Ct casa do caseiro

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Ct casa do caseiro

  1. 1. &Tigi " * "f W. : . 7T' *d-? Ttãfmhñ e: qà; ,. q_ . , . rev: ; a CASA DO CASEIRO Uma intervenção e' porta para um buraco negro. De acordo com a ciência. um buraco negro e uma iegiao do espaço da qual nada escapa. É resultado do colapso de uma estreia. que forma uma matéria astronomicamente maci» ça e infinitamente compacta, que desaparecerá. No lugar, surge o coração de um buraco negro, onde o teinpo para e o espaço deixa de existir. Em buraco negro começa a partir de uma superficie denominada horizonte de eventos, que marca a região a partir da qual não se pode mais voltar. Ele não reflete nenhuma pane da luz que venha atingir seu horizonte de eventos, sofregamente englobando tudo o que e possível. Da mesma forma acontece quando uma intervenção se mostra bem- sucedida, Aqui estamos nós. a massa dessa enorme singularidade, colidindo e reconstruindo, buscando um nada que seja totalmente irresistível aos passantes. Urge a necessidade de se criar algo totalmente único, que atraía cada partícula de luz e de alma. Cujo horizonte. uma vez trespassado. não permita volta. cujo percurso seja tão infinito. porem tão momentânea, que faça do espectador um e varios, tão perdido em sua súbita realização de que há, de fato, anamnese, que quando este chega ao nucleo de sua epifania o tempo não mais corre, o espaço não mais existe. Tudo e um nada. Suas memórias são o tudo.
  2. 2. Nessa ideia de criar algo que ñzesse seus espectadores se perderem em suas memórias - e, porque não, nas memórias de outros -, surgiu a procura por um lugar que refletisse esse ar nostálgico e irnersivo: nas andanças pela cidade. focarnos nosso olhar, principalmente, às diversas casas abandonadas que encontramos pelo caminho. Diversas vezes procuramos saber mais sobre os locais que nos puxavam pela alma, e nestas vezes sempre acabamos sabendo, através de vizinhos, a história que estava por trás das telhas caídas e paredes lascadas. Depois de procurar praticamente pela cidade inteira. encontramos um casa no topo de uma pequena elevação; ela estava localizada no que parecia uma ruela e de frente para uma rua maior, a Rua do Cormmo. Ela possuia uma vista belíssima para uma paisagan enorme e, como esperávamos a tanto termo. Descobrimos um certo padrão nas histórias: geralmente, as casas eram de moradores muito antigos da cidade, que vieram a falecer e deixaram a casa e suas histórias compondo o ar familiar e colonial da cidade de Glaura. As casas geralmente permaneciam trancadas, protegendo as lembranças do mundo exterior, e aguardavam compradores que reformassem todas as estruturas e limpassern o ambiente para a construção de uma nova geração de memórias. Muitas foram as vezes que tentamos entrar nas casas mais antigas, e em todas as vezes a explicação foi a mesma. Só Íbzrns descobrir dqaois de recorireoet a area ao redor da casa que esta não esura sozirha; ela era um braço da casa maior que estava logo ao seu lado. a casa do Sr. Francisco, quam geralmente nos vencedora uso do ser espaço. Aárea que poderiam: utilizar havia aumentado incrivelmente de tamartlro. então servimos consickrach a alma da familia; após seu falecimento. o ar se encheu de lembranças. tão pesadas qre a própria familia n7m soube manter sua unidade. e Em azia disso, nossa 'ideia principal rn criaçTm da intervenção seria unir novamente os moradores que ' vam das lembranças ck uma _ começoua sedistanciar. época qr: lhes parecia ser tio querida; ao estava desrrancath. E possivel dizer que a a necessilart de utiliza-lo em sua casa nos clranrou. pois sentimos que ela era totalidade; o próprio conjunto das duas A codrecila festa qre era feita mesmo tenpo. quaiarnos passar para os para a familia, na qual eles fecharam a visitantes um pedaço da aura de carinho e exatammte o que estávamos pmcrrando casas e do caminho entre elas já chva ao R” &Calwmmmmm , fo¡ mu; ¡sm saudade que baum log) que Vimos a 1080 @UC I Vim” SÓ 0 fa” de n50 #SW espaçoumtom completamentenovo. criou um vazio, a necesskkde de alguma casa que, drrante nosso trabalho, a-ancach já dava a sensação de que as Após conversarmos comoSr. coisa que prearchesse a falta que a Dara apelidamos de “casa do caseiro". histórias da casa estavam abertas pra nós; Francisco, descobrimos gre a casa E¡ l _ f_ , e vtna azia. elase msuavamúnicatàoàmiliaretãtr nostalgia que não conseguíamos pensar an um uso melhor para aulas memórias pausadas do que uma interva-rção. penencà a sua avó. dona Etelvina, que falecer-a parto tmzpo antes de nossa visita. Ela era a cidadã rmis velln dacidak, com maisde l00anosdeidade, eera
  3. 3. a trabalhar o espaço de forma teórica. a principio: para Começamos que pudéssemos ter uma verdadeira noção do espaço que podíamos utilizar. utilizamos o programa SketchUp para fazer uma réplica virtual e, com as mesmas medidas. uma maquete fisica; desta forma. pudemos ter um olhar completo sobre o espaço. Esse ponto é muito importante, pois nos deu uma ideia real do espaço que tinhamos ern mãos. o que evinu muitos erros que poderiam ter acontecido. Para isso, utilizamos fixas métricas para triangular o espaço; ou seja, ao invés de medirmos os espaços em poderia formas retangulaies, o que ocasionar retãngulos com 111551115 medidas mas ângulos diferentes (o que levaria a uma criação "torta" do espaço no SketchUp), medimos eri-i formas triangulaies. fazendo com que a recriação não pudesse ser omni além : h real. Além disso, para a medição do relevo, utilizamos mangueiras de nivel. Quando preenchidas com agua, a altura total da água em uma ponta sempre seta' igual a outra. Tomando por referencia uma das alturas da água na mangueira, a alrum do relevo onde está a ouua ponta será, portanto, a diferença entre a coluna de agua maior e a menor. pl skp ÊKOKHUD mo muitu Window na¡ 'ÓÕÔGH @(5153 *Cí/ OH lIIÔQhÀ Outro ponto interessante de se fazer é uma performance. A performance e feita sem palavras. tnúsicas nem nada do tipo, sendo permitida apmas barulhos feitos com o próprb corpo, e objetiva expressar eorporalmmte os sentimentos e a linha de pensamento que obtivemos ao visitar o espaço. Ao demonstrar coiporalmente o que maionese representar no sketch sensiúto, as possibilidades de representação fisica dos sentimentos que serão transmitidos durante a intervenção amplíam›se; é como trazer. passo a passo, as ideias e os sentimentos do plano das ideias para o plano real, primeiro atraves do brainstm-m, depois atraves do sketch no Sketch Up, depois pela perfomance e, finalmente, pela intervenção. A performance do meu gmpo buscou demonstrar as dimensões do espaço que são dificeis de se ver quando se olha semumolhar critico. Inicialmente, passamos um por um pelo caminho entre as duas represmtando nossa exploração do ambiente, casas, e nos espaihamos ao hugo do espaço de roma a dimensionaelo e repiesentaro quanto este eta maior do que parecia. Paramos nas posições em que respiramos profundamente, viramos para outro lado e estávamos e Uma das maiores preocupações ao se pensar em uma intervenção e determinar com precisão os sentimentos que tivemos em nossa primeira visita ao espaço, e quais deles queremos repassar. Para isso, não podemos criar apenas uma listagem - ou um brainstorm - de sentimentos: e' preciso tentar concretizáelos de alguma forma, trazê~ los ao plano físico para criar uma ponte entre o plano das ideias e o plano real. respiramos novamente, Isso mostrou que nós realmente smtimos o espaço ao nosso redor, não apenas vísualtnaate mas sim an-avés de todos os nossos sentidos. Logo após, estalamos nossos dedos, um de cada vez de foima a demonstrar que o grupo se comunicava o tempo todo. Cada um. à medña em que enwava m casa do caseiro, fazia um som diferente e i-iimado: palmas. assovios, estalos, Quando todos entraram na casa, fechamos as duas janelas e a porta ao mestria tempo, acabando com todos os son; como se estivéssemos já elaborando um projem e não quiséssemos a interrupção de ninguem. Em razão disso, é de extrema importância a realização de uma representação abstrata dos sentimentos presentes reconhecimento do durante espaço a ser representação, realizada no Sketch Up, a visualização nosso utilizado; com essa do que nos foi mais impaetante e o que é mais importante se toma mais fácil, além de nos ajudar a ter ideias de formas concretas que remetem a estes sentimentos. Nesse processo de criação, a completa abstração é muito importante. e e esse treinamento da capacidade de raciocinio difuso que proporcionará ideias mais originais e criativas para a criação da intervenção. bem impaetanre, e é exatamente isso que ela A perfomance em si foi deve causar. 11: esse impacto inicial que consegue transmitir aos demais o sentiment) que temos quando vemos o espaço pela primeira vez, ato em si que já e muito dificil de ser feito. É também essa representação que nos permite começar a ter a capacidade de transferir aos ounos algo que sentimos, o que toma essa etapa muito importante no processo criativo.
  4. 4. Como conclusão, e' importante lembrar que não adianta apenas fazer sketches sansitinros. maquetes Gsicas e performances; um dos pontos mais fiinrhmentais para o sucesso da intervenção na casa do caseiro foi termos nealmenm nos conectado com o local e a sua hisória. 0 fato de tamos feito inúmeros sketches à lápis, por exemplo. nos fez conhecer cada canto possivel daquele espaço, cada medida e cada ângulo, e isso criou um certo laço na nossa memória, como se de repente o conjunto das dias casas se tomasse pane das nossas lembranças de infância. É essa conexão com a cidade e com os monarbres que ms pen-rinite ter a sensibilidade necessaria para saber exatamente como fazer uma intervenção que tenha um impacto positivo e seja marcante para os moradores. Ao mesno tempo, prociirarms sair um pouco da bolha de intimisrm que e a cidade e tentamos encontrar uma bruna de incluir, nem cane seja por alguns instantes, aqueles que vein de rota É perceptível para qualquer um que passe mais de cinco minuns em Glainra que a cidade tem um ar familiar muito forte; isso sigaiñca que aquilo que a mantem imich nada mais é do que a forte carga de lanbranças que os moradores compartilham entre si. Todos se conhecer), todos comecar¡ suas respectivas familias, e esse ar vem se perdendo m¡ razão da qtnntidade enorme de pessoas que comprar casas de ñm-de-semana na cidade, sem se preocupnrem etn saber a historia que aquela casa tinha antes de ser reformada. O objetivo principal da intervenção, portanto, e' trazer essas memórias tao importantes à tona; quando as tiramos do iiindo da nnante dos monaclores e as mostramos para os dentais, dotarndo-os de uma visão totalmente nota sobre aquele assunto, existe uma chance muito maior de sansihilizaremse e darem mais valor ao chão que pisam. Desta fmma. quando urm outia casa antiga for detnoliia para ser reconsriuida, talvez ainda seja possivel que uma pane desse livro de memorias permaneça vivo de algumamaneira. , ,r. _.. .., ,n ¡. _,, ,r. ,.. _. 7 9,. K . 'a “ñ ISABELA MEIRELES CALDAS FERNANDES CADERNO TECNICO 2015

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