Livro logística em cadeia de suprimentos

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Livro logística em cadeia de suprimentos

  1. 1. Logística eCadeia de Suprimento Professores Allan Augusto Platt Rogério da Silva Nunes
  2. 2. Universidade Federal de Santa Catarina Centro Sócio-Econômico Departamento de Ciências da AdministraçãoLogística e Cadeia de Suprimento Professores Allan Augusto Platt Rogério da Silva Nunes Florianópolis 2007
  3. 3. Copyright 2007 © Departamento de Ciências da Administração CSE/UFSC. P719l Platt, Allan Augusto Logística e cadeia de suprimento / Allan Augusto Platt, Rogério da Silva Nunes. – Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC, 2007. 88p. Inclui bibliografia Curso de Capacitação a Distância 1. Logística. 2. Administração de empresas. 3. Cadeia de suprimentos – Administração. 4. Educação a distância. I. Nunes, Rogério da Silva. II. Título. CDU: 658.56 Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071
  4. 4. PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DA SAÚDE José Gomes Temporão SECRETÁRIA EXECUTIVA Márcia Bassit Lameiro da Costa Mazzoli SUBSECRETÁRIO DE ASSUNTOS ADMINISTRATIVOS José de Ribamar Tadeu Barroso Jucá COORDENADORA GERAL DE RECURSOS HUMANOS Elzira Maria do Espírito SantoCOORDENADOR DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS Rubio Cezar da Cruz Lima UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA REITOR Lúcio José Botelho VICE-REITOR Ariovaldo Bolzan CENTRO SÓCIO-ECONÔMICO DIRETOR Maurício Fernandes Pereira VICE-DIRETOR Altair Borgert DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO CHEFE DO DEPARTAMENTO João Nilo Linhares SUBCHEFE DO DEPARTAMENTO Raimundo Nonato de Oliveira Lima
  5. 5. PROJETO MINISTÉRIO DA SAÚDE/UFSC/CSE/CAD COORDENADOR Gilberto de Oliveira Moritz COORDENADOR PEDAGÓGICO Alexandre Marino Costa COORDENAÇÃO TÉCNICA Marcos Baptista Lopez Dalmau Alessandra de Linhares Jacobsen CONSELHO EDITORIAL Luiz Salgado Klaes (Coordenador) Allan Augusto Platt Liane Carly Hermes Zanella Luís Moretto Neto Raimundo Nonato de Oliveira Lima Rogério da Silva Nunes COORDENADOR DA BIBLIOTECA VIRTUAL Luís Moretto Neto COORDENADOR FINANCEIRO Altair Acelon Mello COORDENADOR DE APOIO LOGÍSTICO Sílvio Machado Sobrinho METODOLOGIA PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Denise Aparecida Bunn Adriana Novelli Rafael Pereira Ocampo Moré REVISÃO DE PORTUGUÊS Sérgio Meira (Soma) PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Annye Cristiny Tessaro ORGANIZAÇÃO DO CONTEÚDO Allan Augusto Platt Rogério da Silva Nunes
  6. 6. SumárioApresentação................................................................9UNIDADE 1LogísticaOrigem, evolução e conceito de Logística............................................13Resumo.....................................................................................26Atividades de aprendizagem....................................................................27UNIDADE 2Logística integradaIntrodução..................................................................................................31Resumo.....................................................................................44Atividades de aprendizagem....................................................................45UNIDADE 3Cadeia de suprimentoA importância da cadeia de suprimento.....................................................49Resumo.....................................................................................62Atividades de aprendizagem....................................................................63UNIDADE 4Estratégias de gerenciamento da cadeia de suprimentoA administração da rede de suprimentos.................................................67Resumo.....................................................................................78Atividades de aprendizagem....................................................................79Referências.....................................................................................84Minicurrículos.....................................................................................88
  7. 7. Curso de Capacitação a Distância8
  8. 8. Logística em Cadeia de Suprimento Apresentação Olá, seja bem-vindo(a)! Você está iniciando o módulo de Logística em Cadeia de Su-primentos do Curso de Aperfeiçoamento em Administração Hos-pitalar. Você conhece a origem do termo “Logística”? Sabe ondevem sendo empregada atualmente e com que objetivo? Então, va-mos iniciar a apresentação de nosso Curso falando um pouco so-bre as questões levantadas. Mesmo com sua origem militar, a Logística – termo deriva-do da palavra francesa loger que significa alojar – vem sendoempregada atualmente em diversos os ramos de nossa economia, vi-sando a racionalização nos processos relacionados ao atendimentodas solicitações de clientes e consumidores, através de uma gestãoeficaz do processamento de materiais de informações e de serviços. Nas organizações de serviços, sua relevância deve ser ressal-tada em função das características peculiares relacionadas a estetipo de organização, sobretudo a produção e o consumo simultâ-neo, com a participação do cliente no processo de produção do ser-viço. Assim, são exigidos dos administradores logísticos a capaci-dade de planejamento, implementação e controle de recursos comoa informação, os materiais e os serviços correlatos, bem como ogerenciamento eficaz dos processos que utilizam estes recursos,visando um atendimento consistente, confiável e eficaz às solicita-ções dos clientes da organização. Para facilitar seu entendimento sobre o módulo, este foi divi-dido em 4 Unidades. A Unidade 1 traz o conceito de Logística ealguns aspectos que estão por trás deste importante assunto paraas organizações. Na Unidade 2, você vai conhecer ou rever, caso jáconheça, o que vem a ser Logística integrada, seus caminhos eatividades que a compõem. A Unidade 3 vai tratar da cadeia desuprimentos, conceitos e relacionamentos que a acompanham. 9
  9. 9. Curso de Capacitação a Distância E, finalmente, na Unidade 4 são identificadas estratégias de gerenciamento da cadeia de suprimento. Desejamos que você tire bastante proveito das idéias e con- teúdos apresentados neste módulo, provocando seu senso crítico, questionando e analisando a forma como vem realizando suas ati- vidades profissionais, de modo que permita a reflexão e a inovação na maneira de produzir seu trabalho no serviço público de saúde. Desejamos a você bons estudos e sucesso! Professores Allan Augusto Platt e Rogério da Silva Nunes.10
  10. 10. Logística em Cadeia de Suprimento UNIDADE 1 LogísticaLogística 11
  11. 11. Curso de Capacitação a Distância Objetivo Nesta Unidade você vai entender o que é Logística, sua importância para a atividade organizacional e para o gerenciamento eficaz de todas as atividades relacionadas ao fluxo de informações, materiais e serviços na organização.12
  12. 12. Logística em Cadeia de Suprimento Origem, evolução e conceito de Logística Caro participante! A proposta desta primeira Unidade é traçar um panorama so- bre a evolução da utilização da Logística nas organizações para, na seqüência, apresentar as atividades que estão incorpora- das à definição do termo e, ao final, conhecer os objetivos e benefícios de sua prática. Então, não perca tempo! Inicie a leitura e lembre-se que você não está sozinho, pois estaremos sempre com você. Bons estudos! Origem Mesmo tendo a economia mundial se desenvolvido com oauxílio de atividades e conhecimentos logísticos, no ambiente or-ganizacional a Logística permaneceu adormecida por muito tem-po, sendo despertada após a 2ª Guerra Mundial, onde as ativida-des logísticas militares foram utilizadas e influenciaram significa-tivamente os conceitos logísticos utilizados atualmente. A Logística, segundo Fleury (2000), é paradoxal, ao ser umadas atividades econômicas mais antiga e um dos conceitosgerenciais mais modernos. O autor comenta que, ao abandonar oextrativismo, o homem iniciou a organização das atividades pro-dutivas, produção especializada com troca de excedentes com ou-tros produtores, possibilitando o surgimento de três funçõeslogísticas essenciais: o estoque, a armazenagem e o transporte. É moderna, segundo o mesmo autor, ao auxiliar as organi-zações a se adaptarem às mudanças econômicas, como globaliza- 13
  13. 13. Curso de Capacitação a Distância ção, aumento das incertezas, proliferação dosPara saber mais produtos, menores ciclos de vida dos produtos*Heródoto – foi um historiador grego, nasci- Heródotodo no Século V a.C., em Halicarnasso (hoje e maiores exigências dos clientes, e ao utilizarBodrum, na Turquia). A sua criação deu-lhe o as inovações tecnológicas visando gerenciar detítulo de “pai da história” e a palavra que uti- maneira mais eficiente e eficaz as operaçõeslizou para o conseguir, história, que previa- logísticas.mente tinha significado simplesmente “pes- Heródoto, descrevendo a preparação dequisa”, tomou a conotação atual de “Histó- Ciro para invadir a Grécia, qualificou aria”. Fonte: Wikipédia (2007). Logística como sendo parte das artes milita- res que visam garantir às tropas os meios necessários para a sua sobrevivência no campo de batalha, incluindo melhores condições de movimentação, abastecimento, alojamento e transporte (FERRANTE, 1990 apud AZEVEDO 1998). Dunnigan e Masterson (2000, p. 229) reforçam essa orienta- ção bélica do termo: “[...] se traduz na rapidez com que um co- mandante consegue se deslocar e obrigar suas tropas (armadas, abastecidas e alimentadas) a realizar manobras (de ataque, defesa ou manutenção do terreno) numa zona de combate”. Christopher (1999) ressalta a relevância da Logística comen- tando que a capacidade de fornecer suprimento é fator determinante de sucesso ou fracasso numa batalha e decide, na maioria das vezes, o destino de uma guerra. O uso do conhecimento e práticas logísticas no campo de batalha para o abastecimento das tropas com suprimentos diver- sos (armas, munições, alimentos, medicamentos, entre outros.), rapidamente foi apropriado pelas indústrias manufatureiras para disponibilizar suas mercadorias junto aos mercados consumidores e, mais recentemente, pelo segmento dos serviços com o intuito de planejar e executar de forma mais eficiente suas atividades, disponibilizando serviços mais sintonizados com as necessidades, desejos e expectativas de seus clientes e consumidores. 14
  14. 14. Logística em Cadeia de Suprimento Evolução De acordo com Ballou (1993), até meados do Século XX, aLogística estava em estado de dormência, sem ser conduzida oureferenciada por nenhuma filosofia administrativa, ficando suasprincipais atividades sob responsabilidade de outras áreas da orga-nização, conforme o Quadro 1: Atividades logísticas Área responsável Transporte Produção Estoques Marketing, finanças e produção Processamento de pedidos Finanças e vendas Quadro 1: Atividades-chave da Logística fragmentadas nas demais áreas da organização Fonte: adaptado de Ballou (1993, p. 28) O transporte era encontrado freqüentemente sob o comandogerencial da produção; os estoques eram de responsabilidade demarketing, finanças ou produção; e o processamento de pedidosera controlado por finanças ou vendas. Isto resultava no conflitode objetivos e de responsabilidades para as atividades logísticas.No entanto como o ambiente organizacional nessa época era do-minado pelo rápido crescimento e dominante posição da indústria,fruto de uma demanda reprimida por anos de depressão e pelo pós-guerra, foi um período marcado pela tolerância. A partir da 2ª Guerra Mundial, o conceito e a prática daLogística desenvolveram-se no ambiente organizacional. Novaes(2001) atribui a este período pós-guerra como a primeira de quatrofases evolutivas apresentadas pela Logística até os dias de hoje. Deacordo com este autor, algumas características marcaram esta fase: origem na 2ª Guerra Mundial; 15
  15. 15. Curso de Capacitação a Distância produtos padronizados para uma família com quatro ou cinco integrantes; ausência de sistemas de informação e comunicação avan- çados; e os estoques serviam como pulmão, protegendo os distri- buidores e varejistas contra a incerteza dos fornecimentos. A Figura 1 ilustra a primeira fase da Logística, denominada por Novaes (2001) de atuação segmentada: Manufatura Centro de Distribuição Varejista Subsistemas otimizados separadamente, com estoques servindo de pulmão Figura 1: Primeira fase da Logística Fonte: adaptado de Novaes (2001, p. 42) Nas décadas seguintes (1950 e 1960) ocorreu a decolagem para a teoria e a prática da Logística. O ambiente era propício para novidades no pensamento administrativo. O marketing estava bem estabelecido em muitas instituições educacionais e orientava mui- tas organizações. As condições econômicas e tecnológicas eram tais que também encorajaram o desenvolvimento da disciplina. Algu- mas condições-chave foram identificadas por Ballou (1993), alte- rações nos padrões e atitudes da demanda dos consumidores; pres- são por custos no setor industrial e avanços na tecnologia de coputadores. Veja: alterações nos padrões e atitudes da demanda dos consumidores: com migrações das áreas rurais para as urbanas e dos centros das cidades para os subúrbios, bem como a maior importância dada à variedade de mer- cadorias. Como conseqüências pode-se verificar: aumento no número de pontos de vendas;16
  16. 16. Logística em Cadeia de Suprimento surgimento serviços de entregas em áreas metropo- litanas maiores; manutenção maior de estoques totais; e desenvolvimento de fornecedores ou centros de dis- tribuição especializados para efetuarem entregas mais freqüentes para re-suprimento; pressão por custos no setor industrial: no final de 1950, o mundo organizacional passou por um crescimen- to econômico seguido de recessão, levando as organiza- ções à busca pela produtividade, com relevante contri- buição da Logística pela redução de custos; e avanços na tecnologia de computadores: o aumen- to da complexidade logística com a proliferação de pro- dutos, maior quantidade de depósitos e mais serviços in- clusos na seleção de modais possibilitaram o uso mais intensivo dos computadores e softwares baseados em mo- delagem matemática: programação linear, teoria de con- trole, teoria de estoques e teoria da simulação. A competição mundial, a falta de matérias-primas, a súbitaelevação de preços do petróleo e o aumento da inflação mundialforam alguns dos fatores econômicos que desencadearam o aumentodos custos de transporte e manutenção de estoques e o conseqüentedesenvolvimento da Logística a partir de 1970. (BALLOU, 1993) A Figura 2 ilustra essa fase de integração rígida que caracte-riza a Logística daquela época: Transporte Transporte Transporte Centro de manufatura varejista distribuição Integração formando um duto rígido, com otimização dois a dois. Figura 2: Segunda fase da Logística Fonte: adaptado de Novaes (2001, p. 46) O controle de custos, a busca incessante pela produtividade eo controle de qualidade passaram a ser as principais diretrizes de 17
  17. 17. Curso de Capacitação a Distância GLOSSÁRIO melhoria, tendo como foco o cliente final, aprofundando conceitos*Just-in-time – ex- como melhoria contínua e trabalho em equipe (AZEVEDO, 1995)pressão que signifi- e culminando com o desenvolvimento da filosofia implementadaca “no exato mo- pela empresa japonesa Toyota: Just-in-time*. A busca do esto-mento”, e se refere a que zero, uma das prerrogativas desta filosofia, aliada ao início deum método de pro- uma integração entre os setores responsáveis pelo gerenciamentodução no qual, emcada fase do proces- do fluxo de materiais e informações da organização, bem comoso produtivo, cada com seus fornecedores e clientes, além do uso de tecnologias comocomponente, peça ou o EDI (Eletronic Data Interchange ou, traduzindo, Intercâmbiomatéria-prima, é ali- eletrônico de dados) e o código de barras, caracterizaram a décadanhado nos fluxos de de 1980, considerada por Novaes (2001) como a 3ª fase da Logística.produção, na quanti-dade e tempo exato. A Figura 3 ilustra a terceira fase da Logística:Fonte: Lacombe(2004) varejista fornecedor atacadista consumidor fábrica Duto flexível adaptável às condições externas Figura 3: Terceira fase da Logística: integração flexível Fonte: adaptado de Novaes (2001, p.47) A partir de 1990 surge a era da competitividade, baseada em uma economia globalizada, cujo principal objetivo das organiza- ções é a sobrevivência, levando a Logística a um período de trans- formações profundas, tornando-se a “bola-da-vez” da alta admi- nistração. (AZEVEDO, 1998) Novaes (2001) identifica uma 4ª fase neste processo evolutivo que vem passando a Logística no ambi- ente empresarial, caracterizando-a com os seguintes aspectos: Logística tratada de forma estratégica; postergação; organizações virtuais ou agile enterprises e a indústria sem fumaça; 18
  18. 18. Logística em Cadeia de Suprimento impacto da Logística no meio ambiente; ênfase absoluta na satisfação plena do consumidor final; formação de parcerias entre fornecedores e clientes, ao longo da cadeia; troca de informações estratégicas e operacionais entre os parceiros; e busca continuada de esforços visando a otimização da cadeia. A Figura 4 ilustra a quarta fase da Logística: Legenda: A – Fornecedor de matéria-prima B – Fornecedor de componentes C – Manufatura E D – Distribuidor D E – Varejista A C B Integração plena, estratégica e flexível ao longo de toda a cadeia de suprimento Figura 4: Quarta fase da Logística Fonte: adaptado de Novaes (2001, p.50) Como você pode ver, os recursos tecnológicos, como o com-putador e as telecomunicações, causaram grande impacto, possi-bilitando a evolução da Logística, principalmente no que tange aogerenciamento e ao fluxo de informações, permitindo decisões maisrápidas, diminuição do nível dos estoques, compartilhamento deinformações de previsões e maior monitoramento das operações. Outro fator que propiciou essa evolução é a relação daLogística com a área de Marketing, ao perceber as necessidadescada vez mais personalizadas dos clientes em termos de produtos eserviços, aumentando a complexidade do fluxo e armazenagem demateriais, com uma gama cada vez mais ampla de produtos. A necessidade de reduzir custos também implicou no desen-volvimento de um planejamento mais eficaz no que tange aos trans- 19
  19. 19. Curso de Capacitação a Distância portes, sobretudo com o aumento significativo no preço dos com- bustíveis, levando ao desenvolvimento de mão-de-obra e de tecno- logias especializadas neste setor. Por último, verificamos também o aumento da preocupação GLOSSÁRIO com o meio ambiente, levando ao desenvolvimento de operações*Logística reversa – de fluxo reverso (Logística reversa*) visando o recolhimento dosé a área da Logística materiais e embalagens. Muitas certificações de âmbito internaci-que trata dos aspec- onal estabelecem padrões para as organizações que visam estartos de retornos de em sintonia com as melhores práticas de gestão ambiental.produtos, embala- Ações de logística reversa você pode vislumbrar diariamentegens ou materiais aoseu centro produti- na rotina de um hospital através do planejamento do recolhimen-vo. Fonte: http:// to de material esterilizado, destinação de resíduos, enfim todo oequinox.unr.edu/ gerenciamento e execução das rotinas envolvendo o fluxo inversohomepage/logis/ de materiais visando reaproveitá-lo ou descartá-lo de maneira areverse.pdf (2007). manter o nível de serviço oferecido adequado aos padrões de qua- lidade e eficiência desejados. Conceito de Logística As atividades logísticas militares utilizadas na 2ª Guerra Mundial influenciaram significativamente os conceitos logísticos que são utilizados atualmente. O Quadro 2 traz o conceito de Logística apresentado por Christopher (1997), pelo Conselho de Administração Logística (apud NOVAES, 2001, p. 36) e por Ballou (2001); e na seqüência a Figu- ra 5 ilustra a visão de Logística. Veja: 20
  20. 20. Logística em Cadeia de Suprimento Autor Definição de Logística Christopher (1997) O processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de informações correlatos) através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura por meio de atendimento dos pedidos a baixo custo. Conselho de Administra- É a parte do processo da cadeia de suprimen- ção Logística (Council of tos que planeja, implementa e controla o Logistics Management, eficiente e efetivo fluxo de estocagem de bens, 1999) serviços e informações relacionadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, visando atender aos requisitos dos consumidores. Ballou (2001) É o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e economicamen- te eficaz de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes. Quadro 2: Definições de Logística Fonte: elaborado pelos autores a partir de Christopher (1997), Conselho de Administração Logística (apud NOVAES, 2001), Ballou (2001) Veja a Figura 5 e imagine todo o gerenciamento de informa-ções e de materiais entre um hospital, clínica, posto de saúde, cam-panha de vacinação e seus fornecedores. Determinar as necessida-des internas de recursos (alimentos, medicamentos, equipamen-tos, serviços de manutenção, entre outros), identificar e selecionaras fontes de fornecimento, determinar a freqüência e os prazos deentrega, os locais de recebimento e as formas de manuseio e acondi-cionamento, como as áreas internas podem consultar e solicitar omateriais do estoque, como gerenciar o estoque, enfim tudo que en-volve o suprimento, armazenagem e distribuição de recursos materi-ais e serviços destinados a realização da atividade com qualidade, estáincluida no conceito de logística. 21
  21. 21. Curso de Capacitação a Distância Com base nos três conceitos apresentados e diante da esquematização (Figura 5) pode-se concluir que Logística é o processo que cria utilidade de tempo e localização aos bens e serviços de uma organização. Logística Informação Fornecedor Transporte Hospital Materiais Figura 5: Visão de Logística Fonte: elaborado pelos autores Você pode perceber que os conceitos apresentam a Logística como responsável pela administração (planejamento, implementação e con- trole) do fluxo e armazenagem de produtos, serviços e informa- ções não só entre fornecedores e clientes, mas ao longo de toda a cadeia de abastecimento (envolvendo os beneficiadores de matéri- as-primas, transportadores, depósitos, indústrias, distribuidores, atacadistas, varejistas, prestadores de serviços e o consumidor fi- nal), através da racionalização (velocidade, confiabilidade, redu- ção de custos e qualidade) ao longo deste processo (tanto interna- mente, dentro de cada organização, como entre as organizações), visando o encantamento do consumidor (ao atender e até superar suas expectativas). A Figura 6 ilustra esquematicamente estes fluxos:22
  22. 22. Logística em Cadeia de Suprimento EMPRESA SUPRIMENTO PRODUÇÃO DISTRIBUIÇÃO FORNECEDOR CLIENTE FLUXO DE INFORMAÇÕES FLUXO MATERIAL FLUXO FINANCEIRO Figura 6: Fluxos logísticos Fonte: adaptado de Novaes (2001, p.38) Observe a Figura 6 que o fluxo de informações (identifican-do necessidades, desejos, pedidos) parte dos clientes externos e in-ternos de um hospital, por exemplo, disparando um processo deatendimento que deve providenciar, inicialmente dentro da insti-tuição e com sua indisponibilidade, junto aos seus fornecedores, oabastecimento (fluxo de materiais) em direção aos solicitantes,acompanhado pelo fluxo de informações que direcionará e regis-trará o fornecimento efetuado. A contrapartida financeira vemequilibrar os fluxos, remunerando o fornecimento. Proveniente dessa definição verifica-se a amplitude de ativi-dades sob a responsabilidade da Logística destinadas aogerenciamento e execução de todo o fluxo de materiais, serviços einformações que os tornam disponível aos clientes e usuários finais. Na Figura 7 você pode ver a ilustração do conceito de Logísticade forma esquemática: 23
  23. 23. Curso de Capacitação a Distância Processo de planejar, implementar e controlar Fluxo e Da armazenagem: Ao Materiais origem destino Informações Dinheiro De forma econômica, Satisfazendo as necessidades e eficiente e efetiva preferências dos clientes Figura 7: Visão esquemática do conceito de Logística Fonte: adaptado de Novaes (2001, p. 36) Você pode observar que a Logística exige inicialmente o detalhamento de um projeto ou processo a ser executado, passan- do para atividades de acompanhamento e avaliação, visando ge- rar feedback para seus gestores. O fluxo de informações geralmente deve ser disparado pelo cliente, através da identificação de suas necessidades, com o con- seqüente fluxo de material e/ou serviços vindo na direção oposta para atender essa demanda. O fluxo de informação também acom- panha materiais e serviços visando orientar e monitorar este fluxo. Missão e questões logísticas Novaes (2001) enfatiza que todos os elementos do processo logístico devem focar na satisfação das necessidades e preferências dos consumidores finais. Para tal, todos os integrantes dessa cadeia logística devem conhecer as necessidades de seus clientes tanto inter- nos (departamentos e setores) como externos (integrantes da cadeia) ao longo do processo, gerando fluxos ágeis, confiáveis e rápidos, com custos reduzidos.24
  24. 24. Logística em Cadeia de Suprimento Podemos resumir afirmando que a Logística, atual- mente, visa: prazos previamente acertados e cumpridos integral- mente, ao longo de toda a cadeia de suprimento; integração efetiva e sistêmica entre todos os seto- res da organização; integração efetiva e estreita (parcerias) com forne- cedores e clientes; busca da otimização global, envolvendo a raciona- lização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos; e satisfação plena do cliente, mantendo nível de ser- viço preestabelecido e adequado. (NOVAES, 2001) Ching (1999) também identifica as principais missões da áreade Logística: fornecer quantidade desejada de serviços aos clientes, objetivando alcançar níveis de custos aceitáveis e com- petitivos; proporcionar subsídios e condições para que se movimen- tem da maneira mais rápida e eficaz possível; e contribuir para a gestão comercial da companhia, por meio da confiabilidade e eficácia da movimentação dos materiais, bem como nos prazos e metas de atendimen- to aos pedidos efetuados pelos clientes. Desta forma podemos identificar algumas questões logísticasem organizações voltadas à saúde: Qual o tamanho da demanda? Quantos pacientes pre- tendo atender?; Quais as características deste público? Quais as necessidades dos clientes internos (médicos, en- fermeiros, funcionários, cozinheiros) e externos (paci- entes) quanto aos recursos requeridos, tempo para en- trega, etc? 25
  25. 25. Curso de Capacitação a Distância Qual a variedade de produtos (somente um ou vários tamanhos de esparadrapos) necessária? Onde devo instalar os estoques? Num único depósito cen- tralizado ou em vários almoxarifados? Quais os métodos mais adequados de movimentação, ma- nuseio e armazenagem dos medicamentos, alimentos, equipamentos? Qual o tamanho do pedido de medicamentos junto ao fornecedor que possibilite atender a demanda sem in- correr em excessos que gerem prejuízo, quanto a prazo de validade, deterioração e mesmo desuso? RESUMO Nesta Unidade, você viu que a Logística tem origem militar e que, após a 2ª Guerra Mundial, seus conceitos de gerenciamento foram apropriados pelas organizações em todo o mundo. Em seguida foi apresentado um breve panorama evolutivo da área da Logística, a partir de meados do Sécu- lo XX. Verificou-se que a constante dinâmica da econo- mia, das inovações tecnológicas, da competitividade orga- nizacional e das mudanças nos padrões de consumo foram fatores que contribuíram para o aprimoramento e consoli- dação de suas atividades e de seu entendimento. Os conceitos de Logística foram apresentados, desta- cando que esta área é responsável pelo gerenciamento das atividades relacionadas ao fluxo de materiais, informações e serviços, de forma racional e visando sempre atender as necessidades dos consumidores e clientes.26
  26. 26. Logística em Cadeia de Suprimento Por último foi identificada a missão da Logística, bem como, listadas algumas questões que fazem parte da roti- na dos profissionais que trabalham nesta área.Atividades de aprendizagemResolva as atividades de aprendizagem propostas, encami-nhe para seu tutor através do Ambiente Virtual de Aprendi-zagem e verifique como está seu conhecimento acerca doassunto. Existindo dúvidas, faça uma releitura dos principaistópicos e conceitos e, havendo necessidade, busque auxíliojunto ao seu tutor.1. Que fatores na economia mundial atualmente poderão influ-enciar o desenvolvimento da Logística no futuro?2. De acordo com o conceito e os objetivos logísticos apresenta-dos, em que a Logística pode contribuir para que sua organiza-ção atenda e até supere as necessidades e expectativas do seucliente final?3. Tente responder às questões apresentadas por Ching (1999)no final da Unidade, em relação a sua organização.Finalizamos a Unidade 1, na qual trouxemos ao seu conhe-cimento o conceito de Logística e os principais assuntos quecircundam este tema. É importante que você tenha compre-endido todos os conceitos trazidos a respeito do tema, paraque possa dar continuidade ao estudo.Para facilitar sua compreensão, sugerimos que você organi-ze sua rotina, separando um tempo para se dedicar aos es-tudos, pois na modalidade a distância o principal responsá-vel pela aprendizagem é você.Bons estudos! 27
  27. 27. UNIDADE 2 Logística IntegradaLogística Integrada
  28. 28. Curso de Capacitação a Distância Objetivo Nesta Unidade, você será levado a conhecer o conjunto de atividades que englobam a Logística, bem como o caminho para o gerenciamento integrado de suas atividades.30
  29. 29. Logística em Cadeia de Suprimento Introdução Caro participante! Nesta Unidade você vai conhecer as atividades que englobam a Logística, bem como o caminho para o gerenciamento inte- grado, que tem por objetivo ligar as diversas atividades logísticas existentes numa organização. É importante que você leia atentamente, anote suas dúvidas e faça contato com seu tutor para discutir o assunto. Fique atento! Não basta entender somente a teoria aqui apre- sentada, mas, sim, fazer a relação entre a teoria e a prática no seu ambiente de trabalho e como esse assunto pode con- tribuir com seu trabalho na organização em que atua. Na Unidade anterior, apresentamos um pouco sobre a histó-ria e a evolução da Logística, seus conceitos e questões abordadasem sua área de atuação. Através de sua evolução, é possível enten-der o seu dinamismo, influenciado pelas mudanças constantes domercado e da economia, redirecionando constantemente sua abor-dagem gerencial. A Figura 8 ilustra esta evolução: Fragmentação Integração parcial Integração total 1960,,, 1980... 2000... Estudo da demanda Compras Planif. de pedidos ADMINISTRAÇÃO Planif. produção DE MATERIAIS LOGÍSTICA Planif. de materiais Armazenagem INTEGRADA TransporteManipulação de materiais Estoq Prod. Acabados Planif. distribuição DISTRIBUIÇÃO Processo de pedidos FÍSICA Embalagem industrial Serviço ao cliente Figura 8: Evolução da Logística Fonte: Ching (1999, p. 21) 31
  30. 30. Curso de Capacitação a Distância Pudemos verificar que no início as atividades logísticas eram gerenciadas de maneira fragmentada, por diversos departamentos da organização. A partir dos anos 1970 surge um delineamento de uma área de logística, reunindo as várias atividades sob uma úni- ca responsabilidade gerencial, visando aprimorar o gerenciamento do fluxo de materiais e informações na organização. Atualmente temos um conceito que extrapola as fronteiras organizacionais propiciando uma interação mais eficiente e eficaz entre os parcei- ros de uma cadeia de suprimentos (fornecedores, clientes, trans- portadores, operadores logísticos, etc). Atividades logísticas Para que você entenda melhor a amplitude das atividades logísticas, veja o Quadro 3, adaptado de Ballou (2001), que ilustra o conjunto de atividades que estão inclusas no conceito de Logística Integrada, relacionado ao gerenciamento do fluxo de materiais, informações e serviços: Atividades chave Atividades de apoio Padrões de serviço aos clientes, cooperando Armazenagem: com Marketing ao: determinação de espaço; determinar as necessidades e desejos dos layout de estocagem e projeto de docas clientes com relação aos serviços logísticos; (dock); determinar a resposta do cliente ao serviço; e configuração de armazém; e estabelecer os níveis de serviço aos clientes. localização de estoques. Transporte: Manuseio de materiais: seleção do modo e serviços de transportes; seleção de equipamentos; consolidação de cargas; políticas de substituição de equipamen- roteirização de transportadores; tos; programação de veículos; procedimentos de realização (picking) de pedidos; e seleção de equipamentos; armazenamento e recuperação de processamento de reclamações; e estoque. auditoria de taxas. Quadro 3: Atividades Logísticas (continua) Fonte: elaborado a partir de Ballou (2001)32
  31. 31. Logística em Cadeia de Suprimento Atividades chave Atividades de apoio Gestão de estoques: Compras: políticas de estocagem de matérias-primas e seleção de fonte de suprimento; produtos acabados; oportunidade (timing) de suprimento; e previsão de vendas de curto prazo; quantidade de compra. composto (mix) de produtos nos pontos de estocagem; Embalamento de proteção. Projeto para: número, tamanho e localização dos pontos de manuseio; estocagem; e estocagem; e estratégias de just-in-time, “empurrar” e proteção contra perdas e danos. “puxar” produção. Processamento de pedidos: Cooperação com as Operações para: procedimentos de interface entre vendas e especificação de quantidades agregadas; e pedidos de inventário; seqüenciamento e tempo do resultado da métodos de transmissão de informações de produção. pedidos; e Manutenção da informação regras de elaboração de pedidos. coleta, armazenamento e manipulação de informações; análise de dados; e procedimentos de controle. Quadro 3: Atividades logísticas (conclusão) Fonte: elaborado a partir de Ballou (2001) Veja o detalhamento das atividades logísticas apresentadasno Quadro 3: Padrão de serviço ao cliente: definir como será a po- lítica de fornecimento de medicamentos, equipamentos, alimentos, determinando horários e locais de entrega, volumes a serem transportados, como serão recolhidos, entre outros são definidos em um plano que configurará o nível de serviço desejado entre clínica, hospital, posto de saúde e seus fornecedores, evitando variações no proces- so que poderão prejudicar as operações de atendimento. Transporte: todas as atividades relacionadas ao plane- jamento, execução e controle do transporte estão inseridas nesta atividade logística que tem como objeti- vo garantir que o fornecimento não seja interrompido, chegue com qualidade, e que seja adequado ao orçamen- to da instituição. 33
  32. 32. Curso de Capacitação a Distância Gestão de estoque: determinar e controlar a quanti- dade de itens em estoque que viabilize o pleno atendi- mento das necessidades de um hospital, clínica, posto de saúde ou programa de vacinação sem incorrer em des- perdício por solicitar ou manter itens a mais do que o necessário. Processamento de pedidos: como viabilizar que as informações de necessidades de recursos sejam transmi- tidas rapidamente e consistentemente, tanto dentro da instituição (entre os setores) como com seus fornecedo- res, possibilitando que os pedidos sejam atendidos den- tro dos prazos acordados. Armazenagem, manuseio e embalagem: envolvem as atividades que irão garantir qualidade aos recursos de- mandados, seja na guarda, na forma de movimentação e manuseio, seja nos tipos de embalagem que os acondicio- narão e o manterão dentro das especificações desejadas. Compras: realizar junto as áreas demandantes especificações corretas que permitam que os recursos adquiridos aten- dam as necessidades da organização de saúde, identifi- cando potenciais fornecedores que atendam os requisitos tanto relativos aos produtos como referentes aos servi- ços logísticos de entrega (prazo, local, custo), além das próprias cotações e aquisições são algumas das ações es- peradas por esta atividade logística. Cooperação com as operações: determinar de acor- do com o “plano de operações” de um hospital (cirurgias realizadas, por exemplo) quais as necessidades de recur- sos que deverão ser disponibilizados, visando agilizar os procedimentos de médicos e assistentes nas cirurgias, por exemplo. Manutenção da informação: possuir dados e informa- ções referentes a programas de vacinação já realizados,por exemplo, permitirão análises mais aprofundadas que irão facilitar o planejamento de programas futuros, minimizando perdas e auxiliando na alocação de recursos mais adequa- dos às ações vindouras.34
  33. 33. Logística em Cadeia de Suprimento A classificação entre atividades-chave e de suporte, segundoo autor, deve-se ao fato de as primeiras sempre ocorrerem no cir-cuito crítico (ciclo do pedido) “cliente-pedido-estoque-transporte”,além de contribuírem com a maior parcela dos custos logísticostotais. Já as atividades de suporte, não estão presentes em todas asorganizações. Lambert, Stock e Vantine (1998) acrescentam ainda outrasatividades: localização de instalações: estudos de localização vi- sando melhorar o nível de serviço ao cliente; suporte de peças de reposição e serviços: são as ati- vidades relacionadas ao pós-vendas e que visam propor- cionar suporte adequado ao cliente, constituindo parte da Logística reversa através do acionamento de serviços de assistência técnica, manutenção de estoques estratégicos de peças de reposição, retirada de produtos com defeitos e realização de medidas de desempenho, que irão possibili- tar o gerenciamento de programas de manutenção de equi- pamentos de clínicas e hospitais, minimizando possíveis problemas com a interrupção no uso dos mesmos; reaproveitamento e remoção de refugos: visa con- trolar e destinar os subprodutos dos processos, como o lixo hospitalar, por exemplo; e administração das devoluções: está ligada ao trata- mento dos produtos rejeitados ou para troca e assistên- cia técnica. Você pode verificar que as três últimas atividades estão rela-cionadas com mais uma ação incorporada pela Logística, queconcerne ao gerenciamento do fluxo de retorno dos materiais, tam-bém denominada de Logística reversa, fruto de preocupação demuitas organizações, tanto na assistência ao cliente para obter omáximo proveito dos produtos e serviços adquiridos, como nadestinação de materiais e mercadorias inservíveis ao cliente. 35
  34. 34. Curso de Capacitação a Distância O Quadro 4 ilustra como organizações de serviços também possuem atividades logísticas: Serviço Atividades Eventos Localização, layout, fluxo de pessoas, controle de estoque de materiais de apoio, planejamento e controle de horári- os, planejamento e controle de translados. Hospitais Localização, layout, controle de estoque de materiais de apoio, planejamento e controle do atendimento (plan- tões, número de profissionais, especialidades, etc.) e gestão de filas. Serviços de Localização, controle de estoque de materiais de apoio, abastecimento planejamento e controle de manutenção preventiva e corretiva. Posto de Saúde Localização, layout, controle de estoque de materiais de apoio, planejamento e controle do atendimento (horários, prazos e duração). Quadro 4: Atividades logísticas em organizações prestadoras de serviços Fonte: elaborado pelos autores Logística Integrada Muitas organizações ainda desconhecem o potencial aumento de eficiência e eficácia em seus resultados quando as atividades do nível de serviço logístico são organizadas e realizadas em sincronia, de forma econômica e ajustadas às demandas dos clientes e con- sumidores (Figura 9). Lambert, Stock e Vantine (1998) colocam que o conceito de gestão da Logística Integrada concerne ao tratamento das diver- sas atividades como um sistema único, eliminando a fragmenta- ção de um gerenciamento por atividade, com respectivos orçamen- tos, prioridades e medições. Os autores ressaltam ainda que sem a abordagem integrada o estoque tende a se acumular nas interfaces críticas do negócio, como entre o Fornecedor e o setor de Com- pras; entre este e a Operação; entre a Operação e a Distribuição;36
  35. 35. Logística em Cadeia de Suprimentoetc. Além disso salientam que a integração intensifica a utilizaçãodos ativos de transporte e armazenagem, eliminando a duplicaçãode tarefas nos departamentos. Esta integração irá facilitar a posi-ção competitiva da organização direcionando os recursos e esfor-ços logísticos de acordo com os componentes do mix de marketingque veremos abaixo: Produto (ou serviço): quais produtos (e/ ou serviços) serão postos à venda? Qual o mix de produtos a ser ofertado em cada região? Promoção: Quais políticas de promoção e descontos se- rão oferecidas para cada produto em cada região? Preço: qual o nível de preço será praticado para cada produto em cada região? e Praça: Como o produto será distribuído? Quais locais serão atendidos? Qual a periodicidade de atendimento? Qual o nível de serviço quanto a disponibilidade de pro- duto por região ou tipo de cliente? Produto Promoção Preço Logística Transporte Estoque Embalagem Armazenagem Processamento de Pedidos Figura 9: Modelo conceitual de Logística integrada Fonte: adaptado de Lambert e Stock (1993, p. 43) Enquanto a área de Marketing desenvolve atividades relaci-onadas ao desenvolvimento do produto, estabelecimento de preçoe como promovê-lo, o delineamento das alternativas para torná-lo 37
  36. 36. Curso de Capacitação a Distância disponível (canais de distribuição) é uma decisão conjunta com a área de logística e seu composto de atividades. As atividades logísticas apresentadas, de acordo com o hori- zonte do planejamento e o impacto de suas decisões, podem ser organizadas hierarquicamente. Veja no Quadro 5 como as ativi- dades logísticas possuem amplitude operacional (ações de curto prazo necessárias a realização da operação no dia-a-dia), táticas (de aplicação no médio prazo e de cunho gerencial, que irão impactar nas ações e resultados operacionais) e estratégicas (abran- gendo um horizonte de planejamento maior que servirá de base para a realização das atividades táticas e operacionais, sendo de responsabilidade da alta direção). Tipo de Nível de Decisões Decisões Estratégica Tática Operacional Localização Número de Posicionamento Roteirização, locais, tamanho dos estoques aceleração e e localização despacho. Transportes Seleção de Sazonalidade do Quantidades e modais mix de serviço tempo de reabas- tecimento Processamento Seleção e projeto Regras de Aceleração de de Pedidos do sistema de prioridades pedidos colocação de para pedidos de pedidos clientes Serviços ao Estabelecimento cliente de padrões Armazenagem Leiaute, seleção Escolha sazonal Preenchimento de local de espaço de pedidos Compras Políticas Contratação, Liberação de seleção de pedidos fornecedor Quadro 5: Hierarquia e exemplos de decisões logísticas Fonte: Ballou ( 2001, p. 42) As decisões logísticas passam pela quantificação e racionali- zação de custos dos níveis de serviços logísticos relacionados ao lote de compra, ao inventário, às tecnologias para o processamento de pedidos, ao transporte e à armazenagem. Gerenciá-los de for-38
  37. 37. Logística em Cadeia de Suprimentoma integrada trará eventualmente maiores custos para algumasdas atividades, porém irá permitir um planejamento e controle maisamplos e integrados, com reduções nos custos logísticos totais con-forme você pode verificar na Figura 10: Produto Preço Promoção Praça Serviço ao Cliente Custo Custo Estoque Transporte Custo Custo Compras Armazenagem Custo Tecnologia de Informação Figura 10: Processo Integrado da Cadeia de Suprimentos Fonte: Adaptado de Lambert (1998, p. 43) Segundo Bowersox e Closs (2007), a Logística eficiente estáembasada na coordenação de um projeto de rede, informação, trans-porte, estoque, armazenagem, manuseio e embalagem.O desafio está em administrar cada uma destas atividades, visan-do atender às demandas estabelecidas, eliminando duplicação e des-perdício, através de um gerenciamento integrado, tanto na orga-nização como entre sus fornecedores, que ocasionará em reduçãode custos além de ganhos na qualidade dos processos e da imagemda instituição perante a comunidade. Este assunto você vai estudar na Unidade 3 A Figura 11 ilustra o conceito de Logística Integrada, vistoanteriormente: 39
  38. 38. Curso de Capacitação a Distância Fluxo de informações Supri- Apoio à Distribuição Fornecedores Clientes mento manufatura física Fluxo de materiais Figura 11: A Logística integrada Fonte: adaptado de Bowersox e Closs (2007, p. 44) Funções Logísticas Ching (1999) ressalta que para uma organização desfrutar dos benefícios da Logística em sua estratégia, deve desenvolver uma visão estrutural integrada da sua cadeia logística, composta por três grandes grupos, conforme a Figura 12: Figura 12: A cadeia de Logística tradicional Fonte: AZEVEDO (2002, p. 87)40
  39. 39. Logística em Cadeia de SuprimentoLogística de Suprimentos Esta função reúne as atividades de compras de matéria-pri-ma, processamento de pedidos, categorização e gerenciamento defornecedores, envolvendo toda dinâmica de solicitações e entregade medicamentos, alimentos, equipamentos e materiais para quepossam suprir as operações da instituição. Ching (1999) ressaltaainda que na Logística de suprimentos devem ser alinhados os pla-nos estratégicos de fornecedores e instituições, direcionando recur-sos para a otimização das operações e a redução de custos. Figura 13: Logística de suprimentos Fonte: elaborada pelos autoresLogística de Produção De acordo com Ching (1999), nesse grupo o importante é asincronia da produção com as demandas dos clientes. A agilidadenas operações de suprimento, aumento da freqüência das entre-gas, redução do tamanho e padronização dos lotes transportados,compromisso pela qualidade, envolvimento em atividades inter-nas do cliente e garantia e confiabilidade de prazos são ações que 41
  40. 40. Curso de Capacitação a Distância proporcionarão a realização desses objetivos (Tubino, 1999 apud AZEVEDO, 2002). Neste caso, podemos incluir as atividades que irão possibilitar que seringas, esparadrapos, fios de sutura, entre outros materiais, sejam solicitados pela ala cirúrgica e que possam de acordo com o tipo de cirurgia, dispor dos itens corretos e quan- tidades adequadas no momento da operação. Logística de Distribuição Envolve as relações entre a instituição, clientes e consumi- dores, sendo responsável pela distribuição física do produto acaba- do até os pontos de consumo. As atividades de planejamento e exe- cução de um programa de vacinação ou de saúde comunitária en- volvem várias atividades logísticas como o acesso às informações sobre características da demanda (manutenção da informação), a determinação da sistemática de realização de pedidos de acordo com as necessidades das regiões atendidas (processamento de pe- didos), a determinação e a manutenção de estoques de vacinas, seringas, remédios, ... que viabilizem o atendimento desta deman- da (gestão de estoques), a forma como serão armazenados, movi- mentados, embalados e transportados (armazenagem, movimen- tação, embalagem e transporte). Ching (1999) salienta que devem ser formadas alianças com parceiros a fim de atender às necessidades dos clientes e minimizar os custos de distribuição. A sincronização entre demanda, fabrica- ção, distribuição e transporte, com o intuito de repor os produtos acabados de acordo com as necessidades dos consumidores é o prin- cipal objetivo desta função de distribuição (Figura 14).42
  41. 41. Logística em Cadeia de Suprimento Figura 14: Logística de distribuição Fonte: elaborado pelos autores Como resultados esperados de um gerenciamento integradodas atividades logísticas no setor hospitalar, Bowersox e Closs(2007) apontam: resposta rápida: capacidade de atender às exigências de serviço ao cliente; padronização do tempo de atendimento: a variância é ocasionada por acontecimentos inesperados, como atrasos no recebimento dos pedidos dos clientes, inter- rupções na fabricação, avarias nas mercadorias, entre- gas em local incorreto, etc; estoque mínimo: ou seja, reduzir os custos com esto- ques sem comprometer a prestação de serviço ao cliente; otimização dos custos de movimentação: o trans- porte, como um dos custos logísticos mais significativos, tem na consolidação da movimentação, através da utili- zação do maior carregamento na maior distância possí- vel, a possibilidade de reduzir o custo unitário transpor- tado. As atividades desta função precisam estar alinha- das internamente e com os fornecedores para que o flu- xo de informação e de materiais não seja interrompido; 43
  42. 42. Curso de Capacitação a Distância qualidade: a Logística deve ser executada segundo pa- drões rígidos, evitando o erro, que acarretará em desfa- zer o serviço para refazê-lo; e apoio ao ciclo de vida: acompanhar as necessidades dos clientes em relação aos produtos comercializados, como o recolhimento de embalagens e de material tóxi- co, programas de retirada do mercado (Logística reversa), além do fornecimento de peças de reposição. Olá! Você viu, ao longo desta Unidade, o conjunto de ativi- dades logísticas e a necessidade de gerenciá-las de forma integrada. O resultado disso é fundamental para as organi- zações, visto que posteriormente possibilitará a elas uma integração externa com seus fornecedores e clientes, suge- rindo resultados melhores em termos de investimentos, re- dução de custos e desempenho do serviço oferecido aos clientes: é a gestão da cadeia de suprimentos, que você verá nas próximas Unidades. RESUMO Nesta Unidade você viu que a Logística caminha para uma fase de integração de suas atividades. Estas, que com- põem o nível de serviço logístico, são: serviço ao cliente, trans- portes, administração de estoques, fluxo de informações e processamento de pedidos, compras, armazenagem, manu- seio de materiais, embalagem, cooperação com a produção/ operações, manutenção da informação, localização de insta- lações, suporte de peças de reposição e serviços. Verificou também que essas atividades logísticas são realizadas nas interfaces com os fornecedores, denomina- da Logística de suprimentos, no apoio à manufatura44
  43. 43. Logística em Cadeia de Suprimento (Logística de produção) e na entrega de produtos acabados (Logística de distribuição). Encerrando, foram apresentados os resultados que de- vem ser alcançados com o gerenciamento integrado das atividades logísticas: resposta rápida, variância mínima, estoque mínimo, consolidação da movimentação, qualida- de e apoio ao ciclo de vida.Atividades de aprendizagemNesta Unidade, você teve a oportunidade de conhecer oconjunto de atividades logísticas e a necessidade degerenciá-las de forma integrada. É importante que você façaas atividades sugeridas e encaminhe para seu tutor atravésdo Ambiente Virtual de Aprendizagem, existindo dúvidas,busque auxílio junto ao seu tutor.1. Observe a sua organização. Verifique os fluxos de informa-ção e de materiais que acontecem. Descreva-os e verifique se háatividades que se repetem. Identifique o(s) sistema(s) de infor-mação utilizado(s). Tente identificar quais os maiores proble-mas que acontecem. Analise e veja se esses fluxos podem seraprimorados.2. Dentre as atividades logísticas apresentadas, quais as que po-deriam contribuir para uma melhor operação em sua organi-zação?3. Você acha que as atividades logísticas numa organização deserviços (pode ser a sua) devem ser gerenciadas de forma inte-grada? Justifique sua resposta. 45
  44. 44. UNIDADE 3 Cadeia de suprimentoCadeia de suprimento
  45. 45. Curso de Capacitação a Distância Objetivo Nesta Unidade, você será levado a conhecer o conceito de cadeia de suprimento e sua importância para as organizações, compreender o conceito de canal de distribuição e analisar as características e as principais decisões na cadeia de suprimento.48
  46. 46. Logística em Cadeia de Suprimento A importância da cadeia de suprimentoOlá, caro participante!Preparado para iniciar a Unidade 3 deste módulo? Aqui vocêvai encontrar conceitos relacionados à cadeia de suprimen-tos, além de fatores decisivos à sua estruturação, tais comodecisões relativas à localização das instalações, distribuiçãofísica, estoques, transporte, fluxo de informações, estimati-vas e previsões e relacionamentos.Você já teve oportunidade de observar que nenhuma opera-ção de transformação existe isoladamente? As operaçõesdesenvolvidas por uma organização fazem parte de uma redemaior, que conecta as operações de diferentes organizações.Podemos citar como exemplo o papel. A folha de papel quevocê utiliza para apresentar um relatório, o prontuário depaciente ou a prescrição de um medicamento faz parte darede de fornecimento que começa com uma árvore.Assim, se todos tivessem a consciência que uma folha depapel é resultante do processo de transformação de váriasorganizações interligadas, será que os cestos de lixo teriamtanto papel? O processo tem início no abate de uma árvore,prossegue com o processamento da madeira, com a obten-ção da celulose, com a fabricação do papel, com a impres-são feita na gráfica e, finalmente, com o preenchimento dafolha. Será que todos têm a noção de que existem tantasorganizações diferentes viabilizando o formulário que pre-enchemos?Este é o ponto principal nesta Unidade: buscaremos esta-belecer a perspectiva da rede de suprimento para compre-ender como é importante a gestão da cadeia de suprimentodas operações. Em especial, vamos discutir os impactos queo gerenciamento da rede de suprimento causa à sociedadee a necessidade de projetar as relações entre organizaçõesde maneira integrada, a fim de minimizar os custos sociais 49
  47. 47. Curso de Capacitação a Distância na aquisição e utilização dos materiais necessários aos pro- cessos de transformação e atendimento de usuários. É importante que você fique atento a todos os conceitos, anotando suas dúvidas e fazendo as atividades sugeridas ao final desta Unidade. E caso encontre dificuldades na compre- ensão de algum conceito ou ainda na resolução das ativida- des, não deixe de buscar ajuda junto ao seu tutor. Cadeia de suprimento significa supply chain em inglês, e tal termo costuma ser muito utilizado no Brasil. Apesar do uso cor- rente do termo em inglês, adotaremos cadeia de suprimento. De acordo com Bertaglia (2006, p. 4): Cadeia de suprimento corresponde ao conjunto de proces- sos requeridos para obter materiais, agregar-lhes valor de acordo com a concepção dos clientes e consumidores e disponibilizar os produtos para o lugar (onde) e para a data (quando) que os clientes e consumidores os desejarem. Neste conceito existem alguns aspectos que precisam ser des- tacados para a sua compreensão. Em primeiro lugar, destacamos que materiais são recursos necessários à operacionalidade de qualquer organização, manufatureira ou de serviços, pública ou privada. Uma organiza- ção necessita de alguns recursos para existir e atuar no ambiente em que se propõe; entre eles estão os materiais. É mais fácil visualizar a necessidade de matérias-primas em organizações manufatureiras. Facilmente percebemos que o aço se transforma em tesoura em uma organização de cutelaria e que precisamos de tesouras em procedimentos de serviços de saúde. No entanto, é comum observarmos notícias de falta de materiais prejudicando o atendimento de pessoas e é importante estabelecer que estamos analisando todo o caminho que os materiais percor- rem para chegar ao usuário.50
  48. 48. Logística em Cadeia de Suprimento Um segundo aspecto é a noção de agre- Para saber maisgar valor de acordo com a concepção dos *Taiichi Ohno (1912 - 1990) – é considera- Tusuários. A idéia de que um processo deve do o maior responsável pela criação do Siste-adicionar valor para o usuário foi introduzida ma Toyota de Produção. Formou-se em Enge-por Taiichi Ohno na Toyota, por volta de 1950, nharia Mecânica e entrou para a Toyotae esta noção passou a considerar desperdício Spinning and Wearing em 1932. Em 1943, foiqualquer atividade que não seja relevante do transferido para a Toyota Motor Company, onde exerceu diversas funções até assumir oponto de vista do usuário. Esta é a base do que cargo de vice-presidente executivo em 1975.se convencionou chamar de Just in Time e de Fonte: Wikipédia (2007)Sistema Toyota de Produção, exigindo umquestionamento de cada processo buscando a melhoria e agrega-ção de valor. Um terceiro aspecto no conceito é a noção de rede e deconectividade entre organizações. Imagine que em Minas Geraisexista extração de minério, que no Rio Grande do Sul exista umafábrica de tesouras e que um posto de saúde no Piauí necessite detesouras. Como é possível estabelecer o fluxo da mina ao posto desaúde? Quantas organizações estão envolvidas? Como é possívelcomprometer-se com prazos de atendimento? Como estão organi-zadas as operações para que seja possível viabilizar o atendimentode tal necessidade? É dessa necessidade que emerge a noção de corrente, carac-terizando cada organização como um elo. Para Slack et alii (1999),a rede deve ser dividida em lado do fornecimento e lado dademanda. No lado do fornecimento uma operação tem seus forne- cedores de peças ou informações ou serviços. Estes for- necedores têm seus próprios fornecedores, que por sua vez também têm seus próprios e assim por diante. No lado da demanda a operação tem clientes. Estes po- dem não ser os clientes finais dos produtos ou serviços da operação e, ainda, podem ter seu próprio conjunto de clientes e assim por diante. 51
  49. 49. Curso de Capacitação a Distância A Figura 15 ilustra essa concepção: Fornecedores Fornecedores Clientes Clientes de segunda de primeira de primeira de segunda camada camada camada camada A operação Lado do Lado da fornecimento da rede demanda da rede A rede imediata de suprimentos A rede total de suprimentos Figura 15: Rede total e imediata de suprimentos Fonte: Slack et alii (1999, p. 146) Analisar a rede de relacionamentos e de transações entre as organizações ajuda a identificar pontos críticos de fornecimento e as dificuldades que serão enfrentadas no suprimento dos materiais GLOSSÁRIO necessários à operacionalidade organizacional. Auxilia, ainda na*Canal de distribui-ção – estrutura de elaboração de estratégias de longo prazo que aperfeiçoem o funci-unidades organiza- onamento da rede, gerando melhor qualidade no atendimento àscionais dentro da or- necessidades dos usuários.ganização, e agentese firmas comerciaisfora dela, atacadis-tas e varejistas, pormeio dos quais uma Relacionamentos na cadeiamercadoria, um de suprimentosproduto ou um ser-viço são comerciali-zados. Fonte: Baker Como você deve ter percebido, o estudo da cadeia de supri-(Apud BOWERSOX eCLOSS, 2007, p. 89) mento implica em compreender as funções dos diferentes agentes envolvidos nas operações. Bowersox e Closs (2007) explicam os relacionamentos pelo lado da demanda com a noção de canal de distribuição*. A função do canal de distribuição é desenvolver atividades que viabilizem acesso dos usuários ao produto ou servi- ço que está sendo oferecido. Assim estes canais desenvolvem ativi- 52
  50. 50. Logística em Cadeia de Suprimentodades de armazenagem, transporte, pesquisa e prospecção de mer-cado, com a finalidade de facilitar o acesso, diminuindo tempo desuprimento, tamanho de lotes e melhorando a qualidade da infor-mação acerca das quantidades necessárias de fornecimento. Os participantes típicos do canal de distribuição são: fabricantes: produtores de bens de consumo e de insumos industriais; mineração: extratores de matérias primas; agricultura: plantadores de alimentos e de insumos ne- cessários a outras organizações; atacadistas: adquirem de fabricantes e agricultores e abastece os varejistas; e varejistas: comercializam bens e serviços junto ao usu- ário final. Os participantes especializados são: transporte: dedicado ao transporte de bens e serviços; armazenagem: dedicado à guarda de materiais; montagem: dedicado à montagem dos produtos comer- cializados; e comercialização: dedicado à comercialização dos bens ou serviços, mais comum na comercialização de safras agrícolas. De acordo com Bowersox e Closs (2007), canal de distribui-ção é o meio através do qual as transações de transferência de pro-priedade de bens e serviços ocorrem. Ou seja, de acordo com aAmerican Marketing Association: Canal de distribuição é a estrutura de unidades organizacionais dentro da empresa, agentes e firmas comerciais fora dela, atacadistas e varejistas, por meio das quais uma mercadoria, um produto ou serviço são comercializados. (BAKER, 1990, p. 47) 53
  51. 51. Curso de Capacitação a Distância Assim, temos que um canal de distribuição é um grupo de organizações interessadas que assumem a propriedade de produ- tos ou viabilizam sua troca durante o processo de comercialização, do fornecedor inicial até o comprador final. A Figura 16 ilustra esse relacionamento: Fabricantes e usuários industriais Atacadistas Fazendas e matérias- primas Varejistas Consumidores e governo Figura 16: Canais genéricos de distribuição Fonte: Bowersox e Closs (2007, p. 90) Por fim, para exemplificar como ocorrem as transações apre- sentamos a cadeia de suprimento de alimentos (Figura 17):54
  52. 52. Logística em Cadeia de Suprimento Consumo Consumidores Lojas de Varejistas Varejistas de Varejo varejo especializados alimentos e serviços Distribuidores/ Atacadistas atacadistas integrados Atacado integrados de alimentos e serviços Mercados de exportação Atacadistas Atacadistas especializados inconstitucionais Manufatura Compras de governo Fabricantes Processamento inicial Processadores Mercados de importação varejistas Entrepostos Entrepostos finais Entrepostos locais Produção Agrícola Produtores agrícolas Fornecedores de Insumos insumos agrícolas Figura 17: Participantes dos canais de distribuição em uma cadeia de suprimento de alimentos Fonte: Bowersox e Closs (2007, p. 91) Conforme você pode observar na Figura 17, temos os partici-pantes típicos e os especializados envolvidos em uma série de tran-sações para atender aos usuários. Um deles poderia ser, por exem-plo, o hospital universitário de uma universidade qualquer. 55
  53. 53. Curso de Capacitação a Distância Decisões relevantes na cadeia de suprimento As cadeias de suprimento podem envolver relacionamentos muito complexos. Na Figura 17 você viu, por exemplo, que impor- tação de produtos pode ser uma atividade da cadeia de suprimen- to. Esta atividade tem crescido de importância em muitos proces- sos com materiais nacionais e importados compondo cada vez mais os produtos, mas trataremos a seguir das decisões relativas à loca- lização das instalações, distribuição física, estoques, transporte, flu- xo de informações, estimativas e previsões e relacionamentos. Localização das instalações Trata-se de uma decisão importante da cadeia de suprimen- to definir a localização das organizações que compõem a rede, o que tem um impacto significativo nos custos e nos fluxos logísticos e exige estudos acerca da localização dos clientes, dos fornecedores e das facilidades de transporte. Imagine, por exemplo, que as matérias-primas e os fornece- dores primários localizem-se em Roraima, que o mercado consu- midor esteja predominantemente em Goiás. Qual a melhor locali- zação para uma organização que desejasse intermediar essa tran- sação? É preciso analisar algumas variáveis para responder esta questão, incluindo qualificação de mão-de-obra e incentivos fis- cais. A análise deve contemplar aqueles aspectos referentes à infra- estrutura de transporte (existência de ferrovias, rodovias ou aerovias, custo do frete e regularidade das rotas), à análise do vo- lume necessário de transporte para viabilizar a operação e à sobre- vivência ambiental da organização, que resulta da satisfação dos usuários em relação ao serviço prestado.56
  54. 54. Logística em Cadeia de SuprimentoDistribuição física Um segundo aspecto é a definição da distribuição físicados bens e serviços das organizações que compõem uma determi-nada rede de suprimento. O fluxo de bens e serviços precisa serprojetado a partir da análise dos canais de distribuição. A organi-zação pode optar por entregar seus produtos diretamente aos usu-ários finais, pode optar por entregar ao varejista para que ele re-passe aos usuários finais, ou a um distribuidor para que ele repasseao varejista e este ao usuário final. É importante salientar que cadaelo na cadeia representa adicionamento de valor e, conseqüente-mente, aumento no preço final do produto para o usuário. Há quem opte pelo caminho mais longo? Há, e não são pou-cos os exemplos. Os medicamentos, por exemplo, costumam serdistribuídos pelos fabricantes para os centros de distribuição, tam-bém chamados de distribuidores, que repassam para as farmácias,que são os varejistas, e estes, por fim, atendem aos usuários finais. Existem vários motivos para que essa opção ocorra, mas aexplicação passa pela análise da viabilidade da operação, pelos cus-tos envolvidos e pelo nível de serviço que o fabricante espera pres-tar aos usuários. A opção por criar centros de distribuição e vare-jistas para atender ao usuário final costuma diminuir o tempo deatendimento e, em caso de medicamentos, o tempo de atendimen-to é uma variável de extrema importância. Por outro lado, criaestoques em vários elos da cadeia, gerando custos que tendem aser repassados para o preço final dos produtos.Estoques Outra decisão relevante, e decorrente das anteriores, é a re-lativa a estoques. A decisão de guardar materiais em diferentesestágios da cadeia de suprimento representa definir o volume decapital que ficará investido em materiais à espera de consumo.A análise é operacional, pois se está definindo políticas de atendi-mento de usuários, e financeira, pois dinheiro investido em esto-que pode faltar para outras atividades da organização e sempre se 57

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