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Revista Sábado: Crianças e Drogas

  1. 1. .Ao 9' nps, V , fumava haxixe 'tqdosos dias; '_ . aos -11 já consum¡ . .cocaína-
  2. 2. RITO: tiAUnm Riema Joana _ e Idade do 19 consumo 9 a nos o Droga que mais toma Pólen de haxixe, heroína e cocaína 0 0 que iá fez por causa da droga Prostituiu-se; desistiu da escola no 89 ano 'TINVESTIGAÇÃQ MIÚDOS QUE CONSOMEM DESDE os 9 ANOS Ela cresceu numa iamí ia com pouco dinheiro, viciou-se em cocaína e heroína e chegou a trocar droga porfavores sexuais. Eles andam em colégios privados, vestem roupa de marca e alguns gastam mais de 500 euros por mês em canábis, cocaína, speed, ecstasy ou LSD. Consomem tudo a toda a hora e os pais não sabem de nada. Por lsabel Lacerda rrependes-te de alguma coisa que fizeste por causa da droga? Do que damos em troca. Estás a falar de sexo? A Sim. Ainda desta vez que fugi me aconteceu. Fumava todos os dias e fa- zia todos os días com ele [um homem de 38 anos; ela tem 161, sob o efeito. Ainda por cima a cocaína dá muita vontade. Atua primeira relação sexual foi com que idade? 12. Com um rapaz de 24. Estavas sob o efeito de drogas? Sim. Tinha fumado uma ganza com muita dose de pólen, meio conto! Joana tinha 9 anos quando aprendeu a "travar" com um charro oferecido por um grupo de amigos mais velhos. Engasgou~ SÁBADO -se, ficou mal disposta, sentiu tonturas. Nas vezes seguintes, tudo correu melhor. Rapi- darnente começou a fumar ganzas todos os dias, depois das aulas. Passados dois anos, viu o seu irmão preferido, de 27 anos, mor- rer de ataque cardíaco. O tio tinha morrido dias antes. Amãe não aguentou e foi inter- nada numa instituição psiquiátrica. O pai era alcoólico. Joana tinha 11 anos. "Come- cei a firmar coca. É muito intenso e dá mui- to mais vontade. Depois, como ficamos ner- vosos com a coca, fumamos heroína, na prata. Às vezes juntamos as duas", conta. Nesse 5.** ano, apesar das explicações, chum- bou. Com 13 anos, a família, do Sul do País, mandou-a para casa de uns tios, no Porto: "Esses primeiros meses foram a única al- tura em que eu não consumi - não conhe- _. __ . cia ninguém. " Conseguiu fazer o 7.° e o 8.° anos. inscreveu-se num curso técnico que lhe daria a equivalência ao 9.° ano, mas não o acabou. Há dois meses fugiu para passar uma semana enfiada numa casa a drogar~ -se, corn o tal homem de 38 anos. Dessa vez, como em muitas outras, não precisou de pagar pela droga. O percurso de Joana é tão probletnático quanto precoce. Mas não é único e ajuda aper› ceber os números. É verdade que os dados do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) mostram que a percentagem de alu- nos do 7.°, 8.° e 9.° ano (entre os 11 e os 14 anos, para os que não chumbaram) que já experimentaram drogas baixou de 14% em 2001 para 8,4% em 2006. Mas, entre os que consomem, a idade da primeira experiência 45
  3. 3. DESTAQUE Ãniditã o Made do 14 anos e Droga que mais toma Pólen de haxixe, MDMA (ecstasy) em cristais o O que ia' fez por causa da droga Falta às aulas, rouba comida no supermercado - l › também está a diminuir - a média de 13,48 anos em zooz passou para 12,2 em 2006. É o que mostra a parte portuguesa de um es- tudo da rede de investigação Health Beha- viourin School-aged Children (HBSC), patro- cinada pela Organização Mundial de Saúde. Mais: segundo este inquérito, são sobretudo os adolescentes com um estatuto socioeco- nómico médio-alto que estão a contribuir para esta redução de idade. Adolescentes como Luís, cujos pais têm cargos de direcção em duas das maiores empresas nacionais. Ele já andava com vontade de experi- mentar desde que começou a ver o que as ganzas faziam aos amigos: era só risada. Tinha 13 anos quando numa noite de Ve- rão, “já bêbado", numa discoteca, também fumou: "E fumei imenso. 3o euros. Dá para ai para 3o charros. Éramos quatro. " Ou seja, na primeira vez em que experimentou, fu- mou sete charros em cinco horas (da 1h às 6h da manhã). Chegou a casa às 9h. Acor- dou às 17h, vestiu-se a correr e foi ter corn os amigos - para voltar a fumar. “Só me ria imenso. Gostei e comecei a fumar sempre" -todos os dias, nos intervalos da escola, à hora do almoço, à tarde, à noite; dentro do colégio (um dos melhores privados do País) e até em casa. comprava a droga à porta de uma escola nos Olivais e não lhe faltava dinheiro para isso. Além da mesa- ln e mu# BOLOTA COCAÍNA PÓLEN l MDMA em cristais CHAMON (Pakistan ou Em pó, snifada em Devido ao processo Ecstasyque se dissol- (haxixe AÊ DROGAS DA MODA Marroquina) linhas, nunca saiu de produção (manl- ve em água. Dizem regular) VAO VARMNDO DE Alternativa, de moda. Para pulacão genética que é mais puro do ' Comi a 3% de GÊRAÇÃO EM GERA' menos vulgar aproveitar todos e hidrocultura) tem que em comprimidos. concentração CAO' OCHÂMON do que o pólen, os restinhos, muito mais THC de THC o prin- ESTÁ COMPLETAMEN' ao haxixe nor- os adolescentes (tetrahidrocanabi- SPEED em pó cípio activo da ; ÊÊVÉEÍTSIÊ/ Íãlíyflãk; mal. Iambéml humedecem o nol, a substância Antigamente as canábis, é SÓ HÁ PÓLEN temrnais óleo_ cigarro com saliva psícotrópíca da ~ anfetaminas torna- __ fraco face ao DE HAMXE de hàxixeppnr- e colam-Ihe o pó canábls) do que vam-se em compri- pólen e à bolo- tanto também - há cigarros e o haxixe regular. ' , midos. Agora chei- ta. Vende-se í é. maisítorte. . É Domina o mercado. í ram-se em linhas. Ê pouco. 46 FOTO: CÀRLOS RAMOS AGRADÉGILIENIDS: (85: SERVELEE n idade da primeira experiencia por dia foi aumentando e aos 15 anos av çou para outras substâncias. Hoje, qua anos depois de ter começado a Consul (tem 17), torna tudo "mei heroína”. Mistura, speed (ar taminas), ácidos (LSD), MDI (metanfetaminas) e, a sua 1: ferida, “branca” (cocaína) - dia ou de noite. Mas à nc abusa mais: nunca sai sem o sumir ou sem beber (e muito), esai três quatro vezes por semana - anda na es la, está no 12.° ano, mas os pais deixz São eles que, sem saber, suportam o . da de 15o euros tinha as recompensas pe- las boas notas: um 14 valia 2o euros, um 17 chegava a 4o. "A algumas disciplinas era com drogas esta a diminuir a média baixou para 0512 anos fácil conseguir. Quando queria ir buscar mais 'fumo', estudava mais, para ter mais dinheiro", conta Luís. A quantidade de haxixe que consumia 12 MARÇO 2
  4. 4. consumo, corn os 25o euros que lhe depo- [sit-am ; ia c. (LÍJàiiCÁiÃa todos us _ ús o dinheiro que lhe dão para as supos- tas despesas extra (basta-lhe inventar que vai jantar fora). Os avós todos os fins-de- semana lhe dão mais 4o euros. O orçamen- to mensal de Luís - cerca de 50o euros - vai todo para a droga. Achas que consomes muito, pouco, moderada- mente? Muito. Não estás a abusar? Por enquanto não. Qual é o limite entre o normal e o abuso? Não há. Como é que achas que vais perceber se começa- res a passar o risco? . . . [não responde] Tunun passasumdiasemfumarcanáhis, pois não? l Nunca, nunca. Não tens medo do que as drogas te possam fazer › cérebro? Ainda não me fizeram nada. , Quando fizerem, pode ser tarde. .. Depois logo penso nisso. MDMA em comprimidos Ecstasy em compri- midos (metanfeta- minas) tem, muitas vezes, misturadas ° outras substâncias como speed. Há menos miúdos a tomar. Acham que os cristais são mais CRACK É a cocaína em cristais, que são fumados numa espécie de cachim- bo. Tem efeitos mais prejudiciais do que a inalada porque chega § mais depressa ao cérebro - os miú- dos sabem-no. “atenua-mm rmvmzmmmmammarzv/ JDN' amimmmmm mama? ! ' à Muitos miúdos que consomem drogas fazem-no na escola, atrás de pavilhões ou nas casas de banho; . mesmo em colégios particulares LWRWMÉÍVMW No que os miúdos não pensam, porque , :omalmftnte também não sabem, é que a ca- nábis não é ínofensiva. Além dedestruir a memória de curto prazo e interferir com a concentração e a capacidade de estudo, são cada vez mais os casos e os estudos que mos- tram uma ligação entre o consumo de haxi- xe e surtos psicóticos, com paranóia, delírios e alucinações. Os mais novos, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento, correm ob- viamente mais riscos. O problema agravou-se nos últimos anos, porque o haxixe de hoje é muito di- ferente do consumido pelas gerações an- teriores. Através de manipulação genética e processos de cultivo, a canábis tem ago- ra urna concentração de tetrahidrocanabi- no] (THC, a substância que provoca o efei- to psicotrópico) de 22 a 25°/ o; antigamen- te tinha 1 a 3%. “O que ontem punha as pessoas a rir e funcionava como elevador do humor, hoje põe as pessoas doentes”, sublinha o médico Manuel Pinto Coelho, da Associação Portugal Livre de Drogas, que critica a descriminalização do consu- mo e, como cada vez mais especialistas (in-› ERVA HEROÍNA O haxixe em A esmagadora folhas não tem maioria dos ado- grande adesão Iescentes não por parte dos quer nem vê-Ia. mais novos. Associam-na à Este tipo de degradação física droga é bastan- e ao risco de te mais fraco morte. do que o pólen e a bolota mar- roquina. Reserve uma cias ofertas especiais de Pa' _os-i Fpp Atlantico e ganhe automaticamente- vlagens a Europa. saaarramm Viaje na maior. CONSULTE-NO" › _ il” ' 1 paisagem me: : DIV¡ um destino da Europa (à : rumo do ¡lnllna Pouugnlolena de | passagem aérea a Europahsem um: lncluldasnlena Iimliadnao slackware ui viagem Eurnp) vdllda para comnmsdns alt-rua¡ espr-dnls de FMM¡ para mlnlvnu 7. pessoas para Ierervnuntve W d? Marca e V! de Abril e para vlngkn¡ realizadas entre 18 ill* Marco E |1 d! Abril. Olenn válido para resumindo ami-ms. partidas e operadora¡ exist-cinzas, sivlellosadlxpmilblllúade na ano da reserva, Il u. . emdnnlermdwclá ser reservada at! 3V de Ilmllv e uiulwldo Ill! no linnl o ano de 2009_ um mnlslnlormlçúes Icondlçõu dlusew¡ consuma-nos. CONYALTE- Nos . camarim wukubzmvsnegccmmüal Lisboambon°5S| S6›Corrrtiuhreylrvliü-Aimvâm : um mundavíp
  5. 5. › cluindo a própria ONU), a designação do haxixe como “droga leve”: “Os miúdos acham que fumar charros é normal! ” Pior: o haxixe regular, mesmo mais po- deroso, está fora de moda. O que os miú- dos consomem é pólen, um derivado da canábis que e' sete a io vezes mais forte. “Eu hoje penso no mal que fiz em quase 3o anos de trabalho com toxicodependen- tes, porque sempre desvalorizei o haxixe, o que era uma valentíssirna asneira”, assu- me Maria de Jesus Pereira, psiquiatra do Projecto Integrado de Apoio Comunida- de (PIAC), do IDT, no Porto. “Hoje horro- rizo-ine quando ouço os adolescentes di- zerem que fumar um charro faz. menos mal do que fumar tabaco - é que nem isso! ” Estudos recentes também mostram que, pelas diferentes caracteristicas da planta e pela maneira como é fumada (com inala- ção profunda, sem filtros e “travando” o fumo nos pulmões), fumar um charro equivale a fumar 2,5 a5 cigarros. Aos . i4 anos, André nem sequer fumava. 48 CARLOS RAl/ OÉ para não se prejudicar no futebol (jogava nos juvenis de um clube), quanto mais charros. Mas fartou-se de estar sempre a dizer que não: “Via que os meu amigos se juntavam de propósito para fumar e pen- sava: aquilo deve ser mesmo bom. E da- quela vez, não sei. .. quis integrar-me no ambiente e ver como era. ” Dentro de um A mãe deixa-o a porta da escoia e ee ira-se embora, ter com os amigos de "fumo" carro com quatro amigos mais velhos deu umas cinco passas. “Fiquei um bocado tipo: ah, o que é que eu fui fazer? " Passado Lim ou dois meses, quando o melhor amigo do colégio (privado. sempre com lugar' no topo dos rankings nacionais) também resol- veu experimentar, começaram os dois a fu- mar praticamente todos os dias. nos inter- valos das aulas. As férias de Verão fizeram o Idade do 19 consumo 13 anos e Droga que mais toma Pólen de haxixe, cocaína, LSD (ácidos) o 0 que já fez por causa da droga Chega a gastar mais de 500 euros/ mês; quando precisa de mais dinheiro, também vende o resto, com saídas à noite frequentes, “grandes bebedeiras" e "altas mocas". Menos de um ano depois, passa as tardes a firmar ganzas umas atrás das outras. Isto quando não é o dia todo - muitas vezes arnãe, advogada, dscixa-o a porra. ria escoia, 'rsrs o dinheiro que ele tiver pedido (entre 15 e 2o eu- ros, conforme o que diz que precisa), e ele vai- se embora, ter com os amigos de “fumo”. a casa de um deles ou a uma das zonas de Lis- boa oncle costumam comprar, frequentemen- te o Lumiar. Normalmente vão rodando os charros por todos. Calcula que, num dia fra- co, só ele fume o equivalente a uns oito: “Nada de especial. " Ànoite, pode “snifai” uma linha de speed ou “meter” um quarto de ácido (pa- pel embebido ern LSD que se dissolve na boca). Também já experimentou cocaína. E a escola, como é que te corre? Eu até era bom aluno, tipo de cincos e isso, mas de repente comecei a baixar, a ter nega- tivas, a não ir às aulas. Por causa da droga? Exacto. Tira-nos um bocado os objectivos, não se tem vontade de fazer nada. Os meus amigos dizem que estou bue' diferente. Em quê? Eu mudei muito, .mesmo de feitio, ando mais irritado, mais agressivo. Os meus pais também reagiram mal, estão um bocado tristes. Mas eles sabem? Pensam que eu fumo [charros] só de Vez em quando. Mas começa- ram a perder a mão. .. E na escola, os professores não dizem nada? já bué me vieram dizer que pareço que es- tou a dormir nas aulas, mas agora parece que já desistiram de mim. A SABADO contactou o Ministério da Educação para perceber se há linhas orien- tadoras para os docentes que se deparem com estas situações, mas não obteve res- 12 MARÇO 2009 srieiioo
  6. 6. E › i i l i i i i i Maria de Jesus Pereira, psiquiatra na área da toxicodependência há 30 anos, já viu casos de psicoses provocadas pelo consumo de haxixe posta. Questionado sobre se os professores têm verificado que os alunos começam a consumir cada vez mais cedo, o assessor de imprensa respondeu que o ministério não tem “um qualquer recenseamento nacio- nal -~ em tempo real- do que perto de 15o mil professores verificam ou deixam de ve- rificar. . . " Rui Nunes remeteu ainda para os relatórios do grupo de trabalho liderado pelo psiquiatra Daniel Sampaio, que apu- rou, explica o assessor, “que a prioridade das escolas na área da Educação para a Saú- ' de ia para a alimentação (86°/ o), seguida pela educação sexual (76%); as substâncias psicoactivas apareciam como terceira prio- ridade (2o°/ o)'_'. Todos os adolescentes entrevistados pela SÁBADO referiram que os professores ou não reparam no estado em que aparecem nas aulas ou, se reparam, pouco ou nada fazem. O médico especialista em toxicode- pendência Manuel Pinto Coelho propõe uma ideia polémica: kits de despiste de dro- gas nas escolas, para análises à urina, com a autorização dos pais. O IDT vai fazendo ac- ções de prevenção universais (para todos E se forem apanhados? o CONSUMO DE DROGAS DEIXOU DE SER CRIME, MAS E ILEGAL, MESMO o DE CANÁBIS EM 2007 cerca de 150 menores entre os 11 e os 18 anos foram encaminhados por "uso de estupefacientes" para as Comissões de Protecção das Crianças e Jovens em Perigo. As CPCJ intervém com o consentimento dos pais ou da entidade responsável pela criança, apli- cando medídas de promoção e protec- ção, como apoio junto da familia, apoio para autonomia de vida ou aco- lhimento em instituição. Na falta de consentimento, o processo é remetido para tribunal. os alunos), tentando detectar focos onde se justifica a prevenção selectiva (por exem- plo, uma turma especifica) e miúdos que necessitem de acompanhamento indivi-- dual. Mas na maioria das vezes só os casos já muito embrenhados em consumos e comportamentos de risco, e quase sempre com origens socioeconômicas desfavoreci- das, como o de Joana, chegam às Comis- sões para a Dissuasão da Toxicodependên- cia ou à Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco. Os outros, com enquadramentos fami- liares e financeiros superiores, passam qua- se sempre despercebidos às autoridades, › rua '
  7. 7. I x I l i I I l I I I x . I t» Quantidade* A partir de 100 mg MESTAGIUE Filipe ® idade do 19 consumo 14 anos o Droga que mais toma Pólen de haxixe, LSD (ácidos) MDMA (ecstasy) em cristais, cocaína o O que ia' fez por causa da droga' Desistiu de estudar (no 89 ano); foge sempre dos táxis sem pagar › apesar de também se iniciarem em comportamentos ilícitos - alguns miúdos começam a vender para ñ- , nanciar o seu próprio consumo e às vezes também roubam coisas bási- cas, como comida no supermerca- do, só para guardar todo' o dinhei- ro que possam para a droga. A mudança de comportamento de João levou-o, em Abril do ano passado, à expul- são do colégio particular onde andava des- de os 4 anos. Estava no 9.° ano e tinha 14. Há tempos que andava com vontade de ex- perimentar canábis, mas não conhecia nin- guém que fumasse e nenhum colega que- ria experimentar com ele. Num firn-de-se- mana combinou tudo pela Internet com urna amiga de outra escola que conhecia quem vendesse. Na segunda-feira, à hora do almoço, foi com ela e fumou a. sua pri- meira ganza. “Estava um bocado nervoso [ri]. Foi ele [o vendedor] que enrolou. Deu duas ou três passas e eu fumei o resto. Apa- nhei uma granda moca. Fiquei com dores de barriga e como fui para a aula de educa- ção fisica acho que ainda foi pior”, conta. Os 3o euros de pólen que comprou de- ram-lhe para umas duas semanas. No dia seguinte também fumou, e o hábito passou imediatamente a diário. Mesmo as sim, diz, “nesses primeiros tempos só fumava para noite para os ¡rzgltts [linhas] de coca: també¡ já snifa durante o dia - e mesmo sozinho “Nestes jovens, o padrão e' o policonsi mo, metem tudo o que aparece. Hoje já nã se pensa no abuso em termos cle escalac nos tipos de droga, mas no sentido do at mento da quantidade e da frequência", e: plica Mário Martins, do núcleo de prever ção do IDT. As saidas de sexta-feira são a piores - só acabam no sábado à tarde. Os teus pais não se importam? Digo que vou dormir a casa de um amigc mas nunca dormimos, fazemos directa. Depois de passares a tarde nos charros, e muita vezes na coca, o que é que consomes à noite? Depende [ ri]. Ácidos pode ser um e meic mas quase sempree' só um porque isto já ~ um bocado perigoso três : in: nrñc- : › de overdose. E quando não são ácidos? Pode ser speed. Ou coca. Que quantidade? Um, dois, três gramas. Snifamos e fumarno: (lambemos o cigarro e colarnos os restos d( coca ao cigarro; também pode ser ao charro) Que cuidados tens com as misturas? Por causa das drogas, .indo toi “m” m” enpuso do coldgo padicular onde andava desde os d anos ai uma ou duas por dia". Ansioso por novas experiências, e com dinheiro para as com- prar (todas as manhãs o pai lhe dá 2o euros, o que dá 60o euros por mês), em menos de um ano já experimentou praticamente to- das as drogas e já não precisa do pretexto da chamam-lheusugeragão Rir NOS ESTADOS UNIDOS A NOVA MODA ÉAPANHAR "MOCAS" CINCO MORRERAM. OS QUE SE INICIAM NESTA PRATICA JA SÃ MEDECAWIIEAITOS ANALGÉSICOS MEDECAMEWTOS PARAATUSSE o Princípio activo Codeina PARA O ENJOO e Principio activo 0 Efeitos Parecidos com os i a Princípio activo Dextrometorfano da heroína; sensação de Dimenidrinato w Efeitos semelhantes ao da morfi- na; bem-estar, letargia; altera- ' ção do estado mental, com sen- sação de sonho, de estarfora do corpo ou alucinações. Éviciante. (a dose máxima recomendada de 30 mg a cada 6-8 horas) 50 entorpecimento e inibição da dor, física e emocional. 5 São altamente viciantes. 5 a Quantidade* A partir de 4 comprimidos (de 5 mg) de uma vez (dose máxima re- comendada para adultos: 5-10 mg a cada 4-6 horas) *a quantidade necessária para a obtenção de efeitos perversos varia conforme a dosagem dos medicamentos, o Pode causar dependência a cada 4 horas) o Efeitos Alucínações. l as Quantidade* 12 compri- midos (de 50 mg); 4 (dose máxima reco- mendada: 50 a 100 mg O pai de João pensa que ele só fuma de vez em quando. Soube-o porque há pouco tempo a mãe sentiu o cheiro no quarto do filho e perguntou-lhe se tinha estado a fumar charros. Ele assumiu que sim. Ela reagiu com calma, disse ter ficado contente com a sinceridade. Advertiu-o para os riscos e ape- lou à moderação. Até hoje acredita que ele seguiu o conselho, COM MEDICAMENTOS. DEZENAS DE MIÚDOS JA FORAM PARAR AO HOSPITAL E PELO MENOS O TANTOS COMO OS QUE SE ESTREIAM NA CANÁBIS- UM EM CADA CINCO ADOLESCENTES IESWMUILANTHS$ m Princípio activo Metilfeniclato ao Efeitos Semelhante ao da cocaína; aumento da atenção, da energia, da criatividade, da sociabilidade. Causa dependência. o Quantidade* A partir cle 40 mg (dose máxima recomendada: 60 mg/ dia distribuidos em 2 a 3 administrações). tamanho, o peso e a sensibilidade da pessoa, i2 MARÇO 2009 SÁBADO
  8. 8. E l É l DESTi-QUE Henrique v» Idade do 19 consumo 13 anos e Droga que mais toma Pólen de haxixe, LSD (ácidos), cocaína, speed, MDMA (ecstasy) em cristais e O que Já fez por causa da droga Falta às aulas (era aluno de 16); nunca paga transportes públicos › Para João, como para todos os adolescentes que entram nesta re- portagem, enganar os pais é fácil. O tempo que normalmente pas- sam com a família é tão pouco que e' muito simples ter uma vida _pa- raiela: tem tempo, autonomia e 'di- nheiro para isso. Um estudo britânico de 2008 revela que, enquanto 22% dos pais acreditam que os miúdos do seu bairro consomem drogas, só 1% acha que os fi- lhos o fazem. “Há uma espécie de conluio da cegueira. As vezes não é que a família não veja, parece é que não quer ver-Vão deixando andar até que um dia a situação lhes cai em cima. Temos pais que chegam aqui a dizer: o meu filho já se droga há cin- co anos”, alerta Paula Marques, directora do departamento de Intervenção na Co- munidade do IDT. Quando questionados sobre o que fa- riam se descobrissem, revela o mesmo estudo britânico, a maioria dos pais ( 56%) respon- deu que lidaria com o proble- ma dentro da familia, sem re- correr a serviços de apoio espe- cializados. Em Portugal não há nenhuma instituição vocacionada exclusi- vamente para adolescentes. Há o PIAC, no Porto, uma iniciativa do IDT, para jovens em risco até aos 21 anos, com serviços de psicologia, psiquiatria e terapia, mas sem internamento. Embora vários estudos in- diquem que programas apenas direccio- nados para adolescentes têm maiores taxas de sucesso, muitas instituições disseram à SÁBADO que a falta de procura não jus- tifica a exclusividade. A Crescer, em Loures, por exemplo, ainda experimentou um pla- no que se dedicava a miúdos dos 15 aos 25, mas no ano passado voltou a abrir as portas a adultos. Em Julho de 2007 receberam um rapaz de 13 anos viciado em fumar heroína des- GIRLUS RAMOS 52 de os 11. Chegou referenciado pela Comis- são de Protecção e por ordem do tribunal, não por vontade da família. Vivia com tios e primos que o iniciaram e lhe facultavam os consumos: eram traficantes. Ao fim de 1o meses abandonou, sem completar, 0 programa terapêutico. Por pouco não se cruzou na casa com outro adolescente, de 14 anos, também viciado em heroína, mas injectada. Ambos tinham mais uma coisa em comum: “Eram muito pequenos e fran- zinos. Tinham o tamanho de uma criança de 8 anos”, conta a técnica de reinserção Li- liana Gonçalves. A Crescer em toutes já recebeu um rapaz viciado em fumar heroína desde os tt anos As drogas desregulam os niveis hormo- nais e podem comprometer 0 crescimen- to. E nesta faixa etária não é só o corpo que está em desenvolvimento, também o cére- bro - as consequências podem scr irrever- siveis (ver caixa). Henrique sabe isso, mas não se preocupa. Gosta dc ácidos e na sua primeira vez, com 14 anos (um ano depois de se iniciar no haxixe), tomou logo meio, em vez de um quarto, como os próprios consumidores habituais recomendam. como é que foi? Ao ñm de 1 5 minutos comecei logo a sentir o ácido. Fiquei com uma granda moca. O que é que te lembras de ter sentido? As pupilas ficam mais dilatadas, então as As drogas comprometem o desenvolvimeni dos cérebros ainda em construção dos adolescentes, diz o neurologista Armando S luzes ficam mais brilhantes, parecia que de dia. Eu olhava para as luzes e parecia( via mais duas. sentia focos nos olhos. Assustaste-te? Eu? Não. Já tinha mais ou menos a noç Não sabia é que ia ser tão bom [ri]. Henrique já teve uma “má trip”. Fic paralisado: “Não me conseguiamexer, r conseguia fazer nada. Fiquei assim par; três horas. ” Acha que foi do speed. Não grande importânciaà enorme quantida de haxixe que já tinha fumado, como se pre, e de álcool que já tinha bebido, co¡ sempre também. Não, diz, deve é ter si de não ter comido. Fumou 0 primeiro charro (de pólc numa sexta-feira ao fim da tarde, depois sair das aulas, com a irmã cinco anos m velha. Tinha 13 anos. Depois foi sair cc antigos mais velhos e continuou: “Acho q rodaram para aí uns 10 ou 11 charros. i pala'. Primeiro fiquei mesmo bem. Dep( comecei a sentir fumo a sair da cabeça, sc ti-me mai, fui para casa e vomitei. ” D( dias depois voltou a fumar. Passou a cc sumir na escola, privada e conhecida pel regras rígidas ~ atrás dos pavilhões e n casas de banho: antes das aulas de edu< ção fisica diárias trocava de roupa a cori e aproveitava os minutos que sobrava para fumar a sua ganza. comprava para d( ou três dias perto do colégio, mas não J colégio, porque diz que nas escolas a dr ga é sempre mais cara e de menor qualic i2 MARÇO 2009 SÁBA
  9. 9. _ manada fixa, mas nessa altura DESTAQUE Os miúdos que iniectam heroína hoie são raros. lnaIam-na em ca- chimbos ou em latas de bebida de; ou na zona do El Corte ln- glés. Nunca teve mesada ou se- aos fms-de-semana recebia dos pais entre 3o e 5o euros. Agora, que já tem 16 anos, todas as manhãs tem uma nota de 1o euros e mais 1o, se pede, à noite. Diz que gasta entre 40o e 50o euros por mês em droga. Há muito tempo que não pas- sa um dia sem fumar ganzas e, além do LSD, a partir dos 14 avançou para muitas outras substâncias. Era aluno de 15 e 16, mas nos últimos meses são mais as aulas a que falta do que aquelas a que vai: “Tem a ver com a droga, claro. Não tenho paciência para estar lá parado 9o minutos. ” Três anos depois de ter começado, está na fase da dependência psicológica. Mesmo a caná- bis, quando consumida em excesso, duran- te um longo periodo de tempo, causa des- motivação generalizada e indoléncia. O seu amigo Filipe está mais à frente: simplesmente deixou de estudar. O seu per- curso começou corn haxixe e muito álcool aos 14; mais cocaína, ácidos e speed aos 15; doses cada vez maiores até agora, que tem 16. No ano passado - estava no 9.° ano - disse aos pais (uma médica e um econo- mista) que não gostava da escola e não foi mais às aulas; este ano nem sequer se ins- creveu: “Os meus pais estão a começar afi- car fartos. Iá estou mesmo naquela altura em que tenho de arranjar alguma coisa para fazer. " Alguma coisa para além do que faz agora: “Todo o dia fumo ganzas. " Dorme até às 12h/ 16h e, depois de passar o resto do dia nesta sua actividade principal (e úni- ca), ainda saià noite várias vezes por sema- na. Ai mistura tudo. Ou quase. FIJTOEANCO Há alguma coisa que não tomes? Nunca experimentei cavalo [heroína] . Nem pastilhas [MDMA, ecstasy. Não torna com- primidos, mas toma cristaisl. Porque não calhou ou porque não queres? Não quero. Henrique gasta entre eee e 500 euros por mes em droga. Não passa um dia sem consumir Porquê? Heroína, aquilo é para morrer mesmo. As pastilhas fazem buracos no cérebro. E as outras drogas não? Não, as outras não. É normal estes grupos de adolescentes que se juntam para consumir droga faze- rem "quotizações". Cada um dá o que tem, compram o que há e o que apetece, e con- somem “em comunidade". A poucos me- tros de uma das mais movimentadas aveni- das de Lisboa, a Fontes Pereira de Melo, esta tarde só há pólen, mas há muito. São 18h. Desde as 16h, seis rapazes entre os 15 e os 17 anos (todos com historial de drogas des- Os charros são feitos de pólen de canábis, muito mais forte do que o haxixe tradicional 0 que esentece no cérebro do adolescente A MEMÓRIA E A ATENÇÃO DIMINUEM; o DE- SENVOLVlMENTO INTELECTUAL E PREJUDICADO A ELIMEMAÇÀO das sinapses (ligações entre os neurónios) que o cérebro con- sidera "a mais" só termina aos 16/20 anos e, explica o neurologista Arman- do Sena, na adolescência ainda se dá a "mielinização, um processo indispen- sável para que os neurónios comuni- quem entre s¡ com a velocidade neces- sária para o normal funcionamento cerebral". Assim, diz o professor uni- versitário, o cérebro do adolescente , . "está particularmente sensível, a facto- res de ambiente físico-quimico". Quan- to mais violenta a substância, pior. Mas até a canábis, que muitos julgam inofensiva, pode causar danos graves e, até, irreversíveis. de os 13/14) já fumaram : L1 charros, quan- do chega o sétimo amigo. É Luis que já de longe acena corn quatro ou cinco barras de haxixe. Com uma mão cumprimenta os ami- gos, com a outra distribui a droga. Alguérr se lembra de fazer um charro com urna bar i ra inteira (normalmente dá par: 1o). Luís também traz mortalh: em rolo (assim dá para enrola o cigarro do tamanho que se qui ser). Enquanto um prepara "sopa”, que, como é maior, vz sermais demorada, outro suge re: “Ganza de apoio? ” "Ya, ya”, concordar os outros, excitados, embora tenham ac¡ bado de fumar mais um charro. A “ganz de apoio" vai-se em poucos minutos, m: o "charuto" já está pronto. As honras da e: treia vão para quem o faz. Os restantes, in pacientes, apressarn-se a marcar posiçõe: “Eu sou dux”. “Eu sou trix. ..” “É para fumar tranquilo? " “Ya, fuma tranquilo! ” "Tá-se bem, dá três bafos a todos". “Puto, só sei que este canhão está mesn bom. ..” o Nota: Os nomes dos adolescentes consumir res de drogas foram alterados para não ser identificados. 12 MARÇO 2009 site: : N

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