatinas e do contexto que as mesmas se encaixam, o próximo capítulo exemplifica com dois estudos de caso sobre como se deu o processo de internacionalização desses tipos de empresa.
  17. 17. 17 4 A WEG E A CEMEX, DOIS CASOS DE SUCESSO As empresas brasileiras sempre tiveram dificuldades para competirem e atuarem em mercados estrangeiros e ambientes desconhecidos, muito pela baixa capacidade competitiva e pela pouca experiência de seus gestores (ALMEIDA, 2007). No entanto, conforme foi apresentado anteriormente, é comum que empresas emergentes não tenham na maioria das vezes uma vantagem competitiva clara na internacionalização, pois elas vão adquirindo isto durante o próprio processo (CASANOVA, 2010). Neste capítulo são retratados brevemente dois estudos de caso, de duas multilatinas de sucesso que conseguiram romper com as barreiras para a internacionalização. O primeiro, é o caso da brasileira WEG, e o segundo, da mexicana CEMEX. 4.1 A fabricante brasileira de motores elétricos, WEG A WEG foi criada em 1961, com o nome de Eletromotores Jaraguá. No entanto, seu processo de internacionalização começou dez anos mais tarde, em 1971, quando a mesma começou a exportar sua nova linha de motores para os Estados Unidos e depois para a Europa (NETO, 2007). Não obstante, somente no início da década de 1980, quando ela tinha a maior parte do mercado brasileiro, é que se percebeu a necessidade de investir ainda mais no exterior. Segundo Neto (2007), a possibilidade de monopolização do mercado doméstico que geraria uma reação dos órgãos brasileiros antitruste, e o baixo crescimento, fizeram com que ela buscasse outros países. Isto caracteriza um push, do mecanismo pull-push (Santiso, 2008) do mercado brasileiro para que a WEG se internacionalizasse. Esta estratégia de penetração em mercados estrangeiros durou até meados da década de 1990, e após a WEG estar atuando em mais de 100 países, ela começou a preparar seu pessoal para enfrentar as barreiras e dificuldades de uma atuação efetiva e presencial nos mercados estrangeiros (NETO, 2007).
  18. 18. 18 Conforme Neto (2007) explica, a WEG iniciou seu IDE primeiro avaliando os riscos dos mercados. Posteriormente ela adotou outro modo de entrada além da exportação, que foi a representação, em vários países. Por fim, a WEG resolveu que seria mais eficiente implantar filiais de vendas no exterior, e assim o fez, com ênfase nos Estados Unidos. De acordo com o Ranking FDC das Multinacionais, este também foi o primeiro país a receber uma de suas filiais, em 1991. “Partindo de incursões já feitas, o primeiro passo foi avaliar como atender os mercados mais exigentes, como o europeu e o americano, analisando o que era demandado, quais os concorrentes, os preços praticados, a distribuição, etc. Em seguida, foram realizadas as modificações necessárias à adequação tecnológica e à certificação de qualidade de cada país. O próximo passo foi nomear representações em diversos mercados. Depois, com a percepção de que atuaria melhor se tivesse sua própria estrutura no exterior, a WEG implantou filiais de vendas em outros países, dando prioridade aos Estados Unidos”. (NETO, D.T. Como as empresas brasileiras estão enfrentando os desafios da internacionalização. In: ALMEIDA, A. Internacionalização de empresas brasileiras: perspectivas e riscos. 2007, p. 125). Cada subsidiária tem um aspecto específico em cada mercado. A WEG inicia sua atuação na maioria das vezes tendo como principal produto os motores elétricos pequenos, e ao desenvolver sua filial e o mercado, novos produtos são implementados no portfólio da empresa. E graças à verticalização do seu processo de produção no Brasil e o sucesso no mercado brasileiro, a WEG, teve condições de se expandir para o exterior gradualmente (NETO, 2007). A WEG ocupa a 22.º posição no Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras 2014, com um índice de transnacionalidade de 28,1%. Ela é a segunda empresa do ranking que possui mais subsidiárias por número de países, totalizando 31 e perdendo somente para a Stefanini que possui 32. Já no Ranking das Multilatinas, a WEG ocupa a 40° posição, com índice de internacionalização de 59,91%. 4.2 A indústria mexicana de cimentos, CEMEX A CEMEX foi criada em 1906, com o nome de Cementos Hidalgo. Ao longo dos anos, ela fez diversas aquisições e dominou completamente o mercado mexicano. Porém a internacionalização da CEMEX iniciou somente da década de 1990, com
  19. 19. 19 várias aquisições de empresas espanholas e latino-americanas. O primeiro país de destino foi a Espanha, em 1992, onde ela adquiriu duas poderosas empresas de cimento naquele país e que permitiu a inserção internacional. Segundo Borini, Fleury e Urban (2009), a sede da CEMEX sempre manteve um padrão nas suas internacionalizações, baseados na atratividade do mercado e proximidade cultural, mais uma vez remetendo ao U-Model. Ainda, segundo os autores, enquanto várias empresas percebiam alguns mercados como sendo ambientes de risco, a empresa percebia como uma oportunidade de vantagem. Isto porque a CEMEX já estava acostumada, assim como a maioria das empresas multilatinas, a lidarem com um mercado doméstico conturbado, devido à problemas urbanos de logística e institucionais. “A matriz da CEMEX orientou o processo de internacionalização baseando- se na atratividade do mercado e na proximidade cultural. Enquanto lidar com ambientes caóticos era visto como uma ameaça, para esta empresa isto era na verdade uma fonte de vantagem.” (BORINI; FLEURY; e URBAN, 2009, p. 72) Outro fator que favoreceu a CEMEX foi a criação de um sistema integrado e eficiente de informação entre matriz e as filiais. Este sistema foi elaborado pelo então presidente em 1990, Lorenzo Zambrano. Isto favoreceu a logística, o relacionamento com o cliente, e a gestão eficiente de todas as suas unidades (Borini, Fleury e Urban, 2009). Em 2005, segundo o estudo de Lessard e Luscea (2008) o sistema estava sendo implementando em suas 77 filiais pelo mundo, a partir da matriz no México. “Em suma, a CEMEX desenvolveu um sistema sofisticado e eficaz para gerenciar riscos de propriedade ou casualidade decorrentes de suas operações. Este sistema foi projetado e monitorado a partir da sede da empresa no México, e tem sido implementado em todas as suas 77 fábricas pelo mundo. A sua eficácia reside fundamentalmente em um conjunto de processos meticulosamente desenhados, ferramentas e métricas, que fazem o sistema altamente transmissível entre regiões geográficas.” (LESSARD; LUCEA, 2009, p. 6) Isto mostra a alta capacidade de decoupling (Rugman e Verbeke, 2008) da empresa mexicana, pois ela pode desenvolver estratégias regionais a partir da sua matriz, que facilita sua adaptação no ambiente de destino.
  20. 20. 20 Por fim, a CEMEX conseguiu o rompimento de um mito e a criação de um rito de mercado (Meyer e Rowan, 1977), ao dar garantias sobre a entrega da argamassa de cimento ao cliente, em um tempo muito menor do que o que era o padrão. De acordo com Borini, Fleury e Urban (2009), Zambrano queria que a empresa se diferenciasse das demais. Os autores afirmam que no início dos anos 1990, era comum que a argamassa de cimento fosse entregue em um dia após o pedido, com uma possibilidade de três horas de atraso. No entanto, a firma conseguiu aperfeiçoar isto, e reduzir este tempo para somente duas horas, e com possibilidade de atraso de apenas 20 minutos. Com isto, a CEMEX conseguiu se sobressair diante de seus competidores, que incluem desde aqueles da própria região, quanto empresas de outras regiões do mundo. Ela e é referência dentre as multilatinas, e não é por menos que ocupa a primeira posição no Ranking das Multilatinas, dentre 100 poderosas multinacionais da região. Atualmente segundo este ranking, ela atua em 34 países dispersos em 8 zonas geográficas pelo mundo.
  21. 21. 21 5 ANÁLISE DOS ESTUDOS DE CASO E DISCUSSÃO SOBRE ÍNDICES Relacionando, portanto, os dois estudos de caso retratados, percebemos algumas convergências do processo de internacionalização e das estratégias empregadas por ambas as empresas, e que comprovam também as teorias anteriormente discutidas sobre as multilatinas. Em primeiro lugar, tanto a WEG quanto a CEMEX são empresas de países emergentes como todas as demais multilatinas. Elas se internacionalizaram via IDE somente no início da década de 1990, correspondendo como observamos anteriormente, ao terceiro e atual ciclo de IDE na América Latina, onde o mesmo cresce exponencialmente devido ao fim do protecionismo excessivo dos governos locais. Por isso, elas optavam por ganhar espaço no mercado doméstico e exportar para outros mercados, antes de pretenderem investir diretamente em algum país. Somente após a WEG se tornar líder do mercado de automotores brasileiro e, no caso da CEMEX, a mesma conquistar praticamente todo o mercado de cimentos mexicano, é que estas empresas perceberam que para continuar crescendo elas precisariam estar presentes em outros mercados. A escolha do modo de entrada, através no caso da WEG da abertura de uma filial de vendas e no da CEMEX, através de aquisições, é algo comum na maioria dos casos. Já a opção pelo mercado de destino dessas empresas para receberem a primeira subsidiária é concernente ao U-Model, que como observamos, é muito característico das multinacionais emergentes e principalmente das multilatinas. No caso, a WEG escolheu os Estados Unidos, que é um país culturalmente similar aos países latinos, o que inclui o Brasil. Já a CEMEX optou pela Espanha, que é muito similar culturalmente aos países da América Latina. O U-Model implica que a baixa distância psíquica entre Espanha e Estados Unidos relacionados aos países latinos, fez com que o risco percebido por estas empresas
  22. 22. 22 diminuísse, mesmo que no caso, a distância geográfica seja grande entre Brasil e Estados Unidos, e México e Espanha. Essa similaridade cultural pode ser comprovada pelo índice Globe de dimensões culturais (vide Quadros 1 e 2, e Gráficos 1 e 2), apesar de haverem diferenças em algumas delas. Quadro 1 - Dados culturais entre Brasil e Estados Unidos Dimensão Cultural nas "Práticas Sociais" País Brasil Estados Unidos Orientação para o Desempenho 4,0 4,49 Agressividade 4,2 4,55 Orientação para o Futuro 3,81 4,15 Orientação Humana 3,66 4,17 Coletivismo Institucional 3,83 4,2 Coletivismo do Grupo 5,18 4,25 Igualitarismo entre os Gêneros 3,31 3,34 Distância de Poder 5,33 4,88 Aversão à Incerteza 3,6 4,15 Fonte: Culture, Leadership, and Organizations. The GLOBE Study of 62 Societies. O projeto GLOBE das dimensões culturais é resultado de uma pesquisa realizada por House et al. (2004) que definiu nove dimensões de análise da cultura de 62 países. Estas dimensões são: “orientação para o desempenho”, “agressividade”, “orientação para o futuro”, “orientação humana”, “orientação institucional”, “coletivismo em grupo”, “igualitarismo entre os gêneros”, “distância de poder” e “aversão à incerteza”.
  23. 23. 23 Quadro 2 - Dados culturais entre México e Espanha Dimensão Cultural nas "Práticas Sociais" País México Espanha Orientação para o Desempenho 4,1 4,01 Agressividade 4,45 4,42 Orientação para o Futuro 3,81 3,51 Orientação Humana 3,98 3,32 Coletivismo Institucional 4,06 3,85 Coletivismo do Grupo 5,71 5,45 Igualitarismo entre os Gêneros 3,64 3,01 Distância de Poder 5,22 5,52 Aversão à Incerteza 4,18 3,97 Fonte: Culture, Leadership, and Organizations. The GLOBE Study of 62 Societies. No Gráfico 1, a comparação entre Brasil e Estados Unidos sugere que as culturas são bem similares em oito das nove dimensões de análise. A diferença mais evidente está no índice de “coletivismo do grupo” (5,18 para o Brasil, e 4,25 para os Estados Unidos), demonstrando a tendência individualista da sociedade americana, comparada à brasileira. Isto mostra que o americano valoriza menos os grupos, como os familiares, sociais e organizacionais. Gráfico 1 - Comparativo cultural entre Brasil e Estados Unidos Fonte: Culture, Leadership, and Organizations. The GLOBE Study of 62 Societies. 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 Orientação para o Desempenho Agressividade Orientação para o Futuro Orientação Humana Coletivismo InstitucionalColetivismo do Grupo Igualitarismo entre os Gêneros Distância de Poder Aversão à Incerteza Brasil Estados Unidos
  24. 24. 24 No Gráfico 2 percebe-se que México e Espanha apresentam culturas ainda mais parecidas. Existe uma pequena diferença no índice de “igualitarismo entre os gêneros” (3,64 para o México, e 3,01 para a Espanha) e no índice de “orientação humana” (3,98 para o México, e 3,32 para a Espanha). Isso demonstra uma leve tendência dos espanhóis em prezar menos por valores humanitários como a generosidade, atenção com o próximo, e a própria igualdade entre os gêneros dentro da sociedade em comparação com os mexicanos. Gráfico 2 - Comparativo cultural entre México e Espanha Fonte: Culture, Leadership, and Organizations. The GLOBE Study of 62 Societies. Outra teoria que pode ser aplicada nos dois estudos de caso é o paradigma eclético de Dunning no processo de internacionalização dessas firmas. No quesito vantagens de propriedade, a WEG muitas das vezes penetra em um novo mercado através dos motores elétricos pequenos, que são o principal produto da empresa, e na qual ela possui vantagem competitiva de produção sobre a concorrência. Já a vantagem de propriedade da CEMEX foi a criação de um sistema integrado de informação entre a matriz e as filiais, e que agilizava toda a cadeia de produção e de entrega do seu produto, superando a concorrência no mercado de destino. 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 Orientação para o Desempenho Agressividade Orientação para o Futuro Orientação Humana Coletivismo InstitucionalColetivismo do Grupo Igualitarismo entre os Gêneros Distância de Poder Aversão à Incerteza México Espanha
  25. 25. 25 No que tange as vantagens de localidade, os Estados Unidos no caso da WEG representam um grande mercado, estável e próspero para se abrir uma filial, e onde a empresa já tinha uma experiência prévia através de representantes. Por outro lado, no caso da CEMEX, a mesma optou por adquirir duas grandes empresas espanholas, o que fez com que a firma mexicana tivesse logo de início uma relevante presença internacional. Por fim, com relação às vantagens de internalização, fica claro que nos dois casos as duas empresas internacionalizaram sem depender de parceiros. O modo de entrada não foi por parceria, licenciamento ou joint venture, o que torna a firma responsável por criar e organizar sua cadeia de valor, produzindo por conta própria. A WEG iniciou suas operações de IDE nos Estados Unidos abrindo uma filial própria de vendas, e no caso da CEMEX o modo de entrada foi por aquisição, criando subsidiárias produtivas. Além destes dois estudos caso, um ponto que vale ser analisado é o crescimento do IDE dos principais países da América Latina em outros países, chamado de outward FDI. Os dados foram calculados considerando a média dos anos de 2000 a 2005 (vide Gráfico 1). Observa-se que estes países têm aumentado seu outward FDI a partir de 2005 graças aos contínuos investimentos das multinacionais destes países em outros mercados. Com exceção do ano de 2009, devido à crise de 2008, o crescimento continuou, embora o Brasil tenha um destaque negativo nos últimos anos, pelo déficit apresentado.
  26. 26. 26 Gráfico 3 - Série histórica de 2000 a 2013 do outward FDI da América Latina (em milhões de dólares) Obs.: Os dados de 2013 foram atualizados de acordo com a divulgação oficial da CEPAL em 24 de outubro de 2014. Fonte: CEPAL, Foreign Direct Investment in Latin America and the Caribbean, 2013. Porém, se observarmos a receita de vendas das 50 primeiras colocadas no Ranking das Multilatinas de cada ano ao longo dos últimos cinco, percebemos que elas vêm aumentando, com uma média de 11,23% ao ano, com destaque para 2013 (vide Gráfico 4). 533 2439 1504 1391 712 965 1488 1052 1098 2513 28202 7067 20457 -10084 11588 -1029 -2821 -3495 1988 2212 4852 9151 7233 9461 20252 22330 10923 1157 1098 913 2486 3348 6893 8304 -606 7652 2909 5758 8256 1157 9604 15050 12636 22470 13204 809 1524 43 1598 2236 1776 -1141 2460 2152 9909 41233 22635 36240 13049 45733 40510 44885 31534 -20000 -10000 0 10000 20000 30000 40000 50000 2000-2005 (Média) 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Argentina Brasil Chile Colombia México Venezuela TOTAL
  27. 27. 27 Gráfico 4 - Receita de Vendas das 50 primeiras colocadas no Ranking das Multilatinas (em milhões de dólares) Fonte: América Economía, Ranking das Multilatinas dos anos 2010, 2011, 2012 e 2013. Especificamente no caso das empresas brasileiras, também não podemos dizer que as multinacionais acompanharam o déficit de investimento no exterior do país, pois se observarmos o Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras de 2014, percebemos que de 2011 para 2012 o índice geral de transnacionalidade aumentou 3,1%, e mesmo que um pouco mais baixo, de 2012 para 2013 o aumento foi de 1,6% (vide Gráfico 5). Sendo assim, as empresas brasileiras continuam se tornando também mais internacionalizadas. 474,734.50 607,869.90 623,231.20 611,319.70 788,954.00 0.00 100,000.00 200,000.00 300,000.00 400,000.00 500,000.00 600,000.00 700,000.00 800,000.00 900,000.00 2009 2010 2011 2012 2013
  28. 28. 28 Gráfico 5 - Evolução dos índices de internacionalização médios das empresas brasileiras Fonte: Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras 2014. 21.2% 22.6% 17.0% 18.0% 23.0% 24.8% 18.8% 21.3% 24.6% 27.6% 19.1% 22.9% 0.0% 5.0% 10.0% 15.0% 20.0% 25.0% 30.0% Índice de Receitas Índice de Ativos Índice de Funicionários Índice de Transnacionalidade 2011 2012 2013
  29. 29. 29 6 CONCLUSÃO O objetivo deste trabalho foi tentar demonstrar como as multilatinas se desenvolveram e continuam se desenvolvendo, o que desperta o interesse de cada vez mais acadêmicos. A análise teórica mostrou que vários autores possuem uma ideia similar sobre as multilatinas. Mesmo que algumas empresas tenham se internacionalizado antes, como a Alpargatas no final do século XIX, foi a partir da década de 1980 com o final do protecionismo dos governos da região que as empresas dos países da América Latina começaram a se desenvolver. Um aspecto muito comum é o fato de que a internacionalização se dá após as firmas conquistarem o mercado doméstico, e não encontrarem alternativas para continuarem crescendo senão a de buscar outros mercados no exterior. Também foi apresentada uma tendência das empresas em se internacionalizarem pelo U-Model, devido à diminuição do risco no mercado de destino, provocada pela baixa distância geográfica em alguns casos, e pela semelhança cultural entre os países. Outra teoria que é bastante familiar é o paradigma eclético de Dunning, que mostra que as empresas de modo geral não se internacionalizam sem terem algum tipo de vantagem competitiva. Apesar de que ao longo dos últimos dez anos, o outward FDI da América Latina tenha oscilado algumas vezes, o crescimento das multilatinas continuou. Mesmo no caso do Brasil que apresentou déficits, percebemos que o índice de transnacionalidade geral das empresas tem aumentado. Pode-se dizer, portanto que estas firmas devem continuar a ter sucesso nos mercados estrangeiros, mesmo que sofram alguns problemas como a falta de gerenciamento de projetos, ou no caso do Brasil, por exemplo, a falta de subsídios governamentais.
  30. 30. 30 Os estudos de caso ajudaram a demonstrar e deram base para sustentar os modelos e discussões apresentados no capítulo teórico. Porém, alguns pontos devem ser considerados. Primeiramente, os modelos e os autores aqui discutidos, não representam todo o escopo de teorias que se aplicam às multilatinas e não necessariamente as abordagens aqui demonstradas se aplicam para todos os casos. Da mesma forma, os cases aqui discutidos representam o sucesso de grandes multinacionais que já têm suas operações consolidadas. Sendo assim, é complicado inferir que existe um padrão na internacionalização das mesmas considerando somente estes dois estudos de caso e os índices aqui apresentados. Por ser um campo que vem recebendo atenção somente na última década, embora o fenômeno das multilatinas não seja tão recente, é preciso que as pesquisas continuem para reforçar a literatura da área. Por isso, vale a pena considerar empresas de uma gama maior de países que também fazem parte das multilatinas e avaliar as similaridades existentes entre elas para que se tenha uma maior assertividade teórica. Também é preciso analisar outros índices de desenvolvimento, sejam eles referentes aos países ou às próprias multinacionais, para que se possa ter um embasamento empírico mais concreto. Mesmo que esses tipos de firma tenham demonstrado um crescimento geral principalmente nos últimos cinco anos, é importante ressaltar que a internacionalização é um processo dinâmico e que deve ser acompanhado. Porém o que elas têm demonstrado até aqui, é que as empresas dos países considerados desenvolvidos têm perdido espaço para as surpreendentes multinacionais latino- americanas.
  31. 31. 31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, A. Internacionalização de empresas brasileiras: perspectivas e riscos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. ALMEIDA, A. e Ramsey, J. A Ascensão das Multinacionais Brasileiras. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2010. AMÉRICA ECONOMÍA. Las empresas más globales de la región. Relatório de Pesquisa, 2010. AMÉRICA ECONOMÍA. Las empresas más globales de la región. Relatório de Pesquisa, 2011. AMÉRICA ECONOMÍA. Las empresas más globales de la región. Relatório de Pesquisa, 2012. AMÉRICA ECONOMÍA. Las empresas más globales de la región. Relatório de Pesquisa, 2013. AMÉRICA ECONOMÍA. Las empresas más globales de la región. Relatório de Pesquisa, 2014. BORINI, F.M.; FLEURY, M.T.L. e URBAN, T.P. Internationalization strategies and the architectures of competences of first and late movers: A case study in the cement industry. Economia Global e Gestão, v. 14, vol.14, n.1, pp. 61-80, 2009. CASANOVA, L. Las Multinacionales Latinoamericanas en los Albores de una Gran Oportunidad. RAE, São Paulo, v.50, n.3, p. 439-445, 2010. CEMEX – Our History. Disponível em: < http://www.cemex.com/AboutUs/History.aspx> Acesso em: 24 set. 2014. CHANDLER, A. Strategy and structure. Cambrige: MIT Press, 1962. CUERVO-CAZURRA, Á. Multilatinas. Universia Business Review, v.25, p. 14-3, 2010.
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