CRIATIVIDADE E PROPAGANDANoções de CriatividadeAfinal de contas, o que é "criatividade"? Não há um consenso sobre esteconc...
Teorias psicológicasAssociacionismo: as raízes do associacionismo remontam a John Locke, no século XIX.Parte do princípio ...
sintônica”, resultando em um comportamento criador, ou à revelia do ego, originando umaneurose. De qualquer forma, Freud d...
enquanto o hemisfério direito seria especializado em padrões de pensamento que enfatizampercepção, síntese e o rearranjo g...
Seu propósito essencial, capital, não é interpretar, explicar, ou dignificar - mas persuadir,manipular. Dirá logo alguém q...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

3 p teorias_sobre_criatividade

424 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
424
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
12
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

3 p teorias_sobre_criatividade

  1. 1. CRIATIVIDADE E PROPAGANDANoções de CriatividadeAfinal de contas, o que é "criatividade"? Não há um consenso sobre esteconceito, apenas uma imensidão de divergências de opiniões e teorias. Nãoexiste uma concordância se a criatividade seria um aspecto distinto dainteligência ou uma faceta desta não explorada. Há ainda a questão darelatividade. O que é criativo hoje pode não o ser em outro momento. Tambémdiferentes níveis de criatividade têm sido apontados, discriminando-os comomais ou menos elevados.Um dos pontos que parecem ser comuns à maioria das teorias é o fato de quea criatividade "implica a emergência de um produto novo, seja uma idéia ouinvenção original, seja a reelaboração e aperfeiçoamento de produtos ou idéiasjá existentes. Também presente em muitas das definições propostas é o fatorrelevância, ou seja, não basta que a resposta seja nova; é também necessárioque ela seja apropriada a uma dada situação." (ALENCAR, Eunice M. L.Soriano. Criatividade. p. 15).Algumas teorias são apresentadas:Teorias sobre a CriatividadeTeorias filosóficasCriatividade como Origem Divina: o criador não seria dono de si mesmo, pois estaria apenasservindo de canal para o poder divino. É o caso das "revelações" dos profetas. Esta teoriacomeçou com Platão.Criatividade como loucura: defende o acesso criativo como um irromper da loucura, devido asua "espontaneidade" e "irracionalidade". Novamente, Platão é o formulador, não vendodiferença entre a visitação divina e a visitação da loucura. Também creditada à Antigüidade,esta explicação concebe a criatividade como forma de loucura, dada a sua aparenteespontaneidade e sua irracionalidade. Platão, novamente, parece haver visto pouca diferençaentre a visitação divina e o frenesi da loucura. Durante o século XIX, Lombroso (1891) alegouque a natureza irracional ou involuntária da arte criadora deve ser explicada patologicamente.Criatividade como gênio intuitivo: a criatividade é um dom natural, saudável e altamentedesenvolvido, fazendo parte da intuição do indivíduo. Esta explicação deve suas origens ànoção do gênio, surgida no fim do Renascimento, para explicar a capacidade criativa de DaVinci, Vasari, Telésio e Michelângelo. Durante o século XVIII, muitos pensadores associaramcriatividade e genialidade. Kant apud Kneller “entendeu ser a criatividade um processo natural,que criava as suas próprias regras; também sustentou que uma obra de criação obedece a leispróprias, imprevisíveis; e daí concluiu que a criatividade não pode ser ensinada formalmente”.Além de gênio, essa teoria identifica a criação como uma forma saudável e altamentedesenvolvida da intuição, tornando o criador uma pessoa rara e diferente. É a capacidade deintuir direta e naturalmente o que outras pessoas só podem apurar divagando longamente quecaracteriza essa teoria.Criatividade como força vital: reflexo da teoria da evolução de Darwin, a criatividade foiconsiderada como manifestação de uma força inerente à vida. Assim, a matéria inanimada nãoé criadora, uma vez que sempre produziu as mesmas entidades, como átomos e estrelas,enquanto a matéria orgânica é fundamentalmente criadora, pois está sempre gerando novasespécies. Um dos principais expoentes dessa idéia é Sinnott (1962), quando afirma que a vidaé criativa porque se organiza e regula a si mesma e porque está continuamente originandonovidades.
  2. 2. Teorias psicológicasAssociacionismo: as raízes do associacionismo remontam a John Locke, no século XIX.Parte do princípio de que:"o pensamento consiste em associar idéias, derivadas da experiência, segundo as leis dafreqüência, da recência e da vivacidade. Quanto mais freqüentemente, recentemente evividamente relacionadas duas idéias, mais provável se torna que, ao apresentar-se uma delasà mente, a outra a acompanhe.”Essa abordagem diz que, para se criar o novo, se parte do velho, em um processo de tentativae erro, por meio da combinação de idéias até que seja encontrado um arranjo que resolva asituação. Há algumas críticas contundentes a essa teoria, como coloca Kneller:“Dificilmente, entretanto, o associacionismo se adapta aos fatos conhecidos da criatividade.Pensamento novo significa que se retiraram do contexto idéias anteriores e se combinaramelas para formar pensamento original. Tal pensamento ignora conexões estabelecidas e cria assuas próprias. Não seria fácil atribuir as idéias de uma criação criativa a conexões entre idéiasderivadas de experiência pregressa, uma vez numa criança relativamente incriativaexperiências semelhantes podem deixar de produzir uma única idéia original. Na verdade, seriade esperar que a confiança nas associações passadas produzisse, em lugar de originalidade,respostas comuns e previsíveis.”Psicologia humanista: surgiu como uma forma de protesto à imagem limitada do ser humanoimposta pela psicanálise. Seus principais representantes são Maslow, Rollo May e Carl Rogers,e suas principais ênfases são o valor intrínseco do indivíduo, que é considerado como fim em simesmo; o potencial humano para desenvolver-se; e as diferenças individuais.Rogers (1959, 1962) apud Alencar (1993) considera que a criatividade é a tendência dohomem para atualizar-se e concretizar suas potencialidades. Para isso, deveria“(...) possuir três características:• abertura à experiência, a qual implica ausência de rigidez, umatolerância à ambigüidade e permeabilidade maior aos conceitos, opiniões,percepções e hipóteses;• habilidade para viver o momento presente, com o máximo deadaptabilidade, organização contínua do self e da personalidade;• confiança no organismo como um meio de alcançar o comportamentomais satisfatório em cada momento existencial.”Rogers, portanto, enfatiza a relação do sujeito com o meio e a sua própria individualidade,acreditando na originalidade e na singularidade.Maslow (1967, 1969) apud Alencar (1993) possui posição similar, considerando a abertura àexperiência como uma característica da criatividade auto-realizadora. Já Rollo May (1976)identifica a criatividade como saúde emocional e expressão das pessoas normais no ato de seauto-realizar. Como os demais humanistas, considera a interação pessoa-ambiente comofundamental para a criação. Assim, não basta apenas o impulso em auto-realizar-se: “tambémas condições presentes na sociedade, a qual deve possibilitar à pessoa liberdade de escolha eação”, fazem parte do processo criativo.Teoria psicanalítica: para Freud apud Alencar (1993), a criatividade está relacionada àimaginação, que estaria presente nas brincadeiras e nos jogos da infância. Nessas ocasiões, acriança produz um mundo imaginário, com o qual interage rearranjando os componentes dessemundo de novas maneiras. Da mesma forma, o indivíduo criativo na vida adulta comporta-sede maneira semelhante, fantasiando sobre um mundo imaginário, que, porém, discrimina darealidade. As forças motivadoras de tais fantasias seriam os desejos não satisfeitos, e cadafantasia, a correção de uma realidade insatisfatória. Essa característica de sublimação estariavinculada, portanto, à necessidade de gratificação sexual ou de outros impulsos reprimidos,levando o indivíduo a canalizar suas fantasias para outras realidades.Freud apud Kneller (1978) coloca a criatividade como resultado de um conflito no inconsciente(id). Este, mais cedo ou mais tarde, produz uma solução para o conflito, que pode ser “ego-
  3. 3. sintônica”, resultando em um comportamento criador, ou à revelia do ego, originando umaneurose. De qualquer forma, Freud deixa claro que a criação é sempre impelida peloinconsciente.Um aspecto importante na visão psicanalítica é a função do ego sobre as pressões doinconsciente:“No doente mental, o ego tende a ser tão estrito que barra todos, ou praticamente todos osimpulsos inconscientes, ou tão fraco que é freqüentemente posto de lado. Essa pessoa exerceexcessivo ou deficientíssimo controle; seu comportamento é altamente estereotipado eintelectualizado, ou espontâneo e estranho. Se o comportamento se alterna entre taisextremos, nunca se integra como o de alguém mentalmente são. É sempre rígido e habitual ocomportamento produzido apenas pelo ego, sem influência do inconsciente criador. (...) Poroutro lado, sempre que os impulsos criadores contornam inteiramente o ego, seus produtos,como nos sonhos e nas alucinações, podem ser altamente originais, mas sem muita relaçãocom a realidade. Sua criatividade é inútil (...).”Teoria Neopsicanalítica (neofreudianos): a criatividade não é produto do inconsciente (id), esim de uma outra entidade entre este e o ego: o pré-consciente. "A criatividade é umaregressão permitida pelo ego em seu próprio interesse, e a pessoa mais criativa é a que poderecorrer ao seu pré-consciente de maneira mais livre do que as outras. O pré-consciente é afonte da criatividade por causa da liberdade de reunir, comparar e rearranjar as idéias"(BARRETO, Roberto Menna. Criatividade em Propaganda. p. 90).Teoria da Gestalt: Wertheimer (1945) apud Kneller (1978) afirma que o pensamento criador éuma reconstrução de gestalts estruturalmente deficientes. A criação tem seu início com umaconfiguração problemática, que, de certa forma, se mostra incompleta, porém permite aocriador uma visão sistêmica da situação. A partir das dinâmicas, das forças e das tensões dopróprio problema, são estabelecidas linhas de tensão semelhantes na mente do criador. Para“fechar” a gestalt, deve-se restaurar a harmonia do todo. Nas palavras do próprio Wertheimer,“o processo todo é uma linha consciente de pensamento. Não é uma adição de operaçõesdíspares, agregadas. Nenhum passo é arbitrário, de função conhecida. Pelo contrário, cada umdeles é dado com visão de toda a situação.”A teoria da gestalt não explica como surge a configuração inicial, mesmo que problemática, apartir da qual o criador começa a desenvolver seu trabalho. É, portanto, incapaz de explicar acapacidade de fazer perguntas originais, não sugeridas diretamente pelos fatos a suadisposição. Entretanto, para resolver a gestalt, é necessária uma reorganização do campoperceptual, o que sugere a relação existente entre percepção e pensamento.Ciência CognitivaA Ciência Cognitiva apresenta a obra de um conjunto de disciplinas - filosofia, psicologia,computação, antropologia, sociologia, medicina... - e busca traçar um arcabouço teórico comsustentação multidisciplinar para a explicação de todos os processos mentais do ser humano.Até o momento, é o que existe de mais avançado em teorias para explicar a criatividade - e océrebro humano de forma geral.A Criatividade e o Papel dos Hemisférios CerebraisSegundo Katz (1978), as pessoas criativas discriminam dois aspectos: um relacionado a comoo problema que está sendo trabalhado é subitamente percebido sob um novo ângulo e outroreferente à elaboração, confirmação e comunicação da idéia original. Identificam-se, portanto,dois padrões de pensamento distintos – um deles capaz de reestruturar conceitos, e ou outro,de avaliá-los. Segundo autores como Torrance (1965), tais pensamentos ocorreriam em partesdistintas do cérebro: o primeiro no hemisfério direito, e o segundo, no esquerdo. Nas palavrasde Alencar (1993),“o que tem sido proposto é que cada hemisfério cerebral teria sua especialidade: o esquerdoseria mais eficiente nos processos de pensamento descrito como verbais, lógicos e analíticos,
  4. 4. enquanto o hemisfério direito seria especializado em padrões de pensamento que enfatizampercepção, síntese e o rearranjo geral de idéias.”Para a criatividade musical e artística, o hemisfério direito seria especialmente importante,facilitando o uso de metáforas, intuição e outros processos geralmente relacionados à criação.Há que se considerar, entretanto, o papel fundamental do hemisfério esquerdo em avaliar aadequação do que foi intuído – se a idéia atende aos requisitos da situação. Portanto, édelicado afirmar que a criatividade “reside” em um ou em outro hemisfério.A Criação Publicitária e a Inteligência ManipulativaErich Fromm, em seu livro "Psicanálise da Sociedade Contemporânea" (Ed. Zahar), apresentaa análise que me pareceu mais convincente das que conheço. Os animais, evidentemente,possuem inteligência, muitos em alto grau, uma inteligência perfeitamente apta aocomportamento criativo - mas uma inteligência invariavelmente manipulativa dascircunstâncias. Uma inteligência que os livra de problemas concretos e imediatos, ou que lhesgarante recompensas concretas e imediatas. Todo ato criativo do animal segue tal objetivo demanipulação do seu meio, com vista ao lucro real. (...)Já os homens possuem essa inteligência manipulativa, muitos em alto grau, e, além disso - oque os torna humanos - também uma outra forma de faculdade mental que os animais nãopossuem: a racionalidade. Esta é uma inteligência não condicionada aos ganhos materiais eimediatos, não ditada precipuamente por interesse material ou sensorial próprio - mas porgratificações muito mais complexas, psicológicas, espirituais. (...)A racionalidade é uma faculdade humana voltada não para a manipulação do mundo, mas parasua abrangência, sua compreensão (filosófica, artística ou científica). Por isso, suas soluçõesnesses campos compreendem, explicam e interpretam o mundo. E dignifica todos a quem édado o privilégio de partilhar seus valores.As soluções da inteligência manipulativa jamais, por definição própria, podem chegar aosestágios qualitativamente superiores, humanos, da Filosofia, Ciência e Arte - ficando, em seunível mais alto, no campo da Técnica.Essa dicotomia esclarece bem as "diferenças de inteligência" antes incompreensíveis:1ª) A do brilhante self-made man, com tremenda visão de negócios, ultracriativo na hora demodificar processos de produção e de abreviar o caminho para a fortuna, mas que não entendeum único capítulo de Montaigne, acha Marcel Proust o maior dos chatos e só avalia os quadrosde Picasso pelo preço dos marchands. Inteligente ou estúpido este homem? Responda semesnobismo: juntar o primeiro milhão de dólares é impossível a um indivíduo estúpido!2ª) E como explicar agora a performance de um Mozart, que, de acordo com todos ostestemunhos, não servia absolutamente para nada, exceto para a música? Como classificarBruckner que, fora de seu gênio na hora de compor, era um débil mental completo? Comoexplicar um Karl Marx, cujas idéias até hoje condicionam a nossa época, por bem ou por mal, econtudo era praticamente incapaz de ganhar um tostão, vivendo às expensas de um amigo, eacabando a vida em total penúria? Inteligentes ou estúpidos estes homens? Sem tantosdesses "falidos" e pobretões, a humanidade estaria paupérrima. Pior ainda, nem existiria comohumanidade.O importante é notar que a inteligência "animal", manipulativa das circunstâncias ambientais, eexercida em troca de recompensa concreta e imediata, não exclui necessariamente a facetahumana e compreendedora, a racionalidade. Voltaire ganhou muito dinheiro especulando naBolsa - e jamais deixou de ser Voltaire. Até mesmo esteticamente, prefiro saber de Picassoarquimilionário a ver van Gogh definhando na mais negra miséria. Principalmente, no estágioatual de riqueza do mundo. (...)A Propaganda não é uma Arte nem uma Ciência - para opinar nessa discussão acadêmica quejá vem se arrastando há tanto tempo. Ela é uma Técnica, manipulativa - o que a situadefinitivamente abaixo dos campos em que atuaram Galileu e Rodin.
  5. 5. Seu propósito essencial, capital, não é interpretar, explicar, ou dignificar - mas persuadir,manipular. Dirá logo alguém que a boa propaganda preocupa-se em explicar os usos de umproduto, por exemplo. Claro, e esse recurso (explicar o produto) é importantíssimo (...). Mas seele é importantíssimo, é para vender o produto! Nenhuma companhia no mundo gastariadinheiro explicando o uso de um produto sabendo que, com essa explicação, as vendas, porum motivo ou por outro, cairiam...Manipular não quer dizer enganar (basta consultar o dicionário); e aí vai a distância entre apropaganda profissional, exercida dentro das normas éticas, e a picaretagem, que por sinal sófunciona a curtíssimo prazo.Mas tampouco significa dignificar, ou morrer de respeito por quem é manipulado. A escala devalor - para julgar investimentos imprescindíveis e normalmente altos que toda campanharepresenta - é o sucesso, o retorno desse investimento com lucros, as vendas! Se o caminhopara tal passa pelo humor, vamos usar humor; se passa pelo esclarecimento detalhado, vamosusar o esclarecimento detalhado; e assim por diante.Como última conclusão dessa análise, note que a Propaganda exige uma inteligência inferior,ou melhor, a parte inferior, "animal", das potencialidades criativas de um publicitário.Isso justifica o que disse no primeiro capítulo, ou seja, que a criação em Propaganda é um atosimples, banal, intelectualmente primário." (BARRETO, Roberto Menna. Criatividade emPropaganda. p. 98-101).BIBLIOGRAFIAALENCAR, Eunice M. L. Soriano de. Criatividade. Brasília: Edunb, 1993BARRETO, Roberto Menna. Criatividade em propaganda. São Paulo: Summus,1982GARDNER, Howard. Mentes que criam: uma anatomia da criatividadeobservada através das vidas de Freud, Einstein, Picasso, Stravinsky, Eliot,Graham e Gandhi. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes,1987.YOUNG, James Web. Técnica para a produção de idéias. São Paulo: Nobel, 1994_____________________________________________________________________Créditos por todos os comentários ao prof. Bruno Carvalho Castro Souza

×