Projeto – Profª IonáA evolução biológica e a cultura humana.Evolução do Homem por Jow CartoonsTrabalhar nas múltiplas conc...
por isso alimentam-se, encontram abrigo, acasalam-se e procriam. O que faz com que ocomportamento de um animal se torne tã...
Fato é que até os animais menos complexos podem, por seu comportamento, alterar oambiente adequando-o em seu proveito, e a...
Pintura rupestre da Tradição Agreste por Chico HistoriadorHoje, já acumulamos tantas diferenças e nos diferenciamos tanto ...
indivíduo genes com alto poder adaptativo, menor será o risco de aparecerem indivíduosem que alguns deles faltem, provocan...
altruísmo, que nos capacita à filantropia.Assim, vemos em luta as forças dissociativas do isolamento sexual e associativas...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A evolução biológica e a cultura humana

13.091 visualizações

Publicada em

0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
13.091
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
55
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A evolução biológica e a cultura humana

  1. 1. Projeto – Profª IonáA evolução biológica e a cultura humana.Evolução do Homem por Jow CartoonsTrabalhar nas múltiplas conceituações de cultura suscita o estabelecimento de um amplodebate interdisciplinar que envolve a preocupação de tratar das bases biológicas naformação da cultura, sem todavia tentar-se "explicar" a cultura, mas sim no sentido detambém pensá-la biologicamente, partindo do pressuposto de que são verdadeiras asconcepções fundamentais da teoria da evolução propostas por Darwin, sem muitapreocupação com suas anomalias.Dessa forma, se nenhum novo paradigma surgir revolucionando esta questão, este ensaiopoderá servir como uma revisão adequada do assunto, ampliando as bases de discussãopara o estabelecimento do diálogo intercultural, caso contrário, poderá servir como maisuma das "piadas" científicas a ser contada, futuramente, nas salas de aula.De acordo com pressupostos básicos da teoria da evolução de Darwin, os seres vivos têmtendência para apresentar variações, uma fração das quais é de natureza hereditária.Quando essas variações não forem neutras para a sobrevivência ou reprodução, ocorrerá,obviamente, uma sobrevivência e uma reprodução diferenciadas de seus portadores. "Osseres favorecidos nessa luta pela vida são considerados como os mais bem adaptados aosmeios em que vivem, isto é, os mais aptos sob o ponto de vista seletivo. Como oambiente se altera ao longo do tempo, também mudam a direção e a intensidade daseleção natural. Dessa forma os seres vivos irão evoluindo" (FREIRE-MAIA, 1991).Atualmente questiona-se o fato de que as mutações casuais e a seleção natural sejamfatores suficientes para explicar toda a evolução, mas podem contribuir para uma reflexãosobre o papel da cultura na origem do ser humano, que foi capaz de se diferenciar dosdemais primatas, principalmente no que concerne à produção e armazenamento de"cultura".Além da cultura, há inúmeras diferenças morfológicas entre o ser humano e outrosprimatas, mas grande parte delas puderam ser acumuladas a partir do isolamento sexualdo grupo ancestral e neste isolamento reprodutivo ela desempenha um papel destacado.Podemos conceituar biologicamente a cultura como uma extraordinária complexificação doque se denomina, em Biologia, de comportamento animal, que, em linhas gerais, envolvetodos os processos através dos quais um animal percebe o mundo externo e o seu estadointerno e responde às mudanças percebidas.Segundo uma visão clássica, quase todos os comportamentos que observamos nosanimais são adaptativos. Eles respondem a estímulos apropriados de maneira eficiente e
  2. 2. por isso alimentam-se, encontram abrigo, acasalam-se e procriam. O que faz com que ocomportamento de um animal se torne tão bem adaptado ao seu ambiente natural podeser um conjunto de respostas "pré-formadas" no sistema nervoso como parte de suaestrutura herdada, constituindo-se num tipo de "memória da espécie" transmitida de umageração a outra ou pode ser uma capacidade de modificar seu comportamento em virtudede suas experiências, à medida que se desenvolve através da ação sobre o meio(MANNING, 1977).O aprendizado permite modificar o comportamento de modo a adaptá-lo a circunstânciasnovas, no homem, isso permitiu o desenvolvimento de uma grande plasticidade fenotípica,fazendo com que a organização estrutural das populações humanas seja certamente amais elevada do reino animal. Isto se aplica não só a estrutura social dentro daspopulações, das famílias às nações, como também às relações inter-populacionais, quesão únicas. Estas diferenças podem superar, inclusive, as observadas entre populações deespécies distintas e com muita frequência, as relações estabelecidas se assemelham aoque se observa entre predador e presa ou hospedeiro e parasita.O intercâmbio e interdependência entre populações humanas é muito maior do que paraoutras espécies. Isso afeta não apenas o intercâmbio de pessoas, como o de energia, dematéria, de conhecimento e cultura.Nesse sentido, com o crescente processo de globalização, torna-se cada vez mais urgenteacrescentarmos à nossa cultura humana a capacidade de estabelecimento do diálogointercultural.Sendo assim, não se pode definir um homem unicamente pelos seus constituintesbiológicos (células, órgãos e metabolismos), é necessário, para explicar as suascaracterísticas mais essenciais, levar em conta os grupos sociais e culturais em que eleestá integrado, pois os utensílios fornecidos pela natureza não têm qualquer interesseenquanto outros homens não nos ensinarem a manejá-los (Jacquard,1988).1) De acordo com o texto o que seria um comportamento adaptativo animal:2) O texto fala sobre adaptações biológicas e culturais. Qual o parágrafoexpressa melhor essa informação?3) O que você entende pela frase : “O intercâmbio e interdependência entrepopulações humanas é muito maior do que para outras espécies” :4) No homem o aprendizado lhe deu algumas vantagens. Quais foram elas?5) Defina o termo “memória da espécie”:6) O que diz a Teoria da Evolução de Darwin ?
  3. 3. Fato é que até os animais menos complexos podem, por seu comportamento, alterar oambiente adequando-o em seu proveito, e assim modificar as forças seletivas que osafetam. Um comportamento completamente novo pode ser transmitido por aprendizado egradativamente substituir a atividade prévia, sem que ocorra nenhuma alteração genética,pois, em geral, se herda apenas uma potencialidade para aprender e não o aprendizadoem si, a não ser nos casos em que não há sobreposição de gerações e os indivíduosprecisam nascer sabendo.É claro que a evolução cultural só é possível entre os animais que possuem umacapacidade considerável de modificar seu comportamento por prática e imitação, e, alémdo homem, isso pode ser observado em outros primatas, tendo sido descobertas umagrande variedade de diferenças alimentares, cuja origem foi cultural, entre bandos domacaco japonês Macaca fuscata.Macaca fuscataParadoxalmente, é muito restrito o papel que a aprendizagem pode desempenhar naevolução do comportamento animal, pois essa evolução depende de variações herdadassobre as quais a seleção possa agir. Ou seja, para que os processos de seleção naturalpossam atuar é necessário que o novo comportamento se transforme em informação"herdável", que não dependa exclusivamente do relacionamento direto entre os seresvivos, caso contrário o novo comportamento, por mais adaptativo que seja corre o riscode ser perdido com a extinção do indivíduo ou grupo populacional que o tenhadesenvolvido.Nesse sentido, a capacidade de "registrar" sua cultura através da escrita, pintura,escultura, música, etc, foi provavelmente uma das maiores conquistas que fez com que ohomem se diferenciasse dos demais primatas e pudesse "evoluir culturalmente".
  4. 4. Pintura rupestre da Tradição Agreste por Chico HistoriadorHoje, já acumulamos tantas diferenças e nos diferenciamos tanto dos nossos parentesprimatas que parece meio irracional pensar num tempo onde nossas diferençasmorfológicas em relação aos chimpanzés e orangotangos não eram assim tão evidentes.A hipótese mais aceita para o surgimento do homem era de que nossos ancestrais separeciam muito com os grandes antropoides atuais. Porém, a descoberta de um esqueletode Ardipithecus ramidus muda este conceito sugerindo que os ancestrais dos macacosjá foram muito parecidos com os homens atuais. Este fóssil repudia o senso comum deque os macacos atuais foram nossos ancestrais e reforça as teorias evolutivas, as quaispreconizam que o ser humano e os grandes macacos antropoides, como gorila echimpanzé, tiveram o mesmo e desconhecido ancestral comum.Ardipithecus ramidus: fóssil e concepção artítica.O surgimento de uma nova espécie envolve um processo de acúmulo de diferençasgenéticas a tal ponto que o cruzamento entre os indivíduos não produza maisdescendentes férteis, para isso, a seleção natural é fundamental pois, ao longo do tempo,vai favorecendo as ligações entre os genes, que contribuem conjuntamente para umacaracterística comum.Dessa forma, quanto mais fortemente estiverem "ligados" ou apareceram no mesmo
  5. 5. indivíduo genes com alto poder adaptativo, menor será o risco de aparecerem indivíduosem que alguns deles faltem, provocando um desenvolvimento imperfeito. Nesse caso,ressalta a importância dos processos de isolamento reprodutivo, ou de seleção sexual, quefavorecem o acasalamento entre determinados indivíduos em detrimento de outros,garantindo a manutenção dessa ligação genética.Sem dúvida os processos de isolamento reprodutivo fazem parte da herança genética, nãoapenas dos animais como também de todos os grupos de seres vivos com reproduçãosexuada, pois eles desencadeiam a microevolução, um processo que dá origem a novasespécies a partir de uma população ancestral.O isolamento reprodutivo envolve, inicialmente apenas padrões comportamentais dereconhecimento e estranhamento. Nos animais estes sinais sociais precisam ser salientese quase todos têm forma muito exagerada, pois para terem a maior eficiência possívelprecisam ser nítidos e inequívocos, principalmente entre espécies próximas oumorfologicamente semelhantes onde as diferenças são basicamente quantitativas.O zaragateiro (Turdoides bicolor) por Último segundo/Ciência.Hoje, com já dissemos anteriormente, acumulamos tantas diferenças, que nos diferenciamdos nossos parentes primatas que parece meio irracional pensar em estratégias especiaisde isolamento sexual, mas nos primórdios do surgimento do homem nossas diferençasmorfológicas não eram assim tão evidentes. Além disso, não é verdade que os macacosmodernos estejam genealogicamente mais próximos do que nós do ancestral comum quedeu início à divisão entre os símios em geral e os grandes macacos há milhões de anosatrás.O fóssil de Ardipithecus ramidus, com idade estimada de 4,4 milhões de anos confere comprespectivas anteriores de que nosso ramo do arbusto dos grandes macacos apresentariaum ancestral comum com os chimpanzés até 5 e 8 milhões de anos atrás, isso significaque por muito tempo fomos uma mesma espécie.Tanto quanto nós, os chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos são formas bastanteevoluídas e adaptadas aos seus ambientes. Mas é provável que ainda tenhamos na nossabagagem genética uma tendência grande para o desenvolvimento de mecanismos deisolamento sexual baseados em diferenças culturais, como um recurso auxiliar paradiscriminarmos, aqueles que são iguais a nós daqueles que são diferentes de nós.Este aspecto favoreceria, indiretamente, o surgimento dos comportamentos racistas entrediferentes populações ou grupos sociais como uma manifestação do instinto depreservação, ou seja, como um ônus da evolução cultural.Logicamente, não somos apenas seres que se isolam, temos também que considerarnossa alta potencialidade de estabelecimento de agrupamentos humanos, já presentequando éramos primatas e também a intrigante e incompreendida característica do
  6. 6. altruísmo, que nos capacita à filantropia.Assim, vemos em luta as forças dissociativas do isolamento sexual e associativas daformação de grupo. As primeiras nos lançando à luta ou à fuga de tudo aquilo que nosseja estranho, as segundas nos capacitando para a convivência e o desenvolvimento dosprocessos educativos, que podem nos proporcionar um comportamento ou uma culturamuito distanciada da nossa natureza meramente animal.Para Nietzsche: "O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: umacorda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigoso olhar para trás,perigoso tremer e parar. A grandeza do homem é ser ele uma ponte, e não uma meta[...]".Voltando às questões biológicas, é muito difícil precisar até que ponto se pode transpor osconhecimentos obtidos com pesquisas em animais aos seres humanos, mas "faz parte dasabedoria convencional que virtualmente toda variação cultural é originariamente maisfenotípica do que genética" (RUSE,1983).Darwin, por exemplo, apoiava a origem biológica da agressão humana, assim comoafirmava que as diferenças raciais podiam ser explicadas através desse mecanismo.Todavia, essa discussão suscita o problema básico de saber até que ponto os padrões docomportamento humano, de fato, constituem uma função direta dos genes e não dacultura, mas querer "explicar" os processos sociais através do conhecimento biológico éuma ingenuidade, que tem levado muitos biólogos a uma leitura míope acerca do homem.Este ensaio procurou levantar alguns aspectos que favorecessem a reflexão sobre aimportância da cultura para o surgimento e estruturação da espécie humana, no sentidoda mesma ter tido um importante papel no nosso auto-reconhecimento e no isolamentoreprodutivo.Nossa capcidade biológica para estruturação de uma cultura elaborada possibilitou osprocessos educativos. Jacquard (1988) afirma que: "O objetivo primário da educação é,evidentemente, revelar a um filho de homem a sua qualidade de homem, ensiná-lo aparticipar na construção da humanidade e, para tal, incitá-lo a tornar-se o seu própriocriador, a sair de si mesmo para poder ser um sujeito que escolhe o seu percurso e nãoum objeto que assiste submisso à sua própria produção”. O termo "humanitude" define “acontribuição de todos os homens, de outrora ou de hoje, para cada homem" .Por Gladis Franck da Cunha

×