A Lei da Palmada

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(*) Mais uma tentativa de mostrar o valor da filosofia em nossas vidas. (Valor que, no caso, pode sustentar nossas expectativas a respeito das leis ou, ao contrário, pode dispensá-las...)

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A Lei da Palmada

  1. 2. “ Eu tenho o direito à proteção!”
  2. 3. O Governo Brasileiro entendeu esta mensagem internacional e procurou atendê-la: “ Eu tenho o direito à proteção!”
  3. 4. Fome (proibida!) Abandono (proibido!) Trabalho Infantil (proibido!) Pedofilia (proibida!)
  4. 5. Palmatória (proibida!) Palmada (proibida!?...)
  5. 8. (!) Em nosso país as leis são feitas pelas esferas do poder político, não jurídico; por isto, por certo, “todo cidadão tem o direito de opinar na discussão de uma lei.” (sic) Isto tem uma forte conotação democrática com justo ou justificável apelo popular, embora a necessidade contínua do estabelecimento de leis deponha contra o povo ou, senão, contra seus políticos.
  6. 9. As leis são sempre bastante sérias, mesmo que tenham conotações pitorescas como esta que rapidamente se tornou popular atendendo pelo nome de: A Lei da Palmada . A proposta dela é inibir ou, de fato, eliminar as palmadas que os pais dão nos seus filhos. E de início, aqui, o que nos cabe é perguntar: por que o governo ou os nossos governantes das esferas políticas se acham no direito de legislar sobre assunto da esfera familiar?
  7. 10. Acho que posso responder seguindo por esta linha de rima popular, natural, com fundo ou fundamento cultural, pois se nossos políticos se acham os legítimos representantes do nosso país, basta que eles troquem o pingo do “i” para que então se comportem como pais ... E deve ser mesmo por isto que eles se acham no pleno direito de se intrometerem no assunto.
  8. 11. Interessante. O nosso atual governo federal parece disposto a mudar aquela máxima que registramos na crônica Como inculcar nas pessoas boas idéias , onde se alega que “as pessoas, como os fuzis, são carregadas por detrás”, ou então que boas idéias devem ser plantadas a golpes de bambu ...
  9. 12. De qualquer modo e tendo em mente que, até ontem, as crianças não eram sequer consideradas como “sujeitos”..., de início estas novas leis demonstram inegável sensibilidade humana, quando procuram proteger nossas crianças, enquanto estabelecem meios legais para que elas obtenham direitos reais.
  10. 13. O meu filho de nove anos já sustenta com orgulho, para quem quiser ver, sua carteira de identidade. Mesmo sendo ele ainda bastante novo conseguiu perceber o valor primário disto: Eu já sou um sujeito!, vê?! Eu vejo, filho, então trate de ser responsável. ...?!
  11. 14. Esta é a grande questão: ser responsável, pois é o que nos torna pessoas adultas, e não a carteira de identidade.
  12. 15. Mesmo assim, perante as leis, nossas crianças são irresponsáveis, pelas suas naturezas; não podem ser responsabilizadas pelos seus atos que, então, indiretamente são imputados aos pais. Estes sabem disso e por isso se estressam, pois também sabem que o Estado, apesar de intrometido, é impessoal, e não permitirá que qualquer culpa lhe seja imputada, pelos efeitos ou pelos defeitos de suas leis.
  13. 16. E afinal se o Estado não pode ser responsabilizado pelos seus próprios atos, já não seria o bastante pedir o empenho dos pais para darem ao país jovens cidadãos responsáveis?
  14. 17. Estes assuntos, relacionados aos métodos, só dizem respeito a nós -- ao povo. Junto aos nossos mestres em educação, devemos permanecer em contínuo estudo, partilhando as nossas experiências ...
  15. 18. Nunca levantei a mão contra o meu filho e posso ainda dizer que ele vai indo em frente, mais ou menos bem ... Mesmo assim e honestamente confesso que nem pai direito eu sou. Vivo escrevendo e mal vejo o menino.
  16. 19. (Preocupo-me com o nosso mundo, ultimamente, pois é o que na realidade eu -- como homem -- devo deixar ao meu filho, como herança.) Nunca levantei a mão contra o meu filho e posso ainda dizer que ele vai indo em frente, mais ou menos bem ... Mesmo assim e honestamente confesso que nem pai direito eu sou. Vivo escrevendo e mal vejo o menino.
  17. 20. Então é com a mãe que ele se entesta, no dia-a-dia, às vezes pela indisciplina, quando eu sou chamado para intervir (não para interferir ou me intrometer no sentido arcaico de “governar”).
  18. 21. E não chego lá estabelecendo leis. Não, nada disso. Chego calado e me sento, esperando que o menino se aproxime, aos poucos, saindo do canto onde voluntariamente se retraiu após ouvir a mãe chamar por mim..., clamando por esta minha -- supostamente -- natural e forte autoridade de homem e pai.
  19. 22. Sempre uso este tempo de silêncio e espera para que as cabeças de ambos - do menino e da mãe - voltem aos seus eixos e se acalmem, para que possamos então conversar..., pensar, antes, para então conversar. Com raiva ou com medo o pensamento não é possível, e assim conversar seria inútil... ou igualmente impossível.
  20. 23. (!) Esta situação modificou um pouco a que fora usada pelos meus pais, quando eu era menino, naquele jogo em que meu pai representava o castigo enquanto minha mãe cuidava da reconciliação: o reparo pela tomada da consciência, e, pelo consolo, a retomada da confiança.
  21. 24. E, nos dias de hoje, para mim não era uma questão de certo ou errado aquela minha atitude moderada e as atitudes da mãe -- que às vezes fazia suas palmadas correrem soltas... Talvez na posição dela eu faria o mesmo... Não sei, e espero nunca saber.
  22. 25. O que me parecia certo era que a criança às vezes precisava receber um impacto, ser sacudida, para depois então “cair na real”, neste sentido de “ aprendizado”, enfim capaz de raciocinar tendo “dois parâmetros”: o da força e o do entendimento.
  23. 26. Uma única vez eu perguntei para o meu menino: O que você prefere? Medir força comigo ou sentar para conversar? “ Conversar, pai”, ele me disse olhando-me com seus olhinhos suplicantes, dos quais no fundo eu ouvia a ironia me dizer: “eu não sou bobo”.
  24. 27. (Amo o meu filho tão profundamente que se tudo dependesse de amor ele seria perfeito..., um santo?, um grande filósofo?...) Uma única vez eu perguntei para o meu menino: O que você prefere? Medir força comigo ou sentar para conversar? “ Conversar, pai”, ele me disse olhando-me com seus olhinhos suplicantes, dos quais no fundo eu ouvia a ironia me dizer: “eu não sou bobo”.
  25. 28. Sempre tive esta íntima convicção: o respeito vem da admiração. Se o meu filho não me admirar ele não me respeitará...
  26. 29. (Por isso os educadores sempre levaram em conta a questão dos nossos “exemplos”. Ou não é bem assim, no meu caso...?) Sempre tive esta íntima convicção: o respeito vem da admiração. Se o meu filho não me admirar ele não me respeitará...
  27. 30. O interessante é que meu menino parece admirar em mim o meu poder de acalmá-lo, junto ao respeito que demonstro por ele.
  28. 31. E aqui em retrato ele está. Reparem na gola de sua camisa. Ele só fala que quer ser “peão de rodeio”. Não fala que quer ser “escritor” ou, muito menos, um filósofo...
  29. 32. Ele é muito ligado às tradições da nossa terra e não às precárias aptidões de seu pobre pai.
  30. 33. Mas eu tenho insistido e, num dia desses, a respeito do assunto tratado aqui e de suas brigas com a mãe, filosoficamente eu argumentei:
  31. 34. Se você pensa que, deixando de escovar seus dentes serão os dentes de sua mãe que irão sofrer pelo seu desmazelo, está pensando como aquele cara que toma veneno na esperança de envenenar outra pessoa...
  32. 35. ?!... Ficou me olhando. Não entendeu, a princípio, mas depois me pareceu que sim, pois começou a se comportar com mais atenção.
  33. 36. E agora, enfim, leitor ou leitora, após mais esta tentativa de mostrar o valor da filosofia em nossas vidas, vou partilhar com você meu segredo: este que se ocultava por detrás, no fundo das palavras.
  34. 39. Quando quiser inculcar alguma idéia na cabeça de uma pessoa mais nova ou mais velha, não a estabeleça como lei, pois, de início, você deve apenas “ semear” sua idéia, ou plantá-la.
  35. 40. E, tal qual uma semente, deixe que a sua idéia germine por ela mesma.
  36. 41. Iguais a sementes, boas idéias se enraízam naturalmente, enquanto fazem com que as pessoas pensem a respeito delas ...,
  37. 42. ... quando passam a pensar, então, por elas ...,
  38. 43. ... como se fossem idéias próprias .
  39. 44. ... como se fossem idéias próprias .
  40. 45. ... como se fossem idéias próprias .
  41. 46. ... como se fossem idéias próprias .

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