Projeto                                                                                    Caderno Semestral nº1/2008     ...
Projeto                                                             Sumário                                               ...
Editorial                                                                                                                O...
Entrevistas & Artigos                                                                                                     ...
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  1. 1. Projeto Caderno Semestral nº1/2008 Proponente: Executor: Co-executores: Parceiro: ola” e Esc Diretoria de Ensino idadeRegião de Piracicaba ers niv ãoU raç teg Apoio Financeiro: “ A In
  2. 2. Projeto Sumário EDITORIAL .......................................................................................................................................................................................................... 03 O PROJETO PONTE ...................................................................................................................................................................................... 04 ENTREVISTAS E ARTIGOS ..................................................................................................................................................................... 05 Projeto Ponte Entrevista: Dirigente Regional de Ensino ....................................................................................................................................... 05 Entrevista: Diretor da ESALQ . .................................................................................................................................................................. 06 Coordenador geral: Gerd Sparovek Qual a importância da Integração Universidade e Escola?................................................................................................ 07 Entrevista: Professores da E.E. Profa Catharina Casale Padovani (Escola Catharina)....................................... 09 Professores da ESALQ/USP Participantes: Interdisciplinaridade e o papel dos eixos temáticos ............................................................................................................. 12 Antonio Roberto Pereira Flávio Bertini Gandara Antonio Carlos Azevedo ROTEIROS DE ATIVIDADES . .............................................................................................................................................................. 15 Maraia Angélica P. Pipitone Visita a Bacia Hidrográfica ......................................................................................................................................................................... 15 Marcos Vinicius Folegatti Análise de Água ................................................................................................................................................................................................ 16 Marcos Y. Kamogawa Sergio Oliveira Moraes Visita a ESALQ ..................................................................................................................................................................................................... 18 Tarlei Ariel Botrel Visita ao Centro Ecológico . ....................................................................................................................................................................... 19 Vânia Galindo Massabni Walter de Paula Lima RELATOS DAS ATIVIDADES ................................................................................................................................................................. 21 Apoio Técnico/Administrativo Célia Regina Vello Maria Lídia Romero Meira CALENDÁRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS .................................................................................................................. 32 Sueli Pereira Nunes Silva Thiago V. Leite Correia SUGESTÕES DE SITES ............................................................................................................................................................................... 32 Equipe Executora: Renato Pellegrini Morgado Maria Antônia R. de Azevedo Márcio R. Sartório Cardoso Estagiários: Colaboradores desta Edição Gustavo C. da Rocha Cláudia M. Vitti Stenico, Oldack Chavez, Pedro Augusto Costa e Braga Gilcezar Rissi, Antônio R. Dechen, Felipe Carvalho B. Cavalcanti João José Barbosa, Davi A. Pacheco, Luiz Henrique de Almeida Marta Regina Gomes, Vânia G. Massabni, Vagner N. Hernández, Antônio C. de Azevedo, Marcos Y. Kamogawa, Maria Emilia Pinto, Silmara Giacomelli, Sueli Pereira N. da Silva, Robson A. Armindo, Sérgio O. Moraes, Programa “Solos na Escola”, Maria de Fátima R. de Andrade, contato: ponte@esalq.usp.br Lúcio A. Lemes. Carmem A Cardoso, PROJETO PONTE • 1 PROJETO PONTE • 2
  3. 3. Editorial O Projeto Atualmente, a universidade pública brasileira convive em um ambiente no qual algumas de suas convicções Em 2006, a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologiafundamentais estão sendo profundamente questionadas pela sociedade. Exemplos pontuais desse questionamento - MCT, lançou um edital para financiamento de projetos que promovessem a interação das ciências da engenharia com o Ensino Médio. O objetivo da FINEP foi apoiar propostas que estimulassem nos estudantes a vocação para assão as cotas (para certos grupos étnicos e para egressos de escolas públicas) e os critérios segundo os quais utiliza profissões da área de engenhariaseus recursos. Esse questionamento reporta, em sua essência, à função social que se deseja de sua existência e Esse edital motivou um grupo na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/USP, que, hátrabalho. anos vinha desenvolvendo atividades junto a escolas públicas de Piracicaba, a elaborar um projeto específico para o Ensino Médio. O professor Gerd Sparovek coordenou a articulação dessa idéia, com o apoio do Centro Ecológico No atual sistema, sob os argumentos de maior demanda por vagas do que a oferta e da liberdade e Flora Guimarães Guidotti, pertencente à Fundação de Estudos Luiz de Queiroz, do Museu e Centro de Ciênciasindependência acadêmica imprescindível para o desenvolvimento científico, a disputa por vagas é resolvida em Educação e Artes da ESALQ e da Diretoria de Ensino - Região de Piracicaba. Nasceu a proposta Engenharia, Ensinouma prova de vestibular. Confiar a seleção de candidatos a uma prova essencialmente técnica, que privilegia Médio e Meio Ambiente, o nosso Projeto PONTE, aprovada pela FINEP.amplamente àqueles que tiveram mais tempo para o estudo enquanto jovens e se prepararam em escolas que Participarão do Projeto PONTE, até o final de 2009, 16 escolas públicas de Piracicaba e região. (cada escola participará do projeto durante um semestre). É previsto o envolvimento de 2400 estudantes e 64 professores.perseguem principalmente este objetivo – o de passar nesta prova – é ignorar a realidade da maior parte das O Objetivo do PONTE é promover a troca de experiências e a interação entre a ESALQ e o Ensino Médioescolas públicas do Brasil. É insistir no maior mal da sociedade brasileira que é muito hábil em produzir riquezas e Público de Piracicaba e Região, por meio de intervenções didático-pedagógicas que tenham, como eixo transversal,oportunidades, mas péssima em distribuí-las. Não permitir à sociedade o conhecimento dos gastos e investimentos o meio ambiente, visando despertar nos estudantes de Ensino Médio o interesse e a compreensão sobre o papel dafeitos no ensino superior nem lhe permitir opinar tendo, como argumento, a liberdade acadêmica, é contraditório Engenharia (especialmente das Engenharias Agronômica e Florestal) na resolução dos problemas socioambientais da sociedade contemporânea.caso esses investimentos sejam feitos em áreas que não interessam à maioria. As intervenções didático-pedagógicas são feitas por meio de visitas interativas, estudos do meio, realização Felizmente, as condutas que levam ao elitismo da maioria das universidades públicas brasileiras e a de experimentos e oficinas. O PONTE busca incentivar atividades, técnicas e tecnologias da ESALQ/USP e do Centropossibilidade de elas se afastarem dos interesses da sociedade e de sua função social, estão sendo crescentemente Ecológico como instrumentos pedagógicos para o Ensino Médio. Além disso, a própria escola e locais em Piracicaba e Região são utilizados como espaços educativos.questionadas e estão levando, mesmo de forma tímida, a transformações internas. A aproximação com escolas de As atividades desenvolvidas visam criar possibilidades de integração entre o currículo escolar – especialmenteEnsino Médio da rede estadual pode ser um exemplo disto. Os alunos de Ensino Médio são os futuros calouros dos das disciplinas de Biologia, Física, Química e Matemática – e a temática meio ambiente e engenharia. Dessa forma,bancos universitários. Conhecer, interagir, dialogar com esse público é, de certa forma, se aproximar dele. Fazer isso busca-se contribuir com professores para trabalhar a conexão entre os conteúdos do Ensino Médio e suas aplicaçõesna rede pública é manifestar o desejo de que os seus sejam os nossos futuros alunos. Eventualmente, por algum práticas. O projeto está organizado em cinco eixos temáticos: água, resíduos, processos ecológicos, energia e modelostempo, talvez ainda sejam necessários mecanismos de acesso preferencial para que esse público cresça na USP, mas de produção agrícola. Cada escola opta por um eixo, que será trabalhado ao longo do semestre com as turmasesperamos que seja medida paliativa e desnecessária num futuro mais distante. participantes. A realização das atividades é planejada e avaliada em conjunto com os professores e coordenadores Enquanto isso, projetos como o PONTE, possível graças a financiamento público, e que conta tanto com a em horários disponibilizados pelas escolas. O desenvolvimento e a organização cotidiana das atividades são realizados por uma equipe formadacolaboração daqueles que tiveram por mérito o acesso ao ensino superior, como com o empenho da universidade por profissionais e estudantes das áreas de engenharia agronômica e florestal, pedagogia, gestão ambiental ee da fundação que o auxiliam, é uma excelente forma de aproximar dois mundos. Fundi-los numa única visão e ciências biológicas. Professores da ESALQ/USP proporcionam, cada um em sua área de conhecimento, o apoio aorealidade ainda é um sonho, mas que já começa a mostrar sinais de concretização. desenvolvimento técnico-científico das intervenções didático-pedagógicas. Professores do Ensino Médio têm papel Este Caderno reúne as primeiras iniciativas deste projeto. Como você o está lendo agora, é sinal de que ele fundamental na articulação dos temas e atividades ao conteúdo curricular.Há, também, um grupo de apoio técnico/ administrativo, formado por funcionários da ESALQ/USP e da FEALQ, que funciona no suporte para a realização dasjá cumpriu um dos seus objetivos, que é disseminar a experiência desenvolvida. Virão outros, que refletirão seus atividades.avanços e sua maturação. Esperamos que esta leitura seja útil na replicação melhorada desta experiência. Como forma de divulgação dos resultados obtidos e de troca de experiências entre as instituições participantes, estão previstos, além de quatro edições deste Caderno, um site e um vídeo do projeto. Esperamos que todas as pessoas e instituições, direta ou indiretamente envolvidas, interajam com o projeto, e que ele seja canal de fortalecimento da integração entre as Escolas e a ESALQ , integração esta que, sem dúvida, trará um forte aprendizado mútuo.Gerd SparovekCoordenador Geral do Projeto Ponte Equipe Executora do Projeto Ponte*Professor do Depto. de Ciência do Solo (ESALQ/USP) * da esquerda para direita (em cima) Pedro, Gustavo, Renato, Márcio (em baixo), Luiz, Antônia, Maria Lídia e Felipe PROJETO PONTE • 3 PROJETO PONTE • 4
  4. 4. Entrevistas & Artigos Entrevistas & ArtigosDiretor da ESALQ e Dirigente Regional de Ensinode Piracicaba Antonio Roque Dechen Os desafios e as possibilidades para o aprofundamento da integração entre a ESALQ/USP e as Escolas Diretor da ESALQ/USPPúblicas de Piracicaba e região são discutidos neste espaço. Confira a análise que o Profº Antonio Roque Dechen O professor Antonio Roque Dechen é Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ/USP(Diretor da ESALQ/USP) e o Profº Oldack Chaves (Dirigente de Ensino - Região de Piracicaba) fazem sobre esta onde também realizou seu mestrado e doutorado na área de Solos e Nutrição de Plantas.temática em entrevista concedida ao Projeto Ponte. É Diretor da ESALQ/USP desde janeiro de 2007. Oldack Chaves Dirigente de Ensino - Região de Piracicaba Como o senhor analisa o papel que a Universidade Muitas vezes, penso que não avançamos possui hoje na sociedade? E especificamente a ESALQ? muito porque as inter-relações acabam fugindo do Dirigente Regional de Ensino há 6 anos e 3 meses, o professor Oldack Chaves é graduado foco principal que é atender o contexto e os problemas em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “JOSÉ OLYMPIO” e em Ciências É uma satisfação conversar com vocês e mais amplos e significativos. Problemas pessoais e Físicas e Biológicas pela Universidade Ibirapuera/ São Judas Tadeu e pós-graduado em perceber o quanto o Projeto Ponte tem contribuído para de relacionamento acabam por atrapalhar projetos Gestão Educacional a integração importante e fundamental da Universidade profissionais e interinstitucionais. com as escolas. Conseguirmos parcerias e pessoas, em projetos A Universidade tem um papel social e como este, é algo que precisa ser investido com mais educacional importantíssimo, e a ESALQ, especialmente pelo trabalho que é desenvolvido no Centro Ecológico, aproximação e envolvimento. Acredito, também,Qual o papel que a Diretoria Regional de Ensino Em sua opinião quais são os principais desafios que as tem possibilitado que os caminhos de integração se que o movimento que deve garantir esta parceria é adesempenha na organização da Educação Básica em escolas enfrentam para aprofundar sua relação com a cruzem com mais facilidade e propriedade. construção de um canal de comunicação, de respeito ePiracicaba? Quais são seus principais projetos? Universidade? de trabalho conjunto. Às vezes, esperamos que o outro Desde o ano de 2003 tenho lutado muito para que o Centro Ecológico seja caracterizado como se aproxime, mas este movimento, para ter sentido, A Diretoria de Ensino de Piracicaba compreende Não posso apontar um distanciamento, visto um local que recebe as escolas e os professores num deve ter mão dupla.62 escolas distribuídas em seis cidades: Águas de que estamos garantindo a aproximação por meio movimento de contribuir para que os conhecimentosSão Pedro, Charqueada, Piracicaba, Saltinho, Santa dos projetos já citados. No entanto, é cada vez mais sejam mais divulgados e aprendidos. Quais estratégias poderiam ser adotadas para superarMaria da Serra e São Pedro. Nossas escolas possuem importante que esse processo se fortaleça, pois temos Hoje fico muito feliz em perceber que os nossos estes desafios? esforços então dando muitos frutos.classes de Ciclo I (1ª a 4ª séries), Ciclo II (5ª a 8ª séries) e que possibilitar o acesso dos alunos encaminhando-os Há muito que deve ser feito, ainda, e devemosEnsino Médio (1ª a 3ª séries), totalizando 52 mil alunos para o ensino profissionalizante ou o vestibular, também continuar a buscar mais parcerias e verbas que Para superar desafios, precisamosaproximadamente, incluindo EJA e Tele-sala. Nossos com um enfoque especial no ENEM. Nosso desafio está preparar nossos profissionais para mudanças. potencializem estas experiências.principais projetos são: Implantação da Nova Proposta em preparar nossos alunos para ingressarem em uma Precisamos fazer com que haja mais imersão dos alunos nos projetos que envolvem universidadeCurricular; Inclusão com Salas de Recursos; Letra e Vida; Universidade Pública. Como o senhor avalia a relação da ESALQ com as escolas e sociedade em diferentes setores: educacionais,Prevenção Também Se Ensina/Comunidade Presente; de Piracicaba e região? empresariais, industriais, comerciais, sociais,Teia do Saber; Escola da Família. Quais estratégias poderiam ser seguidas para superar etc. Temos que formar futuros profissionais A ESALQ tem conseguido estabelecer competentes em diferentes áreas. estes desafios? importantes parcerias entre várias instâncias e setores Formar para a competência, para aComo o senhor avalia a atual relação das escolas na sociedade. Temos um papel importante de produção conscientização, para a resolução de problemas. Formarpúblicas de Piracicaba e região com a Universidade? E Nós estamos em fase de implantação da nova e divulgação dos inúmeros conhecimentos aqui para a ética.com a ESALQ? Proposta Curricular. Dentro dessa proposta, existe produzidos. A ESALQ tem promovido o avanço tecnológico a Disciplina de Apoio Curricular - DAC. Sua função Penso que a relação da ESALQ com as escolas nas diferentes áreas e o setor agronômico é um exemplo As Universidades nunca estiveram distantes das é preparar os alunos do Ensino Médio com aulas disso. Temos muito que contribuir . Para vocês terem um públicas de Piracicaba tem criado possíveis caminhosescolas públicas. Sempre tivemos parcerias em projetos diferenciadas. Visando garantir nosso trabalho por exemplo disso, completaremos no próximo ano, aos 108 interinstitucionais e, assim, acontecem as trocas deenvolvendo alunos da graduação, pós-graduação e até meio da proposta, é importante que a Universidade anos de instituição , o número de 10.000 agrônomos. conhecimentos, idéias, contextos, realidades.professores de diversos departamentos em palestras e reconheça suas diretrizes. Seria interessante que os Há graves problemas envolvendo a agricultura, alunos de graduação de departamentos diferentes Em sua opinião quais são os principais desafios que a e o êxodo rural ainda preocupa, e muito, os diferentesoficinas. divulgassem os cursos da ESALQ e socializassem suas ESALQ enfrenta para aprofundar sua relação com as setores. A Agroenergia, resíduos, biodiversidade, No caso da ESALQ, as parceiras têm crescido ao sustentabilidade são questões fundamentais hoje, tanto experiências da vida acadêmica. Também alunos escolas?longo dos anos.Destaco as parcerias com as equipes do na formação dos universitários como na formação dos de licenciatura poderiam desenvolver estágiosMuseu “Luiz de Queiroz” e o USP Recicla. Acredito que um grande desafio é construirmos jovens no Ensino Médio. supervisionados em nossas escolas, colaborar com Enfim, precisamos contribuir com a sociedade nossos professores, acrescentando um pouco da sua uma parceria que estabeleça e atenda às reais estabelecendo reais parcerias como esta do Projeto vivência, além de possibilitar e garantir o acesso dos necessidades das partes envolvidas. Ponte, fundamentais para o nosso crescimento alunos à Universidade. institucional, organizacional, profissional e pessoal. PROJETO PONTE • 5 PROJETO PONTE • 6
  5. 5. Entrevistas & Artigos Entrevistas & ArtigosQual a importância da integração entre Universidade Profª Maria Emilia Pinto Sueli Pereira Nunese Escola? (Escola Catharina-Coordenadora Pedagógica do Silva O Projeto Ponte fez esta pergunta para diferentes integrantes da ESALQ/USP, Escolas participantes do projeto e Ensino Médio)Diretoria de Ensino da região de Piracicaba. O objetivo foi suscitar reflexões acerca daquilo que é entendido por integração (ESALQ - Seção deuniversidade / escola e os possíveis caminhos para que essa articulação aconteça. Veja o que estes profissionais têm a Atividades Culturais)dizer sobre o assunto. Diante dos problemas que enfrentam as escolas públicas no Brasil nos últimos tempos, Profº Davi Andrade Profa Vânia Galindo Pacheco Massabni a sociedade e os educadores têm lutado muito para buscar alternativas para saná-las. Dentre A extensão universitária é uma forma de (Assistente Técnico (ESALQ - Departamento interação que deve existir entre a universidade e a essas alternativas, está a integração da escola com Pedagógico de Ciências de Economia, comunidade na qual está inserida. É uma espécie de da Diretoria de Ensino - Administração e a universidade muitos alunos da Rede Pública Região de Piracicaba) ponte permanente entre ela e os diversos setores Sociologia) desconhecem ou tem pouco conhecimento da sociedade. Funciona como uma via de duas do real valor do seu ingresso na universidade mãos, em que leva conhecimentos e/ou assistência para complementar sua formação. Também à comunidade, e também recebe dela influências A integração entre Universidade e Escola A escola, enquanto instituição, não é nem essa integração aproxima a realidade vivida positivas como retroalimentação, conhece suas reaisé de fundamental importância para que nossos deve ser o local de “aplicação” de conhecimentosalunos tenham uma vivência da vida acadêmica, da desenvolvidos na universidade. Isto significa que nós, pelos educadores das escolas públicas do necessidades, seus anseios, aspirações e, tambémpesquisa, um novo olhar sobre o seu entorno e uma da universidade, não temos o poder de desenhar o conhecimento universitário, pois muitos deles não aprendende, com o saber dessas comunidades,nova concepção de Ciência. Da mesma forma, os que a escola deve ser, nem esperar que ela anseie por sobre seus valores e sua cultura. encontram tempo para pesquisas , dadas condiçõesalunos de graduação, pós-graduação e professores nossas contribuições. A integração como parceria é Assim a universidade influencia e também precárias do sistema atual, embora possuamda USP têm a oportunidade de conhecer a realidade um caminho ainda incipiente a ser trilhado, ao longo é influenciada pela comunidade, ou seja, possibilitada escola pública, construir novos laços e incentivar do qual tanto escola como universidade podem se muitas experiências que podem contribuir para as uma troca de valores .os jovens estudantes a ingressarem, futuramente, fortalecer no compromisso social de educar, de formar universidades, sendo assim importantíssima para As atividades de extensão bem planejadas,em uma universidade pública. Com certeza, todos educadores e de construir espaços de reflexão, para ambas tal integração. estruturadas e executadas permitem à universidadeperceberão que há muito o que trocar pois o nos entendermos sujeitos deste mundo (ad-mirar, socializar e democratizar os conhecimentos dospotencial do nosso alunado, é grande assim como o diria Paulo Freire). Cabe à universidade apoiar a escola diversos Programas, Projetos, Cursos, Oficinas edos nossos professores é imenso. É neste momento a exercer seu papel, reconhecendo que também na áreas, e também preparar seus profissionais, nãoque o projeto Ponte demonstra a sua função. escola se produz conhecimento – um conhecimento Profº Sérgio Oliveira somente com a estratégia do ensino-transmissão, da prática educativa cotidiana. Moraes mas, complementando a formação, com a estratégia do ensino-aplicação. (ESALQ-Departamento de Ciências Exatas) A Comissão de Cultura e Extensão Profº Antonio Carlos iniciativas neste sentido. Universitária do Campus “Luiz de Queiroz”, por de Azevedo Felizmente, uma nova etapa parece intermédio do Serviço de Cultura e Extensão de despontar no fazer universitário, a julgar pelo suas seções, constrói uma relação de reciprocidade (ESALQ - Departamento grande aumento nos editais das agências bem articulada com a Comunidade, Escolas, Eixos de Ciência do Solo) de fomento voltados para as ações de Vejo a importância do projeto sob dois Culturais entre outros órgãos da cidade, tanto na educação e divulgação científica na escola. aspectos: de um lado, sua atuação na recuperação prática extensionista como na participação ativa Dentre os contemplados, o Projeto Ponte da qualidade do ensino, e na melhor formação dos de Projetos de caráter de educação não formal e tem sido um modelo a ser seguido. Isto porque cultural ao longo da trajetória desde a criação do professores, sua preocupação com o conhecimento demonstra que a educação se dá, em essência, entre Serviço. A proposta é levar à comunidade, por meio A universidade é uma escola, no sentido de quem aprende e de como aprende. De outro, pessoas. Prédios e equipamentos são importantes, dos seus programas, estímulos, curiosidade, a fim deamplo da palavra. Quando a universidade se mas intimamente ligado, ao primeiro, seu papel na porém secundários. Quiçá possamos, ainda nestaesquece da escola que a precede, se empobrece, despertar o interesse para as atividades relacionadas geração, ver professores exercendo a função e tendo atualização e na aproximação dos professores daporque talentos científicos são desperdiçados, e o às Ciências Agrárias, Sociais Aplicadas e Ambiente.conhecimento avançado não encontra alicerce sólido a valorização que lhes cabe na construção de uma escola dos avanços da ciência e suas implicaçõespara se estabelecer. Embora estes problemas sejam sociedade mais cidadã. sociais e políticas.claramente identificados no cotidiano universitário,a desvalorização da docência e da extensão asfixia PROJETO PONTE • 7 PROJETO PONTE • 8
  6. 6. Entrevistas & Artigos Entrevistas & ArtigosEntrevista Coletiva:Professores da Escola Profª Catharina Casale Padovani 2. Com o Projeto Ponte é possível estabelecermos 3. O que para vocês foi mais significativo nas uma real parceria entre a Universidade e as escolas? atividades que foram desenvolvidas? Por quê? Vagner Nicolai: Acredito que as atividades realizadas O Ponte realizou, com os professores e estranho. Esse distanciamento que existe entre a Claudia Vitti: Penso que é vital que o Projeto Ponte com as análises da água foram muito interessantes,participantes do projeto da Escola Catharina Padovani Universidade e as escolas acaba por apontar que ela não abandone o formato de trabalhar junto com pois nunca havíamos feito algo assim parecido. A visitauma entrevista coletiva. A entrevista abordou temas fica de um lado e as escolas públicas de outro. A idéia a gente, executar e redimensionar, junto, todo o ao centro ecológico foi uma oportunidade em querelacionados à integração Universidade e Escola é que lá eles trabalham com o conhecimento, formam processo. Assim, a parceria pode continuar a acontecer. pudemos, tanto alunos como professor, transportarde uma forma geral e, especificamente, a aspectos massa critica formam os cidadãos... e a gente não faz Todos aprendem: nós professores daqui, os professores muitos dos conhecimentos teóricos para a prática.do Projeto Ponte. Participaram dessa entrevista, os nada. O nosso conhecimento e a nossa experiência não universitários, os alunos e os profissionais que nosprofessores cuja contribuição agradecemos: João José está servindo para eles. Nós não somos valorizados Nós acompanham. É fundamental que continue havendo João Barbosa (Buião): Acredito que o maisBarbosa - Buião (Educação Física), Gilcezar de Jesus não somos considerados formadores também. a troca de idéias, a troca de conhecimento sempre significativo deste trabalho foi a verdadeira parceriaRissi (Matemática), Marta Regina Gomes (Geografia), mostrando e fortalecendo a idéia de que somos iguais que conseguimos estabelecer. Aprendemos muitoCarmem Aparecida Cardoso (História), Claúdia Marley Marta Gomes: Os nossos alunos não se percebem em todas as atividades que foram realizadas; mas o frente à proposta do trabalho. Cada um conhecedor deVitti Stenico (Geografia) e Vagner Aparecido de Nicolai como possíveis alunos universitários. Eles acham que maior ganho foram os reais laços que nos uniram num sua área, mas junto, com o mesmo objetivo.Hernández (Biologia). esse mundo não pertence a eles. trabalho coletivo. Carmem Cardoso: Algo de que eu tenho gostado1. Como vocês analisam a relação da Universidade Gilcezar Rissi: Eu percebo que a universidade é distante muito é deste contato com a universidade. Issocom a Escola? destes alunos, mas os alunos querem a aproximação, para nós é um estimulo, um alento para que a gente eles querem saber sobre as profissões, sobre os continue estudando e trabalhando com mais interesseVagner Nicolai: Eu percebo que a extensão universitária profissionais que lá atuam, que tipo de trabalho eles motivação e competência.ainda é muito deficiente. A extensão poderia ajudar desenvolvem, como, e para que seguir determinadamais as escolas no trabalho de divulgação cientifica. carreira profissional. João Barbosa (Buião): Eu acho muito legal, nesteEla deveria estabelecer uma ponte com as escolas. projeto, o fato de que aquilo que a gente pensaOs alunos de ensino médio precisam entender uma Claudia Vitti: Isso que você aponta, Gil, é muito está sendo valorizado. O que a gente sabe, a nossasérie de coisas que acontecem na universidade. Eles interessante, pois com esse distanciamento os alunos experiência está sendo valorizada. Ela está sendo útilprecisam começar a perceber que eles também podem estão chegando despreparados para fazer pesquisa. para o desenvolvimento deste projeto. Gosto muito,estar lá algum dia. Geralmente essa perninha do tripé pois vocês tem valorizado os conhecimentos que osainda está meio deficitária se pensarmos no papel que Carmem Cardoso: Penso que muitos alunos querem alunos possuem, valorizam e respeitam o caminho quea Universidade precisa desenvolver na sociedade. ir para a universidade, mas há, também, aqueles que esta escola tem feito. Isso nos ajuda e nos incentiva, pois não querem. Eu acho que se a universidade estivesse aprendemos mais do que ensinamos. Nós gostaríamosClaudia Vitti: As universidades vêm aqui, mas muito mais presente na vida deles haveria um número mais que esta parceria continuasse acontecendo, não sócom olhar clinico para nós. A universidade olha de cima significativo de alunos que se interessariam....Eles Claudia Vitti: Penso que as dinâmicas das metodologias no primeiro semestre, mas durante todo o ano. Separa nós. De todos os projetos dos quais participei, precisam ter mais interesse em estudar, pesquisar, pois de trabalho propostas pelos eixos norteadores vocês pudessem planejar conosco outras atividades,aqui, pude perceber que a universidade vem sempre isso é fundamental dentro do contexto, também, da propiciaram muito o envolvimento dos alunos. Houve pensando, junto conosco, novas possibilidades dequerendo tirar algum proveito. Os interesses sempre Universidade. a consolidação dos conhecimentos práticos com os articulação e parcerias seria muito bom.ficam na frente e acabam prevalecendo. Este pensar conhecimentos teóricos dos alunos. Eles tornaram-sejunto, discutir junto e executar junto fica muito distante. Gilcezar Rissi: Os alunos ficam desanimados, pois ativos nos processos de aprendizagem. Penso que a Vagner Nicolai: A Unesp de Jaboticabal tem o colégioMesmo nos estágios, os alunos vêm aqui com o olhar querem chegar à universidade, mas não há ponte que práxis que tanto buscamos entre a articulação da teoria agrícola que consegue articular o produtor, o aluno,clinico, apenas apontando os problemas, fazendo possa unir universidade e escola. com a prática aconteceu de fato neste Projeto Ponte. os professores num trabalho coletivo. Penso quecríticas e eu penso que as parcerias não têm dado o Projeto Ponte tem um papel de extensão muitocerto por isso mesmo. Eu acredito em parcerias em que João Barbosa (Buião): O distanciamento entre a Carmem Cardoso: Uma das coisas de que mais gostei grande de diferentes profissionais em suas específicasambos (Universidade e escolas) mergulham junto, onde universidade com a escola pública, principalmente foi que, em algumas atividades eu me permiti aprender instituições.todos estão iguais e nenhum é melhor que o outro. Nós agora, com isso que os colegas estão colocando, é bem junto com os alunos. Eu aprendi, também, a valorizartodos podemos aprender juntos. Nós aprendemos, mas grave. A própria Universidade pública não cria elos mais as questões ambientais correlacionando-as com a João Barbosa (Buião): Quando a universidadea Universidade também precisa aprender com a gente. de ligação com a escola publica. Vejo a Universidade disciplina que eu leciono. conseguir ou estiver disposta a nos ouvir, muitas coisasO aluno, assim, ganha. numa ponta, e a escola na outra ponta e o meio fica bacanas podem vir a acontecer. sem condição de fazer uma junção. O distanciamento Marta Gomes: Eu participei da atividade na ESALQ eJoão Barbosa (Buião): O problema maior, no meu entre universidade e as escolas é histórico. O Projeto fiquei encantada com o que eu pude aprender lá. Tenho Vagner Nicolai: Sentimos falta de ambienteentendimento, é que a Universidade está muito longe Ponte é muito interessante pois cria a possibilidade de levantado a bandeira da conscientização ambiental acadêmico, porque começamos a nos envolver com ados nossos alunos de ensino médio. Os alunos não fazermos e participarmos juntos. e isso ficou ainda mais forte depois da visita. Houve docência, com o trabalho da escola, com a realidadeconseguem vislumbrar essa realidade universitária aprendizagem significativa. As atividades apresentadas da comunidade em que a gente atua e isso acaba nosporque ela não faz parte da realidade deles. Nossos no Solo na Escola são ótimas e fáceis de serem feitas distanciando da universidade e dos seus importantesalunos não sabem como é a Universidade, como ela com baixo custo, e isso podemos fazer aqui na escola. projetos. Assim, penso que, com projetos como este, afunciona, para que ela funciona, e desconhecem o Facilitaria muito a aprendizagem dos alunos. gente se reaproxima da universidade e muita coisa boamodo de chegar lá. É um universo totalmente diferente pode continuar a acontecer para ambos os lados. PROJETO PONTE • 9 PROJETO PONTE • 10
  7. 7. Entrevistas & Artigos Entrevistas & Artigos “Interdisciplinaridade e o papel dos Eixos Temáticos” Maria Antonia Ramos de Azevedo alunos, também, a prática da pesquisa. A problematização ramosdeazevedo@usp.br como metodologia para a reconstrução de construtos dá Maria de Fátima Ramos de Andrade condições ao aluno de mover-se no âmbito das teorias, mfrda@uol.com.br das diferentes áreas do saber, construindo a teia de relações que vai torná-lo autônomo diante da autoridade A interdisciplinaridade tem, como do saber. O professor pesquisador constitui-se portanto, proposta, promover uma nova forma de trabalhar o em agente necessário de uma formação calçada na conhecimento, onde haja interação entre sujeitos- interdisciplinaridade.” (TOMAZETTI, 1998, p. 13) sociedade-conhecimentos na relação professor-aluno, A perspectiva epistemológica da professor-professor e aluno-aluno, de maneira que interdisciplinaridade não pressupõe unicamente a o ambiente universitário seja dinâmico e vivo, e os integração, mas a interação das disciplinas, de seus conteúdos e/ou eixos temáticos sejam problematizados conceitos e diretrizes, de sua metodologia, de seus e vislumbrados juntamente com as outras disciplinas. procedimentos, suas informações na organização A interdisciplinaridade é o elo de ligação entre do ensino, enfim, traz a idéia da não globalizaçãoGilcezar Rissi: Eu penso que, com este projeto, os juntos e vivenciamos o processo de forma os profissionais do ensino, como forma de reciprocidade, dos conteúdos simplesmente, mas sobretudo, dealunos conseguem aplicar os conhecimentos com coletiva. Seria fundamental que o projeto fosse de reflexão mútua, em substituição à concepção trabalhar as diferenças, criando, a partir disso, novosmais precisão. Fica claro que a teoria trabalhada aqui expandido para outros professores aqui da escola, fragmentária do conhecimento, fazendo com que esses caminhos epistêmicos e metodológicos como formaparece ser re-significada nestas atividades. Destaco, pois foi ótimo o que todos nós aprendemos. agentes tenham uma atitude diferenciada frente aos de compreender e enriquecer conhecimentos sobre astambém, que este projeto, por trabalhar com várias obstáculos educacionais. mais diversas áreas do saber.áreas, é interdisciplinar, facilitando a aprendizagem dos Vagner Nicolai: Considerei um aspecto muito bom Percebe-se, então, que a interdisciplinaridade A interdisciplinaridade é o elo queconhecimentos nas várias situações e locais visitados. do projeto os retornos que vocês propiciavam. Esse exige uma atitude de abertura e responsabilidade. possibilita o estabelecimento de inúmeras relações aspecto foi relevante para a aprendizagem Tanto Schon (1983) como Fazenda (1993) consideram das disciplinas com o realidade, num processoClaudia Vitti: O Gil falou uma coisa muito importante, que o professor necessita desenvolver uma ação recíproco de aprendizagens múltiplas e intermináveis.pois os alunos começaram a inter-relacionar os Gilcezar Rissi: Como sugestão, coloco a idéia de os alunos permeada de criticidade e reflexão frente ao aluno, ao Assim, professor e aluno devem estabelecerdiferentes conhecimentos com as atividades que fazerem, sempre, alguma apresentação no decorrer conhecimento, à realidade e ao outro, estando disposto diferentes interconexões entre a epistemologia dosrealizavam. Isso ficou bem claro, quando o Gustavo das atividades, para reforçar o comprometimento e a a vivenciar a dialogicidade que, segundo Freire(1996), conhecimentos e o mundo que os cerca, a fim de(estagiário do Projeto Ponte), ao explicitar um concentração. entrelaça as ações de saber ouvir, falar, enxergar, calar, exercitar cotidianamente seus saberes e as relaçõesexperimento no Centro Ecológico, utilizou vários entre teoria e prática. interagir pela via da comunicação, do diálogo e da trocaconhecimentos /áreas, chamando os alunos para João Barbosa (Buião): Minha sugestão é que mútua. Percebe-se que todo o processo interdisciplinarparticiparem e discutirem. Esse fato este que se repetiu continuemos a conversar; a sistematizar as idéias de Nesse sentido, a interdisciplinaridade resgata deve estar pautado na reflexão, o que podemosna visita ao Laboratório de Hidráulica; no Projeto Solona Escola, nas análises de água e na visita a Bacia do forma coletiva, a fortalecer esta importante parceria. a importância do “outro”, sem o qual não pode haver observar inclusive nas concepções Schon (1983),Corumbataí. As atividades possibilitaram, também, aos Que possamos contar com vocês, para finalizar essa a troca mútua da evolução do pensamento e da que retrata a importância do conhecimento na ação,alunos que eles vislumbrassem algumas carreiras como atividade numa grande semana ambiental no segundo linguagem, e amplia os horizontes dentro do processo reflexão na ação e reflexão sobre a ação permeando asque podem tornar-se reais e possíveis. semestre. sócio-histórico educacional, resgatando a importância situações educativas. do conhecimento das potencialidades, dos limites, O processo reflexivo torna-se alicerce para4. Que sugestões vocês dariam para que as Vagner Nicolai: Essas idéias apontadas pelos colegas das diferenças, e do processo criativo de cada ciência, que se construa um processo interdisciplinar efetivoatividades desenvolvidas contribuíssem, ainda mais, são muito importantes, pois acredito que tenhamos respeitando-se, assim, a relatividade entre elas. no cotidiano, por meio de uma prática pedagógicapara a aprendizagem dos alunos e para a formação que construir, aqui, salas-ambiente ou melhores Há, pois, a transformação de um pensamento que esteja impregnada de pesquisa, discussão, análisecontinuada de todos os docentes envolvidos neste espaços-ambiente para fortalecer os conhecimentos lógico formal em um pensamento não-linear e desenvolvimento metacognitivo dos professores eprojeto? que aprendemos e também ensinamos. Outro aspecto configurado como dialético, porque não pressupõe a alunos sobre o conhecimento construído de forma que acredito ter contribuído para a aprendizagem foi unificação de diferentes saberes mas, sim a construção individual e coletiva.Carmem Cardoso: Algo que considero fundamental é a inserção dos gestores da escola no processo, como incessante de relações entre eles. É um processo de desestruturação situacionalque senti uma necessidade ainda maior de fazer coisas uma equipe que precisa continuar incentivando e Dentro desse âmbito de observação, é do prévio, do possuído e do conhecido, para buscaraqui na escola, fortalecendo a aprendizagem dos alunos promovendo espaços para que as parcerias aconteçam, cabível perceber que a prática da interdisciplinaridade uma nova estruturação do pensamento. É necessária ae dos nossos professores. pois sabemos que, em muitas escolas, a equipe gestora está inteiramente relacionada à pesquisa, conforme passagem do pensamento linear lógico-formal para o não valoriza essas parcerias e nem incentiva os seus podemos observar na seguinte citação: pensamento dialético, onde se efetivem:Claudia Vitti: Acredito que as aprendizagens professores para à participação, como se as saídas/ “... O professor, na perspectiva da interdisciplinaridade, - As contradições dos fenômenos;aconteceram por parte dos alunos e dos professores, excursões fossem apenas passeios. Felizmente, aqui na não é um mero repassador de conhecimentos, mas é - As relações múltiplas dos saberes;pela forma como este projeto se encaminhou , escola, a equipe gestora incentiva e apóia iniciativas reconstrutor juntamente com seus alunos; o professor é - A problematização da rivalidade;planejou e desenvolveu as atividades. Planejamos conseqüentemente, um pesquisador que possibilita aos - A busca pela integração do pensar + fazer e/ou fazer + como estas. pensar; PROJETO PONTE • 11 PROJETO PONTE • 12
  8. 8. Entrevistas & Artigos Entrevistas & Artigos- O processo contínuo de ação – reflexão-ação; - Desdobrar os conteúdos propostos em outros. disciplinar de qualidade por meio da ação e da a gênese de novos conhecimentos, fruto do trabalho que- A superação da dependência, da passividade, e da Segundo: produção de conhecimento. prima pela diferença e criação;rivalidade; - Selecionar os conteúdos, analisando-os de É necessário, para isso, um trabalho metodológico - Profissionais competentes quando aprofundarem e- A autonomia, a ação reflexiva e a cooperação. forma interativa. pautado no diálogo e na pesquisa, sendo o professor o operacionalizarem pressupostos epistemológicos e - Inter-relacionar conhecimentos, buscando próprio sujeito de sua ação docente, como metodológicos na relação profissional, na realidade Quando refletimos sobre o papel e a conexões com a realidade proposta. escolar e com o conhecimento;importância do trabalho interdisciplinar na Escola Terceiro: - Programador de atividades; - Interconexões entre o Homem-Ciência-Mundo numBásica é preciso pensar a organização do ensino, pois - Seriar os conteúdos, definindo a profundidade - Produtor de materiais pedagógicos alternativos; pano de fundo científico que abordará a educação ema forma como o conhecimento é adquirido, refletido de sua abordagem em cada série/turma/ - Pesquisador e investigador do seu trabalho; novas oportunidades de teorizar a ação;e organizado, dentro da matriz curricular, retrata a módulo - Problematizador da própria prática. - Cursos de formação continuada tendo a clareza sobre aprópria concepção de ensino e aprendizagem. - Registrar o programa a ser composto e função formativa e as reais necessidades formativas dos A prática pedagógica interdisciplinar se apóia recomposto A prática interdisciplinar dialógica configura- sujeitos envolvidos, construindo e exigindo uma posturana intersecção da Reorientação Curricular e da Formação - Trabalhar de forma coletiva, contínua, se de forma dialética, emergindo a relação mudança- crítico-reflexiva das práticas exercidas pelos professores,Docente caracterizada pela Formação Continuada sistemática e reflexiva. resistência, a mudança no próprio trabalho que está possibilitando a reconstrução sistemática da identidadedos Professores gerando o desenvolvimento pessoal, sendo vivenciado, exigindo transformações radicais do professor.profissional e escolar. Assim, o papel dos eixos temáticos deve: nas relações de trabalho que contribuirão para a A partir dessa idéia da reconstrução curricular e autonomia dos diferentes profissionais de ensino nas A interdisciplinaridade é vista, então, comoda formação docente contínua, significativa e reflexiva, - Enunciar situações problemáticas significativas; realidades escolares. instrumento que possibilite à escola tornar-se umimpõe-se uma nova concepção do conhecimento. Ele - Traduzir uma nova relação entre currículo, escola e A implementação de uma ação interdisciplinar lugar onde se produza, coletiva e criticamente, onão pode ser considerado estático, pois é dinâmico e comunidade; implica, então conhecimento, desacomodando para isso pessoas,inacabado. - Refletir sobre a realidade global e interdisciplinar; exigindo dos professores estudo teórico-prático Assim, a dimensão dos conteúdos escolares - Permitir, ao mesmo tempo, a compreensão do tema - Perda da acomodação; maciço dessa temática e o investimento profundo dona aprendizagem não tem fim em si mesma, mas através do conhecimento e da criação de novos - Enfrentamento de desafios diante do novo; seu desenvolvimento profissional para atuarem, comtem significado quando eles tornam-se explicitadores conhecimentos; - Reformulação da estrutura de ensino das diferentes competência e discernimento, frente às incertezase desveladores de uma realidade em que se pode - Olhar de forma crítica e contextualizada a realidade disciplinas e incongruências do próprio sistema educacionalintervir. local, geográfica, social e cultural. - Transformação do trabalho pedagógico brasileiro. A escolha dos eixos temáticos é feita de - Novos encaminhamentos na área de Formação deforma coletiva, por meio de discussões que levem em Para que os eixos temáticos tenham a função Professoresconta a interpretação e a inter-relação das situações, de privilegiar o pensar e o agir interdisciplinar, éagrupando-as. Os eixos temáticos têm, assim, a grande necessário o professor desenvolver, por um lado, uma É através da vivência grupal que a interaçãofunção “geradora” de produzir mais e mais temas atitude interdisciplinar que retrate uma metodologia entre as pessoas possibilitará o processo deque deverão se entrelaçar, produzindo interfaces dialógica e, por outro, uma clareza que o leve a perceber desestruturação situacional do previsto, do possuído, FAZENDA, Ivani C. A. Práticas Interdisciplinares nacom outras áreas de conheciementos de modo: e a trabalhar a interdisciplinaridade por meio de um do certo, do conhecido, para a busca de uma nova forma Escola. 2. ed., São Paulo, Cortez. 1993. A) a contemplar princípio epistemológico. de se pensar e fazer ensino, permitindo a apropriação FAZENDA, Ivani C. A. Integração e - A visão de cada área do conhecimento; Nesse sentido, a idéia do trabalho inter - e o desenvolvimento do pensamento dialético por Interdisciplinaridade no Ensino Brasileiro: - Os fatores cognitivos, afetivos, sociais e disciplinar não passa pela unificação dos conhecimentos meio de novas sínteses e ações; do intercâmbio de Efetivação ou ideologia.. 3 ed., São Paulo, Loyola. psicológicos; e saberes, mas, sim, pela busca incessante de troca informações; de experiências vitais e do confronto de 1993. - A realidade e as situações significativas: fator entre eles, e é nesta construção do saber que a estilos de aprendizagem que serão vivenciadas por FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes principal na construção de um programa e interdisciplinaridade se solidifica de fato, e não nos todos. necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e seleção dos conteúdos; momentos posteriores, quando se buscam os saberes Assim, a construção de práticas pedagógicas Terra, 1996. B) a privilegiar instituídos para organizá-los. interdisciplinares passa pelos seguintes aspectos: FREIRE, Paulo Ação Pedagógica da escola pela via A metodologia dialógica; Assim, o professor realiza a transposição dos da Interdisciplinaridade. S.P.1989. Secretaria da - O conhecimento acumulado e o construtos/saberes e o aluno reconstrói e se apropria - Professor resgatando os aspectos da reconstrução Educação de São Paulo. Cadernos de Formação I, II e III conhecimento construído e reconstruído. dos construtos/saberes de uma disciplina. Juntos, profissional e pessoal; 1989. professor e aluno passam a estabelecer relações com - Construção de eixos temáticos que nortearão o trabalho SCHON, Donald. The ReflectiveCom os eixos temáticos contemplados, os temas outros saberes e com o próprio cotidiano, estabelecendo pedagógico no aspecto teórico-prático; Practitioner: How professionals think innecessitam ser trabalhados por meio de três grandes relações e construindo redes de conhecimentos. - Eixos temáticos articulando os diferentes saberes através action. San Francisco:Jossey-Bass 1983.momentos: No processo progressivo da interação da interconexão dos professores com os outros; TOMAZETTI, Elisete. Estrutura conceitual para uma Primeiro: disciplinar, a interdisciplinaridade preconiza, - Especificidade de cada ciência resgatando os construtos abordagem do significado da interdisciplinaridade: - Perceber as relações existentes entre os temas. inicialmente, um regresso aos fundamentos da das mesmas um estudo crítico. UFSM, (10): 1 – 43. 1998. - Relacionar os conteúdos para compreender a disciplina, exigindo do professor que ele conheça, - Construção de novos construtos/saberes que retratem realidade. domine e construa, na sua própria área, um trabalho PROJETO PONTE • 13 PROJETO PONTE • 14

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