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Miguel Torga   O Homem, o Escritor, o Tempo,      a Terra e a DemocraciaDiaporama de Luís Aguilar e Vitália RodriguesConce...
Miguel Torga  O Homem               3
Ter um destino  é não caber no berço  onde o corpo nasceu,é transpor as fronteiras      uma a umae morrer sem nenhuma.    ...
Miguel Torga     (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha)   nasceu em S. Martinho de Anta há cem anos,  a 12.08.1907 e morreu ...
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O destino plantou-me aquie arrancou-me daqui.E nunca mais as raízesme seguraram bem em nenhuma terra.                     ...
Os pais, Francisco Correia Rocha e Maria da     Conceição Barros, e a irmã Maria         8
Em 1917, aos dez anos, vai para uma casaapalaçada do Porto, habitada por parentes dafamília.O pequeno criado ganhava quinz...
Em 1918 vai para o Seminário deLamego, onde viveu “um dos anoscruciais”da sua vida, tendo melhoradoos conhecimentos de por...
A grande aventura juvenil          1919          Foi então enviado, aos doze          anos, para o Brasil (Minas          ...
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Quatro anos decorridos o tio matriculou-ono Ginásio de Leopoldina.                                            14
Em 1925, na convicção de que ele havia devir a ser “doutor em Coimbra”, o tiopropôs-se pagar-lhe os estudos comorecompensa...
Crescera por fora e por dentro. Aprendera aobjectivar a vida, embora sempre tivessesentido aquele chão como fabuloso e mág...
Um dos seus títulos de glória é ter passado aadolescência no Brasil” ,…o Brasil amei-o eu sempre, foi omeu segundo berço, ...
De regresso a Portugal, fez em dois anos, oscinco do primeiro e segundo ciclo do cursoliceal de sete.No Liceu José Falcão ...
1928 - Adolfo Rocha estudante                 universitário da Faculdade de .                Medicina da Universidade de  ...
Uma pobre colectânea desonetos e canções quemereceu apenas críticasreprovativas e Torga nuncareimprimiu.                  ...
.    Grupo da República Estrela do Norte                                          21
Foi com                             Balada da Morgue                             que, verdadeiramente                     ...
Em 1929, com 22 anos, deuinício à colaboração na revistaPresença, folha de arte ecrítica, com o poema“Altitudes…”.A revist...
Golpe Militar de 1926A intervenção literária, já então aentendia Adolfo Rocha, como oúnico modo de combatenuma pátria que ...
Em 1930 rompe definitivamente com a revistaPresença, por razões de discordância estética erazões de liberdade humana.     ...
Adolfo Rocha eBranquinho da Fonsecafundam a revista Sinal,que saiu em Julho de1930.                          26
Publica o seu segundo livro em Junho de 1930.                                                27
Em 1931, contista em Pão Ázimo e poeta emTributo, Adolfo Rocha já aparecia a público emedição de autor, como aconteceu com...
Conclui o curso universitário de medicina em 1933.Na hora em que esperava merecer da vida a alegriaíntima do triunfo, sint...
Regressa a S. Martinho de Anta com fama derevolucionário.Perdera definitivamente o lugarprivilegiado no seio da tribo.Esta...
Miguel TorgaA Vida Familiar                  31
Miguel Torga com a mãeque falece em 1948.                         32
A vida afectiva. A única que vale a pena.Casa com Andrée Crabbé em 1940, estudante denacionalidade belga - aluna de Estudo...
Vou tentar ser bom marido,cumpridor. Mas quero quesaibas, enquanto é tempo, queem todas as circunstâncias tetroco por um v...
Miguel Torga e a filha Clara Rocha,nascida em 3 de Outubro de 1955.                                      35
36Diário VII
Apresentação da neta ao avô,que falece algumas semanas depois em 1955.                                             37
Em   27   de   Julho   de   1990   celebra   oscinquenta anos de casado. Os sins de queeu fui capaz contra os nãos da vida...
Miguel Torga   A Obra               39
Adolfo Correia Rocha         aos 27 anos em 1934,auto-define-se pelo pseudónimo que criou         Miguel     e   Torga    ...
Miguel                    Homenagem a dois                    grandes vultos da                     cultura ibérica:      ...
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Camões fez versos a martelo.                               50
Em 1937 começou a imprimirA Criação do Mundo, géneseprogressiva, numaconsciência, da imagem darealidade circunstancial, vi...
Em 1937, colabora na Revista de Portugal , de Vitorino         Nemésio                               52
Bichos surge em 1940, reeditado poucodepois, traduções sucessivas paravariadíssimas línguas. Animais com sentirhumano ou s...
Ficção1931 - Pão Ázimo.1931 - Criação do Mundo.1934 - A Terceira Voz.1937 - Os Dois Primeiros Dias.1938 - O Terceiro Dia d...
Poesia1928 - Ansiedade.1930 - Rampa.1931 - Tributo.1932 - Abismo.1936 - O Outro Livro de Job.1943 - Lamentação.1944 - Libe...
Peças de Teatro1941 - "Terra Firme" e "Mar".1947 - Sinfonia.1949 - O Paraíso.1950 - Portugal.1955 - Traço de União.       ...
TraduçõesLivros seus estão traduzidos para diversas línguas,algumas vezes publicados com um prefácio seu:espanhol, francês...
Prémios1969 - Prémio do Diário de Notícias.1976 - Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist.1980 - Prémio Morgado de ...
Prémio Vida Literária da Associação Portugesa de Escritores                           1992                                ...
Se existe alguém que escreve em português emerece o Nobel é Miguel Torga, não eu.                                         ...
1º Congresso Internacional de Miguel TorgaÉ organizado pela Universidade Fernando Pessoa                   em 1994        ...
Uma literatura que produz, no mesmo século,dois vultos do calibre de Pessoa e Torga,pode considerar-seuma literatura de ex...
Hoje sei apenas gostarduma nesga de terra debruada de mar.                      63
Miguel Torga  O Político               64
A política é para eles (os políticos)         uma promoção e,             para mim,            uma aflição.               ...
Foi preso várias vezes devido aos seus escritos,sendo a primeira em 1939, em Aljube.A PIDE negar-lhe-ia , várias vezes o p...
Na Candidatura do General Humberto Delgado                    1958                     67
Em 1967, assina um manifesto no qual é pedida a aprovaçãode uma lei da Imprensa, a abolição da censura prévia e ainterposi...
Revolução de 25 de AbrilGolpe militar. Assim eu acreditasse nos militares.                                                69
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Ramalho Eanes torna-se seu amigo  e Torga dá-lhe um conselho.Seja sério, mas não se leve a sério.                         ...
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Nunca se filiou em partido algum:         É ESCUSADO. NÃO POSSO TER OUTRO PARTIDO    SENÃO O DA LIBERDADE.O meu partido é ...
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Entrada de Portugal em 12 de Junho de 1985                    no Mercado ComumNão apoia nem tem a mínima simpatia pela Uni...
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Miguel Torga As Viagens               79
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Em Istambul em 1953                      81
Em 1954, No Centro Transmontano de S. Paulo (Brasil)                                                       82
Em 1973, no intuito de sentir pulsar o coração austral, decontemplar os cenários das nossas grandezas passadas e das nossa...
Lá, como cá, um quadro não muda um homem. Mas um verso sim.                 No México em 1983.                            ...
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Em Hong-Kong               86
Em busca da presença portuguesa da qual só restam                igrejas e baluartes                   Em Goa             ...
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Miguel TorgaPara os Outros                 89
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Nem sempre escrevi que souintransigente, duro, capaz de umalógica que toca a desumanidade.[...] Nem sempre admiti que esta...
O HOMEM é, por desgraça, uma solidão:Nascemos sós, vivemos sós e            morremos sós.                              93
REQUIEM POR MIMAproxima-se o fim.E tenho pena de acabar assim,Em vez de natureza consumada,Ruína humana.Inválido de corpoE...
A Morte                                          E o Poeta morreu.                                   A sombra do cipreste ...
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Grande parte deste diaporama foi construído a partir do livro Fotobiografiaspublicado pela sua filha, Clara Rocha.        ...
http://purl.pt/13860/1/© 2007 Biblioteca Nacional de Portugal , todos os direitos reservados                              ...
Alguns Sítios na Rede sobre Miguel Torga              Casa-Museu                Miguel                Torga           Vida...
DiaporamaConcepção e pesquisa        deVitália Rodrigues e Luís Aguilar  Dezembro de 2007                       100
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Miguel Torga

  1. 1. 1
  2. 2. Miguel Torga O Homem, o Escritor, o Tempo, a Terra e a DemocraciaDiaporama de Luís Aguilar e Vitália RodriguesConcebido a partir do livro Fotobiografias de Clara Rocha. Consulado-Geral de Portugal em Montreal 2
  3. 3. Miguel Torga O Homem 3
  4. 4. Ter um destino é não caber no berço onde o corpo nasceu,é transpor as fronteiras uma a umae morrer sem nenhuma. Miguel Torga In Fernão de Magalhães,Antologia Poética. Lisboa: Dom Quixote, 1999. 4
  5. 5. Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha) nasceu em S. Martinho de Anta há cem anos, a 12.08.1907 e morreu em Coimbra a 17.01.1995.Nasci como um cabrito ou como um pé de milho 5
  6. 6. 6
  7. 7. O destino plantou-me aquie arrancou-me daqui.E nunca mais as raízesme seguraram bem em nenhuma terra. 7
  8. 8. Os pais, Francisco Correia Rocha e Maria da Conceição Barros, e a irmã Maria 8
  9. 9. Em 1917, aos dez anos, vai para uma casaapalaçada do Porto, habitada por parentes dafamília.O pequeno criado ganhava quinze tostões por mêse dormia num cubículo de campainha à cabeceira.Fardado de branco servia de porteiro, “moço derecados”, regava o jardim, “limpava o pó e poliaos metais da escadaria nobre”, “atendiacampainhas”.Foi despedido um ano depois, devido à constanteinsubmissão. 9
  10. 10. Em 1918 vai para o Seminário deLamego, onde viveu “um dos anoscruciais”da sua vida, tendo melhoradoos conhecimentos de português, dageografia, da história, aprendido olatim e ganhado familiaridade com ostextos sagrados .No fim das férias comunicou ao paique não seria padre. 10
  11. 11. A grande aventura juvenil 1919 Foi então enviado, aos doze anos, para o Brasil (Minas Gerais), a fim de trabalhar numa fazenda que pertencia a um tio. 11
  12. 12. Fazenda de Santa Cruz (Minas Gerais) 12
  13. 13. Simples máquina de trabalho era o último a deitar--me e o primeiro a erguer-me, sem domingos nemdias santos para que a engrenagem funcionasse comperfeição.   Carregar o moinho, mungir as vacas, tratar dos porcos, irbuscar os cavalos da cocheira ao pasto, limpá-los e arreá-los, rachar lenha, varrer o pátio e atender a freguesia quevinha comprar fumo, cachaça, carne seca, feijão, ou trocargrão por fubá; ir buscar o correio à povoação; fazer aescrita da fazenda, verificar à noite se as portas e as janelasestavam bem fechadas. 13
  14. 14. Quatro anos decorridos o tio matriculou-ono Ginásio de Leopoldina. 14
  15. 15. Em 1925, na convicção de que ele havia devir a ser “doutor em Coimbra”, o tiopropôs-se pagar-lhe os estudos comorecompensa dos cinco anos de serviço. 15
  16. 16. Crescera por fora e por dentro. Aprendera aobjectivar a vida, embora sempre tivessesentido aquele chão como fabuloso e mágicoe aonde pudera ser selvagem e natural. 16
  17. 17. Um dos seus títulos de glória é ter passado aadolescência no Brasil” ,…o Brasil amei-o eu sempre, foi omeu segundo berço, sinto-o namemória, trago-o no pensamento. 17
  18. 18. De regresso a Portugal, fez em dois anos, oscinco do primeiro e segundo ciclo do cursoliceal de sete.No Liceu José Falcão completou o terceirociclo num só ano, ficando apto a cursar umaUniversidade. 18
  19. 19. 1928 - Adolfo Rocha estudante universitário da Faculdade de . Medicina da Universidade de Coimbra A caneta que escreve e a que prescreverevezam-se harmoniosamente na mesma mão. 19
  20. 20. Uma pobre colectânea desonetos e canções quemereceu apenas críticasreprovativas e Torga nuncareimprimiu. 20
  21. 21. . Grupo da República Estrela do Norte 21
  22. 22. Foi com Balada da Morgue que, verdadeiramente assinei pacto com Orfeu . 22Presença, 24, Janeiro 1930
  23. 23. Em 1929, com 22 anos, deuinício à colaboração na revistaPresença, folha de arte ecrítica, com o poema“Altitudes…”.A revista, fundada em 1927pelo “grupo literário avançado”de José Régio, Gaspar Simõese Branquinho da Fonseca, erabandeira “literária do grupomodernista” e era também,“bandeira libertária”daRevolução Modernista. 23
  24. 24. Golpe Militar de 1926A intervenção literária, já então aentendia Adolfo Rocha, como oúnico modo de combatenuma pátria que é o cemitério daprópria língua. 24
  25. 25. Em 1930 rompe definitivamente com a revistaPresença, por razões de discordância estética erazões de liberdade humana. 25
  26. 26. Adolfo Rocha eBranquinho da Fonsecafundam a revista Sinal,que saiu em Julho de1930. 26
  27. 27. Publica o seu segundo livro em Junho de 1930. 27
  28. 28. Em 1931, contista em Pão Ázimo e poeta emTributo, Adolfo Rocha já aparecia a público emedição de autor, como aconteceu com Abismo,no ano seguinte, e como aconteceria pela vida fora. 28
  29. 29. Conclui o curso universitário de medicina em 1933.Na hora em que esperava merecer da vida a alegriaíntima do triunfo, sinto o medo do avesso quiçá oterror fundo que não diz donde vem nem para ondevai, anotou no dia da formatura. . 29
  30. 30. Regressa a S. Martinho de Anta com fama derevolucionário.Perdera definitivamente o lugarprivilegiado no seio da tribo.Estava sem estar.Mudou-se, para Vila Nova, a meio do ano de 1934,concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra. 30
  31. 31. Miguel TorgaA Vida Familiar 31
  32. 32. Miguel Torga com a mãeque falece em 1948. 32
  33. 33. A vida afectiva. A única que vale a pena.Casa com Andrée Crabbé em 1940, estudante denacionalidade belga - aluna de Estudos Portugueses,ministrados por Vitorino Nemésio em Bruxelas - que viera aPortugal para frequentar um curso de férias na Universidadede Coimbra. 33
  34. 34. Vou tentar ser bom marido,cumpridor. Mas quero quesaibas, enquanto é tempo, queem todas as circunstâncias tetroco por um verso. (A Criação do Mundo, V) 34
  35. 35. Miguel Torga e a filha Clara Rocha,nascida em 3 de Outubro de 1955. 35
  36. 36. 36Diário VII
  37. 37. Apresentação da neta ao avô,que falece algumas semanas depois em 1955. 37
  38. 38. Em 27 de Julho de 1990 celebra oscinquenta anos de casado. Os sins de queeu fui capaz contra os nãos da vida. 38
  39. 39. Miguel Torga A Obra 39
  40. 40. Adolfo Correia Rocha aos 27 anos em 1934,auto-define-se pelo pseudónimo que criou Miguel e Torga 40
  41. 41. Miguel Homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno 41João Abel Manta
  42. 42. Torga (Erica lusitanica)Designação nortenha da urze,planta brava da montanha,que deita raízes fortes sob aaridez da rocha, de flor branca,arroxeada ou cor de vinho. 42
  43. 43. A Terceira Voz, em 1934 épublicado por Miguel Torga,com prefácio de AdolfoRocha:Somos irmãos e temos amesma riqueza: despeço-mede cena e dou a minha palavrade honra que não reapareço;…a minha voz mudou –porque o horizonte é maior… 43
  44. 44. Em Janeiro de 1936 funda,com Albano Nogueira,Manifesto, Revista de Arte eCrítica:Procurávamos um caminhode liberdade assumida ondenem o homem fosse traído,nem o artista negado, umaarte rebelde enraizada nocircunstancial. 44
  45. 45. Afonso Duarte, Alvaro Salema, Bento deJesus Caraça, Branquinho da Fonseca,Joaquim Namorado, Lopes Graça, PauloQuintela, Vitorino Nemésio acompanha-vam-no nessa intervenção contrária aoindividualismo presencista, alienado do real(que Eduardo Lourenço identificou, em1957, no Comércio do Porto, com o artigoPresença, ou a Contra-Revolução doModernismo Português ).Fernando Pessoa tinha lugar, naqueleprimeiro número, com o poema Nevoeiro. 45
  46. 46. Pode considerar-se Miguel Torgapioneiro e representante porantonomásia da escrita diarísticaportuguesa, por ser, juntamente comVirgílio Ferreira, com Conta Corrente,dos que lhe conferiram maiorsignificância. O Diário torguiano, que oautor publicou ininterruptamente entre1941 e 1993, retrata o pulsar do autorsobre o homem, o mundo e a vida, entre3 de Janeiro de 1932 e 10 de Dezembrode 1993. 46
  47. 47. Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei deler a notícia no jornal, fechei a porta doconsultório e meti-me pelos montes a cabo.Fui chorar com os pinheiros e com asfragas a morte do nosso maior poeta dehoje, que Portugal viu passar num caixãopara a eternidade, sem ao menos perguntarquem era.In Diário I (3 de Dezembro de 1935) 47
  48. 48. No Dia de Camões de 1948, a propósito do artifício dafigura de “escritor oficial” alheio à alma colectiva, havia desugerir que Pessoa substituísse Camões, vastíssimo poeta,mas “cristalizado numa época”: 48
  49. 49. Fernando Pessoa, culturalmenteconsiderado, não será muito mais poetanacional deste século do que Camões?Por ser o símbolo da Pátria e por ter envolvidoemblematicamente a glória do poeta. Glória puraque, como poucas, merecia a graça desse póstumocalor materno. Ninguém antes tinha realizado omilagre de criar de raiz um Portugal feito de versos. 49
  50. 50. Camões fez versos a martelo. 50
  51. 51. Em 1937 começou a imprimirA Criação do Mundo, géneseprogressiva, numaconsciência, da imagem darealidade circunstancial, visãode um mundo criado à nossamedida, original e único,povoado de seres reais que otempo foi transformando emfantasmas. 51
  52. 52. Em 1937, colabora na Revista de Portugal , de Vitorino Nemésio 52
  53. 53. Bichos surge em 1940, reeditado poucodepois, traduções sucessivas paravariadíssimas línguas. Animais com sentirhumano ou seres humanos vestidos deanimais. Ou uma irmandade de animais ehomens. Tudo numa argamassa de vida. Ocão Nero, o galo Tenório, o jerico Morgado,o Ladino, o Ramiro. E a Madalena,caminhando na contra mão da contradiçãoentre cultura e vida. 53
  54. 54. Ficção1931 - Pão Ázimo.1931 - Criação do Mundo.1934 - A Terceira Voz.1937 - Os Dois Primeiros Dias.1938 - O Terceiro Dia da Criação do Mundo.1939 - O Quarto Dia da Criação do Mundo.1940 - Bichos.1941 - Contos da Montanha.1942 - Rua.1943 - O Senhor Ventura.1944 - Novos Contos da Montanha.1945 - Vindima.1951 - Pedras Lavradas1974 - O Quinto Dia da Criação do Mundo.1976 - Fogo Preso.1981 - O Sexto Dia da Criação do Mundo.1982 - Fábula de Fábulas. 54
  55. 55. Poesia1928 - Ansiedade.1930 - Rampa.1931 - Tributo.1932 - Abismo.1936 - O Outro Livro de Job.1943 - Lamentação.1944 - Libertação.1946 - Odes.1948 - Nihil Sibi.1950 - Cântico do Homem.1952 - Alguns Poemas Ibéricos.1954 - Penas do Purgatório.1958 - Orfeu Rebelde.1962 - Câmara Ardente.1965 - Poemas Ibéricos. 55
  56. 56. Peças de Teatro1941 - "Terra Firme" e "Mar".1947 - Sinfonia.1949 - O Paraíso.1950 - Portugal.1955 - Traço de União. 56
  57. 57. TraduçõesLivros seus estão traduzidos para diversas línguas,algumas vezes publicados com um prefácio seu:espanhol, francês, inglês, alemão, chinês, japonês,croata, romeno, norueguês, sueco, holandês,búlgaro. 57
  58. 58. Prémios1969 - Prémio do Diário de Notícias.1976 - Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist.1980 - Prémio Morgado de Mateus, ex-aecquo com Carlos Drummond de Andrade.1981 - Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S.1989 - É-lhe imposta a condecoração de Oficial na Ordem das Artes e Letras da República Francesa.1989 - Prémio Camões. Os meus leitores mereciam-no . (Miguel Torga)1991 - Prémio Personalidade do Ano.1992 - Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.1993 - Prémio da Crítica, consagrando a sua obra. 58
  59. 59. Prémio Vida Literária da Associação Portugesa de Escritores 1992 59
  60. 60. Se existe alguém que escreve em português emerece o Nobel é Miguel Torga, não eu. Jorge AmadoFoi proposto para o Prémio Nobel em 1960.Sem êxito, possivelmente por interferências do Poderde então.Voltará a ser considerado uns anos mais tarde, não lhetendo sido atribuído. 60
  61. 61. 1º Congresso Internacional de Miguel TorgaÉ organizado pela Universidade Fernando Pessoa em 1994 61
  62. 62. Uma literatura que produz, no mesmo século,dois vultos do calibre de Pessoa e Torga,pode considerar-seuma literatura de excelente saúde. Torrente Ballester In Entrevista a Miguel Viqueira em 1986 62
  63. 63. Hoje sei apenas gostarduma nesga de terra debruada de mar. 63
  64. 64. Miguel Torga O Político 64
  65. 65. A política é para eles (os políticos) uma promoção e, para mim, uma aflição. 65
  66. 66. Foi preso várias vezes devido aos seus escritos,sendo a primeira em 1939, em Aljube.A PIDE negar-lhe-ia , várias vezes o pedido de vistopara sair do país.Andrée Rocha é suspensa do seu lugar académico,passou a fazer traduções e a ajudar o marido na suaactividade profissional. 66
  67. 67. Na Candidatura do General Humberto Delgado 1958 67
  68. 68. Em 1967, assina um manifesto no qual é pedida a aprovaçãode uma lei da Imprensa, a abolição da censura prévia e ainterposição de recurso no caso de apreensão de livros. 68
  69. 69. Revolução de 25 de AbrilGolpe militar. Assim eu acreditasse nos militares. 69
  70. 70. Estranha revolução esta, que desilude e humilha quemsempre ardentemente a desejou.Estamos a viver em pleno absurdo, a escrever no livro daHistória gatafunhos que nenhuma inteligência poderádecifrar no futuro. Todas as conjecturas têm a mesmaprobabilidade de acerto ou desacerto. Jogamos numaroleta de loucos, que tanto anda como desanda.O espectáculo que damos neste momento é o de ummanicómio territorial onde enfermeiros improvisados eatrevidos submetem nove milhões de concidadãos a umelectrochoque aberrante e desumano. 20 de Junho de 1975 70
  71. 71. Sobre a descolonização escreveria:Fomos descobrir o mundo em caravelas e regressámosdele em traineiras.Afanfarronice de uns, a incapacidade de outros e airresponsabilidade de todos deu este resultado: o fimsem a grandeza de uma grande aventura. Metade de Portugal a ser o remorso da outra metade. 71
  72. 72. Primeiras eleições livres em democracia 72
  73. 73. Ramalho Eanes torna-se seu amigo e Torga dá-lhe um conselho.Seja sério, mas não se leve a sério. 73
  74. 74. Conheceram-se depois do 25 de Abril,quando Torga se afirmou como um dossustentáculos do Partido Socialista nazona de Coimbra. 74
  75. 75. Nunca se filiou em partido algum: É ESCUSADO. NÃO POSSO TER OUTRO PARTIDO SENÃO O DA LIBERDADE.O meu partido é o mapa de Portugal 75
  76. 76. Em Outubro de 1983, Samora Machel,Presidente de Moçambique, visitaoficialmente Portugal.Apresentados em Coimbra, MiguelTorga fez questão de mostrar-lhe aregião duriense percorrida dehelicóptero na companhia do Presidenteportuguês, em conversa fraterna acercadas duas pátrias e da indissolubilidadedos seus destinos.No diário de 20 de Outubro de 1986lamentaria o fim trágico e prematurodaquela vida agitada e carismática. 76
  77. 77. Entrada de Portugal em 12 de Junho de 1985 no Mercado ComumNão apoia nem tem a mínima simpatia pela União Europeia.Ela ofende o seu espírito patriótico e o seu ideal de Pátria.Insurge-se contra a ideia da subserviência às ordens de umaEuropa sem valores, incapaz de entender um povo que nelasempre os teve... É o repúdio de um poeta português pelairresponsabilidade com que meia dúzia de contabilistas lhealienaram a soberania (...) e Maastricht há-de ser uma nódoaindelével na memória da Europa. 77
  78. 78. É também contra a regionalização:O mundo a braços com o drama das diversidadese nós, que há oitocentos anos temos a unidadenacional no território, na língua, nos costumes ena religião, vamos desmioladamente destruí-la? 78
  79. 79. Miguel Torga As Viagens 79
  80. 80. Viajar, num sentido profundo, é morrer. Em 1937, Dezembro pardo viaja por Espanha, França e Itália. O fascismo em Espanha completava o cerco à liberdade 80
  81. 81. Em Istambul em 1953 81
  82. 82. Em 1954, No Centro Transmontano de S. Paulo (Brasil) 82
  83. 83. Em 1973, no intuito de sentir pulsar o coração austral, decontemplar os cenários das nossas grandezas passadas e das nossasmisérias presentes, empreende uma extensa viagem pela Áfricalusófona no pressentimento de que chegara o fim da epopeia” lusa.. 83
  84. 84. Lá, como cá, um quadro não muda um homem. Mas um verso sim. No México em 1983. 84
  85. 85. Em Abril de 1987, no processo de “assinatura da transmissão a curto prazo da soberania de Macau”, Miguel Torga aceita falar na celebração do Dia de Camões naquele recanto da pátria, últimos confins de Portugal.Macau, Gruta de Camões 85
  86. 86. Em Hong-Kong 86
  87. 87. Em busca da presença portuguesa da qual só restam igrejas e baluartes Em Goa 87
  88. 88. Em 19 de Novembro de 1986, declama oitenta poemas para o disco comemorativo dos seus oitenta anos de vida que saíu a público em 30 de Junho do ano seguinte. 88
  89. 89. Miguel TorgaPara os Outros 89
  90. 90. Miguel Torga é um poeta em que um país se diz. Sophia de Mello Breyner Andresen Torga podia escrever e publicar sem parar, mas ia construindo, ao mesmo tempo, um dos monólogos mais radicais de toda a poesia portuguesa Eduardo Lourenço Reencarnação de um poeta mítico por excelência- daqueles que vive na intimidade das forças elementares (a terra, o sol, o vento, a água) para celebrá-las com o seu canto. David Mourão Ferreira 90
  91. 91. Foi sempre um homem, socialmente difícil. Poucocomunicativo, falando com mais convicção do querazão. Uma das facetas menos atraentes do carácter de M.T. éa sua forretice. Chega a comprar livros comexemplares dos seus. De Leiria a Coimbra viajavasempre em 3ª classe. Foi ao estrangeiro, por diversasvezes, percorrendo boa parte da Europa, aproveitandosempre boleia de dois amigos. Quase não oferece livrosa ninguém, recusa dedicatórias e autógrafos, nuncaconfiou o seus livros a nenhuma editora, preferindosempre "edições do autor", com pequena tiragem e nopapel mais barato possível. Antônio Freire, in Lendo M.T.. 91
  92. 92. Nem sempre escrevi que souintransigente, duro, capaz de umalógica que toca a desumanidade.[...] Nem sempre admiti que estavairritado com este camarada eaquele amigo. [...] A desgraça é quenão me deixam estar só, pensar só,sentir só. 92
  93. 93. O HOMEM é, por desgraça, uma solidão:Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós. 93
  94. 94. REQUIEM POR MIMAproxima-se o fim.E tenho pena de acabar assim,Em vez de natureza consumada,Ruína humana.Inválido de corpoE tolhido da alma… In Diário XVI, Coimbra, 10 de Dezembro de 1993 94
  95. 95. A Morte E o Poeta morreu. A sombra do cipreste pôde enfim Abraçar o cipreste. O torrão Caiu desfeito ao chão Da aventura celeste. Nenhum tormento mais, nenhuma imagem (No caixão, ninguém pode Fantasiar).Em 17 de Janeiro de 1995 Pronto para a viagemmorrem o médico Adolfo Rocha De acabar.e o poeta Miguel Torga. Ambos Só no ouvido dos versos,repousam, sob uma única lage, Onde a seiva não corre,em campa rasa no cemitério de Uma rima perduraS. Martinho de Anta. A dizer com brandura Que um Poeta não morre. 95
  96. 96. 96
  97. 97. Grande parte deste diaporama foi construído a partir do livro Fotobiografiaspublicado pela sua filha, Clara Rocha. 97
  98. 98. http://purl.pt/13860/1/© 2007 Biblioteca Nacional de Portugal , todos os direitos reservados 98
  99. 99. Alguns Sítios na Rede sobre Miguel Torga Casa-Museu Miguel Torga Vidas Lusófonas 99
  100. 100. DiaporamaConcepção e pesquisa deVitália Rodrigues e Luís Aguilar Dezembro de 2007 100

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