26881399 manual-doencas-profissionais-cabeleireiro

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26881399 manual-doencas-profissionais-cabeleireiro

  1. 1. CENTRO DE ESTUDOS E FORMAÇÃO PROFISSIONAL“O SÁBIO DE LAGO”Curso de Cabeleireiro UnisexoOrganização do Trabalho, Higiene e SegurançaDoenças ProfissionaisFormador: Rodrigo Corte-RealCarga Horária: 8 Horas
  2. 2. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoÍndice1- DOENÇAS PROFISSIONAIS......................................................................................31.1- Alergias......................................................................................................41.1.1- Tratamento..........................................................................................51.1.2- Tipos de reacções alérgicas...............................................................61.2- Dermatoses................................................................................................81.3- Asma, Distúrbios Respiratórios...............................................................131.3.1- Asma.................................................................................................141.4- Distúrbios digestivos................................................................................151.4.1- Gastrite..............................................................................................151.4.2- Úlcera................................................................................................161.4.3- Dispepsia...........................................................................................171.5- Distúrbios osteoarticulares......................................................................171.6- Distúrbios venosos...................................................................................201.6.1- Varizes..............................................................................................211.7- Doenças infecto-contagiosas...................................................................241.7.1- SIDA..................................................................................................241.7.2- Hepatite.............................................................................................271.7.3- Viroses..............................................................................................291.7.4- Tuberculose.......................................................................................332- BIBLIOGRAFIA............................................................................................35Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 2 de 34
  3. 3. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexo1- DOENÇAS PROFISSIONAISA actividade profissional pode ser responsável por alterações da saúdese não for executada em condições adequadas.Assim, doença profissional é aquela que resulta directamente dascondições de trabalho, consta da Lista de Doenças Profissionais (DecretoRegulamentar n.º 76/2007, de 17 de Julho) e causa incapacidade para oexercício da profissão ou morte. As doenças profissionais em nada sedistinguem das outras doenças, salvo pelo facto de terem origem em factoresde risco existentes no local de trabalho.No caso de a doença não constar na Lista de Doenças Profissionais, aLei também considera que a lesão corporal, a perturbação funcional ou adoença não incluídas na lista serão indemnizáveis, desde que se provemserem consequência, necessária e directa, da actividade exercida e nãorepresentem normal desgaste do organismo.Qualquer médico, perante a suspeita fundada de doença profissional –diagnóstico de presunção – tem obrigação de notificar o Centro Nacional deProtecção contra Riscos Profissionais (CNPRP), mediante o envio departicipação obrigatória devidamente preenchida.O Centro irá estudar asituação e avaliar se se trata,ou não, de doençaprofissional, mediantesolicitação do própriotrabalhador afectado.O CNPRP, é umainstituição que pertence aoMinistério do Trabalho eSegurança Social, que tempor missão assegurar aprevenção, tratamento,recuperação e reparação de doenças ou incapacidades resultantes de riscosprofissionais (art. 29º da Lei 100/97 e 13/09 e art. 77 do DL 248/99 de 2/7).Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 3 de 34
  4. 4. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoReparação das doenças profissionais:Há direito à reparação emergente de doenças profissionais quando severifiquem cumulativamente, as seguintes condições:- Estar o trabalhador afectado da correspondente doença profissional;- Ter estado o trabalhador exposto ao respectivo risco pela natureza daindústria, actividade ou condições, ambiente e técnicas do trabalho habitual.A protecção nas doenças profissionais é assegurada pelodesenvolvimento articulado e sistemático das actuações no campo daprevenção, pela atribuição de prestações pecuniárias e em espécie, tendocomo finalidade intervenções de reabilitação e recuperação profissional e areparação dos danos emergentes.1.1- AlergiasAs reacções alérgicas, também chamadas reacções dehipersensibilidade, são reacções do sistema imunitário em que o tecidocorporal normal fica lesado. O mecanismo pelo qual o sistema imunitáriodefende o corpo é semelhante àquele que produz uma reacção dehipersensibilidade que pode prejudicá-lo. Como consequência, os anticorpos,os linfócitos e outras células, que são componentes protectores do sistemaimunitário, participam nas reacções alérgicas tanto como nas reacções àstransfusões sanguíneas, na doença auto-imune e na rejeição de um órgãotransplantado.Quando as pessoas falam de uma reacção alérgica, estão a fazerreferência às reacções que envolvem os anticorpos da classe imunoglobulina E(IgE). Os anticorpos IgE unem-se a células especiais como os basófilos dacirculação e as células gordas dos tecidos. Quando os anticorpos IgE queestão ligados a essas células encontram antigénios, neste caso chamadosalergénios, as células vêem-se obrigadas a libertar produtos químicos quelesam os tecidos circundantes. Um alergénio pode ser qualquer coisa (umaRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 4 de 34
  5. 5. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexopartícula de pó, o pólen duma planta, um medicamento ou um alimento) queactue como um antigénio para estimular uma resposta imune.Por vezes utiliza-se o termo de doença atópica para descrever um grupode afecções, frequentemente hereditárias, que são mediadas pela IgE, como arinite alérgica e a asma alérgica. As doenças atópicas manifestam-se pela suatendência em produzir anticorpos de IgE face a inalantes inofensivos, como opólen, o bolor, os tegumentos animais e as partículas de pó. O eczema(dermatite atópica) é também uma doença atópica, apesar de nestaperturbação o papel dos anticorpos IgE ser menos claro. No entanto, umindivíduo com uma doença atópica não corre riscos superiores aos outrosindivíduos de desenvolver anticorpos IgE face a alergénios injectados, taiscomo medicamentos ou venenos de insectos.As reacções alérgicas podem ser ligeiras ou graves. A maioria delasconsiste apenas no incómodo que representa o lacrimejar e o ardor nos olhos,além de alguns espirros. No extremo oposto, as reacções alérgicas podem pôra vida em perigo se causarem uma dificuldade respiratória grave, um maufuncionamento do coração e uma baixa acentuada da tensão arterial, que podeacabar em choque. Este tipo de reacção, chamada anafilaxia, pode afectar aspessoas fracas em situações distintas, como após ingerir certos alimentos,depois de tomar determinados medicamentos ou pela picada de uma abelha.1.1.1- TratamentoEvitar um alergénio é melhor do que tentar tratar uma reacção alérgica.Evitar uma substância pode implicar deixar de ingerir um determinadomedicamento, instalar ar condicionado com filtros, renunciar a ter um animal decompanhia em casa ou não consumir certo tipo de alimentos. Por vezes umindivíduo alérgico a uma substância relacionada com um determinado trabalhovê-se obrigado a mudar de emprego. As pessoas com alergias sazonais fortespodem encarar a possibilidade de se transferir para uma região onde nãoexista esse alergénio.Outras medidas consistem em reduzir a exposição a um determinadoalergénio. Por exemplo, uma pessoa alérgica ao pó da casa pode eliminar todoo mobiliário, tapetes e cortinas que acumulem pó; cobrir colchões e almofadascom protecções plásticas; aspirar o pó e limpar os compartimentos com umRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 5 de 34
  6. 6. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexopano húmido com bastante frequência; usar ar condicionado para reduzir aelevada humidade interior que favorece a multiplicação dos ácaros do pó einstalar filtros de ar extremamente eficientes.Dado que alguns alergénios, em especial os transportados pelo ar, nãopodem ser evitados, os médicos costumam utilizar métodos para bloquear aresposta alérgica e prescrevem medicamentos para aliviar os sintomas.1.1.2- Tipos de reacções alérgicasOs diferentes tipos de reacções alérgicas são geralmente classificadosde acordo com a sua causa, a parte do corpo mais afectada e ainda algunsoutros factores. A rinite alérgica é uma reacção alérgica muito comum. Trata-se de uma alergia às partículas que o ar transporta (em regra pólen e ervas,mas por vezes bolores, pós e pêlo de animais) e que provocam espirros, ardor,rinorreia ou congestão nasal, ardor cutâneo e irritação nos olhos. A rinitealérgica pode ser estacional ou perenial (durante todo o ano).Esta patologia apresenta a seguinte sintomatologia: quando começa aestação do pólen, o nariz, o palato, a parte posterior da garganta e os olhoscomeçam a arder gradualmente ou de forma brusca. Geralmente os olhoslacrimejam, começam os espirros e costuma cair uma aguadilha clara pelonariz. Algumas pessoas têm dores de cabeça, tosse e respiração ofegante;estão irritáveis e deprimidas; perdem o apetite e têm dificuldade em conciliar osono. A face interna das pálpebras e o branco dos olhos podem inflamar-se(conjuntivite). O revestimento do nariz pode inflamar-se e adoptar uma corvermelhoazulada, gotejando e mostrando congestão nasal.A anafilaxia é uma reacção alérgica aguda, generalizada,potencialmente grave e ocasionalmente mortal que se verifica em pessoas queforam previamente sensibilizadas através da exposição a um alergénio e queentram em contacto directo com o mesmo alergénio uma vez mais. A anafilaxiapode ser causada por um alergénio. Os mais frequentes são os medicamentos,as picadas de insectos, certos alimentos e as injecções de imunoterapiaalergénica. A anafilaxia nunca ocorre na primeira exposição a um alergénio.Por exemplo, a primeira exposição à penicilina ou a primeira picada de abelhaRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 6 de 34
  7. 7. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexonão desencadeiam a anafilaxia, mas a seguinte já o pode fazer. Na realidade,muitas pessoas não se recordam de ter sofrido uma primeira exposição.Uma reacção anafiláctica começa quando o alergénio entra na correntesanguínea e reage com um anticorpo da classe imunoglobulina E (IgE). Essareacção incita as células a libertar histamina e outras substâncias queparticipam nas reacções imunes inflamatórias. Como resposta, as viasrespiratórias dos pulmões podem fechar-se e provocar asfixia; os vasossanguíneos podem dilatar-se e fazer com que a tensão arterial desça; asparedes dos vasos sanguíneos podem deixar sair líquido, provocando edema eurticária. O coração pode funcionar mal, bater de forma irregular e bombearsangue de forma inadequada. O indivíduo pode entrar em estado de choque.A urticária é uma reacção da pele caracterizada pela presença depequenas elevações de cor clara ou então avermelhadas (pápulas).Existe uma afecção chamada angioedema que está relacionada com aurticária e que por vezes coexiste com esta; afecta zonas muito maiores etecidos mais profundos debaixo da pele. A urticária e o angioedema sãoreacções de tipo anafiláctico que se limitam à pele e aos tecidos subjacentes.Podem ser desencadeados por alergénios ou outros agentes, ou então não tercausa conhecida. Os alergénios mais frequentes são os medicamentos, aspicadas de insectos, as injecções contra a alergia e certos alimentos, emparticular ovos, mariscos, nozes e frutas. Por vezes a urticária surgesubitamente pouco depois de a pessoa ingerir uma quantidade ínfima de umdeterminado alimento. Noutros casos a urticária aparece apenas depois de secomer grandes quantidades de um alimento em particular (por exemplo,morangos). Em certas situações, a urticária pode aparecer após infecçõesvirais, como a hepatite, a mononucleose infecciosa e a rubéola.A alergia física é uma doença em que os sintomas alérgicos aparecemcomo resposta a um estímulo físico, como o frio, a luz solar, o calor ou umalesão pouco importante. O ardor, as manchas na pele e a urticária são ossintomas mais comuns da alergia física. Em algumas pessoas, as viasrespiratórias que chegam aos pulmões apertam-se e torna-se então difícilrespirar. Uma reacção forte à luz solar (fotossensibilidade) pode causarRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 7 de 34fissõespodemaparecercasos.Tiveumdoentepolíciaqueeraalérgicoàborrachapretadocassetete",exemplifica.omichõeseinflamações.
  8. 8. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexourticária e manchas inabituais na pele. A fotossensibilidade também pode provirdo uso simultâneo de vários medicamentos ou substâncias aplicadas na pele.As pessoas especialmente sensíveis ao calor podem contrair umadoença chamada urticária colinérgica: pequenas zonas de urticária quepicam intensamente, rodeadas por um anel de pele avermelhada. A urticáriacolinérgica também surge em virtude do exercício físico, do stress emocionalou de qualquer outra actividade que provoque sudação. As pessoasparticularmente sensíveis ao frio podem apresentar urticária, inflamação dapele, asma, rinorreia e congestão nasal quando se expõem ao frio.1.2- DermatosesO eczema, também designado dermite ou dermatite, é uma reacçãoinflamatória da pele, de evolução aguda, subaguda ou crónica, que resulta daactuação de factores de natureza endógena ou exógena, actuandoisoladamente ou de forma combinada. As lesões são em geral muitopruriginosas e o processo inflamatório assume intensidade maior ou menor emconformidade com a agressividade do agente causal e da susceptibilidadeindividual.A manifestação clínica inicial consiste na ruborização da pele que sedesigna de eritema. Se a reacção persistir a inflamação pode acentuar-se,surgindo sucessivamente pequenas pápulas, vesículas de conteúdo líquidoclaro ou purulento que podem rebentar e exsudar ou, por confluência, dar lugara bolhas de tamanhos variáveis. Com o rebentamento das bolhas formam-secrostas e posteriormente a pele descama e finalmente cicatriza. A dermatosepode não regredir e o processo inflamatório manter-se e evoluir para oespessamento da pele, com acentuação das linhas cutâneas, constituindo-seplacas mal delimitadas, muitas vezes escoriadas. Nesta fase crónica, o eczemadiz-se liquenificado. A localização das lesões é muitas vezes sugestiva do tipode eczema em causa, mas outras vezes é manifestamente insuficiente para asua caracterização pelo que é necessário correlacionar os elementos dahistória clínica e da observação, com antecedentes patológicos pessoais efamiliares e exames complementares de diagnóstico.Existem diversos tipos de eczema, com características muito distintas,relativamente à sua forma de apresentação, distribuição e tendência evolutiva,Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 8 de 34maisagressõessofremnapelepelasactividadesqueexercem,avançaoDiáriodeNotícias.de20%dostrabalhadoresjámeterambaixaporcausadedoençasdermatológicasassociadasàprofissão.Oquetornaestesproblemasumadasprincipaiscausasdeabsentismo.taAntónioPintoSoares.Asprofissõesqueexigemgrandetrabalhomanualsãoasmaisproblemáticaseaspessoasdeclassemédia-baixaasmaisatingidas."Noentanto,emtodasascomosprodutosdelimpeza,oualérgicos,comoareacçãoquealgumasempregadasdesupermercadofazemaoníquelexistentenasmoedas.MastambémresultamempigmentaçõtoSoares."Mashácasosdramáticos,emqueissoéimpossível,equesetornamcrónicos",garante."Nessassituaçõeseducamosapessoaparaqueeviteaomáximooentedecortisona."(…)
  9. 9. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexocujas designações foram consagradas pelo uso, pelo que, ora são chamadasde dermite, ora são rotuladas de eczema. Assim se distinguem a dermite oueczema atópico, a dermite ou eczema de contacto, a dermite seborreica, oeczema numular, o eczema desidrótico, o líquen simples crónico, o eczemavaricoso e a dermite asteatósicaEczema e dermite (ou dermatite) não são rigorosamente sinónimos,embora sejam usados genérica e correntemente como tal. Dermite significa"inflamação da pele" e, nesta perspectiva, em rigor eczema é um tipo particularde dermite.Eczema de ContactoTrata-se de um processo inflamatório pruriginoso, inicialmente limitado àzona de contacto com o agente causal e que resulta de um efeito irritativo,alérgico ou fotosensibilizante. O eczema de contacto irritativo é extremamentecomum e resulta da actuação de agentes irritantes da natureza química oufísica sobre o revestimento cutâneo-mucoso. Os alcalizantes e os detergentessão as causas mais frequentes e as lesões predominam sobre as mãos,como acontece nas donas de casa e em algumas dermatoses profissionais. Seo eczema tem origem alérgica a expressão clínica resultante poderá serevocadora, como acontece na eczematização dos lóbulos das orelhas poralergias aos objectos de adorno ou de fantasia, ou na face anterior do pulso,por alergia ao níquel contido na fivela do relógio. Noutros casos é necessáriauma história clínica meticulosa e uma observação cuidadosa das lesões, assimcomo o recurso a testes epicutâneos para despiste ou confirmação dodiagnóstico. Nos eczemas de causa profissional é por vezes necessárioinspeccionar as condições de trabalho dos doentes a fim de colher elementosque poderão ser fundamentais para o diagnóstico. O contacto pode fazer-sepor forma directa ou através de uma superfície contaminada. Em muitos casos,como acontece com os pólens, os perfumes e muitas substâncias voláteis, ocontacto pode efectuar-se por via aérea.Se o agente causal é fotosensibilizante a reacção, que poderá ser denatureza tóxica ou alérgica, só terá lugar em presença de luz. A lista desubstâncias fotosensibilizantes inclui algumas centenas de produtos deRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 9 de 34UmquintodasbaixasépordoençadepeleSãoostrabalhadoresdaconstruçãocivil,indústria,metalúrgica,cabeleireiroseprofissionaisdosectordasaúdeSegundoestudospublicadosnasrevistasBritishJournalofDermatologyeJounalofInvestigativeDermatology,c"Sãoaschamadasdermatosesprofissionais,dasmaiscomunsentreasdoençasdetrabalho",explicaodermatolEstesproblemasmanifestam-senormalmenteemeczemas,quepodemserirritativos,comonocasodasdomésti(…)"Jáaconselheialgunsdoentesamudaremdeambientedetrabalhoemesmodeprofissão",sublinhaAntóniocontactocomoagentequecriaairritaçãoeprocedemosaumaterapêuticacompomadasoucomprimidos,princiNoticiaretiradadewww.rcmpharma.com
  10. 10. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoutilização comum, como vegetais, cosméticos, medicamentos de aplicaçãotópica e administrados por via oral.O inquérito com vista à determinação da origem do eczema decontacto, terá que ter em linha de conta as condições de trabalho do doente,os passatempos, a higiene pessoal, os cosméticos (substâncias químicasdepilatórias, verniz das unhas, acetona, desodorizantes, hidratantes, loçõespara depois do barbear, perfumes, filtros solares.) utilizados pelo próprio na suavida pessoal e profissional, a actividade doméstica, os medicamentos usadosou simplesmente manipulados pelo doente a fim de os administrar a outrem, ovestuário, o calçado, o contacto com animais e plantas, etc. O ritmo das crisesao longo do dia, da semana, ou do ano, a sua relação com a permanência emambientes particulares como perfumarias, zonas arborizadas, etc., a influênciado Sol e outros factores ambientais, são igualmente de considerar.A execução de testes epicutâneos é frequentemente determinante nadescoberta do factor causal.A identificação e a remoção da substância em causa, infelizmente nemsempre possível, são essenciais para a resolução do eczema. A protecção dasmãos com luvas impermeáveis é muitas vezes suficiente em certas actividadesmas não é bem tolerada quando usada durante muito tempo e dificulta aagilidade manual para trabalhos mais minuciosos.Eczema atópicoCalcula-se que cerca de 10% das crianças sofram desta dermite. Trata-se de uma inflamação cutânea de evolução crónica, cujo mecanismopatogénico se desconhece, admitindo-se que resulte da interacção de umasusceptibilidade genética, uma desregulação imunológica e uma disfunção dabarreira epidémica.Caracteriza-se por uma hipersensibilidade cutâneo-mucosa a estímulosdiversos que os indivíduos normais suportam perfeitamente.A afecção manifesta-se habitualmente nos primeiros meses e vida emais raramente em adultos jovens.Em cerca de 80% dos casos, no doente ou nos familiares àsmanifestações cutâneas associam-se asma e/ou rinite alérgica. A estatendência familiar para se sofrer destas afecções denomina-se atopia.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 10 de 34
  11. 11. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoOs atópicos têm a pele seca e áspera, em consequência de algumaincapacidade para reter a água na camada córnea da epiderme, mas tambémdevido a uma insuficiente produção de sebo e suor.Caracteristicamente sentem prurido quando transpiram, facto que, aliadoà já referida secura cutânea e a uma típica diminuição do seu limiar desensibilidade para o prurido os leva a coçar permanentemente o corpo, peloque a pele é frequentemente escoriada. Ainda como consequência deste facto,as crianças tornam-se impertinentes e têm perturbações do sono.As características clínicas da afecção variam em função da idade dosdoentes, particularmente no que diz respeito à morfologia e distribuição daslesões. Clinicamente podemos considerar três fases evolutivas mais ou menosdistintas. Quando a afecção se manifesta na fase de lactente, predomina naface, em especial nas regiões genianas e fonte, poupando tipicamente asregiões peri-oculares e peri-bucal. Posteriormente podem ser atingidos o courocabeludo, as partes laterais externas das pernas e tronco. Em casosexcepcionais e eczema pode generalizar a todo o corpo. As lesões sãoavermelhadas e ásperas, mas podem progredir em pequenas pápulas evesiculação, com exsudação, crosta e descamação. Em muitos casos segue-seinfecção secundária.A evolução é irregular, alternando períodos de agravamento e melhoria ea afecção pode regredir totalmente durante o segundo ano de vida ouprosseguir durante a infância, com características algo diferentes.Na vida adulta as lesões são mais disseminadas e afectam em geral afronte, as pálpebras, o pescoço, as pregas dos cotovelos e joelhos, os pulsos ea parte dorsal das mãos e pés.Embora como foi referido, a maioria destes dentes se tornemassintomáticos durante a infância. A susceptibilidade para a inflamaçãocutânea mantém-se em muitos deles, pelo que os atópicos contribuem paracerca de 80% das dermatoses profissionais na vida adulta.1.3- Asma, Distúrbios RespiratóriosOs brônquios e os bronquíolos são basicamente tubos com paredesmusculares. O seu revestimento interno é uma membrana mucosa que contémcélulas que produzem mucosidade. As outras células que revestem osRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 11 de 34
  12. 12. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexobrônquios têm três tipos principais de receptores de superfície especializadosque detectam a presença de substâncias e estimulam a contracção e orelaxamento dos músculos subjacentes. Quando recebem os estímulos, osreceptores beta-adrenérgicos fazem com que os músculos se relaxem e que,por conseguinte, as vias aéreas inferiores se dilatem e facilitem a entrada e asaída do ar. Os receptores colinérgicos estimulados pela acetilcolina e osreceptores peptidérgicos estimulados pela neuroquinina fazem com que osmúsculos se contraiam; como consequência, as vias aéreas inferioresestreitam-se e a ventilação é dificultada.A obstrução de uma via respiratória pode ser reversível ou irreversível.No caso da asma, a obstrução é completamente reversível. Na doençapulmonar crónica obstrutiva, a obstrução é parcialmente reversível,enquanto a provocada pelo enfisemaé irreversível.As doenças pulmonares deorigem ocupacional devem-se àinalação de partículas nocivas, nuvens,vapores ou gases no local de trabalho.O local exacto das vias aéreas ou dospulmões aonde chega a substânciainalada e o tipo de doença pulmonarque desencadeia dependem dotamanho e do tipo das partículas. Asmaiores podem ficar retidas no narizou nas vias aéreas superiores, mas asmais pequenas atingem os pulmões. Uma vez ali, algumas partículasdissolvem-se e podem passar para a corrente sanguínea; as defesas do corpoeliminam as mais sólidas que não se dissolvem.O organismo tem vários mecanismos para eliminar as partículasaspiradas. Nas vias respiratórias, o muco cobre as partículas de modo que sejafácil expulsá-las através da tosse. Nos pulmões, existem células depuradorasespeciais que engolem a maioria das partículas e as tornam inofensivas.Diversos tipos de partículas produzem diferentes acções no organismo.Algumas causam reacções alérgicas, como o pólen das plantas, responsávelpela febre do feno ou por um tipo de asma. As partículas como o pó de carvão,Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 12 de 34
  13. 13. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoo carvão e o óxido de estanho não produzem muita reacção nos pulmões.Outras, como o pó de quartzo e de amianto podem causar cicatrizespermanentes no tecido pulmonar (fibrose pulmonar). Em quantidadesimportantes, certas partículas, como o amianto, podem causar cancro nosfumadores.1.3.1- AsmaA asma profissional é um espasmo reversível das vias aéreaspulmonares causado pela aspiração, no local de trabalho, de partículas ou devapores que actuam como irritantes ou causam uma reacção alérgica.Muitas substâncias, no local de trabalho, podem provocar espasmos dasvias aéreas que dificultam a respiração. Algumas pessoas são particularmentesensíveis aos agentes irritantes que se encontram no ar.SintomasA asma profissional pode causar dispneia, opressão no peito, respiraçãosibilante, tosse, rinorreia e lacrimejo. Em algumas pessoas, a respiraçãosibilante é o único sintoma.Os sintomas podem verificar-se durante a jornada de trabalho, mas,muitas vezes, começam algumas horas depois de ela ter terminado. Emalgumas pessoas, os sintomas começam até 24 horas depois da exposição.Além disso, os sintomas podem aparecer e desaparecer durante umas semanaou mais depois da exposição. Deste modo é difícil estabelecer a relação entreo local de trabalho e os sintomas. Muitas vezes, os sintomas diminuem oudesaparecem durante o fim-de-semana ou nas férias. Os sintomas pioram coma exposição repetida aos agentes irritantes.1.4- Distúrbios digestivosO interior do estômago e do duodeno é marcadamente resistente àslesões pelo ácido e pelos enzimas digestivos que contém. No entanto, podeficar irritado, desenvolver úlceras, obstruir-se e formar tumores.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 13 de 34
  14. 14. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexo1.4.1- GastriteA gastrite é a inflamação do revestimento mucoso do estômago.A mucosa do estômago oferece resistência à irritação e normalmentepode suportar um elevado conteúdo ácido.No entanto, pode irritar-se e inflamar-se por diferentes motivos.A gastrite bacteriana segue-se normalmente a uma infecção pororganismos como o Helicobacter pylori (bactérias que crescem nas célulassecretoras de muco do revestimento do estômago). Não se conhecem outrasbactérias que se desenvolvam em ambientes normalmente ácidos como o doestômago, embora muitos tipos possam fazê-lo no caso de o estômago nãoproduzir ácido. Tal crescimento bacteriano pode provocar gastrite de formatransitória ou persistente.A gastrite aguda por stress, o tipo mais grave de gastrite, é provocadapor uma doença ou lesão graves de aparecimento rápido. A lesão pode nãoafectar o estômago. Por exemplo, são causas frequentes as queimadurasextensas e as lesões que provocam hemorragias maciças.A gastrite erosiva crónica pode ser secundária a substâncias irritantescomo os medicamentos, sobretudo a aspirina e outros anti-inflamatórios nãoesteróides (AINE), à doença de Crohn e a infecções bacterianas e virais. Comeste tipo de gastrite, que se desenvolve lentamente em pessoas que, por outrolado, gozam de boa saúde, podem verificar-se hemorragias ou ulcerações. Émais frequente em pessoas que abusam de álcool.Os sintomas variam conforme o tipo de gastrite. No entanto,normalmente uma pessoa com gastrite sofre de indigestão e de queixas ligeirasna parte alta do abdómen.Na gastrite aguda por stress, a doença subjacente, os traumatismosou as queimaduras em geral camuflam os sintomas gástricos. No entanto,podem sentir-se queixas moderadas na parte alta do abdómen. Pouco depoisdum traumatismo, no revestimento do estômago podem surgir pequenospontos hemorrágicos. Em poucas horas, estas pequenas lesões hemorrágicaspodem converter-se em úlceras. As úlceras e a gastrite podem desaparecer sea pessoa recuperar rapidamente do traumatismo. Se assim não for, as úlceraspodem tornar-se maiores e começar a sangrar, normalmente entre 2 e 5 diasRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 14 de 34
  15. 15. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexodepois da lesão. A hemorragia pode fazer com que as fezes sejam de cornegro-alcatrão, tingir de vermelho o líquido do estômago ou, se for muitoabundante, fazer baixar a tensão arterial. A hemorragia pode ser maciça emortal.A maioria das pessoas com gastrite aguda por stress cura-se porcompleto quando se consegue controlar a doença subjacente, a lesão ou ahemorragia.1.4.2- ÚlceraUma úlcera péptica é uma ferida bem definida, circular ou oval,causada por o revestimento do estômago ou do duodeno ter sofrido lesão ousimples erosão pelos ácidos gástricos ou pelos sucos duodenais. Quando aúlcera é pouco profunda, denomina-se erosão.A pepsina é um enzima que trabalha juntamente com o ácido clorídricoproduzido pela mucosa gástrica para digerir os alimentos, sobretudo asproteínas. A úlcera péptica forma-se no revestimento do tracto gastrointestinalexposto ao ácido e aos enzimas digestivos (principalmente do estômago e doduodeno). Os nomes das úlceras identificam a sua localização anatómica ou ascircunstâncias em que se desenvolvem.A úlcera duodenal, o tipo mais comum de úlcera péptica, surge noduodeno (os primeiros centímetros de intestino delgado imediatamente a seguirao estômago). As úlceras gástricas, que são as menos frequentes,normalmente situam-se na parte alta da curvatura do estômago. Se forextirpada cirurgicamente parte do estômago, podem desenvolver-se úlcerasmarginais na zona em que o estômago remanescente voltou a ligar-se aointestino. A repetida regurgitação de ácido procedente do estômago para osegmento inferior do esófago pode provocar inflamação (esofagite) e úlcerasesofágicas. As úlceras que aparecem como consequência do stress derivadoduma doença grave, queimaduras ou traumatismos, denominam-se úlceras destress.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 15 de 34
  16. 16. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexo1.4.3- DispepsiaA dispepsia é uma dor ou um mal-estar na parte alta do abdómen ou nopeito que muitas vezes é descrita como ter gases, sensação de estar cheio oucomo uma dor corrosiva ou urgente (ardor).A dispepsia tem muitas causas. Algumas são perturbações importantes,como úlceras do estômago, úlceras duodenais, inflamação do estômago(gastrite) e cancro gástrico. A ansiedade pode provocar dispepsia(possivelmente porque uma pessoa ansiosa tende a suspirar ou a inspirar eengolir ar, o que pode provocar distensão gástrica ou intestinal, bem comoflatulência e meteorismo). A ansiedade também pode aumentar a percepção desensações desagradáveis por parte da pessoa, ao ponto de o mais pequenoincómodo se tornar muito stressante.1.5- Distúrbios osteoarticularesAs lesões músculo-esqueléticas (LME) podem afectar diferentespartes do corpo, como, por exemplo, o ombro e o pescoço; o cotovelo, a mão eo punho; o joelho e a coluna vertebral. São síndromes de dor crónica queocorrem no exercício de uma dada actividade profissional e, por isso, sedesignam “ligadas ao trabalho”. As lesões músculo-esqueléticas dos membrossuperiores relacionadas (ou ligadas) com o trabalho são as que são referidascom maior insistência em certas condições de trabalho como, por exemplo, asactividades implicando tarefas repetitivas, a aplicação de força ou o trabalhoque requeira posições das articulações muito “exigentes”.A designação lesões músculo-esqueléticas relacionadas ou ligadas aotrabalho (LMERT ou LMELT) inclui um conjunto de doenças inflamatórias edegenerativas do sistema locomotor. Designam-se LMERT ou LMELT (lesõesmúsculo-esqueléticas relacionadas ou ligadas ao trabalho) as lesões queresultam da acção de factores de risco profissionais como a repetitividade, asobrecarga e/ou a postura adoptada durante o trabalho. As LMERTgeralmente localizam-se no membro superior (LMEMSRT) e na colunavertebral, mas podem ter outras localizações, como os joelhos ou osRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 16 de 34
  17. 17. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexotornozelos, dependendo a área do corpo afectada, da actividade de riscodesenvolvida pelo trabalhador.As LMERT caracterizam-se por sintomas como:• Dor, a maior parte das vezes localizada, mas que pode irradiarpara áreas corporais;• Sensação de dormência ou de “formigueiros” na área afectadaou em área próxima;• Sensação de peso;• Fadiga ou desconforto localizado;• Sensação de perda ou mesmo perda de força.Na grande maioria dos casos, os sintomas surgem gradualmente,agravam-se no final do dia de trabalho ou durante os picos de produção ealiviam com as pausas ou o repouso e nas férias.Se a exposição aos factores de risco se mantiver, os sintomas, queinicialmente são intermitentes, tornam-se gradualmente persistentes,prolongando-se muitas vezes pela noite, mantendo-se mesmo nos períodos derepouso e interferindo não só com a capacidade de trabalho, mas também,com as actividades do dia-a-dia. Quando as situações clínicas evoluem para adoença crónica, pode surgir também edema (inchaço) da zona afectada emesmo uma hipersensibilidade a todos os estímulos, como, por exemplo, o“toque”, o esforço, mesmo que ligeiro, ou as diferenças de temperatura.Factores de riscoDe causaergonómica Movimentos repetitivos que requerem aplicação deforça; Choque mecânico; Força de preensão e carga palmar; Carga externa e muscular estática; Stress mecânico; Vibrações e temperaturas extremas; Posições desadequadas que podem decorrer doequipamento mal desenhado, das ferramentas ou doposto de trabalho.De causa  Horas e ritmo de trabalho excessivos;Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 17 de 34
  18. 18. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoorganizacional Trabalho com ritmo externo imposto – por exemplo,linhas de montagem; Pausas e descanso insuficientes; Insegurança ou insatisfação laboral; Monitorização excessiva, por exemplo, com câmaras devídeo.De riscoindividual Tabagismo: Ingestão de bebidas alcoólicas em excesso; Obesidade.O aspecto mais importante de qualquer programa de prevenção dasLMERT é a participação de todos os trabalhadores da empresa, incluindo osórgãos da administração/gestão e as chefias intermédias. É aindaindispensável a partilha total de informação sobre os elementos das situaçõesde trabalho, partindo do conhecimento existente e integrando os resultados daavaliação do risco. A prevenção das LMERT é um problema de todos e nãodos médicos e dos trabalhadores com doenças ou lesões.A prevenção das LMERT passa sempre pela existência de um conjuntode procedimentos que reduzam o risco de lesões. Esses procedimentosRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 18 de 34
  19. 19. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoconstituem o modelo de gestão do risco de LMERT, também na perspectivaergonómica, que integra as seguintes principais componentes: a análise dotrabalho; a avaliação do risco de LMERT; a vigilância médica (ou da saúde) dotrabalhador e a informação e formação dos trabalhadores.As LMERT podem ser agrupadas de acordo com a estrutura afectada:○ Tendinites ou tenossinovites são lesões localizadas ao níveldos tendões e bainhas tendinosas, de que são exemplo atendinite do punho, a epicondilite e os quistos das bainhas dostendões;○ Síndrome canalicular, em que há lesão de um nervo, comoacontece na Síndrome do Túnel Cárpico e na Síndrome do canalde Guyon;○ Raquialgias, em que há lesão osteoarticular e/ou muscular aolongo de toda a coluna vertebral ou em alguma parte desta;○ Síndromes neurovasculares, em que há lesão nervosa evascular em simultâneo.1.6- Distúrbios venososAs veias levam o sangue de todos os órgãos até ao coração. Osproblemas principais das veias são a inflamação, a coagulação e os defeitosque conduzem à dilatação e às varizes. As pernas contêm dois gruposprincipais de veias: as superficiais, localizadas na camada gorda por debaixoda pele, e as profundas, localizadas nos músculos. Existem veias curtas queligam as superficiais com as profundas. Normalmente, a pressão do sangue emtodas as veias é baixa; e nas pernas, esta pressão baixa pode representar umproblema. Quando uma pessoa está de pé, o sangue deve circular das veiasdas pernas para cima até chegar ao coração. As veias profundasdesempenham um papel crucial na propulsão do sangue para cima, uma vezque ao estarem localizadas dentro dos poderosos músculos da barriga daperna, estas veias são profundamente comprimidas em cada passada. Talcomo quando se aperta um tubo de pasta dentífrica, assim a compressão dasRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 19 de 34
  20. 20. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoveias profundas empurra o sangue para cima. Estas veias transportam 90 % oumais do sangue que vai das pernas para o coração.Para manter este sentido ascendente do fluxo sanguíneo, as veiasprofundas contêm válvulas de uma só direcção. Cada válvula é formada porduas metades (cúspides) cujos bordos fazem contacto entre si. O sangueempurra as cúspides, que se abrem como um par de portas giratórias; masquando o sangue tende a regressar na direcção oposta, forçado pelagravidade, empurra as cúspides de modo que estas se fechem.As veias superficiais têm o mesmo tipo de válvulas, mas não estãosujeitas a nenhuma pressão porque não estão rodeadas por músculos. Porisso, o sangue das veias superficiais flui mais lentamente do que o sangue dasveias profundas. Grande parte do fluxo sanguíneo que circula pelas veiassuperficiais é desviado para as profundas através de veias curtas que ligam osdois sistemas.1.6.1- VarizesAs varizes, ou veias varicosas, são veias superficiais dilatadas daspernas. A causa principal das varizes é desconhecida, mas provavelmentedeve-se a uma debilidade nas paredes das veias superficiais, que pode serhereditária. Com o passar dos anos, a debilidade faz com que as veias percama sua elasticidade. Distendem-se e tornam-se compridas e mais largas. Paraque possam caber no mesmo espaço que ocupavam quando eram normais, asveias aumentadas tornam-se tortuosas, com um aspecto serpenteante quandosobressaem da pele. Mais importante que o alargamento é a dilatação que fazcom que as valvas da válvula se separem. Como resultado disso, as veiasenchem-se rapidamente de sangue quando a pessoa pára e as veias tortuosase de paredes finas aumentam ainda mais. A dilatação também afecta algumasveias comunicantes, que normalmente permitem que o sangue flua numa sódirecção, das veias superficiais para as veias profundas. Se as válvulas dasveias comunicantes falham, o sangue reflui às veias superficiais quando osmúsculos apertam as veias profundas e causam um alongamento adicional dasveias superficiais.Além de serem antiestéticas, as varizes, frequentemente, doem e fazemsentir as pernas cansadas. Muitas pessoas, no entanto, mesmo quando asRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 20 de 34
  21. 21. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoveias são muito grandes, podem não sentir dor. Pode sentir-se ardor na parteinferior da perna e no tornozelo, sobretudo quando a perna está quente, comoacontece depois de se retirar as peúgas ou as meias. O ardor pode levar àcoceira e causar arranhões, rubor ou erupções, que muitas vezes se atribuem,erradamente, à secura da pele. Por vezes os sintomas são piores quando asvarizes se estão a desenvolver do que quando estão completamente formadas.Só uma pequena percentagem de pessoas com varizes temcomplicações, como dermatites, flebites ou hemorragias. A dermatite causauma erupção avermelhada com escamas e ardor, ou então uma zona de corcastanha na parte interna da perna por cima do tornozelo. Um arranhão ouuma ferida menor podem causar uma úlcera dolorosa que não se cura. A flebitepode surgir espontaneamente ou ser devida a uma ferida. Embora, de modogeral, seja dolorosa, a flebite que se manifesta numa variz raramente provocaproblemas graves. Se a pele que cobre uma variz ou as veias aracniformes éfina, uma ferida mínima, produzida ao barbear-se ou ao coçar-se, pode causaruma hemorragia. As úlceras também podem causar hemorragia.Um dos principais factores para o desenvolvimento das varizes é ofactor familiar ou hereditário (genético), que ocasiona uma diminuição daresistência das paredes das veias tornando-as mais frágeis e menosresistentes. Mas há outros factores que desempenham, também, um papelimportante no seu aparecimento ou agravamento, tais como: o tabaco, aingestão exagerada de bebidas alcoólicas, o excesso de peso, apermanência prolongada na posição de pé ou sentada e actividades em queé necessário realizar grandes esforços, tal como sucede em muitas profissõesA prevenção é fundamental e deverá ser feita o mais cedo possível. Oscuidados preventivos facilitam o retorno venoso, diminuem as queixas, osofrimento, evitam a dilatação das veias e atrasam a evolução da doença,podendo evitar a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Alguns conselhosimportantes:- Usar meias elásticas principalmente durante a gravidez, ou duranteactividades em que permaneça muitas horas de pé. São o principal meio deRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 21 de 34
  22. 22. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexoprevenção para o aparecimento de varizes. Os seus resultados são melhoresse as calçar logo de manhã, mesmo antes de se levantar da cama.- Manter um peso corporal adequado evitando o excesso de peso.Fazer uma alimentação equilibrada rica em fibras e fruta. O tabaco prejudica afluidez do sangue no retorno venoso para o coração, agravando o problema aquem sofre de varizes.- Usar roupas e sapatos confortáveis. Quando apertados dificultam acirculação e o retorno do sangue. Os saltos altos são prejudiciais.- Evitar a exposição prolongada dos membros inferiores a elevadastemperaturas tipo sauna, sessões de bronzeamento, banhos quentes,radiadores, exposição solar, braseiras, lareiras, depilação com cera muitoquente, porque provocam dilatação das veias, o aparecimento de novos vasos,o edema e dificultam o retorno venoso.- Evitar estar muito tempo sentado. Se tiver que o fazer use meiaselásticas, mobilize as pernas e mexa os tornozelos e os dedos dos pés comfrequência. Evitar cruzar as pernas quando se senta Ao fazê-lo está aaumentar a pressão na perna, que fica por baixo dificultando ainda mais acirculação do sangue.- Durante o repouso, manter as pernas ligeiramente levantadas, oupelo menos esticadas em cima de um banco, após um dia de actividades maisintensas ou após o exercício físico, de forma a favorecer o retorno venoso emelhorar a circulação do sangue. Se tiver cãibras durante a noite dormir com ocolchão um pouco elevado na zona dos pés (10 a 15 centímetros).- Praticar regularmente exercícios físicos moderados, evitando pesoexcessivo nas pernas. Andar a pé, de bicicleta, correr, dançar, caminhar napraia junto à água, banho de mar, natação. Se costuma levar o carro para oemprego ou utiliza outros meios de transporte, autocarros ou metro desça umaestação antes e aproveite para andar algumas dezenas de metros a pé. Evitartransportar pesos em excesso, ou realizar actividades físicas do tipomusculação, ou de grande impacto, porque provocam uma grande tensão nosvasos e, por conseguinte, a sua dilatação, ou a formação de novas varizes. EmRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 22 de 34
  23. 23. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexocasa, realizar alguns exercícios simples que poderão ser indicados pelo seumédico assistente.1.7- Doenças infecto-contagiosas1.7.1- SIDAA infecção causada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) éuma doença provocada por um ou dois vírus que progressivamente destroemuns glóbulos brancos chamados linfócitos, causando a síndroma daimunodeficiência adquirida (SIDA) e outras doenças derivadas de umaimunidade deficiente.No início dos anos 80 os epidemiologistas (pessoas que estudam osfactores que afectam a frequência e a distribuição das doenças) reconheceramum aumento brusco de duas doenças entre os homens homossexuaisamericanos. Uma era o sarcoma de Kaposi, uma variedade de cancro poucofrequente; a outra era a pneumonia que ocorre apenas em pessoas com umsistema imunitário comprometido.A insuficiência do sistema imunitário que permitiu o desenvolvimento decancros raros e de infecções pouco comuns recebeu o nome de SIDA.Também se descobriram insuficiências nos sistemas imunológicos das pessoasque se injectavam com drogas, em hemofílicos, naqueles que recebiamtransfusões de sangue e em homens bissexuais. Pouco depois, a síndromacomeçou a ser detectada em heterossexuais que não consumiam drogas, emhemofílicos e em doentes que recebiam transfusões de sangue.Os investigadores em breve descobriram que era um vírus oresponsável pela SIDA. Os dois vírus que causam a SIDA são o VIH-1 e oVIH-2. O VIH-1 é mais frequente no hemisfério ocidental, na Europa, na Áfricae na Ásia Central, do Sul e Oriental. O VIH-2 é o principal vírus causador deSIDA da África Ocidental, apesar de ali muitas pessoas estarem tambéminfectadas com o tipo VIH-1.Para infectar uma pessoa, o vírus tem de entrar em células como oslinfócitos, uma variedade de glóbulos brancos. O material genético do vírusincorpora-se no ADN de uma célula infectada. O vírus reproduz-se dentro daRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 23 de 34
  24. 24. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexocélula, chegando a destruí-la finalmente e libertando novas partículas domesmo. Depois essas novas partículas infectam outros linfócitos e podemtambém destruí-los.O contágio do VIH requer um contacto com fluidos corporais quecontenham células infectadas ou partículas do vírus; os referidos humoresincluem sangue, sémen, secreções vaginais, líquido do cérebro e daespinal medula.O VIH também está presente nas lágrimas, na urina e na saliva, mas emconcentrações ínfimas.O VIH transmite-se das seguintes maneiras:• Através das relações sexuais com uma pessoa infectada, durante asquais a membrana mucosa que reveste a boca, a vagina ou o recto ficaexposta aos fluidos corporais contaminados.• Pela injecção ou infusão de sangue contaminado, como sucede aofazer uma transfusão, por partilhar seringas ou picar-se acidentalmentecom uma agulha contaminada com VIH.• Transmissão do vírus a partir de uma mãe infectada para o seu filhoantes do nascimento ou durante o mesmo, ou então através do leitematerno.• A susceptibilidade à infecção por VIH aumenta quando a pele ou umamembrana mucosa é lesada, como pode acontecer durante umarelação sexual enérgica via vaginal ou anal. Muitos estudosdemonstraram que a transmissão sexual do VIH é mais provável se umdos membros do casal tem herpes, sífilis ou outras doenças detransmissão sexual que podem provocar lesões na pele. Contudo, o VIHpode ser transmitido por uma pessoa infectada a outra durante umarelação sexual vaginal ou anal, ainda que nenhuma das duas tenhaoutras doenças de transmissão sexual ou lesões visíveis na pele. Atransmissão também pode ter lugar durante o sexo oral, apesar de sermenos frequente.Estratégias para evitar a transmissão do VIHPara as pessoas não infectadasRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 24 de 34
  25. 25. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexo• Abstinência.• Sexo seguro (com protecção).Para as pessoas VIH-positivas• Abstinência.• Sexo seguro (com protecção).• Não efectuar doações de órgãos nem de sangue.• Evitar a gravidez.• Notificar os parceiros anteriores e futuros.Para aqueles que consomem drogas• Evitar partilhar agulhas ou utilizá-las várias vezes.• Começar programas de recuperação.Para profissionais• Usar luvas de borracha cada vez que exista a possibilidade decontacto com fluidos corporais.• Usar e eliminar correctamente as agulhas e outros objectoscortantes.1.7.2- HepatiteA hepatite é uma inflamação do fígado por qualquer causa.Em geral, é resultado da acção de um vírus, particularmente um doscinco vírus da hepatite A, B, C, D ou E.Menos frequentemente, a hepatite pode dever-se a outras infecçõesvirais, tais como a mononucleose infecciosa, febre-amarela e infecção porcitomegalovírus. As principais causas da hepatite não viral são o álcool e osmedicamentos. A hepatite pode ser aguda (dura menos de 6 meses) oucrónica; esta doença apresenta-se habitualmente em todo o mundo.O vírus da hepatite A propaga-se fundamentalmente das fezes de umapessoa para a boca de outra. Essa transmissão é, em geral, consequência deuma higiene deficiente. As epidemias que se propagam através da água e dosalimentos são frequentes, especialmente nos países em desenvolvimento. Porvezes a causa é a ingestão de mariscos crus contaminados. Também sãofrequentes os casos isolados, em geral originados pelo contacto de pessoa apessoa. A maioria das infecções por hepatite A não causa sintomas e passamdespercebidas.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 25 de 34
  26. 26. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoA transmissão da hepatite B é mais difícil que a do vírus da hepatite A.Um dos meios de transmissão é o sangue ou os produtos sanguíneoscontaminados. Contudo, graças às precauções adoptadas, as transfusõesraramente são as responsáveis da transmissão deste vírus. Em geral, atransmissão produz-se entre consumidores de drogas injectáveis que partilhamas seringas e também entre casais heterossexuais ou homossexuaismasculinos. Uma mulher grávida, se estiver infectada com hepatite B, podetransmitir o vírus ao seu bebé ao nascer.As pessoas sãs, portadoras crónicas do vírus, podem transmitir ahepatite B. Não está comprovado que as picadas de insectos possam transmiti-la. Muitos casos de hepatite B provêm de fontes desconhecidas. Em algumaspartes do mundo, como o Extremo Oriente e algumas regiões de África, estevírus é responsável de muitos casos de hepatite crónica, cirrose e cancrohepático.O vírus da hepatite C é a causa de, pelo menos, 80 % dos casos dehepatite originados por transfusões de sangue, além de muitos casos isoladosde hepatite aguda. A doença transmite-se habitualmente entre consumidoresde drogas que partilham as seringas, enquanto, neste caso, a transmissãosexual não é frequente. Este vírus é responsável por muitos casos de hepatitecrónica e alguns casos de cirrose e de cancro hepático. Por razõesdesconhecidas, as pessoas com doenças hepáticas causadas pelo álcoolapresentam frequentemente hepatite C. A combinação de ambas as doençasconduz, por vezes, a uma maior perda da função hepática que a que poderiaser causada por cada uma destas, em separado. Parece que existe umreduzido número de pessoas sãs que são portadoras crónicas do vírus dahepatite C.O vírus da hepatite D manifesta-se unicamente como uma co-infecçãocom o vírus da hepatite B; esta coinfecção agrava a infecção da hepatite B. Orisco entre os consumidores de drogas é relativamente alto.O vírus da hepatite E causa epidemias ocasionais, semelhantes àscausadas pelo vírus da hepatite A. Até agora, estas epidemias foramdesencadeadas apenas em alguns países em desenvolvimento.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 26 de 34
  27. 27. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoUma adequada higiene ajuda a prevenir a difusão do vírus da hepatiteA. Como as fezes das pessoas com hepatite A são infectantes, o pessoalsanitário deve redobrar as precauções ao manipulá-las. As mesmasprecauções deverão ser tomadas na manipulação do sangue dos afectadoscom qualquer tipo de hepatite aguda. Contudo, as pessoas infectadas nãonecessitam de isolamento; seria de pouca utilidade para prevenir a transmissãoda hepatite A e inútil para prevenir a da hepatite B e C.A vacinação contra a hepatite B estimula as defesas imunitárias doorganismo e protege a maior parte das pessoas. Contudo, a vacinação émenos eficaz para os pacientes em tratamento por diálise, nas pessoas comcirrose e naquelas com um sistema imunitário deficiente. A vacinação éespecialmente importante para as pessoas com risco de contrair a hepatite B,embora esta não seja eficaz nos casos em que a doença já está desenvolvida.Por estas razões, é cada vez mais recomendável para todos a vacinaçãouniversal contra a hepatite B.A vacinação contra a hepatite A administra-se a grupos com um riscoalto de contrair a infecção, tais como pessoas que viajem para lugares domundo em que a doença tenha uma ampla difusão. Não há vacinas disponíveiscontra os vírus da hepatite C, D e E.1.7.3- VirosesUm vírus é um minúsculo organismo infeccioso (muito menor que umfungo ou uma bactéria) que necessita de uma célula viva para se reproduzir. Ovírus adere a uma célula, geralmente de um tipo específico. Uma vez dentrodela, liberta o seu ADN ou ARN (que contém a informação necessária paracriar novas partículas de vírus) e assume o controlo de alguns processosmetabólicos da mesma. Como consequência, os componentes do vírus sãofabricados dentro da célula e reunidos adequadamente para que o vírus sejalibertado e continue a manter a sua capacidade infectante.O que sucede à célula depende do tipo de vírus. Alguns matam ascélulas que infectam. Outros alteram a função celular ao ponto de a mesmaperder o controlo sobre a sua divisão normal e tornar-se cancerosa. Algunsvírus incorporam uma parte da sua informação genética no ADN da célulaRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 27 de 34
  28. 28. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexohospedeira, mas permanecem inactivos (ou latentes) até que a mesma sejaalterada, permitindo então que o vírus emerja de novo.Geralmente os vírus possuem um hospedeiro preferido. Alguns, como oda gripe, podem infectar os humanos e uma variedade de outros animais. Dequalquer modo, algumas variedades de gripe adaptaram-se de tal forma queconseguem infectar uma espécie de animal mais eficientemente do que outras.Quase todos os vírus que se encontram frequentemente nos seres humanossão transmitidos de pessoa a pessoa. Alguns, como o da raiva ou o daencefalite, infectam principalmente os animais e só ocasionalmente os homens.O organismo possui um número de defesas específicas e nãoespecíficas contra os vírus. As barreiras físicas, como a pele e asmembranas mucosas, impedem-nos de chegar facilmente ao interior docorpo. As células afectadas produzem interferão (ou interferões), uma famíliade glucoproteínas capazes de fazer com que as células não afectadas setornem mais resistentes à infecção desencadeada por muitos vírus.Pode-se gerar imunidade administrando vacinas. Estas sãopreparadas de forma tal que se assemelhem a um vírus específico, como ovírus que causa a gripe ou o sarampo, para que seja administrado às pessoassem provocar doença. Em resposta a uma vacina, o organismo aumenta onúmero de linfócitos B e T, que são capazes de reconhecer o vírus específico.Desta forma, as vacinas podem produzir imunidade face a um vírus específico.Actualmente existem muitas vacinas que evitam infecções frequentes e graves,tais como a gripe, o sarampo, a poliomielite, a varicela, a raiva, a rubéola(sarampo alemão), as hepatites A e B, a encefalite japonesa e a febre-amarela.Todavia, por vezes, um vírus altera-se (sofre mutação) para evitar o anticorpoda vacina e então é necessário repetir a vacinação.É possível adquirir protecção imediata contra uma infecção viral,recebendo uma injecção ou uma infusão de imunoglobulinas. A referida infusãocontém anticorpos que foram produzidos por outra pessoa ou então por umanimal. Por exemplo, quem viaja para uma zona com prevalência de hepatite Apode receber uma injecção de imunoglobulina contra este tipo de hepatite.Contudo, a imunoglobulina pode fazer com que algumas vacinas, como a dosarampo ou a da poliomielite, sejam menos eficazes se forem aplicadas aomesmo tempo.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 28 de 34
  29. 29. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoOs medicamentos que combatem as infecções virais recebem o nomede fármacos antivirais. Existem muito menos fármacos antivirais do queantibacterianos (antibióticos). Em comparação com a maioria dos antibióticos,os fármacos antivirais costumam ser mais difíceis de produzir, mais específicospara o organismo contra o qual estão destinados a agir e, em regra, maistóxicos. Os antibióticos não são eficazes contra as infecções virais, mas,se alguém tiver uma infecção por bactérias além da viral, costuma sernecessário administrar um antibiótico.Complicações da gripeApesar de a gripe ser uma doença grave em todas as pessoas, amaioria dos indivíduos saudáveis começa a sentir-se bem aos 7 a 10 dias. Ascomplicações podem fazer com que a gripe se torne mesmo mais grave. Osmuito jovens, os de idade avançada e as pessoas com alguma doençacardíaca, pulmonar ou do sistema nervoso correm um risco particularmenteelevado de apresentar complicações e morrer.Certos casos raros de gripe evoluem com uma grave inflamação doscanais respiratórios com secreções sanguinolentas (bronquite hemorrágica). Apneumonia viral é a complicação mais grave; pode progredir rapidamente ecausar a morte num lapso de tempo tão breve como 48 horas. Não se sabecom certeza o que determina que a pneumonia se desencadeie ou não, mas émais provável que tenha lugar durante uma epidemia de gripe causada pelovírus influenza A, para o qual muito poucas pessoas têm imunidade; porconsequência, ele ataca aqueles que correm um risco maior. A pneumoniabacteriana também pode complicar a gripe, porque fica afectada a capacidadeque os pulmões têm de eliminar ou controlar as bactérias localizadas noaparelho respiratório.Prevenção do resfriado comumDado que há tantos vírus diferentes que causam resfriados, e atendendoa que a taxa de anticorpos produzidos contra um vírus destes diminui com opassar do tempo, a maioria das pessoas pode constipar-se durante toda a suavida. Até ao momento não foi ainda criada uma vacina eficaz contra cada umdos vírus respiratórios, mas todos os anos se actualiza uma vacina contra aRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 29 de 34
  30. 30. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexogripe para que actue sobre novas variedades de vírus, e além disso estão acriar-se vacinas para outros vírus, como o vírus sincicial respiratório e o vírusparainfluenza.As melhores medidas preventivas consistem numa boa higiene.Como muitos vírus que produzem catarros se transmitem por contacto comsecreções infectadas, lavar as mãos com frequência, rejeitar os lenços usadose limpar todos os elementos e superfícies pode ajudar a reduzir a suapropagação.Foram propostos e experimentados muitos tratamentos para evitar osresfriados, mas nenhum demonstrou ser fiável e eficaz. Não se demonstrouque as grandes doses de vitamina C (até 2000 mg por dia) reduzam o risco deconstipação, nem a quantidade de vírus que a pessoa infectada transmite.Prevenção da GripeUm indivíduo exposto ao vírus da gripe produz anticorpos contra omesmo, que o protegem contra uma nova infecção por esse vírus em especial.De qualquer modo, vacinar-se contra a gripe todos os anos é a melhor formade evitar contraí-la. As vacinas contêm variedades do vírus da influenzainactivados (ou «mortos») ou então partículas virais. Uma vacina pode sermonovalente (uma só variedade de vírus) ou polivalente (geralmente trêsvariedades). A monovalente permite administrar uma dose maior contra umavariedade nova de vírus, enquanto uma polivalente cria resistências contramais de uma variedade. Cada ano é criada uma nova vacina baseada nasprevisões de quais os vírus que têm mais probabilidades de causar gripe. Asprevisões têm em conta qual a variedade de vírus que predominou durante atemporada anterior e qual a que está a causar doença noutras partes domundo nesse momento.A vacinação é particularmente importante para aqueles que têmprobabilidade de adoecer gravemente se se infectarem. A vacinação deve terlugar durante o Outono, de maneira que as taxas de anticorpos cheguem aomáximo durante os meses-chave para a gripe, geralmente o Inverno. Para amaioria dos vacinados, devem decorrer duas semanas até que a vacinacomece a oferecer protecção. No entanto, as crianças e outras pessoas quenunca estiveram expostas a um vírus da influenza necessitam de receber duasdoses do produto para assim conseguirem uma imunidade adequada.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 30 de 34
  31. 31. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro Unisexo1.7.4- TuberculoseTuberculose é uma infecção contagiosa, potencialmente mortal,causada por uma bactéria que se encontra no ar chamada Mycobacteriumtuberculosis, M. bovis ou M. africanum.O termo «tuberculose» faz referência à doença mais frequentementecausada pelo Mycobacterium tuberculosis, mas que, por vezes, também podeser devida à acção do M. bovis ou do M. africanum. Apesar de outrasmicobactérias provocarem afecções semelhantes à tuberculose, essasinfecções não são contagiosas e a maioria delas não responde aosmedicamentos que, em contrapartida, se revelam muito eficazes contra atuberculose.Esta doença é mais frequente entre as pessoas de idade avançada.Existem três razões básicas para que se verifiquem mais casos entre osindivíduos de provecta idade: 1) muitos foram infectados quando a tuberculoseera mais frequente; 2) com a passagem dos anos, a eficiência do sistemaimunitário do organismo reduz-se, o que possibilita que as bactérias inactivassejam reactivadas, e 3) os idosos que se encontram em centros de cuidadoscrónicos têm maior probabilidade de estar mais em contacto com adultos damesma idade, correndo o risco de contrair a doença.Actualmente nos países desenvolvidos, a tuberculose só se transmiteinalando ar contaminado com Mycobacterium tuberculosis num ambientefechado. Para que o ar se contamine, uma pessoa com tuberculose activa teráde expelir as bactérias com a tosse e estas poderão permanecer no ar durantevárias horas. No entanto, um feto pode adquirir tuberculose através da mãe,antes ou durante o nascimento, por respirar ou engolir líquido amnióticoinfectado, e um lactente pode contrair a doença, depois de nascer, ao respirarar que contenha gotículas infectadas. Nos países em vias de desenvolvimento,as crianças podem infectar-se com outra micobactéria que cause tuberculose.Este organismo, chamado Mycobacterium bovis, pode ser transmitido atravésdo leite não pasteurizado.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 31 de 34
  32. 32. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoO sistema imunitário de uma pessoa afectada com tuberculose destróihabitualmente as bactérias ou então encerra-as no local da infecção. De facto,cerca de 90 % a 95 % de todas as infecções por tuberculose saram sem que apessoa sequer o note.Todavia, por vezes as bactérias não são destruídas, antespermanecendo inactivas dentro de determinados glóbulos brancos (chamadosmacrófagos) durante muitos anos. Aproximadamente 80 % das infecçõestuberculosas são causadas pela activação de bactérias inactivas. As bactériasque vivem nas cicatrizes que a infecção inicial deixa (localizadas geralmente naparte superior de um ou de ambos os pulmões) podem começar a multiplicar-se. A activação de bactérias inactivas pode ter lugar quando o sistemaimunitário do indivíduo não funciona bem (por exemplo, em virtude da SIDA, douso de corticosteróides ou da idade avançada), caso em que a afecção podepôr a sua vida em perigo.Geralmente uma pessoa infectada com tuberculose tem uns 5 % deprobabilidades de vir a desenvolver uma infecção activa num período de um adois anos. A eclosão da tuberculose varia em grande medida de pessoa parapessoa, dependendo de diversos factores, como a origem étnica.A tuberculose activa começa habitualmente nos pulmões (tuberculosepulmonar). A tuberculose que afecta outras partes do organismo (tuberculoseextrapulmonar) costuma provir de uma infecção tuberculosa pulmonar que sedisseminou através do sangue. Como no caso dos pulmões, a infecção podenão causar doença, dado que as bactérias podem permanecer inactivasacantonadas numa pequena cicatriz.Existem várias formas de prevenir a tuberculose. Por exemplo, podeutilizar-se a luz ultravioleta, pelo seu poder germicida, naqueles sítios ondepessoas diversas com afecções distintas possam ter de estar sentadas juntasdurante várias horas, como nos hospitais ou nas salas de espera dos serviçosde urgência. Aquela luz destrói as bactérias que se encontrem no ar.Rodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 32 de 34
  33. 33. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoAs pessoas com tuberculose pulmonar que estejam a recebertratamento não precisam de estar isoladas durante mais do que alguns dias,porque os fármacos reduzem rapidamente a capacidade infectante dasbactérias. De qualquer modo, os indivíduos que tossem e não tomam a suamedicação correctamente podem necessitar de um isolamento maisprolongado para que não transmitam a doença. Um doente costuma deixar deser contagioso ao fim de 10 a 14 dias de tratamento farmacológico. Contudo,se uma pessoa trabalha com outras muito expostas à doença, como ospacientes com SIDA ou as crianças pequenas, o médico pode necessitar derepetir as análises de uma amostra de expectoração para determinar quando jánão existe perigo de transmissão da infecção.• Órgãos reprodutores:Homens, Mulheres• Volume no escroto. Esterilidade• Coluna• Dor, possível ruptura de vértebras e paralisia daspernas1- BIBLIOGRAFIAVIALE, Simone (2007)Biologia para cabeleireiroEdições RomanoRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 33 de 34
  34. 34. Formação ProfissionalCurso de Cabeleireiro UnisexoANTUNES, Cristina, et al (2008)Descobrir a Terra 9Areal Editoreswww.infopedia.ptwww.manualmerck.netwww.google.ptwww.portalsaude.ptwww.dgs.pt (Direcção Geral de Saúde)http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/www.dre.pt (Diário da República)http://pt.wikipedia.org/wiki/Página_principalwww.iefp.pt (Instituto de Emprego e Formação Profissional)www.act.gov.pt (Autoridade Condições Trabalho)www.rcmpharma.comRodrigo Corte-Real – Organização do Trabalho, Higiene e Segurança: Doenças ProfissionaisPágina 34 de 34

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