O Pulsar (entre a Vida e a Morte)

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Nesta apresentação abordamos o que há entre a Vida e a Morte, tendo como foco um célebre texto do apresentador de TV Pedro Bial, escrito por ocasião da morte do comediante Bussunda.

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O Pulsar (entre a Vida e a Morte)

  1. 3. Em todo o Universo há movimento..., e em torno desta Terra há um pulsar, pode-se dizer, para corresponder à Vida.
  2. 4. E por ser o pulsar assim tão importante, em nós, criaturas vivas, quando somos feitos, o primeiro órgão a ser formado é o coração. Por isso a realidade é assim: onde não há pulso ou pulsar não se detecta a presença de vida.
  3. 6. O coração sempre me impressionou. É o órgão que gera criaturas animais, embora não exista dentro dele um cérebro ou uma mente. E é ele que com sangue irriga nosso cérebro e sustenta nossa mente..., junto a todo nosso ser. É auto-propulsor, assim como a Vida. Funciona por ele mesmo e, quando detém seu pulsar, leva qualquer um de nós à morte, a despeito da nossa importância. É nosso fim, ou não?
  4. 7. Aqui entra em cena a segunda personagem mais importante que vive entre nós neste mundo: a morte. Vamos aproveitar para falar a respeito dela, enquanto a vida nos faz o favor de manter o pulsar dos nossos corações.
  5. 8. Primeiro, em atenção à idéia de que este mundo é uma tragicomédia onde os “palhaços” são os verdadeiros anunciadores das nossas realidades, vamos ouvir o que os comediantes teriam ou têm para nos dizer. Ou então, na falta deles, vamos ouvir o que tem para nos dizer alguém que se mostrou interessado por eles..., em analisá-los.
  6. 10. Morte na moderna visão de PEDRO BIAL - famoso apresentador de TV - em especial do programa Big Brother. Com o seu jeito inteligente e, sem dúvida, perspicaz, brindou-nos com as suas reflexões, por ocasião da morte do comediante Bussunda, líder do programa Casseta & Planeta.
  7. 11. “ Eu assistia o velório de Bussunda no momento em que os seus ex-colegas do Casseta & Planeta davam depoimentos. Parecia-me que a qualquer instante iria estourar uma piada. “ Mas estava tudo sério demais; faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.
  8. 12. “ Nada acontecia ali de risível. Eram só dor e perplexidade..., estas coisas que são vistas em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta.
  9. 13. “ Morrer é ridículo. Você combinou o jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos para a semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e, no meio da tarde, morre.
  10. 14. “ Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?... Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco do quê?
  11. 15. “ Você passou mais de dez anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
  12. 16. “ Passou madrugadas sem dormir, estudando para o vestibular, mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida. Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
  13. 17. “ Assim, de uma hora para outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é?
  14. 18. “ Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e deixou penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
  15. 19. “ Logo você, este que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu... Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas, transa muito e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
  16. 20. “ Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que não há quase nada guardado nas gavetas. Ok. Hora de descansar em paz.
  17. 21. “ Mas morrer antes de viver tudo?, antes de viver até a rapa?... Não, isto não se faz! Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Enfim, morrer é um exagero. Mas, como todos já sabem, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
  18. 22. “ Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue às coisas pequenas e inúteis da Vida.”
  19. 24. Parabéns, Pedro Bial. Tudo o que escreveu é sábio e verdadeiro..., salvo o último ponto: como não nos apegar às coisas inúteis da Vida se, diante da morte, tudo é pequeno e qualquer esforço é inútil?... Aparentemente, a última liberdade que procuramos é bastante singular, se, realmente, procuramos nos libertar do enorme esforço de ser... vivos.
  20. 25. Certamente ela já estava por aqui, na Terra, antes do surgimento do homem... e não foi, portanto, um obstáculo para a Vida. Mas ela foi transformada em sério obstáculo para o homem, devido à natureza de sua consciência concentrada na percepção de sua individualidade. E a morte assim, visível demais para ser ignorada e, mesmo se mostrando calada demais para ser compreendida, determinou e ainda determina, direta ou indiretamente, todos os nossos estados psicológicos. Morte.
  21. 26. E vamos refletir um pouco a partir de uma prescrição feita pelo inteligente Pedro Bial: “ Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco do quê?”
  22. 27. Interessante como que muitos entre nós já não se deixam seduzir pela idéia mística de uma existência individual espiritual eterna num paraíso de recompensas divinas ...
  23. 28. E, então, fica assim: enquanto os religiosos nos induzem a desprezar nossas vidas neste mundo (pecaminoso, provisório e descartável), por outro lado somos estimulados a tirar o máximo de proveito de nossas existências individuais neste mundo, antes que a morte certa chegue prematuramente para interromper tudo.
  24. 29. Estamos passando por um novo processo de transformação, sem dúvida, ajustando nossa percepção da existência individual: esta que tentamos pôr acima de tudo, de um jeito ou de outro. E assim, modernamente, se a nossa vida não é eterna, “ que seja eterna enquanto dure” ...
  25. 30. Pobres de nós, pobre de mim, não tenho com certeza as respostas, leitores. Tudo que tenho está neste esforço de entender e está em livros... Aliás, sem mudar o assunto, tenho pensado no meu filho de nove anos... Pobrezinho, tudo o que deixarei para ele, como herança, serão livros..., estes que lutam, entretanto, para que o meu filho, junto aos seus filhos, tenham um mundo ...
  26. 31. Certos assuntos só cabem em grossos livros, como o que eu terminei de escrever, onde esta sentença está exposta com detalhes: Quanto maior for a nossa percepção da individualidade tanto maior será a nossa percepção da morte como o fim inevitável!
  27. 32. A morte nunca foi e não é a nossa inimiga. O individualismo é o nosso real inimigo. Este tem o efetivo poder de nos matar. Então, agora, antes que se dê o fim, precisamos abrir nossas mentes para redescobrirmos a extraordinária dimensão da nossa consciência que é, ao mesmo tempo, individual e universal, finita e infinita.
  28. 33. Ou que isto fique bastante claro: a realidade que nos envolve não é uma piada; vivemos em um único mundo que é um todo ao qual estamos visceral e mentalmente ligados, para o êxito ou o fracasso. Não há como sobrevivermos vivendo apenas o momento ou o presente. Aliás, habilidades mentais especiais nos foram dadas para aprendermos com os erros do passado e ainda avaliarmos as conseguências dos nossos atos no futuro.
  29. 34. Não há nada de errado com o projeto celeste definido para a nossa existência nesta Terra. A inteligência nos foi dada para o grande desafio de existir. E se existir é um desafio duro para nós, é proporcional às nossas potencialidades e às enormes habilidades que recebemos.
  30. 35. Ajudaria se aproveitássemos o nosso já conhecido sentido de “religião” para enfim nos “religar” à Terra e, então, evoluirmos intimamente integrados. Assim, só assim nos harmonizaremos com o movimento das forças que dão vida ao Universo... e que, portanto, lhe dão o único verdadeiro sentido de existência. ... Nunca encontraremos respostas na morte.
  31. 36. Ainda sinto o pulsar da vida neste mundo, embora eu mesmo já esteja um pouco velho. Não sei quanto a vocês, meus amigos leitores, mas quanto a mim  seguramente  estou aqui, preocupando-me com o futuro de um mundo em que eu não estarei. Lanier Wcr

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